quinta-feira, 26 de junho de 2014
COPA MOBILIZA O PLANETA E ARREDORES
ETs aprovam Copa e veem jogos de naves em cima dos estádios (...)
Por Luiza Oliveira
A Copa do Mundo está sendo acompanhada por bilhões de pessoas do mundo inteiro. Mas, além desse povo todo, ela pode ser vista por seres de outros planetas. E in loco. Especialistas no assunto dizem que extraterrestres aprovam o Mundial no Brasil e até estacionam suas naves espaciais em cima dos estádios durante as partidas.
A teoria pode parecer inverossímil, mas é levada a sério pelo Círculo Quântico de Expansão Humana, uma instituição de Goiânia focada em ações de espiritualidade e que defende a comunicação com ETs por meio de médiuns. É uma doutrina bem semelhante à pregada pelo espiritismo.
Segundo um dos médiuns da entidade, Alexandre Sperchi Wahbe, reuniões semanais são feitas com ETs mais evoluídos que terráqueos para que eles deem diretrizes que contribuam para a evolução da Terra. Nos últimos meses, um dos assuntos em pauta vem sendo a realização da Copa do Mundo no Brasil.
Alexandre diz que os extraterrestres aprovam o evento no país, que é considerado peça fundamental no atual momento que eles chamam de 'transição planetária'.
"É um momento de congregração mundial e de união planetária. É preciso um estimulo à cidadania planetária. Precisamos ter a ideia de que eu não sou brasileiro ou de outro país, todos somos um. E o Brasil é o melhor país do mundo para ter esse sentimento", afirmou.
Alexandre afirma que, na visão dos ETs, o Brasil é um símbolo da tolerância e da união dos povos por reunir as mais diversas culturas e etnias. Por isso, os extraterrestres consideram que sediar a Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016 não é por acaso. É a chance de o Brasil ensinar o mundo a amar sem discriminação. Esse será o maior legado da Copa.
"Eles dizem que o Brasil tem a maior tecnologia que existe, que é o amor e a integração sem fronteiras. O legado da Copa não é para o Brasil, mas sim para o planeta. O grande legado é a assimilação da cultura brasileira pelo mundo. O mundo precisa aprender a amar e conviver com a gente. É o amor sem preconceitos e sem fronteiras, todos vêm ao Brasil para aprender a amar".
Para os céticos, a comunicação com os extraterrestres pode parecer loucura, mas muitas pessoas levam a sério. Com apenas três anos de existência, o Circulo Quântico de Expansão Humana já conta com 20 médiuns em Goiânia e já atendeu a mais de mil pessoas.
Cerca de 200 adeptos da doutrina já participaram de cursos e palestras, enquanto outros 1000 simpatizantes já fizeram um mapa ascensional, uma espécie de mapa astral que faz o 'diagnóstico da alma'.
No Centro Quântico, os médiuns fazem contatos diários com extraterrestres. Eles ainda participam das reuniões semanais nos trabalhos de orientação personalizada nas quintas e sextas-feiras.
Apesar da curiosidade que desperta, a imagem do ET que já faz parte do imaginário popular com aspecto bizarro e cabeça grande não faz jus à realidade. Alexandre explica que por habitarem outras dimensões na maior parte das vezes, eles costumam se comunicar por meio de médiuns e raramente se materializam, podendo ser até com aspecto humano.
Os médiuns do Círculo Quântico contam ainda outras curiosidades. Eles são bem-humorados, gostam de brincadeiras e até passeiam pelo país. Alexandre conta que muitos deles vêm ao Brasil em naves espaciais e estacionam o veículo em cima dos estádios durante os jogos. Tudo isso para captar a energia transmitida pelas pessoas dentro das arenas.
Eles costumam transportar essa energia para locais que são mais necessitados como países em guerra ou em grandes dificuldades. A ideia é amenizar o sofrimento e transformar o pensamento das pessoas que vivem naquele local.
"Eles param as naves no estádios para usufruir da energia que as pessoas de lá transmitem. Um estádio de futebol é uma fonte muito grande de energia. As pessoas gritam, comemoram gol, extravasam... são milhares de pessoas pensando a mesma coisa. Isso é muito poderoso", conta.
Apesar de aprovarem a Copa e gostarem do ambiente dos estádios, os extraterrestres não se manifestaram sobre os resultados da Copa do Mundo. "Eles são muito brincalhões e tiram sarro da gente o tempo inteiro. Mas a gente leva o trabalho muito a sério, é algo sagrado, não fazemos esse tipo de pergunta. Preferimos não abordar futilidades", finaliza Alexandre. (Fonte: aqui).
...............
Perguntinha entreouvida na arquibancada:
- Me explica uma coisa: se, como todos sabemos(!), os ETs dominam a tecnologia das sondas não tripuladas, que, na prática, são os olhos deles, uma vez que podem filmar tudo, mostrando tudo em tempo real, por que não fazem uso das imagens futebolísticas geradas pelas sondas e se mantêm no conforto de suas naves, em lugar incerto e não sabido, em vez de se expor?!
................
Notáveis e por vezes divertidos são, mesmo, os comentários que a matéria acima, do Uol Brasília, suscitou. O governo federal e um certo partido político são alvos, como sempre, de críticas ferinas e ironias ácidas por parte de leitores furibundos (e no Uol o que não faltam são leitores furibundos). Clique no "aqui" acima e leia algumas das abordagens sobre o tema.
................
Matérias da espécie são expostas de forma, digamos, jocosa. A foto que ilustra o texto acima, por exemplo, é a que o Uol elegeu como merecedora de destaque. Uma coisa é certa, porém: o pessoal do Círculo Quântico de Expansão Humana tem o pleno direito de torcer por seu time na arquibancada dos céticos.
quarta-feira, 25 de junho de 2014
PAPA FRANCISCO, O DESEMPREGO E A GERAÇÃO NEM... NEM...
Papa reafirma importância do trabalho com dignidade
Da Agência Ecclesia
O Papa Francisco reafirmou hoje a sua preocupação com as consequências do desemprego, numa mensagem publicada através da rede social Twitter.
“Como gostaria de ver toda a gente com um trabalho decente! É uma realidade essencial para a dignidade humana”, refere o texto publicado na conta ‘@pontifex’, com mais de 13 milhões de seguidores em nove línguas, incluindo o português.
Este tema tem sido uma das preocupações recorrentes do Papa, que a 28 de maio dirigiu uma mensagem ao diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, afirmando que a comunidade internacional se deve empenhar para criar “mais oportunidades de emprego”.
“O desemprego está a alargar dramaticamente as fronteiras da pobreza”, realçou Francisco, para quem o problema é “particularmente desanimador” para os jovens que ficam fora do mercado de trabalho e podem “muito facilmente ficar desmoralizados” e perder a sua “noção de valor, sentindo-se alienados da sociedade”.
Dois dias antes, no regresso ao Vaticano após a viagem à Terra Santa, o Papa disse aos jornalistas que o desemprego é “grave”.
“Num verdadeiro sistema econômico, no centro devem estar o homem e a mulher, a pessoa humana. E hoje, no centro, está o dinheiro”, advertiu.
Francisco referiu-se em particular à geração «nem… nem…», jovens que “nem estudam nem trabalham”.
“Isto é gravíssimo! Descarta-se uma geração de jovens”, lamentou, antes de reforçar as suas críticas a um “sistema econômico desumano”, que “mata”, como tinha dito na exortação apostólica ‘Evangelii gaudium’ (A alegria do Evangelho).
No último dia 16, perante os participantes no congresso eclesial da Diocese de Roma, o Papa recordou os 75 milhões de jovens “nesta civilização europeia, jovens com menos de 25 anos”, que não têm um trabalho.
“Esta civilização deixa-os órfãos”, lamentou.
O tema esteve presente na viagem do Papa a Assis, Itália, em outubro de 2013, quando visitou o local onde São Francisco se despojou de todas as suas posses, para evocar as pessoas que foram “despojadas por este mundo selvagem que não dá trabalho, que não ajuda”.
“Não importa se há crianças a morrer de fome, não importa se tantas famílias não têm o que comer, não têm a dignidade de levar pão para casa; não importa se tanta gente tem de fugir da escravidão, da fome e fugir”, lamentou Francisco. (Fonte: aqui).
................
Enquanto isso, no Brasil, observa-se o seguinte:
"O Cadastro-Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mede a geração de postos de trabalho com carteira assinada no País, registrou a criação de 58.836 vagas em maio, (número) que representa crescimento 0,14% em relação ao estoque do mês anterior. O número é o saldo entre 1,849 milhão de admissões e 1,790 milhão de desligamentos em maio, informou nesta terça-feira (24) o Ministério do Trabalho e Emprego (M.TE).
Com o resultado de maio, a geração de empregos formais no governo Dilma Rousseff superou a marca de 5 milhões. 'No período de janeiro de 2011 a maio de 2014, ocorreu um crescimento de 11,47% na geração de postos formais de trabalho alcançando 5.052.710 empregos criados, uma média mensal de geração de 123.237 postos de trabalho com carteira assinada', informou o ministério.
O Caged revela também que no acumulado do ano (janeiro a maio) houve expansão de 1,34% no nível de emprego, equivalente ao acréscimo de 543.231 postos de trabalho. Se considerados os últimos 12 meses, o aumento foi de 867.423 postos de trabalho, correspondendo à elevação de 2,15%. Com relação a maio do ano passado, no entanto, o saldo de maio significa uma queda de 18,3%.
Trajetória positiva no cenário mundial
Os dados foram apresentados pelo ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, que destacou a média de empregos gerados mensalmente no Brasil. “Nós atingimos cinco milhões de empregos no atual governo e vamos continuar gerando novos postos de trabalho. Mantivemos uma ótima média mensal de 123 mil empregos. Mesmo com a falta de empregos no mundo, o Brasil continua sua trajetória positiva de geração de postos de trabalho”, ressaltou.
