sábado, 3 de outubro de 2020

PRIVATIZAR REFINARIAS DA PETROBRAS: UM ATENTADO À RAZÃO

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Na esteira de "STF Autoriza Venda De Refinarias Da Petrobras Sem Aval Do Congresso", publicada neste Blog em 02.10.20 - Aqui. 

"O fatiamento da Petrobras é uma política que não encontra respaldo na estratégia de nenhuma das grandes empresas do ramo de energia", avalia a economista Juliane Furno, que completa: "a justificativa para esse crime de lesa pátria encontra respaldo na mesma lógica que sustentou a Operação Lava Jato. A ideia de que mais Estado significa mais corrupção e distorção de preços"


Por Juliane Furno

Desde 30 de setembro, o Supremo Tribunal Federal julga a Reclamação nº 42.576 – feita pelo Congresso Nacional – que exige que o processo de venda de subsidiárias da Petrobras passe pelo Parlamento. A proposta do governo, motivada por uma denúncia de prática anticoncorrencial, é vender o controle de 8 das 11 refinarias da Petrobrás. A proposta, no entanto, é um atentado à razão! Na coluna de hoje quero argumentar essa hipótese com base nos seus aspectos tanto políticos quanto econômicos.

A Petrobras é um patrimônio do povo brasileiro. Sua criação é fruto da maior manifestação de massas por uma pauta de soberania vista até então na nossa história. Seu símbolo representa o anseio e a posterior conquista da autossuficiência energética e seu desenvolvimento caminha lado a lado com o fortalecimento de uma grande cadeia de fornecedores nacionais. A Petrobrás foi o maior instrumento da política industrial brasileira até hoje, provendo não apenas a preços baixos a principal energia do capitalismo – o petróleo – senão que, sobretudo, mobilizando nosso parque produtivo interno a partir do seu enorme poder de compra.

Do ponto de vista político, a ação vai na contramão das referências internacionais. Das 20 maiores empresas petroleiras mundiais, as primeiras quatro são estatais. Desse montante, no total, 13 são controladas por Estados Nacionais e nenhum deles projeta vendê-las. 

A indústria de petróleo mundial foi controlada – no seu nascedouro – por grandes empresas privadas. As chamadas “Sete Irmãs”, para fazer referência ao cartel das sete maiores empresas petrolíferas, que dominaram o mercado de petróleo mundial até a década de 1960.

De lá para cá os Estados Nacionais foram assumindo o controle das suas reservas e construindo grandes empresas para operar a exploração dessa grande riqueza natural. Ou seja, a tendência mundial – em se tratando de um recurso estratégico como o petróleo – tem sido de assegurar o controle nacional o ritmo e o desenvolvimento da sua exploração.

Ainda no que tange ao aspecto político, o petróleo – cada vez mais – tem adquirido centralidade na economia mundial. Ainda que a transformação da matriz energética mundial seja imperiosa, o fato é que, pelo menos até os próximos 30 anos, o petróleo seguirá como o principal energético do planeta. Quem o controla tem poder, e quem tem esse poder exerce – com menores constrangimentos – sua soberania. 

Do ponto de vista econômico as razões não são menos disruptivas. A força das grandes petrolíferas internacionais reside, justamente, na sua capacidade de ser “verticalizada”, ou seja, operando um processo de concentração e centralização de capitais que lhes permite controlar todas as fases do processo produtivo. Assim, o fatiamento da Petrobras é uma política que não encontra respaldo na estratégia de nenhuma das grandes empresas do ramo de energia. A integração vertical permite que a empresa não fique vulnerável às oscilações do preço do barril no mercado internacional. Assim, em momento nos quais o preço está deveras deprimido, ainda assim a empresa pode ter déficit na produção e exploração e ser lucrativa, uma vez que ela compensa com superávit no refino e/ou na distribuição. Da mesma forma, só uma empresa integrada e estatal pode operar uma política de redução do custo do combustível – a título de estratégia de política industrial ou de soerguimento econômico nacional – reduzindo as margens de lucro no refino e compensando na exploração. Assim, no agregado, a empresa permanece lucrativa.

