sábado, 24 de julho de 2021

O FUTURO DO PLANETA


Peter Kuper. (EUA)

'MAIOR HISTÓRIA DO MUNDO NO MOMENTO': A HUMANIDADE TRANSFORMOU A AMAZÔNIA DE SUMIDOURO EM FONTE DE C02

.
"... os perfis atmosféricos (...) mostram que 'o futuro incerto está acontecendo agora’."


Por Jessica Corbett
Após anos de advertências e temores crescentes entre os cientistas, pesquisas "aterrorizantes" revelaram (...) que as mudanças climáticas e o desmatamento transformaram partes da bacia amazônica, um "sumidouro" crucial, em uma fonte de dióxido de carbono que aquece o planeta. "... os


Embora pesquisas recentes tenham aumentado as preocupações sobre a Amazônia emitir mais CO2 e outros gases do efeito estufa na atmosfera do que absorve, as novas descobertas, publicadas na revista Nature, foram apresentadas como "as primeiras" por cientistas e repórteres do clima.

De 2010 a 2018, os pesquisadores do novo estudo - liderado por Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil - realizaram "medições de perfis verticais" de dióxido de carbono e monóxido algumas milhas acima da copa das árvores em quatro locais na Amazônia.

Os pesquisadores descobriram que “o sudeste da Amazônia, em particular, atua como uma fonte líquida de carbono” e “as emissões totais de carbono são maiores no leste da Amazônia do que no oeste”. O primeiro, eles observaram, está “sujeito a mais desmatamento, aquecimento e estresse de umidade” do que o último nas últimas décadas.

Como noticiou o jornal The New York Times na quarta-feira:

“Em um artigo [que acompanha o resultado obtido por pesquisadores do INPE] na Nature, Scott Denning, professor do departamento de ciências atmosféricas da Colorado State University, escreveu que os ‘perfis atmosféricos [do artigo do INPE] mostram que o futuro incerto está acontecendo agora’.

Em uma resposta por e-mail a perguntas, Dr. Denning elogiou o novo estudo como a primeira medição real em grande escala - de várias altitudes por milhares de quilômetros e setores remotos - do fenômeno, um avanço além da medição tradicional em locais florestais. Os resultados mostram ‘que o aquecimento e o desmatamento no leste da Amazônia reverteram o sumidouro de carbono em escala regional e que a mudança está realmente aparecendo no CO2 atmosférico, escreveu ele.”

Luciana Gatti disse ao jornal The Guardian que “a primeira notícia muito ruim é que a queima de florestas produz cerca de três vezes mais CO2 do que a floresta absorve. A segunda má notícia é que os locais onde o desmatamento é de 30% ou mais apresentam emissões de carbono 10 vezes maiores do que onde o desmatamento é inferior a 20%."

O estudo descobriu que as queimadas produziram 1,5 bilhão de toneladas de CO2 por ano, enquanto o crescimento da floresta remove 0,5 bilhão de toneladas. O volume deixado na atmosfera, 1 bilhão de toneladas, equivale às emissões anuais do Japão. (Carl de Souza/AFP/Getty Images)

De acordo com o jornal - que destacou o papel das emissões de queimadas deliberadas para a produção de carne e soja, bem como as críticas globais que o presidente Jair Bolsonaro tem enfrentado por incentivar o desmatamento crescente:

“Menos árvores significam menos chuva e temperaturas mais altas, tornando a estação seca ainda pior para a floresta remanescente, ela disse: ‘Temos um circuito fechaado muito negativo que torna a floresta mais suscetível a incêndios descontrolados.’

Grande parte da madeira, carne bovina e soja da Amazônia é exportada do Brasil. ‘Precisamos de um acordo global para salvar a Amazônia’, disse Gatti. As nações europeias disseram que bloquearão um acordo comercial da UE com o Brasil e outros países, a menos que Bolsonaro concorde em fazer mais para combater a destruição da Amazônia.”

O estudo vem após uma análise de março, publicada na revista Frontiers in Forests and Global Change, que levou em consideração não apenas o CO2, mas também o metano, óxido nitroso, carbono negro, compostos orgânicos voláteis biogênicos, aerossóis, evapotranspiração e albedo.

As novas descobertas também seguem um estudo de abril, publicado na Nature Climate Change, que enfocou o Brasil, que abriga a maior parte da floresta tropical incrivelmente biodiversa e ameaçada que abrange nove países.

Comparando essa pesquisa com a de quarta-feira, Denning disse que "são estudos complementares com métodos radicalmente diferentes que chegam a conclusões muito semelhantes."

(...)

Os pesquisadores do estudo de abril, que contaram com monitoramento por satélite, descobriram que entre 2010 e 2019, a Amazônia brasileira liberou 16,6 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, ao mesmo tempo em que absorveu 13,9 bilhões de toneladas - o que significa que em uma década, liberou quase 20% mais CO2 do que absorveu.

"Nós meio que esperávamos, mas é a primeira vez que temos números mostrando que a Amazônia brasileira mudou e agora é emissora líquida", disse o coautor Jean-Pierre Wigneron, cientista do Instituto Nacional de Agronomia da França Pesquisa (INRA), na época. "Não sabemos em que ponto a mudança pode se tornar irreversível."

