segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

OS PICLES



Corrupto convicto, quando no aconchego do lar, se despe de todas as amarras - exceto do colarinho branco.


Tão neoliberal que continua fiel ao lema Brasil, país do mercado futuro.


Para o agnóstico corrupto, sagrado, mesmo, só o da cervejinha.


Quando a questão é o direito de ir e vir, a dignidade humana vai e vem ao caso. 


Logo, logo, na Líbia, um trocadilho bobo, mas supimpa: "Que bom, Kadafoi-se!"

domingo, 20 de fevereiro de 2011

REVOLUÇÃO: MODERNIDADE NAS RUAS


Por Hajo de Reijger.

SURREAL, MEU!


Da Folha.com: Moradores que ficaram isolados pela implantação de uma praça de pedágio na SP-332, em Paulínia (a 117 km da capital paulista) têm que pagar R$ 7,65 até para ir à padaria, ao banco ou à farmácia. Para atenuar a passagem no pedágio, estocam gás e mantimentos. (...)

Há mais de um ano quase toda a vizinhança nas proximidades da fazenda Cascata não come mais pão fresquinho, não recebe a visita da Guarda Municipal (que alega não ter isenção e nem como custear a tarifa para fazer ronda) nem a pizza do delivery. Empresas que vendem gás, galões de água e material de construção interromperam as entregas na região - exceto se a tarifa de R$ 7,65 for paga pelo próprio cliente.

O transporte público não serve de opção - por ser uma área afastada, os ônibus só passam três vezes no dia. A rota à cidade vizinha, Cosmópolis, não adianta. A 3 km, tem outro pedágio, de R$ 5,45 - na ida e na volta. (...)

Ilustração: Carnaval de arlequim, Miró.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

SEM SENSO

NON SENSE

DEPOIS DA ERUPÇÃO


Em janeiro os serviços de inteligência dos EUA estimaram quais as chances do movimento contra a ditadura na Tunísia afetar o Egito: 20% .

EUA VETAM RESOLUÇÃO DA ONU CONTRA ISRAEL


Os Estados Unidos votaram contra uma resolução apreciada nesta sexta-feira pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas que poderia condenar a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Dos 15 votos, 14 foram a favor, incluindo o do Brasil, que no momento detém a presidência rotativa do órgão.

Para ter validade a medida precisava de todos os votos dos países que integram o Conselho, e caso tivesse sido aprovada, reforçaria o caráter ilegal da expansão dos assentamentos nos territórios ocupados da Cisjordânia e Jerusalém Oriental, determinando ao governo israelense a interrupção imediata das obras.

Analistas estimam que a decisão do governo do presidente Barack Obama deve irritar países árabes, a ANP (Autoridade Nacional Palestina) e defensores da causa palestina ao redor do mundo.

O veto à medida deve também acentuar as dificuldades das negociações do processo de paz entre israelenses e palestinos, atualmente paralisado.

Para os palestinos a interrupção da expansão dos assentamentos é uma condição para que as negociações de paz sejam retomadas. (Associated Press).

Ilustração: BASQUIAT.

TRONO EM RUÍNAS


Por Bennett.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

ALÉM DOS AVIÕES DE CARREIRA


No mundo da espionagem tudo pode acontecer, até o improvável. Aparicio Torelly, o Barão de Itararé, dizia: "Há algo no ar, além dos aviões de carreira", alertando para o fato de que alguém (ou um grupo) poderia estar preparando alguma. Presentemente, as coisas mudaram: as palavras do Barão deixaram de ser metafóricas.

Após ler a matéria abaixo, convém que fiquemos com a pulga atrás da orelha - valendo até mesmo admitir que tal pulga seja fruto da nanotecnologia...

Empresa cria avião-espião com aparência de beija-flor

Uma empresa americana que desenvolve produtos aeronáuticos para o Pentágono apresentou nesta semana um avião-espião que cabe no bolso e que tem a aparência e o voo semelhantes aos de um beija-flor.

O protótipo, que custou cerca de US$ 4 milhões (aproximadamente R$ 6,6 milhões) e foi desenvolvido ao longo de cinco anos, pode voar por até 11 horas e carrega uma câmera capaz de espionar posições inimigas durante conflitos militares.

O dispositivo, batizado de Nano Hummingbird (Nano Colibri) voa batendo as asas como um pássaro de carne e osso e, com suas asas abertas, mede meros 16 centímetros.