A geração de 5.052.710 no período de 2011 a 2014 demonstrado pelo Caged foi resultado originado da expansão generalizada dos vários setores de atividades econômicas, com destaque para os setores de Serviços (+2.554.078 postos), seguido do Comércio (+1.140.983 postos), da Construção Civil (+580.023 postos) e da Indústria de Transformação (+510.544 postos). (...)."
(Para continuar, clique AQUI).
Mas cumpre notar que, enquanto a grande imprensa destaca tão somente a criação de empregos formais em maio, considerando pífia a expansão, sem levar em conta o estoque criado e a conjuntura internacional de crise, a situação de quase pleno emprego está sendo, digamos, questionada: economistas prestigiados pela oposição sustentam que "algum desemprego" é necessário para conter a demanda, inibindo a pressão sobre os preços e segurando a inflação...
Ou seja, na União Europeia repudia-se a austeridade - que impõe a realidade de desemprego e desespero lamentada pelo Papa -; no Brasil, minimiza-se a criação de empregos formais em maio e ignora-se a notável permormance apresentada a partir de 2011, com a agravante do anúncio da necessidade de "algum desemprego", sem que isso motive qualquer repulsa por parte de analistas políticos e econômicos.
"O Cadastro-Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mede a geração de postos de trabalho com carteira assinada no País, registrou a criação de 58.836 vagas em maio, (número) que representa crescimento 0,14% em relação ao estoque do mês anterior. O número é o saldo entre 1,849 milhão de admissões e 1,790 milhão de desligamentos em maio, informou nesta terça-feira (24) o Ministério do Trabalho e Emprego (M.TE).
Com o resultado de maio, a geração de empregos formais no governo Dilma Rousseff superou a marca de 5 milhões. 'No período de janeiro de 2011 a maio de 2014, ocorreu um crescimento de 11,47% na geração de postos formais de trabalho alcançando 5.052.710 empregos criados, uma média mensal de geração de 123.237 postos de trabalho com carteira assinada', informou o ministério.
O Caged revela também que no acumulado do ano (janeiro a maio) houve expansão de 1,34% no nível de emprego, equivalente ao acréscimo de 543.231 postos de trabalho. Se considerados os últimos 12 meses, o aumento foi de 867.423 postos de trabalho, correspondendo à elevação de 2,15%. Com relação a maio do ano passado, no entanto, o saldo de maio significa uma queda de 18,3%.
Trajetória positiva no cenário mundial
Os dados foram apresentados pelo ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, que destacou a média de empregos gerados mensalmente no Brasil. “Nós atingimos cinco milhões de empregos no atual governo e vamos continuar gerando novos postos de trabalho. Mantivemos uma ótima média mensal de 123 mil empregos. Mesmo com a falta de empregos no mundo, o Brasil continua sua trajetória positiva de geração de postos de trabalho”, ressaltou.
A geração de 5.052.710 no período de 2011 a 2014 demonstrado pelo Caged foi resultado originado da expansão generalizada dos vários setores de atividades econômicas, com destaque para os setores de Serviços (+2.554.078 postos), seguido do Comércio (+1.140.983 postos), da Construção Civil (+580.023 postos) e da Indústria de Transformação (+510.544 postos). (...)."
(Para continuar, clique AQUI).
Mas cumpre notar que, enquanto a grande imprensa destaca tão somente a criação de empregos formais em maio, considerando pífia a expansão, sem levar em conta o estoque criado e a conjuntura internacional de crise, a situação de quase pleno emprego está sendo, digamos, questionada: economistas prestigiados pela oposição sustentam que "algum desemprego" é necessário para conter a demanda, inibindo a pressão sobre os preços e segurando a inflação...
Ou seja, na União Europeia repudia-se a austeridade - que impõe a realidade de desemprego e desespero lamentada pelo Papa -; no Brasil, minimiza-se a criação de empregos formais em maio e ignora-se a notável permormance apresentada a partir de 2011, com a agravante do anúncio da necessidade de "algum desemprego", sem que isso motive qualquer repulsa por parte de analistas políticos e econômicos.
O HUMOR NOS TEMPOS DE CAMPANHA
Ayres Britto liberou geral para campanha política dos humoristas
Por Luis Nassif
No post "O desafio de monitorar a propaganda eleitoral" descrevo as formas de atuação política histórica dos grupos de mídia. Nela, artistas, humoristas, celebridades em geral podem ser transformados em cabos eleitorais, já que o status de figura pública lhes confere poder de influência sobre segmentos do seu público.
Qualquer observador minimamente antenado sabe - há anos - que o maior cabo eleitoral dos grupos de mídia são os humoristas, inicialmente com sua capacidade de desmoralizar figuras públicas e, mais recentemente, caindo de cabeça na campanha eleitoral.
Não se trata de nada recente, mas de um padrão utilizado universalmente pelos grupos de mídia para interferir nos jogos eleitorais.
Graças ao ex-Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ayres Britto, vive-se o seguinte paradoxo: se um comentarista político for extremamente parcial, poderá ser contido pela legislação eleitoral; se um programa de humor, poderá falar o que quiser, sem se submeter à legislação.
Tudo começou em 2009.
A Lei Eleitoral tratou da chamada "propaganda negativa". Um dos seus capítulos proibia expressamente emissoras - nos três meses anteriores à eleição - de veicular programas que venham a "degradar ou ridicularizar candidatos".
Art. 45. A partir de 1º de julho do ano da eleição, é vedado às emissoras de rádio e televisão, em sua programação normal e noticiário:(...) II- usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação, ou produzir ou veicular programa com esse efeito ;III- veicular propaganda política ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos ou representantes.
A ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) entrou com uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) no STF, considerando que o texto feria a liberdade de expressão prevista na Constituição e que inviabilizaria os programas humorísticos.
A lei não mencionava programas humorísticos. Apenas proibia degradar ou ridicularizar candidatos.
Sendo assim, cada caso seria um caso a ser analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Ninguém teria autorização para matar. A mera existência desse dispositivo serviria como moderador dos exageros que pudessem ser cometidos.
Sendo assim, cada caso seria um caso a ser analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Ninguém teria autorização para matar. A mera existência desse dispositivo serviria como moderador dos exageros que pudessem ser cometidos.
A exemplo do que ocorreu com a revogação da Lei de Imprensa, Ayres Britto foi o relator da ADIN e defendeu a posição da ABERT baseado no conceito ampliado de liberdade de expressão e em argumentos falaciosos.
Um deles era a de que, se esse tipo de humor não era proibido fora do período eleitoral, não poderia sê-lo no período eleitoral. Ora, o espírito da lei é justamente o de garantir igualdade de condições no período eleitoral. Justamente por isso cria regras a serem seguidas estritamente no período eleitoral.
O voto de Ayres Britto acabou sendo seguido por seus colegas. (Fonte: aqui).
................
Em face do que se impõe a seguinte conclusão: o escárnio é livre.
................
Em face do que se impõe a seguinte conclusão: o escárnio é livre.
terça-feira, 24 de junho de 2014
THE BEATLES E O FUTEBOL
Os Beatles e a paixão pelo futebol
Por João Arnaldo - site The Beatles Report
(...).
Entre 1960 e 1970, período de ouro do Fab Four, os dois clubes da cidade, Liverpool e Everton, conquistaram quatro títulos nacionais, em uma época de domínio esportivo e cultural. De acordo com o jornal Liverpool Daily Post, Paul McCartney sempre se mostrou bem reservado sobre o assunto, mas teria sido “flagrado” na multidão do Everton em 1968, no estádio de Wembley, em plena final da tradicional Copa da Inglaterra. O time azul acabou derrotado pelo West Bromwich Albion por 1 a 0. Há pouco tempo, Sir Paul revelou, admitindo ir contra as “regras” das arquibancadas, que gostava tanto do Everton, por causa dos seus pais, quanto do Liverpool, devido ao tom vermelho.
“Eu gostava de futebol na rua, mas pelo pouco tempo que joguei ficou claro que eu não era muito bom. Gosto de assistir às partidas de futebol na televisão e vou ocasionalmente para algum jogo”, admitiu ao Daily Post, evitando qualquer rusga entre os fanáticos de Everton e Liverpool. Um Paul político.
Também é curiosa a linha futebolística de Ringo, que torce pelo londrino Arsenal por causa do padrasto, natural da capital inglesa. Apesar disso, ele também tem simpatia pelo Liverpool. Os seus filhos sempre vão a todos os jogos dos Reds.
Já George e John não eram muito ligados em futebol. O filho de George Harrison, falecido em 2001, é fã do Liverpool, na única dica sobre o pai famoso.
Já George e John não eram muito ligados em futebol. O filho de George Harrison, falecido em 2001, é fã do Liverpool, na única dica sobre o pai famoso.
Lennon e o futebol seguem como um mistério, tudo por causa de um desenho do gênio, aos 11 anos.
O Futebol - por John Lennon.
A imagem foi utilizada em 1974 no seu álbum solo Walls and Bridges. Era um retrato de Arsenal x Newcastle, sobre a final da Copa da Inglaterra de 1952. O desenho foi feito um mês após a partida, vencida pelo Newcastle por 1 a 0. O tal jogador com a camisa alvinegra de número 9 – o número preferido de Lennon, citado em várias canções – é Jackie Milburn, autor de 177 gols pelo Newcastle entre 1943 e 1957. Lennon jamais falou sobre a preferência, entre Arsenal ou Newcastle, apesar da obviedade da pintura. Portanto, eis os supostos uniformes beatlemaníacos: Liverpool, Everton, Newcastle e Arsenal. Apesar da rivalidade entre os quatro times, o mesmo não ocorria nos Beatles, em relação ao esporte bretão. O forte, em todos os aspectos, era mesmo a música.
