terça-feira, 31 de agosto de 2021

ENQUANTO ISSO, NUMA FÁBRICA DE ARMAMENTOS...

                "Infelizmente, Todas as Coisas Boas Chegam ao Fim."

Peter Kuper. (EUA).

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

.
(31.08)


.Conde Entrevista:
Choro Popular Brasileiro com
Luciana Rabello ........................................ Aqui
................
.Domingueira GGN:
Histórias de clubes de choro ..................... Aqui.
................
.Beto Guedes:
'Sol de Primavera' ..................................... Aqui.


.Plantão Brasil:
CPI da Pandemia: Motoboy pego 
nas câmeras do Bradesco ......................... Aqui.

.Live das 5:
Moraes mantém prisão preventiva de
Roberto Jefferson, que aposta que
Bolsonaro vai salvá-lo .............................. Aqui.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa .............................................. Aqui.

.Boa Noite 247:
CPI liga motoboy a esquema de
vacinas de Bolsonaro ................................ Aqui.

.Luis Nassif:
Conversa com os senadores Humberto
Costa e Angelo Coronel ............................. Aqui.

.Galãs Feios:
Igreja Universal e Leo Índio se 
envolvem em rolo de bitcoin .................... Aqui.


.O Essencial:
Prisão no horizonte: Justiça quebra
sigilos de Carlos Bolsonaro ...................... Aqui.

.Aquias Santarem:
Quebra de sigilos deixa Bolsonaro
apreensivo ................................................. Aqui.

.Paulo A Castro:
Enlouquecido, Bolsonaro diz que o 7 de
setembro será uma oportunidade única .. Aqui
Terríveis notícias para Moro, Flávio
e Carlos Bolsonaro .................................... Aqui.

AFEGANISTÃO: O ÚLTIMO VOO


Steve Sack. (EUA).
 ................ 

(A)
.Bom Dia 247 (31.08)  - Attuch / 
Auler / PML / Solnik / Cruvinel:
Cinco anos de golpe, destruição
e vergonha ................................................ Aqui.

(B) 
.CPI DA PANDEMIA 

.Galãs Feios:
CPI pretendia ouvir motoboy que
movimentou R$ 117 milhões .................... Aqui.

DUAS DO DIA

.
Este Blog tem ciência de que os virtuosos não suportam mais esses assuntos. Mas a CPI da Pandemia está, sim, pondo muitos pingos nos ´Is', colocando muita coisa em pratos limpos, e isso é imperioso (esse caso do motoboy, p. ex., tem potencial para escancarar a corrupção - daí, talvez, o empenho de seus 'protetores' em 'resguardá-lo') -- e a variante Delta, na esteira do que falou Miguel Nicolelis (Aqui), acendeu o sinal amarelo no Ministério da Saúde. São temas que não podem passar batido, convenhamos. 
Mas nem tudo está perdido: resolvemos poupar os virtuosos sobre o que aguarda os tresloucados que ameaçam 'salvar o Brasil de flagelos mil' no 7 de setembro. 

(I) 


Randolfe diz que CPI vai recorrer de decisão de Nunes Marques: "que segredos o motoboy esconde?"

No 247:
Vice-presidente da CPI da Covid, o senador Randolfe Rodrigues (Rede), afirmou que irá recorrer da decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que desobrigou o motoboy Ivanildo Gonçalves Dias de comparecer em sessão na comissão do Senado marcado para esta terça-feira, 31.

“Pelo visto, a VTClog é realmente MUITO poderosa. Que segredos o motoboy esconde? Respeitamos a decisão do ministro Nunes Marques, mas iremos recorrer da decisão!”, afirmou o senador no Twitter.

Em decisão liminar nesta segunda-feira, 30, Nunes Marques também permitiu que, caso o motoboy compareça à sessão, ele poderá ficar em silêncio e está desobrigado a firmar o compromisso de dizer a verdade.


A liminar de Nunes Marques considerou que não há correspondência entre os fatos investigados pela CPI e as informações que serviram de base para a convocação de Ivanildo.

"Não há, assim, congruência entre os fatos determinantes da abertura da CPI ― políticas públicas no enfrentamento da pandemia que alcançou o Brasil em 2020 ― e aqueles que serviram de fundamento para a convocação do impetrante: movimentação financeira da VTClog sem determinação do período; saques pelo impetrante, nos últimos dois anos, de altos valores destinados a sua empregadora; relação de confiança da empresa VTClog com o impetrante; e transporte, em sua moto, de R$ 430 mil, em 24 de dezembro de 2018, 'noite de Natal'”.

O caso

Segundo denúncias, o motoboy sacou um total de R$ 4,74 milhões para a VTC Log, uma empresa de logística com contratos no Ministério da Saúde e responsável pelo transporte de insumos e vacinas.

Na ação no STF, o advogado Alan Diniz Moreira Guedes de Ornelas, que o defende, diz que "sua função é de motoqueiro e, em decorrência disto, realiza todas as diligências que dependem de deslocamento, inclusive bancárias". 

