terça-feira, 17 de novembro de 2009

AQUECIMENTO GLOBAL, PODE CRER


"NA VERDADE, A TERRA ESTÁ ESFRIANDO."


(Prof. José Carlos Parente de Oliveira, da Universidade Federal do Ceará, doutor em Física e pós-doutor em Física da Atmosfera, em entrevista ao Diário do Nordeste, edição de 15.11, aduzindo, entre outras observações, que o importante é discutir "o que o homem deve fazer para não poluir o mar, os rios, os lençóis freáticos, para não derrubar e não queimar florestas, para manejar corretamente o solo").

Conforme o blog Vi O Mundo, os que são contrários à teoria do aquecimento global alinham argumentos do pós-doutor Luiz Carlos Molion, meteorologista formado na Inglaterra e EUA, o documentário 'A grande farsa do aquecimento global', de Martin Durkin, de março de 2007, e críticas acerbas a Al Gore, que vem construindo sua agenda do aquecimento global desde os idos da ECO 92 e que nos últimos tempos lucra fortunas em cima desse tema.

Os oponentes assim contestam (alguns partindo para a ironia):

."Uma vez que as geleiras dos pólos estão desaparecendo, concluímos que o mundo só pode estar esfriando"

."E a desertificação, que se amplia?"

."E o derretimento das neves do Kilimanjaro, dos Andes, do Ártico, do Himalaia?"

."E o verão brasileiro, a cada dia mais quente?"

."A forma como o planeta lida com os altos teores de CO2 na atmosfera é depletando-o por intermédio de fenômenos atmosféricos de alta intensidade. (...) Em 2004 aconteceu o primeiro ciclone tropical (furacão) no atlântico sul".

."O pólo norte está descongelando. Explica, então, essa teoria (do não aquecimento) para os ursos polares".

Até o presente momento, EUA e China, eméritos predadores, se mantêm indiferentes ao debate...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O SHOW NÃO PODE PARAR


Dias 12 e 13, o cine teatro da Assembleia foi ocupado pelo Humor & Música de Octavio César, com a participação da pianista Carla Ramos.
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Octavio é de Luzilândia - terra do meu compadre Albert Piauí -, passou por Salvador (BA) e Juiz de Fora (MG), onde participou de um grupo musical universitário, aportando no Rio de Janeiro em 1969, em plena febre dos festivais da canção, e lá encarou as lides teatrais e televisivas por quase três décadas.
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Na Tevê Globo estrelou inúmeras novelas e programas de humor (Balança Mas Não Cai, Planeta dos Homens, Viva o Gordo etc), retornando ao Piauí, onde instalou-se nos arredores de Teresina - Cacimba Velha -, num sítio cujo clima é mais que aprazível ('Pô, tô usando meia pra dormir, tal o frio').
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Voltando ao show. É de primeira de verdade. Causos hilários entremeados por músicas marcantes de unanimidades como Tom Jobim, Frank Sinatra, Luciano Pavarotti - e até uma imortal do Waldick Soriano -, tudo ao som do preciso piano de Carla Ramos.
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Octavio César ofereceu um show impecável, merecedor de auditório superlotado - o que lamentavelmente não se viu, a despeito da ampla divulgação do espetáculo na mídia em geral.
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Que as próximas plateias guardem sintonia com o talento de Octavio César.
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(86) 9403-3333 ; 3235-6289.

domingo, 15 de novembro de 2009

GOOGLAI, GOOGLAI


A revista americana Forbes elaborou relação das 67 pessoas mais poderosas do mundo, levando em conta a influência sobre outras pessoas, o controle de grandes recursos financeiros e o poder em múltiplas esferas.

Em 5° lugar figuram os caras que bolaram o Google: Larry Page e Sergey Brin. Ambos nasceram em 1973; Page é americano, Brin é russo naturalizado americano (a família dele, judia, saiu da Rússia em face da perseguição lá reinante nos anos oitenta).

Envolvidos desde cedo com informática, cursaram computação nas universidades de Michigan e Stanford e logo elegeram prioritária a ideia de 'tornar a informação do mundo universalmente acessível e útil a todos'.

Milagrosamente (grana rala, ralinha) conseguiram criar o Google, em 1988. Google que antes mesmo de existir juridicamente já 'respondia' por um cheque no valor de US$ 100 mil, tal o sufoco vivido por Page e Brin.