A justificativa de alienação dos ativos da Petrobras amparada na falácia que ela está muito “endividada” também não encontra razão econômica. A Petrobras tem uma dívida elevada como qualquer empresa petrolífera. Nenhuma grande empresa financia ousadas investidas – como foi para descobrir o Pré-Sal – usando capital próprio. O que se deve atentar na análise da dívida não é o seu valor nominal, mas sim a sua capacidade de solvência. O endividamento da Petrobras cresce concomitantemente ao crescimento das reservas petrolíferas, ou seja, a sua renda, o que não constitui problemas de insolvência. Além disso, os investimentos feitos no Pré-sal têm maturação média de 10 anos. Ou seja, apenas a partir de 2020 começará, de forma mais célere, a geração de receita para amortecimento da dívida. Até aí tudo absolutamente normal para quem entende do setor.

Além disso, ao vender o controle das refinarias a Petrobras vai amortecer seu endividamento apenas do ponto de vista ilusório, no curto prazo. No longo prazo, porém, ela perde o direito ao recebimento da renda futura dessa atividade. Segundo o INEEP, apenas duas das refinarias que estão na lista, a Rlam e a Rnest, geraram mais de R$ 5 bilhões de receita operacional á Petrobras, o que significa que ela teve mais capacidade de gerar lucro ao seu acionista majoritário, que é o Estado. 

Por fim, ainda do ponto de vista econômico, a justificativa de abrir o mercado para gerar concorrência e com isso pressionar a redução do preço ao consumidor é outro atentado a inteligência. Isso porque não existe concorrência nesse mercado. Vamos substituir um monopólio público por um monopólio privado. Você não vai trocar de estado da federação para abastecer seu carro porque o preço do posto que recebe gasolina da refinaria privada está mais caro. Ou seja, estamos na iminência de formar monopólios regionais.

A justificativa para esse crime de lesa pátria encontra respaldo na mesma lógica que sustentou, sorrateiramente, a Operação Lava Jato. A ideia de que mais Estado significa mais corrupção e distorção de preços. É mais um passo do Golpe que está vocacionado para solapar a soberania econômica, política e energética nacional. - (Aqui).

(Juliane Furno é mestre e doutora em desenvolvimento econômico na Unicamp, Assessora Parlamentar na Câmara Federal e militante do Levante Popular da Juventude).

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A opinião do ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa Celso Amorim:  “Como cidadão brasileiro, e tive a oportunidade de me ocupar de temas diretamente ligados à defesa da soberania nacional, só posso lamentar uma decisão que debilita nossa capacidade de garantir energia, sob várias formas, ao povo brasileiro. Sem energia, não há produção; sem produção, não há emprego; e sem emprego não há renda sustentável. E vamos ser claros: na maioria dos casos – e este não será exceção – privatização é uma palavra mais palatável para encobrir desnacionalização. É disso que se trata: entregar atividades fundamentais à segurança e bem estar do povo a interesses estrangeiros. (...).”  - Aqui.

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O governo federal, muito pelo contrário, agradeceu ao STF pelo fato de haver dispensado a exigência de prévio aval do Congresso relativamente à alienação do patrimônio nacional, ao menos no que respeita às subsidiárias. "O Congresso é complicado, além de demorar muito a decidir!".

Nosso comentário, em post já citado (Aqui): "Subsidiárias (ou recém-batizadas 'subsidiárias') da Petrobras serão as primeiras a entrar na fogueira da privatização. Qual a receita? ('Receita' nos dois sentidos: fórmula a aplicar; ganhos a auferir - quem ganha?). Banco do Brasil poderá ser o próximo: vão-se as subsidiárias (até a BB - Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários!), ficará a carcaça da 'ex-estratégica empresa'. O País precisa entregar suas estatais (ou as partes lucrativas delas) para auferir dinheiro visando ao custeio de suas atividades - se possível sem depender do aval do Parlamento, entende?!"

RESUMO DO ANO

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HAICAI 2020

Lane.
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COVID-19:
ALGOZ
DE TODOS NÓS

TRAGIC CARTOON


O Pós Desdém 


RJ Matson. (EUA).

POR QUE COMEMOS PIPOCA NO CINEMA?

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Da Série Saudade da Magia do Cinema

"A questão é que a experiência de assistir a um filme reforça as condições infantis anteriores à fase do Espelho: como uma criança, estamos em estado de submotricidade, sentados e parados em uma poltrona, em uma sala totalmente escura e isolada de qualquer interferência externa da realidade, presos ao imaginário e ao prazer parcial – o de olhar."


