sábado, 20 de outubro de 2018

ECOS DO WHATSAPP: INDAGAÇÕES NECESSÁRIAS


Se o WhatsApp, por livre iniciativa - e só agora - resolveu denunciar os contratos com quatro das principais empresas implicadas na disseminação de notícias falsas, além de adotar outras providências restritivas (como o cancelamento massivo de contas de usuários), por que o ministro Luiz Fux, enquanto presidente do TSE, deixou de impor ao WhatsApp, consensualmente e em tempo hábil, medidas preventivas na mesma direção?


Em que bases o então presidente do TSE se apoiou ao ameaçar anular as eleições eventualmente comprometidas por fake news, se deixou de adotar medidas elementares de prevenção? 


Se restar confirmada a perniciosa disseminação de notícias falsas nas eleições 2018 - o que o WhatsApp confirma desde logo -, como deixar de punir o(s) responsável(eis) pelo dano, afastando(s), e realizar um novo pleito?


Quem responderá pelos estragos infligidos ao País (com a palavra os observadores da OEA...) em face dessa constrangedora situação? 


Onde está a superioridade do tribunal eleitoral?  

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

WHATSAPP: ESQUEMA DESBARATADO

                                 "Até o JN já deu. Jogo a toalha."

Ribs.

NONSENSE CARTOON

(Giro das Onze: Marcos Coimbra, do Vox Populi, analisa a conjuntura - AQUI).

Stephane Peray. (Tailândia).

1º TURNO: O BALÃO MÁGICO FEZ A DIFERENÇA?

(Os últimos acontecimentos são objeto de análise do Diário do Centro do Mundo - AQUI).

Pelicano.

SOBRE O ESQUEMA WHATSAPP QUE ABALA O PAÍS

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Registro prévio: O Caso WhatsAppGate não deve ser visto como simples Caso de Fake News (ou Disparo de Fake News), se é que isso pode ser classificado de simples, mas de brutal Caso de Disparo de Fake News associado a Financiamento Ilegal de Campanha Por Parte de Pessoa Jurídica. Onde residiu o maior dos vacilos? Elementar: nos EUA do mago Steve Bannon, as doações eleitorais a cargo de pessoas jurídicas não são somente admitidas, mas são admitidas ilimitadamente: cada empresa pode doar o quanto quiser, no montante que lhe aprouver. No Brasil, não. O crime eleitoral está, pois, 'quicando na pequena área', dependendo tão somente de evidenciação (exame a cargo do Ministério Público Eleitoral), o que demandará tempo.
....
Mas, enquanto juristas diversos (aqui) dão conta de que 'Esquema no WhatsApp pode resultar em cassação da candidatura Bolsonaro', o lado de lá aparenta total tranquilidade. O JN, por exemplo, nem sequer se deu o trabalho de mostrar o candidato tentando se explicar, ou melhor, se desvencilhar do assunto, como fez o jornal do SBT: a apresentadora do jornal limitou-se a transmitir o 'recado' do presidente do PSL, partido de Bolsonaro, 'rebatendo' as denúncias. Ou seja, cuidou-se de tratar o imbróglio como mero desespero de perdedor, argumento irrelevante, bobagem. Mas, há sinais de que não será bem por aí. A matéria da Folha é fruto de jornalismo investigativo, e como tal pode ter mais munição estocada, pronta para ser divulgada dia a dia. Na edição de amanhã da Folha poderão vir novas evidências.
Nesse meio tempo, especula-se sobre o comportamento a ser oferecido pelo TSE, que já cuida de ao menos dois processos, um do candidato Fernando Haddad, pedindo a impugnação da chapa de Bolsonaro, outro do PDT, pleiteando a anulação da eleição. De quebra, a possibilidade da suspensão nacional do WhatsApp a partir do próximo sábado, até o dia 28, data da eleição em segundo turno. Pode ser, pode não ser. 
Voltando à Folha. Os partidários do candidato acusado, claro, dão tratos à bola em busca de furos no relato da jornalista Patrícia Campos Mello, mas até o momento não obtiveram sucesso na empreitada. À falta de argumentos, contentam-se em... atacar a jornalista!  


Jornalista que denunciou caixa dois de Bolsonaro já sofre ameaças 

Do Brasil 247

Patricia Campos Mello, a jornalista que denunciou o esquema ilegal de disparo de mensagens contra o PT no WhatsApp, por parte de empresas apoiadoras do candidato Jair Bolsonaro (PSL), está sendo intimidada e ameaçada pelos "skinheads do Bolsocheio", como definiu a jornalista Barbara Gancia no Twitter. 