Para a defesa de Ivanildo, o requerimento aprovado pela CPI "aponta fantasiosas ilicitudes praticadas pelo impetrante que, por sua vez, somente exerce a profissão de  motoboy na empresa VTCLOG e, ainda, utiliza de dados financeiros sigilosos que abrangem período não compreendido pela pandemia". Diz ainda que a convocação é um "ato emanado através de ilegalidades".

A defesa avalia que "o que se verifica através das diversas sessões até então realizadas é que alguns excessos são praticados para o fim de causar devassa pessoal e jurídica de agentes públicos, empresas privadas, instituições e pessoas físicas, assim como no caso do presente mandado de segurança".


................
Em Tempo:
A CPI já ingressou no Supremo com pedido de reexame, pelo Pleno, da decisão singular do ministro Nunes Marques.

................

(II)


Ministério da Saúde admite que Covid-19 pode ter nova onda em setembro

No 247:
O Ministério da Saúde já trabalha com a possibilidade de uma alta nos casos de Covid-19 - e também de hospitalizações - no mês de setembro.

A variante delta, que é mais contagiosa, e a diminuição da proteção das vacinas na população mais idosa, a primeira a se imunizar, estão entre as explicações para a preocupação com a aceleração no número de casos. Estados e municípios, por outro lado, avançaram na reabertura econômica e no afrouxamento das regras sanitárias.

Uma das medidas que o Ministério da Saúde acredita que podem frear um crescimento maior do número de casos de Covid-19 é a aplicação da terceira dose da vacina nos imunossuprimidos e nos mais idosos, que começam a receber o reforço a partir de 15 de setembro, informa a jornalista Mônica Bergamo em sua coluna na Folha de S.Paulo. 

O ritmo da vacinação ainda é insuficiente para que se chegue à cobertura vacinal desejável, de pelo menos 90% da população imunizada com segunda dose até 31 de dezembro de 2021, afirmam os pesquisadores Guilherme Werneck, Ligia Bahia, Jessica de Lima Moreira e Mário Sheffer.  -  (Aqui).

.Miguel Nicolelis:
Análise de conjuntura .......................... Aqui.

CABUL DEADLINE

                  (Coadjuvantes: União Europeia + Grã-Bretanha)

Schot. (Holanda).

DATA FATAL CABUL


Vladimir Kazanevsky. (Ucrânia). 

O VAZIO EXISTENCIAL DO NOSSO CONFORMISMO BOVINO NO FILME 'ANIMAL POLÍTICO'

.
Apesar da aparente reflexão densa e existencial, Animal Político leva tudo com humor sutil em cenas nas quais o absurdo até arranca risadas de nós. Como Tião afirma em entrevistas, “o filme vai de Sessão da Tarde a Dostoievski e Nietzsche”.
................
(Entreouvido nos bastidores: "Calma, esse texto não é sobre o que poderiam estar pensando!").


Por Wilson Ferreira

Uma vaca vive entre os humanos. Teve uma infância feliz e uma família humana amorosa. Vai a restaurantes, shopping, baladas, faz compras e se relaciona com todos. Mas mesmo com todo o seu conformismo bovino, sente que falta algo. Há uma angustiante sensação de vazio em toda essa felicidade. E a vaca sai em busca de uma resposta, seja racional ou espiritual. “Animal Político” (2016) é uma anomalia no cenário cinematográfico brasileiro, um filme estranho no melhor sentido: uma narrativa onírica e surreal sobre nossos problemas existenciais produzidos por fatores bem concretos: a sociedade de consumo numa sociedade marcada pelo abismo da desigualdade. O filme nos faz compreender a célebre afirmação de Aristóteles (o homem é um animal político) interpretando-a ao pé da letra, através da alegoria e de um humor sutil. 

Ela tem tudo o que se desejaria para uma vida feliz e confortável. Teve uma infância cercada de presentes e viagens a Disneylândia. Amada por todos, tem uma família amorosa e adora fazer compras. Também adora esportes, joga vôlei e vai regularmente na academia de ginástica andar na esteira. Tem uma intensa vida social participando de festas, churrascos, indo a restaurantes e baladas. Só que há um pequeno detalhe: ela é uma vaca.

Uma verdadeira vaca, preta e branca, no mundo humano, convivendo com humanos e fazendo tudo o que um humano faz. Mas ninguém ao redor dela acha estranho. Porém, ninguém sabe que a vaca sente falta de alguma coisa. Em seus diálogos filosóficos interiores, a vaca tenta encontrar a explicação para um profundo vazio existencial que a persegue, mesmo nos momentos mais felizes.

Em sua estreia com longa-metragem, o cineasta brasileiro Tião conta no filme Animal Político (2016) essa história nada verossímil através de uma estética onírica, surrealista que supera o absurdo. Transforma a célebre frase de Aristóteles de que o homem é um animal político, em uma fábula cuja vaca é a principal alegoria: sua condição bovina é a antítese da consciência política – não compreende sua condição bovina conformista, de respeitar rotinas e viver sem que nada mude.

Sua rotina é preenchida pela luta contra o tédio que se traduz nesse vazio existencial interior. O problema é que cabeleireiro, shopping center e balada criam ainda mais tédio. Quer mudança, mas sempre volta para o lugar de segurança. 

