sexta-feira, 3 de julho de 2015

MÍDIA E LAVA JATO: OMISSÃO SELETIVA

"Como era de se esperar, os jornais de hoje “abafam” a denúncia gravíssima de que a Polícia Federal não apenas colocou uma escuta telefônica clandestina na cela do “superdelator” Alberto Youssef, como armou uma sindicância fajuta para negar a ilegalidade absurda perante a Justiça.
Isso, como dizem os editores à moda Sérgio Moro, não vem ao caso, embora juridicamente possa até servir de base para a anulação de toda ou boa parte da investigação, isso se ainda houver alguma regra jurídica valendo neste país e os tribunais não tenham se tornado apenas “disputas de torcida”, como parece indicar a matéria do “3 a 3“ no TSE sobre as contas eleitorais de Dilma, aprovadas mas que, como diria Eduardo Cunha, “podem ser votadas de novo”.
A manchete vem de uma história vaga, mais do que imprecisa, de um depoimento que dormia preguiçosamente nos autos há um mês (isso depois de um ano de interrogatórios quase diários) que contém a acusação de Youssef de que um belo dia, alguém o procurou  e pediu para entregar R$ 20 milhões para a campanha de Dilma. Publico ao final a transcrição literal da Folha, mas me permito “traduzir” para algo igual e mais simples:
– Quem? Ah, foi uma pessoa de nome Felipe…
– Mas que Felipe?
– Não sei, ele me procurou uma vez dizendo isso, eu não sei quem é, sei que o conheci junto com o Charles…
– Mas que Charles?
– Ah, um que é dono de restaurante… O Felipe é filho do dono de uma empreiteira, não lembro qual…
Bom, ainda bem que não foi o Mário, para eu não lembrar das brincadeiras que se fazia com o nome, nos tempos de adolescente…
Porque um depoimento destes, afinal, não serve para nada senão para piada.
Uma pessoa que mal se conhece chega e pede para fazer uma operação de 20 milhões de reais, assim, na base do “me dá que eu vou dar para a Dilma”? Para alguém que se diz íntimo e “doador” do tesoureiro oficial do PT, como Youssef diz ser de João Vaccari?
Poxa, eu devia ter conhecido o Youssef e pedido 20 milhões a ele, em lugar de ficar perdendo meu tempo em analisar algo desta natureza virar manchete nos jornais…
Será (que) ninguém leva em conta que o depoimento de junho destinava-se a tentar materializar um “acho que eles sabiam” sobre Lula e Dilma que quase virou de cabeça para baixo as eleições? Como ele sabia? Ah, por causa do Felipe e do Charles…
Em lugar desta baboseira para inteligências microscópicas acreditarem com este nível zero de materialidade, o que deveria ser manchete eram as afirmações, com nome, sobrenome, datas e circunstâncias, por um agente e um delegado da PF de que autoridades públicas da Polícia Federal violaram a lei e puseram em risco (repito, se não tivermos abandonado definitivamente o terreno da lei) toda a investigação.
Mais, que isso foi feito pelos chefes da Polícia Federal do Paraná, pelos responsáveis pela investigação que abalou a República e paralisou o país!
Pois isso não foi para as manchetes por duas razões.
A primeira, evidente, é que a mídia é parte deste processo de encobrimento e direcionamento político da Lava Jato e que, para ela, “isso não vem ao caso, arquive-se”.
A segunda é que o Ministério da Justiça e a direção da Polícia Federal não exercem seu dever de, feita de forma concreta e objetiva não por um “Felipe” ou um “Charles” quaisquer – podem crer, Felipe e Charles estão sendo providenciados, neste momento –  mas por um agente e um delegado graduado da própria instituição.
Um ministro da Justiça republicano – não chamem a covardia e a sabujice de republicanos, por favor – deveria ter determinado que o Diretor da Polícia Federal afastasse os delegados acusados até a apuração da denúncia, que está apoiada no fato concreto e incontestado de que se achou a escuta, de fato, na cela do bandido.
Mas não… tudo fica assim e a equipe acusada da violação da lei é a mesma que investiga, o complicadíssimo caso, onde há um agente que diz que colocou o grampo, um delegado que confirma e a aparelhagem que foi achada!
E vamos acabar “descobrindo” que quem mandou violar a lei  foi o Felipe, ou o Charles, ou o Mário…
– Que Mário?

PS – Transcrição literal,feita pela Folha: ”Olha, uma pessoa de nome Felipe me procurou para trazer um dinheiro de fora e depois não me procurou mais. Aí aconteceu a questão da prisão, e eu nunca mais o vi”. (…) O doleiro afirmou que Felipe não pertencia ao seu círculo de relações ou amizades, e que o conheceu por meio de um amigo chamado Charles, que tinha uma rede de restaurantes em São Paulo. Youssef disse não se lembrar do sobrenome de Felipe. “Se não me engano, o pai dele tinha uma empreiteira. Não consigo me lembrar [do nome da empreiteira]”
".