Bem mais relevante do que o valor estimado do Google - US$ 125 bilhões, e subindo - é a constatação de que, efetivamente, informação é poder, como dizia o velho McLuhan. E se tal poder é universalmente acessível e útil a todos, Gandhi c0m certeza também aplaudiria.
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Para mais informações, googlai.

sábado, 14 de novembro de 2009

ECOS DA HIPOCAMPO



Antônio Amaral e Edilva Lima, na noite de lançamento da edição n° 4 da revista HIPOCAMPO, na Casa da Cultura.

No alto, salamandra - página 45 da HIPOCAMPO.

Foto: Dodó Macedo.

JORNAL SELETIVO


Doze minutos antes do início do Jornal Nacional de ontem, a Agência Estado divulgou a seguinte informação: o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, informa que três descargas elétricas provenientes de raios, praticamente simultâneas, foram as causadoras do blecaute ocorrido na noite da última terça-feira, a partir das proximidades da subestação de Itaberá (SP).

"Foi uma ocorrência tripla, três descargas quase simultâneas. Algo de baixa probabilidade".

O fato está comprovado por equipamentos registradores de descargas elétricas do ONS e também por fotos de equipamenos chamuscados.

Chipp arremata: "Nenhum sistema do mundo é planejado e dimensionado para este tipo de ocorrência. (...) O sistema de Itaipu existe desde a década de 1980 e nunca ocorreu algo assim".

Se o imbróglio dissesse respeito a queda de vigas do Rodoanel, por exemplo, o Jornal Nacional certamente se apressaria em divulgar a informação, com a seguinte ênfase: "E atenção para informação que acabamos de obter...".

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

PICLES FRUGAIS


O BOM DO MUNDO DOS 15 MINUTOS DE FAMA DE WARHOL É QUE AS SUMIDADES SOMEM LOGO.


NEM TODAS AS GRANDES IMPRENSAS FORAM FEITAS PARA HUMILHAR A MANIPULAÇÃO.


APARELHAMENTO POLÍTICO ABJETO E INACEITÁVEL É QUANDO OS NOSSOS APANIGUADOS NÃO SÃO OS DONOS DO PEDAÇO.


PARA RESGATAR OS BONS PROPÓSITOS DA PSIQUIATRIA, VAI SER PRECISO SUAR A CÂNTAROS A CAMISA DE FORÇA.


ERA UM IMOBILISTA TÃO CONVICTO QUE SE RECUSAVA ATÉ MESMO A SAIR DO SÉRIO.

CULTURA NA CASA




Antonio Amaral autografa exemplar do n° 4 da revista HIPOCAMPO, na noite de ontem (12), na Casa da Cultura.

HIPOCAMPO. Antônio de Pádua Amaral. 78 páginas. Projeto gráfico: Amaral; editoração eletrônica: Invista; supervisão: Paulo Machado (que lançou o poema concreto 'Lua Rua', estampado em camiseta); revisão: Socorro Santos.

HIPOCAMPO: VETOR PAGÃO: Decapitado; Salamandra; Caramujo Blue; Clidenoir.

Antônio Amaral. Q - 07 / C 26 / S - C - Mocambinho I. 64010-280 - Teresina (PI). E-mail HIPONAVE@YAHOO.COM.BR.

15 ANOS DE HIPOCAMPO. PARABÉNS, AMARAL!

(Foto: Dodó Macedo).

CULTURA NA CASA

A Banda Validuaté demonstrou sua virtuose e bom humor na noite de lançamento, na Casa da Cultura, do poema concreto 'Lua Rua', de Paulo Machado, e da edição n° 4 da revista HIPOCAMPO.

Foto: Dodó Macedo.

CULTURA NA CASA

A diretora Josy Britto abraça Antonio Amaral e Paulo Machado na Casa da Cultura, no lançamento do n° 4 de HIPOCAMPO e do poema concreto Lua Rua (na camisa do autor).

Foto: Dodó Macedo.

