sexta-feira, 22 de novembro de 2019

UM REPLAY PARA LÁ DE NECESSÁRIO SOBRE O QUE ANTECEDE O JULGAMENTO DO COAF/UIF PELO SUPREMO


"Ensinava o sábio Vitorino Freire: se vir um jabuti em cima de uma árvore, antes de tirar o jabuti pergunte quem o colocou lá.
Vale para o episódio em que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, requisitou acesso a 600 mil alvos da COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). A troco de quê Toffoli iria se expor dessa maneira?
A única explicação racional é que continua em andamento uma guerra interna que poderá definir o futuro da democracia brasileira. E o ato de Toffoli não foi individual, mas dentro de uma estratégia de controle dos abusos.
Vamos entender por partes.

PEÇA 1 – A REBELIÃO DAS CORPORAÇÕES

A mudança de rota nos órgãos de controle  começou bem antes, quando Dilma Rousseff perdeu o controle da administração. Michel Temer tentou recuperar algum controle, nomeando um delegado de confiança para a Polícia Federal e Raquel Dodge para a Procuradoria Geral da República. Mas as instituições já tinham avançado demais e não aceitaram qualquer forma de controle.
Desde o início, a Lava Jato contou com o apoio da elite dos órgãos de investigação, pois representava a substituição da política pelo poder da elite do funcionalismo público. Era a substituição do voto popular pelo concurso público.
Com a blindagem da mídia, tornou-se tão natural apoiar a lava jato que ninguém questionava a legalidade dos atos. Com Bolsonaro, o quadro se agravou.

PEÇA 2 – AS SALAS DE SITUAÇÃO

A mudança de rota do COAF começou após a decisão presidencial de transferi-la para o Ministério da Justiça.  Mas os jogos de poder eram anteriores.
Em entrevista ao Estadão, em 09/12/2018, o então presidente do COAF, Antônio Ferreira, explicou como o COAF atuava lado a lado com os agentes da Lava Jato que viriam em seguida a comandar o Ministério da Justiça do governo Bolsonaro.
Disse Ferreira: “Já existe no Coaf uma 'sala de situação', em que funcionários do órgão mantêm contato remotamente, por exemplo, com a força-tarefa da Lava Jato no Paraná. Uma das ideias em discussão é levar funcionários de outros órgãos para salas de situação na estrutura do COAF.”
Na verdade, o primeiro conceito de “sala de situação” foi na gestão Márcio Thomas Bastos, no primeiro governo Lula, com a criação do SISBIN (Sistema Brasileiro de Inteligência).
As tais “salas de situação” são um improviso, à margem da lei, que na prática conferem ao investigador o poder de escolher pessoalmente as pessoas a  serem investigadas.
Ou seja, o presidente do COAF confessou um crime: servidores do COAF trabalhavam ombro a ombro com os investigadores, escolhiam juntos quem deveria ser pinçado para ser perseguido. Ninguém deu bola para isso na época da entrevista. Estava naturalizada a ilegalidade.

PEÇA 3 – OS INDÍCIOS DE JOGO POLÍTICO

Há dois indícios veementes de uso político do COAF e da aplicação do direito penal do inimigo.
Um, a investigação visando implicar dois Ministros do STF – Gilmar Mendes e Dias Toffoli e respectivas esposas -, investigação alinhada com a Lava Jato, conforme ficou explicitado nos diálogos da Vazajato.
Outro, os relatórios sobre Fabrício Queiroz, o nervo exposto dos Bolsonaro. Os relatórios foram fatiados de tal maneira que o primeiro RIF (Relatório de Inteligência Financeira) apontou movimentação financeira de apenas R$ 1,2 milhão quando, depois, apareceram outros RIFs mostrando que movimentou um mínimo de R$ 7 milhões.
Tudo indica que esse fatiamento foi uma articulação entre os defensores da Lava Jato dentro das instituições (PF, MPF, COAF, MP/RJ) para que o Queiroz e  Flávio Bolsonaro não se tornassem alvos da Operação Furna da Onça.
Há enorme possibilidade de que a movimentação financeira dos principais suspeitos na morte de Marielle Franco apareça nesses RIFs.

PEÇA 4 – A FISCALIZAÇÃO DO STF

Tudo isso poderá ser verificado a partir da análise desse imenso banco de dados fornecido pelo BC.
A dificuldade maior é que esses dados brutos constantes dos RIF não são amigáveis. Para se chegar a algumas conclusões preliminares, o STF precisaria contar com o auxílio de uma forte equipe de Auditores Fiscais da Receita Federal, que são as autoridades com  a incumbência legal e a permissão de acessar os diversos sistemas da Receita Federal para cruzar informações e descobrir outras relações de interesse fiscal e econômico das pessoas citadas nos RIF
Como o STF faria isso se não pode confiar na cúpula da Receita Federal controlada por Bolsonaro e fortemente alinhada com a Lava Jato? Essa é a grande incógnita.
Se o STF conseguir o apoio de uma equipe de auditores fiscais não comprometidos com os métodos lavajatistas, certamente poderá avançar bastante para sair dessa zona obscura em que nada se resolve.

