segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

QUESTÃO DE IMAGEM


Nani.

O BRASIL SOB O DOMÍNIO DOS ILUMINISTAS DE BUTIQUE


Como o marketing reduziu a economia a um produto de butique

Por Luis Nassif

A melhor tradução desses tempos de superficialidade e redes sociais foi a afirmação do publicitário Nizan Guanaes, na reunião do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), sugerindo a Michel Temer aproveitar sua impopularidade para tomar medidas impopulares.
Nas últimas décadas a discussão econômica e política tornou-se refém dos refrãos de mercado, da criação de reputações vazias.
Nada exprime mais esse vazio, esse falso intelectualismo, do que as manifestações do Ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal.
Diz ele que o governo é ruim, mas a equipe econômica é competente. Qual o nível de análise para chegar a tal conclusão? Nenhum. Não analisou a produção acadêmica, não conhece a atuação pregressa de nenhum deles, não demonstra o menor conhecimento para uma avaliação minimamente competente de sua atuação à frente da Fazenda ou do Banco Central. No entanto, opina, e com a carteira de Ministro do Supremo e porta-voz de um iluminismo de butique.
É de uma superficialidade assustadora, uma mera repetição do que ouviu na Globonews e se tornou um bordão de bom pensamento, como uma marca de gravata, uma indicação de um bom livro ou boa música. E diz Barroso, com aquele tom alarmista dos gansos do Capitólio, que o atraso é permanente no Brasil, porque as forças que o sustentam são poderosas.
Não. O atraso ancestral é decorrente da superficialidade escandalosa de pessoas como ele, que supostamente deveriam representar uma elite letrada, porque um dos grandes juristas do país, mas que se movem no mercado de ideias da mesma maneira que socialites nas colunas sociais, esforçando-se atrás de frases de senso comum para serem in.
No Brazil Forum UK 2016 – feito para especialistas – Barroso apresentou como uma das vantagens do Brasil a estabilidade democrática e um conjunto de condições para o desenvolvimento, dentre os quais, a educação. Para a mídia e o populacho de suas relações sociais, apresenta como saída política o estado de exceção e como saída econômica a PEC 241, analisando as estratégias fiscais com a mesma superficialidade de uma conta de padaria.

O gênio Henrique Meirelles

Foi esse processo de banalização das análises que transformou em gênio financeiro o Ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que jamais passou de diretor da área internacional de um banco médio dos Estados Unidos – embora deixasse divulgar a informação de que “global president” seria presidente global, e não de um mero diretor de área internacional, que respondia por menos de 8% dos ativos do banco.
Mestre na arte do marketing pessoal, levou Lula no bico. E, por ser permanentemente disponível para o mercado, o próprio mercado e os papagaios da mídia trataram de construir a imagem de grande Ministro, assim como fizeram com Antônio Palocci, enquanto lhes serviu e, antes dele, com Pedro Malan.
Agora, tenta-se criar o mito Armínio Fraga, um especialista em ganhar dinheiro, arte que exige uma espécie de talento que nada tem a ver com a construção de políticas macroeconômicas sustentáveis, com visão de nação.
Uma boa síntese da superficialidade de análise do mercado em relação à economia pode ser lida na excelente entrevista de Alexa Salomão e Ricardo Grinbaum com o mega-operador Luis Stuhlberger (https://goo.gl/xAd2uy) o mais bem-sucedido administrador de fundos hedge.
Stuhlberger é o que de mais sofisticado o mercado produz. Mesmo assim, é dono de um pensamento mecanicista, incapaz de entender o jogo nacional de maneira sistêmica, os limites da ação política, os impactos dos ajustes fiscal e monetário sobre a economia real, o estado de espírito da população com o aprofundamento da crise, seus impactos sobre a ação legislativa. Ou mesmo entender a enorme cadeia produtiva que está ao largo da influência das grandes corporações. Por aí se explica o fato de só depois do desastre consumado se dar conta de que a realidade não obedeceu às expectativas do mercado.
Para esses gestores, mesmo os mais sofisticados como Stuhlberger, a economia se resume ao Banco Central e aos investimentos de private equity. E como são os grandes compradores de análise econômica, os economistas e consultores se limitam a atender às demandas do freguês. (Nota deste blog: Private equity =  tipo de atividade financeira realizada por instituições que investem essencialmente em empresas que ainda não são listadas em bolsa de valores - ou seja, ainda estão fechadas ao mercado de capitais -, com o objetivo de captar recursos para alcançar desenvolvimento da empresa).
É por aí que se entende a geração da última expectativa: Armínio Fraga e sua inacreditável proposta de acentuar ainda mais o ajuste fiscal, com a economia rumando para a depressão, mesmo após a comprovação ampla dos desastres cometidos pelo pacote Joaquim Levy e da ameaça de pacote Meirelles.

