sábado, 7 de dezembro de 2019

OLHO NOS VÍDEOS (07.12.19)


Olho nos Vídeos


.Dude:
Por que O Irlandês é o melhor filme do ano? ... AQUI.

.Luis Nassif:
A licitação da Zona Azul em São Paulo ............ AQUI.

.Paulo A Castro:
A reação da defesa de Lula à PGR (06.12) ...... AQUI.
Bolsonaro e o cartão corporativo ................... AQUI.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa (06.12) ................................... AQUI.

XADREZ DO RÉQUIEM DA LAVA JATO, POR LUIS NASSIF

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'Os abusos serão contidos de forma mais que proporcional: o MPF perderá poder até para as ações legítimas de combate aos crimes dos poderosos'.


Peça 1 – Globo lança Moro político
De tão ostensivo, tornou-se extravagante o movimento das Organizações Globo de lançar Sérgio Moro politicamente.
Principal porta-voz do grupo, Merval Pereira não foi sutil. Com o artigo “Outro Patamar”, Merval tentou transformar em vitória a derrota do pacote anticrime de Moro, que retirou pontos fundamentais da proposta original.
“O ministro Sérgio Moro está se saindo um “hábil político”, como disse Bolsonaro. Ontem, passou o dia no Congresso, negociando a aprovação do pacote anticrime e a autorização para a prisão em segunda instância, que foi retirada dele, mas deve ser votada separadamente”. Ora, é de conhecimento geral que o pacote aprovado na Câmara é fruto de um grupo de trabalho coordenado pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre Moraes.
Nas reportagens, a mesma tentativa de criar um clima de vitória para Moro, mas com algumas ressalvas. “O pacote teve amplo apoio, até mesmo da oposição, mas algumas das principais proposições de Moro foram ignoradas”.
Ora, o pacote representa um freio nos abusos do estilo Moro, ao proibir prisões provisórias, preventivas ou denúncias à Justiça baseadas exclusivamente em delação premiada; ao instituir o juiz de garantia, para zelar pela legalidade das investigações criminais; autorização para substituir crimes de menor gravidade por prestação de serviços; proibição de gravação de conversas de advogados com presos, a não ser em presídios de segurança máxima e com autorização judicial. E endurece nos crimes contra a honra, na Internet, na punição dos crimes hediondos.
Ficou de fora o tenebroso excludente de ilicitude, que isentaria policiais que matassem em serviço. E também a prisão após segunda instância, pontos centrais da proposta de Moro.

No artigo, diz que Moro deu uma declaração a favor de Bolsonaro contar o governador de São Paulo João Dória, ao não incluir o massacre de Paraisópolis nas hipóteses do excludente de ilicitude.
No dia anterior, houve ampla cobertura de um evento do Globo – com o indefectível patrocínio da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a CBF do comércio -, em que Moro foi louvado. No evento, além da crítica a Doria, Moro se esmerou em louvar o chefe Jair. Negou pretensões políticas, garantiu apoio incondicional a Bolsonaro, em caso de candidatura a reeleição.

Peça 2 – as investidas contra a Lava Jato

A troco de quê esses dois movimentos: o de lançar Moro como político e o de enfatizar os elogios de Moro ao seu chefe?
A explicação estava em três movimentos que tendem a enquadrar definitivamente a Lava Jato, constituindo-se na maior ameaça à imagem pública da corporação.
O primeiro foi o caso Januário Paludo e a abertura de investigação penal que rompe definitivamente a blindagem da mídia – até então, apenas a UOL havia se referido ao caso, suspeitas de recebimento de propina pagas pelo doleiro Dario Messer. Hoje, Folha e Valor entraram no tema.
Como se sabe, o pacto de blindagem da Lava Jato – incluindo mídia, PGR, CNJ, STJ – consiste em acatar apenas denúncias endossadas pelos principais jornais. Foi a maneira de fugirem às reportagens levantadas por outros veículos de imprensa, especialmente online.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação no âmbito do STJ (Superior Tribunal de Justiça), sob responsabilidade do subprocurador-geral Onofre Martins. Ao mesmo tempo, a Corregedoria do MPF abriu sindicância para analisar os fatos da ótica ético-disciplinar. É cedo para qualquer conclusão definitiva, mas é um precedente relevante. Especialmente porque, segundo as primeiras informações, pretende-se avançar para as denúncias do advogado Tacla Duran – que envolvem procuradores da Lava Jato e a família Moro, devido à proximidade com o principal suspeito, Carlos Zucolotto.
Não ficou nisso. No dia 22 de novembro passado foi aberta uma correição extraordinária visando apurar a regularidade no serviço, pontualidade, o cumprimento das obrigações legais de membros do MPF alocados em forças tarefas, assim como recursos e necessidades. A responsável é a procuradora Raquel Branquinho, uma das reservas morais do MPF, insuspeita de corporativismo.
Nos três casos, significa um tiro nas pretensões do grande comandante da Lava Jato, Ministro Sérgio Moro. É óbvio que essas investidas do PGR contaram com o respaldo amplo de Bolsonaro. Daí a insistência de Moro em apregoar lealdade ao chefe e cobri-lo de elogios. Só faltou beijo na boca.

