segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

DESPEJO GRUPAL


Yuriy Kosobukin.

OS DEZ MANDAMENTOS DAS REDES


"(...) Os Dez Mandamentos para Jornalista no Facebook e Twitter:

1) Não divulgarás notícia sem antes checar a informação.

2) Não divulgarás notícias relevantes sem atribuir a elas fontes primárias de informação.

3) Tuítes e posts “apócrifos”, sem fonte clara, jamais serão aceitos como instrumento de checagem ou comprovação.

4) Não esquecerás que informação precede opinião.

5) Terás cuidado com o que atestas. Um “like” não é inofensivo.

6) Lembrarás que mais vale um tuíte ou post atrasado e bem checado que um rápido e mal apurado. E que um número grande de retuítes, compartilhamentos e “likes” não garante credibilidade.

7) Não matarás – sem antes checar o óbito.

8 ) Não se esquecerás da apuração in loco, por telefone e/ou por e-mail.

9) Não terás pudores de reconhecer, rapidamente e sem poréns, o erro em caso de divulgação ou encaminhamento de informação incorreta.

10) Na dúvida, não retuitarás, compartilharás ou darás “like” em coisa alguma. Pois, tu és responsável por aquilo que repassas e atestas. Ou seja, se der merda, você também é culpado."


(Leonardo Sakamoto, jornalista, em seu blog, no post "Dez mandamentos para Jornalistas no Facebook e Twitter". Eu me permito estender os mandamentos ao universo da Internet. Os demais usuários - não jornalistas - também deveriam orientar-se pelos mandamentos, naquilo que se revele cabível).

PALAVRAS EM CONFLITO


V. Druzhinin.

domingo, 20 de janeiro de 2013

QUANDO HEMINGWAY FLANAVA EM MADRID


Caricatura: Ulisses.

Hemingway acordou em Madrid certa feita, e viu dois homens que o olhavam respeitosamente. O diálogo foi mais ou menos assim:

- Quem são vocês?

- Nós somos o repórter e o fotógrafo que telefonamos a você ontem à noite, marcando uma entrevista. Você combinou que ia chegar bêbado. E que nós poderíamos pegar a chave e entrar no seu quarto, e que então nós ficaríamos esperando que você acordasse. E é isso que estamos fazendo.

- Oh! – disse Hemingway. – Estamos em Madrid?

- Justamente.

- Em que dia do mês?

- Quatro de julho de 1952.

- Em que dia da semana?

- Terça-feira.

- Oh! Então vamos tomar um uísque imediatamente!

................
(Fonte: "Flanando em Paris", livro de crônicas de José Carlos Oliveira, ou Carlinhos Oliveira, editora Civilização Brasileira, 2005. Carlinhos Oliveira, 1934-1986, cronista/romancista de alto nível e boêmio de alto coturno, escreveu por mais de vinte anos no Jornal do Brasil. O trecho acima foi destacado por Ailton Medeiros em seu blog). 

DA SÉRIE INDAGAÇÕES METAFÍSICAS

Coverly. 
Fonte: blog Contabilidade Financeira - aqui).

OBAMA VERSUS ARMAS: LUTA DESIGUAL


Clayton.

FISK E O BULLYING VIRTUAL


Robert Fisk é correspondente do Oriente Médio para o jornal britânico The Independent. É autor de muitos livros sobre a região, incluindo A Grande Guerra pela Civilização: A Conquista do Oriente Médio.
No artigo abaixo, Fisk aborda os estragos produzidos nas redes sociais pelos chamados comentários anônimos, notadamente quando o alvo é analista de situações movediças (melhor seria dizer explosivas) como a verificada no Oriente Médio e não costuma poupar críticas quando elas se impõem - inclusive em se tratando de Israel:


Comentários anônimos: é tempo de parar de beber esse veneno digital

Por Robert Fisk

Reconhece esse cara? Ele é um "mentiroso", "idiota", "simpatizante terrorista", "enganador", uma "desgraça", um "louco insano liberal", ele está "na folha de pagamento da Irmandade Muçulmana" e "na folha de pagamento de neonazistas europeus". Ele é "louco". Mas espere. Esse pobre cara é também "um ignorante, inútil, pedaço de merda que odeia judeus", cujo "ódio pode ser visto em seus olhos". "Urina de porco esteja nele no inferno", é uma das maldições dirigidas a ele.

Ele diz "mentira em cima de mentira, todas elas direta ou indiretamente destinadas à destruição de Israel". E ele recebeu a seguinte mensagem: "Os islâmicos cortadores de gargantas com quem você simpatiza cortariam seu pescoço de lápis de orelha a orelha com prazer, só porque você não se curva ao pedófilo sanguinário [sic] profeta deles." E agora uma pista. Nesta mesma lista de sujeira virtual - enviado em apenas dois dias - um escritor anônimo acrescenta: "Poderia Robert Fisk ser o próximo?"

Pessoas Doentes
Meu pecado - e acima, acreditem, é o fim limpo do abuso - foi escrever um artigo na semana passada sobre o Oriente Médio em 2013. Agora, nos velhos tempos, quando alguém recheava sua caixa de correio com algo abusivo, você iria à delegacia, em dois toques, esfregando cartas de tinta verde no rosto do sargento na delegacia. Comportamento ameaçador, pelo menos. Mas, agora, apenas reclamar sobre esse tipo de material incendiário marca-o como o excêntrico. "É por causa do seu perfil", um amigo me disse. Então é isso que eu mereço? Eu sempre disse que se você é repórter do Oriente Médio, você tem que encarar os gravetos e as pedras. Às vezes, literalmente.

Mas algo está errado aqui. Certamente não é para isso que a internet serve? Em todo o mundo agora, o anonimato - a ruína de todo o Editor de jornal - é aceito por cyber-jornalismo, o mais odioso, mais compreensível. Eu já desisti de vários debates em programas de rádio no meio da transmissão por causa da recusa absoluta das âncoras de explicar por que eles não vão desafiar os tweeters ou escritores de emails, às vezes violentamente nomeados. Sites e blogs e salas de chats nunca foram destinados a cobrir as crueldades semelhantes à Breivik, dessas pessoas doentes.

