sexta-feira, 8 de outubro de 2010

PICLES


ATEU CONVICTO JAMAIS COGITA QUEIXAR-SE AO BISPO.


O Santo Senador teme o 'bye bye Brasil verde e amarelo', mas os eleitores disseram antes 'bye bye, Santo Senador bilhete azul'.


TÃO IMOBILISTA QUE NÃO SE DISPUNHA A SAIR DO SÉRIO.


Quando se trata de candidatos que se julgam o número um, convém ligar o desconfiômetro na bandeira dois.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

QUESTÃO DE LEITURA

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Morre Charlie, o chimpanzé fumante

Um chimpanzé famoso por fumar cigarros morreu em um zoológico na África do Sul aos 52 anos de idade, segundo a edição online do jornal sul-africano Times.

Um porta-voz da cidade de Bloemfontein, onde fica o zoológico, disse acreditar que o chimpanzé, chamado Charlie, não teve a vida abreviada por complicações causadas pelo vício já que viveu cerca de dez anos a mais do que a média da espécie.

O macaco adquiriu o vício quando visitantes do zoológico começaram a lhe arremessar cigarros acesos.

Uma autópsia está sendo realizada para determinar a causa da morte.

"Apesar de receber muitos cuidados e uma dieta especial, incluindo suplementos de vitaminas e minerais, ele sucumbiu à idade", disse o porta-voz.

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O macaco fumante viveu 10 anos acima da média da espécie, que é de 40 anos. Logo, não seria de todo incoerente a seguinte manchete: "Comprovado: consumo de cigarro amplia vida em 25%!"

(Risos - e tosses).

NOBEL DE LITERATURA 2010


O escritor peruano Mario Vargas Llosa é o ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 2010.

Em um comunicado, o comitê sueco responsável pela premiação informou que Llosa recebeu o prêmio “por sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual”.

Autor dos clássicos "Conversa na catedral" (1969), ”Pantaleão e as visitadoras” (1973), “A guerra do fim do mundo (1981) e “Travessuras da menina má” (2006), ele nasceu em 28 de março de 1936 em Arequipa, no Peru.

Llosa foi candidato a presidente do Peru em 1990, quando foi derrotado pelo notório corrupto Alberto Fujimori.

O último autor hispânico a receber a premiação foi o mexicano Octavio Paz, em 1990.

DE VOLTA AO CAMINHO


A coluna 'Opinião', do jornal Meio Norte, desta Capital, volta a reincidir na edição de hoje, ao afirmar:

"Como diria Mão Santa: 'Ninguém se perde no caminho de volta'".

Para que o crédito ao verdadeiro autor não se perca pelo caminho, impõe-se dizer que quem cunhou o dito foi o paraibano José Américo de Almeida.

José Américo, escritor, autor de A Bagaceira, clássico do regionalismo brasileiro, foi o primeiro deputado federal a proferir, na tribuna da Câmara, discurso de protesto contra o regime ditatorial conhecido pela alcunha de Estado Novo, na primeira metade do século passado.  

PICLE DO IBOPE E SIMILARES


ERRAR É HUMANO - MAS, PÔ, DESDE QUE DENTRO DA MARGEM DE ERRO!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

TIRIRICANDO O BONNER

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No Jornal Nacional de ontem, 05, William Bonner informou que Tiririca corre o risco de ter sua eleição anulada, uma vez comprovado que é analfabeto.

Outras consequências citadas por Bonner: os votos dados a Tiririca seriam considerados nulos, implicando a queda dos três deputados federais 'arrastados' pela montanhosa votação do palhaço, sendo que nesse rol figura o delegado Protógenes Queiroz, participante da Operação Satiagraha, que apurou falcatruas do ex-banqueiro Daniel Dantas, amigo da Globo e de outros figurões.

Acontece que Bonner incorreu em equívoco, pois: a) os votos dados a Tiririca seriam tirados dele, mas continuariam com o seu partido (PR);  b) os três deputados federais 'arrastados' continuariam eleitos;  c) no lugar de Tiririca, entraria o detestável (para a grande mídia) José Genoíno, do PT, por ser o candidato da coligação na fila de espera, ou seja, o que obteve mais votos entre os que não conseguiram se eleger de cara.

