quarta-feira, 27 de janeiro de 2021
ELES DISSERAM E/OU CANTARAM
COMBATE TRÔPEGO À COVID, GASTOS DESCONTROLADOS... E UMA OPINIÃO DESTOANTE DO CORO (QUASE) GERAL
NO TEATRO DO ABSURDO...
VARIANTES: O TEMOR TERRIFICANTE
EUA: DO DESTINO MANIFESTO AO ÁPICE DO INTERNACIONALISMO
Inicialmente, a queda da França forçou os planejadores de Roosevelt a se concentrarem em uma área hegemônica mínima. Então, no verão de 1940, os grupos do CFR e as forças armadas inventaram o chamado "quarto de esfera": do Canadá ao norte da América do Sul.
Eles ainda supunham que o Eixo iria dominar a Europa e parte do Oriente Médio e do Norte da África. Com o observa Wertheim, "os intervencionistas americanos costumavam retratar o ditador da Alemanha como um estadista de grande mestria, presciente, sagaz e ousado".
Então, a pedido do Departamento de Estado, o Grupo econômico e Financeiro da CFR trabalhou febrilmente de agosto a outubro para projetar o passo seguinte: integrar o Hemisfério Ocidental à Bacia do Pacífico.
Esse foi um foco eurocêntrico totalmente míope (por sinal, a Ásia mal aparece na narrativa de Wertheim). Os planejadores supunham que o Japão, mesmo se rivalizando aos Estados Unidos, e já há três anos invadindo a China continental, poderia de alguma maneira ser incorporado ou subornado a adotar uma postura não-nazista.
Eles então, por fim, acertaram na mosca: conectem o Hemisfério Ocidental, o império britânico e a bacia do Pacífico em uma chamada "grande área residual": quer dizer, todo o mundo não-dominado pelos nazistas, exceto a URSS.
Eles descobriram que caso a Alemanha Nazista viesse a dominar Europa, os Estados Unidos teriam que dominar todo o restante do mundo (itálicos meus). Essa foi a conclusão lógica com base na premissa inicial dos planejadores.
Foi aí que nasceu a política externa norte-americana que vigoraria pelos 80 anos seguintes: os Estados Unidos teriam que brandir um "poder inquestionável", tal como afirmado na "recomendação" dos planejadores da CFR ao Departamento de Estado, entregue em 10 de outubro em um memorando intitulado "As Necessidades da Futura Política Externa dos Estados Unidos".
Essa "Grande Área" foi a cria intelectual do Grupo Econômico e Financeiro da CFR. O Grupo Político não aprovou. A Grande Área implicava um acerto pós-guerra que seria, na verdade, uma Guerra Fria entre a Alemanha e a Anglo-América. Isso não era o bastante.
Mas como vender dominação total à opinião pública norte-americana sem que isso soasse "imperialista", algo semelhante ao que o Eixo vinha fazendo na Europa e na Ásia? Temos aí um imenso problema de Relações Públicas.
Ao final, as elites dos Estados Unidos sempre voltavam à mesma pedra fundamental do excepcionalismo norte-americano: caso houvesse a supremacia do Eixo na Europa e na Ásia, o destino manifesto dos Estados Unidos de definir o caminho futuro da história mundial seria derrotado.
Como Walter Lipmann, sucinta e memoravelmente colocou: "Nossa é a nova ordem. Foi para fundar essa ordem e desenvolvê-la que nossos ancestrais vieram para cá. É nessa ordem que existimos. Apenas nessa ordem poderemos viver".
Isso estabeleceria o padrão para os próximos 80 anos. Roosevelt, dias após ser eleito para seu terceiro mandato, afirmou que os Estados Unidos que "verdadeira e fundamentalmente... eram a nova ordem".
Dá frio na espinha lembrar que trinta anos atrás, mesmo antes de lançar a primeira operação Choque e Terror sobre o Iraque, Papa Bush a definiu como o cadinho de uma "nova ordem mundial" (Por sinal, esse discurso foi proferido exatamente onze anos antes do 11 de setembro).
Henry Kissinger vem fazendo marketing dessa "ordem mundial" há seis décadas. O principal mantra da política externa dos Estados Unidos é "ordem internacional baseada em regras". Regras, é claro, unilateralmente estabelecidas pelo Hegêmona ao final da Segunda Guerra.
O Século Americano revisitado
O resultado da orgia de planejamento político da década de 1940 foi encapsulado em um mantra sucinto que surgiu no lendário ensaio publicado no Life Magazine em 17 de fevereiro de 1941, de autoria do editor magnata Henry Luce: "O Século Americano".
