domingo, 22 de janeiro de 2017

A FONTE DA SUSPEITA


Mariano.

A PAUTA TRUMP


Lute.

TRUMP LANÇA O PROTECIONISMO TOTAL


Simanca.

TRUMP E SEUS DISCURSOS

Marilena Nardi. (Itália).
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Trump assume com discurso ultranacionalista: uma ameaça ao mundo

Em meio a protestos que aconteceram por toda Washington, Donald Trump, 70 anos, assumiu nesta sexta-feira (20), a presidência dos Estados Unidos da América. O discurso de posse teve como marca principal o ultranacionalismo.
Por Wevergton Brito Lima
Mas também teve uma boa dose de populismo de direita. Segundo Trump, seu país é protegido pelas armas e por Deus: “Estamos protegidos e estaremos sempre protegidos pelas forças da lei, dos militares, e o mais importante, seremos protegidos por Deus.”
E esta proteção estará a serviço de “varrer o terrorismo da face da Terra” e “recuperar a grandeza” dos Estados Unidos: “Os Estados Unidos vão começar a vencer de novo. Vamos trazer de volta nossos empregos, nossas riquezas e os nossos sonhos (…) vamos preservar nossos interesses”, afirmou.
Logo depois do discurso, a Casa Branca divulgou um comunicado oficializando a concretização de uma das promessas de campanha de Trump: a saída do Acordo de Parceria Transpacífico (TPP – tratado assinado em outubro de 2016 por 12 países que visavam criar a maior zona de livre comércio do mundo) e o anúncio da “renegociação do Nafta (tratado de livre comércio com México e Canadá)”.
“A proteção vai nos fazer fortes. Eu vou lutar por vocês e jamais vou desapontar vocês. Os Estados Unidos vão voltar a vencer de novo, como nunca antes (…) A proteção nos guiará rumo à grande prosperidade”, disse Trump.
Dois erros devem ser evitados na apreciação deste discurso: o primeiro é considerar que ele expressa “uma visão pessoal” do novo presidente estadunidense. Seu conteúdo, na verdade, revela como parte importante e poderosa do establishment americano pretende enfrentar a crise do capitalismo. Este setor, que agora assume o governo, delineou claramente as linhas gerais do seu programa através do discurso do bilionário que colocaram na Casa Branca.
O segundo erro é achar que este ultranacionalismo fará com que Trump “olhe mais para dentro” e abandone políticas intervencionistas. Esta é uma vã esperança que não encontra respaldo na história e não resiste ao próprio discurso do novo presidente que falou abertamente em usar a força (econômica e/ou militar) para impor ao mundo os “interesses americanos” a partir de uma visão que privilegia ainda mais o unilateralismo. Tanto assim que, no comunicado que já mencionamos, a Casa Branca também anuncia que a nova administração está disposta a usar “todos os instrumentos contra os países que considerar violadores de acordos comerciais”. (Para continuar, clique AQUI).

VOLTANDO À LUA DE APOLLO 11


Algo engraçado aconteceu a caminho da Lua

Por Wilson Ferreira

Na autobiografia publicada em 2004, intitulada My Life, o ex-presidente Bill Clinton lembrava da época do pouso da Apolo 11 na Lua em 1969:
Apenas um mês depois de os astronautas Buzz Aldrin e Neil Armstrong deixarem seu colega Michael Collins a bordo do módulo de comando Columbia e caminharem na Lua, um velho carpinteiro perguntou-me se acreditava em tudo aquilo. Eu disse: “claro, eu vi na TV!”. Ele discordou. Disse que não acreditava um minuto naquilo, que os “caras da TV” poderiam fazer tudo parecer real. Na época pensei que era um velho idiota. Durante meus oito anos em Washington eu vi algumas coisas na TV que me fizeram pensar se aquele carpinteiro não estava à frente do seu tempo. (CLINTON, Bill, My Life, 1st edition, p.156).
Quando o homem pousou na Lua esse humilde blogueiro tinha seus sete anos. Lembro-me que por toda uma década apenas as gerações mais velhas questionavam a realidade daquelas imagens borradas que assistíamos na TV. Os mais jovens ridicularizavam: coisas de velhos tecnofóbicos incapazes de aceitar os progressos da Ciência, ou de analfabetos.

