segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

JERUSALÉM, TRUMP E O MUNDO ÁRABE


Decisão de Trump sobre Jerusalém pode unir todo o mundo árabe contra os EUA

Por Patrick Cockburn

13/10/2016: "UNESCO declara Israel 'potência ocupante' em Jerusalém" - Washington Time
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O presidente Trump e o governo de Israel com certeza previram, mas subestimaram, o "dia de fúria" palestina, com protestos de muçulmanos em todos os cantos do mundo, na sequência do 'reconhecimento' de Jerusalém, pelos EUA, como "capital de Israel" e planos de transferir para lá a embaixada dos EUA. Com certeza entendem que a fúria logo se dissipará, porque aliados dos EUA, como os governantes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito se darão por satisfeitos com breves protestos formais, e os palestinos são fracos demais para qualquer coisa além de manifestações que nada mudam.
EUA e Israel podem ter errado gravemente nessas avaliações: quando vivi em Jerusalém aprendi que muitos eventos dramáticos em Israel, como tiroteios e bombas, quase sempre têm repercussão interna muito menor do que o mundo externo poderia esperar. Mas qualquer coisa, seja o que for, que envolva diretamente Jerusalém, e sobretudo os lugares santos dos muçulmanos que lá estão, sempre tem impacto muito maior do que alguém que viva longe de lá possa imaginar.
A consequência imediata da ação de Trump é que os EUA se tornam ainda mais fracos, porque tomaram mais uma iniciativa que absolutamente todo o mundo desaprova. Uma superpotência no auge do próprio poder poderia talvez insistir nesse movimento. Mas não os EUA de hoje, politicamente divididos, cuja influência está em maré vazante na sequência dos fracassos militares no Iraque e no Afeganistão [e na Síria! (NTs)]. O movimento de Trump é tão obviamente contrário aos interesses da política externa dos EUA que acabará por convencer outros líderes mundiais de que Trump é aliado impossível.
Mas o movimento pode ter também outras consequências perigosas. Há um mito segundo o qual a luta israelenses-palestinos seria questão distante das preocupações de Osama bin Laden ou que não tenha tido qualquer influência na ascensão da al-Qaeda. Verdade é que os discursos e escritos de bin Laden estão cheios de referências aos palestinos – e suas primeiras manifestações públicas, nos anos 1980s, foram conclamações para que os árabes boicotassem produtos norte-americanos, por causa do apoio dos EUA a Israel.
A conexão entre a questão palestina e o 11/9 foi sempre diminuída e apagada à época, especialmente nos veículos e think-tanks a serviço dos neoconservadores que garantiam que os EUA poderiam ignorar a questão e manter política de agressão ao Iraque, sem que isso comprometesse a segurança do país. É verdade que o 11/9 prejudicou os palestinos, porque foram marginalizados quando EUA e aliados iniciaram uma sequência de guerras durante as quais a causa palestina praticamente sumiu da pauta 'ocidental' de notícias.
Mas com as guerras no Iraque e na Síria chegando ao fim, o foco volta a recair sobre israelenses e palestinos. O 'Estado Islâmico' (ISIS) e a al-Qaeda foram derrotados nos seus esforços para derrubar governos e 'mudar o regime' em Bagdá e Damasco. Se aqueles grupos pretendem sobreviver e angariar apoios no mundo muçulmano, terão de definir um novo inimigo. Por destroçados que talvez estejam, com certeza aqueles grupos têm hoje muito mais recursos e ativistas do que bin Laden tinha à época do 11/9. A declaração de Trump sobre Jerusalém joga uma boia salva-vidas aos movimentos tipo al-Qaeda, bem quando tentam sobreviver à mais completa derrota.
Trump herdou de Obama a guerra para eliminar o autoproclamado "Califato", e deu-lhe andamento sem qualquer mudança. Muitas decisões sobre o conflito foram tomadas, sem dúvida, pelo Pentágono, não pela Casa Branca. Até agora, a maior modificação na política dos EUA na região foi o esforço para pôr fim à détente de Obama com o Irã, substituindo-a por esforço na direção oposta, para construir uma coalizão anti-Irã. Agora, isso também se torna trabalho ainda mais difícil.
Em outubro, Trump rejeitou o acordo nuclear com o Irã, demonizando os iranianos como se fossem fonte e causa de toda a instabilidade na região. Trump e seu governo tendem a misturar iranianos e xiitas, mais ou menos como fazem a Arábia Saudita e os monarcas sunitas do Golfo. O Conselheiro de Segurança Nacional de Trump, H R McMaster disse no final de outubro que "o mais importante, não só para os EUA, mas para todas as nações, é enfrentar os flagelos que são o Hezbollah, os iranianos e o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica."
Ainda não se pode ver com clareza até onde essa retórica beligerante será efetivamente convertida em ação militar. Se Trump quer confrontar o Irã e o eixo de estados e organizações paramilitares que o Irã lidera, então chegou tarde demais. O lado xiita iraniano já venceu a guerra na Síria e no Iraque contra uma resistência predominantemente sunita, que era apoiada por Arábia Saudita, Qatar e Turquia. O papel do Hezbollah e o grupo paramilitar xiita Hashd al-Shaabi será naturalmente reduzido, porque já não há guerra a combater e os governos centrais em Bagdá e Damasco vão-se tornando mais fortes.
O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel tornará ainda mais fácil para Teerã conclamar todos os muçulmanos, xiitas e sunitas, a defenderem juntos o povo palestino e os lugares santos na Palestina. E tornará ainda mais difícil, se não impossível, para a Arábia Saudita e aliados no Golfo agir ao lado dos EUA, aproximarem-se de Israel e pintarem o Irã como se fosse a principal ameaça na região.
Há uma consequência ainda mais ampla, dessa mudança na política dos EUA: há cerca de 1,5 bilhão de muçulmanos no mundo que são maioria em cerca de 50 estados e constituem 22% da população do mundo. Nenhum deles aprovará o mais recente movimento de Trump. A população de muitos daqueles países, inclusive alguns dos maiores como a Turquia (80 milhões) e o Paquistão (193 milhões), já era muito fortemente anti-norte-americana, mesmo antes de Trump ser eleito. Em 2012, pesquisas mostraram que 74% dos paquistaneses consideravam os EUA como país inimigo. E esse número, já muito alto, é ainda maior na Turquia, onde 82% dos turcos disseram, nesse verão, que têm impressão desfavorável dos EUA. Divididos em praticamente todas as questões, os turcos estão unidos contra os EUA, o que tornará ainda mais difícil qualquer movimento dos EUA contra o Irã.
O presidente Putin deve visitar Istanbul na 2ª-feira, para falar com o presidente Erdogan sobre Jerusalém e Síria, sinal de que pode ser muito difícil separar a questão da capital 'reconhecida' por Trump, de Israel, e os demais conflitos.
Todos esses importantes desenvolvimentos estão em curso, mas nada mudou de fato em campo: Israel já tratava Jerusalém como sua capital, e o chamado processo de paz com os palestinos está há anos em estado de total confusão. Os EUA já não podem sequer fingir que seriam mediador equilibrado, o que, na verdade e sobretudo, jamais foram.
Ao 'reconhecer' Jerusalém como capital de Israel, Trump e Israel podem ter quebrado uma regra política que ensina que não é recomendável mexer em situações de fato que outros já tenham acabado por aceitar, mesmo que informalmente. É movimento que pode ter consequências desastrosas inesperadas. Bom exemplo disso se viu há menos de três meses, quando o presidente Masoud Barzani promoveu um referendum que declarou a independência formal do Curdistão Iraquiano, apesar de os curdos iraquianos já viverem em situação de fato bem próxima da independência desde 2003. Os governos do Iraque, da Turquia e do Irã, que durante anos aceitavam a situação anterior, reagiram furiosamente; e em três semanas os curdos perderam o controle sobre Kirkuk e grande parte de seu território. É provável que o presidente Trump e Israel logo descubram que apostaram mais alto do que recomendava a prudência e terão de pagar preço mais alto do que esperavam ao formalizar o controle israelense sobre Jerusalém.  -  (Aqui).
(Nota dos tradutores: Tradução de trabalho, para finalidades didáticas, sem valor comercial [NTs]. Epígrafe acrescentada pelos tradutores).