(De Fernando Brito, em seu blog, post intitulado "Mídia 'abafa' escuta e, na falta de um ministro da Justiça, vale o 'Mário'" - aqui.
O post - que permite vislumbrar a parafernália política reinante, isso sem contar o que corre por TCU e Congresso Nacional - foi reproduzido por outros blogs, entre os quais o Jornal GGN - aqui.
Enquanto isso, o Ministério da Justiça atua na maior calmaria - o termo mais adequado seria alheamento -, contrastando flagrantemente com a efervescência observada nos bastidores judiciais paranaenses...).

PEC DA REDUÇÃO: MANOBRA RADICAL


Samuca.

O FIM DA TEVÊ COMO A CONHECEMOS


O fracasso de Babilônia marca o fim da tevê como a conhecemos

Por Paulo Nogueira

A Globo vive num regime de autoilusão, como se pode verificar pela entrevista com o diretor-geral Carlos Schroder publicada pela Folha.
Perguntaram a Schroder sobre o fiasco da novela Babilônia, que dias atrás cravou 17 pontos no Ibope em São Paulo, um extraordinário recorde negativo na trajetória das novelas da Globo.
Schroder achou vários culpados.
O primeiro deles, naturalmente, é o povo brasileiro, “mais conservador” do que as pessoas imaginam.
Depois, ele citou uma novela da Record e outra do SBT.
Admitiu, ligeiramente, que alguma coisa na trama “não funcionou”.
Schroder só não tocou na maior razão do fracasso: o declínio veloz da televisão como mídia na Era Digital.
Rapidamente, a tevê como conhecemos caminha para o mesmo local reservado a jornais e revistas: o cemitério.
Considere o slogan do aplicativo de vídeos que a Reuters acaba de lançar: “A tevê de notícias para quem não vê tevê”.
O consumo de vídeos está cada vez menos na televisão e cada vez mais na internet.
No campo do entretenimento, sites como o Netflix e agora a Amazon oferecem uma fabulosa quantidade de séries, filmes e documentários.
Você vê quando quer, na hora que quer, o que quiser.
No campo das notícias, vídeos selecionados pelas comunidades são postados nas redes sociais, e ali consumidos – fora das emissoras tradicionais.
Uma parte expressiva dos vídeos que viralizam nas redes sociais é produzida pelos próprios internautas – ao flagrar cenas notáveis no dia a dia, como a surpresa que aguardou o dono de um automóvel que parou numa vaga de deficientes.
No esporte, você começa a ter a opção de assinar canais específicos para ver o que deseja – sem ter que comprar um pacote caro de tevê por assinatura.
Sabia-se faz tempo que a internet ia matar jornais e revistas. Mas não se imaginava que a tevê se transformaria tão celeremente na próxima vítima.
Uma pesquisa recente nos Estados Unidos mostrou que o número de pessoas que não se imaginam sem internet e celular cresceu vigorosamente nos últimos anos, na mesma medida em que decresceu o contingente dos que não podem viver sem tevê.
No Brasil, um levantamento deixou claro que televisão é hoje uma coisa para um público velho e com baixo nível de educação, exatamente o oposto daquilo que os anunciantes buscam.
A Globo, neste sentido, é a próxima Abril.
Caíram todas as circulações das revistas da Abril nos últimos anos. A única falsamente estável é a da Veja graças a manobras (custosas) que inflam artificialmente os números, e que os anunciantes fingem não ver.
Do mesmo modo, todas as audiências da Globo são uma sombra do que foram antes do surgimento e expansão da internet.
O Jornal Nacional luta para se manter na casa dos 20 pontos, marca que seria uma tragédia há dez anos.
O Fantástico já escorregou para baixo dos 20, e ninguém mais comenta o que ele deu ou deixou de dar.
Quando, no futuro, alguém for estudar a história da tevê convencional, Babilônia será citada provavelmente como um capítulo especial.
Babilônia, com sua miséria de Ibope, é o grande marco do fim da tevê como a conhecemos.
A culpa não é do povo, como quer a Globo, mas de uma coisa chamada vida, ou mercado, como você preferir. (Fonte: aqui).
....
Assunto relacionado:
Por que os jornalistas estão migrando para programas de entretenimento, por Wilson Ferreira

SOB O DOMÍNIO DA AUSTERIDADE


Pavel Constantin. (Romênia).

O QUE EMPURROU A ECONOMIA GLOBAL PARA FORA DA CURVA


O futuro está mais opaco do que costumava ser

Por Antonio Delfim Netto

A economia mundial enfrenta uma desarticulação só experimentada nos anos 30 do século passado. A crise de 2007-­09 teve origem em causas que não são as flutuações cíclicas do capitalismo. Numa larga medida, trata­-se das mesmas, ­ ou muito parecidas,­ que geraram a de 1929, que, nos EUA, o governo Roosevelt combateu com profundas intervenções na economia (o "New Deal"). 