Mas os anos se passaram e as teorias conspiratórias em torno do Projeto Apollo e da NASA só cresceram. Deixaram de ser monopólio de velhos alérgicos ao progresso ou sub-letrados para se tornar praticamente um subgênero audiovisual na jovem cultura pop.

James Bond e a rover lunar


Tudo começou já em 1971 quando no filme de James Bond Os Diamantes São Eternos há uma breve cena onde 007 rouba uma rover lunar de um estúdio, no qual astronautas encenam um pouso na Lua, para fugir de seus inimigos.

James Bond (Sean Connery) em "Os Diamantes são Eternos" (1971)

Naquela mesma década foi produzido o filme que é o pai de todas as conspirações espaciais: Capricorn One (1978), sobre um pouso ficcional em Marte e a perseguição aos astronautas que pretendem revelar toda a verdade para a imprensa –clique aqui.

A partir disso temos uma profusão de documentários, mockumentaries e filmes ficcionais como Dark Side of The Moon (2002), Man On The Moon (2004), Room 237 (2012), Moonwalkers (2015), Operation Avalanche (2016), para ficar apenas em algumas produções desse século.

Anomalias nas fotografias oficias da NASA, a suposta participação do diretor Stanley Kubrick na produção dos falsos pousos lunares e a necessidade dos EUA politizarem a corrida espacial par enfrentarem a ameaça comunista da União Soviética são temas recorrentes nesses filmes.

Porém, da safra atual de produções desse subgênero uma se destaca: A Funny Thing Happened on the Way to the Moon (Algo Engraçado Aconteceu a Caminho da Lua, 2001), produzido pelo diretor e jornalista investigativo Bart Sibrel. Como ele diz, “capaz de apostar a própria vida para provar que o homem nunca foi na Lua”.

Sibrel é insistente e chega a aborrecer os astronautas da missão Apollo com practical jokes (“pegadinhas”) como no famoso episódio envolvendo Buzz Aldrin: fingindo que queria entrevistá-lo em um hotel para um programa infantil da TV japonesa, Sibrel estava à espera com uma Bíblia, pedindo para que ele jurasse sobre ela que havia caminhado sobre a Lua. Recebeu um soco de Aldrin direto na sua cara.

Bart Sibrel

Como é de se esperar, Sibrel é uma figura ridicularizada no meio científico, espacial e mainstream jornalístico. Mas o documentário de 2001 está acima da média dentro desse subgênero das teorias das conspirações.

Sibrel foge dos lugares comuns, como as supostas anomalias nas fotos da NASA e o indefectível hoax sobre Kubrick. O documentário faz uma abordagem histórica, política e econômica, destacando o contexto da corrida espacial nos anos 1960, a flagrante vantagem tecnológica da URSS sobre os EUA naquele momento e uma questão simples: como, depois de uma década de fracassos envolvendo explosões, incêndios e astronautas carbonizados na plataforma de lançamento, de repente a NASA empreende uma ousada e bilionária missão que, de primeira, consegue colocar homens caminhando na Lua?

Como o Projeto Apollo conseguiu colocar homens na Lua ignorando o cinturão de radiações Van Allen que envolve a Terra, mortal para a vida humana? Só recentemente a NASA enviou sondas para medir o nível de radiação dessa região do espaço. Mas por que, se o homem já esteve lá?

Vamos elencar os principais argumentos desse documentário. São no mínimo interessantes e alguns deles historicamente fundamentados. Pelos menos fogem da média das produções desse subgênero atual.


(a) Tanques de guerra infláveis


Ao longo da História de rivalidades e guerras, generais astutos têm demonstrado o poder estratégico da ilusão e informações falsas como método para alcançar a vitória. O documentário cita a experiência das Forças Armadas dos EUA em fabricar ilusões como forma de criar vantagem sobre o inimigo.

Dá o exemplo do insólito episódio do Ghost Army na Segunda Guerra Mundial: no norte da Normandia, uma unidade do exército norte-americano com pouco mais de mil homens desembarcou para por em movimento um verdadeiro road show em plena Segunda Guerra mundial usando tanques e caminhões infláveis, amplificadores com sons pré-gravados de movimentação de tropas e caminhões e diversas ações cênico-teatrais, incluindo efeitos especiais cenográficos. Munidos de compressores de ar e alguns soldados-atores, eram capazes de criar em uma hora falsos comboios militares que aparentavam ter 30.000 homens. O objetivo era criar impacto psicológico nas tropas nazistas.

