segunda-feira, 15 de julho de 2019

LAVA JATO: COMO AGIU O CNJ


"Entra e sai da pauta direto. Quando completar dois anos eu vou mandar um bolo para a Cármen Lúcia."




(De Wadih Damous, advogado, ex-dirigente da OAB-RJ, ex-deputado federal e advogado do ex-presidente Lula, palavras ditas em 17.03.18, a propósito da recusa do Conselho Nacional de Justiça em proceder ao julgamento de recursos/reclamações contra o ex-juiz e atual ministro Sergio Moro enquanto julgador de processos atinentes à operação Lava Jato, recursos esses basicamente relacionados ao já citado ex-presidente. 

Acrescenta Damous, quanto aos arquivamentos: "Numa análise retrospectiva, atribuo o arquivamento a uma proteção corporativa ao então juiz Sergio Moro. O recurso não foi pautado porque haveria a percepção de que Moro seria penalizado".

As informações acima estão alinhadas em matéria desta data - AQUI -: "Recursos que poderiam ter afastado Moro da Lava Jato ficam 2 anos sem julgamento", publicada na Folha.

Ao longo dos dois anos citados, quem presidiu o STF e o CNJ foi a ministra Cármen Lúcia, que em cada plenária - semanal - do Conselho propunha o adiamento do julgamento de recurso[s]/reclamações[s] interpostos por pessoas ligadas à Lava Jato. Com a conclusão do mandato da ministra Cármen, inicia-se a gestão do ministro Dias Toffoli. Foi então que, segundo consta, o então juiz Moro teria recebido de alguém a informação de que não mais haveria a possibilidade de postergar o julgamento das gravíssimas pendências [por que gravíssimas? Porque, de tão graves, não houve meio de determinar, monocraticamente, o arquivamento; nessa situação estariam 11 reclamações -, as quais se somariam aos dois recursos a que alude a matéria da Folha]. O temor quanto ao desfecho do julgamento de tais pendências é que teria 'apressado' a decisão do então virtual ministro em encerrar suas atividades como juiz, passando a trilhar um novo caminho, diligentemente preparado por ele, como depois viríamos a saber. Mas aí já é aquela outra história).

OLHO NOS VÍDEOS (15.07.19)


Olho nos Vídeos


.Band: O É da Coisa - Reinaldo acusa* ...... AQUI.
(Denúncia explosiva!)

.Click Política: Repercussão d'O É da Coisa  AQUI.

.Caixa-Preta - Ana Roxo/Fernando Morais:
Glenn dá aula de democracia na Flip ........... AQUI.

.Paulo A Castro:
Afinal, a quem serve a Lava Jato? .............. AQUI.
A trama (bem-sucedida) no TRF4 e no CNJ .. AQUI.
Moro sinaliza que PGR o protegia no STF ..... AQUI.

....

(* = Clique AQUI para conferir:

"Para Deltan e 'Robito', amanhãs gloriosos, para a população, terror e medo", por Reinaldo Azevedo, do Uol e do programa O É da Coisa, e Leandro Demodi, do site The Intercept Brasil. Absurdos, quero dizer, ilegalidades em série!

.AQUI para inteirar-se de:

"Moro combina reunião com Deltan e PF para coordenar futuro da LJ. É ilegal!", também de Reinaldo Azevedo e Leandro Demodi.

.E AQUI para constatar que a PGR, enfim, tenta fazer alguma coisa:

"PGR chama Deltan e membros da Lava Jato para 'reunião institucional'", por Alex Tajra).

