segunda-feira, 28 de setembro de 2020

PANDEMIA: NEM TODOS EMBARCAM NA NAU DOS INSENSATOS

 .A Quarentena Se Foi Há Tempos


Jorge Braga.

DA SÉRIE CERTAS PALAVRAS

"Berço"

Magon.

(Bom Dia 247 - 28/9 - Attuch/Dafne - Do Antipetismo ........ Aqui).

'THE BOYS' E 'O DILEMA DAS REDES': ESQUERDA PRECISA DE HACKERS E 'ARTIVISTAS' (OU: O ESDRÚXULO INDECLINE)

"... a deputada Bia Kicis 'freakou': 'Que coisa mais asquerosa. É o famoso 'ódio do bem' que passa desapercebido pelos defensores da 'democracia'. Uma criança segurando a cabeça do presidente Jair Bolsonaro. E se fosse a cabeça da Marielle? Ou do Lula? Ou de algum ministro do STF? Mas os intolerantes somos nós', disse a parlamentar". / Nota deste Blog: A deputada está correta em seu questionamento - mas essa mesma parlamentar considera moralmente defensáveis os atos que pratica em defesa de suas convicções, como compartilhar postagem contra ex-ministros ora oponentes do Presidente, os quais, desempregados, estariam "se pintando de preto para fingir que são negros e conseguir uma vaga na 'política de inclusão do Magazine Luiza'." (Aqui e Aqui).


Por
Wilson Ferreira

Ataques massivos de hackers de extrema-direita estão derrubando lives acadêmicas com temáticas progressistas revelando o campo mais bruto da guerra semiótica: os ataques cibernéticos em uma terra de ninguém no qual hackers agem livres como as gangs no deserto distópico de “Mad Max”.  Escandalizada, a esquerda ainda crê no senso de obrigação moral a direitos universais ou republicanos, simplesmente ignorando o paradigma comunicacional da viralização. Séries ficcionais como a segunda temporada de “The Boys” (2019-) e o documentário “O Dilema das Redes” (2020) mostram como a tática de viralização leva ampla vantagem sobre as estratégias tradicionais de propaganda. Restará à esquerda lutar no mesmo campo semiótico da extrema-direita, mesmo que seja nos limites da moral e da ética. Como mostra a “violência metafórica” do “Freedom Kick” do coletivo de artistas ativistas “Indecline”: vídeos de protesto com esculturas de cabeças hiper-realistas de Putin, Trump e... Bolsonaro – chegam aos países afetados pelas suas políticas para os seus opositores jogarem futebol com elas. A esquerda precisa de harckers e "artivistas".

Eleições se aproximam e a guerra cibernética começa nas redes. Como sempre, com um único lado atuante no campo de batalha: a extrema-direita. 

Nos últimos dias, foram mais de 20 alvos de “zoombombing” (massivo ataque de hackers em videoconferências na Internet pela inserção de material obsceno, discriminatório, ameaças etc., resultando no final da sessão) em transmissões online acadêmicas de temas como racismo, feminismo, preservação da Amazônia, violência policial, discussões sobre as relações polícia e sociedade etc.

As ações afetaram transmissões de universidades federais e estaduais de pelo menos nove Estados e do Distrito Federal. Os atacantes invadiram salas de aplicativos e passaram a exibir imagens pornográficas e a xingar os participantes. Fizeram barulhos, gritos e tocaram músicas para impedir que os debatedores fossem ouvidos. Foi o que aconteceu às 19h40 de 19 de agosto com a professora Maria Helena de Castro Santos, do Instituto de Relações Internacionais (IREL), da Universidade de Brasília (UnB) – clique aqui.

De repente, a audiência na plataforma online dá um salto. Em segundos, começam os ruídos desconexos, a música alta, os xingamentos, gritos e pornografia.

