quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

OS IDIOTAS DA OBJETIVIDADE E A CAMPANHA CONTRA MORAES

A sequência de denúncias, em cima de informações falsas ou não confirmadas, e o destaque editorial, transforma o episódio em campanha


Por Luís Nassif

As vulnerabilidades da opinião pública

Há duas vulnerabilidades no sistema de informação da parcela dita culta da população – aquela que, pelo menos em tese, deveria pensar projetos de país.

Uma delas, é o simplismo. Cada fato, cada denúncia, é avaliada em si. Começa como instrumento político de um dos lados. Depois, se espraia pela opinião pública, como uma realidade simples, sem nenhuma capacidade de analisar consequências, externalidades, interesses envolvidos. É o ambiente ideal para o uso da denúncia como lobby.

A segunda vulnerabilidade é o imediatismo. Joga-se a pedra no lago e aguarda-se a formação de ondas sucessivas, sem nenhum contraponto. É um país incapaz de perceber as consequências futuras de ações imediatas

Essa incapacidade analítica cria duas formas de lobby.

A mais óbvia é a defesa e o elogio do patrocinador.

A menos óbvia (e mais utilizada) é o ataque aos adversários do patrocinador.

Entendidos esses dois conceitos, vamos à análise de casos atuais.

  1. Caso Alexandre de Moraes

Vulnerabilidade; um contrato do escritório da mulher com o Banco Master.

Consequências: no plano ético, enfraquecimento de sua posição e do Supremo Tribunal Federal como um todo. Não há nenhum ilícito penal, mas uma questão ética.

  1. Campanha contra  Alexandre

Surgiu com a história (depois não sustentada) dos quatro telefonemas a Gabriel Galípolo para interceder pelo Master.

Uma denúncia sobre o contrato do escritório da esposa de Moraes é furo jornalístico.

A partir daí, a sequência de denúncias, em cima de informações falsas ou não confirmadas, e o destaque editorial conferido, transforma o episódio em campanha. Os sinais de campanha são nítidos:

  • sucessivas matérias, em cima de informações repetidas;
  • primeira página diária dos jornalões.
  1. Quem se beneficia

Se é campanha, a análise tem que sair dos critérios jornalísticos e enveredar por outras questões: a quem serve?

O caminho consiste em responder à questão: quem ganha com o enfraquecimento de Moraes e do STF? Respostas óbvias:

  • Entre 60 e 190 parlamentares, integrantes de organizações criminosas especializadas em desviar recursos de emendas parlamentares.
  • A Faria Lima como um todo, e não apenas as instituições diretamente envolvidas com o Master. Toda a ciranda da Faria Lima se sustenta, hoje em dia, em uma pirâmide, com centenas de fundos sendo constituídos por ativos falsos, e utilizados para arrecadar poupança dos incautos ou para lavagem de dinheiro, desde os tradicionais “perde-ganha” com as corretoras até os fundos fictícios e criptomoedas.

Consequência benéfica: obrigará definitivamente o STF a montar seu código de conduta, acabando com o privilégio dos escritórios familiares e das viagens internacionais. E ponto.

Consequências negativas

  • enfraquecimento da luta nacional contra as organizações criminosas que atuam no Congresso e na Faria Lima.
  • Inviabilização política do próximo governo e controle definitivo do orçamento pelo Centrão e demais organizações. 
  • Ampliação do PCC e das organizações criminosas que lavam dinheiro na Faria Lima.

 Os irracionais

A partir daí, que não se dê ouvido aos idiotas da objetividade. Mas é imoral o contrato do escritório da esposa de Moraes com o Master, dirão eles. Sim, e vamos prosseguir nas pressões por um código de ética nos tribunais superiores. 

Mas o que significaria a queda de Moraes e a desmoralização do STF? O fim do país como Nação, o vale-tudo final, como campo de batalha do crime organizado.  -  (Aqui).

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Para marcar a reação à tentativa de golpe e o NÃO INCISIVO à dosimetria.

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