PARA ENTENDER COMO O CONLUIO NA LAVA JATO CHEGOU À 2º INSTÂNCIA

.
"O óbvio é aquilo que ninguém enxerga, até que alguém o expresse com simplicidade".  -  (Khalil Gibran). 
(Arq.)
Para entender como o conluio na Lava Jato chegou à 2ª instância
Por Fernando Horta (No GGN)
Deixa eu contar uma historinha que talvez vocês não conheçam sobre a Lava a Jato.
Ela começa com uma investigação sobre José Janene, deputado do PP do Paraná em que Moro esconde do Judiciário que o político era o investigado para não entregar o processo ao STF. Ao invés disto, ele diz que estava investigando a “mulher” e “secretária” do Janene.
Antes de ser conhecida a LJ teve um recurso subindo para o TRF-4. Isto é usado porque após o PRIMEIRO, todos os recursos serão encaminhados para o mesmo grupo de desembargadores. Assim, antes de ser conhecida, a LJ forçou para saber ('definir') qual Vara ia receber todos os próximos recursos.
Após descobrirem para qual Vara o processo iria (como era criminal, só poderia ir para a 7ª ou 8ª turma do TRF-4), a Vara sorteada teve 2 dos seus 3 desembargadores mudados. Um foi para a presidência do TRF-4 e outro, corregedoria. Coisa muito incomum 2 de 3 serem mudados.
Com duas vagas sobrando foram colocados lá, DEPOIS de saberem que ali seria julgada a LJ toda, o João Gebran Neto e o Leandro Paulsen, sendo que o Victor Laus já estava lá. Gebran já era conhecido amigo de Moro, sendo que o ex-juiz tinha substituído Gebran em diversas varas no Paraná.
Depois de acertada a “turma competente”, houve uma discussão sobre se aquele primeiro recurso realmente tornava-a competente, e uma apelação foi sorteada, caindo na 7ª vara. Como era uma apelação, ela definiria a “turma competente” e, por sorteio, tinha caído na vara sem o Gebran.
Com esta novidade fora dos planos, a desembargadora sorteada, Claudia Cristofani, faz uma manifestação “perguntando” se o Gebran não queria pegar aquele recurso. Ao que o Gebran prontamente responde que sim, que era dele a Lava Jato. Ou seja, o sistema de sorteio poderia ter evitado todo o conluio.
Faltava a presidência do TRF-4, afinal, nas discussões sobre competência das varas, quem dava a decisão era o presidente. Então o TRF-4 muda toda a sua lógica (de colocar o mais antigo como presidente) e elege o mais conservador e fascistoide deles: Thompson Flores.
Durante toda a fase dos recursos sobre Lula SEMPRE os envolvidos no julgamento dos pedidos eram Moro na primeira instância, Gebran, Paulsen e Laus na segunda, e Thompson Flores como presidente. Ninguém mais fora do grupinho.
Quem foi que mandou não cumprir a ordem de soltura do desembargador Rogério Favretto? Thompson Flores. Quem foi que deu entrevista dizendo que a sentença do Moro era “perfeita” embora ele nunca tenha lido? Thompson Flores.
Quem definiu a competência de Moro para julgar tudo sobre Lula? Thompson Flores.
Bom, agora começam a sair os vazamentos sobre o conluio descarado e ainda existem dois ou três processos de Lula nas mãos da 8ª turma do TRF4. O STF ameaça soltar Lula e o que o TRF-4 faz? Elege Laus para a presidência do tribunal, novamente invertendo toda a ordem de antiguidade.
E o Laus saiu da 8ª turma para a presidência, então abriu vaga na oitava turma. Agora adivinhem quem pediu para ir para a oitava turma porque estava saindo da presidência do tribunal!
Isto mesmo!!! Thompson Flores! Agora a 8ª vara que vai julgar Lula tem Gebran, Paulsen e Thompson Flores, e na presidência do tribunal, Laus!!! Os mesmos 4 envolvidos o tempo todo no conluio!
Já estão ameaçando abertamente correr com novas condenações caso o STF dê Habeas Corpus para Lula, sempre os mesmos 4, sempre os mesmos julgadores do conluio… Eles trocam posições e continuam DONOS dos processos.
Ou seja, desde o início da LJ foram ARRANJADOS os juízes e desembargadores que iriam julgar Lula. E como não puderam fazer isto no STF, Teori Zavascki foi sorteado, e sabemos o que aconteceu com Teori quando ele resolveu colocar freios nos crimes de Moro, ainda que timidamente.
***
Luis Nassif, editor-chefe do GGN, escreveu sobre a dança das cadeiras no TRF-4 para garantir o poder sobre a Lava Jato neste artigo aqui:
(O artigo de Nassif foi reproduzido neste Blog - AQUI - em 14.05.19).

TUDO PELO VIL METAL

."Deltan montou plano para lucrar  
com fama da Lava Jato" - Folha - Aqui.

Gilmar.
....
.Bom Dia 247 (15.07.19) - Deltan será punido? .......... AQUI.


Aroeira.
....
Entreouvido nos bastidores das redações
"...agora, escândalo, mesmo, é ver a que ponto chegamos, sendo obrigados a sonegar aos leitores, ouvintes e telespectadores informações sobre fatos tão escabrosos...".

COMO REAGIRÁ O JUDICIÁRIO?

.
O artigo abaixo foi escrito logo após a chegada de Veja às bancas, mas antes da matéria bombástica sobre o precioso filão de palestras 'descoberto' pelo procurador Deltan Dallagnol e parceiros, de que cuidou a edição dominical da Folha. Tal particularidade, porém, acaba mesmo é por fortalecer a abordagem, até porque Judiciário e MP atuam em estreita sintonia na #Vazajato e ao fim e ao cabo se confundem. 
(Arq.)
Como o Judiciário reagirá à exposição de sua hipocrisia?
Por Luis Nassif (No GGN)
Depois da última reportagem de Veja, sobre o dossiê Intercept, fica claro que as entranhas do Judiciário serão expostas. Não apenas as manobras com o TRF4, como com instâncias superiores, até bater no Supremo Tribunal Federal.
Ficará claro que a Lava Jato era apenas a peça inicial autorizada, os valentes sem risco, amparados pelo poder real (Judiciário, mídia), enfrentando um governo desarmado – em todos os sentidos, especialmente no sentido institucional.
Qual será a reação? Até agora acusados, juízes e procuradores têm recorrido ao álibi Luis Roberto Barroso. Usam o argumento de que o vazamento foi criminoso para fugir de qualquer avaliação sobre o conteúdo exposto das conversas.
À medida em que o conteúdo da #Vazajato vai se espalhando, a parcialidade do sistema é exposta de forma ampla. Em países civilizados, haveria um constrangimento geral, a condenação dos atos por juízes, procuradores e juristas responsáveis, a crítica embasada da mídia, promovendo um ajuste em direção à legalidade.
Mas o Brasil está no campo dos países selvagens, ocupado por um corporativismo feroz, que atropela todos os limites dos conceitos legais, da própria constituição. Então há o risco concreto da naturalização dos abusos.
Afinal, que juiz irá abrir mão das prerrogativas de um poder sem limites legais? Os juízes sérios, evidentemente, aqueles que seguem os juramentos feitos ao longo da carreira. Mas qual a força deles? Que procurador colocará a dignidade do Ministério Público acima da solidariedade corporativa?
É uma boa aposta. Não aconselho colocar todas as fichas na hipótese da predominância da responsabilidade institucional.

domingo, 14 de julho de 2019

OLHO NOS VÍDEOS


Olho nos Vídeos


.Blog da Cidadania:
Dissecando o 'idealismo' da Lava Jato ..... AQUI.