CULTURA NA CASA

Assaí Campelo, Carmem Gonzalez, Socorro Santos, Salânia Melo, Laura Macedo, Dodó Macedo, Paulo Machado (com o 'lua rua' na camisa), Antonio Amaral e Josy Britto, ontem (12) à noite na Casa da Cultura, no lançamento do poema Lua Rua, de Paulo Machado, e da edição n° 4 da HIPOCAMPO, de Amaral.

Foto: Jean Pessoa.

1° SALIALTOS



Parceria Fundação Quixote/IPJ Instituto Piauiense de Juventude. Oficinas, palestras, lançamento de livros. Literatura piauiense. Literatura regionalista (mestre Graciliano Ramos - que há muito é literato universal). Prosa, poesia, música, língua portuguesa.
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Êxito pleno e vida longa para o SaliAltos.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O BAMBA DO BRIC


A China desrespeita a democracia, a Índia está prenhe de problemas internos, a Rússia exporta menor variedade de produtos e ludibria os investidores. Segundo a revista britânica The Economist, o Brasil decola e é o bamba do BRIC.

E o blecaute?

Aí já não é com a The Economist, mas com a Globo.com e UOL Notícias: o Brasil aplicou cerca de R$ 30 bilhões em linhas de transmissões e transformadores, segundo o Ministério das Minas e Energia. Novas hidrelétricas, como a de Belo Monte, no rio Xingu (PA), estão na pauta. Os problemas com o curto circuito nos três circuitos de Itaberá (SP), que vêm de Itaipu, foram resolvidos.

A ver, claro.

O Brasil teve a iniciativa de ampliar o mercado interno (via programas sociais e elevação do salário mínimo), de mandar seus bancos emprestarem sempre mais (a ponto de o BB responder hoje por 20% de todo o mercado de crédito), de diversificar suas parcerias comerciais mundo afora, de proceder a desonerações fiscais - medidas que explicam sua performance ante a crise financeira internacional.

E os reservatórios estão cheios, garantindo, segundo o ministério acima citado, o suprimento de energia - o que levou um senador do Dem a dizer que 'o Brasil é um país de sorte'. Ele foi irônico, é óbvio, mas a gente sempre leva em conta que ter sorte é fundamental em todas as vertentes da vida.

Então, ficamos assim: o Brasil decola porque adotou as medidas certas no tempo certo - e tem sorte. Legal.

AGENDA POSITIVA



Logo mais estaremos da Casa da Cultura para ouvir a Banda Validuaté, ver a Companhia de Dança Luiza Amélia, vestir a camiseta com o poema 'Lua Rua', de Paulo Machado, e dar as boas vindas para a revista de arte sequencial HIPOCAMPO (n° 4), de Antonio Amaral.

O número 1 da HIPOCAMPO foi lançado em 1994. Em 2000, foi laureada com o prêmio HQ Mix de melhor revista independente. Amaral é craque na arte de correr o risco.

Acima, capa da HIPOCAMPO n° 3, e um desenho de Amaral.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

B, R, O BRO DO ZIRALDO


Charge de Ziraldo, de 1972. Feita para a Cidade Maravilhosa, sob inspiração da Cidade Verde.

SINCERIDADE SEM LIMITES


"A 'PARTIDARIZAÇÃO' DE FATO EXISTE. E NÃO É SÓ NA MÍDIA".


(Fernando de Barros e Silva, em coluna da Folha de São Paulo, edição de 10.11.09, num rasgo de sinceridade, a propósito da alegação de 'partidarização da mídia', feita pela ministra Dilma Rousseff. Disse mais o jornalista: o governo federal cooptou fundos de pensão, estatais, ONGs, sindicatos, movimentos sociais - inclusive o estudantil - e até mesmo os pequenos jornais e emissoras Brasil afora - já que fez chegarem até eles verbas publicitárias que até alguns meses atrás eram abocanhadas quase in totum pela grande mídia -, formando um rolo compressor que impede a ação da "oposição, que, de resto não sabe mesmo o que fazer". Duas indagações: a cooptação não configura tática legítima, quando traduzida em ações que atendam aos anseios populares? O articulista afirmou que tudo lhe "parece bolchevismo com atraso", em vez de "subperonismo"; por que mudança tão repentina e indisciplinada?).

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A PERMANÊNCIA DE FERNANDO COSTA



Fernando Costa. Teresina, 1961-1987. Pintor, desenhista, gravador. Craque no traço, na perspectiva, na cor. Andou serelepe pelas ruas da Cidade Verde, a angústia a tiracolo - e a meninice de sempre.

