sábado, 15 de dezembro de 2018

GEOECONOMIA 2018: O SHOW DE TRUMP

                                               - AÍ ESTÁ! PERFEITA!
Dave Whamond. (Canadá).

A SENHORA GLOBAL E A ARTE DE APERTAR OS NÓS

(Montagem: GGN).
Com João de Deus, Manchinha e bonapartismo de Bolsonaro, Globo aperta os nós para 2019 
Por Wilson Ferreira  
Depois de décadas de controvérsias, acusações de assassinato, pedofilia e abusos sexuais, repentinamente “a verdade bateu à porta”, como disse Pedro Bial, e seu programa deu a partida para a caça ao médium-celebridade João de Deus, com atualizações diárias que já rivalizam com a meganhagem também diária das prisões da PF nas telas. Sabemos que para o jornalismo da Globo não basta apenas a verdade “bater à porta” – é necessário a “verdade” ter timing e oportunismo dentro das estratégias políticas da emissora. Soma-se a isso a também repentina indignação e atualizações diárias sobre o espancamento e morte do cão “Manchinha” em um hipermercado em Osasco/SP, uma notícia que na paginação tradicional dos telejornais seria colocada no bloco das notícias diversas. Tudo na semana do vazamento de movimentação atípica de dinheiro na conta de assessor de Flávio Bolsonaro, pressão da grande mídia por explicações e a resposta “bonapartista digital” de Jair Bolsonaro na sua diplomação no TSE: “o poder popular não precisa de intermediação”, apostando nas novas tecnologias para governar o País sem a grande mídia. Fala-se que a Globo “não dá ponto sem nó”:  quais nós a TV Globo está apertando para 2019 com essas “anomalias” jornalísticas no final do ano?  
Esses últimos dias que culminaram com a diplomação da chapa Bolsonaro/Mourão pela Justiça Eleitoral (Nota deste blog: a diplomação ocorreu no dia 10), foram marcados por inúmeros lances de xadrez midiático. Traçando de antemão as estratégias do tabuleiro do jogo político do próximo ano. 
Em primeiro lugar, aquilo que mais chamou a atenção: a repentina e feroz investida dos canhões do telejornalismo da Globo contra o médium-celebridade João de Deus. Poucas vezes se testemunhou um ataque tão violento e sistemático contra um alvo – descontando-se, claro, as investidas do consórcio judiciário-policial-midiático que vem sustentando nos últimos anos a presença diária nas telas da meganhagem da Polícia Federal no âmbito da Lava Jato.
Sabemos que esses irruptivos ataques, em geral, são atos de vingança quando algum interesse da Globo é atingido. Como, por exemplo, as denúncias de Nicéia Pitta em rede Nacional no Globo Repórter acertando em cheio seu ex-marido Celso Pitta em 1999 – a prefeitura havia barrado na Justiça a final do campeonato brasileiro no meio da semana à tarde, derrubando a grade de programação de final de ano da emissora (clique aqui). 
Ou quando, no início da administração Doria Jr. (o “queridinho” da Globo naquele momento), em São Paulo, dezenas de caminhões-caçamba ocuparam o Viaduto do Chá contra uma decisão da prefeitura. Ato contínuo, o telejornalismo global disparou uma série de matérias figurando os motoristas como contraventores e baderneiros (clique aqui).

Denúncias de Nicéia Pitta em 1999 no Globo Repórter: a verdade com timing de vingança

A verdade “bateu à porta”

