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quinta-feira, 9 de maio de 2019

AGROTÓXICOS MATARAM MEIO BILHÃO DE ABELHAS NOS ÚLTIMOS TRÊS MESES

Notícia divulgada anteontem, 7: nos três primeiros meses do ano, o Brasil liberou 166 novos agrotóxicos - número recorde -, dos quais 24 são considerados 'altamente tóxicos' e 49 'extremamente tóxicos'. São 2.232 (dois mil duzentos e trinta e dois) tipos de agrotóxicos em circulação no mercado! Mais informações Aqui.
Venenos agrícolas mataram meio bilhão de abelhas nos últimos três meses
Por Marcos Antonio Corbari (No Brasil de Fato
Os dados foram publicados pela Agência Pública de Jornalismo Investigativo, tendo como base estimativas de associações de apicultores, secretarias de agricultura e estudos realizados por universidades. A utilização indiscriminada de venenos agrícolas está colocando em risco a existência de abelhas e outros insetos polinizadores essenciais à manutenção da vida.
Aliada à alta toxidade dos químicos, a ação humana irresponsável no manejo e aplicação inadequados agravam ainda mais o crime. Iniciativas vem se somando, pesquisadores têm conseguido identificar as substâncias e os primeiros movimentos junto à justiça estão finalmente encontrando amparo e atenção em relação ao problema.
Um passo importante nessa luta partiu do pequeno município de Mata, 5 mil habitantes, localizado na região Central do RS. Ali, em outubro de 2018, mais de 20 milhões de abelhas foram mortas. “A abelha é vida, sem elas não somos nada”, afirma o representante dos apicultores e meliponicultores do município, Jaílson Mack Bressan, relembrando o importante papel que a abelha possui na polinização de inúmeras espécies vegetais e por consequência ao equilíbrio do ecossistema.
Para o produtor, além dos prejuízos financeiros causados pelo extermínio das abelhas de mais de 480 colmeias e a contaminação por venenos agrícolas de uma área de aproximadamente 18 quilômetros quadrados, também se deve ter atenção para a possível contaminação dos solos, cursos de água e até mesmo pessoas. O fato novo registrado a partir de Mata é o resultado de laudos científicos que confirmam as substâncias responsáveis pelo extermínio das abelhas, materializando as denúncias protocoladas junto à Polícia Civil, à divisão de proteção Ambiental da Brigada Militar e órgãos reguladores.
Níveis de agrotóxicos são abusivos
Responsável pelo laudo, o cientista PhD em Ecologia Antonio Libório Philomena é assertivo em suas conclusões: “O resultado das análises químicas efetuadas no mel, nas abelhas, nas crias e nos favos confirma a contaminação por níveis abusivos de agrotóxicos, sendo 2 inseticidas e 3 fungicidas”. Segundo o documento, foram encontradas nos favos com mel as substâncias Axoxistrobina, Diflubenzuron, Tebuconazol e Fipronil; nos favos com abelhas foram encontradas as substâncias Azoxistrobina e Aletrina; enquanto nas abelhas foram encontradas as substâncias Azoxistrobina, Diflubenzuron e Fipronil.
Philomena alerta ainda que a contaminação é sistêmica e múltipla, não afetando apenas as abelhas e sim toda a vida que está estabelecida na área. “As abelhas e outros polinizadores servem como espécies indicadoras da saúde dos ecossistemas e consequentemente da saúde humana”, explicou, reafirmando que novas análises precisam ser feitas levando em conta a provável contaminação de outras formas de vida presentes na área, inclusive seres humanos.
Simpósio Internacional debate a mortandade de abelhas
           Entidades gaúchas entregam representação conjunta ao MPE/RS
Durante o Simpósio Internacional Sobre Mortandade de Abelhas e Agrotóxicos, promovido pela APISBio (Articulação para a Preservação da Integridade dos Seres e da Biodiversidade) e pela APISMA (Associação dos Apicultores e Meliponicultures de Mata), mais de duas dezenas de entidades e organizações parceiras reuniram-se para debater o tema e apresentar uma representação conjunta ao Ministério Público Estadual (MPE/RS).
Atualmente o assunto está sendo tratado junto ao Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (Caoma) do MPE/RS e providências são esperadas para breve.  Ainda em maio o Ministério Público Federal também deverá ser acionado pelo grupo, através de uma nova representação que busca a abertura de inquérito civil público e propõem ação civil pública e ação penal junto à toda cadeia de responsabilidade que envolve utilizadores, aplicadores, revendedores, distribuidores, importadores e fabricantes.
“Acreditamos que a partir daqui vão se desencadear ações importantes, queremos levar esse debate a todo o país, articular a sociedade civil cumprindo o princípio da participação e da informação que constam na Constituição Federal”, expressou o jurista Renato Barcelos, um dos articuladores da representação, arrematando com uma frase de efeito que chama por mobilização: “Temos que enfrentar esse problema de forma conjunta, porque só assim ele poderá ser vencido!”.
Para saber mais
O Coletivo Catarse produziu a vídeo-reportagem “Medo da Primavera – uma hecatombe em andamento”, disponível em seu canal no Youtube e demais redes sociais. No audiovisual estão depoimentos de camponeses vitimados pela aplicação criminosa de venenos agrícolas na região central do RS, entre os municípios de Mata e Santiago. (Clique aqui para conferir).

