terça-feira, 15 de maio de 2012

HAICAI GREGO


Aroeira.

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quem tem senso deplora:
depois de arrebentar com tudo
neoliberalismo extrapola

NEYMAR E O SANTOS, COM P DE PEIXE


Mário Alberto.


Fausto.

CPMI: CACHOEIRA GANHA TEMPO


Luscar.

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Ironias à parte, o certo é que pareceu açodada a convocação de Cachoeira: procuradores que conhecem detalhes importantes das investigações, por exemplo, estavam escalados para ser ouvidos somente depois do contraventor, e, mais: consta que só cerca de 20% dos integrantes da CPMI conhecem plenamente o conteúdo das peças oferecidas a exame, sendo que há novos documentos apreendidos que a própria PF ainda está a analisar...

LIXO ESPACIAL


Eray Ozbek.

EUA: CENAS DO CASAMENTO

Charge de Bennett.

Barack Obama declarou que as pessoas de mesmo sexo que pretendam se casar, devem casar-se, o que vem despertando reações as mais diversas, transitando da estupefação ao escárnio (notadamente no chamado Cinturão Bíblico), com passagem pelo aplauso, e que certamente vai render muito pano pra manga. 

Aproveito para reproduzir artigo escrito por Lúcia Guimarães, que li no Conteúdo Livre:

Gays, raça, classe e religião

Nova York - Na quarta-feira passada, quando Barack Obama garantiu mais uma vaga na história ao defender o casamento entre pessoas do mesmo sexo, Cory Booker, o popular prefeito negro de Newark, disparou pelo Twitter: vou dar entrevista, assim "que eu parar de dançar".

A importância do anúncio feito por Obama ainda é muito recente para ser compreendida, mas, que tal mandarmos o cinismo dar uma volta ali na esquina? Podemos, por um momento, deixar de lado o escrutínio do cálculo político que fez com que o presidente assumisse o risco de alienar eleitores-chave em novembro?

Imagine se um político racista conseguisse introduzir um plebiscito na Carolina do Sul, onde a bandeira confederada, símbolo da luta contra a abolição da escravatura, continua desfraldada na capital. O dito plebiscito perguntaria aos eleitores se a proibição das práticas eleitorais que impediam negros de votar e o fim da segregação em escolas públicas, conquistas do Ato de Direitos Civis de 1964, devem ser revogadas. Não tenho dúvidas de que ficaríamos chocados com o número de votos a favor da volta da segregação racial.

Esse plebiscito, felizmente, não vai acontecer e sugiro o exercício da imaginação apenas para argumentar que direitos civis não devem ser submetidos ao varejo nas urnas, especialmente num mês em que um partido nazista conquistou 20 assentos no parlamento do berço da democracia ocidental.

E, numa semana em que a Carolina do Norte aprovou uma emenda constitucional para impedir que o casamento gay seja legalizado entre suas fronteiras, tenho um recado para quem acha que os homossexuais americanos são elitistas brancos e antidemocráticos, refestelados em privilégio na Califórnia e em Nova York. Somente 34% dos eleitores compareceram às urnas para votar a odiosa emenda. A mobilização conservadora é muito mais intensa, o que, de acordo com o respeitado Pew Research Center, fez com que a maioria dos Estados americanos que lançaram plebiscitos locais tenha banido o casamento gay. Ou seja, quem não se opõe ao casamento gay tende a ficar em casa, revelam os números do Pew.

A "evolução de opinião" sobre o assunto, que Barack Obama alega, é refletida numa das mais incomuns evoluções estatísticas nos Estados Unidos. Em 1996, 65% da população geral se manifestava contra o casamento gay, 27% a favor. Uma nova pesquisa do Pew revela 47% a favor, 43% contra. O anúncio de quarta-feira acendeu os púlpitos das igrejas protestantes americanas. Sabemos que a Proposition 8, passada há quatro anos para banir o casamento gay na Califórnia, contou com quase 60% de apoio dos negros, mobilizados por seus pastores.