Tudo começou com o programa “Conversa com Bial” na sexta-feira (07/12) entrevistando a coreógrafa holandesa Zahira Lieneke Mous – a única mulher que aceitou mostrar o rosto e denunciar com detalhes os abusos sexuais cometidos por João de Deus. O making off do programa informa que a apuração levou “três meses”, ouvindo-se dez depoimentos de vítimas. No início o propósito era um programa com João de Deus no formato talk show– dentro dos cânones do chamado “infotenimento”.
Mas “repentinamente” mudou quando a produção “esbarrou” em denúncias de abuso sexual e “começou a correr atrás da história”. Obrigando a reformatar totalmente o programa com a presença dos depoimentos da holandesa Zahira e da americana Amy Biank – sem banda, plateia e reduzido número de técnicos no estúdio.
Desde o dia sete, diariamente, todos os telejornais nacionais da emissora vêm sustentando a suíte jornalística, com direito a imagens de repórteres indo ao encalço do médium na sua residência. Previsivelmente, o Ministério Público de Goiânia quer entrar no show, com uma célere “força tarefa” para também tomar depoimentos – previsível, dentro da atual “linha de passe” Justiça/Globo.
Qual a surpresa? Há décadas João de Deus é uma figura, no mínimo, controversa: acusações e julgamentos em torno de assassinato, atentado ao pudor, assédio sexual, pedofilia e contrabando de minério. Por que só agora? João de Deus é muito poderoso e intimida a todos? Nos últimos tempos o jornalismo da Globo esteva muito ocupado em derrubar um governo e turbinar a Guerra Híbrida brasileira?
No caso da TV Globo, nada é por acaso e nunca dá um ponto sem nó – seu jornalismo sempre foi regido pelo senso timing e oportunismo, e não pelo senso do dever jornalístico de Pedro Bial: para Bial, ele é “jornalista”, e o seu “talk show que procura refletir a realidade e seus fatos não pode deixar de receber a verdade quando ela se apresenta. E a verdade bateu à nossa porta”.

A verdade "bateu na porta" de Bial: qual era a oportunidade e o timing?

Bonapartismo digital

Para além de toda a justa indignação de dezenas de vítimas de abuso pelo médium-celebridade em, no mínimo, 30 anos, é necessário refletir sobre a repentina e feroz investida contra um notório charlatão. 
Paralelo a tudo isso, a Globo repercutiu vazamento da coluna de Fausto Macedo do Estadão sobre a movimentação atípica de dinheiro na conta de assessor de Flávio Bolsonaro – deputado estadual e senador eleito, filho mais velho de Jair Bolsonaro. Investigação da Operação Furna da Onça do MPF realizada no mês passado, mas só AGORA vazada.
Denúncia que atingiu em cheio o clã Bolsonaro, fazendo o futuro ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni, ser grosseiro com repórteres e o futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, dar as costas aos jornalistas que cobravam um posicionamento. 
Depois dos sete minutos do escândalo no “Jornal Nacional” e de a revista Exame manchetar que Bolsonaro seria diplomado “com patrimônio familiar sob suspeita”, a resposta do futuro presidente foi rápida no seu discurso na cerimônia do TSE: “O poder popular não precisa mais de intermediação. As novas tecnologias permitiram uma relação direta entre o seu leitor e os representantes”. 
Uma afirmação rica em consequências tanto para a ciência política (um bonapartismo civil digital? – “bonapartismo civil”: tipo de governo em que o Poder Legislativo perde força e o Executivo se fortalece através do culto à personalidade) quanto para o campo da cibercultura – de como o tempo real das redes digitais é uma ameaça à democracia representativa –, tema já discutido pelo Cinegnoseclique aqui.
Sem falar nas consequências em política de comunicação social: Bolsonaro dará uma banana para a generosa “mídia técnica” dos tempos petistas que enchiam de dinheiro os cofres da Globo.

Manter os canais abertos com o ativismo pelos direitos: preparando-se para 2019

Manchinha e os “nós” da Globo

E no meio de tudo isso, um repentino destaque para uma notícia local que ganhou destaque nacional: o espancamento com barra de ferro seguido de morte do cãozinho “Manchinha” por segurança de uma unidade do Carrefour em Osasco. Mais uma vez, atualizações diárias, dando destaque a manifestações de ativistas pelas causas dos animais. 
Um fato “prosaico”, tradicionalmente jogado para os “fatos diversos”, ao lado de maus tratos humanos em hospitais púbicos. 
Mas dessa vez, com furor indignado do mesmo nível do endereçado ao médium-celebridade. E o MP, dessa vez de São Paulo, recebe o passe da Globo e instaura inquérito para surfar em mais uma onda levantada pela emissora.
João de Deus e “Manchinha”, com o potencial escândalo do clã Bolsonaro espremido entre eles na paginação dos telejornais. Quais são os “nós” dados pela Globo nessas estranhas anomalias que antecederam a rápida diplomação do capitão reformado que deixou o TSE sem falar com os jornalistas:

Primeiro Nó – continuidade da política de redução de danos 

Depois de anos remexendo a lama psíquica do Brasil Profundo para derrubar um governo trabalhista, agora tenta se livrar da criatura parida do extremo-direitismo que alimentou como aliado de primeira hora. Principalmente no momento que se comemoram os 70 anos da Declaração dos Diretos Humanos da ONU – a presença de duas “gringas” que mostraram corajosamente seus rostos para denunciar João de Deus ajudaria a Globo a reforçar essa suposta isenção para o público tanto interno quanto externo. E o seu apego às questões identitárias.

De olho em 2019: direitos serão "coitadismos"

Segundo Nó– antevendo 2019 

O que nos leva ao segundo nó. Com as seguidas afirmações de futuros ministros de que o Governo sairá de acordos climáticos (Acordo de Paris) e migratórios (ONU), a Globo sabe que esses campos serão catastróficos em 2019. Manter a pauta identitária e humanista é uma questão estratégica para manter livres os canais de comunicação com ativistas, ONGs ou front groups em geral. Afinal, front groups são um dos atores principais na engenharia de opinião pública e foram usados como peões na guerra midiática que desestabilizou o governo Dilma no rastro das manifestações híbridas a partir de 2013.

Terceiro Nó– manutenção da agenda identitária 

Aqui revela-se a ingratidão de Bolsonaro para com a grande mídia. Na sua ingenuidade bonapartista, acredita que foi eleito apenas pelo whatsApp. Na verdade, todos os memes, pitacos e bravatas do clã Bolsonaro e seus asseclas (MBL etc.) nas redes sociais não teriam a menor força sem a polarização criada pelo poder de agendamento da grande mídia (“frame set”) em torno das causas culturais, identitárias e de costumes. Enquadrou o debate nesses temas, para esconder o ponto fraco de toda direita numa eleição: o amargo programa neoliberal, inimigo do Estado, programas sociais e... de votos.


Com a “verdade” que bateu à porta de Bial, a Globo apertou esse nó para alcançar o objetivo mais profundo escondido pela cortina de fumaça: as reformas previdenciárias e a construção de um Estado mínimo e policial que reduza toda questão social e trabalhista a crime ou terrorismo.  

Quarto e último Nó– tentar manter Bolsonaro no arreio curto

Olhando em perspectiva a paginação geral dos telejornais, a cobertura das transações financeiras suspeitas de ex-assessor de Flávio Bolsonaro tem ficado espremida entre João de Deus, o protesto de ativistas contra a morte de Manchinha e a meganhagem do dia das prisões preventivas da Polícia Federal na infindável Lava Jato.
 É como se o jornalismo da Globo controlasse a fervura do escândalo como carta no bolso do colete ou um punhal perpetuamente colocado sobre o clã Bolsonaro. Com isso, a Globo tenta manter a criatura sob controle, puxando vez ou outra a corda: sete minutos no JN aqui e uma espetada no Fantástico ali.
Resta saber até onde vai o bonapartismo de Bolsonaro. Isto sabendo-se que, para a maioria dos luminares intelectuais da extrema-direita, a Globo é petista...  -  (Fonte: Cinegnose - AQUI).

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Clique AQUI para conferir "Bolsonaro acaba com a manhã amarela da Globo" / 'Bye-bye Caixa, Banco do Brasil, Secom, Petrobras...', por Paulo Henrique Amorim.
Mas, claro, tudo isso, até agora. Reviravoltas à parte. Afinal, como dizia Machado, o Bruxo da Cosme Velho, de repente o Inesperado toma assento na Assembleia dos Acontecimentos.
A ver, portanto.

Postagens Relacionadas








ECOS DA CRISE


Duke.

TEATRO DO ABSURDO

Sinovaldo.  
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Aqui - "Força-tarefa apura denúncias contra João de Deus em seis países".

