sábado, 12 de setembro de 2026

DESTAQUE DA PIAUÍ

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Rev. PIAUÍ

Há sete meses, o Supremo Tribunal Federal recebeu um relatório de 196 páginas sobre as relações do ministro Dias Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro. O relatório, assinado por quatro delegados da Polícia Federal, foi entregue ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, e submetido à análise de todos os membros da corte. Em reunião sigilosa, os ministros concluíram que o relatório era imprestável – “um nada jurídico”, na expressão de um deles, ou “um lixo jurídico”, no dizer de outro. Resolveram engavetá-lo e poupar Toffoli. O relatório foi então mantido em sigilo. Mesmo André Mendonça, que na semana passada divulgou um relatório semelhante sobre as relações promíscuas de Alexandre de Moraes com Vorcaro, concordou em proteger Toffoli e manter o documento em segredo.

Agora, a piauí teve acesso à íntegra do relatório. Em uma cobertura especial, os repórteres Breno Pires, Ana Clara Costa e João Batista Jr. detalham as principais revelações do documento. Entre elas, a suspeita da PF de que Toffoli seja o beneficiário final de um fundo que recebeu 35 milhões de reais de Vorcaro. Há também novos detalhes sobre a convivência do banqueiro com autoridades, incluindo ministros do STF, com direito a uma degustação de uísques em Londres a um custo de 3,3 milhões de reais e uma festa só com “novinhas” em São Paulo.

Você pode acessar aqui a página da cobertura especial no site da piauí. Abaixo, as reportagens que enfocam diferentes pontos do relatório sigiloso.


O BANQUEIRO, O MINISTRO E O FUNDO    



No começo do ano, foi revelada uma transação milionária entre dois irmãos de Toffoli e Daniel Vorcaro, que comprou deles uma parte do resort Tayayá, no Paraná. Agora, o relatório obtido pela piauí mostra que a PF suspeita que Toffoli, e não seus irmãos, seja “o beneficiário final” ou o “proprietário de fato” do Arleen, o fundo de investimento que recebeu os 35 milhões de reais de Vorcaro. O dinheiro, como mostra o relatório, foi parar nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal no Caribe. 

O relatório traz ainda outra suspeita grave: a de que Vorcaro possa ter influenciado o voto de Toffoli numa causa sobre precatórios do setor sucroalcooleiro de modo a beneficiar o banqueiro. Em nota enviada à piauí, Toffoli negou as duas suspeitas levantadas pela PF. Afirmou que “jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior” e disse não ter feito qualquer “alteração de voto”.

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O relatório sobre Dias Toffoli mostra, em detalhes, como se davam as interações entre o ministro e Daniel Vorcaro. A PF analisou dezessete contatos telefônicos entre os dois e cruzou as ligações com mensagens em que o banqueiro e seus interlocutores tratavam de encontros, negócios, festas e viagens envolvendo ministros do STF e parlamentares. Foram identificados também doze encontros marcados entre o Toffoli e Vorcaro. Um deles aconteceu em Londres, onde o banqueiro custeou, por 3,3 milhões de reais, uma degustação especial de uísque Macallan.

Entregue a Fachin em fevereiro deste ano, o relatório tem semelhanças importantes com outro documento produzido pela PF, desta vez sobre Alexandre de Moraes, cujo sigilo foi levantado por André Mendonça na semana passada, desencadeando uma crise sem precedentes no STF. Os delegados que assinam os dois relatórios são os mesmos. A fonte das informações também: o celular apreendido de Vorcaro. A metodologia e a estrutura se repetem. Por que, então, o relatório sobre Toffoli não recebeu o mesmo tratamento e a mesma divulgação por parte de Mendonça?

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As festas promovidas por Daniel Vorcaro serviam para estreitar suas relações com figuras poderosas da República. Um desses eventos, detalhado agora pela piauí, aconteceu em 2023. Foi uma festa de Halloween na boate Madame Satã, em São Paulo, com um público seleto e sigilo total. Ex-ministro de Jair Bolsonaro, Fábio Faria ficou responsável por convidar alguns poucos homens – entre eles, Davi Alcolumbre, Rodrigo Pacheco e Dias Toffoli. Os três negam ter ido à festa.

Vorcaro tinha preferência por determinado tipo de mulheres para lotar a pista de dança: “Só menina nova.” No fim, a festa teve uma proporção de 20 homens para 120 mulheres, muitas delas recrutadas em agências de modelos. A música ficou por conta de DJs célebres, como o brasileiro Vintage Culture e os suecos do Swedish House Mafia. Ninguém podia usar celulares, retidos na porta do evento. Mas uma convidada desrespeitou a regra, produzindo imagens que foram parar no relatório da Polícia Federal e provocaram a ira de Vorcaro.  -  (Fonte: Aqui).

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