quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
NA HORA FATAL
Os maiores arrependimentos daqueles que estão para morrer
Bronnie Ware é uma enfermeira que passou muitos anos trabalhando com cuidados paliativos, cuidando de pacientes em seus últimos três meses de vida. Em "The Top Five Regrets of the Dying" (Top Cinco Arrependimentos Daqueles que Estão Para Morrer"), ela conta que os pacientes ganharam uma clareza de pensamento incrível no fim de suas vidas e que podemos aprender muito dessa sabedoria.
"Quando questionados sobre desejos e arrependimentos, alguns temas comuns surgiam repetidamente", disse Bronnie ao jornal britânico The Guardian.
Confira a lista e os comentários da enfermeira:
1. Eu gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu quisesse, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse
"Esse foi o arrependimento mais comum. Quando as pessoas percebem que a vida delas está quase no fim e olham para trás, é fácil ver quantos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não realizou nem metade dos seus sonhos e tem de morrer sabendo que isso aconteceu por causa de decisões que tomaram, ou não tomaram. A saúde traz uma liberdade que poucos conseguem perceber, até que eles não a têm mais."
2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto
"Eu ouvi isso de todo paciente masculino com que eu trabalhei. Eles sentiam falta de ter vivido mais a juventude dos filhos e a companhia de seus parceiros. As mulheres também falaram desse arrependimento, mas como a maioria era de uma geração mais antiga, muitas não tiveram uma carreira. Todos os homens com quem eu conversei se arrependeram de passar tanto tempo de suas vidas no ambiente de trabalho."
3. Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos
"Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos para ficar em paz com os outros. Como resultado, eles se acomodaram em uma existência medíocre e nunca se tornaram quem eles realmente eram capazes de ser. Muitos desenvolveram doenças relacionadas à amargura e ressentimento que eles carregavam."
4. Eu gostaria de ter ficado em contato com os meus amigos
"Frequentemente eles não percebiam as vantagens de ter velhos amigos até eles chegarem em suas últimas semanas de vida e não era sempre possível rastrear essas pessoas. Muitos ficaram tão envolvidos em suas próprias vidas que deixaram amizades de ouro se perderem ao longo dos anos. Tiveram um arrependimento profundo por não ter dedicado tempo e esforço às amizades. Todo mundo sente falta dos amigos quando está morrendo."
5. Eu gostaria de ter me permitido ser mais feliz
"Esse é um arrependimento surpreendentemente comum. Muitos só percebem isso no fim da vida, que a felicidade é uma escolha. As pessoas ficam presas em antigos hábitos e padrões. O famoso 'conforto' com as coisas que são familiares O medo da mudança fez com que eles fingissem para os outros e para si mesmos que eles estavam contentes quando, no fundo, eles ansiavam por rir de verdade e aproveitar as coisas bobas em suas vidas de novo." (Fonte: aqui).
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Carpe diem!
ESTADO, A ALTERNATIVA
O renascimento do Estado-nação
Dani Rodrik
Um dos mitos básicos de nossa era é o de que a globalização condenou o Estado-nação à irrelevância. A revolução nos transportes e comunicações, costuma-se ouvir, pulverizou fronteiras e encolheu o mundo. Novas formas de governo, desde redes transnacionais de agências de regulamentação até organizações internacionais da sociedade civil e instituições multilaterais, vêm transcendendo e suplantando os parlamentares nacionais. As autoridades políticas domésticas, comenta-se, são impotentes ante os mercados mundiais.
A crise financeira mundial acabou com esse mito. Quem socorreu os bancos, injetou liquidez, empenhou-se em estímulos fiscais, proporcionou redes de segurança social para desempregados e evitou a escalada da catástrofe? Quem está reescrevendo as regras de supervisão e regulamentação dos mercados financeiros para impedir outra crise? Quem leva a maior parte da culpa por tudo que sai errado? A resposta é quase sempre a mesma: os governos nacionais. O G-20, Fundo Monetário Internacional (FMI) e Comitê de Supervisão Bancária da Basileia, em geral, ficaram em segundo plano.
Mesmo na Europa, onde as instituições regionais são relativamente fortes, são os interesses nacionais e as autoridades políticas domésticas, em grande parte, na figura da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, que vêm dominando a definição das políticas. Se Merkel fosse menos apaixonada pela receita de austeridade passada aos países europeus assolados por dívidas e se ela tivesse conseguido convencer seu eleitorado doméstico da necessidade de uma abordagem diferente, a crise da região do euro teria se desdobrado de uma forma bem diferente.
Embora o Estado-nação ainda sobreviva, sua reputação está em frangalhos. A investida intelectual contra o Estado-nação assume duas formas. Na primeira, há a crítica dos economistas que veem os governos como um impedimento à livre circulação de bens, capital e pessoas pelo mundo. Se impedirmos os políticos de intervir com suas regras e barreiras, dizem esses economistas, os mercados mundiais tomarão conta de si próprios e, no processo, criarão uma economia mundial mais integrada e eficiente.
Quem, no entanto, determinará as regras e regulamentações dos mercados, senão os Estados-nações? O "laissez-faire" é uma receita para mais crises financeiras e maior retrocesso político. Além disso, exigiria delegar a política econômica a tecnocratas internacionais, figuras isoladas das pressões inerentes à política - uma situação que restringe seriamente a democracia e a responsabilidade política.
Em resumo o "laissez-faire" e a tecnocracia internacional não proporcionam uma alternativa plausível ao Estado-nação. Na verdade, enquanto não dispomos de mecanismos viáveis de governança mundial, a erosão do Estado-nação, em última análise, traz pouco de positivo para os mercados mundiais.