Peça 3 – a escalada do MPF

O MPF saiu da Constituinte como a grande esperança de poder em defesa dos interesses difusos da população. Apesar de alguns exageros, cumpriu adequadamente com suas obrigações até a gestão Cláudio Fontelles – em que pese o período Geraldo Brindeiro.
A partir de Antônio Fernando de Souza começou a degringolada, muito em função da pusilanimidade com que o poder foi tratado pelos governos do PT – Lula e Dilma – ao mesmo tempo em que, mundialmente, o sistema judicial tentava se apropriar das prerrogativas políticas, avançando sobre as vulnerabilidades do sistema político.
A decisão de escolher para PGR o mais votado pela categoria foi fatal. O MPF passou a se ver como um poder independente, o primeiro lance da tomada do poder pelas corporações públicas, em um ensaio da invasão corporativa dos anos seguintes.
Antônio Fernando rompeu um pacto, de PGR não procurar a reeleição. E, com o “mensalão” deu início a esse processo que devolveu às corporações públicas, sem voto, o poder político dos tempos da ditadura – com outros atores.
Como já escrevi exaustivamente aqui, o ponto central da denúncia – o tal desvio de R$ 75 milhões da Visanet – nunca ocorreu. Mesmo se tivesse ocorrido, a Visanet não era uma empresa pública, portanto não poderia fundamentar o crime de corrupção.
O “mensalão” foi uma criação exclusiva do MPF, na figura de Antonio Fernando de Souza, do sucessor Roberto Gurgel, do ex-colega Joaquim Barbosa e de todos os assessores da PGR que convalidaram a farsa da Visanet.
Mas a pá de cal, definitivamente, foi Rodrigo Janot. Em seu período ocorrem dois fenômenos. O primeiro, a Lava Jato. O segundo, a expansão desmedida do MPF, com jovens concurseiros de toda parte atraídos por salários iniciais muitíssimo acima dos de mercado.
Ampliou-se o quadro sem que os jovens procuradores fossem formados pelos valores históricos do MPF. Seu modelo passou a ser Deltan Dallagnol e seus companheiros praticando o empreendedorismo no serviço público. O apoio da mídia e do grupo do impeachment conferiu-lhes um poder inédito, a ponto de se transformar em ameaça geral, em instrumento mais explícito da onda fascista que se apoderou do país.

Peça 4 – o futuro do MPF

A queda do MPF foi acelerada por eventos específicos:
1º – A tentativa de criação da Fundação de R$ 2,5 bilhões, administrada pela Lava Jato de Curitiba, destinada a impulsionar iniciativas de disseminação das práticas de compliance.
2º – A revelação de que tanto Dallagnol e Roberto Pozzobon, como Rosângela Moro, se preparavam para abrir empresas para explorar esse mercado, assim como a disseminação do mercado de palestras de Dallagnol.
3º – A Vazajato revelando as manipulações das investigações e expondo o direito penal do inimigo, da forma mais chocante possível, nas declarações sórdidas em relação a tragédias familiares dos “inimigos”. A banalidade do mal ficou nítida no mais experiente de todos, Januário Paludo. Seu desprezo pela tragédia alheia ajudou a dar visibilidade aos atos concretos de desrespeito aos direitos individuais.
Não é preciso muito tirocínio para prever o futuro do MPF.
Progressivamente, os salários serão rebaixados até se transformar em um êmulo da polícia, mal remunerada e com poucas atribuições.
Os abusos serão contidos de forma mais que proporcional: o MPF perderá poder até para as ações legítimas de combate aos crimes dos poderosos. E também perderá força o trabalho meritório em defesa dos direitos humanos, dos desassistidos e das minorias.
Qualquer analista relativamente preparado, com clareza sobre relações de causalidade, identificará os responsáveis pelo fim do MPF da Constituinte de 1988: Janot, os filhos de Januário, o Ministro Luis Roberto Barroso, todos embarcando nos ventos do momento, aderindo a um modismo, a um poder provisório sem pensar em nenhum momento no futuro da instituição e nas suas responsabilidades para com o país.
Os jovens concurseiros em breve pularão do barco, buscando escritórios de advocacia onde possam aplicar seu conhecimento e praticar o empreendedorismo autêntico.  -  (Aqui).
................
Os comentários suscitados, como sempre, muito bons. Um deles, do leitor Rafael, diz, com todas as letras:
"Pacto, rompimento e repactuação. Quem está disposto a romper para repactuar?
Rei morto, rei posto. Diria o velho ditado. Se a Lava Jato está morta, o pacto que colocou Bolsonaro, Moro e Guedes no poder não está. Apenas aguardam uma nova pauta para se manterem no poder.
E aí, se entra na análise da conjuntura atual.
Resgatando a ideia de pacto, anteriormente defendida pelo Nassif, tem-se a seguinte situação.
Primeiramente, é preciso entender que a vida social é um pacto. Mesmo durante uma guerra há pactos. Não aceitar pactos seria o mesmo que caminhar para uma derrota ou, em última instância, o extermínio da humanidade.
Daí se deduz que há um pacto vigente hoje no Brasil, como também existia nos vinte anos de ditadura. Portanto, quando se fala em “pacto” está-se na verdade falando numa repactuação. Ou melhor, na necessidade de primeiro romper o pacto atual para depois construir outro em seu lugar. É disso que se trata.
E aí, creio que alguns analistas confundem o que se poderia chamar de essência “político-econômica” com aparência “retórico – política”. Explico. Começando pela grande mídia, composta por duas famílias (Marinho e Frias) e por bancos de investimentos (Estadão e Abril). Alguns analistas dizem que a grande mídia está rompida com o atual governo – “estão em guerra”.
Ora, mas se eles exaltam o Pibinho do Guedes e defendem escancaradamente sua política de reformas, arrocho e privatizações e, além disso, apoiam o deus Moro (conforme este Xadrez do Nassif), como poderiam estar em guerra com o governo? Em outras palavras, se a grande mídia sustenta os dois principais pilares do governo, como estaria rompida com o pacto que o elegeu – ou teria outra forma de definir “em guerra”, se não rompimento?
Por isso, disse-se tratar de um rompimento apenas aparente. Logo, se a grande mídia não rompeu com o governo, ela permanece fiel ao pacto que lhe deu origem. E aqui poderia se acrescentar que a classe média, o empresariado e o mercado financeiro também não romperam.
E qual é a essência desse grande pacto “político-econômico” (Moro-Guedes)?
Concentração econômica com repressão social.
Essa é a essência do pacto que permanece vigente no Brasil atual.
E aí vem a pergunta. Alguns dos atores sociais acima relacionados estarão dispostos a romper o pacto para construir outro?
Pelo que se depreende da análise do Nassif, a Globo certamente não. E eu acrescentaria que o mercado financeiro também não. Ao contrário, seus agentes estão gelando os champanhes para comemorar os lucros recordes do ano que passou.
E o povo?
Que comam brioches. Se não quiserem, a polícia e o exército estão aí, justamente para isso, ou seja, colocar o “zé povinho” no seu devido lugar.
– Mas, são milhões… Dirão os mais lúcidos.
– Keep calm and drink gin. Dirá o sábio Janot."
................
Em resumo: Lava Jato preservada e incensada, o ex-juiz e atual ministro da Justiça de vento em popa, afivelando as malas para a campanha presidencial 2022 e/ou meritoriamente acomodado na poltrona de ministro Supremo. Enfim, sem maiores incidentes de percurso. 

