terça-feira, 7 de setembro de 2021

A DANAÇÃO DA HISTÓRIA E A LUTA PELO FUTURO


"Há dois anos, o economista José Luís Fiori escreveu o seguinte artigo
, onde fez uma projeção do futuro desastroso que o Brasil teria pela frente nas mãos da extrema-direita. Como teria dito Millôr Fernandes: 'um enorme passado pela frente'.

Passado este tempo, a pergunta inicial do artigo permanece: “o que passará com o país quando a população perceber que a economia brasileira colapsou?”. E se já chegamos no futuro, podemos ver que (o que) está se passando é um ensaio de resistência popular que eclodiu de norte a sul do país, com todos os cuidados necessários, e apesar das restrições pandêmicas.

A economia desabou, a cesta básica custa uma fortuna, o salário de um trabalhador médio já não é suficiente para alimentar uma família, os índices de inadimplência dispararam. Isso significa que o plano liberal do soldadinho de Chicago que hoje ocupa o ministério da Economia falhou de forma retumbante.

Às forças militares irresponsáveis, aos neoliberais, à corja da extrema-direita e às seitas religiosas fundamentalistas, o povo brasileiro responde em alto e bom som que o futuro será outro. Que este plano de destruição não vingará.

O artigo de Fiori nos traz ainda uma perspectiva a partir de uma possível vitória da esquerda em 2022. Sem esquecer o passado, é para a frente que devemos olhar.

Boa leitura:

(
Nota deste Blog:  O comentário acima é de autoria do Editor de Carta Maior)

***

A danação da história e a luta pelo futuro


Por José Luís Fiori

Depois de 1940, a Argentina entrou num processo entrópico de divisão social e crise política crônica, ao não conseguir se unir em torno de uma nova estratégia de desenvolvimento, adequada ao contexto geopolítico e econômico criado pelo fim da Segunda Guerra Mundial, pelo declínio da Inglaterra, e pela supremacia mundial dos Estados Unidos.
J.L.F. História, estratégia e desenvolvimento. Petrópolis: Editora Vozes, 2014, p. 272

Existe uma pergunta parada no ar: o que passará no país quando a população perceber que a economia brasileira colapsou e que o programa econômico deste governo não tem a menor possibilidade de recolocar o país na rota do crescimento? Com ou sem reforma da Previdência, qualquer que seja ela, mesmo a proposta pelo Sr. Guedes. E o que ocorrerá depois disso?

O mais provável é que a equipe econômica do governo seja demitida e substituída por algum outro grupo de economistas que atenue os traços mais destrutivos do programa ultraliberal do governo. Mesmo assim, não estará afastada a possibilidade de que o próprio presidente seja substituído por algum dos seus aliados de extrema-direita dessa coalisão construída de forma apressada e irresponsável, em torno de uma figura absolutamente inepta e demente. Mas se nada disso acontecer e as coisas seguirem se arrastando e piorando nos próximos tempos, o mais provável é que as forças de extrema-direita venham a ser fragorosamente derrotadas nas próximas eleições presidenciais.

O problema é que, quando isto ocorrer, o Brasil já terá completado mais uma “década perdida”, o que torna ainda mais difícil de prever e planejar o que acontecerá, e o que possa ser feito na década de 2020, para retirar o país do caos. É, entretanto, indispensável e urgente que se imagine e reflita sobre esse futuro, para não repetir erros passados. Para tanto, o melhor caminho é começar pela releitura do próprio passado e, em seguida analisar, com mais atenção, o caso de alguns países que fizeram idênticas escolhas, e que vão antecipando as consequências do rumo adotado pelo Brasil.

Comecemos, portanto, de forma extremamente sintética, pela década de 80 do século passado, quando o “desenvolvimentismo sul-americano” entrou em crise e foi abandonado por todos os países do continente onde ele havia sido hegemônico, desde o fim da II Guerra Mundial. Esse colapso ocorreu de forma simultânea com a “crise da hegemonia americana”, da década de 70, e com a mudança da estratégia econômica internacional dos Estados Unidos, durante o governo de Ronald Reagan, na década de 80. Foi nesse período que se deu a grande “virada neoliberal” da América do Sul, quando as elites políticas e econômicas do continente adotaram em conjunto, e quase simultaneamente, o mesmo programa de reformas e políticas liberais preconizado pelo que se chamou, na época, de “Consenso de Washington”.

No entanto, em todos os países em que foram aplicadas, essas políticas neoliberais produziram baixo crescimento econômico e aumento das desigualdades sociais. E na entrada do novo milênio, os resultados negativos contribuíram para que a América do Sul fizesse uma nova meia-volta, desta vez “à esquerda”, aproveitando-se do vácuo criado na região pela guerra global ao terrorismo, que deslocou a atenção dos Estados Unidos para o Oriente Médio. Em poucos anos, quase todos os países do continente elegeram governos de orientação nacionalista, desenvolvimentista ou socialista, com uma retórica antineoliberal e com um projeto econômico cujo denominador comum apontava numa direção muito mais nacionalista e desenvolvimentista do que liberal. Foi nesse período, já na primeira década do novo milênio, que o Brasil e alguns outros países do continente decidiram aumentar o controle estatal de alguns ativos estratégicos da região, em particular no campo da energia, como aconteceu depois da descoberta do pré-sal no Brasil, e do gás não convencional na Argentina. E a América do Sul retomou então seu velho projeto de integração regional, agora sob a liderança brasileira, com a ampliação do Mercosul e a criação da Unasul.