DESMENTIDOS


1. A VEJA, ao tempo em que ratifica sua impressão positiva quanto à re-reeleição do prefeito de Nova York, desmente o rumor de que teria se posicionado prévia e peremptoriamente contrária à re-reeleição de Lula. Com efeito, somente o fez após constatar que o referido senhor não detinha percentual de popularidade superior a 95%, requisito em que o triprefeito Bloomberg se enquadra (segundo pesquisas para lá de confiáveis), a exemplo do que se observa relativamente ao senhor Uribe (é bom que se o diga desde logo).

2. Caetano Veloso nega que tenha ofendido Lula, pondera não ser de seu feitio adular quem quer que seja, razão por que mantém tudo o que disse.

3. Relativamente ao episódio envolvendo a srta. Geysi Arruda, o dirigente-mor da Uniban, senhor Heitor Pinto e Silva Filho, desmente que tenha sido ela punida (punição aliás já anulada) em face de haver ferido, conforme o seu entendimento (dele, dirigente-mor, H. Pinto), os princípios elementares da pudicícia. Refuta, ainda, o senhor H. Pinto as notícias dando conta de que estaria cogitando ir a Juízo com o propósito de excluir parte deverasmente inconveniente de seu nome (dele, dirigente-mor).

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

HAICAI DE MUROS

(muro EUA/México)


(muro Israel/Cisjordânia)

BERLIM... HÁ TEMPOS CAIU O MURO
NOUTRAS PLAGAS É LETRA MORTA
O VADE RETRO, T'ESCONJURO

domingo, 8 de novembro de 2009

HAICAI DE CORRUPTO


TEMPO, SENHOR DA RAZÃO?
MELHOR AINDA: PAI
DA PRESCRIÇÃO

sábado, 7 de novembro de 2009

RESUMO DA SEMANA


A INveja é um OUT frustrado.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

HAICAI DE MONSTRO SAGRADO

(Claude Levi-Strauss. 28.11.1908 - 30.10.2009)
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REZA A ANTROPOLOGIA:
NOS TRISTES TRÓPICOS TAMBÉM VICEJA
A FILOSOFIA

PEANUTS, 60


De Charles M. Schulz (1922/2000). A publicação é comemorativa dos 60 anos das primeiras tiras Peanuts no Brasil. Acima, o livro inaugural, reunindo as tiras publicadas entre 1950 (ano de criação dos personagens) e 1952. A L&PM programa outros dois volumes.

LAVANDO O PECULATO

- Mensalão Mineiro?!

- Eu não disse isso. Eu disse meu pirão primeiro.

- Ah, bom. Ok, pirão garantido. E a cobertura?

- Ok. Matéria de capa. Ele na capa.

- O ministro relator?!

- Claro que não. O nosso senador.

- Ah, bom. E pensar que no passado o ministro foi premiado com capa, hein? Quem diria que seria tão insensível, que iria inventar um recibo fajuto de R$ 4,5 milhões...

- Absurdo.

- Dá umas indiretas nele, mas pega com jeito, ok? Em política é assim: a gente fecha a porta, mas deixa uma janela entreaberta.

- Fica tranquilo. Eu manjo disso.

- Então tá.

- Ok.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

INTERNET E SANIDADE (II)

Enquanto no texto abaixo Ivan Lessa louva os benefícios 'cerebrais' da Internet, com base em pesquisa (com pessoas entre 55 e 78 anos) levada a efeito por Gary Small, da Universidade da Califórnia, na China o clima para os jovens internautas não é dos mais convidativos:

"PEQUIM (Reuters) – O Ministério da Saúde da China proibiu o uso de castigos físicos para curar o vício da Internet em adolescentes, meses depois que um garoto foi espancado até a morte em um acampamento de reabilitação.
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Os pais chineses buscaram ajuda de mais de 200 organizações que oferecem tratamento para 'enfermidades', conforme aumentam os alertas do governo sobre hábitos poucos saudáveis da juventude de navegar pela Internet.
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Muitos desses campos estão impregnados de uma atmosfera militar. Os pacientes são obrigados a substituir horas diante do computador por exercícios físicos árduos ou mesmo “tratamentos” mais extremos.(...)".
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Convém lembrar também o fato de que na China muitos sites estão sob estrita censura, mas essa já é outra história.

