sexta-feira, 3 de abril de 2020
ELES DISSERAM - EM VÍDEO(S) - (03.04.20)
.Drauzio Varella e pesquisadores:
Uol Debate: COVID-19 ................................. Aqui.
.Leo Stoppa:
E a professora de Bolsonaro era fake ............. Aqui.
.Alex Solnik / PML / Federicce:
Boa Noite 247: Mandetta: 75%; Bolsonaro: 33 Aqui.
.Luis Nassif:
Continua a luta para conter Bolsonaro ........... Aqui.
.Paulo A Castro:
Carlos Vereza, Bolsonaro e outros ................. Aqui.
COVID-19: PALAVRAS NADA AMENAS DE UM ANALISTA
.
A situação é de fato preocupante, dada a desigualdade social reinante no Brasil, o alheamento do Planalto em face da crise que se avizinha(va), a 'pequenez' do Brasil entre as grandes potências (vide os EUA 'desfazendo' contratos de compra de EPIs firmados por nosso país - o mais recente de interesse da Bahia - junto à China) e o processo de esvaziamento do SUS, programa importantíssimo que mereceria deferências especiais, criado a partir do advento da Constituição Federal de 1988.
Mas contamos, em contrapartida, com uma equipe ministerial engajada, liderada pelo ministro Mandetta, um bom sistema de comunicação e a surpresa positiva da cooperação de algumas empresas e entidades (e até pessoas físicas) na luta contra o coronavírus. Tudo isso a despeito dos ruídos produzidos por instância superior. Mas as palavras nada amenas de Fernando Brito são, sim, cabíveis.
Nota: Nesta data, a prefeitura de São Paulo negou relação entre covid-19 e as covas ontem mostradas pela imprensa (como se vê abaixo).
O monstro está chegando e o governo tergiversa
Por Fernando Brito
Não está longe a explosão dos casos de coronavírus no Brasil, está perto.
A situação é de fato preocupante, dada a desigualdade social reinante no Brasil, o alheamento do Planalto em face da crise que se avizinha(va), a 'pequenez' do Brasil entre as grandes potências (vide os EUA 'desfazendo' contratos de compra de EPIs firmados por nosso país - o mais recente de interesse da Bahia - junto à China) e o processo de esvaziamento do SUS, programa importantíssimo que mereceria deferências especiais, criado a partir do advento da Constituição Federal de 1988.
Mas contamos, em contrapartida, com uma equipe ministerial engajada, liderada pelo ministro Mandetta, um bom sistema de comunicação e a surpresa positiva da cooperação de algumas empresas e entidades (e até pessoas físicas) na luta contra o coronavírus. Tudo isso a despeito dos ruídos produzidos por instância superior. Mas as palavras nada amenas de Fernando Brito são, sim, cabíveis.
Nota: Nesta data, a prefeitura de São Paulo negou relação entre covid-19 e as covas ontem mostradas pela imprensa (como se vê abaixo).
O monstro está chegando e o governo tergiversa
Por Fernando Brito
Não está longe a explosão dos casos de coronavírus no Brasil, está perto.
Nos próximos dias você terá a notícia de que um conhecido, um amigo, um parente está infectado e internado.
Isso não é terror, é apenas a verdade, como aqui se disse, há quase um mês, que a doença explodiria nos EUA, que, então, ainda brincavam com a história de que era uma “gripezinha” e não agiam para isolar seus cidadãos.
Os números, lá, são aterrorizantes: 235 mil infectados, mais de 25 mil em 24 horas. Mais de mil mortos, ontem.
Um terço dos novos casos diários no mundo são norte-americanos e hoje devem ser perto de 30 mil.
Do Equador, chegam cenas dantescas de cadáveres sendo deixados nas ruas ou cremados ali mesmo, no asfalto.
Por todo o mundo, os mortos se contam às dezenas de milhares.
Ainda não está assim aqui, mas será que vai ficar?
A resposta, infelizmente, é sim.
Temos relativamente “poucos” casos – embora já passem de sete mil – por uma única razão: a grande maioria não é testada.
O Instituto Adolfo Lutz, apenas ele, tem 16 mil testes na “fila” para serem examinados. Como os testes, escassos, em geral só foram aplicados a pacientes com sintomatologia evidente, é de se esperar uma alta taxa de resultados positivos. E, portanto, uma “dobra” nos casos.
Além disso, como mostra hoje a Folha, os médicos de primeiro atendimento, sem testes e sem uma orientação precisa de como classificar pacientes para notificação sistema, estimam que possa haver dezenas de casos.
O mesmo aconteceu nos EUA, onde os testes eram – e em alguns estados ainda são – muito poucos.
Some-se a isso o fato de que, a partir da formação de uma “massa crítica”, o fator de expansão se amplia e forma números apavorantes.
Os Estados Unidos, “campeão mundial” de casos, há apenas duas semanas, tinha menos casos confirmados que o Brasil. Eram, acreditem, 6.344, no dia 17 de março. 38 vezes mais, sim, é isso mesmo.