O beija-flor mecânico é capaz de voar a uma velocidade de até 17 quilômetros por hora e pesa apenas 19 gramas.

Propulsão

A aeronave foi produzida para a Agência de Pesquisa de Projetos Avançados do Departamento de Estado americano.

O Nano Colibri, que foi apresentado oficialmente para a imprensa nesta quinta-feira, usa apenas as suas asas como meio de propulsão. Os modelos atuais de aviões-espião dependem de propulsores para voar.

O avião-pássaro é movido a bateria, conta com motores e é guiado por meio de controle remoto.

Durante a demonstração de oito minutos desta quinta-feira, o colibri mecânico voou para dentro de um edifício e retornou ao seu ponto de origem. (Fonte: BBC Brasil).

AUTOCRATAS, ONTEM E HOJE

PALETÓ DE MADEIRA PARA O AUXÍLIO PALETÓ


"O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória (...)."


(Constituição Federal, art. 39, § 4º. Câmaras municipais, assembleias legislativas, congresso nacional, todos estão agindo inconstitucionalmente ao se premiarem com o tal auxílio paletó. Que o Ministério Público, atento aos artigos 127 e 129 da CF, cumpra sua parte).

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

NANI VÊ O PODER DAS REDES SOCIAIS

COLOMBO, O MAGO DAS CORDAS


Show beneficente com artistas do Piauí será realizado em homenagem ao músico Colombo, às voltas com problemas de saúde.

Será em março, no bar Boteco, zona leste de Teresina.

Força total ao genial Colombo.

Foto: Colombo, por Solda.

HENFIL, 1944


O QUE É ISSO, COMPANHEIRO,
ESQUECEU QUE HENFIL NASCEU
EM CINCO DE FEVEREIRO?!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

LÍBIA, ARGÉLIA, IRÃ, BAHREIN...


"SE ESSA FLOR GERMINAR NO DESERTO, ESTAREMOS FERRADOS!"

Charge de Olle Johannson.

PELO BLOQUEIO DOS BILHÕES DO MUBARAK


"O Mubarak está fora - mas ele poderá levar uma riqueza inimaginável com ele. As estimativas da sua riqueza roubada vão até $70 bilhões, mais de um terço de toda a economia egípcia.

Não há tempo a perder, os governos precisam congelar as contas do Mubarak antes que o dinheiro desapareça em um labirinto de contas bancárias obscuras -- como as fortunas roubadas por muitos outros ditadores. A Suíça já congelou suas finanças e alguns ministros da União Europeia ofereceram ajuda -- mas sem um chamado global imediato, a reação poderá ser lenta demais para impedir que os bilhões do Mubarak sumam completamente.

Vamos convocar os líderes de todas as nações a garantir que o dinheiro do Egito seja devolvido ao povo. Se conseguirmos 500.000 assinaturas, a nossa petição será entregue aos ministros das finanças do G20 na reunião desta sexta-feira em Paris. Vamos assinar nossos nomes agora e divulgar a campanha! (...)." (Fonte: Avaaz.org).

http://www.avaaz.org/po/mubaraks_fortune/?vl

BERLUSCONI NA BERLINDA


ATENTADO AO PUDOR? QUE NADA!
ATENTO AO PODER!!

É ISSO


Por Amilcar Bettega

« O importante é ir até o fim », foi essa frase que ficou. A princípio, a única que ficou. Se bem que puxando um pouco pela memória, a coisa começa a vir : « não se sabe exatamente aonde, mas é preciso ir », ela poderia ter dito. Talvez até tenha dito, vale lembrar que quem decide aqui é a memória.

« O importante é ir até o fim, mesmo que a gente não saiba aonde, mas no momento em que se começa é preciso ir até o fim ».

Ela está lá, sentada diante de uma plateia atenta. Não numerosa, mas uma assistência interessada, e é isso que conta. Sua voz é segura, seu rosto um pouco tenso, quase antipático. Na defensiva, parece. Suas mãos tremem um pouco. Ela fala do que lhe é mais caro, talvez por isso o leve tremor nas mãos.

Ela diz : « a gente tenta, é o que se faz, se tenta, a gente sabe que tem uma coisa ali, a gente sabe que tem uma coisa aqui (ela leva a mão à garganta, mas parece se arrepender e a recolhe rápido) e que precisa dizer de alguma forma ».