Por Wilson Ferreira  

Por que o impulso de comer pipoca no cinema? Ou em casa, assistindo a um filme em uma plataforma de streaming com um balde de pipoca ao lado? Por que a experiência do cinema é acompanhada pela pipoca? A história social da pipoca e a psicanálise do cinema nos ajudam a entender que essa conexão não é assim tão natural como imaginamos. No início, os cinemas resistiram à ideia de comer pipoca dentro da sala de projeção, enquanto espectadores escondiam os saquinhos nos bolsos. Desde as origens da sociedade do espetáculo (circos e feiras no século XIX) a pipoca tornou-se sinônimo de entretenimento. O impulso voyeurista de olhar para o que é exibido acompanhado pelo prazer oral da pipoca é um fenômeno psíquico que tem a ver com a própria lógica mercadológica da sociedade de consumo. A psicanálise do cinema pode ajudar a entender por que essa dupla cinema/pipoca funciona tão bem. 

 

Há algo no cinema que atrai as pessoas, além dos blockbusters com elencos estelares e produções milionárias: o cheiro tentador de sal, manteiga e pipoca. Pipoca no cinema se tornou um item básico. Mesmo nesse período de pandemia no qual os cinemas estão fechados, tentamos emular em casa a experiência de uma sala de cinema assistindo aos filmes nas plataformas de streaming ao lado de um balde de pipocas de micro-ondas. Por Wilson Ferreira

Talvez o leitor nunca tenha se perguntado: por que comemos pipoca no cinema? Qual a origem dessa combinação perfeita que parece ser tão natural quanto o conhecido “romeu e julieta”, queijo com goiabada?

Uma história social dessa simbiose pipoca/cinema pode ser reveladora tanto das origens do prazer da experiência do cinema quanto da natureza dos prazeres engendrados pela própria sociedade de consumo do pós-guerra.

Apesar da óbvia conexão da pipoca com a experiência lúdica de assistir a um filme, se olharmos na História isso não foi sempre assim. Na verdade, as salas de cinema resistiram à ideia de comercialização não só de pipoca, mas também de doces, refrigerantes ou qualquer tipo de salgadinho.

Isso pode ser encontrado no livro “Popped Culture: A Social History of Popcorn” (Smithsonian Institution, 2001), de Andrew Smith. Já na segunda metade do século XIX a pipoca literalmente já havia explodido em cena nos EUA – especialmente nos locais de entretenimento como circos e feiras.

Uma das razões da popularidade crescente da pipoca foi sua mobilidade: em 1885, Charles Cretor inventa a primeira máquina móvel de pipoca a vapor para comercializar o produto nas ruas. Uma máquina de produção perfeita para qualquer evento de entretenimento ao ar livre. E mais uma vantagem: a pipoca podia ser produzida em massa sem cozinha, ao contrário da bata frita – feitas em pequenos lotes para ser vendida nas ruas, não era a ideal para lanches em massa.

Segundo Smith, a nascente indústria cinematográfica das primeiras décadas do século XX queria distância dos saquinhos de pipoca. As salas de exibição queriam imitar as distintas salas de teatro: tinham decoração suntuosa, camarotes e belos e caros tapetes – não queriam ver neles pipoca triturada a saquinhos amassados e pisoteados.

Cinema para as classes médias

Era o esforço das salas de exibição se tornarem respeitáveis para as classes médias e se afastar das imagens dos velhos “nickelodeons” do primeiro cinema – antigas salas de cinema nas quais eram servidas bebidas alcoólicas e comidas, enquanto todos acompanhavam os filmes conversando ruidosamente. Agora, tentava-se emular a experiência do cinema a algo como assistir a uma noite na ópera.

Bem diferente dos nickelodeons, as novas salas de exibição eram escuras, com filas de confortáveis poltronas e com todos em respeitável silêncio. Nada a ver com o som perturbador dos saquinhos de pipoca e o barulho de salgadinhos sendo mastigados enquanto migalhas emporcalhavam os caros tapetes vermelhos.



O novo cinema era mais elitizado: os filmes agora exigiam um público alfabetizado para ler as legendas que iam os elementos narrativos dos filmes. Mas quando os filmes acrescentaram o som em 1927, a indústria do cinema abriu-se para um público mais amplo. Sem a necessidade da leitura de legendas, em 1930 a frequência aos cinemas havia chegado a 90 milhões por semana. 

A chegada do som favorecia a entrada da pipoca nas salas: os filmes sonorizados agora poderiam abafar o barulho dos saquinhos. Mas ainda os proprietários hesitavam em trazer lanches para dentro dos cinemas.