A lógica suicida do Banco Central

O mesmo acontece com o Banco Central, com as inacreditáveis taxas reais de junho em um quadro em que a economia caminha para a depressão.
Anos atrás, cunhei a expressão “cabeças de planilha” inspirado na planilha de Ilan Goldjan, então diretor do Banco Central, atualmente seu presidente.
Ao lado de Armínio, Ilan foi um dos instituidores do sistema de metas inflacionárias, visando a coordenação das expectativas dos agentes econômicos. Montou uma planilha que definia resultados automáticos para cada situação, desde as previsões de inflação, a partir de dados desagregados, até a intensidade do ajuste da Selic.
Todo o mercado, então, passou a trabalhar em torno da planilha do Ilan. Não interessava acertar o que aconteceria com a economia, mas com a planilha do Ilan, estivesse certa ou errada.  Acertar o resultado da planilha significaria acertar o nível da taxa Selic, as taxas dos leilões do Banco Central e do Tesouro, toda uma indústria montada com as apostas em torno da inflação.
A cadeia improdutiva da arbitragem criou a mística da inflação como a variável-chave de toda a economia. Bastaria a inflação cair para o centro da meta para todos os problemas se resolverem, caírem as taxas longas de juros, o investimento voltar, trazendo de volta o crescimento. Pouco importa se, para chegar ali, deixou-se para trás uma terra arrasada.
Mais que isso, desenvolveram a tese de que cada instrumento de política econômica só pode ter um objetivo. Ou seja, geração de dívida pública, apreciação cambial, impacto no crescimento, nada disso importava: a política monetária só tinha como alvo a inflação e nenhum obstáculo poderia ser imposto a ela, nem a denúncia de custos excessivos
Essa visão insuportavelmente simplista não se reciclou nem após a crise pós-eleição, que desmontou toda a noção de equilíbrio macroeconômico. Era evidente que o passado não mais servia de balizamento para o futuro, porque vive-se uma situação inédita de recessão com queda de receita fiscal e crescimento agudo da dívida.
Momentos de instabilidade, como o atual, exigem um pensamento muito mais sofisticado e pragmático, capaz não apenas de analisar os indicadores, mas intuir de bate-pronto os movimentos da economia, entender as novas correlações, identificar os pontos centrais da crise para formular diagnósticos rápidos e certeiros.
Exige experiência de mundo real e inteligência para se mover em fatos nunca antes ocorridos.
Nada foi feito.
Esse Brasil – que Barroso reputa de iluminista – tem o brilho da luz neon de uma Lava Jato e as purpurinas douradas da falsa sofisticação.
(Fonte: Jornal GGN - AQUI).

INCÓGNITA GLOBAL: O DESTINO DO MUNDO


Arcadio Esquivel.