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

OLHO NOS VÍDEOS


Olho nos Vídeos


.Papo Com Zé Trajano:
Papo de 14.12.18 ................................ AQUI.

.Leo ao Quadrado:
Onde está o Queiroz? ........................... AQUI.

.Boa Noite 247:
Lula réu e Battisti extraditado ............... AQUI.

OLD CARTOON

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ESTADO LAICO


Santiago. (Rio Grande do Sul).
(Em algum lugar do passado).

ESTADO 'LAICO'

Simanca.
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"O cartum está incorreto. Ambas têm de ser Universais!"

A GUERRA À HUAWEI E A GUERRA GEOPOLÍTICA

(Huawei/Meng Wanzhou).
A guerra à Huawei 
Por Jeffrey D. Sachs  
O conflito do governo Trump com a China tem pouco a ver com os desequilíbrios externos dos EUA, mercados chineses fechados ou até mesmo o suposto roubo de propriedade intelectual chinesa. Tem tudo a ver com conter a China, limitando seu acesso a mercados estrangeiros, tecnologias avançadas, serviços bancários globais e talvez até mesmo universidades dos EUA.
A prisão da CFO da Huawei, Meng Wanzhou, é uma jogada perigosa do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em seu crescente conflito com a China. Se, como disse ironicamente Mark Twain, a história frequentemente rima, nossa era lembra cada vez mais o período anterior a 1914. Assim como as grandes potências da Europa de então, os Estados Unidos, liderados por um governo que pretende afirmar o seu domínio sobre a China, estão levando o mundo ao desastre. A guerra à Huawei Por Jeffrey DSachs
O contexto da prisão é muito importante. Os Estados Unidos solicitaram que o Canadá prendesse Meng durante a escala no aeroporto de Vancouver de sua viagem entre Hong Kong e o México e depois a extraditasse para os Estados Unidos. Tal movimento é quase uma declaração de guerra norte-americana contra a comunidade empresarial chinesa. Quase sem precedentes, coloca os empresários americanos viajando pelo exterior em um risco muito maior de enfrentar ações similares por outros países.
Os Estados Unidos raramente prendem empresários de alto escalão, norte-americanos ou estrangeiros, por supostos crimes cometidos por suas empresas. Os gerentes corporativos geralmente são presos por seus supostos crimes pessoais (como apropriação indébita, suborno ou violência), em vez da suposta má conduta de sua empresa. Sim, os gerentes corporativos devem ser responsabilizados pela negligência de suas empresas, incluindo acusações criminais; mas iniciar essa prática com uma liderança empresarial chinesa, em vez de com dezenas de CEOs e CFOs norte-americanos culpáveis, é uma provocação impressionante para o governo, comunidade empresarial e público chineses.
Meng é acusada de violar as sanções norte-americanas ao Irã. No entanto, considere sua prisão no contexto do grande número de empresas, americanas e não americanas, que violaram as sanções dos Estados Unidos contra o Irã e outros países. Em 2011, por exemplo, o JP Morgan Chase pagou 88,3 milhões de dólares em multas por violar as sanções norte-americanas contra Cuba, Irã e Sudão. No entanto, seu diretor executivo Jamie Dimon não foi agarrado de um avião e levado em custódia.
E o JP Morgan Chase não estava sozinho nessa violação às sanções dos Estados Unidos. Desde 2010, as seguintes grandes instituições financeiras pagaram multas por violar sanções norte-americanas: Banco do Brasil, Bank of America, Bank of Guam, Bank of Moscow, Bank of Tokyo-Mitsubishi, Barclays, BNP Paribas, Clearstream Banking, Commerzbank, Compass, Crédit Agricole, Deutsche Bank, HSBC, ING, Intesa Sanpaolo, JP Morgan Chase, National Bank of Abu Dhabi, National Bank of Pakistan, PayPal, RBS (ABN Amro), Société Générale, Toronto-Dominion Bank, Trans-Pacific National Bank (agora conhecido como Beacon Business Bank), Standard Chartered e Wells Fargo.
Nenhum dos CEOs ou CFOs desses bancos infratores foi preso e levado sob custódia por essas violações. Em todos esses casos, a corporação – e não um gerente individual – foi responsabilizada. Tampouco foram responsabilizados pelas flagrantes violações da lei tanto antes quanto depois da crise financeira de 2008, pelas quais os bancos pagaram impressionantes 243 bilhões de dólares em multas, de acordo com uma contagem recente. Em face a esse contexto, a prisão de Meng é uma ruptura chocante da prática habitual. Sim, deve-se responsabilizar os CEOs e CFOs, mas começando em casa para evitar a hipocrisia, o interesse próprio disfarçado de princípios elevados e o risco de incitar um novo conflito global.