O esquema, apelidado de "Bolsolão", ‏se assemelha ao caixa 2 de campanha, de acordo com juristas ouvidos pelo UOL, uma vez que as encomendas de mensagens seriam doações não contabilizadas e feitas por empresas, o que é proibido pelo Supremo Tribunal Federal desde 2015. Segundo a Folha, "cada contrato chega a R$ 12 milhões e, entre as empresas compradoras, está a Havan. Os contratos são para disparos de centenas de milhões de mensagens".

O escândalo veio à tona nesta quinta-feira (18), em reportagem da jornalista Patricia Campos Mello que, conforme alertado pela também jornalista Barbara Gancia, passou a sofrer ameaças. "Começaram as ameaças à integridade física da jornalista da Folha, Patricia Campos Mello, que deu o furo do caixa 2 do Bolsonaro (...). Não podemos ficar acuados. Quero ver todo mundo defendendo Patricia Campos Mello na sua página e em grupos de WhattsApp. Bora!", tuitou Barbara Gancia, que na sequência convocou: 

"Os skinheads do Bolsocheio já estão intimidando e ameaçando Patricia Campos Mello, a jornalista da Folha responsável pelo furo sobre o caixa 2 do Coiso. Precisamos deixar claro que a violência não passará. Bora chamar atenção para o fato nas redes e no Whattsapp!" - (AQUI).
....

(Clique AQUI para conferir 'Bolsolão: O escândalo que pode mudar a eleição').

DEPOIS DE REVELADO O ESQUEMA WHATSAPP QUE ABALA O PAÍS


Lute.

O (IN)ACREDITÁVEL ESQUEMA WHATSAPP QUE ABALA O PAÍS


Laerte.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

EM PREPARAÇÃO O AI-1 DO NOVO REGIME

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Confesso que ao ler o texto abaixo, produzido pelo analista Luis Nassif antes da bombástica denúncia sobre a fraude digital WHATSAPPGATE supostamente (é, supostamente, conforme exige a Lei) perpetrada pelo candidato franco favorito ao cargo de presidente da República, ficamos a pensar sobre o quanto ainda pode vir a agravar-se a já grave situação vivenciada pelo Brasil. E cumpre assinalar que o desfecho do caso WhatsAppGate (já tratado em inúmeros posts/sites, a exemplo deste aqui) pode demandar tempo considerável: Segundo o especialista Alberto Rollo -aqui-, o Ministério Público Eleitoral deve investigar a notícia de suposto financiamento empresarial ilegal em favor de Bolsonaro, mas isso não se resolverá antes do segundo turno
(Nota: Era para ganhar no primeiro turno, o que 'encerraria o assunto'. Não deu. Daí, quem sabe, o ar de certa desolação que o candidato e seu mentor Guedes não conseguiram disfarçar quando do primeiro pronunciamento após a vitória parcial).  

Temer prepara o AI-1 do novo regime
Por Luis Nassif
O aprofundamento da intervenção militar estava no horizonte desde o início do governo Temer. Mostramos na ocasião que a ampla impossibilidade de qualquer espécie de legitimação, Temer apelaria para um chamamento cada vez maior ao poder militar. A própria indicação do general Sérgio Etchegoyen para o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) era uma indicação.  
Posteriormente, o então Ministro da Justiça, Alexandre Moraes, tentou criar um factoide com a história dos terroristas de Internet – um bando de alucinados, sem nenhuma vinculação com organizações internacionais, envolvidos nas libações da Internet.
Não pegou.
Logo depois, houve a intervenção militar no Rio de Janeiro, na qual Temer driblou a Constituição através de um artifício: era uma intervenção não militar mas com a chefia da intervenção conferida a um militar. Tudo isso confiando na dubiedade da Procuradoria Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal em enfrentar o arbítrio que se instalava.
Por trás desses movimentos, a figura dúbia do Ministro da Justiça Torquato Jardim. Coube a ele a excepcional aula particular ao novo presidente do STF, Dias Toffoli, explicando que o golpe de 1964 foi fruto da incapacidade da sociedade civil. Esqueceu 1968, o AI5, Costa e Silva, a Junta Militar, os anos de chumbo da repressão.
Ontem, repetiu a história de que o terrorismo internacional está implantado no país, a partir de um episódio isolado. Era apenas a senha para o Decreto nº 9.527, de 15 de outubro de 2018, publicado hoje no Diário Oficial.
O decreto cria “a Força-Tarefa de Inteligência para o enfrentamento ao crime organizado no Brasil”.
Seu papel será “analisar e compartilhar dados e de produzir relatórios de inteligência com vistas a subsidiar a elaboração de políticas públicas e a ação governamental no enfrentamento a organizações criminosas que afrontam o Estado brasileiro e as suas instituições”.
Tudo isso a menos de dez dias das eleições. Como é uma questão de segurança nacional, a força será constituída pelo GSI, a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), os serviços de inteligência da Marinha, do Exército, da Aeronáutica, com o apoio da COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda), Receita, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Segurança Pública; Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Segurança Pública.
Os representantes serão indicados no prazo de dez dias, obviamente para reprimir qualquer manifestação contra o resultado das eleições.
Haverá uma Norma Geral de Ação para regular as ações “em consonância com a Política Nacional de Inteligência - PNI", com a Estratégia Nacional de Inteligência.
Ontem, um general eleito deputado pelo estado do Rio Grande do Norte propôs o fechamento do STF e a prisão de todos os Ministros que libertaram acusados de corrupção.
Bem vindos de volta ao inferno!  -  (Aqui).