Agence France-Presse informou que em nota sobre o estudo, o INRA afirmou que "o Brasil assistiu uma queda acentuada na aplicação de políticas de proteção ambiental após a mudança de governo em 2019", referindo-se quando Bolsonaro tomou posse como presidente.

"Imagine se pudéssemos proibir incêndios na Amazônia - poderia ser um sumidouro de carbono", disse Gatti na quarta-feira, observando o impacto negativo da conversão de áreas da floresta tropical para a agricultura. "Mas estamos fazendo o oposto - estamos acelerando a mudança climática."  -  (Fonte: Boletim Carta Maior - Aqui).

(Publicada originalmente em Common Dreams | Tradução por César Locatelli).  

CARTUM DO AGRADECIMENTO

                ("Quero agradecer a todos os anti-vacina por seu apoio. 
                Um deles está sendo liberado do hospital neste momento.")
 
Bruce Plante. (EUA). 

sexta-feira, 23 de julho de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

.
(23.07)


.Bob Marley & The Wailers:
'Stir It Up' (Live At The Old 
Gray Whistle, 1973) ....................................... Aqui.
................
.Playing For Change - Song 
Around The World:
'Chan Chan' (Compay Segundo) ................... Aqui
................
.Renato e Seus Blue Caps:
'Memórias' ...................................................... Aqui.
'O brinquedo se quebrou' + 'Só
por causa de você' .......................................... Aqui.


.DCM - Café da Manhã:
De como Braga Netto favoreceu a
união contra militares ................................... Aqui.

.Galãs Feios:
Sobre Ciro Nogueira ...................................... Aqui.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ................................................... Aqui.

.Leonardo Stoppa:
Sobre impeachment e outros temas ............... Aqui.

.Boa Noite 247:
Povo volta às ruas no #24J ............................ Aqui.

.Luis Nassif:
Braga Netto com a ultradireita mundial
antes da chegada de Bolsonaro ...................... Aqui.

.Aquias Santarem:
Braga Netto com dias contados no governo .. Aqui.

.DCM - O Essencial:
Sextou com Bemvindo Sequeira ..................... Aqui.

.Paulo A Castro:
Lula recebe alerta sobre atentado - e
novo golpe americano .................................... Aqui.

OLIMPÍADAS 2021: UM MARCO PARA A HISTÓRIA


Terry Mosher. (EUA).

PODERDATA: 51% CULPAM BOLSONARO PELA CRISE DA COVID-19


Por Gabriela Oliva 
Pesquisa PoderData realizada nesta semana (19-21.jul.2021) mostra que mais da metade da população considera o presidente Jair Bolsonaro como o maior responsável pela atual situação da covid-19 no Brasil. É o 2º aumento seguido do número: no final de abril, eram 43%; em junho, 46%. Hoje são 51%.

Outros 12% atribuem a responsabilidade pela situação da covid ao governador do seu respectivo Estado, uma queda de 6 pontos em relação a 3 meses antes. A parcela dos que culpam o descaso da população é de 24%.

O Brasil teve relativa melhora nos números da pandemia no mês e meio que separa este levantamento do anterior: o número de casos e óbitos registrados por dia diminuiu, mas ainda são mais de 1.000 mortes por dia, pela média móvel. Ainda é um patamar próximo ao dos piores momentos da pandemia no Brasil em 2020.

Paralelamente, a imagem do presidente sofreu desgaste com a atividade da CPI da Covid, que investiga supostas irregularidades em contratos de aquisição de vacinas pelo governo federal. Esta mesma rodada do PoderData mostrou que as taxas de reprovação ao presidente e ao governo estão no ápice.


Esta pesquisa foi realizada no período de 19 a 21 de julho de 2021 pelo 
PoderData, a divisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

Foram 2.500 entrevistas em 427 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

ESTRATIFICAÇÃO

O PoderData destacou, também, os recortes para as respostas à pergunta sobre a percepção dos entrevistados a respeito do responsável pela atual crise do coronavírus no país. A resposta mais escolhida (51%) foi “Jair Bolsonaro”. A soma dos que atribuem responsabilidade a outros é 43% . (...).

(Para continuar, clique Aqui).

................
À vista do gráfico acima, a atribuição de culpa ao Presidente saltou de 43% para 51% entre abril e julho, justamente quando a CPI da Pandemia punha a nu a irresponsabilidade governamental no trato da questão coronavírus. São grandes as expectativas quanto aos resultados a serem alcançados a partir de 3 de agosto, com a retomada das sessões da Comissão.
 
Enquanto isso, a empresa indiana Bharat Biotech, fabricante da vacina Covaxin, anunciou a extinção imediata do acordo com a Precisa Medicamentos, em vista de fraudes documentais. A falcatrua se torna a cada dia mais clara. 

SEGUE A "QUESTÃO" DO VOTO IMPRESSO


Lane
................
"Admite derrota? Como?! Onde?!!"
................

.Bom Dia 247 (23.07) - Attuch / JRC / PML / Solnik / Cruvinel:
Biden vetou Lula? ............................................................ Aqui.