Uma vez mais, entretanto, como na lenda de Penélope, o continente latino- americano desfez tudo de novo, depois da crise econômica internacional de 2008 e, em particular, depois da mudança da doutrina estratégica dos Estados Unidos, com o governo de Donald Trump, que patrocina golpes de Estado e governos ultraliberais ao mesmo tempo que pratica – paradoxalmente – o protecionismo e o nacionalismo econômico in domo suo. Mas parece que tudo está andando cada vez mais rápido, porque já existem fortes indícios de que esta nova onda liberal será ainda mais breve do que a anterior, como é o caso – fora da América do Sul – da vitória de Lopez Obrador no México, e da enorme reação popular contra o governo ultraliberal de Mauricio Macri, na Argentina.

A Argentina, aliás, é o caso mais longevo e paradigmático dessa verdadeira “gangorra sul-americana”. O programa econômico do governo de Maurício Macri, por exemplo, reproduziu quase integralmente as ideias ultraliberais do economista Domingo Cavallo, que já haviam sido provadas nos governos de Carlos Menem (1989-1999) e de Fernando de la Rua (1999-2001), antes dos governos peronistas de Nestor Kirshner (2003- 2007) e de Cristina Kirshner (2007-2015), que desembocaram, por sua vez, no retorno do liberalismo, com a vitória eleitoral de Maurício Macri em outubro de 2015. O apoio parlamentar de Maurício Macri permitiu que ele aprovasse, sem maiores problemas, as famosas reformas da Previdência e da legislação trabalhista, mantendo rigorosa política de austeridade fiscal e de privatizações do que ainda restava nas mãos do Estado argentino.

Apesar de tudo isso, a política econômica do governo Macri produziu resultados desastrosos. Em 2018, a economia argentina sofreu uma queda de 2,5%, e em 2019, o PIB do país deverá ter outra queda de 3,1%, segundo as previsões mais otimistas. Com uma taxa de inflação de cerca de 46%, uma taxa de desemprego próxima dos 10%, e 32% da população abaixo da linha de pobreza, a Argentina se transforma pouco a pouco num país subdesenvolvido, coisa que nunca havia sido. Pelo contrário, no início do século XX, a Argentina era uma das seis economias mais ricas do mundo, e mesmo até a década de 1940 seguiu sendo o país mais rico e homogêneo de toda a América do Sul. E foi só depois dos anos 50 que a Argentina perdeu o impulso econômico da sua Idade de Ouro (1870- 1930), enfrentando, desde então, um prolongado processo de fragmentação social e política cada vez mais profundo e radical, que avança na forma de um movimento pendular e repetitivo, que ora aponta na direção liberal, ora na direção do peronismo, mas com a destruição mútua, por cada uma das partes, na rodada anterior.

O Brasil entrou nessa mesma “gangorra”, mas só a partir da crise econômica da década de 1980, que foi sucedida por três governos neoliberais, entre 1990 e 2002, e por três governos híbridos, mas mais próximos de um “desenvolvimentismo progressista”, com forte viés de inclusão social e de afirmação da soberania internacional do país, entre 2003 e 2015. E voltou à agenda liberal depois do golpe de Estado de 2015/16, de forma ainda mais radical do que no período de FHC, com a proposta econômica do ministro Paulo Guedes e de sua equipe de velhos alunos da Escola de Chicago. Na verdade, sua reiterada defesa da necessidade de “destruir” completamente a herança desenvolvimentista lembra muito mais as posições do economista liberal Eugenio Gudin, defendidas no debate que manteve nos anos 1940 com o empresário industrialista Roberto Simonsen, a respeito do papel “correto” do Estado, do mercado e do planejamento no desenvolvimento brasileiro. O problema é que hoje essa agenda liberal aparece sustentada por uma aliança e um governo formado por militares da reserva de extrema-direita junto com várias seitas religiosas fundamentalistas, financiados pelas elites tradicionais, tutelados pela grande imprensa conservadora e sustentados, em última instância, pelo governo norte-americano.

Esse verdadeiro Frankenstein talvez explique por que o desastre brasileiro esteja acontecendo de forma mais rápida do que na Argentina, o que aumenta a probabilidade de que o Brasil acabe prisioneiro da mesma “gangorra” que condena o país vizinho, e a própria América do Sul, a fazer e desfazer a mesma coisa dezenas de vezes, praticamente sem sair do lugar – ou pior ainda, baixando cada vez mais de lugar. Com a diferença de que, se isto se repetir no Brasil, o processo de desintegração deverá ser muito mais rápido e perverso do que na Argentina, porque o Brasil parte de um nível de desigualdade e pobreza muito maior do que tinham nossos vizinhos no século passado. Neste caso, o mais provável é que o Brasil entre num longo processo de “estagnação secular e precoce” ou, o que é pior, numa prolongada depressão econômica, interrompida por pequenos “soluços expansivos”, incapazes de conter o avanço da desintegração social, que deverá ser cada vez mais violenta e cruel com a imensa maioria da população brasileira, que é a mais pobre e desprotegida. De qualquer maneira, esse será o país que encontrarão pela frente, e será o desafio gigantesco dos novos governantes brasileiros que venham a ser eleitos em 2022, para substituir o atual capitão-presidente, ou qualquer outro personagem de extrema-direita que possa vir a ocupar seu lugar.

