domingo, 31 de maio de 2020

ELES DISSERAM - EM VÍDEO(S) - (31.05.20)


.Brian Mier:
Ditadura Trump? ...................................... Aqui.

.Nathalia Urban:
Mercenários golpistas no Brasil ................... Aqui.

.Attuch / Dilma Rousseff / Pepe Escobar:
A Guerra Fria EUA-China e os
impactos no Brasil .................................... Aqui.

.Kiko Nogueira:
Acabou a folga dos golpistas nas ruas ......... Aqui

.Luis Nassif:
A cassação de Bolsonaro e as dúvidas
sobre o papel dos militares ........................ Aqui

.Paulo A Castro:
O legado destruidor da Lava Jato ................ Aqui.
Moro vai querer atuar como advogado?
Relembremos como Moro tratava
os advogados na Lava Jato ........................ Aqui.

O OCASO DA CLOROQUINA


Christo Komarnitski. (Bulgária).

O DIA EM QUE GARRINCHA LEVOU O 'OLÉ' DAS TOURADAS PARA O FUTEBOL

.
- ...um texto sobre futebol, nos dias atuais?!! O País arrebentado, caótico, a democracia comprometida, as instituições ameaçadas, a covid nos torturando, e você me vem com futebol?!! 
- Exatamente por isso.


Em seu livro "Os Subterrâneos do Futebol" o botafoguense João Saldanha conta a história do dia em que torcedores mexicanos trouxeram o olé das touradas para o futebol, graças aos dribles do genial Garrincha.

No Brasil, o dia do olé foi 15 de novembro de 1962, talvez a última grande partida de Garrincha, quando o Botafogo foi campeão ao vencer o Flamengo na final do Campeonato Carioca por 3 a zero, com gols de Mané. - (Antonio Mello, titular do Blog do Mello).
“Olé” nasceu no México  

“O Estádio Universitário ficou à cunha. Cem mil pessoas comprimidas para assistir ao jogo. É muito alegre um jogo no México. É o país em que a torcida mais se parece com a do Rio de Janeiro. Barulhenta, participa de todos os lances da partida.
Vários grupos de ‘mariaches’ comparecem. Estes grupos, que formam o que há de mais típico da música mexicana, são constituídos de um ou dois “pistões” e clarins, dois ou três violões, harpa (parecida com a das guaranias), violinos e marimbas. As marimbas são completamente de madeira, mas não vão ao campo de futebol, sendo substituídas por instrumentos pequenos. O ponto alto dos ‘mariaches’ é a turma do pistão, do clarim e o coro, naturalmente. No campo de futebol, os grupos amadores de ‘mariaches’ que comparecem ficam mais ativos em dois momentos distintos: ou quando o jogo está muito bom e eles se entusiasmam, ou, inversamente, quando o jogo está chato e eles “atacam” músicas em tom gozador. No jogo em que vencemos ao Toluca, que estava no segundo caso, os ‘mariaches’ salvaram o espetáculo.
O time do River era, realmente, uma máquina. Futebol bonito e um entendimento que só um time que joga junto há três anos pode ter. Modestamente, jogamos trancados. A prudência mandava que isto fosse feito. De fato, se ‘abríssemos’, tomaríamos um baile.
Foi um jogo de rara beleza. E não foi por acaso. De um lado estavam Rossi, Labruña, Vairo, Menéndez, Zarate, Carrizo. De outro, estavam Didi, Nilton Santos, Garrincha etc. Jogo duro e jogo limpo. Não se tratava de camaradagem adquirida em quase um mês no mesmo hotel, mas sim da presença de grandes craques no gramado. A torcida exultava e os ‘mariaches’ atacavam entusiasmados.
Estava muito difícil fazer gol. Poucas vezes vi um jogo disputado com tanta seriedade e respeito mútuos. Mas houve um espetáculo à parte. Mané Garrincha foi o comandante. Dirigiu os cem mil espectadores. Fazendo reagirem à medida de suas jogadas. Foi ali, naquele dia, que surgiu a gíria do ‘Olé’, tão comumente utilizada posteriormente em nossos campos. Não porque o Botafogo tivesse dado “Olé” no River. Não. Foi um “Olé” pessoal. De Garrincha em Vairo.
Nunca assisti a coisa igual. Só a torcida mexicana com seu traquejo de touradas poderia, de forma tão sincronizada e perfeita, dar um ‘Olé’ daquele tamanho. Toda vez que Mané parava na frente de Vairo, os espectadores mantinham-se no mais profundo silêncio. Quando Mané dava aquele seu famoso drible e deixava Vairo no chão, um coro de cem mil pessoas exclamava: ‘Ôôôôô’! O som do “olé” mexicano é diferente do nosso. O deles é o típico das touradas. Começa com um ô prolongado, em tom bem grave, parecendo um vento forte, em crescendo, e termina com a sílaba “lé” dita de forma rápida. Aqui é ao contrário: acentua-se mais o final ‘lé’: ‘Olééé!’ – sem separar, com nitidez, as sílabas em tom aberto.
Verdadeira festa. Num dos momentos em que Vairo estava parado em frente a Garrincha, um dos clarins dos ‘mariaches’ atacou aquele trecho da Carmem que é tocado na abertura das touradas. Quase veio abaixo o Estádio Universitário. Numa jogada de Garrincha, Quarentinha completou com o gol vazio e fez nosso gol. O River reagiu e também fez o dele. Didi ainda fez outro, de fora da área, numa jogada que viera de um córner, mas o juiz anulou porque Paulo Valentim estava junto à baliza. Embora a bola tivesse entrado do outro lado, o árbitro considerou a posição de Paulinho ilegal. De fato, Paulinho estava ‘off-side’. Havia um bolo de jogadores na área, mas o árbitro estava bem ali. E Paulinho poderia estar distraindo a atenção de Carrizo.
O jogo terminou empatado. Vairo não foi até o fim. Minella tirou-o do campo, bem perto de nós no banco vizinho. Vairo saiu rindo e exclamando: “No hay nada que hacer. Imposible” – e dirigindo-se ao suplente que entrava, gozou:
– Buena suerte muchacho. Pero antes, te aconsejo que escribas algo a tu mamá.
O jogo terminou empatado e uma multidão invadiu o campo. O ‘Jarrito de Oro’, que só seria entregue ao “melhor do campo” no dia seguinte, depois de uma votação no café Tupinambá, foi entregue ali mesmo a Garrincha. Os torcedores agarraram-no e deram uma volta olímpica carregando Mané nos ombros. Sob ensurdecedora ovação da torcida. No dia seguinte, os jornais acharam que tínhamos vencido o jogo, considerando o tal gol como válido. Mas só dedicaram a isto poucas linhas. O resto das reportagens e crônicas foi sobre Garrincha.
As agências telegráficas enviaram longas mensagens sobre o acontecimento e deram grande destaque ao ‘Olé’. As notícias repercutiram bastante no Rio e a torcida carioca consagrou o ‘Olé’. Foi assim que surgiu este tipo de gozação popular, tão discutido, mas que representa um sentimento da multidão.
Já tentaram acabar com o ‘Olé’. Os árbitros de futebol, com sua inequívoca vocação para levar vaias, discutiram o assunto em congresso e resolveram adotar sanções. Mas como aplicá-las? Expulsando a torcida do estádio? Verificando o ridículo a que estavam expostos, deixam cada dia mais o assunto de lado. É melhor assim. É mais fácil derrubar um governo do que acabar com o ‘Olé’.
Não poderia ter havido maior justiça a um jogador que a que foi feita pelos mexicanos a Mané Garrincha. Garrincha é o próprio ‘Olé’.
Dentro e fora de campo, jamais vi alguém tão desconcertante, tão driblador. É impossível adivinhar-se o lado por onde Mané vai ‘sair’ da enrascada. Foi a coisa mais justa do mundo que Garrincha tivesse sido o inspirador do ‘Olé’.
(João Saldanha. “Os Subterrâneos do Futebol”). [Fonte: Deixa Falar]

