terça-feira, 23 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
O PANORAMA DO DESEQUILÍBRIO
Quem bate o martelo sobre a lei orçamentária é o Poder Legislativo, ponto.
Eis o panorama Piauí: num extremo, o Poder Judiciário às voltas com carências de toda ordem, notadamente na área de pessoal, e o Ministério Público sem as mínimas condições estruturais de atuação em moldes razoáveis.
No outro extremo, o hipertrofiado Poder Legislativo, esmerando-se em ampliar suas ações a cada ciclo, convertendo-se em Poder Executivo Paralelo, abocanhando fatias cada vez mais robustas e 'executando' iniciativas nas áreas de saúde, educação, comunicação etc, etc.
Ao microuniverso do Legislativo contrapõe-se a administração da Justiça para toda a população e a soberania dos direitos coletivos e difusos. Mas o que se vem desenhando, no trâmite ora em curso, é a prevalência daquele microuniverso sobre o conjunto da coletividade.
A sensatez está gritando: caiam em si, senhores do martelo orçamentário!
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Lei Orçamentária Piauí 2011. Desequilíbrio.
OS MEDOS DE CADA UM
Por Artur Xexéo
Se alguém me perguntar o nome do papa, vou ter que parar um pouco para pensar. Mas houve um tempo em que papas faziam parte do meu cotidiano. Aluno de um colégio de padres, via o papa João XXIII como um dos mais importantes integrantes da minha vida. E rezava todos os dias pela sua saúde. João XXIII morreu depois de uma certa agonia. Era 1963. E, entre a primeira e a segunda aula, a gente sempre rezava um terço pela melhora do papa. Em vão. Foi a partir daí que comecei a ter medo do papa. Eu era um católico tão aplicado, tão crente, tão cumpridor das obrigações de minha fé que, se houvesse alguém no mundo para quem o papa apareceria depois de morto, só podia ser eu. E isso me dava medo. Comecei a não querer dormir de luz apagada, de pés descobertos. Adquiri mil e umas manias na hora de dormir para afastar a alma do papa de perto de mim.
Superei o medo de papa. Mas hoje, quando me lembro da minha infância, qualquer recordação vem cercada daquele sentimento que misturava reverência e pavor. Desde então, não me apeguei a mais papa algum. Meu último papa foi mesmo o João XXIII.
Mais medo que de papa, só o de areia movediça. Crianças de hoje não sabem o que é isso. Mas as crianças do meu tempo, aquelas que ainda assistiram a filmes em série no cinema, sabem bem do que estou falando. Areia movediça era um perigo que todo mocinho de fita em série tinha que superar e que todo bandido sucumbia diante dele. Poderosíssima a tal areia.
Meu medo era tamanho que passei a aprender truques para quando o destino me fizesse cair naquele lamaçal traiçoeiro. O importante é não se debater, caso contrário, a areia te traga. É claro que, se houver um cipó por perto, dá sempre para se agarrar nele e chegar à margem protetora. Mas, como eu não era bobo, sabia que nunca me embrenharia por uma selva e, portanto, não encontraria meu cipó salvador. Certamente, a areia movediça que me esperava seria urbana. O jeito era nadar. Sim, nadar, como se estivesse numa piscina, para tentar atingir a margem. Como nadar sem se debater? Aí é que está o pulo do gato, o qual, infelizmente, nunca aprendi. Diferentemente do medo de papa, que não tenho mais, o medo de areia movediça me acompanha. E ainda não sei como nadar sem me debater.
Eu tinha medo de prova oral. Por que, sempre que sorteava o ponto, caía capitanias hereditárias? E por que eu teimava em não estudar tal assunto? Até hoje não sei nada de capitanias hereditárias. Trauma escolar. Mas a prova oral foi eliminada da prática escolar e, com isso, meu medo também foi extinto.
Eu tinha medo da Terceira Guerra Mundial. E, pior, tinha medo de ser convocado para ela. Torcia para que a guerra começasse antes de eu completar 18 anos. E para que terminasse antes disso também. Só perdi o medo da Terceira Guerra Mundial quando comecei a ter medo de completar 18 anos. Mas isso faz tempo. Já passei da época de ser convocado.
domingo, 21 de novembro de 2010
DIÁLOGO ASSÉPTICO
- Veja só: eles passaram a viver em condomínio fechado. É como se tivessem uma cidade só deles, exclusiva: segurança particular, serviços gerais, tudo exclusivo.