O FATOR TRUMP


Leo Villanova. 

domingo, 10 de dezembro de 2017

CHINESE CARTOON: TIO SAM RUMA PARA JERUSALÉM

(Cartum adaptado por este blog).

Luo Jie. (China).

DE COMO PHILIP MARLOWE VOLTOU À AÇÃO (II)

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Para ler o Capítulo 1, clique AQUI.
Sebastião Nunes, autor da série, é natural de Bocaiuva, MG, escritor, editor, artista gráfico e poeta. É também titular de um blog no Portal Luis Nassif OnLine.


O país dos canalhas - Capítulo 2 - Antecedentes do grande assalto

Por Sebastião Nunes

Cheguei ao Brasil no princípio de 2017 como os pioneiros do Velho Oeste, os garimpeiros do Alaska, os desesperados de Serra Pelada, os construtores de Brasília e os políticos do PMDB: disposto a tudo para ficar rico no menor tempo possível. Autorizado por Raymond Chandler, chutei a ética para escanteio, pois os tempos eram outros e no país funcionava a lei do cada um por si, tipo urubu em carniça.
Eu sabia que havia filões inesgotáveis em todas as esferas do poder. Bastava cavucar um pouco e jorrava grana viva como petróleo em quintal da Califórnia. Instalei meu escritório em Brasília, botei na porta a plaquinha “Philip Marlowe – Detetive Particular – Investigações Sigilosas” e sentei para esperar. O quarteto que apareceu no capítulo anterior foram os primeiros clientes. E prometiam dar muito caldo.
Ah, sim. Antes de instalar o escritório passei um mês lendo, vendo e ouvindo tudo o que pude sobre quem era quem nas esferas pública e privada. Passei a pente fino políticos, magistrados e empresários. Muito produtivo. Mas foi um trabalho do cão.