SERIOUS CARTOON


Steve Sack. (EUA). 

RIDICULOUS CARTOON

                        ("ESSE CARA É TODO À BASE DE ESTEROIDES")

Christopher Weyant. (EUA). 

quinta-feira, 22 de julho de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

 .
(22.07)


.Jason Mraz:
"I'm Yours" (Live In London) .................... Aqui.
................
.Extreme:
"More Than Words" ................................... Aqui.
...............
.Paulo Sérgio:
"Sorri Meu Bem" ........................................ Aqui.
.Renato e Seus Blue Caps:
"Se Você Soubesse" ..................................... Aqui.


.Galãs Feios:
Braga Netto blefa e diz que não vai
haver haver eleição em 2022 ..................... Aqui.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ................................................ Aqui.

.Boa Noite 247:
Chefes militares se unem a Bolsonaro
em discurso golpista ................................... Aqui.

.Luis Nassif:
José Genoíno e Euler discutem
a conjuntura com Nassif ............................. Aqui.

.Aquias Santarem:
Políticos pedem exoneração e 
prisão de Braga Neiio ................................. Aqui.

.Leonardo Stoppa:
Braga Netto ameaça Lira; Flavinho
vira jacaré ................................................... Aqui.

................
.Olá, Ciência!
Variante Delta: O próximo
desafio do Brasil .......................................... Aqui.

UM POUCO DE GEOPOLÍTICA

.
“O poder político é fluxo, mais do que estoque. Para existir precisa ser exercido; precisa se reproduzir e ser acumulado permanentemente. E o ato de conquista é a força originária que instaura e acumula poder”
J.L.Fiori, O poder global e a nova geopolítica das nações. Boitempo Editorial, São Paulo, 2007, p. 17

                    
(Afeganistão, semanas atrás)

As Estranhas Derrotas De Uma Potência Que Não Para De Se Expandir E Acumular Poder

Por José Luís Fiori

Na madrugada do dia 2 de julho de 2021, as tropas norte-americanas se retiraram de forma sorrateira de sua base militar de Bragam, a última e mais importante base dos EUA no Afeganistão, depois de uma guerra que durou exatamente 20 anos e acabou de forma absolutamente desastrosa. No conflito morreram 240 mil afegãos e cerca de 2.500 militares americanos; os americanos ganharam muitas batalhas, mas finalmente perderam a guerra, e seu exército deixa para trás um país destruído e dividido, às portas de uma nova e violenta guerra civil entre as forças do Talibã e do atual governo afegão. Neste momento, as forças talibãs vêm avançando por todos os lados e a perspectiva é que assumam o governo central do país muito mais cedo que tarde.

Ainda mais surpreendente ou chocante é acompanhar as conversações de paz entre os dois lados do atual conflito afegão, que negociam as possibilidades de um pacto de convivência em Teerã, sob o patrocínio do governo iraniano arqui-inimigo dos EUA. Ao mesmo tempo, os países membros da Organização para Cooperação de Shangai, sob a liderança da China e da Rússia, também se mobilizam para encontrar uma fórmula que pacifique o país, e sobretudo impeça que o fundamentalismo talibã se expanda além das fronteiras do Afeganistão ameaçando seus vizinhos, incluindo a própria China. Ou seja, depois dos atentados de 11 de setembro e de 20 anos de guerra, os EUA conseguiram promover uma cambalhota entregando o Afeganistão de volta aos seus principais inimigos militares desde o primeiro minuto dos bombardeios americanos no território afegão, então controlado pelas forças talibãs.

O surpreendente em tudo isso, entretanto, é que não se trata de uma situação excepcional, ou de uma derrota imprevista. Pelo contrário, esta parece ter sido a regra nas guerras americanas depois da Segunda Guerra Mundial. Os EUA lideraram as forças da ONU na Guerra da Coreia, entre 1950 e 1953, e depois de três anos de avanços e recuos foram obrigados a assinar uma trégua que já dura 67 anos, com as tropas do Exército Popular da Coreia e com os representantes do Exército de Voluntário do Povo Chinês, em 27 de agosto de 1953. Depois, os norte-americanos foram derrotados na Guerra do Vietnã, de onde tiveram que se retirar de forma quase tão ou mais vergonhosa do que agora no Afeganistão, culminando com a famosa cena da evacuação da embaixada americana em Saigon e a retirada apressada, por helicópteros, do pessoal civil e militar que ainda estava na capital sul-vietnamita, às vésperas de sua ocupação pelas tropas comandadas pelo general Van Tien Dung, do Vietnã do Norte, no dia 30 de abril de 1975.