Uma lenda bem conhecida entre os beatlemaníacos brasileiros diz que os Beatles foram barrados quando tentaram visitar a concentração da Seleção Brasileira, que se hospedava em Liverpool durante a Copa de 1966. O caso nunca foi bem esclarecido, apesar de Pelé confirmar até hoje. Mas neste post AQUI nós fazemos uma análise bem realista do caso, encontrando uma razão para o boato.
Por mais que os Beatles tenham uma relação discreta com o futebol, fica claro o convite à banda para um show a cada arquibancada lotada, como em 1964, durante a conquista do título nacional do Liverpool após dezessete anos de jejum. A torcida, enlouquecida com o 5 a 0 sobre o Arsenal, cantou “She Loves You”, ecoando em todo o estádio Anfield. O convite não ocorre só em Liverpool. O Arruda e a Ressacada que o digam. (Fonte: aqui).
COPA BABEL, ONDE TODOS FALAM A MESMA LÍNGUA
Duke.
................
Brasil X Camarões. Boa atuação da Canarinho, notadamente no segundo tempo.
Vamos que vamos, Brasil. E que venha o Chile!
ANATOMIA DO UNIVERSO MIDIIÁTICO
Ares.
A cartelização mediocrizante da notícia
Por Luis Nassif
1. TODOS os grupos de mídia fizeram a mesma cobertura negativa da Copa, com os mesmos tons de cinza, o mesmo destaque às irrelevâncias, prejudicando seu próprio departamento comercial pelo desânimo geral que chegava aos anunciantes.
2. NENHUM grupo preparou uma reportagem sequer mostrando os detalhes de uma organização exemplar, que juntou governos federal, estaduais, municipais, Ministério Público, Tribunais de Conta, Polícia Federal, Secretarias de Segurança, departamentos de trânsito, construtoras, fundos de investimento. NENHUM!
3. Depois, TODOS fazem o mea-culpa e passam a elogiar a Copa no mesmo momento.
4. Na CPMI de Carlinhos Cachoeira TODOS atuaram simultaneamente para abafar as investigações.
5. Na do “mensalão”, TODOS atuaram na mesma direção, no sentido de amplificar as denúncias e esmagar qualquer medida em favor dos réus, até as mais irrelevantes.
6. Na Operação Satiagraha, pelo contrário, TODOS saíram em defesa do banqueiro Daniel Dantas, indo contra a tendência histórica da mídia de privilegiar o denuncismo.
7. No episódio Petrobras, TODOS repetiram a mesma falácia de que a presidente Maria da Graça disse que foi um mau negócio e o ex-presidente José Sérgio Gabrielli disse que foi bom negócio. O que ambos disseram é que, no momento da compra, era bom negócio; com as mudanças no mercado, ficou mau negócio. TODOS cometeram o mesmo erro de interpretação de texto e martelaram durante dias e dias, até virar bordão.
8. No anúncio da Política Nacional de Participação Social, TODOS deram a mesma interpretação conspiratória, de implantação do chavismo e outras bobagens do gênero, apesar das avaliações dos próprios especialistas consultados, de que não havia nada que sugerisse a suspeita. Só depois dos especialistas desmoralizarem a tese, refluíram - com alguns veículos ousando alguma autocrítica envergonhada.
É um cartel, no sentido clássico do termo.
Uma empresa jornalística que de fato acredite no seu mercado jamais incorrerá nos seguintes erros:
1. Trabalhar sem nenhuma estratégia de diferenciação da concorrência, especialmente se não for o líder de mercado. A Folha tornou-se o maior jornal brasileiro, na década de 80, apostando na diferenciação inteligente.
2. Atuar deliberadamente para derrubar o entusiasmo dos consumidores e anunciantes em relação ao seu maior evento publicitário da década: a Copa do Mundo.
3. Expor de tal maneira a fragilidade do seu principal produto – a notícia -, a ponto de municiar por meses e meses seus leitores com a versão falsa de que tudo daria errado na Copa e, depois, ter que voltar atrás. Em nenhum momento houve uma inteligência interna sugerindo que poderia ser um tiro no pé. Ou seja, acreditaram piamente nas informações falsas que veiculavam - a exemplo do que ocorreu com a maxidesvalorização de 1999.
4. Nos casos clássicos de cartel, um grupo de empresas se junta para repartir a receita e impedir a entrada de novos competidores. No caso brasileiro, a receita publicitária cada vez mais é absorvida pelo líder – a Globo – em detrimento dos demais integrantes do grupo. Para qualquer setor organizado da economia, essa versão brasileira de cartel será motivo de piada.
Tudo isso demonstra que há tempos os grupos de mídia deixaram de lado o foco no mercado e no seu público. Não se trata apenas da perda de espaço com a Internet. Abandonaram o produto principal – a confiabilidade da notícia – para atuar politicamente, julgando estar na política sua tábua de salvação.
A sincronização de todas as ações, em todos os momentos, mostra claramente que existe uma ação articulada, centralmente planejada. Visão conspiratória? Não. Provavelmente devido ao fato de não existirem mais os grandes capitães de mídia, capazes de estratégias inovadoras individuais. Assim, qualquer estrategista de meia pataca passa a dar as cartas, por falta de interlocução à altura em cada veículo. (Fonte: aqui).
A cartelização mediocrizante da notícia
Por Luis Nassif
1. TODOS os grupos de mídia fizeram a mesma cobertura negativa da Copa, com os mesmos tons de cinza, o mesmo destaque às irrelevâncias, prejudicando seu próprio departamento comercial pelo desânimo geral que chegava aos anunciantes.
2. NENHUM grupo preparou uma reportagem sequer mostrando os detalhes de uma organização exemplar, que juntou governos federal, estaduais, municipais, Ministério Público, Tribunais de Conta, Polícia Federal, Secretarias de Segurança, departamentos de trânsito, construtoras, fundos de investimento. NENHUM!
3. Depois, TODOS fazem o mea-culpa e passam a elogiar a Copa no mesmo momento.
4. Na CPMI de Carlinhos Cachoeira TODOS atuaram simultaneamente para abafar as investigações.
5. Na do “mensalão”, TODOS atuaram na mesma direção, no sentido de amplificar as denúncias e esmagar qualquer medida em favor dos réus, até as mais irrelevantes.
6. Na Operação Satiagraha, pelo contrário, TODOS saíram em defesa do banqueiro Daniel Dantas, indo contra a tendência histórica da mídia de privilegiar o denuncismo.
7. No episódio Petrobras, TODOS repetiram a mesma falácia de que a presidente Maria da Graça disse que foi um mau negócio e o ex-presidente José Sérgio Gabrielli disse que foi bom negócio. O que ambos disseram é que, no momento da compra, era bom negócio; com as mudanças no mercado, ficou mau negócio. TODOS cometeram o mesmo erro de interpretação de texto e martelaram durante dias e dias, até virar bordão.
8. No anúncio da Política Nacional de Participação Social, TODOS deram a mesma interpretação conspiratória, de implantação do chavismo e outras bobagens do gênero, apesar das avaliações dos próprios especialistas consultados, de que não havia nada que sugerisse a suspeita. Só depois dos especialistas desmoralizarem a tese, refluíram - com alguns veículos ousando alguma autocrítica envergonhada.
É um cartel, no sentido clássico do termo.
Uma empresa jornalística que de fato acredite no seu mercado jamais incorrerá nos seguintes erros:
1. Trabalhar sem nenhuma estratégia de diferenciação da concorrência, especialmente se não for o líder de mercado. A Folha tornou-se o maior jornal brasileiro, na década de 80, apostando na diferenciação inteligente.
2. Atuar deliberadamente para derrubar o entusiasmo dos consumidores e anunciantes em relação ao seu maior evento publicitário da década: a Copa do Mundo.
3. Expor de tal maneira a fragilidade do seu principal produto – a notícia -, a ponto de municiar por meses e meses seus leitores com a versão falsa de que tudo daria errado na Copa e, depois, ter que voltar atrás. Em nenhum momento houve uma inteligência interna sugerindo que poderia ser um tiro no pé. Ou seja, acreditaram piamente nas informações falsas que veiculavam - a exemplo do que ocorreu com a maxidesvalorização de 1999.
4. Nos casos clássicos de cartel, um grupo de empresas se junta para repartir a receita e impedir a entrada de novos competidores. No caso brasileiro, a receita publicitária cada vez mais é absorvida pelo líder – a Globo – em detrimento dos demais integrantes do grupo. Para qualquer setor organizado da economia, essa versão brasileira de cartel será motivo de piada.
Tudo isso demonstra que há tempos os grupos de mídia deixaram de lado o foco no mercado e no seu público. Não se trata apenas da perda de espaço com a Internet. Abandonaram o produto principal – a confiabilidade da notícia – para atuar politicamente, julgando estar na política sua tábua de salvação.
A sincronização de todas as ações, em todos os momentos, mostra claramente que existe uma ação articulada, centralmente planejada. Visão conspiratória? Não. Provavelmente devido ao fato de não existirem mais os grandes capitães de mídia, capazes de estratégias inovadoras individuais. Assim, qualquer estrategista de meia pataca passa a dar as cartas, por falta de interlocução à altura em cada veículo. (Fonte: aqui).
segunda-feira, 23 de junho de 2014
COPA 2014: CARTUM ADICIONADO
Vasqs.
- Estádios lotados, infraestrutura equilibrada, hospitalidade exemplar, imprensa internacional louvando aos quatro ventos... É o fim do mundo. Definitivamente, é o fim do mundo!