Uma delas foi a resposta do Congresso, que sob estímulo do Executivo, aprovou o "Glass-­Steagal Act", de 1933. Proibiu-­se os bancos comerciais de financiar investimentos: foram limitados à recepção de depósitos e a empréstimos de curto prazo. Aos bancos de investimento foram reservadas as negociações com as ações e bônus, formas típicas de financiamentos de longo prazo.

Quais os motivos? O mais importante foi a descoberta que alguns banqueiros importantes, que operavam simultaneamente o curto (comercial) e o longo (investimento) prazos, aproveitando-­se de informações internas ("insider trading") tinham desenvolvido comportamentos eticamente condenáveis. No fim do dia, eles teriam produzido ou, pelo menos, agravado, a depressão. 

Quem não estiver convencido deve ler o famoso "Relatório Pécora", que resultou do inquérito feito pelo Congresso americano. Ele revelou os riscos para a estabilidade econômica que estavam escondidos na expansão de um sistema financeiro absolutamente desregulado, o mesmo que se recriou a partir de 2000, como veremos a seguir.

Todos sabemos que um eficiente e competitivo sistema financeiro é elemento essencial para mobilização das poupanças que financiam o investimento, alma do crescimento econômico. Tudo bem considerado, entretanto, foi visível até os anos 80 do século passado que, apesar de ter prevenido uma outra "grande depressão", as restrições impostas pelo "Act de 1933" não eliminaram a repetição dos "ciclos de negócios" ínsitos na organização econômica das sociedades através dos "mercados" e não impediram um crescimento razoável.

Entre 1950 e 1990, a economia dos EUA revelou oito "ciclos de negócios". Num período de 160 trimestres, houve retração em 25 deles, seguidos de retorno à normalidade num tempo um pouco menor (20), com uma queda média de PIB, em cada episódio, da ordem de 2,2%. A depressão de 2007-­09, que se seguiu à "grande moderação" que o mundo viveu por 17 anos a partir de 1990, assumiu características claramente diferentes delas: começou no quarto trimestre de 2007, foi considerada encerrada no segundo trimestre de 2009 e consumiu 4,3% do PIB. O problema é que hoje, 26 trimestres depois de ter passado por seu ponto de mínimo, ainda não assistimos a uma recuperação convincente. E ninguém sabe como vai terminar o enorme esforço fiscal e monetário feito para enfrentá-­la.

É importante reconhecer que a eficácia da corajosa e enérgica operação rooseveltiana dos anos 30 nunca pode ser avaliada, porque a emergência da Segunda Guerra alterou tudo. A mobilização da "máquina de guerra", a partir de 1939, fez deslanchar a economia americana até a volta do primeiro "ciclo de negócios" após a paz: do segundo trimestre de 1953, quando terminou a guerra da Coreia, até o primeiro trimestre de 1954.

Se a crise de 2007­-09, que insiste em não terminar, tem a mesma origem que a de 1929, é preciso perguntar: Como isso foi possível? A resposta é que, nos anos 90 do século passado, o sistema financeiro começou a libertar­-se da regulação imposta nos anos 30, alegando que ela "prejudicava o desenvolvimento econômico". Com apoio no Congresso e suporte "científico" inventado "ad hoc" por uma tribo de economistas, cujos membros enganam-se e divertem­-se mutuamente com o conforto do "mercado perfeito" (até na moralidade!), teve sucesso. E muito lucrativo...

Assistiu-­se, assim, em 1999, a revogação final do "Glass­-Steagal Act", de 1933. Pois bem, em menos de dez anos, o novo sistema financeiro,­ agora outra vez completamente desregulado,­ voltou ao local do crime. Promoveu, ou pelo menos ajudou a promover, a maior crise econômica da economia real dos últimos 75 anos.

A verdade é que como não sabemos como terminaria a crise de 1929 na ausência da preparação para a Segunda Guerra, continuamos a não saber como terminará a crise em que vivemos. Aparentemente, ela deixou uma desorganização que se manifesta na redução da capacidade política e do produto potencial de todas as sociedades, consequências da continuidade do absoluto domínio das finanças sobre a produção de bens e serviços, que até agora os governos foram incapazes de corrigir. É visível, por exemplo, a desorientação do FED, que tem titubeado (e faz bem, porque as informações são contraditórias) diante do temor de uma recidiva, como aconteceu em 1937, quando antecipou sua manobra sobre a taxa de juros.

Foi essa incerteza que tirou da gaveta o fantasma da "estagnação secular" criado por Alvin Hansen em 1939 e recuperado por Larry Summers em 2013. O Brasil, pelo recente comportamento de seu Congresso, parece querer flertar com ela... (Fonte: aqui).