Baita complicação para Bonner e seus parceiros: o delegado Protógenes não sai e, se Tiririca sair, José Genoíno entra - e Bonner, espera-se, ainda vai ter de fazer, no JN, as retificações devidas.

ESPELHO DELES

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Mais uma do 'Painel', da Folha de São Paulo:

Horas depois de reunião no Palácio dos Bandeirantes, com Serra e aliados, para discutir o segundo turno, o parceiro PPS denunciou à Justiça o uso do Palácio da Alvorada no evento em que Lula recebeu apoiadores de Dilma.

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Risos? Não. Basta, à la Paulo Francis, 'pff!...'.

FICHA LIMPA EMPERRADA (III)

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Leio no 'Painel', da Folha de São Paulo:

Candidatos que conquistaram vagas na Câmara nas sobras do quociente eleitoral correm para constituir advogados. Pretendem monitorar o andamento, no TSE, dos processos da Lei da Ficha Limpa, que podem mudar a configuração das bancadas. Na prática, o Ministério Público deixa de atuar sozinho contra os 'fichas sujas'. Agora, os interesses eventualmente feridos têm nome e sobrenome.

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O deputado ou senador condenado pelo TSE poderá recorrer ao STF, e o primeiro recurso já ocorreu há dias, convindo notar que se tivesse sido julgado de pronto, com a urgência urgentíssima que a matéria está a requerer, a questão da validade da Lei da Ficha Limpa para a eleição 2010 seria a esta altura assunto superado por inteiro, em face da Repercussão Geral. O STF, assim, somente iria apreciar eventuais casos pontuais e específicos.

Como o assunto não foi tratado de modo correto, está estabelecida a lambança.

VEM AÍ A COP16, MÉXICO 2010

Clima: Até aonde vai a paciência com reuniões do clima?

Eric Camara

Gatos escaldados, depois do banho de água fria que tomaram em Copenhague, negociadores e a própria secretária-executiva das Nações Unidas para o Clima, Christiana Figueres, falam em "resgatar confiança" e "encontrar denominadores comuns" em Tianjin, na China.

A reunião curta é a última chance para os mais de 3 mil participantes tentarem aparar as arestas mais pontudas antes do encontro de Cancún, no México, entre 27 de novembro e 10 de dezembro.

Na chamada COP 16, mais uma vez, o mundo voltará a se lembrar que enquanto a ciência é cada vez mais clara sobre os riscos das atuais emissões de carbono desenfreadas, o único plano para controlar o problema - o Protocolo de Kyoto - está dando os seus últimos suspiros. A partir de 2012, não temos mapa.

Quando, em 2009, representantes de 193 países se encontraram em Copenhague, a expectativa era de que, ao cabo de duas semanas, presidentes e líderes de governo (que não por acaso compareceram em peso ao evento) fossem abanar para o mundo as folhas do rascunho pós-Kyoto.

Em vez disso saíram, uns à francesa, outros meio apologéticos, com um tal "Acordo de Copenhague", que na prática, em vez de avançar, atravancou o processo. Até hoje, ninguém sabe direito como incluí-lo na Convenção da ONU para Mudança Climática.

Passados dez meses, pouca coisa mudou. Uns dizem até que se mudou, foi para pior. O Senado dos Estados Unidos engavetou o projeto de lei do clima proposto pelo presidente Barack Obama. Aquele mesmo que muitos já diziam que seria um avanço pequeno, depois das mudanças que sofreu nas mãos dos deputados.

A Europa, em crise, continua como aquele aluno no colégio que se encolhe na carteira e torce para o professor não lhe dirigir uma pergunta, porque não sabe a resposta. Até o movimento ambientalista perdeu um pouco o rumo. Antes, a palavra de ordem era pressionar. E agora? Se pressionar demais, é capaz de degringolar tudo...

E se Cancún repetir Copenhague? Um dos mais experientes negociadores europeus, o alemão Artur Runge-Metzger, já disse que o processo todo pode se tornar "irrelevante" para o resto do mundo. Não é à toa que Christiana Figueres pede para que todos se concentrem nos objetivos possíveis de se atingir.