Na segunda forma, há os pensadores éticos cosmopolitas que condenam a artificialidade das fronteiras nacionais. Como o filósofo Peter Singer disse, a revolução das comunicações gerou uma "audiência global", que cria uma base para uma "ética global". Se nos identificamos com a nação, nossa moralidade permanece nacional. Se, no entanto, cada vez mais nos associarmos ao mundo em geral, nossas lealdades também se expandirão. De forma similar, o economista vencedor do Nobel, Amartya Sen, fala de nossas "identidades múltiplas" - étnicas, religiosas, nacionais, locais, profissionais e políticas - muitas das quais atravessam as fronteiras nacionais.
Não está claro quanto disso é mera expressão de desejo e quanto é baseado em mudanças reais nas identidades e afinidades das pessoas. Pesquisas mostram evidências de que a afinidade das pessoas com o Estado-nação continua bastante forte.
Há poucos anos, a Pesquisa Mundial de Valores consultou pessoas em vários países sobre sua afinidade com as comunidades locais, suas nações e o mundo em geral. Não foi nenhuma surpresa descobrir que os pesquisados que se viam como cidadãos nacionais superavam amplamente os que se consideravam cidadãos do mundo. Surpreendentemente, no entanto, a identidade nacional superava até a identidade local nos Estados Unidos, Europa, Índia, China e na maioria dos outros lugares.
A mesma pesquisa indica que os mais jovens, os que têm mais estudo e os que se identificam como sendo das classes mais altas são mais propensos a se sentir associados ao mundo em geral. É difícil, no entanto, identificar qualquer faixa demográfica em que a afinidade à comunidade mundial supera a ligação ao país.
Por maiores que tenham sido os declínios nos custos com transportes e comunicações, não foram suficientes para tirar a geografia de cena. As atividades políticas, sociais e econômicas continuam agrupadas em torno a preferências, necessidades e trajetórias históricas que variam ao redor do mundo.
A distância geográfica é um determinante de intercâmbio econômico tão forte quanto era há 50 anos. Mesmo a internet, no fim das contas, não é tão independente das fronteiras quanto parece: um estudo mostrou que os americanos são mais inclinados a visitar sites de países fisicamente próximos do que de lugares mais distantes, mesmo levando em conta o idioma, renda e muitos outros fatores.
O problema é que ainda estamos sob o domínio do mito do declínio do Estado-nação. Líderes políticos alegam impotência, intelectuais sonham com esquemas implausíveis de governança global e os que se veem como perdedores, cada vez mais, culpam os imigrantes ou as importações. Quando se fala sobre revigorar o Estado-nação, pessoas respeitáveis fogem assustadas, como se tivessem ouvido uma proposta de reinstituir a praga.
Naturalmente, a geografia de afinidades e identidades não é fixa: de fato, vem mudando ao longo da história. Isso significa que não devemos descartar inteiramente a probabilidade de surgimento de uma verdadeira consciência mundial no futuro, juntamente com comunidades políticas transnacionais.
Os desafios atuais, entretanto, não podem ser enfrentados por instituições que (ainda) não existem. Por enquanto, as pessoas ainda precisam recorrer a seus governos nacionais em busca de soluções, o que continua sendo a melhor esperança de uma ação coletiva. O Estado-nação pode ser uma relíquia que nos foi legada pela Revolução Francesa, mas é tudo o que temos.
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Dani Rodrik é professor de Economia Política Internacional na Harvard University e autor de "The Globalization Paradox: Democracy and the Future of the World Economy" (o paradoxo da globalização: democracia e o futuro da economia mundial, em inglês).
Marcadores:
Estado. Estado-nação. Dani Rodrik.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
MÃE CORAGEM
Vercillo badala 'Coragem', música que compôs a partir de frase de dona Canô
Jorge Vercillo está promovendo sua primeira parceria com Canô Veloso. Intitulada Coragem, a música foi feita pelo compositor neste mês a partir de frase dita pela centenária Dona Canô - "Ser feliz é pra quem tem coragem" - em conversa tida na cidade Santo Amaro da Purificação (BA). Ainda a ser feita por Vercillo, a gravação de Coragem vai ser disponibilizada para download gratuito via Facebook, com a sugestão opcional - a quem baixar a música - de fazer doação em benefício do Abrigo dos Velhos de Santo Amaro, instituição que Dona Canô ajuda a manter. (Fonte: blog NotasMusicais).
Coragem
(Jorge Vercillo / Canô Veloso)
Estive ali em Sto. Amaro
na Bahia para um show
O que vivemos de aventura
e de harmonia nos marcou
Com essa família que espalha
tanto sonho e
liberdade
e nem as grades no pavor
da ditadura fez calar
as suas vozes
Na praça andei
entre evangélicos, católicos e ateus
Todos unidos como só
no imaginário de um Deus
E uma mulher
de 104 anos me emocionou
Quando mais lúcida que o sol
Nos trouxe a luz do seu amor
E dissipando o caos, falou:
- Ser feliz é pra quem tem coragem!
Coragem é um dote,
Coragem é pra quem pode!
Contradição é 2 de fevereiro
Com arrastão sem pescador
O breu do medo, claro,
logo nas províncias se alastrou
Mais uma vez
A ignorância cala a
Voz da poesia
Crianças que brincavam
Debandaram em correria,
Cancelado o show
As vezes ver a manipulação
em que vivemos, dá um nó
Mas a pulsão de vida
de Dona Canô, ainda é maior
E essa mulher
de 104 anos, lá me libertou
Quando mais lúcida que o sol,
nos trouxe a luz do seu amor
E dissipando o caos, falou:
- Ser feliz é pra quem tem coragem!
Coragem é um dote,
Coragem é pra quem pode!
(Jorge Vercillo / Canô Veloso)
Estive ali em Sto. Amaro
na Bahia para um show
O que vivemos de aventura
e de harmonia nos marcou
Com essa família que espalha
tanto sonho e
liberdade
e nem as grades no pavor
da ditadura fez calar
as suas vozes
Na praça andei
entre evangélicos, católicos e ateus
Todos unidos como só
no imaginário de um Deus
E uma mulher
de 104 anos me emocionou
Quando mais lúcida que o sol
Nos trouxe a luz do seu amor
E dissipando o caos, falou:
- Ser feliz é pra quem tem coragem!