Mas atenção, porque o Brasil ainda não está condenado definitivamente a repetir a “gangorra argentina”, nem precisa necessariamente recorrer ao seu mesmo modelo desenvolvimentista do passado. No caso de vitória de alguma coalizão de forças progressistas, é muito difícil antecipar desde já as medidas de política econômica que deveriam ser implementadas para afastar o país do caos. Mas uma coisa é óbvia: o Brasil terá que mudar radicalmente a sua postura internacional, em particular com relação aos Estados Unidos, que se considera com pleno direito ao exercício da sua soberania dentro de todo o “hemisfério ocidental”. Ou seja, do nosso ponto de vista, a luta por um novo projeto de desenvolvimento para o Brasil terá que começar por uma nova estratégia de poder internacional. Mas se este for o caminho escolhido pelos brasileiros, não há como enganar- se: os novos governantes eleitos em 2022 terão que colocar uma pá de cal em cima da vergonhosa política externa deste governo de extrema-direita, e começar um novo tipo de relacionamento com os Estados Unidos, que será sempre, ao mesmo tempo, de complementaridade, competição e conflito, sobretudo dentro da América do Sul, e com relação aos fluxos e recursos do Atlântico Sul. De qualquer forma, e em qualquer caso, o fundamental é que o novo governo brasileiro se oriente, sempre e em primeiro lugar, pela bússola dos seus próprios objetivos sociais, econômicos e geopolíticos Conscientes de que terão pela frente um caminho muito estreito e complicado, e que este caminho tomará muito tempo para se consolidar. Mas ao mesmo tempo, com a certeza de que este é o tempo que tomaram todos os grandes países para construir o seu próprio futuro, sem ser humilhados, e sem ter que envergonhar-se jamais de si mesmos e do seu passado." 




(De José Luís Fiori, artigo intitulado "A Danação da História e a Luta Pelo Futuro" - Boletim Carta Maior, Aqui -, escrito/publicado há dois anos e agora republicado [com comentário atual do editor da Carta Maior]. 

Confrontando o texto do articulista com o cenário político reinante, bem mais do que o econômico, já por si desastroso, chega-se à inevitável constatação de que o economista, a despeito dos senões geoeconômicos destacados - mas por 'antever' uma passagem pacífica do País a uma orientação de esquerda -, revelou-se um rematado otimista).

11.09 = 20 ANOS


Dave Granlund. (EUA).
................
"Esquecer jamais!"
"Exato. Até mesmo em função do Afeganistão."

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

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(06.09)


.Marcos Valle e Stacey Kent:
"Amando Demais" (De Marcos Valle
e Vinícius de Moraes) .................................. Aqui.
................
.David Gates:
"Take Me Now" - (1981) .............................. Aqui.
................
.Roberto Carlos & Renato e 
Seus Blude Caps:
"Negro Gato" (Ensaio) ................................ Aqui. 


.O Mundo Segundo Ana Roxo. (Set. 21):
O fio vermelho das histórias ....................... Aqui.

.Galãs Feios:
O que esperar do 7 de setembro .................. Aqui.

.DCM - Live das 5:
STF decide ordenar prisão de
golpistas no dia 7. E de Bolsonaro? ............ Aqui.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ................................................. Aqui.

.Boa Noite 247:
Sobre Lula e outros temas ........................... Aqui.

FLAGRANTE MACABRO DO TRÂNSITO TRESLOUCADO


J Bosco.

A NAU DOS INSENSATOS

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"A deterioração das condições de vida, sobretudo dos segmentos de renda mais baixos, é tal que não será em pouco tempo que recuperaremos as condições anteriores, mesmo em caso de haver políticas ativas por parte do Estado. Frente a isso, não há como prosseguir na insensatez de congelar gastos, especialmente na área social. A não ser que, a cada exercício, seja introduzida nova emenda constitucional para fazer frente à calamidade pública do ano, tornando nossa Constituição uma peça cada vez mais estranha e transitória."

(Ilustração de Aliedo).

A insistência das autoridades econômicas do governo atual em manter o regime fiscal introduzido pela Emenda Constitucional nº 95 (EC 95) guarda total semelhança com a atitude dos condutores da nau dos insensatos, sobejamente mencionada na literatura e nas artes da cultura ocidental. Numa leitura generosa com relação a esses condutores, podíamos dizer que não sabem o que fazem, mas, na verdade, não lhes importa para onde a nau está sendo levada, quais serão as consequências de sua tresloucada viagem e a qual porto chegarão. Se é que chegarão.

Deixando de lado o equivocado diagnóstico sobre a evolução da dívida pública brasileira, que justificou a proposta do novo regime fiscal e ganhou o apoio dos incautos de todos os tipos, a insensatez revelou-se no prazo de vigência do congelamento dos gastos (vinte anos, com possibilidade de revisão aos dez), na inclusão dos gastos sociais e na exclusão do serviço da dívida. Na época, estudo realizado por BOVA et al (2015), que analisa as regras fiscais vigentes em 89 países, mostrava que, embora a introdução de teto para o gasto público não se constituísse uma novidade, o que foi aplicado no Brasil não tem paralelo no mundo. Como escrevemos em outro momento (Marques e Andrade, 2016) ao tratar da então Proposta de Emenda Constitucional 166, de 2016, (que passou a ser a EC 95) e com base nesse estudo, em nenhum dos países que adotaram regras que limitam o gasto público o horizonte temporal foi de longo prazo e registrou condições semelhantes no que se refere aos gastos sociais, ao tratamento concedido às despesas com o pagamento dos juros da dívida pública e ao mecanismo legal utilizado.

Ao que parece, podemos dizer que “nossos” neoliberais, ao assumirem como prioritário o equilíbrio fiscal, foram mais realistas do que o rei, como diz a expressão popular. Em outros países, ao contrário do que aqui foi aprovado, gastos sociais, principalmente aqueles vinculados ao seguro desemprego, assistência social, saúde e educação, foram preservados. O marco temporal, por sua vez, varia de quatro, três e mesmo um ano. Em apenas três pequenos países (Dinamarca, Geórgia e Singapura) as regras atinentes à expansão do gasto público foram inscritas na constituição. Nos demais, isso foi feito mediante leis ordinárias ou acordos políticos. Em outros, foram colocados limites para o pagamento do serviço da dívida.