A ideia é avançar em Cancún e coroar o processo em 2011, na África do Sul. Seria o momento em que finalmente os líderes revelariam ao mundo o que vão fazer para evitar que o planeta entre em uma era de mudanças incontroláveis.

Por outro lado, se Tianjin e Cancún naufragarem, não há plano B - pelo menos por enquanto - e continuaremos trilhando a tal "estrada sem fim" que Figueres citou no seu discurso de abertura.

Mas as pessoas, cada vez mais conscientes dos riscos apontados pela ciência, vão ter paciência para mais quantas COPs?

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As pessoas vão ter paciência para mais quantas COPs? 

Como diria o outro: "Todas. O consolo é que, 'A longo prazo, todos estaremos mortos'".

terça-feira, 5 de outubro de 2010

FICHA LIMPA EMPERRADA (II)


Os votos dados a deputados estaduais/federais têm a ver com quociente eleitoral, o que repercute sobre o número final de eleitos para cada partido. Dessa forma, um candidato que abocanhou uma montanha de votos acaba 'elegendo' outro(s), muitas vezes detentor(es) de número irrisório de votos.

Hoje, já se tem conhecimento das consequências da validade ou não da Lei da Ficha Limpa para a eleição 2010. São simplesmente 11 milhões de votos sub judice.

Já se sabe quais partidos, bancadas e bases serão beneficiadas/prejudicadas em caso de decisão negativa ou positiva por parte do STF. Situação absurdíssima.

E tudo isso por falta de diligência, requisito sacrificado impunemente na fogueira das vaidades supremas. 

LIÇÃO DAS URNAS


Os institutos de pesquisa, desmentidos pela realidade eleitoral, insistem em defender a pertinência de suas antevisões, como se fosse possível tapar o sol com peneira.

O IBOPE, por exemplo, errou feio até no 'boca de urna', a ponto de números finais superarem o dobro da margem de erro por ele próprio arbitrada. Como diria certo crítico: estarrecedor!

Considerando os propósitos nem sempre saudáveis que norteiam o lançamento de números ao público, e até mesmo em homenagem ao imponderável, convém resumir a questão no seguinte:

PESQUISAS ELEITORAIS SÃO COMO UM JOGO: CONVÉM ENCARÁ-LAS COM RESERVAS. 

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ARTE THERESINA


Tela exibida em 2008, na Casa da Cultura de Teresina. O autor é teresinense, mas o nome não foi informado. (Lembra, Josy?).

MAXI E MINI CAMPEÕES

Tiririca, do PR-SP, foi o campeão de votos para a Câmara dos Deputados, com 1.353.820 votos.

O minicampeão, do PRP de Roraima, obteve 5.903 votos e elegeu-se com o 'nome' de Chico das Verduras.

Chico das Verduras certamente não tem parentesco com Zé das Couves, personagem aqui e ali referido desdenhosamente pelo ministro Gilmar Mendes.

FICHA LIMPA EMPERRADA


No dia em que decidiu, pelo placar de 5 a 5, não decidir sobre a validade da lei da Ficha Limpa logo a partir da eleição de 2010, o STF deixou pacificada uma questão: a matéria estava submetida ao critério da Repercussão Geral.

Pelo critério da Repercussão Geral, a decisão para o caso em julgamento se estende aos demais casos semelhantes. Resumindo: os coelhos são mortos com uma só cajadada.

Pois bem. Houve o empate citado, em seguida Joaquim Roriz renunciou à candidatura ao governo do DF (sendo substituído pela mulher), o que implicou a extinção do processo, voltando o assunto à estaca zero.

Ocorre que um outro candidato ingressou com recurso extraordinário no STF questionando o mesmo que Roriz. 

Aconteceu a eleição, 169 candidatos Brasil afora continuam sub judice em face da lei da Ficha Limpa, o que impede o conhecimento do resultado final da eleição - e o STF... nada.

Há quem, remotamente, vislumbre no comportamento do Supremo um típico caso de desrespeito ao princípio da harmonia entre os poderes. No caso, interferência por omissão (ou morosidade). E a repercussão desse juízo deveria ser geral.