(Fonte: Antonio Mello, no 
Blog do Mello - Aqui).

TRAGIC CARTOON

Quinho.
....
.Bom Dia 247 (31.05.20) - Attuch / Florestan / Rodrigo:
Revolução nos Estados Unidos? ........................................ Aqui.

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.DCM TV ao Vivo:
Kiko Nogueira direto da manifestação
antifascista na Avenida Paulista .................... Aqui

(Entreouvido no Brasil e no mundo:
"O responsável por todo o drama que 
assola o País tem nome: Sérgio 'Covid' Moro").

A ASCENSÃO DA SPACEX


Dario Castillejos. (México).

DA SÉRIE FLAGRANTES DA REPERCUSSÃO DO ASSASSINATO DE GEORGE FLOYD


Enquanto a reação do povo americano (à exceção dos WASPs, claro) explode nas ruas de vários estados e Trump manda chamar a tropa, eis que o presidente do Brasil e parceiros brindam ostentando copos de leite, em homenagem à prática utilizada pelos supremacistas brancos com vistas em 'pôr os negros em seu lugar'. Por sua vez, cedendo à paixão aos holofotes, Damares Alves, pretensa ministra dos direitos humanos, presta solidariedade aos racistas também exibindo o seu copo de leite, sob o pretexto da comemoração à super safra de grãos 'obtida pela ministra da agricultura'. (Aquias Santarem mostrou cenas - Aqui).

Mas, diante do fato de que estamos a tratar de representantes das elites nacionais, notoriamente racistas e escravistas, o certo é que este Blog deveria uma vez mais haver limitado a sua reação à indefectível "Nenhuma estranheza". 

Sem embargo, vale conferir a impressão manifestada por Doney Stinguel relativamente ao assunto ('A lição de Minneapolis", Jornal GGN - Aqui):

"Se o assassinato de George Floyd tivesse ocorrido aqui no Brasil, é certo que aconteceriam duas coisas.
A primeira: a direita afirmaria que o policial agiu em legítima defesa, bem como inventaria mil e um crimes que teriam sido cometidos pelo assassinado. A direita tentaria justificar seu próprio racismo, seu próprio elitismo, sua própria torpeza desse modo.
Já a esquerda, claro, estaria louca nesse momento pra escrever uma incrível nota de repúdio. (...)."

(Risos amarelados).

sábado, 30 de maio de 2020

ELES DISSERAM - EM VÍDEO(S) - (30.05.20)


.DCM Política:
Bolsonaro chama ações da PF sobre 
Eduardo significam crise .......................... Aqui.

.Luis Nassif:
As discussões sobre a
flexibilização do isolamento social ............. Aqui.

.Aquias Santarem:
STF aciona PGR contra Eduardo Bolsonaro . Aqui.

.Boa Noite 247:
O que o caso George Floyd
pode ensinar ao Brasil? ........................... Aqui.