Mais de 95% dos negros americanos votaram em Obama em 2008 e continuaram a apoiar o presidente, apesar de constituir a minoria mais punida pelo crash de 2008. A mídia americana, predominantemente branca, voltou a sugerir que os negros são homofóbicos e vão ficar em casa em novembro. Aposto minha coleção de CDs do Paulinho da Viola que eles vão votar em massa em Barack Obama.

Sim, a cara da militância gay americana ainda é um homem branco de meia-idade e de classe média alta. Os líderes religiosos que demonizam a estabilidade de famílias lideradas por pessoas do mesmo sexo fariam por bem observar que 66% das crianças negras americanas são criadas por mães ou pais solteiros. Entre os brancos, esse número cai para 24%. Sim, são principalmente os brancos afluentes que insistem no burguês direito de se casar. Um negro que vive abaixo da linha da pobreza terá mais dificuldade de apresentar um companheiro à família e esta é uma fonte de distorção estatística. Mas, em vez de contemplar o fato com escárnio, podemos lembrar que Obama mudou de opinião sob pressão de Michelle e das filhas Sasha e Malia. As meninas frequentam colegas de escola que são criadas por gays e lésbicas e aproximaram o pai do absurdo da intolerância. Quanto mais as pessoas convivem com gays assumidos e ajustados, maior a tolerância.

Graças a um gesto simbólico do primeiro presidente negro americano, um gesto que não implica burocracia ou imposição legal, quantas famílias estarão, hoje à noite, fazendo as pazes?  (Fonte: aqui).

segunda-feira, 14 de maio de 2012

INTERNET NO TOPO


(Do blog do Berzé).

CPMI DO NON SENSE


Amorim.

CACHOEIRA PÕE E DEPÕE


Aroeira.

O'NEILL: BRASIL, BRICS ETC


"O Brasil não depende do mundo". "O mundo mudou e está mais forte"

Paulo Henrique Amorim

O jornal Brasil Econômico publica nas págs. 6 e 7 importante entrevista de Jim O’Neill sobre o Brasil.

Ele é presidente do banco americano Goldman Sachs e criador do acrônimo “BRICs”, para designar os países que, reunidos, breve, vão liderar a economia mundial: Brasil, Rússia, India e China (além de África do Sul - domacedo.blogspot).

Como se sabe, o "neolibelismo" brasileiro, os nossos Urubólogos, não tratam do O’Neill nem dos BRICs.

No jornal nacional, então, nem se fala.

Logo agora que a Globo criou a editoria “o Brasil é uma m…”, que espalha desgraça por todos seus telejornais.

No recente livro “The Growth Map” O’Neill conta que veio apresentar o conceito dos BRICs no Brasil.

E foi ferozmente pressionado POR BRASILEIROS para excluir o “B” do grupo.

Era o início do Governo do Nunca Dantes e muitos brasileiros – quem, amigo navegante? – queriam que o Brasil e o Nunca Dantes se explodissem.

Aí, como não levasse os interlocutores a sério, comprou Reais.

Manteve o “B” no primeiro lugar e se lamenta que teve de vender os Reais.

A moeda que mais se valorizou no periodo.

Por que será que a Urubóloga cita mais os irmãos Luiz de Barros e Carlos Mendonça que o O’Neill?

Leia a seguir trechos da entrevista – a reprodução não é literal – e veja que a Dilma acerta na mosca: o maior problema da fulgurante economia do “B” são os juros:

- Algumas economias importantes estão se recuperando, como os Estados Unidos, e a China fará um pouso suave.

- Os humores externos não vão influenciar tanto o Brasil.

- Existem quase 200 milhões de brasileiros, o que faz com o Brasil não dependa do mundo.

- O risco do Brasil são os juros.

- Para crescer 5%, 6% ao ano é preciso reduzir os juros.

- O que puxará o desenvolvimento será o investimento e não o comércio internacional de commodities.

- A principal diretriz de uma economia não é a moeda – embora o Real esteja valorizado -, mas a oferta e a demanda.

- É preciso manter a inflação baixa e ter uma forte disciplina fiscal.