COPA 2014: IMPRENSA JOGA A TOALHA
Mídia desembarca da teoria do caos na Copa
Do Brasil 247
A mídia familiar brasileira reconhece: seus leitores foram enganados nos meses que antecederam a Copa do Mundo de 2014. Sabe aquele bordão, o Imagina na Copa? Ou a teoria de que os estádios não ficariam prontos e haveria caos nos aeroportos? Era apenas terrorismo midiático, com óbvias intenções políticas.
Não é exatamente isso o que dizem os jornais deste domingo, mas assim poderia ser escrita a história de como grandes conglomerados de mídia desembarcaram da teoria do caos na Copa.
No Estado de S. Paulo, a reportagem de Lourival Sant'anna informa que "apesar de problemas, Copa vence o caos". "Está tendo Copa sim e o Brasil não está fazendo tão feio", diz o texto, sem esconder sua má-vontade com o próprio País. "O resultado é surpreendente: nos pontos em que se temiam mais problemas, como os aeroportos, o transporte e a segurança pública, as coisas estão indo relativamente bem".
Na Folha, Nelson de Sá diz que "prenúncio de que Copa seria o 'fim do mundo' não aguentou três dias". A reportagem, no entanto, transfere para a mídia internacional os ataques ao Brasil, como se veículos internacionais não formassem suas opiniões e consensos a partir do que recebem de informação da mídia nativa. "Do início do ano até a abertura da Copa do Mundo, a imagem do Brasil foi alvo de um ataque de histeria da mídia ocidental", é a frase que abre a reportagem da Folha. Mas onde será que a mídia ocidental se informava sobre o Brasil?
Entre os profetas do caos que tiram o time de campo, até Veja, aquela que previa a entrega dos estádios apenas em 2038, deu uma guinada. Na capa deste fim de semana, o título "Só alegria até agora". No entanto, na chamada de capa, a revista adverte que é melhor aproveitar a festa, "pois legado duradouro, esqueça". Ou seja: como se estádios e aeroportos fossem desaparecer depois do Mundial.
A verdade, pura e simples, é que leitores foram enganados. E alguns que se deixaram enganados agora estão arrependidos, como a colunista Mariliz Pereira Jorge, da Folha, que caiu na esparrela do caos, deixou de tirar férias, de comprar ingressos e de aproveitar a #copadascopas. "Chega o ano em que a Copa é no Brasil. Sempre quis uma Copa no Brasil. Vou tirar férias, passar o mês viajando pelo país, assistir a todos os jogos possíveis, fazer festa na rua, me embebedar abraçada com gente desconhecida. Broxei junto com o clima anti-copa e não fiz nada para participar dela. Ela chegou e eu fiquei de fora", disse ela (leia mais aqui).
................
Resta, assim, consolidada a seguinte impressão: os carros chefes da grande imprensa nacional, carregados de catastrofismo e parcialidade, mereceram cartão vermelho.
EVOLUÇÃO REAL DA RENDA: O BRASIL FRENTE A OUTROS PAÍSES
Quem quer crescimento de renda como o do Primeiro Mundo?
Por Fernando Brito
O ótimo blog de Fernando Nakagawa, no Estadão, dá hoje conta de como anda a distribuição de renda nos países mais ricos.
Ele informa que “pobres e ricos perderam dinheiro com a crise que se arrasta há mais de cinco anos”.
Mas também registra que uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra, para variar, que o castigo foi bem maior para quem tem menos.
A renda média dos 10% mais ricos caiu a um ritmo anual de 0,78% entre 2007 e 2011, a perda da renda dos 10% mais pobres foi o dobro: 1,61% por ano.
O resultado detalhado está no gráfico lá em cima.
Como eu não sou “economista” nem “jornalista econômico”, que não conseguem situar o Brasil dentro do mundo – embora todos eles encham a boca para falar em “globalização” –, fui buscar dados que permitissem uma comparação com o nosso país.
Como não achei uma que pegasse o período exato, coloquei dois, com base na Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar, agrupados pelo IPEA, para que os mal-humorados não venham a invalidar a comparação.
Entre 2003 e 2011, os 10% mais pobres no Brasil tiveram um incremento de renda de 80,8%, ou média anual de 6,8%. Os 10% mais ricos também cresceram, mas 26,9%, ou média anual de 2,7%.
Na crise, entre 2009 e 2011, o décimo mais pobre cresceu 9,1% e o mais rico, 4%. Na média de taxas anuais, isso dá 2,95% e 1,32%.
Coloquei estes os números no gráfico do Estadão, lá em cima e aqui embaixo.
Depois de vê-los, diga-me se você quer seguir as receitas que eles vivem nos dando.
Porque os muito ricos continuam ganhando, mas não suportam que não seja tudo, e que os pobres ganhem também.
Fonte: aqui.
................
Enquanto isso, economistas como Armínio Fraga já decretaram: é inaceitável a continuidade do critério de atualização do valor real do salário mínimo (índice de inflação + percentual correspondente à diferença positiva entre o PIB do ano anterior em confronto com o do ano precedente). À alegação de que o mercado não suporta a elevação real do salário mínimo Fraga alia a necessidade de que haja "algum desemprego" (desemprego deliberadamente provocado pela política econômica, entenda-se), o que daria ensejo ao céu de brigadeiro por onde voaria o avião do Livre Mercado. Eis aí duas das chamadas "medidas impopulares" já (praticamente) anunciadas pelos áulicos do laissez faire mercadológico.
DE FIASCO ANUNCIADO A SUCESSO INCRÍVEL
"No primeiro caderno da última edição dominical da Folha de São Paulo (22/6), uma matéria surpreendente: 'Prenúncio de que a Copa seria o fim do mundo não aguentou 3 dias'. Assinada pelo colunista Nelson de Sá, a matéria surpreende qualquer um que lê a imprensa brasileira por ter 'empurrado' para a imprensa estrangeira um pecado da imprensa brasileira. O colunista atribui à imprensa estrangeira as previsões negativas sobre a Copa no Brasil.
O caradurismo não é só desse jornalista, mas do próprio jornal – um mea-culpa sobre a cobertura da organização da Copa de 2014 seria imperativo diante daquela que, de fato, está sendo a 'Copa das Copas'. E não só pela boa organização do evento, mas pelo que se vê em campo.
A infraestrutura tem funcionado tão bem quanto a que seria esperável em qualquer país do dito 'Primeiro Mundo', os jogos são emocionantes, o nível técnico tem sido altíssimo, o futebol latino-americano vai se impondo sobre o do resto do mundo, levando incontáveis nações das Américas a um verdadeiro orgasmo desportivo.
Eis o que ninguém previu. Ou melhor, eis o que aqueles que previram não puderam dizer devido a uma literal censura da grande imprensa a qualquer ponderação sobre os exageros que estavam sendo cometidos pela imprensa e por partidos de oposição de direita e de esquerda, os quais enganaram os brasileiros com afirmações falsas sobre o financiamento da Copa e sobre problemas corriqueiros em qualquer grande evento.
Como foi previsto neste blog por incontáveis vezes, os profetas do apocalipse deram com os burros n’água. Aqui sempre foi dito que a Copa começaria, tudo estaria pronto e funcionando e que os que previam o contrário ficariam com a brocha na mão.
Não é por outra razão que na mesma Folha de São Paulo, escondida na coluna 'Painel', uma notinha de apenas uma frase, mas que tem um potencial político imenso, revela que chegou a hora de Dilma capitalizar seu bom trabalho. Abaixo, o texto da Folha:
De virada
Assessores do Planalto estão exultantes com pesquisa interna que afirma que 60% dos brasileiros consideram a Copa boa ou ótima até agora
Qual o efeito eleitoral disso? Na avaliação do Planalto, é expressivo. Tão expressivo que a Folha detectou e, visando se distanciar do alarmismo que promoveu ao lado de outros grandes meios de comunicação, publicou essa reportagem de Nelson de Sá, na tentativa vã de fazer seus leitores de besta ao empurrar-lhes a versão de que o catastrofismo desportivo-organizacional partiu do exterior e não daqui mesmo, do Brasil.
A matéria em questão foi econômica ao relatar as análises que estão sendo feitas em toda parte do mundo sobre a capacidade do país de organizar um evento desse calibre. Uma das matérias da imprensa estrangeira citadas pela Folha é de autoria de Sam Borden, correspondente esportivo do diário norte-americano The New York Times na Europa. No último dia 17, Borden qualificou a Copa no Brasil como 'sucesso incrível' em artigo que ironiza o noticiário sobre o evento, chamando-o de 'previsão do dia do juízo final'. (...)."
(Eduardo Guimarães, em seu blog, post intitulado "'Sucesso incrível' da Copa (by The New York Times) melhora aprovação de Dilma").
domingo, 22 de junho de 2014
ESTREIA EM TERESINA O 6º SALÃO MEDPLAN DE HUMOR
Acontece neste domingo, a partir das 18h, na Nova Potycabana, a exposição de quarenta desenhos (entre 100 selecionados pela Comissão Julgadora - aqui) representativos do 6º Salão Internacional Medplan de Humor, destacando o tema eleições.
Foram submetidos à Medplan mais de 500 desenhos, de 35 países. Os 100 trabalhos selecionados serão publicados em caprichado catálogo.
A Nova Potycabana nos aguarda.