PEÇA 5 – BOLSONARO

Há um conjunto de indício de que Jair Bolsonaro sentiu a água chegando perto do nariz.
  1. O recuo nas negociações com a China.
  2. O afastamento do filho mais tresloucado, Carlos Bolsonaro, das redes sociais. A imprudência do filho nas mensagens deu munição para os que investigam suas ligações com o caso Marielle e exposição à CPI dos fakenews, em um momento de desmanche da base de apoio político de Bolsonaro.
  3. A tentativa de reaproximação com Sérgio Moro, que deixou de ser humilhado em público para ser apresentado como candidato a vice em 2022."


(Artigo de autoria de Luis Nassif, intitulado "O Porquê do Ato de Toffoli Sobre o COAF"/'Xadrez Para Entender o Ato de Toffoli Requisitando os Dados do COAF', reproduzido neste Blog em 16 de novembro - Aqui.

Nassif, na oportunidade, ressaltou: "A única explicação racional é que continua em andamento uma guerra interna que poderá definir o futuro da democracia brasileira."

Se o que o presidente do Supremo e do CNJ pretendia era inteirar-se de 'elementos' que lhe permitissem demonstrar, num futuro que esperamos próximo, o "estado paralelo" formado por procuradores enquanto integrantes da Lava Jato, parece ter alcançado êxito, tamanha a, digamos, desenvoltura dos procuradores, ou parte deles. Quando Janot presidia a PGR, o 'clima' para os doutos era dos mais aprazíveis, tipo 'porteira aberta'; após a saída de Janot, aí mesmo é que aumentou a ousadia dos referenciados: era como se a 'instância superior', a 'chefia', inexistisse. Toffoli parece haver tirado isso a limpo. Razão pela qual os votos dos ministros, embora certamente judiciosos, não destoarão do esperado. É legal, sim, o compartilhamento de informações entre órgãos, independentemente de autorização judicial. O que realmente importava a Toffoli - e ao STF - já está enfim assegurado. Que venha a guerra).

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

OLHO NOS VÍDEOS (21.11.19)


Olho nos Vídeos



.JFT - Alberto Villas:
Sobre o caso Marielle .................................. AQUI.

.Alex Solnik:
Bolsonaro declara guerra a Witzel ................. AQUI.

.Paulo A Castro:
STF retoma o julgamento sobre o (ex)Coaf ..... AQUI.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ............................................... Aqui.

.Paulo A Castro:
Guerra Bolsonaro versus Witzel? .................... Aqui.

.GGNLuis Nassif:
A volta do pêndulo do fascismo
e a resistência contra o arbítrio ...................... Aqui.


................

O artigo do dia:

"Moro e o óbvio: Bebianno deu a Pannunzio
prova da suspeição contra Lula", por
Reinaldo Azevedo - blog, Uol, Folha .... Aqui

DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS

                        - O que diz? 
                        - Que nós não temos.

Arcadio Esquivel. (Costa Rica).

PERSPECTIVAS SOBRE O CASO MARIELLE FRANCO




(De Anielle Franco, irmã de Marielle Franco, a propósito do pedido de federalização da investigação sobre o assassinato da vereadora e de seu motorista Anderson Gomes.

Anielle é mestra em Jornalismo e inglês pela Universidade de Carolina do Norte, EUA, e graduada em Letras pela UERJ. É professora, escritora e palestrante, e é a atual diretora do Instituto Marielle Franco.


O jornalista Luis Nassif realizou nesta data a seguinte avaliação sobre a questão: 

"O Ministro da Justiça Sérgio Moro, antes de qualquer análise, decretou que o porteiro do Condomínio Vivendas da Barra teve a intenção de obstruir a justiça. Comportou-se vergonhosamente, ficando a favor do Rei contra o cidadão comum.
Depois, colocou sua Polícia Federal para intimidar o porteiro, até que ele declarasse ter se confundido ao registrar a casa de Jair Bolsonaro na planilha em que anotava a entrada no condomínio de Élcio Queiroz, um dos assassinos de Marielle Franco.
É esse Ministro que pretende federalizar as investigações do caso Marielle. É evidente que não haverá a menor intenção de uma apuração isenta do crime". [Aqui]). 

ECOS DO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


Bira Dantas.

ISRAEL PALESTINA

.
Teatro do Absurdo: Trump Legitima
Assentamentos de Israel na Palestina

                                      "A Solução de Dois Estados."

Patrick Chappatte. (Suíça/Líbano).
....
.Bom dia 247 (21.11.19):
O clã Bolsonaro no caso que infelicita o País ....... Aqui.
.30 minutos com Tereza Cruvinel .................... Aqui.