De forma bastante transparente, a ação dos Estados Unidos contra Meng é realmente parte da tentativa mais ampla do governo Trump de minar a economia chinesa, impondo tarifas, fechando os mercados ocidentais às exportações chinesas de alta tecnologia e bloqueando as compras chinesas de empresas de tecnologia norte-americanas e europeias. Pode-se dizer, sem exagero, que isso é uma parte, bastante imprudente, de uma guerra econômica contra a China.
A Huawei é uma das empresas de tecnologia mais importantes da China e, portanto, um dos principais alvos do esforço do governo Trump para retardar ou interromper o avanço chinês em vários setores de alta tecnologia.
As motivações dos Estados Unidos nessa guerra econômica são, em parte, comerciais – para proteger e favorecer as empresas americanas em atraso – e, em parte, geopolíticas. Elas, certamente, não têm nada a ver com a manutenção do estado de direito internacional.
Os Estados Unidos estão mirando na Huawei, especialmente por causa do sucesso da empresa em comercializar globalmente tecnologias sem fio de quinta geração (5G) de ponta. Os Estados Unidos alegam que a empresa representa um risco de segurança específico por meio de recursos de vigilância ocultos em seu hardware e software. No entanto, o governo norte-americano não forneceu evidências para essa alegação.
Uma recente diatribe contra a Huawei no Financial Times é reveladora nesse sentido. Depois de admitir que “você não pode ter provas concretas de interferência em TIC (Tecnologia de Informação e Comunicação), a menos que você tenha a sorte de encontrar a agulha no palheiro”, o autor simplesmente afirma que “você não corre o risco de colocar sua segurança nas mãos de um adversário em potencial ”. Em outras palavras, embora não possamos realmente apontar para o mau comportamento da Huawei, devemos, ainda assim, incluir a empresa na lista negra.
Quando as regras do comércio global obstruem as táticas mafiosas de Trump, então as regras precisam mudar de acordo com ele. O Secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, admitiu isso na semana passada em Bruxelas. “Nosso governo”, disse ele, “está legalmente saindo ou renegociando tratados ultrapassados ​​ou prejudiciais, acordos comerciais e outros acordos internacionais que não servem aos nossos interesses soberanos, ou aos interesses de nossos aliados”. Porém antes de sair desses acordos, a administração Trump está destruindo-os por meio de ações imprudentes e unilaterais.
A prisão sem precedentes de Meng é ainda mais provocativa porque se baseia em sanções extraterritoriais dos Estados Unidos, ou seja, na pretensão norte-americana de que pode ordenar que outros países parem de negociar com terceiros como Cuba ou Irã. Os Estados Unidos certamente não tolerariam que a China, ou qualquer outro país, dissesse às empresas americanas com quem elas podem ou não negociar.
As sanções contra partidos não nacionais (como as sanções dos Estados Unidos a uma empresa chinesa) não devem ser aplicadas apenas por um país, mas de acordo com os acordos firmados no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A esse respeito, a Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU pede que todos os países retirem as sanções ao Irã como parte do acordo nuclear de 2015 contra o Irã. No entanto, os Estados Unidos – e apenas os Estados Unidos – rejeitam agora o papel do Conselho de Segurança em tais assuntos. O governo Trump, não a Huawei ou a China, é a maior ameaça atual ao estado de direito internacional e, portanto, à paz global.  -  (Aqui).
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(Jeffrey D. Sachs, Professor de Desenvolvimento Sustentável e Professor de Política e Gestão de Saúde na Columbia University, é diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Columbia e da Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Seus livros incluem “O Fim da Pobreza”, “Riqueza Comum”, “A Era do Desenvolvimento Sustentável”, “Construindo a Nova Economia Americana” e, mais recentemente, “Uma Nova Política Externa: Além do Excepcionalismo Americano”;
.Tradução por Solange Reis;
*Artigo originalmente publicado em 11/12/2018, em https://www.project-syndicate.org/commentary/trump-war-on-huawei-meng-wanzhou-arrest-by-jeffrey-d-sachs-2018-12).

