segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

FLORESTA EÓLICA


Glenz.

EUA: COMO AFASTAR CONCORRENTES


Quando os EUA entram em cena

Por Rui Daher

A economia norte-americana volta a ensaiar hábitos paquidérmicos para afastar seus concorrentes no comércio internacional

Ao assumir o Federal Reserve, banco central norte-americano, Janet Yellen foi clara: seu único objetivo será defender os interesses soberanos dos EUA. O que nunca deixaram de fazer, mesmo quando travestidos de invasores em defesa da democracia.

Assunto menor para momento tão importante, não mencionou que essa soberania inclui não pagar o que devem ao Brasil, após condenação na OMC (Organização Mundial do Comércio), em 2005, por irregularidades na concessão de subsídios aos produtores de algodão.

Não honrar passivos internacionais é algo que em passado não muito remoto fez brasileiros tremerem de medo. A Argentina o fez e até hoje é mal recebida em círculos diplomáticos e financeiros tradicionais. “Onde os fracos não têm vez”, por certo.

Depois de substituírem a Inglaterra na hegemonia mundial, colocarem a economia a seus pés com a II Guerra e o Acordo de Bretton Woods, e eliminarem a polarização da Guerra Fria, agora, os EUA se veem ameaçados de dividirem seu protagonismo com a China, em sua ascensão a maior economia do planeta.

Calma, americanófilos de plantão, sem pânico. Arsenais de guerra continuarão contando mais do que economias para manutenção de poder. Se você tivesse que escolher entre perder a casinha lá na Marambaia ou a vida, qual seria a opção?

Na última safra, o Brasil investiu forte na cotonicultura. Desestimulados com os preços do milho, os agricultores atacaram de soja e algodão. Enquanto a área de milho diminuiu 5%, soja e algodão aumentaram 7% e 22%, respectivamente.

Mesmo agora, com as segundas safras em plantio e enfrentando problemas climáticos pontuais, estão previstos redução na área de milho e aumento na de algodão. A meu ver, uma aposta equivocada. A manada produtora foi nessa direção e acredito que, muito cedo, o milho recuperará seus preços.

A produção brasileira de caroços e plumas concentra-se 85% nos estados de Mato Grosso e Bahia. A CONAB prevê o Brasil colher 2,5 milhões de toneladas de caroço de algodão e 1,6 milhão do produto em pluma.

Com a demanda interna de pluma estagnada nos últimos anos, próxima de 900 mil toneladas, efeito de câmbio defasado e importações prejudiciais às indústrias têxtil e de confecções, um volume significativo precisará ser direcionado à exportação.


É aí que os EUA entram em cena.

Em processo de tirar a cabecinha para fora do pântano que a sugou em 2007/2008, a economia norte-americana volta a ensaiar hábitos paquidérmicos para afastar seus concorrentes no comércio internacional.

Assim como, anualmente, o Brasil divulga seu Plano de Safra, o governo dos EUA acaba de apresentar, para aprovação no Congresso, o “Farm Bill”. Depois de ensaiar restrições a subsídios e incentivos para amainar os perrengues de lá, não é de duvidar que o plano venha cheio de traquinagens para trazer os perrengues para cá.

Um deles, no algodão. Segundo a ABRAPA, Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, mecanismos de garantia de preços e seguros podem causar distorções de até 15% nas cotações do produto.

Quer dizer, não pagam e ainda apertam o torniquete. (Para continuar, clique aqui).

domingo, 23 de fevereiro de 2014

BLACK BLOC


Jorge Braga.

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A charge contém um equívoco: no Brasil de hoje, a torcida organizada dispensa o uso de máscara, substituindo-a pela dissimulação. Lei regulamentando as manifestações de rua? Nada disso! Que atitude retrógrada! Uso de máscaras por manifestantes? Oh, mas é claro! Democracia é isso! Países como o Canadá aprovaram lei proibindo o uso de máscaras? Ora, dane-se o Canadá! Coibir a depredação de bens públicos e privados? Nem pensar!
Na verdade, torcem pelo desastre, pois aí reside a chance de alcançar o verdadeiro objetivo...

SUÍÇA FECHADA


O feitiço e o feiticeiro

Por Mauro Santayana

Talvez o mais europeu dos países da Europa – nos seus cantões convivem as culturas alemã, francesa e italiana – a  Suiça acaba de aprovar um referendo sobre “Imigração Maciça” que limitará, a partir de agora, a entrada de cidadãos da Comunidade Europeia, passando a tratá-los da mesma forma, para efeito de residência, vistos de trabalho, e direito sociais, que imigrantes de outras partes do mundo, como a África e a América Latina, por exemplo.

Além disso, a contratação de estrangeiros voltará a necessitar do consentimento prévio das autoridades locais, que terão de dar prioridade, primeiro, a qualquer cidadão suíço que estiver desempregado.  

Para a vitória da proposta, apresentada pelo direitista Partido do Povo Suiço (SVP), foi fundamental o crescimento da imigração nos últimos anos – há 1.800.000 estrangeiros vivendo na Suiça, ou 23,3% da população – e outras alegações como “os interesses gerais da economia suíça”; a presença, no mercado, de trabalhadores “transfronteiriços”, que vivem em outros países e trabalham em território suíço, e também – infelizmente – de asilados.   

A Confederação Suiça tem uma das mais altas rendas per capita da região, o equivalente a 58.000 mil euros brutos por ano, e uma pequena taxa de desemprego de 3.7%, o que tem atraído trabalhadores de países em crise com altas taxas de desemprego, como a Espanha - com 27% da população desempregada - que tem aproximadamente 100.000 cidadãos vivendo naquele país. 

Com a medida, deixam de ter validade os chamados “Acordos Bilaterais” com a União Europeia, em vigor desde 2002, que garantiam a livre circulação e a liberdade de residência de cidadãos “comunitários” e suíços, seu direito de viver em qualquer lugar da UE ou da Suiça, sempre que tivessem emprego ou uma atividade econômica regular.        