Coragem é um dote,
Coragem é pra quem pode!
Contradição é 2 de fevereiro
Com arrastão sem pescador
O breu do medo, claro,
logo nas províncias se alastrou
Mais uma vez
A ignorância cala a
Voz da poesia
Crianças que brincavam
Debandaram em correria,
Cancelado o show
As vezes ver a manipulação
em que vivemos, dá um nó
Mas a pulsão de vida
de Dona Canô, ainda é maior
E essa mulher
de 104 anos, lá me libertou
Quando mais lúcida que o sol,
nos trouxe a luz do seu amor
E dissipando o caos, falou:
- Ser feliz é pra quem tem coragem!
Coragem é um dote,
Coragem é pra quem pode!
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Entreouvido por aí: "Dona Canô é um fenômeno, desde o início. Já Caetano Veloso começou bem, graças a seu talento pessoal e ao de Torquato Neto. Depois virou qualquer coisa".
MONA LISA E A OUTRA
A Mona Lisa original, do Louvre, França, e a cópia encontrada no Museu do Prado, em Madri, Espanha
A inesperada sósia
Alcione Araújo
Enquete internacional indagou qual era o quadro mais conhecido do mundo. Afora os não sei, 85,8% disseram: a Mona Lisa; 3,6% citaram Girassóis, de Van Gogh, 2,1% a Primavera, de Botticelli, e 2,0%, O grito, de Munch. Daí, os 6 milhões de pessoas que todo ano se acotovelam na sua sala exclusiva e, em grupos de 50, desfilam diante do quadro, metido num nicho de vidros à prova de bala. Entre as 6 mil obras do Louvre, nenhuma outra é objeto de tal interesse, nem cinco outras do mesmo Da Vinci, na galeria vizinha, ao lado de Rafael, Fra Angelico e Caravaggio. Nem mesmo as suntuosas esculturas gregas Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia. Poucos sabem por que querem ver Mona Lisa: seria emoção estética, curiosidade turística, usufruir um objeto de consumo, ou por ser uma celebridade, a mais famosa obra de arte de mundo?
O óleo sobre madeira de ébano, com apenas 77cm x 53cm, mostra uma jovem sentada, mão direita sobre o pulso da esquerda, apoiada no braço da cadeira. Rosto pálido virado para nós, olhos castanhos miram à direita. A sobrancelha rala amplia a testa. Cabelos nos ombros, cobertos por véu translúcido, vestido escuro. Sobre o ombro esquerdo, manta pregueada. E atrás dela, a estranha paisagem: montanhas, vales, rio, ponte, trilha sinuosa, aridez e desolação.
Mas o decote deixa o alto dos seios à vista. E ela sorri. O diabólico sorriso!
O sorriso sereno e irônico a torna superior a nós. Ele nos controla e domina. Nos observa mais do que a observamos e dá a impressão de nos seguir. Eis o enigma que está sempre presente numa obra de arte. Pelo gosto atual, aquela mulher anônima, recatada e sóbria, não é bonita, nem sexy. É quase triste, o que desaponta e frustra a muitos dos que se acotovelam para vê-la. Não é uma santa ou mártir, não tem história, drama ou tragédia, violência nem sangue, é apenas uma mulher, talvez sorrindo. Cabe indagar: “Por que ela?”
O sucesso de uma obra não depende apenas, nem principalmente, da obra em si, mas de complexa rede de eventos e circunstâncias, econômicas, políticas, ideológicas, tecnológicas etc. Tudo colaborou para Mona Lisa se tornar o mais famoso quadro do mundo – se merece ou não, é outra coisa; não há justiça em arte. Os meios de comunicação, a publicidade e até artistas usaram a Mona Lisa como nenhuma outra obra; divulgaram, massificaram e vulgarizaram.
Há dias, o Museu do Prado achou nos seus porões a cópia da Mona Lisa, feita por um aluno-assistente, ao mesmo tempo que Da Vinci, e no seu ateliê. Com igual paisagem ao fundo, é a mesma mulher, a mesma pose e sorriso. Porém, mais jovem, mais iluminada, e as mesmas roupas mais claras. Em prancha de nogueira, em vez de ébano, 1cm menor, e 4cm mais estreita que a do mestre.
Salai, o mais destacado assistente de Da Vinci, ajudou-o em várias obras. O mestre o acusava de ladrão e mentiroso, mas Salai foi o companheiro até sua morte, além de herdeiro. Não será surpresa se Salai for o autor da sósia. E nos consolaremos com duas Mona Lisa. Mas vamos recuperar a emoção de vê-las? Fonte: ConteúdoLivre).
................
A mesma paisagem, a mesma mulher, só que mais jovem e iluminada... Certo, certo, é cópia total, mas há que se levar em conta uma atenuante: o copiador caprichou, esmerou-se, e acabou por prestar uma singela homenagem ao autor e a Gioconda.
A inesperada sósia
Alcione Araújo
Enquete internacional indagou qual era o quadro mais conhecido do mundo. Afora os não sei, 85,8% disseram: a Mona Lisa; 3,6% citaram Girassóis, de Van Gogh, 2,1% a Primavera, de Botticelli, e 2,0%, O grito, de Munch. Daí, os 6 milhões de pessoas que todo ano se acotovelam na sua sala exclusiva e, em grupos de 50, desfilam diante do quadro, metido num nicho de vidros à prova de bala. Entre as 6 mil obras do Louvre, nenhuma outra é objeto de tal interesse, nem cinco outras do mesmo Da Vinci, na galeria vizinha, ao lado de Rafael, Fra Angelico e Caravaggio. Nem mesmo as suntuosas esculturas gregas Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia. Poucos sabem por que querem ver Mona Lisa: seria emoção estética, curiosidade turística, usufruir um objeto de consumo, ou por ser uma celebridade, a mais famosa obra de arte de mundo?