BARCELONA ISOLA RONALDINHO GAÚCHO

(AQUI).
Dum.

O INCRÍVEL CASO DA PIRÂMIDE QUE CONSTRUIU O FARAÓ

(AQUI).
Ykenga.

UM 'ELES DISSERAM' À PARTE


Latuff.

OLHO NOS VÍDEOS


Olho nos Vídeos

.Barcelona isola
Ronaldinho Gaúcho .................... AQUI.

(Paulo Henrique Amorim insere o Barça e Ronaldinho Gaúcho nas eleições 2018).

.Fernando Haddad fala ao SBT ... AQUI

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

QUANDO O FÍGADO RESOLVE FALAR


"Sempre que reclamam de meu estilo agressivo de escrever recorro a Geraldo Vandré, tão doce foi como eu me considero hoje:
'Me pediram pra deixar de lado toda a tristeza, pra só trazer alegrias e não falar de pobreza. E mais, prometeram que se eu cantasse feliz, agradava com certeza. Eu que não posso enganar, misturo tudo o que vivo. Canto sem competidor, partindo da natureza do lugar onde nasci. Faço versos com clareza, à rima, belo e tristeza. Não separo dor de amor. Deixo claro que a firmeza do meu canto vem da certeza que tenho de que o poder que cresce sobre a pobreza e faz dos fracos riqueza foi que me fez cantador [escritor]'.
Durante os últimos meses, neste GGN, verificando as seriedades políticas, econômicas e sociais de meus pares, procurei dar uma aliviada, partindo para o humor, a cultura, em conteúdos e formas sempre galhofeiros e farofeiros, como aprendi a entender graças a Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro, Ariano Suassuna e Antônio Cândido, o povo brasileiro, em suas antropologia, sociologia e ciência política.
Fui de continuação do “Dominó de Botequim”, reaberto no céu com a morte do português Serafim e instalado Conselho Consultivo magistral. Pouca audiência. Vendo a situação política atual, arrependo-me não ter convidado o torturador e assassino coronel Brilhante Ustra, ídolo de Jair Bolsonaro.
Também insisti com as entrevistas fictícias e bem-humoradas de candidatos a cargos públicos. Querem alguém mais caricato do que Doriana Jr.? O “Desfile de Estrelas”, lembram? Mais uma vez, foi baixo o índice f. Reuni Nestor, Pestana e os amigos do Pi π, e nada, mesmo com o patrocínio de Mr. Mark.  
Apenas estava covarde e não queria me lembrar do que passei entre 1964 e 1985. Muito menos dos amigos dos movimentos estudantis e operários, torturados, sumidos ou mortos. Conheceram-nos ou os bons empregos os obnubilaram? Fodam-se, né?
Enraiveci quando vi a possibilidade de isso voltar, estando eu aqui ou não. Tanto faz.  Então, esqueçam minhas letras meigas, engraçadas, apenas espero que ao elegerem esse ogro, que esfregou em suas caras declarações e demonstrações antidemocráticas, e nada fez em seus mandatos saibam que ele fará o Brasil voltar à ditadura e  falta de liberdade de expressão, perseguição a mim e aos que estão a meu lado.
Tenho sido ameaçado pelo que escrevo através das redes sociais, pois não me escondo em heterônimos e me declaro publicamente. Não tenho medo da burrice. Teria alguns deles tivessem lido o básico livro das misses “O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry. Nem isso, pelo menos poderiam ser misses em corpos perfeitos. Mas nem isso, bostas frotenses e pascoais.
Tenham certeza do que fazem ao eleger Jair Bolsonaro. Se estiverem trazendo a ditadura de volta será melhor do que um ignorante que não resiste a discutir suas ideias em um debate. Foge, se esconde, por quê? Tudo bem para vocês a quem continuarei enfiando minha fé e cega faca amolada.
Venham me calar. Espero-os. Escrevo publicamente, nome e endereços explícitos. Toda a minha, talvez fraca reação, será para honrar todos os que tombaram na luta pela democracia, pobres e não-cidadãos. Serei Nordeste, como são Alceu, Chico César, Miguel Nicolelis, e o assassinado Moa do Katendê, irmãos de fé.
Assim, quem me espera meigo, serei assassino a esfregar na face cruel de vocês o meu ódio. Vocês mataram brasileiros meus amigos, escapei por pouco, então, se não entendem o grave momento que passamos e nos trará as maiores traições à democracia, me esqueçam, pois escrevo com o ódio que habita meu fígado e assim continuarei até a morte."