- Deve ser experiência bastante curiosa.
- Tentam o que for possível para isolar-se da plebe rude e ignara. Colégio particular, transporte particular, esporte particular...
- Até aí, tudo bem: vivemos num regime democrático.
- Claro, estou apenas constatando: viver em outro mundo é um direito.
- Of course.
- Clean, digo, claro.
FILME DO DIA DO CINEMARDEN
OS CINCO RAPAZES DE LIVERPOOL
No início dos anos 1960, na cinzenta Liverpool, Inglaterra, cinco rapazes sonham com o sucesso. John, Paul, George, Pete e Stuart. Eles são os Silver Beatles. O diretor e roteirista Iain Softley conta em Os Cinco Rapazes de Liverpool a história do quinto beatle, Stuart Sutcliffe, e o relacionamento dele com seu melhor amigo, John Lennon, e o triângulo amoroso que eles formaram com a fotógrafa alemã Astrid Kirchnerr. O filme trata basicamente do período 1960/1962, quando a banda ia muito à Alemanha. Não espere ouvir os clássicos dos Beatles. O filme mostra os anos de amadorismo da banda, quando eles ainda cantavam músicas de seus ídolos americanos. Pouco do material apresentado era composto pelo grupo. Softley fala de amizade e amor. Seu filme exala criatividade e conta com um elenco bastante convincente. A grande sacada de Os Cinco Rapazes de Liverpool é justamente o ponto de vista que move a trama, o triângulo John-Stu-Astrid. Os Silver Beatles viraram simplesmente Beatles. Stu e Pete saíram do grupo e o Ringo entrou no lugar. A banda estourou, o relacionamento entre John e Paul, sem a presença de Stu, ficou mais próximo. E o resto, é história.
OS CINCO RAPAZES DE LIVERPOOL (Backbeat - Inglaterra 1994). Direção: Iain Softley. Elenco: Stephen Dorff, Ian Hart, Gary Bakewell, Chris O'Neill, Sheryl Lee, Kai Wiesinger, Carlton Williams, Albert Welling, Sharif Rashed, Rob Spendlove, Scott Williams e James Doherty. Duração: 101 minutos. Distribuição: Universal.
Por Marden Machado.
http://cinemarden.blogspot.com/
sábado, 20 de novembro de 2010
THE BRAZILIAN BITLES
Anos 1960. Tínhamos o 'bolachão' (12 músicas/faixas), o 'bolacha' ou compacto duplo (4 músicas/faixas) e o compacto simples (2 músicas/faixas). Vivíamos a febre do Iê-Iê-Iê, e na esteira dos Quatro Fabulosos de Liverpool o Brasil compareceu com o The Brazilian Bitles.
O 'bolacha' acima é de 1966, mas acho que o 'bolachão' saiu em 1965. Pode até nem ser o disco de estreia do grupo.
As letras são todas de Fábio Block (não sei se integrava o quinteto) e bastante ingênuas, característica, aliás, do rock'n'roll (quase) como um todo.
O The Brazilian Bitles estourou nas paradas com 'Vem, Meu Amor', música boa danada, apoiada na seguinte letra:
AH, MEU AMOR É VOCÊ
POR FAVOR NÃO ME DEIXE
SOZINHO A SOFRER
AH, NÃO ME FAÇAS ASSIM
VEM FICAR, POR FAVOR
JUNTINHO DE MIM
VEM, VEM, MINHA QUERIDA
VOCÊ É MINHA VIDA
E TODO O MEU CALOR
VEM ME DAR UM BEIJINHO
PRECISO DE CARINHO
VEM, MEU AMOR
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Meu Amor. 1966.,
The Brazilian Bitles. Vem
OLD PHOTO
Foto de Luiz Morier. Prêmio Esso de jornalismo 1983. Flagrante de modus operandi da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que não detinha exclusividade sobre tal modus. Depois, em 1988, veio a Constituição Federal, alçando a dignidade humana à condição de objetivo máximo, o qual está sendo buscado por instâncias várias, para desagrado de certas elites. E viva a consciência!