A Grande Depressão apresentou uma excelente oportunidade tanto para o cinema quanto para a pipoca: o cinema passou a ser a diversão mais barata enquanto a pipoca era um luxo que, mesmo na crise, qualquer um ainda podia pagar. Vendedores ambulantes ficavam nas portas dos cinemas com suas máquinas a vapor, enquanto muitos espectadores tentavam entrar clandestinamente com saquinhos do produto escondidos nos bolsos dos casacos.

Com a crise econômico se estendendo, logo os proprietários dos cinemas viram na venda de pipoca nos lobbies das salas uma grande oportunidade de lucros. Em 1945, pipoca e cinema já estavam inextricavelmente ligados: mais da metade da pipoca vendida nos EUA era consumida dentro dos cinemas.



Porém, com a chegada da televisão as vendas de pipocas despencaram: as pessoas simplesmente não iam mais ao cinema. Além disso, havia a dificuldade de preparar pipoca em casa. Ate chegar a EZ Pop, fabricante do produto já com todos os ingredientes (sal, manteiga etc.) que imitava o aroma imortalizado pelas salas de cinema. Bastava aproximar-se de uma fonte de calor e a pipoca estourava. 

E com a chegada do micro-ondas, ficou ainda mais fácil emular em casa a experiência de uma sala de cinema, diante do tubo de imagem iluminando a sala de estar. 

A psicanálise da pipoca no cinema

Até aqui, essa história social nos fornece apenas os motivos socioeconômicos da ligação da pipoca com o cinema. Como vimos, clandestinamente espectadores tentavam entrar com sacos de pipocas nas salas de exibição. Muito tempo antes, o ato de comer pipoca acompanhando eventos esportivos ou circenses já existiam, até encontrar na sala escura do cinema o local mais fértil para a sua disseminação.

Estão nos circos e feiras do século XIX as raízes daquilo que no século XX se chamaria de sociedade do espetáculo e sociedade de consumo – a lógica do show e do espetáculo como chamarizes para a venda de produtos e serviços. A própria sociedade como uma gigantesca feira universal onde tudo está à venda e o espetáculo é a isca para atrair o desejo.

O bom espetáculo é aquele que nos deixa de boca aberta, em estado de suspensão. Essa é a lógica, desde a exposição das aberrações em feiras de variedade e domadores arriscando a vida metendo a cabeça na boca de leões. Até chegarmos ao cinema e audiovisual, a forma mais tecnologicamente aprimorada do espetáculo.

Podemos afirmar que os fundamentos psíquicos da sociedade do espetáculo estão numa espécie de voyeurismo, de um prazer escópico (Nota deste Blog: escópico = 'o ato de olhar') em olhar – algo é pensado, planejado e construído para surpreender dentro de uma ambiguidade fundamental entre o ver e o ser: eu olho para o espetáculo, mas não ele para mim. O espetáculo é exibicionista, mas ao mesmo tempo nega sê-lo: finge que não sabe que eu estou olhando, mas o tempo inteiro está consciente disso.  Essa denegação fundamental é a base psíquica para o prazer voyeurista. O prazer do voyeur é saber que o objeto não sabe que está sendo observado. Mas no caso do espetáculo, o exibicionismo é denegado para que a suspensão da incredulidade gere o prazer escópico.

Esse é o princípio daquilo que se chama psicanálise do cinema, cujos principais precursores são os franceses Christian Metz e Jean-Louis Baudry.  Ambos os autores encontram uma similaridade entre a fase do Espelho de Lacan (a constituição do ego através da unificação imaginária do próprio corpo na imagem do seu semelhante ou na própria imagem especular no espelho) com o dispositivo do cinema – a “tela-espelho” como fala Baudry – leia METZ, Christian, O Significante Imaginário: Psicanálise e Cinema, Lisboa: Livros Horizonte, 1980 e XAVIER, Ismail (org), A Experiência do Cinema, R. de Janeiro: Paz e Terra, 2018.



Porém, ambos concordam que o cinema é um estranho espelho: não nos reconhecemos nele, mas nos identificamos principalmente com a câmera, com a ilusão do realismo cinematográfico de continuidade das imagens. Nos identificamos com o nosso próprio olhar como um espectador “omnipercepcionante”, ubíquo. Um espelho que junta não os nossos fragmentos está formando uma imagem unificada de nós mesmos (como na fase do Espelho), mas juntamos os planos de câmera e a narrativa. Denegando a edição e a montagem.