2019, O SEGUNDO ANO MAIS QUENTE DA HISTÓRIA


Lute.
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.Alex Solnik (07.12.19):
JBS diz adeus ao Brasil ...................................... Aqui.

DAS EXPECTATIVAS ESPERANÇOSAS

Thiago Recchia.
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.Bom dia 247 (07.12.19) - Leonardo Attuch:
Globo faz lobby pela corrupção ........................................... Aqui.

SOBRE O NOVO FILME DE WOODY ALLEN

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O novo filme de Woody Allen é "um conto cinematográfico do cineasta independente de Manhattan que continua criticando, de modo cáustico e inteligente, a plutocracia do seu país.


O sorriso triste de Woody Allen

Por Léa Maria Aarão Reis

No livro-entrevista de 1993, do jornalista e crítico sueco Sig Bjorkman, autor amigo íntimo de Ingmar Bergman, Woody Allen se refere a um desejo que agora, aos 82 anos, parece ter conseguido realizar: fazer um filme inteiro sob a chuva. Ela propicia, segundo o cineasta nova-iorquino, um excelente clima de intimidade entre as pessoas – e aos seus personagens.

''A chuva é simplesmente linda,'' ele diz. ''A chuva fornece o clima para que coisas mais íntimas aconteçam entre as pessoas e afeta o estado de espírito delas de uma certa forma."

Um dia de chuva em Nova Iorque está aí. Deveria constar na filmografia de Allen como um pequeno episódio de um filme/mosaico despretensioso assinado por vários autores. Também funcionaria como um alerta, talvez sem razão de ser, de que, aparentemente, o diretor estaria perdendo o vigor autoral.

Na verdade se assemelha a um sorriso triste de Allen um filme que soa também como uma afetuosa homenagem à garotada bem jovem estreando agora nos labirintos das relações amorosas. E, como bônus: um filme pontilhado das inteligentes observações do cineasta, constantemente atualizadas.

Neste conto cinematográfico, o cenário é, mais uma vez, um desfile de algumas das referências do autor, ícones da cidade tão querida; exceção de Paris, um refúgio seguro onde Woody Allen sempre se abriga quando precisa respirar novos ares.

O mitológico Hotel Pierre, o bar do Carlyle, a delicatessen Dean and Luca, os museus visitados e revisitados pelos turistas, o jazz, os bares de cerveja, os parques, os locais emblemáticos para aqueles que viveram a Manhattan dos anos 60/70 quando o Brooklin ainda não existia no mapa dos esnobes. Todos eles, hoje, cartões postais imutáveis para os ricos turistas asiáticos.

A Nova Iorque de Allen tem a atmosfera para além das bufonarias de Trump, por sua vez uma representação bruta e grotesca da cidade do cineasta.

Outra atração do filme é a moldura musical para esse fiapo de narrativa que relata os encontros e desencontros de um menino e de uma menina vindos de uma universidade onde estudam filhos das pater famílias milionárias americanas. E, mais uma vez, é o acaso, simplesmente o acaso, um dos pilares da obra do cineasta, que se ocupa do desfecho. O menino quer curtir um romântico fim de semana na novidade que Mahattan é para eles. A trilha é o jazz ansioso de Ornette Coleman.

A bela luz das imagens do filme vem assinada pelo fotógrafo italiano Vitorio Storaro - dono de vários Oscars, mestre de tantos filmes de Bernardo Bertolucci e sócio de Allen na atual produção. A cenografia sublinha o que o diretor deseja: as ruas, calçadas, canteiros e fachadas de prédios da cidade-mito encharcadas de águas, os vidros de automóveis e janelas ensopados da chuva, e tudo rigorosamente estilizado.

Este pequeno conto nova-iorquino seria degustado com mais prazer – mesmo que condescendente – não fosse a escolha da protagonista, a atriz Elle Fanning, uma construção midiática consagrada pelas mega bilheterias atuais e aqui perfazendo a menina burra de nome pretensioso - Ashleigh -, histérica e fora do tom em toda sua performance. Embora festejado em outros filmes recentes - Call me by your name e Beautiful boy -, o ator Timothée Chalamet entendeu melhor o espírito da dramaturgia de Allen e se sai melhor com o seu personagem, um Gatsby que remonta a Fitzgerald, é óbvio, e o mais bem construído do roteiro.

No computo geral vale seguir mais esse conto do cineasta que, mal ou bem, prossegue independente até o fim do seu trabalho. Melhor do que pagar para assistir a forte onda de filmes medíocres repletos de clichês, saudados por observadores como originais e fazendo jus a atenção.