O ex-diplomata dos EUA, Christopher Hill, um homem cujas opiniões normalmente me fazem estremecer - ele foi embaixador no Iraque, especial ao Kosovo e um negociador de Dayton - observou esses perigos. "O acesso instantâneo à informação não significa acesso imediato ao conhecimento, muito menos à sabedoria", escreveu ele recentemente. "No passado, a informação foi integrada com a experiência. Hoje, ela é integrada com a emoção... A tecnologia digital tem desempenhado um papel importante na promoção dessa atmosfera de maus modos, viciosos ataques pessoais, intolerância, desrespeito... Bullying agora é virtual ".

Pouco antes do Natal, um ministro de Estado irlandês, Shane McEntee, cometeu suicídio depois de receber uma porção de desagravos online. No seu funeral, o seu irmão Gerry foi aplaudido quando atacou a mídia social: "Que vergonha de vocês, vocês covardes que lhe enviaram mensagens horríveis no site e em texto, que vergonha de vocês." Shane McEntee tinha sido particularmente condenado por defender cortes no programa de governo para cuidados a crianças especiais da Irlanda e, de qualquer maneira, eu não tenho certeza de que e-mails anônimos matam.

Jornais perseguem pessoas também, mas, pelo menos, editores têm um endereço.

O vice primeiro Ministro da Irlanda já falou de nova legislação contra o abuso na internet – complicado isso, quando os ex-oficiais da IRA sentam em Dáil Eireann e o abuso pode funcionar nos dois sentidos. O governo francês também está considerando novas regras para evitar comentários racistas, antissemitas e homofóbicos no Twitter. Hashtags racistas e anti Judias foram removidas na França, em outubro, mas o Twitter agora alega que não pode revelar suas identidades reais - em outras palavras, os culpados - desde que foram arquivadas na Califórnia, desta forma, as leis francesas não se aplicam.

Então me deixe ir agora ao jornalista irlandês John Waters, que no ano passado reclamou do "veneno desproporcional de comentários online" e a maneira que blogueiros recorrem a "formas de comunicação pré-civilizadas". Em uma paródia do estilo cyber, ele escreveu que preferiria que o criador do Twitter fosse preso e sua empresa fechada. Então, ele acrescentou - deliberadamente, na língua e gramática das mensagens repulsivas que todos recebem: "Queria q eles queimassem o fundador do Twitter em óleo e deixassem sua carcaça na rua p os urubus."

Veneno
E o que aconteceu? Um representante do Twitter ligou para um empregado do jornal de Waters - de um telefone fixo - para reclamar que sua última frase "passou de um certo limite". Que limite em especial, eu me pergunto. E quando Waters - um homem com quem não estou muitas vezes de acordo - depois queria entrar em contato com o Twitter para remover uma postagem difamatória, ele descobriu que só poderia fazê-lo... por se inscrever ao Twitter! Não, não somos Luditas, disse Waters. Mas algo era necessário "para frear o clima tóxico e sem lei em andamento na web". Por que pseudônimos são autorizados a apresentar-se como participantes de um debate democrático?

Eu concordo. Salas de chat e seções de comentários em jornais online, muitas vezes afirmam ter um "moderador" - uma expressão covarde, uma vez que sugere que o abusado e o abusador são igualmente culpados ou inocentes - que pode remover o material "inadequado". Isto é um pouco como dizer que Hitler poderia, por vezes, fazer comentários "inapropriados". De fato, com a leitura de um livro durante o Natal sobre a ascensão dos nazistas ao poder na Alemanha, descobri que muitas ameaças do NSDAP (Partido Nazista) nos anos trinta hoje parecem insultos da internet.

Então o que fazer? Comentários on-line são muitas vezes factualmente errados, mas o anonimato permite aos escritores usar uma linguagem vulgar e abusiva para apoiar as suas mentiras. Eles rodam muitas vezes no que tem sido chamado de "teste de qualidade" - aplicada com rigor, por exemplo, quando os editores de jornais se recusam a publicar cartas sem um nome e alguma forma de endereço. Estamos falando de comentário verificável. (Fonte: aqui).

ARTE URBANA


Sokram. (Espanha).

ARTE URBANA


Smug. (Escócia).

sábado, 19 de janeiro de 2013

O PECADO


Valeria Domanski.

POESIEMO-NOS

Ilustração: Liberati.

Ler poesia é mais útil para o cérebro que livros de autoajuda, dizem cientistas

Ler autores clássicos, como Shakespeare, William Wordsworth e T.S. Eliot, estimula a mente e a poesia pode ser mais eficaz em tratamentos do que os livros de autoajuda, segundo um estudo da Universidade de Liverpool (...).

Especialistas em ciência, psicologia e literatura inglesa da universidade monitoraram a atividade cerebral de 30 voluntários que leram primeiro trechos de textos clássicos e depois essas mesmas passagens traduzidas para a "linguagem coloquial".

Os resultados da pesquisa, antecipados pelo jornal britânico "Daily Telegraph", mostram que a atividade do cérebro "dispara" quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica complexa, mas não reage quando esse mesmo conteúdo se expressa com fórmulas de uso cotidiano.

Esses estímulos se mantêm durante um tempo, potencializando a atenção do indivíduo, segundo o estudo, que utilizou textos de autores ingleses como Henry Vaughan, John Donne, Elizabeth Barrett Browning e Philip Larkin.

Os especialistas descobriram que a poesia "é mais útil que os livros de autoajuda", já que afeta o lado direito do cérebro, onde são armazenadas as lembranças autobiográficas, e ajuda a refletir sobre eles e entendê-los desde outra perspectiva.

"A poesia não é só uma questão de estilo. A descrição profunda de experiências acrescenta elementos emocionais e biográficos ao conhecimento cognitivo que já possuímos de nossas lembranças", explica o professor David, encarregado de apresentar o estudo.

Após o descobrimento, os especialistas buscam agora compreender como afetaram a atividade cerebral as contínuas revisões de alguns clássicos da literatura para adaptá-los à linguagem atual, caso das obras de Charles Dickens. (fonte: aqui).

MÍDIA: CAMPANHA PERMANENTE


(Fonte: ContextoLivre, aqui).