É preciso lembrar, ainda, que a EC 95 foi aprovada em dezembro de 2016, quando o país acumulava uma queda do PIB de 6,8% (2015 e 2016). Naquele momento, o desemprego voltara com toda a força e a pobreza retornara a níveis só vistos antes do início da implantação plena do Programa Bolsa Família. Sua aprovação, portanto, estava em total dissonância com a realidade vivida pela maioria da população brasileira. Como sabido, os anos seguintes de vigência do novo regime fiscal registraram crescimentos pífios da economia, o que não permitiu que a economia recuperasse sequer o nível de 2014 em 2019.

Os três primeiros anos de vigência da EC 95 rapidamente tiveram impacto em áreas sociais, tais como saúde e educação. Vejamos, rapidamente, a situação da saúde. Em 2017, seu piso correspondeu a 15% da receita corrente líquida (RCL), como fruto de negociação quando da aprovação da emenda, antecipando o percentual que seria aplicado somente em 2020. Em 2017, houve, por isso, uma elevação do gasto federal per capita disponível com relação a 2016. Santos e Funcia (2020, s.p.), no entanto, alertam para o fato de que, ao final de 2017, “houve um crescimento de 81% dos empenhos a pagar do Ministério da Saúde, em comparação a 2016, e redução nominal dos pagamentos das despesas inscritas em restos a pagar, o que resultou no crescimento de 50% do total inscrito e reinscrito para execução financeira em 2018. Em outros termos, foram empenhadas as despesas sem a efetiva liquidação e pagamento, ou seja, essas despesas não foram efetivadas como ações e serviços para atender as necessidades de saúde da população, ainda que tenham integrado o seu piso”.

Ainda segundo esses pesquisadores, a partir de 2018, o piso e o valor efetivamente aplicado na saúde têm diminuído, tanto em termos reais per capita, como em proporção da RCL. Em 2018, foram de fato gastos R$ 116,821 bilhões (valor aplicado menos o empenho 2018), de modo que o SUS perdeu no ano R$ 3,981 bilhões. A partir desse momento, o SUS, que desde sua criação enfrentava uma situação de subfinanciamento, isto é, contava com recursos inferiores ao necessário para fazer frente ao desafio de um sistema público universal, deixou de ser subfinanciado e passou a sofrer um verdadeiro desfinanciamento.

Em 2019, para uma RCL de R$ 905,659 bilhões, caso fossem aplicados os 15%, a parte federal do SUS deveria contar com R$ 135,849 bilhões. No ano, o valor aplicado menos o empenho 2019 foi de somente R$ 122,270 bilhões, registrando uma perda de R$ 13,579 bilhões. Em dois anos, portanto, a perda foi de R$ 17,560 bilhões. Por consequência, o resultado disso impactou negativamente o gasto em saúde per capita, deteriorando ainda mais as condições de realização das ações e serviços do SUS. É enfrentando essa realidade no campo da saúde pública, única opção de acesso aos cuidados de mais de 70% da população brasileira, que chega a pandemia no país no início de 2020.

À situação de semiestagnação que vinha sofrendo a economia brasileira se segue uma retração de 4,1%. O acumulado dos anos anteriores e o desempenho de 2020, no tocante à situação de desemprego, à queda da renda dos ocupados (especialmente daqueles situados nos extratos mais baixos), ao aumento expressivo da população pobre e daquela que vivencia insegurança alimentar, resultaram que a situação social do país tornou-se uma questão maior, uma tragédia humana sem precedentes. Além disso, a pandemia continua e estamos correndo o risco de vê-la recrudescer pelo avanço da variante Delta, já presente em 10 estados e no Distrito Federal.

A deterioração das condições de vida, sobretudo dos segmentos de renda mais baixos, é tal que não será em pouco tempo que recuperaremos as condições anteriores, mesmo em caso de haver políticas ativas por parte do Estado. Frente a isso, não há como prosseguir na insensatez de congelar gastos, especialmente na área social. A não ser que, a cada exercício, seja introduzida nova emenda constitucional para fazer frente à calamidade pública do ano, tornando nossa Constituição uma peça cada vez mais estranha e transitória. A insistência em manter o regime fiscal tal como está apenas revela a que “rei” ele favorece: ao grande capital financeiro nacional e internacional, que não está preocupado com o destino da maioria da população. Essa segue à deriva, passageira involuntária da nau dos insensatos.

....
(De Rosa Maria Marques, artigo intitulado "A Nau dos Insensatos", publicado no Boletim Carta Maior - Aqui.
 
Rosa Marques é professora titular de economia da PUC-SP e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política e da Associação Brasileira de Economia da Saúde).

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Situação típica de realidades neoliberais. em que o Mercado é o dono da regra maior. Que se dane a situação social, a prioridade é atender aos desígnios dos aplicadores, especuladores e credores locais e internacionais. É como diz o douto 'analista' (ou, como bem definiu Luis Nassif: o 'cabeça de planilha'): "Ora, ora, se já se está a amargar a retração de investimentos estrangeiros em nosso País. imagine o que ocorrerá se forem atendidas as demandas sociais, o que desgraçadamente impactaria mais fortemente ainda a obtenção de superávit primário!"

DE COMO QUEBRAR A ORDEM CONSTITUCIONAL


Fred. 
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.Bom Dia 247 (06.09) - Attuch / Altman / Cruvinel / PML / Solnik:
Sociedade rechaça golpe bolsonarista .................................. Aqui.