SOBRE DISCUTIR E OPINAR
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgou improcedente a representação em que a presidente eleita Dilma Rousseff e a coligação de sua candidatura pedem direito de resposta contra a frase “Nem Cristo me tira essa vitória”, atribuída à petista e publicada no jornal Folha SC. Dilma negou ter feito o comentário e classificou a frase como ofensiva.
A ministra Nancy Andrighi reconheceu que, apesar do término das eleições 2010, a petista e sua coligação têm interesse em esclarecer supostas inverdades divulgadas no período de campanha eleitoral.
No entanto, ao julgar o mérito da ação, a relatora alegou que “a frase veiculada no periódico não tem conteúdo ofensivo, não macula a honra ou a imagem da então candidata, não interfere nem tem força para impactar negativamente o equilíbrio entre os contendores, razão pela qual não vislumbro a hipótese de concessão de direito de resposta”.
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A frase não tem conteúdo ofensivo?! A frase não macula a honra ou a imagem da candidata?! A frase não tem força para impactar negativamente o equilíbrio entre os contendores?!!
Decisão judicial não se deve discutir; mas opinar a gente pode: a memória e o bom senso dizem que a ministra não procedeu judiciosamente.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
A ORDEM MUNDIAL DE SEMPRE
Dizem os analistas, à frente Delfim Netto: o encontro do G20 em Seul, na Coreia do Sul, foi uma reunião lítero-musical de qualidade duvidosa. O seu resultado, pífio. Há uma grande dificuldade em dar peso adequado ao problema dos EUA e às malfeitorias da China, o que provoca ataques cruzados.
A "solução prática" foi a cínica entrega da questão aos cuidados do FMI: no ano que vem, ele deve apresentar um programa factível que distribua equanimemente os custos do ajuste. Em poucas palavras e sem nhe-nhe-nhem: cada um que volte para casa, trate de cuidar dos seus interesses e ponha as barbas de molho.
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Em resumo: o feudalismo está onde sempre esteve.
CINEMATECA LANÇA BANCO DE CONTEÚDOS CULTURAIS
Apresenta-se a primeira versão (alfa) do Banco de Conteúdos Culturais, que disponibiliza, para fins de pesquisa, educacionais ou de entretenimento, as coleções digitalizadas de fotografias e cartazes de filmes brasileiros do acervo da Cinemateca, além de reportagens de telejornais diários da TV Tupi e registros fílmicos brasileiros do período silencioso.
A partir de atualizações e versões posteriores, serão incluídas novas coleções e acervos de diferentes suportes, e serão ampliadas as coleções já disponíveis. Ao mesmo tempo pretende-se ampliar as possibilidades de interação com o usuário e com outros portais. (Por MiriamL, blog Luis Nassif).
Endereço: http://www.bcc.org.br/
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Cinemateca. Banco de conteúdos culturais.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
ESTAMOS ALI
As duas bolinhas brancas perto do canto inferior esquerdo do quadro são a Terra e a Lua, vistas a uma distância de 183 milhões de quilômetros, em uma imagem feita pela sonda Messenger, que se encontra explorando a vizinhança de Mercúrio.
Parafraseando Carl Sagan, todos os sábios, poetas, filósofos, tiranos, santos e genocidas; todas as pessoas que você conhece, ignora, respeita, despreza, ama ou odeia vivem, ou já viveram, suas vidas inteiras na bola maior. É lá também que estão todos os seus problemas, sonhos e esperanças.
Todas as guerras e crimes, bem como todos os grandes e pequenos atos de sacrifício e generosidade já registrados em algum momento da história aconteceram lá.
Já a bola menor marca a maior distância já viajada por membros de nossa espécie. É o limite atual da experiência humana.
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Do blog de Carlos Orsi, do Estadão.
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Terra Lua. A 183 milhões de km. Carlos Orsi.
DA SÉRIE CLÁSSICOS DO CINEMA
12 HOMENS E UMA SENTENÇA
Sidney Lumet é reconhecido por dominar as técnicas de narrativa cinematográfica e saber extrair desempenhos memoráveis de seus atores. Este talento já é visível em 12 Homens e Uma Sentença, de 1957, seu primeiro trabalho como diretor. O filme é baseado em uma peça de teatro, mas, não há nada que pareça teatral. É cinema puro, do primeiro ao último fotograma. A história é centrada em um corpo de jurados confinado dentro de uma sala de um tribunal. Eles precisam decidir sobre a culpa ou não de um jovem que teria cometido um crime grave. Todas as evidências apontam para sua condenação, até que um dos jurados, a personagem de Henry Fonda, expõe suas dúvidas. Existe uma outra versão com o mesmo título, dirigida para a TV, em 1997, por William Friedkin. Nesta versão, que é quase tão boa quanto a primeira, Jack Lemmon interpreta o papel que foi de Fonda na versão original. Se um dia alguém lhe perguntar que filme pode servir como um bom exemplo da força da argumentação, responda sem hesitar: 12 Homens e Uma Sentença.
