domingo, 8 de novembro de 2009

HAICAI DE CORRUPTO


TEMPO, SENHOR DA RAZÃO?
MELHOR AINDA: PAI
DA PRESCRIÇÃO

sábado, 7 de novembro de 2009

RESUMO DA SEMANA


A INveja é um OUT frustrado.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

HAICAI DE MONSTRO SAGRADO

(Claude Levi-Strauss. 28.11.1908 - 30.10.2009)
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REZA A ANTROPOLOGIA:
NOS TRISTES TRÓPICOS TAMBÉM VICEJA
A FILOSOFIA

PEANUTS, 60


De Charles M. Schulz (1922/2000). A publicação é comemorativa dos 60 anos das primeiras tiras Peanuts no Brasil. Acima, o livro inaugural, reunindo as tiras publicadas entre 1950 (ano de criação dos personagens) e 1952. A L&PM programa outros dois volumes.

LAVANDO O PECULATO

- Mensalão Mineiro?!

- Eu não disse isso. Eu disse meu pirão primeiro.

- Ah, bom. Ok, pirão garantido. E a cobertura?

- Ok. Matéria de capa. Ele na capa.

- O ministro relator?!

- Claro que não. O nosso senador.

- Ah, bom. E pensar que no passado o ministro foi premiado com capa, hein? Quem diria que seria tão insensível, que iria inventar um recibo fajuto de R$ 4,5 milhões...

- Absurdo.

- Dá umas indiretas nele, mas pega com jeito, ok? Em política é assim: a gente fecha a porta, mas deixa uma janela entreaberta.

- Fica tranquilo. Eu manjo disso.

- Então tá.

- Ok.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

INTERNET E SANIDADE (II)

Enquanto no texto abaixo Ivan Lessa louva os benefícios 'cerebrais' da Internet, com base em pesquisa (com pessoas entre 55 e 78 anos) levada a efeito por Gary Small, da Universidade da Califórnia, na China o clima para os jovens internautas não é dos mais convidativos:

"PEQUIM (Reuters) – O Ministério da Saúde da China proibiu o uso de castigos físicos para curar o vício da Internet em adolescentes, meses depois que um garoto foi espancado até a morte em um acampamento de reabilitação.
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Os pais chineses buscaram ajuda de mais de 200 organizações que oferecem tratamento para 'enfermidades', conforme aumentam os alertas do governo sobre hábitos poucos saudáveis da juventude de navegar pela Internet.
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Muitos desses campos estão impregnados de uma atmosfera militar. Os pacientes são obrigados a substituir horas diante do computador por exercícios físicos árduos ou mesmo “tratamentos” mais extremos.(...)".
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Convém lembrar também o fato de que na China muitos sites estão sob estrita censura, mas essa já é outra história.