ARQUIVO X ENTRE OS FATORES X

A verdade está lá fora.

Mundo precisa se preparar para a descoberta de vida inteligente, alerta Fórum Mundial

Dado o avanço nas observações do espaço e o ritmo da exploração do cosmos nas últimas décadas, é cada vez mais viável que os cientistas encontrem algum indício de vida fora da Terra, afirma novo documento do Fórum Econômico Mundial. Assim, é preciso que os países e as grandes organizações comecem a discutir, desde já, os efeitos dessa grande descoberta.

No relatório Riscos Globais deste ano, o Fórum lista alguns dos "fatores X" que devem entrar na roda de debates da comunidade internacional por terem suas consequências incertas para o futuro da humanidade. Além da vida extraterrestre, são citados outros quatro tópicos, como as implicações das habilidades sobrehumanas, o custo da longevidade para o planeta, o descontrole das mudanças climáticas e o da falta de regulamentação na geoengenharia (tecnologia usada para controle do clima).

De acordo com o documento, é possível que, dentro de dez anos, sejam encontradas evidências de que a vida pode existir em algum lugar do Universo além da Terra. Se isso acontecer, o impacto a curto prazo será centrado na comunidade científica. Grande parte do fluxo do dinheiro mundial será colocado na construção de telescópios e novos equipamentos, nas missões robóticas e nas viagens espaciais, além dos esforços para que o corpo humano sobreviva às distâncias interestelares.

Mas a longo prazo, as implicações psicológicas e filosóficas serão profundas. As especulações de que indícios químicos (oxigênio, água e atmosfera, por exemplo) podem dar suporte à vida inteligente fora da Terra vai abalar crenças de religiões e da filosofia humana. O relatório afirma que, com campanhas, o público pode se preparar para esse processo e obter um entendimento científico sobre a posição e a importância da humanidade para o Universo.


UFOs e Guerra nas Estrelas
Especialistas de mais de 20 países, reunidos para o 4º Fórum Mundial de Ufologia em Foz de Iguaçu, no Paraná, reacenderam o debate proposto recentemente pelo relatório.

Eles exigem a abertura de documentos militares sobre Óvnis (objetos voadores não identificados) no Brasil baseados na Lei de Acesso à Informação, que surgiu para abrir as "caixas pretas" do poder público. O grupo afirma que a liberação do arquivo militar pode ser usado para estudos científicos. (...)

Para continuar, clique aqui.

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"Há mais coisas entre o céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia, Horácio!" (Hamlet - William Shakespeare).

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

OBAMA E AS ARMAS


Laílson.



Amorim.

OBAMA E AS ARMAS


Nani.



Clayton.

DA LEI DE GERSON E ATOS AFINS


Práticas (ainda) comuns no Brasil, algumas esporádicas, outras generalizadas, todas encaradas por muitos como sinal de esperteza (cada um que se vire, ora!), segundo a matéria "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço?", de Edilson Evaristo Vieira Junior:

- Coloca nome em trabalho que não fez.
- Coloca nome de colega que faltou em lista de presença.
- Paga para alguém fazer seus trabalhos.
- Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
- Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
- Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
- Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.
- Fala no celular enquanto dirige.
- Usa o telefone da empresa onde trabalha para ligar para o celular dos amigos (me dá um toque que eu retorno...) - assim o amigo não gasta nada.
- Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
- Para em filas duplas, triplas, em frente às escolas.
- Viola a lei do silêncio.
- Dirige após consumir bebida alcoólica.
- Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
- Espalha churrasqueira, mesas, nas calçadas.
- Pega atestado médico sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
- Faz "gato " de luz, de água e de tv a cabo.
- Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
- Compra recibo para abater na declaração de renda para pagar menos imposto.
- Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
- Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20.
- Comercializa objetos doados nas campanhas de catástrofes.
- Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
- Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
- Compra produtos piratas com a plena consciência de que são piratas.
- Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
- Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
- Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
- Leva das empresas onde trabalha pequenos objetos, como clipes, envelopes, canetas, lápis... como se isso não fosse roubo.
- Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
- Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
- Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
- Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.
 (...)

Arremate do articulista: No dia em que nossa sociedade for composta por uma maioria honesta, a minoria desonesta não terá vez nem voz, mas o que se vê hoje é exatamente o contrário.

Definitivamente o “faça o que eu digo, mas não o que eu faço", não funciona. (Fonte: aqui).

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Há inúmeras outras práticas, além das acima alinhadas, envolvendo mortais comuns e os ditos iluminados. Ademais, a famigerada Lei de Gerson, sabemos, não se limita às plagas tupiniquins. Que o digam, num exemplo recentíssimo, os ludibriados pelo campeoníssimo ciclista Lance Armstrong, sete vezes consecutivas vencedor da Volta da França - à custa de doping.

CARTUM DO PÂNICO


Musa Gumus.

LINCOLN, O FILME


O estadista que comprava votos, oferecia cargos e falava por parábolas

Por Kiko Nogueira


O longa “Lincoln” é o campeão de indicações do Oscar 2013. Foram 12, incluindo as categorias mais importantes: melhor filme, melhor diretor (Spielberg), ator (Daniel Day Lewis), atriz coadjuvante (Sally Field) e ator coadjuvante (Tommy Lee Jones).

Lincoln é um dos maiores mitos dos EUA. Seu rosto, você sabe, está esculpido no Monte Rushmore, ao lado dos de George Washington, Thomas Jefferson e Theodore Roosevelt. Spielberg tomou o cuidado de não santificá-lo. Ele compra votos, oferece empregos e cargos, e fala por parábolas. Alguns de seus amigos não suportam seus monólogos.

São 250 minutos de muitos diálogos e atuações impecáveis de Lewis, Sally Field e Tommy Lee Jones (no papel do deputado abolicionista histriônico Thaddeus Stevens, que tem um amor proibido). Para o padrão Spielberg, é cerebral. (Fonte: aqui).

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De fato, Spielberg fez muita coisa pouco cerebral, mas ao fim e ao cabo consagrou um padrão multifacetado. Se, por exemplo, ET e Tubarão pontificam numa vertente, A Lista de Schindler e A Cor Púrpura brilham numa outra.