(De Rui Daher, post intitulado "Porque o fígado resolveu falar", publicado no GGN - Aqui.

As fakenews brilharam intensa e impunemente no WhatsApp. Queríamos o quê?)

KIT GAY: A MAIOR DAS ISCAS

          ('Fire on Fake' - TSE desmascara farsa do Kit Gay AQUI).

Adnael.

SÍNDROME DAS FAKE NEWS


Cellus.

O QUADRO E O TERROR


Pintura de Enio Squeff retrata o hoje e prevê o terror do amanhã com Bolsonaro 
O artista plástico e jornalista Enio Squeff pintou um quadro que retrata não só o momento sombrio em que vivemos, mas que sinaliza um futuro catastrófico. Veja o relato de Enio Squeff, que tem mais de 50 anos no jornalismo, tendo sido da primeira redação da revista Veja e depois trabalhado no Estadão e Folha, e que abraçou com entusiasmo as artes plásticas. 
O artista  aborda a fala recente do antropólogo e cientista político Luis Eduardo Soares, que alertou:  “Vitória de Bolsonaro provocaria banho de sangue nas periferias”.
(...).
Veja o vídeo (clique AQUI), realizado e editado por Lourivaldo Pontedura, com entrevista de Washington Araújo. 

CONEXÃO FAKE NEWS


Leandro.