A discussão sobre fake news, pós-verdades e fabricação de memes acabou nos últimos tempos monopolizando a discussão da utilização das mídias sociais no campo da guerra política semiótica. Chamaram a atenção para aqueles conteúdos virais que conseguem ultrapassar os limites das bolhas sociais criadas pelos algoritmos que criam as polarizações de opiniões nas redes.

Porém, os episódios descritos acima revelam outro campo mais “hard” da guerra semiótica: a guerra cibernética – hackers que deliberadamente criam ruídos nas comunicações do oponente. Grupos militantes com papel análogo ao desempenhado pelas SA, as milícias paramilitares nazistas: jovens desempregados que perambulavam pelas ruas e eram recrutados para criar tumultos, agitações e invasão de lugares nos quais reuniam-se opositores políticos de Hitler.

Guerra cibernética + guerra semiótica viral formam esse campo desértico no qual a extrema-direita atua sem embaraços, tal como aquelas gangs correndo livremente pelas terras desoladas pós-apocalípticas no filme Mad Max. 

Série The Boys: a propaganda é patética!

A propósito, muitos filmes atuais estão conseguindo simbolicamente representar através da ficção essa disparidade de estratégias de comunicação: a tática de viralização levando ampla vantagem sobre as estratégias tradicionais de propaganda, publicidade e marketing – massificação, panfletagem, público-alvo, amostragens etc.


Tempestade versus Capitão Pátria: Propaganda X Viralização

Um exemplo é a série da Amazon The Boys (2019-), agora na segunda temporada. Para quem não conhece a série, ela é baseada na HQ escrita por Garth Ennis: um universo alternativo no qual os super-heróis se transformaram em objeto de um vasto aparato corporativo que cuida das suas imagens, com uma equipe de relações públicas e advogados. Prontos para abafar qualquer escândalo decorrente de seus “efeitos colaterais” – o principal deles, o projeto de golpe político para que a empresa que os assessora tome o poder do Estado.

A megacorporação Voight controla o grupo de super-heróis chamado “The Seven”, liderado pelo Capitão Pátria (um mix de super-homem e Capitão América imaturo, hipernarcisista e amoral) – o Cinegnose já analisou a série: clique aqui.

Até que surge uma misteriosa super-heroína chamada Tempestade (“Stormfront”) que rouba a liderança e o sucesso do Capitão Pátria. 

Desafiado em sua liderança, Capitão Pátria vê o crescente sucesso da sua rival nas redes sociais e na opinião pública, roubando totalmente a cena e se tornando a nova líder feminina dos The Seven. Indignado, Capitão Pátria chama Tempestade às falas, em linhas de diálogo que explicitamente refletem o sucesso das estratégias comunicacionais atuais da extrema-direita:

   

Capitão Pátria: Tentando puxar meu tapete, roubar minha equipe... não vai funcionar, eu sou o rosto dos Sete! Eu ainda sou o melhor em todas as faixas demográficas... de 18 a 38, de 18 a 49, de 25 a 54... TODOS ME AMAM!

Tempestade: essa necessidade de ser amado por todos é patética!

Capitão Pátria: Eu criei essa equipe do nada, não vou permitir que ninguém tire ela de mim.

Tempestade: Você gastou 273 milhões de dólares com a bobagem dessa campanha “Salvando os EUA”... eu botei você no bolso! Com apenas cinco caras produzindo memes em meus computadores... e o salário deles pago apenas com lanches. Você não pode mais conquistar o país todo, ninguém pode. Você não precisa de 50 milhões de pessoas que amem você. PRECISA DE CINCO MILHÕES DE PESSOAS PUTAS DA VIDA!... Raiva vende. Você tem apenas fãs, e eu tenho SOLDADOS!

Tempestade fatura em cima das denúncias de corrupção na corporação Voight que explodem na mídia. Ela recruta seus “soldados” putos com as denúncias que acabam criando uma espécie autogolpe dentro da corporação Voight, mantendo tudo como está – a corporação e seu projeto secreto de assumir o poder do Estado. 