AI-5: ECOS DE ONTEM

Zé Dassilva.
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Clique AQUI para conferir "O AI-5 e a interdição do futuro do Brasil", por Fernando Horta.

CARTUM DO BREJO


Brum.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

PATRÍCIA NA 'PERSON OF THE YEAR'


Vi aqui a nota abaixo, que nos remete ao post "Notas Finais Sobre o Esquema WhatsApp (Terceiro Clichê)" - AQUI -, mediante o qual tentamos resumir fatos constatados no recente pleito eleitoral. Diz a nota:

"A estadunidense Time anualmente escolhe a Personalidade do Ano. Em 2018, a revista resolveu destacar o papel dos jornalistas, que estão sendo perseguidos, atacados, ameaçados e mortos pelo mundo em razão de seu trabalho. 

A Time destacou alguns deles na capa e outros mais na reportagem que anunciou os vencedores, entre os quais a repórter da Folha Patrícia Campos Mello, que denunciou o uso dos disparos de milhões de fake news em favor da candidatura de Bolsonaro (...)."

Com a antológica matéria - aqui -, Patrícia Campos Mello mostrou, em definitivo, que o jornalismo investigativo é o que tornará imortal a imprensa escrita.

OLHO NOS VÍDEOS


Olho nos Vídeos


.Boa Noite 247:
Podemos ter um novo AI-5? .................. AQUI.

.Bruno Altman:
O mundo em ebulição .......................... AQUI.

.Leo ao Quadrado:
Choque de generais ............................. AQUI.

.Papo com Zé Trajano:
AI-5, MPB e morte de Eunice Paiva ........ AQUI.

NO MUSEU DA DEMOCRACIA

                   "Isso aí é do tempo em que havia Leis e Direitos."

Dave Whamond. (Canadá).

OS 50 ANOS DO AI-5

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Palavras de Jarbas Passarinho, então ministro do Trabalho e da Previdência Social, durante a reunião que culminou na edição do AI-5: "Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência".
Este blog dedica atenção especial às palavras, que têm, algumas delas, a mania de desafiar o tempo e se perpetuarem na História.


50 Anos do Ato Institucional Nº 5

Há exatos 50 anos anos era baixado o Ato Institucional n.5, o mais violento golpe dentro do golpe militar de 1964. O AI-5 instaurou a censura, cerceou direitos e serviu como a mais forte intimidação praticada pelo militares do golpe. O ato, que institucionalizou a ditadura, deu ao então presidente, Arthur da Costa e Silva, poderes de fechar o Congresso Nacional. A censura passou a ser uma máquina de Estado, vetando trabalhos e perseguindo a classe artística, levando grande parte dos artistas e intelectuais ao exílio.

No período anterior ao decreto, a cultura brasileira vivia uma ebulição inédita, mas o que uns viam como experimentação interessante foi visto por outros como "ameaças a Deus, à família e à propriedade —à liberdade, enfim", relata o jornalista A. P. Quartim de Moraes no livro recém-lançado "Anos de Chumbo: o Teatro Brasileiro na Cena de 1968".


A reportagem da jornalista Maria Luísa Barsanelli, do jornal Folha de S. Paulo, aponta o que ocorreu nos momentos anteriores ao ato: "de fato, o ano que precedeu o AI-5 já dava sinais do recrudescimento no horizonte. Em janeiro, a censura tirou de cartaz uma montagem de 'Um Bonde Chamado Desejo', de Tennessee Williams. O caso gerou repercussão e acirrou os ânimos entre governo e artistas."

