quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
CONFESSO MEUS ERROS SOBRE O PAPA FRANCISCO
"Venho de uma família judia cevada nas ideias socialistas e no ateísmo há quatro gerações.
O último da minha linhagem a acreditar em Deus deve ter morrido no início do século passado.
Para mim, o Natal é uma data sem qualquer significado especial, ainda que tenha aprendido a respeitar aqueles que celebram nascimento de Jesus.
Mas quero aproveitar esta véspera natalina para uma confissão.
Há ano e meio escrevi, para o Opera Mundi, artigo dos mais furados de minha vida jornalística. O título diz tudo, basta clicar para ter acesso ao texto: “Papa Francisco é a contrarrevolução moderna”.
Eu sei que não é costume muito apreciado na minha profissão o reconhecimento dos erros.
Pertencemos, afinal, àquele grupo de carreiras no qual a credibilidade depende de acerto nas informações e previsões.
Quando se mete o pé na jaca, normalmente a saída é espremer a realidade na camisa de força dos textos que escrevemos.
Ou deixar o tempo passar, torcendo para que os leitores se esqueçam das barbaridades cometidas.
No limite, concede-se um “erramos” sem muita visibilidade, para fazer constar.
O equívoco, porém, foi tão estapafúrdio que seria vergonhoso não admiti-lo de público.
Não porque vá fazer diferença para alguém. Apenas pelo desejo de ficar em paz com minha consciência.
A síntese da análise escabrosa está no parágrafo abaixo, no qual comentava o pensamento do novo pontífice, então recém-eleito:
“Não há qualquer diferença de abordagem… daquela pregada por João Paulo II e Bento XVI. Continuam de pé os mesmo dogmas: a centralidade da fé religiosa sobre os problemas políticos e sociais, o combate irascível contra o direito das mulheres à interrupção da gravidez e a afirmação da heterossexualidade como única relação erótico-afetiva possível.”
Querem mais?
“Despida de ritos aristocráticos e confrontando a antiga cúria corrupta, a Igreja Católica apresenta-se com uma face nova, capaz de cativar o mundo para as mesmas ideias de sempre.”
Ou ainda…
“O estilo de Francisco…traz jovialidade, simpatia e humildade à linguagem carcomida de seus antecessores. Apesar de refutar qualquer alteração ao conjunto de decisões que tiraram correntes católicas do apoio às batalhas populares, sua oratória a favor dos pobres rejuvenesce o Vaticano.”
Para arrematar assim:
“A direita encontra, nesta renovação, bom motivo para entusiasmo. Um papa fortalecido e celebrado é instrumento notável para qualquer estratégia de redução da influência de esquerda nas camadas de menor renda, especialmente na América Latina.”
Desde então, o papa Francisco desmentiu praticamente todas estas arrogantes previsões.
Além de enfrentar a corte vaticana e seus interesses, se lançou em cruzada para levar o catolicismo de volta ao convívio com os movimentos populares, abraçando sua causa.
Luta para reformar o discurso da Igreja sobre direitos civis, incluindo temas outrora proibidos, como o acolhimento da diversidade sexual e a defesa da saúde feminina frente aos dogmas religiosos.
Estendeu sua mão para a esquerda latino-americana, apoiando experiências progressistas e desautorizando o vínculo de organizações católicas às conspirações conservadoras.
Como se não bastasse, o papa Francisco foi decisivo nas tratativas que levaram os Estados Unidos a reatar relações diplomáticas com Cuba, mais de cinquenta anos depois da ruptura.
Paguei o mico de compará-lo a seus antecessores, patriarcas da reação ultramontana que se instalou na Igreja desde os anos oitenta.
A comparação pertinente, no entanto, seria com a era de João XXIII, que liderou reforma da instituição nos anos sessenta e abriu espaço para a Teologia da Libertação.
O papa argentino, aliás, pode ter menos força que o chefe do Concílio Vaticano II, mas seu programa é mais profundo e herético.
O primeiro a tentar abrir meus olhos sobre os enganos que cometia e divulgava foi João Pedro Stédile, o bravo líder do MST e da Via Campesina, atualmente um dos principais interlocutores leigos de Francisco.
Demorei a lhe dar ouvidos. Aos poucos, contudo, fui me dando conta que havia sido contaminado por preconceitos e desvarios.
Vivendo e aprendendo.
Hoje reconheço que o papa lidera revolução no catolicismo, que deve ser observada e partilhada pelas forças progressistas do planeta.
Não sei se será vitorioso, pois as correntes retrógradas parecem ainda possuir imensas fortalezas.
O que importa, contudo, é que a Missa do Galo será rezada esta noite, pelo segundo ano consecutivo, por um papa que tem revelado compromisso com os pobres e as mudanças.
Quanto a mim, se cristão fosse, caberia alguma penitência pelas conclusões açodadas de 2013.
A vantagem dos ateus é que basta a autocrítica."
(De Breno Altman, em seu blog.
Este escriba regozija-se por vir louvando Francisco desde suas primeiras iniciativas - que lhe pareceram demonstrar que a conjuntura iria, finalmente, começar a ser modificada).
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Eles disseram. Breno Altman. Papa Francisco.
A GLOBO E O TROFÉU MÁRIO LAGO 2014
(De Graça Lago - no Facebook -, filha de Mário Lago, ator, escritor e compositor, morto aos 90 anos, em 2002. Ao longo da vida, Mário foi preso sete vezes em face de ideias e militância esquerdista. Casou-se com Dona Zeli, filha do militante comunista Henrique Cordeiro, e teve cinco filhos. Em 1989 filiou-se ao Partido dos Trabalhadores e em 1998 participou como âncora dos programas eleitorais Lula à presidência da República.
A razão da indignação de Graça Lago: a concessão do Prêmio Mário Lago 2014 a William Bonner.
Detalhes AQUI).
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
SOBRE A INVESTIDA CONTRA A PRESIDENTE DA PETROBRAS
"Em qualquer parte do mundo civilizado, acusação, para ser levada a sério, tem dois requisitos: lógica e provas.
Na entrevista que deu ontem ao Jornal Nacional, na falta de provas – que não foram e não são apresentadas – Graça Foster tentou mostrar a falta de lógica das acusações da ex-gerente Venina Velosa da Fonseca, de que a presidente da empresa sabia dos esquemas de corrupção de Paulo Roberto Costa, seu chefe por quase uma década.
Fica claro que Venina tinha todo o acesso possível a Graça e poderia, a qualquer momento que quisesse, ter-lhe dito e mostrado, com os documentos que, como braço direito de Costa, poderia (ou pode) ter reunido.
E que não o fez.
Graça também procurou demonstrar – e as anotações curriculares de Venina, feitas por ela própria em seu Linkedin (veja AQUI), corroboram – que a história de Cingapura, como se demonstrou aqui, são, na verdade, duas.
A primeira quando foi para lá como subordinada do próprio Paulo Roberto Costa, com quem tinha se desentendido.
A segunda, já com Graça no comando da companhia, quando recebeu (difícil que se receba sem pedi-lo) um posto de comando de uma subsidiária da empresa em Cingapura, com o salário, nada desprezível, de mais de R$ 167 mil reais mensais, afora benefícios como aluguel e escola para dependentes.
Na primeira estada em Cingapura, sob o comando do “ladrão de carreira” Costa, é possível que tenha assinado o contrato de seu hoje ex-marido, Maurício Luz, com a Braskem – que tem 47% de capital pertencente à Petrobras, para trabalhar na mesma Cingapura.
Se isso foi um “exílio” por conta das diferenças surgidas entre parceiros de quase dez anos – Costa e Venina – ela deveria dizê-lo ou, pelo menos, apontar as responsabilidades de Costa no assunto, não sair-se com dramalhões do tipo ser mandada para o outro lado do mundo, histórias de “arma na cabeça”, “não pude ver minha mãe”, etc…
Quem ganha isso pode, perfeitamente, comprar uma passagem de avião quando quiser.
Venina, uma mulher bem informada, capaz de dirigir negócios de bilhões, sabe achar o endereço do Ministério Público e se cobrir de garantias.
Não fez isso desde 2009/10 e nem mesmo veio a público, após as denúncias sobre Paulo Roberto Costa ou de sua prisão, em março (março!!!) deste ano para colaborar com as investigações.
Só o fez depois de ser, no final de novembro, apontada como, ao menos, co-responsável por contratos e aditivos feitos pela diretoria ocupada por PRC.
Durante toda a entrevista, é visível a preocupação de Graça Foster de não negar credibilidade aos documentos e informações que Venina, como braço gerencial de Costa possa ter e fornecer.
Ela é, pela posição de proximidade total com o ex-diretor, alguém em condições privilegiadas para saber tudo.
Mas onde estão as informações concretas de Venina, exceto pelo gerente de comunicação denunciado, punido e processado judicialmente de imediato?
Como, ao que conste, Venina não negocia um acordo de demissão premiada, por que o sigilo das informações?
Qual é o interesse em usar o que ela diz agora contra uma dirigente à qual não se acusa de um ato sequer de desonestidade?
Há, porém, uma grande falha nas declarações da presidente da Petrobras.
Ela parte do princípio de que há algum interesse na verdade, quando, de fato, o interesse político está acima de qualquer coisa.
Se a lógica tivesse alguma importância, o pobre cordeiro não tinha virado o almoço do lobo que bebia rio acima.
Não adianta falar e agir como quem quer apenas a verdade.