INTERNET E SANIDADE, POR IVAN LESSA


Eu sou muito mais moço do que pensam aqueles que me veem bengalando meu caminho pelas ruas de Londres. Ninguém me daria mais que 47 anos. Vá lá que seja: 57 anos. Isso porque só podem assistir a ruína a que meu pobre corpo ficou reduzido, conforme diz a velha canção do bom Ary Barroso. Não podem ver o decatlo moderno disputado com vistas a medalha ao menos de bronze pela minha vida interior.
Mentalmente, tenho meus sacudidos 30 e poucos anos. Meu cérebro bate bola em praia ou terreno baldio. Minhas faculdades mentais dão a volta ao quarteirão com o português do armazém correndo atrás, e não me pegando, depois de eu roubar a coxinha de galinha e a empada de palmito.
Não pratico esportes. Não faço ioga. Alongamento ou pilates. Meu segredo, minha receita para uma vida saudável, para chegar com alguma dignidade e boa disposição física ao crepúsculo final que nos espera a todos é muito simples e nada tem a ver com regimes e essa enganação de alimentos “orgânicos”. Não. Sento. E sento e sento e sento.
Não só diante da televisão e os DVDs alugados, que isso é recreio, hora da engorda mental, confeitos que só engordam o já castigado cérebro. Sento diante da mesa em que se alojam, como precioso relicário, o computador, com todos seus adereços habituais: teclado, camundongo, USB para isso e aquilo outro, dongles e, vez por outra, suas inevitáveis chateações.
O conjunto, comigo a manobrá-lo, confortavelmente sentadão, é o que me mantém, e ainda manterá, por muito tempo, com a mente sã e distante de qualquer “andador”, por mais moderno e estético que seja.
Amigos – mais: irmãos – de cabelos cor de prata, eis o segredo que a ciência acaba de endossar: googleie para viver sem demência ou sentir nas costas o toque gelado dos dedinhos finos de Alzheimer. O vovô e a vovó podem reverter o processo da senilidade ao simples digitar cibernético.
Eu acabei de dar uma chegada ao Google para ver se encontrava um substantivo em português neo-reformado para a palavra “dongle”. Neris de petibiriba, conforme dizemos nós, os com mais de 35 anos de idade. No entanto, a simples busca adiou, nem que seja por um átimo (confiram no Houaiss virtual), o processo degradante do envelhecimento.
Lá está, no jornal: Gary Small, professor de neurociência e comportamento humano da Universidade da Califórnia, Los Angeles (a mais que prestigiosa UCLA) declarou que “os cidadãos mais velhos, mesmo com um mínimo de experiência, terão alteradas de forma positiva suas atividades mentais e seu devido comportamento”.
O grande Small e sua equipe trabalharam durante algum tempo com 24 idosos entre as idades de 55 e 78 anos, submetendo-os a toda sorte de testes, modernos e tradicionais. Metade dessa gente boa e de bela idade era chegada à net. Precisamente a metade mais cheia de vida, mais sagaz. Tudo foi segundo o mais avançado método científico à disposição da UCLA.
Não deu outra coisa: mexeu com o teclado do computador, digitou, buscou, achou, não achou, dá na mesma: a atividade cerebral do internauta foi estimulada com oxigênio extra e uma boa dose de nutrientes, ou nutritivos. No que o sangue benévolo saiu jorrando inteligência pelas partes mais recônditas do cérebro dos… quase que digo anciãos. Cérebro dos sempre jovens e atentos cibernautas.
“Digitai para viver” passou a ser o meu lema. Viver mais e melhor, com mais inteligência e sensibilidade.
Googlai, irmãos, googlai!
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Ivan Lessa é colunista da BBC Brasil.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O ADEUS DO AMIGO DOS QUADRINHOS


Sheldon Dorf, fundador da San Diego Comic-Con, morreu aos 76 anos nesta terça-feira (3), em virtude de complicações relacionadas a diabetes, no Sharp Memorial Hospital, em San Diego (EUA).

A San Diego Comic-Con, que este ano comemorou sua 40ª edição, é o maior e mais antigo evento de cultura pop do mundo, com um público estimado em mais de 126 mil pessoas em 2009.

Nativo de Detroit, Dorf estudou no Instituto de Arte de Chicago e exerceu a função de designer de arte em Nova York. No início dos anos 1970, mudou-se para o sul da Califórnia e intensificou os trabalhos para promover a convenção.

Foi um grande colecionador das histórias do personagem Dick Tracy e também organizou a "Triple Fan Fest", evento dedicado aos quadrinhos e material relacionado a filmes de ficção científica.
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Fonte: UOL.

INUTENSÍLIO


(Brinco, sempre, com meus amigos poetas: diz aí, velho, a poesia é necessária? Eles tangenciam, desconversam, dizem sem dizer, embora saibamos que a resposta é sim. Ou, como diz o Caetano, ou não. Pois o texto a seguir, que minha amiga Cafu, do Portal Luis Nassif, publicou em seu blog e me avisou a respeito, não deixa margem: a resposta é sim).