A FOTO E A OLD PHOTO


Base Aérea do Galeão, Rio, 20.11.19:
  
"Torcida do Flamengo estende faixa 'Stuart Angel vive' na Base Aérea do Galeão, onde atleta foi assassinado" - Brasil 247 - Aqui.
................

Old Photo 

(Texto reproduzido neste
Blog em 29.09.2013):

        Zuzu Angel com os filhos Hildegard, Ana Cristina e Stuart. Foto: Instituto Zuzu Angel. Anos 50.

Esta é a matriarca Zuzu Angel com os filhos Hildegard, Ana Cristina, e Stuart. Em 1971, durante os anos de chumbo, a polícia prendeu e assassinou Stuart Angel, que era militante do grupo de extrema esquerda MR-8, desaparecendo com o seu corpo. A partir daí, Zuzu Angel começou uma busca incansável ao corpo do filho, conseguindo chamar a atenção de diversas personalidades pelo mundo. No Brasil, essa corajosa mãe passou a incomodar setores do exército. Em 14 de abril de 1976, Zuzu morreu num suspeitíssimo acidente de carro. Meses antes, Zuzu escrevera um bilhete que dizia: “Se algo vier a acontecer comigo, se eu aparecer morta por acidente, assalto ou qualquer outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho”. (Fonteaqui).

...............
Permitimo-nos reproduzir o texto abaixo, intitulado "A DIMENSÃO DA EXECUÇÃO DE MARIELLE" / 'A execução de Marielle não foi só crime de gênero ou crime racial, as nove balas atingiram a nossa Democracia', de autoria da jornalista Hildegard Angel, irmã de Stuart Angel, reproduzido por este Blog em 17 de março de 2018, três dias após o assassinato da socióloga e vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), e de seu motorista Anderson Gomes:


"O momento é da maior gravidade. Abrem-se as cortinas da tragédia anunciada. Não podemos restringir a execução de Marielle a mais um crime de gênero ou mais um crime racial. Sua dimensão é ainda mais abrangente. Foi sobretudo um crime político, de cerceamento de opinião. Um tiro fatal na liberdade, nove balas UZZ-18 em nossa agonizante Democracia.
O tiro no Calabouço, em 1968, levou embora o secundarista Edson Luís, mas despertou a massa humana, que desde 1964 se mantinha passiva observadora dos fatos. Nessa era da internet, tudo acontece em maior velocidade. Do golpe de 2016 ao despertar das multidões entorpecidas e da consciência nacional, neste 15 de março de 2018.
As panelas emudecidas e as camisetas da Seleção não quiseram compactuar com o sangue dessa cilada grotesca. Entenderam o quanto foram e têm sido manipuladas em nome de interesses que não são os do povo. As balas que mataram Marielle foram vendidas para a PF de Brasília. Houve uma conspiração muito bem planejada, envolvendo dois carros, um deles clonado.
Executaram Marielle para calar sua militância. Assim como executaram minha mãe, Zuzu Angel, para emudecer suas denúncias e a exposição enlutada de sua dor, com a perda do filho torturado e morto pela ditadura. Da mesma forma como se deu com Marielle, minha mãe foi seguida em seu trajeto, pelo veículo de seus executores, até o local pretendido para a eliminação. Tudo de acordo com os manuais técnicos da maldade. Duas décadas depois, as investigações dos Conselhos de Desaparecidos e Comissões da Verdade jogaram luz sobre o que se tentou fazer passar por “acidente”, e esclareceram que houve uma emboscada para exterminar Zuzu. Bem como, inicialmente, quiseram fazer a execução de Marielle passar por mais um assalto entre tantos na cidade. Não colou.
O efeito dessa campanha desmoralizadora logo se fez sentir. Hoje, em minha hidroginástica frequentada por pacatas senhoras do bairro, uma delas, enfurecida, bradava contra os “direitos humanos” que Marielle defendia. Na campanha em circulação, eles maliciosamente a comparam a uma médica não militante, que morreu num assalto e não teve as mesmas glórias na morte. Propaganda cheia de obviedades, para atingir mentes desprevenidas.
E de repente me vi, não mais na piscina azul da academia, porém numa piscina de sangue. O sangue que o pensamento fascista já verteu no Brasil e poderá fazer ainda jorrar muito mais. O sangue de minha mãe, em 1976. O sangue de Stuart, de Sônia, de Maria Helena, de Vlado, de Rubens Paiva e muitas centenas, nos Anos de Chumbo. O sangue de Marielle neste 2018. O sangue de Anderson Gomes, a vítima errada na hora inadequada. O sangue de muitos outros que precisarão ser emudecidos.
A Democracia está sangrando por Marielle, por Anderson, por nossos filhos, por todos aqueles que não se calam."  -  (Hildegard Angel - 18.03.2018 - Aqui).

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

OLHO NOS VÍDEOS (20.11.19)


Olho nos Vídeos


.Eduardo Guimarães:
Impressões em torno do caso Marielle ......... AQUI

.Paulo A Castro
Julgamento do COAF no STF
Parte Um ................................................. AQUI.
Parte Dois ................................................ AQUI.
(Noite:) Palocci ainda mais desmoralizado .... Aqui.