Capitão Pátria ainda raciocina dentro do velho paradigma da propaganda nas mídias de massas, enquanto Tempestade prefere criar um núcleo duro, pequeno, mas atuante, de “soldados” que militam na guerra cibernética e na viralização de memes, e não mais na massificação de slogans.




São dois campos semióticos excludentes: massificação versus viralização. Capitão Pátria não consegue entender esse novo paradigma: para ele, tudo não passa de “puxada de tapete”.

Tempestade e seu grupo de hackers (pagos com lanches) exploram os interstícios do sistema, a “terra de ninguém” desregulamentada do ciberespaço na qual os algoritmos das gigantes tecnológica como Facebook ou Google mineram o Big Data dos usuários, criando vício, dependência e o subproduto político: polarização e percepção da realidade a partir de bolhas virtuais.

O autogolpe de “O Dilema das Redes”

Como muito bem descreve o novo documentário Netflix O Dilema das Redes (a próxima postagem desse Cinegnose): a destruição da democracia através da manipulação dos dados privados dos usuários que gera gigantescos lucros para as bigtechs.

O problema de todos esses documentários que pipocam nas plataformas de streaming desde a eleição de Trump (Privacidade Hackeada, The Great Hack, Sujeito a Termos e Condições etc.) é que terminam sempre com a mesma conclusão de O Dilema das Redes: nós, usuários, somos vítimas de um “modelo de negócios corrosivo” – como se toda a questão que envolve as Bigtechs fosse apenas um problema de filosofia de gestão, e não um problema que envolva a própria natureza do capitalismo: transformar um bem de interesse público em objeto de lucro privado.

Ao final, encontramos o mesmo desfecho da série The Boys: o autogolpe, no qual a gigante corporativa denuncia a si própria para manter tudo como está. Ou melhor, para criar um tipo de manipulação da opinião pública ainda mais insidioso e invisível.

Propostas que mais parecem aquela situação de querer frear um carro segurando no ponteiro do velocímetro (taxar com impostos a manipulação do Big Data pelas empresas, criar “designers éticos” que atuem nas corporações – seja lá o diabo o que isso significa) apenas revelam que o sistema capitalista muda para continuar tudo na mesma. Afinal, os governos de extrema-direita que assumem as democracias destruídas sempre adotam a agenda neoliberal que, em última instância, sempre beneficia o esquema de negócios das gigantes tecnológicas.

Por isso a esquerda não pode esperar por soluções “kantianas” ou “iluministas" (a crença na boa vontade ou o senso de obrigação moral a direitos universais ou republicanos): uma regulamentação definitiva em que a democracia retorne, definitivamente, aos trilhos da História.

Resta à esquerda (e ao Capitão Pátria) também atuar no novo campo semiótico que a extrema-direita abriu e onde atua livre e solta. Isso significará para a esquerda muitas vezes atuar nos limites éticos e morais. Em outras palavras: também colocar “a mão na merda”.




Assim como na Umbanda ou Candomblé onde entidades superiores hierarquicamente como Orixás, Caboclos ou Pretos Velhos necessitam dos préstimos dos Exus, os espíritos ligados diretamente à vida terrena e às paixões demasiado humanas – dentro dessa hierarquia as funções podem crescer e decrescer em importância. Dependendo das circunstâncias, muitas vezes um Exu é considerado quase no mesmo nível de um Orixá...

Indecline: Kick all Heads!

Um exemplo bem didático desse “colocar a mão na merda” foi a ação promovida pelo grupo de artistas ativistas norte-americanos “Indecline”, que acabou gerando uma onda de protestos da extrema-direita. 

“Indecline” é um coletivo de artistas que atuam no limite da legalidade com suas peças e performances de protestos em espaços públicos e Internet: “O conjunto de trabalhos do Indecline é predominantemente de atividades ilegais, virtualmente todos eles crimes”, disse o porta-voz do grupo que não revela seu nome – clique aqui.