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

AGROTÓXICO UTILIZADO CONTRA FUNGOS TAMBÉM PODE MATAR ABELHAS

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Sobre o deplorável assunto, remetemos a atenção do leitor para "Agrotóxicos mataram meio bilhão de abelhas nos últimos três meses" - Aqui -, publicado em 9 de maio.


Agrotóxico utilizado contra fungos também pode matar abelhas
Por Henrique Fontes (Assessor de comunicação do SEL/USP)
Um estudo realizado por pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, em parceria com cientistas da Universidade Federal de Viçosa (UFV), revelou que o cerconil, agrotóxico utilizado no Brasil para matar fungos, também pode ser letal para abelhas. O trabalho mostrou ainda que, mesmo aquelas que resistem inicialmente aos efeitos do produto químico, passam a se comportar como se estivessem mais velhas, indicando que não viverão por muito tempo.
Os resultados foram obtidos a partir do programa de computador desenvolvido por Jordão Natal durante seu mestrado na USP. O sistema analisou, durante 10 dias, o comportamento de 200 abelhas contaminadas com o fungicida, que é muito comum no combate a pragas de meloeiro e melancia. Elas foram colocadas junto a outras 800 abelhas saudáveis dentro de uma caixa cercada por vidros transparentes, onde câmeras registravam seus movimentos. Para diferenciar as abelhas saudáveis das contaminadas, uma marca com tinta foi feita nas costas das que ingeriram o agrotóxico. “Até o décimo dia, 65% das abelhas contaminadas haviam morrido. Já as que resistiram, tiveram seu comportamento alterado, aparentando estarem idosas, já que faziam atividades incompatíveis com a idade, como tarefas de limpeza e a procura por alimentos”, relata Natal, que teve sua pesquisa financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Vale ressaltar que as abelhas vivem, em média, 44 dias, ou seja, a maioria delas estaria morrendo antes de completar um quarto de suas vidas.
Algo que ajudou o sistema a interpretar essa grande quantidade de dados ao final do período analisado foi a localização das abelhas contaminadas dentro da caixa. A posição das polinizadoras tende a revelar em que fase da vida elas estão, pois, conforme elas envelhecem, se aproximam das extremidades. “O software foi capaz de monitorar as ações de cada uma das abelhas, o que é uma tarefa muito difícil, por serem animais de tamanho semelhante, que estão quase sempre em movimento e se cruzando rapidamente”, explica Carlos Maciel, professor do Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação (SEL) da EESC e orientador da pesquisa. Apesar do desafio, o programa, que levou cerca de 10 meses para ser desenvolvido e captura até 30 fotos por segundo, apresentou um índice de 99% de precisão.
Contaminadas com doses não letais de cerconil no apiário da UFV, as abelhas utilizadas no estudo são da espécie Apis mellífera, a mais comum do mundo. “O que mais nos chocou foi descobrir que um fungicida até então inofensivo para abelhas se mostrou mais tóxico que o imidaclopride, inseticida considerado o grande vilão dos cultivos agrícolas. Os dados são preocupantes”, afirma Eugênio de Oliveira, professor de entomologia da UFV. Apesar de ainda não haver um entendimento sobre o motivo de o fungicida ter levado as abelhas à morte, o docente suspeita que o produto pode estar anulando os efeitos de enzimas responsáveis pela desintoxicação desses insetos.
No trabalho, os pesquisadores também analisaram o comportamento de abelhas que ingeriram o imidaclopride. Derivado da nicotina, o produto normalmente é aplicado em pomares, plantações de arroz, algodão e batata e, embora seja proibido em diversos países, seu uso ainda é permitido no Brasil. O software da USP mostrou que aproximadamente 52% das abelhas contaminadas com o agroquímico estavam mortas no décimo dia.