INUTENSÍLIO - por PAULO LEMINSKI

A ditadura da utilidade

A burguesia criou um universo em que todo gesto tem que ser útil. Tudo tem que ter um para quê, desde que os mercadores, com a Revolução Mercantil, Francesa e Industrial, substituíram no poder aquela nobreza cultivadora de inúteis heráldicas, pompas não rentáveis e ostentosas cerimônias intransitivas. Parecia coisa de índio. Ou de negro. O pragmatismo de empresários, vendedores e compradores, mete preço em cima de tudo. Porque tudo tem que dar lucro. Há trezentos anos pelo menos, a ditadura da utilidade é unha e carne com o lucrocentrismo de toda essa nossa civilização. E o princípio da utilidade corrompe todos os setores da vida, nos fazendo crer que a própria vida tem que dar lucro.

Vida é o dom dos deuses, para ser saboreada intensamente até que a Bomba de Neutrons ou o vazamento da usina nuclear nos separe deste pedaço de carne pulsante, único bem de que temos certeza.

Além da utilidade

O amor. A amizade. O convívio. O júbilo do gol. A festa. A embriaguez. A poesia. A rebeldia. Os estados de graça. A possessão diabólica. A plenitude da carne. O orgasmo. Estas coisas não precisam de justificação nem de justificativa.Todos sabemos que elas são a própria finalidade da vida. As únicas coisas grandes e boas que podem nos dar esta passagem pela crosta deste terceiro planeta depois do Sol (alguém conhece coisa além? Cartas à redação). Fazemos coisas úteis para ter acesso a estes bens absolutos e finais.. A luta dos trabalhadores por melhores condições de vida é, no fundo, luta pelo acesso a esses bens, brilhando além dos horizontes estreitos do útil, do prático e do lucro.

Coisas inúteis (ou in-úteis) são a própria finalidade da vida.Vivemos num mundo contra a vida. A verdadeira vida, que é feita de júbilo, liberdade e fulgor animal. Cem mil anos-luz além da utilidade, que a mística imigrante do trabalho cultiva em nós, flores perversas no jardim do diabo, nome que damos a todas as forças que nos afastam da nossa felicidade, enquanto eu ou enquanto tribo. A poesia é o princípio do prazer no uso da linguagem. E os poderes deste mundo não suportam o prazer. A sociedade industrial centrada no trabalho servo-mecânico, dos EUA à URSS, compra por salário o potencial erótico das pessoas, em troca de performances produtivas, numericamente calculáveis.

A função da poesia é a função do prazer na vida humana.Quem quer que a poesia sirva para alguma coisa não ama a poesia. Ama outra coisa. Afinal a arte só tem alcance prático em suas manifestações inferiores, na diluição da informação original. Os que exigem conteúdo querem que a poesia produza um lucro ideológico. O lucro da poesia quando verdadeira é o surgimento de novos objetos no mundo. Objetos que signifiquem a capacidade da gente de produzir mundos novos. Uma capacidade in-útil. Além da utilidade. Existe uma política na poesia que não se confunde com a política que vai na cabeça dos políticos. Uma política mais complexa, mais rarefeita, uma luz política ultravioleta ou infravermelha. Uma política profunda, que é crítica da própria política, enquanto modo limitado de ver a própria vida.

O indispensável in-útil

As pessoas sem imaginação estão sempre querendo que a arte sirva para alguma coisa. Servir. Prestar. O serviço militar. Dar lucro. Não enxergam que a arte (a poesia é arte) é a única chance que o homem tem de vivenciar a experiência da liberdade, além da necessidade. As utopias, afinal de contas, são, sobretudo, obras de arte. E obras de arte são rebeldias.A rebeldia é um bem absoluto. Sua manifestação na linguagem chamamos poesia, inestimável inutensílio. As várias prosas do cotidiano e do(s) sistema(s) tentam domar a megera. Mas ela sempre volta a incomodar. Com o radical incômodo de uma coisa in-útil num mundo onde tudo tem que dar lucro e ter um por quê. Pra que por quê?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O PANORAMA VISTO DA BANHEIRA

.Enquanto o mundo ardia em chamas, o neocon se refestelava na banheira.

.O Estado teve de arregaçar as mangas para evitar a bancarrota de conglomerados privados.