ENQUANTO ISSO EM UM CERTO ESTADO DOS ESTADOS UNIDOS...

                      ('USO MÁSCARA PORQUE NO MEU ESTADO OS 
                          ADULTOS GOSTAM DE VERDADE DAS CRIANÇAS")

David Fitzsimmons. (EUA). 

LA VIE EN ROSE

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'A Nuvem Rosa' é um belo exemplar de filme de gênero que foi capaz de antecipar nossas angústias atuais


Por Carlos Alberto Mattos

Antes de mais nada, um letreiro: "Este filme foi escrito em 2017 e filmado em 2019. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência". Depois de passar por Sundance e outros festivais internacionais, A Nuvem Rosa chega ao público brasileiro com o epíteto de "o filme que previu o isolamento social". Quando uma onda de misteriosas nuvens rosa invade o mundo de repente, todos precisam permanecer trancados onde estavam para não ter morte instantânea no espaço externo.

Giovana (Renata de Lélis) estava em casa com Yago (Eduardo Mendonça), que acabara de conhecer numa festa. A impossibilidade de sair à rua vai determinar uma insólita união. Com a passagem do tempo, o casal se forma e passa a viver as circunstâncias de uma vida entre quatro paredes. Compras recebidas por um tubo, contatos e até sexo e parto virtuais sugerem uma versão radicalizada do que vivemos hoje com a pandemia. Com a agravante de uma necessária adaptação ao tal novo normal.

Caso fosse estritamente um filme de ficção científica, A Nuvem Rosa teria maior campo a explorar numa situação tão extrema. A mitificação da nuvem pela geração nascida no isolamento, por exemplo, é um dos caminhos potenciais que ficam apenas tangenciados. Outro é o vício em realidade virtual adquirido por Giovana. Mas o filme se ocupa, principalmente, em examinar como seria uma vida em família nessas contingências. Até que ponto os simulacros e fantasias atenderiam às exigências de uma convivência forçada? Como administrar conflitos quando o distanciamento está fora de cogitação?

A família desponta aí, talvez, como uma imposição da natureza humana. E ao mesmo tempo um desafio para ser mantida em situações-limite.

A diretora gaúcha Iuli Gerbase – filha do cineasta Carlos Gerbase e da produtora Luciana Tomasi – demonstra uma notável segurança nesse primeiro longa depois de seis curtas e dois episódios da série A Bênção. Afora um certo vácuo na indicação de passagem do tempo na parte inicial, o roteiro avança com coerência e cria boas expectativas quanto ao cotidiano da família e ao contexto atmosférico.

A coloração da nuvem parece introjetar-se nos interiores e em detalhes da cenografia, gerando uma leve sugestão de pesadelo, que no entanto não descamba para o fantástico. A fotografia de Bruno Polidoro, a montagem de Vicente Moreno e a música de Caio Amon convergem para a criação de um clima ao mesmo tempo suave e inquietante. Um belo exemplar de filme de gênero que foi capaz de antecipar nossas angústias atuais.  -  (Fonte: Boletim Carta Maior - Aqui).

(A Nuvem Rosa está na plataforma Telecine Play desde 2/9). 

11.09 = 20 ANOS


Lute.

domingo, 5 de setembro de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

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(05.09)
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.The Fevers (com a participação
de Cid Chaves):
Em homenagem a Renato Barros ............ Aqui.
................
.Renato e Seus Blue Caps:
Um ano sem a presença
de Renato Barros ...................................... Aqui.
Uma homenagem a Renato
Barros por seu aniversário ...................... Aqui.


.O mundo segundo Ana Roxo:
A que p*nto chegamos ............................. Aqui.

.Galãs Feios:
Foragido da CPI vazou nudes e
fez rolo de Porsche ................................... Aqui.
Os preparativos pro 7 de setembro
e os piores vídeos da semana .................. Aqui.

DCM - Superlive de domingo:
Vergonha mundial: jogo
Brasil X Argentina suspenso por
descumprimento de regras sanitárias .... Aqui.

.Boa Noite 247:
Grito dos excluídos em ano decisivo ....... Aqui.

.Paulo A Castro:
Grupo evangélico "desconvida" fiéis
para ato pró Bolsonaro ........................... Aqui.

................
.Falcão:
Na rede com Falcão (43) ......................... Aqui.

O COTIDIANO SEGUNDO ANÉSIA




Will Leite. 

CARTUM REGRESSIVO


Fred.
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.Bom Dia 247 (05.09) - Mauro Lopes / Rodrigo / Florestan:
Discutindo a conjuntura ........................................................ Aqui.

O STF, O MARCO TEMPORAL E A CORAGEM


Do Professor de direito constitucional da USP, Conrado Hubner Mendes, na Folha:

O que a Constituição queria do STF era coragem

A democracia brasileira precisa de um marco temporal. Não a tese jurídica que estabeleceu dia certo para atribuir direito territorial de povos originários, tese estranha à Constituição de 1988 e aos debates constituintes.

Falta à democracia brasileira um marco temporal para o STF tomar decisões. Não só um prazo razoável, mas a certeza de que, anunciada a pauta, não promoverá adiamentos contados em números de meses ou anos, como de costume. O STF não pode dizer que aprecia segurança jurídica se não oferece nem isso e se acomoda ao "devo, não nego, julgo quando quiser".

Nesta quarta-feira (1º) a corte começou a julgar mais um de seus casos históricos. Terá a chance de orientar a promessa constitucional de demarcação de terras indígenas, que acumula 28 anos de atraso (Constituição pedia que se encerrasse em cinco anos).

