segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
O JULGAMENTO DE TACLA DURÁN
Na abertura do post "Da Série a Indústria da Delação Premiada (Parte 13): O Caso Durán" (aqui), de 01.12, destacamos o fato de que o advogado Tacla Durán 'fugiu' para a Espanha (ele goza de dupla cidadania) por discordar de condições que lhe estariam sendo impostas pela justiça brasileira para aceitar colaboração premiada. E em seguida registramos:
"... Disposta a proceder ao julgamento do 'foragido' em seu âmbito, até hoje a Justiça espanhola está a aguardar o envio, pela Justiça brasileira, das peças processuais solicitadas. Qual(ais) a(s) razão(ões) para a demora?".
Eis que nesta data, no Jornal GGN, post "Assista: Moro quer ter jurisdição sobre a Espanha", o jornalista Joaquim de Carvalho apresenta em vídeo (disque AQUI para ver) uma razão para a tal demora.
Ao que os implacáveis leitores do GGN mandam ver!
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Em tempo: Clique AQUI para ver, no Youtube:
"Bomba: as pistas dadas por Tacla Durán; Lei Cancellier e o comportamento dos meganhas", em que Wellington Calasans e Romulus Maya apresentam o Programa Expresso da Manhã.
Não deixe de ver.
Marcadores:
Lava Jato,
Tacla Durán. Caso Durán. Vídeo.
ITÁLIA LANÇA PROGRAMA SOCIAL INSPIRADO NO BOLSA FAMÍLIA
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Ao beneficiar os desassistidos, o Bolsa Família, além de buscar a justiça social, favorece a economia e as políticas públicas, na medida em que contribui para a elevação do consumo (conforme se viu e se vê em pequenos municípios nordestinos, por exemplo) e beneficia a saúde das pessoas (alimentos, vacinação infantil) e a educação de crianças. A Itália segue o rumo certo.
'Bolsa Família' da Itália acaba de entrar em vigor
Do Opera Mundi
Ao beneficiar os desassistidos, o Bolsa Família, além de buscar a justiça social, favorece a economia e as políticas públicas, na medida em que contribui para a elevação do consumo (conforme se viu e se vê em pequenos municípios nordestinos, por exemplo) e beneficia a saúde das pessoas (alimentos, vacinação infantil) e a educação de crianças. A Itália segue o rumo certo.
'Bolsa Família' da Itália acaba de entrar em vigor
Do Opera Mundi
A partir de 1º de dezembro, cerca de 490 mil famílias na Itália poderão solicitar a "renda de inclusão social" (ReI), projeto criado pelo governo do primeiro-ministro Paolo Gentiloni para combater a pobreza no país.
Em um primeiro momento, o benefício pagará até 485 euros por mês (R$ 1,86 mil, segundo a cotação atual) a núcleos familiares com menores de idade, deficientes, mulheres grávidas a quatro meses do parto e maiores de 55 anos desempregados. A quantia será definida de acordo com o número de pessoas na família.
Para acessar a renda de inclusão, a família não poderá ter Indicador de Situação Econômica Equivalente (ISEE) superior a 6 mil euros e patrimônio imobiliário maior do que 20 mil euros, excluindo a primeira casa. O ISEE é um instrumento criado para avaliar a condição de vida dos italianos, levando em conta renda, bens e características do núcleo familiar.
O benefício será concedido por um período máximo de 18 meses, mas poderá ser renovado por mais 12 depois de meio ano. Em contrapartida, a família deverá participar de um projeto personalizado de reinserção no mercado de trabalho.
Também poderão pedir a renda de inclusão cidadãos da União Europeia e extracomunitários com permissão de estadia de longo prazo, desde que residam na Itália há pelo menos dois anos ininterruptos. - (AQUI).
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Programas sociais. Bolsa Família. Itália.
A INDÚSTRIA DA DELAÇÃO PREMIADA, PARTE 14
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Muitas abordagens - já disponibilizadas no Youtube - foram feitas sobre o depoimento do senhor Tacla Durán (AQUI) à CPMI da JBS. Uma delas, por exemplo, traz comentários de um de seus relatores, o deputado Wadih Damous, e do jornalista Miguel do Rosário, do blog O Cafezinho (aqui). No citado vídeo, o relator Damous dá conta de estar preparando pormenorizada análise de trechos marcantes do depoimento de Durán. Convém lembrar que o que se tem, até o momento, são acusações graves, porém não contestadas/questionadas pela parte oposta. É justamente isso o que se espera: nenhuma instância poderia comportar-se de modo indiferente diante de conteúdo tão grave.
Ao post.
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Dentro da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, os principais documentos que consubstanciam as denúncias do advogado Tacla Durán contra a indústria da delação premiada. Outras matérias da série podem ser vistas aqui.
Lava Jato simulou acordo com Tacla Durán usando conta inativa de paraíso fiscal
Por Luis Nassif
E, aí, entra a esperteza. Os valores deveriam sair da conta de Tacla em Andorra. Ocorre que os procuradores já sabiam que essa conta estava zerada.
A defesa da Lava Jato tem sido a de minimizar a denúncia. Não dá mais. Nem a própria imprensa tradicional está conseguindo conter a ansiedade de colunistas e repórteres.