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Em qualquer análise que se faça a respeito do assunto acima, é preciso oferecer generoso espaço para o governo Ronald Reagan, que patrocinou a total desregulamentação da ação dos bancos comerciais e de investimento, na esteira do receituário concebido pelo economista inglês John Williamson. Não manjo de economia, não sou economista, apenas me interesso pela área. Pelas muitas análises que li ao longo dos anos, entretanto, parece-me indispensável considerar a vertente citada, que originou a frouxidão operacional que permitiu o festival de irregularidades praticadas por bancos e financeiras ao redor do mundo, com as famosas hipotecas sem lastro e os derivativos tresloucados. O pior: constatado o desastre, os bancos e financeiras se safaram numa boa, recebendo generosos empréstimos estatais para sobreviver, em razão de um bem vindo "risco sistêmico": eles seriam "grandes demais para quebrar". Por conta do que os cidadãos em geral tiveram de arcar com as consequências, o que até hoje perdura, como se observa na Grécia, Portugal, Itália, Espanha etc, com reflexos que agora repercutem com certa intensidade no Brasil.

BANCADA VIRTUOSA


Benett.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

CUNHA, POLÍTICO COMPETENTE


"Gostando dele ou não, Eduardo Cunha é o mais competente político, hoje, em atividade no Brasil. Mais do que Kassab, Lula, Renan, Eduardo Paes, Alckmin.

Essa não é uma análise sobre a moralidade de seus atos. Ou a falta dela. Mas a respeito de suas virtudes no campo político.
Vamos aos fatos: governo e oposição comem em suas mãos. Ele sabe jogar com a opinião pública, quando a opinião pública favorece seus pontos de vista, mas também com parte da imprensa que não quer se indispor com ele ou evita bater em quem bate no governo. Sempre entrega o que promete: teve apoio das bancadas da bala, ruralista e dos fundamentalistas à sua eleição e, agora, devolve a eles, colocando projetos em votação. Não acha que fazer algo que pareça imoral é vergonhoso, pois vergonhoso, em sua opinião, é perder.
Surfa na terra arrasada deixada pelo governo federal, que conseguiu o feito de aumentar a ojeriza às narrativas defendidas pela esquerda – mesmo que o próprio governo não seja de esquerda, pois se afirma como tal, mas não age como tal. Terra arrasada na qual “direitos humanos'' é relacionado assustadoramente com “comunismo'', apesar de direitos humanos serem o fruto liberal do debate sobre o patamar mínimo de civilidade no capitalismo.
Pode ser que não seja eleito no voto popular para presidente da República, dada a quantidade de esqueletos e denúncias de corrupção e achaques que tem no armário. Mas certamente seria primeiro-ministro, caso a ideia ainda muito distante de parlamentarismo que ele mesmo defende vingue por aqui. Com mandato talvez tão longo quanto o de Margaret Thatcher.
Exagero? Talvez. Futurologia é uma droga alucinógena muito barata, ainda mais quando se trata de alguém que é causa e, ao mesmo tempo, consequência de seu tempo. E que está longe de ser unanimidade mesmo dentro de seu partido. Mas vejamos:
Eduardo Cunha tenta aprovar o financiamento privado de campanha nas eleições.
Sociedade civil se mobiliza. Parlamentares contrários à medida se mobilizam.
Eduardo Cunha perde. Mas não chora.
Parte da sociedade civil comemora loucamente nas redes sociais, dança em torno de fogueiras, entoa cânticos, sacrifica carneiros, bebe até cair de alegria.
Eduardo Cunha, incansável, passa a madrugada articulando e mandando recados.
No dia seguinte, manobra o regimento e coloca uma proposta semelhante em votação.
Sociedade civil desmobilizada. Parlamentares contrários à medida desmobilizados.
A palavra “governabilidade'' ecoa no plenário da Câmara por parte de membros da base governista.
Eduardo Cunha consegue a aprovação do financiamento privado de campanha nas eleições.
Supremo Tribunal Federal se omite?
Eduardo Cunha sorri.
***
Eduardo Cunha tenta aprovar a redução da maioridade penal para 16 anos.
Sociedade civil se mobiliza.
Parlamentares contrários à medida se mobilizam.
Eduardo Cunha perde. Mas não chora.
Parte da sociedade civil comemora loucamente nas redes sociais, dança em torno de fogueiras, entoa cânticos, sacrifica carneiros, bebe até cair de alegria.
Eduardo Cunha, incansável, passa a madrugada articulando e mandando recados.
No dia seguinte, manobra o regimento e coloca uma proposta semelhante em votação.
Sociedade civil desmobilizada.
Parlamentares contrários à medida desmobilizados.
A palavra “governabilidade'' ecoa no plenário da Câmara por parte de membros da base governista.
Eduardo Cunha consegue a aprovação da redução da maioridade penal para 16 anos.
Supremo Tribunal Federal se omite?
Eduardo Cunha sorri.
E sorri."