12 HOMENS E UMA SENTENÇA (12 Angry Men - EUA 1957). Direção: Sidney Lumet. Elenco: Henry Fonda, Lee J. Cobb, Ed Begley, E.G. Marshall, Jack Klugman, Jack Warden e Martin Balsam. Duração: 96 minutos. Distribuição: Fox.
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Marden Machado - http://cinemarden.blogspot.com/
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Clássicos do cinema/12 Homens e Uma Sentença.
OLD MAGAZINE
Revista Fon-Fon, dezembro de 1937.
Surgida no Rio de Janeiro em 1907. Seu nome era uma onomatopeia do barulho produzido pela buzina dos automóveis. Um de seus idealizadores foi o escritor e crítico de arte Gonzaga Duque. Tinha no enfoque dado à ilustração uma de suas principais características. Um de seus colaboradores foi Di Cavalcanti. A revista tornou célebres ilustradores como Nair de Tefé, J. Carlos, Raul Pederneiras e K. Lixto. Tratava principalmente dos costumes e notícias do cotidiano e foi publicada até agosto de 1958.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
PATOLOGIAS DO INDIVÍDUO
Um dos mantras preferidos do pensamento conservador consiste em reduzir a ideia de liberdade à afirmação do indivíduo. Repetido de maneira compulsiva, tal mantra procura impor à sociedade a crença de que "liberdade" é simplesmente o nome que damos ao sistema de defesa dos interesses particulares dos indivíduos, de suas propriedades privadas e seus modos de expressão. No entanto, esta noção de liberdade talvez seja, no fundo, uma forma muito difundida de patologia social.
De fato, sofre-se muitas vezes por não se ser um indivíduo, ou seja, por não ter as condições sociais necessárias para a afirmação de uma individualidade almejada. No entanto, sofre-se também por ser apenas um indivíduo. Há um sofrimento vindo da incapacidade em pensar aquilo que, dentro de si mesmo, não se submete à forma coerente de uma pessoa fortemente individualizada. Infelizmente, este sofrimento, em vez de funcionar como motor de desenvolvimento subjetivo, muitas vezes se exterioriza e se transforma em medo social contra tudo o que parece colocar em xeque nossa "identidade", as "crenças do nosso povo".
Não é por outra razão que lá onde há a insistência em compreender a sociedade como um mero conjunto de indivíduos, há sempre o outro lado da moeda: a necessidade de expulsar, de levantar fronteiras contra tudo o que não porta a minha imagem. O que nos explica porque sociedades fortemente individualistas, como aquelas que encontramos nos EUA e em certos países europeus, são sempre assombradas pelo fantasma do corpo estranho que está prestes a invadi-las, a destruir seus costumes e hábitos arraigados. Não há individualismo sem lógica social da exclusão.
Por outro lado, como todos sabemos que o atomismo de ser apenas um indivíduo é dificilmente suportável, este isolamento tende, muitas vezes, a ser compensado com alguma forma de retorno a figuras de comunidades espirituais e religiosas. A vida contemporânea nos demonstrou que individualismo e religiosidade, liberalismo e restrições religiosas dogmáticas, longe de serem antagônicos, transformaram-se nos dois polos complementares e paradoxais do mesmo movimento pendular.
Muito provavelmente, teremos que conviver com os resultados políticos desta patologia social bipolar.
Cada vez fica mais claro como o pensamento conservador se articula, em escala mundial, através da restrição da pauta do debate social, ora apelando para as "liberdades individuais", ora para "nossos valores cristãos". Contra isso, temos que saber mostrar como o conceito de liberdade e de ação social podem ser reconstruídos para além destes equívocos.
A nosso favor, há uma bela tradição do pensamento que quer se fazer ouvir.