.TV GGN - Luis Nassif:
Influência da CIA não é mais
teoria conspiratória .............................. AQUI.

.Paulo A Castro:
Espertezas de Moro e Dallagnol .............. AQUI.
El País apura veracidade de mensagens ... AQUI.
Deltan, Moro e as palestras* .................. AQUI.

....
(* = Não deixe de conferir a pungente participação da professora Marta Fernandes de Carvalho nesse vídeo de Paulo A Castro).

REPLAY AGRAVADO

Fernandes.
....
- NÃO HÁ RAZÃO PARA PÂNICO. AFINAL, A PRINCIPAL EMISSORA SILENCIOU GERAL SOBRE OS ÚLTIMOS VAZAMENTOS!

A COLUNA DOMINICAL DE JANIO DE FREITAS


"As Forças Armadas e a imprensa estão em situações equivalentes na opinião pública percebida pelo Datafolha: estão mal em seus respectivos papéis. A posição de mais confiável, ocupada pela instituição militar, é enganosa, porque seu destaque é influído pelo descrédito das demais instituições e categorias.

Os militares do bolsonarismo não estão favorecendo o conceito das Forças Armadas. Excluída a dança da margem de erro, pioraram as três faixas de opinião. Nos últimos três meses, o percentual dos que "confiam muito" nos militares caiu de 45% para 42%. Como, na verdade, quem "confia um pouco" não confia, esses e quem diz com clareza que "não confia" elevam a 57% a proporção dos que não têm confiança nas Forças Armadas.

É um indicador gravíssimo. Também exposto na dedução de que no máximo 43% têm a confiança necessária. Nos países de intenções democráticas, Justiça e Forças Armadas devem ser os pilares de confiança inflexível da população, para todos os efeitos individuais e coletivos. Da Justiça nem é preciso dizer alguma coisa. Das Forças Armadas, o Datafolha dá o básico e os militares do governo dão sua contribuição.

Negativa. O país até hoje não sabe que planos levaram tantos militares reformados, e bom número de ativos, a acorrerem para o governo de um ex-militar que renegou todos os princípios de que os militares se dizem praticantes: lealdade, pundonor (sic), entrega ao dever, e por aí vai.

Se era para controlar o desatino de Bolsonaro, como foi dito ao surgir a aliança, o plano desaguou em fracasso patético. Se, como dito depois, os militares dariam os rumos do governo e Bolsonaro animaria o auditório, a realidade é que os militares não mandam nada. Mal conseguem remendar algum eco do que um deles chamou de "show de besteiras".

Essas intervenções têm, várias delas, prestado desserviço. Ou mostram tolerância solidária com as patetices bolsonaras ou, pior, um nível injustificável. Em tal sentido, a nós outros bastaria a impossibilidade admitir como o primarismo de Bolsonaro combina com seis anos de cursos para formação de oficiais. À custa do Estado, ou dos nossos impostos, e até com remuneração para o aluno.

Entre a escolha e a posse, o novo ministro da Secretaria da Presidência, general da ativa Luiz Eduardo Ramos, falou um pouco a repórteres sobre militares e o país. Mas a atitude simpática foi tisnada por uma afirmação, ou informação, terrível: (...) "isso não nos preocupa, não estamos preocupados com Petrobras, o que nos preocupa é o território". É o território, não o que está sobre ele, não o que faz o país. O petróleo, o combustível que aciona o mundo, a riqueza-chave das nações que o têm e das que o tomam, não preocupa militares brasileiros. Inconcebível.

O mais falante dos generais-ministros, Augusto Heleno Pereira, em geral se ocupa de remendos — "o presidente quis dizer que". Da própria lavra, o que sai é marcado pelo rancor permanente e pelo ultradireitismo. Mas não deixa de exprimir algo que se parece com posição difundida entre militares. É sabido, por exemplo, que os militares do Exército são contrários à preservação da natureza amazônica.

Referem-se, sucintos, à riqueza do subsolo para prover recursos aos governos. Uma opinião simplista. Então o general Augusto Heleno sentencia, contra os ambientalistas de casa e dos acordos internacionais: "Querem manter para depois virem explorar".

Ah, é isso. Outra ideia simplista que se confunde com a anterior, a do território. Juntas fundamentam a "doutrina das Forças Armadas para a Amazônia"? Pode ser. Mas confundem quem as ouve. Parecem implicar é com o "depois", dada a inexistência de discordância militar de presença multinacional na Amazônia mesma, com agropecuária entre outras, e nas jazidas petrolíferas. Contraditório e simplório.

Quase nada se sabe da ideia que as Forças Armadas façam do presente e do futuro brasileiros. Sua representação no governo não atenuou nosso desconhecimento e piorou o conceito que os militares inspiram a seu próprio respeito.

[Registro: Inteligente, com boa formação cultural, Paulo Henrique Amorim foi uma disposição extraordinária de enfrentar graúdos e dissecar o inaceitável. Seu blog, o Conversa Afiada, de mordacidade bem-humorada, por tudo o que o levou ao sucesso, e por tudo o que se necessita nestes tempos, merece um esforço para não faltar também]." 