A verdade tem de ser brandida como arma, porque é ela que faz a mentira tremer."
(De Fernando Brito, em seu blog, post intitulado "Graça, no JN, é equilibrada e séria. O problema é que não há equilíbrio mais" - aqui.
Certamente, há um, digamos, desapontamento da grande mídia - Globo à frente - e outros setores em razão da permanência da presidente da Petrobras em seu cargo. Para piorar, as informações sobre a elevação da produção da empresa e a avidez com que investidores - George Soros na liderança - partem para cima das ações da Petrobras na Bolsa tornam lícito o entendimento de que o esforço midiático contra a titular não está colando. Não se pode, claro, descartar a possibilidade de o mercado acionar a rotineira artimanha do iô-iô, ou seja, forçar nova queda das cotações, esperar a venda dos papéis pelos incautos e auferir ganhos adicionais com nova elevação do preço das ações. Mas, que a verdade precisa prevalecer, e isso vai demandar ainda um bom tempo, é uma necessidade imperiosa. Valendo notar que eu não estranharia se, quando isso acontecer, Dona Venina, que agora, de maneira no mínimo curiosa, tenta embolar o meio de campo, não alcançar êxito em sua estratégia).
SAI DE CENA JOE COCKER
Milt Priggee. (EUA).
Do Jornal GGN: O cantor e compositor britânico Joe Cocker morreu nesta segunda-feira (22) aos 70 anos, segundo comunicado da Sony Music a uma emissora de TV estrangeira. Cocker lutava contra um câncer de garganta. Ele ficou famoso em 1969 ao fazer um cover de "With a little help from my friends", dos Beatles, no festival de Woodstock. Em 2012, durante passagem pelo Brasil, ele falou dos artistas que admirava - e que partiram antes dele - à reportagem do Estadão. Veja abaixo.
As preces de Joe Cocker
Do Jornal GGN: O cantor e compositor britânico Joe Cocker morreu nesta segunda-feira (22) aos 70 anos, segundo comunicado da Sony Music a uma emissora de TV estrangeira. Cocker lutava contra um câncer de garganta. Ele ficou famoso em 1969 ao fazer um cover de "With a little help from my friends", dos Beatles, no festival de Woodstock. Em 2012, durante passagem pelo Brasil, ele falou dos artistas que admirava - e que partiram antes dele - à reportagem do Estadão. Veja abaixo.
As preces de Joe Cocker
Num quarto de hotel em Porto Alegre, o homem hospedado como Robert Clark é, na verdade, uma das maiores e mais trágicas vozes que o blues e o soul já tiveram em seu time: Joe Cocker.
Ele esteve na lendária primeira edição do Festival de Woodstock, emprestando sua voz à versão sanguínea de With a Little Help from My Friends, dos Beatles. Como Janis, insinuou que uma canção fundamental seria aquela que consumisse o artista no palco, como num incêndio.
Mas Janis morreu e Joe Cocker sobreviveu, aos trancos e barrancos. “Não havia ‘rehab’ na minha época. Ninguém chegava para mim e dizia: Joe, você precisa parar com isso”, ele disse ao Estado de S. Paulo, comentando o destino de Amy Winehouse (que admirava). Ele canta hoje em São Paulo. (Jotabê Medeiros).
Você está vindo com um disco novo na bagagem, Hard Knocks (2012), certo?
Eu fiz esse álbum com a Europa na mente. Eu tive boas passagens pela Alemanha, tenho muitos fãs lá. Então fiz esse disco com a Sony da Alemanha, é uma coleção de canções mais do tipo “para tocar no rádio” do que meus três álbuns anteriores. No show, eu canto duas canções desse novo disco, Hard Knocks e Unforgiven. Para não chatear as pessoas com muitas coisas desconhecidas.
Como você define uma música “tipo para tocar no rádio”?
Bem, o produtor do disco, Matt Serletic, ele tem uns 40 anos de idade e andou por uma banda chamada Collective Soul anos atrás. Ele tinha algumas boas ideias do que poderia ser um som moderno. Devo confessar que ele pareceu doido demais para mim. Mixamos algumas coisas no meio do caminho, e o resultado é o que eu chamo de som de rádio.
Você tem lembranças da última vez que cantou no Brasil?
De uma certa forma, não foi tão bacana, porque eu fiquei chateado com o assédio. Eu não podia caminhar pelas redondezas, sempre ficava cercado de garotos. Não podia ir a lugar nenhum sem ser sequestrado. Mas agora está mais tranquilo, posso ir a todo lugar. Nós fizemos agora shows no Peru, pela primeira vez passei pela Argentina. Está sendo ótimo.
E Porto Alegre? O que está achando?
Muito boa a comida. Fui almoçar hoje, eles têm um jeito diferente de preparar a carne aqui. Eu pedi um steak gigante, e a apresentação é diferente daquela da Argentina. Muito boa. Não tenho reclamações. Foi um pouco surpreendente na Argentina para mim, porque eles não reagem muito às canções. Pareciam muito sérios. Espero que seja diferente aqui, no Brasil, um pouco mais quente. Ao menos em canções como You Can Leave your Hat On (risos).
Desde que você surgiu em 1968, poucos atingiram um nível de interpretação tão trágico. Surgiram alguns, como Jeff Buckley e Anthony Hegarty, mas é difícil.
Você fala do soul natural. É raro. Eu nunca escrevi muitas canções, até escrevi algumas com um pianista de minha cidade natal, Sheffield, Chris Stainton. Foi no começo. Eu me dediquei a encontrar boas canções que eu pudesse deixar na memória das pessoas. Quando interpreto canções como You’re so Beautiful, minha proposta é reinventá-la a cada noite. Isso é interpretação, trazer emoção à sua voz. Eu tenho uma boa banda, que sabe o que eu quero. Se estou ainda cantando após 45 anos, é porque talvez eu possa transformar uma canção em algo especial. Tento comunicar um sentimento por meio de uma canção, o que não é fácil.
Você é inglês, mas é muito mais natural para você cantar o american songbook.
É verdade. Eu nunca tentei entender isso, mas sou do Norte da Inglaterra. Quero dizer, os Beatles eram de Liverpool, que não é tão distante de Sheffield. Ali, nós fomos muito influenciados pelo blues de Chicago. Acho que eu carreguei aquilo comigo em minha voz. Eu amo Ray Charles, Muddy Waters, Sonny Boy Williamson. Eu sou um “bluesband guy”. (Fonte: aqui).
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Joe Cocker, emérito cultor do Blues, permanecerá como o ás de 'With a Little Help From my Friends' - os 8 minutos de performance em Woodstock marcaram o festival, em 1969 - e 'You're so Beautiful', uma melhor do que a outra, ambas imortais.
Nota: Aqui, "Joe Cocker tornou os nossos 'anos incríveis' ainda mais memoráveis", por Pablo Miyazawa
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Joe Cocker, emérito cultor do Blues, permanecerá como o ás de 'With a Little Help From my Friends' - os 8 minutos de performance em Woodstock marcaram o festival, em 1969 - e 'You're so Beautiful', uma melhor do que a outra, ambas imortais.
Nota: Aqui, "Joe Cocker tornou os nossos 'anos incríveis' ainda mais memoráveis", por Pablo Miyazawa
GOOD NEWS
"Nossa manchete principal para a jornal da noite:
Finalmente, boas notícias vindas do Oriente Médio!"
Rick McKee. (EUA).
Finalmente, boas notícias vindas do Oriente Médio!"
Rick McKee. (EUA).
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Cartum. Natal,
Oriente Médio. Rick McKee.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
POR ONDE COMEÇAR A REFORMA POLÍTICA
"O modelo de campanha baseado no dinheiro das grandes empresas já é um ato de corrupção permitido pela lei. O fato de a lei autorizar não reduz o que há nisso de lavagem de dinheiro e tráfico de influência. Nunca há uma doação empresarial sem interesse econômico."
A opinião é de Márlon Reis, juiz de Direito, coordenador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral - MCCE - e um dos idealizadores da Lei da Ficha Limpa, em entrevista concedida ao site Congresso Em Foco - AQUI .
A propósito, a OAB nacional ingressou no STF com Ação Direta de Inconstitucionalidade em face do financiamento empresarial de campanhas políticas, que compromete o Estado Democrático de Direito em razão de se sobrepor à vontade dos eleitores. Em abril passado, quando o julgamento apresentava o placar de 6 a 1 em favor da inconstitucionalidade do financiamento de campanhas por empresas - ou seja, a questão já estava resolvida -, o ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo, e até o momento, oito meses depois, não se manifestou e não foi cobrado quanto a tal situação pelo STF ou pelos 'formadores de opinião' que pululam pela chamada grande imprensa.
Quousque tandem?.
AÇÕES DA PETROBRAS: O FILÃO
Faça como o Soros: compre ações da Petrobras
Por Joel Bueno
O George Soros seguiu meu conselho. Comprou ações da Petrobras. Espero que, quando realizar o lucro, ele pague a comissão que me prometeu: zero vírgula zero zero um por cento. Já vai dar para comprar um conjugado no Leblon. Ou um castelo à beira do Sena.
É que eu não tenho grana para investir. Nadica de nada. Se tivesse, já estava tudo em ações da petroleira. Nunca foi tão fácil ganhar dinheiro.