Iniciada (Nota deste blog: Pela antiga URSS, em 04.10.1957) com a colocação em órbita de um primeiro satélite artificial (o Sputnik), a corrida espacial, para os EUA, era uma forma de enganar a União Soviética sobre a resposta militar dos EUA na Guerra Fria, em especial o sistema de defesa antimísseis. O problema é que em meados das décadas de 1960 já não era mais possível enganar os russos.

Os sucessivos sucessos soviéticos no espaço (o primeiro satélite, o primeiro homem, o primeiro animal, a primeira sonda na Lua), conflitos raciais internos, milhares de vidas perdidas na guerra do Vietnã e bilhões de dólares dos contribuintes gastos no Projeto Apollo eram um cenário amargo demais para o Governo. Era necessário mais uma vez lançar mão da ilusão: chegar à Lua era uma questão muito mais de credibilidade do que de verdade.


(b) Primeira transmissão de TV não independente


Foi verdade! Eu vi na TV! É a resposta imediata às teorias conspiratórias sobre o Projeto Apollo. Sibrel chama a atenção que naquele momento, pela primeira vez, a televisão não fazia uma cobertura independente de um evento. Todos os sons, imagens e fotos foram estritamente controlados e previamente examinados pelo Governo Federal.

É estranho que passadas tantas décadas, o que se tem de um evento de tamanha magnitude histórica são as mesmas fotos e imagens que circulam ano após ano. Estranha-se a escassez de fotos do pioneiro chefe da missão, Neil Armstrong: há apenas uma foto de corpo inteiro na Lua e o seu reflexo em um capacete. Excetuando-se conferências de imprensa da Nasa e aparecimentos ocasionais em aniversários e comemorações, ele nunca deu entrevista diante de uma câmera.

O documentário sustenta que não só as imagens de TV (na época objeto de reclamação das emissoras por apenas poderem transmitir as imagens borradas de segunda mão a partir do telão da sala de controle) como os próprios dados recebidos pelos operadores em Houston foram simulados um ano antes, com o lançamento do satélite Tetra, especialmente projetado para reconstituir dados procedentes de uma suposta viagem à Lua e aterrissagem.

Esses dados foram reemitidos para Houston, enquanto a missão Apollo circulava a órbita terrestre. Mesmo se os russos quisessem localizar a nave norte-americana em algum ponto entre a Terra e a Lua seria tão impossível quanto achar uma agulha no Oceano Pacífico.

O mais irônico em tudo isso é que em 2009 a Nasa admitiu haver apagado as gravações originais da viagem da Apollo 11 e outras 200 mil fitas “para economizar dinheiro”. A ironia: a Nasa restaurou as cópias da viagem espacial usando imagens de outras fontes, como as da CBS News. As mesmas imagens de segunda mão feitas a partir das imagens controladas no telão de Houston...


(c) O estranho sucesso do Projeto Apollo através do Cinturão Van Allen


Na corrida espacial dos anos 1960, os soviéticos sempre estiveram muito à frente. Seus astronautas tinham, com folga, 500% mais de horas no espaço que os EUA. Apenas um mês antes da Apollo 11, os soviéticos lançaram uma nave não tripulada para a Lua para obter as primeiras amostras de solo. Em dado momento nos anos 1960 o programa espacial soviético estava desenvolvendo cerca de 30 projetos diferentes de lançadores e espaçonaves.

Porém, na primeira tentativa de um voo tripulado à Lua pelos EUA, tudo deu certo. Mesmo atravessando o fatal cinturão de radiação Van Allen – região situada entre 15.000 e 20.000 km do planeta com partículas eletricamente carregadas, letais ao homem, de origem tanto solar quanto do campo magnético terrestre.

Desde 1961 (e até hoje, com as únicas exceções das Apollo 11 a 17) todas as viagens tripuladas ficaram muito abaixo desse campo de radiação. Para os astronautas terem sobrevivido seria necessário um revestimento de chumbo tão denso que impediria a decolagem do foguete Saturno 5.

Em 1998 a Space Shuttle fez o voo mais alto desde as naves da Apollo, chegando perto do cinturão, provando que as radiações eram mais perigosas do que os cientistas tinham pensado – nos anos 1960 a Nasa havia declarado que o Cinturão Van Allen não era assim tão perigoso a ponto de impedir uma viagem à Lua.