O óleo sobre madeira de ébano, com apenas 77cm x 53cm, mostra uma jovem sentada, mão direita sobre o pulso da esquerda, apoiada no braço da cadeira. Rosto pálido virado para nós, olhos castanhos miram à direita. A sobrancelha rala amplia a testa. Cabelos nos ombros, cobertos por véu translúcido, vestido escuro. Sobre o ombro esquerdo, manta pregueada. E atrás dela, a estranha paisagem: montanhas, vales, rio, ponte, trilha sinuosa, aridez e desolação.
Mas o decote deixa o alto dos seios à vista. E ela sorri. O diabólico sorriso!
O sorriso sereno e irônico a torna superior a nós. Ele nos controla e domina. Nos observa mais do que a observamos e dá a impressão de nos seguir. Eis o enigma que está sempre presente numa obra de arte. Pelo gosto atual, aquela mulher anônima, recatada e sóbria, não é bonita, nem sexy. É quase triste, o que desaponta e frustra a muitos dos que se acotovelam para vê-la. Não é uma santa ou mártir, não tem história, drama ou tragédia, violência nem sangue, é apenas uma mulher, talvez sorrindo. Cabe indagar: “Por que ela?”
O sucesso de uma obra não depende apenas, nem principalmente, da obra em si, mas de complexa rede de eventos e circunstâncias, econômicas, políticas, ideológicas, tecnológicas etc. Tudo colaborou para Mona Lisa se tornar o mais famoso quadro do mundo – se merece ou não, é outra coisa; não há justiça em arte. Os meios de comunicação, a publicidade e até artistas usaram a Mona Lisa como nenhuma outra obra; divulgaram, massificaram e vulgarizaram.
Há dias, o Museu do Prado achou nos seus porões a cópia da Mona Lisa, feita por um aluno-assistente, ao mesmo tempo que Da Vinci, e no seu ateliê. Com igual paisagem ao fundo, é a mesma mulher, a mesma pose e sorriso. Porém, mais jovem, mais iluminada, e as mesmas roupas mais claras. Em prancha de nogueira, em vez de ébano, 1cm menor, e 4cm mais estreita que a do mestre.
Salai, o mais destacado assistente de Da Vinci, ajudou-o em várias obras. O mestre o acusava de ladrão e mentiroso, mas Salai foi o companheiro até sua morte, além de herdeiro. Não será surpresa se Salai for o autor da sósia. E nos consolaremos com duas Mona Lisa. Mas vamos recuperar a emoção de vê-las? Fonte: ConteúdoLivre).
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A mesma paisagem, a mesma mulher, só que mais jovem e iluminada... Certo, certo, é cópia total, mas há que se levar em conta uma atenuante: o copiador caprichou, esmerou-se, e acabou por prestar uma singela homenagem ao autor e a Gioconda.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
BRASIL BEM ENTRE BRICS
É fato que as agências de risco em geral andam com a imagem capenga, isso desde a eclosão da crise financeira mundial de 2008, quando se constatou que as leituras feitas por elas no passado estavam para lá de furadas. Não obstante, algo é certo: nenhum país se sente confortável ao deparar com rebaixamento de notas ou 'ameaças' em tal sentido emanadas de tais instâncias. E as razões são óbvias.
Feita a observação, vamos à matéria de autoria de Mariana Schreiber, da Folha de São Paulo, com cometários entre colchetes feitos pelo blog democracia&política:
O Brasil é o país mais estável política e conomicamente entre os Brics, diz S&P
(...)
Essa é a conclusão de um estudo da agência de classificação de risco S&P (Standard & Poor's) divulgado na última semana, que comparou o Brasil também [além dos BRICS] com Colômbia, México, Peru e Panamá.
Para o analista de crédito da agência Sebastian Briozzo, a grande vantagem do Brasil sobre esses demais países é a estabilidade e a transparência do seu sistema político.
Ele observa que o país passou em 2003 de um governo de “centro” (FHC) [ou melhor, de direita, neoliberal] para um de centro-esquerda (Lula) sem mudanças significativas na política macroeconômica [apesar da enorme melhoria na eficiência dessa política. Seria como dizer que o Barcelona joga com "as mesmas regras" de futebol que o Olaria, porém mais eficientemente].
"Se as instituições políticas são fortes, é mais difícil ter uma virada no modelo econômico", observa.
Segundo ele, a solidez e a prudência da política econômica fortalecem as contas externas [ou seja, atrai dólares para cá] e possibilitam a diversificação da economia.
"Isso reduz a dependência externa, sustenta o crescimento e dá flexibilidade para suportar riscos advindos da crise global", afirma.
Esses aspectos positivos, no entanto, não são suficientes para alavancar o crescimento. Comparado aos demais países analisados, o Brasil é que tem as menores taxas de expansão.
Segundo Briozzo, como a maioria desses países é mais pobre que o Brasil, principalmente do ponto de vista de renda per capita, é natural que eles tenham espaço para crescer mais rápido.
Mas o principal fator que limita o crescimento do país, diz, é o baixo volume de investimentos. Entre os países analisados, o Brasil tem a menor taxa de investimento.
Após reduzir os investimentos no ano passado, o governo promete elevar esses gastos neste ano. A promessa é pouco compatível com outro objetivo: economizar o equivalente a 3,1% do PIB para pagar juros da dívida. [Isso se deve, em grande parte, ao exponencial aumento da dívida pública ocorrido no governo FHC/PSDB/DEM, que elevou a dívida de 30% para acima de 51%. A tabela abaixo mostra esses percentuais até 2010. Em 2011 a relação caiu para 36,6%].