Alguns dos comentários, observações e críticas ferinas e brilhantes de Allen salvam o roteiro singelo se posicionado bem na sua filmografia. As menções aos plutocratas americanos, por exemplo. À burrice da garota rica, ex-miss beleza caipira. À atual fábrica de criação de astros cinematográficos - de preferência de origens exóticas. Aos milionários doadores e patrocinadores de causas “beneficentes” e pró-cultura (americana, naturalmente), eternos protagonistas dos jantares de gala de beneficência, no majestoso cenário do Museu de História Natural. A crítica aos esnobes de todos os tons.

A conversa a portas fechadas da bilionária mãe de Gatsby com o filho, na penúltima sequência do filme, é a mais radiante representação de uma mother América - qual um Rheinvater dos alemães - e encerra, brilhante, A rainy day in New York.

A singela revelação da mãe América, das suas origens e, por conseguinte da sua fortuna e do seu status, se confundem, para Woody Allen, com as dos plutocratas americanos reais e com as do seu país; hegemônico e nos estertores de império em decadência por obra e graça da geração dos Gatsby.

(Para ver o trailer exclusivo legendado de 'Um Dia De Chuva Em Nova York', clique Aqui).

TRAGIC CARTOON


Thiago Lucas.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

TEMPO TEMPO: PESQUISA ELEITORAL INICIAL

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Diz-se que, em se tratando de política, o tempo se rege por regras próprias. Estaríamos, assim, a anos-luz das eleições presidenciais de 2022, de sorte que as pesquisas ora realizadas soam inócuas, meros exercícios com um pé na especulação. Mas vale a pena registrar a abaixo exposta. Ao menos para testar a velha máxima de Magalhães Pinto, antiga raposa política mineira passada na casca do alho, que vivia a dizer algo como 'política é como as nuvens, numa hora mostram determinadas imagens no céu, daí a pouco nos revelam outras'. Dito o quê, ao registro fotográfico, quero dizer, ao registro histórico-temporal:



Bolsonaro bateria todos os oponentes se eleição fosse hoje, revela pesquisa FSB/Veja

Por Marina Barbosa (Do Congresso em Foco)

Jair Bolsonaro seria reeleito caso as próximas eleições presidenciais fossem hoje. Pelo menos é isso que aponta uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (6) pelo Instituto FSB e pela Veja. De acordo com o estudo, que avaliou os diversos cenários eleitorais possíveis para 2022, Bolsonaro ganharia de Lula no segundo turno com uma diferença de cinco pontos percentuais. Mas passaria com facilidade por HaddadCiroHuck e Doria. O presidente só teria a reeleição ameaçada caso o ministro da Justiça, Sergio Moro, resolvesse entrar no páreo.

De acordo com a pesquisa FSB/Veja, em um cenário em que Bolsonaro (s/partido) e Lula (PT) se enfrentam 
na disputa presidencial, o atual presidente receberia 32% dos votos e Lula, 29%. Ainda haveria 9% de votos para Ciro Gomes (PDT), 9% para Luciano Huck (s/partido), 5% para João Amôedo (Novo) e 4% para João Doria (PSDB). No segundo turno, Bolsonaro também sairia na frente com 45% dos votos válidos, contra 40% de Lula. Nesse caso, 10% dos entrevistados disseram que não votariam em nenhum dos candidatos, 4% anulariam o voto, 1% votaria branco e 1% não respondeu.


Já se o ex-presidente Lula continuasse inelegível e apontasse Fernando Haddad como o nome do PT para 2022, Bolsonaro receberia 33% dos votos; Haddad, 15%; Luciano Huck, 12%; Ciro Gomes, 11%; Amôedo, 5%; e Doria, 3%. No segundo turno, porém, o atual presidente ampliaria a distância do PT: Bolsonaro teria 47% dos votos e Haddad 32%.
Caso Bolsonaro não concorra e Lula enfrente Moro nas eleições de 2022, o atual ministro da Justiça também ficaria à frente do ex-presidente. Moro teria 32% dos votos e Lula 29% no primeiro turno. E essa distância se ampliaria no segundo turno: 48% x 39%. Se a disputa fosse entre Moro e Haddad, o ex-juiz também ganharia. Em um possível segundo turno, ele teria 52% dos votos e Haddad, 29%.
Já se Moro concorre com Bolsonaro e Haddad, Bolsonaro teria 28% dos votos; Haddad, 16%; Moro, 15%; e Huck, 13% no primeiro turno. Caso acontecesse um segundo turno entre Bolsonaro e Moro, contudo, haveria um empate técnico. É que, hoje, a pesquisa aponta 36% de votos para Bolsonaro e outros 36% para Moro, além de 2% de votos brancos e 7% de nulos. Nesse cenário, 18% dos entrevistados não votaria nem em Bolsonaro nem em Moro e 1% não respondeu.
A força eleitoral de Sergio Moro fica ainda mais clara quando os entrevistados foram questionados sobre quem poderia receber o seu voto em 2022. Neste caso, 56% disseram que poderiam votar em Moro, 49% em Bolsonaro, 47% em Luciano Huck, 43% em Lula e 36% em Ciro Gomes. Quando a pergunta é invertida para "em quem você não votaria de jeito nenhum", Moro também registra a posição mais confortável, com 35% dos votos. Já a maior rejeição é de Haddad. O petista tem 60% dos votos. Depois vêm Lula com 56%, Ciro com 54%, Doria com 52% e Bolsonaro com 48%.
A pesquisa do Instituto FSB e da Veja ouviu dois mil eleitores, dos 27 estados brasileiros, entre os dias 29 de novembro e 2 de dezembro de 2019, por telefone. A margem de erro no total da amostra é de 2 pp, com intervalo de confiança de 95%.
(Para continuar, clique Aqui).

OLHO NOS VÍDEOS (06.12.19)


Olho nos Vídeos 


.Alex Solnik:
Brasil não quer ditadura ........................... AQUI.