Quanto a Lincoln, aguardemos. Saber que o diretor mostrou Lincoln como um ser humano sujeito a suas circunstâncias, como sabiamente definiu Ortega y Gasset, já é um bom indicador.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

MULHERES DO LAN


Foi inaugurada ontem, no Rio de Janeiro, a exposição "Mulheres do Lan", reunindo 13 esculturas em metal numeradas e assinadas por Marcus André Salles.

Salles inspirou-se nas mulatas retratadas pelo cartunista e ilustrador Lan, italiano naturalizado brasileiro, no Brasil há exatas seis décadas e cidadão honorário do Rio de Janeiro.

Para saber mais sobre a exposição, clique aqui e leia texto de Henrique Porto, do G1.

A respeito de Lan, clique aqui para ler o post "Lan: 85 anos", publicado neste blog em fevereiro de 2010.

AGROTÓXICOS IMPUNES


Arcadio.

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Mercado desregulamentado, 'produtos' fictícios (derivativos) correndo frouxo, hipotecas fraudulentas (melhor seria dizer hipotecas hipotéticas), bônus bilionários abocanhados pela 'inteligentsia' financeira mundial, controle contábil descontrolado, enfim, esbórnia generalizada... Nunca os agrotóxicos haviam reinado assim!

Como certos bancos eram "grandes demais para quebrar", seus rombos foram diligentemente cobertos pelo Estado - e os custos, claro, repassados para a plebe rude. Eis a origem da austeridade.

Alguns países felizmente conseguiram safar-se: descartaram o jogo da desregulamentação e partiram para o fortalecimento do mercado interno via expansão de programas sociais, ampliação do crédito e incentivo a setores econômicos. Uma plaga tupiniquim, há décadas paraíso mundial de especuladores de alta monta, um dia resolveu reduzir fortemente as taxas remuneratórias, o que gerou inconformismo e revolta por parte dos tubarões e seus representantes midiáticos, no país e no exterior. Que audácia!

Contudo, convém lembrar: o estoque de agrotóxicos resta preservado.

CARTUM ESCOLADO


Sinovaldo.

EUA E ARMAS


"A única coisa capaz de parar um mau elemento com uma arma é um bom elemento com uma arma.", declarou Wayne LaPierre, da Associação Nacional do Rifle - ao que o cartunista Bennett retratou-o sendo parado por um elemento.

Mais ciência sobre armas, por favor

Por Carlos Orsi

A questão da posse (e porte) de armas de fogo pela população civil é uma que causa grandes paixões dos dois lados do debate. Como costuma acontecer com todo grande problema polêmico de política pública, as posições costumam preencher um amplo espectro que vai do apelo aos princípios ao apelo às consequências.

Nos dois extremos, a coisa tende a assumir um aspecto que é muito bem definido pela frase latina fiat justitia ruat caelum, "faça-se a justiça mesmo que o céu caia": a busca inflexível por princípios a despeito das consequências está na base de muita tragédia grega; já a preocupação extremada com consequências pode levar à conclusão de que a prisão ideal é também a sociedade ideal, onde cada um tem sua cela própria, a comida e o tratamento médico são garantidos e, não menos importante, os uniformes listrados evitam qualquer tipo de ostentação de desigualdade social.

No caso da posse de armas, os princípios em jogo parecem ser o da autonomia do indivíduo (cabe ao cidadão maior de idade decidir o que é melhor para si) e da autodefesa (toda pessoa tem o direito de lutar para proteger a própria vida); no campo oposto, há o princípio de que a vida humana e sagrada e, portanto, coisas feitas para eliminar seres humanos são abominações que não deveriam existir.

A menos que estejamos dispostos a defender esses princípios até que "o céu caia", no entanto, é fácil ver que eles têm limites -- por exemplo, se eu concluir que "o melhor para mim" é ter um tanque de gás sarin guardado no banheiro, as autoridades provavelmente estarão autorizadas a discordar, e com veemência.

Quanto à dedução, por princípio, de que armas de fogo não deveriam existir, há uma pensata interessante de Sam Harris a respeito, mas, em resumo: elas existem, então temos de lidar com elas. E, se não existissem, ainda teríamos dentes, unhas e músculos, assim como martelos, pernas de cadeira e chaves de fenda.

O limite de um princípio nasce das consequências de sua aplicação, e o que torna a questão das armas especialmente complexa é que as consequências não são lá muito claras.

As campanhas por desarmamento voluntário no Brasil costumam apelar para histórias dramáticas de vítimas de acidentes com armas de fogo ou de brigas tolas, onde a presença da arma transformou o que seria, no máximo, um olho roxo num homicídio. Por mais deploráveis e chocantes que sejam esses eventos, no entanto, é sempre importante lembrar que uma simples enumeração de casos isolados não equivale a um conjunto de dados estatisticamente válidos. Ou, na frase de efeito que funciona melhor em inglês, the plural of anecdote is not data.

Mas, então, onde estão os dados? O DataBlog, do jornal britânico The Guardian, criou uma tabela com uma série de informações sobre posse de armas e taxas de homicídio entre vários países do mundo. Há muitas nações para as quais faltam dados mas, entre as que têm informação completa, as disparidades são notáveis.

Por exemplo: os Estados Unidos são o país mais armado do mundo, com uma média de 89 armas para cada 100 habitantes. Em compensação, sua taxa de homicídios praticados com arma de fogo, ajustada pelo tamanho da população, é baixa -- menos de 3 -- bem menor, por exemplo, que a de países muito menos armados, como Brasil (8 armas por 100 habitantes, taxa de homicídio 18) e África do Sul (12,7 armas por habitante, taxa de homicídio 17). O país mais armado da América Latina é o Uruguai, com 32 armas para cada 100 habitantes, e sua taxa ajustada de homicídios com arma de fogo é, assim como a americana, menos de 3.

Resumindo, o Brasil tem 10% das armas dos EUA, 25% das armas do Uruguai, mas uma taxa de homicídios com armas de fogo seis vezes maior que a desses dois países. De fato, nos 12 dos 15 países mais armados do mundo para os quais há dados completos na tabela do Guardian, a taxa de homicídio por arma de fogo fica abaixo de 1. As únicas exceções são os já citados EUA e Uruguai.