O que causou furor nos apoiadores de Trump e de Bolsonaro foi a ação “Freedom Kick”, definida como “uma chance de reiniciarmos depois de anos de jogo sujo e conduta anti-desportiva.  No futebol, um tiro livre é uma chance de interromper o jogo por um momento e corrigir uma falta. Na democracia, a liberdade de expressão é a força esclarecedora que impede os tiranos de escaparem impunes do assassinato”, afirmam.

A ação consiste em vídeos de protesto com esculturas de cabeças hiper-realistas de Putin, Trump e Bolsonaro. Elas chegam aos países mais afetados pelas suas políticas para então os seus opositores jogarem futebol com elas. O terceiro vídeo da série mostra a cabeça de Bolsonaro chegando em São Paulo até ser usada em uma quadra e usada como bola.




Nas redes, robôs e ativistas de extrema-direita surtaram. Por exemplo, a deputada Bia Kicis “freakou”: “Que coisa mais asquerosa. É o famoso 'ódio do bem' que passa desapercebido pelos defensores da 'democracia'. Uma criança segurando a cabeça do presidente Jair Bolsonaro. E se fosse a cabeça da Marielle? Ou do Lula? Ou de algum ministro do STF? Mas os intolerantes somos nós”, disse a parlamentar.

“Atentado à vida”, “discurso de ódio” é o que mais se ouve, duplicando as mesmas acusações da esquerda contra vídeos com extremistas de direita empunhando armas e ameaçando opositores, gays, comunistas...

É claro que essa “violência metafórica” do Indecline (uma sutil diferença da violência direta e grosseira de armas+pornografia+ameaças físicas da extrema-direita) está no limite ético e moral pelo mau gosto e violência simbólica. O coletivo de “artivistas” (como se autodefinem) composto por grafiteiros, fotógrafos, cineastas e “rebeldes em tempo integral”, sabe disso. O tempo de exposição dos seus atos é curto, por serem ilegais.

Com tão pouco tempo de exibição pública, o trabalho do Indecline geralmente obtém maior exposição nas mídias de notícias. O grupo também fotografa e grava seus trabalhos para distribuição nas redes sociais.

As estratégias do Indecline (no caso do vídeo bizarro da cabeça hiper-realista de Bolsonaro, é QUASE reutilizar o discurso de ódio, apenas com os sinais trocados) são um exemplo dessa incursão no mesmo campo semiótico do inimigo.

Um exemplo para a esquerda refletir numa guerra semiótica até aqui perdida: precisamos de hackers ativistas e "artivistas"?  -  (Fonte: Cinegnose - Aqui).

 

Postagens Relacionadas


Adnet e Hélio de la Peña revelam no Roda Viva o ardil semiótico da direita... e a esquerda ignora



Bolsonaro é um avatar: como enfrenta-lo?



Cinegnose em Londrina: na guerra semiótica a esquerda descerá ao abismo para se encontrar



Livro do blog: “Bombas Semióticas na Guerra Híbrida Brasileira (2013-2016)”

 

CLAP! CLAP! CLAP!

Clap! Clap! Clap!


Janete.

domingo, 27 de setembro de 2020

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

(27.09)


.Gipsy - I Will See You In My Dreams ........... Aqui.

.Renato E Seus Blue Caps - 1994 ................ Aqui.


.Bemvindo Sequeira - 'Cristofobia' ............. Aqui. 

.Cidadania - Lula: O (Notável) Plano B ........ Aqui.

.Kiko Nogueira - O Barraco Do Leblon ....... Aqui.

................

.Jessier Quirino - Passeio por nossa bodega  Aqui.