Tento conter a indignação que tem marcado meus últimos posts, porque não é fácil se manter sóbrio diante dos assassinatos em massa que nossas titubeantes autoridades estão perpetrando.
Ainda há milhares de nossos irmãos desnecessariamente nas ruas, animados e confusos por conta de um pastiche de Trump que, enfim, fará do Brasil um país semelhante aos EUA, mas apenas no desastre humanitário. Ou quase.
Aqui talvez não haja a dor silenciosa da América do Norte, como também não há os cargueiros trazendo socorro da China, o mesmo socorro que faltará aqui.
Nem se espere socorro de nosso (?) governo.
Porque, com as demoras e complicações (propositais e perversas) de se garantir uma mísera renda a quem está privado de seu trabalho, mesmo precário, há 15 dias ou mais, vai ser ouvido também o grito da fome, além do da perda.
Daqui a quinze dias é perto, semana que vem é perto, hoje é perto.
Desculpem, portanto, se não amenizo as palavras. - (Tijolaço - Aqui).
BRASIL EMPERRADO
XADREZ DE COMO OS GENERAIS ENQUADRARAM O CAPITÃO
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"Não se sabe como Braga Neto enfrentará esse desafio, se atuará como um articulador das ações de setores variados, ou um centralizador, escudando-se apenas no poder militar. Mesmo porque será tarefa impossível manter Bolsonaro na presidência." - (Luis Nassif).
....
Este Blog se permite dizer que tem dúvidas quanto à eficácia das 'medidas' postas em prática...
Na conversa, Gilmar lembrou o período do apagão e a maneira como foi enfrentado, montando um estado maior dentro do Palácio coordenado por Pedro Parente. A organização, e o talento de Parente, foi fundamental para debelar a crise.
"Não se sabe como Braga Neto enfrentará esse desafio, se atuará como um articulador das ações de setores variados, ou um centralizador, escudando-se apenas no poder militar. Mesmo porque será tarefa impossível manter Bolsonaro na presidência." - (Luis Nassif).
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Este Blog se permite dizer que tem dúvidas quanto à eficácia das 'medidas' postas em prática...
Peça 1 – como foi montada a intervenção em Bolsonaro
Na 6ª feira, quando Bolsonaro ameaçou implodir a quarentena, o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes informou a assessores da Presidência, que a medida não passaria. Eles pediram, então, que conversasse com o próprio chefe.
A conversa se deu no sábado, presentes os generais Luiz Eduardo Ramos, Ministro-Chefe da Secretaria de Governo, e Braga Neto, da Casa Civil.
Bolsonaro insistiu que iria derrubar a quarentena. Gilmar rebateu, alertando para a crise política e para o fato de que o Supremo não iria permitir. Foi o primeiro caso de enfrentamento de Bolsonaro. O segundo foi com o Ministro Luiz Henrique Mandetta no dia seguinte.Na conversa, Gilmar lembrou o período do apagão e a maneira como foi enfrentado, montando um estado maior dentro do Palácio coordenado por Pedro Parente. A organização, e o talento de Parente, foi fundamental para debelar a crise.
Gilmar sugeriu, então, que fosse montado um Estado Maior na Presidência, com a participação do presidente do STF, Dias Toffoli, da Câmara, Rodrigo Maia, do Senado, Davi Alcolumbre.
Mostrou a importância do próprio STF, que atuaria como propagador de orientações para o Judiciário, a exemplo do que fez o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), com suas recomendações para os juízes reduzirem os encarceramentos para crimes leves. Provavelmente veio daí a ideia do tal Estado Maior comandado pelo general Braga Neto.
Só que às vezes o jogo político tem razões que a própria razão desconhece. E, aí, vem a incógnita do pensamento militar. Quando se junta a sugestão importante com o pensamento militar atual, há motivos para preocupações.
Peça 2 – as outras intervenções militares
Depois da redemocratização, as Forças Armadas não mais intervieram na política diretamente. Mas continuaram atuando nos bastidores de forma passiva. Apesar de, teoricamente, o Presidente da República ser o comandante geral, não moveram uma palha em dois momentos em que a Presidência foi atacada.
A primeira, no governo Fernando Collor, que havia angariado a antipatia da corporação ao fechar o SNI (Serviço Nacional de Informações) e interromper o programa nuclear.
A segunda, Dilma Rousseff, por ter instituído a Comissão da Verdade.
Jair Bolsonaro é um caso diferente. Enfrenta resistências no Alto Comando, mas tem apoio majoritário na jovem oficialidade e entre sargentos e suboficiais, além de entrada nas Polícias Militares.
Além da penetração nas Forças Armadas, ele mobiliza um segmento agressivo da ultradireita. Se fosse apeado do poder haveria agitação nas ruas, algo que não aconteceu nem com Collor nem com Dilma.