Muitas abordagens - já disponibilizadas no Youtube - foram feitas sobre o depoimento do senhor Tacla Durán (AQUI) à CPMI da JBS. Uma delas, por exemplo, traz comentários de um de seus relatores, o deputado Wadih Damous, e do jornalista Miguel do Rosário, do blog O Cafezinho (aqui). No citado vídeo, o relator Damous dá conta de estar preparando pormenorizada análise de trechos marcantes do depoimento de Durán. Convém lembrar que o que se tem, até o momento, são acusações graves, porém não contestadas/questionadas pela parte oposta. É justamente isso o que se espera: nenhuma instância poderia comportar-se de modo indiferente diante de conteúdo tão grave.
Ao post.
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Dentro da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, os principais documentos que consubstanciam as denúncias do advogado Tacla Durán contra a indústria da delação premiada. Outras matérias da série podem ser vistas aqui.
Lava Jato simulou acordo com Tacla Durán usando conta inativa de paraíso fiscal
Por Luis Nassif
As acusações do advogado Tacla Durán contra a Lava Jato se fundamentam em três documentos
O primeiro, no print das telas do celular, com a suposta conversa com o advogado Carlos Zucolotto Junior, melhor amigo de Sérgio Moro e sócio de Rosângela Moro em escritório de advocacia.
Na proposta original de delação, Tacla recebeu uma condenação de US$ 15 milhões, além das penalidades criminais.
A conversa com Zucolotto foi por Wickr, um aplicativo que deleta as mensagens depois de cinco minutos. Tacla teria fotografado as mensagens antes de sumirem.
Na conversa auditada, Zucolotto sugere uma contraproposta, diminuindo para um terço o valor da multa, mediante o pagamento de US$ 5 milhões “por fora”, “Porque tenho que resolver o pessoal que vai ajudar nisso”. Menciona um encontro com uma pessoa “para melhorar isso com o DD”. O único DD da Lava Jato é o procurador Deltan Dallagnol, chefe da equipe do Ministério Público Federal.
As conversas teriam ocorrido no dia 24 e 25 de maio.
Apenas dois dias depois, em 27 de maio, o advogado de Tacla recebe um e-mail do procurador Roberson Henrique Pozzobon, com cópia para seu colega Carlos Fernando dos Santos Lima.
No assunto, “Termos de proposta de acordo – Prazo de validade”.
No texto, Pozzobon diz que a minuta está fechada. “Fizemos ontem os ajustes finais com os colegas do GT (Grupo de Trabalho)de BSB”.
E avisa que a próxima reunião seria no dia 30 de maio.
Anexada, a minuta do acordo explicitando a esperteza que seria adotada para mudar os valores.
A minuta previa uma multa total de R$ 55.785.200,00. E dizia para quem seria o pagamento: 80% para a Petrobras e 20% para a União. O “colaborador” – como é tratado Tacla Duran no documento – “compromete-se a depositar em conta judicial no prazo de 30 dias após a homologação do acordo”.
E, aí, entra a esperteza. Os valores deveriam sair da conta de Tacla em Andorra. Ocorre que os procuradores já sabiam que essa conta estava zerada.
Diz a proposta de acordo: “Caso o COLABORADOR comprove que, no prazo de 30 dias da homologação do presente acordo não pode, por motivos alheios à sua vontade, internalizar e depositar em juízo o valor pactuado (...) o MPF buscará a internalização dos valores por via própria”. “Se as diligências (...) não permitirem a internalização dos valores em prazo razoável a ser estabelecido pelo MPF, o colaborador compromete-se, no prazo de 20 dias de sua notificação pelo MPF, efetuar o pagamento de multa no valor de R$ 13.827.000,00 (os US$ 5 milhões na cotação do dia)”.
Os procuradores e Zucolotto sabiam que não havia dinheiro na conta de Andorra e que na conta de Cingapura, declarada à Receita Federal, havia saldo suficiente para os pagamentos.
Tacla recusou o acordo, pelo fato de ter sido mantida a condenação penal. A conta de Cingapura foi bloqueada em seguida e o MPF nunca pediu o bloqueio da conta de Andorra, comprovando que sabia da falta de movimentação nela.
A defesa da Lava Jato tem sido a de minimizar a denúncia. Não dá mais. Nem a própria imprensa tradicional está conseguindo conter a ansiedade de colunistas e repórteres.
E, aí, a Lava Jato entra na chamada sinuca de bico. Em algum momento, terão que prestar contas e dar explicações plausíveis sobre o episódio. Se não fizerem, a dinâmica da suspeição se alastrará. Se prestarem, quebra-se a aura da intocabilidade. Em qualquer hipótese, Tacla conseguiu enfiar um punhal no fígado da delação premiada. - (Fonte: aqui).
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ADENDO
.Sugestão de leitura: "Mulher de Moro defende ex-sócio acusado de cobrar propina" - aqui.
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ADENDO
.Sugestão de leitura: "Mulher de Moro defende ex-sócio acusado de cobrar propina" - aqui.
domingo, 3 de dezembro de 2017
A MORTE DO REITOR CANCELLIER: ESQUECIMENTO, NÃO (PARTE VII)
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Em tempo: Nesta data, o jornal O Estado de São Paulo publicou matéria (reproduzida no UOL) sob o título "Suicídio de reitor da Universidade Federal de Santa Catarina põe PF sob suspeita" - AQUI.