A proximidade com a região do Cinturão foi o suficiente para os astronautas do ônibus espacial começarem a sentir estranhos efeitos: mesmo com os olhos fechados na cabine pressurizada e em seus pesados trajes, viram fortes reflexos de luzes, como disparos, da radiação que entrava no interior da nave, dos trajes e dos seus crânios. Na época o noticiário da CNN mostrou cientistas da Nasa surpresos com um fato até então desconhecido por eles. Mas a Nasa já não estivera lá, a caminho da Lua, décadas atrás?


(d) O mágico não repete o mesmo truque


Na época as emissoras de TV reclamaram por serem forçadas a usar imagens de segunda mão nas transmissões ao vivo, sem permissão de conexão direta o que degradou dramaticamente a qualidade das imagens - talvez esse fosse o efeito pretendido.

Os próprios telespectadores reclamaram e a partir da Apollo 12, a opinião pública de desinteressou da repetição daquelas mesmas imagens borradas e com muitos cortes. O mágico estava cometendo o erro de repetir o mesmo truque - as viagens bem sucedidas e precisas como um relógio suíço estavam ficando muito overacting e aborrecidas. Era necessário injetar mais drama ao roteiro.

Então veio o acidente da Apolo 13 e o risco de morte dos astronautas – agora o público levaria mais a sério a exploração da Lua e seria reconectado com o drama.


(e) Astronautas simulam estar distantes da Terra


No documentário, Bart Sibrel alega ter acidentalmente encontrado a peça que comprovaria toda a farsa: após solicitar por cinco anos imagens e relatórios dos arquivos da Nasa para a produção do documentário, uma “pedra preciosa” foi descoberta pouco antes de concluir o filme – uma fita da Apollo 11, crua e sem edição, com os astronautas no interior da nave em órbita da Terra encenando parte da missão. A agência espacial teria enviado a fita “por engano”, junto com outros materiais do acervo.

O documentário mostra as sequências dessa fita. Além dos diálogos duplicados com Houston (um dos canais de transmissão era exclusivo para transmitir as ordens do “diretor” da filmagem), há um momento em que engenhosamente simulam observar a Terra bem distante: uma bola azul na vastidão do Universo. O truque foi apagar todas as luzes do interior da cabine, fechar as janelas para evitar a luz do Sol e filmar apenas uma escotilha, à distância do fundo da nave, com a Terra ao fundo pegando parte da sua superfície.  Fingiam estar no meio do caminho para a Lua quando, na verdade, orbitavam a Terra.

E por que mesmo com o desinteresse crescente do público e a desconfiança das emissoras, a farsa continuou até 1972?

Para Sibrel, para que toda a operação fosse realizada a Nasa se cercou de contratantes em uma cadeia produtiva extremamente especializada e fragmentada para garantir que apenas poucos tivessem conhecimento do Todo – e da verdade. Os contratos tiveram que ser obrigatoriamente cumpridos, mantendo a simulação em funcionamento (e aprimoramento) por três anos e bilhões de dólares gastos dos contribuintes com cada suposto retorno à Lua.

Desde então, a agência espacial dos EUA está refém dessa história. Tanto que, num ato de provocação, a Rússia abriu em 2015 uma investigação sobre a veracidade da viagem dos EUA à Lua. O representante do governo no Comitê de Investigações, Vladimir Markin, afirma que foi também requerido um inquérito sobre o desaparecimento das imagens originais da primeira exploração lunar.

(Fontes: AQUI e blog Cinegnose - AQUI, onde também está disponível o vídeo 'Algo engraçado aconteceu a caminho da Lua').

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Em 19.06.2015, este blog reproduziu o post "Rússia vai investigar viagem dos EUA à Lua" - AQUI -, quando comentamos o seguinte:


O pouso do homem na Lua figura com destaque na pauta dos teóricos da conspiração, suscitando 'n' versões e desmentidos categóricos mediante vídeos disponibilizados pela internet, além de livros e artigos diversos. A propósito, entre os questionamentos intrigantes, um mereceu saborosa crônica:


Aquela câmera...

Por Luis Fernando Veríssimo

Até hoje tem gente que duvida que o homem chegou na Lua. Teria sido tudo encenação, tudo feito em estúdio. Em vez de um triunfo da Nasa e do programa espacial americano, um triunfo de Hollywood e seu poder de criar ilusões. Tudo propaganda, encomendada pelo governo americano para camuflar o atraso do país em relação à União Soviética na exploração do espaço. Um golpe de relações públicas, não uma conquista científica.