A partir de agora, o número de novos imigrantes europeus estará regido por quotas e dependerá, também, da prioridade a ser estabelecida para cidadãos locais no mercado de trabalho helvético. 

Como um bumerangue, a nova lei suíça está fazendo com que o resto da Europa esteja vivendo a surpresa de ver o feitiço voltar-se contra o feiticeiro, e de  experimentar, didaticamente, como um  repugnante remédio, um pouco de seu próprio veneno. 

Mesmo que levada a isso pela extrema direita, ao tratar cidadãos da União  Europeia da mesma forma que os “comunitários”,  muitos de países que nos enviaram milhões de emigrantes, como Portugal, Itália e Espanha, sempre trataram os estrangeiros “extracomunitários”, como os da América Latina, a Confederação Suiça está exercendo, de alguma maneira, uma certa espécie  de “justiça poética”.

Ela mostra que o racismo, a arrogância e a xenofobia não isentam quem os pratica de ser tratado, também, por outros, do mesmo jeito excludente e humilhante. E ensina que, por mais que acredite no contrário, a ninguém foi dado o direito de estar acima de outros seres humanos. (Fonte: aqui).

Ô SKINDÔ SKINDÔ


Zop.

A TATUAGEM


Igor Vartchenko.

A MÚSICA DO RIO


"O Rio de Janeiro é um abuso musical."



(A frase, precisa e definitiva, é de Luis Nassif, jornalista e músico, no post "Beatriz Faria, a herdeira de duas estirpes musicais", publicado no jornal GGN - aqui).

SOBRE O PATRIMÔNIO DE PIZZOLATO

Uber.

A propósito da informação sobre aquisição de imóveis por Henrique Pizzolato na Espanha, de que tratam os jornais Folha de São Paulo, edição de ontem, 22, e Correio Braziliense, de dias atrás, transcrevo mais abaixo post de autoria de Miguel do Rosário, em que o autor tece considerações pessoais e reproduz as matérias dos citados veículos.

(Antes, reafirmo o entendimento manifestado dia 7, neste blog - aqui - acerca da fuga do ex-diretor: "A revisão criminal é procedimento legal e legítimo que permite esclarecer matérias controversas. Até mesmo em face de tal particularidade, Pizzolato poderia, a exemplo dos demais réus, ter acatado a decisão do STF.".

O que não implica dizer que eventuais argumentos em defesa do réu tenham de ser rechaçados).

Os imóveis de Pizzolato na Espanha

Por Miguel do Rosário

Bem, como estou meio que colecionando as histórias de Pizzolato, que se tornou um personagem constante nesse blog, comento a matéria da Folha publicada hoje, com destaque na primeira página, sobre a compra, pelo ex-diretor de marketing do BB, de três imóveis na Espanha.

Os adversários de sempre logo passaram a usar a informação para atacar o Pizzolato e o partido dos trabalhadores. Só que, até agora, não se encontrou nada demais. A compra dos imóveis é compatível com o patrimônio de Pizzolato, até porque ele havia, nessa mesma época, vendido seus bens no Brasil.

Reproduzo abaixo matérias da Folha, de hoje, e do Correio Braziliense, publicada há mais ou menos 30 dias, que se complementam e ajudam a explicar a vida “imobiliária” de Pizzolato.

Vou resumir o que eu penso e o que descobri, lendo essas matérias, acrescentando-lhes algumas coisas que sei por outras fontes.

Pizzolato e sua esposa, Andrea Haas, praticamente viveram na Espanha, entre 2006 e 2012, numa região litorânea onde mora, ou morava, uma parente, que enfrentou sérios problemas de saúde nesse período, tendo sido esse um dos motivos  que levou Pizzolato a passar um tempo por lá.

A repórter do Correio Braziliense, Ana D’angelo, sabe-se lá como, teve acesso ao histórico fiscal de Pizzolato, cuja vida foi devassada em quase 20 anos pelas várias CPIs do mensalão. Pesquisando em cartórios do Rio de Janeiro e do sul do país, ela descobriu que dos 11 imóveis que ele possuía em 2005, adquiridos antes de assumir o cargo de diretor de marketing do Banco do Brasil, ele começou a vender todos a partir de 2006, com exceção de três.

Enquanto esteve na Espanha, escreve a repórter, de 2006 a 2012, Pizzolato continuou o processo de desalienação de seus imóveis. Nessa época, comprou os três imóveis no país, que na verdade são dois. Dois imóveis são colados, formando uma só casa, onde ele efetivamente morou com sua esposa. Ambos estavam devidamente registrados nos cartórios da cidade. O terceiro é um apartamento mais simples, que Pizzolato provavelmente adquiriu para sua parente.

 A reportagem do Correio informa que, segundo a Receita, Pizzolato tinha R$ 2,2 milhões em imóveis até julho de 2005, em valores não atualizados. O valor real de venda deve ter sido três vezes superior. A Folha, por sua vez, diz que o imóvel mais caro adquirido por Pizzolato na Espanha, conforme avaliação de corretores consultados, custaria 450 mil euros. Em valor do câmbio de ontem, isso corresponderia a R$ 1,5 milhão. Mas no valor do câmbio de 2010, talvez custasse bem menos. A compra dos imóveis na Espanha me parece perfeitamente compatível com o patrimônio de Pizzolato, acumulado ao longo de 40 anos como executivo graduado no Banco do Brasil, em conjunto com Andrea, arquiteta talentosa que sempre exerceu a profissão.

Não há crime nenhum aqui. Pizzolato e sua esposa tinham um bom patrimônio, sim, mas adquirido – até onde consta – com trabalho, visto que jamais sofreu qualquer processo na Justiça ou na Receita e seus sigilos fiscal e bancário foram devassados com pente fino por autoridades sedentas de sangue.