Como disse o desembargador Lédio Andrade, também professor da UFSC: "Nem Kafka pensou que uma sucessão de arbitrariedades pudesse levar a algo tão brutal".
Para ler as postagens anteriores da série "A morte do reitor Cancellier: esquecimento, não", clique aqui e aqui.
Luiz Carlos Cancellier de Olivo (1957-2017)
Médica notifica suicídio do reitor Cancellier como acidente do trabalho, provocado por assédio moral insuportável
Por Raquel Wandelli
Em tempo: Nesta data, o jornal O Estado de São Paulo publicou matéria (reproduzida no UOL) sob o título "Suicídio de reitor da Universidade Federal de Santa Catarina põe PF sob suspeita" - AQUI.
Como disse o desembargador Lédio Andrade, também professor da UFSC: "Nem Kafka pensou que uma sucessão de arbitrariedades pudesse levar a algo tão brutal".
Para ler as postagens anteriores da série "A morte do reitor Cancellier: esquecimento, não", clique aqui e aqui.
Luiz Carlos Cancellier de Olivo (1957-2017)
Médica notifica suicídio do reitor Cancellier como acidente do trabalho, provocado por assédio moral insuportável
Completados hoje dois meses da tragédia que consternou o país, o Governo, a Polícia e a Justiça Federal continuam ignorando os notórios abusos e excessos de poder que levaram ao linchamento moral e à morte do reitor Luiz Carlos Cancellier, já amplamente configurados por renomados juristas. No entanto, uma atitude corajosa e mantida até agora no anonimato, pode mudar o curso dessa história de horror e impunidade. Enquanto as associações corporativistas dos juízes federais do Brasil e de Santa Catarina; dos procuradores da república e dos delegados da Polícia Federal emitia uma nota oficial isentando esses agentes de qualquer falha na condução da “Operação Ouvidos Moucos”, silenciosamente, uma médica do trabalho do Ambulatório de Saúde do Hospital Universitário notificou a morte de Cancellier ao Ministério da Saúde como fruto de assédio, humilhação e constrangimento moral relacionados ao trabalho. Com a notificação, o suicídio do reitor fica tipificado como acidente do trabalho e passar a constituir um importante instrumento para responsabilizar o Estado brasileiro pela sua morte.
Antes de se aposentar por tempo de contribuição, a médica do trabalho Edna Maria Niero, 55 anos, coordenadora da equipe do Ambulatório de Saúde do Trabalhador do H.U., cumpriu o que havia prometido a si mesma e aos colegas de profissão de todo o país no dia da morte de Cancellier. A profissional conta que só esperou um pouco para passar a forte comoção causada pela tragédia para poder fazer as investigações necessárias e levantar os dados pessoais do professor junto à Reitoria, ao setor do Pessoal da UFSC e ao prontuário médico. E no dia 24 de outubro, depois de preencher o minucioso formulário do Sistema Nacional de Agravos de Notificação com os seus dados e as condições do óbito, a médica atestou que o nexo causal da morte do reitor é relacionado ao trabalho: “Não tive nenhuma dúvida”, afirma ela. “Quando foi violentamente alijado do local onde atuava no auge da sua gestão, o reitor foi também arrancado de sua própria vida”. O abalo emocional que ele sofreu está incluído na lista de doenças de notificação compulsória do MS e integra agora as estatísticas epidemiológicas de morte do trabalhador.
A proibição de circular na universidade onde realizou a maior parte de sua trajetória de vida e a humilhação que sofreu levaram-no à decisão de acabar com o seu sofrimento, afirma Edna. Segundo ela, as circunstâncias da morte do reitor tiveram imediata repercussão entre os profissionais que integram a área da saúde do trabalhador, entre médicos, psicólogos, enfermeiros, psiquiatras, assistentes sociais, antropólogos etc. “Nós discutimos o caso amplamente em congressos, reuniões e fóruns virtuais da área. Para o conjunto de técnicos ficou claríssimo que se tratava de acidente do trabalho: um transtorno mental que levou ao óbito”. Quem atua nessa área compreende que na nossa sociedade o trabalho é a identidade da pessoa e se confunde com a sua própria vida, explica. “Tirar o trabalho de alguém é, portanto, tirar a sua vida. E nós sabemos que a universidade era a vida do reitor”, pontua a médica que, como Cancellier, fez toda sua formação e carreira profissional na UFSC, desde que saiu do município de Tubarão, no Sul de Santa Catarina, aos 16 anos. Graduada em Medicina em 1986, fez mestrado em Ergonomia e Doutorado em Engenharia de Produção na mesma universidade, buscando preencher o aspecto interdisciplinar da sua especialidade.
Embora conterrânea do professor Cancellier, Edna só o conheceu antes da sua eleição para reitor, quando foi chamada para contribuir com o processo de implantação de uma equipe de Saúde do Trabalhador. “O ambulatório de ST do Hospital Universitário foi criado por iniciativa e incentivo de sua gestão”, reconhece, lembrando que o reitor era entusiasta de projetos que fortalecessem o cuidado com as condições do ambiente do trabalho a fim de evitar casos de doenças psíquicas e emocionais ligadas ao estresse e à depressão. “Ele sempre nos dizia: trabalhem, mas preservem sua alegria. O trabalho não pode gerar sofrimento”, conta Maria de Lourdes Borges, secretária de Cultura e Artes da UFSC.