Algum tempo depois dessa humilhação histórica, os EUA lideraram uma nova coalizão das Nações Unidas e venceram a Guerra do Golfo de 1991, mas após matar cerca de 150 mil iraquianos, desistiram de tomar Bagdá e depor e substituir o presidente Saddam Hussein. Este havia sido protegido e aliado militar dos americanos durante a guerra Irã-Iraque, na década de 80, e depois foi transformado no seu grande inimigo nas duas guerras dos EUA contra o Iraque. Da mesma forma, em 2003, as tropas americanas, apoiadas por soldados ingleses, voltaram a derrotar os iraquianos e desta vez mataram seu presidente, mas em seguida “perderam o fio da meada” e acabaram entregando o Iraque aos seus principais inimigos, os xiitas iranianos. Depois disto, os americanos se envolveram na guerra civil da Líbia, ajudaram a matar seu presidente e antigo aliado, Muammar al-Gaddafi, e acabaram abandonando o país à sua própria sorte, destruído e dividido em estado de guerra civil crônica até hoje. E algo análogo teria ocorrido na Síria, se não tivesse havido a intervenção militar russa que sustentou o presidente Bashar al-Assad, deu uma contribuição decisiva para derrotar as tropas do chamado Estado Islâmico, e agora vem liderando o esforço de juntar os pedaços de um país inteiramente destruído, dividido e na mais absoluta miséria. E tudo indica que o mesmo voltará a acontecer em alguns meses mais, depois dos Estados Unidos retirarem seu apoio militar à intervenção da Arábia Saudita no Iêmen.

Deve-se agregar a esse quadro de derrotas e fracassos sucessivos da diplomacia e das tropas norte-americanas, o distanciamento de seus antigos aliados, Paquistão e Turquia, cada vez mais próximos da zona de influência russa e chinesa. Uma perda de influência que se reflete na ausência americana das negociações que estão em pleno curso em vários pontos do Oriente Médio e da Ásia Central visando pacificar o “Grande Médio Oriente”, inventado pelo governo Bush e destruído pelas sucessivas administrações democratas e republicanas destes últimos 30 anos. Pode-se lembrar aqui, como um verdadeiro ponto de inflexão nesta história, a irrelevância dos EUA no conflito recente entre o Azerbaijão e a Armênia, em torno ao território disputado de NagornoKarabakh, e sua completa irrelevância nas negociações da trégua que foi lograda com a mediação e tutela da Rússia e da Turquia.

No entanto, realmente difícil de entender e explicar é como os EUA atravessaram todas essas derrotas ou fracassos no logro de seus objetivos imediatos, sem perder seu poder global. Mais do que isso, como conseguiram aumentar seu poder a cada nova derrota? Uma pergunta muito importante para entender o passado do sistema mundial em que vivemos, mas muito mais importante ainda para pensar sobre o seu futuro. Mas, ao mesmo tempo, uma pergunta que não tem uma resposta imediata e conjuntural, e só pode encontrar ou explicação recorrendo-se à história de longo prazo do sistema de Estados nacionais que nasceu na Europa entre os séculos XVII e XVIII, e que depois se universalizou nos séculos XIX e XX, através da expansão e das conquistas das grandes potências coloniais europeias. Durante toda a história deste sistema de Estados nacionais, houve sempre Estados ganhadores e Estados perdedores, e o sistema como um todo foi sempre competitivo, bélico e expansivo. E todos os seus “membros” foram obrigados a competir e fazer guerra para sobreviver nesta verdadeira corrida pelo poder e pela conquista de uma riqueza maior do que a de seus competidores, até porque a acumulação da riqueza se transformou num peça fundamental da luta pelo poder.

Como disse uma vez o grande historiador e psicanalista alemão Norbert Elias, a regra básica do sistema de Estados nacionais inventado pelos europeus é: “quem não sobe, cai” –uma regra válida mesmo para as grandes potências que já se encontram na frente desta corrida sem fim. Ou seja, mesmo as chamadas “grandes potências” desse sistema estão obrigadas a se expandir permanentemente, aumentando seu poder e sua riqueza, para seguir ocupando as posições que já ocupam e necessitam preservar através de suas novas conquistas e guerras que apontam na direção da criação de um império universal que conseguisse monopolizar o poder dentro do sistema internacional. Só que esse “império universal” é uma impossibilidade lógica dentro do próprio sistema, porque se ele se realizasse, o sistema se desintegraria ou entraria em estado de entropia, por causa do desaparecimento da própria competição, que é de onde vem a energia que move todo o sistema que funciona em conjunto como se fosse uma verdadeira máquina de criação de mais poder e de mais riqueza.

Por isso mesmo, a preparação para a guerra e as próprias guerras não impedem a convivência, a complementaridade e até alianças e fusões entre os Estados envolvidos nos conflitos. Às vezes predomina o conflito, às vezes a complementaridade, mas é esta “dialética” que permite a existência de períodos mais ou menos prolongados de paz dentro do sistema mundial, sem que se interrompam a concorrência e o conflito latente entre seus Estados mais poderosos. A própria “potência líder” ou “hegemônica” precisa seguir expandindo seu poder de forma contínua, para manter sua posição relativa, como já dissemos, mas também para manter vivo o seu poder. O poder dentro deste sistema é fluxo, é conquista, e ele só existe enquanto é exercido, não importa se afinal os vencedores conseguem impor ou não os objetivos imediatos em cada uma de suas guerras. Por mais absurdo que possa parecer, nesse sistema é mais importante que seus Estados líderes façam guerras sucessivas e demonstrem seu poder militar, do que consigam realizar os seus objetivos que são declarados e utilizados para justificar seu exercício sem fim de novas guerras. O passado confirma que a potência líder do sistema, fosse ela a Inglaterra, nos séculos XVIII e XIX, ou os EUA, no século XX, foram os Estados que fizeram mais guerras durante toda a história do sistema interestatal que foi inventado pelos europeus, e o número destes conflitos iniciados por estas duas potências líderes aumentou com o tempo e na medida em vez de diminuir na medida em que foi aumentando o poder destas duas grandes duas potências anglo-saxônicas que lideraram o sistema internacional nos últimos 300 anos.