- O mundo não está em crise, ele apenas está mudando rapidamente.

- A Europa não é o mundo.

- O Brasil chegou à posição de sexta economia do mundo dez anos antes do que pensei.

- A evolução dos BRICs está mais rápida do que qualquer um imaginou.

- O Brasil tem uma demografia muito favorável (muita gente em idade de trabalhar e consumir).

- A Alemanha terá cada vez mais dificuldades devido ao perfil demográfico.

- No combate à corrupção, o Brasil está indo melhor do que India, Rússia e China.

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Após tomar conhecimento da avaliação de O'neill sobre o Brasil - coisa que ele vem fazendo de tempos em tempos há mais de uma década - a gente passa a compreender por que certos analistas tupiniquins tanto se irritam com o jornalista.
Já PHA é PHA: não dá trégua - superando com folga O'neill no quesito "nível de antipatia entre os midiáticos iluminados".

domingo, 13 de maio de 2012

QUANDO POLICARPO CPIIZOU


"(...) Policarpo Junior já depôs numa CPI. Sabia? Pois é. Foi em 2005, a convite. Naquela ocasião, ele foi, todo sorridente. Nenhum editorial se levantou para dizer que aquilo era um atentado à liberdade de imprensa. Sabe por que, prezado internauta?

Porque Policarpo Junior, veja só, depôs como testemunha de defesa de um bandido. De defesa. Sabe de quem? Adivinhou: Carlos Cachoeira. O coitado estava sendo vítima de chantagem, declarou o aspone de bicheiro.

Segundo Policarpo, o então deputado André Luiz (sem partido-RJ) teria tentado extorquir R$ 4 milhões do bicheiro, para evitar que seu nome constasse no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito da Loterj, instaurada no ano anterior pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Não é muito cinismo? Para defender bandido, Policarpo pode depor. Para prestar esclarecimentos à sociedade, não."



(Marco Antonio Araujo, jornalista, no artigo "Policarpo, pede pra sair", no blog O Provocador, que pode ser acessado aqui. Policarpo Junior é um dos diretores de redação da revista Veja e foi, por muitos anos, chefe da sucursal da publicação em Brasilia. O trecho acima permite inferir que a propalada parceria Policarpo-Cachoeira se fortaleceu a partir da camaradagem relatada. A particularidade poderia muito bem integrar o rol das indagações a serem feitas a PJ na CPMI do Cachoeira).

DIA DAS MÃES (II)


Duke.

DIA DAS MÃES

Hans Godo Frabel.

MAMÃE, CORAGEM

mamãe, mamãe não chore
a vida é assim mesmo
eu fui embora
mamãe, mamãe não chore
eu nunca mais vou voltar por aí
mamãe, mamãe não chore
a vida é assim mesmo
eu quero mesmo é isto aqui
mamãe, mamãe não chore
pegue uns panos pra lavar
leia um romance
veja as contas do mercado
pague as prestações
- ser mãe é desdobrar fibra por fibra
os corações dos filhos,
seja feliz, seja feliz

mamãe, mamãe não chore
eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz
mamãe, seja feliz
mamãe, mamãe não chore
não chore nunca mais, não adianta
eu tenho um beijo preso na garganta
eu tenho um jeito de quem não se espanta
(braço de ouro vale 10 milhões)
eu tenho corações fora do peito
mamãe, não chore, não tem jeito
pegue uns panos pra lavar leia um romance
leia "Elzira, a morta virgem",
"o grande industrial".
eu por aqui vou indo muito bem
de vez em quando brinco carnaval
e vou vivendo assim: felicidade
na cidade que eu plantei pra mim
e que não tem mais fim
não tem mais fim
não tem mais fim

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Torquato Neto, 1968.
In "Torquato Neto ou A Carne Seca é Servida", de Kenard Kruel, páginas 272/3, editora Zodíaco, 3ª edição, a ser lançada em breve.

CACHOEIRA, O TAL


Alpino.

O DEGUSTADOR GERAL


Berzé.