Então a solução é armar a população "de bem" para assim acabar com o crime? Não exatamente. A Inglaterra, que tem uma das leis de posse de armas mais restritivas do mundo -- até mesmo policiais precisam de autorização especial para carregar armas -- tem uma taxa de homicídio por arma de fogo quase vestigial, de 0,07. O Japão, com uma proporção de 0,6 arma por 100 habitantes, tem uma taxa ainda menor, de 0,01.

Dos 15 países de menor taxa de homicídio com armas de fogo para os quais há dados completos, dez têm menos de 10 armas por 100 habitantes, sendo que três deles têm menos que uma arma por 100 habitantes. As exceções mais evidentes são Islândia (zero homicídio, 30,3 armas), Noruega (0,05 homicídio, 31,3 armas) e França (0,06 homicídio, 31,2 armas).

Usando os dados do jornal britânico para comparar os números de países onde havia dados disponíveis tanto para taxa de homicídio relativa à população quanto para a taxa de posse de armas por 100 habitantes (108 de um total de 185), obtive o seguinte gráfico:




O coeficiente de correlação, caso alguém esteja se perguntando, é fracamente negativo: -0,102, o que sugeriria, de modo muito leve, que mais armas estariam, de algum modo, ligadas a menos mortes. Dada a disparidade das fontes de informação e a necessidade de cortar quase 40% da amostra, por conta dos dados incompletos, a conclusão torna-se duplamente fraca. Daí, a necessidade de se fazer mais ciência a respeito.

O que nos traz a uma notícia curiosa: no fim da semana passada, mais de 100 cientistas americanos assinaram uma carta pedindo maior financiamento público de pesquisas sobre violência causada por armas de fogo. De acordo com pesquisadores do "Crime Lab" da Universidade de Chicago, estudos na área têm sido bloqueados por "questões políticas".

De acordo com a nota, um movimento parlamentar contra esse tipo de estudo se formou em meados dos anos 90, quando o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) passou a tratar a questão da violência por armas de fogo como um "problema evitável de saúde pública", o que causou forte reação no lobby pró-armamentos. A partir daí, a liberação de verbas para o CDC ficou condicionada à cláusula de que o dinheiro "não poderia ser usado para defender o controle de armas".

Isso é mais ou menos como dizer que a verba destinada às pesquisas sobre bactérias não pode ser usada para defender o uso de antibióticos. O que a norma faz é vetar, de antemão, uma conclusão a que estudos cuidadosos poderiam chegar, de forma honesta. Não é assim que a confusão que cerca o debate vai se resolver. (Fonte: aqui).

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Comentário: interessante a abordagem de Orsi. É importante que a pesquisa científica seja aprofundada, dada a complexidade do tema. Quanto aos EUA, não obstante, ratificamos o texto abaixo (post homus armadus). 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

EUA: HOMUS ARMADUS


Rainer Hashfeld.

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Entreouvido num bunker: "A questão não se limita ao direito de cada um ter acesso irrestrito às armas, a questão transcende a segunda emenda da constituição americana, a questão extrapola o ego do 'wasp'... a questão, meu caro, é o dinheiro gerado pelas armas em geral, que permeia todo o complexo militar industrial...".

O SOM AO REDOR: ECOS DA ERA LULA (II)


O filme pernambucano "O Som ao Redor", do diretor Kleber Mendonça, foi eleito na noite da última terça-feira (15) o melhor filme latino-americano pelo júri da terceira edição do Prêmio Cinema Tropical, entregue na sede do jornal "The New York Times". (Fonte: aqui).

Clique aqui para ler post sobre o filme, desenvolvido a partir de entrevista do diretor Kleber Mendonça ao jornal Valor.

O CASO DO GATO ALEATÓRIO


Em teste, gato doméstico derrota gestores profissionais no mercado de ações

Por Lara Rizério, no InfoMoney


O jornal britânico The Guardian desafiou três tipos de investidores para uma disputa de quem conseguiria alcançar a maior rentabilidade ao final do ano de 2012, acompanhando-os durante todo o ano.

Até aí, tudo normal, exceto por um detalhe. Enquanto um grupo era formado por gestores profissionais, outro era composto por alunos de ensino médio da escola John Warner, em Hoddesdon, uma cidade britânica; por fim, e o mais surpreendente: o último grupo era formado apenas por um gato, chamado Orlando - que sagrou-se o campeão do teste.

Cada equipe recebeu um aporte inicial de £ 5 mil para investir em ações de cinco empresas do índice FTSE All-Share no início do ano. A cada três meses, as equipes poderiam trocar os seus papéis, substituindo-os por outros do índice.

Até o final de setembro, os gestores profissionais - estes gestores de riquezas da Seven Investment Management, os corretores da Killick & Co e os gestores de fundo da Schroders Andy Brough - lideraram os ganhos, com lucro de £ 497,00 ante os £ 292,00 gerenciados por Orlando.

Entretanto, uma reviravolta aconteceu no último trimestre, resultando em um ganho de 4,2% no período para o felino. Assim, ele finalizou o ano com um total de £ 5.542,60, em comparação com £ 5.176,60 dos profissionais. Já os estudantes registraram perdas, totalizando £ 4.480,00 ao final do ano.

Vale ressaltar que apenas uma das ações de Orlando não subiu durante os últimos três meses de 2012. Por outro lado, os profissionais decidiram manter seus papéis do terceiro para o quarto trimestre e pagaram o preço, com as ações da British Gas caindo 19% e da Imagination Technologies tendo baixa de 16,8%, levando a uma forte queda de sua rentabilidade.

Apesar dos estudantes terem ficado na lanterna, eles tiveram uma recuperação nos últimos três meses do ano, sendo que a mudança do portfólio de ações no período foi fundamental, aumentando a rentabilidade da carteira em 5,4%.

Experiência versus aleatoridade
Esse resultado bota em dúvida uma máxima do mercado: quando a maioria das pessoas pensa em algum lugar para investir o dinheiro que economizaram, a busca normalmente acaba quando encontra os profissionais de mercado, que possuem maior experiência no assunto e que possuem métodos bastante elaborados para analisar qual é a decisão mais correta a ser feita em termos de investimento.