.Paulo A Castro:
Turma de Bolsonaro só tem um destino ..... Aqui.
Bolsonaro: Tudo aponta para uma crise ..... Aqui.

................
.Gevaerd:
Ufologia sem fronteiras (11) .................... Aqui.
Ufologia sem fronteiras (12) .................... Aqui.

COVID-19: AS MALVINAS DO BOLSONARISMO?

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"Em poucas semanas, porém, a realidade desceu sobre os devaneios da cúpula de generais. Não acreditando que a Inglaterra teria condições de enviar tropas a 12.800 km de distância, e considerando estar o real perigo de guerra na tensão com o Chile, na fronteira sul, o governo argentino deslocou soldados inexperientes e mal treinados para ocupar as Malvinas."
....
Desastre, teu nome é incompetência.


Por Celso P. de Melo

Todos os regimes democráticos se parecem, no respeito às leis e a seus cidadãos. As tiranias, que nisso deles também se diferenciam, eventualmente colapsam; cada uma à sua maneira.
1982 – Dia dois de abril. Uma multidão eufórica comemorava diante da Casa Rosada a invasão das Ilhas Malvinas, uma ação ousada da ditadura argentina. O General Galtieri, presidente da vez, acreditava ter dado o golpe de mestre, ao obter o apoio unânime da população a uma iniciativa do até então detestado regime militar. Ao interpretar erroneamente os sinais da diplomacia americana e a aparente fraqueza interna da Primeira-Ministra Margareth Thatcher, a junta militar autorizou o desembarque no gelado arquipélago austral. Por pouco mais de dois meses, a ilusão da vitória empolgou o povo argentino, enganado sobre o desenrolar do teatro de operações navais e terrestres.
Em poucas semanas, porém, a realidade desceu sobre os devaneios da cúpula de generais. Não acreditando que a Inglaterra teria condições de enviar tropas a 12.800 km de distância, e considerando estar o real perigo de guerra na tensão com o Chile, na fronteira sul, o governo argentino deslocou soldados inexperientes e mal treinados para ocupar as Malvinas. A operação rapidamente se mostrou um desastre logístico, com carência de equipamentos e falta de planos operacionais para a efetiva permanência das tropas a menos de 500 km do continente. Na frente de batalha, enquanto os soldados britânicos recebiam três refeições quentes ao dia, os recrutas argentinos encaravam a fome e o frio, por falta de rações e uniformes adequados. O contumaz desrespeito da ditadura para com os cidadãos argentinos se manifestou no tratamento atroz dado por alguns oficiais a seus soldados. A derrota se fez oficial no dia 14 de junho, à custa de um vexame universal e com o ônus de quase 650 baixas argentinas. Do lado britânico, 255 mortes. Três meses depois, Galtieri é afastado do poder e a ditadura militar estava ferida de morte, que se concretizou no ano seguinte, com a convocação de eleições.
2020 – Primeiro semestre. Ao militarizar o enfrentamento da crise do coronavírus, o regime bolsonarista pode ter cometido erro de avaliação de igual magnitude. A atitude negacionista, com a demora em tomar medidas preventivas, a improvisação na compra de insumos e equipamentos, e na logística de sua distribuição, o aparelhamento do estamento governamental por pessoas obedientes, antes que competentes, a falta de foco e o charlatanismo mais grosseiro na promessa de remédios milagrosos representam uma marca que estará indissoluvelmente associado ao atual governo federal. Uma ferramenta básica em qualquer guerra, a coleta de informações, é sujeita à manipulação. Até hoje, quase três meses depois da chegada da pandemia entre nós, o Ministério da Saúde se mostra incapaz de organizar um esquema confiável, que opere 24 horas por dia, 7 dias por semana, para contar o número de pessoas infectadas, mortas e recuperadas, e mapear sua distribuição geográfica.
Mais um testemunho da ineficiência terceiro mundista de nosso sistema oficial de informações e de gerência de crises. Repetimos a improvisação das situações anteriores. No ano passado, diante das evidências das queimadas da Amazônia, a política governamental foi a da desinformação e da negativa. Quando do derramamento de óleo nas costas do Nordeste, até hoje misterioso, marinheiros foram enviados para a limpeza das praias em uniformes de educação física, sapatos tênis, calção e camiseta. Coube às populações locais lhes prover os EPIs necessários. O “navio grego”, um fantasma que parecia explicar tudo, desapareceu sem que nada viesse a ser esclarecido. O mito da eficiência de nossas instituições parece trincado. Decorridos vários meses desses incidentes, nenhuma cobrança lhes foi feita, nenhuma justificativa precisa mais ser apresentada.
Com a pandemia, isso não pode voltar a acontecer. As mais de 25.000 mortes de hoje (Nota deste Blog: Este artigo foi publicado há dois dias) podem vir a ser uma mera fração das que ainda estão por ocorrer. Em memória dos que se forem e do sofrimento de suas famílias, desta feita não poderemos esquecer. Quando a crise passar, os responsáveis pelo descalabro que ora injustificadamente enfrentamos precisam ser responsabilizados, se não criminalmente, ao menos em um julgamento moral, como o dos Tribunais Bertrand Russel dos anos 60/70.
Na Argentina dos anos 80, o Relatório Rattenbach, instituído pelo próprio regime em decomposição, recomendou punição severa aos líderes responsáveis pela trágica campanha. Galtieri foi sentenciado a doze anos de prisão, por conta das quase mil mortes e de um fiasco histórico. No Brasil de hoje, com a previsão de mais de cem mil vítimas da pandemia, como mensurar o crime do enorme desprezo pela vida humana e da fria sociopatia manifesta no desrespeito a cidadãos forçados a pernoitar em filas apinhadas em busca de um auxílio emergencial e na ideia de que a economia deve ser salva por uma imunidade de rebanho, a ser alcançada pelo sacrifício dos mais vulneráveis?  -  (Fonte: Aqui).