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O talento da patroa no exercício da arte culinária é aferido diuturnamente pelo Degustador da República. Afinal, são cerca de quatro mil processos pendentes no âmbito da Degustadoria. Até aqui, muitas notas dez, algumas das quais com louvor, como o suculento prato "Vegas ao capricho", degustado há cerca de três anos (flagrante acima).

sábado, 12 de maio de 2012

GRÉCIA FORA DA UE, DO EURO, DE SI...


Nani.

DIA DAS MÃES


Paulo Urso. (Aqui).

LEI DE GÉRSON À RISCA


"(...) Para a Veja, pouco importava se o esquema de Carlinhos Cachoeira iria roubar mais, menos ou igual àqueles a quem a revista estava detonando no interesse do 'contraventor'. O que interessava é que sua associação ao criminoso lhe fornecia artilharia contra os inimigos de seus aliados políticos. Em síntese, esta é a lógica da associação promiscua e criminosa entre as partes.

Assim, seria mais produtivo ao senhor Eurípedes Alcântara, ao invés de tentar nos dar uma aula de boas práticas jornalísticas para justificar a relação da Veja com Cachoeira, simplesmente afirmar que a ética da revista é a mesma de Franklin Roosevelt. Certa feita um assessor do ex-presidente norte-americano o questionou sobre sua aliança com o sanguinário ditador nicaraguense Anastácio Somoza, afirmando que o mesmo não passava de um 'son of a bitch'. Roosevelt respondeu de bate-pronto que 'he's a son of a bitch, but he's our son of a bitch'. (...)"
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(Jorge Gregory, jornalista, consultor em gestão de educação superior, no artigo "A ética da Veja: ensinamentos de jornalismo ou de hipocrisia", cuja íntegra está aqui. Eurípedes Alcântara é diretor de redação da revista. Para mim, o texto acima é emblemático exemplo de compartilhamento da Lei de Gérson).

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O PROCURADOR SE EXPLICA


Aroeira.

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Entreouvido nos bastidores judiciais: "Ele pode até ter sido desidioso, mas é um fenômeno na arte de produzir biombos."

PUNIÇÃO AO TRABALHO ESCRAVO: ADIADA CRIAÇÃO DA LEI


Alecrim.

VELOCIDADE INTERNET


Internet/redes sociais se ampliam no Brasil em ritmo acelerado, mas levantamento da firma Akamai, especializada em infraestrutura, deixa a velocidade de conexão brasileira em 40º lugar, entre os 50 países com mais acessos à rede.

Pena que não haja informação sobre a velocidade de conexão por região do País.

PENÍNSULA IBÉRICA: RETRATOS DA CRISE

Portugal, por Henrique Monteiro.

A Espanha, que amarga desemprego recorde (metade dos jovens não encontra oportunidade de trabalho), acaba de estatizar o terceiro maior banco do País, o Bankia, com 10 milhões de clientes e ativos no valor de 306 milhões de euros. A falência do Bankia faria aumentar perigosamente o chamado risco sistêmico (quebra generalizada do sistema), e o governo correu em socorro dos banqueiros fracassados.

Em Portugal, por sua vez, a crise está alcançando até o calendário: feriados e dias santos estão sendo sacrificados, como se vê na matéria a seguir, do Opera Mundi:

Portugal cancela quatro feriados para estimular economia em crise

O governo português confirmou (...) o cancelamento de quatro dos quatorze feriados nacionais a partir de 2013, com o objetivo de combater a crise que o país atravessa.

Em comunicado, o Executivo português explicou que dois feriados civis e dois religiosos serão cortados (...). A comemoração da proclamação da República em Portugal, em 5 de outubro, e da restauração da independência portuguesa em 1640 após 60 anos de domínio espanhol, em 1º de dezembro, serão os festejos de caráter civil suprimidos.

Enquanto isso, as festividades católicas canceladas são o Dia de Todos os Santos, em 1º de novembro, e o Corpus Christi, realizado 60 dias depois do domingo de Páscoa. Segundo um acordo entre a Santa Sé (...), a suspensão dos dois feriados ficará vigente nos próximos cinco anos.