VERIFICANDO OS CLIENTES
Logo que as visitas chegaram não duvidei sequer por um segundo de que eram realmente Ednardo Cunha, Sérgio Cobreiro, Joseph Serrote e Amnércio Naves. Os dois últimos transitavam o tempo todo entre São Paulo, Rio e Brasília. Os dois primeiros deveriam estar presos, mas era um problema menor: um milhão de reais bem aplicados resolvia a questão. 100 mil aqui, 200 ali, 150 acolá – e armava-se uma rede que ia desde sósias perfeitos até entradas e saídas na prisão a qualquer hora.
Resolvido o quesito da identificação, restava o da remuneração, pois eu não era louco para trabalhar de graça. Não para aquela quadrilha.

PEQUENOS DETALHES
– Tudo bem – disse eu. – Posso providenciar os álibis de que precisam. Só não entendo porque Cunha e Cobreiro precisam de álibis, se teoricamente estão presos.
– Ora, Marlowe, não seja ingênuo – disse Serrote. – Precisamos de um álibi que nos coloque, aos quatro, fora do foco da polícia federal. Um álibi que demonstre de modo inquestionável que estávamos, digamos, numa reunião em Florianópolis a portas fechadas e durante pelo menos 72 horas. Gaste o que for preciso e inclua nas despesas.
– Não seria mais fácil desligar o foco da polícia federal?
– Não, não seria – continuou Serrote. – Não queremos misturar as coisas. Nosso território vai do legislativo ao executivo e ao judiciário. Fora daí, só podemos contar, sem prejuízos medonhos, com a mídia. Mesmo na área empresarial escolhemos a dedo nossos parceiros. Você viu a confusão que tá rolando, não viu? Não queremos mais denúncia batendo em nossa porta como evangélico em casa de pobre.
– Muito bem. Vamos supor que eu consiga os quatro álibis – ponderei. – Mas quem descasca o pepino dos dois que teoricamente estão presos?
– Com habeas corpus do STF – esclareceu o sempre bem informado Joseph Serrote. – Três dias antes do assalto você providenciará os habeas corpus e poderemos nos reunir em qualquer lugar.
– Mesmo monitorados por tornozeleiras eletrônicas? – indaguei reticente.
– Que tornozeleiras que nada – respondeu Serrote. – Os habeas corpus deverão ser amplos, gerais e irrestritos. Para não dar na vista, Cunha e Cobreiro terão confiscados os passaportes, ficando proibidos de deixar o país.
– Ah, ah, ah – riu Cobreiro. – E quem deixaria o país, se nossas minas de ouro estão bem aqui, debaixo de nossos narizes compridos? Amnércio que o diga.
Ri também.
Marquei nova reunião para detalhar o pagamento dos honorários, das despesas e combinar os passos seguintes. O que eu precisava mesmo era de tempo para pensar.
Acompanhei os quatro até a saída, tranquei a porta, abri a gaveta de baixo, tirei a garrafa de scotch e me servi uma dose caprichada. Para turvar a consciência, caso fosse necessário, deixei a garrafa à mão e botei as pernas em cima da mesa. Só faltavam as esporas de xerife e o chapelão para eu me sentir personagem de faroeste.

REFLEXÕES MIÚDAS
Por que diabo o sacana do Raymond Chandler me envolvera em tal merda? Se o objetivo era me tirar de circulação, bastava escrever um conto em que um gangster de Hollywood me desencarnava – e pronto. Mas me acanalhar, envolvido em tramoias com a barra pesada de Brasília, era demais.
Foi uma reflexão que me salvou. Uma reflexão do sr. Harlan Potter, personagem de Chandler em “O longo adeus”:
“Nós vivemos no que se chama uma democracia, governada pela maioria do povo. É um ideal muito bonito, pena que não funciona. As pessoas elegem, mas é o partido que nomeia, e as máquinas partidárias, para serem eficientes, recebendo propina e corrompendo, precisam de muito dinheiro. Alguém tem que entrar com esse dinheiro e esse alguém, indivíduo ou grupo financeiro, industrial ou qualquer outra coisa espera algum tipo de benefício graúdo em troca. (...) Em grande quantidade, o dinheiro tende a ganhar uma espécie de vida própria, até mesmo uma autoconsciência, se posso dizer assim. O poder do dinheiro fica muito difícil de controlar. O homem sempre foi um animal à venda. (...) O homem comum está cansado e assustado, e um homem cansado e assustado não pode se dar ao luxo de ter ideais.”
Espero que o leitor tenha compreendido meu drama. Infelizmente nada posso fazer. O Brasil é assim e eu sou um homem comum, cansado e assustado. Parodiando um poeta brasileiro que acabei de ler, vai, Marlowe, vai ser canalha na vida!
No país dos canalhas, um a mais não fará diferença alguma, ainda que ele se chame Philip Marlowe, um cara de conduta exemplar até aqui. Mas, como dizia Sancho Pança, quem anda com porcos acaba comendo farelo.  -  (Fonte: aqui).
(Continua).