Apenas seis meses antes, os planejadores estavam no máximo conformados com um papel hemisférico em um mundo futuro liderado pelo Eixo. A partir daí, eles partiram para "o vencedor leva tudo": "uma oportunidade de liderança total", nas palavras de Luce. Em inícios de 1941, meses antes de Pearl Harbor, o Século Americano entrou na ordem do dia - e nunca mais saiu.
Isso selou a primazia da Política de Poder. Se os interesses americanos eram globais, o poderio político e militar norte-americano também deveria ser.
Luce chegou a usar terminologia do Terceiro Reich: "As tiranias talvez exijam um vasto espaço vital. Mas a Liberdade exige e exigirá um espaço vital muito maior que o da Tirania". Diferentemente da de Hitler, a ambição ilimitada das elites americanas prevaleceu.
Até agora. Tem-se a sensação de que o império está entrando em um momento James Cagney, tipo Made it, Ma. Top of the World! (Consegui, mamãe. Topo do Mundo!) – apodrecendo a partir de dentro, o 11 de setembro se fundindo ao 6 de janeiro em uma guerra contra o "terrorismo interno" - ao mesmo tempo em que ainda cultivando sonhos tóxicos de impor uma "liderança" global incontestada. - (Aqui).
terça-feira, 26 de janeiro de 2021
ELES DISSERAM E/OU CANTARAM
'LAVA JATO' QUER CONTESTAR ACESSO DE LULA A MENSAGENS HACKEADAS
Da Conjur (Revista Consultor Jurídico)
Segundo a reportagem, Deltan Dallagnol, Januário Paludo, Laura Gonçalves Tessler, Orlando Martello Júnior, Júlio Carlos Motta, Paulo Roberto Galvão e Athayde Ribeiro Costa entraram com pedido para ingressar como assistentes de acusação na ação movida contra o grupo de hackers que invadiu celulares de diversas autoridades. O processo corre na 10ª Vara Federal Criminal do DF.
No material colhido pela "spoofing" estão as mensagens trocadas entre procuradores do MPF no Paraná e o ex-juiz Sergio Moro. As conversas foram usadas pelo The Intercept Brasil na série que ficou conhecida como "vaza jato".
Uma vez habilitados nos autos, se for deferido o pedido para que ingressem como assistentes de acusação, os procuradores tentariam impedir o aceso de Lula às mensagens. Se Lewandowski não revogar sua decisão, os integrantes do MPF avaliam levar o caso ao Plenário do Supremo. A premissa central seria a de que Lula não foi vítima dos hackers e, portanto, não teria legitimidade para conhecer o que há nos autos.
Os procuradores são representados pelos advogados Marcelo Knopfelmacher e Felipe Locke Cavalcanti. Procurada pela ConJur, a defesa afirmou que não pode comentar o caso.
Pedido semelhante
No começo de 2020 um pedido semelhante foi feito pela procuradora Thaméa Danelon, do MPF em São Paulo. Ela teve o celular invadido e solicitou à 10ª Vara Federal Criminal do DF o ingresso como assistente de acusação na "spoofing".
O processo corre sob sigilo, então não há decisão pública sobre a solicitação de Danelon. No entanto, conforme revelado pela ConJur em dezembro do ano passado, autos da ação penal que se tornaram públicos indicam que o pleito foi atendido, já que a procuradora consta em uma peça da Vara do DF como "assistente".
O caso pode indicar qual será o caminho tomado pelos procuradores de Curitiba. No pedido, a defesa de Danelon, também feita pelos advogados Marcelo Knopfelmacher e Felipe Locke Cavalcanti, argumentou que a procuradora deveria ingressar como assistente de acusação pelo fato de ter sido alvo dos hackers.
"O pedido de habilitação como assistentes se revela importantíssimo diante da gravidade das condutas criminosas descritas na denúncia do Ministério Público Federal, permitindo a participação dos representantes da vítima nos autos processuais previstos no artigo 271 do Código Penal", afirmou Knopfelmacher ao Estadão quando a solicitação foi noticiada.
Os advogados também não quiseram comentar esse caso.
Novela
O compartilhamento do material hackeado com a defesa de Lula já virou uma verdadeira novela. O acesso foi dado por Lewandowski em 28 de dezembro. A decisão, no entanto, foi descumprida por Waldemar Cláudio de Carvalho, que era o responsável pelo plantão da 10ª Vara Federal Criminal do DF.