A Santa Sé esclareceu em comunicado que a celebração solene do Corpus Christi será transferida de uma quinta-feira para o domingo seguinte, enquanto a de Todos os Santos será mantida em 1º novembro. (...).

Portugal está sob as duras condições do empréstimo internacional de 78 bilhões de euros concedidos em maio de 2011 pela UE e pelo Fundo Monetário Internacional. O aumento de impostos e de cortes nos serviços sociais, além do investimento público, são algumas das medidas incluídas no plano de austeridade que pretende sanear as contas do país.

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"Plano de austeridade que pretende sanear as contas do país"... Como se observa, a Península Ibérica continua, em meio a todo o sofrimento, seguindo disciplinadamente o receituário europeu 'efeemeístico'...

O URSO DE PUTIN


Luojie.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

SOBRE GURGEL NA CPMI


"Não consigo imaginar o extravagante, que essas críticas (a Gurgel e ao STF) seriam uma retaliação (...). A base aliada está apenas questionando a problemática de não ter se tocado um certo inquérito em 2009 e busca esclarecimentos sobre isso. Faz parte do procedimento que nós vemos sempre nas CPIs. Eles fustigam para levantar elementos e esclarecer os fatos. É natural."
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(Ministro Marco Aurélio Mello, do STF, acerca da alegação de ontem do PGR Roberto Gurgel consistente em que a pressão de integrantes da CPMI do Cachoeira para que ele, Gurgel, explicite àquela Comissão os motivos por que em 2009 'enterrou' a Operação Vegas - mediante a qual a PF investigava as atividades da quadrilha Cachoeira - visava a enfraquecer o julgamento do Mensalão.
A opinião do ministro Mello foi ignorada pelo Jornal Nacional, que destacou manifestação do ministro Gilmar Mendes endossando as palavras de Gurgel.
Parcialidade platinada. O código de ética que a Globo alega ter é um sorvete ao sol). 

CONTRASTES


Jean.

OLD PHOTO

Alemanha, 10 de maio de 1933: grande queima de livros pelos nazistas.

O dia 10 de maio de 1933 marcou o auge da perseguição dos nazistas aos intelectuais, principalmente aos escritores. Em toda a Alemanha, principalmente nas cidades universitárias, montanhas de livros ou suas cinzas se acumulavam nas praças. Hitler e seus comparsas pretendiam uma "limpeza" da literatura.

Tudo o que fosse crítico ou desviasse dos padrões impostos pelo regime nazista foi destruído. Centenas de milhares de livros foram queimados no auge de uma campanha iniciada pelo diretório nacional de estudantes.

Albert Einstein, Stefan Zweig, Heinrich e Thomas Mann, Sigmund Freud, Erich Kästner, Erich Maria Remarque e Ricarda Huch foram algumas das proeminências literárias alemãs perseguidas na época.

O poeta nazista Hanns Johst foi um dos que justificaram a queima, logo depois da ascensão do nazismo ao poder, com a "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".

Assim como desde a pré-história se acreditava nos poderes purificadores do fogo, o regime do mestre da propaganda – Joseph Goebbels – pretendia destruir todos os fundamentos intelectuais da por ele tão odiada República de Weimar. (Para continuar, clique aqui).

ILUSTRAÇÃO


Millôr Fernandes. Agosto, 1959.

CARTUM


Constantin Ciosu.

FATURA PENDENTE


Os 38 envolvidos no chamado Mensalão serão julgados em breve, e o ritual prevê que o procurador-geral cuidará da acusação. Gurgel disporá de cinco horas para fazê-lo.

Ao descartar a ida à CPMI do Cachoeira para explicar seu comportamento omissivo na apuração das falcatruas - omissão responsável pelo atraso de dois anos e alguns meses nas prisões/desmascaramento de figuras diversas, algumas das quais foram até eleitas nas eleições de 2010 -, o procurador atribuiu a pressão a políticos 'aflitos', ligados a mensaleiros idem.