Com esse nexo, o suicídio do reitor entra para os dados epidemiológicos do Ministério da Saúde como morte provocada por abalo emocional resultante de assédio moral insuportável. Embora já fosse conhecida nos fóruns restritos ao campo da medicina do trabalho, a iniciativa da servidora manteve-se no anonimato até há pouco. Na véspera da realização da “Aula Pública Resistência ao Abuso de Poder e ao Fascismo”, realizada na Universidade Federal de Santa Catarina no dia 27 de novembro, tomei conhecimento da notificação através da assistente social do Fórum da Justiça da Trindade, Maris Tonon, integrante, como eu, do Coletivo Floripa Contra o Estado de Exceção. No dia seguinte, ao discursar em nome do Coletivo que promovia o evento, revelei a atitude da médica, que não estava na plateia, mas foi muito aplaudida pelo auditório lotado do Garapuvu, em Florianópolis. Assista ao vivo https://www.facebook.com/jornalistaslivres/videos/643048125819068/
Hoje, ao completar dois meses do falecimento de Cancellier, contatei Edna por telefone na cidade de Joinville, onde ministra um curso na área de saúde. Em uma longa conversa, a médica se disse feliz pelo acolhimento de sua iniciativa e desejou que ela se desdobre em outras ações capazes de restabelecer a justiça e a verdade para o professor. Lembrou que as consequências jurídicas ou penais da notificação competem a outras instâncias, mas a tipificação do óbito para que sejam tomadas providências no sentido de evitar novos casos são de sua atribuição. “Ainda que isso não devolva a vida do reitor, é meu dever fazê-lo”.
Como profissional da área, esclarece que agiu em nome da sua obrigação ética e profissional de trazer as causas do óbito à luz dos órgãos públicos responsáveis pela saúde do trabalhador. “São as estatísticas que monitoram as ações na área e geram intervenções capazes de prevenir outros acidentes de trabalho dessa natureza”, explica. Hoje, a cada dez trabalhadores atendidos pelo Sistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor na UFSC, sete apresentam sintomas de depressão ligados ao falecimento trágico do reitor, segundo informação também da assistente social Maris Tonon. Outros cinco casos de suicídio ocorreram na UFSC após o falecimento do reitor, mas não se pode afirmar que haja relação com a morte de Cancellier porque as circunstâncias e causas ainda estão sendo estudadas.
Responsável também pelos estudos e pelas pesquisas em torno dos danos à saúde do trabalhador catarinense provocados pelo Amianto, que determinaram a proibição do seu uso em Santa Catarina, a médica diz que não cabe a ela entrar no mérito da culpa. Revela, contudo, que ficou chocada com a manifestação das associações corporativistas de juízes e delegados ao defenderem a normalidade dos procedimentos abusivos da delegada e da juíza sem sequer citaram o suicídio como consequência da operação.
Uma fonte da reitoria, que prefere não se identificar, assegura que antes de tomar a decisão, Cancellier recebeu, por canais indiretos, informação do Ministério Público Federal de que seu retorno ao cargo de reitor não seria mais autorizado. Como professor de direito administrativo, nesse momento ele teria compreendido também que não havia condições morais de retornar ao exercício em sala de aula quando era acusado pela massa ignara de um desvio de verbas que sequer ocorrera na sua gestão. Cercado de todos os lados pela mídia, pela Polícia, pela Justiça Federal, o reitor não viu chances para provar sua inocência no pesadelo, digno de um romance de Kafka, em que fora enredado pelo corregedor da UFSC. Sem provar nada contra seus indiciados, sem retificar as informações distorcidas que inflamaram o ódio na opinião pública e midiática, sem pedir desculpas aos familiares pela perda traumática de um irmão e de um pai inocente, a “hollywoodiana” operação Ouvidos Moucos conseguiu apenas arrancar do reitor o único bem que ele tinha, além de um apartamento de classe média: seu trabalho e sua vida.
A notificação do suicídio do reitor como acidente do trabalho traz um instrumento jurídico fundamental para os processos futuros ou vigentes de responsabilização do Estado brasileiro por essa morte e pelos danos irreparáveis causados pela perda à família e à comunidade universitária. Exemplo disso, é a denúncia apresentada no dia 31 de outubro pela família ao Ministério da Justiça contra a delegada federal Érika Marena pedindo a sua responsabilização administrativa, cível e criminal pelos episódios de abuso de poder que levaram ao suicídio do reitor.
Aula Prática na USFC em 27.11 reúne mais de mil pessoas contra o Estado de Exceção
Entregue ao ministro Torquato Jardim, a denúncia também alega violação da lei do sigilo de operações policiais antes da sua conclusão, argumentando que ao convocar a mídia para cobrir a prisão, a delegada feriu o dever de proteção à imagem de um cidadão que não era sequer investigado ou citado no processo e jamais havia respondido a um processo administrativo em sua carreira. Conforme a carta-denúncia, a delegada descumpriu a própria determinação da juíza Janaína Cassol, que autorizou o pedido de prisão sob a condição de que a imagem da universidade e dos envolvidos fosse resguardada e que o sigilo da operação fosse mantido até a sua conclusão.