A questão é que a experiência de assistir a um filme reforça as condições infantis anteriores à fase do Espelho: como uma criança, estamos em estado de submotricidade, sentados e parados em uma poltrona, em uma sala totalmente escura e isolada de qualquer interferência externa da realidade, presos ao imaginário e ao prazer parcial – o de olhar.

  O nosso olhar confundindo-se com a da própria câmera e as condições de submotricidade e imersão na sala escura criam condições para uma identificação regressiva, primária, marcada por um processo de incorporação. Como se repetisse a primeira relação com a mãe marcada pela indiferenciação entre ego e alter ego no estágio oral de prazer parcial.

E a boca aberta quando assistimos ao filme em estado de suspensão da incredulidade seria o principal sintoma dessa condição psíquica. Tal como o bebê à espera do alimento, impotente e dependente, numa relação imaginária parcial: a boca, a fase oral.

Mas tudo isso somente é possível com aquela denegação do exibicionismo que finge não saber que está sendo olhado. É o que permite a incorporação, imersão e situação de dependência infantil oral ao espetáculo.

Da próxima vez que o leitor for ao cinema, observe por alguns segundos quantas pessoas olham para a tela com suas bocas abertas. E a pipoca, o principal produto que preenche essa lacuna: o desejo de ser incorporado pela “tela-mãe-espelho”, simbolicamente representado pela pipoca que incorporamos em nosso organismo pela boca.

Por decorrência, a própria sociedade de consumo partilha dessa mesma lógica – o apelo à oralidade no consumismo. O impulso do prazer oral (gratificação imediata, irresponsabilidade feliz, excesso de conveniência etc.) é tão forte no nosso psiquismo que mesmo ao desejar produtos que não são comestíveis em vitrines ou stands de venda, a reação orgânica é a liberação de ácido clorídrico no estômago como se o corpo se preparasse para receber um alimento. Isso acaba produzindo fome, o que passa a ser a isca para a compra por impulso de qualquer coisa. Daí as bocas abertas das pessoas diante do objeto do desejo de consumo nas vitrines dos shoppings.

Diante das nossas Smart TVs assistindo às plataformas de streaming, embora não tenhamos as mesmas condições imersivas das salas de cinema, atavicamente repetimos essa relação de identificação primária. Agora diante das telas 4k. Pegamos um balde de pipocas de micro-ondas e replicamos no recôndito do lar a lógica geral da sociedade do espetáculo.  -  (Fonte: Cinegnose - Aqui).

 

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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

O VÍRUS, AS MÁSCARAS E O TEMPO DE INCERTEZAS

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A COVID-19 E O FUTURO

                                  (Madame Zorga lê o seu futuro)

Randall Enos, (EUA).

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

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(02.10)


.Soundtrackers No Estúdio Showlivre 2012 ..... Aqui.


.Bemvindo Sequeira - Prendam-me, não mudo Aqui.

.DCM - Live das 5 - O Fator Kassio Nunes ........ Aqui.

.Reinaldo Azevedo - O É Da Coisa .................... Aqui.

.Boa Noite 247 - Lula Inocentado ...................... Aqui.

.Luis Nassif - Guedes Está Sobrando ................. Aqui.

.O Essencial - Sobre Covid-19, Trump etc. ........ Aqui.

.Paulo A Castro:
Palestras De Lula Foram Legais .......................... Aqui.
Malafaia versus Bolsonaro .................................. Aqui.

COVID-19 CHEGA A TRUMP

Covid-19 Infectou Trump

(Dr. Fauci: "Eu Não Vou Dizer O Que Você Espera Que Eu Diga...")

Dave Granlund. (EUA).

DUAS DE HOJE

- I - 

Donald e Melania Trump testam positivo para covid-19

Trump escreveu na madrugada desta sexta-feira em seu Twitter que havia testado positivo para Covid-19. Na véspera ele tinha anunciado que ficaria de quarentena após uma de suas principais assessoras, Hope Hicks, testar positivo para o coronavírus.  /  Bolsas globais caem; Trump suspende campanha; Biden segue em frente. Leitores do Brasil 247 ironizam. (CNN: Trump foi levado para Hospital Militar).

Sputnik/241: 
"Hoje à noite, Melanie e eu testamos positivo para Covid-19. Começaremos imediatamente nossa quarentena e o processo de recuperação. Passaremos por isso juntos!"