VOLTANDO A MONIZ BANDEIRA


"JORNAL DO BRASIL - Um livro como Quem pagou a conta?, da historiadora britânica Frances Stonor Saunders, aponta a cultura como estratégia de dominação e força dos Estados Unidos em relação aos seus artistas e intelectuais e em relação a outros países durante a Guerra Fria. Essa dominação ainda se dá da mesma forma? Ela passou por novas configurações?
MONIZ BANDEIRA - Sim, o inglês é a língua franca e os Estados Unidos ainda possuem o maior soft power. É através do controle dos meios de comunicação, das artes e da cultura que influenciam e dominam, virtualmente, quase todos os povos, sobretudo no Ocidente. E os recursos financeiros correm por diversas fontes. 
Como o senhor vê o modo como os EUA elegem seu presidente da República? É um método seguro? A Rússia chegou a anunciar que enviaria fiscais para acompanhar o processo de votação até a apuração do resultado.
Os grandes bancos e corporações, concentradas em Wall Street, são, geralmente, os grandes eleitores nos Estados. George W. Bush não foi de fato eleito, mas instalado no governo por um golpe do poder judiciário. Agora, porém, a tentativa de colocar na presidência dos Estados Unidos a candidata de Wall Street e do complexo industrial-militar, a democrata Hillary Clinton, falhou. Elegeu-se Donald Trump, um bilionário outsider, como franco repúdio ao establishment político, à continuidade da política de guerra, de agressão. Trump recebeu o apoio dos trabalhadores brancos, empobrecidos pela globalização, dos desempregados e outros segmentos da população descontentes com o status quo. E o fato foi que mais de 70 milhões de cidadãos americanos (59 milhões em favor de Trump e 13 milhões em favor Bernie Sanders, no Partido Democrata) votaram contra o establishment, contra uma elite política corrupta, e demandaram mudança.
De que modo os EUA participaram da destituição da presidente Dilma Rousseff? Essas intervenções se dão em que nível, quando comparadas às do período da ditadura militar no Brasil?
Conforme o historiador John Coatsworth contabilizou, entre 1898 e 1994, os Estados Unidos patrocinaram, na América Latina, 41 casos de “successful” de golpes de Estado para mudança de regime, o que equivale à derrubada de um governo a cada 28 meses, em um século.  Após a Revolução Cubana, os Estados Unidos, em apenas uma década, a partir de 1960, ajudaram a derrubar nove governos, cerca de um a cada três meses, mediante golpes militares, como no Brasil. Depois de 1994, outros métodos, que não militares, foram usados para destituir os governos de Honduras (2009) e Paraguai (2012). No Brasil, o impeachment da presidente Dilma Rousseff constituiu, obviamente, um golpe de Estado. Houve interesses estrangeiros, elite financeira internacional, aliados a setores do empresariado, com o objetivo de regime change (mudança de regime), através da mídia corporativa, com o apoio de vastas camadas das classes médias, abaladas com as denúncias de corrupção. 
E qual teria sido o papel norte-americano na destituição?
Há evidências, diretas e indiretas, de que os Estados Unidos influíram e encorajaram a lawfare, a guerra jurídica para promover a mudança do regime no Brasil. O juiz de primeira instância Sérgio Moro, condutor do processo contra a Petrobras e contra as grandes construtoras nacionais, preparou-se, em 2007, em cursos promovidos pelo Departamento de Estado. Em 2008, ele participou de um programa especial de treinamento na Escola de Direito de Harvard, em conjunto com sua colega Gisele Lemke. E, em outubro de 2009, participou da conferência regional sobre “Illicit Financial Crimes”, promovida no Rio de Janeiro pela Embaixada dos Estados Unidos. A Agência Nacional de Segurança (NSA), que monitorou as comunicações da Petrobras, descobriu a ocorrência de irregularidades e corrupção de alguns militantes do PT e, possivelmente, forneceu os dados sobre o doleiro Alberto Yousseff ao juiz Sérgio Moro, já treinado em ação multi-jurisdicional e práticas de investigação, inclusive com demonstrações reais (como preparar testemunhas para delatar terceiros). 
O sr. cita também o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no desmantelamento de empresas brasileiras...
Rodrigo Janot foi a Washington, em fevereiro de 2015, apanhar informações contra a Petrobras, acompanhado por investigadores da força-tarefa responsável pela Operação Lava Jato, e lá se reuniu com o Departamento de Justiça, o diretor-geral do FBI, James Comey, e funcionários da Securities and Exchange Commission (SEC).  A quem serve o juiz Sérgio Moro, eleito pela revista Time um dos dez homens mais influentes do mundo? A que interesses servem com a Operação Lava-Jato? A quem serve o procurador-geral da República, Rodrigo Janot? Ambos atuaram e atuam com órgãos dos Estados Unidos, abertamente, contra as empresas brasileiras, atacando a indústria bélica nacional, inclusive a Eletronuclear, levando à prisão seu presidente, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva. Os prejuízos que causaram e estão a causar à economia brasileira, paralisando a Petrobras, as empresas construtoras nacionais e toda a cadeia produtiva, ultrapassam, em uma escala imensurável, todos os prejuízos da corrupção que eles alegam combater. O que estão a fazer é desestruturar, paralisar e descapitalizar as empresas brasileiras, estatais e privadas, como a Odebrecht, que competem no mercado internacional, América do Sul e África.
Levando-se em consideração a destruição de empresas de infraestrutura no país, projetos para acabar com a exclusividade da Petrobras na exploração da commodity, o senhor acredita na tese de que o cérebro da Lava Jato está fora do país? Se sim, como se daria isso?
Não há cérebro. Há interesses estrangeiros e nacionais que convergem. Como apontei, os vínculos do juiz Sérgio Moro e do procurador-geral Rodrigo Janot com os Estados Unidos são notórios. E, desde 2002, existe um acordo informal de cooperação entre procuradores e polícias federais não só do Brasil, mas também de outros países, com o FBI, para investigar o crime organizado. E daí que, provavelmente, a informação através da espionagem eletrônica do NSA, sobre a corrupção por grupos organizados dentro da Petrobras, favorecendo políticos, chegou à Polícia Federal e ao juiz Sérgio Moro. A delação premiada é similar a um método fascista. Isso faz lembrar a Gestapo ou os processos de Moscou, ao tempo de Stalin, com acusações fabricadas pela GPU (serviço secreto). E é incrível que, no Brasil, um juiz determine, a polícia faça prisões arbitrárias, ilegais, sem que os indivíduos tenham culpa judicialmente comprovada, um procurador ameace processá-los se não delatarem supostos crimes de outrem, e assim, impondo o terror e medo, obtêm uma delação em troca de uma possível penalidade menor ou outro prêmio. Não entendo como se permitiu e se permite que a Polícia Federal, que reconhecidamente recebe recursos da CIA e da DEA, atue de tal maneira, ao arbítrio de um juiz de 1ª Instância ou de um procurador, que nenhuma autoridade pode ter fora de sua jurisdição, conluiados com a mídia corporativa, em busca de escândalos para atender aos seus interesses comerciais. A quem servem? Combater a corrupção é certo, mas o que estão a fazer é destruir a economia e a imagem do Brasil no exterior. E em meio à desestruturação da Petrobras, das empresas de construção e a cadeia produtiva de equipamentos, com o da “lawfare”, da guerra jurídica, com a cumplicidade da mídia e de um Congresso quase todo corrompido. O bando do PMDB-PSDB apossou-se do governo, com o programa previamente preparado para atender aos interesses do sistema financeiro, corporações internacionais e outros políticos estrangeiros.