A teoria não se aguenta, claro. Uma trapaça deste tamanho demandaria uma teia de segredos e cumplicidades difícil de imaginar. A ilusão teria sido denunciada há tempo e a farsa desmascarada - pelos próprios americanos, que gostam de uma revisãozinha histórica como ninguém. Mas nenhuma versão séria da teoria da encenação apareceu. Não houve uma conspiração. A conquista aconteceu mesmo e foi admirável. Homens caminharam mesmo na superfície da Lua e até trouxeram suvenires. Mas...

Mas tem a questão daquela câmera. A que registrou a descida do Neil Armstrong de dentro do módulo espacial, pela escadinha, para dar o primeiro passo da humanidade num corpo celeste que não era o seu. Foi o momento mais emocionante da aventura, e a câmera estava lá, registrando tudo. Como a câmera estava lá, montada no lugar certo para não perder nada?

A explicação oficial foi que a câmera tinha sido ejetada de dentro do módulo e caído a alguns metros de distância na posição ideal para gravar a descida de Armstrong. Uma explicação plausível: afinal, para quem coloca um módulo na Lua com aquela precisão, colocar uma câmera de pé no lugar desejado não seria nada de mais. Mas em vez de imaginar a câmera sendo expelida do módulo com tripé e tudo, dando uma cambalhota no ar e caindo no lugar certo, imaginemos uma alternativa.

Imaginemos Neil Armstrong, que morreu (há alguns dias), com 82 anos, de problemas com o coração, usando seus últimos alentos para confessar "Foi tudo mentira..."

- O que é isso, comandante?

- A descida na Lua. Foi mentira.

- Como, mentira? Foi verdade. O senhor foi o primeiro homem a pisar na Lua e...

- A câmera. Fui eu que montei. Desci do módulo, montei a câmera no seu tripé, acertei o foco, e voltei para dentro do módulo. Depois, desci a escadinha, fingindo que era pela primeira vez. Era mentira.

- Não, comandante. Aquele foi o momento mais bonito de todos. Sem a câmera ali, a emoção não seria a mesma. Foi a mentira que tornou a verdade espetacular. (Fonte: aqui).


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Voltando ao anúncio de que a "A Rússia decidiu abrir uma investigação para apurar se de fato os Estados Unidos pousaram na Lua em 1969". Estou curioso para saber de que modo tal investigação se dará, 46 anos depois do notável feito norte-americano. Hackers entrarão em arquivos secretos da Nasa? Arquivos igualmente secretos da KGB serão enfim decifrados? E os arquivos de Stanley Kubrick, o que escondem? Etc, etc.

sábado, 21 de janeiro de 2017

OLD CARTOON


Al Kaufmann. (1918-1977).  - Na consagrada The New Yorker, em algum lugar do passado.

HUMOR POR HUMOR


J Bosco.