Celso P. de Melo – Professor titular do Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco

SERIOUS CARTOON

Lute.
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.Bom Dia 247 (30.05.20) - Attuch / André Torreta:
Como derrotar as fake news ............................................. Aqui.

RACISMO & OPRESSÃO


Dave Whamond. (Canadá).

TSE DÁ 3 DIAS PARA BOLSONARO E MOURÃO SE MANIFESTAREM SOBRE DISPAROS EM MASSA DE FAKE NEWS NA CAMPANHA

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E eis que, mais uma vez, impõe-se a leitura de "Zapgate (ou Esquema WhatsApp): 'Um caso difícil'" - Aqui -, entre 'n' outros posts já publicados por este Blog sobre o assunto. Bom ver que o TSE, na pessoa do ministro-corregedor Og Fernandes, finalmente começa a se mexer. Agora é aguardar os desdobramentos - com destaque para os artificialismos e cortinas de fumaça que certamente advirão - de praxe.
(Entreouvido nos bastidores: "Pena que o herói global Sérgio Moro não possa tirar uma casquinha do episódio, para manter em destaque sua campanha presidencial").



Do Brasil 247

Corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Og Fernandes, deu três dias para que Jair Bolsonaro, general Hamilton Mourão e empresários ligados ao possível impulsionamento de fake news durante as eleições de 2018 prestem informações sobre o caso. A ação foi feita com base em pedido do PT, que denuncia uma máquina de mentiras nas redes sociais e em aplicativos para eleger Bolsonaro.

Depois do prazo, "com ou sem resposta", o corregedor determinou que o Ministério Público Eleitoral seja ouvido também em três dias. 

No tribunal, já circulam oito ações que investigam a campanha de Bolsonaro e Mourão em 2018. O PT pediu ao relator dos processos o compartilhamento das provas do Supremo Tribunal Federal (STF) com o TSE.
O STF, através do ministro Alexandre de Moraes, apura divulgação de fake news bolsonaristas para atacar os integrantes da corte. A Polícia Federal (PF) cumpriu, na manhã da quarta-feira (27), mandados de busca e apreensão no inquérito sobre fake news. Agentes da corporação cumpriram 29 mandados de busca e apreensão, atingindo 17 pessoas do bolsonarismo.  -  (Aqui).

sexta-feira, 29 de maio de 2020

ELES DISSERAM - EM VÍDEO(S) - (29.05.20)


.Alberto Villas:
O Brasil sobreviveu mais uma semana .......... Aqui.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ............................................. Aqui.

.Luis Nassif:
Aberto o caminho para a cassação
da chapa Bolsonaro/Mourão ........................ Aqui.
A crise dos músicos profissionais ................. Aqui.

.Boa Noite 247:
A queda do PIB e outros temas ................... Aqui.

.Paulo A Castro:
Defesa de Lula cobra julgamento
da suspeição de Moro ................................ Aqui.
O Serviço Secreto criminoso de Bolsonaro .... Aqui.

................
.Falcão:
Diário da Quarentena (53) .......................... Aqui.

POLICIAL QUE TORTUROU E MATOU GEORGE FLOYD É PRESO NOS EUA

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Em meio a Minneapolis em chamas...
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Policial Derek Chauvin atuou na polícia de Minneapolis por 19 anos. Ele ainda não foi formalmente acusado. De acordo com a CNN, havia tinha 18 denúncias contra ele na corporação. Ou seja, não fossem as chamas de Minneapolis...


Derek Chauvin, o policial responsável por torturar e matar por asfixia George Floyd, de 46 anos, em Minneapolis, nos Estados Unidos, foi detido nesta sexta-feira 29/V. A informação foi confirmada pelas autoridades de segurança do município.
Segundo a emissora CBS, Chauvin atuou na polícia de Minneapolis por 19 anos. Ele ainda não foi formalmente acusado. De acordo com a CNN, o policial tinha 18 denúncias contra ele na corporação.
Os outros três policiais envolvidos no caso não foram incluídos na ordem de prisão. Na  segunda-feira 25/V, Floyd foi parado pelos policiais, que disseram estar respondendo a um chamado por falsificação de documentos.
Adam Zyglis. (EUA).       (Passado) ..................................... (Presente)
Depois que Floyd já tinha sido algemado e colocado deitado no chão, Chauvin se ajoelhou em seu pescoço. A vítima avisou que não estava conseguindo respirar, enquanto outros policiais apenas olhavam. Pouco depois, ele foi declarado morto em um hospital nos arredores.
Após a morte de Floyd, Minneapolis tem registrado fortes protestos. De acordo com o jornal The New York Times, cinco pessoas foram baleadas e uma morreu durante as manifestações.  -  (Fonte: Aqui).

SERIOUS CARTOON

Jota A.
....
.Bom Dia 247 (29.05.20) - Attuck / Mier / PML / Solnik / Urban:
Trump e Bolsonaro se unem pelas fake news ...................... Aqui.

...A MARCHA LENTA E LETAL DA COVID-19


Dario Castillejos. (México).