CANDIDATO MANDA AVISAR QUE SÓ ACEITA DEBATER SE FOR COM ELE MESMO


Thiago.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

UM POUCO DE HISTÓRIA: FASCISMO? A HISTÓRIA MOSTRA


A História mostra, a História já viu 
Por Fernando Horta
O fascismo não começou com italianos carecas e alemães teatrais, em uniformes militares, matando gente em campos de concentração. O fascismo surge da junção de uma história de racismo, exclusão e sentimento de superioridade na Europa – que já no século XIX explicava a “superioridade do homem europeu” frente aos africanos, asiáticos e americanos – com uma imensa crise econômica. A questão não era a “segurança pública”, ou “a corrupção” ... a questão era, sempre foi e sempre será o conflito distributivo.
Quando existem dez pães para serem divididos entre cinco pessoas, o sentimento de união, de ajuda ao próximo, de inclusão atinge até mesmo as classes mais altas. Quando sobram apenas cinco pães surge o discurso da “austeridade”. Com três pães para cinco pessoas, aparece o fascismo. É preciso dizer que daquelas cinco pessoas, duas ou três não têm direito ao pão. E isto é feito por meio de argumentos excludentes. A raça, a religião ou a preferência sexual é usada como forma de interditar os direitos do outro. Em sociedades homogêneas (raça e religião semelhantes) se usam as questões ideológicas. O “medo do comunismo”, a cor da bandeira, tudo é motivo para dizer que determinadas pessoas não têm direitos.
Nos anos 20 e 30, duas crises internacionais colocaram o conflito distributivo no centro das discussões políticas: crise resultante direta da primeira guerra e a crise de 1929. A organização coletiva da sociedade soviética não só permitiu que esta sociedade passasse pela primeira crise muito rápido, como também sequer sentisse a segunda. O sistema socialista acabou por criar um poderoso modelo de atração para as pessoas que sofriam os efeitos da guerra ao redor do mundo. Mais do que a URSS, era preciso acabar com o modelo, acabar com a ideia de que uma outra sociedade era possível, com outros padrões e outros valores. Neste sentido, quando o fascismo surge, as classes altas, em todos os lugares do mundo, acharam não apenas um projeto político capaz de conter a mudança social, como efetivamente acabar com a esperança de uma outra sociedade em bases diferentes.
Trotsky chegou a pedir uma união ampla contra o fascismo, Stalin ofereceu tropas soviéticas para entrarem em guerra imediata contra os nazistas quando Hitler anexou os Sudetos e, depois, a Tchecoslováquia, em 1938.
Onde estavam os liberais e conservadores europeus?
Estavam encalacrados dentro da “política do apaziguamento”. Havia um misto de aversão a uma nova guerra, o erro de cálculo sobre onde poderia ir o fascismo, e negociações secretas entre Hitler e altos elementos (como príncipes e políticos) em toda a Europa por apoio mútuo. O conflito distributivo aqui joga papel exemplar. O medo do “comunismo”, que viria supostamente para “repartir as riquezas” de um povo que, a bem da verdade, não tinha mais riqueza, precisa ser compreendido. O medo não era, portanto, de quem não tinha nada perder o nada que tinha, mas das elites que estavam acumulando riquezas com uma nova sociedade que vinha se organizando na Rússia e arredores.
As elites (sejam políticas ou econômicas) viram em Hitler um sujeito inepto, incapaz, com discurso de ódio, capacidade de mobilização de outros assassinos e tremendamente burro. Logo, pensaram que seria um bom capataz para acabar com socialistas e comunistas, mesmo que fosse com crimes e violência. O padrão de votação das eleições alemãs do entre guerras mostra que é quando o conflito distributivo se mostra mais violento (após a crise de 1929) que o fascismo realmente cresce. Até mesmo organizações judaicas defendiam o voto em Hitler como forma de barrar o crescimento da esquerda.
O que se viu foi uma disputa interna nas esquerdas (eivadas de desconfiança umas com as outras) e um apoio real (travestido de neutralidade) de liberais e conservadores. A Hitler seria permitido o tempo de governo suficiente para acabar com as esquerdas e, em seguida (pensavam eles), o poder do capital financeiro e industrial voltaria com o terreno limpo. Os custos políticos das matanças e violências seriam todos de Hitler e seus nazistas. O liberalismo retornaria triunfante. A vitória seria completa.
O que efetivamente aconteceu é que o nazi-fascismo se entranhou nas instituições e interditou o jogo democrático-republicano. Diferente do que se pensou, o fascismo não permitiu que as engrenagens de controle estatal sobre ele funcionassem. O Direito se tornou fascista, trabalhando com noções de superioridade dos direitos do Estado sobre o indivíduo e a criação de crimes contra a “nação”, que abarcavam efetivamente tudo e qualquer coisa que o juiz dissesse que seria. O parlamento foi incendiado e atacado, retirando a legitimidade de qualquer um que tivesse sido eleito, já que a política era entendida como a fonte de todos os males. E mesmo no Exército e nas polícias, os indivíduos críticos a Hitler foram mortos em ações rápidas e organizadas, com a desculpa de “matar traidores da pátria”. Tudo isto ocorrendo com o júbilo e felicidade coletiva do povo, que aplaudia, participava, incentivava e se tornava a cada momento mais bestial e sem limites.
Hoje, a História mostra que mesmo dentro dos nazistas alguns se espantavam com a violência e crueldade das massas. Tendo relatos de líderes nazistas amedrontados com a proporção que as coisas tomavam. As explicações do fenômeno do fascismo que se centravam apenas nos líderes (e os colocavam como gênios ou como o mal encarnado) caíram por terra. O que realmente aconteceu foi uma promessa não escrita entre as lideranças e o povo. A promessa da partilha da violência e da crueldade. A “banalização do mal”, nos termos de Hannah Arendt, era parte do pacto. O nazifascismo permitiria que cada frustrado autoritário liberasse seu ódio nas minorias, legitimando esta violência, enquanto estes grupos de enjeitados sociais e violentos apoiassem, de forma total, o regime.
A promessa de compartilhamento da violência, da selvageria e da crueldade é o que torna o nazi-fascismo um movimento de massa. Nossa sociedade tem monstros demais escondidos dentro dos seus armários. O fascismo os liberta, empodera, dá sentido e os usa politicamente.
Quatro líderes mundiais venceram o fascismo interno em seus países: Roosevelt, Churchill, Stalin e Getúlio Vargas. Nenhum deles sem o uso da violência e do aparato de Estado. Roosevelt pressionou a suprema corte para declarar o partido nazista norte-americano ilegal. Suprema corte que estava “neutra” em função da liberdade de expressão constitucional. Churchill conseguiu convencer o parlamento de que a Inglaterra não poderia se submeter aos interesses de uma potência estrangeira e que o nazismo era essencialmente contra o modo britânico de conceber o mundo. Ainda assim, somente após a Batalha de Cable Street que o movimento nazi-fascista britânico perdeu força. Stalin usou toda a retórica de Hitler para mostrar que a URSS era o alvo central e passou a atacar (muitas vezes sem razão) qualquer dissidência interna no país, denunciando-a como organizada para “enfraquecer” a União Soviética. Getúlio Vargas, após ter recebido dos Integralistas brasileiros (o nome do fascismo daqui) apoio contra o Partido Comunista em 1935, decretou a ilegalidade do Partido fascista em 1938, usando as forças de Estado para desbaratar a semente do mal nas terras tropicais.
No momento atual, tivemos duas crises econômicas profundas a fomentar o conflito distributivo: 2008 e 2010. As elites se reuniram contra os projetos de igualdade social e instilaram, novamente, o “medo do comunismo”. Entenderam o fascismo brasileiro como “tolerável” e uma força importante para vencer o “PT”. Empoderaram um líder burro, inepto e incapaz, com um discurso de ódio e capacidade de mobilização de assassinos e pensam poder controla-lo. Liberais e conservadores, neste momento, já perderam toda e qualquer capacidade eleitoral e a violência política já explode nas ruas brasileiras. A promessa ou o pacto fascista já está vigorando. As esquerdas continuam sem se unir e a “neutralidade” parece, a quem não conhece a História, ser a palavra da moda.
Estão todos encenando uma peça já apresentada. Uma peça que termina com perseguições, massacres, violência e guerra. Um teatro que, de tão ridículo, parece não oferecer perigo, mas que, até por isto mesmo, se torna perigoso.
Estão todos brincando com fogo. Uns porque lhes prometeram que vão poder queimar e outros porque acreditam que poderão controlar os incendiários. O fascismo é como o fogo, começa com pequenas fagulhas e logo não pode ser contido. Na Alemanha as demonstrações das “Marchas das Tochas” eram eloquentes avisos. Eram ameaças simbólicas que não foram ouvidas.
No Brasil acontece exatamente o mesmo.
Nos ouçam, por favor, antes que seja tarde demais.  -  (Aqui).
....