IMPRESSÕES DE DRAUZIO VARELLA SOBRE A ATUAÇÃO DO GOVERNO CENTRAL FRENTE À PANDEMIA

É visível - e constrangedor - o empenho da quase totalidade da mídia em 'atenuar' a trágica realidade da pandemia que infelicita o Brasil; é visível a 'contemporização': não pode pôr os pingos nos ís, não pode dizer que, sim, um acontecimento dessa dimensão não poderia prescindir de uma coordenação central por parte da Presidência da República. O Governo alega 'cerceamento' por parte do Supremo ao conferir competência compartilhada para estados e municípios conduzirem as ações de combate ao coronavírus, mas não há como incluir a imprescindível COORDENAÇÃO das ações nesse 'pacote'. Setores da mídia podem até tentar reagir 'positivamente', mas a História determinará a verdade dos fatos. - (Comentário deste Blog).

"Drauzio Varella comparou Bolsonaro a um pai de uma família desestruturada, confundindo seus filhos em relação a uma doença mortal."


Na Rede Brasil Atual
O presidente Jair Bolsonaro não tem cumprido com suas obrigações durante a pandemia de covid-19. A conclusão é da economista Monica de Bolle e do médico sanitarista Dráuzio Varella. Eles participaram de uma conversa virtual patrocinada pela Editora Intrínseca na noite de sexta-feira (25), com o tema Sem Saúde não há Economia.

Drauzio Varella comparou Bolsonaro a um pai de uma família desestruturada. Isso porque o presidente confundiu a população com seus discursos e ações em sentido contrário aos preconizados pela ciência e autoridades de saúde, entre outras ações descabidas para o momento.

“Quando você tem uma casa com uma família grande, quando você tem uma pessoa contagiada, você separa a pessoa, os talheres, os pratos, todo mundo usa máscara. Entra um só para levar os alimentos. Essa é uma medida padrão. Mas imagina que seu marido fala pra não fazer nada disso, mesmo se a mãe for contra. Como ficam os filhos? Ficam confusos”, disse o médico.

Negação da covid-19

Outro ponto de desordem apontado por Dráuzio tem relação com a falta de mobilização do Ministério da Saúde. O Brasil ficou mais de 100 dias sem comando na pasta, após a demissão de dois profissionais que se negaram a seguir o “terraplanismo” de Bolsonaro em negar a covid-19. “Vimos atitudes desorganizadas no Ministério, quando dependíamos muito dele. Tivemos ordens mistas que confundiram a população. Graças a governadores e prefeitos começamos, tentamos fazer um distanciamento”, disse.

A desigualdade também foi apontada como causa de um dos piores cenários do mundo. “Mas um país desigual como o Brasil não tem condições de manter o isolamento de forma adequada. Não dá pra fechar supermercado, não dá pra tirar segurança das ruas. Os mais pobres fazem esse trabalho, moram em habitações precárias, dividem espaços e têm dificuldade em fazer isolamento. Brasileiros não têm reservas para ficar em casa um mês. Falta comida”, alertou.

Bolsonaro reduz orçamento

“Tudo que deveríamos ter feito em relação às intervenções não farmacêuticas, não fizemos. Não fizemos um distanciamento social adequado, agora não estamos fazendo mesmo. Não temos testagem em massa, não temos rastreamento de contágio. Mesmo tendo a riqueza do SUS, que poderia ser bem utilizado, não foi, infelizmente”, disse Monica de Bolle, que é professora da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Os resultados são claros neste sentido. O Brasil tem mais de 140 mil mortes, o segundo país com maior número de vítimas no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Isso, sem contar com a subnotificação que assola a história pandêmica brasileira. Menos de 9% dos brasileiros passaram por algum tipo de testagem de sorotipo da covid-19, contrariando indicações de autoridades científicas.

“Essa pandemia no Brasil, descontrolada, precisa muito do SUS. E os recursos deveriam ter chegado e não chegaram. O drama que se coloca no país é humanitário. Toca muito em tema de desigualdade, atinge camadas distintas da sociedade de distintas formas”, completou a economista, ao lembrar que a capacidade do SUS não foi direcionada para o atendimento eficaz da pandemia. Ao contrário, o orçamento da Saúde vem sendo cada vez mais reduzido pela gestão Bolsonaro, assim como a ciência desacredita em seus discursos negacionistas.