CASO GEORGE FLOYD: A BRUTALIDADE DO ESTADO QUE SÓ ENCONTRA VIDAS NEGRAS

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Como diria o outro, parafraseando o que disse alguém sobre o Brasil: "Nos EUA, negros morrem de fome, ou de covid-19... ou de racismo policial!"


A forma brutal como George Floyd, um homem negro de 46 anos, foi assassinado pela polícia da cidade americana de Minneapolis, em Minnesota, ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos e ganhou destaque nas redes sociais de diversos países, incluindo o Brasil. 
Nas imagens que circulam na internet, George Floyd aparece imobilizado no chão de uma rua, enquanto um agente militar branco está ajoelhado em seu pescoço. No vídeo é possível ouvir Floyd clamando por ajuda. “Por favor, eu não consigo respirar, por favor”, dizia a vítima.
Durante a gravação, testemunhas pedem para que o policial saia de cima de Floyd. “Saia do pescoço dele”, disse uma delas. Mas, após cerca de cinco minutos reclamando, a vítima parou de reagir e foi colocada em uma maca, levada por uma ambulância. Segundo as autoridades locais, Floyd chegou ao hospital, mas não resistiu. 
De acordo com a polícia, Floyd era suspeito de crime de falsificação e resistiu a ordem de prisão dos agentes, além de parecer “bêbado” ou “drogado”.
Leandro.
O crime agora é investigado pelo Departamento Federal de Investigação (FBI) dos Estados Unidos. Na terça-feira, 26 de maio, quatro policiais envolvidos foram demitidos.
Na cidade americana, milhares de pessoas protestaram contra a ação da polícia no local onde Floyd foi morto, informou a imprensa local.
Já no Twitter, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, se manifestou sobre o episódio trágico. “Ser negro nos Estados Unidos não deveria ser uma sentença de morte. Por cinco minutos, assistimos a um agente branco pressionar seu joelho contra o pescoço de um homem negro. Cinco minutos.  -  (Jornal GGN - Aqui).
................

Do Brasil 247:


O jogador de Basquete LeBron James protestou contra o assassinato de George Floyd pela polícia, em Minneapolis, nos Estados Unidos. (...)
O jogador de Basquete escreveu, ao publicar uma foto antiga em que vestia uma camisa com a frase "Ainda! 'não consigo respirar'” (I can’t breathe). Na época, o protesto era contra a morte de Eric Garner, outro negro que foi sufocado até a morte por um policial.
(Para continuar, clique Aqui).

quinta-feira, 28 de maio de 2020

ELES DISSERAM - EM VÍDEO(S) - (28.05.20)


.Fernando Morais:
Segundo dia de protestos em Minneapolis
após morte de negro por policial branco ....... Aqui.

.Luis Nassif:
Em pleno escândalo Witzel, licitação
suspeita do Ministério da Saúde .................. Aqui.

.Boa Noite 247: 
"Acabou, porra" ........................................ Aqui.

.Paulo A Castro:
O Brasil precisa deter o clã Bolsonaro .......... Aqui.
Eduardo Bolsonaro diz que golpe
é só uma questão de tempo ....................... Aqui.

................
.Falcão:
Diário da Quarentena (52) ......................... Aqui.

SERIOUS CARTOON

Cláudio Paiva.
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.Bom Dia 247 (28.05.20) - Attuch / PML / Solnik / Cynara:
Gabinete do ódio dará o golpe? ............................................ Aqui.

CARTUM DA OPERAÇÃO DESMONTE


Amarildo.

VACINA, A ESPERANÇA FINAL


Steve Sack. (EUA).

ECOS DA COVID19: TWITTER CENSURA FAKE NEWS DE DONALD TRUMP

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"A plataforma lançou uma nova política no início deste mês, que rotularia informações enganosas sobre a COVID-19. A empresa disse na época que potencialmente expandiria esse esforço para outras áreas."
................
Enquanto isso no Brasil, 'campeão' em mau desempenho em todas as vertentes...

Dario Castillejos. (México).