(Fernando Horta: Professor desde 1996, tendo atuado em todos os níveis, desde pré escola até universidade. Formado em história pela UFRGS com mestrado em História das Relações Internacionais pela UnB. Doutorando em História das Relações Internacionais na UnB).

CLIMA POLÍTICO


Lute.

O FIASCO DO COMBATE ÀS FAKE NEWS


Clique AQUI para ver, em manchetes jornalísticas alinhadas cronologicamente, os passos percorridos por Luiz Fux, ministro do STF e ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, quando de seu prometido combate sem trégua às Fake News, missão que se revelou monumental fiasco.

O 'roteiro trágico' de Luiz Fux, que chegou a dizer que "eleições podem até ser anuladas por causa de 'Fake News'", suscitou o seguinte comentário:

"Acho que ele disse isso aí pensando que as fake news seriam produzidas pelo PT. Mas, como os crimes, inúmeros, variados e comprovados facilmente, são feitos pelo outro time aí ele se tornou inoperante. Ou seja, gol de mão feito pelo "nosso time" é legal e válido. Mas se toda essa enxurrada de fake tivesse sido feita pelo PT ai sim a ira santa do tal juiz iria se manifestar de forma "heroica", vinda dos céus com raios, trovões e muita tempestade."

Como diria o pessoal d'O Pasquim, de priscas eras, o leitor Laure captou bem o espírito da coisa. 
....

"Fire on Fake!"  -  Aqui.

OLHO NO VÍDEO


Olho no Vídeo


.Diário das eleições:
Por Alex Solnik ........................ AQUI.


(Em três minutos, uma 'aula' sobre as Fake News, as campeãs da eleição 2018).

FIRE ON FAKE!

                                                        FOGO!
Arcadio Esquivel. (Costa Rica).
....
.Na presente campanha eleitoral, nada conseguiu maior protagonismo do que as Fake News. Cabe lembrar que antes mesmo das eleições já se sabia disso, a ponto de o notabilíssimo ministro Luiz Fux, então presidente do TSE, haver prometido coibir sua 'ação perniciosa'. Deu no que deu. Ou melhor: deu no que está dando: um rematado fiasco (aqui). Segundo consta, são dezenas de produtores de fake news localizados nos Estados Unidos e Europa (fora, portanto, da jurisdição brasileira), enquanto no Brasil, ironicamente, até ministro do Tribunal Superior Eleitoral, em vez de combater as notícias falsas, prega a 'defesa da liberdade de expressão' dos tais produtores e dos que se aproveitam de suas invenções. 