Animal Político flana por temas gnósticos, favorecido pela sua narrativa onírica e surreal que abre espaços para esse tipo de reflexão: a condição de alienação e a própria condição da vaca como uma estrangeira que perambula entre humanos: ela é “bovinamente” conformista, porém, a sua condição é naturalmente de estranhamento – não do entorno das pessoas de seu relacionamento, mas da própria protagonista com a sociedade.

Também Animal Político leva a narrativa para reflexões entre as conexões entre a sociedade de consumo e uma certa noção de felicidade imposta por ela: a felicidade como uma meta abstrata, um produto escasso e exclusivo que é oferecida para que todos se tornem dignos do amor – uma meta tão abstrata que produz o efeito colateral da sensação do vazio e do Nada. Tema sartriano por excelência, cuja fenomenologia é a angústia. 

 Tião leva até às últimas consequências uma metáfora que, colocada em movimento, transforma-se numa alegoria. Embora não seja uma produção grandiosa, presume-se as dificuldades para a realização das cenas que exigiram colocar o enorme bovino dentro de restaurantes, sobre uma esteira ergométrica em uma academia ou dentro de um shopping.

“O filme inteiro foi muito difícil. A questão da vaca envolveu vários níveis: a produção precisava pegá-la muito cedo, arrumar o transporte adequado, ter a autorização dos veterinários para transitar com ela (...) Às vezes a gente queria que ela ficasse parada, ou caminhasse de um ponto ao outro, e isso poderia demorar horas. Então a gente tinha uma porção de material bruto sem importância, até aparecer uma joia. Do nada, ela fazia exatamente o que a gente queria, e dava certo. Às vezes a gente pensava que a cena seria muito demorada, e ela fazia exatamente o que a gente queria logo de cara. A gente quase duvidou: será que ela tem uma consciência? De vez em quando a equipe ainda estava preparando a cena, mas ela estava na posição certa, esperando. Fazia silêncio, ela percebia a mudança de clima e começava a agir.

Apesar da aparente reflexão densa e existencial, Animal Político leva tudo com humor sutil em cenas nas quais o absurdo até arranca risadas de nós. Como Tião afirma em entrevistas, “o filme vai de Sessão da Tarde a Dostoievski e Nietzsche”.



O Filme

As primeiras cenas de Animal Político são magrittianas: dois homens de terno e gravata e sem cabeça caminham por uma paisagem árida sob o som sibilante do vento. Até se encontrarem e pararem um diante do outro. Por razões óbvias, nada falam um para o outro.

É a primeira metáfora do filme: a incomunicabilidade. Que será o drama da vaca protagonista (Rodrigo Bolzan) que faz um monólogo interno sobre o seu vazio existencial, mas é incapaz de expressar essa sensação com as pessoas ao redor que a amam.

Assistimos a imagens que simulam velhas fitas VHS que mostram a infância e juventude felizes da protagonista. Em voice over acompanhamos o seu diálogo interno. Algumas vezes sente-se culpada por ter pensamentos tão negativos apesar da sua vida cercada de amor e conforto material.

O episódio da festa das trocas de presentes natalinas (a vaca ganha uma sineta para carregar no pescoço) é a gota d’água: a vaca decide mergulhar no conhecimento humano através dos livros para encontrar uma reposta. Vemos imagens dela puxando um carrinho repleto de livros em uma biblioteca. 

Sem encontrar uma resposta nos livros, decide por si própria se afastar da sociedade e partir para uma jornada naquela região inóspita que vimos na abertura: abandonando o conhecimento racional, a vaca pretende agora encontrar a iluminação espiritual no deserto.

Há um interlúdio na narrativa que se soma aos enigmas simbólicos do filme: o conto da “Pequena Caucasiana” (Elisa Heidrich) – diferente da vaca integrada à sociedade, acompanhamos uma naufraga isolada em uma ilha. Uma rica e bela garota, nascida numa família aristocrática de uma linhagem de classes dominantes (das capitanias hereditárias à moderna elite de banqueiros) que, mesma no isolamento, não perde o seu, por assim dizer, DNA da elite: “Às vezes me dá um frio na barriga do que vou encontrar lá fora... e se os pobres não tiverem mais cáries?... como vou saber distinguir quem é nobre e quem é pobre?...”.




O deserto e o vazio – alerta de spoilers à frente

Corta para a viagem espiritual da vaca através do deserto, no momento mais icônico, irônico e até mesmo metalinguístico. Após caminhar sobre uma senda de livros abertos com as páginas tremulando ao vento, chega ao final e encontra a resposta tão procurada: a verdade e a luz estão em um simples manual de regras da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Aquelas normas tão conhecidas nos meios acadêmicos, que normatiza a formatação de dissertações, teses e livros.

Metalinguístico: as normas ABNT são o único ponto comum em todos os livros nos quais a vaca procurou a resposta para o seu vazio existencial. 

Irônico, porque a resposta ao vazio é a causa da angústia que gera a sensação do Nada no consumo: Natal, shopping, esteira ergométrica, balada, compras e até mesmo o amor se equivalem a um denominador comum: são todos produtos à venda no grande mercado em que se transformou a sociedade.




Por isso, mais uma vez, a “iluminação espiritual” produz tédio. Agora, no deserto. O que faz retornar à ordem, com a protagonista bovina voltar à civilização.