O anúncio foi feito logo após o presidente afirmar que eles ficariam isolados até obter os resultados dos testes de Covid-19, depois de Hope Hicks testar positivo para Covid-19.

"Ela [Hope Hicks] trabalha muito. Muitas máscaras, usa muito as máscaras, mas deu positivo no teste", disse o presidente. "Então eu acabei de fazer um teste. Vamos ver... Você sabe, porque passamos muito tempo juntos... A primeira-dama acabou de fazer um teste também", acrescentou o presidente.

"Hope Hicks, que tem trabalhado duro sem fazer uma pequena pausa, acaba de testar positivo para Covid-19. Terrível! A primeira-dama e eu estamos esperando pelos resultados de nossos testes. Enquanto isso, vamos iniciar um processo de quarentena!"

Anteriormente, a Casa Branca comunicou que Trump "leva muito a sério sua saúde e segurança, bem como a de todos que trabalham em seu apoio e da população norte-americana".

O republicano se encontra em plena campanha para tentar a reeleição e tem vários compromissos oficiais marcados para os próximos dias. As eleições norte-americanas estão marcadas para 6 de novembro.

"Hoje à noite, Melanie e eu testamos positivos para Covid-19. Começaremos imediatamente nossa quarentena e o processo de recuperação. Passaremos por isso juntos!"  -  (Aqui).

- II -

Colunista da Folha propõe "vender Amazônia aos gringos"

Hélio Schwartsman compra a tese de que os brasileiros são incapazes de proteger a floresta e sugere que Bolsonaro a venda "por uma bolada de dinheiro"


No 247:  O colunista Hélio Schwartsman, da Folha de S. Paulo, lançou, nesta sexta-feira uma ideia estapafúrdia: a de que o Brasil venda a floresta amazônica para os gringos. "Ao contrário do presidente Bolsonaro, acho que seria uma boa ideia vender a Amazônia para os gringos", diz ele em sua coluna.

"Vamos supor que alguma nação rica, ou, melhor ainda, um consórcio internacional, ofereça uma enorme bolada pelo território. Vamos supor ainda que a população amazônida teria assegurada uma enxurrada de investimentos em programas de desenvolvimento sustentável, além de direito ao passaporte do país adquirente. Imaginemos, por fim, que o comprador se comprometeria a preservar integralmente a mata e a biodiversidade local", prossegue em seu raciocínio. "Sob essas condições, por que não vender a Amazônia?", questiona.

"Parece bem melhor do que aquilo que o governo está trazendo hoje à região, que são destruição ambiental, riscos sociais e sanitários para as populações mais vulneráveis e má fama internacional", afirma.  -  (Aqui).

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De onde se conclui que, partindo do sufoco generalizado, cogita-se chegar ao entreguismo salvacionista!

ECOS DE QUINO E MAFALDA (II)


Kleber.

SOBRE A PRESSÃO CONTRA O PADRE JULIO LANCELOTTI

Janete.
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.DCM Ao Meio Dia - Kiko Nogueira:
Moro insinua que Bolsonaro é corrupto e apaga tuíte .......... Aqui.

ECOS DE QUINO E MAFALDA


"BYE TEACHER!" .



Angel Boligan. (México).

STF AUTORIZA VENDA DE REFINARIAS DA PETROBRAS SEM AVAL DO CONGRESSO

Subsidiárias (ou recém-batizadas 'subsidiárias') da Petrobras serão as primeiras a entrar na fogueira da privatização. Qual a receita? ('Receita' nos dois sentidos: fórmula a aplicar; ganhos a auferir - quem ganha?). Banco do Brasil poderá ser o próximo: vão-se as subsidiárias (até a BB - Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários!), ficará a carcaça da 'ex-estratégica empresa'. O País precisa entregar suas estatais (ou as partes lucrativas delas) para auferir dinheiro visando ao custeio de suas atividades - se possível sem depender do aval do Parlamento, entende?! 


Jornal GGN: O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou, por seis votos a quatro, nesta quinta-feira, 1 de outubro, que a Petrobras venda suas refinarias sem a autorização do Congresso Nacional. 

A decisão é uma vitória para o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e apoia o plano de vendas da Petrobras, que pretende vender oito de suas refinarias, mais da metade de seu parque de refino, atualmente com 13 unidades.