DOMINGO É DIA DE ANÉSIA


Will Leite.

A ESPERANÇA PERMANECE

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O Jornal GGN, fonte desta postagem, informa haver colhido na internet a ilustração abaixo, que realça a excelente crônica de Carlos Motta. Só que, como é usual, a internet omitiu o crédito (a indicação da autoria do trabalho), detalhe que passou despercebido ao GGN. Alertado pela autora - Camila Camargo -, a omissão foi reparada pelo portal. O registro é válido. É comum a omissão, país afora, da autoria de obras reproduzidas. Ilustradores e cartunistas que o digam. Este modesto blog sempre seguiu contra a corrente, indicando o autor. No mais, palmas para as artes gráficas!
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Para reforçar o porquê da crônica a seguir, clique AQUI para ler "A invasão da UFMG / Invasão da UFMG foi retaliação a evento da morte do reitor da UFSC".

Arte: Camila Camargo.

A esperança permanece, equilibrista

Por Carlos Motta

Há músicas e músicas.
Há músicas que de tanto tocar no rádio acabam esquecidas: doces demais, enjoam. 
Há músicas que permanecem na memória coletiva porque representam um sentimento, uma época, um ideal.
É o caso de "Disparada", de Geraldo Vandré e Théo de Barros, vencedora do Festival da Música Popular Brasileira da TV Record, no ano de 1966, junto com "A Banda", de Chico Buarque, e de "Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores", do mesmo Vandré, que ficou em segundo lugar no Festival Internacional da Canção de 1968, promovido pela Rede Globo de Televisão.
As duas são exemplos claríssimos de que a arte pode ser uma manifestação política de alto teor explosivo.
"Disparada" e "Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores" são ouvidas e cantadas até hoje com a mesma carga emocional da época em que foram lançadas - uma época triste que viveu o Brasil, mergulhado nas trevas de uma ditadura.
As duas alcançaram status de hino contra a opressão, as injustiças, e de amor à liberdade.
"Mas o mundo foi rodando/Nas patas do meu cavalo/E nos sonhos/Que fui sonhando/As visões se clareando/As visões se clareando/Até que um dia acordei/Então não pude seguir/Valente em lugar tenente/E dono de gado e gente/Porque gado a gente marca/Tange, ferra, engorda e mata/Mas com gente é diferente" - diz a letra de "Disparada".
"Vem, vamos embora, que esperar não é saber/Quem sabe faz a hora, não espera acontecer" - clama o refrão de "Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores".
Outra canção, uma década depois dessas duas obras-primas de Vandré, também foi alçada à condição de hino, dessa feita em favor da anistia a quem bravamente combateu a ditadura e foi por ela perseguido e punido - "O Bêbado e a Equilibrista", de João Bosco e Aldir Blanc, uma das duplas mais afinadas e importantes da música popular brasileira.
Clarice ainda chorava a morte de seu marido Vladimir; o irmão do Henfil vivia exilado, longe de sua terra natal; a esperança dançava na corda bamba de sombrinha e em cada passo daquela linha podia se machucar.
Milhões ouviram a mensagem que aquele samba trazia - e se emocionaram.
João cantou, Elis encantou.
"O Bêbado e a Equilibrista" permanece com a sua beleza incólume - uma beleza que não pode ser apropriada por uma malta selvagem, cuja única linguagem é a da violência da pré-civilização.
O artista João Bosco se sentiu ofendido pelo roubo da "esperança equilibrista" que ajudou a transformar o Brasil: "Essa canção foi e permanece sendo, na memória coletiva do país, um hino à liberdade e à luta pela retomada do processo democrático. Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental", escreveu em sua página no Facebook.
Seu desabafo é um importante documento de repúdio às práticas deste "Brasil Novo" e um alerta sobre os rumos que ele toma, em direção oposta à da democracia e da liberdade.
NOTA DE REPÚDIO À OPERAÇÃO "ESPERANÇA EQUILIBRISTA":
"Recebi com indignação a notícia de que a Polícia Federal conduziu coercitivamente o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Jaime Ramirez, entre outros professores dessa universidade. A ação faz parte da investigação da construção do Memorial da Anistia. Como vem se tornando regra no Brasil, além da coerção desnecessária (ao que consta, não houve pedido prévio, cuja desobediência justificasse a medida), consta ainda que os acusados e seus advogados foram impedidos de ter acesso ao próprio processo, e alguns deles nem sequer sabiam se eram levados como testemunha ou suspeitos. O conjunto dessas medidas fere os princípios elementares do devido processo legal. É uma violência à cidadania.
Isso seria motivo suficiente para minha indignação. Mas a operação da PF me toca de modo mais direto, pois foi batizada de “Esperança equilibrista”, em alusão à canção que Aldir Blanc e eu fizemos em honra a todos os que lutaram contra a ditadura brasileira. Essa canção foi e permanece sendo, na memória coletiva do país, um hino à liberdade e à luta pela retomada do processo democrático. Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental.
Resta ainda um ponto. Há indícios que me levam a ver nessas medidas violentas um ato de ataque à universidade pública. Isso, num momento em que a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, estado onde moro, definha por conta de crimes cometidos por gestores públicos, e o ensino superior gratuito sofre ataques de grandes instituições (alinhadas a uma visão mais plutocrata do que democrática). Fica aqui portanto também a minha defesa veemente da universidade pública, espaço fundamental para a promoção de igualdades na sociedade brasileira. É essa a esperança equilibrista que tem que continuar."  
-  João Bosco.