O economista Bresser-Pereira, ex-ministro de FHC, afirma, na apresentação de A Desordem Mundial, que os EUA, segundo a tese do senhor, passaram por um processo de democracia para a oligarquia. Que paralelo se pode fazer com o Brasil nesse sentido, tomando como base as últimas três décadas? O sr. acredita que passamos brevemente por um momento de democracia e agora voltamos à ditadura do capital financeiro/oligarquia?
Michel Temer, que se assenhoreou da presidência da república, não governa. É um boneco de engonço (Nota deste blog: Engonço = Encaixe entre partes do objeto capaz de permitir sua articulação). Quem dita o que ele deve fazer é o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, como representante do sistema financeiro internacional. E seu propósito é jogar o peso da crise sobre os assalariados, para atender à soi-disant, “confiança do mercado”, isto é, favorecer os rendimentos do capital financeiro, especulativo, investido no Brasil, e de uma ínfima camada da população - cerca de 46 bilionários e 10.300 multimilionários.
O senhor afirma que onde quer que os EUA entrem com o objetivo de estabelecer a democracia, eles entram na verdade por interesses políticos e econômicos. É esse o caso da aproximação dos norte-americanos com Cuba? Fidel Castro é um dos que compartilhavam dessa visão de interesse.
Sim, havia forte pressão de empresários americanos para o restabelecimento de relações com Cuba, por causa de seus interesses comerciais. Estavam a perder grandes oportunidades de negócios e investimentos devido ao embargo econômico, comercial e financeiro imposto a Cuba desde fins de 1960, portanto mais de 50 anos, sem produzir a queda do regime instituído pela revolução comandada por Fidel Castro. Era um embargo de certa forma inócuo, uma vez que outros países, como o Brasil, estavam a investir e fazer negócios com Cuba. A construção do complexo-industrial de Mariel, pela Odebrecht, com equipamento produzidos pela indústria brasileira e o apoio do governo do presidente Lula, contribuíram, possivelmente, para a decisão do presidente Barack Obama de normalizar as relações com Cuba. Essa Zona Especial de Desarrollo de Mariel (ZEDM), 45 quilômetros a oeste de Havana, tende a atrair investimentos estrangeiros, com fins de exportação, bem como opção para o transbordo de contêineres, a partir da ampliação do Canal do Panamá, ao permitir a atracagem dos grandes e modernos navios de transporte interoceânicos. Tenho um livro sobre as relações dos Estados Unidos com Cuba (De Martí a Fidel – A Revolução Cubana e a América Latina).
O processo de apoio financeiro de instituições políticas às religiões cristãs de direita, tal como o senhor descreve ao tratar do governo Bush, se assemelha de alguma forma ao contexto do Brasil, levando-se em conta o crescimento da bancada evangélica no Congresso Nacional e a conquista de cargos do Poder Executivo por representantes da Igreja?
Sim, o processo é secreto. Ocorre através de ONGs, muitas das quais são financiadas pela USAID, National Endowment for Democracy, conforme demonstro em A Segunda Guerra Fria A desordem mundial, bem como através de outras agências semi-oficiais e privadas. Essas igrejas também coletam muito dinheiro dos crentes, acumulam fortunas. E as bancadas de deputados recebem dinheiro de empresas não nacionais, mas de grandes empresas estrangeiras, muitas das quais apresentam no Brasil balanços com prejuízos, conquanto realizem seus lucros nas Bahamas e em outros paraísos fiscais. Tais empresas multinacionais não foram investigadas pelo juiz Sérgio Moro, o procurador-geral Rodrigo Janot e a força-tarefa da Operação Lava-Jato et caterva. A quem eles servem? Racine, o dramaturgo francês, escreveu que “não há segredo que o tempo não revele”. Não sabemos exatamente agora, porém podemos imaginar."



(De Moniz Bandeira, cientista político, entrevista concedida ao Jornal do Brasil, sob o título "Moniz Bandeira: 'Moro e Janot atuam com os Estados Unidos contra o Brasil'" - aqui.
A propósito, em 2 de novembro, reproduzimos neste blog o seguinte post:
"Danos causados pela Lava Jato à economia brasileira já superam em muito o custo da corrupção - 'Moniz Bandeira aponta interferência dos EUA no golpe que derrubou Dilma e critica atuação do MP, PF e Judiciário'" - AQUI).

domingo, 4 de dezembro de 2016

ECOS DA CHAPE


O futebol não é uma questão de vida ou de morte, é muito mais do que isso

Por Juca Kfouri (Na Folha)

O futebol não é uma questão de vida ou de morte, é muito mais do que isso

A vida e o futebol vão continuar. Tão certo como nossa incapacidade de controlar os acontecimentos numa e noutro.

A tragédia que ceifou 71 vidas é o verdadeiro drama da nossa existência. O 7 a 1 é um acidente do futebol.

O derradeiro voo da Chapecoense choca o mundo, e não apenas o país berço dos que morreram, exatamente porque entre os mortos estava uma delegação do esporte mais popular do planeta.

O Brasil perdeu um punhado de jogadores de uma agremiação simpática a todos por não ter rivalidade com seus grandes clubes e acabou por ganhar dois times: a própria Chapecoense e o Atlético Nacional, que foi além da solidariedade. Deu exemplo que permite ainda acreditar na sensibilidade humana em tempos de absoluta intolerância.

Nada que deva vendar nossos olhos para o crime cometido na escolha de uma viagem, agora se sabe, plena de riscos.

Quis o destino que fossem vítimas 69 inocentes e os dois responsáveis pelo voo, o comandante do avião, sócio da companhia aérea, e o dirigente que a contratou.

Vivemos permanentemente no fio da navalha.

E não é verdade que o futebol fica em plano secundário diante da catástrofe que causa tanta dor.

O tamanho da comoção mundial se dá porque se trata de futebol, o esporte que mexe tanto com o imaginário coletivo e que nos aproxima de pessoas que sequer conhecemos, embora mantenhamos vínculos tão estreitos com elas como os que temos com nossos parentes.

Bill Shankly, técnico do Liverpool que dominou a Europa nos anos 1970, tinha razão. O futebol é mais que uma questão de vida ou de morte.

E por ser é que o futebol não pode parar como a vida também não.

A dor paralisa tudo até que, para cicatrizá-la, e ainda com ela, é preciso seguir em frente.