CIÊNCIA: A VISÃO DE MUNDO DE EINSTEIN E HAWKING
Albert Einstein e Stephen Hawking: duas visões anticapitalistas
Por Carlos Coimbra
Em maio de 1949, Albert Einstein escreveu um artigo intitulado “Why Socialism?” (“Por que o Socialismo?”), publicação de estreia da revista norte-americana Monthly Review. Ele começa o artigo perguntando: “É aconselhável que alguém que não tenha expertise em economia ou sociologia expresse suas visões sobre o assunto socialismo? Acredito, por inúmeras razões, que sim.”
Einstein – todos sabemos, físico, pai da teoria da relatividade, ganhador do prêmio Nobel de Física de 1921 – também foi profundo estudioso da filosofia (principalmente a filosofia da ciência). Escreveu livros e artigos quais “Física e Realidade”, “A Filosofia de Ernst Mach” e também artigos sobre religião e política. Assim, por mais que não fosse um cientista político, sentia-se relativamente confortável para emitir uma opinião pessoal sobre esse assunto que tanto o fascinava: o socialismo.
Dessa forma, sua visão de mundo, especificamente de justiça social, está muito bem detalhada nesse “Por que o Socialismo?”, como veremos.
Antes de abordar propriamente o assunto, Einstein se diz convencido de que as sociedades oprimidas por poderes imperialistas têm suas opiniões moldadas por “sacerdotes”. Deixa em aberto se o que chama de “sacerdote” são os pregadores das antigas e novas religiões ou se simplesmente é o que chamaríamos hoje de “influenciadores de conteúdo”. De qualquer forma, no artigo está claro que a história dos povos conquistados é modulada pelos sacerdotes dos conquistadores, que impõem o seu catecismo e sua visão política aos colonizados. No processo, um sistema de valores é criado para guiar socialmente, mesmo que inconscientemente, a vida dos povos submetidos. Esses sacerdotes serão também aqueles que intermediarão a divisão de castas e a divisão de terras do país conquistado.
Aqui Einstein evoca a ideia de “fase predatória” da humanidade, conceito propagado pelo filósofo e economista norte-americano Thorstein Veblen.
Para Einstein, o socialismo é o instrumento legítimo que desestrutura tal fase predatória e distancia a humanidade da barbárie. O cerne sócio-ético-humanista presente no socialismo é para ele o elo capaz de desconstruir o edifício da predação ancestral escravizante.
O que isso significa? E como surge tal fase predatória a partir do comportamento humano?
A ilustração proposta por Einstein é a de que o ser humano tem comportamento dual. Possui em si tanto características individualistas, quanto características socializantes. O lado individualista é aquele da autopreservação, que busca a satisfação dos desejos pessoais e do desenvolvimento de habilidades pessoais. O lado socializante é o que interage, é o que quer o reconhecimento e afeição de outros seres humanos, aquele que compartilha dor e alegria, aquele que busca confortar e desenvolver as condições de vida de outras pessoas. A combinação de todos os aspectos desses dois comportamentos é o que torna, na visão de Einstein, o ser humano em ser complexo e multidimensional.
No entanto, para Einstein, naturalmente o social se imporá (ou deveria se impor) sobre o indivíduo, no sentido em que o social é quem provê o indivíduo de alimento, vestimenta, abrigo, trabalho, linguagem, formas de pensamento. Em especial a força laboral de milhões é o que dá sentido à própria construção do que é o indivíduo: a relação do indivíduo com a sociedade, por meio de diversos tipos de interações, principalmente via comunicação oral ou escrita ou expressões da memória, resultam nos grandes produtos do progresso humano tais quais a literatura, as artes, a ciência e a tecnologia, as instituições, as organizações e suas leis, a cultura de forma geral.
Nesse sentido, ele entende que as grandes crises do mundo têm relação com o conflito entre individualização e socialização. A força da individualização muitas vezes é imposta de maneira artificial. Esse distanciamento do social remete à deterioração dos indivíduos. Para ele, o sentido da vida é a devoção do indivíduo à sociedade. O contrário disso causa o que ele chama de “predação”.
Einstein é extremamente enfático quando aponta que o capitalismo está intimamente ligado ao ápice da deterioração do indivíduo. Ele não distingue o que chamamos de “mal” daquilo que chamamos de “sociedade capitalista”. Nesse caso, ele reflete que no mundo atual o individualismo degenerado dos que detêm o capital/meios de produção não precisa da força para submeter a classe trabalhadora. Os instrumentos de dominação são muito mais sutis e usam a via legal. Leis propositalmente criadas para beneficiar o capitalista. (Como não lembrar as piruetas inventadas para justificar a aprovação da recente Lei Trabalhista no Brasil?)
Nesse contexto, Einstein finalmente evoca as “regras” da mais-valia e a atualidade dos conceitos marxistas sobre a relação capital/trabalho: o trabalhador receberá valores subfaturados, para que o capitalista tenha o seu “merecido” lucro que vale muito mais que o produto. O capital logicamente se concentrará na mão de um pequeno clube que de muitas formas intercederá para que o cenário político e os governos sempre trabalhem a seu favor. Palavras de Einstein.
Assim, nessa visão, mesmo a própria educação básica acabará submetida à vontade do pequeno clube. As crianças não deverão pensar por si próprias e deverão se preparar para um mundo tecnicista ou para a competitividade capitalista. Isso lembra ou não lembra a filosofia do “Escola sem Partido”?