Naturalmente, os detratores de sempre querem fazer de tudo para ridicularizar as campanhas de solidariedade aos outros petistas, e entendem que a melhor forma é usar as desinformações sobre Pizzolato. Só que vão se lascar.

Pizzolato é a peça chave para derrubar a Ação Penal 470. Essa é a razão, como já expliquei em outro post, pela qual a mídia fará de tudo para desacreditá-lo. Todos os seus atos são criminalizados. Vendeu um imóvel? É ladrão. Comprou outro imóvel? É ladrão. Na verdade, hoje em dia, a mídia nem precisa fazê-lo. Basta dar a notícia que Pizzolato comprou um imóvel em algum lugar, que o senso comum, envenenadíssimo, dá conta do resto.

Pizzolato era livre durante o período em que morou na Espanha, e podia abrir contas e comprar imóveis. Os preços na Espanha, em função da crise vivida pelo país, talvez estivessem interessantes. Talvez fosse um bom negócio.

Ciente da tempestade que se aproximava, e não percebendo apoio em nenhuma parte a seu caso, acho que é compreensível que tenha decidido vender seus imóveis no Brasil. É isso o que eu acho, mas posso estar enganado.

As informações de que dispomos até agora ainda me permitem manter a teoria de que Pizzolato é inocente, um perseguido político, talvez até mesmo uma ótima pessoa, honesta e pacata, que se viu, à sua revelia, no meio da maior tempestade política do século. Espero não me decepcionar. Mas prefiro correr esse risco a entrar no jogo medíocre e sujo da nossa mídia, que julga, acusa e lincha, sem provas. Abaixo as matérias mencionadas, da Folha e do Correio Braziliense, que estão até razoáveis, com doses controladas e inevitáveis de veneno. (Para continuar, clique AQUI).

sábado, 22 de fevereiro de 2014

NONSENSE


Biratan.

DIÁLOGOS EM VOGA


1.

- Eu defendo o total respeito ao estado democrático de direito...

- Enquanto isso, na Venezuela...

- ...desde que o estado democrático de direito seja simpático a Tio Sam.


2.

- Azeredo renunciou, mas não foi pra se livrar do foro privilegiado; renunciou porque, ao contrário de nossos desafetos, não quis afrontar o STF.

- Mas acontece que ele renunciou antes mesmo de ser condenado!

- Certo, mas ele é inocente.

- Se é inocente, por que renunciou?

- Ele vai ser julgado, só que em outra instância.

- Pode ser, pode não ser.

- Como assim, pode não ser?

- O STF, por entender que a renúncia ao mandato configura manobra escapista, poderá manter o julgamento em seu âmbito.

- Nada disso, sem essa! Não queira afrontar nossa estratégia!

PAPER

                                              "A verdade."

Stefan Despodov. (Bulgária).

ENTUSIASTAS DAS CIÊNCIAS, SIM, MAS...


Pesquisa mostra que 1 em 4 americanos ignora que a Terra orbita o Sol

Os americanos são entusiastas das ciências, mas carecem de conhecimentos básicos nesta área, revelou uma pesquisa publicada nesta sexta-feira, que mostrou que uma em quatro pessoas nos Estados Unidos ignora que a Terra gira em torno do Sol.

A pesquisa foi feita com mais de 2.200 pessoas nos Estados Unidos e foi conduzida pela Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos.

Compunham o questionário nove questões de ciência física e biológica, e a média alcançada - 6,5 - mal daria para garantir a aprovação dos respondentes.

Apenas 74% dos participantes sabiam que a Terra gira em torno do sol, segundo resultados divulgados durante encontro, em Chicago, da Associação Americana para o Avanço da Ciência.

Menos da metade (48%) sabia que os seres humanos evoluíram de espécies de animais mais primitivas.

O resultado da pesquisa, que é realizada a cada dois anos, será incluído em um relatório da Fundação Nacional da Ciência a ser entregue ao presidente, Barack Obama, e membros do Congresso.

Um em cada três participantes disse que a ciência deveria obter mais financiamento do governo.

Quase 90% disseram que os benefícios da ciência superam quaisquer riscos e a mesma proporção expressou interesse em aprender sobre descobertas médicas. (Fonte: aqui).

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A educação é, incontestavelmente, um desafio mundial...
Enquanto isso, os EUA continuam majoritariamente Criacionistas...

ÁLCOOL: MANTENDO A DISTÂNCIA


Igor Vartchenko. (Rússia).

A AGENDA DO ITAÚ

Em 12 de fevereiro:

50 anos depois, agenda do Itaú ainda trata golpe como 'revolução de 1964'

Por Mário Magalhães

Não constitui novidade histórica a intensa participação dos banqueiros e seus bancos privados no golpe de Estado que depôs em 1964 o presidente constitucional João Goulart.

Nem o financiamento do aparato repressivo de tortura, morte e desaparecimentos forçados, por parcela expressiva de donos de instituições financeiras, nas décadas de 1960 e 70.

O que é incrível, a julgar pela agenda 2014 distribuída pelo Itaú a clientes, é que o tempo pareça ter congelado. No dia 31 de março, a agenda registra o “aniversário da revolução de 1964″.

Como reconhecem as consciências dignas, não houve uma “revolução'' meio século atrás, e sim um golpe desferido com as armas da sociedade golpista entre segmentos militares e civis, como os banqueiros (alguns viraram ministros).

“Revolução'', em referência à instauração da ditadura, é palavra consagrada na boca de marechais e generais como Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo, os presidentes-ditadores do ciclo encerrado em 1985.

Quem falava “revolução'' eram torturadores como o delegado Fleury, o policial Borer e o então major Ustra - este, vivo, fala até hoje.

A agenda do Itaú também reproduz a data da versão golpista, 31 de março, mas Goulart ainda estava no Palácio Laranjeiras no começo da tarde de 1º de abril. O golpe foi mesmo em 1º de abril, o dia da mentira - os golpistas diziam salvar a democracia.