Hoje amaldiçoamos o milagre do goleiro Danilo no minuto final que levou a Chapecoense à decisão da Copa Sul-Americana.

Tivesse acontecido o gol do time do Papa, o San Lorenzo que entra no drama como Pôncio Pilatos, e estaríamos tratando da última rodada do Campeonato Brasileiro, em meio à festa verde do Palmeiras e não vivendo o luto verde do jogo que não aconteceu.

A festa acabou abruptamente, para incredulidade planetária.

O que era um sonho alimenta o mistério da existência.

O nosso Leicester virou Manchester United, virou Torino.

Se não fosse aquela defesa de Danilo, se não fosse o crime da falta de combustível, se...
Voar é preciso. Viver não é preciso.

Jogar também é. E não é.

"Mãe, a Chape morreu?", perguntou o menino Leonardo, de 4 anos, no aeroporto de Chapecó, a cidade catarinense que virou a capital do velório mundial.

Como não se esquece das tragédias com o Torino e com o Manchester United, em 1949 e em 1958, 2016 ficará para sempre marcado, o ano da Chapecoense.

A acolhedora Arena Condá, centro de nossas atenções, ainda haverá de viver grandes emoções, iluminada pelo espírito heroico do cacique cujo nome carrega e que liderou os índios do Oeste catarinense.

Para tanto será preciso que a bola role e devolva a alegria do gol.

Para que a mãe de Leonardo possa responder: "Não, filho, a Chapecoense não morreu". (Aqui). 

EM BUSCA DE BOAS FESTAS


Veronezi.

SEGUE A BEBEMORAÇÃO EM FACE DO DIA NACIONAL DO SAMBA


Ykenga. (2 de dezembro, dia nacional do Samba).

SACADAS VIRTUOSAS, TIRADAS SARCÁSTICAS




- Aquilo que eu não sei é a minha melhor parte. (Clarice Lispector)



- Sou contra os noivados muito prolongados. Dão tempo às pessoas de se conhecerem melhor, o que não é aconselhável antes do casamento. (Oscar Wilde)



- A melhor definição que posso dar de um homem é a de um ser que se habitua a tudo. (Fiodor Dostoiewski)



- É melhor ter um rendimento permanente do que ser fascinante. (Oscar Wilde)



- O amor vence tudo, exceto pobreza e dor de dente. (Mae West)



- Mesmo quando não havia nenhuma esperança, procurei dar o melhor de mim. (Orson Welles)



- O mundo dá muita volta. (Anônimo)



- Na condução das questões humanas não existe lei melhor do que o autocontrole. (Lao Tsé)



- Esse mundo está se tornando tão perigoso que um sujeito pode se dar por satisfeito se sair dele vivo. (W. C. Fields)


....
(Fonte: Rio Acima - aqui).

CARTUM DO EQULIBRISTA


Ykenga.

NONSENSE CARTOON


Rafael.

O XIS DO PROBLEMA

Tacho.
....

RESUMINDO A QUESTÃO

O problema do pacote apresentado pelo MPF é que há, entre as medidas propostas, algumas que colidem frontalmente com a Constituição. Não obstante se venham observando nos últimos tempos situações que denotem o contrário, o fato é que a Constituição deve pairar acima de todos, inclusive de procuradores e magistrados.

Os defensores do pacote argumentam que dois milhões de brasileiros o subscreveram. Ora, a Carta Magna, em seu artigo 5º, XLVII-'a', diz que a pena de morte somente será admitida "em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX". Não obstante essa restrição constitucional, milhões de brasileiros assinariam sem delongas eventual proposta favorável à pena de morte para todos os casos - mas a situação seria a mesma: a proposta continuaria flagrantemente inconstitucional.

A corrupção é execrável, há séculos assalta o País, proporcionando fortunas a muitos e impondo miséria a milhões. O propósito dos que lidam contra a corrupção é louvável, mas é imperioso apontar a realidade real: os doutos procuradores estão tentando impor a aprovação, pelos legisladores, de medidas inconstitucionais para o combate à corrupção e à impunidade. O pior é que, inconformados, alegam que a desaprovação das propostas é 'tentativa de intimidação' ao MP e Judiciário. Pode até haver algum ranço em tal sentido, mas não há como negar que do pacote constam medidas inconstitucionais.

E que prospere a Constituição.

sábado, 3 de dezembro de 2016

TRISTE RETORNO


Lute.

SALVE CHAPE


Atorres.

CARTUM DO INDIOZINHO CONDÁ


J Bosco.

CENA BRASILEIRA


"Eu não vou no aeroporto. Eu acho isso um desrespeito muito grande. Se ele quiser, que ele venha aqui.

"Ele está com medo? Eu tenho certeza que o povo não vai vaiar ele."






(De Osmar Machado, pai de uma das vítimas do acidente aéreo na Colômbia, o zagueiro Filipe, da Chapecoense, protestando contra Michel Temer, que, segundo o Palácio do Planalto, comparecerá ao aeroporto de Chapecó, mas não ao velório a ser realizado no estádio da Arena Condá, naquela cidade. O protesto decorreu da 'sugestão' de que parentes das vítimas se deslocassem até o aeroporto, no momento cabível, para cumprimentar o presidente.

Clique AQUI para ver o depoimento que Machado ofereceu à ESPN Brasil.