"O rigor fiscal é muito importante. O governo tem que aumentar os investimentos, mas controlar os outros gastos", afirma Briozzo.
Em novembro, a S&P elevou a nota de risco soberano do Brasil para BBB, indicando que o investimento no país ficou mais seguro.
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Brasil bem entre os Brics. Standard e Poor's.
O SONHO BEATLE
"A vida te dá pequenas premonições. Você não pensa nelas como premonições até que o sonho se torne realidade. Aí você pensa: 'Hey, talvez aquilo tenha sido um sinal!'."
(Paul McCartney, em enrevista à revista britânica The Big Issue. Paul disse mais: "Me lembro quando John e eu estávamos juntos pela primeira vez; eu tive um sonho em que cavava no jardim com minhas mãos. Eu tinha tido esse sonho antes, mas nunca achava nada, apenas uma lata velha. Mas daquela vez eu achei uma moeda de ouro. Eu continuava cavando e encontrava moedas de ouro".
Segundo o músico, Lennon teve sonho semelhante. "Nós dois sonhamos que achávamos um tesouro. E acho que isso se tornou realidade."
McCartney acaba de lançar "Kisses on the Botton", disco no qual ele interpreta canções de sua infância, além de duas composições novas, "My Valentine" e "Only Our Hearts". O disco tem participações de Eric Clapton e Stevie Wonder).
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Eles disseram/Paul McCartney. O sonho Beatle..
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
DE NOVO O FIM DO MUNDO
Fim do mundo em prestações
Ruy Castro
Não ligo para horóscopos ou zodíacos, donde só fiquei sabendo com atraso do fim do mundo previsto pelos maias. Ou seja, o planeta já podia ter acabado e eu seria o último a saber. Informam-me agora que o mundo realmente acabará em 2012, mas não como se pensava que seria - de uma só vez, em fogo, enxofre e pestilência, que é a receita da Bíblia e do espanhol Vicente Blasco Ibáñez, autor do romance "Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse".
A novidade, segundo ouvi, é que o mundo já está acabando sob os nossos narizes - só que em prestações, com uma desgraça atrás da outra e cada qual mais horrível. Consultando os jornais desde o começo do ano, anotei várias calamidades que parecem justificar a tese.
No dia 13 de janeiro, na costa da Toscana, houve o naufrágio do navio italiano Concordia, provocando a morte de 16 pessoas, o desaparecimento de outras tantas e o pânico de milhares de passageiros. No dia 25, um prédio de 20 andares desabou no centro do Rio, levando consigo um sobrado e outro prédio, de dez andares, matando pelo menos 17 pessoas. Nesta semana, outro prédio desabou sozinho, só que na Grande São Paulo.
No dia 31, a PM baiana entrou em greve por salários, deixando Salvador ao desabrigo às vésperas do Carnaval, o que resultou em arrastões, saques, terror e 108 mortes apenas nos primeiros sete dias. No dia 2 de fevereiro, no Egito, uma briga de torcidas num estádio de futebol perto do Cairo deixou 74 mortos e 1.500 feridos. Dois dias depois, na Síria, forças militares ligadas ao governo bombardearam uma área residencial em Homs, bastião da oposição, e mataram mais de 200 pessoas, inclusive crianças.
O fim do mundo à antiga tinha a vantagem de passar um rodo geral. Todo mundo, bandidos e mocinhos, pecadores e inocentes, morria ao mesmo tempo.
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Ué, e as mortes na Somália, Sudão e outras muitas áreas críticas da África? - para nos limitarmos à situação mais dramática mundo afora...
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Ruy Castro. Fim do mundo em prestações.
WHITNEY HOUSTON
Peter Broelman.
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É, ela, com sua voz singular, tem espaço garantido no coral celestial.
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Charge. Whitney Houston. Peter Broelman.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
CORSO 2012
Teresina brilhou ontem, 11, na abertura do Carnaval 2012. Foi bonita a festa. Clique AQUI para ver detalhes.
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Teresina. Carnaval 2012. Corso 2012.
TORTURA GREGA (IV)
André Marangoni.
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Demissões em massa, corte radical nos benefícios, aumento de impostos, privatizações...
O povo grego criou o teatro, hoje lhe estão impondo o Teatro do Absurdo.
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Charge. Tortura grega. Andre Marangoni.
JORNAL MOVIMENTO
A saga do jornal Movimento
Por Walter Sorrentino
Jornal Movimento, uma reportagem. De Carlos Azevedo, com reportagens de Marina Amaral e Natalia Viana. Considero este um dos melhores livros de 2011 para os que acompanham a experiência de lutas democráticas dos brasileiros.
O semanário Movimento, da imprensa democrática – embora não livre porque exposta a feroz censura –, foi uma experiência sublime do movimento do povo brasileiro por liberdades, democracia e contra o regime militar.
Foi uma saga, difícil, conflituosa e contraditória, mas que jogou papel de enorme valor e logrou manter por anos seguidos um papel que marca até hoje toda uma geração de brasileiros. Eles estão na estrada até hoje, em diferentes papeis, mas marcados para sempre por aquela experiência dirigida por Raimundo Pereira.
Essa história forneceu lições de unidade e luta no seio de vasto conjunto de forças políticas que se articulavam em torno ou dispunham do papel do semanário. Junto com sua extinção essas forças se reorganizaram profundamente, já no alvorecer da liberdade de organização dos partidos políticos. Mas o mundo da imprensa nunca mais foi o mesmo: entre os colaboradores de Movimento estavam os melhores jornalistas do país, cujo papel permanece, com diferentes enfoques, até hoje.