O Twitter rotulou dois dos tweets do presidente Donald Trump com um rótulo de verificação de fatos na terça-feira pela primeira vez, levando o presidente a acusar a plataforma de “sufocante liberdade de expressão”. A plataforma de mídia social aplicou o rótulo em dois dos tweets de Trump que alegavam, sem provas, que votar com cédulas por correio seria “substancialmente fraudulento”. Os rótulos do Twitter dizem “Conheça os fatos sobre as cédulas por correio” e direcionam os usuários a uma coleção de reportagens e artigos desmistificando os tweets.
Perto do topo da página de verificação de fatos do Twitter, uma declaração diz: “Trump alegou falsamente que as cédulas por correio levariam a ‘uma eleição fraudulenta’. No entanto, os verificadores de fatos dizem que não há evidências de que as cédulas por correio estejam vinculadas a fraude eleitoral “. O presidente intensificou seus ataques para desacreditar a integridade da votação por correspondência nas últimas semanas, apesar de evidências substanciais em contrário. A porta-voz do Twitter, Katie Rosborough, disse que os tweets foram rotulados porque contêm “informações potencialmente enganosas sobre os processos de votação e foram rotulados para fornecer um contexto adicional sobre as cédulas por correio. ”TwitterTwitter applied fact-check labels to two of Trump’s tweets about mail-in ballots.”
Logo após a adição dos rótulos, Trump twittou alegações de que a plataforma estava tentando interferir nas eleições presidenciais de 2020.
A plataforma lançou uma nova política no início deste mês, que rotularia informações enganosas sobre A COVID-19. A empresa disse na época que potencialmente expandiria esse esforço para outras áreas.
“No futuro, podemos usar esses rótulos e mensagens de aviso para fornecer explicações ou esclarecimentos adicionais em situações em que os riscos de danos associados a um Tweet são menos graves, mas onde as pessoas ainda podem estar confusas ou induzidas pelo conteúdo”, dizia uma publicação da empresa no momento.
O Twitter disse que isso tornaria mais fácil para os usuários “descobrir fatos e tomar decisões informadas” sobre o que veem na plataforma.
Rosborough disse que a decisão de terça-feira está alinhada com a nova política e confirmou que é a primeira vez que um dos tweets de Trump é rotulado.
A gigante das mídias sociais enfrentou uma pressão crescente para assumir a responsabilidade pelo uso persistente da plataforma pelo presidente para espalhar desinformação e teorias de conspiração infundadas. Na terça-feira, o Twitter foi criticado por se  recusar a remover os tweets de Trump, sugerindo que Joe Scarborough, ex-congressista republicano da MSNBC, poderia ter matado Lori Klausutis, uma estagiária de 28 anos, quando ela trabalhava em seu escritório na Flórida. Ela morreu em 2001, depois de bater a cabeça em uma mesa. As autoridades determinaram que ela desmaiou devido a um problema cardíaco não diagnosticado e classificou a morte como um acidente.
O viúvo de Lori Klausutis, Timothy Klausutis, escreveu uma carta ao CEO do Twitter, Jack Dorsey, na semana passada, implorando ao Twitter para derrubar os tweets do presidente. Foi datado na semana passada, mas ganhou atenção na terça-feira, quando Kara Swisher, do New York Times,  publicou o artigo em um editorial.
O Twitter divulgou uma declaração na terça-feira, dizendo: “Lamentamos profundamente a dor que essas declarações e a atenção que estão atraindo estão causando à família. Estamos trabalhando para expandir os recursos e políticas de produtos existentes, para que possamos resolver de maneira mais eficaz coisas como essa daqui para frente, e esperamos ter essas mudanças em breve”.  
-  (Matéria publicada pelo Huffington Post, reproduzida pelo Jornal GGN - Aqui). 

quarta-feira, 27 de maio de 2020

ELES DISSERAM - EM VÍDEO(S) - (27.05.20)


.Alberto Villas:
Fato ou fake? ...................................... Aqui.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ....................................... Aqui.

.Boa Noite 247:
Fake news na mira do STF .................... Aqui.

.Luis Nassif:
O embate entre Bolsonaro e o Supremo . Aqui.
Lenio Streck e o pandemônio político ..... Aqui.

.Paulo A Castro:
STF põe PF na cola da turma de Carlos ... Aqui.

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.Falcão:
Diário da Quarentena (51) .................... Aqui.

MORAES: "LIBERDADE DE IMPRENSA NÃO É CONSTRUÍDA POR ROBÔS"


1. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta quarta-feira 27/V a liberdade de manifestação, mas ressaltou que as pessoas devem arcar com as consequências de seus atos.
"Não se pode censurar, restringir a liberdade de manifestação, de imprensa. Agora as pessoas devem arcar com as consequências de seus atos. Não é possível que novas formas de mídia se organizem de forma criminosa com finalidades de propagação de discursos racistas, discriminatórios, de ódio, contra a democracia e as instituições democráticas", disse Moraes durante seminário promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
O magistrado também comentou as ameaças e agressões sofridas por jornalistas, ações que afetam a liberdade de imprensa e facilitam o acesso à população às fake news. "Se nós aceitarmos isso como normal, essas ameaças virtuais e presenciais, nós estamos abrindo mão da liberdade de imprensa", avaliou.
Para Moraes, a liberdade de imprensa não é construída por robôs. A declaração foi feita horas depois de a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão relacionados ao inquérito das fake news, conduzido por ele no STF, o que atingiu em cheio apoiadores de Jair Bolsonaro.  -  (Aqui).
................


2. Tudo começou com a publicação em 18.10.2018 (em plena campanha eleitoral, portanto), pela Folha, de matéria sob o título "Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp" / 'Com contratos de R$ 12 milhões, prática viola a lei por ser doação não declarada' (Aqui), de autoria da jornalista Patrícia Campos Mello.

(Para conferir um sucinto histórico sobre os desdobramentos do assunto, clique Aqui para ler "Zapgate (ou Esquema WhatsApp): 'Um Caso Difícil'"  -  Aqui).

Nota
A jornalista Patrícia Campos Mello, autora da matéria de 18.10.18 acima citada, participou do debate "Webinar - Liberdade de Imprensa  e Justiça" - referido no item 1, acima, e disponível no Youtube (Aqui) -, realizado nesta data, do qual também participaram o ministro Alexandre de Moraes, o Procurador-geral da República Augusto Aras e o presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz.   

DA SÉRIE FLAGRANTES DA VIDA MUNDIAL


Mariosan.

COVID-19: EUA ULTRAPASSAM 100 MIL ÓBITOS

Dario Castillejos. (México).
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.Bom Dia 247 (27.05.20) - Attuch / Rovai / PML / Solnik:
Estado policial? .................................................................. Aqui.

SUSPEIÇÃO DE MORO: O QUE FAZER QUANDO SE SABE QUE SE SABE?