É por isto mesmo, aliás, que as grandes potências acabam por ser também as principais “desestabilizadoras” da ordem mundial, sendo que a sua “potência hegemônica” é invariavelmente quem destrói com mais frequência as regras e instituições que ela mesma construiu e tutelou num momento anterior da história. Exemplo disso é quando, em 1973, os EUA se desfizeram do “padrão monetário dólar-ouro” que eles próprios haviam criado em Bretton Woods em 1944. E agora mais recentemente, quando o governo de Donald Trump passou a atacar e destruir todas as regras e instituições criadas e tuteladas pelos EUA desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em particular após o fim da Guerra Fria.

Por fim, resumindo e voltando à discussão sobre as sucessivas derrotas americanas no período em que os Estados Unidos estiveram no epicentro do sistema mundial e do seu movimento permanente de expansão: do nosso ponto de vista, o sistema mundial é um “universo em expansão”, onde todos os Estados que lutam pelo “poder global” – em particular, a potência líder ou hegemônica – estão sempre criando, ao mesmo tempo, ordem e desordem, expansão e crise, paz e guerra. Por essa razão, crises, guerras e derrotas não são, necessariamente, o anúncio do “fim” ou do “colapso” da potência derrotada. Pelo contrário, podem ser uma parte essencial e necessária da acumulação de seu poder e riqueza, e anúncio de novas inciativas, guerras e conquistas. O que passou já ficou para trás, como se fosse uma perda de estoque que não altera necessariamente o fluxo do seu poder dirigido para frente e para novas competições e conquistas. E é isto exatamente que está acontecendo, agora, do nosso ponto de vista, quando os Estados Unidos estão realinhando suas forças, suas velhas alianças, e preparando todos os seus estados vassalos, para a disputa de poder e riqueza que já em curso dentro do novo eixo asiático do sistema mundial. E, em particular, para enfrentar o seu novo grande desafio e motor do seu próprio poder: a China. E deste ponto de vista, aliás, a própria retirada americana do Oriente Médio e da Ásia Central pode ser vista como parte desta nova disputa, e como uma forma de fragilizar seu novo adversário, desencadeando uma explosão fundamentalista e um grande guerra religiosa e civil no território que os Estados Unidos estão abandonando, situado exatamente na retaguarda continental da China.  -  (FonteBoletim Carta Maior - Aqui).

(José Luís Fiori é professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Economia política Internacional, PEPI, coordenador do GP da UFRJ/CNPQ, “O poder global e a geopolítica do Capitalismo”; coordenador adjunto do Laboratório de “Ética e Poder Global”; pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis, INEEP. Publicou “O Poder global e a nova geopolítica das nações”, Editora Boitempo, 2007; “História, estratégia e desenvolvimento”, Boitempo, em 2014 ; “Sobre a Guerra”, Editora Vozes Petrópolis, 2018; e “A Síndrome de Babel”, Vozes, 2020). 

EUA: FUMAÇA DE COSTA A COSTA

                            "Vamos definir nossa avaliação como 
                              'cautelosamente' pessimista'"

Peter Kuper. (EUA). 
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,Bom Dia 247 (22.07) - Attuch / Dajne / PML / Solnik / Cruvinel:
A bravata de Braga Neto ....................................................... Aqui.

CAUTION CARTOON

                                    "Teste, por favor..!"

Tom Janssen. (Holanda). 

SANGUE, SUOR E LÁGRIMAS


Joep Bertrams. (Holanda). 

quarta-feira, 21 de julho de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

.
(21.07)


.Simply Red:
'Holding Back The Years' ............................. Aqui.
................
.Frank Sinatra & Bono:
 'I've Got You Under My Skin' ...................... Aqui.
................
.Ed Wilson:
'Vou Partir' - (1966) ...................................... Aqui.
'Como Te Adoro' - (1965) .............................. Aqui.


.Galãs Feios:
Leandro Demori fala sobre Bolsonaro,
militares e CPI ............................................... Aqui.
Desesperados, Globo e Centrão querem
Lula vice e Jereissati presidente ................... Aqui.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ................................................... Aqui.

.Boa Noite 247:
Para evitar impeachment, Bolsonaro
entrega tudo ao Centrão ............................... Aqui.

.Aquias Santarem:
Bolsonaro chega ao fundo do poço ............... Aqui.
Presidente não manda mais em nada, 
afirma Ramos ................................................ Aqui.

.Luis Nassif:
Bolsonaro entrega anéis e dedos .................. Aqui.

.O Essencial:
General Ramos é humilhado por Bolsonaro .Aqui.

.Paulo A Castro:
A terceira dose de Lula e a primeira
concordância de Bolsonaro e Luiz Inácio ..... Aqui.