Contar a experiência e refletir sobre ela de modo sistemático e profundo também seria obra difícil. Pois é o que alcançou Carlos Azevedo, um dos melhores repórteres do país, junto com Marina Amaral e Natalia Viana. A essência dos dilemas, o curso tortuoso dos eventos, as difíceis negociações entre forças diferenciadas que atuavam no jornal são retratados com clareza e objetividade, inclusive o tema aparentemente árido, mas fundamental, de como sustentar financeiramente a empresa.
Carlos Azevedo, com sua pena leve e gostosa, enfrenta tudo isso e nos brinda com um livro indispensável para a esquerda lembrar e reter como lições de generosidade, unidade na diversidade, jornalismo sério e competente, espírito democrático e irredento.
Mais ainda: o livro é acompanhado por um DVD com as 334 edições do jornal, um primor em termos de informação sistemática.
Participei de algum modo dessa experiência, durante toda sua duração. Admiro muito Azevedo, grande amigo, do qual só recentemente vim a saber que o trabalho que realizava captando informações da Rádio Tirana para a edição clandestina de A Classe Operária – órgão central do PCdoB – era o que me chegava para transformá-las em impressos distribuídos clandestinamente e, assim, reorganizar a direção partidária após a Chacina da Lapa. Era uma amizade virtual, antes mesmo de nos conhecermos.
Pedi a Azevedo um depoimento sobre a experiência de elaborar o livro. Ele brindou o blog com uma coisa muito rica e significativa, que partilho com todos.
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Para ler o depoimento do Azevedo, clique aqui.
O semanário Movimento foi velho parceiro de análises sociais e políticas nos anos de chumbo. Exemplo de pertinácia, resistência e senso crítico.
Marcadores:
Jornal Movimento. A saga do jornal Movimento.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
DE COMO PORTINARI NÃO FOI A NOVA YORK
Uma agenda extensa de comemorações marcará, em 2012, os 50 anos da morte de Cândido Portinari. Em São Paulo, o Memorial da América Latina exibe “Guerra” e “Paz”, os murais mais famosos do pintor, cuja instalação permanente é a sede das Nações Unidas, em Nova York. Eles foram restaurados no ano passado, no Museu Gustavo Capanema, no Rio, em trabalhos abertos ao público. Outros eventos ocorrerão em diversas cidades do país.
A seguir, o revelador capítulo inicial do livro Portinari, o pintor do Brasil, de Marília Balbi, Editora Boitempo, 2003, 176 páginas:
Portinari, o pintor do Brasil
Aquela data era aguardada havia muitos anos por todo o mundo. Finalmente, no dia 6 de setembro de 1957, os gigantes painéis Guerra e Paz foram apresentados nas paredes do Hall dos Delegados da sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. A presença daquela obra monumental ali – na casa que deve zelar pelo bem-estar de todos os homens da Terra – era obviamente carregada de sentido. As expressões de dor e esperança pintadas nos dois painéis de 140 metros quadrados simbolizam, de um lado, o flagelo das guerras irracionais e, de outro, o regozijo da harmonia entre as nações. Dois lembretes para a eternidade. (Fonte: aqui).
Curiosamente, a cerimônia de inauguração do monumento à humanidade foi discreta, e poucos foram os convidados. Em especial, um esteve ausente: o autor dos dois painéis, Cândido Portinari.
Os tempos eram outros. Os Estados Unidos viviam o auge do macartismo, a doutrina de proteção americana contra ações supostamente subversivas, cujo expoente anti-comunista foi o senador Joseph McCarthy. Portinari, por sua vez, era um declarado comunista e fora candidato à Câmara Federal, em 1945, e ao Senado, em 1947, pelo “partidão”. Duas posturas inconciliáveis nos idos da Guerra Fria. Por isso, desde os anos 1940, Portinari vinha tendo sua entrada nos EUA negada.
Mas como manter aquela proibição no momento em que o artista brasileiro, reconhecido em todo o mundo, tinha sua gigantesca obra em defesa da paz afixada em caráter permanente na “casa de todas as nações”?
O mal-estar crescia. Esperava-se uma posição conciliatória do governo americano. Após a intervenção da diplomacia brasileira, encontrou-se uma solução: bastava que Portinari solicitasse o visto americano no Brasil e este lhe seria concedido. Isso não ocorreria. Homem de personalidade forte, Portinari queria um convite oficial de Washington para pisar em solo americano. Assim era o homem.
O episódio envolvendo Guerra e Paz foi apenas mais um constrangimento a que Cândido Portinari foi submetido durante a vida. Como diversos artistas, ele foi perseguido, cerceado, estigmatizado pelas posições de esquerda. A polícia política brasileira, por exemplo, acompanhou seus passos durante décadas. O Departamento Estadual de Ordem Política e Social – o famigerado Deops – acumulou notícias a seu respeito até mesmo depois de sua morte, em 1962.
Ele explicava a quem perguntasse por que se aproximara da política. A Vinícius de Moraes, confidenciou, em texto publicado postumamente, em março de 1962: “Não pretendo entender de política. Minhas convicções, que são fundas, cheguei a elas por força da minha infância pobre, de minha vida de trabalho e luta, e porque sou um artista. Tenho pena dos que sofrem, e gostaria de ajudar a remediar a injustiça social existente. Qualquer artista consciente sente o mesmo”.
Portinari pintou o povo sofrido, a miséria, o homem de enxada na mão, pés na terra – o trabalhador brasileiro. Pela primeira vez, um artista expressou a tragédia do Nordeste do Brasil assolado pela seca. Ou como sintetiza de maneira brilhante seu único filho, João Cândido, Portinari “fez do pincel sua arma para denunciar as injustiças e os valores sociais e humanos”.
O artista começou retratando sua aldeia. Depois, partiu para o universal. Das crianças brincando na terra roxa em sua natal Brodósqui às crianças dos painéis da ONU. Temas universais também estão presentes na mulher com o filho morto nos braços – a Pietà nordestina – e nos horrores da guerra. Visionário e esperançoso, pintou um judeu e um árabe de braços dados.