INTERNET E SANIDADE, POR IVAN LESSA


Eu sou muito mais moço do que pensam aqueles que me veem bengalando meu caminho pelas ruas de Londres. Ninguém me daria mais que 47 anos. Vá lá que seja: 57 anos. Isso porque só podem assistir a ruína a que meu pobre corpo ficou reduzido, conforme diz a velha canção do bom Ary Barroso. Não podem ver o decatlo moderno disputado com vistas a medalha ao menos de bronze pela minha vida interior.
Mentalmente, tenho meus sacudidos 30 e poucos anos. Meu cérebro bate bola em praia ou terreno baldio. Minhas faculdades mentais dão a volta ao quarteirão com o português do armazém correndo atrás, e não me pegando, depois de eu roubar a coxinha de galinha e a empada de palmito.
Não pratico esportes. Não faço ioga. Alongamento ou pilates. Meu segredo, minha receita para uma vida saudável, para chegar com alguma dignidade e boa disposição física ao crepúsculo final que nos espera a todos é muito simples e nada tem a ver com regimes e essa enganação de alimentos “orgânicos”. Não. Sento. E sento e sento e sento.
Não só diante da televisão e os DVDs alugados, que isso é recreio, hora da engorda mental, confeitos que só engordam o já castigado cérebro. Sento diante da mesa em que se alojam, como precioso relicário, o computador, com todos seus adereços habituais: teclado, camundongo, USB para isso e aquilo outro, dongles e, vez por outra, suas inevitáveis chateações.
O conjunto, comigo a manobrá-lo, confortavelmente sentadão, é o que me mantém, e ainda manterá, por muito tempo, com a mente sã e distante de qualquer “andador”, por mais moderno e estético que seja.
Amigos – mais: irmãos – de cabelos cor de prata, eis o segredo que a ciência acaba de endossar: googleie para viver sem demência ou sentir nas costas o toque gelado dos dedinhos finos de Alzheimer. O vovô e a vovó podem reverter o processo da senilidade ao simples digitar cibernético.
Eu acabei de dar uma chegada ao Google para ver se encontrava um substantivo em português neo-reformado para a palavra “dongle”. Neris de petibiriba, conforme dizemos nós, os com mais de 35 anos de idade. No entanto, a simples busca adiou, nem que seja por um átimo (confiram no Houaiss virtual), o processo degradante do envelhecimento.
Lá está, no jornal: Gary Small, professor de neurociência e comportamento humano da Universidade da Califórnia, Los Angeles (a mais que prestigiosa UCLA) declarou que “os cidadãos mais velhos, mesmo com um mínimo de experiência, terão alteradas de forma positiva suas atividades mentais e seu devido comportamento”.
O grande Small e sua equipe trabalharam durante algum tempo com 24 idosos entre as idades de 55 e 78 anos, submetendo-os a toda sorte de testes, modernos e tradicionais. Metade dessa gente boa e de bela idade era chegada à net. Precisamente a metade mais cheia de vida, mais sagaz. Tudo foi segundo o mais avançado método científico à disposição da UCLA.
Não deu outra coisa: mexeu com o teclado do computador, digitou, buscou, achou, não achou, dá na mesma: a atividade cerebral do internauta foi estimulada com oxigênio extra e uma boa dose de nutrientes, ou nutritivos. No que o sangue benévolo saiu jorrando inteligência pelas partes mais recônditas do cérebro dos… quase que digo anciãos. Cérebro dos sempre jovens e atentos cibernautas.
“Digitai para viver” passou a ser o meu lema. Viver mais e melhor, com mais inteligência e sensibilidade.
Googlai, irmãos, googlai!
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Ivan Lessa é colunista da BBC Brasil.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O ADEUS DO AMIGO DOS QUADRINHOS


Sheldon Dorf, fundador da San Diego Comic-Con, morreu aos 76 anos nesta terça-feira (3), em virtude de complicações relacionadas a diabetes, no Sharp Memorial Hospital, em San Diego (EUA).

