segunda-feira, 26 de abril de 2021
OSCAR 2021: MELHOR FILME LOCAL, MELHOR FILME INTERNACIONAL
Movidos pelo estado meio depressivo de Martin (Mads Mikkelsen), que lhe vem causando problemas na escola e em casa, ele e três colegas professores resolvem testar a teoria do psicanalista norueguês (real) Finn Skårderud, para quem o ser humano nasce com um déficit de 0,05% de álcool no sangue. Iniciam um programa de embebedamento controlado e clandestino, preparando relatórios sobre os "efeitos psicológicos e psicorretóricos". As coisas começam a dar resultado. Na escola, a performance deles melhora, assim como Martin se reaproxima da mulher. Embora estejam decididos teoricamente a não chegar ao alcoolismo, eles se sentem encorajados a ir aumentando as doses e o teor alcoólico.
Para não dar spoiler, limito-me a dizer que o excesso leva a super porres e à autodestruição, ainda que Thomas Vinterberg providencie um final relativamente feliz. É quando Mads Mikkelsen explode numa dança acrobática e catártica que encerra o filme e se tornou o seu ponto mais comentado.
Um dos cinco indicados ao Oscar de filme internacional, Druk percorre um caminho tortuoso para fugir ao conto moral sobre os males do alcoolismo. Vinterberg perdeu a filha de 19 anos num acidente de carro logo no início das filmagens. O roteiro escrito a quatro mãos com seu colaborador habitual Tobias Lindholm pode ter sido influenciado por essa tragédia. A armadilha do vício está colocada, mas Druk não se rende à parábola do farrapo humano. Mostra a conexão social e o estímulo positivo provocado pelo consumo moderado e "terapêutico", como no aluno incentivado pelo professor a beber para vencer o medo do exame. Não se pode tirar qualquer tipo de mensagem retilínea dessa montanha russa de comportamentos e situações.
Vinterberg dirige com a verve costumeira, usando todos os elementos de linguagem para situar as transições entre euforia e prostração, entre a camaradagem meio infantil do quarteto e os reflexos de suas ações no seu entorno social. O filme respira pelo pulmão dos excelentes atores, como é de praxe no cinema dinamarquês desde o Dogma 95. A estética daquele movimento ficou para trás, mas a qualidade da mise-en-scène se mantém no mesmo alto nível.
Um ótimo momento de comédia é um clipe com grandes líderes políticos se pronunciando bêbados, entre eles o clássico Boris Yeltsin, além de Brejnev, Sarkozy e o hilário político belga Michel Daerden. - (Fonte: Boletim Carta Maior - Aqui).
UM AGENTE CONTRA O MEIO AMBIENTE
OSCAR 2021: HOPKINS, O MELHOR ATOR
Meu pai - um título mais comercial encontrado para o português, mas que não oferece a mesma a carga dramática do original - estreia no próximo dia 9 deste mês nas plataformas digitais Now, Itunes (Apple TV) e Google Play e é um dos grandes cartazes disputando o Oscar deste ano com seis indicações. Melhor ator, melhor filme, atriz coadjuvante (a excepcional Olívia Colman, e sem falar de Hopkins, como sempre brilhante), montagem precisa, a fascinante direção de arte e o roteiro adaptado.
A memória imediata falha cada vez mais e o velho pai está mergulhando na confusão mental entre fantasia, delírio, fatos concretos, retorno a lembranças originais e na paranoia acompanhada de agressão e irritabilidade. A necessidade de levar o pai a viver numa instituição para idosos passa a ser uma possibilidade imediata quando Anne decide mudar para Paris e deixar de estar com o pai diariamente.
No início do filme há a sensação de estar diante de uma obra de teatro filmada como tão bem os ingleses sabem produzir. Logo a impressão se desvanece com o talento de Hampton, que no passado adaptou o roteiro da festejada versão cinematográfica dirigida por Stephen Frears de Ligações Perigosas, de Choderlos de Laclos, e agora transformou a peça de teatro de Zeller, seu amigo, em fino produto de cinema.
Presente, o humor britânico rascante, como na conversa da filha com o pai anunciando que precisa mudar para Paris onde vai viver com o novo marido, e em duas ocasiões ele protesta ''... mas em Paris não sabem falar inglês!'' Presente também a frieza das relações familiares saxônicas, aqui com a afeição, a generosidade e o acolhimento firmes da filha que afinal nunca foi a preferida do pai - ao contrário; sempre foi preterida pela talentosa irmã caçula.
Mas um dos aspectos mais admiráveis nessa sonata que vai levando os personagens embalados pelo belo som do piano de Ludovico Einaudi a se reposicionarem diante da decomposição mental do velho Anthony - fora, repetimos, a precisão do trabalho do pequeno elenco e a segurança da montagem cirúrgica - é a direção de arte desse filme.
Os ambientes dos apartamentos (ou será um único apartamento?) onde mora Anthony como que sublinham a casa vazia em que vai se transformando seu cérebro, seu coração e sua alma. E é exato o quase lusco-fusco da iluminação que remete a sombras cinza azuladas - não depressivas, mas simplesmente tristes - que vão pousando sobre até as mínimas e cotidianas operações mentais do protagonista.