A Petrobras está na hora da xepa por vários motivos. O preço mundial do petróleo caiu - jogada dos Estados Unidos, para sacanear o Putin. A empresa se endividou, para investir no pré-sal. O escândalo da Operação Lava Jato repercute no mundo todo. E principalmente: os espertos fazem terrorismo no mercado e vão comprando as ações que os bobos põem à venda baratinho.
Uns amigos fazem campanha para o pessoal comprar ações, motivado pelo patriotismo. Que patriotismo, que nada! Apelar para o bolso é muito mais eficaz. Compre ações da Petrobras e ganhe uma grana preta em dois ou três anos. Talvez menos.
Dois ou três anos é o tempo para o óleo do pré-sal dar frutos. Mesmo aos preços de hoje, lá embaixo, ele ainda é lucrativo. A experiência ensina que depois de uma desvalorização forte da commodity, o preço sobe. É que os depósitos das Sete Irmãs ficam abarrotados e é hora de vender. Cartel funciona assim. Você pensou que cartel era a OPEP? Doce ilusão.
Há mais coisas na Petrobras do que a sonha a filosofia do moralista de plantão. Não faço pouco da roubalheira. Mas só descobriram agora? Como dizia a minha avó, debaixo do angu tem carne.
Não sei se você lembra, mas na outra eleição o Fernando Henrique foi a Foz do Iguaçu, para uma reunião de grandes investidores internacionais. Ele garantiu que o Serra ia mudar as regras da exploração do petróleo. Ia abrir a porteira. Mas o Serra não ganhou. Ganhou a Dilma. E agora ganhou a Dilma de novo. Que pena. Para eles. (Fonte: aqui).
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a) O megaespeculador George Soros é um dos mais bem sucedidos do mundo, está sempre de antenas ligadas e aproveita todas as oportunidades suculentas surgidas mundo afora. Sua assessoria já contou com a participação de Armínio Fraga, economista preferido do candidato derrotado Aécio Neves;
b) Por falar em abrir a porteira, o senador Aloysio Nunes, candidato derrotado à vice-presidência da República na chapa de Aécio Neves, acaba de apresentar projeto de lei visando a acabar com o regime de partilha, estabelecido no governo Lula, impondo à Petrobras o retorno ao sistema de concessão, viabilizando o acesso de empresas estrangeiras ao pré-sal.
NOTA: Ainda sobre a atratividade da Petrobras, clique AQUI para ler "ENQUANTO MUITA GENTE CORRE DELAS, UM DOS HOMENS MAIS RICOS DO MUNDO MULTIPLICA SUA COMPRA DE AÇÕES DA PETROBRAS", por Mauro Santayana.
VISÃO SOBRE PETROBRAS E COMBATE À CORRUPÇÃO
"Para quem acompanhou o carnaval da “grande mídia” em torno das pesquisas em 2014, soa estranho o silêncio atual a respeito da crise da Petrobras. Seus veículos trombeteiam o assunto há 3 meses, mas não dedicaram a ele uma única e escassa pesquisa.
Exagero. Houve uma, realizada pelo Datafolha no início de dezembro. Ficou famosa pela extravagante manchete gerada a partir da leitura das informações pela Folha de São Paulo, dona do instituto: “Brasileiro responsabiliza Dilma por caso Petrobras”.
Nenhum outro levantamento foi encomendado. Como se aquele resolvesse a questão e o resultado bastasse. Como se não fosse tão questionável que até a ombudsman do jornal criticaria a despropositada matemática usada pelos editores ao noticiá-la.
Tamanha parcimônia contrasta com o exuberante investimento em pesquisas que a mídia corporativa fez neste ano. Embora tenha sido quase todo bancado pela TV Globo, que financiou as empresas menores, foi uma tal superoferta de pesquisas que, na reta final da eleição presidencial, o cidadão mal conseguia respirar antes de um novo levantamento ser divulgado.
A abundância tinha a ver, é claro, com a torcida para Dilma Rousseff cair nas intenções de voto. Tantas pesquisas refletiam o desejo dos donos de jornal (e seus funcionários) de crescimento de uma das candidaturas a ponto de suplantar a petista. Como sabemos, gastaram dinheiro em vão.
Algo semelhante acontece com as oposições partidárias. Atravessamos o ano a ouvir os líderes oposicionistas citando resultados de pesquisa a torto e a direito: O “desejo de mudança”, a “rejeição ao PT”, a “reprovação do governo”. Seu discurso atual a respeito da crise na Petrobras prescinde, no entanto, de quaisquer referências à opinião pública.
É pena. Todos ganharíamos se ouvíssemos mais e mais frequentemente os cidadãos. Saberíamos o que pensam e compreenderíamos melhor suas manifestações, especialmente as mais importantes, como os resultados eleitorais. Evitaríamos equívocos de interpretação e erros de tomada de posição.
Entre os dias 5 e 8 de dezembro, o Vox Populi fez uma ampla pesquisa nacional, com 2,5 mil entrevistas, distribuídas em 178 municípios. Tratou de vários assuntos e incluiu perguntas sobre a Petrobras.
Ao contrário da tese de alguns próceres tucanos e dos muitos mal informados na sociedade, para os quais a vasta maioria da população ignora o que se passa no Brasil, apenas 13% dos entrevistados não tinham ouvido falar das denúncias de irregularidades na empresa. Em outras palavras, 86% da população as conhecia, sem variações significativas segundo os níveis de escolaridade: 85% entre aqueles com ensino fundamental, 87% no ensino médio e 89% no nível superior.
Entre quem tinha ouvido falar no assunto, 69% acreditavam que “as irregularidades na Petrobras vêm de antes do PT (chegar ao governo federal)”. Dos restantes, 23% disseram achar que “começaram com o PT” e 8% “não sabiam”. Sobre quais partidos estariam “envolvidos nas irregularidades”, 7% dos entrevistados responderam “só o PT” e 18% cravaram “o PT e os partidos da base aliada, como PMDB, PP etc”. Os dois terços restantes disseram que “todos os partidos, incluindo o PSDB, o PSB e o DEM”.
Como se vê, a percepção da grande maioria da opinião pública conflita com o noticiário da mídia hegemônica, que não se cansa de apresentar o PT como o grande vilão no caso. E não poupa as lideranças tucanas, na contramão da imagem de paladinos da moralidade que imaginam possuir.
Aliás, quando a pesquisa pediu a opinião sobre qual dos três últimos presidentes da República “mais combateu a corrupção”, as respostas foram Lula 31%, Dilma 29% e Fernando Henrique Cardoso 11% (os restantes 29% disseram “não saber” ou não responderam). Feitas as contas, 60% escolheram um governante do PT, enquanto FHC nem sequer atinge um quarto do eleitorado que votou no PSDB em outubro.
Por que a mídia prefere não fazer pesquisas sobre o tema? Por que os líderes da oposição se permitem falar ignorando a imagem real que possuem? Hipótese: no fundo, eles não dão o menor valor para o que pensa o cidadão comum."
(De Marcos Coimbra, na edição nº 831 da revista Carta Capital, artigo sob o título "A Petrobras e a opinião pública".
O articulista indaga: Por que a mídia prefere não fazer pesquisas sobre o tema? Arrisco um palpite: eventualmente, setores da mídia fizeram, sim, pesquisas; eventualmente, os resultados apresentados - a exemplo dos acima expostos - 'recomendaram' o seu engavetamento...).
domingo, 21 de dezembro de 2014
À PROCURA DOS MARCIANOS
Jipe Curiosity em Marte.
À procura dos marcianos
Por Salvador Nogueira
As últimas descobertas feitas pelo jipe Curiosity, anunciadas ontem pela Nasa, pavimentam definitivamente o caminho para a busca por vida em Marte. A mais interessante delas foi a detecção de uma intrigante emissão temporária de metano na atmosfera marciana, ocorrida nas proximidades de onde está o jipe, na cratera Gale. Aqui na Terra, a principal fonte desse gás, nem preciso dizer, é atividade biológica.
Esse era um dos grandes objetivos da missão do robô, que chegou a Marte em 2012, depois que diversas sondas orbitais indicaram a presença de pequenas quantidades do gás no ar do planeta vermelho. Surpreendentemente, de início os resultados foram negativos — praticamente nada de metano foi encontrado, a despeito da alta sensibilidade dos instrumentos embarcados no Curiosity.
A história, entretanto, começou a mudar no sol 466 da missão. (“Sol” é a expressão usada para denominar um dia marciano, que é ligeiramente maior que o terrestre, com 24h39. Ou seja, o sol 466 equivale ao 466º dia local de operações do Curiosity em Marte. Ele aconteceu no fim de 2013, para nós, terráqueos.) A partir daquela data, e em outras três medições feitas ao longo dos 60 sóis seguintes, a detecção de metano teve um salto — foi de míseros 0,69 parte por bilhão para 7,2 partes por bilhão. Estamos falando de um aumento de cerca de dez vezes na concentração de metano, subitamente. Depois dos 60 sóis, a concentração rapidamente caiu para os níveis baixos de outrora.
Conclusão: alguma fonte de metano próxima ao local do Curiosity começou a borbulhar o gás na atmosfera. O que pode ter sido?
Os cientistas da Nasa, em seu artigo publicado na “Science”, conseguiram pelo menos concluir o que não foi. Eles já sabem que o metano não é produto da radiação ultravioleta do Sol agindo sobre compostos orgânicos trazidos a Marte do espaço por meteoritos e poeira cósmica. Ou seja, é possível indicar que o gás foi produzido localmente, com matéria-prima marciana.