Segundo Einstein, há um e somente um antídoto para eliminar tais relações egotísticas: uma economia socialista acompanhada de um sistema educacional voltado para a valorização de objetivos legitimamente sociais. Ou seja, além da promoção das habilidades individuais, o sistema educacional deve sobretudo ser capaz de desenvolver o senso de responsabilidade social acima de qualquer conceito de glorificação do sucesso individual.
Outro cientista de renome que expressou visões semelhantes nos últimos anos foi o físico teórico Stephen Hawking. As opiniões do próprio Hawking (ou os escritos daqueles que falam sobre o seu pensamento) deixam claro que a visão de mundo deste cientista é extremamente crítica em relação ao capitalismo. Muitas vezes ele chegou a enfatizar a importância de um economia socialista como a melhor forma de organizar o nosso mundo já “acostumado” às constantes crises do capital.
Em julho de 2015, Hawking participou da chamada sessão “Pergunte-me qualquer coisa”, como convidado especial dos curadores da rede social Reddit.
Quando perguntado sobre o que ele achava de uma sociedade onde os produtos fossem fabricados cada vez mais por máquinas e se isso ocasionaria uma diminuição da força de trabalho humana e quais as consequências disso, Hawking respondeu: “Todos podem desfrutar de uma vida de pujante lazer caso a riqueza produzida pelas máquinas seja compartilhada. Ou então, a maioria das pessoas pode acabar miseravelmente pobre caso os proprietários das máquinas promovam um lobby contra a distribuição de riquezas. Até agora, a tendência parece ser para a segunda opção, em que os avanços da tecnologia conduzirão a uma sociedade cada vez mais desigual.”
Tanto Einstein quanto Hawking foram capazes de produzir tanto orgulho quanto embaraço aos governos de seus países devido a suas fortes opiniões.
Por exemplo, Einstein (que era alemão naturalizado norte-americano) passou os seus últimos anos de vida nos Estados Unidos como professor da Universidade de Princeton. Sua opinião era muito respeitada, principalmente durante a Segunda Guerra, mas suas visões políticas causaram alguns incômodos. Consta que no início dos anos 1950, J. Edgar Hoover, o polêmico e longevo diretor do FBI, defendia fortemente a ideia de deportar Einstein dos Estados Unidos. Nunca é demais lembrar que pelos idos de 1958-1959 (Einstein já havia falecido), J. Edgar foi uma das principais peças do Macarthismo.
Já Hawking, que é britânico e mora na cidade de Cambridge, no Reino Unido, causou grande embaraço a Sua Majestade, a Rainha, quando esta quis premiá-lo com o título de Sir e ouviu como resposta um sonoro “não” e uma sonora crítica às políticas internas e externas daquele país. Críticas feitas principalmente às políticas de investimento em empreendimentos bélicos e à rendição ao lobby das corporações de armamentos. Hawking reivindicou maiores investimentos em educação, ciência e tecnologia e ameaçou abandonar o país em favor do Canadá. À época, o autor que vos escreve morava em Cambridge e trabalhava no Cavendish Lab. Teve a enorme honra de presenciar ao vivo esses fatos. Foi emocionante!
O artigo completo de Einstein intitulado “Why Socialism?”, pode ser lido na página da Monthly Review Magazine (em inglês):
As respostas de Stephen Hawking no “Pergunte-me qualquer coisa” do Reddit estão aqui (em inglês):
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(Fonte: aqui).
Carlos H. Coimbra (twitter: @carloscoimbra9) é professor da Universidade Federal do Paraná e cientista da área da astrofísica e cosmologia. Gosta também de dar pitacos em áreas como meio ambiente, aproveitamento de energia e cultura em geral.
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Consta que certa vez, entrevistando Albert Einstein, um repórter pediu que ele dissesse como é ser o homem mais inteligente da Terra, ao que Einstein respondeu, com ironia: "Eu não sei dizer. Pergunte a Nikola Tesla".
Tesla e Einstein viviam às turras (AQUI). Rusgas à parte, o fato é que Tesla era igualmente brilhante. Não sabemos mencionar a sua visão de mundo, mas cremos poder-se inferi-la a partir de algumas das máximas (aqui) atribuídas a ele:
"O desenvolvimento humano depende fundamentalmente da invenção. Ela é o produto mais importante de seu cérebro criativo. Seu objetivo final é o completo domínio da mente sobre o mundo material e o aproveitamento das forças da natureza em favor das necessidades humanas."
"O homem científico não pretende alcançar um resultado imediato. Ele não espera que suas ideias avançadas sejam imediatamente aceitas. Seus trabalhos são como sementes para o futuro. Seu dever é lançar as bases para aqueles que estão por vir e apontar o caminho."
"O dia em que descobrirmos exatamente o que é a eletricidade, isso irá marcar um evento provavelmente maior, mais importante que qualquer outro na História da Humanidade. Então, será apenas uma questão de tempo para que o Homem consiga ligar suas máquinas diretamente à própria natureza. Imagine o que está por vir..."
"O dinheiro não representa tal valor como os homens colocaram em cima dele. Todo o meu dinheiro foi investido nas experiências com as quais eu fiz descobertas novas permitindo a humanidade de ter uma vida um pouco mais fácil."
"A ciência é, portanto, uma perversão de si mesma, a menos que tenha como fim último melhorar a humanidade."