A San Diego Comic-Con, que este ano comemorou sua 40ª edição, é o maior e mais antigo evento de cultura pop do mundo, com um público estimado em mais de 126 mil pessoas em 2009.

Nativo de Detroit, Dorf estudou no Instituto de Arte de Chicago e exerceu a função de designer de arte em Nova York. No início dos anos 1970, mudou-se para o sul da Califórnia e intensificou os trabalhos para promover a convenção.

Foi um grande colecionador das histórias do personagem Dick Tracy e também organizou a "Triple Fan Fest", evento dedicado aos quadrinhos e material relacionado a filmes de ficção científica.
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Fonte: UOL.

INUTENSÍLIO


(Brinco, sempre, com meus amigos poetas: diz aí, velho, a poesia é necessária? Eles tangenciam, desconversam, dizem sem dizer, embora saibamos que a resposta é sim. Ou, como diz o Caetano, ou não. Pois o texto a seguir, que minha amiga Cafu, do Portal Luis Nassif, publicou em seu blog e me avisou a respeito, não deixa margem: a resposta é sim).


INUTENSÍLIO - por PAULO LEMINSKI

A ditadura da utilidade

A burguesia criou um universo em que todo gesto tem que ser útil. Tudo tem que ter um para quê, desde que os mercadores, com a Revolução Mercantil, Francesa e Industrial, substituíram no poder aquela nobreza cultivadora de inúteis heráldicas, pompas não rentáveis e ostentosas cerimônias intransitivas. Parecia coisa de índio. Ou de negro. O pragmatismo de empresários, vendedores e compradores, mete preço em cima de tudo. Porque tudo tem que dar lucro. Há trezentos anos pelo menos, a ditadura da utilidade é unha e carne com o lucrocentrismo de toda essa nossa civilização. E o princípio da utilidade corrompe todos os setores da vida, nos fazendo crer que a própria vida tem que dar lucro.

Vida é o dom dos deuses, para ser saboreada intensamente até que a Bomba de Neutrons ou o vazamento da usina nuclear nos separe deste pedaço de carne pulsante, único bem de que temos certeza.

Além da utilidade

O amor. A amizade. O convívio. O júbilo do gol. A festa. A embriaguez. A poesia. A rebeldia. Os estados de graça. A possessão diabólica. A plenitude da carne. O orgasmo. Estas coisas não precisam de justificação nem de justificativa.Todos sabemos que elas são a própria finalidade da vida. As únicas coisas grandes e boas que podem nos dar esta passagem pela crosta deste terceiro planeta depois do Sol (alguém conhece coisa além? Cartas à redação). Fazemos coisas úteis para ter acesso a estes bens absolutos e finais.. A luta dos trabalhadores por melhores condições de vida é, no fundo, luta pelo acesso a esses bens, brilhando além dos horizontes estreitos do útil, do prático e do lucro.

Coisas inúteis (ou in-úteis) são a própria finalidade da vida.Vivemos num mundo contra a vida. A verdadeira vida, que é feita de júbilo, liberdade e fulgor animal. Cem mil anos-luz além da utilidade, que a mística imigrante do trabalho cultiva em nós, flores perversas no jardim do diabo, nome que damos a todas as forças que nos afastam da nossa felicidade, enquanto eu ou enquanto tribo. A poesia é o princípio do prazer no uso da linguagem. E os poderes deste mundo não suportam o prazer. A sociedade industrial centrada no trabalho servo-mecânico, dos EUA à URSS, compra por salário o potencial erótico das pessoas, em troca de performances produtivas, numericamente calculáveis.

A função da poesia é a função do prazer na vida humana.Quem quer que a poesia sirva para alguma coisa não ama a poesia. Ama outra coisa. Afinal a arte só tem alcance prático em suas manifestações inferiores, na diluição da informação original. Os que exigem conteúdo querem que a poesia produza um lucro ideológico. O lucro da poesia quando verdadeira é o surgimento de novos objetos no mundo. Objetos que signifiquem a capacidade da gente de produzir mundos novos. Uma capacidade in-útil. Além da utilidade. Existe uma política na poesia que não se confunde com a política que vai na cabeça dos políticos. Uma política mais complexa, mais rarefeita, uma luz política ultravioleta ou infravermelha. Uma política profunda, que é crítica da própria política, enquanto modo limitado de ver a própria vida.