COPA 2014: O MEA-CULPA DE OPONENTES DO BRASIL
"O Brasil venceu, antes do final da Copa, o maior de todos os desafios apresentados desde a escolha do país para sediar o Mundial. Está vencida a desconfiança com a capacidade de realização do evento, estimulada durante anos pelas previsões pessimistas que envolveram principalmente a gestão das obras. Já não valem mais nada os anúncios alarmistas, muitos dos quais sustentados categoricamente, sobre estádios que não ficariam prontos, o caos nos aeroportos e os transtornos com o transporte nas 12 cidades que acolhem os jogos. Entramos agora na segunda semana da competição, e alguns riscos e falhas permanecem, como os relacionados com questões pontuais das comunicações e outros detalhes da organização nos estádios. Mas as grandes interrogações estão desde já superadas. Um balanço parcial do que aconteceu até agora livra o país da ameaça de um fracasso, fomentado pelos que, sob o pretexto de alertar para nossas deficiências, torciam contra o próprio país. O negativismo misturou-se, desde 2007, quando do anúncio da escolha do Brasil, a críticas sensatas sobre a conveniência da realização do Mundial em meio a tantas carências em áreas essenciais. Discordâncias bem fundamentadas apontavam que deveríamos dar prioridade a outras demandas mais urgentes. Os pontos de vista conflitantes se defrontaram até agora, e muitos dos críticos ainda mantêm a certeza de que o governo brasileiro errou ao lutar, com organizações privadas, para que fôssemos sede do Mundial. Nada que não deva ser encarado como natural. O que passou dos limites foi a insistência com que setores contrariados passaram a desqualificar o próprio país, antecipando o fracasso do evento, pelos mais variados motivos. Não fracassamos, e finalmente o Brasil tem suas virtudes como organizador da Copa reconhecidas pelas delegações e pela imprensa internacional. The New York Times, Wall Street Journal e The Guardian, alguns dos mais respeitados jornais do mundo, passaram a observar que os visitantes convivem hoje apenas com falhas desculpáveis em eventos com essa grandeza. É esta visão do Exterior que, ao final da competição, oferecerá a todos a imagem do Brasil. A avaliação positiva não deve, no entanto, induzir ao engano de que todas as dúvidas suscitadas foram satisfatoriamente respondidas. O setor público ainda deve aos brasileiros informações esclarecedoras sobre a participação de recursos governamentais, para que a transparência passe a fazer parte dos aspectos a serem enfatizados. Também as previsões sobre possíveis transtornos com greves e protestos de rua não se confirmaram, e o que se vê, ao contrário, são as 12 cidades, sem maiores atropelos em seu dia a dia, orgulhosas como anfitriãs. Confirma-se assim, com a hospitalidade brasileira que os estrangeiros reconhecem e agradecem, uma qualidade que nunca foi posta em dúvida."
(editorial da RBS sobre a Copa do Mundo, que circula também no Jornal de Santa Catarina, de Blumenau, e A Notícia, de Joinville, e cremos, em todos os jornais do grupo no Rio Grande do Sul.
Entre os muitos comentários suscitados por leitores do Jornal GGN, aqui, destaco o seguinte, de Marco St:
"Estratégia óbvia. Com o sucesso da Copa estava claro que a mídia não deixaria de embarcar nessa onda. Se antes o eventual 'fracasso' era total 'responsabilidade' do governo federal, o sucesso agora é obra de todos os brasileiros e é natural que estejamos "todos juntos" para desfrutar desse belo legado...
Quando a Copa acabar, aí sim, a mídia poderá voltar a buscar todas as falhas, erros e gastos que ocorreram na Copa e culpar o governo federal, nos brindando com o pessimismo novamente.
Imagina nas Olimpíadas!
A imprensa brasileira, até agora, foi a única que nos envergonhou."
O fato é que está em curso, desde o anúncio da escolha do Brasil como sede da Copa, em 2007, uma disputa entre o Brasil e o Time do Contra, composto por potências midiáticas e setores das elites nacionais. O time citado cumpre fielmente o script: aposta na incompetência governamental e na prevalência do caos. Eis que agora, desapontados em face de elogios generalizados - inclusive e especialmente da imprensa mundial -, eméritos integrantes do time aparentam jogar a toalha. Mas, ressalte-se, é só aparência; a disputa continua. Sintomaticamente, a Folha de São Paulo, em editorial de ontem, 21, ressalva: "Se o país pode se orgulhar da Copa que exibe ao mundo até agora, convém, como o próprio futebol ensina, esperar o apito final para cantar vitória --sobretudo em um torneio tão imprevisível quanto este."
O editorial da Folha motivou - aqui - comentários interessantes, bem como uma apreciação crítica acerca de termos e expressões utilizados pela Folha, viúva do caos que não se confirmou).
Marcadores:
Eles disseram. Grupo RBS. Copa 2014. Mea culpa.
CARTUM EUROPEU ADAPTADO: COMEMORANDO CONQUISTA NA COPA
Jules Stauber.
................
Por que "cartum europeu adaptado"? Simples: o cartum acima, do suíço-alemão Jules Stauber (1920-2008), mostra um típico aristocrata europeu, sempre ensimesmado, contido e grave, até mesmo quando comemora uma conquista, e precavido (o precavido tem a ver com a pata, digo, com o pé). Uma certeza: se se trata de comemoração de conquista na Copa 2014, o aristocrata não é espanhol - muito menos inglês.
sábado, 21 de junho de 2014
BRASIL: OS GANHOS COM A COPA
Copa injetará R$ 30 bilhões na economia do Brasil
A Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014 vai gerar cerca de 1 milhão de empregos no país, o que equivalente a mais de 15% dos 4,8 milhões de empregos formais criados ao longo do governo da presidenta Dilma Rousseff. Além da geração de postos de trabalho, a Copa do Mundo, deve propiciar a injeção de R$ 30 bilhões na economia brasileira.
Os dados fazem parte de um levantamento feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a pedido do Ministério do Turismo. O estudo tem como parâmetro uma comparação entre a projeção dos impactos gerados pela Copa do Mundo e as informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e tem como referência o período de janeiro de 2011 a março de 2014.
Durante visita ao Centro Aberto de Mídia João Saldanha, no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Vicente Neto, avaliou o resultado da pesquisa. Para ele, trata-se de um número “extremamente significativo que nós estamos comemorando neste momento. É um legado humano extraordinário”, disse.
Segundo o levantamento, do total de vagas relacionadas à Copa, 710 mil são fixas e 200 mil são temporárias (todos com carteira assinada). Só na cadeia do turismo, foram gerados 50 mil novos empregos em função do evento esportivo.
Vicente Neto ressaltou, durante a entrevista, a taxa de ocupação da rede hoteleira nas 12 cidades-sede na primeira semana do Mundial, que ficou 45% acima do esperado, de acordo com autoridades do setor. Até o dia 11 de junho, foram registradas 340 mil diárias, 100 mil a mais que o previsto pelo Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil. “Os números estão superando as expectativas”, disse o presidente da Embratur.
Na avaliação de Vicente Neto, a expectativa da Embratur é de que a realização de grandes eventos, como a Copa, ajudem a projetar o Brasil como destino turístico de destaque no cenário internacional, impulsionando a geração de emprego e renda no país.
O presidente da Embratur lembrou que o Brasil tem se destacado no cenário mundial de realização de eventos e subiu dez posições no ranking da International Congress and Convention Association (ICCA) de 2003 a 2013, ao saltar da 19ª para a 9ª posição entre os países do mundo que mais recebem congressos e convenções associativas.
“O total de eventos realizados no Brasil neste período saltou de 62 para 315, e o número de cidades que sediaram esses encontros aumentou de 22 para 54. Essa evolução é resultado da política de descentralização na captação de eventos internacionais”, disse. (Fonte: aqui).
EXALTAÇÃO E UFANISMO: DE GETÚLIO AO QUE HOJE SE VÊ (OU NÃO SE VÊ)
É proibido (se) exaltar?
Por Pedro Alexandre Sanches
Da paixão correspondida entre a música brasileira e o regime ditatorial do gaúcho Getúlio Vargas, nasceu o Brasil-exaltação: Heitor Villa-Lobos, “Bachianas Brasileiras”, Ary Barroso, “Aquarela do Brasil”, “Isto Aqui o Que É”, Rádio Nacional, Francisco Alves & Dalva de Oliveira, a exaltação à Bahia-berço-do-Brasil…
O ufanismo à la Barroso era bajulatório, barroco, rococó, escalafobético, um tanto rebimbocado da parafuseta. Mas naquele tempo, parece, não era feio, errado, pusilânime ou calhorda exaltar, ufanar, ostentar, afirmar amor ao Brasil.
E, sim, a “era de ouro” dos “cantores do rádio” era feita de ditadura e abdicação e sujeição a Walt Disney e aos Estados Unidos da América do Norte. Carmen Miranda, a carioca que parecia baiana, mas era portuguesa, não gostou da ~ditadura~ e foi viver ~liberdade~ internacional braZileira, interpretando subalternas mexicanas em filmes de Hollywood. Dos píncaros da glória, só voltou morta ao Rio de Janeiro.
O ditador virou presidente democraticamente eleito. A elite cafeeira não gostou da ditadura da democracia. UDN. Carlos Lacerda. Um ET cigano plantou Brasília no coração do Brasil: Juscelino Kubitschek. Eleições, democracia, bossa nova, república rycah de Ipanema y Copacabana.
João Gilberto, único baiano sertanejo feminino entre os garotos machinhos de Ipanema, destoou da fórmula praia-exaltação e, no corridinho das décadas, exaltou à vera a Bahia (e o Rio) e o Brasil: “Samba da Minha Terra” e “Saudade da Bahia” (ambas de Dorival Caymmi), “Na Baixa do Sapateiro” e “Aquarela do Brasil” (de Ary Barroso), “Eu Vim da Bahia” (do pupilo manso-e-rebelde Gilberto Gil), “Bahia com H” (do paulista-de-pseudônimo-anglo Denis Brean), ”Canta Brasil” (dos – será? – getulistas David Nasser e Alcyr Pires Vermelho), “Adeus América” (de Haroldo Barbosa e Geraldo Jaques)…
1964. MPB. 1968. Tropicália. AI-5, 13 de dezembro de 1968 (dia do aniversário de Luiz Gonzaga, eterno legalista admirador de Lampião). Os Estados Unidos da América do Norte invadem a América Latina inteirinha, e o BraSil, e o ufanismo braZilEUA vira a água que sai de todas as torneiras.
Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Rogério Duprat, Torquato Neto, Mutantes, Tom Zé, Capinan, Júlio Medaglia e a ex-garota-de-Copacabana Nara Leão, entre vários outros, inventam a trans-exaltação. Exaltam para esculhambar, debocham para exaltar: “Tropicália”, ”Soy Loco por Ti, América”, “Marginália II”, “Panis et Circensis”, “Miserere Nobis”, “Parque Industrial”, ”Geleia Geral”, ”Três Caravelas”, “Lindoneia”, “Bat Macumba”, “Hino ao Senhor do Bonfim da Bahia”, “Yes, Nós Temos Bananas” (de Braguinha), “A Voz do Morto”, “São São Paulo”, “Divino, Maravilhoso”, “2001″, “Aquele Abraço”, “Meu Nome É Gal”, “Jimmy, Renda-Se”, “Chão de Estrelas” (de Orestes Barbosa e Silvio Caldas)…
Copa do Mundo de 1970. Wilson Simonal, “País Tropical”, Jorge Ben, Pelé, Jair Rodrigues, Toni Tornado, Tim Maia, black power, Vera Fischer, Arlete Salles, Rede Globo, repressão-power, “pra frente, BraZil!”, “ame-o ou deixe-o”, “eu te amo, meu Brasil, eu te amo”, Os Incríveis, Dom & Ravel, Ultragaz, O Pasquim, esquerdireitas (des)unidas, avante. Elza Soares (& Garrincha). Dilma Rousseff torce pela seleção brasileira entre uma sessão de tortura e outra.
É proibido torcer pelo BraZil: você é um traidor da pátria assaltada por ditadores (civil-)militares.
É proibido torcer contra o BraSil: você é um comunista comedor de criancinhas do iê-iê-iê.
É proibido fumar, é proibido pisar na grama, e os adaptadores tropicalistas do “é proibido proibir” foram expulsos do BraZSil.
O Festival Internacional da Canção, do aparato Globo-Time-Life, e a Copa do Mundo ensaiam se tornar mensagens brasileiras atiradas em garrafas latino-americanas nos oceanos do mundo. Há tortura (experimente perguntar para a hoje presidenta do BraSil), e o mundo não pode saber, senão cortem-lhe as cabeças! Vão-se as cabeleiras black power de Simonal, Tornado, Erlon Chaves etc. e tal.
A exaltação chega ao ápice com a vitória do BraZil na Copa de 1970, para logo em seguida iniciar seu mais longo e persistente inverno de hibernação. O sinal está fechado para nós, que somos jovens - Belchior, Elis Regina, mais uma “Aquarela do Brasil” (misturada com o tema racista “Nega do Cabelo Duro”, de Rubens Soares com o também-jornalista David Nasser), as “Águas de Março” fechando o verão (até mesmo na Cantareira).
1975, 1976. Fechadas as comportas do BraSZil-exaltação, há quem tente a brecha latino-americana – e a Latino América é toda ditaduras. ”América do Sul”, com Ney Matogrosso. “Los Hermanos” e “Gracias a la Vida”, com Elis. “Volver a los 17″, com Milton Nascimento (e Mercedes Sosa). “Soy Latino Americano”, com Zé Rodrix. Não vai durar muito a latino-ostentação.
Vem a reação pós-tropicalista ao “ame-o e deixe-o”, e a exaltação já não é a um país ou a um continente: “O seu amor, ame-o e deixe-o livre para amar”, “o seu amor, ame-o e deixe-o ir aonde quiser”, ”o seu amor, ame-o e deixe-o brincar, correr, cansar, dormir em paz”, cantaram os Doces Bárbaros Caetano, Gal, Gilberto e Maria Bethânia.
Anos 1980, 1990. O yuppismo norte-americanizado invade as redações moderninhas do eixo Tradição-Família-Propriedade, do eixo Rio-São Paulo. Gravadoras multinacionais, Organizações Globo e Folha de São Paulo manietam a indesejada redemocratização, e deus-nos-livre de qualquer ufanismo nem exaltação: “A gente somos inútil!”. Leonel Brizola. Luiz Inácio Lula da Silva. Fernando Collor. Prepara-se o ~consenso~ neoliberal. (“Falsa Baiana”, 1944, de Geraldo Pereira.) Fernando Henrique Cardoso.
“Sinais de vida num país vizinhEUA, eu já não ando mais sozinhEURO”, “bichos escrotos, saiam dos esgotos”, “se cheira pra todo lado: que país é este?”, “quem são os ditadores do partido colorado?, o que é democracia ao sul do Equador?, quem são os militares ao sul da cordilheira?, quem são os assassinos dos índios brasileiros?, quem são os estrangeiros que financiam o terror em Parador?”, “mostra tua cara!”. Renato Russo, Cazuza, Marina Lima, Titãs, Ira!, Paulo Ricardo, Roger Moreira, Lobão: proibidão-exaltação.
É proibido (se) exaltar. É proibido ufanar. Canção de protesto é proibida – além de ser cafona, chata, panfletária. O neoliberalismo jornalístico musical braZilEUA exalta Blur e Oasis enquanto massacra o amor-próprio e a auto-exaltação-ostentação, devidamente garroteado pelo ideário político dos chefes mais ~altos~ das redações (e, evidentemente, dos patrões e dos patrõe$ dos patrões).
É proibido protestar contra o BraZil porque é proibido exaltar o BraSil porque é proibido ostentar o orgulho braSileiro porque as canções de protesto Geraldo Vandré e Mano Brown e Marcelo Yuka são chatas cafonas fanáticas panfletárias ~esquerdinhas~.
Esmorecida(s), a(s) ditadura(s) faz(em) últimos refúgios nas redações, no Jornal Nacional, na OMB, na OAB, na TFP, no CCC, na monarquia, na sujeição a Washington. As ditaduras encolhem, mas vigoram.
A exaltação migra para o corpo: pagode, lambada, fricote, axé music, forró, brega. Segura o Tchan, amarra o tchau, libera o tchau! Quem não gosta do corpo bom sujeito não é – e, nos nichos de ditadura, é proibido gostar do corpo.
Então Luiz Inácio Lula da Silva, então Gilberto Gil & Juca Ferreira no Mini(mi)stério das Culturas, então Dilma Rousseff.
Então o rap. O funk. O tecnobrega. O forró eletrônico. O lambadão. O sertanejo universitário. O Teatro Mágico. A tchê music. O funk do pré-sal (canção 104 abaixo). O funk-ostentação. O funk brasileiro. (Os MCs assassinados pelo aparato civil-militar paulista.)
Enquanto a MPB é sistematicamente (auto)calada pelas ditaduras midiáticas, o BraSil profundo SE exalta, à margem das desmaiadas gravadoras e das moribundas redações. A Globo se debate para submeter Gaby Amarantose MC Guime - esse jogo não pode ser zero a zero!
O sinal permanece fechado para nós que somos velhos, mas está novamente aberto para nós que somos jovens.
Mas está aberto, ou está fechado, o velho sinal de Paulinho da Viola?
Por que, em plena Copa do Mundo do BraSil, a música braSileira guarda uma mordaça atada à face por entre black blocs e anonymous e rappers brancos norte-americanos vestidos de pula-brejo numa cerimônia junina que sabota a neurociência braSileira?
Por que as arenas de futebol estão invadidas e dominadas e domadas por caras-pálidas fantasiados de verde e amarelo (as cores que, na maior parte do tempo, os caras-pálidas odeiam)?
Por que não toca música brasileira na Copa da mais pujante DEMOCRACIA que já tivemos?
Quando foi que, neste longo caminho, nos auto-interditamos de exaltar, de nos exaltar e de (por que não?) exaltar os nossos contra-irmãos?
Junho de 2014, BraSil braZileiro. (Assis Valente, mulato baiano homossexual suicida.) A mídia BraZil braZileuro braZilEUA, após quatro anos ininterruptos de profecia do caos, assassina Mãe Menininha do Gantois e se consuma na recém-falecida Mãe Dinah.
#NãoVaiTerCopa. PSOL. Marina Silva. Bradesco, Natura, Itaú-Kaiowá. Caos aéreo. Caos energético. Caos terrestre. (Caos hídrico ou metroviário, jamais!) Caos subterrâneo. CAAAAAAAOOOOOOOOOOZ BRAZYLEYRO!!!!!! Glauber Rocha, Sérgio Ricardo, Jorge Mautner. Profeta Gentileza (gera gentileza).
E o mundo chega ao BraSZil. A mídia braZileura anunciara e garantira que não ia chegar, mas chegou.
Se em 1970 braSileiros se exilavam no chamado ~Primeiro Mundo~ e levavam para fora notícias da tortura braZilEUA, hoje é o mundo que vem aqui nos visitar e contar para nós-braSileiros e eles-braZileiros que o BraSil é UM POUCO diferente daquilo que os anfitriões da festa & $eu$ patrõe$ andaram pintando. Um pouco. Diferente. Ronaldo, fenômeno de vergonha alheia (ou não-alheia, porque NOSSA).
Nas ruas, florestas e praias amazonenses, gaúchas, cariocas e baianas do Bra$il, holandeses, argentinos, ingleses e croatas fazem o carnavalito para bailar. Nós-braSileiros, por enquanto, assistimos de braços meio cruzados o inesperado, surpreendente, inimaginável espetáculo que nós mesmos proporcionamos. Sem ostentação. Sem exaltação. Sem exaltar. Sem NOS exaltar. Agora antimacunaímicos. Porque vivemos numa democracia plena que (ainda) nos proíbe de (nos) exaltar.