Pior ainda, o “aniversário da revolução de 1964″ está na agenda no mesmo contexto festivo de outras datas: deveria ser celebrado, feito o dia internacional do livro infantil (2 de abril) e o dia do obstetra (12 de abril).

Já se passaram 50 anos. Passaram mesmo?

Outro lado
Na tarde desta quinta-feira, a pedido do blog, o Itaú se pronunciou sobre o post acima, publicado ontem.

Eis a íntegra da manifestação, solicitada na quarta-feira:

“O Itaú Unibanco informa que a agenda distribuída aos clientes conta com informações sobre datas relevantes ao longo do ano. O banco é apartidário e, em hipótese alguma, pretende defender uma posição política no conteúdo entregue aos correntistas.” (Fonte: aqui).

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O banco pode tudo, como sempre. Pode enxugar custos mediante rotatividade de mão de obra, pode auferir mais receitas à custa de tarifas generalizadas etc. Pode até dizer, repetindo o velho mote: a opinião é minha, e eu faço dela o que quiser.

Mas... em 19 de fevereiro... Conforme se vê aqui, depois da polêmica e de protestos, o banco admitiu o erro e reconheceu que a frase foi “equivocada”.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

TEMPO-BOXING PIAUÍ


Glix.  (Jornal O Dia, Teresina).

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B-R-Ó-BRÓ: setembro, outubro, novembro e dezembro - período de seca e calor escaldante.

COPA 2014 E A CAMPANHA DOS COBRAS CRIADAS


'Não vai ter Copa' é um chute de rosca

Por Flávio Aguiar

Chute de rosca é aquele em que o jogador bate de raspão na bola, que sai para cima ou para o lado, rodopiando que nem pião, e pode dar tanto na vidraça do vizinho, como no próprio gol ou ainda na cabeça de quem chutou.

É o que está acontecendo com o chute chamado ‘Não vai ter Copa’, que prepara mais uma edição no sábado, dia 22.

O que chama a atenção na proposta é a construção de hipocrisias e desinformação que vem animando o movimento.

Li a entrevista de um suposto blackbloc supostamente chamado Pedro, no Estadão, que diz que supostamente não é contra a Copa nem futebol, mas que é a favor de educação e serviços públicos de qualidade. Grande hipocrisia. Porque o que lhe interessa é dizer que vai jogar molotov em “ônibus de gringo” (aliás, uma expressão, no contexto, racista), para que eles tenham medo de ficar no Brasil e vão embora.

Se isto é ser a favor de educação, etc, somos todos os outros micos de circo. Além do mais, quem é a favor de educação, etc, faz manifestação, mata a cobra e mostra a cara – porque pau não tem, já que vai desarmado para a praça pública.

Tudo está baseado no argumento de que o dinheiro público “gasto” (na verdade, investido, com retorno no futuro) com os estádios deveria ser usado em escolas e hospitais. O argumento desconhece a natureza e os labirintos de um orçamento público ou de um banco como o BNDES. Mas não importa: é repetido ad nauseam por inocentes-úteis (onde a inocência bordeja  - ou poreja – a má-fé) e cobras-criadas.

Aí entra o papel da velha mídia e dos arautos do caos. Como as oposições midiáticas e extramidiáticas não podem expor o seu programa verdadeiro (ver, a propósito, post no meu Blog do Velho Mundo), o que lhes resta é apostar no caos, numa catástrofe que detenha o governo Dilma, a melindre nacional e internacionalmente. Nada melhor do que a Copa. Nada melhor do que o fracasso da Copa. Nada melhor do que a violência durante a Copa. Até porque ainda creem que a Copa possa “eleger” ou “deseleger” a Dilma. Caramba, cambada, vai ser a economia e a política, talvez na ordem inversa.

Os arautos na mídia dizem que são contra, que não pregam a violência. De fato: não pregam. Mas chamam. Esperam.

O problema é que, das últimas vezes, o chute deu uma de rosca e caiu-lhes na cabeça. Foi o fusquinha queimado do trabalhador; foi a trágica morte do cinegrafista da Band. “Fatalidade”, diz o arrogante ‘Pedro’ entrevistado pelo Estadão, com o turvoso e clandestino ego infatuado pela recepção na mídia. "Fatalidade”? Crônica de uma morte anunciada, isto sim.

Daí vem o clima de violência que entra em anexo, e que não é desejável de nenhum lado. O blackbloc que vai incomodar o show do Paulinho da Viola em São Paulo, atacado pelos assistentes com direito até a paulada na cabeça e sendo salvo pelos seguranças. Depois o apresentador dizendo que iam ‘quebrar a cara’ se eles aparecessem de novo. As torcidas do Inter e do Corinthians prometendo arrebentar com  eles caso apareçam nos seus estádios. Para culminar, o coió do manifestante ameaçando um cinegrafista dizendo que “ele ia ser o próximo” e levando com a câmera na cabeça, uma nova versão do dito do Cinema Novo: ‘Câmera na cabeça e nenhuma ideia’.

Para completar o entrevistado no Estadão dizia que ‘foram abandonados pelo Movimento Passe Livre’. Mas é o contrário: a presença destes caras e do movimento ‘Não vai ter Copa’ é que esvazia as manifestações, as impede, como já  aconteceu com  a manifestação suspensa dos motoristas e cobradores no Rio de Janeiro, pelo temor diante da possibilidade da incontrolável violência.

Por fim, lembremos que a direita agradece penhorada estes esvaziamentos de manifestações que poderiam transcorrer legitimamente, com suas justas reivindicações. Por exemplo: quem tiver alguns neurônios em ordem sabe que o que vai garantir mais verbas para a educação, saúde, transporte público etc é o corte na taxa de juros, nos juros da dívida pública, no superávit primário, é a adoção de um sistema mais progressivo de impostos e não mais regressivo, e não o abandono dos investimentos em estádios, também – hipocritamente – definidos como inúteis pelos arautos do caos.