É a angústia existencial sartreana trazida para a sociedade de consumo: se tudo se equivale, qual opção é a correta? Como explicar a sensação de vazio diante do Nada com toda variedade de ofertas e opções que a sociedade promove nos meios de comunicação?

O vazio existencial e o vazio do estômago daqueles que não conseguem consumir acabam se equivalendo na lógica perversa do mercado: o desejo frustrado de muitos irá agregar valor aos produtos dos poucos que podem efetivamente consumir – apesar do vazio existencial, mesmo assim se considerarão “dignos do amor”, privilegiados ao se sentirem parte dessa minoria “feliz”.   -  (Fonte: Cinegnose  -  Aqui).


 

Ficha Técnica 

Título: Animal Político

Diretor: Tião

Roteiro: Tião

Elenco: Rodrigo Bolzan, Elisa Heidrich, Victor Laet

Produção: Sonamos, Distruktor, Trincheira

Distribuição:  Vitrine Filmes

Ano: 2016

País: Brasil

 

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TRAGIC CARTOON


Jeff Koterba. (EUA). 
................
- EXIT, tradução...
- ...'êxito'?

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

.
(30.08)


.Playing For Change - Band Live:
"I'd Rather Go Blind" ................................ Aqui
................
.Song Around Tfe World - Playing
For Change - Sara Bareilles:
"What's Going On" (Marvin Gaye) ........... Aqui.
................
.Pholhas:
'I Love You' ................................................. Aqui.
'The Other One' .......................................... Aqui.
'I Never Did Before' ................................... Aqui.
"It's Gonna Be Hard" ................................. Aqui.


.Globalistas (Brian Mier/Nathália Urban):
Picaretas e fascistas internacionais
de olho no 7 de setembro ........................... Aqui.

.Galãs Feios:
Banqueiros estão à esquerda 
do governo Bolsonaro ................................ Aqui.

.Live das 5 (Marcos Caseiro e outros):
PGR denuncia Roberto Jefferson por 
incitação ao crime e homofobia ................. Aqui.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ................................................ Aqui.

.Aquias Santarem:
Filho denuncia pai patrocinador 
de Bolsonaro ............................................... Aqui.
Lira sabota derrubada de Bolsonaro ........ Aqui.

.Boa Noite 247:
Guedes se desmoraliza e empresários
assinam manifesto contra governo ........... Aqui.

.Luis Nassif:
Simone Tebet: MDB disputará o Planalto;
Ricardo Barros indiciado ........................... Aqui.

.O Essencial:
Coronel fala do 'golpe' do 7 de setembro;
Roberto Jefferson pode morrer na prisão .. Aqui.

.Paulo A Castro:
Flávio Bolsonaro tenta adiar
julgamento no Supremo .............................. Aqui.
Bolsonaro e o medo de ser preso ................ Aqui.

PSG VENCEU NA ESTREIA DE MESSI


Duke. 

A VACINA E A INJEÇÃO NA TESTA


"
Em 24 de junho, o twitter oficial do senador José Serra (PSDB-SP) postou uma mensagem preocupante: o senador estava internado com covid, mesmo tendo sido vacinado duas vezes. O mais preocupante da mensagem, contudo, não era o estado de saúde física de José Serra, mas o que a nota revela da saúde mental coletiva. Sem noção de ironia, o tweet explica que o ex-ministro da Saúde ficará internado porque isso “garante também a segurança” de pessoas “ainda não vacinadas.” É isso mesmo, senhores: o virtuoso José Serra, que se contaminou com a covid depois de duas doses da CoronaVac, aceitou ser internado para proteger os não-vacinados que carecem do mesmo privilégio de contrair covid só depois da imunização. 

A apresentadora Ana Maria Braga também pegou covid depois de duas doses da vacina, e viveu para contar. Reminiscente dos melhores momentos da ex-presidente Dilma Rousseff, Ana Maria explicou que ela é “a prova de que a vacina não impede que a pessoa pegue covid mesmo vacinado“, mas é também a prova “de que é importantíssimo a gente se vacinar, né? Qual é o grande objetivo, né?, da vacina, né?”...

Né....

Ana Maria é da época em que o grande objetivo de vacinas era imunizar, mas isso é passado. Também é coisa do passado a imunidade natural, ainda que ela seja comprovadamente mais robusta do que a imunidade (não) adquirida com as vacinas da covid. Mas como qualquer ferramenta orgânica e não-patenteável, a imunidade natural está gradualmente deixando de ser vista como ciência para se transformar em superstição. Por outro lado, tanto faz que a vacina da covid não imunize –ninguém se importa. Basta continuar usando o verbo “imunizar” que, se ele não mudar a realidade, uma hora a realidade o muda. E aliás já mudou, como mostrei no artigo da semana passada, onde conceitos antigos foram editados para se ajustar a uma nova realidade científico-comercial. Esse é mais um dos milagres do capitalismo de resultados: se o resultado não for o que você esperava, dobre a meta (ao meio).

Para entender a nova ciência, eu recorro a um diálogo entre 2 insetos portugueses: uma mosca cheia de paciência e uma formiga “negacionista” que insiste em saber a diferença entre riscos para vacinados e não-vacinados:

“Ax pssoax nao-vacinadax que tenham contactado com alguém supoxtamente infectado devem entrar em isolamentu.” 

