Fábula jornalística
Por Marcelo Migliaccio
Trancado cruelmente numa prisão sem ter cometido crime algum, o passarinho interrompe seu voo neurótico naquele cubículo. Ao avistar o dono chegando para limpar o recinto e repor água e comida, o pobre encarcerado subitamente esbraveja:
- Ok, me prendeu, perdi. Mas não vem forrar minha gaiola com esse jornal mentiroso, não!
Enquanto isso, na feira livre, o peixe morto ressuscita e interrompe o vozerio dos passantes pasmos. Numa cena surreal, ele protesta contra o feirante:
- Me matar, eu aceito; vender meu corpo pra essa dona cozinhar no almoço, tudo bem, é do jogo. Mas nem pense em me embrulhar nesse jornal de quinta categoria!
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