(De Janio de Freitas, jornalista e analista político-econômico, texto intitulado "Militares do bolsonarismo não favorecem o conceito das Forças Armadas", publicado na edição desta data da Folha e reproduzido no ContextoLivre.

Louvável, sobremaneira, a alusão ao destemido Paulo Henrique Amorim e seu, espera-se, inquebrantável Conversa Afiada).

QUANDO VERÍSSIMO VIU JOÃO GILBERTO AO VIVO


Pact, Pact, Pact

Por Luis Fernando Veríssimo

Era simples. Apenas uma mudança de acentuação, o samba depurado a uma batida nova. Fácil. Mas então por que era tão difícil? Me lembro dos anos 50, nós vivendo nossos dias de Cuba Libre e grandes ressacas, e tentando aprender. Como era mesmo? Pact, pact, pact, pact-pact, pact...

Não era só a batida, era outro mundo que se inaugurava. Um mundo novo, mas com precursores. Lúcio Alves, Dick Farney e Mário Reis foram exemplos de antitenores que cantavam do mesmo jeito suave do João Gilberto, embora não espaçassem as músicas à sua maneira revolucionária. Nada representava melhor o clima musical da época no Rio do que o Johnny Alf cantando e tocando na boate do Hotel Plaza, na Princesa Isabel, para uma plateia quase toda de músicos. Todas as madrugadas.

Elizete Cardoso, grande dama do samba tradicional, que se apresentava regularmente na boate “Cangaceiro”, contribuiu indiretamente para o nascimento da bossa nova. Foi ela que gravou Chega de Saudade, onde o violão do João fazia sua primeira aparição. 

Acho que, forçando só um pouco a comparação, pode-se dizer que Elizete foi no samba o que Miles Davis foi no jazz, um líder de novidades e tendências. Depois do histórico Chega de Saudade ela gravou Elizete Sobe o Morro, inaugurando outra onda, a de sambistas autênticos, muitos esquecidos nos morros. Miles também inaugurou vários movimentos, o também histórico Birth of the Cool, depois uma reação ao “cool”, depois a fusão com o rock, etc. Sempre à frente.

Vi o João Gilberto ao vivo só uma vez. Um grande auditório lotado, em São Paulo. Umas três mil pessoas. Ele sozinho em cima do palco. Demora a começar. Um silêncio tenso da plateia. Nenhuma tosse, nenhum ranger de cadeira. Qual será o problema? Ele nos odeia, é isso. Ele vai nos ... Finalmente, João Gilberto começa a cantar. Todos voltamos a respirar, aliviados. E eu me pergunto que outra pessoa no mundo mereceria aquela reverência?  -  (Aqui).

SERIOUS CARTOON

Benett.
....
.Bom Dia 247 (14.07.19) - Deltan, o fariseu ...... AQUI.

DOMINGO É DIA DE ANÉSIA

Will Leite.
....
ENTREOUVIDO DOMINICAL

"Mas, amigos mesmo, incondicionais, são os órgãos de controle de certas atividades, que coonestam atos para lá de nebulosos, praticados por seus representados."

"De fato, cliquei AQUI, li a matéria 'Deltan montou plano para lucrar com fama da Lava Jato, apontam mensagens' - e fiquei perplexo."

"Mas a festa estaria completa, mesmo, seria com o apoio luxuoso da fundação da Lava Jato, com seus monumentais 2,5 bilhões de Reais originários da Petrobras e instâncias norte-americanas, iniciativa felizmente abortada pelo Supremo."

"Nessa, ao menos, a Suprema Corte obrou bem. Quanto ao mais, tudo deprimente, cara."

sábado, 13 de julho de 2019

CASO DO SUICÍDIO DO REITOR: PEQUENA ÓPERA SOBRE A BANALIDADE DO MAL

."Ao celebrar missa em homenagem ao reitor Luiz Carlos Cancellier hoje pela manhã, no Templo Ecumênico da UFSC, o padre William Barbosa Vianna fez uma denúncia espantosa: ele e outro religioso foram impedidos ao menos quatro vezes pela Polícia Federal de oferecer apoio ao reitor, que foi preso, algemado nu, submetido a exame interno vexatório e encarcerado sem processo judicial. Segundo o padre, a Polícia Federal também proibiu a Pastoral Carcerária de visitá-lo no dia da prisão, em 14 de setembro.

Em seguida, quando a prisão de 'Cao Cancellier' foi relaxada, mas a juíza o manteve exilado da universidade e recolhido em reclusão domiciliar noturna, os padres novamente tentaram socorrê-lo, sabendo de seu abalo emocional, mas não obtiveram permissão para visitá-lo. 'É preciso lembrar que o direito à assistência religiosa é garantido pelo artigo V da Constituição', afirmou William, assessor da Pastoral Universitária da UFSC, fazendo uma revelação que assombrou a própria família do reitor, levado ao suicídio por um espantoso processo de linchamento moral. Até então, sabia-se apenas que Cancellier estava privado do apoio de amigos, principalmente de pessoas de sua convivência na gestão da universidade. (...)."  -  ("Sobre a missa em homenagem ao reitor Cancellier" - Aqui -, texto publicado por este Blog em 07.10.2017). 

Definitivamente, a perseguição intentada contra o reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo constitui uma das maiores excrescências em todos os tempos. Não à toa, em um dos inúmeros posts sobre o tema, pusemos o suplício contra ele imposto no mesmo patamar do 'suicídio' do jornalista Vladimir Herzog pelo regime militar em 1975, nas dependências do Doi-Codi.