Gurgel parece ter agido de forma apressada ao esgrimir o argumento: entre os integrantes da CPMI que reclamam explicações figuram parlamentares do PSOL, PMDB e até do DEM. Estariam eles também aflitos, por acaso? E os demais prejudicados, como autoridades policiais ligadas a outras investigações, a exemplo da Satiagraha, acaso não julgam indispensável a oitiva do procurador? Outro ponto: em que nível a pressão de 'aflitos' mensaleiros lograria mudar o posicionamento do procurador? Qual seria a vantagem, na prática? Que argumento é esse?!

O fato é que o procurador Gurgel obstou o trâmite processual, beneficiando meliantes. Deve explicações. 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

HAICAI ESCALDANTE


verdade crucial:
o calor de Teresina é pura poesia... 
em cartão postal

FELICIDADE, O PARÂMETRO


Nem tudo é a economia, estúpido!

Cacá Diegues

Deus me livre de demonizar o dinheiro, como faz o preconceito hipócrita da tradição ibérica e católica. O dinheiro é a remuneração do mérito, quanto mais justa ela for mais saudável deveria ser o uso dele. Como qualquer outro valor simbólico criado pelo homem, o dinheiro só vira agente do mal quando é usado com a voracidade irracional de obter vantagens, como instrumento de opressão e até mesmo de liquidação do outro. Ou então como um fetiche pessoal que elegemos para justificar o vazio de nossas vidas.

Mas também não acho graça nenhuma num mundo que todo dia de manhã acorda ansioso e sai da cama direto para o noticiário eletrônico, a fim de checar se o PIB caiu, se a taxa de câmbio está sob controle, se as Bolsas se estabilizaram, se a inflação subiu ou se os juros caíram, essas coisas todas. Ou seja, num mundo em que a economia se tornou um valor único para medir nossas vidas, a razão de nosso estar no mundo. Um valor divino.

Durante toda a Idade Média, a humanidade ocidental esteve sob as ordens de Deus, tudo o que acontecia era por Sua exclusiva vontade. Pensar de outro modo era como reservar ingresso para a fogueira da Inquisição. Um exemplo clássico da discussão sobre essa dependência do homem à vontade divina nasceu do maremoto seguido por terremoto em Lisboa, no ano de 1755, provocando um divisor de águas (sem trocadilho) no debate em torno desse pensamento.

No dia 1º de novembro, uma tsunami fez desaparecer 70% dos prédios de Lisboa e 2/3 de sua população. Como era dia de Todos os Santos e as igrejas estavam cheias de devotos, a maior parte dos lisboetas morreu vítima do desabamento de templos. Portavoz do racionalismo iluminista então nascente, Voltaire usou com ironia esse episódio trágico para discutir a parte de Deus nessa historia toda. Através de um de seus personagens, Voltaire satiriza a dependência da vontade divina, fazendo com que o doutor Pangloss diga que “está demonstrado que as coisas não podem ser de outro modo”. Como tudo é feito para um fim desejado por Deus, tudo o que acontece é sempre bom. Vivemos portanto o melhor dos mundos, protegidos por Sua vontade, tudo se encontra onde devia mesmo estar. Felizmente para Portugal e para os portugueses, o Marquês de Pombal, enérgico primeiro-ministro do país, não acreditava nesse determinismo e fez reconstruir Lisboa muito rapidamente, tentando eliminar da mente de seus cidadãos a imobilizadora subserviência à fatalidade.

Por isso, leio nos jornais com alegria que o Butão, pequeno país asiático, acaba de propor à Assembleia Geral da ONU o fim dos dogmas medievais da economia, substituindo o PIB (Produto Interno Bruto) pela FIB (Felicidade Interna Bruta), como critério para a análise do estado das coisas no mundo contemporâneo. E ainda mais feliz (de novo sem trocadilho) ao ler que a presidente Dilma declarou recentemente que não nos interessa ser, como somos, o sexto PIB do mundo, “queremos é que o Brasil seja o sexto país em condições de vida”. Tudo isso confirmado pela prática de professores da Fundação Getulio Vargas, que acabam de iniciar estudos para “desenvolver modelo de índice de FIB adaptado à realidade brasileira”.