.Nocaute - Fernando Morais:
Lula fala ao Nocaute .................................. AQUI.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ............................................. Aqui.

.Alex Solnik:
O porteiro mudou a versão ......................... Aqui.

.Boa Noite 247:
O desafiador caso Marielle .......................... Aqui.

OS POSSÍVEIS ACESSOS ILEGAIS AO COAF

.
Tendo a informação do COAF, procuradores buscavam depois as provas por outros meios para trazer aos autos

               (clique sobre a imagem para ampliá-la)

Dias Toffoli comprova acessos ilegais ao sistema do COAF 

Por Luis Nassif

Segundo o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, em três anos, a UIF (Unidade de Inteligência Financeira) enviou ao Ministério Público 972 RIFs (Relatório de Inteligência Financeira) espontaneamente. Nenhum deles teria sido solicitado pelo próprio órgão. Se os membros do MP quiserem dados novos, segundo o procurador-geral, “precisam preencher, assinar e submeter à UIF formulário próprio antes de ter acesso a qualquer informação”.

Partindo da premissa de que o PGR não está faltando com a verdade, o que isso quer dizer?

1 – que o MPF apenas recebeu RIFs do COAF e não pediu nenhum, nem para ter novas informações.
2 – como, evidentemente, não é assim, pois é comum as autoridades investigativas pedirem novas e mais detalhadas informações, a solução desse imbróglio só pode ser resolvida de uma das duas formas, ou com as duas formas utilizadas simultaneamente:
O MPF pedia que essas novos pedidos fossem feitos por Auditores Fiscais da Receita Federal, que depois passariam as informações ao MPF, informalmente, como noticiou o The Intercept.
Ou os próprios procuradores do MPF acessavam as informações diretamente, tentando não deixar rastro nos autos dos processos. Tendo a informação do COAF, buscavam depois as provas por outros meios para trazer aos autos.
De qualquer forma, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, conseguiu as informações que queria, sobre os acessos informais (e ilegais) às informações do COAF.
É mais um ponto de peso, no julgamento sobre a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro.  -  (Fonte: Aqui).

SERIOUS CARTOON


Rucke.

SERIOUS ILLUSTRATION

Luscar.
....
.Boa noite 247 (19.11.19):
Racismo na Câmara ................................................... Aqui.
.Bom dia 247 (20.11.19):
Impressões adicionais / Inc. cartunista Latuff  ......... Aqui.

ONTEM HOJE

Fernandes.
....
Entreouvido nos bastidores:
"?!"

SOBRE REVELAÇÕES, PACOTES E PING-PONGUES


.PING

Nenhuma palavra acerca da declaração do advogado e ex-ministro Gustavo Bebianno sobre o fato de que o ex-juiz e atual ministro Sérgio Moro, antes mesmo do primeiro turno das eleições presidenciais de 2018, deu início a uma série de reuniões com emissário (ministro Paulo Guedes) da chapa Jair Bolsonaro, oportunidades em que teriam acertado a nomeação do ex-juiz como ministro da Justiça, garantida sua indicação, na época oportuna, para ministro do Supremo.

Vale lembrar que, sintomaticamente, poucos dias antes do primeiro turno da disputa, o ex-juiz liberou a publicação da primeira parte da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci - mesmo desacompanhada de provas (aqui) -, fato que, claro, repercutiu negativamente na chapa de Fernando Haddad.

A 'inconfidência' de Gustavo Bebianno sobre a barganha Moro / chapa Bolsonaro certamente reforçará, ainda que informalmente ('fora' do processo), as alegações oferecidas pela defesa do ex-presidente Lula no pedido de Habeas Corpus em que é solicitada a suspeição do ex-magistrado por flagrante e reiterada parcialidade. Acatado o pedido, estarão automaticamente anulados todos os atos praticados por Sérgio Moro relativamente aos processos em que o ex-presidente figura como réu.

O PING, então, diz respeito ao silêncio obsequioso com que a bombástica revelação de Bebianno foi recebida pela grande mídia, queremos dizer, a grande emissora.


.PONG

O projeto de lei contra o crime, organizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, é anterior ao projeto anti-crime do ex-juiz Sérgio Moro. Ontem, 19, aconteceu o anúncio dos resultados da análise a que se chegou no Parlamento, e os destaques foram:  

(a) o acolhimento das principais propostas do projeto organizado pelo ministro Alexandre de Moraes;  

(b) a derrubada das principais bandeiras do pacote anti-crime do ex-juiz: a prisão após condenação em 2ª instância (licença para prender definitivamente, mesmo sem a observância do trânsito em julgado), a excludente de ilicitude (licença para matar) e a adoção do Plea Bargain (licença para barganhar a confissão de culpa com a redução da pena).