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Consta que certa vez, entrevistando Albert Einstein, um repórter pediu que ele dissesse como é ser o homem mais inteligente da Terra, ao que Einstein respondeu, com ironia: "Eu não sei dizer. Pergunte a Nikola Tesla".
Tesla e Einstein viviam às turras (AQUI). Rusgas à parte, o fato é que Tesla era igualmente brilhante. Não sabemos mencionar a sua visão de mundo, mas cremos poder-se inferi-la a partir de algumas das máximas (aqui) atribuídas a ele:
"O desenvolvimento humano depende fundamentalmente da invenção. Ela é o produto mais importante de seu cérebro criativo. Seu objetivo final é o completo domínio da mente sobre o mundo material e o aproveitamento das forças da natureza em favor das necessidades humanas."
"O homem científico não pretende alcançar um resultado imediato. Ele não espera que suas ideias avançadas sejam imediatamente aceitas. Seus trabalhos são como sementes para o futuro. Seu dever é lançar as bases para aqueles que estão por vir e apontar o caminho."
"O dia em que descobrirmos exatamente o que é a eletricidade, isso irá marcar um evento provavelmente maior, mais importante que qualquer outro na História da Humanidade. Então, será apenas uma questão de tempo para que o Homem consiga ligar suas máquinas diretamente à própria natureza. Imagine o que está por vir..."
"O dinheiro não representa tal valor como os homens colocaram em cima dele. Todo o meu dinheiro foi investido nas experiências com as quais eu fiz descobertas novas permitindo a humanidade de ter uma vida um pouco mais fácil."
"A ciência é, portanto, uma perversão de si mesma, a menos que tenha como fim último melhorar a humanidade."
sábado, 2 de dezembro de 2017
COPA 2018: O REI EM MOSCOU
Moscou, 01 de dezembro. O Rei Pelé cumprimentado por Vladimir Putin, Maradona e outros. Em primeiro plano, lado esquerdo da foto, Gordon Banks, o grande goleiro da seleção da Inglaterra na Copa de 70.
Assim Juca Kfouri louvou o Rei:
O NOVO TRONO DO REI PELÉ
Quem o viu em desabaladas carreiras com a bola nos pés até o gol dos adversários;
quem o viu subir mais do que todos e cabecear de olhos bem abertos para o fundo da rede;
quem o viu matar no peito e baixar na terra;
quem o viu fazer gols de esquerda, de direita, de pênalti e de falta;
quem viu seu olhar assassino em busca da vitória;
sente um misto de tristeza e reverência ao ver que seu trono, aos 77 anos, agora é uma cadeira de rodas.
O Super-Homem está mais humano do que nunca.
E segue sendo Super.
Vida eterna ao Rei Pelé.
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(Fonte: AQUI).
O TRF4 E O ATIVISMO JUDICIAL
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Em 26 de maio, sob o título "O Judiciário, o fascínio midiático e os direitos", reproduzimos - AQUI - o post "O Judiciário vai pagar muito caro por esse momento de atração pelos holofotes da mídia", com entrevista do desembargador Rogério Favreto ao jornalista Marco Weissheimer, do Portal Sul 21, de Porto Alegre.
Ao final da postagem abaixo, transcrevemos trecho marcante da mencionada entrevista, bem como sucinta impressão de nossa parte quanto ao combate à corrupção.
Para desembargador do TRF4, Lava Jato está livrando os grandes corruptores
Por Luis Nassif
Em 26 de maio, sob o título "O Judiciário, o fascínio midiático e os direitos", reproduzimos - AQUI - o post "O Judiciário vai pagar muito caro por esse momento de atração pelos holofotes da mídia", com entrevista do desembargador Rogério Favreto ao jornalista Marco Weissheimer, do Portal Sul 21, de Porto Alegre.
Ao final da postagem abaixo, transcrevemos trecho marcante da mencionada entrevista, bem como sucinta impressão de nossa parte quanto ao combate à corrupção.
Para desembargador do TRF4, Lava Jato está livrando os grandes corruptores
Por Luis Nassif
Desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região – que tem a Lava Jato sob sua jurisdição – o desembargador Rogério Favreto tem se destacado pela defesa das garantias individuais e por ser um contraponto ao punitivismo que se tornou majoritário na Justiça.
Nos próximos meses, caberá a ele julgar as ações cíveis da Lava Jato, entre as quais os acordos de leniência para as empresas, que foram negociados pelo Ministério Público Federal.
Favreto não analisa casos individuais. Mas questiona firmemente os benefícios concedidos a réus e empresas que, segundo ele, colidem com o discurso da Lava Jato, de punição aos corruptores. Não há transparência sobre os benefícios concedidos, diz ele, reforçando as suspeitas que têm sido levantadas pelo GGN.
Crítico do ativismo do Judiciário, considera o envio das 10 Medidas um erro. O apoio às medidas é ilusório – quem assinou, foi induzido pelo discurso de ser contra a corrupção -, e a falta de oportunidade política fez com que boas propostas contidas nelas fossem prejudicadas por outras que afrontam claramente os direitos individuais.
Abaixo, um resumo da entrevista concedida ao Jornal GGN, e que você pode assistir na íntegra:
.A judicialização da política
Favreto alerta para a posição do Judiciário, quando entra em cena o agente político.