SOBRE A MORTE DO MINISTRO TEORI


Refutando as teorias conspiratórias sobre a morte de Zavascki

Por André Araújo

Em qualquer acidente aéreo onde morrem pessoas importantes vêm teorias de conspiração sem qualquer evidência, apenas por imaginação. A região do litoral norte do Estado de São Paulo é um cemitério de acidentes aéreos com aeronaves pequenas e helicópteros.
Os aeroportos não têm instrumentação, são apenas pistas entre o mar e a montanha, de aproximação perigosa, o mau tempo e a baixa visibilidade é constante.
Céu e mar são situações de perigo enorme para pequenos aviões, porque o mar parece no visual  iludir quanto à distância. Nesse trecho caiu a aeronave de Ulisses Guimarães, do filho de Abílio Diniz,  em Troncoso, na Bahia, caiu a família Roger Wright em circunstâncias semelhantes, morrendo 16 pessoas da mesma família, também com um King Air, novinho e bom piloto.
Nos EUA, caiu o avião do filho de John Kennedy, no mar perto da costa de Nova York em dia de tempestade.
O mais impressionante é o nível de risco que pessoas esclarecidas assumem em fazer uma viagem em condições de mau tempo, inimigo mortal de aviões pequenos, especialmente voando acima do mar.
Nos aeroportos de Ubatuba, Caraguatatuba, Angra, Paraty não há instrumentação, é tudo no visual, sem visão fica arriscadíssimo aterrissar.
Por outro lado, para os envolvidos na Lava Jato, o Ministro Teori era uma garantia contra linchamentos e abusos, quem vier exatamente por não ter a força de Teori será mais acuado pela mídia e outros interessados na condenação, então por que alguém iria eliminar aquele que tudo indica ser melhor aos acusados do que quem vier?
Teoria da conspiração é uma supressão do raciocínio para dar lugar à delírios e fantasias.
Teorias de conspiração são desmentidas pela História quase sempre, quando não são destruídas antes pela lógica.
Uma das mais circuladas em acidentes aéreos foi quando morreu o ex-Presidente Castelo Branco. Castelo estava completamente fora do poder, não oferecia riscos contra nenhum grupo, por que seria assassinado?
A última das teorias desmentidas pela realidade foi a da morte do ex-Presidente Goulart por envenenamento. Laudo médico internacional indicado pelos seus  próprios seguidores declarou não haver nenhum resquício de envenenamento no corpo. Mas antes a lógica já tinha desmentido, não havia nenhuma razão para Goulart ser eliminado naquele ciclo da política, 12 anos após sua deposição.
Goulart não oferecia nenhum risco ao regime, estava quieto em sua fazenda no Uruguai, não tinha grupo político no Brasil, por que um governo correria o risco internacional de um assassinato?
No caso Teori, não há lógica que justifique seu desaparecimento, a substituição seguramente irá piorar a condição dos réus. (Fonte: AQUI).
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O texto acima suscitou cerca de 100 comentários, a enorme maioria contestando a conclusão a que chegou o articulista. Um deles, pinçado aleatoriamente:
"André, o fato de existirem muitas improváveis teorias de conspiração, absolutamente não exclui a possibilidade de existir uma conspiração onde quer que seja!
Nesse caso específico um fato não nega o outro!
Esse argumento é tão fantasioso e sem materialidade alguma, quanto ver conspiração em tudo sem que se tenha qualquer prova ou indício.
Há que se investigar muito bem. Isso vai acontecer? Claro que não.
A primeira coisa a esclarecer é: quem ou cada nome que está por trás das 1885 visualizações num só dia, a um site que mantém a foto e mais algumas informações do MESMO avião teoricamente derrubado. Nos outros dias o normal é 3 ou 4 visualizações ou mesmo nenhuma,
Isso ocorreu no dia 3 de janeiro desse ano. Vamos saber essa resposta? Duvido."
Para ler os comentários, clique no AQUI acima.

De qualquer modo, permitimo-nos opinar no sentido de que a prudência recomenda aguardar os acontecimentos. Foram coincidências demais, e, como dizem os sábios portugueses, tudo o que é demais, é demasiado. 

André Araújo fecha o seu artigo afirmando: "No caso Teori, não há lógica que justifique seu desaparecimento, a substituição seguramente irá piorar a condição dos réus."

Piorar a situação de todos os réus?! Há fortes dúvidas... 

CARTUM BOLIVARIANO


Simanca.

A LAVA JATO CORRE PERIGO


"A morte de Teori Zavascki deixou o Brasil comovido e em estado de alerta. O ministro, relator do processo da Lava Jato no Supremo, estava prestes a homologar a delação premiada da Odebrecht – a maior da história do país, com alegadas citações ao presidente Michel Temer, ao chanceler José Serra e outros nomes poderosos do governo. As circunstâncias desta tragédia levantam um irrespirável ar de suspeição em todo o país e exigem uma investigação rigorosa sobre a queda do avião.

O destino da Lava Jato está agora nas mãos da presidente do STF, Cármen Lúcia. A ministra tem o poder de decidir se redistribui a relatoria do processo a um outro colega, através de sorteio, ou se espera que o novo magistrado indicado por Michel Temer assuma o caso. Ambos os caminhos encontram respaldo no regimento interno do Supremo, mas apenas um é aceitável do ponto de vista ético. Ou alguém acha justo deixar que um juiz escolhido por Temer – citado 43 vezes por um executivo da Odebrecht – seja o relator da Lava Jato? Eu acredito que Cármen Lúcia fará o que o país espera da presidente do Supremo neste momento. Mesmo assim, a Operação Lava jato está em perigo, pois não se sabe nas mãos de quem a relatoria vai estar.