O indispensável in-útil

As pessoas sem imaginação estão sempre querendo que a arte sirva para alguma coisa. Servir. Prestar. O serviço militar. Dar lucro. Não enxergam que a arte (a poesia é arte) é a única chance que o homem tem de vivenciar a experiência da liberdade, além da necessidade. As utopias, afinal de contas, são, sobretudo, obras de arte. E obras de arte são rebeldias.A rebeldia é um bem absoluto. Sua manifestação na linguagem chamamos poesia, inestimável inutensílio. As várias prosas do cotidiano e do(s) sistema(s) tentam domar a megera. Mas ela sempre volta a incomodar. Com o radical incômodo de uma coisa in-útil num mundo onde tudo tem que dar lucro e ter um por quê. Pra que por quê?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O PANORAMA VISTO DA BANHEIRA

.Enquanto o mundo ardia em chamas, o neocon se refestelava na banheira.

.O Estado teve de arregaçar as mangas para evitar a bancarrota de conglomerados privados.

.No Brasil, entre várias outras providências, o Estado obrigou seus bancos (BNDES, BB, CEF, BN e BASA) a expandir ao máximo suas aplicações. A banca privada continuou na banheira, auferindo ganhos de Tesouraria, inclusive na esteira da redução dos depósitos compulsórios (outra benesse do Estado).

.O Estado brasileiro continuou agindo no âmbito social e no comércio exterior, atentando também para a necessidade de empresas como a Vale agregarem valor aos produtos que exportam (o que beneficia o mercado interno).

.Ou seja, o Estado foi compelido a agir. Ou agia ou o país soçobrava.

.Aos primeiros sinais do fim do pesadelo, eis que o neocon, da mesma confortável banheira, manifesta a necessidade da REESTATIZAÇÃO DO ESTADO.

.Prenhe de civismo, sustenta desconhecer se algum dia alguém pregou o ESTADO MÍNIMO (Reagan? Thatcher? Williamson? Quem?) e alerta para as perniciosas consequências que poderão advir do ESTADO MÁXIMO.

.E diz: NA LINHA BÁSICA DE QUE OU SE ADERE A ESSA VISÃO DE ESTADO MÁXIMO OU NÃO SE É PATRIOTA.

.O neocon é Armínio Fraga, mas podia ser Maílson da Nóbrega, Míriam Leitão etc etc etc.

.Patriotas eu não sei se são. De bestas não têm nada.

UMA VOZ NO SARAU

Renata Pitta louva a MPB na noite em que o Sarau Ágora homenageou poetas de Oeiras.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ANTES QUE O ANO ACABE

"A FOLHA NÃO COMPACTUOU COM O REGIME MILITAR, NUNCA FOI CONDESCENDENTE COM CASOS DE TORTURA E ESTEVE À FRENTE DOS DEMAIS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO NA CAMPANHA PELAS DIRETAS-JÁ. QUANDO A FOLHA ERRA - COMO OCORREU NO USO DO TERMO 'DITABRANDA' -, O JORNAL RECONHECE E REGISTRA SEUS ERROS."


(Suzana Singer, secretária de redação do jornal Folha de São Paulo. Lendo sobre 'Cães de Guarda', de Beatriz Kushnir, a questão de nunca haver compactuado nem sido condescendente com certas atrocidades não é bem por aí, e antes que o ano acabe é bom lembrar que em 17 de fevereiro a Folha estreou com a DITABRANDA e jamais se desculpou com a veemência da estreia; ao contrário, ridicularizou aqueles que a criticaram; dando curso a sua postura escancaradamente parcial, publicou na primeira página da edição de 05 de abril ficha criminal falsa de Dilma Rousseff, admitindo, candidamente, dias depois - não na primeira página -, que recebera o documento por email e que não podia afirmar se a ficha era verdadeira, tampouco falsa. O texto da Ditabranda e a ficha falsa de Dilma serão utilizados na campanha política de 2010, certamente emoldurados por dantesco áudio - razão de tudo ter ficado convenientemente em aberto).

SARAU ÁGORA


O Sarau Ágora acontece na última quinta-feira do mês (o próximo ocorrerá no dia 26, portanto), no restaurante Nova Brisa, avenida Pres. Kennedy, São Cristóvão, nesta Capital.