.Coroando tudo, resta ver a propaganda eleitoral do candidato Bolsonaro - visivelmente o mais beneficiado pelas armações noticiosas - sustentar que promove o 'combate às fake news!'.

.A propósito, somente ontem, 15, o TSE (ministro Carlos Horbach) mandou tirar do ar vídeos fake news de Bolsonaro contra 'kit gay' (AQUI). Adotar tal providência somente agora, a doze dias da eleição presidencial, dificilmente reparará o estrago produzido ao longo de meses de 'denúncias' lançadas em praça pública pelo candidato Bolsonaro, notadamente entre os religiosos. Vergonha mundial.

(Nota: AQUI: Eleições 2018, as eleições das fake news).

NÃO É UMA PARTIDA DE FUTEBOL


Não é uma Partida de Futebol 

Por Jean Pierre Chauvin

Desde 2013, quando o lema "não é pelos vinte centavos" iluminou o prédio da FIESP e embalou pseudonacionalistas travestidos com as camisetas da CBF, lido com gente supostamente esclarecida a repetir o chavão de que "política, religião e futebol não se discutem". 

Nada mais raso e falso.

Provavelmente não convenha questionar a fé de ninguém; mas podemos (e devemos) colocar tudo o que pudermos em questão. Afinal, repensar o rumo das coisas é o que nos distancia do sujeito dogmático e dos patriotas de ocasião, que costumam confundir a camiseta da seleção ou a bandeira do Brasil-Império com seu suposto maior sentimento de pertencimento a esta terra "deles", mas de quase ninguém.

O último a me dizer algo parecido foi um parente que, apesar de torturado duas vezes nos porões do DOPS (unidade Tutoia), defendia a ala dos tucanos e destilava antipetismo, supondo que o partido fosse pior que todos os outros por reunir figuras ideologicamente "equivocadas" e de baixo estrato social.
Como muitos aficionados de incertos veículos da mídia mais conservadora, ele repetia bordões sobre sindicalismo e corrupção, atribuindo a uma legenda todos os males de natureza moral enfrentados pelos brasileiros.
Disse a ele em 2014, e aqui repito: Futebol, Religião e Política não têm o mesmo estatuto, nem estão no mesmo baixo nível. Quatro anos de fascismo não cabem em 90 minutos. Contrapor-se ao discurso intimidador, violento e hipócrita não é uma cobrança de pênalti.
Não se confunda o povo brasileiro com pagante(s) de ingresso; nem se divida o país como se se tratasse de estádio, em setores da arquibancada; não finjamos cegar para o fato de que o extremismo tem nome e sobrenome.
Não se trata de uma partida de futebol. Não há motivo para comentar, às gargalhadas, as pataquadas de um candidato, cuja torcida tem se especializado em espancar pessoas, riscá-las à faca ou inscrever a suástica em muros, escolas, igrejas ou sinagogas.
Discutir política não é passatempo a justificar programas protagonizados por "especialistas" e "craques", que mal sabem articular argumentos para além do senso comum e o merchandising escancarado.
Isso não é uma partida de futebol. Mas se assim desejam tratar o embate entre fascismo e democracia, recorro aos elementos do jogo. A única forma de garantir que o campeonato continue é assegurar o embate limpo, dentro das linhas do campo. Fora dele, sabemos o que a torcida é capaz de fazer em nome da "ordem", da "moral" que esmurra e do "nacionalismo" entreguista.  -  (Aqui).

................
De fato, isso não é uma partida de futebol. Mas é bem mais complexo do que o articulista sugere...

RESUMO DA ÓPERA


Leonardo.

TEMPO DE TRANSPARÊNCIA


Paul Noth. (EUA).
(The New Yorker Magazine).

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

QUE MURO É ESSE?