As imagens que ele criou são facilmente reconhecidas por todos. Muitas delas nem sequer saem de nossa memória. Assim que tentamos conceber a cena de um trabalhador, imediatamente nos vêm à mente seu estivador, seu lavrador de café, seu sorveteiro, seu operário, seu lenhador ou ainda o sapateiro de Brodósqui. O mesmo ocorre com os pobres e miseráveis: de pronto, suas favelas, seus morros e as figuras esquálidas da série Retirantes nos preenchem a visão.
Reconhecemos nessas obras nossa gente, nossas dores e nossa esperança – além das marcas inconfundíveis de um grande artista.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
WORLD PRESS PHOTO
O fotógrafo espanhol Samuel Aranda venceu o 55º prêmio World Press Photo com o retrato de uma mulher coberta por véu abraçando um parente ferido no Iêmen. A foto foi feita dentro de uma mesquita utilizada como hospital durante os confrontos entre policiais e manifestantes contrários ao regime do presidente Ali Abdullah Saleh. Aranda realizava um trabalho no Iêmen para o jornal The New York Times.
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Foto. World Press photo.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
LUIZÃO PAIVA, O PIAUÍ AO PIANO
"Quando estamos fora do nosso Estado e nos deparamos com nossos conterrâneos e/ou com sua obra a emoção rola solta. Foi o que aconteceu comigo na Modern Sound (loja de discos, vizinha do apartamento em que fiquei hospedada) situada em Copacabana (Rua Barata Ribeiro, 502). Foi um dia memorável em companhia de amigos que pesquisam comigo a temática do Teatro de Revista.
Depois de explorarmos toda a loja (e o nosso bolso, também) nos sentamos para almoçar no espaço “Allegro Bistrô” ao som do sensacional Samba Jazz Trio- Kiko Continetino (piano), Luiz Alves (baixo) e Clauton “Neguinho” Sales (bateria/trompete). Esse último deu um show à parte tocando ao mesmo tempo bateria e trompete.
A emoção maior foi quando eles tocaram duas músicas do Luizão Paiva: “Agora sim!” e “Praça Pio XI”, ambas em parceria com Luiz Alves." (Laura Macedo).
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Para ler sobre Luizão Paiva e ver/ouvir canções selecionadas pela pesquisadora Laura Macedo, clique AQUI.
SOBRE AS CONCESSÕES (II)
O jornal O Globo tentou confundir o leitor, fazendo-o concluir que 'conceder' é o mesmo que 'privatizar': em manchete de sua edição de ontem, 8, abaixo (recorte pinçado do blog do Mello):
O título fala em "privatização", mas o subtítulo o corrige: "concessão".
No caso dos aeroportos, não houve venda de nenhum deles para a iniciativa privada. O que houve foi a concessão por período de tempo, que varia de aeroporto para aeroporto. Ao final do período, se quiser, tudo volta à mão do estado.
Para ficar num único exemplo: no caso da Companhia Vale do Rio Doce, privatizada (quase doada) no governo FHC, o retorno à mão do estado está inapelavelmente descartado. E mais: ao contrário do que se observa relativamente aos aeroportos, a ingerência do governo na Vale é igual a zero, como se viu quando, por conta da paranoia da crise financeira internacional de 2008, o então presidente da Vale, Agnelli, anunciou a dispensa de 3.000 empregados, o que foi feito a despeito do apelo do governo (aí, 'na base da amizade', como diria o outro).
O título fala em "privatização", mas o subtítulo o corrige: "concessão".
No caso dos aeroportos, não houve venda de nenhum deles para a iniciativa privada. O que houve foi a concessão por período de tempo, que varia de aeroporto para aeroporto. Ao final do período, se quiser, tudo volta à mão do estado.
Para ficar num único exemplo: no caso da Companhia Vale do Rio Doce, privatizada (quase doada) no governo FHC, o retorno à mão do estado está inapelavelmente descartado. E mais: ao contrário do que se observa relativamente aos aeroportos, a ingerência do governo na Vale é igual a zero, como se viu quando, por conta da paranoia da crise financeira internacional de 2008, o então presidente da Vale, Agnelli, anunciou a dispensa de 3.000 empregados, o que foi feito a despeito do apelo do governo (aí, 'na base da amizade', como diria o outro).
SOBRE AS CONCESSÕES
Kayser.
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A avalanche de críticas e ironias sobre as recentes medidas no setor aéreo deixa ressaltada uma particularidade: desconhece-se a diferença entre privatização e concessão e ignora-se o conteúdo do edital concesssório. Deliberadamente? Em grande parte, certamente.
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Charge. Concessões. Kayser.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
FRANZ PAUL, PAULO FRANCIS
Paulo Francis, por Fortuna.
Paulo Francis morreu em fevereiro de 1997, em Nova York. Controverso e polêmico, desperta ainda hoje críticas duras e reconhecimento. É certo que, elitista, destilava ironias (e até baixarias) contra adversários do modelo capitalista e segmentos da plebe rude, como os nordestinos. Em contrapartida, era taxado de plagiador e emérito capacho de Tio Sam.
Mas tinha um texto para lá de ferino, sobre temas os mais diversos, o que víamos semanalmente no O Pasquim e, depois, nas matérias (duas por semana) que mandava de Nova York para a Folha e o Estadão.
Por um bom tempo, agi assim: fazia um quase calhamaço com seus textos (Diário da Corte), para lê-los de uma tacada nos feriados prolongados, ou mesmo nas férias. E sempre com muita satisfação.
A seguir, crônica recente de Carlos Heitor Cony sobre Franz Paul Heilborn:
Lembranças do Francis
Vi no Canal Brasil o documentário sobre o 15º aniversário da morte do jornalista Paulo Francis. Bom programa, inclusive com o final wagneriano de "Tristão e Isolda", talvez seu trecho lírico preferido.