A interdição de Bolsonaro é prioritária. Mas vai ser mantido no poder também por cálculo político.
Peça 3 – o papel do general Mourão
Caindo Bolsonaro, assumiria o vice, general Hamilton Mourão. Ele teria dificuldades em negociar com Câmara e Senado, por não ter base política. Teria de se apoiar em ampla constelação de forças políticas, articulada provavelmente por Rodrigo Maia. E estaria impedido de se candidatar nas próximas eleições.
Sem as candidaturas de Bolsonaro e de Mourão, haveria o risco da volta do PT e das esquerdas, segundo o pensamento militar.
Montou-se, então, uma estratégia delicada. Bolsonaro seria colocado no papel da rainha louca da Inglaterra, de modo que suas aparições não contaminassem a figura da presidência da República.
Entende-se daí a Ordem do Dia do comandante do Exército, Edson Leal Pujol, e do vice-presidente Hamilton Mourão e também o acatamento da sugestão de Gilmar Mendes.
Peça 4 – como se monta uma intervenção militar
O papel das Forças Armadas é defender o país contra o inimigo externo. Em 1999, em plena efervescência contra o governo Fernando Henrique Cardoso, foi aprovada a Lei Complementar 97 e, em 2001, o Decreto 3897, regulamentando as operações de GLO (Garantia da Lei e da Ordem), permitindo aos militares atuar com o poder de polícia, em caso de agitações. Tudo sob ordem expressa da Presidência da República.
No governo Temer, a crise de segurança em vários estados fez com que a GLO fosse empregada continuamente, durante a gestão do Ministro da Justiça Alexandre de Moraes.
No dia 7 de maio de 2016, alertei sobre a estratégia Temer-Moraes, de colocar o fator militar em cena novamente, com a nomeação do general Sérgio Etchgoyen para o Gabinete de Segurança Institucional.
“A maneira dos militares voltarem para a política seria através da recriação de uma estrutura militar de controle no governo federal, mas diferente do extinto GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República) e mais próximo do SNI (Serviço Nacional de Informações) e da segurança presidencial.
Quem está à frente dessas articulações é o general Sérgio Etchegoyen, chefe do Estado Maior do Exército Brasileiro e de uma família que faz parte da própria história do Exército”.
Não apenas isso. Em seu período, Alexandre de Moraes tentou de todas as maneiras recriar a figura do inimigo interno, para justificar uma eventual intervenção militar, no caso do governo Temer se sentir ameaçado. Culminou com a pantomima do suposto grupo terrorista que se articulava pela Internet.
Peça 5 – os desafios pela frente
Há dois empecilhos no caminho dessa estratégia de interditar Bolsonaro sem apeá-lo do poder.
O primeiro, os incontroláveis Bolsonaro e seus filhos, em fase de surto total. O segundo, a maneira como Braga Neto irá se comportar, se acatará a sugestão de um Alto Comando composto pelos três poderes, pelos Ministros e por entidades da sociedade civil. Ou se agirá como na hierarquia militar.
Há um problema urgente a enfrentar, que é o boicote da burocracia federal a Paulo Guedes, por razões explicáveis.
Antes de comandar o gabinete da crise, Pedro Parente passou por todas as instâncias da área pública, começando no Banco do Brasil, passando pelo Banco Central Secretaria do Tesouro Nacional, coordenando a implantação do SIAFI (Sistema Integrado de Administração Financeira). Tinha conhecimento da máquina e a confiança dos técnicos.
Guedes, ao contrário, foi um macaco em loja de louças. No caso do desembolso dos R$ 600,00, contou com a má vontade da máquina, com funcionários se recusando a endossar a medida, levantando desculpas jurídicas por receio de serem, mais tarde, alvos da perseguição do TCU (Tribunal de Contas da União), receio justificável, aliás, depois do histórico de onipotência do órgão.
Não se sabe como Braga Neto enfrentará esse desafio, se atuará como um articulador das ações de setores variados, ou um centralizador, escudando-se apenas no poder militar. Mesmo porque será tarefa impossível manter Bolsonaro na presidência.
Primeiro, porque Bolsonaro e filhos são incontroláveis. Depois, porque há a possibilidade concreta de Donald Trump ser derrotado por Joe Bidden nas próximas eleições dos EUA, o que tornaria a posição de Bolsonaro insustentável.
De qualquer modo, é o primeiro capítulo da era pós-Bolsonaro. - (Fonte: Jornal GGN - Aqui).
quinta-feira, 2 de abril de 2020
ELES DISSERAM - EM VÍDEO(S) - (02.04.20)
.ENSAIO VOCAL - Teresina:
TUDO ISSO VAI PASSAR .............................. AQUI.
................
.Fernando Morais:
Caixa-Preta: Os trapalhões ........................... Aqui.
.Aquias Santarem:
"Quarentena é uma farsa", diz Malafaia .......... Aqui.
.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ............................................... Aqui.