VOTO IMPRESSO UGA-BUGA


Thiago.
................
"Não é por aí, sr. cartunista, os que querem 
o voto impresso desejam mesmo é tumultuar
o processo e facilitar a prática de fraudes."
"Ou criar um pretexto para o golpe."
"Simples assim."
"Uga-buga" (Risos). 

BRASILEIROS NO ESPAÇO


Genildo. 
................
.Bom Dia 247 (21.07) - Attuch / PML / Solnik / Dafne / Cynara:
A força de Lula e as viúvas da 'terceira via' ............................... Aqui.

JEFF BEZOS CONCLUI VOO AO ESPAÇO COM FOGUETE DA BLUE ORIGIN

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Viagem levou cerca de 11 minutos e chegou a uma altitude de 100 km, na borda do espaço.


No Poder 360:
O foguete New Shepard, da Blue Origin, levou com sucesso o bilionário Jeff Bezos ao espaço nesta 3ª feira (20.jul.2021). O fundador da empresa viajou ao lado do irmão Mark Bezos, da ex-instrutora de voo Wally Funk e o estudante de física Oliver Daemen.

Funk, de 82 anos, e Deamen, de 18 anos, se tornaram a mais velha e o mais novo a irem ao espaço respectivamente. A cápsula que os levou não tinha piloto. Foi impulsionada por um módulo autônomo que se desligou do cockpit perto do limite de altitude. A Blue Origin realizou 15 testes não tripulados antes do voo oficial.

Assista ao momento em que a New Shepard decola (1min54seg):

O módulo pousou sozinho verticalmente por meio de inteligência artificial. Já a capsula reentrou na atmosfera com a ajuda de 3 paraquedas adaptados –assista ao momento do pouso abaixo (1min8seg). A viagem, desde a decolagem, levou aproximadamente 11 minutos. Bezos –o homem mais rico do mundo– tornou-se o 2º a concluir uma viagem turística ao espaço. Em 11 de julho, o britânico Richard Branson realizou o voo com a aeronave VSS Unity, da Virgin Galactic, com 6 pessoas a bordo, incluindo 2 pilotos. (...).

(Para continuar - e conferir os vídeos - clique Aqui).

................
Há quem considere essa notícia desimportante. Não é o caso deste Blog.

................
 .TV 247:
Attuch e Latuff comentam viagem
espacial de Jeff Bezos ............................... Aqui.    


................
JEFF BEZOS, PARTE II


Após Viagem ao Espaço, Jeff Bezos é Criticado Por Histórico de Exploração

No 247:
O homem mais rico do mundo, Jeff Bezos, viajou ao espaço com mais três tripulantes nesta terça-feira (20), no que foi o primeiro voo suborbital de seu empreendimento, a Blue Origin. O feito é uma marca histórica da nova era de turismo espacial comercial privado. Bezos, no entanto, também recebeu muitas críticas.

O bilionário viajou ao espaço, lembraram internautas e personalidades, com o dinheiro dos consumidores da Amazon, empresa da qual era CEO até o início de 2021, e, por consequência, da exploração do trabalho dos funcionários da organização. 

Em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19, a Amazon teve ganhos surpreendentes mas, por outro lado, os funcionários não foram beneficiados pela expansão da companhia, o que causou até uma manifestação na frente da casa de Bezos.  (...).

(Para conferir críticas diversas a Bezos, clique Aqui).

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Ao que o arguto defensor da livre iniciativa indaga: 

"Ué, e onde está o erro do Bezos?!"

O MAIOR OBSTÁCULO DA HISTÓRIA DAS OLIMPÍADAS


Dave Whamond. (Canadá). 

SERIOUS CARTOON


David Fitzsimmons. (EUA). 

terça-feira, 20 de julho de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

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(20.07)


.Playing For Change / Song Around 
The World:
'Higher Ground' (Stevie Wonder) ............... Aqui.
................
.Keith Richards - Playing For Change
'Words Of Wonder'/'Get Up Stand Up' ........ Aqui.
................
.Playing For Change / Song Around
The World:
'Stand By Me' ................................................ Aqui.


.Joaquim de Carvalho/Facada 
ou Fakeada?:
Veja o Adélio rondando Bolsonaro 
em Juiz de Fora sem ser incomodado ........... Aqui.

.Galãs Feios:
Pazuello queria comprar 
vacina no sex shop ......................................... Aqui.
Entrevista com o senador Jorge Kajuru ....... Aqui.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ................................................... Aqui.

.Boa Noite 247:
Lula diz que terceira via não tem voto, e
tucanos reagem mal ....................................... Aqui.

.Leonardo Stoppa:
Lula chama Bolsonaro de estúpido; Eduardo
'retirado' de rede social; hackers atacam ...... Aqui.

.Luis Nassif:
Chegou a hora do impeachment ..................... Aqui.

.O Essencial:
Aras reconduzido à PGR, porque
Bolsonaro não é bobo; bilionários
babacas no espaço ......................................... Aqui.

................
.TV 247:
Attuch e Latuff comentam viagem
espacial de Jeff Bezos ..................................... Aqui.