(De Leonardo Sakamoto, em seu blog na Folha de São Paulo, post sob o título "Maioridade penal: Eduardo Cunha é o político mais competente do Brasil" - aqui.

a) A OAB já avisou que em caso de final aprovação da redução da maioridade penal invocará junto ao STF a inconstitucionalidade do ato, por ferir cláusula pétrea e conter vício formal em seu processo de aprovação; 
b) A ministra Rosa Weber negou provimento ao mandado de segurança apresentado por políticos de alguns partidos acerca da 'heterodoxa' aprovação pela Câmara, em inédita segunda votação, da inclusão na Constituição da possibilidade do financiamento empresarial de campanhas mediante doações a partidos políticos. Está em aberto, ainda, a posição do plenário do STF sobre o assunto. No mesmo passo, políticos de partidos diversos anunciaram o ingresso no STF de questionamento da manobra de Eduardo Cunha relativamente à igualmente 'heterodoxa' aprovação da redução da maioridade penal em igualmente inédita segunda votação. Há, pois, a possibilidade de as asas espertas de Cunha virem a ser cortadas antes mesmo do ingresso da OAB no STF;
c) Eduardo Cunha poderá ter de prestar contas à Justiça por ilícitos relacionados à Operação Lava Jato - entre outras espertezas. A Procuradoria-geral da República estaria ultimando providências a respeito. Aguardemos os acontecimentos.
Eduardo Cunha pode se julgar competente, pode se considerar o tal, mas as espertezas não são eternas...).

GRÉCIA: O FATOR MERKEL

Petar Pismestrovic. (Da antiga Iugoslávia).


Aroeira.
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Mas não pairam dúvidas quanto ao fato de que a famigerada austeridade levou arrocho, infelicidade e desesperança ao povo grego, e de que Tsipras age legitimamente em defesa dos interesses de seu país. A União Europeia - Merkel à frente - cumpre o seu papel: cuida de não abrir precedentes, ciente de que outros países, igualmente sufocados, estão à espreita...

CENA EUROPEIA


Hajo de Rejger. (EUA).

CARTUM DE PORTUGAL


Cristina Sampaio. (Portugal).

DEPRECIADORES UNIDOS E COESOS CONTRA O BRASIL

Bira Dantas.
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.Repórter da GloboNews fez uma das quatro intervenções na coletiva oferecida pelos presidentes Obama e Dilma em Washington. Ao formular a indagação, a jornalista, atenta para a estratégia de sempre depreciar o país, dirigiu à presidente a observação de que o Brasil era visto pelos EUA como potência regional e... foi interrompida por Obama, que discordou veementemente da opinião manifestada, afirmando que o Brasil é visto como potência mundial, exercendo influência e com presença marcante em vertentes diversas etc.

.A sorte da experiente repórter (o que a tranquiliza, animando-a para novas investidas) é que a Globo em hipótese alguma iria veicular esse tão, digamos, educativo e edificante episódio.

.As demais máximas acima foram recolhidas pelo cartunista Bira Dantas em fontes midiáticas diversas.

.O arguto Nelson Rodrigues, nesses dias que correm, estaria assoberbado, às voltas com vasto acervo de avaliações depreciativas sobre o Brasil. O complexo de vira-latas, que ele tão meticulosamente esmiuçou, dificilmente ofereceria estoque mais farto do que o ora disponibilizado...

GRÉCIA, ENTRE O SIM E O NÃO

Paresh Nath.
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SIM ou NÃO para o que impõe a União Europeia, eis a questão. Tsipras prega o não, mas... qual a alternativa caso sua posição resulte aprovada? Eis a outra questão.

INTERNET NO BRASIL: CUSTO DOBRADO PARA O CONSUMIDOR


Internet e privatização

Por Mauro Santayana

As multinacionais que receberam todo tipo de benefícios na privatização cobram muito mais caro do cidadão brasileiro do que de seus próprios compatriotas
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O Procon-SP multou as quatro maiores operadoras de telefonia do país em R$ 22,6 milhões por cortar a conexão de usuários. Por decisão da Justiça, Claro, Oi, TIM e Vivo estavam proibidas de bloquear o acesso à internet após o término do pacote de dados em São Paulo. A liminar, concedida no final do mês passado ao PROCON, vale para todos os clientes do estado que contrataram, até o dia 11 de maio, pacotes de internet com redução de velocidade. Desde a obtenção da liminar, o PROCON recebeu mais de 20 mil reclamações de quebra de contrato.