Não obstante, Sérgio Moro mereceu da grande mídia (Globo-JN) tratamento tão ou mais especial do que o oferecido ao ministro Alexandre de Moraes. Simples assim.

Poderíamos concluir o presente texto com alguma observação irônica, expressando o nosso sentimento de condenação a esse jornalismo que se pretende exemplar, isento, inspirador, mas não, limitamo-nos a refletir sobre os malefícios que o mau jornalismo pode produzir. Nesse sentido, vale perguntar como a opinião pública - desinformada sobre pontos cruciais - reagirá ante a eventual 'decretação', pelo Supremo, da suspeição do ex-juiz.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

OLHO NOS VÍDEOS (19.11.19)


Olho nos vídeos 


.Eduardo Guimarães:
Ecos da nova denúncia contra Moro ............. AQUI.

.Giramundo - Aline Piva:
O primeiro efeito geopolítico
golpe na Bolívia ........................................ AQUI.

.Paulo A Castro:
O gol de Toffoli contra a Lava Jato ............... AQUI.
(Noite:) Sobre o STF e o acesso ao Coaf ....... Aqui.

.Alex Solnik:
Bolsonaro deu no pé .................................. AQUI.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ............................................. Aqui.

.Papo com Zé Trajano:
50 anos do 1000º gol de Pelé! ..................... Aqui.

.Boa Noite 247:
Racismo na Câmara (19.11.19) ................... Aqui.

STUPID CARTOON


Quinho.

QUANDO BOB DYLAN GANHOU O NOBEL DE LITERATURA

.
Navegando pelo Gooble em busca de certa informação, nos deparamos com o  texto abaixo, de outubro de 2016, agradável matéria - que nos permitimos compartilhar: 


"Nos tornamos hippies por causa de Bob Dylan", diz o jornalista Alex Solnik

“Na primeira entrevista, ainda um ilustre desconhecido, perguntaram a Dylan se quando ficasse rico e famoso continuaria usando chapéu. ‘Eu nunca vou ficar rico e famoso’ respondeu. Cinco anos depois já tinha um avião particular”, diz Alex Solnik, ao comentar a trajetória de Bob Dylan, o novo Nobel de Literatura; “Viramos hippies por causa de Bob Dylan. Ele era o cara que nunca sorria, o cara sério, tinha aquele olhar de quem sabia o que virá daqui a um século. Um visionário”.

Petar Pismestrovic. (Áustria).