Certo. O que todo mundo quer saber mesmo é: foram micróbios? Aqui na Terra, há uma porção desses seres unicelulares que consomem gás carbônico (CO2) e emitem metano. Caso você queira saber onde encontrar alguns, no seu trato intestinal há vários deles, produzindo o tal gás, que você emite, espero, quando não há ninguém por perto. (Em tempo: o metano em si é inodoro, mas alguns outros gases que o acompanham no pum não podem receber o mesmo elogio.)
Podem criaturas assim estar trabalhando em Marte? Os pesquisadores não descartam essa possibilidade. Ao final do artigo, eles dizem o seguinte: “Nossas medições ao longo de um ano marciano inteiro [são 687 dias terrestres] indicam que quantidades-traço de metano estão sendo geradas em Marte por mais de um mecanismo ou por uma combinação de mecanismos propostos — incluindo metanogênese ocorrendo hoje ou liberada de reservatórios antigos, ou ambos.”
Metanogênese, claro, é uma forma sutil de soletrar “vida”. O que eles imaginam é que, se criaturas vivas produziram o metano marciano, isso pode ter acontecido no passado, e o gás passou um tempo aprisionado sob o solo, e só agora viu a luz do dia. Ou talvez ainda existam hoje micróbios no subsolo do planeta vermelho trabalhando para enriquecer a atmosfera com o gás. Vida pregressa ou vida presente. Legal, né? Mas calma.
Antes que você se anime demais, é importante fazer um lembrete: pode muito bem ser que esse metano tenha origem abiótica, ou seja, pode ter sido gerado apenas por processos geológicos, como a reação do mineral olivina com água, fenômeno conhecido como “serpentinização”. Mas o ponto principal do trabalho é óbvio: há algo lá produzindo metano e precisamos saber o que é. “A fonte é algo a continuar procurando”, disse Douglas Galante, astrobiólogo do LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron) que não participou do estudo. “O planeta definitivamente tem algum tipo de atividade interessante.”
Ou seja: está oficialmente aberta a temporada de caça aos marcianos. Ou pelo menos ao que pode estar emulando sua existência.
OUTROS RESULTADOS
A história do metano é apenas parte dessa saga. Mas ontem mesmo a equipe responsável pelo Curiosity revelou outros resultados, como a detecção de compostos orgânicos no solo marciano após uma perfuração feita com a broca do jipe. Eles foram encontrados na rocha apelidada de Cumberland e não puderam ser identificados detalhadamente porque reagem com os minerais percloratos que dominam a superfície marciana (e literalmente “comem” moléculas orgânicas no café da manhã, alterando sua estrutura original). De toda forma, não há mais muita dúvida de que Marte não sofreu por falta de compostos orgânicos em seu passado — um passo essencial para o surgimento e a manutenção da vida.
Outra medição feita na rocha Cumberland deu pistas de como e quando Marte perdeu sua água para o espaço. Quer saber como? Então vamos primeiro a uma rápida aulinha de química. Água, como todo mundo e mais alguém sabe, é H2O. O que nem todo mundo se lembra é que hidrogênio pode vir em mais de um sabor (ou isótopo, para os puristas). Há o hidrogênio simples, que tem um próton, e o deutério, que tem um próton e um nêutron. (Ainda há um terceiro isótopo, o trítio, com um próton e dois nêutrons, mas ele é bem menos comum que os outros dois.)
Agora, voltamos ao tema principal. Como a água marciana, que percorria em abundância as planícies do planeta vermelho no passado remoto, se escafedeu? Imagina-se que as moléculas de água, no ar, tenham interagido com raios ultravioleta do Sol. Isso basicamente quebrava a molécula, libertando os átomos de sua prisão. Cada um voava para um canto e, quanto menor o núcleo atômico, mais rápido ele podia viajar. O hidrogênio simples, mais leve, atingia com mais frequência a velocidade de escape e fugia da atmosfera marciana. O deutério não era tão bom nisso.
Resultado: ao longo do tempo, a água marciana foi ficando com uma proporção maior de deutério com relação à composição original. Ao analisar as proporções de deutério e hidrogênio em amostras de diferentes idades, é possível ter uma ideia melhor do ritmo em que Marte perdeu sua água desde a formação do Sistema Solar, 4,6 bilhões de anos atrás.
Com o estudo de meteoritos vindos de Marte, sabemos que essas proporções logo que o planeta se formou eram similares às encontradas nos oceanos da Terra. Em compensação, medições feitas na atmosfera atual indicam um enriquecimento de deutério por um fator de seis. As medidas da perfuração Cumberland, feitas pelo Curiosity, indicam que num período intermediário, entre 3,5 bilhões e 2,9 bilhões de anos atrás, o nível de enriquecimento de deutério também estava no meio do caminho, cerca de três vezes o valor atual dos oceanos terrestres. Na prática, isso quer dizer que muita água já havia sido perdida antes disso, mas muito mais ainda iria desaparecer nos bilhões de anos seguintes.
É com dados como esses que os pesquisadores pretendem reconstruir a história pregressa da água em Marte, combinada à evolução de sua atmosfera, estudada atualmente pela sonda orbital americana Maven. A ideia é compreender por quanto tempo o planeta vermelho conservou ambientes tão bons para a vida — onde a água é um ingrediente essencial — quanto aqueles que encontramos até hoje na Terra.
Apesar de todas as incertezas que os atuais resultados ainda oferecem, não há dúvida de que eles apontam na direção de objetivos mais ousados para as próximas missões. Dentre elas podemos destacar as missões europeias ExoMars, marcadas para 2016 e 2018, além do módulo de pouso americano Insight, para 2016, e o próximo jipe da Nasa, para 2020. A história só promete ficar mais interessante. (Fonte: aqui).
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O texto acima é o que se pode chamar de aula primorosa.
À procura dos marcianos
Por Salvador Nogueira
As últimas descobertas feitas pelo jipe Curiosity, anunciadas ontem pela Nasa, pavimentam definitivamente o caminho para a busca por vida em Marte. A mais interessante delas foi a detecção de uma intrigante emissão temporária de metano na atmosfera marciana, ocorrida nas proximidades de onde está o jipe, na cratera Gale. Aqui na Terra, a principal fonte desse gás, nem preciso dizer, é atividade biológica.
Esse era um dos grandes objetivos da missão do robô, que chegou a Marte em 2012, depois que diversas sondas orbitais indicaram a presença de pequenas quantidades do gás no ar do planeta vermelho. Surpreendentemente, de início os resultados foram negativos — praticamente nada de metano foi encontrado, a despeito da alta sensibilidade dos instrumentos embarcados no Curiosity.
A história, entretanto, começou a mudar no sol 466 da missão. (“Sol” é a expressão usada para denominar um dia marciano, que é ligeiramente maior que o terrestre, com 24h39. Ou seja, o sol 466 equivale ao 466º dia local de operações do Curiosity em Marte. Ele aconteceu no fim de 2013, para nós, terráqueos.) A partir daquela data, e em outras três medições feitas ao longo dos 60 sóis seguintes, a detecção de metano teve um salto — foi de míseros 0,69 parte por bilhão para 7,2 partes por bilhão. Estamos falando de um aumento de cerca de dez vezes na concentração de metano, subitamente. Depois dos 60 sóis, a concentração rapidamente caiu para os níveis baixos de outrora.
Conclusão: alguma fonte de metano próxima ao local do Curiosity começou a borbulhar o gás na atmosfera. O que pode ter sido?
Os cientistas da Nasa, em seu artigo publicado na “Science”, conseguiram pelo menos concluir o que não foi. Eles já sabem que o metano não é produto da radiação ultravioleta do Sol agindo sobre compostos orgânicos trazidos a Marte do espaço por meteoritos e poeira cósmica. Ou seja, é possível indicar que o gás foi produzido localmente, com matéria-prima marciana.
Certo. O que todo mundo quer saber mesmo é: foram micróbios? Aqui na Terra, há uma porção desses seres unicelulares que consomem gás carbônico (CO2) e emitem metano. Caso você queira saber onde encontrar alguns, no seu trato intestinal há vários deles, produzindo o tal gás, que você emite, espero, quando não há ninguém por perto. (Em tempo: o metano em si é inodoro, mas alguns outros gases que o acompanham no pum não podem receber o mesmo elogio.)
Podem criaturas assim estar trabalhando em Marte? Os pesquisadores não descartam essa possibilidade. Ao final do artigo, eles dizem o seguinte: “Nossas medições ao longo de um ano marciano inteiro [são 687 dias terrestres] indicam que quantidades-traço de metano estão sendo geradas em Marte por mais de um mecanismo ou por uma combinação de mecanismos propostos — incluindo metanogênese ocorrendo hoje ou liberada de reservatórios antigos, ou ambos.”
Metanogênese, claro, é uma forma sutil de soletrar “vida”. O que eles imaginam é que, se criaturas vivas produziram o metano marciano, isso pode ter acontecido no passado, e o gás passou um tempo aprisionado sob o solo, e só agora viu a luz do dia. Ou talvez ainda existam hoje micróbios no subsolo do planeta vermelho trabalhando para enriquecer a atmosfera com o gás. Vida pregressa ou vida presente. Legal, né? Mas calma.