Ele foi um dos personagens mais instigantes de nosso meio cultural e marcou época na segunda metade do século 20. Eu estava em Roma quando ele morreu em Nova York e confesso que me senti um pouco perdido.
Foi o primeiro leitor dos originais de alguns romances que publiquei. Polêmico, às vezes contraditório e sempre brigão, tinha duas faces: a do intelectual superdotado, que se exaltava, odiando, como Horácio, o vulgo e o profano, e o homem mais do que educado e gentil, desses que raramente encontramos, que não existem mais.
O Luiz Schwarcz lembrou a amizade que Paulo dedicava aos amigos. Num fim de semana, sabendo que Jorge Zahar, doente, estava deprimido, tomou um avião na sexta. No sábado, apanhou amigos comuns (Ruy e Millôr) e levou-os a fazer companhia ao editor, que morreria pouco depois. No domingo à noite, embarcou de volta para Nova York. Passou um de seus últimos fins de semana integralmente ao lado de um dos amigos que mais admirava.
Todos os que tiveram sua amizade podem contar episódios iguais. Seu último jantar no Rio foi em minha casa, em companhia do Ruy. Levei-o ao hotel em Copacabana. Ao saltar, não se esqueceu daquela cortesia que quase ninguém usa mais: pediu que eu agradecesse à minha mulher o modesto jantar que lhe oferecemos.
Em 1965, oito amigos seus foram presos em frente ao hotel Glória. Ao saltarmos no quartel, Glauber Rocha apontou para a calçada: "Olha, o Paulo Francis!" Ele nos acompanhara à distância, solidário, temendo que fossemos maltratados. (Carlos Heitor Cony).
Paulo Francis morreu em fevereiro de 1997, em Nova York. Controverso e polêmico, desperta ainda hoje críticas duras e reconhecimento. É certo que, elitista, destilava ironias (e até baixarias) contra adversários do modelo capitalista e segmentos da plebe rude, como os nordestinos. Em contrapartida, era taxado de plagiador e emérito capacho de Tio Sam.
Mas tinha um texto para lá de ferino, sobre temas os mais diversos, o que víamos semanalmente no O Pasquim e, depois, nas matérias (duas por semana) que mandava de Nova York para a Folha e o Estadão.
Por um bom tempo, agi assim: fazia um quase calhamaço com seus textos (Diário da Corte), para lê-los de uma tacada nos feriados prolongados, ou mesmo nas férias. E sempre com muita satisfação.
A seguir, crônica recente de Carlos Heitor Cony sobre Franz Paul Heilborn:
Lembranças do Francis
Vi no Canal Brasil o documentário sobre o 15º aniversário da morte do jornalista Paulo Francis. Bom programa, inclusive com o final wagneriano de "Tristão e Isolda", talvez seu trecho lírico preferido.
Ele foi um dos personagens mais instigantes de nosso meio cultural e marcou época na segunda metade do século 20. Eu estava em Roma quando ele morreu em Nova York e confesso que me senti um pouco perdido.
Foi o primeiro leitor dos originais de alguns romances que publiquei. Polêmico, às vezes contraditório e sempre brigão, tinha duas faces: a do intelectual superdotado, que se exaltava, odiando, como Horácio, o vulgo e o profano, e o homem mais do que educado e gentil, desses que raramente encontramos, que não existem mais.
O Luiz Schwarcz lembrou a amizade que Paulo dedicava aos amigos. Num fim de semana, sabendo que Jorge Zahar, doente, estava deprimido, tomou um avião na sexta. No sábado, apanhou amigos comuns (Ruy e Millôr) e levou-os a fazer companhia ao editor, que morreria pouco depois. No domingo à noite, embarcou de volta para Nova York. Passou um de seus últimos fins de semana integralmente ao lado de um dos amigos que mais admirava.
Todos os que tiveram sua amizade podem contar episódios iguais. Seu último jantar no Rio foi em minha casa, em companhia do Ruy. Levei-o ao hotel em Copacabana. Ao saltar, não se esqueceu daquela cortesia que quase ninguém usa mais: pediu que eu agradecesse à minha mulher o modesto jantar que lhe oferecemos.
Em 1965, oito amigos seus foram presos em frente ao hotel Glória. Ao saltarmos no quartel, Glauber Rocha apontou para a calçada: "Olha, o Paulo Francis!" Ele nos acompanhara à distância, solidário, temendo que fossemos maltratados. (Carlos Heitor Cony).
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Paulo Francis. Carlos Heitor Cony.
LÁ, COMO CÁ E ALHURES
Banqueiros lucram na crise dos EUA
Altamiro Borges
Fechado o balanço financeiro de 2011, uma conclusão revoltante sobre o capitalismo nos EUA – nação tão endeusada pelas mentes colonizadas. Enquanto o desemprego bate recordes históricos e milhões de famílias moram em trailers, os seis maiores bancos do país elevaram os seus lucros no ano passado.
Segundo informações da mídia ianque, JPMorgan Chase, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Bank of America acumularam mais de US$ 50 bilhões em ganhos líquidos, o que representa um crescimento de cerca de 10% em relação aos resultados anunciados em 2010.
JP Morgan Chase, Wells Fargo e Citigroup foram os que mais ganharam, com lucros de 19, 16 e 11,5 mil bilhões de dólares, respectivamente. Atrás destes, ficaram o Morgan Stanley, com um lucro líquido de US$ 2,1 bilhões, o Goldman Sachs, com US$ 2,5 bilhões, e o Bank of América, com US$ 85 milhões. (...)
(Para continuar, clique aqui).
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Como diria o outro: 'Nada a estranhar... É que os banqueiros sempre viveram longe deste insensato mundo!'
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Banqueiros lucram na crise. Altammiro Borges.
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