PEGASUS: VAZAMENTO REVELA ABUSO DE ESPIONAGEM CIBERNÉTICA

.
Em reforço ao post "Grupo Israelense Pegasus: A Arte De Se Apropriar De Informações De Terceiros", publicado neste Blog em 19.07 - Aqui.


Por
 Stephanie Kirchgaessner, Paul Lewis e Outros

Ativistas de direitos humanos, jornalistas e advogados em todo o mundo têm sido alvos de governos autoritários, usando software de hackeamento vendido pela empresa de vigilância israelense NSO Group, de acordo com uma investigação sobre um vazamento de dados de grandes proporções.

A investigação do Guardian, em conjunto com 16 outras organizações de mídia, sugere abuso generalizado e contínuo do spyware Pegasus, que a empresa NSO insiste ser destinado apenas para uso contra criminosos e terroristas. 

Pegasus é um malware (vírus) que infecta iPhones e dispositivos Android para permitir que os operadores da ferramenta extraiam mensagens, fotos e e-mails, gravem chamadas e ativem microfones secretamente.

A lista vazada contém mais de 50.000 números de telefone que, acredita-se, foram identificados como de pessoas de interesse dos clientes da NSO desde 2016.

Forbidden Stories, uma organização de mídia sem fins lucrativos com sede em Paris, e a Anistia Internacional inicialmente tiveram acesso à lista vazada e compartilharam o acesso com parceiros de mídia como parte do consórcio de reportagem denominado Projeto Pegasus.

A presença de um número de telefone nos dados não revela se um dispositivo foi infectado com Pegasus ou apenas sujeito a uma tentativa de hackeamento. No entanto, o consórcio acredita que os dados são indicativos dos alvos potenciais dos governos clientes da NSO, identificados antes de possíveis tentativas de vigilância.

A análise forense de um pequeno número de telefones, que constam da relação, também mostrou que mais da metade tinha rastros do programa espião (spyware) Pegasus.

O Guardian e seus parceiros de mídia irão revelar a identidade das pessoas cujo número apareceu na lista nos próximos dias. Entre elas estão centenas de executivos de empresas, religiosos, acadêmicos, funcionários de ONGs, dirigentes sindicais e funcionários do governo, incluindo ministros, presidentes e primeiros-ministros.

A lista também contém o número de parentes próximos do governante de um país, sugerindo que o governante pode ter instruído suas agências de inteligência a explorar a possibilidade de monitorar seus próprios parentes.

As divulgações começam no domingo (18), com a revelação de que os números de mais de 180 jornalistas constam dos dados, entre repórteres, editores e executivos do Financial Times, CNN, New York Times, France 24, The Economist, Associated Press e Reuters.

O número de telefone de um repórter freelance mexicano, Cecilio Pineda Birto, foi encontrado na lista, aparentemente por interesse de um cliente mexicano nas semanas que antecederam seu assassinato, quando seus algozes conseguiram localizá-lo em um lava-jato. Seu telefone nunca foi encontrado, então nenhuma análise forense foi possível com vistas a estabelecer se ele estava infectado.

A NSO disse que mesmo que o telefone de Pineda tenha sido visado por algum cliente do Pegasus, isso não significa que os dados coletados de seu telefone contribuíram de alguma forma para sua morte, enfatizando que os assassinos poderiam ter descoberto sua localização por outros meios. Ele estava entre pelo menos 25 jornalistas mexicanos aparentemente selecionados, ao longo de um período de dois anos, como candidatos para serem vigiados.

Sem o exame forense dos dispositivos móveis, é impossível dizer se os telefones foram submetidos a uma tentativa ou efetivamente hackeados com sucesso usando Pegasus.

A NSO sempre sustentou que “não opera os sistemas que vende para clientes governamentais verificados e não tem acesso aos dados dos alvos de seus clientes”.

Em declarações emitidas por seus advogados, a NSO negou “falsas alegações” feitas sobre as atividades de seus clientes, mas disse que “continuaria a investigar todas as alegações confiáveis de uso indevido e tomaria as medidas cabíveis”. A empresa disse que a lista poderia não ser uma lista de números “visados por governos que usam Pegasus” e descreveu 50.000 como um número “exagerado”.

A empresa vende apenas para militares, policiais e agências de inteligência em 40 países, que não identificou, e diz que examina rigorosamente os registros de direitos humanos de seus clientes antes de permitir que usem suas ferramentas de espionagem.

O ministro da defesa israelense regula de perto a NSO, concedendo licenças de exportação individuais antes que sua tecnologia de vigilância possa ser vendida a um novo país.

No mês passado, a NSO divulgou um relatório de transparência no qual afirmava que sua abordagem em relação aos direitos humanos era líder no setor e publicou trechos de contratos com clientes estipulando que eles deveriam usar seus produtos apenas para investigações criminais e de segurança nacional.

Não há nada que sugira que os clientes da NSO também não tenham usado o Pegasus em investigações de terrorismo e crimes, e o consórcio também encontrou números nos dados pertencentes a suspeitos de crimes.

No entanto, a ampla gama de números na lista pertencente a pessoas que aparentemente não têm conexão com a criminalidade sugere que alguns clientes da NSO estão violando seus contratos com a empresa, espionando ativistas pró-democracia e jornalistas que investigam corrupção, bem como oponentes políticos e críticos do governo.