(Clique Aqui para conferir a íntegra do debate “Sem Saúde não há Economia”).

SUS, 32 ANOS DE SUCESSO!

VIVA O SUS!!

Lézio Junior.
................
."Pandemia Ressalta Importância Do SUS, Após 
32 Anos Da Criação De Sistema Público De Saúde" ........ Aqui.

DA SÉRIE CENAS QUE NÃO GOSTARÍAMOS DE VER

Crianças Aglomeradas


Jean Galvão.

DA SÉRIE FLAGRANTES DA FIXAÇÃO COLETIVA

Olha A Vacina!

Jorge Braga.
................
.Bom Dia 247 (27.09) - Attuch / Vianna / Florestan:
O fascismo da TV brasileira ................................................ Aqui.

TECENDO A MANHÃ

TECENDO A MANHÃ


(João Cabral de Melo Neto)

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.


E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

ENQUANTO ISSO NAS CERCANIAS DA FLORESTA...

Viva A Primavera!


J Bosco.

QUANDO O ELETROMAGNETISMO ABRIU PORTAS PARA ESTRANHOS MUNDOS NO FILME "A VASTIDÃO DA NOITE"

"A narrativa faz questão de manter o espectador distanciado da estória: o filme abre em um jogo metaliguístico no qual o filme parece ser colocado dentro da tela de uma TV preto e branco que mostra mais um episódio do 'Hora do Teatro Paradoxo'. O filme parece ser mais um episódio que emula a série clássica Além da Imaginação – Twilight Zone."


Por Wilson Ferreira

Estamos no final dos anos 1950. Há algo no céu nos arredores de uma pequena cidade em uma noite em que todos estão no ginásio assistindo à uma partida de basquete. Menos dois jovens em seus empregos noturnos: ele, na estação de rádio; e ela como telefonista da central da cidade. Rádio e telefone, eletromagnetismo e eletricidade: essas duas descobertas abriram a humanidade para o mundo desconhecido micro e macro (o quântico e o cósmico): e a possibilidade de formas de comunicação com outros mundos ou dimensões. O filme “A Vastidão da Noite” (“The Vast of Night”, 2019) capta essa atmosfera misteriosa que cercou o eletromagnetismo, desde 1899 quando o físico Tesla acreditou ter recebido sinais codificados vindos do espaço. Paranoia da invasão soviética na Guerra Fria, interferência da CIA, visitantes alienígenas, fantasias adolescentes, tudo envolve uma misteriosa transmissão de rádio que invade as linhas telefônicas naquela noite.

Em um texto publicado em 1973 pela revista “Planeta” chamado “O Terceiro Milênio”, o autor do livro “2001”, Arthur C. Clarke, afirmava que “é o radiotelescópio e não o foguete que se tornará o instrumento dos primeiros contatos com inteligência extraterrena”. 

O escritor acreditava que os verdadeiros arqueólogos do futuro seriam esses pesquisadores de sinais modulados misteriosos em meio à estática natural do Universo. 

Ele não tirou essa projeção para o futuro do nada. Desde antes de o primeiro satélite artificial ser colocado em órbita, o russo Sputnik em 1957, ou dos rádios operadores e sinais telegráficos dominarem as comunicações transatlânticas, já existia um histórico de recepção de estranhos sinais vindos do espaço.

As tentativas de comunicação com outros planetas começaram em 1899 quando o físico sérvio Nikola Tesla construiu em Colorado um enorme centelhador de cobre ativado por uma bobina de 25 metros de comprimento, um “transmissor cósmico”. A experiência foi tão curta quanto bem-sucedida: as descargas elétricas queimaram uma usina hidrelétrica vizinha, matou duas vacas, acenderam lâmpadas num raio de dez quilômetros. Mas aparentemente alguém ou alguma coisa captou os pontos e traços enviados pelo cientista, porque minutos depois o receptor começou a registrar de volta uma série diferente de sinais codificados.