Entretanto, o resultado do teste mostrou que um animal de estimação consegue ser muito mais bem sucedido, alcançando maior rentabilidade do que estes profissionais. "Enquanto os profissionais usaram suas décadas de conhecimento para investir, o gato selecionou as suas ações lançando seu rato de brinquedo favorito em uma grade de números atribuídos a diferentes empresas do índice", ressalta a reportagem.
Assim, o desafio acabou levantando a questão, segundo a reportagem, se alunos de novatos de finanças ou se uma seleção aleatória de ações, como a de Orlando, pode configurar um desempenho tão bom ou até melhor do que os investimentos feitos pelos gestores mais experientes.

"É hora de abrir a ração [para comemorar]", disse Justin Urquhart-Stewart, um dos gestores que participou do desafio pela Seven Investment Managers, admitindo que o gato "tem talento para os negócios". Para celebrar o feito, o dono de Orlando comprou um colar vermelho no mesmo estilo dos habituais suspensórios usados pelo gestor.

Com isso, o resultado indica que a "hipótese de passeio aleatório", popularizada pelo economista Burton Malkiel, também se aplica ao mercado acionário, sendo assim mais verdadeira do que anteriormente pensada. Em seu livro, Malkiel explora a ideia de que os preços das ações se movem de forma totalmente aleatória, tornando este tipo de mercado totalmente imprevisível. (Fonte: aqui).

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Especulo: Burton Malkiel, vai ver, certamente recomendaria que se optasse pelas loterias oficiais. A probabilidade é a mesma, senão maior, e os resultados são conhecidos em prazo bem mais curto.

O EURO IRRESGATÁVEL


Arend van Dam.

ADEUS A KOSOBUKIN


Cartum de Kosobukin.

Do blog do Salão de Humor de Piracicaba (aqui):

Acabamos de receber a triste notícia de que nesta manhã (de 15 de janeiro) faleceu o grande artista gráfico, premiado por diversas vezes em Piracicaba e outros salões do mundo, Yuriy Kosobukin.

Essa informação nos foi dada pelo seu amigo e também grande artista ucraniano Vladimir Kazanevski, que participou como jurado de premiação no 39º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, realizado no ano passado - 2012. Yuriy era um dos nomes cotados para as comemorações da 40º edição do Salão Internacional de Piracicaba. (...).

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Yuriy Kosobukin, nascido na Ucrânia em 1950, é o que se pode chamar de grande cartunista, com admiradores pelo mundo, entre os quais o autor deste blog. Não conhecemos detalhes sobre o cotidiano de Yuriy, mas daqui mandamos um abraço para seus familiares e amigos. 
Gracias, grande Kosobukin.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

LEMBRANÇAS DA BOTICA DO POVO

J.A.Buhrer, por Nei Lima.

Vermes do passado

Por Ruy Castro


Recebo do amigo João Antonio Buhrer, colecionador de lixo gráfico, um exemplar do "Almanaque Brasil" para 1957, que ele deve ter encontrado na gaveta de uma avó (não necessariamente dele) ou pelo qual pagou R$ 1 numa feira de velharias. O "Almanaque Brasil" concorria com o "Almanaque Capivarol" e outros, e era tão revelador quanto. E o que ele revelava? Que, a julgar pelos anúncios, os brasileiros de 1957 -em plenos "anos dourados"- eram uma antologia de mazelas.

Confira pelos remédios. Problemas de rins, bexiga e ácido úrico? Tomava-se o Uredol. Ou o Urolítico. Ou os Comprimidos Diuréticos do Abacateirol. Tremedeira, impaludismo, maleita e sezão? Palutônico era a solução. Disfunções menstruais, tipo escassez ou excesso?
Reguladores infalíveis eram o Xavier, o Menstrol, o Eugynol e o Fluxo Sedatina (que avó, mãe e filha, todas deviam usar). E as fraquezas sexuais se combatiam com o Sexuol (só para homens) e o poderoso Uterol, que os cavalheiros deviam evitar.

Azia, má digestão, dores de estômago? Ninguém dispensava a Magnesia Phosphatada -assim mesmo, com essa ortografia pré-cabralina. Gripes, resfriados, dores de cabeça? Usava-se o Transpirol, embora algumas correntes filosóficas, mais ortodoxas, preferissem o Peitoral de Cereja. E não havia caspa que chegasse perto de cabelo, barba e bigode se o cidadão aplicasse Pilogênio.

Alguns medicamentos eram batizados com fascinantes palavras "porte-manteaux", que, de tão criativas e bem construídas, pareciam inventadas por Haroldo de Campos. O Tencrivermil, por exemplo, fulminava oxiúros, lombrigas e solitárias. O Uterovarol dedicava-se à lanternagem do útero e do ovário. O Prisoventril, como é óbvio, à prisão de ventre. E a Panvermina, a vermes e opilação.

Hoje, o Brasil é outro. Os vermes já não se abatem com purgantes.

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João Antonio Buhrer encaminha regularmente a uma gama de amigos Brasil afora (e não me surpreenderia se também do exterior) fotos/textos sobre os mais diversificados temas culturais do País e de outras plagas: artes gráficas, fotos antigas, curiosidades em geral, MPB, coisas simplórias com que se depara em suas andanças por sebos e ruas de Campinas-SP (onde reside) e arredores. 
Faço parte do rol de felizardos amigos, com satisfação. 

OLD ILLUSTRATION


Xilo de Marcelo Soares. Catálogo da Bienal do Livro, 1968.

WOODY, O HIPOCONDRÍACO


Cartum de Maumont, que ilustra texto do cineasta Woody Allen para o jornal The New York Times, em que o diretor se confessa hipocondríaco.

AQUECENDO O DESASTRE

Ilustração: Dario Castillejos. 

EUA tem estudo alarmante sobre alterações climáticas

Do jornal Diário de Notícias, de Lisboa


A Presidência norte-americana divulgou na sexta-feira, no seu sítio na internet, o primeiro esboço de uma nova avaliação sobre o clima, que sintetiza em 400 páginas a opinião científica sobre as alterações climáticas e o impacto nos EUA.