O pequeno quadro da sequência final de The father vale o belo filme. Um Anthony lamentando um pouco a possibilidade de não estar podendo recolher as folhas caindo das árvores que eram da sua infância, lá fora, na praça, e a enfermeira/médica (atriz Olivia Williams, de precisão notável entre o profissionalismo e a delicadeza de uma pietá) embalando e consolando a criatura humana - afinal, apenas uma criança que sofre. Para conferir os ganhadores do Oscar 2021, clique Aqui.
domingo, 25 de abril de 2021
ELES DISSERAM E/OU CANTARAM
RACISMO EUA: CARTUM DO MÊS
PARA SALVAR O PLANETA, EXPROPRIE OS RICOS
sábado, 24 de abril de 2021
ELES DISSERAM E/OU CANTARAM
MINISTÉRIO PREPARA PROTOCOLO PARA USO DE CLOROQUINA CONTRA COVID-19 E QUEIROGA AVISA: VAI VIRAR POLÍTICA PÚBLICA
DA SUSTENTABILIDADE
A IMPORTÂNCIA DA CPI DA PANDEMIA
.
"A CPI da Pandemia é, já de início, uma importante medida sanitária para enfrentamento da crise de saúde pública. Configura-se como uma obrigação do parlamento em fiscalizar o Poder Executivo e acompanhar a implementação das políticas públicas", afirma o senador Randolfe Rodrigues
Por Randolfe Rodrigues (Senador, virtual vice-presidente da CPI)
Na próxima semana o Senado Federal instalará a CPI da Pandemia, cujo objetivo é investigar a estratégia governamental de enfrentamento ao novo coronavírus, suas ações, omissões e motivações para a tomada de decisões. A média diária de óbitos aproxima perigosamente o Brasil das 400 mil mortes somadas desde o primeiro registro de falecimento devido à Covid-19 no país e o descontrole na disseminação do vírus nos torna celeiro para o surgimento de novas cepas, potencialmente mais contagiosas e letais do que outras variantes.
A tragédia sanitária que nos assola ultrapassa as fronteiras nacionais, acumulando prejuízos para a nação brasileira em diferentes partes do mundo, que vão desde a proibição de entrada em outros países ao desaceleramento do comércio internacional decorrentes da instabilidade na produção nacional. Afinal, a falta de coordenação nas ações de enfrentamento resultou, entre outras coisas, no fechamento e reabertura dos espaços produtivos e de negócios repetidas vezes, dificultando o planejamento empresarial num momento de incertezas estruturais.
Nossa situação é tão delicada a ponto de virar objeto de discussão em outras nações, receosas das consequências globais resultantes da nossa incapacidade de controlar satisfatória e minimamente a pandemia no país. O temor é que as novas cepas surgidas no Brasil devido à circulação sem controle do vírus não sejam combatidas pelas vacinas existentes, ou mesmo tenham resposta menos efetiva aos protocolos de tratamento utilizados.
Em outras palavras, além da crise sanitária e do agravamento da crise social ocasionados pelo coronavírus no país, ainda podemos estar diante de uma catástrofe biológica cujas consequências são imprevisíveis e extrapolam nossos limites territoriais e contingente populacional. Somos uma bomba-relógio prestes a explodir cujos destroços serão dispersados em nível global.
A extrema dificuldade do país em conseguir imunizantes e insumos para a sua produção são reflexos da postura do governo federal. Anteriormente, também tivemos dificuldades para aquisição de equipamentos de proteção individual para os profissionais de saúde, sem falar em agulhas e seringas para a aplicação de vacinas.
A CPI da Pandemia é, já de início, uma importante medida sanitária para enfrentamento da crise de saúde pública. Configura-se como uma obrigação do parlamento em fiscalizar o Poder Executivo e acompanhar a implementação das políticas públicas. E notório que o governo federal falhou na sua resposta à crise desencadeada pelo novo coronavírus. As centenas de milhares de mortes, as milhões de contaminações, a persistência com que o vírus circula e o caos na rede pública e particular de saúde são indicativos dessas falhas.
Embora as Comissões Parlamentares de Inquérito tenham natureza política, seus trabalhos são conduzidos de maneira técnica e com observância a métodos e ritos previamente debatidos e aprovados por seus membros, respaldados pelo regimento interno das casas legislativas e inexoravelmente submetidas aos ditames da Constituição Federal. Não há o que temer: CPIs são previstas justamente como um direito das minorias, que jamais podem ter pleitos legítimos negados em função de afinidades político-partidárias ou caprichos ideológicos.
E é neste contexto que o Senado Federal pretende instalar a CPI da Pandemia na próxima semana, imbuído do espírito republicano e da obrigação de explicar às gerações atuais e futuras as ações e omissões que resultaram no genocídio de nossa população, na quase destruição de nossa economia e no estremecimento das nossas relações internacionais. Governos passam, mas as consequências de seus atos ecoam por anos, refletindo nas experiências vividas pelo povo no seu dia-a-dia, induzindo decisivamente no futuro da população. - (Aqui).



