.Aquias Santarem:
Pesquisa mostra Lula com 40 pontos .......... AQUI.

.Portal do José:
O que as elites no Brasil tanto escondem? ... AQUI.

.Nocaute:
Fernando Morais entrevista Gleisi Hoffmann   AQUI

DAHER: NÃO SE ILUDAM COM A ECONOMIA


"Na constatação de que, em quase um ano, não surgiu milímetro de sanidade em qualquer setor do poder incumbente, esforçam-se folhas e telas cotidianas para incensar, ou pelo menos poupar, a política econômica “guedista”.
Como? Interpretando pífios índices a comprovarem “sinais de economia em recuperação”, e colocando-os em perspectiva otimista para 2020. Não percebem a palidez do paciente e muito menos o estado deplorável e comprometedor de órgãos vitais, entendidos aí atividades produtivas que geram emprego, renda e consumo.
Expectativas como sempre orientadas pelos contadores que assinam seus balanços e nutridas por empedernidos economistas neoliberais, que medem a febre do paciente com termômetro político conservador e religioso farisaico.
Para eles, orar em cemitérios de miseráveis deveria ser o único ofício de Bergoglio, o Papa Francisco, a encomendar almas ao céu e ao léu.
Alguns poucos, no entanto, começam a perceber, olhando o mundo fora da Federação de Corporações, que o modelo “Chicago Boys” de Paulo Guedes esgotou e faliu. Armínio Fraga, Lara Resende, entre outros, sinalizam o que, ano após ano, ensinam Belluzzo, Laura Carvalho, Galípolo, Pochmann, a madrinha Conceição Tavares.
Mas, não. A mídia alta embarca em Loyolas, Pessôas, Lisboas, e se autoengana.
Os aparelhos econômicos a integrarem funções desenvolvimentistas estão atrofiados. Os indicadores mostram mais um paciente em estado terminal do que saltitante recebendo alta médica.
Brinde: como publicado em CartaCapital
“Uma análise sobre o papelão anunciado do governo Bolsonaro na COP 25”
Que o Regente Insano Primeiro era campeão em besteirol, quisessem, todos poderiam saber. Bastavam apenas três neurônios: um que notasse sua inatividade em 28 anos de política; o segundo, que se espantasse com a deformação de caráter violento, racista, machista e homofóbico; e um terceiro, que lembrasse pretendentes a governar não criarem “facatoides” para fugirem de debates.
Também bastaria meia de uma dessas células nervosas, para indicar que os herdeiros do trono não sairiam diferentes do regem patrem.
Mas, como aqui se diz, tudo o que é ruim pode piorar, e a clã Bolsonaro foi buscar quem? Olavo Luiz Pimentel de Carvalho, segundo a Wikipedia, pois dele nunca quis saber tal seu ostracismo, “ensaísta, influenciador digital, ideólogo, jornalista, astrólogo, e autoproclamado filósofo”.
Em época de Pretas Sextas-Feiras e Festas Natalinas, ofereço grátis um exemplar do livro “Dominó de Botequim” a quem sintetizar a função social de tais qualificações.
E o sintético pensador foi no ponto: para fazer do capitão e seus herdeiros mais qualificados, levar ao extremo o baixo nível da equipe a eles subordinada. Definam-me Tinder Damares, Pontes Primeiro no Espaço Sideral, Weintraub Maconha nas Federais, o da Funarte Rock Satânico, augustos e helenos generais.
Como caridade, só peço que não analisem Salles e Araújo, Meio Ambiente e Relações Exteriores, respectivamente. Estes são meus! Ninguém tasca.
Entre 2 e 13 de dezembro, quase 200 países estarão reunidos em Madri, Espanha, (seria no Brasil, mas Jair não quis) para a COP 25, Conferência das Partes da ONU. Procurarão metas mais efetivas para controlar o aquecimento global provocado pelo ser humano. “Hora da Ação”, é o slogan da atual edição. “Estudos científicos mostram que as emissões de gases causadores do efeito estufa continuam subindo – e não caindo, como deveria ser.”
São ambiciosas as metas que serão propostas na Conferência, mas não tanto quanto as enunciadas pela dobradinha Salles e Araújo – sempre que escrevo o termo lembro de equinos correndo em pistas de areia ou grama.
Pedirão ajuda em dinheiro aos demais países para que o Brasil cumpra aquilo que mente que faz ou fará. Vendem suas ineficiência e inércia.
Dois imbecis, pois. Depois do exponencial aumento do desmatamento e dos incêndios na Amazônia, vazamentos de óleo no Nordeste, tragédias em Brumadinho e outras barragens, liberação da mineração em terras indígenas, previsto fim da moratória da soja, e liberação do plantio de cana-de-açúcar no bioma, hoje em dia, mais visado e percebido pelas sociedades que habitam os países desenvolvidos.
Então, queremos o quê? A comunidade internacional pondo dinheiro em quem mal sabe cuidar de seu rico patrimônio ambiental?
Há imbróglios antigos a serem perseguidos na COP 25, pois nunca obtidos nas edições anteriores. A conclusão das regras, na forma de um tratado, que confirme os protocolos do Acordo de Paris, principalmente, sobre o mercado de carbono.
Como contabilizar o volume transacionado e que reflita, de forma justa e exata, o que foi emitido de gases de efeito estufa para a atmosfera, e o realmente subtraído.
O Brasil tem sido um dos principais países a divergir do que deveria ter sido concluído na Polônia. Quer que cada país tenha autonomia para definir seus próprios adicionais.
Se não seguido um tratado, por todos acordado, e verificado em instâncias independentes, como confiar um no outro?
Com as desastradas atuações e declarações da dobradinha Salles e Araújo, mais os fatos aqui enumerados de ocorrências cometidas contra o meio ambiente, este ano no Brasil, chegaremos a Madri com o rabo entre as pernas.
Inté."