Ela para. Parece pensar no que acaba de dizer. Ou está simplesmente cansada. Talvez as duas coisas juntas. E o silêncio. Disse aquilo e parou.

« Precisa dizer de alguma forma », é o resto de frase que fica, que parece flutuar, ecoando na cabeça de todos que ali esperam que ela continue, que dê sequência à frase.

Mas no fundo já está tudo dito. « Alguma forma », as palavras ainda estão ali, soltas, ainda sendo remoídas, como que criando espaço no pensamento. No seu e no do público que vai, por assim dizer, no embalo, junto com ela. « Forma, alguma forma ». Poderia terminar aí. Todos poderiam ir embora com aquele resto de frase a martelar na cabeça e o dia estava ganho.

No fundo todos sabem que já não vem muita coisa depois, a não ser, talvez, um ataque de silêncio. Alguns até pensam em levantar e ir embora.

Mas então ela retoma, ainda mais cansada (ao que parece) do que antes : « a gente tenta, tateia, vai por aqui, por ali e , de repente 'é isso', a gente acha. De repente, a coisa acontece e a gente se dá conta : 'é isso'. Pois a escrita é este 'é isso'. Nada mais do que este 'é isso' ».

*

Foi no Beaubourg, o Centre Pompidou, em Paris. Fazia frio, era uma noite de inverno ( a memória começa a buscar detalhes). Annie Ernaux disse isso e ficou olhando para o vazio, como se não tivesse ninguém diante dela. Fazia frio, inverno já longe (vai ser difícil precisar o ano, menos ainda de como e por que isso veio de lá agora).

Amilcar Bettega é escritor, autor de O vôo da trapezista, Deixe o quarto como está e Os lados do círculo(livro vencedor do Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira em 2005).

HAICAI PARA GAZA


O FUTURO
É UM FURO
NO MURO

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

...SÃO BOLAS PASSADAS


Charge de Fausto.

O TAL DE INGLÊS, WHY?


Idioma exerce uma espécie de imperialismo linguístico

Por Hélio Schwartsman

Há um quê de ideológico na resistência ao inglês. Os sinais são vários e vêm de diversas frentes. Em 1999, o combativo deputado Aldo Rebelo, do PC do B paulista, apresentou um projeto de lei que, em sua versão original, bania todos os estrangeirismos (leia-se, anglicismos) da língua portuguesa e ainda obrigava brasileiros, natos e naturalizados, e pessoas de quaisquer nacionalidades residentes no país há mais de um ano a utilizar-se do vernáculo, sob pena de multas.

Uma versão desidratada da proposta foi aprovada em duas comissões e ela agora repousa prudentemente nos escaninhos do Congresso. Mais êxito teve uma outra iniciativa legislativa que, irmanando ainda mais os povos da América Latina, ampliou o ensino do espanhol. É a lei nº 11.161/05, que obriga Escolas públicas e privadas de ensino médio a oferecer o idioma de Cervantes como disciplina optativa.

Se se tratasse apenas de proporcionar aos jovens a oportunidade de aprender direito o idioma de nossos vizinhos, a norma seria inatacável. O problema é que, numa interpretação sistemática com o restante da legislação educacional, ela coloca o espanhol à frente do inglês.

A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) estipula, para o ciclo médio, o ensino, em caráter obrigatório, de uma língua estrangeira a ser definida pela comunidade Escolar. Prevê também a inclusão de um segundo idioma, em caráter optativo, "dentro das disponibilidades da instituição".

A pegadinha está no fato de que a 11.161 fala abertamente no espanhol e se cala em relação ao inglês. As Escolas sem grandes "disponibilidades", que devem ser a maioria, podem escolher a língua de Cervantes no lugar da de Shakespeare como o idioma moderno obrigatório, de modo a satisfazer as leis disponibilizando apenas uma língua estrangeira.

Ninguém é obrigado a gostar da primazia de que o inglês goza no mundo contemporâneo. Podemos ir até um pouco mais longe e reconhecer que esse idioma exerce uma espécie de imperialismo linguístico. Mas é preciso viver no mundo encantado de Che Guevara para não perceber que o inglês se tornou aquilo que o grego representava para o período helenístico e que o latim significava na Idade Média: o papel de língua veicular universal, na qual falantes dos mais variados idiomas conseguem se comunicar.

É em inglês que se fecham praticamente todos os grandes negócios internacionais, assim como é nessa língua que se registram os mais importantes avanços científicos. Não utilizá-la nesses campos equivale a arremessar-se para fora do mundo.