CARTUM CALAMITOSO


MASSACRE SENATORIAL

O que causou espécie no Piauí não foi o fato de a decisão da eleição para governador haver ido para o segundo turno, pois isto já estava previsto.

Fato expressivamente eloquente foi a derrota dos dois titulares do Senado da República, Heráclito Fortes e - especialmente - Mão Santa, o homem dos discursos (mais de mil) e que evitava chamar Lula de 'Lula', mas, quase sempre meio debochadamente, de 'Luiz Inácio'.

Aliás, convém dizer que foram ceifadas as cabeças de próceres da oposição Brasil afora, como Tasso Jereissati-CE, Marco Maciel-PE, Arthur Virgílio-AM, e até candidatos que há poucos dias tinham a eleição dada como favas contadas, a exemplo de César Maia-RJ.

A base de apoio ao governo Lula respira, enfim, no Senado.

SOPA DE NÚMEROS (II)

Acompanhei até agora a marcha das apurações.

Todos os institutos de pesquisa erraram em seus prognósticos (postagem abaixo) presidenciais.

Vale notar que os números finais decorreram não só da onda verde de Marina Silva (19%), mas da boa performance de José Serra (33%). Ambos os percentuais superaram as previsões mais otimistas, não obstante Dilma Rousseff (47%) tenha ficado em situação confortável para o segundo turno.

Um ponto positivo da realização do segundo turno é que se acentua o caráter plebiscitário da disputa, o que conferirá ao eleito maior 'cacife para o futuro'.

Quase um mês a mais de campanha. Putz!...

sábado, 2 de outubro de 2010

SOPA DE NÚMEROS


Amanhã, 03, tiraremos a limpo a questão do grau de confiabilidade dos três principais institutos de pesquisa do país no que tange às eleições presidenciais.

Haverá, ou não, segundo turno? Qual instituto será mais fidedigno?

Aos percentuais (votos válidos):

................DILMA............SERRA............MARINA

Datafolha....50......................31.....................17
IBOPE.........51......................31.....................17
VoxPopuli..53......................30.....................16

Na reta final, Datafolha e Ibope se afinaram, enquanto o VoxPopuli se coloca em posição singular. Amanhã, veremos.

FHC, CONSELHEIRO SUPREMO


Trecho de matéria sobre o STF, publicada no nº 48 da revista Piauí:

Outro risco de estabelecimento de um “estado policial” surgiu, segundo Mendes, quando a revista Veja publicou uma reportagem sustentando que um telefonema de Mendes com o senador Demóstenes Torres havia sido gravado ilegalmente, e apresentou como evidência a transcrição da conversa. Com a certeza de que fora grampeado por um órgão do Executivo, Mendes ligou para Fernando Henrique Cardoso. Eles são amigos. Nos tempos de Gilmar na presidência, Fernando Henrique entrava pela garagem do Supremo. “Foi só uma vez, na posse”, disse o ex-presidente.

“Eu estava numa fazenda”, contou Fernando Henrique em São Paulo. “O Gilmar estava indignado. Disse que ia reagir à altura, chamando às falas o presidente Lula. Eu o incentivei a ir em frente.” Mendes foi. “Não há mais como descer na escala da degradação institucional”, declarou ele à imprensa. “Gravar clandestinamente os telefonemas do presidente do STF é coisa de regime totalitário. É deplorável, ofensivo, indigno.” No dia seguinte, uma delegação do STF integrada por Mendes, Ayres Britto e Cezar Peluso foi ao Planalto sem ter sido convidada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva os recebeu.

Perguntei ao ex-presidente se, numa situação semelhante, receberia a comitiva. Fernando Henrique ajeitou-se na poltrona e respondeu: “Não sei se teria aceitado aqueles termos. Talvez tivesse exigido uma reparação pública antes, uma desculpa. Mas o Lula é de passar a mão na cabeça dos aloprados e de todo mundo. Ele não é de confrontar. Ele só confronta na retórica, o comportamento dele é o de um conciliador.” Lula acha que esse foi um dos momentos de seu governo em que ele foi mais adulto e mais ciente do seu papel institucional – e menos ele próprio.

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O curioso é que ainda há incautos que consideram FHC um estadista injustiçado...