“E ax vacinadax?” 

“Tambain.” 

“Ax pssoax não-vacinadax devem evitar espaçux fechadux.” 

“E as vacinadax?” 

“Tambain.”...

A essa altura a negaciomiga já quase desistiu de entender a diferença, mas a mosca insiste na explicação: 

“É que ax pssoax não-vacinadax correm muitox rixcux.” 

“E as vacinadax?” 

“Tambain.”.

Pessoas inteligentes já notaram que a covid é a doença de Schrödinger, uma espécie de roqueiro que ninguém sabia que estava vivo até ele morrer. Na hipótese científica de Erwin Schrödinger, um gato existe ou não dependendo do observador. No caso da covid, contudo, a existência da doença é confirmada pela comprovação financeira do seu tratamento, e isso depende do que é feito depois dela. A covid é validada postumamente através da vacina, ou de quanto dinheiro foi necessário para combatê-la. A coisa funciona mais ou menos assim: se você tomou qualquer remédio barato e sem patente e sobreviveu à covid, a doença é uma gripezinha, e você teria sobrevivido a ela tomando água, aspirina ou café. Nada do que você fez ou deixou de fazer teve qualquer influência no seu prognóstico, porque a covid tem taxa de letalidade muito baixa. Porém, a coisa muda se você pegou a covid depois de tomar o imunizante que não lhe imunizou. Nesse caso, algo fascinante acontece a prioposteriori (uma palavra que precisei inventar para essa situação inusitada): a vacina dá um nó no espaço-tempo e, ainda que cê morra logo após a injeção, ela lhe teria salvado se não tivesse deixado de salvar quando o salvou de algo muito pior.

Na fabricação da unanimidade em torno da vacina, dinheiro é fundamental porque ele compra tudo, até a lógica. Com dinheiro suficiente, preceitos básicos da razão podem ser corrompidos até que guerra vire paz, liberdade vire escravidão e ignorância vire força. É assim que vacina ruim e ineficaz se torna obrigatória –não apesar de ela ser ruim e ineficaz, mas exatamente porque ela é ruim e ineficaz. O lucro da Pfizer não diminuiu, mas aumentou quando ficou comprovado que sua vacina não oferece a imunidade que prometia. Outras coisas também melhoraram para a empresa, como as vendas do seu anticoagulante Eliquis –que por acaso ajuda a combater um dos efeitos adversos mais comuns da injeção da covid, a trombose. Outro remédio da Pfizer que promete maiores lucros é o que combate sangramento uterino –mais um efeito adverso das vacinas da covid.

Uma das possíveis sequelas da vacina da covid é a paralisia de Bell. O ministro australiano Victor Dominello sentiu isso na própria pele. Tudo começou quando ele foi injetado com a AstraZeneca –um gesto que o ministro fez sob o olhar atento das câmeras, seus seguidores no Instagram servindo como observadores de Schrödinger que materializam o poder da vacina ao testemunhá-lo. Praticamente nenhum culto sobrevive sem essa cumplicidade, e a religião da vacina não seria diferente. De fato, alguns de seus fiéis são tão fanáticos que mesmo quando perdem parentes eles agradecem à vacina, desculpando a a sua falha e pedindo perdão por questionar seus desígnios. Dias depois do ritual no Instagram, contudo, o ministro apareceu em uma coletiva com um dos olhos piscando incessantemente e parte do rosto adormecida. “Cerca de 48 horas atrás eu senti uma dor no crânio atrás da orelha direita“, contou o ministro. “Nesta manhã, eu acordei com sensação de agulhas no lado direito da minha língua. Mas eu não notei que meu olho estava caído. Eu só levei a sério nesta tarde, quando várias pessoas me enviaram imagens da minha coletiva de imprensa pedindo que eu procurasse ajuda médica urgente.”

Enquanto o mundo analisa a eficácia da vacina, e quando ainda estamos admitidamente bem longe de conhecer seus efeitos de longo prazo, o ex-presidente Lula foi no Twitter dizer que a vacina-que-não-imuniza deveria ser obrigatória. “Eu já tomei duas doses, se falarem de 3ª tomo de novo. Eu acredito tanto na ciência que se precisar tomo vacina até na testa“. Quando Lula diz acreditar na ciência, ele quer dizer que acredita na televisão. Mas quando ele confunde as metáforas, o ex-presidente é bem mais revelador. O ditado “De graça, até injeção na testa” trata de pessoa que é tão avarenta que aceitaria ser machucada contanto que ela não precise pagar por isso. A frase do Lula dá sinais de que ele entendeu que a vacina não imuniza. O problema maior é a 2ª parte dessa conclusão: como outras pessoas cuja testa não tem muito a proteger, Lula também parece achar que a injeção é de graça."




(De Paula Schmitt, artigo intitulado "A Vacina e a Injeção na Testa", publicado no site Poder 360 - Aqui

Este Blog esperava que ao falar sobre vacina e vacinação a articulista dedicasse alguma atenção para a CPI da Pandemia, que a cada dia deixa mais escancarados os vacilos e até indícios de crimes por ação ou omissão perpetrados por autoridades e instâncias governamentais. Este Blog aguarda a manifestação da douta Paula). 