.Luis Nassif:
Como os generais enquadraram Bolsonaro ..... Aqui.
.Paulo A Castro:
Bolsonaro do Equador deixa
coronavírus massacrar seu povo .................... Aqui.
Mourão a um passo da cadeira de presidente .. Aqui.
.Alex Solnik / PML / Federicce:
Bolsonaro anuncia decreto contra quarentena . Aqui.
VÍTIMAS DO CORONAVÍRUS SÃO ALVOS DO ÓDIO DIGITAL
.
...“o estigma é mesmo uma coisa de medo que as pessoas estão da doença, principalmente as pessoas pouco informadas.”...
Vítimas do coronavírus são alvos do ódio digital
Por Ethel Rudnitzki e Laura Scofield
No dia 7 de março, quando a pandemia do coronavírus tinha acabado de chegar ao Brasil, Jeferson* foi a um casamento na Bahia, estado que havia acabado de confirmar seu segundo caso, dentre os 19 confirmados então. Quando voltou para sua cidade, no interior de São Paulo, ficou sabendo que três pessoas que foram no evento estavam infectadas com o vírus. Imediatamente, fez o exame para covid-19 e se colocou em isolamento, interrompendo suas atividades de trabalho. Além disso, também publicou em suas redes sociais um vídeo com esclarecimentos sobre seu estado de saúde para informar a família e os amigos.
A resposta foi virulenta e imprevisível. Seu vídeo circulou em grupos de Whatsapp e Facebook, acompanhado de acusações de que estava espalhando o vírus pela cidade de 115 mil habitantes e desrespeitando a quarentena. “Surgiu muita coisa, pessoas falando que me viam na rua, e era mentira. Inventaram que eu estava na UTI, entubado, muita falação… Eu fiz tudo certinho, mas realmente teve muita invenção”, conta. A notícia do jornal local sobre o caso recebeu de 300 comentários no Facebook, entre eles: “Manda esse bosta pra PQP”; “É um total irresponsável”; “O doutor playboyzinho vai no casamento na casa do caralho e vem trazendo o vírus.” Enquanto ainda estava em isolamento, ele recebeu uma ligação no interfone de seu apartamento de um vizinho, que não se identificou. “Ah, se eu te ver no corredor… Fica esperto!”, dizia a ligação.
Alguns dias depois, saiu o resultado negativo do exame. Mas os ataques continuaram. “É um babaca que saiu anunciando que estava infectado e deixando a população assustada”; “Queria fama”.
(...)
Jeferson é apenas uma das pessoas que teve suspeita de infecção ou ficou doente e sofreu ataques nas redes sociais. A Agência Pública conversou com outras quatro vítimas, que receberam desde xingamentos até ameaças de morte em grupos de Whatsapp e postagens em redes sociais. Os entrevistados relatam que grande parte dos ataques culpa eles pelo vírus através de falsas acusações e desinformação.
Responsabilização e estigma
Assim que Carlos* teve diagnóstico confirmado para coronavírus, começaram os ataques. Carlos nasceu em uma cidade do interior da Bahia e estava por lá passando férias com sua mãe e esposa. Havia recentemente voltado de uma viagem a trabalho nos Estados Unidos e, quando começou a sentir os sintomas da doença causada pelo covid-19, procurou um médico. Fez o exame e, quatro dias depois, recebeu o resultado: era o primeiro e único caso de coronavírus em sua cidade.
A notícia se espalhou rápido. Assim que soube do resultado, a mãe de Carlos enviou um áudio a conhecidos via Whatsapp. Sua intenção era, além de alertar as pessoas, tranquilizar a todos ao dizer que a família estava isolada, seguindo os protocolos médicos. Mas a situação se tornou um caso de polícia.
Além de comentários maldosos pela internet, surgiu e se disseminou no Whatsapp um áudio que citava diretamente o nome de Carlos e pedia que aqueles que soubessem seu endereço o agredissem fisicamente. O áudio exortava o seu linchamento, o que é crime segundo o Código Penal. “Esse Carlos que chegou dos Estados Unidos é a colmeia do vírus. Enquanto a população não linchar ele e jogar ele para debaixo de sete palmos de terra, ele vai espalhar o vírus”, dizia.
Assustada, a família teve que buscar proteção da polícia. Além de vigiar o bairro onde mora, a PM está mobilizando suas redes para identificar o autor do áudio. “É como se a gente fosse responsável por contaminar a cidade inteira”, diz a mãe, que testou negativo para o vírus. “Todos os ataques se resumem a falar que a gente tinha consciência de que a gente tinha o vírus e a gente saiu para propagar”, concorda Carlos. Ele teme que muitas pessoas vão continuar acreditando nas notícias falsas. “Espalhou de um jeito que as mentiras passaram a ser verdade”, diz.