.O ativismo político em tempos de crise
Nesses tempos conturbados se escorrega mais. No passado, o Judiciário tinha preocupações com os direitos individuais. Hoje em dia, não. Acaba sendo conduzido por certos setores da mídia.
.Os acordos de delação e de leniência
Se vulgarizou demais o instituto da delação, diz ele. Tanto se prende para depois delatar, quanto por outro lado tem perdão demasiado. Agora, o STF definiu que o Judiciário é quem decide. Hoje já há questionamentos, do fato do MPF fechar acordos de leniência sem ter legitimidade para tanto.
.A validação dos acordos
MPF transige sobre os valores e isso tem sido questionado. Tem que ter alguém que faça uma valoração porque senão, às vezes, com a intenção de ter informações no plano criminal, abre-se mão de recursos do Estado.
.Quem fiscaliza o fiscal do acordo
Aparentemente, não há ressalvas internas no MPF sobre acordos fechados. Agora, a nova direção do MPF tem sido mais cautelosa, exigindo mais ponderação nas movimentações de alguns agentes.
A lei da delação criou uma regração aberta e se apostou que a doutrina iria fazer o molde. Mas gerou instabilidade. Não se está criando parâmetros, e estudiosos e doutrinadores têm questionado até onde vai esse perdão tanto das penas quanto dos valores.
.Sobre as 10 medidas
O problema nasce na sua busca de apoio popular, mais de 2 milhões de assinaturas. Mas era um consulta simples: você é contra a corrupção? Quem não é. Mas são 10 medidas que envolvem 19 projetos de lei, e que as pessoas nem conhecem. Não há consenso nem no Ministério Público Federal. Então não tem apoio popular.
E com o Congresso acuado, a tendência é o oposto, é criar saídas contra os processos.
Algumas propostas de inquestionável validade foram comprometidas por outras que violam direitos fundamentais
.CNJ contra juízes democráticos
É preocupante a decisão de punir quatro juízes que foram em eventos contra o impeachment porque vedação é contra atividade político-partidária. Além disso, não pode haver seletividade (sobre quem se deve investigar). Inúmeros magistrados que se manifestam em eventos políticos não receberam o mesmo tratamento
.O ativismo de procuradores e juízes nas redes sociais
Muito perigoso. Quando menos percebem, os colegas terminam pressionados por um pseudo apoio social, o efeito manada das redes sociais. Muitas vezes induzido pela mídia. E o juiz não pode ter que julgar por opinião pública, mas de acordo com a Constituição, os processos, as provas.
.O significado da morte do Reitor
A morte mostrou sinal vermelho. Muito perigoso chegar a esse ponto, de alguém cometer suicídio para que se reflita. Há alguns sinais de maior cautela. (Nota deste blog: Clique aqui para ler "Sobre a Morte do Reitor Cancellier, Parte 6").
.A isonomia na falta de direitos
O pior argumento, o de igualar pobres e ricos na mesma falta de direitos.
.A insegurança jurídica e os acordos de leniência
Manifestação do TRF4 que entendeu que MPF não tem legitimidade para acordos de leniência que envolvam matérias de recuperação patrimonial. É atribuição da CGU e da AGU. O MPF sabia que não tinha legitimidade. Tanto que buscava em uma das dez medidas.
.O presente aos MPFs de outros países
Sobre a proposta do MPF, de destinar parte dos recursos dos acordos de leniência, para a cooperação internacional, se o MPF quiser dar recursos, que dê de seu orçamento, não dos acordos de leniência, que são recursos da União. E é curioso premiar outros países que abrigaram os paraísos fiscais.
.O Judiciário e o interesse nacional
A manifestação do Judiciário deve ser restrita à Constituição e às provas.
Preocupações em relação à soberania e à sobrevivência das instituições privadas ou públicas devem estar no âmbito da proteção ao emprego. Tem que ter moderação do ponto de vista da decisão jurídica. Mas é difícil para o julgador entrar nessa avaliação.
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(Para ver a entrevista, clique AQUI).
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"...falta uma coisa fundamental à magistratura hoje. Os nossos novos operadores do Direto e mesmo alguns dos mais antigos não têm conhecimento sobre a vida social, sobre as pautas dos movimentos sociais e sobre a realidade na qual essas pessoas vivem. Em nosso trabalho cotidiano, todos os dias temos que tomar decisões que envolvem a vida dessas pessoas e de suas famílias. A grande maioria não está preparada para tomar tais decisões. Pode estar preparada tecnicamente, mas não tem conhecimento da vida social, não sabe quais são as dificuldades da vida dessas pessoas. Há uma onda muito grande de criminalização dos movimentos sociais por uma visão conservadora e por um desconhecimento da realidade social". (Da entrevista divulgada em maio, citada no 'caput' deste post).
E o Ministério Público, fiscal da lei, estaria incluído na sensata abordagem acima?
Cumpre repetir o que vimos há tempos ressaltando: É louvável e meritório combater sem tréguas a corrupção, mas as diretrizes alinhadas na Constituição Federal devem prevalecer erga omnes. - aqui.
E o Ministério Público, fiscal da lei, estaria incluído na sensata abordagem acima?
Cumpre repetir o que vimos há tempos ressaltando: É louvável e meritório combater sem tréguas a corrupção, mas as diretrizes alinhadas na Constituição Federal devem prevalecer erga omnes. - aqui.
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