DA SÉRIE CERTAS EXPRESSÕES

.
"A Democracia é Uma Plantinha Tenra."


J Bosco. 
................
.Bom Dia 247 (30.08) - Attuch / Altman / PML / Solnik / Cruvinel:
Golpistas de 2016 tentam conter o fascismo ............................ Aqui.

DA CONTA DE ENERGIA


Duke. 

domingo, 29 de agosto de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

.
(29.08)


.Kim Carnes:
'Bette Davis Eyes' ................................. Aqui.
................
.George Harrison:
'What Is Life' ........................................ Aqui.
'All Those Years Ago' ........................... Aqui.
................
.Michael Jackson:
'One Day In Your Life' ......................... Aqui.
''I'll Be There' ........................................ Aqui.


.DCM - Superlive de Domingo:
Kiko Nogueira, Marcos Caseiro e 
Breno Altman dão uma geral ............... Aqui.

.Galãs Feios:
Garçom vira Rei do Bitcoin
em Cabo Frio ......................................... Aqui.
Thiago Gagliasso tenta dar 'golpe'
em Sérgio Reis........................................ Aqui.

,Boa Noite 247:
Retrocesso: a exclusão dos
negros das universidades .................... Aqui.

.Paulo A Castro:
Os recados de Lewandowski e 
Gilmar Mendes a Bolsonaro ................ Aqui.

O COTIDIANO SEGUNDO ANÉSIA




Will Leite.

DA CONTA NO POSTO


J Bosco.

O ROTEIRO DO GOLPE

.
Bolsonaristas estimulam radicalização de policiais, apostam em ruptura e aproveitam para antecipar suas campanhas eleitorais


Por Renato Sérgio de Lima e
Marco Antônio Carvalho Teixeira

A revelação feita pelo repórter Marcelo Godoy, do Estadão, de que o coronel da PM Aleksander Lacerda, responsável pelo Comando de Policiamento do Interior da região de Sorocaba, em São Paulo, compartilhava em sua página pessoal no Facebook conteúdos com ataques antidemocráticos contra autoridades e poderes caiu como uma bomba de gás lacrimogêneo para enevoar a cena política que antecede o próximo Sete de Setembro – data vendida pelo discurso ultrarradical e golpista de apoio ao presidente Bolsonaro como uma “nova libertação do país”.

Um grande temor de que um golpe será tentado no dia 7 tomou conta da mídia e ocupou diversos analistas. E não à toa, pois o episódio do coronel Aleksander Lacerda trouxe um elemento até então menos visível, o fato de o coronel estar na ativa e, por norma, não poder fazer manifestações político-partidárias. Até então os porta-vozes da infiltração bolsonarista nas polícias eram da reserva e/ou estavam em cargos políticos.

Levantamento da consultoria Arquimedes feito a pedido da piauí mostra que na segunda, dia 23, dia da reportagem, as convocatórias para o dia 7 dominaram as redes sociais, e o caso do coronel Aleksander foi vastamente utilizado para criticar o governador João Doria e chamar para os atos programados. Nas postagens, os porta-vozes são, como esperado, da reserva, mas tentam inflar o episódio e destacar o fato de um policial da ativa falar abertamente. Ganhou destaque o chamado para as manifestações feito pelo ex-comandante da Rota Ricardo de Mello Araújo, que hoje preside a Ceagesp e, em 2017, ainda na ativa, disse que “abordagens policiais nos Jardins e na periferia têm de ser diferentes”.

Dois outros oficiais da reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) também tiveram destaque, sendo o primeiro o coronel Homero Cerqueira, que foi presidente do ICMBio durante a gestão de Ricardo Salles, quando a pasta do Meio Ambiente transferiu cerca de 19 milhões de reais para a PMESP oriundos de pagamentos de multas ambientais. Já o segundo, o deputado federal Coronel Tadeu, eleito por São Paulo pelo PSL em 2018 com 98.373 votos, anunciou a locação de cinquenta ônibus para policiais se deslocarem do estado todo para a Avenida Paulista.

A partir da movimentação deste último, o roteiro do golpe ficou mais explícito, passando pelo assédio e pela cooptação das forças policiais da ativa. Ou seja, radicalizar posições junto a um eleitorado visto como cativo e se tornar visível faz parte não só do processo de ruptura institucional. Caso ela não ocorra, ajuda na estratégia de fazer frente ao fim das coligações partidárias, tema ainda em discussão no Congresso, e tentar se reeleger em 2022. E isso mostra-se ainda mais forte quando constatamos que, ainda segundo a Arquimedes, das dez postagens das redes sociais sobre o Sete de Setembro que mais geraram engajamento, duas delas eram da deputada Carla Zambelli, também eleita por SP pelo PSL, com 76.306 votos, e uma das mais proeminentes representantes do bolsonarismo radical.