.No Brasil, entre várias outras providências, o Estado obrigou seus bancos (BNDES, BB, CEF, BN e BASA) a expandir ao máximo suas aplicações. A banca privada continuou na banheira, auferindo ganhos de Tesouraria, inclusive na esteira da redução dos depósitos compulsórios (outra benesse do Estado).

.O Estado brasileiro continuou agindo no âmbito social e no comércio exterior, atentando também para a necessidade de empresas como a Vale agregarem valor aos produtos que exportam (o que beneficia o mercado interno).

.Ou seja, o Estado foi compelido a agir. Ou agia ou o país soçobrava.

.Aos primeiros sinais do fim do pesadelo, eis que o neocon, da mesma confortável banheira, manifesta a necessidade da REESTATIZAÇÃO DO ESTADO.

.Prenhe de civismo, sustenta desconhecer se algum dia alguém pregou o ESTADO MÍNIMO (Reagan? Thatcher? Williamson? Quem?) e alerta para as perniciosas consequências que poderão advir do ESTADO MÁXIMO.

.E diz: NA LINHA BÁSICA DE QUE OU SE ADERE A ESSA VISÃO DE ESTADO MÁXIMO OU NÃO SE É PATRIOTA.

.O neocon é Armínio Fraga, mas podia ser Maílson da Nóbrega, Míriam Leitão etc etc etc.

.Patriotas eu não sei se são. De bestas não têm nada.

UMA VOZ NO SARAU

Renata Pitta louva a MPB na noite em que o Sarau Ágora homenageou poetas de Oeiras.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ANTES QUE O ANO ACABE

"A FOLHA NÃO COMPACTUOU COM O REGIME MILITAR, NUNCA FOI CONDESCENDENTE COM CASOS DE TORTURA E ESTEVE À FRENTE DOS DEMAIS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO NA CAMPANHA PELAS DIRETAS-JÁ. QUANDO A FOLHA ERRA - COMO OCORREU NO USO DO TERMO 'DITABRANDA' -, O JORNAL RECONHECE E REGISTRA SEUS ERROS."


(Suzana Singer, secretária de redação do jornal Folha de São Paulo. Lendo sobre 'Cães de Guarda', de Beatriz Kushnir, a questão de nunca haver compactuado nem sido condescendente com certas atrocidades não é bem por aí, e antes que o ano acabe é bom lembrar que em 17 de fevereiro a Folha estreou com a DITABRANDA e jamais se desculpou com a veemência da estreia; ao contrário, ridicularizou aqueles que a criticaram; dando curso a sua postura escancaradamente parcial, publicou na primeira página da edição de 05 de abril ficha criminal falsa de Dilma Rousseff, admitindo, candidamente, dias depois - não na primeira página -, que recebera o documento por email e que não podia afirmar se a ficha era verdadeira, tampouco falsa. O texto da Ditabranda e a ficha falsa de Dilma serão utilizados na campanha política de 2010, certamente emoldurados por dantesco áudio - razão de tudo ter ficado convenientemente em aberto).

SARAU ÁGORA


O Sarau Ágora acontece na última quinta-feira do mês (o próximo ocorrerá no dia 26, portanto), no restaurante Nova Brisa, avenida Pres. Kennedy, São Cristóvão, nesta Capital.

O Ágora de outubro homenageou dois poetas de Oeiras: Gutemberg Rocha, poeta e cronista, autor de 'Oeiras É Assim' (poemas), e Jota Jota Sousa, autor de 'Do Outro Lado da História' (poemas, contos e crônicas) e 'Meu Pedaço de Chão e Minhas Andanças' (idem).

O Sarau Ágora já disse a que veio: o próximo será o vigésimo-quinto encontro - com a poesia e a música reinando (e coroando a cidadania, sentido da Ágora, a praça da livre manifestação).

Acima, de pé: João Carvalho (coordenador geral do Sarau) e Reginaldo Leal; sentados: Jota Jota Sousa, Gutemberg Rocha e William Soares.
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Foto: Dodó Macedo.