Por Lenio Streck

Não, não é fácil conseguir a declaração de suspeição de um juiz no Brasil. O STF chegou a dizer no HC 95518 — impetrado pelo brilhante Cesar Bitencourt — que, embora comprovado o ato abusivo do magistrado, isso não implicou parcialidade contra o réu. O juiz em questão era, nada mais, nada menos que Sérgio Moro. Isso há alguns anos. O STF disse, por exemplo, que “atua com inequívoco desserviço e desrespeito ao sistema jurisdicional e ao Estado de Direito o juiz que se irroga de autoridade ímpar, absolutista, acima da própria Justiça, conduzindo o processo ao seu livre arbítrio, bradando sua independência funcional”.
Nesse caso em que o STF desenhou o retrato de Moro, esculpindo-o em carrara, embora não tenha poupado adjetivos fortes à conduta abusiva do juiz, não foi declarada a suspeição, uma vez que “o conjunto de atos abusivos, no entanto, ainda que desfavorável ao paciente e devidamente desconstituído pelas instâncias superiores, não implica, necessariamente, parcialidade do magistrado”.
Veja-se. O precedente de então, e que, ao que me consta, não foi superado, é o de que apenas não se declara a suspeição por parcialidade quando as decisões decorrentes de condutas desse jaez são corrigidas por instâncias superiores.
Até faz sentido. No entanto, se a conduta abusiva do juiz impregna o conjunto probatório, como se fosse o veneno da tese dos frutos da árvore envenenada, pendo que, desde sempre, o processo deverá ser nulo. De todo modo, dependerá do exame do caso concreto. Como, aliás, deve ser a análise de um precedente. Nenhum precedente se aplica em abstrato ou automaticamente.
Para ser mais claro: no caso do HC impetrado por Bitencourt, o STF apenas remeteu cópias para a corregedoria, porque já estavam corrigidos os erros e as diatribes do juiz Moro. A contrario sensu, pode-se deduzir, então, que, se houvesse qualquer prejuízo ao paciente, a nulidade seria declarada pelo Supremo Tribunal.
Portanto, o fulcro desse precedente foi que “a alegação de suspeição ou impedimento de magistrado pode ser examinada em sede de habeas corpus quando independente de dilação probatória. É possível verificar se o conjunto de decisões tomadas revela atuação parcial do magistrado neste habeas corpus, sem necessidade de produção de provas, o que inviabilizaria o writ”.
Temos então que, segundo o STF, é possível ir além do rol taxativo do artigo 254 do CPP (na contramão, recentemente o TRF4 disse que o rol era absolutamente taxativo, com o que nada podia ser feito).
Hermeneuticamente registro que essa tese da taxatividade é, claramente, o resquício da corrente textualista na interpretação brasileira. Por ela, por exemplo, o caso Brown v. Board of Education of Topeka (de 1954) teria sido julgado no sentido da continuidade da separação racial entre crianças (aliás, o ex-textualista Adrian Vermeule, professor de Harvard, diz que, pelo textualismo, a discriminação deveria continuar).
Temos de saber, então, qual é a jurisprudência que vale:
a) a que sustenta que é possível examinar a parcialidade em sede de Habeas Corpus quando há prova pré-constituída (elementos objetivos);
b) a que sustenta que “a arguição de suspeição do juiz é destinada à tutela de uma característica inerente à jurisdição, que é a sua imparcialidade, sem a qual se configura a ofensa ao devido processo legal” (STJ no HC HC 172.819/MG);
c) a que assegura que “(A CF prevê uma) Garantia processual que circunscreve o magistrado a coordenadas objetivas de imparcialidade e possibilita às partes conhecer os motivos que levaram o julgador a decidir neste ou naquele sentido” (STF — HC 110844).
Ou vale a jurisprudência que:
d) se apega a um textualismo ingênuo e ultrapassado (Vermeule I), sustentando que o rol do artigo 254 é taxativo, com o que a parcialidade acaba ficando de fora ou se constituindo quase que em uma “prova diabólica”?
Eis a questão: valem “a”, “b” e “c”, lidos separadamente ou conjuntamente, ou vale a alternativa “d”?
Ora, I) uma coisa é dizer que, no artigo 254, estão elencadas hipóteses de afastamento do juiz; outra coisa é II) dizer que o dispositivo elenca (tod)as hipóteses de afastamento. Veja-se que se trata de uma regra. E onde está o princípio? Ou a imparcialidade não é um princípio? Não encontrei quem dissesse que não. Consequentemente, a resposta deveria ser óbvia.
De saída, o próprio texto de lei tem lá suas idiossincrasias. Como a parcialidade não está elencada, entendem, parte da doutrina e jurisprudência (dominantes?) que, fora das hipóteses (taxativas) do artigo 254, a parte não conseguirá demonstrar a suspeição. Não há algo errado nisso?
Se a tese da taxatividade do rol do artigo 254 for vitoriosa, então sequer poderemos cumprir os ditames do Tribunal Interamericano, que diz que é garantia do acusado ser julgado por um tribunal imparcial. Assim, por aqui, se não enquadrarmos nenhum ato do juiz ou do tribunal naquele rol taxativo, mesmo que o juiz tenha sido parcial até as grimpas, nada acontecerá. Ou minha leitura é equivocada?
Vamos a um exemplo: o juiz pode esculachar o réu, cometer abusos (como o fez o juiz Moro no HC mencionado), mas, se ele não é “inimigo capital”, nem parente, nem cônjuge, sócio etc., não haverá parcialidade. É a tese da taxatividade.