Por Alex Solnik

Imagino os horrores que ele deve ter passado na infância e adolescência. Em qualquer família não é bem aceito quem se desvia do caminho estabelecido pelos pais. Os rebeldes tendem a ser sufocados. Mas numa família de origem judaica de imigrantes da Rússia morando nos Estados Unidos isso é mais dramático ainda. Seus avós fugiram dos pogroms da revolução bolchevique de 1917. Poderiam ser assassinados ou então deportados para a Sibéria.
Exemplifico com o que se deu na minha família. O pai da minha mãe era um próspero comerciante numa cidadezinha da Ucrânia. Não era um barão, apenas estava bem de vida. Pois bem. Grupos bolcheviques invadiram sua casa e sua loja, roubaram todos seus objetos de valor e o enviaram, com a mulher para a Sibéria, como castigo por ter um bom padrão de vida. Minha avó não resistiu ao choque, morreu dois anos depois.
Imigrantes fugitivos num país novo ficam desconfiados de tudo e de todos. Têm pavor de sair fora do que é considerado normal. Uma personalidade rebelde como a de Robert Allen Zimmerman deve ter sofrido uma enorme repressão, o que geralmente provoca isolamento e dedicação a afazeres tipicamente solitários, como escrever. Comigo também foi assim. Eu não me adaptava ao que era exigido de um menino da minha idade e da minha origem, como o comparecimento aos dias de festa e também todas as sextas-feiras à sinagoga. Eu nem tinha opção de recusar. Era ir ou ir. Faltar à sinagoga seria o fim do mundo, a vergonha definitiva diante de toda a família. Sermões intermináveis da minha mãe, acompanhados de puxões de cabelo. Posso supor que na casa de Zimmermann não era diferente.
Eu comecei a escrever poesias muito cedo e ainda me lembro que anotava tudo num caderno escolar de capa verde. Era a reprodução para o papel de versões das canções que eu escutava no rádio. Um detalhe é que aquelas velhas canções eram, em sua maioria, tristes. Se falavam de amor era porque alguém traiu alguém, ou alguém que eu amo desesperadamente não me olha ou então porque eu tinha um grande amor e ele me abandonou.
Junto dos títulos eu colocava o suposto ritmo em que os versos seriam ouvidos no futuro: valsa, samba-canção, bolero. Eu me isolava para escrever. Não sei se o isolamento levava a escrever ou se escrever levava ao isolamento. Mas havia momentos em que eu achava que poderia passar vários dias sem sair do meu quarto que se localizava no andar superior do sobrado onde eu morava.
Robert Allen Zimmerman não escutava boleros no rádio, como contou, há dois anos, a Robert Love, editor-chefe da AARP The Magazine, dos Estados Unidos:
   “Logo no início, antes do rock’n’roll, eu ouvia as big bands: Harry James; Russ Columbo; Glenn Miller. Cantores como Jo Stafford; Kay Starr; Dick Haymes. Qualquer coisa que vinha pelo rádio e a música tocada por bandas em hotéis que nossos pais frequentavam e podiam dançar. Tínhamos um grande aparelho de rádio que parecia uma jukebox, com um toca-discos no topo. Todos os móveis foram deixados na casa pelos proprietários anteriores, incluindo um piano. Este rádio e o toca-discos além de discos de 78 rpm eles também deixaram pra trás. Então quando nos mudamos encontramos essas coisas. Um dos álbuns tinha uma etiqueta vermelha, da Columbia Records. Era Bill Monroe cantando, ou talvez fossem os Stanley Brothers. A gravação era, “Drifiting Too Far From Shore.” Eu nunca tinha ouvido nada parecido antes. Essa especificamente me afastou de toda a música convencional que eu vinha escutando. Para entender isso, você tem que saber de onde eu vim. Eu sou do Norte. Nós ouvíamos rádio o tempo todo. Acho que foi a última geração, ou muito perto da última, que cresceu sem TV. Então o rádio era nossa diversão. A maioria destes programas eram dramas do tipo rádio teatro. Era a nossa TV. E tudo o que você ouvia. E imaginava enquanto escutava.  Os cantores que eu ouvia no rádio e com quem me identificava eu nunca tinha visto. Divagava sobre o que estariam usando. Ou como eram seus movimentos. Gene Vincent?  Eu o imaginava um sujeito magro, um cara muito alto e de cabelos loiros. O rádio me fez ser o ouvinte que eu sou hoje. Me ajudou a ficar atento às pequenas coisas: o bater da porta; o tilintar de chaves do carro. O vento soprando através das árvores; o canto dos pássaros; passos; um martelo batendo um prego. Sons aleatórios. As vacas mugindo. Eu poderia amarrar isso tudo e fazer uma música. Isso me fez ouvir a vida de uma maneira diferente. Eu ainda ouço alguns desses antigos programas de rádio, e a maioria deles continua no ar. Quer dizer, as piadas podem estar um pouco desatualizadas, mas as situações parecem ser a mesma coisa. Eu não escuto “The Fat Man” ou “Superman” ou “Inner Sanctum” de uma maneira que você poderia chamar de nostálgica. Eles não trazem de volta algumas memórias. Eu apenas gosto deles.
Não sei se ele, aos 12 anos, morando numa cidade de Minnesota soube que um poeta do País de Gales fazia grande sucesso nos cafés de Nova York recitando poemas que hipnotizavam a plateia. O fato é que uns oito anos depois Zimmermann já dava suas primeiras entrevistas à TV e, quando perguntavam seu nome respondia: “Bob Dylan”. Porque ele queria ser Dylan Thomas. Menos mal que a inspiração se limitou aos versos, já que Thomas era um grande beberrão e morreria de cirrose antes dos 40.