“A extinção das abelhas é uma preocupação global, pois se trata de um problema que não afeta apenas o meio ambiente, mas também a economia. Elas participam de boa parte da polinização de nossos alimentos, alguns deles, inclusive, polinizados exclusivamente por elas”, alerta Maciel, que também é pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Sistemas Autônomos Cooperativos (InSAC), sediado no SEL. Segundo o estudo realizado pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), em parceria com a Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (Rebipp), o valor do trabalho prestado pelos animais polinizadores à agricultura brasileira gira em torno de R$ 43 bilhões por ano. O levantamento considerou 67 cultivos, sendo que a soja, primeira colocada, responde por 60% do valor estimado, seguida pelo café (12%), laranja (5%) e maçã (4%).
Com a nova tecnologia criada na EESC, que já está pronta para ser utilizada no mercado, a missão de compreender o comportamento de animais que atuam de forma coletiva se tornou mais simples, pois toda interação entre esses organismos e o meio ambiente poderá ser “ensinada” para o computador em forma de algoritmos. “O que o sistema fez em semanas, nós levaríamos alguns anos para mensurar”, comemora Eugênio. Combinando técnicas de inteligência artificial e big data, o software desenvolvido conseguiu analisar dezenas de horas de vídeo, totalizando 700 gigabytes de material. A partir de agora, os pesquisadores pretendem estudar o comportamento de abelhas contaminadas com outros tipos de agrotóxicos, a fim de ampliar o entendimento a respeito dos efeitos desses produtos químicos.  -  (Fonte: Jornal da USP - Aqui).

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

PETIÇÃO PERTINENTE


Vários estudos científicos mencionam um tipo de agrotóxico que contribui para o extermínio das abelhas, e elas estão sendo mortas aos bilhões mundo afora. Em quatro países europeus que baniram esses produtos, algumas populações de abelhas já estão se recuperando. Mas empresas químicas poderosas estão fazendo um lobby pesado para continuar vendendo esses venenos. A única maneira de salvar as abelhas é pressionar os EUA e a União Europeia para que adiram à proibição de tais produtos  - esta ação é fundamental e terá um efeito dominó no resto do mundo.

Para agir, clique no endereço:

https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?cl=906235015&v=8149

Explicitação:

As abelhas são vitais para a vida na Terra - a cada ano elas polinizam plantas e plantações com um valor estimado em US$40 bilhões, mais de um terço da produção de alimentos em muitos países. Sem ações imediatas para salvar as abelhas, poderíamos acabar sem frutos, legumes, nozes, óleos e algodão.

Nos últimos anos, temos visto um declínio acentuado e preocupante a nível global das populações de abelhas - algumas espécies de abelhas estão extintas e outras chegaram a 4% da população no passado. Cientistas vêm lutando para obter respostas. Alguns estudos afirmam que o declínio pode ser devido a uma combinação de fatores, incluindo doenças, perda de habitat e utilização de produtos químicos tóxicos. Mas um importante estudo independente recente produziu evidências fortes culpando os agrotóxicos neonicotinóides. A França, Itália, Eslovênia, e até a Alemanha, sede do maior produtor do agrotóxico, a Bayer, baniram alguns destes produtos que matam abelhas. Porém, enquanto isto, a Bayer continua a exportar o seu veneno para o mundo inteiro.

Este debate está esquentando a medida que novos estudos confirmam a dimensão do problema. Se conseguirmos que os governantes europeus e dos EUA assumam medidas, outros países seguirão o exemplo. Não vai ser fácil. Um documento vazado mostra que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA já sabia sobre os perigos do agrotóxico, mas os ignorou. O documento diz que o produto da Bayer é "altamente tóxico" e representa um "grande risco para os insetos não-alvo (abelhas)".

Temos de fazer ouvir as nossas vozes para combater a influência da Bayer sobre governantes e cientistas, tanto nos EUA quanto na UE, onde eles financiam pesquisas e participam de conselhos de políticas agrícolas. Os reais peritos - apicultores e agricultores - querem que estes agrotóxicos letais sejam proibidos, a não ser que oferecidas evidências sólidas comprovando que eles são seguros. Vamos apoiá-los agora.
Não podemos mais deixar a nossa cadeia alimentar delicada nas mãos de pesquisas patrocinadas por empresas químicas e os legisladores que eles pagam. Proibir este agrotóxico é um caminho necessário para um mundo mais seguro tanto para nós quanto para as outras espécies com as quais nos preocupamos e que dependem de nós.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