Carvalho descumpriu a ordem com base na Resolução 71/09, do Conselho Nacional de Justiça. A medida define quais matérias podem ser conhecidas durante o plantão judicial.
Essa não foi a única irregularidade. Em vez de despachar um mero "cumpra-se", para que a decisão do ministro do STF fosse cumprida, a 10ª Vara abriu vista para que o Ministério Público de primeiro grau, que sequer pode atuar junto ao STF, se manifestasse sobre o compartilhamento.
Lewandowski precisou endossar sua determinação duas vezes até que ela fosse seguida. Primeiro, ao ser notificado de que a 10ª Vara abriu vistas ao MP, o ministro reforçou a decisão do dia 28. Posteriormente, ele subiu o tom, mandando um oficial de justiça intimar pessoalmente o plantonista da 10ª Vara para que a determinação fosse seguida com urgência.
Finalmente, em 4 de janeiro, a Vara informou que cumpriria a decisão de Lewandowski. Embora o arquivo total da "spoofing" tenha sete terabytes, apenas 740 gigas foram compartilhados com a defesa. A título de comparação, cada terabyte tem 1.024 gigas.
Na última sexta-feira (22/1), Lewandowski deu nova decisão afirmando que a Polícia Federal deve garantir à defesa do petista acesso integral ao material apreendido.
De início ficou determinado que os advogados de Lula deveriam entregar discos rígidos com espaço suficiente para que os dados da "spoofing" fossem gravados. O petista ficaria com a cópia integral, mas poderia utilizar apenas aquilo que fizesse referência a ele, mantendo sigilo sobre informações de terceiros.
O VILÃO DO LIVRE MERCADO (OU LAISSEZ-FAIRE MERCADOLÓGICO)
PANDEMIA: TEMPO DE CRENÇA, CONVICÇÃO E CARVATIVIR
O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Mauro Luiz de Britto Ribeiro, defendeu o tratamento precoce para o combate ao coronavírus com remédios como hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina. "Existem na literatura médica dezenas de trabalhos científicos mostrando benefício com o tratamento precoce com as drogas citadas acima", diz ele, em artigo na Folha, edição de 25.01.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2021
ELES DISSERAM E/OU CANTARAM
MINHAS AULAS COM DR. EBERLIN, CIENTISTA CRIACIONISTA QUE DEFENDE CLOROQUINA
Por Charles Nisz (No DCM)
Nesta semana, um áudio circulou pelo WhatsApp com uma crítica feita às vacinas contra a Covid-19 feita por Marcos Eberlin, ex-professor do Instituto de Química da Unicamp. Referência no campo da espectometria de massas, Eberlin, um cientista evangélico, usa da sua posição de cientista para referendar absurdos pseudocientíficos.
Com duração de seis minutos, o áudio destila preconceito e xenofobia ao fazer um ranking das vacinas (Oxford, Sputnik, Coronavac e Pfizer). Ao falar das duas primeiras, Eberlin diz que “essas vacinas usam adenovírus que carregam informações para dentro da célula e irão editar o DNA”. Mistificação digna de qualquer grupo de WhatsApp.
De forma implícita, há crítica à vacina Sputnik simplesmente porque o imunizante é produzido na Rússia, numa clara demonstração de xenofobia e anticomunismo tosco. Já para criticar a Coronavac, cujo insumo é de origem chinesa, Eberlin diz que a “vacina é feita com um vírus inativado, havendo o risco do paciente se contaminar com a covid”.
Por fim, Eberlin faz uma defesa velada da vacina da Pfizer, uma vacina de Rna. Eberlin diz que “a vacina da Pfizer foi desenvolvida por empresas de alta tecnologia, como a BioNTech”. O ex-professor da Unicamp fez seu pós-doutorado na Universidade americana de Purdue (EUA). A crítica às vacinas inglesas, russa e chinesa é análise ou lobby pró-EUA?
Eberlin tem doutorado em química e portanto, tem noção do princípio elementar de funcionamento de qualquer vacina. É um agente pouco ativado ou morto da doença, que faz o organismo reconhecê-lo como ameaça e produzir anticorpos. Ou seja, não há risco nenhum na ingestão de qualquer vacina.
O histórico de Eberlin na defesa de pseudociência é antigo. Fui aluno de Eberlin no curso de Engenharia Mecânica da Unicamp em 2001. 20 anos atrás, Eberlin já defendia pseudociência com o intuito de conciliar Ciência e criacionismo.