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Artigo de Vladimir Pinheiro Safatle, professor livre docente do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), especialista em epistemologia (teoria do conhecimento) e filosofia da música.
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Desenho: Jorge Brandão.
domingo, 14 de novembro de 2010
DEGUSTANDO A CARNE SECA
Em breve, a editora Zodíaco nos brindará com a 3ª edição de Torquato Neto ou a Carne Seca é Servida.
Kenard Kruel abordará fatos novos sobre Torquato, e certamente homenageará um dos maiores incentivadores (e pai) do poeta, o Dr. Heli Nunes, falecido há pouco.
MADE IN CHINA
Cartum chinês de 1960, por aí, em plena 'Guerra Fria', quando China e URSS combatiam os EUA e eram plenamente correspondidas.
A guerra não acabou; houve apenas mudança de front. Dólares e Iuans que o digam.
sábado, 13 de novembro de 2010
CARICATURAS EM CINEMASCOPE
Sophia Loren, atriz italiana, por João de Deus Netto.
O intrépido Netto, titular do JenipapoNews (humor em geral) e do Picinez (literatura), acaba de inaugurar um blog dedicado ao cinema:
http://cinemascopeblog.blogspot.com/ .
MEU PROBLEMA COM OS JORNAIS VELHOS (E OS NOVOS)
por Luiz Carlos Azenha
Não dou conta de ler todos os jornais que assinei durante o período eleitoral. Tenho preguiça. Os jornais são previsíveis: tudo é culpa do Lula ou do governo federal. Mudam as manchetes, mas o foco é sempre o mesmo. Nem parece que a campanha eleitoral terminou. Os jornais são uma campanha eleitoral permanente. O menu é formulaico: em defesa de menos governo, da redução dos gastos públicos, da redução dos impostos, contra “setores radicais” (sic) do PT, em defesa do Palocci e do Jobim, etc.
Curiosamente, nem os jornais cumprem na prática a enfática defesa que fazem das leis do mercado. Tentei cancelar O Globo. O jornal continua a chegar. Recebi uma ligação: o sr. não pagou O Globo. Respondi: não quero mais receber o jornal, cancele o envio e mande-me a conta até hoje. O jornal fez que não era com ele: mandou um boleto de mês cheio, como se eu quisesse continuar recebendo o jornal. O Globo, aparentemente, não aceita minha decisão de cancelá-lo.
Ligo para o peixeiro de Maresias: fulano, acumulei um montão de jornais velhos aqui em casa. Quando descer, vou levá-los para você. Ele: Olha, agradeço, mas dispenso. Os compradores já não aceitam jornal. Querem papel sem tinta para embrulhar os peixes.
Ligo para o zelador: seo Antonio, tem jornais aqui, o sr. manda buscar e entrega para aquele nosso amigo da carrocinha? Ele: Seo Azenha, ele não leva jornais. Diz que não vale a pena, por causa do peso. Leva papelão, metal ou vidro. Jornal, não.
Ligo para a cooperativa de recicláveis. “Amigo, tenho centenas de jornais velhos aqui em casa. Será que alguém se interessa? “. Resposta: Desculpe, mas nosso problema é portabilidade. Juro que ele falou “portabilidade”. Deve ser um daqueles que receberam dinheiro do BNDES, via governo federal. Depois, explicou:
Ele: Jornal não compensa.
Eu: É, eu cancelei.
Ele: Não vale quanto pesa.
Eu: É, ainda mais com os editoriais…
Ele: É sujo.
Eu: Não, amigo, sujos são os blogs.
Ele: Hein?
Eu: E o Merval, alguém merece?
Ele: Mer… quem?
Eu: O cara do Globo.
Ele: Ah, adoro aquele biscoito.
O resumo da ópera é que continuo com os jornais. Os novos e os velhos. Faz diferença?