SARAU ÁGORA

Ingra de Sousa deu mostras de seu talento no Sarau Ágora. É de São João do Piauí. Manja de MPB e já é presença garantida em nosso próximo encontro, previsto para o dia 26.
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Foto: Dodó Macedo.

SARAU ÁGORA


Dodó Macedo, Deusdeth Nunes, William Soares, Zé de Helena, Conceição Cavalcante e João Carvalho, no Sarau Ágora.
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Zé de Helena é figura consagrada e querida de Oeiras. Registrado como José Hipólito Marinho, Zé de Helena foi o primeiro garçom, primeiro jardineiro, primeiro faz-tudo de Oeiras. Aplausos mais que merecidos, caro Zé!
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Foto de Dodó Macedo.

domingo, 1 de novembro de 2009

NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS

(Acima, flagrante Brasil, anos 90, século passado).

Milton Friedman, guru dos monetaristas e pai dos ChicagoBoys, sempre negou a autoria da máxima 'Não Existe Almoço Grátis'. Preferia repetir sua velha lição de que 'ninguém gasta o dinheiro dos outros com o mesmo cuidado com que gasta o seu próprio'.

Eis que o Bolsa Família, após anos de malhação cruel a cargo de iluminados de naipes diversos Brasil afora, é citado como um dos responsáveis pela ampliação do mercado interno, estimulando a abertura de novos pequenos comércios e incrementando a arrecadação de tributos em geral. Sem contar os benefícios advindos da alimentação. Mas, existe almoço grátis?

Vale o registro: cerca de 31 milhões de brasileiros subiram de classe social entre os anos de 2003 e 2008, sendo mais de 19 milhões deles originários da classe E.

Segundo Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Varas, desde 2001 o Brasil vive um processo de redução da desigualdade. Neste período, a renda per capita dos 10% mais pobres da população subiu 72%, enquanto a dos 10% mais ricos cresceu, aproximadamente, 11%. Essa melhora no indicador foi impulsionada principalmente pela renda do trabalho.“Acho que essa redução de desigualdade foi a grande conquista da década. O fato de ser puxada em cerca de dois terços pela renda do trabalho significa que o brasileiro está gerando sua própria renda. O que temos observado é um boom no mercado de trabalho”. Segundo ele, os programas sociais ou aposentadorias foram responsáveis pelo outro um terço do movimento.

Em contrapartida, como já destacado, a assistência aos miseráveis fortaleceu o mercado interno, estimulou a arrecadação, melhorou a saúde das pessoas. Boa troca, bom escambo, pois não?

Em vista do exposto, parece claro que Friedman não tinha razão para renegar o dito. De fato, não existe almoço grátis.

ECOS DO SARAU


Meu amigo José Rufino lendo 'CAMPO MAIOR', de H. Dobal, na noite em que, na Casa da Cultura, celebramos os 80 anos do poeta. Eis a poesia:

Ai campos de criar do verde plano
todo alagado de carnaúbas.
Ai planos dos tabuleiros
tão transformados tão de repente
num vasto verde num plano
campo de flores e de babugem.

Ai rios breves preparados
de noite e nuvem. Ai rios breves
amanhecidos na várzea longa,
cabeças d'água do Surubim
no chão parado dos animais,
no chão das vacas e das ovelhas.

Ai campos de criar. Fazendas
de minha avó onde outrora
havia banhos de leite. Ai lendas
tramadas pelo inverno. Ai latifúndios.

sábado, 31 de outubro de 2009

SINATRA PRESENTE

Em breves dias será lançado o pacote Frank Sinatra (1915-1998): 71 canções em 4 CDs (55 canções) e 1 DVD (16) gravadas ao vivo em Nova York entre 1955 e 1990. Fantástica pedida.

Enquanto o pacote não vem, curtamos Sinatra e Bono Vox em dueto de 1993, 'I've Got You Under My Skin'. Bono, a propósito, estreou como cronista no começo deste ano no The New York Times. Eis um trecho de sua crônica de estreia, traduzida por Renzo Mora (renzomora.wordpress.com):
“…Eu olho para cima e vejo algo amarelo: umapintura que Frank (Sinatra) mandou-me depois que eu cantei 'I’ve Got You Under My Skin' com ele em seu álbum Duets, de 1993. Uma pintura com violentos círculos concêntricos gravitando sobre o deserto. Francis Albert Sinatra, pintor, modernista.