Na primeira entrevista, ainda um ilustre desconhecido, ao programa Folksingers Choice da rádio WBAI, de Nova York, em fevereiro de 1962, perguntaram a Dylan se quando ficasse rico e famoso continuaria usando chapéu. “Eu nunca vou ficar rico e famoso” respondeu. Embora já naquela época fosse lacônico é uma de suas entrevistas mais descontraídas, em que não briga com os entrevistadores, o que não seria incomum nos anos e nas entrevistas seguintes.
“Quantos anos você tem”? pergunta a entrevistadora.
“Vinte” responde Dylan.
“Quando você começou a sua carreira”?
“Há três anos, em Minneapolis”.
“No que você trabalhou antes”?
“Há uns seis anos trabalhei num parque de diversões como faxineiro, ajudante de várias coisas. Eles tinham uns números de aberrações humanas, como uma mulher cujo corpo havia sido queimado e que por algum motivo parara de crescer, parecia um bebê. As pessoas pagavam para ver essas aberrações. Isso me marcou muito. Fiz uma canção a respeito, mas não me lembro mais dela”.
“Quer dizer que você fugiu da escola”?
“Eu já tinha fugido da escola anos atrás”.
“Vai gravar um disco pela Columbia”?
“Vou. Em março”.
“Como vai se chamar”?
“Bob Dylan, eu acho”.
No final a moça agradeceu a presença de Dylan e ele devolveu a gentileza:
“Foi um prazer conversar com você”.
Cinco anos depois já tinha avião particular. Bob Dylan tornou-se não apenas o novo nome, mas a nova identidade do poeta adolescente. Estava em Nova York sozinho e se dizia órfão. É compreensível que precisasse romper com o cordão umbilical para crescer, depois de ter cometido o pecado mais grave que se pode cometer numa família judaica: abandonar os estudos.
Levando-se em conta que ir à escola é condição sine qua non de qualquer família, mas sobretudo a judaica, a sua casa deve ter virado um pandemônio quando ele comunicou – se é que comunicou – que abandonara as aulas.
O ar dentro de casa deve ter se tornado irrespirável. Ele deve ter ouvido os piores xingamentos dos pais e dos avós, a começar por “vagabundo” e “sem vergonha”. Não, não se admitia uma criança que não sabia de nada da vida trocar os ensinamentos da escola pelo burburinho das ruas.
A sua carreira foi explosiva. Ele percebeu que não bastava escrever tão bem quanto Dylan Thomas. Se ele quisesse que seus versos chegassem a muita gente não funcionaria fazer recitais. Graças à sua rara inteligência ele descobriu que o jeito de levar seus versos a multidões era colocá-los não dentro de um recital ou de um livro, mas de uma canção. Então aprendeu a tocar violão e gaita em homenagem aos seus poemas.
Era paradoxal observar que ele cantava como todos os outros cantores, mas não era um cantor comum. Ele não interpretava canções tão somente. Aquela era sua vida. Ele cantava o que vivia. A sua vida e a sua canção eram uma coisa só, intrinsecamente ligadas. Indissolúveis. Não havia canção em que ele não estivesse inteiro.
Não sei se era isso ou o que era, mas suas canções tinham alguma coisa que tomava a pessoa da cabeça aos pés e a tornava sua escrava.  Ele tinha (e ainda tem) o poder de hipnotizar milhares de pessoas ao mesmo tempo, estejam longe ou perto. Não se trata aqui de fãs, mas de profissionais. É fácil notar a mudança na qualidade literária das canções dos Beatles à medida em que assimilavam a influência de Dylan.Começaram dizendo coisas tais como “I love You/ ye, ye, ye” e “I wanna hold your hand” e evoluiram para “I saw a film today, oh boy/ the english army won the war”. Não é difícil perceber que John Lennon passou a imitar Dylan até nas roupas e nos óculos. Paul McCartney declarou: “Dylan é meu ídolo”. Para Ringo Starr, “é nosso herói”. Nada do que se produziu no cenário pop deixou de ter a sua marca depois que ele surgiu.
Cinco anos depois da entrevista à rádio de Nova York ele não dava mais entrevistas exclusivas, mas coletivas de imprensa, tal a sua dimensão, como essa, no lançamento de seu disco “Highway 61 revisited”.
Pergunta de um repórter de óculos e barba:
“Gostaria de saber o significado de sua foto com a camiseta Triumph na capa do disco. Se significa algo, se encerra uma filosofia”?
Dylan esboça uma risada, apoia o queixo na mão, visivelmente incomodado com aquilo.
“…e eu gostaria também de saber o que significa para você visualmente, porque você é parte disso”.
“Não reparei nisso tanto assim” responde um Dylan magrinho metido num paletó estiloso, muito cabeludo e cara de quem tinha acabado de acordar “na verdade fizeram a foto um dia quando eu estava sentado numa escada. Não me lembro muito”. (Apanha no bolso interno do paletó uma carteira de cigarros.) Não me preocupo muito com isso”.
“Mas o que me diz da moto como imagem em suas composições”?
Acende o cigarro:
“De certo modo, todos nós gostamos de motos. Eu gosto”.
Uma repórter morena e extrovertida:
“Prefere canções com mensagem sutil ou óbvia”?
“Com o que”???
“Com uma mensagem sutil ou óbvia”.
“Com mensagem… que canção com mensagem”?
“Bem, como ‘Eve of Destruction’ e coisas assim”.
“Que se prefiro que a que”?
“Não sei, se as suas canções têm uma mensagem sutil”.
“Uma mensagem sutil”?
“Bem, se supõe”…
Ela, Dylan e todo o auditório de uns trinta jornalistas caem na gargalhada.
“Onde você ouviu isso”? pergunta Dylan.
“Numa revista de cinema”…
“Meu Deus”!
Um repórter não identificado visualmente:
“Você se considera fundamentalmente um cantor ou um poeta”?
“Me considero mais um artista que canta e dança, cara”!