P.S. 100% leigo sobre futebol: merece ganhar a Copa do Mundo um país que não se ufana, não se exalta, não se emociona, não se orgulha de si e não mergulha de cabeça nas suas paixões? Particularmente, acho que não merece…
P.S. 50% leigo sobre música: segue abaixo uma radiola sonora (a música) e uma listagem escrita (o jornalismo) de 108 canções ufanistas (a política) de BraSil-exaltação (o esporte) de samba-ostentação (a cultura). Podiam ser 1.008. Ou 10.008. Ou quantas os srs. e sras. compositoras decidam nos presentear dora dora dora em diante. (...).
(Para continuar, clique AQUI).
................
"P.S. 100% leigo sobre futebol: merece ganhar a Copa do Mundo um país que não se ufana, não se exalta, não se emociona, não se orgulha de si e não mergulha de cabeça nas suas paixões? Particularmente, acho que não merece…"
Será? Armaram um clima de catastrofismo como forma de inibir a emoção, o orgulho, a paixão do brasileiro pelo Brasil. Mas não há garantia de que tal clima deprê perdure. De repente, a euforia poderá (re)tomar os corações e as ruas, para desolação de 'formadores' diversos, colunistas, comentaristas, especialistas, sumidades e cartunistas espalhados do Oiapoque ao Chuí.
................
"P.S. 100% leigo sobre futebol: merece ganhar a Copa do Mundo um país que não se ufana, não se exalta, não se emociona, não se orgulha de si e não mergulha de cabeça nas suas paixões? Particularmente, acho que não merece…"
Será? Armaram um clima de catastrofismo como forma de inibir a emoção, o orgulho, a paixão do brasileiro pelo Brasil. Mas não há garantia de que tal clima deprê perdure. De repente, a euforia poderá (re)tomar os corações e as ruas, para desolação de 'formadores' diversos, colunistas, comentaristas, especialistas, sumidades e cartunistas espalhados do Oiapoque ao Chuí.
COPA 2014: A COPA DAS COPAS
Francesa em Salvador: "Brasil, o melhor anfitrião da história da Copa do Mundo"
Copa do Brasil. E do Chile, da Colômbia, da Costa Rica...
Por João de Andrade Neto
O mundo já se rendeu: o Brasil organiza, em 2014, a Copa das Copas. Isso não é um simples bordão. É a explicação da festa que acontece no país, dentro e fora de campo. E não só por parte dos brasileiros, mas sim de povos de todo o mundo. Em especial, dos latinos.
A Copa do Mundo não é sobre aeroportos e estádios. Os ingleses já viram isso. Aliás, tudo acontece com sucesso. O Mundial é, sim, sobre a diversidade cultural, sobre a recepção calorosa que as seleções tiveram, sobre as belezas naturais, sobre um Mundial diferente de todos os outros. É sobre alemão dançando com índio, holandês tomando caldo na praia, inglês jogando capoeira.
Os vizinhos entenderam a grandeza do evento e ‘invadiram’ o Brasil. Os argentinos chegaram aos milhares ao Rio de Janeiro. Chilenos e colombianos cantam seus hinos de forma empolgante nos estádios. Até os mexicanos fizeram barulho contra a maioria brasileira em Fortaleza.
E, dentro de campo, os países americanos sobram. É a Copa do Brasil, mas também é a Copa do Chile, da Colômbia, do Uruguai, da Costa Rica, da Argentina, do México. Até dos Estados Unidos, se formos mais longe.
Há algo mais emocionante que a festa da zebra costa-riquenha, classificada no ‘grupo da morte’? A passagem de fase é como um título para o país da América Central. É tanto choro e tamanha comemoração que fica impossível manter-se indiferente. Eliminaram os ingleses e podem ver a tradicional Itália também fora.
Para isso acontecer, só depende do Uruguai. A aguerrida Celeste ressurgiu após a antológica volta de Luisito Suárez, craque do time e que se recuperou em tempo recorde para salvar os uruguaios da precoce desclassificação e enfrentar a Itália com grande chance de avançar.
O Chile fez ainda melhor. Jogou bem e mandou a atual campeã Espanha para casa. A Colômbia lidera o grupo C e já está classificada, mesmo sem seu melhor jogador – o lesionado Falcão Garcia – e com James Rodrigues em grande fase. É candidata a chegar longe.
A Argentina tem caminho fácil em seu grupo e conta com um elenco estelar, com Messi faminto por um triunfo com a seleção. É favorita ao título, ao lado de Brasil e Alemanha. O único sul-americano que encontra dificuldades – já esperadas – é o Equador, que não deve conseguir avançar. (Nota deste blog: o Equador venceu há pouco Honduras, pelo placar de dois a um, e jogará contra a França a chance de classificação).
Na América do Norte, o México mostrou força ao parar o Brasil e pode conseguir vaga nas oitavas. Os EUA, que evoluem a cada Copa, estrearam bem e são capazes de eliminar Portugal, do midiático craque Cristiano Ronaldo.
Resultados à parte, essa é uma Copa, acima de tudo, divertida. Tem a cara do Brasil. Dentro de campo, com jogos em bom nível e alta média de gols. Fora dele, animação e festa em todas as cidades. Quem apostava no fracasso do Mundial, a turma do ‘Não vai ter Copa’, agora tem motivos para colocar capuz preto na cabeça. Não para protestar, mas por vergonha de seu pessimismo colonial. (Foto: aqui).
Copa do Brasil. E do Chile, da Colômbia, da Costa Rica...
Por João de Andrade Neto
O mundo já se rendeu: o Brasil organiza, em 2014, a Copa das Copas. Isso não é um simples bordão. É a explicação da festa que acontece no país, dentro e fora de campo. E não só por parte dos brasileiros, mas sim de povos de todo o mundo. Em especial, dos latinos.
A Copa do Mundo não é sobre aeroportos e estádios. Os ingleses já viram isso. Aliás, tudo acontece com sucesso. O Mundial é, sim, sobre a diversidade cultural, sobre a recepção calorosa que as seleções tiveram, sobre as belezas naturais, sobre um Mundial diferente de todos os outros. É sobre alemão dançando com índio, holandês tomando caldo na praia, inglês jogando capoeira.
Os vizinhos entenderam a grandeza do evento e ‘invadiram’ o Brasil. Os argentinos chegaram aos milhares ao Rio de Janeiro. Chilenos e colombianos cantam seus hinos de forma empolgante nos estádios. Até os mexicanos fizeram barulho contra a maioria brasileira em Fortaleza.
E, dentro de campo, os países americanos sobram. É a Copa do Brasil, mas também é a Copa do Chile, da Colômbia, do Uruguai, da Costa Rica, da Argentina, do México. Até dos Estados Unidos, se formos mais longe.
Há algo mais emocionante que a festa da zebra costa-riquenha, classificada no ‘grupo da morte’? A passagem de fase é como um título para o país da América Central. É tanto choro e tamanha comemoração que fica impossível manter-se indiferente. Eliminaram os ingleses e podem ver a tradicional Itália também fora.
Para isso acontecer, só depende do Uruguai. A aguerrida Celeste ressurgiu após a antológica volta de Luisito Suárez, craque do time e que se recuperou em tempo recorde para salvar os uruguaios da precoce desclassificação e enfrentar a Itália com grande chance de avançar.
O Chile fez ainda melhor. Jogou bem e mandou a atual campeã Espanha para casa. A Colômbia lidera o grupo C e já está classificada, mesmo sem seu melhor jogador – o lesionado Falcão Garcia – e com James Rodrigues em grande fase. É candidata a chegar longe.
A Argentina tem caminho fácil em seu grupo e conta com um elenco estelar, com Messi faminto por um triunfo com a seleção. É favorita ao título, ao lado de Brasil e Alemanha. O único sul-americano que encontra dificuldades – já esperadas – é o Equador, que não deve conseguir avançar. (Nota deste blog: o Equador venceu há pouco Honduras, pelo placar de dois a um, e jogará contra a França a chance de classificação).
Na América do Norte, o México mostrou força ao parar o Brasil e pode conseguir vaga nas oitavas. Os EUA, que evoluem a cada Copa, estrearam bem e são capazes de eliminar Portugal, do midiático craque Cristiano Ronaldo.
Resultados à parte, essa é uma Copa, acima de tudo, divertida. Tem a cara do Brasil. Dentro de campo, com jogos em bom nível e alta média de gols. Fora dele, animação e festa em todas as cidades. Quem apostava no fracasso do Mundial, a turma do ‘Não vai ter Copa’, agora tem motivos para colocar capuz preto na cabeça. Não para protestar, mas por vergonha de seu pessimismo colonial. (Foto: aqui).
O ÚLTIMO TRUNFO DOS CONSERVADORES
Por que a direita anda mais raivosa do que nunca?
Por Antonio Lassance
Faz tempo que as campanhas eleitorais são espetáculos dantescos, movidos por baixarias sem limites. Enquanto o Tribunal Superior Eleitoral fica muitas vezes cuidando da perfumaria, os dinossauros reinam.
Mas há algo de novo nesta campanha.
A começar do fato de que boa parte da perversidade de campanha seguia, antes, o seguinte roteiro: denúncias na imprensa, primeiro em jornais e revistas, que depois se propagavam na tevê e no rádio e, finalmente, ganhavam a rua pela ação dos cabos eleitorais.
Agora, o roteiro é: denúncias pela imprensa, mas divulgadas primeiro via internet; propagação pelas redes sociais; repetição pela tevê e pelo rádio e, por último, sua consolidação pelo colunismo e editorialismo da imprensa tradicional.
Embora essa imprensa ainda seja, normalmente, a dona da informação, seu impacto é cada vez menos medido pela audiência do próprio meio - que anda em declínio em praticamente todos os veículos tradicionais - e mais pela sua capacidade de propagação pela internet - blogs, redes sociais e canais de vídeo, principalmente pelo Youtube. E a versão que se propaga da notícia acaba sendo tão ou mais importante do que a notícia em si.