Nós passamos algum tempo em sua casa em Palm Springs, que era uma emoção – lá fora o deserto e as montanhas – nada mais por milhas… Muita conversa sobre jazz. Foi quando ele me mostrou o quadro. Eu achei que os círculos tinham o tamanho de um piston, e disse isso.

'A pintura chama-se jazz e você pode ficar com ela'.

Disse que tinha ouvido que ele era uma das maiores influências de Miles Davis.

Frases curtas e cheias de energia:'Eu geralmente não ando por aí com caras de brincos'. 'Miles Davis nunca desperdiçou uma nota, garoto – ou uma palavra com um idiota'.

'Jazz é sobre o momento em que você está. Ser moderno não é sobre o futuro, é sobre o presente.'

Eu penso nisso agora, neste ano novo. O Big Bang da música pop dizendo para mim que tudo é sobre o momento, uma pintura recente e nunca retrabalhar o quadro em excesso.

Eu imagino o que ele pensaria do tempo que eu e meus colegas de banda levamos para terminar um álbum. Ele e sua famosa impaciência com diretores, produtores – qualquer um na verdade que ficasse atrapalhando o caminho. Ele estava certo, tenho certeza. Vivendo em plenitude o momento, aquele pequeno espaço de tempo depois que você apertou o botão gravando é o que faz a eternidade. Se, como Frank, você canta como nunca cantará novamente. Se, como Frank, você canta como nunca cantou antes. (...)"




sexta-feira, 30 de outubro de 2009

PICLES CONCISOS E PLEONÁSTICOS


SEGUNDO O SENHOR TEMPO, QUEM SABE FAZ A HORA, QUEM NÃO SABE JAZ.

O BOM DA ONIPRESENÇA É NÃO TER DE DIZER A QUE VEIO.

NÃO HÁ NADA COMO UM DIA ATRÁS DO PREJUÍZO.

ECONOMIA É A CIÊNCIA QUE TEM O REMÉDIO CONTRA TODOS OS MALES MAS DESCONHECE A CURA PELA AUTOEXTINÇÃO.

O CONSUMISMO ESPERA QUE CADA UM COMPRE O SEU DEVER.

SÓ QUANDO A NOITE É RETINTA É QUE NÃO HÁ SOMBRA DE DÚVIDA.

LUGAR SEU NO ESTÁ TUDO.

O LATIM É UMA LÍNGUA EM DESUSO. FUI A ROMA E CONSTATEI IN LOCO.

ESCÂNDALO: ELEITORES FANTASMAS QUEREM ELEGER NO GRITO O ESPÍRITO DA COISA.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

II SARAU DA CULTURA


Laura Macedo e Josy Brito no hall da Casa da Cultura, na noite de ontem. Os banners sobre os 80 anos (seriam alcançados neste mês) do poeta Hindemburgo Dobal ficaram de primeira. Nosso velho amigo JotaA, cartunista finíssimo, deixou sua marca por lá.
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Josy está em preparativos para o próximo Sarau (25 de novembro), que nos brindará com a música do Ensaio Vocal.
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Foto: Dodó Macedo.

II SARAU DA CULTURA

O Trio Química deu conta do recado musical no Sarau da Cultura. Aislan Leal (violão), Caio Michel (violoncelo) e Gilberto Portela estão no rumo certo do bom gosto.

Foto: Dodó Macedo.

II SARAU DA CULTURA


Laura Macedo, Josy Brito e Herbênia Rufino. Amizade regada, com bom humor, no Sarau da Cultura.
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Foto de Dodó Macedo.

II SARAU DA CULTURA

Dodó Macedo, Josy Brito e Cineas Santos, no Sarau da Casa da Cultura.
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Foto: Dodó Macedo.