E os prejuízos de se afastar dos círculos de produção científica e não internacionalizar as universidades brasileiras superam em muito os de conviver com alguns "sales", "coffee breaks" e outros estrangeirismos de gosto duvidoso, dos quais a língua saberá livrar-se, se lhe dermos tempo suficiente.

................
O articulista tem o direito de opinar. Democracia é isso. Tem o direito até de aludir a 'mundo encantado de Che Guevara'. O crítico, felizmente, não pode impedir que pessoas mundo afora sonhem o mundo como Guevara sonhou. You understand, mr. Hélio?

ILUSTRAÇÃO ANTIGA


Jean Gourmelin. França, anos 1970.

MUROS EM RUÍNAS


E mais: Arábia Saudita, Jordânia, Líbia, Irã...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

PROJETOS EM CURSO


O jornal dá conta de que o ex-senador pelo Piauí Heráclito Fortes comparou seu afastamento do poder ao descarte de Hosni Mubarak, ex-presidente do Egito por quase três décadas. "Eu me sinto como o Mubarak, após 28 anos de mandato. Ociosidade é algo que nunca tinha experimentado. O começo é meio chocante", desabafa, ressaltando que estuda convites para atuar em conselhos de empresas.

Já Moraes Sousa, o Mão Santa, ex-senador igualmente derrotado, trabalha agora como auxiliar de cirurgia da Santa Casa de Misericórdia, em Parnaíba, enquanto busca uma vaga no Parlamento do Mercosul, o Parlasul.

As normas em vigor não incluem a possibilidade de ex-parlamentares integrarem o Parlasul, mas no final de 2010 Mão Santa encaminhou à presidência do Senado projeto de sua lavra com uma nova versão da resolução sobre a matéria, em que a possibilidade é contemplada. O ex-senador arremata: "Vão dizer que isso beneficia o Mão Santa. Vai beneficiar, sim, mas também ao Brasil. Eu sou o mais preparado para integrar essa delegação".

Em tempo: o jornal é real.

CARTUM DE OGUZ GUREL


Ideia original X plágio. (Oguz Gurel, cartunista turco).

OLD MAGAZINE


Desenhos e textos de humor. Final dos anos 1950, início dos anos 1960. Na capa do exemplar acima, Tio Sam, que à época sonhava em pisar na lua, detecta, via telescópio, o slogan 'yankees go home' na superfície lunar ('alguém' - nem um pouco amigo - estivera lá antes deles!). Autor do desenho: Reginaldo Fortuna, o grande Fortuna, cartunista dos cartunistas.

Na Pif Paf brilhou, entre outros, Millôr Fernandes, o Vão Gôgo.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A CONDIÇÃO PARA A VOLTA POR CIMA


"Desse samba, todo mundo dá ênfase à 'volta por cima'. Mas esquece o 'reconhece a queda', o mais importante".

(Paulo Vanzolini, compositor e cientista, no blog Viva Babel, da escritora e jornalista Elizabeth Lorenzotti. O compositor alude ao clássico Volta Por Cima, de sua autoria, consagrado na voz de Noite Ilustrada: "...reconhece a queda e não desanima; levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima". A observação de Vanzolini parece feita sob medida para os iluminados neoliberais recentemente derrotados nas urnas, que, professorais e impassíveis, continuam em sua ladainha diária de reparos às políticas dos vitoriosos, torcendo contra, distorcendo o que podem e pregando o advento do Estado Mínimo).

sábado, 12 de fevereiro de 2011

EGITO: DAY AFTER


Charge de Dálcio Machado.

EGITO: DAY AFTER (II)


Charge de Duke.

EGITO: DAY AFTER (III)


Charge de Pelicano.

SOBRE EXPRESSÕES LATINAS


Expressões latinas não recebem acento gráfico em português

Por Thaís Nicoleti

Alguma expressões latinas já se tornaram tão comuns na linguagem cotidiana que muita gente as emprega sem lembrar que pertencem a um sistema gráfico distinto do nosso.

É o caso de “per capita” (em português, “por cabeça”), que, conquanto tenha o acento tônico da proparoxítona, não tem o acento gráfico que uma palavra proparoxítona da língua portuguesa teria. (...)
É preciso estar atento na hora de empregar termos latinos, que, embora mais frequentes no vocabulário jurídico, podem aparecer nas mais variadas circunstâncias. É o caso das expressões “a priori” e “a posteriori”, de largo uso, que indicam, respectivamente, algo que independe da experiência e algo que se baseia nela. Assim, podemos falar em “conhecimento a priori” ou “impressão a posteriori”, por exemplo.