Ditador? Que nada! As diretrizes estabelecidas por Steve Bannon já se encarregaram de adocicar a imagem do personagem central, porém ressaltando a firmeza, que é disso que o País precisa. E quanto às demais áreas vitais, como a econômica? Ah, é pra isso que contamos com equipe qualificada, com a qual compartilharemos as ações. Compartilhar, sim, é democrático; afinal, como já observado, por aqui não prospera esse negócio de ditador.
(Chaplin em O Grande Ditador)
Que muro é esse? 
Por Douglas Portari
Brasil, 2019. Um cinema reapresenta O Grande Ditador. Pouco após o início da primeira sessão, um alvoroço. Alguns clientes deixam a sala de exibição, espumando pelos cantos da boca. “Não vim ao cinema pra ouvir discurso político. Não importa se é sobre A ou B, se é sobre Churchill ou Hitler. Quem ele pensa que é? Chaplin não sabe nada sobre a Alemanha, não viveu lá. Eu vim aqui pra ver torta na cara, escorregão, porta no nariz! Absurdo, absurdo!!”  
Absurdo, de fato. E, contudo, aconteceu. Não em 2019, não com Chaplin, mas aqui no Brasil. Centenas de homens de bem atacados em seus brios, ofendidos em suas crenças, abandonando a primeira apresentação, no início de outubro, em São Paulo, de uma turnê do músico inglês Roger Waters, fundador e ex-membro do Pink Floyd. Só um roqueiro. Assim como Chaplin foi só um comediante. Só mais um não-acontecimento para explosão de memes e piadas.
Mas ao final dos risos, o travo amargo. Como podem nossas classes média e alta ser tão chucras? Talvez seja um segredo pra elas os ativismos de Roger Waters – pró-Palestina, antiapartheid, antibelicista, etc. Talvez considerem isso apenas um verniz, uma cor pra impulsionar a marca, como estão acostumadas a ver em muitas celebridades por aí (e por aqui). Mas ignorar um trabalho semi-autobiográfico que ataca autoritarismos de toda raça e fascismos de toda cor? Que muro é esse?
Façamos um exercício de data-idiossincrasia (garantia de 100% 'metodologia free'): olhem pras suas famílias. Quem não conhece o engenheiro, o médico, o administrador de empresas, aquele sujeito que possui um conhecimento técnico qualquer, mas nenhuma formação humanística? Mais que um conservadorismo atávico e um analfabetismo político crasso, há um descolamento da realidade, um completo desprezo por causa e efeito, por implicações de contexto social e histórico.
Ele arrota superioridade e tem horror a qualquer coisa que soe popular. Mas não abre um livro, não sabe o endereço de um museu (a não ser, claro, que for protestar por deus, família e propriedade). As exceções são o best-seller que a semanal manda comprar e o chefe está lendo e as exposições famosas que vieram do exterior. Ou seja, o cânone. Há que ter sido chancelado, avaliado, rotulado pelo establishment e/ou manada da vez. É a turba que Banksy ridiculariza.
Em 1922, teria ojeriza a Mário de Andrade, Anita Malfatti e companhia; nos anos 1930, cuspiria em Picasso como um exemplo de arte degenerada; nos anos 1960, estaria segurando o cabo da tesoura que retalhava as músicas de um tal Julinho da Adelaide. Alguns, hoje, até ouvem um pagode, um sambinha, mas criticam o “vazio e a vulgaridade” do funk – lembre-se, ele não foi aceito ainda. A maioria, porém, se considera acima disso por levar um U2 no fone de ouvido.
E, veja bem, é dono de um inglês precário (já ouvi juiz com inglês de 6ª série). Ou, como o show do Roger Waters provou, até mesmo aquele que o treina fim de semana sim outro não, em Miami, não possui a mínima capacidade de interpretação de texto, compreensão de entrelinhas e, de novo, contexto histórico. Winonino edukeyshon ou We don't need no education, não importa. O sentido da frase lhe escapa. Faltam História, Filosofia, Arte nos colégios particulares?
Entendo a fúria dos homens de bem. Quem, nos tempos que correm, não quer duas horas de escapismo? Mas buscar papinha mental na obra de um artista que critica, entre outras opressões, o nazismo? Como não veem ligação entre isso e um candidato que prega persecução de adversários e minorias e menospreza a democracia? Repito: mais que conservadorismo atávico e analfabetismo político crasso, isso é de uma estupidez abissal.
Mas se o que querem é um fast food cultural, pra glória e regozijo de suas suscetibilidades, há muito comediante e músico neocon no Brasil hoje. Charles Chaplin, realmente, não tinha nada que se meter a falar de política. Roger Waters muito menos. Tiveram seus cinco minutos de fama, caminham agora para o ostracismo. Por trás de seus muros, nossas classes média e alta ainda têm os Beatles. Ouvi dizer que All You Need is Love é uma defesa intransigente do estado mínimo...  -  (Fonte: Aqui).