O caso chegou ao STF em 2016 e questiona aplicação, a outras demarcações territoriais, de critério construído no caso Raposa Serra do Sol, de 2009. Pautado para 2020, foi adiado sem maiores explicações.

Agora, corre risco de novo adiamento em função das ameaças de um presidente que comete crimes comuns e de responsabilidade. Basta um pedido de vista, e o tribunal jogará o tema para um futuro incerto enquanto a violência aumenta no campo.

A Constituição pede ao STF muitas virtudes institucionais. Duas para começar: primeiro, a coragem de decidir; segundo, a coragem de decidir certo.

Precisa saber que sua demora tem custos altos. Em torno de 1 milhão de pessoas estão hoje enredadas em conflitos por terra, invasões de territórios e assassinatos (relatório “Conflitos no Campo Brasil – 2020”, da Comissão Pastoral da Terra). A incerteza jurídica e um Congresso que busca legislar a toque de caixa contra direitos indígenas e socioambientais gera expectativa de leniência à delinquência e incentivos para desmatamentos e invasões.

Adiar e "deixar para o Congresso", como se ouviu, trairia a missão de uma corte constitucional, cuja razão de existir é impedir que o legislador viole a Constituição. Essa divisão de funções está presente em quase todas as democracias do mundo. Não significa usurpar, esvaziar ou se sobrepor ao Congresso, apenas lhe fazer contrapeso e proteger a ordem constitucional.

Em outros tempos, quando não havia presidente apontando canhão para o tribunal e ameaçando fechá-lo, o STF repetia essa ideia com muito orgulho e altivez retórica. Tempos sem riscos. A coragem de um tribunal constitucional se mede em tempos como hoje.

O STF também precisa saber que a decisão errada, sucumbindo às pressões do agronegócio (que investiu alto na desinformação e na compra de pareceres jurídicos), perpetuará efeitos dramáticos, tanto nos outros processos sobre o tema que hoje tramitam na corte, quanto nos processos administrativos hoje parados no Executivo.

E a generalização da tese do marco temporal é errada por muitas razões.

Ignora a literalidade do artigo 231 da Constituição (e o critério de "terras tradicionalmente ocupadas"). Ignora também a própria jurisprudência do STF sobre direitos dos povos indígenas. Em sucessivos casos, o tribunal estabeleceu que a "tradicionalidade" está relacionada ao modo de ocupação da terra, não ao tempo. A data marcada para reconhecimento de terra indígena é exigência desprovida, ironicamente, de "tradicionalidade jurisprudencial". Arbitrária, portanto.

Afirmar que a decisão do caso Raposa Serra do Sol firmou um precedente que deveria ser seguido esconde muita coisa: primeiro, a jurisprudência anterior; segundo, que esse caso isolado deixava explícito que sua tese não se aplicava a quaisquer outros; terceiro, que mesmo precedentes sólidos, mesmo em tradições jurídicas que se apegam a precedentes, devem ser revogados quando o erro para a situação presente se tornar evidente.

Pedimos ao STF, além de coragem, a dignidade do bom argumento e inteligência jurídica. Que seja um agente do rigor analítico, não da desinformação e do teatro retórico. Que não invoque números ou previsões sem citar fonte respeitável. Que não use analogias baratas ("Copacabana terá que voltar aos índios") ou dados espúrios, porque o assunto é sério demais.

(Fontes: Blog do Mello e Folha - Aqui).


"O que a Constituição queria do STF era coragem" / 'A Coragem de um Tribunal Constitucional se Mede em Tempos Como Hoje'.

Além da questão do marco temporal, que o STF reaja com a altivez devida contra os que ousarem agredir a Constituição, a qualquer pretexto.

11.09 = 20 ANOS


Marian Kamensky. (Áustria).

sábado, 4 de setembro de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

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(04.09)


.Playing For Change - Band Live:
"I'd Rather Go Blind" .................................... Aqui. 
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.North East Ska Jazz Orchestra:
"Mama" (Official Video 2017) ...................... Aqui.
................ 
.Renato Barros:
"O tempo vai apagar"................................... Aqui.
Comentários sobre o LP "Renato e Seus
Blue Caps", lançado em 1963 ....................... Aqui.


.O Mundo Segundo Ana Roxo - (Vídeos
novos e antigos):
"Como reconhecer o fascista
que mora em você" ........................................ Aqui.
"Religião e Política" ....................................... Aqui.
"Homens opinando no feminismo, tá tendo" Aqui.
................

.Galãs Feios:
Bolsonaro tomou golpe de ex-mulher ........... Aqui.

.Sabadão do DCM:
Bolsonaro acelera para o tudo ou nada ....... Aqui.

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O falso Messias usa o nome de Deus
para enganar os crentes. Como 
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.Boa Noite 247:
7 de setembro: novos escândalos 
e também ameaças ........................................ Aqui.

.Paulo A Castro:
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EQUAÇÃO DO GÁS


Duke.

BILLY WILDER: INTELIGÊNCIA E CRIATIVIDADE QUE CONQUISTARAM O PÚBLICO

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“O cinema é um modo divino de contar a vida.”
Federico Fellini
“A única forma de me livrar de meus medos é fazer filmes sobre eles.”
Alfred Hitchcock
“Cinema é a fraude mais bonita do mundo.”
Jean-Luc Godard
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Eis aí algumas das frases que escolhemos sobre Cinema, de 3 diretores consagrados. Há centenas, claro, mas o Cinema paira sobre todas elas, e sempre faltam palavras capazes de alcançar a sua essência. 
A seguir, matéria que tive a satisfação de ver no O Liberal, de Belém, a propósito do imortal Billy Wilder.