DE COMO KANITZ DÁ AULA A KRUGMAN


Os economistas e as agências de risco não estão com a bola toda, depois da crise mundial que desmoralizou o neoliberalismo.

Mas é sempre bom atentar para o que diz Paul 'Nobel' Krugman.

Reportando-se ao BRIC, ele diz que a Rússia é um paquiderme meio atolado, a Índia e a China são as tais e o Brasil, bem, o Brasil mostrou muita competência ao superar a crise graças a uma sólida estrutura financeira e pouca exposição ao comércio exterior.

Já quanto a perspectivas de crescimento, o Brasil é mais esperança do que certeza. E para aí o Sr. Krugman.

A solidez da estrutura financeira decorre do fato de o Brasil ter sido mais rigoroso do que o BIS/Acordos da Basiléia I e II (enquanto os EUA, por exemplo, nem tomaram conhecimento das diretrizes, como classificação de risco de crédito, formação de provisões e alavancagem, ou seja, a relação entre o capital do banco e o montante máximo emprestável).

Quanto à pouca exposição ao comércio exterior, fico a me perguntar como estaria o Brasil, caso tivesse, há cerca de dez anos, aderido ao Acordo de Livre Comércio das Américas (melhor dizendo, da América, EUA). Para se ter uma ideia, o México, com o Nafta (a ALCA) até o pescoço, vai amargar redução de 9% no PIB em 2009.

Chamavam o Lula de turista, em face das constantes viagens ao exterior, e agora a realidade se encarrega de mostrar o acerto da tática: o Brasil diversificou suas parcerias comerciais, a ponto de as exportações para os EUA terem caído de 27% para 13%, a China converter-se no maior parceiro comercial isolado e a América do Sul e Caribe receberem a maior fatia das exportações (com maior valor médio por tonelada).

A China continua bombando, é verdade. Mas a mão-de-obra chinesa, o que tem a dizer quanto a direitos trabalhistas, notadamente salários? E o meio ambiente, como está sendo tratado na China? O que reserva o futuro?

E o futuro do Brasil? Mais esperança do que certeza de crescimento? O administrador Stephen Kanitz cunhou a seguinte máxima: 'Ao se analisar as previsões negativas, deve-se levar em conta a seguinte particularidade: se nada for feito, se tudo continuar como está.'

Assim como o Brasil mudou sua tática em comércio exterior, assim como inseriu milhões de famílias no mercado consumidor mediante programas sociais, também poderá promover mudanças na área tributária, por exemplo, alterando a perspectiva de crescimento.

Kanitz me parece mais firme do que Krugman.

Ademais, é bem melhor ser esperança de crescimento do que certeza de fracasso.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DOBAL NO SARAU


Hindemburgo Dobal - foto de Luciano Klaus.


O IMPENITENTE

Calvino Teixeira,
comedor,
bebedor,
gozador da vida,
morreu impenitente.
Não deu à hipocrisia,
ou à piedade dos outros,
a alegria de vê-lo arrependido.

(H. Dobal - Poesia Reunida; Oficina da Palavra; 2005).

Logo mais à noite, sarau na Casa da Cultura. Papo, cervejinha, som legal e homenagem ao poeta que nos deixou há pouco: H. Dobal.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

JEREMIAS, O BOM


A bondade nada tem a ver com a justiça. A justiça é um valor estritamente moral. A bondade não é. Cristo, por exemplo, não foi bom. Foi justo. Bom foi José.

Os filatelistas não conhecem até hoje um selo com a efígie de um bom. Os bons jamais deram filme. Não há sobre ele – os bons – notícia de estátua, monumento, fotografia em alto contraste, subsídios para biografia, apostila ou ponto para as provas. Os bons não fazem história.

Não se sabe ao certo quando foi que Jeremias nasceu. Há contudo os que afirmam que – como os discos voadores – Jeremias sempre existiu.
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Título da postagem, retificado por um leitor prolixo: 'Jeremias, o bom, e um texto meio amargo do escritor e cartunista Ziraldo, dia desses em seu blog'.