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Jornais velhos e novos. Luiz Carlos Azenha.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
GREEN CARTUNS
A proposta do livro "Aquecimento Global em cartuns" é dar um alerta para a vida, no qual os cartunistas terão o desafio de mostrar o risco que o planeta e a humanidade correm. Desta forma, os autores participantes são convidados a fazer um traçado sobre as consequências do aquecimento global, e assim, despertar a sociedade para a seriedade do problema. Os cartuns abordam a questão do aquecimento global com bom humor e bastante irreverência, que visa expressar, através do humor gráfico, um alerta sobre a importância da preservação ambiental em nosso planeta.O cartunista Léo Valença desenvolveu o projeto do livro em parceria com o portal Brazil Cartoon, que realizou um processo de seleção de cartunistas, onde foram selecionados 25 trabalhos inscritos para a publicação. A coletânea visa criar um espaço de divulgação de novos talentos do humor gráfico e desenvolver uma reflexão sobre a questão do aquecimento global. Cada cartunista selecionado e autor participante da publicação contribui com um cartum que ele desenvolveu sobre o tema. Os autores participantes são: Léo Valença, Leite, Jottas, Da Costa, Jorge Barreto, Alex Larcher, J. Bosco, Waldez Duarte, Alan Souto Maior, José Alves Neto, Casso, Ferreth, Kampos, Lederly Mendonça, Jota A, Lex Franco, Gustavo Oliveira, Bira Dantas, Marcelo Rampazzo, Melo, Marcos Noel, Adriano Louzada, Moises Macedo, Max e Edra.
O livro poderá ser comprado pelo site da editora POD no link abaixo:
http://www.podeditora.com.br/produtos.asp?lang=pt_BR&tipo_busca=subcategoria&codigo_categoria=1&codigo_subcategoria=28
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Do http://greencartoon.blogspot.com/ .
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Livro. Aquecimento Global. Green cartuns.
OLD TICKET BLUES
Pais do blues, do rock'n'roll, das baladas e do yeah yeah yeah, ops, iê-iê-iê.
Pré-pré-pré Rolling Stones, Elvis, Beach Boys, Beatles etc-etc-etc.
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Chuck Berry,
Etta James.,
Old ticket. Muddy Waters
OLD HEBDÔ
O PASQUIM, marcante semanário carioca (1969-1991) onde pontificou o caricaturista, ilustrador e compositor NÁSSARA, autor, por exemplo, do desenho da capa do exemplar acima.
Para o craque Nássara, o meio de campo jamais embolou.
CENTENÁRIO DE NÁSSARA
Antônio Gabriel Nássara. Caricaturista e compositor. Rio de Janeiro, 11.11.1910 - 11.12.1996.
Imperdível a homenagem oferecida por Laura Macedo em:
. blog do jornalista Luis Nassif (link ao lado: Luis Nassif);
. blog de Laura Macedo no Portal Luis Nassif (link ao lado: Laura Macedo).
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
FICHA LIMPA JADER!
(Charge: Kayser).
ESCORREGÕES DA IMPRENSA E DO MAGISTRADO
Por Dalmo de Abreu Dallari
A defesa dos políticos "fichas-sujas" vem sendo feita de maneira desastrada, inclusive com a utilização de afirmações falsas quanto à origem de disposições da Lei da Ficha Limpa, numa tentativa de desmoralizar a própria lei, assim como seus propositores e o Congresso Nacional, que a aprovou.
Um aspecto lamentável, que deve ser assinalado, é que, além dos interessados diretos na oposição de obstáculos à aplicação da Lei da Ficha Limpa, aparece como ostensivo e apaixonado defensor dos atingidos por essa lei um ministro do Supremo Tribunal Federal. Esse comportamento do ministro pode parecer ilógico e contraditório para quem acredita que os integrantes da Corte Suprema são padrões de moralidade e defensores intransigentes dos princípios e normas da Constituição, mas para quem há várias décadas vem acompanhando as vicissitudes do Tribunal máximo do país o destempero do referido ministro é apenas mais uma comprovação da persistência de antigos vícios e compromissos.
Um ponto muito importante, que merece especial referência, é que o empenho exagerado na defesa de Jader Barbalho (PMDB) acabou revelando que o voto de um ministro do Supremo Tribunal Federal pode ter como único fundamento as alegações da parte interessada. Com efeito, depois de ter induzido a imprensa a divulgar uma falsidade, ou seja, a afirmação de que a inelegibilidade em decorrência de renúncia a mandato para evitar uma punição havia resultado de emenda introduzida pelo então deputado José Eduardo Cardozo (PT), como um "enxerto casuísta" feito com o propósito de excluir determinado candidato, o ministro em questão, desmentido pela documentação comprobatória de que aquela hipótese já constava do projeto original, tentou justificar-se e acobertar sua parcialidade. Mas suas explicações acabaram deixando evidente que ele não analisou a legislação, tendo-se baseado exclusivamente nas alegações de Jader Barbalho.