Por Marco Antonio Moreira

Recentemente, tive a oportunidade de rever a comédia Quanto Mais Quente Melhor (1959), de Billy Wilder, no canal Telecine Cult. Lembro que assisti essa comédia pela primeira vez em uma sessão de cineclube e que fiquei em estado de graça a cada cena cômica do filme. Jack Lemmon, Marilyn Monroe e Tony Curtis estão fantásticos na história de amor e trapaça que se passa nos anos da lei seca americana.  Mas um dos destaques do filme, além do elenco e do roteiro, é, sem dúvida, Billy Wilder (1906-2002). Este diretor, roteirista e produtor realizou mais de 60 filmes e deixou um legado extraordinário para o cinema que merece ser reconhecido.

Ele nasceu em Sucha Beskidzka, atual território polonês, e inicialmente se interessou pela profissão de advogado, mas tornou-se jornalista e roteirista. Com a ascensão do Nazismo, em 1933, emigrou para a França e depois para os EUA. No final dos anos 1930, começou a trabalhar em Hollywood com Charles Brackett e escreveu roteiros de clássicos do cinema como Ninotchka (1939) de Ernst Lubitsch (cineasta que influenciou sua carreira no cinema) com Greta Garbo. Pacto de Sangue (1944) foi seu primeiro sucesso como diretor. Este filme noir é considerado um dos melhores deste estilo cinematográfico que foi influenciado por histórias policiais e cinema expressionista alemão. O filme mostra uma história de amor e traição que influenciou diversos cineastas - como Lawrence Kasdan, em Corpos Ardentes (1982).

A partir de Pacto de Sangue, Wilder teve uma sequência de filmes importantes na carreira que foram muito elogiados pela crítica especializada. Entre várias produções relevantes, destaco Farrapo Humano (1945), Crepúsculo dos Deuses (1950), A Montanha dos Sete Abutres (1951), Inferno Nº 17 (1953), O Pecado mora ao Lado (1954), Testemunha de Acusação (1957), Quanto Mais Quente Melhor (1959) e Se Meu Apartamento Falasse (1960), entre outras produções. Para conhecer a obra deste diretor, indico os filmes Crepúsculo dos Deuses, A Montanha dos Sete Abutres, Testemunha de Acusação e Quanto mais Quente Melhor. 

Crepúsculos dos Deuses é considerado um dos maiores filmes da história do cinema. A excelente atriz Gloria Swanson interpreta Norma Desmond, decadente atriz da era do cinema mudo que tenta retornar ao cinema. Ela conhece Joe Gillis (William Holden), um jovem roteirista fracassado, e vê nele a possibilidade de realizar seu sonho de voltar a ser uma atriz reconhecida. Mas Desmond vive em um mundo de fantasia que se chocará com a praticidade e esperteza de Gills. Filme extraordinário com múltiplos temas na sua história, incluindo o próprio cinema. Crepúsculo dos Deuses traz uma atuação marcante do ator e cineasta Erich Von Stroheim no papel de mordomo de Desmond. O diretor Cecil B. DeMille (de Os 10 Mandamentos) e o ator Buster Keaton (genial diretor e ator de A General) fazem participações especiais no filme.

A Montanha dos Sete Abutres mostra a história de um jornalista oportunista e sem escrúpulos que está desempregado, ávido por uma oportunidade de sucesso. Ele começa a trabalhar em um jornal de uma cidade pequena no Novo México e tenta se aproveitar profissionalmente de um acidente em uma mina. Ele transforma o fato trágico em um meio de se projetar nacionalmente de qualquer maneira. Kirk Douglas está perfeito no papel principal em uma das melhores atuações de sua carreira.

Testemunha de Acusação tem o ator Tyrone Power em grande atuação. O filme é baseado na obra de Agatha Christie e mostra a história de um homem pacato que é acusado de assassinato. Sua mulher é intimada para depor, mas ela complica sua situação e um velho advogado é contratado para defender seu marido. Marlene Dietrich e Charles Laughton completam o trio de protagonistas.

Estes filmes mostram o talento de Billy Wilder como roteirista e diretor. Sua capacidade de criar personagens e histórias marcantes em diversos gêneros é surpreendente. Da comédia ao drama de guerra (como Inferno Nº 17), do policial às comédias românticas (como Sabrina e Irma La Douce), do filme noir (Pacto de Sangue) às comédias de costume irônicas (como Se Meu Apartamento Falasse), Wilder sempre mostrou inteligência e criatividade para conquistar o público.

Nos últimos anos de sua carreira, ele realizou duas comédias agradabilíssimas que evidenciaram seu talento para as novas gerações de cinemaníacos daquele período: A Primeira Página (1974) e Amigos. Amigos, Negócios à parte (1981). Ambos foram protagonizados por Jack Lemmon e Walter Mathau.  Billy Wilder faleceu em 2002, aos 95 anos de idade, mas certamente sua obra continua merecendo reconhecimento. Pra finalizar, indico ao leitor o livro "Billy Wilder e o resto é loucura", que tem depoimentos do diretor sobre sua vida pessoal e profissional. Agradeço ao amigo Gilberto Chaves por evidenciar a importância de Billy Wilder na sua cinefilia.  -  (Fonte: Jornal O Liberal, de Belém - Aqui).

FLAGRANTE DA VIDA REAL


J Bosco.
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.Bom Dia 247 (04.09) - Mauro Lopes / Joaquim de Carvalho:
Sobre o clã encurralado e o 7 de setembro ..................... Aqui.