(GGN)

Caso do suicídio do reitor: pequena ópera sobre a banalidade do mal

Por Luis Nassif (No GGN)

Em algum momento haverá uma justiça de transição que penetrará fundo nos crimes cometidos nesses anos de libações sangrentas. Mas, até lá, ainda haverá o estupro rotineiro da Justiça.

Ato 1 – a banalidade do mal
Em 1950, Walt Disney produziu um desenho memorável, sintetizando exemplarmente as mudanças de comportamento de uma pessoa quando exposta ao trânsito caótico da era do automóvel.
O ator principal era Pateta, o mais bonachão dos seus personagens. Sai de casa leve, entra no carro e, ali, se processa a transformação. Vale a pena assistir (clique Aqui) porque é uma síntese perfeita da psicologia de massa do fascismo, da banalidade do mal descrita por Hanna Arendt, em um período em que a mancha do nazismo e do holocausto obrigara a humanidade a parar, pensar e analisar seus atos, no breve momento que antecedeu a volta da barbárie.

Ato 2 – o caso do reitor Cancellier

(ggn).
No episódio que resultou no suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a delegada da Polícia Federal Erika Melena, com síndrome de abstinência, decidiu promover um belo espetáculo de remake dos shows inesquecíveis da Lava Jato de Curitiba, convocando centenas de policiais de todo país a Florianópolis para prender professores universitários, com cobertura total da mídia, pela suspeita de desvios de verbas de cursos de extensão. Foi um dos episódios mais dantescos de um tempo de infâmia e de truculência, que acabou levando à morte, por suicídio, do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo.
A corregedoria da Polícia Federal considerou normal o trabalho da delegada Erika, o Conselho Nacional do Ministério Público não viu nada de mais na denúncia do procurador André Bertuol, o Conselho Nacional de Justiça nem analisou a sentença da juíza Janaina Machado. E a violência foi naturalizada pela mídia para não atrapalhar a parceria com a Lava Jato.  Aquilo, deu nisso, mas o Brasil institucional é por demasiado primário, descompromissado com valores, apegado ao imediatismo mais tosco, para imaginar as consequências dessa flexibilização dos direitos.

Ato 3 – o cidadão do bem

(ggn)
Este senhor é o procurador André Estefani Bertuol em seu ambiente de trabalho. Atrás dele, três retratos de familiares em lugar de destaque na estante, denotando um pai amoroso, um homem família do bem. O sorriso descreve um sujeito pacífico, afável, algo tímido. Os cabelos bem assentados, a gravata no lugar, a barba escanhoada, o terno discretamente elegante demonstram sua preocupação em não destoar do seu ambiente, do formalismo jurídico, sem ostentação.
A foto é tão reveladora do homem-família que pode-se imaginar que, no dia 2 de outubro de 2017, ele chegou em casa, deu um beijo nas crianças, afagou o cachorro. Depois tirou o terno e a gravata, provavelmente colocou um roupão, para ficar mais à vontade, jantou e foi com a família assistir no Jornal Nacional o coroamento de sua carreira: o suicídio do reitor Cancellier.
Graças a esse feito, o homem comum saiu da obscuridade do trabalho profissional e ganhou o reconhecimento dos seus pares.
(ggn)
Em um evento meigo, porque mesclado com a entrega de prêmios do 10º Concurso de Desenho e Redação do CGU, o convescote dos homens bons homenageou Bertuol por sua incessante luta contra a corrupção. A homenagem foi preparada pelo Ministério de Transparência e Controladoria Geral da União (CGU) nas comemorações do Dia Nacional contra a Corrupção, sintomaticamente no auditório da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) dos bravos ruralistas.

Ato 4 – como o cérebro se amolda ao ambiente

Respeitando a diferença de dimensão, esse sentimento do dever cumprido, e dos estímulos do reconhecimento social, também era comum nos principais carrascos do nazismo, como era comum nos delegados do DOI-CODI que matavam as pessoas de dia e à noite iam encontrar amigos no Bar do Leo para conversas amenas de pessoas normais, garantidores da paz e da ordem.
Significa que, antes desses tempos turbulentos, eram pessoas com instintos assassinos? Provavelmente não. Significa que os tempos moldam o seu caráter, induzindo-os a serem o que a sociedade da época esperava deles. Hoje em dia, a sociedade promove não mais os bravos defensores dos direitos humanos, mas os inquisidores cruéis, que usam o poder como instrumento de tortura, com a vantagem do sangue das vítimas não respingar em seus ternos bem cortados.
Sugiro assistir (mais tarde, para não interromper a leitura) esse belíssimo depoimento (clique Aqui) no neurocientista Miguel Nicolelis.
Nele Nicolelis mostra como o cérebro humano vai se amoldando a cada situação, aos estímulos recebidos. Estímulos da religião, do respeito humano, ou os estímulos do dinheiro, neste que é o século do dinheiro, a tudo isso o cérebro vai se amoldando, se tornando mais claro, mais cinzento, mais generoso ou assassino.