É bom saber que alguns economistas brasileiros, de diferentes facções, vêm se manifestando sobre o assunto. O ex-ministro do planejamento Luiz Carlos Bresser-Pereira afirma, em artigo na “Folha de S.Paulo”, que a economia, como as demais ciências, só se torna inovadora quando rompe com o senso comum. Para Eduardo Giannetti, o PIB é medida “rústica” e o aumento de renda pode não elevar o bem-estar pessoal. O que é confirmado pelo professor Paul Singer, quando conduz a questão para tema contemporâneo por excelência, ao declarar que o PIB, além de não medir o custo das perdas dos recursos naturais, contabiliza como positivos os gastos das nações na luta contra desastres naturais, incêndios florestais, poluição de oceanos por derramamento de óleo, terremotos como o de Lisboa. “Quanto mais desastres um país sofre, mais seu PIB aumenta; de modo que seu crescimento nem sempre representa aumento de bemestar de seu povo, mas sua redução.”

É como se eles, ao contrário do célebre candidato norte-americano, estivessem nos advertindo de que nem tudo é economia, estúpido. A vida é um pouco mais complexa do que isso e talvez essa divinização medieval e dogmática da economia seja uma das causas da frustração da humanidade contemporânea. Uma grande parte dela morre angustiada pela frustração de uma vida perdida, mal orientada por objetivos equivocados, quase sempre absurdos e desumanos.

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Pertinente a ideia da FIB, Felicidade Interna Bruta, prevalecendo sobre o PIB, Produto Interno Bruto. Mas, permito-me uma observação: que a primeira não elimine o segundo, quero dizer, que coexistam, e (torço por isso) que ambos sejam ascendentes. O motivo é simples: de nada vai adiantar, diante de eventual queda do PIB (mesmo estando o PIB 'extinto'), argumentar-se que a Felicidade Interna aumentou. Os críticos, que vibram diante do(s) fracasso(s) do Brasil, vão, em uníssono, destacar a queda do PIB, a recessão, o desastre etc etc, ignorando por inteiro a, segundo eles, 'tal FIB'. Vão até dizer que essa lorota de FIB é conversa pra boi dormir, diversionismo de quem fracassou em sua política econômica. Portanto, FIB e PIB estupidamente juntos, positivos e matando de raiva os vendilhões. Enfim, caro Cacá, FIB e PIB de cinema!

CACHOEIRA, ANUNCIANTE-CHEFE


Paulo Urso. (aqui).

CHARGE DE PELICANO


terça-feira, 8 de maio de 2012

GRÉCIA: TESEU DESAMPARADO

Amorim.

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A questão é simples: em pleno labirinto, Teseu se deu conta de que seu guru, o Neoliberalismo, o deixara na mão ao surrupiar o novelo de fio condutor que Ariadne lhe dera e que orientaria nosso heroi no combate ao Minotauro, arauto da recessão e da miséria.
O Minotauro, aliás, está fazendo estragos mundo afora. Nas praças de toros da Espanha, por exemplo, o Minotauro deita e rola. Para se ter uma ideia, o desemprego entre os jovens ultrapassa 50%.
Enquanto isso, o Neoliberalismo continua lépido e fagueiro, em meio a aplausos mil. Felizmente um protesto surgiu na França.

A SALA TÉTRICA


M. Jacobsen.

VEJA, CACHOEIRA E OS BURROS


Record, Carta Capital e, claro, os blogs sujos desvelam os malfeitos de Veja em compadrio com a quadrilha Cachoeira. Agem com base nas evidências até aqui oferecidas ao público.

Veja tenta se defender, alinhando argumentos, digamos, inconsistentes, enquanto parceiros como o jornal O Globo e analistas diversos a ela se associam.

Ocorre que o alentado material posto à disposição da CPMI do Cachoeira abriga informações adicionais, que certamente virão a público, entre as quais as 'n' ligações telefônicas que Cachoeira e Policargo Jr mantiveram.

Daí a que Veja e seus parceiros venham a dar com os burros n'água é, como dizemos por aqui, um tantim assim.