A mãe desabafa que a angústia de ter que lidar com os comentários, ameaças e boatos relacionados à sua família foi maior do que a de ter o filho contaminado pelo vírus. “Eu poderia estar morta, ele poderia estar morto, minha nora e meu neto poderiam estar mortos. As pessoas não pensaram isso, elas nos viram como os vilões da história, os transmissores do vírus.”
Redes nada cordiais
O mesmo aconteceu com Gabriel Azevedo, vereador de Belo Horizonte. Como forma de prevenção, o político e sua equipe começaram medidas de distanciamento social no dia 12 de março. No dia 14, o vereador resolveu fazer o teste para coronavírus por precaução. Azevedo recebeu seu teste positivo para covid-19 no dia 18 de março e, como figura pública, resolveu compartilhar o resultado nas redes sociais.
Imediatamente, uma chuva de comentários negativos surgiram em suas postagens. Muitos deles acusavam o vereador de querer contaminar outras pessoas. “Ser acusado de querer contaminar é uma coisa absurda”, relatou. Foram tantos os ataques que um médico orientou que ele se afastasse das redes sociais.
Gabriel Azevedo conta que desde que publicou o resultado positivo de seu exame para coronavírus tem recebido diversos relatos de pessoas que também foram estigmatizadas por estarem com a doença. “As pessoas não tiveram empatia e solidariedade. Ficaram imaginando que alguém quer contrair o vírus”, lamenta.
“Não é a primeira doença que está sendo estigmatizada”, explica a jornalista Alana Rizzo, fundadora da organização Redes Cordiais, não-violenta nas redes sociais através de influenciadores digitais parceiros.
Rizzo está acompanhando casos de ataques virtuais no contexto do coronavírus e é taxativa ao dizer que os piores ataques são aqueles que buscam responsabilizar as pessoas contaminadas. Isso acaba “estigmatizando, afastando e desumanizando” quem já está fragilizado por ter que lidar com a doença.
Outro tipo de ataque comum tem sido a disseminação de boatos e mentiras sobre elas – as chamadas “fake news”.
Isso aconteceu com Eduardo*, morador de uma cidade no sudeste de Minas Gerais. Quando voltou de uma viagem à França com a família, ele cumpriu rigorosamente o isolamento de 14 dias. Ainda assim, foi acusado de estar rompendo a quarentena e teve fotos de sua viagem e seu endereço espalhados pelas redes. Dizia-se que eles haviam voltado da Itália e transmitindo o vírus.
“A gente sente que tem a vida invadida, é pior do que um roubo”, relata Eduardo, que também teve que acionar a polícia.
A disseminação de boatos e mentiras também aconteceu com Carlos e com o vereador Gabriel Azevedo. Ambos foram acusados de desrespeitar o isolamento social, com perfis afirmando que eles haviam sido visto em diversos eventos.
“De acordo com tudo que eu fui recebendo, no final de semana eu devo ter ido a 100 eventos, quando eu estava, no sábado, lendo um livro em casa, e no domingo à noite, trancado em casa”, ironiza o vereador, que desmentiu os boatos em suas redes sociais.
“A um passo de um colapso nervoso”
Apesar de terem tido início nas redes sociais, alguns dos ataques às vítimas do coronavírus tomaram dimensões físicas, segundo apurou a Agência Pública.
Em Águas Lindas de Goiás, Célia* teve a casa apedrejada após um áudio de Whatsapp espalhar a informação de que ela estaria com suspeita de coronavírus e listar seu endereço. “Ela deve ter contaminado ali em volta tudinho”, dizia, no áudio, uma mulher que se identificava como enfermeira do hospital.
Célia está grávida de 4 meses e foi para o hospital em uma cidade vizinha no dia 18 de março com sintomas de gripe e falta de ar. Diagnosticada com pneumonia, ela fez o exame para coronavírus e foi internada para tratamento. No domingo, dia 22, sua casa foi apedrejada. “Ela me ligou desesperada. Em pânico mesmo, com medo do pessoal invadir a casa, bater nos seus filhos”, conta o irmão da vítima.
Agora, a polícia investiga quem está por trás do áudio e do apedrejamento.
Na segunda-feira, Célia recebeu o resultado de seu exame: negativo. Seu irmão também testou negativo. “As pessoas estão soltando muita coisa, muita mentira, muitas coisas falsas, e estão nos deixando a um passo de um colapso nervoso, de um surto”, lamenta ele.
Isolamento social e virtual
Muitas vítimas também preferiram ficar afastadas das redes para evitar novos ataques, cuidar da saúde.
Depois dos ataques que sofreu, Jeferson recomenda que as pessoas não compartilhem nas redes sociais caso estejam com suspeita de vírus, “porque tem muita gente que mistura as coisas, por desinformação.”
Alana Rizzo, do Redes Cordiais, lembra que é importante cuidar da privacidade e da confidencialidade nesses casos. “Exponha só o que é a sua informação. A informação médica é extremamente confidencial e tem que ser”, ressalta.