Ato 5 – a guerra permanente

O homem bom recebeu estímulos variados, da mídia tratando a Lava Jato como operação heroica, de Ministros do Supremo avalizando o direito penal do inimigo, do clima de salvacionismo emanado de um jovem procurador, um tonto acreditando ser Jesus redivivo para salvar a humanidade dos cruéis inimigos venezuelanos, um clima tão feérico, orgiástico, cruel que, após assistir a morte do reitor Cancellier pelo Jornal Nacional, o procurador Bertuol provavelmente foi para a cama, tomou o chá quente e dormiu o sono dos justos. Não sem antes se despedir dos filhos com um beijo na testa. Acordou e prosseguiu em sua cruzada profilática.
Na ditadura, crianças foram mortas porque provindas de pais comunistas. Nos casos menos selvagens, eram tiradas dos pais e entregues clandestinamente a boas famílias, para se salvar do pecado. Na Inconfidência, salgou-se a terra por onde passou Tiradentes para que não nascesse nem grama. No nazismo, a mera menção ao sangue judeu era sentença de morte.
E o bravo Bertuol, envolvido pelo mesmo sentimento dos bravos oficiais da SS, sabendo que o preço da liberdade é a eterna vigilância, e que todos os frutos da árvore podre precisam ser extirpados, prosseguiu em sua cruzada para uma punição post mortem do reitor Cancellier, por sua atitude inominável de se imolar apenas para conspurcar uma operação tão linda quanto a Ouvidos Moucos, caprichosamente planejada até na escolha do nome.
E o homem bom prosseguiu obedecendo aos estímulos vingadores do seu meio, denunciando, agora, o filho do reitor. O motivo foi ter identificado um empréstimo de R$ 7 mil (atenção, sete mil reais) de um professor a ele, em três vezes. Ou seja, R$ 2.333,33 por mês, quase o custo de uma empregada doméstica. O professor havia dado aulas no curso de extensão que se tornou alvo da operação.
Como explicam os repórteres Guilherme Seto e Wálter Nunes, na Folha (aqui)
(ggn)
O professor da UFSC Gilberto Moritz, amigo de Luiz Carlos Cancellier, fez as transferências para a conta de Mikhail naqueles meses. Cancellier não era reitor na ocasião, mas coordenava alguns projetos acadêmicos e Moritz era bolsista em pelo menos um deles. O delegado, então, associou uma coisa à outra.
“Comenta-se que os recursos transferidos para Gilberto Moritz foram oriundos do projeto Especialização Gestão Organizacional e Administração em RH (TJ), coordenado por Luiz Carlos Cancellier, sendo este o ordenador de despesa do referido projeto. Após o recebimento dos recursos, Gilberto Moritz transferiu para Mikhail Vieira de Lorenzi Cancellier filho do ex-reitor Cancellier) o valor de R$ 7.102”, diz o relatório final da Polícia Federal.
O procurador André Bertuol não apresentou novas provas que incriminassem Mikhail, mas chegou à mesma conclusão do delegado de que ele teria se beneficiado de um suposto esquema.
Procurador é uma função derivada do “promotor de Justiça”. Segundo conceitos que se perderam pelos tempos, pelos desvãos da violência e da selvageria. Não são promotores de punição, mas de justiça. Analisam o inquérito. Se houver fundamento, denunciam; se não houver, arquivam. Por R$ 7 mil, em cima de meras ilações, abre-se o inquérito e se investe contra o filho do mal.
No suicídio do reitor, a mídia fez ouvidos moucos. Agora, expressa alguma indignação, pouca.

Ato 6 – a justiça de transição

Coube ao bravo Ministério Público Federal, em seus tempos de defensor das práticas civilizatórias, chamar a atenção para a importância da justiça de transição, de lições aprendidas desde os julgamentos de Nuremberg.
Se não se punirem os crimes do período de exceção, eles tenderão a se repetir indefinidamente. Foi esse argumento que levou o próprio Rodrigo Janot, antes dele, Roberto Gurgel, a encampar a tese, contra a opinião dos Ministros do STF que reconheceram a lei da anistia protegendo autores de crimes contra a humanidade. Gurgel foi convencido quando exposto ao drama de vítimas das torturas.
Um dos grandes sinais do nível de avanço de uma sociedade é sua empatia, sua capacidade de entender o sofrimento causado em terceiros, especialmente por práticas injustas.
(Clique para ampliar)
Esse sentimento foi embotado na sociedade brasileira, após anos e anos de discurso de ódio penetrando em todos os poros da nação e sendo avalizados por Ministros da Suprema Corte, aí não mais agindo como soldados inebriados por reconhecimento, mas como o oficial nazista incumbido do endosso à selvageria. Quando os tempos demandavam juízes sensíveis, se comportaram como humanistas como escada para o topo. Quando os tempos demandaram vingança, se tornaram anjos vingadores. Quando a guerra se ampliou e o país necessitava de homens públicos referenciais para chamar ao bom senso, já tinham esgotado sua cota de caráter.
Em algum momento haverá uma justiça de transição que penetrará fundo nos crimes cometidos nesses anos de libações sangrentas. Mas, até lá, ainda haverá o estupro rotineiro da Justiça.

OLHO NOS VÍDEOS


Olho nos Vídeos


.RESUMIND0 TUDO:
O que disse a irmã de Paulo H. Amorim ........ AQUI.

.TV GGN - Luis Nassif:
Liberdade imprensa ou direito à informação?AQUI.

.CartaCapital:
Vladimir Safatle comenta a conjuntura ......... AQUI.

.Paulo A Castro:
Quem é a fábrica de Fake News da Lava JatoAQUI.
Sobre certos atos praticados por Deltan ........ AQUI.

A ORIGEM DA SÉRIE CERTAS PALAVRAS


Passofundo.

CERTAS PALAVRAS

.No conturbado mundo das ideologias...


Custódio.