Ela relata a movimentação artística em torno do Teatro de Arena: "reunia dramaturgos como Lauro César Muniz, Gianfrancesco Guarnieri, Plínio Marcos e Augusto Boal, além dos compositores Edu Lobo, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Todos respondiam à questão: O que pensa o Brasil de hoje? 'Basta criticar as plateias de sábado —deve-se agora buscar o povo', dizia Boal sobre a obra. Ela teve 84 cortes da censura, mas os artistas decidiram encená-la na íntegra, em desobediência civil."

E destaca a interessante frase do filósofo João Quartim de Moraes: "de certo modo, o próprio movimento de resistência deu pretextos para que o movimento de repressão aumentasse".  -  (Aqui).
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[Clique AQUI para ler: 'Na ditadura, o AI-5 não poupou nem mesmo os militares de perseguições']

CINCO DÉCADAS DEPOIS...


Kayser.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

SOBRE O ANARCO-RENTISMO DIGITAL


"Uma boa olhada nos textos do grupo Krisis trazidos a esse blog por Wilton (Cardoso) Moreira nos proporcionará alguma luz sob o que aparentemente é só treva!
Conhecidos pela "Crítica do Valor", rechaçados como profanadores dos cânones do marxismo, apenas por apontarem as insuficiências do pensamento marxiano, que aliás, não poderia prever tudo, tanto pelos seus limites contextuais, quanto pelas carências teóricas em si, o grupo Krisis é o que está mais avançado para nos fornecer as ferramentas teóricas para compreensão do momento atual.
Não se pode desprezar Harvey e outros.
No entanto, embora reconheçam que não se pode mais explicar o capital fictício (crédito e sistema rentista) a partir da acumulação de valor e mais-valor e sua monetização (capital produtivo), esses teóricos ainda insistem (pelo menos pelo que entendi) que a atual etapa de evolução histórica de acumulação ainda guarda relação de causa e efeito com o capital produtivo, ou como chamamos, o mundo real.
Não mais. 
A única semelhança ou ponto em comum é a acumulação (per si), mas isso sequer igualava as fases anteriores do capitalismo (mercantil ou pré-capitalista do século XV em diante, até o capitalismo industrial e suas fases - as revoluções tecnológicas).
Não é disso que trata o post de Luis Nassif, mas eu chego lá.
Nos vários textos acerca do assunto (o fim do capitalismo e o abandono de suas formas de organização social conhecidas: estado, sistemas representativos, polícia, justiça, moeda, sindicatos, e enfim, o trabalho, dentre outras instâncias), todos são unânimes em afirmar que o movimento atual empurra as chamadas empresas reminiscentes do estágio produtivo anterior, principalmente as de viés tecnológico avançado, em uma disputa fratricida na nova cadeia alimentar da acumulação sem causa, ou seja, no mundo convertido a algoritmos e alavancagem sem lastro, que gera dinheiro a partir de operações de crédito e não da produção ou da aquisição ou alienação de ativos, ou qualquer outra instância inerente aos processos conhecidos na produção capitalista (distribuição, logística, financiamento, comércio, etc).
Claro que não podemos resumir todos os problemas às facilidades oferecidas por um economicismo vulgar ou um determinismo das infraestruturas (econômicas) sobre as superestruturas (políticas).
Mas a desproporção entre os volumes de "riqueza" gerados entre o mundo real (capitalismo industrial) e o capital fictício (anarco-rentismo digital) certamente se reflete como causa e efeito, recíprocos, é verdade, na desproporção do poder de pressão política dos estados nacionais e seus representantes estatais ou não (sindicatos, partidos e outras formas de organização social) naquilo que antes já era frágil, ou seja, na capacidade de manter o monstro adormecido, a custa do permanente sacrifício de direitos de largas faixas de população ao redor do planeta.
Em outras palavras: a medida que o rentismo virou um elefante, e o capital produtivo permaneceu um rato (que pariu o elefante), as formas de representação política, as estruturas estatais burocráticas (judiciais, polícias, etc) e os mandatos parecem cada vez mais anacrônicos, e se inclinam a fragmentação comportamental, indicando que ninguém parece estar a salvo ou sob proteção de alguma regra que dure mais que a oportunidade em alterá-la, e os intreresses de quem se beneficia com isso.