Antes que você se anime demais, é importante fazer um lembrete: pode muito bem ser que esse metano tenha origem abiótica, ou seja, pode ter sido gerado apenas por processos geológicos, como a reação do mineral olivina com água, fenômeno conhecido como “serpentinização”. Mas o ponto principal do trabalho é óbvio: há algo lá produzindo metano e precisamos saber o que é. “A fonte é algo a continuar procurando”, disse Douglas Galante, astrobiólogo do LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron) que não participou do estudo. “O planeta definitivamente tem algum tipo de atividade interessante.”
Ou seja: está oficialmente aberta a temporada de caça aos marcianos. Ou pelo menos ao que pode estar emulando sua existência.
OUTROS RESULTADOS
A história do metano é apenas parte dessa saga. Mas ontem mesmo a equipe responsável pelo Curiosity revelou outros resultados, como a detecção de compostos orgânicos no solo marciano após uma perfuração feita com a broca do jipe. Eles foram encontrados na rocha apelidada de Cumberland e não puderam ser identificados detalhadamente porque reagem com os minerais percloratos que dominam a superfície marciana (e literalmente “comem” moléculas orgânicas no café da manhã, alterando sua estrutura original). De toda forma, não há mais muita dúvida de que Marte não sofreu por falta de compostos orgânicos em seu passado — um passo essencial para o surgimento e a manutenção da vida.
A perfuração Cumberland, feita pelo jipe Curiosity, revelou traços de compostos orgânicos.
Outra medição feita na rocha Cumberland deu pistas de como e quando Marte perdeu sua água para o espaço. Quer saber como? Então vamos primeiro a uma rápida aulinha de química. Água, como todo mundo e mais alguém sabe, é H2O. O que nem todo mundo se lembra é que hidrogênio pode vir em mais de um sabor (ou isótopo, para os puristas). Há o hidrogênio simples, que tem um próton, e o deutério, que tem um próton e um nêutron. (Ainda há um terceiro isótopo, o trítio, com um próton e dois nêutrons, mas ele é bem menos comum que os outros dois.)
Agora, voltamos ao tema principal. Como a água marciana, que percorria em abundância as planícies do planeta vermelho no passado remoto, se escafedeu? Imagina-se que as moléculas de água, no ar, tenham interagido com raios ultravioleta do Sol. Isso basicamente quebrava a molécula, libertando os átomos de sua prisão. Cada um voava para um canto e, quanto menor o núcleo atômico, mais rápido ele podia viajar. O hidrogênio simples, mais leve, atingia com mais frequência a velocidade de escape e fugia da atmosfera marciana. O deutério não era tão bom nisso.
Resultado: ao longo do tempo, a água marciana foi ficando com uma proporção maior de deutério com relação à composição original. Ao analisar as proporções de deutério e hidrogênio em amostras de diferentes idades, é possível ter uma ideia melhor do ritmo em que Marte perdeu sua água desde a formação do Sistema Solar, 4,6 bilhões de anos atrás.
Com o estudo de meteoritos vindos de Marte, sabemos que essas proporções logo que o planeta se formou eram similares às encontradas nos oceanos da Terra. Em compensação, medições feitas na atmosfera atual indicam um enriquecimento de deutério por um fator de seis. As medidas da perfuração Cumberland, feitas pelo Curiosity, indicam que num período intermediário, entre 3,5 bilhões e 2,9 bilhões de anos atrás, o nível de enriquecimento de deutério também estava no meio do caminho, cerca de três vezes o valor atual dos oceanos terrestres. Na prática, isso quer dizer que muita água já havia sido perdida antes disso, mas muito mais ainda iria desaparecer nos bilhões de anos seguintes.
É com dados como esses que os pesquisadores pretendem reconstruir a história pregressa da água em Marte, combinada à evolução de sua atmosfera, estudada atualmente pela sonda orbital americana Maven. A ideia é compreender por quanto tempo o planeta vermelho conservou ambientes tão bons para a vida — onde a água é um ingrediente essencial — quanto aqueles que encontramos até hoje na Terra.
Apesar de todas as incertezas que os atuais resultados ainda oferecem, não há dúvida de que eles apontam na direção de objetivos mais ousados para as próximas missões. Dentre elas podemos destacar as missões europeias ExoMars, marcadas para 2016 e 2018, além do módulo de pouso americano Insight, para 2016, e o próximo jipe da Nasa, para 2020. A história só promete ficar mais interessante. (Fonte: aqui).
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O texto acima é o que se pode chamar de aula primorosa.
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Ciência. Marte. Curiosity. Salvador Nogueira.
A POLÍTICA E AS BACTÉRIAS
A política e as bactérias
Por Mauro Santayana
Quando alguém se declara “apolítico”, ou diz que “odeia a política”, nos lembramos de que a palavra política deriva de Politeía, vocábulo relativo a tudo o que acontecia nas antigas Polis, cidades-estado gregas, e da velha constatação aristotélica de que “o homem é um animal político”.
Querendo ou não, todo ser humano participa, no convívio, no aprendizado e no debate com outros seres humanos, da atividade política, mesmo quando não exerce nenhum cargo público, se assume “apolítico” e declara o seu “ódio” à política.
A política, como ocorre com Deus, para a maioria das religiões, está em todas as coisas, das maiores às que são aparentemente mais ínfimas.
Um estudo que acaba de ser divulgado pelo governo britânico alerta que as superbactérias matarão, em poucos anos, mais que o câncer, e que o custo de seu tratamento chegará a 100 trilhões de dólares nas próximas décadas.
Foi a economia no combate à infecção hospitalar e a ausência de fiscalização rigorosa em hospitais públicos e privados, assim como o incentivo, durante anos, do uso indiscriminado e desnecessário de antibióticos em diversos países do mundo, incluído o Brasil, que deram origem à transformação destes organismos.
E é a mesma ausência de fiscalização e controle que está fazendo com que novas gerações de bactérias resistentes mesmo aos mais modernos medicamentos estejam ultrapassando os limites dos hospitais e postos de saúde, ameaçando transformar-se em uma pandemia, atingindo diretamente a população.
A Fiocruz, que já havia detectado, antes, por duas ocasiões, superbactérias no esgoto lançado clandestinamente, no rio Carioca, no Rio de Janeiro, acaba de anunciar que detectou sua presença também na água do mar, nas praias do Flamengo e de Botafogo, com possibilidade de que se multipliquem e acabem chegando ao Leblon, Copacabana e Ipanema.
Que turistas e banhistas deixem de frequentar o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, que as crianças não possam mais se sentar na areia, ali ou no vizinho bairro de Botafogo, que a Cidade Maravilhosa possa transformar-se, de chamariz, em ameaça para milhões de turistas que a visitam, é um absurdo.
A poluição de nossos rios e lagos, com a diminuição da oferta de água potável à população, e agora da orla marítima da segunda cidade do país, é uma questão ambiental, mas, como muitas outras mazelas de nosso país, também uma questão política, e tem que ser enfrentada com determinação e rapidez.
A população carioca deve mobilizar-se e exigir que os responsáveis sejam punidos e que o esgoto hospitalar seja tratado totalmente nos próprios locais em que é produzido.
Não se trata apenas de uma questão de saúde. Se houver uma epidemia, milhares de empregos e empresas estarão em risco, assim como as Olimpíadas de 2016. (Fonte: aqui).
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Está mais que evidente a relação metafórica entre corrupção - e a leniência em relação a ela ao longo de décadas e décadas - e superbactérias...
sábado, 20 de dezembro de 2014
A MÍDIA E O AVANÇO DA WEB
Brasileiro passa mais tempo na web do que vendo TV
Por Luana Lourenço
A televisão ainda é o principal meio de comunicação no Brasil, mas os brasileiros já passam mais tempo navegando na internet que na frente da TV. A informação está na Pesquisa de Mídia Brasileira 2015, divulgada (...) pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
De acordo com a pesquisa, os brasileiros passam, em média, 4 horas e 59 minutos por dia usando a internet nos dias de semana e 4 horas e 24 minutos/dia nos fins de semana. Já a média de tempo assistindo a TV é de 4 horas e 31 minutos/dia nos dias de semana e 4 horas e 14 minutos aos sábados e domingos.
"A diferença ainda é pequena, mas mostra uma tendência importante e que deve ser analisada. O tempo [de uso das redes] dá um parâmetro de como o brasileiro está migrando de forma consolidada para os meios de comunicação digitais", avaliou o ministro da Secom, Thomas Traumann.
De acordo com a pesquisa, a internet é o terceiro meio de comunicação mais utilizado pelos brasileiros, atrás da TV e do rádio e à frente dos jornais e revistas. O levantamento, que ouviu 18 mil pessoas e traçou um perfil do consumo de informações nas diferentes mídias, apontou que 43% dos brasileiros usam a rede como meio de comunicação.
Entre os usuários da internet no Brasil, 76% acessam a rede todos os dias. O pico de uso é às 20h, tanto nos dias úteis quanto nos fins de semana. De acordo com a pesquisa, 67% acessam a rede em busca de informações ou notícias, mesmo percentual dos que dizem entrar na internet para buscar entretenimento (pergunta de múltiplas respostas).
Em relação ao grau de confiança no meio, 27% dizem confiar "sempre ou muitas vezes" nas notícias da internet, ante 58% de confiança nos jornais e 54% na televisão.
A pesquisa da Secom revela que uso da internet é mais influenciado pelas características sociodemográficas que os outros meios de comunicação. "Renda e escolaridade criam um hiato digital entre quem é um cidadão conectado e quem não é. Já os elementos geracionais ou etários mostram que os jovens são usuários mais intensos das novas mídias", disse Traumann.