sábado, 9 de dezembro de 2017

HAICAI INSANO

Leo Villanova.
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TODA CHALAÇA
UM DIA PERDE
A GRAÇA

CARTUM ANACRÔNICO


Sid.

É HORA DE DEFENDER A UNIVERSIDADE

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Não configura ficção, escapismo, conto de carochinha ou diversionismo a opinião reiteradamente manifestada por este blog a respeito da conjuntura política brasileira. Basta dirigir um olhar crítico à realidade para concluir que a ausência de atitudes imediatadas visando a sustar/impedir flagrantes  agressões à Constituição Federal (notadamente no que concerne a seu artigo 5º) resulta no agravamento da cada vez mais preocupante realidade que se está a ver. 
Ora, ora, preservar a Constituição?! Como que antevendo o que estaria por vir, tempos atrás emitimos, ironicamente, o 'alerta' de um personagem dos 'diálogos transcendentais': "Cuidado com aquele sujeito, ele é suspeito de defender a supremacia da Constituição Federal!"


É hora de defender a universidade

Por André Singer, na Folha

Na quarta (6), três meses depois do episódio que levou o então reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ao suicídio, a Polícia Federal (PF) resolveu repetir a dose com o da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O procedimento foi o mesmo. Agentes chegam de surpresa à casa da vítima, que nunca fora intimada a depor, cedo de manhã, e a levam, sob vara, para alguma instalação policial.

O engenheiro Jaime Arturo Ramirez teve mais sorte do que o advogado catarinense Luiz Carlos Cancellier, sendo liberado após algumas horas. O segundo, submetido à humilhação de algemas, correntes nos pés, desnudamento, revista íntima, uniforme de presidiário e a cela onde teve que dormir, matou-se 15 dias mais tarde.

Ao deixar as dependências da PF, Ramirez, levado ao mesmo tempo que outros seis quadros da UFMG, fez uma declaração sucinta: "Fomos conduzidos de forma coercitiva e abusiva para um depoimento à Polícia Federal. Se tivéssemos sido intimados antes, evidentemente teríamos ido de livre e espontânea vontade". Alguém duvida?

Segundo os documentos disponíveis, o Ministério Público foi contrário à condução coercitiva. Mas a PF insistiu, e a juíza encarregada acatou a demanda, alegando "possibilitar que sejam ouvidos concomitantemente todos os investigados, (...) impedir a articulação de artifícios e a subtração de provas". Sem qualquer justificativa consistente, a direção da universidade, tal como havia ocorrido em setembro na UFSC, foi tratada como uma quadrilha de assaltantes, justificando o aparato —84 policiais— destinado a capturá-los.

Na realidade, de acordo com o reitor de uma instituição congênere, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a onda de criminalização dos campi começou no final de 2016, quando "a Polícia Federal irrompeu na UFRGS [a federal do Rio Grande do Sul], em vista de uma suspeita de fraude em um programa de extensão". Em fevereiro de 2016, a própria UFPR foi atingida: 180 agentes cumpriram vários mandados de prisão e oito conduções coercitivas. Depois veio a prisão de Cancellier, a condução de Ramirez e, para cúmulo, mais uma incursão semelhante, na quinta, de novo na UFSC.

Reparem nos nomes das operações sequenciais da PF: "Research", "PhD", "Ouvidos moucos", "Esperança equilibrista" e "Torre de Marfim". É óbvio que estamos diante de uma ação orquestrada e arbitrária, usando os mecanismos de exceção abertos pela conjuntura política, com o objetivo de desmoralizar o sistema público de ensino superior no Brasil.

Se a sociedade civil não for capaz de superar divergências e se unir na defesa da universidade, teremos perdas irreparáveis. Não só na educação como na democracia.  -  (Aqui).

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Sugestão de leitura: "Brasil 'ano domini', derrubem as universidades públicas e construam madrassas evangélicas", por Fábio de Oliveira Ribeiro - AQUI.

FECHANDO O ANO DA ESPOLIAÇÃO DESBRAGADA


Luscar.