Nada mais consegue alimentar esse monstro, que grosseiramente mudou a dieta, a passou a alimentar-se de si mesmo, enquanto se reproduz exponencialmente, mas ainda engole de sobremesa os "inúteis" expulsos dos esquemas de exploração anteriores.
Esse intrincado processo, como dizem os teóricos, reduz os combalidos e iminentemente mortos estados nacionais a cafetões lutando para oferecer os serviços nacionais pelo preço mais baixo, em uma reprodução global daquilo que já conhecemos internamente como guerras fiscais, fenômeno que aconteceu no Brasil "neoliberal", e tolheu a capacidade (já falida) dos orçamentos em enfrentar as desigualdades promovidas pelo capital:
- Quanto mais desigualdade, menores os orçamentos públicos, maiores as demandas, maiores desigualdades, e assim vamos explodindo em conlfitos insolúveis.
Em escala global, na busca por estabelecimento de "novas" barreira competitivas entre si, os gigantes (outrora gigantes produtivos), acossados por enormes fundos de hedge e outras modalidades de consórcios rentistas, criaram toda uma nova "teologia" do capital, adaptada a sede de espetáculo das redes sociais e dos movimentos alucinados dos algoritimos financeiros, isto é: a moralidade pública expressa mormente como luta contra a corrupção.
Esse modelo, como as empresas de hedge são transnacionais, logo, EUA prendem uma chinesa em algum país!
Uma adaptação sem precedentes das jornadas anteriores, como as Cruzadas e Inquisição, o Macartismo, e tantos outros movimentos ideológicos que criavam a base de consenso para a implantação de ideologias econômicas irracionais, e que por isso, precisavam de uma base emocional gigantesca!!!
Como ensinam os teóricos do Krisis, cada país experimenta esse fenômeno de uma forma adstrita a seu lugar relativo no tabuleiro geopolítico e de acordo com sua História.
O texto de Luis Nassif comete algumas impropriedades, dentre as quais destaco a principal:
- O sistema representativo brasileiro estava contaminado, mas o que foi alvejado foi a engenharia!
Aqui o erro comum a esquerda e aos progressistas, frequentemente revelado no texto do Krisis, onde se imagina que haveria uma realidade alternativa, ou uma forma de elaborar um capitalismo nacional e um sistema representativo que escapasse a essa "contaminação" no campo político, e bebendo na fonte keynesiana, em seus aspectos de política econômica.
Não havia.
A "contaminação" aqui não é diferente de outros sistemas representativos ao redor do mundo, e a promiscuidade entre capital e tais sistemas representativos foi (até ontem) a própria razão de ser do capitalismo e vice-versa.
Não havia capitalismo sem essa contaminação de seu poder de pressão sobre os sistema legais e representativos.
Lógico que os EUA chamam isso de lobby. Nós chamamos de crime.
Assim como a lógica (irracional, termo emprestado do último livro de Harvey) do capital não permitiria o surgimento de um competidor global sem uma boa dose de conflito e oposição.
Em tempos de fim do capitalismo produtivo, isso é improvável, sem a recuperação ou a criação de uma forte consciência política que abandone a luta pelos escombros do capitalismo produtivo e passe a imaginar e pensar formas de intervir na nova realidade que se apresenta."



(De Felipe Silve, em COMENTÁRIO sob o título "O anarco-cyber-rentismo ou anarco-rentismo digital" - AQUI -, a propósito do post 'Xadrez da geopolítica, do caso Huawei e da Lava Jato, por Luis Nassif', reproduzido neste blog - aqui.
É preciso, não obstante, ter em mente que não é conveniente 'radicalizar'. É o que pondera o leitor José Américo de Lacerda Júnior: 
"Há aspectos e processos que, a meu ver, passam despercebidos: a infraestrutura tecnológica. Pensemos na energia elétrica necessária para rodar os poderosos servidores de big data. Pensemos também em todos os equipamentos necessários, o cabeamento, os satélites, as antenas, os dispositivos móveis, os terminais... Toda essa infraestrutura provém do capital produtivo.").