A Oi foi multada em R$ 8 milhões, a TIM em R$ 6,6 milhões, a Claro em R$ 4,5 milhões e a Vivo em R$ 3,5 milhões. De acordo com o PROCON, as multas foram estipuladas com base nos problemas localizdos nos contratos e nas vantagens que as operadoras tiveram com os cortes.
A multa, de pouco mais de menos de 30 milhões de reais, é irrisória, e equivale ao faturamento dessas operadoras em alguns minutos.

A regulamentação da Anatel, aprovada no criminoso esquartejamento e privatização da Telebras no Governo FHC, que só falta ridicularizar o usuário, de tanto que protege as operadoras, permite que as empresas façam a alteração que quiserem nos contratos desde que os clientes sejam informados com pelo menos 30 dias de antecedência.

No entendimento do Procon-SP e de alguns juízes, as regras da Anatel não podem, no entanto, ultrapassar o Código de Defesa do Consumidor, que proíbe qualquer mudança unilateral de contrato.
Quem critica o valor de um telefone no Brasil antes da privatização se esquece que ele vinha com um pacote de ações, que transformava automaticamente o detentor da linha em sócio da Telebras na bolsa, ações que foram “tungadas” de seus proprietários no processo de privatização, em mais um roubo que está sendo contestado até hoje na justiça.

Ela abre, no entanto, a possibilidade de que a ação se repita em outros estados, pelos PROCONS locais, chamando a atenção para a inutilidade gritante da Anatel, que, das multas de 5,8 bilhões aplicadas entre 2008 e 2010 sobre as operadoras, só conseguiu receber, efetivamente, até agora, cerca de 4% desse valor, ou 250 milhões de reais.

Enquanto isso, pesquisa recente da União Geral de Telecomunicações, do final de maio, aponta que a internet é mais cara no Brasil do que nos países mais ricos. Segundo a UIT, enquanto o custo médio de um plano de banda larga pós-pago é de 16,30 dólares, em média, na Europa e nos EUA, no Brasil o preço fica em 29,51, ou quase duas vezes mais, em dólares.

Isso quer dizer que o brasileiro, que ganha muito menos que o usuário estrangeiro, paga o dobro. E que as multinacionais que receberam todo tipo de benefícios na privatização, cobram muito mais caro do cidadão brasileiro do que de seus próprios compatriotas, em seus países de origem, para onde enviam os lucros que são obtidos aqui. (Fonte: aqui).

ARTE GREGA


Amorim.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

ECOS DO CALOTE

Kayser.
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Se o referendum acontecer e o 'sim' prevalecer, como tudo faz crer, aí, sim, a situação se complica para Tsipras. Enquanto isso, o Leste se mantém silente, ao contrário das (equivocadas) expectativas. Política nada tem de tragédia, só de complexidade...

BOI NAS REDES


J. Bosco.

VOTAÇÃO DA EMENDA SOBRE REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL: PRESIDENTE DA CÂMARA PRETENDE AGLUTINAR A DERROTA


Cunha só pensa em golpe. Vem aí a emenda 'aglomerativa' para reduzir maioridade

Por Fernando Brito

Como a Ministra Rosa Weber não concedeu liminar no pedido de suspensão da decisão inédita da Câmara de aprovar o que havia rejeitado na véspera, no caso do financiamento empresarial das campanhas eleitorais (diz o Lauro Jardim, da Veja, que com um recado ameaçador do presidente da Câmara), Eduardo Cunha sente-se livre para ir adiante no seu golpismo.

Agora, apelou, segundo o “Painel” da Folha, para uma “emenda aglomerativa” (o termo regimental é aglutinativa) para voltar a por em votação a redução da maioridade penal, agora com um “mapa” completo de quem é que deve ser pressionado, chantageado politicamente, exposto e execrado.
Daqueles “deputadozinhos” que devem receber ofertas e penitências por não terem seguido o “mestre”.

Cada um aí imagine como quiser quais serão os métodos do “trabalho de convencimento” de Cunha.
O interessante, juridicamente é que a “aglutinação” de emendas consiste em retirar trechos para simular uma decisão “diferente”, mas que preserva a intenção do original recusado.

Como o Supremo se omitiu, o audacioso Cunha não se peja de apelar, de novo, para o expediente.

E são poucos os que têm coragem ou possibilidade de chamá-lo pelo que é: um golpista regimental.

Como faz, com a sinceridade de quem não tem que ficar de meias-palavras, o meu sempre professor Nílson Lage, no Facebook:

“A capangada – conjunto de políticos conservadores, estelionatários da fé, ladrões do erário, neotrogloditas e picaretas avulsos – não se conforma de ter perdido um round em sua luta pelo poder total. O mestre-sala da politicagem prepara novas piruetas para a mídia do próximo fim de semana.”

E a imprensa, que perdeu todos os pruridos de humanismo, decência e moralidade, guiando-se pelo único norte da demagogia antigoverno, adora as piruetas. (Fonte: aqui).
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Então, ficamos assim...