O capital especulativo, portanto, agradece a esses movimentos bola-de-rosca. (Fonte: aqui).

FLAGRANTE DA VIDA ATUAL


Kayser.

DOIS IRMÃOS CARTUNISTAS

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Com justa razão, o blog SamPaulo Cartunista louvou a homenagem oferecida por Ricardo Chaves, do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, aos irmãos cartunistas SamPaulo e Sampaio, nos quinze anos da morte de SamPaulo:


O blog SamPaulo é coordenado, com singular dedicação, por Maria Lúcia, sobrinha dos homenageados.

UM DIA, FILHO, TUDO ISSO SERÁ SEU


Bill Day.

FUKUSHIMA, CHINA E AS RESTRIÇÕES À INFORMAÇÃO


O sigilo sobre Fukushima

Por Ralph Nader

Lei de segredos de Estado provoca críticas de cientistas e académicos que consideram a nova legislação uma ameaça "aos princípios pacifistas e direitos humanos fundamentais estabelecidos na constituição", que deveria ser rejeitada imediatamente."


No mês passado, os partidos de coligação japoneses tramitaram no Parlamento uma Lei de segredos de Estado. É melhor que tomemos conhecimento disso.

De acordo com as suas disposições, somente o governo decide o que é considerado segredo de Estado e qualquer civil que divulgue algum segredo pode ser preso por até 10 anos. Jornalistas que tornarem o assunto público podem ser presos por até cinco anos.

Membros do governo têm-se sentido prejudicados pela constante revelação da sua negligência, tanto antes quanto depois do desastre nuclear de Fukushima em 2011, operado pela Companhia Elétrica de Tóquio (TEPCO).

Semana após semana, surgiram artigos na imprensa a apontar para a seriedade da contaminação do fluxo hídrico, a inacessibilidade do material radioativo presente nos reatores e a necessidade de conter as fugas radioativas que contaminam, cada vez mais, a terra, as plantações e o oceano.

Técnicos estimam que pode levar até 40 anos para limpar e desativar os reatores.

Há outros fatores que alimentam a certeza de um recuo democrático no país. O militarismo está a motivar o seu projeto de "democracia ameaçada", originada pelo atrito com a China pelo Mar do Sul. Militares dos EUA estão a pressionar para que aumente o orçamento militar japonês.
A China é a mais recente justificação de segurança nacional para a "articulação para o Leste asiático", provocada, em parte, pelo complexo industrial-militar norte-americano.

O sigilo rigoroso no governo e o apressar de projetos nas casas legislativas são maus presságios para a liberdade da imprensa japonesa e para o direito de discordância da população. Liberdade de informação e fortes debates – tendo o último sido cortado pelo Parlamento em dezembro de 2013 - são os aspetos chave da democracia.

O New York Times continua, surpreendentemente, a cobrir as condições deterioradas na área evacuada de Fukushima, porém com uma boa razão. Os EUA licenciaram diversos reatores com o mesmo design e com muitos dos padrões de segurança e inspeção inadequados. Alguns reatores estão próximos de áreas propícias para terremotos e de povoados que não poderão ser evacuados com segurança em caso de danos na parte elétrica do local. Os dois reatores envelhecidos da estação Indian Point situados a 30km de Nova York são um exemplo.

Quanto menos soubermos sobre as condições passadas e presentes de Fukushima, menos vamos aprender sobre reatores atómicos dos EUA.

Felizmente, muitos cientistas japoneses famosos, incluindo os ganhadores do Nobel, Toshihide Maskawa e Hideki Shirakawa, conduziram a oposição contra a nova legislação de sigilo com 3.000 assinaturas de académicos numa carta de protesto.

Esses cientistas e académicos declararam que a nova legislação é uma ameaça "aos princípios pacifistas e direitos humanos fundamentais estabelecidos na constituição e deveriam ser rejeitados imediatamente."

Seguindo essa declaração, a Associação de Cientistas Japoneses, companhias de média do país, associações de cidadãos, organizações de advogados e algumas legislaturas regionais opuseram-se à nova legislação. Pesquisas mostram que o público também se opõe a esse ataque à democracia. Os atuais partidos hegemónicos permanecem inflexíveis. Citam como razões para justificar a nova legislação "segurança nacional e combate ao terrorismo." Soa familiar?

A história está sempre presente nos pensamentos do povo japonês. Sabe o que aconteceu quando o país se inclinou para a militarização da sociedade e, consequentemente, liderou uma tirania intimidadora que motivou a invasão da China, Coréia e Sudeste Asiático antes e depois de Pearl Harbor. Em 1945, o Japão estava em ruínas, terminando com Hiroshima e Nagasaki.

O povo americano deve manter-se alerta para as provocações políticas e militares que o seu governo faz para a China, que está preocupada com um possível cerco aéreo e/ou marítimo americano e de aliados. As políticas comerciais dos EUA que têm facilitado às companhias americanas o envio de indústrias e empregos do país para a China deveriam receber total atenção de Washington.

A administração Obama tem de atentar para as inclinações autoritárias no Japão que as suas políticas têm encorajado ou ignorado – muitas vezes por trás das cortinas do próprio sigilo crónico norte-americano. (Fonte: Diário Liberdade, aqui).

Ralph Nader, norte-americano, é advogado e defensor dos consumidores.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

FICAR VELHO É UMA ARTE


Adão Iturrusgarai.

DA SÉRIE PESOS E MEDIDAS


Da Wikipédia: "Escola Base foi uma escola particular do município de São Paulo, fechada em 1994  quando seus proprietários, sócios e uma professora foram injustamente acusados de abuso sexual  contra alguns alunos de quatro anos. O chamado Caso Escola Base envolve o conjunto de acontecimentos ligados a essa acusação em si (inclusive ela própria), tais como a cobertura considerada parcial por parte da imprensa, e as atitudes precipitadas e muito questionadas por parte do delegado responsável pelo caso, que supostamente teria agido pressionado pela mídia televisionada e pelas manchetes de jornais."