Depois da divulgação do que se contém acima, a situação ficou ainda mais constrangedora: se Michel Temer mantiver a ida somente ao aeroporto, isso pegará bastante mal, por motivo óbvio; se resolver ir também ao velório, o terá feito tão somente em face da repercussão do protesto de Machado.

- Nota: excluímos duas notas que aqui constavam, sobre o assunto. As notas se haviam baseado em informação equivocadamente colhida por este blog, consistente no cancelamento da viagem do presidente a Chapecó).

NONSENSE CARTOON


Musa Gumus. (Turquia).

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A REPÚBLICA DOS PROCURADORES


Xadrez da República dos Procuradores
Por Luis Nassif
Poucas vezes, na história de uma República permanentemente sujeita a golpes, viu-se uma espetáculo tão deprimente de falta de compostura institucional, uma ópera bufa da pior espécie.
O país institucional tornou-se uma verdadeira casa da Mães Joana, com personagens indignos de representa-lo  à frente do Executivo, do Congresso, do Supremo Tribunal Federal, da Procuradoria Geral da República, do Judiciário e dos partidos políticos.
Brinca-se com o poder, derruba-se um presidente eleito, arma-se contra o interino que aboletou-se do cargo, fazem cálculos sobre o momento de impichar a chapa, se agora, se no ano que vem, valem-se de seu poder institucional para toda sorte de abusos.
Procuradores atuam politicamente; deputados lutam para legalizar o crime; Ministros do Supremo e o Procurador Geral da República manipulam prazos de inquéritos para proteger aliados; juízes de 1a instância autorizam grampos a torto e a direito.
Mas era previsto, tal o grau de desordem institucional plantada no país pela abulimia do STF, ao permitir o atropelo da Constituição. Deve-se ao Supremo esse vale-tudo.
Cada grupo deu sua contribuição para o golpe, Sérgio Moro e Rodrigo Janot vazando grampos ilegais, a imprensa no exercício amplo da pós-verdade, o Supremo acovardando-se e abrindo mão de seu papel de guardião da Constituição e a presidente incapaz de defender seu próprio mandato.
Consumado o golpe, sem dispor mais do agente aglutinador, passou-se a disputar o butim do poder. E agora chega-se a esse vale-tudo vergonhoso, sem um estatuto da gafieira para discipliná-lo minimamente.
Vamos entender um pouco mais esse Xadrez da Ópera Bufa. 

Peça 1 – o tempo político na era das redes sociais.

Nessa era das redes sociais, das notícias online, o tempo político tornou-se impressionantemente curto. Processos que, antes, levavam meses para amadurecer, agora acontecem em questão de dias ou horas.
Qualquer fato relevante espalha-se em minutos pela opinião pública de todo o país. Não é necessário mais aguardar a edição impressa do jornal no dia seguinte ou a edição do Jornal Nacional à noite.
Reverberando em tempo real, o noticiário acelera não apenas a tomada de consciência como a tomada de decisões.
É um dado relevante para nossos cenários, inclusive na análise do tempo político do golpe e da atual onda conservadora-liberal.
Mal se saiu do golpe, o jogo começa a afunilar e a tornar mais nítidos os personagens reais do novo poder: a aliança PSDB-PGR-STF-mídia-mercado. Eles darão as cartas daqui para frente.