(De Rui Daher, texto intitulado "Não se deixem enganar com a economia" - aqui -, publicado no Jornal GGN e na CartaCapital.
'Os aparelhos econômicos a integrarem funções desenvolvimentistas estão atrofiados. Os indicadores mostram mais um paciente em estado terminal do que saltitante recebendo alta médica.'
Pode ser a deixa para se alegar: 'Queremos vender tantas empresas estatais quanto seja possível, precisamos formar funding para investimentos públicos e assim recuperar o paciente, entende?').

A PALAVRA EM VOGA (NO MÊS PASSADO)

.
Autocrítica


Duke.

DA PERSPECTIVA DE DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

                                            (Abismo social)
Zop.
....
.TV Solnik - Alex Solnik:
Maia vai à Argentina e encontra presidente eleito .............. Aqui.

AUTORIZADA ELABORAÇÃO DE PEDIDO DE IMPEACHMENT CONTRA TRUMP

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"O mandatário, que é do partido Republicano, é acusado de cometer improbidade, abuso de poder e obstrução de Justiça no Congresso no caso em que teria pressionado o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para investigar as empresas do ex-vice-presidente americano Joe Biden e seu filho, na Ucrânia."


Presidente da Câmara nos EUA dá aval para o texto de acusação contra Trump 

A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi (democrata), formalizou nessa quinta-feira (5) o pedido para que o Comitê de Justiça da Casa legislativa prepare o artigo de acusação que será usado no julgamento do impeachment do presidente daquele país, Donald Trump.
O mandatário, que é do partido Republicano, é acusado de cometer improbidade, abuso de poder e obstrução de Justiça no Congresso no caso em que teria pressionado o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para investigar as empresas do ex-vice-presidente americano Joe Biden e seu filho, na Ucrânia.
Em troca da investigação contra seu oponente político, Trump teria prometido a Zelensky uma ajuda de 250 milhões de dólares para o setor militar do país, congelados pelo governo norte-americano até então.
O tema foi vazado em setembro, na imprensa norte-americana, a partir de uma troca de conversas entre Trump e Zelensky, sugerindo que o presidente dos EUA estava oferecendo os recursos para o setor militar ucraniano em troca de investigações sobre Biden.
“Nossa democracia está em jogo. O presidente não nos dá outra opção a não ser agir, porque tenta, mais uma vez, corromper a eleição para seu benefício próprio. O presidente praticou abuso de poder, minou nossa segurança nacional e pôs em risco a integridade de nossas eleições”, afirmou Pelosi ao formalizar o pedido da redação.
“Se permitirmos que o presidente esteja acima da lei, o faremos, certamente, colocando em risco a nossa República”, pontuou.
(Ante)Ontem, quarta-feira (4), durante audiência no Comitê de Justiça da Câmara, três dos quatro juristas constitucionalistas convidados pelo Parlamento americano para avaliar as denúncias contra Trump afirmaram que existem evidências de crimes e, portanto, que justificam o impeachment. O único jurista que não acompanhou os demais foi convidado pelo partido Republicano, de Trump.
Assim como no Brasil, o Congresso norte-americano é dividido entre a Câmara dos Deputados e o Senado. O processo foi aprovado na primeira casa, onde os democratas, partido de oposição ao governo Trump (republicano), têm maioria. Na Câmara Alta, ou seja, no Senado, os republicanos são a maioria e podem impedir a saída de Trump.
Por causa disso, especialistas avaliam que é baixa a possibilidade de impeachment, mas não há dúvidas de que o processo enfraquece Trump politicamente. O republicano está no último ano do mandato e pretende concorrer à reeleição.
As votações dos artigos em torno do processo de impeachment, na Câmara, devem ocorrer de maneira célere, ainda neste mês de dezembro, prevê a direção da Câmara. A fase mais demorada – dos depoimentos de autoridades e do próprio governo, envolvidos no caso – foi concluída. A abertura do processo de impeachment contra Trump aconteceu no dia 24 de setembro.
Para a oposição e a opinião pública, as audiências reforçaram o envolvimento de Trump nas irregularidades. Em uma sessão do dia 14 de novembro, o embaixador interino na Ucrânia, William B. Taylor, que possui 50 anos de serviço público, confirmou a acusação contra Trump.
“Encontrei um canal irregular de política para a Ucrânia”, disse. “Escrevi que seria ‘uma loucura’ reter a assistência de segurança como forma de troca para obter ajuda em uma campanha política doméstica nos Estados Unidos”, completou.
O embaixador da Ucrânia disse ainda que uma pessoa de sua equipe ouviu uma conversa entre Gordon Sondland, um diplomata americano, e Trump, em 26 de julho, onde o presidente norte-americano teria perguntado sobre “as investigações”. Quando desligou a ligação com Trump, Sondland teria dito ao funcionário de Taylor que o presidente “se importava mais com as investigações de Biden” do que com a Ucrânia.
O outro a prestar depoimento na sessão, George Kent, alto funcionário do Departamento de Estado, acusou Rudy Giuliani, advogado pessoal de Trump, de ter realizado uma campanha para “sujar” Marie Yovanovitch, ex-embaixadora dos EUA na Ucrânia, para demiti-la com “acusações falsas”, porque ela havia denunciado a pressão de Trump.  -  (Fonte: Jornal GGN - Aqui).

TRUMP: IMPEACHMENT EM PERSPECTIVA



Simanca. (Brasil).

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

OLHO NOS VÍDEOS (05.12.19)


Olho nos Vídeos


.Portal do José:
Efeitos da 'Armadilha Bolsonaro' .................... AQUI.

.Paulo A Castro:
MPF investiga ação do procurador Paludo ........ AQUI.