Eberlin já demonstrava de forma ostensiva suas crenças religiosas. Nós, alunos, não entendíamos, e achávamos até engraçado um professor com tanta titulação ser tão crente. Estava ali um dos germes do bolsonarismo – a junção de fé religiosa com pseudociência.
(Prof. Marcos Eberlin)
Na ocasião, Eberlin advogava a tese do Design Inteligente, uma pataquada que tenta explicar supostas falhas na teoria da evolução. O intuito é encontrar sinais de um projeto inteligente nos seres vivos. O arquiteto desse design, seria, obviamente, Deus.
Se voltarmos na História, veremos que o Design Inteligente surgiu nos EUA como uma estratégia da “guerra cultural” norte-americana. O objetivo era oferecer uma alternativa filosófica ao materialismo e ateísmo da Ciência moderna – e também do comunismo.
Diferentemente de qualquer teoria científica, o Design Inteligente não foi baseado em dados científicos. Foi a teoria científica – e em larga escala, religiosa – que surgiu primeiro. Isso talvez explique muito das posições anticientíficas de Eberlin – um cientista de grande capacidade técnica, mas com visões obscurecidas por suas posições religiosas e políticas.
Mas essa não é a primeira vez que Eberlin usa de sua posição acadêmica para defender disparates pseudocientíficos. Ainda no debate sobre o coronavírus, o cientista assinou uma carta, junto com outros 25 pesquisadores, defendendo o uso da hidroxicloroquina para tratar a covid-19.
Assim como muitos outros pesquisadores, Eberlin “argumenta” que não há estudos científicos definitivos sobre o uso da cloroquina no tratamento de pacientes com covid-19. Os fatos mostram justamente o contrário – nesta semana, Ddider Raoult, cientista francês cujo estudo sobre o tema foi pioneiro, admitiu que a cloroquina não reduz a mortalidade da doença.
Também é utilizado o argumento de que os efeitos colaterais da cloroquina são mínimos. Na verdade, médicos e pacientes relatam sintomas severos causados pelo coquetel de remédios batizado de tratamento precoce contra a Covid.
A desastrada defesa da cloroquina termina com um apelo pseudojurídico. “Se não sabemos se a cloroquina salva ou não vidas, então in dúbio, pro reo”.
Quase no final da carta, Eberlin se revela: “Não encontrei até agora nenhum crítico da cloroquina que não fosse de esquerda, combata o atual presidente do Brasil e, via de regra, não seja favorável ao desastrado #FiqueEmCasa”. Quem, afinal é ideológico? - (Fonte: Aqui).
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Sobre a Teoria do Desenho Inteligente, que tanto inspira os criacionistas, oferecemos dois trechos da abordagem da Wikipedia sobre o assunto:
"O desenho inteligente, design inteligente ou projeto inteligente (em inglês Intelligent Design) é uma hipótese pseudocientífica, baseada na assertiva de que certas características do universo e dos seres vivos são melhor explicadas por uma causa inteligente, e não por um processo não-direcionado (e não estocástico) como a seleção natural; e que é possível a inferência inequívoca de projeto sem que se façam necessários conhecimentos sobre o projetista, seus objetivos ou sobre os métodos por esse empregados na execução do projeto."
"...o Desenho Inteligente retém em seus alicerces uma forma moderna do tradicional argumento teleológico para a existência de Deus, modificado para evitar especificações sobre a natureza ou identidade do criador. A ideia foi inicialmente elaborada por um grupo de criacionistas americanos que reformularam o argumento em face à controvérsia da criação versus evolução para contornar a legislação americana que proíbe o ensino do criacionismo nas escolas como se esta hipótese fosse equiparável às teorias científicas; e gradualmente espalhou-se por diversos países e continentes. Seus defensores mais contundentes, todos eles associados ao Discovery Institute, sediado nos Estados Unidos, acreditam que o criador é o Deus do cristianismo No Brasil o movimento encontra-se atualmente representado entre outros pela Sociedade Brasileira do Desenho Inteligente, que em seu primeiro manifesto, de forma aparentemente contraditória, reconhece que a teoria que defende não encontra apoio entre a maioria no meio acadêmico e posiciona-se contra o ensino do Desenho Inteligente em escolas públicas e privadas (confessionais ou não) em vista da cenário global atualmente configurado. (...)." - (AQUI).
Daí, quem sabe, o entusiasmo do Dr. Marcos Eberlin e outros entusiastas do criacionismo.
Nota: Um certo contraponto à teoria pode ser encontrado em livros do inglês Richard Dawkins (Aqui), biólogo evolutivo e escritor.



