De acordo com a Folha de S. Paulo, o Legislativo acusou a gestão de Bolsonaro de desmembrar a empresa estatal matriz para vender subsidiárias, que não dependem de aval do parlamento para serem privatizadas.

Os ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Luiz Fux discordaram  da acusação do Congresso. 

Já o relator, Edson Fachin, e os ministros Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Rosa Weber votaram contra a liberação de vendas sem aprovação dos parlamentares. 

No entanto, a decisão de hoje é cautelar e a Corte ainda terá que decidir sobre o tema definitivamente.  -  (Aqui).

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

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(01.10)


.Jim Tomlinson E Stacey Kent:
What Are You Doing The Rest Of Your Life ....... Aqui.

.Renato E Seus Blue Caps - Memórias .......... Aqui.


.Bemvindo Sequeira - Comentário Bemvindo  Aqui.
.Bemvindo S. - 7,5 Mi Para ONG Da Michelle   Aqui.
(Sobre os 7,5 mi, clique Aqui).

.Os Infiltrados - Attuch / Kiko Nogueira . Aqui.

.DCM TV - História Repetida Como Farsa ........ Aqui.

.Reinaldo Azevedo - O É Da Coisa ................... Aqui.

.Boa Noite 247 - Guedes Espalha O Caos ......... Aqui.

.Luis Nassif - STF Ordena A Privatização Total Aqui.

QUERIDA MAFALDA (OU A LUTA CONTINUA!!)

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Partiu Quino


Pelicano.
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.Bom Dia 247 (01.10) - Attuch / Dafne / Cynara / Solnik / PML:
A LUTA CONTINUA! ........................................................ Aqui.

QUERIDA MAFALDA!

HENFIL DA GRAÚNA


Jefferson.

QUERIDA MAFALDA!

Mafalda nasceu em 1964 e iniciou sua trajetória para a eternidade. O revolucionário semanário carioca O Pasquim nasceu em junho de 1969 e morreu em 1991. Desde sempre a Mafalda marcou presença entre aqueles cartuns geniais, e foi lendo O Pasquim que, adolescentes, aprendemos a compartilhar suas reflexões. 

Em todos os finais de ano a Mafalda comparece neste Blog. Quino inspirou a filha a assim refletir:


Hoje, extemporaneamente, reproduzimos o notável cartum. É a forma que este Blog elegeu para 'consolar' e homenagear a imortal Mafalda!

QUERIDA MAFALDA!

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Mafalda E O Indicador


Quino.

QUERIDA MAFALDA!

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Da Série Mafalda E Suas Perguntas Embaraçosas


Quino.

MORRE QUINO, CRIADOR DA MAFALDA E O MAIS INTERNACIONAL CARTUNISTA DA LÍNGUA ESPANHOLA

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Uma querida amiga: "Quino PRESENTE!"
Eu: "É, amiga, partiu Quino. Graças a Deus sua filha é eterna!"

                   
(Bairro San Telmo, Buenos Aires)

Por Alex Grijelmo

Morreu o cartunista mais internacional e mais traduzido da língua espanhola, e talvez também o mais cativante: Joaquín Salvador Lavado, o Quino. Ele nasceu em 17 de julho de 1932 em Mendoza (Argentina), e tinha 88 anos. Residia na mesma cidade, cuidado por seus sobrinhos desde que se mudou para lá em novembro de 2017, após a morte de sua esposa, Alicia Colombo. O nome de Quino ficará para sempre associado à mais famosa das suas personagens: Mafalda, garota sábia e respondona.

Os pais de Joaquín Lavado eram espanhóis de Fuengirola (Málaga) e emigraram para a Argentina na década de 1930. A família pobre vivia em um círculo muito fechado, a tal ponto que o menino Quino falava em andaluz até os primeiros seis anos. 


A morte de seu pai o surpreendeu com apenas 14 anos, e ele temperou essa ausência com as aparições fantasmagóricas que ele acreditava ver de vez em quando. Mesmo depois de se casar com Alicia, o pai ainda aparecia para ele, fumando (“ele ainda ignorava que fumar não faz bem”), e olhava com orgulho para o cartunista porque o menino não tinha se saído tão mal. Quino costumava lembrar dessas visões: “Eram aparências muito agradáveis.”


Tacho. 