Para quem quiser compartilhar suas informações, o Redes Cordiais criou um guia com orientações para as pessoas postarem sobre o coronavírus nas redes sociais, sem reforçar o estigma da doença. Entre as dicas estão evitar o uso de adjetivos, como “vírus mortal”, para não espalhar o pânico, e compartilhar suas experiências individuais, mas sempre embasado em informações validadas e oficiais.
Infuenciadores
Para Rizzo, a experiência de pessoas com coronavírus ou que estão com suspeita pode ajudar a informar seus ciclos de amigos e familiares. No caso de influenciadores, o impacto pode ser ainda maior. “Os influenciadores estão virando um pouco essa rede de apoio para quem está com a doença.”
Pedro Doria, colunista do O Globo e editor do Meio, conta que resolveu escrever uma coluna sobre seu estado de saúde justamente para ajudar a informar as pessoas sobre a doença através de sua experiência individual. Ele está com sintomas de covid-19, em isolamento e acompanhamento médico remoto, mas não fez o teste para o vírus por não querer sobrecarregar o sistema de saúde. “O objetivo de escrever foi exatamente esse de falar o que você sente, qual é a sensação, e passar a informação de que o vírus já estava entre nós.”
Apesar de não ter sofrido retaliações, ele diz que “o estigma é mesmo uma coisa de medo que as pessoas estão da doença, principalmente as pessoas que estão pouco informadas.”
Para a diretora do Redes Cordiais, as redes sociais devem ser usadas como ferramentas para achar pontos de aproximação, em vez de afastamento, nesse momento de pandemia. “Acho que o problema é que a gente segue na mesma polarização, num momento que é de união. Não tem espaço para ficar apontando o dedo”, defende. “É um momento em que não só os que estão lutando contra a doença, mas toda a sociedade está muito mais frágil. A gente precisa desenvolver ainda mais nossa capacidade de empatia nas redes”. - (Fonte da matéria, com ilustrações: Agência Pública - Aqui).
FORA DA SOLIDARIEDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO
Jota A. (Teresina).
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.Marco Menelau:
Boas notícias: vacina desenvolvida por Israel
nos estágios finais! .......................................................... Aqui.
.Uol Debate:
Drauzio Varella e pesquisadores respondem:
onde estamos na crise do coronavírus ............................ Aqui.
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.Marco Menelau:
Boas notícias: vacina desenvolvida por Israel
nos estágios finais! .......................................................... Aqui.
.Uol Debate:
Drauzio Varella e pesquisadores respondem:
onde estamos na crise do coronavírus ............................ Aqui.
CÉTICOS ATÉ O FIM
MORO DIVULGA FAKE NEWS DURANTE COLETIVA NO PALÁCIO DO PLANALTO
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Na coletiva do dia 31 sobre o covid-19, o ex-juiz de base, incomodado ante o protagonismo do ministro Mandetta e auxiliares, não conseguiu se segurar e resolveu apropriar-se da palavra final, divulgando a fake news e aproveitando para dar uma chamada no CNJ, que ousara afrontá-lo com a liberação de presidiários em face da pandemia. Ora, ora, quem o tal Conselho Nacional de Justiça acha que é? O super-ministro, assim, restabeleceu duplamente a sua autoridade. E agora se dá mal em mais uma. A fogueira das vaidades queima implacavelmente.
(Em tempo: Eis que agora se penitencia, só que parcialmente - Aqui -. E assim segue em sua trilha colorida o incorrigível Moro).
É falsa a informação divulgada pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, no final de coletiva de imprensa nesta terça-feira, 31, de que um homem, que foi liberado da prisão devido à pandemia do coronavírus, foi apreendido no Rio Grande do Sul com grande quantidade de drogas e armas.
No fim dos pronunciamentos da coletiva, Moro pediu a palavra e leu no celular: "aqui uma declaração que me veio rapidamente. A informação de última hora. Isso precisa ser confirmado, mas a informação que eu recebi aqui: Foi preso em São Leopoldo um detento de 38 anos que foi libertado semana passada por prisão domiciliar humanitária. Foi apreendido com ele 124 kg de cocaína, 12 kg de crack, 6 fuzis 556 e um 762, além de uma submetralhadora 9 mm e mais 5,5 mil cartuchos de fuzil"
"Situação do indivíduo que é colocado em prisão domiciliar por questões humanitárias relacionadas ao coronavírus e uma semana depois é apreendido com ele tanta quantidade de droga, tanta quantidade de arma. Pelo jeito não estava tão precisando, tão doente assim pra ser colocado em liberdade. Então, precisa ter uma análise de cada caso, não pode ser colocado em liberdade indiscriminadamente. Esse é um apelo que eu faço, é importante", afirmou.
Segundo informações do G1, “uma operação realmente ocorreu na cidade de Campo Bom, no Rio Grande do Sul, mas o homem preso não cumpria pena e, portanto, não estava em prisão domiciliar por causa do coronavírus”.