Tesla morreu convencido de ter recebido sua mensagem espacial. Mais tarde, foi o italiano Guglielmo Marconi, o inventor do primeiro sistema de telegrafia sem fios, que em 1921 transmitiu poderosos sinais para o espaço, para minutos depois também receber sinais em código que não conseguiu decodifica-los.

A partir daí, projetos secretos radiofônicos das Forças Armadas americanas surgiram como o grande receptor de Jenkins em um observatório naval em 1924 ou o Projeto Ozma (nome inspirado no “mágico de Oz”) na década de 1950 para capturar sinais “estranhamente uniformes” que viriam de Vênus.

O sci-fi indie A Vastidão da Noite (The Vast of Night, 2019), do diretor Andrew Patterson, com um micro-orçamento, consegue capturar essa atmosfera que envolve toda a mística que cercou a eletricidade e o eletromagnetismo que acabou alimentando ainda mais a paranoia da Guerra Fria.

“O que está lá fora na vastidão da noite? Há algo no céu!”, é a linha de diálogo críptica do filme que apesar de tratar de um tema já tão batido no cinema desde Contatos Imediatos de Terceiro Grau de Spielberg (um OVNI paira sobre uma pequena cidade no final da década de 1950), consegue escapar de todos os clichês.  

Assistindo à primeira metade do filme (disponível na plataforma Prime Vídeo) podemos pensar: “já vi isso antes!”. Porém, a maneira como Patterson a estória é contada é nova – situada na década de 1950, narra um tema já clichê reconstituindo a atmosfera de como não só o eletromagnetismo mas os seus produtos midiáticos (principalmente o rádio, mas também a TV) foi capaz de abrir as mentes para uma consciência planetária e a possibilidade de comunicação com outros mundos – planetários ou dimensionais.



Essa ambiguidade da natureza das mensagens recebidas tanto por Tesla quanto Marconi é magistralmente construída pelo filme: a narrativa de A Vastidão da Noite não trata sobre o que acontece, mas como as coisas estão acontecendo naquela cidadezinha em uma noite qualquer.

O Filme

Nas primeiras sequências acompanhamos os momentos que antecedem um importante jogo de basquete no colégio. Os jogadores se aquecem na quadra, as líderes de torcida dançam nas laterais da quadra. Praticamente todos os habitantes daquela pequena cidade estão nas arquibancadas.

Menos dois alunos do ensino médio, Everett (Jake Horowitz) e Fay (Sierra McCormick). Juntos, eles atravessam as ruas da cidade deserta em direção dos seus empregos noturnos: ele apresenta um programa musical na estação de rádio local. E ela é operadora da mesa telefônica da cidade.

A narrativa faz questão de manter o espectador distanciado da estória: o filme abre em um jogo metaliguístico no qual o filme parece ser colocado dentro da tela de uma TV preto e branco que mostra mais um episódio do “Hora do Teatro Paradoxo”. O filme parece ser mais um episódio que emula a série clássica Além da Imaginação – Twilight Zone.

O distanciamento continua com a longa tomada sinuosa em sequência de Everett e Fay conversando enquanto atravessam a cidade noturna deserta. A conversa é rápida e sobreposta, uma conversa geek sobre tecnologias e o seu futuro. 

Leva algum tempo para descobrirmos do quê estão falando e qual é o sentido ou propósito da estória. A narrativa não vem pronta para o espectador. O espectador deve entrar nela e superar o distanciamento propositalmente criado por Petterson.

Depois que Everett e Fay se acomodam em suas funções, começam a perceber que algo estranho está acontecendo. Está havendo interferências no sinal do rádio. Enquanto Fay percebe que as ligações telefônicas estão diminuindo. Um som estranho está passando pela linha, um som que Fay não reconhece.