A BURISSE AMERICANA

Por Lucas Mendes
De Nova York para a BBC Brasil

Os americanos não eram burros. A burrice começou na década de 70, culpa de políticos oportunistas e, maior ainda, dos sindicatos dos professores de escolas publicas que conseguiram proteções e vantagens extraordinárias como a estabilidade, uma espécie de cátedra. Depois de três anos de trabalho, é quase impossível demitir um professor de uma escola pública.

Os salários são baixos. A maioria dos professores são atraídos pela moleza: mais dias de férias, poucas horas de trabalho e pensões generosas, mas a profissão atrai um numero baixíssimo de bons universitários. Nos três países líderes em educação - Finlândia, Cingapura e Coreia do Sul - os professores vêm da nata das universidades, têm salários altos e prestígio social.

Entre os trinta países “avançados”, os americanos, que já foram primeirões em educação, estão lá atrás em ciências e matemática.

A Finlândia, medalha de ouro em educação, estava muito pior que os Estados Unidos. Em uma geração, tornou-se campeã, com um esquema de três professores por sala com um custo de US$ 3 mil a menos do que cada aluno americano.

Estes são alguns dos fatos que você aprende num devastador documentário sobre a educação nos Estados Unidos dirigido por Davis Guggenheim. Seu filme anterior, Uma Verdade Inconveniente, sobre o envenenamento do planeta - ganhou o Oscar e seu inspirador, Al Gore, ganhou o Prêmio Nobel.

Depois do Oscar, ele recusou dezenas de propostas para focalizar outros problemas, mas, todas as manhãs, quando levava suas filhas para uma escola particular cara, em Venice, na Califórnia, passava na frente de três escolas públicas americanas e se sentia culpado.

Por que aquelas crianças nas escolas públicas não podiam ter a mesma educação que as filhas dele? Por uma daquelas escolas passavam 60 mil estudantes em quatro anos e só vinte mil se formavam. Um estudante americano que não termina o curso secundário tem oito vezes mais chances de ir para a prisão. Na Finlândia só 2% dos estudantes não se formam.

Um dos principais personagens do filme e que deu origem ao título do documentário Waiting for "Superman" é Geoffrey Canada, um líder comunitário que ficou conhecido no país pelo seu ambicioso projeto social “Harlem Children Zone”, que engloba 97 quarteirões decadentes do Harlem, inclusive suas escolas “charter”.

Geoffrey era um aluno problemático e preguiçoso. Quando perguntaram a ele quando ia sair das suas trapalhadas, respondeu: "estou esperando o Super-Homem". Ficou arrasado quando descobriu que seu herói não existia.

Educação é parte essencial da reforma dele no Harlem. O documentário acompanha cinco crianças de diferentes regiões, quase todas pobres, que querem sair das escolas públicas para escolas “charter ”, mas, como há muito mais procura do que vagas, os alunos entram por um sistema de sorteio. Este é um dos pontos cruciais e dolorosos do filme: para a maioria das crianças, o sonho americano depende de uma loteria.

A diferença entre uma escola “charter” e uma pública é o sindicato. O dinheiro das públicas e das "charters" vem do Estado, mas a direção da escola "charter" demite os incompetentes, contrata e paga extra aos bons professores, exige horas extras durante a semana e nos sábados, reduz dias de férias. O sindicato não dá palpite. Na base do mérito alguns professores podem ganhar US$ 150 mil por ano em vez de US$ 50 mil.

A revolução na educação americana foi impulsionada, em parte, pelas escolas “charters”, pelas reformas e estímulos de prefeitos como Bloomberg, de Nova York, e Barack Obama, inimigos do sindicato. Obama foi o primeiro presidente democrata desde a década de 70 que confrontou os sindicatos e se elegeu sem o apoio da AFT, American Federation of Teachers.

"Waiting for SuperMan" dá um choque mais forte nos americanos do que Uma Verdade Inconveniente pela urgência e proximidade do problema. Esta geração mal educada não tem futuro e não há polêmicas científicas. As crianças semi-alfabetizadas estão dentro de casa. Dia e noite, americanos são bombardeados pelo próprio fracasso e pelo sucesso dos outros países.