A volúpia de poder do professor-presidente e parceiros transforma a derrota de ontem em mero adiamento da imposição de sua vontade: com a emenda aglutinativa, nova investida acontecerá, valendo desde logo registrar (exagerando): em caso de nova derrota, esse novo revés será automaticamente convertido em adiamento, e assim por diante.
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ADENDO

Registrei acima, EXAGERANDO, que em caso de nova derrota outra emenda com o mesmo objeto seria apreciada, e assim por diante. Não havia que falar em exagero: é exatamente essa a estratégia, conforme se pode ver AQUI.

O impagável Eduardo Cunha é mesmo o papa da falta de escrúpulos, e se alguém se dispuser a questionar suas arbitrariedades, que esteja ciente desde logo, à vista dos precedentes: o STF lavará as mãos.

SOBRE JUSTICEIROS E MORALISTAS


Justiceiros e moralistas

Por André Araújo

Os tribunais da Inquisição foram instituídos em Portugal em 1536 pela bula papal CUM AD NIHIL MAGIS, do Papa Paulo III. Sua instituição se deu em quatro cidades: Lisboa, Porto, Coimbra e Évora.

O Brasil colônia ficava subordinado ao Tribunal do Santo Ofício de Lisboa. O primeiro Grande Inquisidor foi o Cardeal Henrique, irmão do Rei Dom João III e ele mesmo depois Rei. A supervisão era do Conselho Geral do Santo Ofício, e todo o sistema era bastante estruturado, com Regulamentos e Regimentos e uma escala hierárquica complexa.

O Brasil sofreu três Visitações, ordenadas pelo Tribunal que jurisdicionava a colônia, o de Lisboa. Os arquivos das Visitações estão na Torre do Tombo em Lisboa.

Os quatro Tribunais entre 1540 e 1794 promoveram 689 Autos-da-Fé, onde foram queimadas vivas 1.176 pessoas e aplicados castigos a 29.590. Os castigos poderiam ser horríveis, mas sempre seriam para o bem do punido.

Todo o sistema baseava-se na DENÚNCIA sigilosa, onde alguém denunciava o vizinho como herege, bruxo ou dado a blasfêmia. A denúncia não tinha contraprova porque era secreta. A delação, intriga e vingança moviam o processo.

O princípio moral da Inquisição era que, ao punir ou queimar o acusado, estava-se SALVANDO SUA ALMA, isto é, a Inquisição estava sendo valiosa para o acusado.

A semelhança da Inquisição com os métodos da Lava Jato é nítida.

O juiz Moro sentiu-se sinceramente chocado com o anúncio da Odebrecht porque ele achava que o investigado Odebrecht DEVERIA estar arrependido e penitente e não desafiador como dá a entender o anúncio. (Nota deste blog: A empreiteira Odebrecht, logo após as prisões e outras medidas determinadas pelo juiz Moro, divulgou nota questionando as medidas, consideradas desprovidas de fundamentação). O Inquisidor não entende como o herege não lhe agradece pela oportunidade de se arrepender e confessar. Na Inquisição, o arrependimento era considerado salvação da alma, o que não significa a redução da pena na Terra. Era queimado vivo do mesmo jeito mas sua alma estava salva. Você deve delatar e se sentirá melhor, diria o Inquisidor.

O mal que os moralistas e justiceiros causaram à humanidade supera ao infinito o custo dos males que eles visaram punir. Na História o lugar mais alto é aquele dos REFORMISTAS, lutadores contra um sistema pela REFORMA e não pelo dedo apontado aos pecadores. Caberia a um grupo de reformistas pregar pela MUDANÇA DO SISTEMA, porque o que dá origem à corrupção é um sistema de governo; não o reformando a corrupção continuará a existir. A simples punição de alguns pecadores não faz os demais virarem virtuosos. Cem séculos de História demonstram isso. (Fonte: aqui).

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"Caberia a um grupo de reformistas pregar pela mudança do sistema". Ora, inexiste possibilidade de que isso venha a ocorrer. Um exemplo recente e eloquente: Todos sabem que o financiamento empresarial de campanhas políticas é certamente o maior alimentador da corrupção. O Supremo Tribunal Federal está ciente disso, e sua maioria se manifestou formalmente pela extinção desse pernicioso mecanismo, quando do julgamento de Ação Direta de Inconstituicionalidade apresentada pela OAB nacional. Acontece que o julgamento, a despeito de a maioria dos votos já haver sido proferida (placar de 6 a 1), foi atropelado por um dos ministros, que simplesmente reteve o processo por cerca de treze meses - permitindo que nesse intervalo a Câmara dos Deputados "decretasse" a inclusão, na Constituição, da possibilidade do financiamento empresarial de campanhas mediante doações para os partidos políticos. Tivemos, assim, algo que nos parece inédito: com um simples pedido de vista um ministro logrou invalidar decisão da Corte Suprema que já se encontrava praticamentre sacramentada.