FLAGRANTE BRASIL DE HOJE


J Bosco. 

ENQUANTO ISSO...

                              "Tarde Demais Pra Tomar a Vacina?"

David Fitzsimmons. (EUA).

SORTILÉGIOS DE UM CINEMA ANTICOLONIALISTA

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Em "Um Animal Amarelo", Felipe Bragança coaduna sua conhecida verve de prestidigitador audiovisual com a acidez anticolonialista de um diretor português como Miguel Gomes


Por Carlos Alberto Mattos

Um ser fantástico africano que engole moças, um osso mágico que promete riquezas a quem o carrega, uma mulher que leva rubis incrustados no corpo, moçambicanos que expelem pedras preciosas pelo ânus, um barão salazarista amante das artes e da moral... Não são poucas as extravagâncias reunidas por Felipe Bragança em seu quinto longa-metragem, Um Animal Amarelo. Uma ambiciosa cadeia de fabulações conduz o personagem principal, um cineasta em crise (Higor Campagnaro), do Rio de Janeiro a Moçambique, dali a Lisboa e de volta ao Rio entre 1984 e 2019.

Narrado por uma moçambicana onisciente que se revelará uma dominatrix e contrabandista de pedras preciosas (Isabel Zuaá), o filme desafia tentativas de resumi-lo num fio coerente. Bragança coaduna sua conhecida verve de prestidigitador audiovisual com a acidez anticolonialista de um diretor português como Miguel Gomes. No roteiro escrito com o lisboeta João Nicolau, Fernando, o tal cineasta, tenta seguir os passos de seu avô (Herson Capri) em busca de fortuna no garimpo ("Quero ser rico e boçal"). Vai parar nas minas de Moçambique, onde é escravizado por locais para atuar na venda de pedras produzidas por seus intestinos.

Vingança do colonizado – eis uma leitura possível do enredo mirabolante, dividido em cinco capítulos, com títulos como "Fábula do pirata pálido" e "As merdas eternas de Portugal". Em Lisboa, Fernando se autonomeia Sebastião e se envolve com a lusitaníssima Susaninha, papel valorizado pela sensualidade de Catarina Wallenstein, a quem seu marido Bragança não se cansa de fetichizar até com banhos de leite. Mas é Moçambique que ocupa o centro da narrativa e tem seus melhores momentos em torno do famoso Grande Hotel da Beira, mítica ruína colonial ocupada por moradores pobres.

Por trás das aventuras de Fernando/Sebastião, patético simulacro de Indiana Jones, corre um comentário ora irônico, ora derrisório sobre o ofício do cineasta. Ele submete seu roteiro à avaliação de um gerente de banco, que se ri de suas invenções. Do ator com quem pretende trabalhar ouve conselhos para desenvolver melhor a psicologia do personagem e eliminar o espírito moçambicano que aparece regularmente. O inferno da cultura que vivemos atualmente no Brasil é referido de maneira apenas tangencial.

A parceria com a poderosa produtora portuguesa O Som e a Fúria carreou recursos de produção inéditos na carreira do diretor. A direção de arte de Dina Salem Levy é fartamente inventiva e bem aproveitada na construção de imagens sedutoras, muitas vezes surpreendentes. A tela 4x3 (quase quadrada) serve a uma estética mais compacta e anacrônica, que o filme usa a seu favor.

Um Animal Amarelo pode não alcançar a síntese pretendida dos fantasmas circulantes entre Portugal e suas antigas colônias. Pode também não integrar tantas ideias num sentido claro e coeso, entre a narrativa objetiva e o metacinema. Ainda assim, é capaz de nos enfeitiçar com sua audaciosa fantasia sobre os sortilégios que um filme logra engendrar.  -  (Fonte: Boletim Carta Maior - Aqui).

>> Um Animal Amarelo está na plataforma Sala Maniva. 

9.11 = 20 ANOS

 

Kap. (Espanha).

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

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(03.09)


.Playing For Change - Song
Around The World:
"United" ..................................................... Aqui. 
................
.Bill Kreutzmann - Playing For
Change - Song Around The World:
"Ripple" (Graeful Dead) ............................ Aqui.
................
.The Ventures - "Walk Don't Run" ......... Aqui.
.The Shadows - "Apache" ........................ Aqui.
.Top Songs Of 1963 ................................ Aqui.


.O Mundo Segundo Ana Roxo:
Como debater com idiota .......................... Aqui.
................

.DCM - Live das 5:
Senador quer convocar à CPI ex de
Bolsonaro metida em rachadinha ............ Aqui.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ............................................... Aqui.

.Aquias Santarem:
Por que Bolsonaro afastou ex-mulher
do comando da rachadinha ...................... Aqui.

.Boa Noite 247:
Ex-funcionário escancara esquema
esquema corrupto da família Bolsonaro .. Aqui.

.Luis Nassif:
Nassif discute fatos relevantes
com Marcelo Auler .................................... Aqui.

.O Essencial:
Sextou com Bemvindo Sequeira ............... Aqui.

.Paulo A Castro:
Bolsonaro faz nova ameaça e o ministro
Moraes manda prender mais dois ........... Aqui.

PARTIU SÉRGIO MAMBERTI

                                 "Valeu, Doutor Victor!"

Nando Motta. 
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(Sérgio Mamberti - 1939-2021 - Aqui).

JOIA RARA


Duke.
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.Bom Dia 247 (03.09) - Attuch / Solnik / Cyhara / Mier / Natalia:
Bancos abandonam Bolsonaro ..........................................  Aqui.

ONDE ESTÁ A PAZ?


Manny Francisco. (Filipinas).