Moro fez a declaração após o tema da liberação de presos em situação de risco de contaminação pela Covid-19 ter sido discutido na coletiva. No dia 17 de março, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) emitiu uma recomendação para que os tribunais avaliem medidas de prevenção ao vírus nos presídios, como a concessão de prisão domiciliar para presos em cumprimento de pena em regime aberto e semiaberto ou em casos suspeitos ou confirmados da doença. - (Aqui).
quarta-feira, 1 de abril de 2020
ELES DISSERAM - EM VÍDEO(S) - (01.04.20)
.ELES CANTAM! ENSAIO VOCAL!
TUDO ISSO VAI PASSAR ............................. AQUI.
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.Galãs Feios:
Twitter apaga Fake News de Bolsonaro ......... Aqui.
.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ............................................. Aqui.
.Luis Nassif:
A demora de Guedes-Bolsonaro em liberar
dinheiro para os vulneráveis ....................... Aqui.
.Paulo A Castro:
Desembargador e ex-promotor
versus Lava Jato ........................................ Aqui.
Ministra desmente Bolsonaro ....................... Aqui.
.Alex Solnik / PML - Boa Noite 247:
Lula culpa Bolsonaro pela crise .................... Aqui.
MONICA DE BOLLE: "SEM CUIDAR DA SAÚDE DAS PESSOAS, A ECONOMIA SERÁ DESTRUÍDA"
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Um dos raros países do mundo em que é imperioso exortar o pretenso líder até mesmo sobre as coisas mais básicas e elementares...
A economista Monica de Bolle disse que “a economia é feita de gente” e que, se o governo “não proteger a saúde das pessoas, vai destruir a economia do mesmo jeito”.
Segundo ela, “um país em colapso por causa de uma epidemia sem controle é muito mais complicado de reconstruir [do ponto de vista econômico]”. Ela criticou a ideia do presidente Jair Bolsonaro de querer que as pessoas voltem a trabalhar e não obedeçam às determinações de distanciamento social. Para Monica de Bolle, afrouxar essas regras é “absolutamente prematuro”.
A economista fez o alerta em entrevista especial concedida à “Pastoral Americana” na sexta-feira passada e que foi ao ar na rádio CBN duas vezes no último fim de semana. Ela considerou “criminosa” a propaganda divulgada pelo governo federal estimulando as pessoas a romper a quarentena e retomar o trabalho.
Professora da Universidade Johns Hopkins e pesquisadora sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional, Monica de Bolle vive em Washington, de onde tem participado ativamente do debate público apresentando propostas para o Brasil enfrentar a pandemia de coronavírus e os efeitos negativos na economia.
Segundo ela, essa crise será um divisor de águas para todos do planeta. “A crise que a gente está atravessando é inédita e vai marcar a nossa geração.”
Monica de Bolle afirmou que “hoje não há economista em sã consciência que vá defender austeridade em meio a uma crise dessa magnitude”. De acordo com ela, “o pensamento mudou rapidamente em três semanas”.
A respeito do Brasil, ela disse não entender a “incapacidade” e a “paralisia” do governo. Afirmou que “o Congresso está tomando as rédeas da situação” e que é preciso agir rapidamente para minimizar danos à saúde e à economia, porque é um falso dilema escolher entre uma coisa e outra. (Clique Aqui para continuar).
FOME COMPROMETE O ISOLAMENTO: O SOCORRO MAIS MOROSO DO MUNDO
'VÍRUS CHINÊS' E O RACISMO CONTRA ASIÁTICOS NO BRASIL
.
Relato - ao site Opera Mundi - da brasileira Lian Tai, filha de pais chineses vindos para o Brasil na infância.
Duas observações marcantes de Lian, entre outras:
."O mais curioso do racismo contra asiáticos no Brasil é que as pessoas absolutamente não desconfiam que ele existe, já que, mesmo com a herança da escravidão, até a consciência do racismo contra negros ainda está engatinhando."
."Chama-se o novo vírus de 'vírus chinês'. O H1N1 surgiu na América do Norte, mas não foi conhecido como vírus americano, e isso diz muito sobre as entrelinhas do discurso. A mensagem é que o que vem desse país estranho com pessoas estranhas nos ameaça. E a necessidade de afirmar o vírus como ameaça chinesa é reforçada por a China não ser um país capitalista, o que causa mais estranhamento e, claro, fere a soberania do Capital."
Por Lian Tai
Sou filha de mãe e pai chineses, que vieram ao Brasil ainda crianças, na década de 60. Nasci na Goiânia dos anos 80, onde cresci e vivi até me mudar, quatorze anos atrás, para o Rio de Janeiro. Ser sino-brasileira tem sido tão estranho no Rio quanto o foi em Goiás, a vida toda. Até hoje, na rua, enfrento dedos que me apontam com deboche e caricaturas, como era na infância. Arigatô! Xinglingling! - são os cumprimentos de gente que nem me conhece e se vê no direito de rir de mim quando passo.