"As provas sobre as alterações climáticas abundam, do topo da atmosfera às profundidades dos oceanos", apontam os autores do relatório, que sintetizam que "o planeta está a aquecer", o que atribuem em primeiro lugar à atividade humana.

No texto indica-se que a temperatura média nos EUA aumentou em 1,5 graus centígrados desde 1895, com a maior parte deste aumento (80 por cento) a ocorrer desde 1980, destacando-se a propósito que a última década foi a mais quente desde que há registos.

Espera-se também que a temperatura continue a subir nos EUA, mesmo no melhor cenário, que corresponde a "substanciais reduções" nas emissões de gases com efeito de estufa a partir de 2050.

Desta subida de temperatura vão aumentar as hipóteses de ocorrência de eventos extremos, com situações cada vez mais graves em termos de vagas de calor, secas ou incêndios.

As consequências incluem também o aumento da temperatura da água dos oceanos, dos dias de frio e da intensidade dos aguaceiros, bem como o aumento do nível das águas, acompanhado de reduções importantes da cobertura de neve, dos glaciares, das terras permanentemente geladas (permafrost) e do gelo no mar.

Os investigadores alertam que estas alterações já afetam e vão continuar a afetar a saúde humana, a disponibilidade de água, a agricultura, os transportes, a energia e muitos outros aspetos da sociedade.

O documento, que reflete o trabalho de mais de mil cientistas, dos setores público e privado, e vai agora ser sujeito à apreciação pública e científica, está disponível em:
http://www.whitehouse.gov/blog/2013/01/11/expanding-climate-change-conve...

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Sobre a controvérsia acerca da origem da crise climática (fato? farsa? propósito inconfessável?), clique aqui para ver algumas opiniões. 

DA NECESSIDADE DA REFORMA POLÍTICA


Duke.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

ESPANTOSO UNIVERSO


Pálido de espanto

Por José Inácio Werneck


Há algum tempo conversei com um amigo, que me disse ser ateu. Não acredita em Deus e ponto final.

- E você? Você acredita em Deus? - perguntou-me, com um ar de quem suspeitava que eu fosse um papa-missas.

Quisera eu que minha resposta pudesse ser simples. Não creio no Deus que conhecemos apenas de ler a Bíblia, no Deus que disse “faça-se a luz”, que criou Adão e de sua costela tirou Eva.

Surpreendo-me mesmo que, nos dias atuais, possa haver fundamentalistas, de qualquer religião, que confiam cegamente no que foi escrito ou transmitido por tradição oral, por homens que um dia supuseram que ouviram ou viram um Deus que lhes falava de dentro de uma moita em chamas ou lhes entregava mandamentos no topo de uma montanha.

Tais convicções infelizmente tem trazido imensa miséria à humanidade, dividida por ódios inconciliáveis em nome de um Deus que supostamente seria a fonte de toda a bondade e sabedoria.

Mas acho simples demais acreditar que existe apenas o mundo natural, aquele que vemos diante de nossos olhos. Pois afinal - e aqui parafraseio uma passagem do apóstolo Paulo na Epístola aos Coríntios - vemos indistintamente, diante de uma vasteza que nossa visão não alcança.

O que vemos do Universo é apenas uma ínfima parcela. Mas dia a dia aprendemos mais coisas, descortinamos mais coisas. Um dia talvez cheguemos à compreensão total.

O homem percebe o Universo através de quatro dimensões - a altura, a largura, a profundidade e o tempo - mas as teorias científicas nos falam de outras dimensões que não distinguimos, embora existam.

Sabemos que o Universo surgiu há 13,75 bilhões de anos, a partir de um ponto inacreditavelmente pequeno que os astrônomos chamam uma “singularidade”, mas não sabemos o que havia no momento do Big Bang, nem o que havia antes do Big Bang.

A imensidão que nos rodeia está repleta de fascinantes fenômenos, de buracos negros, pontos dos quais nem a luz pode escapar, que conteriam “buracos de traça”, passagens que nos transportariam a pontos diferentes dentro de nosso Universo ou de um universo a outro. Um universo ou universos que poderiam existir paralelamente ao nosso, embora não os vejamos.

Os “buracos de traça” ligam dois pontos no “tempo-espaço”, o que significa que em princípio podem permitir tanto a viagem através do espaço quanto através do tempo.

Uma das teses mais exóticas, deduzível da Teoria da Relatividade, de Einstein, é que nosso Universo seria o interior de um buraco negro existente dentro de um outro Universo.

Além do que vemos e percebemos, há um amplo terreno para a imaginação.

Talvez ninguém tenha dito melhor do que Shakespeare, no século XVII: “Há mais coisas no Céu e na Terra, Horácio, do que sonha a vossa filosofia”.

Só em nosso galáxia, a Via Láctea, haveria pelo menos 17 bilhões de planetas parecidos com a Terra.
Estamos falando em uma Galáxia dentro das infindáveis galáxias que existem, dentro de um Universo cujos limites não conhecemos e que pode estar no meio de muitos outros.

É candura extrema acreditar nos textos religiosos ao pé da letra, mas é muita falta de curiosidade afirmar que existe apenas a matéria que vemos e sentimos diante de nós.

Não sou papa-missas, mas, como o poeta que ouvia estrelas, sou pálido de espanto.

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Werneck alude a "buracos de traça", que ligam dois pontos no "tempo-espaço". Há uns bons anos li sobre o fenômeno, mas com outra denominação: "buracos de minhoca".

Quanto à milenar questão da crença/descrença num ser supremo, ante um universo que, como disse Haldane, não é apenas mais estranho do que imaginamos, é mais estranho do que podemos imaginar, transcrevo anotação contida em meu implacável caderno: indagado sobre se acredita em Deus, o competente neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho respondeu: "Geralmente depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando acabamos de operar, vai-se até a família e se diz: 'Ele está salvo'. Aí, a família olha pra você e diz: 'Graças a Deus!'. Então a gente acredita que não fomos apenas nós."

domingo, 13 de janeiro de 2013

SIMULACROS


Passofundo.