Uma mulher liga para a mesa telefônica gritando em meio a estática sobre algo estranho acontecendo nos arredores da cidade. Como Everett e Fay são nerds em tecnologia, decidem descobrir o que está acontecendo.

Peça por peça, o filme é construindo até chegar ao clímax: a atmosfera da Guerra Fria e paranoia da invasão soviética, interferência da CIA, visitantes alienígenas, fantasias adolescentes etc.

Duas ligações telefônicas são as chaves de A Vastidão da Noite: a de um militar aposentado chamado Billy (voz de Bruce Davis) que liga para a rádio dizendo reconhecer aquele som com algum tipo de operação militar secreta no deserto de Nevada (Área 51?) e uma dona de casa idosa chamada Mabel Blanche (Gail Cronauer) que teria provas sobre uma conspiração alienígena contra a espécie humana – ou melhor, seríamos apenas marionetes das vozes aliens que entrariam em nossas cabeças. 

O planeta seria um mero teatro dos jogos alienígenas – ecos da mitologia gnóstica que, nessa década, influencia todo um subzeitgeist da cultura pop das sci-fi pulp ficctions e HQs.

  A novidade da abordagem de A Vastidão da Noite é a fuga das duas grandes abordagens sobre aliens, desde o clássico de Spielberg dos anos 1970: de uma lado, uma visão espiritualista ou New Age de extraterrestres pacifistas, espiritualmente mais evoluídos que querem dar uma mãozinha para a humanidade; e do outro, os alienígenas como imperialista que querem ou nos escravizar ou pura e simplesmente nos exterminar.



Andrew Petterson cria uma terceira via fundamentada na ambiguidade histórica que a descoberta da eletricidade e do eletromagnetismo criou no universo cultural – abriu a humanidade par estranhos universos micro (a mecânica quântica) e macro (a estática de fundo do Universo e estranhos sinais modulados que eventualmente parecem se destacar).

O silêncio e a vastidão da noite que envolve aquela pequena cidade interiorana captam essa atmosfera que mixa tecnologia, misticismo e espiritualismo. 

Pesquisadores como Erik Davis (Techgnosis – myth, magic and mysticism in the age of information, New York: Serpent Tail, 2004) acreditam que o Espiritualismo foi a primeira religião da Era da Informação. Os fenômenos mediúnicos, mesas girantes, escritas automáticas etc. estudados por Alan Kardec e pela Teosofia de Madame Blavatsky e Leadbater no século XIX, surgem simultaneamente à descoberta do eletromagnetismo e na transformação da eletricidade em informação com o telégrafo. E depois o rádio e a TV.

 Os próprios fenômenos paranormais começam a ser interpretados como fenômenos eletromagnéticos de comunicação espiritual. 

Podemos dizer que A Vastidão da Noite é fascinante porque capta essa espécie de “grau zero” desse estranhamento cultural diante dos novos mundos que estavam sendo vislumbrados pela tecnociência. Antes de ser sobrecodificado pela Política (Guerra fria e paranoia anticomunista) ou pela nova religião do pós-guerra: a New Age. 


Ficha Técnica 

Título: A Vastidão da Noite

Diretor: Andrew Patterson

Roteiro: Andrew Patterson, Craig W. Sanger

Elenco: Sierra McCormick, Jake Horowitz, Gail Cronauer

Produção: GED Cinema

Distribuição:  Amazon Studios

Ano: 2019

País: EUA

 

Postagens Relacionadas


Um pesadelo semiótico zumbi no filme “Pontypool”



Edison versus Tesla: o misterioso dispositivo para conversar com os mortos



Nikola Tesla e a paranoia do detetive em “The American Side”



O gnosticismo alquímico de Nikola Tesla

................

(Fonte: Cinegnose - Aqui).