DE COMO A ESQUERDA TERIA SE PERDIDO NA GUERRA SEMIÓTICA

(Cinegnose)
Perdida na guerra semiótica, esquerda agora ataca Tabata Amaral 
Por Wilson Ferreira (No Cinegnose)
Freak out!”... Chiliques! Decepção! É assim que parte da esquerda está reagindo ao alinhamento da deputada Tabata Amaral à aprovação do texto-base da Reforma da Previdência na Plenária da Câmara. Muita gente se sentiu “traído”, “decepcionado”. Desesperada, desarticulada e sem conseguir entender até agora a atual guerra semiótica criptografada do clã Bolsonaro, a esquerda viu na jovem deputada uma corajosa heroína progressista que humilhou um e enquadrou outro ministro da Educação de um governo truculento. E até acreditou que a reforma não passaria, diante de uma suposta “crise de articulação” do Governo. Bombardeada por informações taticamente dissonantes e contraditórias, está hipnotizada, assim como a serpente de um encantador hindu. Agora descarregam o ressentimento na jovem deputada que sempre foi coerente e alinhada ao saco de maldades neoliberal. Ela é um Juan Guaidó de saias na atual guerra híbrida... Ou acham que Paulo Lemann estaria investindo em fundações que supostamente formariam novas lideranças progressistas?

“O projeto é impopular e não passa no Congresso... vai dividir a base aliada... como explicar isso [uma Reforma impopular] para a população? (líder do PT no Senado, Humberto Costa)  
“Pode voltar pra casa, Guedes. A reforma da previdência não vai passar” (líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta).
“Reforma deve passar, mas meio desidratada” (Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central).
“Crise de articulação política” de Bolsonaro com o Congresso, cravava até a imprensa corporativa. 
Paulo Guedes veio a público, “rechaçando crise com Bolsonaro” e negando hipótese de ser “afastado”. 
E por fim, o presidente da Câmara Rodrigo Maia, supostamente às turras com o presidente, no calor da também suposta “deterioração” do Congresso com o capitão da reserva, acusou que o Governo “é uma usina de crises”. Afirmação repercutida tanto pela grande imprensa e blogosfera progressista, cravando enfaticamente que “nos últimos dias a relação entre Bolsonaro e Maia se deterioraram”. 
Acreditava que o Governo ruiria por si mesmo.
A esquerda parece acreditar em qualquer coisa - historicamente, desde que um militante comunista foi calado por um propagandista nazista em 1933 em um debate no Palácio dos Esporte em Berlim; e, nacionalmente, desde que a esquerda institucionalizada e no Poder acreditou que jogando alpiste para a Classe C a faria se tornar eternamente grata, até vê-la engrossando as hostes de classe média com camisas amarelas nas ruas, levando Bolsonaro ao Governo.
Os números acachapantes da vitória na votação do texto-base da Reforma da Previdência no Plenário da Câmara dos Deputados (379 votos a 131) na última quarta-feira, em primeiro lugar mostra que até aqui, desde as grandes manifestações de 2013, o “tic-tac” da cadência da guerra híbrida e seu resultado (o impeachment de 2016, reformas do saco de maldades neoliberal etc.) continua preciso. Como um relógio suíço.


Sem resistência

Por que? Porque o verdadeiro “Mecanismo” não enfrentou, até aqui, qualquer resistência. Não só por causa do whishful thinking de uma oposição parlamentar que, por ser uma esquerda institucionalizada, precisa ser profissionalmente otimista. Assim como o PT jurídico, às voltas com o incorrigível kantianismo – como se algum a priori ético ou jurídico universal fosse libertar Lula.
Mas principalmente, porque as esquerdas estão mesmerizadas, assim como a serpente hipnotizada pela forma e movimento do som da flauta de um artista de rua hindu. É o som executado pela guerra semiótica criptografada do clã Bolsonaro – simplesmente as esquerdas estão perdidas no jogo de dissonâncias, contradições, especulações, ditos e contraditos, desmentidos e retrocessos. 
Um jogo de guerra semiótica (emulando a mesma estratégia de Trump nos EUA) de tomar para si a pauta midiática e ditar o ritmo do “debate” – aqui, como lá, os presidentes sempre estão sob especulações de impeachment, diante das suas improbidades administrativas. 
Como observa criticamente o linguista Noam Chomsky, vejam as primeiras páginas dos jornais dos EUA, supostamente opositores: É só Trump! Trump! Trump! 
E aqui no Brasil, é só Bolsonaro!... ou as “caneladas” de algum filho, ministro desvairado ou napoleão de hospício apoiador – sobre isso, clique aqui.


Pobre Tabata Amaral...

No meio de mais uma derrota humilhante (até o último momento, a oposição acreditava em “divisões” na base por suposto atraso dos lotes extras de dinheiro para emendas aos congressistas que apoiassem a Reforma), as esquerdas escolheram um bode expiatório para descarregar o ressentimento: a “pobre” deputada Tabata Amaral.
O que apenas confirma a intensidade do transe hipnótico das esquerdas sob a flauta do clã Bolsonaro – depois da deputada humilhar o então ministro de educação Velez e enquadrar o atual, Abraham Weintraub, na Comissão de Educação da Câmara, virou uma espécie de musa para os progressistas: a garota que enfrentou a truculência machista própria do atual Governo.
Mas... Oh! Decepção... fechou a favor da Reforma da Previdência. E ainda, Tabata comemorou uma suposta “vitória da bancada feminina” nas redes sociais. 
Seja por desespero, carência ou ansiedade por querer achar algum personagem que lave a alma de uma esquerda que só apanha, a jovem deputada virou alguma espécie de heroína progressista ... mas afinal, qual a surpresa! Por que tanto “freak out”, críticas e chiliques? 
Afinal, suas ideias ditas progressistas para a educação (“boas práticas educacionais” e “qualidade” a partir de “soluções” vindas de diferentes cidades pelo país afora) aparecem em um tipo de discurso dotado com a inflexão dos gestores do setor, como se as políticas públicas fossem suprapartidárias, sem a “sujeira” da “política”, uma  “voz jovem” sem os “velhos vícios”, e assim por diante... Algo assim como o espírito do “Gente Que Faz” da Globo...