Dito de outra forma, 2018 foi um ano eleitoral muito atípico – e nada disso deve se repetir em 2022. Na última eleição presidencial, o antipetismo turbinou o bolsonarismo e criou um resultado artificial para o repaginado PSL, partido que se propôs a abrigar o capitão. Movidos pelo antipetismo, paulistas e paulistanos deram, somados, quase 3 milhões de votos a Eduardo Bolsonaro e Joice Hasselmann. No total, somando votos nominais e de legenda, o PSL recebeu 20,90% dos votos válidos para deputado federal, mais que o dobro dos 9,80% destinados ao PT, partido com mais de quarenta anos de existência e tido como o preferido dos brasileiros. Foi essa enxurrada de votos que possibilitou a eleição dos peselistas Coronel Tadeu e Carla Zambelli, entre outros,  já que sozinhos eles não chegariam nem perto do quociente eleitoral, que, em 2018, foi de 301,9 mil votos. 

Além disso, o bolsonarismo está em baixa e, ao invés de atrair apoios fáceis como o Bolsodória em 2018, encontra dificuldades em angariar aliados. O PSL, por sua vez, rachou. Hasselmann é considerada estrela dissidente do bolsonarismo e hoje, junto com outra ex-estrela do PSL, Alexandre Frota, cerra as fileiras dos que pedem o impeachment do presidente. Eduardo Bolsonaro, assim como já aconteceu com Carlos Bolsonaro no Rio de Janeiro em 2020, deverá ver sua votação substancialmente diminuída.

Ou seja, a reeleição dos que permanecem fiéis ao bolsonarismo move a radicalização de seus discursos em busca sobretudo do eleitorado mais fiel ao “mito”. O episódio do coronel Aleksander caiu como uma luva para isso, pois envolveu João Doria, um dos principais antagonistas de Jair Bolsonaro, e um oficial da ativa da PMESP de São Paulo, cujo tamanho e história são chaves para a segurança de todo o país. O risco de esses bolsonaristas fiéis não se reelegerem aumenta exponencialmente o risco de erros de avaliação em relação ao que pode ser feito diante do comprometimento das polícias pelo bolsonarismo.

Na segurança pública, o bolsonarismo não é um pensamento único, mas hoje é a forma hegemônica por meio da qual os policiais compreendem o ser e fazer polícia no Brasil contemporâneo. As tentativas de radicalização e assédio protagonizadas por próceres bolsonaristas buscam criar um clima de mobilização e revolta entre os 650 mil policiais da ativa do país. Lembremo-nos de que o bolsonarismo, enquanto ideologia política, tem raízes históricas muito mais profundas do que a atuação direta do presidente Jair Bolsonaro durante os primeiros anos de sua gestão. Ele atualiza narrativas conservadoras e autoritárias que há séculos informam lugares institucionais, culturas organizacionais e representações sociais sobre como o Estado deve lidar com crime, medo e violência.

Assim, vemos que o grupo político de Bolsonaro tem investido ativamente na propagação de suas bandeiras e na formação política ideológica de policiais. Nos dois primeiros anos de mandato, o presidente Jair Bolsonaro já participou de 24 formaturas de militares ou policiais. As participações continuam em 2021 e, em junho, durante uma delas, o então comandante geral da PM do Distrito Federal encerrou a cerimônia oficial com o lema de campanha do presidente.

Olavo de Carvalho, astrólogo que se declara filósofo e é uma das grandes referências ideológicas da extrema direita brasileira, oferece gratuitamente, desde meados de 2019, seu curso online de filosofia para policiais brasileiros. O vereador no Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, filho do presidente e responsável pela comunicação de Bolsonaro nas redes sociais, reconheceu no seu perfil do Twitter que a oferta gratuita de cursos é uma “excelente estratégia para que as Forças de Segurança Pública possam se dispor a aprender mais sobre a cultura esquerdista maléfica que nos cerca […]”.

Tudo isso sob o aplauso e apoio de parcelas significativas da população. Pesquisa sobre medo da violência e a propensão a valores autoritários, de 2017, com base em um survey nacional que aplicou a famosa Escala F, de Theodor Adorno, calculou que, em uma escala de 1 a 10, o escore médio de apoio a posições autoritárias no país foi de 8,1. Entre as assertivas que mais se destacaram nesse estudo, a que se mostrou mais significativa foi a dimensão originalmente nomeada por Adorno como submissão à autoridade. Bolsonaro moldou-se perfeitamente ao perfil do imaginário social que vê a necessidade nacional de encontrar um “salvador”, que “coloque ordem na casa” e retome a “autoridade” perdida, segundo os discursos de ultradireita, para a agenda de direitos civis, políticos e sociais da Constituição brasileira.

A agenda de direitos foi e é vendida, portanto, como a responsável pela decadência “moral” e “cívica” da nação, não obstante termos visto que ela ainda é um projeto inconcluso no que diz respeito à segurança pública. Direitos coletivos e humanos têm sido associados a criminosos, enquanto são realçadas bandeiras como a defesa irrestrita da ampliação do porte e da posse e a revogação de qualquer política de controle e rastreabilidade de armas de fogo.