A VOLTA DA LENHA

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Com pompa e circunstância, anuncia-se que o 'critério' para estabelecimento do preço do botijão de gás será modificado: sai a cotação dos preços internacionais, entra não se sabe ainda o quê. Mas, a essas alturas, saber ou não saber o critério que vigorava e o que passará a vigorar é irrelevante: pretendia-se impor, ao longo de seis meses, uma elevação de 70% sobre o valor do gás de cozinha, e isso foi plenamente obtido. O que restava fazer? Nada, a não ser tentar faturar a opinião pública com o esperto anúncio do descarte do 'critério'.


Sob Temer, mais pobres passaram a usar lenha no lugar do gás de cozinha

Da Agência RBS

A "política de preços" do governo Temer obrigou os "mais pobres" a trocar o forno de cozinha por um improvisado a lenha, no fundo de quintal. É o que relata a Folha desta sexta (8) após visitar três famílias em Parelheiros, na periferia paulista.

Uma pesquisa Datafolha que foi às ruas estudar o impacto dos reajustes mostrou que mais de 80% da população que ganha menos de 2 salários mínimo se diz afetada pela política de Temer.

Segundo a reportagem, Germínia Pereira, de 54 anos, tem de colher galhos velhos no quintal de casa para cozinhar para as 10 pessoas que moram com ela num terreno invadido em uma área de mananciais. Quando o botijão de gás que custa R$ 72 acabou, ela não tinha mais recursos para comprar outro.

Sidney dos Santos, de 22 anos, usava uma estrutura parecida. Só estava cozinhando no forno convencional porque 3 amigos fizeram uma vaquinha para ele comprar o gás e preparar com mais facilidade a refeição de 2 filhos, que são sustentados pelo dinheiro que ele ganha como pedreiro - R$ 34 por dia.

A situação de Karen Faria, de 29 anos, que mora com o marido e 3 filhos, não é diferente. No barraco de madeira, ela precisou abandonar o fogão e passou a usar pedaços de madeira que colhe em um ferro-velho para cozinhar.

IMPACTO NO ORÇAMENTO
Segundo o Datafolha divulgado nesta sexta (8), 67% dos brasileiros com mais de 16 anos acham que o aumento do gás de cozinha compromete muito o orçamento familiar. A maioria absoluta (86%) avalia que o preço subiu muito nos últimos seis meses.
"A percepção do aumento do preço é maior entre as famílias mais pobres, para quem o combustível tem um peso maior no orçamento", apontou a Folha.  -  (AQUI).

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

DIÁLOGO EM TEMPO DE CÓLERA

      - Mudar a embaixada americana de Telavive para Jerusalém...
      - ...Não é bom para o processo de paz!

Tom Janssen. (Holanda).

JERUSALÉM


Marian Kamensky. (Áustria).

O INSTITUTO DA CONDUÇÃO COERCITIVA

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O instituto da condução coercitiva já é 'figurinha carimbada' neste blog, de tanto martelarmos que não pode ser acionado 'de primeira', de supetão, mas somente após o cidadão, convidado a comparecer à presença da autoridade em data, local e horário determinados, deixar de atender ao convite. Nos últimos anos, porém, o dito tem ficado por não dito. E tudo vem ficando por isso, sem perspectiva de normalização do castigado, vilipendiado, deformado instituto da condução coercitiva.


Caso UFMG e UFSC: Por que te calas, Raquel?