Essa tese é apoiada por análises forenses nos telefones de uma pequena amostra de jornalistas, ativistas de direitos humanos e advogados cujos números constavam da lista vazada. A pesquisa, conduzida pelo Laboratório de Segurança da Anistia, um parceiro técnico do Projeto Pegasus, encontrou rastros da atividade do Pegasus em 37 dos 67 telefones examinados.

A análise também revelou algumas correlações sequenciais entre a hora e a data em que um número foi inserido na lista e o início da atividade de Pegasus no dispositivo, o que em alguns casos ocorreu apenas alguns segundos depois.

A Anistia compartilhou seu trabalho forense em quatro iPhones com o Citizen Lab, um grupo de pesquisa da Universidade de Toronto especializado em estudar o Pegasus, que confirmou que eles apresentavam sinais de infecção por Pegasus. O Citizen Lab também conduziu uma revisão dos métodos forenses da Anistia e concluiu que eles eram sólidos.

A análise do consórcio dos dados vazados identificou pelo menos 10 governos considerados clientes da NSO que estavam inserindo números no sistema: Azerbaijão, Bahrein, Cazaquistão, México, Marrocos, Ruanda, Arábia Saudita, Hungria, Índia e Emirados Árabes Unidos.

A análise dos dados sugere que o país cliente da NSO que selecionou a maioria dos números - mais de 15.000 - foi o México, onde se sabe que várias agências governamentais diferentes compraram o Pegasus. Tanto o Marrocos quanto os Emirados Árabes Unidos selecionaram mais de 10.000 números, de acordo com a análise sugerida.

Os números de telefone selecionados, possivelmente antes de um ataque de vigilância, abrangiam mais de 45 países em quatro continentes. Havia mais de 1.000 números em países europeus que, segundo a análise, foram selecionados por clientes da NSO.

A presença de um número nos dados não significa que houve uma tentativa de infectar o telefone. A NSO diz que havia outros propósitos possíveis para os números serem registrados na lista.

Ruanda, Marrocos, Índia e Hungria negaram ter usado o Pegasus para hackear os telefones dos indivíduos citados na lista. Os governos do Azerbaijão, Bahrein, Cazaquistão, Arábia Saudita, México, Emirados Árabes Unidos e Dubai não responderam aos convites para comentar.

O Projeto Pegasus provavelmente gerará debates sobre a vigilância do governo em vários países suspeitos de usar a tecnologia. A investigação sugere que o governo húngaro de Viktor Orbán parece ter implantado a tecnologia da NSO como parte de sua chamada guerra à mídia, visando jornalistas investigativos no país, bem como o círculo próximo de um dos poucos executivos de mídia independentes da Hungria.

Os dados vazados e as análises forenses também sugerem que a ferramenta de espionagem da NSO foi usada pela Arábia Saudita e seu aliado próximo, os Emirados Árabes Unidos, para alcançar os telefones de associados próximos do jornalista assassinado do Washington Post, Jamal Khashoggi, nos meses após sua morte. A lista vazada também inclui o número de telefone do promotor turco que está investigando a morte do jornalista.

Claudio Guarnieri, que dirige o Laboratório de Segurança da Anistia Internacional, disse que uma vez que um telefone for infectado com Pegasus, um cliente da NSO pode efetivamente assumir seu controle, permitindo-lhe extrair mensagens, ligações, fotos e e-mails de uma pessoa, ativar secretamente câmeras ou microfones e ler o conteúdo de aplicativos de mensagens criptografadas, como WhatsApp, Telegram e Signal.

Ao acessar o GPS e sensores de hardware no telefone, ele acrescentou, os clientes da NSO também podem garantir um registro dos movimentos anteriores de uma pessoa e rastrear sua localização em tempo real com grande precisão, por exemplo, estabelecendo a direção e a velocidade em que um carro estava viajando.

Os avanços mais recentes na tecnologia da NSO permitem que ela penetre em telefones com ataques de “clique zero”, o que significa que o usuário nem mesmo precisa clicar em um link malicioso para que seu telefone seja infectado.

Guarnieri identificou evidências que a NSO tem explorado vulnerabilidades associadas ao iMessage, que vem instalado em todos os iPhones, e foi capaz de penetrar até mesmo em iPhones mais atualizados com a versão mais recente do iOS. A análise forense de sua equipe descobriu infecções bem-sucedidas e tentadas pelo Pegasus em telefones ainda neste mês de julho.

A Apple disse: “Os pesquisadores de segurança concordam que o iPhone é o dispositivo móvel mais protegido e seguro do mercado para o consumidor.”

A NSO recusou-se a fornecer detalhes específicos sobre seus clientes e sobre as pessoas que são seus alvos.

No entanto, uma fonte familiarizada com o assunto disse que o número médio de alvos anuais por cliente é de 112. A fonte disse que a empresa tinha 45 clientes para seu spyware Pegasus.  -  (Fonte: Boletim Carta Maior - Aqui).

(Publicado originalmente por The Guardian | Traduzido por César Locatelli).