Antes, as pesquisas de opinião calibravam os rumos das campanhas. Nesta eleição, a internet é quem tende a ditar o ritmo. As pesquisas vão servir para aferir, tardiamente, o impacto de alguns assuntos que ganharam peso na guerrilha virtual.
Antes, o trabalho de amaldiçoar pra valer os adversários políticos era feito pelos cabos eleitorais que batiam de porta em porta. Agora, os cabos eleitorais que caçam votos perambulam pelos portais de internet, pelos canais de vídeo e entram nos endereços dos eleitores pelas redes sociais.
Uma outra diferença, talvez tão decisiva quanto essa, é que a direita resolveu aparecer. Antes, o discurso da direita era de que não existia mais esse negócio de "direita x esquerda".
A direita, finalmente, saiu do armário e anda mais raivosa do que nunca. Em parte, a raiva vem do medo de que, talvez, ela tenha perdido o jeito de ganhar eleições e de influenciar os partidos.
Por outro lado, a direita imagina que a atual campanha petista está mais vulnerável que em outras épocas. A raiva é explicada, nesse aspecto, pelo espírito de "é agora ou nunca".
Os bombardeios midiáticos raivosos têm assumido feições mais pronunciadamente ideológicas.
Ao contrário de outras eleições, os ataques têm não só mentiras, xingamentos e destemperos verbais de todos os tipos. Têm uma cara de pensamento de direita.
Querem não apenas desbancar adversários. Querem demarcar um campo.
Não é só raiva contra um partido. É ódio de classe contra tudo e contra todos os que se beneficiam (e nem tanto quanto deveriam) de algumas das políticas governamentais.
É ódio contra sindicatos de trabalhadores, organizações comunitárias, movimentos de excluídos (Sem Terra, Sem Teto), grupos em defesa de minorias e de direitos humanos que priorizam a crítica a privilégios sociais e aos desníveis socioeconômicos mais profundos.
A mídia direitista tem desempenhado um papel central. Sua principal missão é orientar os ataques para que eles tenham consequência política e ideológica no seio da sociedade brasileira.
Como sempre, a mídia é diretamente responsável por articular atores dispersos e colocá-los em evidência, conforme uma pauta predeterminada.
Embora seja uma característica recorrente, no Brasil, a mídia tradicional comportar-se como partido de oposição, nos últimos anos ela parece seguir uma nova estratégia.
Os barões das grandes corporações midiáticas brasileiras, com a ajuda de seus ideólogos, perceberam que, para haver uma oposição de direita forte, é preciso formar uma ampla opinião pública direitista.
Antes mesmo de cobrar que os partidos se comportem e assumam o viés de direita, é preciso haver uma base social que os obrigue a agir enquanto tal.
A mídia tradicional entendeu que os partidos oposicionistas são erráticos em seus programas e na sua linha política não por falta de conservadorismo de suas principais lideranças, mas pela ausência de apelo social em sua pregação.
Em função disso, coisas como o Instituto Millenium se tornaram de grande importância. O Millenium tem, entre seus mantenedores e parceiros, a Abert (controlada pelas organizações Globo) e os grupos Abril, RBS e Estadão. O instituto é também sustentado por outras grandes empresas, como a Gerdau, a Suzano e o Bank of America.
O Millenium tenta fazer o amálgama entre mídia, partidos e especialistas conservadores para gerar um programa direitista consistente, politicamente atraente e socialmente aderente.
O colunismo midiático, em todas as suas frentes, é outro espaço feito sob medida para juntar jornalistas, especialistas e lideranças partidárias dedicadas a reforçar alguns interesses contrariados por algumas políticas públicas criadas nos últimos 12 anos.
A estratégia midiática de reinvenção da direita brasileira representa, no fundo, uma tentativa desesperada e consciente dessa mesma mídia de reposicionar-se nas relações de poder, diante da ameaça de novos canais de comunicação e de novos atores que ganharam grande repercussão na opinião pública.
Com seu declínio econômico e o fim da aura de fonte primordial da informação, o veneno em seus anéis tornou-se talvez seu último trunfo no jogo político. (Fonte: aqui).
................
O Instituto Millenium não atua solitariamente. Na realidade, é como se cada um dos atores (redes sociais, associações, grandes jornais e corporações midiáticas) atuasse como efetivo think tank (veja aqui): o importante é agir com disciplina, construindo versões próprias dos fatos (distorcendo-os sem limites) e combatendo sem tréguas os oponentes - entre os quais o próprio Brasil.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
O PAPA E A CONJUNTURA ATUAL (E PASSADA)
Papa Francisco: "O sistema econômico já não se aguenta mais"
Papa falou sobre "uma cultura do descarte" e observou que "agora também está na moda descartar os jovens com o desemprego".
O Papa Francisco assegurou ontem que o sistema econômico mundial "já não aguenta mais". Em uma entrevista concedida ao jornal espanhol La Vanguardia, o Sumo Pontífice afirmou que, no centro de todo sistema econômico, devem estar o homem e a mulher, mas, em contrapartida, "nós colocamos no centro o dinheiro, o deus dinheiro". O líder da Igreja Católica, de 77 anos, falou sobre uma "cultura do descarte" e observou que "agora também está na moda descartar os jovens com a desocupação. Fico muito preocupado com o índice de desemprego dos jovens, que em alguns países supera os 50%", afirmou o Papa argentino.
"Ao manter um sistema econômico que já não se aguenta mais, descartamos toda uma geração", sentenciou Francisco, que denunciou que "as grandes economias mundiais sacrificam o homem sob os pés do ídolo dinheiro". Além disso, defendeu que "caímos em um pecado de idolatria, a idolatria do dinheiro", por meio da qual se descarta também os idosos, porque "já não produzem mais". Em declarações com um apurado senso crítico em relação ao poder econômico mundial, o Pontífice alertou também sobre os perigos de "uma globalização mal entendida que anula as diferenças" diante de uma globalização bem entendida que gere riqueza. "Todos juntos, mas cada qual conservando sua particularidade, sua riqueza, sua identidade, mas isso não acontece", assegurou.
Nessa mesma linha, também lembrou como os desequilíbrios econômicos criaram áreas de imensa pobreza na América Latina, ao receber ontem os membros do Conselho de Administração da Fundação Populorum Progressio para a América Latina. "Quantos danos não causam a cultura do descarte, a economia da exclusão e da desigualdade. Vemos isso também na América Latina, onde os desequilíbrios econômicos criaram áreas de imensa pobreza", ressaltou o Papa.
Essa fundação, criada por João Paulo II em 1992 para gerir projetos na América Latina, depende do Pontifício Conselho “Cor Unum”, que se encarrega das obras de caridade do Papa, que em seu discurso instou os cristãos a se dedicar à caridade e à justiça. "Os fiéis laicos estão convocados para participar nos âmbitos sociais, econômicos e políticos para favorecer processos que permitam erradicar as causas da desigualdade", acrescentou.
Francisco rechaçou "a violência em nome de Deus" no Oriente Médio ou em outras partes, já que, assegurou, "é uma contradição que não corresponde ao nosso tempo e leva as religiões a contradições muito graves" – como, por exemplo, ao fundamentalismo. "As três religiões temos nossos grupos fundamentalistas, que são pequenos em relação a todo o resto", acrescentou o pontífice, ressaltando que o fundamentalismo tem uma natureza violenta.
“Para mim, a grande revolução é ir às raízes, reconhecê-las e ver o que essas raízes têm que dizer no dia de hoje”, observou Francisco quando foi perguntado se era ou não um revolucionário. “Não há contradição entre revolucionário e ir às raízes. Mais ainda, acredito que a maneira para que as mudanças sejam verdadeiras é a identidade. Nunca se pode dar um passo na vida se este não vem de trás, sem saber de onde venho, que sobrenome eu tenho, que sobrenome cultural ou religioso eu tenho”, defendeu Jorge Bergoglio.
O Papa também se referiu à relação da Igreja Católica com outras religiões. Durante a entrevista, deu sua opinião sobre o antissemitismo e criticou quem nega o genocídio nazista. “Não saberia explicar por que isso acontece, mas acredito que está no geral muito ligado, mas sem que isso seja uma regra fixa, às direitas. O antissemitismo costuma se aninhar melhor nas correntes políticas de direita do que nas de esquerda, não?”. E continua: “Inclusive, ainda tem quem negue o Holocausto, uma loucura”.
Francisco também se comprometeu a abrir os arquivos do Vaticano sobre o Holocausto. “Nesse tema, me preocupa a figura de Pio XII, o Papa que liderou a Igreja durante a Segunda Guerra Mundial. Tiraram o pobre Pio XII de cima de tudo. Mas é preciso recordar que antes ele era visto como o grande defensor dos judeus. Ele escondeu muitos deles nos conventos de Roma e de outras cidades italianas, e também na residência estival de Castel Gandolfo. Ali, na casa do Papa, em sua própria cama, nasceram 42 crianças, filhos de judeus e outros perseguidos ali refugiados. Não quero dizer que Pio XII não tenha cometido erros – eu mesmo cometo muitos –, mas seu papel deve ser levado em conta segundo o contexto da época”, disse.
“Seria melhor, por exemplo, que não se falasse para que não matassem mais judeus do que mataram? Também quero dizer que, às vezes, me dá um pouco de urticária existencial quando vejo que todos se voltam contra a Igreja e contra Pio XII, esquecendo-se das grandes potências. Os senhores sabiam que elas conheciam perfeitamente a rede ferroviária dos nazistas para levar os judeus aos campos de concentração?”. (Fonte: aqui).
Assinar:
Postagens (Atom)