O governo Temer não esconde o alívio com o freio posto na Lava Jato pela morte de Teori. Com uma frieza inconcebível, o ministro Eliseu Padilha já admitiu, em entrevista à Rádio Guaíba, que a morte de Teori “vai fazer com que a gente tenha mais tempo para que delações sejam homologadas”. 

Mesmo que a redistribuição do processo seja a alternativa “menos pior” neste caso, ainda assim colocará a continuidade da Lava Jato em um destino nebuloso. Afinal são muitos interesses em jogo e poucos ministros do STF possuem a altivez de Teori. O próprio senador Romero Jucá, braço direito do governo, reconheceu, em áudio gravado com Sérgio Machado, que não havia caminhos para pressionar Teori a esvaziar a Lava Jato.

A Operação Lava Jato precisa continuar, processando e julgando todos os investigados. Ela não pode ser conhecida como uma operação que revelou os esquemas dos governos petistas, mas que não foi capaz de punir a corrupção dos políticos que derrubaram Dilma e agora estão no poder.

É preciso defender a continuidade da Lava Jato, doa a quem doer, e a divulgação imediata da delação da Odebrecht. Não podemos permitir que a impunidade e os conchavos devolvam para baixo do tapete tudo que já foi feito até agora."




(De Luciana Genro, advogada, dirigente do Psol, post intitulado "A Operação Lava Jato está em perigo", publicado no site Carta Maior - aqui).

CARTUM ESPECULATIVO

Luscar.
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DICA DE LEITURA: "ARQUIVO QUEIMADO. E AGORA?" 
CLIQUE AQUI.

DESDE A TARDE DO DIA 19, EM BRASÍLIA...

Tacho.
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- Uma testemunha afirmou, em Paraty, que instantes antes da queda o avião soltou uma coluna de fumaça. 'Parecia a esquadrilha da fumaça', segundo ela...

- Mas outras testemunhas disseram que nada de anormal aconteceu!

- ...e, para completar: segundo Cláudio Julio Tognolli, um dos principais repórteres investigativos do País, relata, em seu canal do Youtube, "uma das primeiras linhas de investigação da Polícia Federal sobre a morte de Teori Zavascki; segundo ele, há uma base de dados que permite consultas sobre todas as aeronaves do mundo e o jato que caiu no litoral recebeu 1.885 consultas no dia 3 de janeiro deste ano; 'conspiração ou não, é uma linha de investigação da PF'" (aqui). Etc., etc., etc.

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NO CORAÇÃO DA LAVA JATO (II)


Leo Oliveira.

A LAVA JATO APÓS O MINISTRO ZAVASCKI


O Xadrez da Lava Jato com a morte de Teori

Por Luis Nassif

Figura curiosa, a do Ministro Teori Zavascki.
No cargo, personificou a figura do magistrado, com as virtudes públicas da discrição, da firmeza, em tempos em que Ministros passaram a se comportar como celebridades e figuras públicas se confundem com perfis de Facebook e, para se tornar presidenciável basta cometer frases como “não se mude do Brasil, mas mude o Brasil”.
Em um país em que a única forma de julgamento é midiático, Teori foi discreto ao extremo, no trabalho e na vida pessoal. Tanto que passou a ideia de um ser sisudo e, pelos depoimentos de amigos e parentes, aparece o cidadão bem-humorado, com a ironia fina e o afeto discreto dos tímidos, que cativou de Gilmar Mendes a Eugênio Aragão, de Dilma e Lula a Joaquim Barbosa.
Era capaz de transmitir gentileza nos menores gestos. E de não ceder um milímetro ao deslumbramento que acometeu muitos de seus colegas, dos jovens aos decanos imaturos.
Foi a peça central da Lava Jato, a segurança técnica, a maturidade, contrapondo-se ao histrionismo dos procuradores paranaenses, ao deslumbramento do juiz Sérgio Moro e à falta de pulso do Procurador Geral Rodrigo Janot.
Na Lava Jato, seus maiores conflitos foram justamente com Janot.
Na primeira leva de denúncias encaminhada ao Supremo, comentou com o filho sua estranheza pelo fato de Janot ter proposto a absolvição do senador Aécio Neves contra quem, segundo Teori, havia evidências muito mais fortes do que contra outros políticos denunciados.
Quando as arbitrariedades da Lava Jato atingiram o ápice – com a condução coercitiva de Lula – havia a esperança da montagem de uma aliança liberal no Supremo, capaz de segurar os abusos e restaurar o estado de direito.
Hipoteticamente, seriam Teori, Ricardo Lewandowski, Luís Roberto Barroso, Marco Aurélio de Mello, Luiz Edson Fachin, Celso de Mello e Rosa Weber. Um a um pularam fora, constrangidos pela virulência da opinião pública e pelos ataques da mídia e através das redes sociais. Escracho na frente de sua casa, ameaças anônimas denunciadas pelo próprio filho, certamente contribuíram para arrefecer a resistência de Teori.
Cometeu fraquezas e praticou inconstitucionalidades, como o pedido de prisão do então senador Delcídio do Amaral e o reconhecimento da ilegalidade do vazamento das conversas de Lula e Dilma, não acompanhado das sanções devidas.  
Mesmo com essas fraquezas, foi o que mais resistiu à pressão de uma opinião pública que comprara a tese do direito penal do inimigo. Tornou-se  o único elo de toda a cadeia da Lava Jato de quem se podia esperar alguma espécie de isenção, o acatamento de argumentos jurídicos. E, certamente, a severidade isenta na hora de analisar as delações, sem se curvar à parcialidade flagrante do PGR.
Era chocante, aliás, a diferença de dimensão entre ele e outros personagens da Lava Jato, como o deslumbramento provinciano de Sérgio Moro nos regabofes de João Dória ou nos eventos da American Society, ou do Procurador Geral Rodrigo Janot em Davos, se anunciando como pró-mercado, dois jecas na corte do Rei Arthur.