Joaquín Salvador Lavado sempre quis ser cartunista. Decidiu ainda criança, aos três anos, quando um tio, designer gráfico, começou a fazer desenhos para entreter ele e seus irmãos. Quino ficou surpreso com todas as coisas que poderiam sair de um lápis. Mais tarde, ele estudaria Belas Artes na Universidade de Cuyo, maior centro de educação superior da província de Mendoza. Não terminou o curso, mas conseguiu assimilar os conceitos básicos de desenho e proporções.


Nascimento da Mafalda


Um primeiro emprego como desenhista publicitário levou-o a criar Mafalda em 1962 graças a máquinas de lavar e frigoríficos. Quino foi encarregado de de um anúncio que consistia na produção de histórias em quadrinhos para jornais que retratassem a vida de uma família usando eletrodomésticos Mandsfield. E dessa sequência fonética surgiu o nome Mafalda.

Os jornais rejeitaram essa publicidade, por se confundir com seu próprio conteúdo, e os personagens criados por Quino ficaram na gaveta. Porém, ele recuperou a história em 1964, não mais comercialmente; e assim a tirinha de maior sucesso em língua espanhola apareceu pela primeira vez no jornal portenho Primera Plana, antes de conquistar os jornais de todo o mundo. Mais tarde, os livros dos personagens venderiam milhões de cópias e seriam traduzidos para o francês, inglês, japonês, chinês..., em mais de 30 idiomas.

Mafalda também foi ao cinema, com um longa-metragem de 75 minutos realizado na Argentina. Mas Quino não ficou satisfeito, pois ao sair da estreia ouviu alguns dizerem: “Mas essa voz não é da Mafalda!” Então, ele transferiu a história para o cinema mudo. As experiências seguintes, lideradas pelo grande Juan Padrón, especialista cubano em animação, deixaram de ter diálogos. Eram novas piadas baseadas nas próprias cenas. Desta forma, Mafalda ofereceu ao público a voz que todos teriam imaginado.

Dessa turma (Manolito, Susanita, Libertad, Guille ...), Quino sempre teve seu filho preferido, o ingênuo idealista Felipe, ao longo de sua vida.

Em 1973, nove anos e 1.928 tiras após a sua criação, Quino decidiu que não desenharia mais a Mafalda, exausto pela própria personagem e pela tirania da entrega diária ao jornal. E então começou uma criação ainda mais ambiciosa, com desenhos meticulosos, detalhados e igualmente brilhantes, que muitas vezes mostravam a opressão dos poderosos e o olhar inteligente dos oprimidos. O EL PAÍS SEMANAL publicou esses desenhos na década de 1990.

Em uma delas você pode ver uma senhora oferecendo café aos convidados enquanto uma menina brinca entre eles. E a anfitriã esclarece: “Ela é filha de gente humilde por aqui. E compramos as roupas e os brinquedos para ela porque a amamos como se fosse da família”. As roupas que a menina usa: o uniforme de empregada com boné, e em volta dela os “brinquedos”, também no tamanho certo para sua idade: uma vassoura, um ferro de engomar, um espanador e um esfregão.


Seus livros continuaram a ser vendidos às centenas de milhares, mas competindo na memória coletiva com os de Mafalda e com os milhares de chaveiros, cadernos, adesivos, emblemas e toalhas que reproduzem a sua imagem; e com o carinho que a personagem desencadeou em milhões de pessoas.  -  (Carta Maior - Aqui).


*Publicado originalmente em 'El País'

(Nota: 
Duas das fotos acima e o desenho final são do arquivo deste Blog).

SINAIS, FORTES SINAIS

Da Recuperação Da Economia    

Edu.
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Entreouvido (Desconjuntado) Nos Bastidores

"Um bom programa de distribuição de renda contribui para elevar o
consumo das famílias, o que eleva o faturamento das empresas, que
passam a recolher mais impostos, dando ensejo a que 
o Estado realize novos investimentos, alavancando o sistema econômico.
De onde se conclui que o tal teto de gastos é um baita equívoco!".

"Não seja ingênuo, meu rapaz. O teto de gastos visa a assegurar o serviço
da dívida pública, que compromete 50% do orçamento público anual! Os
credores só querem saber de receber seus ganhos, o resto é irrelevante!
Quanto aos investimentos públicos, se fracassarem, paciência. Tem
até um lado bom: a falta de dinheiro pode ser o pretexto para a venda de estatais na bacia das almas!"

CARTUM (DES)AMBIENTAL

A MODERNIDADE EM MARCHA!


Genildo.