Na escola, sempre entrei na lista das mais feias da turma. As mais bonitas eram brancas, de preferência loiras, na Goiânia parda e cabocla. As bonitas eram tão brancas quanto a branquitude que aparecia na televisão, que não dava conta de representar um país miscigenado, colorido. Eu era feia como eram feias as poucas negras que estudaram comigo, que também não faziam parte do padrão de beleza do colonizador. Aprendi cedo a desejar ser outra e a não gostar dos meus traços. Não me reconhecia como chinesa, enquanto os outros não me reconheciam como brasileira.
Eu tinha certa facilidade para aprender, mas lembro que, já na infância, me tornei rebelde e passei a tirar notas baixas, para fugir ao estereótipo da oriental CDF. Sentia vergonha quando meus pais falavam mandarim na frente dos outros. Não queria pertencer àquele grupo, tido como feio, estranho.
Em algum momento, saí da categoria "feia" para a categoria "exótica". Objeto de curiosidade, de interesse, de desejo. Mas objeto, não sujeito. Comecei a trabalhar como atriz e, entre um mestrado e um doutorado em Comunicação Social, formei-me em teatro. Raramente sou convidada para representar alguma personagem que não seja ou ridícula e estereotipada ou alguma mulher entre outras para dar a ideia de variedade. Frequentemente escuto "elogios" como: "Você é uma oriental bonita". Nunca vi uma branca ser elogiada como uma branca bonita.
Alguns anos atrás, um namorado me levou a um show de stand up comedy. Fui levemente contrariada, pois quem costuma ser alvo de piadas dificilmente tem o mesmo senso de humor. Lembro que um dos humoristas disse o seguinte: "Os homens acham que é legal ser ator pornô, mas imagina se tiver que pegar uma oriental daquelas!" Queria ter gritado que ele era racista, mas me senti humilhada demais diante do então namorado e tentei não me fazer visível, enquanto me segurava para não chorar.
Hoje tenho uma filha pequena, que para mim é o ser humano mais bonito do mundo, mas sempre vejo com olhar crítico quando a elogiam por ser mestiça. A velha ideia de que é preciso "suavizar" nossos traços, que são considerados fortes por não serem europeus. Quando alguém passa por nós e faz alguma chacota, só penso que não quero que ela passe pelo que eu passei. Não é possível que o mundo não mude.
O mais curioso do racismo contra asiáticos no Brasil é que as pessoas absolutamente não desconfiam que ele existe, já que, mesmo com a herança da escravidão, até a consciência do racismo contra negros ainda está engatinhando. Por isso presencio ou sou vítima de racismo até de pessoas próximas, queridas. Há a amiga que imita o sotaque chinês de forma caricata, dizendo "pastel de flango". Há o amigo que me contou que, em sua viagem à China, esperava encontrar "um monte de Lianzinhas" mas achou o povo feio, esquisito. Há o desconhecido que chamou o povo chinês de nojento. Há a amiga que se espantou por meus pais serem professores universitários, mestres e doutores, pois imaginava que tivéssemos um restaurante. Há a conhecida que, querendo criticar o presidente chinês, chamou-o de Xingling. "Isso não é racista?" - perguntei. Ela justificou que discordava da política do país (que, convenhamos, os brasileiros não conhecem, mas isso é tópico para outro texto). Discordância te dá aval para ser racista? - é o que não perguntei, por cansaço.
Nos últimos meses, com a pandemia do coronavírus, tenho visto o racismo contra asiáticos mostrar-se com mais veemência. Um racismo que começa contra os chineses e se estende a todos os povos do extremo oriente, até porque, no Brasil, "é tudo a mesma coisa". Chama-se o novo vírus de "vírus chinês". O H1N1 surgiu na América do Norte, mas não foi conhecido como vírus americano, e isso diz muito sobre as entrelinhas do discurso. A mensagem é que o que vem desse país estranho com pessoas estranhas nos ameaça. E a necessidade de afirmar o vírus como ameaça chinesa é reforçada por a China não ser um país capitalista, o que causa mais estranhamento e, claro, fere a soberania do Capital.
Recentemente, um amigo fez uma postagem em rede social sobre uma doação para hospitais realizada por um grupo de chineses. "Será que não está contaminado?" - foi o comentário de um homem que se diz mestre de kung fu e tem academias espalhadas por São Paulo. Fiquei tão chocada por ele se dizer representante de uma cultura que desrespeita, que fui dar uma olhada em sua página e constatei o óbvio: é apoiador do presidente e sua família. O presidente, cujo filho é deputado, insinuou que a China seria responsável pela pandemia.
O racismo sendo reforçado pelos nossos representantes é algo a que devemos dar atenção. E, se prestarmos a atenção devida, veremos que ele esteve sempre lá, na maioria das vezes invisibilizado e destituído de seu nome: Racismo.
É preciso nomear as coisas para desencantá-las. - (Aqui).
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