.Caixa-Preta - Ana Roxo:
Caixa-Preta - Nocaute .................................. AQUI.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ............................................... Aqui.

.Luis Nassif:
Os últimos soluços da República do Paraná ...... Aqui.

.Paulo A Castro:
Hackers inocentam Manuela e Glenn ...................... Aqui.
Fachin decidirá sobre condenação de Lula no TRF4 ..... Aqui.

SERIOUS CARTOON

               "O sono da razão produz monstros."

Rainer Hachfeld. (Alemanha).

A QUEM SERVIRÁ O PACOTE DE PAULO GUEDES?


"Paulo Guedes, o superministro de Economia do governo de ocupação, ao anunciar o pacote “para reativar a economia", afirmou que é preciso acelerar o processo de privatização. Faltam, segundo ele, mais de uma centena de empresas públicas para serem descartadas. 
Mas o pior não é isso. O pior é a entrega do petróleo e querer transformar a Petrobras em mera extratora de óleo, em igualdade com as estrangeiras nas jazidas brasileiras. 
A próxima vítima, anunciou o próprio presidente do governo de ocupação, será a Eletrobras. Pra vender barato já fatiaram e venderam quase tudo da estatal. Você imagina o quanto de recursos humanos e materiais se necessita para construir uma hidroelétrica de grande porte como o Complexo de Urubupungá, no noroeste de São Paulo. Pois agora, é uma empresa estrangeira que sem ter investido nada assume o controle da geradora e tudo o que ela significa. E é outra empresa estrangeira que leva a energia lá gerada até sua casa. O seu salário diminui, o mínimo congela e a conta de luz, de água, de gás, da gasolina e do álcool aumentam todos os dias.
O pacote do Guedes foi encaminhado diretamente ao Senado. É para desconfiar das intenções, pois, como é de praxe, esse tipo de projeto começa a tramitar pela Câmara, primeiro nas comissões técnicas, só depois de aprovado em Plenário é que vai para o Senado. Por que essa inversão?  Ele não esconde que tem pressa… quer equilibrar as contas até 2026.
Pra enfrentar o problema de falta de dinheiro para sustentar a máquina pública, no lugar de mexer nos privilégios, cortar daqueles que ganham mais, anuncia cortar daqueles que ganham menos e que são, precisamente,  os que fazem a máquina funcionar. 
Ele anunciou claramente que quer reduzir salários e a carga horária do funcionalismo. Demite e corta o salário dos que ficam. Claro, o objetivo é o Estado Mínimo até que, não havendo mais Estado, o déficit, claro, será zero. É o raciocínio de Von Mises, o austríaco do radicalismo neoliberal que prega o fim do Estado e inspira o Guedes.
Se colocasse um teto de R$ 20 mil a todos os servidores de alto e médio escalão, quanto se economizaria? Se cortassem as mordomias, como fizeram no México, quando se economizaria? Lá, o servidor público se tiver que utilizar um automóvel para cumprir sua atividade fim, usa o veículo de uma frota comum para todos e vai pra casa no seu próprio automóvel. 
Em contraste, aqui, Guedes pretende tirar R$ 28 bilhões do orçamento em dois anos, 25%, um quarto disso, a custas da pele do servidor público. O cara até parece que enlouqueceu. Num acesso de euforia, anunciou que  quer proibir o servidor público de ter filiação partidária. Alguém precisa mandar esse cara ler a Constituição e a Carta dos Direitos Humanos da ONU. Rápido, senão….
As maldades não param aí. 
Como boa parte do orçamento da União é atada, ou seja, obriga a reservar uma percentagem à saúde e à educação, o senhor Guedes simplesmente conseguiu desobrigar a União. Paga a conta dos gastos supérfluos, como juros dos empréstimos e mordomias, e tira do essencial para o povo. Vai tirar dinheiro também dos Fundos Públicos… R$ 220 bilhões em depósitos, ou seja, dinheiro vivo, como para o Fundo para o Desenvolvimento do Ensino Universitário, que paga pesquisas avançadas, são desviados para outros fins.
Até o pescador artesanal terá que ressarcir o tesouro pelo que recebe no período de defeso, quando no período de desova é proibida a pesca para que não desapareça a espécie. O pescador recebe uma ajuda financeira para assegurar sobrevivência de sua família. Pois bem, agora o pescador terá que pagar para ter o defeso. Para receber aquela miséria, de meio salário mínimo, ele terá que dar pro governo 7,5% de um Salário Mínimo. 
Esses mesmos 7,5% serão descontados do salário desemprego. Argumentam que com isso poderão financiar o programa de emprego para jovens de 19 a 29 anos. Dizem que esse programa custará R$ 12 bilhões e o trabalhador terá que pagar R$ 10 bilhões. São muito bonzinhos, não são?
E, como se não bastasse, congelou a Salário Mínimo, que já era uma merreca ajustado pela inflação, agora nem isso.
Dá a impressão de que eles decidiram acabar com a pobreza no país da maneira mais simples… matando de fome os pobres. Já não tinham saúde, educação, moradia…. que morram, pois. Vamos nos juntar aos 600 milhões de famintos que vivem na África.
Nenhuma medida para penalizar os sonegadores, aos que obtêm lucros abusivos na especulação financeira. Segundo o Sonegômetro, com a sonegação fiscal o Tesouro deixa de arrecadar cerca de R$ 500 bilhões por ano, porém, com o faturamento não declarado pelas empresas, essa perda ultrapassa R$ 2 trilhões por ano.
Nenhuma medida para controlar a venda ilegal de madeira da Amazônia, dois crimes de uma só vez: ecológico (desmatamento), e fiscal (venda ilegal não faturada). Ao contrário de proteger as matas nativas o governo de ocupação anuncia que vai permitir a exploração (derrubada) das árvores nativas para exportação. Hoje só é permitido exportar troncos de árvores exóticas como o Pinus e o Eucalipto. 