Outro jornalista, de terno e gravata e cabelo arrumadinho com glostora:
“Sr. Dylan, sei que não gosta de rótulos, provavelmente com razão, mas para nós que já completamos 30 anos poderia colocar-se uma etiqueta e talvez nos dizer qual é o seu papel”?
“Bem, eu me rotulo como alguém bastante abaixo dos 30…e meu papel é ficar aqui todo o tempo que eu precisar ficar”.
Outro repórter sentado à esquerda de Dylan:
“Muita gente o considera o símbolo dos protestos principalmente entre os jovens. Vai participar da manifestação contra a Guerra do Vietnã essa noite no Hotel Paramount”?
“Essa noite estou muito ocupado”.
Não há dúvida que ao dar essa entrevista Dylan estava visivelmente chapado.
Para nós aqui em São Paulo ele já nasceu uma lenda quando o conhecemos. Nem se não quiséssemos não poderíamos não ser influenciados por ele. Não precisávamos nem ouvir suas músicas, mas reproduzíamos suas roupas e suas atitudes. Aquela jaqueta de brim que ele usava virou febre. Sumiu das lojas. Muitos deixaram crescer o cabelo como seu, que parecia black power. Dylan era a voz daqueles que se opunham à guerra e outras violências de estado, como ocorria contra os negros nos Estados Unidos. Dylan trouxe à cena musical um mundo adulto, com dúvidas e interrogações.
Impressionante, pela primeira vez as pessoas ouviam versos de alta qualidade em forma de melodias folk ou rock and roll e os aceitavam. Talvez porque precisassem daqueles versos como nunca. Principalmente aqueles que não concordavam com a violência contra os negros e a Guerra do Vietnã e não sabiam o que dizer. Dylan lhes deu argumentos. Dylan lhes deu voz. Não porque quisesse ser Moisés. Não, ao contrário, ele nunca se deu bem com seguidores, nem os quis.  Chegou na hora certa, em que faltava dar uma resposta ao establishment, aos canhões, era preciso encontrar uma forma de não se render. Ele representava a liberdade de escolha de como viver e do que fazer, mas também a liberdade de negar que homens destruam outros homens.
Posso dizer que na minha turma, na grande turma que se opôs à ditadura de 64 havia a tese de que ou você era alienado, e fumava maconha, ou então não era, e entrava para a guerrilha. Dylan mostrou que as opções não são excludentes. Ele fumava maconha – não só fumava como apresentou o primeiro baseado a John Lennon – mas não era alienado. Então nós também podíamos fumar maconha e não sermos alienados. Foi Dylan quem nos disse que maconha não tinha que ser exclusiva das classes mais pobres, enquanto a elite consumia cocaína. Também foi ele quem nos abriu as portas para o LSD. Não que suas poesias dissessem isso, nunca aconteceu. Ele nunca fez proselitismo de coisa alguma. O fato é que nós queríamos ser Bob Dylan e ao aceitarmos alguns de seus hábitos imaginávamos sermos ele. Ele experimentou várias drogas, inclusive heroína, da qual se livrou, o que admitiu numa entrevista gravada: “Gastava 25 dólares por dia”, disse ele.
Fumamos maconha por causa de Bob Dylan. Viramos hippies por causa de Bob Dylan. Ele era o cara que nunca sorria, o cara sério, tinha aquele olhar de quem sabia o que virá daqui a um século. Um visionário.
Eu ficava encafifado com um detalhe naquele tempo: por que os caras do Rolling Stones nunca o homenageavam se o seu nome vinha de sua “Like a Rolling Stone”, embora tivessem colocado a expressão no plural?
Até que um amigo esclareceu: o nome dos Rolling Stones não vem, nem poderia vir de Dylan, porque o grupo é de 1962 e a canção, de 1965. A canção e o nome do grupo foram inspirados numa outra música, composta em 1950 por Muddy Water, chamada “Rollin’ Stone”.
A prova mais eloquente de sua influência e de sua permanência são as frequentes performances de um de seus admiradores brasileiros ao longo dos anos. Enquanto foi senador da República, Eduardo Suplicy cantou várias vezes, inclusive no púlpito do Senado Federal, à capela, desafinando sem se importar com isso o hino libertário “Blowin’in the Wind”.
Seus conflitos com jornalistas são antológicos. Eles querem que ele se rotule, querem que explique o que quis dizer com determinada frase, qual foi a mensagem que quis passar. Dylan nunca levou a sério esse tipo de pergunta. Certa vez um repórter quis saber quantos cantores de protesto ele conhecia: “146”, respondeu ele, contendo o riso. O repórter, sem alterar a voz retrucou: “Exatamente 146”? E ele: “Não, acho que são 147”. Ele é bom nisso. Ele não tem nenhuma pena de repórteres que fazem perguntas idiotas, não faz o gênero “bonzinho”, aquele que é simpático com a imprensa para a imprensa ser simpática com ele. Detona quem tiver que detonar. É a sua grande especialidade. Não esconde o que pensa. Os russos são assim.
Muitos brasileiros tentaram, voluntariamente ou não, ser Bob Dylan. Um deles foi Belchior. Mas é perda de tempo comparar as obras. A de Dylan é uma caudalosa coleção de imagens inesperadas e inóspitas, em sequências que por vezes lembram roteiro de filme e, outras, uma grande reportagem. Belchior nunca chegou às alturas que ele frequenta desde sempre. Poderíamos falar em Raul Seixas, como também em Renato Russo e suas letras quilométricas, nenhum dos dois, no entanto, apresentou algo tão grandioso quanto “Hurricane”, na qual conta a história real do boxeador Rubin Carter, conhecido como “Hurricane”, para ficar apenas em uma de suas obras-primas:  -  (Para continuar, clique Aqui).