A solução, em resumo, é o bom professor, mas o que faz um bom professor é um mistério que Bill Gates está pagando US$ 500 milhões para descobrir com pesquisas e câmeras instaladas em milhares de salas.

Paulo Blikstein, professor em Stanford, na Califórnia, é um brasileiro considerado gênio em educação:

"A figura clássica do bom professor é aquele que explica bem, que anima a sala, o professor-ator. No modelo tradicional, o importante é transmitir informação, mas, hoje, o professor torna-se muito mais um orientador de aprendizagem do que alguém que faz malabarismos em aula. A era da educação massificada acabou, a boa educação terá de ser cada vez mais individualizada. "

"Em vez de ser o único lugar de acesso ao conhecimento, a escola passará a ser muito mais um agregador e direcionador de várias atividades de aprendizado, presenciais e em rede, curriculares e extra-curriculares. Difícil, mas nada que não se consiga em 20 anos", diz Blikstein.

Ótimo. Em 2030, teremos o estudante brasileiro finlandês.

RASGO DE SINCERIDADE


"DE QUE ADIANTA FALAR DE MOTIVOS? ÀS VEZES BASTA UM SÓ, ÀS VEZES NEM JUNTANDO TODOS".


(José Saramago, escritor português, 1922-2010. Diante dos últimos acontecimentos, cumpre dizer: "Saramago, com 's' de STF").

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

COBAIAS DO QUINTAL (II)


Como diria o outro: "Esse crime da contaminação deliberada de 696 guatemaltecos, nos anos 1950, pelo governo americano, para testar antibióticos, permite chegar-se à conclusão de que o imperialismo é um mal incurável!"

COBAIAS DO QUINTAL

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Nos anos 1950, Era Truman, Tio Sam, para testar antibióticos, deliberou no sentido de contaminar 696 cidadãos da Guatemala com sífilis e gonorréia.

Agora, 65 anos depois, o governo americano confessa o abjeto ato.

Vai ver, foi nesse tipo de atitude que grandes laboratórios se inspiraram para testar, nos dias que correm, drogas as mais diversas em países paupérrimos mundo afora, como os localizados na África.

É o imperialismo ecumênico.

ENTREMENTES, NOS BASTIDORES MIDIÁTICOS...


(Bosc).

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

PEDRA NO SAPATO (III)

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O ministro Gilmar Mendes afirmou há pouco que seu propósito de pedir vista do processo (ADI 4.467) sobre apresentação de documentos para habilitação ao voto foi anunciado ainda na segunda-feira passada. (Bela maneira de descartar qualquer 'leitura' ao contato telefônico de ontem com o candidato José Serra).

Disse também que a análise do assunto foi feita por ele de ontem para hoje, e que parecer mais substancioso será elaborado por ocasião da análise do mérito da matéria.

Pergunta-se: por que o ministro não cuidou de elaborar seu (preliminar) parecer a partir de segunda-feira, de modo a evitar o pedido de vista e o consequente adiamento do julgamento? Se o tempo era escasso, por que restringi-lo ainda mais? Qual a verdadeira intenção por trás do pedido de vista? Mais um episódio nebuloso...

No frigir dos ovos o STF, por oito votos contra dois, decidiu: o eleitor estará habilitado para votar se apresentar documento oficial de identificação com foto (carteira de identidade, carteira de trabalho, carteira de habilitação etc). 

PEDRA NO SAPATO (II)

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Segundo o jornal Folha de São Paulo, o pedido de vista feito pelo ministro Gilmar Mendes teria muito a ver com contato telefônico mantido com o candidato José Serra momentos antes.

O Supremo Tribunal Federal está na obrigação de tirar isso a limpo.

Duas baitas pedras no sapato... da honradez.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

PEDRA NO SAPATO

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O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o julgamento de ação contra a obrigatoriedade de apresentação de dois documentos para votar no dia da eleição. É que houve pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Torce-se agora para que a matéria seja solucionada na sessão de amanhã, 30.

A obrigatoriedade era contestada pelo PT. A suspensão do julgamento aconteceu quando já havia maioria pela derrubada da exigência. O placar era de 7 a 0 (em dez votos possíveis).