No texto a seguir, o jornalista Luis Nassif compara a 'dosimetria' das indenizações estabelecidas pela Justiça paulista para o caso Escola Base e os por que responde(u) em face da revista Veja:

Os pesos e medidas da Justiça paulista para condenações de imprensa

Por Luis Nassif

Vinte anos depois de cometido o assassinato de reputação da Escola Base, o SBT é condenado a indenizar os ex-proprietários em R$ 100 mil. Aplicando-se apenas os juros de poupança (6,17% ao ano), equivaleria a R$ 30 mil de valor real da condenação.

Em algumas das condenações que sofri, no caso de Veja, um douto desembargador cravou não apenas uma condenação de R$ 100 mil, como uma sucumbência (indenização pelos gastos da outra parte com advogados) de R$ 30 mil.

Ou seja, só a sucumbência equivale à condenação da Escola Base.

Por ter atribuído a uma juíza da Vara de Pinheiros a conduta de outra - trocando os nomes - condenação de R$ 60 mil, em sentença proferida em Primeira Instância, em prazo recorde.

Enquanto isto, aguardo há anos o Direito de Resposta contra a revista Veja, em um processo infindável.

Convido o dr. Renato Nalini, novo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo a abrir uma discussão isenta sobre freios e contrapesos da mídia, sobre a mão pesada do tribunal contra os críticos da mídia e a ampla complacência para os crimes de imprensa. (Fonte: aqui).

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AQUI, "O caso Escola Base, 20 anos depois", por Luis Nassif.

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Por ser considerada entulho autoritário, a Lei de Imprensa foi abolida pelo STF, passando o assunto a ser regido pela Constituição Federal. Como inexiste regulamentação, o trato da matéria ficou, digamos, ao arbítrio do Juiz. Enquanto isso, projeto de lei de autoria do senador Roberto Requião sobre direito de resposta (aqui) foi aprovado em março de 2012 pelo Senado e até hoje aguarda votação pelo plenário do Congresso.

SUPERBONDADE SALARIAL


Pelicano.

Entreouvido por aí: "O ministro Marco Aurélio alegou, para justificar a liminar que determinou o retorno dos supersalários, que os funcionários não foram ouvidos. Ué, e desde quando o ato discricionário (automático, estabelecido sem ressalvas pela lei, obrigatório, compulsório) impõe a oitiva da parte infratora?!"

INTEGRADO À PAISAGEM


Milenko Kosanovic.  (Sérvia).

VENEZUELA SEM MÉRITOS


“Sou jornalista de formação e nunca vi nem na Globo nem nos jornais brasileiros uma única notícia positiva sobre a Venezuela. Uma única. A gente pode ter a opinião que a gente quiser sobre a Venezuela, é um país muito complicado. Agora, será que em 15 anos de chavismo não aconteceu nada positivo? Eu nunca vi. Não é possível que só mostrem o que é supostamente ruim. Cadê o outro lado? Será que os venezuelanos que votaram no Chávez e no Maduro são tão burros, de votar em governo que só faz coisa errada?”



(De Igor Fuser, jornalista, na terça-feira, 18, em debate no programa "Entre Aspas", da Globonews. A observação acima é uma entre as várias com que Fuser deu "Um pito na Globo, em plena Globo", título de interessante post de autoria de Paulo Donizetti de Souza).

O REACIONÁRIO ESTÁ NA MODA

Laerte.

O reacionário está na moda

Por Marcelo Semer

Não foi surpresa que logo após o comentário em que deu status de legítima defesa a justiceiros, a jornalista Rachel Sheherazade tenha tido a oportunidade de escrever artigo no espaço mais nobre de um grande jornal.

Foi vociferando a altos brados, contra todas as formas de ‘esquerdismo’, sem sutilezas nem decoros, que Reinaldo Azevedo ganhou o status de colunista nesse mesmo diário.

Lobão foi guindado a uma revista semanal depois que minimizou a tortura dos anos de chumbo, desprezando quem se disse vítima por ter tido “umas unhazinhas arrancadas”.

Diogo Mainardi pulou da revista para a TV a cabo, apelidando semanalmente o presidente de anta.

Até humoristas que se orgulham de ser politicamente incorretos, sobretudo com o mais vulnerável, vêm emplacando programas próprios na telinha.

Se alguém ainda tinha dúvidas, elas estão sendo dissipadas: o reacionário está definitivamente na moda.

Não há veículo da grande imprensa que não tenha hoje um ou mais comentaristas dispostos a tirar o espectador da ‘zona de conforto’, e destilar o mais profundo catastrofismo, enquanto estimulam a ira e desprezam a dignidade humana em nome de uma hipotética Constituição de um único artigo: a liberdade de expressão absoluta.

Tamanha reação do conservadorismo extremo, pelos novos ícones da classe média, poderia indicar que, de alguma forma, o país anda no caminho certo.

Nenhuma redução de desigualdade, seja ela econômica, social, racial, de gênero ou orientação sexual, passa incólume à reação. Tradição e privilégios jamais se rendem sem resistência.

Mas há dois componentes neste jogo que complicam a equação e nos aproximam da intolerância.
Primeiro, o fato de que o catastrofismo sem limites, o derrotismo por princípio e o esforço de detonar o Estado de todas as formas e sob todas as forças, produz uma inequívoca sensação de que estamos sempre à beira do abismo. Mesmo quando evoluímos.

A estabilidade política é desprezada, sufocada pela ideia que resume toda política em corrupção –mas que, inexplicavelmente, considera o corruptor apenas uma vítima do sistema que patrocina.