O Ágora de outubro homenageou dois poetas de Oeiras: Gutemberg Rocha, poeta e cronista, autor de 'Oeiras É Assim' (poemas), e Jota Jota Sousa, autor de 'Do Outro Lado da História' (poemas, contos e crônicas) e 'Meu Pedaço de Chão e Minhas Andanças' (idem).

O Sarau Ágora já disse a que veio: o próximo será o vigésimo-quinto encontro - com a poesia e a música reinando (e coroando a cidadania, sentido da Ágora, a praça da livre manifestação).

Acima, de pé: João Carvalho (coordenador geral do Sarau) e Reginaldo Leal; sentados: Jota Jota Sousa, Gutemberg Rocha e William Soares.
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Foto: Dodó Macedo.

SARAU ÁGORA

Ingra de Sousa deu mostras de seu talento no Sarau Ágora. É de São João do Piauí. Manja de MPB e já é presença garantida em nosso próximo encontro, previsto para o dia 26.
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Foto: Dodó Macedo.

SARAU ÁGORA


Dodó Macedo, Deusdeth Nunes, William Soares, Zé de Helena, Conceição Cavalcante e João Carvalho, no Sarau Ágora.
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Zé de Helena é figura consagrada e querida de Oeiras. Registrado como José Hipólito Marinho, Zé de Helena foi o primeiro garçom, primeiro jardineiro, primeiro faz-tudo de Oeiras. Aplausos mais que merecidos, caro Zé!
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Texto de Dodó Macedo.

domingo, 1 de novembro de 2009

NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS

(Acima, flagrante Brasil, anos 90, século passado).

Milton Friedman, guru dos monetaristas e pai dos ChicagoBoys, sempre negou a autoria da máxima 'Não Existe Almoço Grátis'. Preferia repetir sua velha lição de que 'ninguém gasta o dinheiro dos outros com o mesmo cuidado com que gasta o seu próprio'.

Eis que o Bolsa Família, após anos de malhação cruel a cargo de iluminados de naipes diversos Brasil afora, é citado como um dos responsáveis pela ampliação do mercado interno, estimulando a abertura de novos pequenos comércios e incrementando a arrecadação de tributos em geral. Sem contar os benefícios advindos da alimentação. Mas, existe almoço grátis?

Vale o registro: cerca de 31 milhões de brasileiros subiram de classe social entre os anos de 2003 e 2008, sendo mais de 19 milhões deles originários da classe E.

Segundo Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Varas, desde 2001 o Brasil vive um processo de redução da desigualdade. Neste período, a renda per capita dos 10% mais pobres da população subiu 72%, enquanto a dos 10% mais ricos cresceu, aproximadamente, 11%. Essa melhora no indicador foi impulsionada principalmente pela renda do trabalho.“Acho que essa redução de desigualdade foi a grande conquista da década. O fato de ser puxada em cerca de dois terços pela renda do trabalho significa que o brasileiro está gerando sua própria renda. O que temos observado é um boom no mercado de trabalho”. Segundo ele, os programas sociais ou aposentadorias foram responsáveis pelo outro um terço do movimento.

Em contrapartida, como já destacado, a assistência aos miseráveis fortaleceu o mercado interno, estimulou a arrecadação, melhorou a saúde das pessoas. Boa troca, bom escambo, pois não?

Em vista do exposto, parece claro que Friedman não tinha razão para renegar o dito. De fato, não existe almoço grátis.

ECOS DO SARAU


Meu amigo José Rufino lendo 'CAMPO MAIOR', de H. Dobal, na noite em que, na Casa da Cultura, celebramos os 80 anos do poeta. Eis a poesia:

Ai campos de criar do verde plano
todo alagado de carnaúbas.
Ai planos dos tabuleiros
tão transformados tão de repente
num vasto verde num plano
campo de flores e de babugem.

Ai rios breves preparados
de noite e nuvem. Ai rios breves
amanhecidos na várzea longa,
cabeças d'água do Surubim
no chão parado dos animais,
no chão das vacas e das ovelhas.

Ai campos de criar. Fazendas
de minha avó onde outrora
havia banhos de leite. Ai lendas
tramadas pelo inverno. Ai latifúndios.