RECORDANDO RUBEM BRAGA (II)


Os cem anos do sabiá

Por Sérgio Augusto


Sugeri à Flip que em 2013 homenageasse Rubem Braga. Pelos 100 anos que ele faria em janeiro e pela dívida que a nossa mais importante festa literária precisa quitar com a crônica, o gênero literário mais apreciado no País e do qual Rubem foi, indiscutivelmente, o maior expoente. Os 60 anos de morte de Graciliano Ramos, afinal, prevaleceram na escolha do próximo homenageado, ficando a crônica e seu sabiá para uma futura Flip, quem sabe a de 2014.

Por falar em efemérides, a crônica está fazendo 160 anos este mês. Apesar da respeitável tese do historiador Jorge de Sá distinguindo Pero Vez de Caminha como seu introdutor nestas paragens, a primeira crônica genuína, não epistolar e sem ressaibo folhetinesco, teria surgido na imprensa brasileira em dezembro de 1852, no jornal carioca Correio Mercantil, assinada por Francisco Otaviano de Almeida Rosa. Dois anos depois, Almeida Rosa legaria seu espaço a dois discípulos, José de Alencar e Manuel Antônio de Almeida, que nele formataram o gênero, ampliando o horizonte profissional e a clientela de jornalistas, poetas e escritores.

A forte e inevitável influência de Eça e Ramalho Ortigão sobre os primeiros cronistas daqui levou Machado de Assis a duvidar que um dia nossa crônica pudesse se abrasileirar. Mas ela, graças sobretudo ao próprio Machado, abrasileirou-se. Aos poucos nos libertamos da canga lusa, do português castiço e engomado, incorporamos toda a graça e agilidade do coloquialismo, fundamos, sem exagero, uma nova língua a partir do português recriado nas ruas do Rio e nas conversas informais.


Uma nova língua a serviço da simplificação e da naturalidade, a contemplar a vida "ao rés-do-chão" (apud Antonio Candido) e a comentá-la através de uma conversa-fiada por escrito, redimensionando os objetos e as pessoas, captando em suas miudezas "uma grandeza, uma beleza ou uma singularidade insuspeitadas".

Tivemos e ainda temos perseverantes observadores da vida ao rés-do-chão; nenhum, porém, com a mesma percuciência, desenvoltura e produtividade do Velho Braga (o apelido foi dado pelo próprio Rubem quando ainda bem moço) - opinião, de resto, compartilhada até por aqueles que, por motivos muito particulares, sentem mais afinidade com outros cronistas, como é o meu caso, que sempre tive um xodó não de todo inexplicável por Paulo Mendes Campos. Mas isso é assunto para uma prosa futura.

Captadas pelo olhar de Rubem, coisas só na aparência insignificantes do cotidiano e estados d’alma enganosamente banais ganhavam nobreza e transcendência. Sua prosa divagante, encantadoramente simples, doce e cristalina, melancólica e irônica, lírica sem pieguice, tinha o condão de transformar o que quer que fosse (uma borboleta, um passarinho, um pé de milho, um antigo cajueiro, a curva de um rio, uma jovem que passa distraída) em inesperadas epifanias. Só para Rubem era fácil.

Considerava-se, sem o menor complexo, um "escritor superficial", que escrevia "de ouvido e de palpite" sobre o que via, sobre fatos e objetos concretos, mas carente de imaginação, motivo pelo qual nunca se aventurou a produzir a sério um romance. "Não sou um homem de inventar coisas, mas de contá-las. Seria preciso talvez dar-lhes um sentido, mas não encontro nenhum. As coisas, em geral, não têm sentido algum." Foi o que disse a respeito, numa crônica sobre pescaria, publicada em 1957.

Bastou-lhe, pois, a faina jornalística: além de cronista, foi repórter, correspondente de guerra (a 2.ª Mundial) e paz (em Paris), editor e até dono de uma publicação no Recife de curta duração. Beneficiou-se de uma precoce ligação com os Diários Associados de Chateaubriand, que lhe deram acesso a leitores de Norte ao Sul do País. Publicou em quase todos os veículos importantes sediados no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, inclusive aqui, no Estado. Ter um texto do Velho Braga era sinal de distinção.

Rubem sabia o seu lugar e jamais invejou o maior prestígio acadêmico de contistas e romancistas. "Há homens que são escritores e fazem livros que são verdadeiras casas, e ficam", comentou num artigo para o jornal alternativo Manifesto, em julho de 1951, "mas o cronista de jornal é como cigano que toda noite arma sua tenda e pela manhã a desmancha, e vai." Tampouco perdia tempo e saliva teorizando sobre seu ofício.
Ao primeiro repórter que lhe pediu para definir a crônica, respondeu: "Se não é aguda, é crônica".

Também se autodepreciava como um "sujeito distraído e medíocre", meio antipático ("Se eu conhecesse outro sujeito igual a mim, nossas relações nunca chegariam a ser grande coisa"), desajeitado e sonso - ou mocorongo e songamonga, como ele próprio gostava de dizer. Casmurro e rabugento, parecia de fato um urso, não polar, mas solar, apaixonado que era por dias claros e pela Praia de Ipanema que avistava de sua legendária cobertura agrícola na Rua Barão da Torre.

Mesmo alheio a fervorosas convicções ideológicas e espirituais, "nem cristão, nem comunista", acabou envolvido em encrencas políticas antes e durante o Estado Novo. Antigetulista ferrenho, de uma feita precisou de salvo-conduto para atravessar a fronteira de Minas Gerais com o Estado do Rio e, safo, valeu-se, com êxito, de uma carteira de jogador reserva do Flamengo. Se verdadeira ou falsa, não sei. Sabe-se que foi um zagueiro viril, beirando o truculento, de um time de pelada das areias de Copacabana, no imediato pós-guerra, que no gol tinha Di Cavalcanti e, na linha, Fernando Sabino, Orígenes Lessa, Newton Freitas, Moacyr Werneck de Castro e Paulo Mendes Campos. Craque indiscutível, Rubem só o foi nas páginas de jornais e revistas.

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Sérgio Augusto publicou esta crônica em 15.12.2012, no jornal O Estado de São Paulo. Em mil e novecentos e me-falha-a-memória, escrevi uma crônica intitulada "Crônica, o que é?". Eis que Sérgio Augusto informa a definição dada pelo Velho Braga: "Se não é aguda, é crônica". Falou e disse.