Por Luis Nassif

Os dois principais órgãos de repressão do país, Polícia Federal e Ministério Público Federal, têm novos chefes: o delegado-geral Fernando Segóvia e a Procuradoria Geral da República Raquel Dodge.
Delegados e procuradores recorrem abusivamente a uma prática inconstitucional: a condução coercitiva.
Houve um episódio trágico com o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Luiz Carlos Cancellier. Era o momento de uma afirmação de respeito às leis e de fim desses abusos. Era o momento de se posicionarem sobre o tema e mostrarem a que vieram.
O delegado geral da Polícia Federal Fernando Segóvia cumpriu parcialmente com sua obrigação, mandando instaurar um inquérito contra a delegada Érika, mas tratando como se fosse um episódio isolado. Raquel Dodge se calou.
O inacreditável Robalinho Cavalcanti, presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), classificou as reações à morte do reitor como “exploração de uma tragédia pessoal”. Calando-se, Raquel Dodge fica do tamanho de Robalinho. Ou melhor, menor.
Como prática institucional, a condução coercitiva é uma violência, quando aplicada contra pessoas que sequer foram convidadas a depor. É humilhante, vexatória, por tratar como criminosos meras testemunhas. Só se justifica se, convidada a depor, a pessoa se recusa.
A alegação de que a condução coercitiva é melhor do que a prisão preventiva é hipócrita. Quem se vale desse argumento é mentiroso, na forma mais vil da mentira, que é contar apenas uma parte da verdade (...). A condução coercitiva está substituindo o convite para depor, sendo aplicada indiscriminadamente contra pessoas meramente convocadas a prestar esclarecimentos.
A defesa da delegada Erika Marena foi o fato do pedido de condução coercitiva ter sido avalizado por procurador  e pela juíza Janaina Cassol Machado.
Tem-se, ai, quase os ingredientes de uma organização criminosa praticando o crime de homicídio culposo – aquele que, mesmo não tendo intenção de matar, produz a morte como consequências. É o crime da pessoa que, embriagada e em alta velocidade, mata o ciclista.
Nenhuma palavra do lado da PGR; nada do lado do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Púbico); mutismo do lado da CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Agora, repete-se o abuso com a UFMG.
Os argumentos aceitos pela juíza Raquel Vasconcelos Alves de Lima são ofensivos. Segundo ela, dada a gravidade da denúncia, justificava-se a condução coercitiva de pessoas chamadas a dar explicação. Catzo! Isso é argumento da Alemanha nazista, do Brasil sob a ditadura militar.
Os crimes “gravíssimos” foram um suposto desvio de recursos na construção do Memorial da Anistia e bolsas de estudo concedidas a alunos, nada que não pudesse ser investigado administrativamente. E o “risco” foram conversas entre professores sobre uma exposição provisória, para atender ao cronograma prometido pela obra – que está parada há dois anos por falta de recursos prometidos pelo Ministério da Justiça.
No caso do reitor da UFSC, o risco às investigações foram as tentativas do reitor de ter acesso ao inquérito e o fato de uma reestruturação administrativa de caráter geral ter reduzido em um mil reais o salário do corregedor. Apenas isso. E vêm esses idiotas do penalismo argumentar que condução coercitiva é melhor do que prisão preventiva.
No episódio da UFMG, há o agravante, para a juíza, do Ministério Público Federal de Belo Horizonte não ter endossado a arbitrariedade da PF. (Nota deste blog: Clique AQUI para ler 'Juíza manobrou com a PF para decretar a condução coercitiva na invasão da UFMG').
Em ambos os casos, há um evidente desvio de função e um desperdício de dinheiro público. No caso de Santa Catarina, para uma mera convocação de testemunhas – e já se provou que o reitor nada tinha a ver com o caso – convocaram-se 120 policiais de todo o país, viajando e recebendo diárias às expensas do Tesouro. Agora, foram 85 policiais.
Aguarda-se que Raquel Dodge, Fernando Segóvia e Cármen Lúcia se pronunciem sobre os abusos em geral e definam regras que impeçam sua repetição. Não podem mais se eximir. Têm que se mostrar minimamente à altura dos cargos que ocupam.
E salve a juíza Marjôrie Cristina Freiberger, que do seu cargo de juíza substituta em Florianópolis mandou libertar os presos da Operação Ouvidos Moucos. Ela foi muito maior do que Cármen Lúcia e tantos pavões que não estão à altura dos cargos que ocupam.  -  (Fonte: aqui).

ESTAÇÃO BRASIL


Sinovaldo.

BOTIJÃO DE GÁS, O INAMOVÍVEL

Tacho.
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- O absurdo dos absurdos! O preço do botijão de gás aumentou 70%!
- É que eles, os preços, vinham variando segundo as cotações internacionais. Mas, excelente notícia: o governo informa que essa política vai ser abandonada!
- É mesmo? Qual será a próxima política, então?
- Isso ainda não sabemos.
- E o absurdo preço atual do botijão, vai continuar no que está?
- Claro! Você queria o quê? Que fosse reduzido?
- Apenas fui irônico, seu moço. Você é que quer que a gente caia nessa: fizeram o que quiseram, e agora, satisfeitos com a margem de ganho, suspendem a política, que poderá ser retomada quando bem entenderem. Enquanto isso, o consumidor que se vire, e os incautos como você que continuem aplaudindo!

UM INCÔMODO CHAMADO TACLA DURÁN


"Está recheado de ironias e perguntas desconcertantes o recurso que a defesa de Lula apresentou ao juiz Sérgio Moro, nesta quarta (6), insistindo em colher o depoimento do ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran na ação penal em que o ex-presidente é acusado de receber um imóvel para o Instituto Lula e um apartamento vizinho ao que habita, em São Bernardo do Campo (SP). 

Moro já rejeitou Tacla Duran como testemunha duas vezes. E descolou várias justificativas para isso.

Disse que não sabe onde Tacla Duran se encontra, já que está foragido na Espanha. O argumento é estranho, tendo em vista que o próprio juiz apontou o endereço com detalhes quando formulou uma ordem para que as autoridades brasileiras peçam cooperação jurídica internacional para processar o advogado em Curitiba.

Moro também disse que Duran não tem nada a acrescentar à defesa de Lula, já que não participou diretamente dos supostos fatos que fundamentam a denúncia. Se faz, no caso, de desentendido.

HOMEM-BOMBA
Tacla Duran deixou claro no depoimento à CPMI da JBS que tem potencial para minar não só a ação penal contra Lula, mas também todas as outras que foram apresentadas tendo como provas extratos do Meinl Bank e o Drousys (um sistema de comunicação que teria registro de propinas), ambos da Odebrecht. (Nota deste blog: Sobre eventual manipulação do sistema Drousys, clique AQUI).