Entre os jovens com até 25 anos, 63% acessam a internet todos os dias. O percentual cai para 4% na faixa etária de 65 anos ou mais. No recorte por renda, a pesquisa constatou que entre os que têm renda familiar superior a cinco salários-mínimos, 76% acessam a internet pelo menos uma vez por semana. Por outro lado, entre os que têm renda familiar até um salário-mínimo por mês, 20% acessam a internet com a mesma frequência.
O grau de escolaridade também influencia a frequência de acesso à rede: apenas 8% dos entrevistados que estudaram até a 4ª série acessam a internet pelo menos uma vez por semana, percentual que aumenta para 87% entre os que têm ensino superior.
A Secom identificou baixo nível de participação dos internautas em consultas públicas, fóruns, enquetes e outros canais de participação promovidos pelo governo em plataformas online. "É baixo o contato direto entre o cidadão e governos ou instituições públicas. Apenas 25% dos usuários entraram em contato por e-mail, formulários eletrônicos, chats, redes sociais, fóruns de discussão ou de consultas públicas nos últimos 12 meses", de acordo com o levantamento.
A pesquisa também constatou baixos percentuais de grau de conhecimento dos usuários da internet sobre as formas oficiais de comunicação do governo federal na web: o Portal Brasil, o site do Palácio do Planalto e o Blog do Planalto. Na pergunta estimulada, 77% dos entrevistados responderam que não conhecem o Portal Brasil "mesmo que só de ouvir falar" e 81% não conhecem o site do Palácio do Planalto. O Blog do Planalto é ainda mais desconhecido, com 85% de respostas negativas.
Segundo Traumann, o levantamento é a maior pesquisa de mercado sobre o tema e é importante para que o governo defina estratégias de comunicação e publicidade. "Temos obrigação legal e formal de usar os recursos da melhor forma, da forma mais eficiente, isso é fundamental para a nossa estratégia de comunicação". ponderou. (Fonte: aqui).
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Duas observações: a) O governo federal continua atuando de forma deficiente na web, haja vista o baixíssimo grau de conhecimento de seus canais pelos usuários; b) É completamente distorcida e equivocada a política de destinação de recursos para a mídia tradicional adotada pelo governo federal.
Marcadores:
Internet. Web. Pesquisa de mídia. Brasil.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
SOBRE VERBAS ESTATAIS E A AVIDEZ DA MÍDIA
"O recente levantamento publicado pela “Folha de S.Paulo” sobre despesas de
publicidade do governo federal, nos últimos 14 anos, 12 dos quais sob o comando
do PT, é, ao mesmo tempo, um espanto estatístico e um desalento político.
Foram 15,7 bilhões de reais despejados, prioritariamente, em veículos
de comunicação moralmente falidos e explicitamente a serviço das forças do
atraso e da reação. Quando não, do golpe.
O mais incrível é que 10 entre 10 colunistas cães de guarda da mídia não perdem a chance de abrir a bocarra para, na maior cara de pau, acusar blogueiros de receber dinheiro do governo para falar bem do PT.
Ainda que fosse verdade (99% dos blogueiros não recebem um centavo de ninguém), ainda assim, não seria injusto.
Isso porque somente a Globo recebeu 5 bilhões de reais dos cofres públicos para, basicamente, falar mal do PT. Nada menos que 1/3 de todo dinheiro gasto com publicidade pelo governo federal.
E se pode, ainda, colocar mais 1 bilhão de reais por fora, valor atualizado da sonegação de impostos com a qual a Globo está envolvida.
Sem falar na Editora Abril, responsável pelo esgoto da revista Veja.
Apesar do histórico de invencionices, o balcão dos Civita faturou quase 300 milhões (!!) de reais de grana do contribuinte para produzir lixo tóxico disfarçado de jornalismo.
Isso significa que o negócio do jornalismo no Brasil, sempre tão ávido em apontar o dedo para o governo, simplesmente, não vive sem o dinheiro da Viúva.
Esse levantamento reforça a tenebrosa impressão de que os governos do PT foram definitivamente dominados pelos oligopólios da mídia de forma a garantir-lhes renda líquida e necessária, mesmo que a contrapartida seja a fatura conhecida de todos: calúnia, difamação, injúria, mentiras, boatos, assassinatos de reputação e ataques editoriais.
Por essa razão, tornou-se imperiosa a necessidade de se fazer, imediatamente, uma revisão geral dos critérios de aplicação de publicidade oficial nessas máquinas privadas de sucção de dinheiro público.
Em um mundo virtual, onde a comunicação de rede trabalha com audiência de milhões de pessoas em torno de um único post nas redes sociais, tornou-se totalmente obsoleto o tal “critério técnico”, seguido como evangelho pelo governo federal.
Está bem claro quem são os beneficiários dessa armadilha burocrática mantida intacta pelo Palácio do Planalto.
E, é bom que se diga, isso nada tem a ver com regulação da mídia, nem se inclui em qualquer dessas falsas polêmicas relativas a liberdade de imprensa e de expressão – tão caras a moralistas e hipócritas a soldo das empresas de comunicação.
Trata-se de acabar com um sorvedouro de dinheiro público."
O mais incrível é que 10 entre 10 colunistas cães de guarda da mídia não perdem a chance de abrir a bocarra para, na maior cara de pau, acusar blogueiros de receber dinheiro do governo para falar bem do PT.
Ainda que fosse verdade (99% dos blogueiros não recebem um centavo de ninguém), ainda assim, não seria injusto.
Isso porque somente a Globo recebeu 5 bilhões de reais dos cofres públicos para, basicamente, falar mal do PT. Nada menos que 1/3 de todo dinheiro gasto com publicidade pelo governo federal.
E se pode, ainda, colocar mais 1 bilhão de reais por fora, valor atualizado da sonegação de impostos com a qual a Globo está envolvida.
Sem falar na Editora Abril, responsável pelo esgoto da revista Veja.
Apesar do histórico de invencionices, o balcão dos Civita faturou quase 300 milhões (!!) de reais de grana do contribuinte para produzir lixo tóxico disfarçado de jornalismo.
Isso significa que o negócio do jornalismo no Brasil, sempre tão ávido em apontar o dedo para o governo, simplesmente, não vive sem o dinheiro da Viúva.
Esse levantamento reforça a tenebrosa impressão de que os governos do PT foram definitivamente dominados pelos oligopólios da mídia de forma a garantir-lhes renda líquida e necessária, mesmo que a contrapartida seja a fatura conhecida de todos: calúnia, difamação, injúria, mentiras, boatos, assassinatos de reputação e ataques editoriais.
Por essa razão, tornou-se imperiosa a necessidade de se fazer, imediatamente, uma revisão geral dos critérios de aplicação de publicidade oficial nessas máquinas privadas de sucção de dinheiro público.
Em um mundo virtual, onde a comunicação de rede trabalha com audiência de milhões de pessoas em torno de um único post nas redes sociais, tornou-se totalmente obsoleto o tal “critério técnico”, seguido como evangelho pelo governo federal.
Está bem claro quem são os beneficiários dessa armadilha burocrática mantida intacta pelo Palácio do Planalto.
E, é bom que se diga, isso nada tem a ver com regulação da mídia, nem se inclui em qualquer dessas falsas polêmicas relativas a liberdade de imprensa e de expressão – tão caras a moralistas e hipócritas a soldo das empresas de comunicação.
Trata-se de acabar com um sorvedouro de dinheiro público."
(De Leandro Fortes, no Diário do Centro do Mundo, post intitulado "Como o governo do PT banca a pior mídia do planeta" - aqui.
A mídia já conta com meritórios incentivos constitucionalmente previstos, notadamente na esfera tributária. Não há por que a ânsia arrecadatória de recursos públicos a título de publicidade estatal.
Ironia escancarada: a mídia, que em sua esmagadora maioria prega o Estado Mínimo, o Executivo debilitado, não abre mão de verbas desse mesmo abominável e desprezível - segundo ela - Estado!).
ECOS DA COMISSÃO DA VERDADE
Os dois lados
Por Luis Fernando Veríssimo
Na reação ao relatório da Comissão da Verdade sobre as vítimas da ditadura, afirma-se que, para ser justo, ele deveria ter incluído o outro lado, o das vítimas da ação armada contra a ditadura. Invoca-se uma simetria que não existe. Nenhum dos mortos de um lado está em sepultura ignorada como tantos mortos do outro lado. Os meios de repressão de um lado eram tão mais fortes do que os meios de resistência do outro que o resultado só poderia ser uma chacina como a que houve no Araguaia, uma estranha batalha que — ao contrário da batalha de Itararé — houve, mas não deixou vestígio ou registro, nem prisioneiros. A contabilidade tétrica que se quer fazer agora — meus mortos contra os teus mortos — é um insulto a todas as vítimas daquele triste período, de ambos os lados.
Mas a principal diferença entre um lado e outro é que os crimes de um lado, justificados ou não, foram de uma sublevação contra o regime, e os crimes do outro lado foram do regime. Foram crimes do Estado brasileiro. Agentes públicos, pagos por mim e por você, torturaram e mataram dentro de prédios públicos pagos por nós. E, enquanto a aberração que levou a tortura e outros excessos da repressão não for reconhecida, tudo o que aconteceu nos porões da ditadura continua a ter a nossa cumplicidade tácita. Não aceitar a diferença entre a violência clandestina de contestação a um regime ilegítimo e a violência que arrasta toda a nação para os porões da tortura é desonesto.