Todo mal reside nos políticos, nos partidos, enfim no Estado –nunca no mercado ou nos mercadores.
A maior autonomia dos órgãos de investigação e a independência dos operadores do direito, somadas ao fim da censura, têm ligação direta com esse mal-estar da liberdade: a democracia não é pior porque produz mais monstros, apenas mais incômoda porque é impossível escondê-los.

O derrotismo desproporcional, que remete toda e qualquer política à vala comum, acaba por conferir a violência foros de alternativa.

A criminalização da política é, assim, uma poderosa vitamina da intolerância. E seus responsáveis são justamente aqueles que mais bradam contra a violência que ao mesmo tempo estimulam.

Mas não é só.

A política também tem perdido seu prestígio por estar sendo sepultada pelo fator eleitoral.

O pragmatismo sem freios destroça ideologias, pensamentos e valores e é um consistente obstáculo ao avanço civilizatório. Quando o poder é mais relevante que a política, os fins sempre servem para justificar meios.

A rendição à pauta religiosa, de governos e oposições, é um sintomático reflexo desse excesso de pragmatismo que comprime o espaço republicano.

A submissão rala à pauta punitiva, que ameaça inserir o país na lógica de um Estado policial, é outro indício. Como o instrumento penal é sempre seletivo, mais repressão significará mais desigualdade.

Esvaziar a política nunca é uma tarefa prudente, menos ainda quando o canto da sereia do reacionarismo está cada vez mais afinado.

Há 50 anos, nossa democracia foi estuprada por militares que deram um golpe, civis que o financiaram e reacionários que o justificaram, inclusive e fortemente na imprensa.

Que a efeméride, ao menos, nos mantenha vigilantes. (Fonte: aqui).

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

MADE IN USA


Xalberto.

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"Um golpe em câmera lenta contra a Venezuela": AQUI.

SENSATEZ LEGISLATIVA É ESSENCIAL PARA ESTADO DE DIREITO


Latuff.

VENEZUELA

                        Adolfo Pérez Esquivel.

Nobel da Paz, Esquivel questiona "intenção de desestabilizar" Venezuela

Do OperaMundi

Em entrevista à imprensa argentina, o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel garantiu que "há uma intenção de desestabilizar não apenas a economia como também a ação social e política" na Venezuela. Ao comentar nesta segunda-feira (17/02) a série de protestos e marchas de opositores ao governo de Nicolás Maduro, o arquiteto, escritor e ativista pelos direitos humanos disse também que há uma "investida originada nos Estados Unidos".

"Tudo isso para produzir mudanças que não se fazem por meio de eleições", disse o argentino. Para Esquivel, quem move os "fios dos protestos são os EUA e seus aliados".

Esquivel pediu também maior presença do Mercosul (Mercado Comum do Sul), bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela — (em nota divulgada hoje, o Mercosul repudia a violência e "ameaças de ruptura da ordem democrática" no país). "O Mercosul tem que se fortalecer. Estão muito lentos", disse Esquivel, horas antes da publicação do comunicado do bloco.

O Nobel da Paz ainda elogiou as conquistas sociais da Venezuela, ressaltando que a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) reconheceu o país latino-americano por ter erradicado o analfalbetismo da população.

"Fui até as zonas marginais. Ali, as pessoas não tinham água e nenhum médico se atrevia a entrar para prestar atendimentos. A Venezuela era um país que não produzia nada, era provida pelos EUA. Hoje, a Venezuela tem uma integração", disse Esquivel. (Fonte: aqui).

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Derrotando uma oposição que contava com o apoio de tio Sam (o qual, pelo que se vê aqui, persistiu), Maduro elegeu-se, em 2013, presidente da Venezuela, em eleições limpas, que contaram com dezenas de observadores estrangeiros, entre os quais o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter. O mandato presidencial venezuelano é de seis anos, e a oposição, integrada também pelas elites (que promovem ardilosa e prolongada campanha de desabastecimento), não pretende aguardar 5 anos e meses - e sem a certeza de que, então, finalmente ascenderá ao poder. Quer o poder agora, já, e que se danem os escrúpulos e o Estado Democrático de Direito. Com o que, com razão, Maduro e seus eleitores não concordam.

2014: 5 ANOS DA ECLOSÃO DA CRISE MUNDIAL


Nate Beeler.

Não se faz ideia do montante de dólares, euros e quetais injetados pelos governos nos grandes bancos mundo afora, EUA à frente, tudo porque as corporações eram 'grandes demais para quebrar'. Para o povo... bem, para o povo foi reservada a famosa austeridade, sinônimo de recessão, desemprego e corte de benefícios, que o digam gregos, portugueses, espanhóis e italianos, para citar os mais afetados.
A dinheirama entregue aos bancos não retornou integralmente, pois Tio Sam, por exemplo, concordou em firmar 'acordos' que se traduziram na 'quitação' das obrigações por valores simbólicos. Daí a charge acima, destacando as 'velas' em chamas...

IMPRESSÕES DOMÉSTICAS


Uma visão britânica sobre as empregadas domésticas brasileiras

Esse é o título do simpático blog da BBC Brasil, que "traz contribuições de um grupo de estudantes de Oxford em viagens por diferentes cidades brasileiras ao longo de 2014". A primeira postagem é de 31 de janeiro. Duas estudantes participaram até agora.

Os posts são ótimos. Ao mesmo tempo em que se surpreendem com o jeito brasileiro de ser, como as dificuldades da blogueira Lily Green com nossas gírias e regionalismos (LINK), há também acuradas observações sobre nossos problemas mais sensíveis, como machismo, racismo e segregação. (Por MCN - aqui).

As damas de branco e o apartheid à brasileira

Yara Rodrigues Fowler - Estudante, Universidade de Oxford

Sou metade brasileira, metade britânica. Nasci e fui criada em Londres, mas, em viagens frequentes e contato com a família de minha mãe, criei laços que fazem de mim uma cidadã de dois países.

