sexta-feira, 29 de julho de 2016

A COLABORAÇÃO DE THE GUARDIAN AO DIREITO BRASILEIRO


Revelação ameaça comprometer delação de Sergio Machado
Do O Povo online:
A delação premiada do cearense Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, corre risco de ser suspensa após revelação do The Guardian. O jornal inglês alega que, em doze meses, o empresário Expedito Machado Neto, filho de Sergio, teria gasto mais de 21 milhões de libras (R$ 90 milhões) em imóveis no Reino Unido.
Segundo a denúncia, nenhum dos imóveis comprados está relacionado na lista entregue ao Ministério Público (MPF) por Expedito -na qual declarou bens adquiridos com dinheiro oriundo de propina no valor total de R$ 75 milhões. O jornal afirma que a própria delação de Sergio e o depoimento de seu filho, também delator, “sugerem” que o recurso teria origem ilegal.
A compra dos imóveis começou em outubro de 2014, mesmo mês em que Sergio Machado deixou a presidência da Transpetro após denúncias da Lava Jato, e seguiram até outubro de 2015.
No período, Expedito adquiriu uma série de escritórios comerciais na Fleet Street – uma rua central de Londres –, um terreno na zona portuária de Leeds e um apartamento no bairro Mayfair. O aluguel das propriedades renderia, segundo o The Guardian, “milhares de libras anuais” ao filho do delator.
Expedito Machado, empreendedor de 31 anos, mora em Londres desde 2012. Conhecido como Did, Expedito é citado na delação de Sergio Machado como intermediador do esquema desde 2007.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República, caso sejam encontradas “inconsistências em qualquer momento”, o acordo de delação premiada pode ser “suspenso”. (...). - (Fonte: O Povo online, AQUI; Comentários sobre o assunto AQUI).
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Nenhuma estranheza. Seria muita ingenuidade acreditar que os paulo roberto youssef barusco machado da silva tenham sido 'completos' quando anunciaram a disposição de devolver aos cofres públicos noventa, cem milhões de dólares, frutos de seus atos ilícitos! Pois em nosso Brasil acordos de leniência acontecem rotineiramente, quase sempre acompanhados, quem sabe?, de 'particularidades' como a citada. Não bastassem os aparentes furos que analistas estão a apontar aqui e ali, a exemplo do "dirigismo de conteúdo" (se você não disser 'isso', que é o que interessa, nada feito) e do 'ad infinitum' (você vai mofar aí até que se disponha a fazer tal coisa). 
O instituto da colaboração premiada é bom, mas precisa ser aperfeiçoado.
Louve-se, por fim, a colaboração do The Guardian, provavelmente fruto do notável, indispensável jornalismo investigativo, meio desprestigiado por aqui.
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(Mais sobre o assunto AQUI, no Tijolaço).

2 comentários:

Jaime França disse...

Acho difícil o cara ter cometido esse erro. Mas os acordo pelo menos o do Machado, foi o melhor até agora. Quem denunciou tantos bandidos quanto ele, principalemente pela gravação??

Dodó Macedo disse...

Eu concordo quanto ao mérito da delação, Jaime. A informação divulgada pelo Guardian me surpreendeu . Surpreendeu em parte, na verdade: o mecanismo da delação sempre me pareceu passível de jogadas espertas a cargo dos corruptos, sempre ávidos em passar a perna em seus acusadores, requerendo deles rigor total nas investigações patrimoniais.

Grato pela visita e comentário.