O que o advogado explicou aos deputados, e que foi totalmente abafado pela grande mídia, é que os dois sistemas são de propriedade da Odebrecht e foram manipulados no decorrer da Lava Jato. Se o sistema foi fraudado em algumas oportunidades (ele citou especificamente a denúncia contra Michel Temer), quem garante que todas as provas não são viciadas? Ninguém. Por isso Duran declarou, com todas as letras, que tudo o que está relacionado ao Drousys está viciado e deve ser descartado.

"A partir do momento em que o sistema foi manipulado antes, durante e depois do bloqueio, as provas, no meu entender, são viciadas. Todas as provas que saem daquele sistema, a partir daí, são viciadas", disse Duran.

As falas de Duran à CPMI foram anexadas pela defesa de Lula no recurso [em anexo] apresentado a Sérgio Moro, para rebater o argumento de que o ex-advogado da Odebrecht não teria importância para o julgamento do ex-presidente.

CRIMINOSO SEMPRE TEVE CRÉDITO
Os advogados de Lula ainda rebatem outra justificativa de Moro para não ouvir Duran: a de que o advogado seria um criminoso cuja palavra não merece crédito.
Na visão de Moro, "o objetivo claro das declarações públicas de Rodrigo Tacla Duran são, como ele mesmo chegou a admitir, afastar este julgador, que decretou a sua prisão preventiva, do processo pelo qual responde, não sendo ele, no contexto e sem mínima corroboração, pessoa digna de qualquer credibilidade, com o que seu depoimento em nada contribuiria para a apuração dos fatos na presente ação penal, máxime quando, como adiantado, sequer participou dos fatos que constituem objeto da ação penal."

O juiz disse mais: "A palavra de pessoa envolvida, em cognição sumária, em graves crimes e desacompanhada de quaisquer provas de corroboração não é digna de crédito, como tem reiteradamente decidido este Juízo e as demais Cortes de Justiça, ainda que possa receber momentâneo crédito por matérias jornalísticas descuidadas e invocadas pela Defesa."

A defesa de Lula ironizou as desculpas de Moro.
"Esse Juízo mesmo tem sido frequente em afirmar que 'crimes não acontecem no céu' (sic) e que, em certas circunstâncias somente pessoas partícipes dos fatos (ou correlatos e conexos) podem esclarecer a verdade, não é mesmo?"

"Assim não fosse", continuaram, "delações e depoimentos de aspirantes a delatores, ordinariamente desacompanhados de quaisquer elementos de corroboração, teriam de ser de plano descartados, o que não se pratica (muito ao contrário) nos casos que tramitam – ou já tramitaram – perante esta douta Vara Especializada."

Além disso, apesar da Lava Jato fingir que não, ainda está em vigor no Brasil o "princípio constitucional da presunção de inocência", o que desautoriza Moro a chamar Tacla Duran de "criminoso", um vez que sua ação penal ainda está em andamento.

SELETIVIDADE
Não satisfeita, a defesa de Lula atacou a seletividade de Moro em relação à imprensa: quando o "criminoso" delata a Lava Jato, as notícias, para o juiz, são falsas; mas quando o "criminoso" delata Lula, as reportagens são até usadas na sentença.

"Cabe recordar que este juízo deu grande valor a matérias jornalísticas quando da prolação da sentença condenatória [do caso triplex], por exemplo. Agora não mais?", questionaram os advogados de Lula.

Por fim, os advogados ainda disseram que se Moro não quer dar ou não possui o endereço de Tacla Duran para uma videoconferência, a solução é simples: basta pedir para a CPMI da JBS, que ouviu o advogado por meio deste mesmo recurso, na semana passada. "Como se vê, é fácil inquiri-la..."

"QUE NÃO SE INTERDITE O CAMINHO PARA VERDADE"
Se Moro não quer autorizar uma audiência com Duran com a desculpa de que oitivas de testemunhas que moram no exterior "são custosas e demoradas", que o juiz autorize, então, a juntada aos autos do depoimento do advogado à CPMI. Foi o que pediu a defesa de Lula.

"Diante de tais declarações prestadas, envolvendo diretamente os documentos impugnados no âmbito deste procedimento incidental, como é possível se afirmar ser impertinente a oitiva do Sr. Rodrigo Tacla Duran nestes autos para a resolução do conflito? Só mesmo para quem não o quer, de modo algum!", disparou a banca.

"Em suma, o que se pede é que não se interdite o caminho para a descoberta de toda a verdade", acrescentou."




(Do jornal GGN, post intitulado "Moro se faz de desentendido e acaba desmontado pela defesa de Lula" - AQUI).
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Em tempo: PEDIDO REITERADO, PEDIDO NEGADO:

Sérgio Moro nega novamente oitiva de advogado que acusa fraude na 'lava jato'

"O juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da operação "lava jato" em Curitiba, negou novamente o pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Durán fosse ouvido como testemunha de seu caso. (...)."

(Para continuar, clique AQUI).