O senador John McCain é um republicano “moderado”, o que, hoje, significa dizer que ainda não sucumbiu à direita maluca do seu partido. Foi o único republicano do Congresso americano a defender a publicação do relatório sobre a tortura praticada pela CIA, que saiu quase ao mesmo tempo do relatório da nossa Comissão da Verdade. McCain, que foi prisioneiro torturado no Vietnã, disse simplesmente que uma nação precisa saber o que é feito em seu nome. O relatório da Comissão da Verdade, como o relatório sobre os métodos até então secretos da CIA, é um informe à nação sobre o que foi feito em seu nome. Há quem aplauda o que foi feito. Há até quem quer que volte a ser feito. São pessoas que não se comovem com os mortos, nem de um lado nem do outro. Paciência.
Enquanto perdurar o silêncio dos militares, perdura a aberração. E você eu não sei, mas eu não quero mais ser cúmplice. (Fonte: aqui).
ECOS (LONGÍNQUOS) DO CASO DO JATINHO
Localize o dono do jatinho.
Até de IPTU isentaram casas destruídas. Só não de se pode saber de quem era o jatinho
Por Fernando Brito
A Folha traz hoje a informação de que, com muita justiça, o prefeito tucano de Santos isentou por três anos os imóveis atingidos pela queda do avião de Eduardo Campos.
Mas, a essa altura, mais de quatro meses depois do acidente, já é o caso da gente se perguntar se o avião caiu mesmo.
Porque nossa Polícia Federal, o bravo Ministério Público e a implacável (com as contas de Dilma) Justiça Eleitoral até agora não conseguiram dizer a quem pertencia o jatinho e em que circunstâncias estava servindo ao ex-governador de Pernambuco.
As investigações foram abertas mas não são públicas ou não existem de fato.
Por quê? Qual é o segredo de Justiça que pode explicar isso?
A imprensa, que rastreia com faro de sabujo tudo o que diga respeito aos governistas, não se interessa em perguntar por que o avião não aparece nem na primeira, nem na segunda, nem na última prestação de contas da campanha Marina/PSB.
Nada, senão um silêncio ensurdecedor.
É um verdadeiro escárnio com a opinião pública e com as vítimas do acidente, que se vêem impedidas de cobrar os ressarcimentos materiais e morais dos proprietários e dos responsáveis pela aeronave.
Os empresários-fantasmas do avião-fantasma foram deixados de lado. Não existem, como parece não existir o avião.
Do famoso Apolo Santana Vieira, só o que foi publicado, este mês, foi que o Cabanga Iate Clube, do Recife, o coloca em segundo lugar na lista de espera para usar a Dársena (área de cais e de manobra portuária) Ouro de seu ancoradouro.
Talvez com um iate-fantasma. (Fonte: aqui).
Até de IPTU isentaram casas destruídas. Só não de se pode saber de quem era o jatinho
Por Fernando Brito
A Folha traz hoje a informação de que, com muita justiça, o prefeito tucano de Santos isentou por três anos os imóveis atingidos pela queda do avião de Eduardo Campos.
Mas, a essa altura, mais de quatro meses depois do acidente, já é o caso da gente se perguntar se o avião caiu mesmo.
Porque nossa Polícia Federal, o bravo Ministério Público e a implacável (com as contas de Dilma) Justiça Eleitoral até agora não conseguiram dizer a quem pertencia o jatinho e em que circunstâncias estava servindo ao ex-governador de Pernambuco.
As investigações foram abertas mas não são públicas ou não existem de fato.
Por quê? Qual é o segredo de Justiça que pode explicar isso?
A imprensa, que rastreia com faro de sabujo tudo o que diga respeito aos governistas, não se interessa em perguntar por que o avião não aparece nem na primeira, nem na segunda, nem na última prestação de contas da campanha Marina/PSB.
Nada, senão um silêncio ensurdecedor.
É um verdadeiro escárnio com a opinião pública e com as vítimas do acidente, que se vêem impedidas de cobrar os ressarcimentos materiais e morais dos proprietários e dos responsáveis pela aeronave.
Os empresários-fantasmas do avião-fantasma foram deixados de lado. Não existem, como parece não existir o avião.
Do famoso Apolo Santana Vieira, só o que foi publicado, este mês, foi que o Cabanga Iate Clube, do Recife, o coloca em segundo lugar na lista de espera para usar a Dársena (área de cais e de manobra portuária) Ouro de seu ancoradouro.
Talvez com um iate-fantasma. (Fonte: aqui).
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Eleições 2014. Jatinho. PSB. Fernando Brito.
PUBLICIDADE ESTATAL NA MÍDIA
A mão que alimenta a mídia
Por Luciano Martins Costa
A Folha de S. Paulo e o jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, venceram a ação movida contra a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), e o jornal paulista publica na edição de quarta-feira (17/12) reportagem sobre a evolução dos gastos do governo federal e empresas estatais com publicidade (ver aqui).
O tema é motivo de polêmica, não apenas pela falta de transparência na destinação desses recursos, mas também pelo questionamento da validade da propaganda oficial. Com a decisão do Superior Tribunal de Justiça, a Secom é obrigada a abrir suas contas, e o público fica sabendo que o orçamento de comunicação do Executivo e das empresas que controla teve aumentos quase ininterruptos desde o ano 2000, período alcançado pelo levantamento.
Há uma explicação simples e convincente para alguns números: nesse período, cresceu o protagonismo de instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, que se tornaram grandes concorrentes no mercado de crédito. O que alimenta as polêmicas é o gasto do próprio governo com publicidade, e o critério para a distribuição das verbas.
Oficialmente, a Secretaria de Comunicação Social justifica a partilha de recursos com o conceito de maior audiência, o que explica o maior volume de dinheiro destinado à Rede Globo de Televisão. Nos últimos 14 anos, a Globo recebeu R$ 4,2 bilhões dos cofres públicos. Em seguida, vêm a TV Record, com R$ 1,3 bilhão, o SBT, com R$ 1,2 bilhão, e a Band, com R$ 1 bilhão.
No grupo das empresas de mídia que não possuem emissoras de televisão como seu principal negócio, a Abril Comunicações, que edita a revista Veja, recebeu R$ 298 milhões nesse período, seguindo-se a empresa Folha da Manhã, que edita a Folha de S.Paulo, com R$ 206 milhões, e o Estado de S.Paulo, que recebeu R$ 188 milhões nesses 14 anos.
Apesar de a Secom não divulgar as quantias destinadas a cada veículo, pode-se observar que a verba para a mídia regional é pequena e que o total pago aos chamados “alternativos” não passa de 2% do que foi entregue nesse período a grandes empresas.
Claramente, essa política favorece a concentração do setor.
Uma questão polêmica
A principal mudança observada na política de comunicação do governo federal, no período mais recente, é a ampliação do número de veículos beneficiados e a maior diluição das verbas, apesar de os grandes grupos concentrarem o grosso do dinheiro. A Secom se refere a mais de 10 mil empresas, mas não especifica setores nem as regiões onde atuam. A quantidade dos destinatários desses recursos praticamente dobrou desde a posse de Dilma Rousseff, mas a concentração continua nas empresas dominantes.
Os maiores anunciantes entre as estatais são a Petrobras, que despendeu R$ 429 milhões em publicidade em 2013 e R$ 4,6 bilhões desde o ano 2000, seguindo-se a Caixa Econômica Federal, com R$ 420 milhões no ano passado e R$ 4,5 bilhões no longo prazo; o Banco do Brasil, que gastou R$ 353 milhões no ano passado e R$ 4,2 bilhões desde 2000; e os Correios, que investiram em publicidade R$ 204 milhões no ano passado e R$ 1,3 bilhão entre 2000 e 2013. Esses valores não contemplam os patrocínios a projetos esportivos ou culturais.
A reportagem permite desvincular as verbas administradas pelas empresas estatais e os gastos diretos da Presidência da República e ministérios. No ano passado, a verba oficial para propaganda chegou a R$ 2,3 bilhões, sendo que, desse total, as estatais bancaram 64%, e o governo despendeu o restante, ou seja, R$ 800 milhões.
O relatório da Secom, divulgado pela Folha, é diferente dos levantamentos do Ibope (ver aqui dados de 2013), que apontam números muito superiores porque se baseiam nas tabelas oficiais de preços dos veículos, que costumam dar grandes descontos conforme a fidelidade dos anunciantes.
Uma das questões centrais, não abordada pela Folha, se refere à utilidade do investimento direto da Presidência e seus ministérios em publicidade. Outra questão é o critério de distribuição desses valores.
Em vários grupos de debate, como o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, atualmente controlado pela CUT, discute-se a validade de verbas oficiais para a mídia hegemônica, que atua claramente contra as políticas públicas que o governo procura divulgar em sua publicidade. Em outros grupos, o centro do debate é a legitimidade dessa propaganda.
O cenário é curioso: a imprensa ataca o governo, o governo se defende com a propaganda que alimenta o caixa da mídia. (Fonte: aqui).
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Leia aqui avaliação feita pelo jornalista Paulo Henrique Amorim sobre o assunto - e aqui a de autoria do também jornalista Paulo Nogueira.