Ora, o fato de uma atitude do juiz não preencher as “taxativas” hipóteses da lei não quer dizer que não tenha sido parcial. Por exemplo, o comportamento de Sergio Moro. Vazou gravações ilegais (chegou a pedir desculpas ao STF pelo seu ato), vazou delação dias antes da eleição (Palocci), trocou figurinhas com a acusação (Intercept). Isto é: elementos objetivos de que agiu com parcialidade não faltam. O que mais precisaria ele fazer? Bater no réu? Esfolar as testemunhas?
Deve haver um modo, jurídico, pelo qual nós possamos dizer que não pode ser assim. O “não pode ser assim” está na origem da própria ideia de Direito. Sir Edward Coke disse ao rei absolutista, no século XVII, que não podia ser daquele jeito [1].
Nem os notórios instrumentalistas negam que a imparcialidade seja um princípio (este, de fato, preenche todos os requisitos exigidos de um princípio). Consequentemente, o artigo 254 deve ser lido a partir da iluminação deontológica do princípio da imparcialidade, previsto, aliás, nas convenções e tratados assinados pelo Brasil de há muito (por exemplo, Pacto de San José da Costa Rica — 1969, artigo 8º).
Processo é garantia. E não instrumento. Logo, o devido processo legal traz ínsito a exigência de imparcialidade, de fairness (equanimidade).
Por fim, não é demais lembrar o modo como o Tribunal Europeu de Direitos Humanos vê o problema: ele exige não só a imparcialidade; ele exige a aparência de justiça. A tese é: “Justice must not only be done; it must also be seen to be done“.
Observe-se: a Constituição já é a maior demonstração do conceito de imparcialidade. Sabem como? Se a Constituição é um remédio contra maiorias — e o é — isto já quer dizer que cumpri-la é um gesto imparcial, porque a decisão será contra as eríneas (da peça As Eumênidas!), contra as sereias (e seu canto) portadoras do senso comum, pelo qual os fins justificam os meios.
Ou seja, a Constituição do Brasil e o Tribunal Europeu dos DH abominam o modelo “juiz Larsen” (Caso Hauschildt vs. Áustria) — esse juiz (Larsen) pré-julgava e aplicava sua opinião independentemente do caso concreto.
Numa palavra final, lanço, aqui, um slogan sobre o comportamento do juiz Moro. Tiro do livro “A Espera dos Bárbaros”, de Coetzee. O personagem narrador é um juiz.
Bom, então qual é o slogan? Simples: o juiz descobre que havia tortura no forte e fica num dilema: o que fazer agora que sabe?
Eis a pergunta: o que a comunidade jurídica e o STF farão, agora que sabem que sabem tudo sobre Moro?
Como disse o juiz-narrador do romance de Coetzee: “De forma que agora parece que meus anos de sossego estão chegando ao fim, quando eu poderia dormir com o coração tranquilo, sabendo que com um cutucão aqui e um toque ali o mundo continuaria firme em seu curso. Só que, mas, ai! eu não fui embora: durante algum tempo tapei os ouvidos para os ruídos que vinham da cabana junto ao celeiro onde guardam as ferramentas, depois, à noite, peguei uma lanterna e fui ver por mim mesmo.”
Torturavam. E agora, pensa o juiz, o que fazer?
Agora ele sabe… Sabe que sabe! Não dá para tapar os ouvidos.
Até a comadre de Moro, a deputada Zambelli, já disse que sabe que sabe o que Moro fez…!
[1] Importante é o processualismo de resistência praticado por juristas como Eduardo José da Fonseca Costa, com seu belo livro “Levando a Imparcialidade a Sério.
Na mesma linha, é bem oportuno lembrar que Aury Lopes Jr chama a atenção para a decisão tomada pelo Supremo no caso da ADI 1570, que é extremamente útil para ilustrar a seguinte questão: impedimento, suspeição e incompatibilidade não são os únicos instrumentos a disposição para se combater a parcialidade de um magistrado. A decisão do STF admite que o 254 não é taxativo. Também recomendo o excelente artigo de Fabricio Pozzebon (Cf. Direito & Justiça v. 39, n. 1, p. 116-120, jan./jun. 2013.), no qual cita diversos autores (Aury, Pacceli, Nucci) e critica a taxatividade. Do mesmo modo, Badaró se coloca nessa mesma linha de Aury et alii. Pelo espaço, remeto os leitores aos textos e livros desses autores.  -  (Conjur Aqui). 
 é jurista, professor de Direito Constitucional, titular da Unisinos (RS) da Unesa (RJ).

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Em resumo: O julgamento do pedido de suspeição contra o ex-juiz Moro, formulado pela defesa do ex-presidente Lula e que pende de deliberação da Segunda Turma do Supremo (aguarda-se o voto de desempate do decano Celso de Mello), pode resultar no tudo por isso mesmo, com absolvição de Moro, independentemente da contundência de denúncias apresentadas contra o citado magistrado, como aquelas que resultaram em reclamações junto ao Conselho Nacional de Justiça (e que não chegaram a ser julgadas em face de postergações havidas e porque o - acossado - senhor cuidou de apresentar pedido de exoneração do cargo, após 22 anos de magistratura).  Dessa forma, o agora insuspeito ex-juiz e ex-ministro - livre, por exemplo, do possível impedimento de ocupar função pública por 8 anos - estaria habilitado a candidatar-se até mesmo à Presidência da República.