Enquanto isso, o magistrado titular da Lava Jato se diz convencido de que as empresas acusadas de práticas ilícitas não poderão participar de licitações públicas, e dá mostras de querer ver sua vontade desde logo posta em prática. Como se inexistissem o devido processo legal, a presunção de inocência, o amplo direito de defesa, a necessidade de a culpa ser formada (mediante condenação definitiva - transitada em julgado)...

A abjeta corrupção tem de ser combatida e punida, mas pretender chegar a isso com base na simples vontade e ao arrepio da Lei é incorrer em inconstitucionalidade. 

CENÁRIO GREGO (A NÃO SER QUE...)


Marian Kamensky.

O PROCESSO QUE CONDUZ À CRISE DA GRÉCIA


A crise da Grécia e as armas do capital

Por Luis Nassif

O cerco imposto à Grécia tem antecedentes desde que o mundo conheceu a maior máquina de globalização da história: a do capital financeiro.

Esse processo se inicia ainda no século 19, sob a batuta do Banco da Inglaterra e o sistema de conversão em ouro. Um país só poderia emitir moeda se lastreada em ouro depositado em seu banco central.

Cada vez que a Inglaterra sofria algum problema de liquidez, bastava um leve aumento nas taxas da Libor para atrair ouro de outros países, obrigando os respectivos governos a enxugar a liquidez.

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De certo modo, o ponto central de distinção entre desenvolvidos e emergentes estava na maior ou menor vulnerabilidade externa.

Desde o início, um dos grandes mercados do capital financeiro foram os empréstimos a governos. E, quando os empréstimos não eram honradas, o calote justificaria até a invasão do país devedor pelo credor, conforme decisão da Corte Internacional de Haia, referendada pelo representante brasileiro, Ruy Barbosa.

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A vulnerabilidade externa sempre foi um dos grandes fatores de debilidade da economia brasileira. Ao longo da história, o país renegociou várias vezes as dívidas.

Ao longo do século, sempre houve um conflito entre prioridades nacionais e as prioridades do capital financeiro. Para este interessa o livre trânsito e a previsibilidade. Por tal, entenda-se políticas cambiais previsíveis. As grandes oscilações cambiais são aproveitadas pelos mais espertos, mas não pelo todo.

Para as nações, projetos de desenvolvimento jamais prescindiram de moedas competitivas (desvalorizadas) nas fases iniciais de desenvolvimento. É o que assegura a condição de competir, via preços, com os produtos tecnologicamente mais avançados dos países centrais.

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Ao longo de toda história econômica do século, vigoraram as tentativas de impedir a autonomia da política cambial. Em parte da história – especialmente no século 19 – através da conversibilidade do ouro.

No pós guerra, através do acordo de Bretton Woods, definindo paridades cambiais a serem obedecidas pelas nações, o Brasil entrou de pé esquerdo no acordo porque entre a definição das paridades e o início da sua implementação houve uma inflação interna que apreciou (ou seja, provocou o aumento do valor em relação a outas moedas, como o dólar - nota deste blog) a moeda brasileira.

A cada soluço de crescimento, com Vargas, JK, Jango, Figueiredo, Sarney, FHC havia uma crise nas contas externas interrompendo a caminhada.

Depois, com a União Europeia, os países membros abdicaram da sua própria moeda.

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Hoje em dia, quando um país devedor quebra, sem dispor da alternativa de promover políticas cambiais competitivas, não é necessário a diplomacia das canhoneiras.

Basta uma agência de risco rebaixar a nota e cortar-se o fluxo de oxigênio. Antes disso, os capitais locais fogem do país sem encontrar obstáculos pela frente. Nos últimos dias, 4 bilhões de euros deixaram a Grécia. E a dívida renegociada é de 2 bilhões de euros.

Nos próximos dias, será um Zeus nos salve. E se constatará que avanços imensuráveis do setor financeiro, criação de ferramentas sofisticadíssimas, união de algumas das maiores economias mundiais... Tudo isso foi insuficiente para salvar um pequeno país, berço da civilização ocidental.
Salvou apenas os capitais que afundaram a Grécia. (Fonte: aqui).

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A crise não é só da Grécia, é da Grécia e da União Europeia/FMI/BCE: se a Grécia não se salvar, significará que a austeridade não só arrebenta as condições do povo como não consegue que os países compelidos a optar por ela quitem normalmente seus empréstimos externos; se a Grécia se salvar, é porque terá conseguido um acordo menos traumático do que o até aqui imposto pela UE, o que estimulará outros países, como Portugal, a também seguirem no futuro a postura adotada por ela, de resistir até depois da hora fatal, enfraquecendo a 'aliança'. 

UNIÃO EUROPEIA EXIGE AUSTERIDADE ABISSAL


Arend van Dam. (Holanda).