Baita pedra no sapato do bom senso. O que, ao fim e ao cabo, não constitui surpresa.

TROMBONE FERA


Em breve, festança de lançamento do CD do Trombone & Cia, Ô VARADA!, patrocinado pelo Projeto Pixinguinha, da Funarte.

Acima, Vando Barbosa, o virtuose do trombone, sob o olhar de Raniel Santos, bamba do sax, na praça Pedro II, em 2008, no Salão de Humor do Piauí.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

OS PREFERIDOS DA GRANDE IMPRENSA

Nas campanhas presidenciais norte-americanas, é normal que grandes publicações informem expressamente o candidato de sua preferência.

O jornal O Estado de São Paulo publicou no último domingo editorial em que dá conta de sua predileção por José Serra. Iniciativa não pioneira, diga-se, visto que a revista CartaCapital já a adotara ao optar por Dilma Rousseff.

Certamente, há pessoas se perguntando por que outros órgãos de imprensa não fizeram o mesmo.

No caso do jornal Folha de São Paulo, dois motivos parecem se impor. Primeiro, a desnecessidade (caso idêntico ao do Estadão), segundo, o singelo fato de a Folha ser dona do instituto Datafolha, particularidade que deixaria sua pretensa isenção mais ainda exposta a intempéries...

PROMESSAS

LEMBRANÇAS OUTONAIS

Enquanto aguardamos o domingo 3 de outubro para tirar a limpo a questão eleitoral, constatando o grau de pertinência ou de manipulação de institutos de pesquisa e órgãos de imprensa, curtamos o texto abaixo, do notável Ivan Themudo Lessa, brasileiro há décadas radicado na Inglaterra, que evoca, entre outros, dupla marcante da Jovem Guarda:

Outono, umas coisas puxam outras

Ivan Lessa
Colunista da BBC Brasil

Outono e, além de seu longos violinos, como queria o poeta gaulês, outros lugares-comuns vão caindo docemente ao chão após se lançarem das árvores que, na primavera e no verão, lhes deram vida e vigor, as folhas.

Por falar em lugar-comum… Passou perto de mim, eu fuzilo. Fui ao pódio pegar medalha dos anos 65 a 73 na modalidade essa, a do lugar-comum. Depois veio o depois, sucedendo-se como as estações do ano – dos trens, do metrô -, e eu fui envelhecendo e perdendo a forma.

Hoje, sou uma sombra do que fui. Uma pálida sombra, como só ela sabe. Dou a quem me lê o conselho que dou aos poucos que ainda têm paciência para ouvir minha lenga-lenga no pub e nos cafés pseudo-italianos que proliferam nesta Londres cada vez mais… mais pseuda, ora!

Na verdade, eu ia escrever sobre a dupla Leno e Lilian, que tanto sucesso fez nos anos 60. A vida nos reserva certas surpresas. Nem todas desagradáveis. Leno e Lilian eram uma lembrança agradável. Fui ao YouTube, vi e ouvi os dois.

Aquela versão do Something Stupid, Coisinha Estúpida, que na gravação original do Sinatra com sua filha Nancy era um convite à exegese – vá lá que seja, não exageremos – um convite à in-ter-pre-ta-ção freudiana, deixava a quem a ouvia um travo amargo no ouvido, se tal coisa é possível. Era, e não meço palavras, incesto puro, sejamos francos. Ao passo que na interpretação de Leno e Lilian o simpático fox ganha uma tonalidade agradabilíssima ao paladar (com a mesma ressalva: se tonalidade puder ser agradável ao paladar…).

Depois consultei a Wikipédia, um hábito recente, para saber que fins levaram os dois. Ao que parece, Lilian, cujo sobrenome era e é Knapp, continua a atuar nos meios artísticos com o nome de Lil Knapp. Nada de seu no sítio vídeo-musical, mas creio que só pode ser coisa boa. Não me cairia no cocoruto esta outonal folha do passado se nela não também não eivasse uma boa parte daquilo que se foi, e se volta faz, é em sítio da internet, que, digam o que disserem, tem suas vantagens.