DA TEORIA CONSPIRATÓRIA À CONSPIRAÇÃO

Apostar em teoria conspiratória é tão irresponsável como negar a possibilidade de conspiração. Se foi acidente ou não, apenas investigações criteriosas dirão.
De qualquer modo, a morte de Teori abre um leque inédito de possibilidades estratégicas para a Lava Jato que estão sendo analisadas pelos ínclitos Michel Temer e Eliseu Padilha, o político notório que, com a determinação férrea dos grandes comandantes e a falta de sutileza total dos que conhecem a natureza humana, conseguiu comprar toda imprensa com toneladas de publicidade.
Há três possibilidades:
1.     Temer escolhendo um Ministro que mate no peito. Baixa probabilidade, dada a sua falta de legitimidade.
2.     A presidente do STF Cármen Lúcia procedendo a uma distribuição isenta dos processos sob análise de Teori.
3.     O que é mais provável, um arranjo político no âmbito do próprio STF.
No Judiciário, há uma distribuição eletrônica dos processos através de sorteios definidos por algoritmos. Esses sorteios podem e são manipulados.
Na história recente, há inúmeros exemplos dessa manipulação, como no sorteio de Gilmar Mendes para relator das contas de Dilma Rousseff e do PT no TSE, tendo como presidente Dias Toffoli.
Nem se pense em nada mais desabonador para o Supremo, do que o receio dos bons Ministros em pegar esse rabo de foguete. O último que pegou - Marco Aurélio de Mello - ficou ao relento. A proatividade no STF resume-se a Gilmar Mendes.
Em março de 2015, já ocorrera um primeiro movimento estratégico no STF, quando Dias Toffolli solicitou e foi autorizado a mudar da 1a para a 2a Turma – justamente a que iria mais à frente julgar a Lava Jato.
Até agora, a 2a Turma era composta por Gilmar Mendes (presidente), Celso de Mello, Ricardo Lewandowski, Teori e Toffoli. Com Teori, estava assegurada a maioria contra conchavos. Quem assumirá o seu lugar na 2a Turma?
Além disso, qual dos atuais Ministros teria condições de assumir a relatoria da Lava Jato? Dias Toffoli e Gilmar, com sua flagrante parcialidade? Barroso, que muda de pomba a falcão ao primeiro berro da besta? Celso de Mello que já expôs publicamente seu partidarismo em um shopping center? Luiz Fux, o homem de Sérgio Cabral Filho?
Trata-se de uma época tão ingrata para o Supremo, que o acidente que vitimou Teori tornou-se simbólico: o mais discreto e sisudo dos Ministros do Supremo morre em uma viagem a passeio no avião particular de um empresário famoso por ser um grande farrista.

(Fonte Jornal GGN - aqui).