Peça 2 –o PSDB passa a tutelar Temer

O primeiro lance foi em cima do Executivo, da camarilha de Michel Temer.
No dia 24 de novembro saiu a notícia das gravações do ex-Ministro da Cultura Marcelo Calero com várias autoridades do governo – incluindo Temer.
No mesmo dia, matamos a charada, no “Xadrez do golpe no golpe͟” (https://goo.gl/f6BFfS), ao mostrar os vínculos de Calero com o PSDB.
No dia seguinte, haveria um almoço entre Temer e Fernando Henrique Cardoso. Analisando a reação da Globo em relação ao episódio, o xadrez ficou nítido. De um lado, a Globo incensando a coragem de Celeró e dando ampla visibilidade ao encontro do PSDB, com a cobertura centrada na figura de Fernando Henrique Cardoso; do outro, no Jornal Nacional uma catilinária que não poupou Temer.
Juntando peças no “Xadrez do homem que delatou Temer”͟ (https://goo.gl/wsMq0D), a conclusão era quase óbvia: usaram o tombamento pelo IPHAN do Secretário da Presidência Geddel Vieira Lima, para a Globo montar sua dramaturgia com Celeró visando colocar Michel Temer sob a curadoria do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ontem mesmo – primeiro dia útil após o almoço com FHC – o pequeno Temer colocou em campo o Secretário Moreira Franco para negociar com o presidente do PSDB, Aécio Neves, uma maior participação do PSDB no governo.  E aceitou a condição apresentada por FHC, do PSDSB passar a participar da formulação das políticas de governo (https://goo.gl/Kedkne). Tudo devidamente combinado com FHC no almoço que aconteceu um dia depois de Caleró botar a boca no trombone.               
Nas próximas semanas haverá reforma ministerial contemplando a nova composição de forças. Provavelmente dançará também Eliseu Padilha, que supôs ter comprado o silêncio da mídia com sua bolsa-mídia. Os pactos de tinta da mídia são mais flexíveis que os pactos de sangue da máfia. Esse tipo de barganha garante a blindagem somente até a véspera do último dia.
Em um governo em que há corrupção até na liberação de edifícios residenciais, como manter no cargo um Ministro com a ficha de Padilha, envolvido em falcatruas até em prefeituras do interior, sabendo que passam por ele todas as indicações a cargos públicos, incluindo as diretorias do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal? As grandes corrupções institucionais, complexas, sofisticadas, ao largo da compreensão da opinião pública, não podem conviver com ladrões de galinha. A diferença entre a camarilha e os profissionais é a mesma entre, digamos, um Carlinhos Cachoeira e um Madoff.
Por sua vez, um Padilha custa cerca de dez Geddel. E o governo Temer não tem consistência para suportar nem meio Geddel a mais.
Os valentes conquistadores que, nos primeiros dias no poder, ordenaram uma Noite de São Bartolomeu no serviço público, sob pressão expõem sua verdadeira dimensão: Geddel aos prantos pelos corredores do Palácio, Padilha internado com pressão alta.
Mas o novo tempo de jogo está apenas começando. E nem se incluíram as perguntas de Eduardo Cunha e Michel Temer em seu julgamento pelo juiz Sérgio Moro.
Peça 3 – o Judiciário tenta submeter o Congresso
Não basta o enquadramento de Temer. A ofensiva seguinte é em cima do Congresso, no embate em torno das tais 10 Medidas contra a corrupção e da Lei Contra Abuso de Poder.
Com ou sem Geddel, e com Padilha na linha de fogo, a bancada do PMDB, somada ao Centrão, não entregaria facilmente a rapadura.
É por aí que entra o fator Judiciário.
As 10 Medidas não visam apenas conferir maior efetividade no combate ao crime: visam a conquista do poder institucional pelo Ministério Público e pelo Judiciário.
Estão em jogo as delações da Odebrecht e das demais empreiteiras. A lista de nomes conferirá um poder inédito ao Procurador Geral da República. Com o apoio da Globo, o PGR tem o poder de engavetar denúncias, inquéritos, definir o ritmo dos inquéritos em andamento, escolher quem será ou não processado.
Além de livrar os seus do crime do caixa dois, o Congresso não quer deixar os procuradores com esse poder ilimitado nas mãos, ainda mais agora que ficou nítido que disputam efetivamente o poder.
Cada procurador, aliado a um juiz de 1a instância, tem poder de mandar para a cadeia qualquer pessoa sem prerrogativa de foro, expô-la à humilhação pública, grampeá-la e divulgar os grampos – como ocorreu no episódio Garotinho – com a garantia de que será blindado pelos escalões superiores. Não é por falta de lei. É por solidariedade de classe.
No Congresso, as únicas lideranças capazes de fazer frente a esse poder avassalador do MPF-Globo seriam o presidente Renan Calheiros e o líder da maioria Romero Jucá, ambos donos de uma biografia política polêmica.
Na quarta-feira, Renan jogou sua grande cartada – votar o regime de urgência para a Lei de Abuso de Poder -, mas o Senado refugou. O temor dos Senadores – tanto do MPF quanto da opinião pública – foi maior e deixaram seu líder ao relento.
Na quinta-feira, o Supremo analisará uma das ações contra Renan. O caso está nas mãos do Ministro Luiz Edson Fachin. Com a tibieza demonstrada pela casa, nos últimos tempos, e com a frente ampla de defesa dos juízes, é possível que Renan seja degolado. E Jucá virá atrás. Ontem mesmo, a Lava Jato tratou de retaliar e vazar denúncias contra Jucá.
Não que não mereçam. Mas, de imediato, se os dois comandantes efetivamente forem deixados fora de cena, não haverá poder capaz de se contrapor ao poder quase absoluto do Ministério Público. Abre-se espaço para a pessedebização final do governo Temer e para o início efetivo da República dos Procuradores.
Mas como o homem põe e o destino dispõe, há o agravamento da crise política colocando um complicador a mais no nosso xadrez.
Peça 4 – a ideologia dos economistas do PSDB
Cada escola de pensamento costuma de embaralhar em seus dogmas ideológicos. Os desenvolvimentistas acreditaram que o excesso de subsídios resultaria em um aumento da atividade que compensaria a queda de receita. Os ortodoxos acreditam piamente no papel das políticas monetária e fiscal, como únicos instrumentos de gestão da economia.
Mas há uma diferença fundamental entre os monetaristas históricos e a geração de economistas de mercado que se torna hegemônica a partir do plano Real usando o PSDB como “cavalo”. Os velhos economistas ortodoxos, monetaristas, utilizam suas ferramentas teóricas tendo como objeto de análise a realidade, assim como sua contraparte, os desenvolvimentistas. Ou seja, desenham as estratégias que consideram mais adequadas para o país.
Já os economistas de mercado, tendo como base a PUC-Rio e como inspiradores os economistas do Real, sempre atuaram ideologicamente pensando apenas nas estratégias de fortalecimento do mercado, que criem novos negócios, que permitam o predomínio do financista em relação ao restante da economia, independentemente dos efeitos sobre o país.
Banco Central, Fazenda e BNDES já trabalham assim, procurando
1.     Instituir o teto para despesas, liberando o orçamento para os próximos vinte anos, para pagamento exclusivo dos juros e amarrando as mãos dos futuros governantes para qualquer outra tentativa de políticas pró-ativas.
2.  Mudar o comando das grandes obras públicas, das empreiteiras para o mercado. Para tanto, além de esterilizar R$ 100 bilhões do BNDES, estão proibindo-o de financiar exportações de serviços ou mesmo de financiar qualquer empresa que esteja fichada na Lava Jato.
3. Ao mesmo tempo, articulam a criação de fundos para trabalhar dívidas públicas renegociadas, visando servir de lastro para os fundos de infraestrutura que passarão a comandar os investimentos.
4. O ajuste fiscal produzirá uma razia na atividade econômica, já afetada pela maior recessão da história. Pensa-se, com isso, em reduzir a resistências às reformas e, ao mesmo tempo, derrubar preços de ativos, permitindo um redesenho da economia através dos processos de fusões e aquisições capitaneados pelos grandes fundos de investimento.
5. Manutenção dos juros altos e do câmbio baixo, para potencializar os ganhos do mercado.
Algumas ideias são razoáveis, outras meramente ideológicas. Mas o conjunto final é catastrófico: visando a disputa ideológica, de eliminar definitivamente as empreiteiras como fontes de influência e de poder, criam um vácuo na atividade econômica
Mesmo assim, esses economistas são as únicas fontes de idéias do PSDB. Os comandantes do partido – Aécio, Serra, Alckmin, Aloysio, José Anibal – são incapazes de formular uma ideia estratégica sequer. Seu único papel é o de meter-se em disputas braçais contra os adversários, tarefa que exige muita corda vocal e pouco cérebro.