“Persona non grata” é qualquer pessoa que não seja bem-vinda; condição “sine qua non” é uma condição essencial (“sem a qual não”). Fazer um mea-culpa é reconhecer a própria culpa. Note-se que essa expressão sofreu aportuguesamento, daí o uso do hífen. Em latim, temos “mea culpa”.

Em educação, usam-se expressões como “lato sensu” e “stricto sensu”, ou seja, sentido amplo e sentido restrito: “mestrado stricto sensu” e “pós-graduação lato sensu”. Quando algo é feito por pura formalidade, diz-se que foi feito “pro forma” (“Deu explicações pro forma”).

Um ato jurídico realizado entre pessoas vivas é um ato “inter vivos”. Assim: “doação inter vivos”, por exemplo. Se o assunto for uma divisão segundo determinada proporção, é possível que apareça a expressão “pro rata” (“divisão pro rata”). (...)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

EGITO EM FESTA


Mubarak escorraçado, o Egito passa a ser dirigido por um conselho militar que cuidará da transição. Tal conselho é liderado pelo marechal Mohamed Hussein Tantawi.

Mil vezes um marechal transitório a um ditador permanente.

O PÁSSARO DE CAMPINA GRANDE


Fred Ozanam, em suas andanças pelas ruas da querida Campina Grande, colheu um flagrante à la Rubem Braga:

"...mesmo possuindo o poder de desafiar a lei da gravidade este pequeno pássaro nos dá exemplo de obediência às leis do trânsito. Quis o inesperado me possibilitar flagrar em pleno movimento da rua esta ave no exato momento em que pacientemente esperava o sinal abrir para continuar o seu vôo."

http://fredcartunista.blogspot.com/ .

EGITO: TEMPESTADE DE AREIA

TIRIRICA E SARNEY


Por Luis Fernando Veríssimo

Richard Nixon certa vez defendeu sua nomeação de um juiz reconhecidamente inadequado para a Corte Suprema americana com o argumento de que a mediocridade também precisava estar representada no tribunal.

Perfeito. Todos os tipos de cidadãos devem ser representados numa democracia. Nesse sentido o recém-empossado Congresso brasileiro talvez seja o mais representativo da nossa história. Além dos medíocres, muitos outros brasileiros têm voz, ou pelo menos presença de terças a quintas, no Congresso.

Alguns setores são até super-representados, como o dos grandes proprietários rurais e o dos milionários. Apesar destes pertencerem à menor minoria no país, têm uma bancada bem maior que a da maioria pobre.

Mas, em geral, todos os eleitores brasileiros, todos os tipos e todas as características nacionais têm representação em Brasília. Não lamente o novo Congresso, portanto. Eles são nós.

Tomemos o Tiririca e o Sarney. Os dois seriam exemplos, respectivamente, de desvirtuamento do processo eleitoral e de aviltamento dos costumes políticos, uma vergonha. Ou duas vergonhas.

Tiririca um inocente transformado em legislador por uma galhofa, Sarney eternizando-se no comando do Senado pelo seu poder de manobra e de conchavo, um cordeiro e uma raposa representando os extremos da nossa desilusão com a fauna parlamentar.

Mas Tiririca não representa apenas os palhaços do Brasil. A galhofa que o elegeu é uma manifestação política, ou antipolítica, que tem história no país e ou representa os que não sabem nada de nada e não querem saber, ou os que sabem tanto que votam em palhaços e rinocerontes para protestar. De qualquer forma, os simples e os enojados também têm sua bancada.

E existe algo mais brasileiro, folclórico e até enternecedor do que Sarney e seu amor pela mesa diretora?

Falar mal do Sarney é um pouco como falar mal de um velho tio excêntrico, mas cujas peripécias divertem a família. Tudo se perdoa e tudo se aceita com a frase "Que figura...". O indestrutível Sarney representa a persistência do gosto nacional por "figuras".

Mas há um caso flagrante de sub-representação no Congresso, além dos sem terras e dos pobres. Quando o senador Paim olha em volta do Senado não vê nenhum outro negro como ele a não ser um eventual garçom servindo o cafezinho. Nada é perfeito.