De fato, em matéria publicada no dia 30 de outubro (pág. A22), informa O Estado de S.Paulo que o ministro havia afirmado ao jornal que a inelegibilidade por renúncia para evitar a cassação de mandato não estava no original do projeto. Alertado para o fato de que o rito da Lei da Ficha Limpa desmentia o ministro, o jornal pediu-lhe explicações, recebendo de sua assessoria uma resposta reconhecendo o erro, mas alegando que o ministro foi "induzido a erro" por causa do memorial de defesa de Jader que dizia que "no Congresso Nacional foram introduzidas outras cláusulas, inclusive a da alínea K, aqui versada, com endereço bem marcado". Aí está um escorregão do ministro, mas também da imprensa que, por preconceito e parcialidade, reproduziu acusações sem o cuidado de averiguar os fatos, o que seria facílimo nesse caso.
Para que se tenha claro o significado da resistência daquele ministro do Supremo Tribunal à Lei da Ficha Limpa e de sua defesa veemente dos interesses de Jader Barbalho, basta recordar alguns antecedentes. Em 1993, o então governador do estado do Pará, Jader Barbalho, ingressou em juízo, por meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade, pretendendo a anulação da demarcação de áreas indígenas que haviam sido invadidas por grileiros ricos do estado do Pará.
Em debate público sobre o assunto, realizado no auditório do jornal Folha de S.Paulo, as pretensões de Jader Barbalho foram defendidas pelos advogados Nelson Jobim e Gilmar Mendes. O julgamento da ação foi feito pelo Supremo Tribunal Federal em sessão de 17 de dezembro de 1993 e, em decisão unânime, foi rejeitada a pretensão de Jader Barbalho. Não é preciso dizer mais para que se saiba da antiga ligação de Jobim e Mendes com Jader Barbalho.
O que a cidadania brasileira espera agora é que o Supremo Tribunal Federal, que já rejeitou, nos casos Joaquim Roriz e Jader Barbalho, a alegação de inconstitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, mantenha com firmeza essa orientação. Assim se dará efetividade à exigência expressa do artigo 14, parágrafo 9º, da Constituição, segundo o qual a lei deve estabelecer outros casos de inelegibilidade, além daqueles já indicados no texto constitucional, "a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato".
UM CARTUM 'LOCAL'
Solzão pesado e inexistência ou precariedade de paradas de ônibus. Tudo a ver com Teresina.
O cartum é de Luiz Pinto, o Luiz Pê, do Pará.
CLÁSSICO EM PROSA E VERSO
CANTANDO NA CHUVA
Não é todo mundo que gosta de musicais. O argumento mais utilizado é que se trata de um gênero "irreal", uma vez que ninguém sai por aí cantando. Eu discordo. Duvido que alguém, algum dia, não tenha cantarolado uma música qualquer para expressar um momento de felicidade. O filme Cantando na Chuva fala essencialmente de amor, esse sentimento mágico que faz com que as pessoas cantem de alegria. Além disso, o filme trata também de um momento crucial da história do cinema. Não conheço outra obra que mostre tão bem como foi a transição do cinema mudo para o cinema falado. Neste ponto, o filme dirigido por Stanley Donen e Gene Kelly nos presenteia com uma verdadeira aula ao retratar de maneira ágil, inteligente e engraçada como foram absorvidas pela indústria hollywoodiana as transformações advindas com o som. Sem esquecer, é claro, três momentos de sublime magia que só o cinema é capaz de proporcionar: Donald O'Connor cantando Make 'em Laugh; Gene Kelly cantando na chuva (no caso, uma chuva de água misturada com leite) e a seqüência final com a "dublagem" de Debbie Reynolds. Depois de vê-lo, talvez você continue não gostando de musicais, mas dificilmente ficará indiferente a este filme.
CANTANDO NA CHUVA (Singing in the Rain – EUA, 1952). Direção: Stanley Donen e Gene Kelly. Elenco: Gene Kelly, Debbie Reynolds, Donald O’Connor, Jean Hagen e Millard Mitchell. Duração: 102 minutos. Distribuição: Warner.
Marden Machado
http://cinemarden.blogspot.com/ .
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