Peça 5 – o recrudescimento da crise

Há alguns pontos centrais na política econômica, comuns a qualquer escola de pensamento.
Quando a economia está despencando, a retomada depende de alguns fatores de demanda:
1.     Consumo das famílias
2.     Consumo do Estado.
3.     Exportações.
4.     Investimentos
Nenhuma dessas pré-condições está presente.
Nenhum economista de peso aposta na recuperação da economia. O fato do governo ter jogado para o segundo semestre de 2017 significa apenas que não há nenhuma perspectiva de recuperação no curto prazo.
O que diz o economista Afonso Celso Pastore (https://goo.gl/kFyvDQ)
Nada disso seria uma surpresa (a maior recessão dos útimos 25 anos) para quem evitasse fazer previsões sobre o PIB dando um peso excessivo aos índices de confiança, em vez de ponderar as perspectivas das exportações, do consumo das famílias e da formação bruta de capital fixo.
Com as exportações mundiais e os preços de commodities em queda, não podemos esperar que as exportações brasileiras impulsionem a retomada do crescimento. Nem o consumo das famílias poderá exercer essa função nos próximos trimestres, quer porque, após o encerramento da recessão o nível de emprego e os salários ainda sofrerão quedas, quer porque os bancos deverão continuar retraídos na concessão de crédito.
Resta esperar que a retomada do crescimento venha dos investimentos em capital fixo, mas, na grande maioria dos setores, há uma enorme capacidade ociosa, e assistimos a um número recorde de empresas em recuperação judicial. 
Delfim Neto é mais sintético, mas com o mesmo pessismismo (https://goo.gl/lh56Yh)
Há sérias dúvidas, por exemplo, sobre a eficácia da política anunciada "urbi et orbi" que teríamos em 2016 uma política fiscal fortemente contracionista.
Primeiro, porque assustou o setor privado que sofreu o contracionismo efetivo de 2015 e viu a demanda global desabar e, segundo, porque há sérias dúvidas se ela será, de fato, contracionista.
Quanto à política monetária, esta, sim, tem sido restritiva: houve aumento da taxa de juro real e recusa a enfrentar a necessidade de sustentar uma taxa de câmbio real competitiva e relativamente estável, o que inibe o investimento e as exportações industriais, dois vetores do crescimento.
Sem uma acomodação do crédito para mitigar a alavancagem do setor privado e sem a garantia de uma taxa de câmbio real adequada, é muito pouco provável que se restabeleça uma "expectativa" de crescimento e que volte à vida a indústria nacional.
E, sem elas, o equilíbrio fiscal, apesar de ser absolutamente necessário, continuará apenas uma ilusão...
A rigor, qual a única instituição que está efetivamente preocupada com o quadro econômico? Justamente o Senado de Renan Calheiros:
Em face das crises recorrentes, o presidente do Senado Federal reitera a imperiosidade de uma agenda a fim de superar o agravamento da situação econômica que penaliza toda a sociedade brasileira. (...)
Segundo o presidente, o ajuste que está sendo implementado é uma obrigação para fazer frente ao momento econômico, mas precisa ser complementado com medidas de retomada da atividade econômica, geração de empregos, recuperação dos investimentos e, o principal, a redução dos juros. Não é somente o limite de gastos e a reforma da previdência. (...)

Peça 6 – desfechos possíveis

Seja qual for o desfecho desses embates PSDB x Temer, Congresso x Justiça, a única maneira de superar a crise será um pacto nacional para consolidar a única política econômica capaz de tirar o país do atoleiro:
1.     Aumento dos gastos públicos nas grandes obras públicas e nos programas sociais.
2.     Uso dos bancos públicos – BNDES, BB e CEF – para permitir a renegociação dos passivos das empresas.
3.     Redução acelerada da Selic e manutenção do câmbio em patamar competitivo.
4.     Agilização dos programas de concessões, assim que a recuperação da demanda definir um cenário mais favorável.
A questão é que só se chegará a esses pontos quando a crise for vista como suficientemente ameaçadora. A informação que vale um bilhão é: quando se chegará no fundo do poço que dispare o gatilho do bom senso sobre o país?
(Fonte: Jornal GGN - AQUI).