Amo o Brasil, mas, entre o Natal e o Ano Novo, época em que geralmente visito minha família em São Paulo, um episódio me fez lembrar um aspecto da sociedade brasileira que me deixa envergonhada. A empregada estava de folga e ofereci cozinhar para a minha família. Éramos umas 15 pessoas no total. Aprendi a cozinhar com meus pais e, desde que fui para a faculdade, dois anos atrás, cozinho praticamente todos os dias.

A maior parte da minha família adotou o discurso do "deixa disso" e não conseguia entender por que eu queria ir para a cozinha. "Imagine! Deixa que a gente chama uma pizza!" Cozinhar não era normal. Lavar a louça, jamais! Eu insisti e, no final, acho que todos aprovaram meu espaguete com camarão, alho, limão, um pouquinho de pimenta e nozes.

Minha família brasileira é de classe média, daquelas com médicos, engenheiros e advogados. O interessante é que minha família inglesa é bem parecida no que diz respeito a profissões. A diferença? Todo mundo cozinha, lava louça e arruma a própria casa. Na Inglaterra, ter uma empregada cuidando de tudo é coisa de paródia de aristocrata inglês.

Também sempre estranho quando vejo, em São Paulo, prédios com um elevador "social" e outro de "serviço". O texto da lei contra discriminação, geralmente dentro do elevador, torna a divisão ainda mais óbvia. Outra coisa que me chama a atenção são as babás e empregadas de uniforme, ou com suas roupas brancas.

Eu não sei como reagir. Usar o elevador "social" faz com que eu me sinta muito envergonhada. Deixar o meu prato para uma empregada de uniforme lavar faz com que eu me sinta muito envergonhada. A segregação e o regime de servidão praticados pela classe média do Brasil me deixam muito envergonhada. Por que sinto essa sensação? Porque, ainda que more longe, sou parte deste país.

Me parece que a classe média do Brasil, em geral, está insensível a isso. É uma insensibilidade manifesta, por exemplo, na exigência de um uniforme que mascara a individualidade das pessoas - que faz com que certos grupos ignorem e se sintam bem com a segregação com a qual vivem na sua vida diária. São as 'damas de branco' que cuidam de filhos alheios, o elevador de serviço, o quarto de empregada sem janela... É o apartheid à brasileira.

Em Londres, onde eu cresci, existe desigualdade social, econômica e racial que também é visível no dia a dia. Oxford, a universidade onde eu estudo, tem poucos estudantes de classes mais pobres. Não existe utopia na Inglaterra. Por outro lado, não me parece existir um sistema de dessensibilização tão forte. Quando eu era criança, estudei em uma escola pública, brinquei no parque público, e não convivi com instrumentos tão óbvios de segregação no dia a dia.

Peço desculpas se ofendi alguém com minha crítica. Minha sensação vem das experiências que tive do Brasil que nunca irão representar o todo. Eu gostaria muito de saber o que jovens da minha geração acham deste assunto e se eles acham que a mentalidade está mudando no Brasil. O que vocês acham? (Fonte: aqui).

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

OLD CARTUM


Bosc.   França, década de 1960.

AS MULTAS E A LÓGICA ENVIESADA DO PPS


Atraído pelos holofotes midiáticos, o PPS acaba de pleitear à Procuradoria da República do DF o bloqueio do dinheiro que está sendo arrecadado mediante campanha de doações para quitar a multa imposta pelo STF a José Dirceu, na Ação Penal 470.

Argumento do PPS: "Todos os valores doados na arrecadação patrocinada (...) através da internet (...) passaram a integrar o patrimônio dos condenados (...) e dessa forma passível (sic) de indisponibilidade (patrimônio que é) para garantir futuro ressarcimento ao erário (...)." - aqui.

Ora, a prevalecer o raciocínio do PPS, Dirceu não poderia se dispor a pagar a multa mesmo com dinheiro próprio, pois todo e qualquer recurso deveria ser direcionado 'para futuro ressarcimento ao erário'.

Sinuca de bico é isso: se não pagar a multa, estará afrontando a Justiça, se pagar, com dinheiro próprio ou proveniente de doações, incorrerá em irregularidade, visto que o patrimônio somente poderia ser destinado ao futuro ressarcimento ao erário! E agora?!

Convenhamos, o PPS está muito mal em argumentação.

(A propósito, clique AQUI para ler o artigo "A vaquinha e a Constituição", de Fábio de Sá e Silva).

TRAVANDO A LÍNGUA


Dez trava-línguas para melhorar a pronúncia e se divertir

Por Gilberto Cruvinel

10 trava-línguas para tentar e ainda se divertir. Alguns eu conhecia em formato ligeiramente diferente. Que outros trava-línguas existem em português?

1º. O sabiá não sabia que o sábio sabia que o sabiá não sabia assobiar.

2º. Em um ninho de mafagafos havia sete mafagafinhos; quem amafagafar mais mafagafinhos, bom amagafanhador será.

3º. O tempo perguntou pro tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu pro tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.

4º. O rato roeu a roupa do rei de Roma. Rainha raivosa rasgou o resto.

5º. Três tigres tristes para três pratos de trigo. Três pratos de trigo para três tigres tristes.

6º. O peito do pé de Pedro é preto. Quem disser que o peito do pé de Pedro é preto tem o peito do pé mais preto do que o peito do pé de Pedro.

7º. O doce perguntou pro doce qual é o doce mais doce que o doce de batata-doce. O doce respondeu pro doce que o doce mais doce que o doce de batata-doce é o doce de doce de batata-doce.

8º. Cinco bicas, cinco pipas, cinco bombas. Tira da boca da bica, bota na boca da bomba.

9º. A aranha arranha a rã. A rã arranha a aranha. Nem a aranha arranha a rã. Nem a rã arranha a aranha.

10º. A vaca malhada foi molhada por outra vaca molhada e malhada.

(Com informações de Terra Crianças). (Fonte: aqui).

A PITONISA


Igor Vartchenko.