Há um reforço em temas morais e de costumes e, na medida em que a garantia da ordem social democrática inaugurada pela Constituição de 1988 é feita pelo Congresso Nacional e pelo STF (Supremo Tribunal Federal), por exemplo, o discurso bolsonarista busca desconstruir a legitimidade de tais poderes da República. Ataques contra integrantes desses poderes passam a ser parte do jogo político. A gravidade do problema aumenta exponencialmente quando esse projeto político e ideológico consegue mobilizar parcelas significativas dos policiais brasileiros a ponto de estes publicarem manifestações antidemocráticas aceitando que instituições da República sejam fechadas e que o presidente Jair Bolsonaro intervenha para romper com a ordem constitucional democrática do Brasil.

Isso é o que revela estudo do FBSP do ano passado, que mostra que o alinhamento ao discurso do bolsonarismo antidemocrático e radicalizado representa ao menos 12% de policiais militares, 7% de policiais civis e 2% de policiais federais que possuem contas nas redes sociais e interagem publicamente em grupos e páginas do Facebook. Se extrapolarmos a amostra do estudo, tais percentuais representam um grupo de aproximadamente 120 mil policiais convertidos para discursos golpistas e autoritários, que aceitariam rupturas institucionais sem maiores constrangimentos éticos ou morais. Tais percentuais não se resumem apenas aos apoiadores de Jair Bolsonaro. Revelam as visões de mundo que regem as representações sociais do conjunto dos policiais acerca de ordem social e pública. Nas redes sociais, apenas 68% dos policiais que criticaram o Congresso e o STF apresentaram interações diretas em ambientes ligados ao bolsonarismo radical. Ou seja, a força do discurso hiperconservador de Bolsonaro nas polícias é bem maior do que o engajamento em si dos policiais a um projeto político específico. Corroborando os números captados nas redes sociais, o instituto de pesquisa de opinião Atlas (2021) aplicou um survey especificamente junto a policiais e apurou que 21% deles (o equivalente a cerca de 140 mil policiais) são a favor da instalação de uma ditadura militar no Brasil. 

Mas não é preciso uma ruptura radical para subverter o ordenamento democrático e colocar em risco a capacidade de o estado de direito lidar com suas forças de segurança. No plano do burocrata do nível da rua, a contaminação das tropas é algo já bastante visível, revelada pela quantidade cada vez maior de casos de policiais militares acusados de agir de forma político-partidária contra opositores do governo. Entre janeiro de 2020 e agosto de 2021, foram registrados ao menos dezessete casos de policiais militares atuando para reprimir ou prender adversários de Jair Bolsonaro, segundo levantamento do Estadão e do FBSP. Antes desses episódios, um primeiro caso ocorreu logo no início da gestão do atual presidente, quando a Polícia Militar do Estado de Minas Gerais proibiu um tradicional bloco de Carnaval da cidade de Belo Horizonte de desfilar fazendo críticas a Bolsonaro.

Seja como for, duas pesquisas, com metodologias diferentes (survey e tracking de redes sociais) e feitas por instituições diferentes, estimaram que entre 120 mil e 140 mil policiais aderiram ao discurso bolsonarista mais radical que defende medidas antidemocráticas e fechamento das instituições. Em termos comparativos, esses números representam cerca de 20% das forças policiais brasileiras. Bolsonaro reforçou, ao que tudo indica, uma tendência de conservadorismo dos policiais brasileiros que, associada ao quadro de disjunção política e organizacional da segurança pública do país, acende alertas importantes acerca da capacidade de contenção e/ou mitigação dos riscos de ruptura institucional.

A questão, portanto, não é apenas de convergência ideológica dos policiais. Bolsonaro se fortalece no amálgama de condições políticas, ideológicas, jurídicas e institucionais que dão forma ao modelo de ordem social e pública violento e desigual aceito e “naturalizado” pela maioria dos policiais brasileiros. Ao fazer isso, ele estimula que policiais não aceitem questionamentos ao seu projeto político e reprimam manifestações e movimentos sociais de oposição. A oposição passa a ser sinônimo de antipatriotismo, de “mal” e de desordem. Com o enfraquecimento de lideranças policiais tradicionais, que até o início da gestão de Jair Bolsonaro eram capazes de representar os anseios de suas categorias profissionais, os policiais assumem o culto da personalidade e da figura do “mito”, cuidadosamente construída pelos responsáveis pela comunicação do atual mandatário do Brasil. A nosso ver, esse é o principal risco da radicalização policial, o de confundir um líder populista com a própria noção de Estado, de Pátria e de Nação.

Polícias são instituições de Estado. Elas são o braço armado do Estado em tempos de paz e, se não reguladas, viram-se contra, até mesmo, os seus integrantes que destoam do pensamento hegemônico. A população está submetida à incerteza. Diante de tal quadro, o caso do coronel Aleksander serve para mostrar que, mesmo potencializados por políticos bolsonaristas, muitos deles oriundos das polícias, há problemas sérios que exigem a mobilização de governadores, Ministérios Públicos e Judiciário para que possamos interromper as rupturas democráticas já em curso. No planejamento de poder bolsonarista, o Sete de Setembro é só mais um passo para naturalizar a ideia de golpe e de ruptura. Por ele, as polícias são peça-chave mesmo que, ao fim e ao cabo, sejam esses mesmos policiais que, por serem da ativa, poderão ser processados e presos por motim ou revolta caso embarquem no canto da sereia da nau do capitão.  -  (Fonte: Revista Piauí - Aqui).