Por sua vez, o site Carta Maior informa que irá acionar judicialmente o jornal Folha de São Paulo em face de abordagem considerada ofensiva.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
SOBRE O REATAMENTO DIPLOMÁTICO EUA CUBA
Troca
de prisioneiros, normalização
das relações diplomáticas, viagens facilitadas e flexibilização do bloqueio
econômico: em poucos minutos, os presidentes dos EUA, Barack Obama, e de Cuba,
Raúl Castro, acabaram com 53 anos de política externa norte-americana. A notícia
repercutida no mundo inteiro é o resultado de 18 meses de negociações
secretas entre Washington e Havana, com a ajuda
fundamental do Papa Francisco. Ela reflete também a profunda mudança do
quadro político doméstico nos Estados Unidos.
“Este ano, todas as pesquisas mostraram que a opinião pública norte-americana era favorável a mudanças importantes na política cubana de Washington”, explica Julia Sweig, diretora do programa de América Latina do Council on Foreign Relations (centro de estudos da política internacional dos EUA). Mais da metade dos americanos quer uma normalização das relações bilaterais, e se o apoio é maior entre democratas e independentes, esta é também a opinião da maioria dos eleitores republicanos.
A transformação é mais sensível ainda na Flórida, que abriga a maior população cubano-americana: 63% dos habitantes do Estado apoiam a normalização, enquanto a média no país é de 56%. Mais de dois terços deles reivindicam o fim da proibição às viagens à ilha para todos os norte-americanos. Apesar da flexibilização introduzida dos últimos anos, este direito continuava reservado aos cubano-americanos.
Para Julia Sweig, “a população cubano-americana já não pode ser vista como um bloco monolítico que vota republicano e rejeita qualquer abertura em relação ao governo cubano”. Ela ressalta o fato dos políticos locais terem entendido o recado: um posicionamento mais liberal e pragmático em relação a Cuba pode ser fonte de popularidade e de votos.
A pressão dos países latino-americanos também teve um papel central. “Acho que Washington nunca entendeu a importância simbólica que sempre representou Cuba para América Latina, mas o que mudou na última década é que todos os países da região exigem uma mudança e o fim da política de isolamento de Havana”, considera Julia Sweig. “E esta pressão não vem só de Brasil, Chile também está falando alto, tal como México”, acrescenta.
Para Mark Weisbrot, co-diretor do Centro de Pesquisa Econômicas e Políticas (CEPR), “com a transição histórica dos últimos 15 anos, com governos de esquerda eleitos na maioria dos países da região, as regras e as normas mudaram, e muitos lideres latino-americanos, inclusive de direita, exigem que Cuba seja tratada de maneira igualitária”. Ele lembra a importância da presença dos representantes da ilha durante a próxima Cúpula das Américas.
Pela primeira vez na história, a próxima Cúpula das Américas, que acontecerá em abril de 2015, no Panamá, contará com a presença de Cuba. Com a expulsão da OEA (Organização dos Estados Americanos) em 1962, Havana não pode participar das edições anteriores que agruparam os 34 países membros da OEA, ou seja, todos os países das Américas menos Cuba. Em 2012, a última edição, em Cartagena, na Colômbia, provocou virulentos debates entre os Estados Unidos (apoiados pelo Canadá) e os demais Estados. “Foi decidido que seria a última reunião sem Cuba”, confiou Marco Aurélio Garcia numa entrevista exclusiva a Opera Mundi. “Agora a bola está com os EUA. Barack Obama terá que decidir se vai ou não”, continuou.
O presidente norte-americano acabou de confirmar sua participação à reunião, com a presença de Cuba. Para Julia Sweig, “não há duvida que a decisão de normalizar as relações com Havana vai ajudá-lo a melhorar as relações com América Latina”.
Weisbrot ressalta a formação de grupos internacionais, como a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe), que incluem Cuba, mas excluem os Estados Unidos, e da crescente influência de organizações regionais como a Unasul (União das Nações Sul-Americanas), como mais uma evidência de mudança regional. “A decisão de Obama também é uma clara derrota dos extremistas cubano-americanos que têm dominado a política dos EUA durante décadas, mais recentemente com o apoio de aliados neo-conservadores”, avalia o analista.
Weisbrot não considera, porém, que o anúncio de hoje signifique uma mudança profunda de paradigma. “Isso ajuda, mas temos que lembrar as novas sanções contra a Venezuela. A pergunta é: os EUA realmente abandonaram a estratégia que foi um fracasso durante os últimos 50 anos, ou apenas eles mudaram de adversário?”, pergunta."
(De Por Lamia Oualalou, no site Opera Mundi, post intitulado "Decisão de Obama sobre Cuba é resultado de mudanças internas e da pressão dos países latino-americanos".
Falcões em geral estão indignados - em plagas tupiniquins inclusive -, mas certamente se consolam na esperança de que o Partido Republicano e seus parceiros, à frente o Tea Party, bloqueiem as iniciativas jurídicas tendentes à consolidação das relações EUA Cuba. O que será difícil: sintomaticamente, é de um norte-americano a máxima: "É - também - a economia, estúpido!").
A PETROBRAS E O JOGO ACIONÁRIO
As jogadas em torno da Petrobras
Por Luis Nassif
Há nos mercados o fenômeno recorrente do “overshooting”.
Trata-se de um empurrão dos especuladores em cima de tendências de alta ou baixa de determinados ativos.
O jogo é conhecido desde sempre:
- No mercado, existem os estoques (a quantidade total de ações de uma empresa) e os fluxos (as negociações diárias de suas ações).
- Em geral, negociam-se diariamente frações ínfimas do capital de uma empresa.
- Só que o preço registrado no final do dia é utilizado para precificar todo o estoque de papéis existentes.
Para cima, o jogo de sedução começa assim.
O especulador identifica um determinado ativo barato. Se está barato, é porque é pouco negociado, tem baixa liquidez. Portanto, bastam poucas operações de compras sucessivas para elevar as cotações, mesmo sendo inexpressivas em relação ao estoque existentes daqueles ativos. Com isso, chama a atenção de novos investidores que passam a “descobrir” o ativo.
Cria-se, então, a bolha. Cada novo investidor compra a ação achando que irá encontrar na frente outro investidor disposto a pagar mais caro ainda pelo papel.
Até o momento que os espertos julgam que o papel bateu no pico. Aí, começam a desovar as ações que compraram. O movimento se inverte e há uma corrida que termina por provocar uma queda acentuada nas cotações.
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Na queda, o movimento é similar, mas em mão inversa.
Há um conjunto de eventos negativos em relação a determinado papel. Torna-se difícil para o não especialista avaliar o peso daqueles eventos, ou das manchetes, no futuro da companhia.
Esse lusco-fusco é o terreno ideal para o “overshooting” para baixo.
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Hoje em dia, há os seguintes fatores contra a Petrobras:
- Os efeitos da Operação Lava Jato.
- Seus desdobramentos no mercado nova-iorquino, com as ações dos escritórios de advocacia e as investigações da SEC (a Comissão de Valores Mobiliários local) com implicações sobre a captação de recursos no mercado.
- A indefinição em relação ao futuro da diretoria.
- A queda nas cotações internacionais de petróleo, afetando as petroleiras como um todo.
- A partir de ontem, a crise russa se agravando, trazendo dúvidas sobre o mercado cambial.
Por outro lado, a Petrobras é uma companhia com produção crescente no pré-sal. Atualmente, grande parte do investimentos está na fase pré-operacional.
A produção do pré-sal começa a aumentar sistematicamente. As refinarias começam a produzir. A empresa já renegociou todos os investimentos que venciam nos próximos meses. O preço de equilíbrio do pré-sal suporta um nível menor de cotação de petróleo.
Além disso, a combinação de preço de petróleo em queda e de dólar em alta melhora a rentabilidade da empresa nas vendas internas.
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Todos esses fatores são ponderados pelos grandes investidores. Na balança, a relação entre a solidez e o futuro da companhia é incomparavelmente maior do que os problemas que enfrenta hoje em dia.
Ao menor sinal de que o cenário está desanuviando, as ações voltarão a recuperar o valor.
Perderão apenas os investidores que entraram em pânico e venderam seus papéis no meio do tiroteio. (Fonte: aqui).
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Pairando sobre tudo, claro, a ameaça contra os interesses nacionais em torno do pré-sal e o regime de partilha.
A GLOBO E A PESQUISA CNI/IBOPE
Os resultados corretos da pesquisa.
Jornal Nacional altera resultados da pesquisa CNI/Ibope
A pesquisa CNI/Ibope é trimestral. Foram efetuadas pesquisas em junho, setembro e dezembro.
Pela pesquisa, a avaliação do governo passou de 31% de ótimo/bom em junho para 40% em dezembro, a maneira de governar, de 44% para 52%, e a confiança na presidente, de 41% para 51%, conforme a ilustração acima.
Mas o Jornal Nacional em sua edição de ontem, 17, divulgou resultados diferentes dos acima informados, com a agravante de atribuir aos percentuais trimestrais um declínio inexistente.
Pegou mal.
Jornal Nacional altera resultados da pesquisa CNI/Ibope
A pesquisa CNI/Ibope é trimestral. Foram efetuadas pesquisas em junho, setembro e dezembro.
Pela pesquisa, a avaliação do governo passou de 31% de ótimo/bom em junho para 40% em dezembro, a maneira de governar, de 44% para 52%, e a confiança na presidente, de 41% para 51%, conforme a ilustração acima.
Mas o Jornal Nacional em sua edição de ontem, 17, divulgou resultados diferentes dos acima informados, com a agravante de atribuir aos percentuais trimestrais um declínio inexistente.
Pegou mal.
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