Uma coisa puxa outra e eu comecei a cantarolar mentalmente (não devo chatear os colegas que labutam na mesma sala onde bato no aparelho minhas sandices) Banho de Lua. Celly (née Célia) Campello, sim, senhor.

Seu grande sucesso virou, no Brasil, nome de cachaça. Sei-o e peiteio-o e mamo-o também, porque o juiz Ramayana de Chevalier, responsável pela geração já pouco espontânea, de um grande amigo meu, o lendário Ronald Chevalier, vulgo (embora nada de vulgar houvesse na figurinha dificílima) “Roniquito”, uma brilhante granada sem pino que rolou pela Zona Sul do Rio durante algumas décadas, o juiz Ramayana, dos anos 50 anos 80, deixou tudo, inclusive a casa com mulher e 3 ou 4 filhos e foi para o Pará tentar a sorte grande com a cachaça a que deu o nome – como eu ia dizendo antes de me estender como sempre – de Banho de Lua.

Quebrou a cara. Voltou, no entanto, com a cabeça e a inda mais o queixo erguido, o que sempre foi característica do clã Chevalier. “O Brasil e o mundo não estão preparados para a minha extraordinária poção. Por toda parte reina a aleivosia.” Cito de memória. Mas os Chevalier falavam assim. “Aleivosia” era o de menos. Saudades deles também. Ao menos, o bom Ramayana não deu o nome do outro grande sucesso de Celly, também uma versão, Estúpido Cupido, à sua iniciação nas artes da destilaria.

Uma coisa puxa outra. Puxa! Como puxa! Principalmente quando se chega aos – não, não direi o número de outonos que enfrentei e me enfrentaram ao longo da vida. Sobrou pouco. Um pouco, no entanto, que me satisfaz, eu que passo os dias a sentar.

E será pouco mesmo se, quando menos espero, surgem-me, principalmente nesta estação, no arquivo rotulado “Memórias”, do modesto computador que se esconde em minha mente, esplêndidas pessoas como Leno, Lilian, Celly Campello, Roniquito, Ramayana?

Tenho a absoluta certeza que não. Viver é divagar, é tergiversar. Divaguemos, pois. Tergiversemos, então. Vive-se apenas uma vez, para traduzir do inglês outro lugar-comum e encerrar os trabalhos de hoje com fecho, se não de ouro, ao menos de alumínio.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

PICLES INDECISOS (OU NÃO) - II



O INDECISO É, ANTES DE TUDO, UM DÚBIO.


Quando dois indecisos se dão as mãos, a hesitação e a incerteza cantam vitória.


DA INDECISÃO NASCE O LUSCO-FUSCO.


Indecisos do mundo, colai-vos! 

PICLES INDECISOS (OU NÃO)



A PLENA CERTEZA DOS INDECISOS É ABSOLUTA, NÃO OBSTANTE AS CONTROVÉRSIAS.


O futuro, para os indecisos, é um movediço porvir.


LEMA DO INDECISO: PONDERO, LOGO HESITO.

OS TAIS INDICADORES

Certo analista político, inconformado com o rumo apontado pela corrida eleitoral, dispara petardos contra tudo o que considera aético em matéria de argumentos alinhados pela candidata que lidera as pesquisas.

Petardo especial é disparado contra "os tais indicadores".

Ora, mas qual seria um bom critério de avaliação que não a comparação dos indicadores observados em 2003 em relação aos recentemente apurados pelo IBGE?

Emprego (e desemprego), salário mínimo, níveis de pobreza, ascensão social etc etc etc.

Pois "os tais indicadores" é que irão definir a disputa.

Ao que tudo indica.

VEXAME SUPREMO (III)


O julgamento da Lei da Ficha Limpa foi uma 'bola fora' do Supremo Tribunal Federal, isto é certo. 

Mas sempre há uma ou mais lições a recolher, sejam quais forem as circunstâncias.

Contundente lição eu pincei do pronunciamento do ministro Ayres Britto, relator da matéria. 

Discorrendo sobre cautelas e salvaguardas que devem permear o Direito, o ministro acentuou que "QUANDO SE PENSAR EM CERCAR OS CARNEIROS, CONVÉM LEMBRAR QUE É PRECISO GRADEAR OS LOBOS".