Até onde vai a safadeza dessa gente que tomaram conta até do BNDES e querem, se não extingui-lo, para que não atrapalhe a banca privada, desfigurá-lo completamente. O BNDES foi criado para promover o desenvolvimento como banco de investimento. O único que garantia recursos para grandes projetos e também para pequenos empreendimentos, emprestando dinheiro a juros subsidiados. A partir do governo Temer, resultado de um golpe de estado, o BNDES nas mãos de financistas passou a atuar como um banco privado. Em meados de novembro, nas mãos da turma do Guedes, anunciou um lucro de R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre, 70% mais que no ano anterior. No acumulado de janeiro a setembro um lucro de R$ 16,5 bilhões.
Também a Caixa, o segundo maior banco público, está ameaçada de ser privatizada. Começaram retirando funções que lhe eram típicas, como a administração e operação das Loterias, a de depositária do Fundo de Garantia e financiamento da casa própria a longo prazo e juros subsidiados, ao alcance do trabalhador e fazendo-a funcionar como um banco privado em busca de lucros e especulação financeira.
A função das Caixas Econômicas, no mundo inteiro, é recolher a poupança do trabalhador, administrá-la e dar em troca facilidades para momentos de dificuldade, ou de felicidade na hora da compra da casa própria. E também aplicar os recursos em projetos que beneficiam os poupadores, na área de saúde e educação. 
Na Alemanha, onde o capitalismo funciona, há caixas econômicas municipais. Elas recolhem a poupança da população local e aplicam em infraestrutura pra melhorar o nível de vida das pessoas.
O que vão fazer com esse dinheiro? 
Daqueles R$ 16 bilhões de lucro do BNDES, R$ 4,6 bilhões já foram designados para ajudar o governo a pagar as contas. Todo o país colocado a serviço de sustentar a máquina, principalmente os trabalhadores e os mais pobres. No total o banco deverá passar R$ 132 bilhões para o governo. Em vez de financiar o setor produtivo, tudo se volatiza na voragem dos financistas que só pensam em déficit fiscal e fazer os ricos ganharem cada vez mais dinheiro.
O que é pior, é que todas essas medidas estão sendo aplicadas como um trator deixando terra arrasada, sem maiores discussões com a sociedade. De fato, chama a atenção o abuso de Medidas Provisórias ditadas pelo governo de ocupação precisamente nos setores mais sensíveis.
Vale perguntar. O que é mais indecente, governar através de MPs ou o fato de que se permita MPs. Essa é uma excrescência herdada da ditadura. A medida decretada pelo Executivo entra em vigor antes de ser apreciada pelo Legislativo. Então pra que legislativo? Ela deixa de vigorar se não for aprovada em 120 dias, mas pode ser devolvida e permanecer em vigor outros 120 dias. Se for aprovada perde validade. Em oito meses o governo de ocupação já editou 37 MPs e apenas nove foram rejeitadas. É mais um fator de insegurança jurídica que precisa ser eliminado.
E com o maior cinismo dos prepotentes, o ministro Guedes disse, nos Estados Unidos, que se houver no Brasil manifestações de protesto contra as medidas econômicas como as que estão ocorrendo no Chile, haverá um novo AI-5. O que é isso? Um golpe dentro do golpe?
Bom! Esses fatos, muito graves pela repercussão que têm na vida de cada cidadã suscitam reflexão. O que temos como cenário?
Uma sociedade de consumo (consumo exacerbado pela mídia) abandonou o capitalismo clássico (trabalho-produção-consumo) para uma financeirização suicida. O capital improdutivo como define o nosso professor Ladislau Dowbor.
Como sair dessa enrascada?
Os capitalistas que geraram a crise é que têm obrigação de assumir a responsabilidade pela crise e iniciar um novo ciclo de um capitalismo produtivo. 
É imperioso e vital. Caso não o façam, as coisas poderão sair do controle e impor-se o caos. 
Reassumir o capitalismo produtivo é como reviver e atualizar o ciclo desenvolvimentista iniciado na Era Vargas. Um novo keinesianismo como propunha Celso Furtado.
Tudo de mau que tem ocorrido no país desde 1980 tem uma só origem: a ditadura do pensamento único imposta pelo capital financeiro. Não é exagero dizer que só o capitalismo salva.
Já há essa percepção mundo afora.
O Manifesto da Gife que nós publicamos no domingo passado (organização que reúne o que há de mais representativo do capitalismo no Brasil) é um grito de alerta provocado por essa percepção. Veja você mesmo se não é, lendo o manifesto aqui
O professor Ladislau Dowbor, consultor da ONU e um dos fundadores da Diálogos do Sul, menciona em entrevista agrupamento de intelectuais e economistas das mais renomadas universidades do mundo, avaliando os danos provocados pela financeirização global e discutindo alternativa. Mais recentemente tivemos o chamado do papa, conclamando os economistas, sociólogos, políticos do mundo inteiro para discutir uma Economia de Francisco, em suma, uma economia que tenha como objetivo o bem estar das pessoas e a preservação do planeta ameaçado por essa economia que só visa o lucro e o enriquecimento de uns poucos.
Durma com isso na cabeça: só o capitalismo salva. É o soro antiofídico. Curado o enfermo vamos pensar nos próximos passos."


(De Paulo Cannabrava Filho, texto intitulado "A quem servirá o pacote de Paulo Guedes para reativar a economia brasileira?", publicado no 'Diálogos do Sul' - Aqui.
Entreouvido nas cercanias da Metrópole: "Se tudo o que interessa já está há tempos acertado, por que esses cucarachas ficam insistindo em questionar essas medidas? Por que insistem com esse discurso chinfrim?").