Juan Guaidó de saias

Ela é jovem, bonita, bem articulada, e com um currículo invejável traçado por uma inteligência privilegiada e bem-sucedida. Esse humilde blogueiro sabe que esta analogia pode parecer estranha ou bizarra... Mas Tabata Amaral não passa de uma Juan Guaidó de saias. 
Calma! Vamos tentar explicar.
Ambos são “invenções” dentro da estratégia da guerra híbrida no xadrez geopolítico norte-americano de criar “jovens lideranças” na América Latina, em particular nos países onde seriam semeadas as “primaveras”.
Tanto Guaidó como Tabata vieram de famílias pobres, e exalam o appeal do “self made man (ou woman)”. Guaidó foi um dos cinco líderes estudantis venezuelanos selecionados em 2005 para um curso em Belgrado, Sérvia. Financiado pelo Centro de Ação e Estratégias Não-Violentas Aplicadas (Canvas) – tendo por trás CIA, Instituto Republicano Internacional e o Instituto Nacional Democrata para Assuntos internacionais. Um dos cursos para criar jovens líderes mundiais dentro das teorias do cientista político Gene Sharp sobre mudanças de regimes políticos a partir da luta não-violenta - mais detalhes,clique aqui.
Enquanto isso, Tabata formou-se em Ciência Política e Astrofísica na Universidade de Havard (EUA) como bolsista do Estudar – fundação criada por Paulo Lemann para formar novas lideranças no País. Suíço-brasileiro, Lemann é um dos 50 homens mais ricos do planeta. A princípio avesso à política, coincidentemente em meio ao ápice da ascensão de governos de esquerda no continente, Lemann, por assim dizer, “despertou” para a necessidade de formar jovens líderes para “transformar o modelo de atuação dos parlamentares e chefes do Executivo”.
modus operandi é muito similar. Porém, com uma diferença de propósito final: Washington espera que Guaidó leve a Venezuela não para a Democracia, mas para o colapso imediato para pôr as mãos nas maiores jazidas de petróleo do mundo.
Enquanto com Tabata Amaral, os objetivos estão mais à frente: cumprido o papel do atual governo de extrema direita (enfiar a fórceps as medidas neoliberais exigidas pela banca financeira – com as quais Tabata está alinhada, como vimos – inevitável, tendo uma Fundação de Lemann e Harvard como background) evitar no futuro a volta de governos trabalhistas, progressistas ou de esquerda. Como? Formando jovens lideranças com cabeça feita em universidades norte-americanas para que “transformem a atuação de parlamentares e executivos”.
Para depois serem colocados em postos-chave: ou como candidatos competitivos em futuras eleições ou, simplesmente, para semear futuras “primaveras”.
Isso, caso a elite se canse, mais uma vez, da Democracia e Estado de Direito em um país igualmente rico em jazidas de petróleo.


Esquerda prisioneira das redes sociais

Portanto, por que a surpresa? Por que tanta decepção com uma figura que costumeiramente posa em fotos ao lado de FHC, governador João Doria Jr. e outros luminares da “velha política” que tanto julga ser a alternativa?
O preocupante de tudo isso é que as esquerdas parecem prisioneiras da sintaxe das redes sociais na qual a extrema direita capturou o debate (?) político. Assim como Bolsonaro e seu clã “lacram” ou “mitam” nas redes sociais, as esquerdas buscam desesperadamente vídeos de personagens que igualmente “lacrem”. Novos “mitos”.
Na guerra semiótica é até uma estratégia interessante, já que é necessário combater o oponente no seu próprio campo simbólico. O problema é que as esquerdas estão caindo na armadilha do encantador de serpentes:
(a) Não entenderam até agora a lógica da guerra criptografada – os constantes mentidos e desmentidos, “caneladas” e voltas para trás criam o agendamento midiático no qual a oposição ou é reativa, ou é enganada pelo clima de suposta crise que parece enfraquecer o Governo. O que alimenta seu incorrigível wishiful thinking. Ou “otimismo profissional parlamentar” que tenta justificar o seu próprio papel de “oposição”.
(b) Mais assustador: no afã de postar nas redes sociais vídeos de personagens que “lacram” em cima da direita, as esquerdas estão se tornando mitômanas – está reagindo mais pelo fígado do que pela mente. Isto é, não se informam sobre aqueles que desejam apoiar ou querem repercutir. 
Afinal, será que Paulo Lemann investiria tanta grana para formar jovens líderes progressistas?
................
(NOTA DESTE BLOG: O imbróglio está longe de terminar: "Deputado do PDT interrompe onda de ataques, pede trégua e diz que Tabata é 'flor a ser cultivada'", na coluna Painel, Folha - AQUI).

Postagens Relacionadas