PARA DENUNCIAR OS AGROTÓXICOS, VEM AÍ O ROBOTOX

Só este ano, 166 registros de agrotóxicos foram liberados para uso no Brasil. São 2.232 (dois mil duzentos e trinta e dois) tipos de agrotóxicos em circulação no mercado brasileiro! Mais informações Aqui. (Atenção, ao final do post, para os DOIS CLIQUES).
(GGN)
Projeto cria robô que tuíta sempre que o Governo Federal libera um registro de novo agrotóxico
Agência Pública / Repórter Brasil
De janeiro até hoje, o Governo Federal publicou no Diário Oficial da União as aprovações de 166 novos registros de agrotóxicos. Desses, 48 são classificados como extremamente tóxicos. Desde 2016, as liberações têm batido recordes: só no ano passado 450 pesticidas passaram a ser vendidos de formas diferentes no Brasil.  Embora os ingredientes ativos dos produtos já fossem vendidos, os novos registros autorizam uso em novas culturas, fabricação por novas empresas ou combinações com outros químicos.
Para deixar o cidadão a par de todas essas liberações, o projeto Por Trás do Alimento, parceria da Agência Pública com a Repórter Brasil, lança hoje (ontem, 14) o Robotox, um robô que vai publicar no Twitter todas as novas liberações de agrotóxicos concedidas pelo Governo Federal. Basta seguir a conta @orobotox, ou www.twitter.com/orobotox.
A fonte das informações do Robotox é o Diário Oficial da União. “Criamos essa ferramenta para os cidadãos poderem acompanhar, de perto e com informações oficiais, todos os novos produtos agrotóxicos que forem liberados no mercado brasileiro. É preciso que essa política tenha mais transparência e seja mais debatida com a população”, explica Natalia Viana, co-diretora da Pública.
O Robotox também vai informar o número total de agrotóxicos aprovados, grau de toxicidade, nome do produto e da empresa. Um levantamento do Por Trás do Alimento revela que dos 166 pesticidas com registros aprovados neste ano, apenas 5% são totalmente produzidos em solo nacional. Isso mostra que estamos nos tornando cada vez mais não só consumidores, mas importadores de agrotóxicos.
O robô vai fazer postagens todos os dias. Caso não haja novas aprovações, vai informar o número de pesticidas liberados desde o início do ano e quantos produtos são comercializados no Brasil atualmente.
Quando houver liberação, o Robotox vai disparar tuítes com a marca do produto, cidade sede da empresa, nome comercial, classificação toxicológica e as culturas indicadas para uso.
“Essa é a segunda ferramenta com dados sobre agrotóxicos que lançamos esse ano, a primeira foi o mapa sobre a contaminação da água que chega às torneiras dos brasileiros. Nos dois casos, trabalhamos para dar transparência a dados que são públicos”, afirma Ana Aranha, jornalista da Repórter Brasil.
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DOIS CLIQUES
1. Clique AQUI para ler "Agrotóxicos mataram meio bilhão de abelhas nos últimos três meses", publicado no dia 9 deste mês;
2. Clique AQUI para conferir o MAPA BRASIL e saber se a água que sai da sua torneira está contaminada.

domingo, 14 de janeiro de 2018

RIOS ESGOTOS DESEMBOCAM NO ARMAGEDOM

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Entre os muitos 'causos' do folclore político, um dá conta de que certo homem público, discutindo alternativas de aplicação de recursos orçamentários, relata plano de investimento em saneamento básico, ao que o interlocutor 'corta' o papo: "Aplicar nossos parcos recursos em saneamento básico é burrice, pelo simples fato de que esgoto, galerias subterrâneas, não causam impacto: a mídia não pode fazer auê, o eleitor não vê. Resultado: zero em dividendos. Logo, não dá!". A observação é 100% míope, claro, porém certas 'visões' políticas a consideram 'lógica'.
Mas, o que dizer dos rios estropiados, expostos na praça pública nacional, prenhes de impunidade?


Poluição dos rios pode desencadear um "Armagedom ecológico"

Por Carlos Coimbra

A qualidade da água dos rios brasileiros, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, é consideravelmente preocupante. A poluição proporcionada por esgoto doméstico, resíduos industriais e resíduos de atividades agropecuárias estão entre as principais causas dessa preocupação.
Até mesmo o detergente doméstico, quando atinge as bacias, pode ser fonte de fósforo e outros poluentes capazes de desenvolver um fenômeno chamado “eutrofização”, que é o crescimento desproporcional de algas indesejáveis nos leitos dos rios.
Só para ter ideia, uma das vertentes menos problemáticas dessa contaminação é aquela relacionada ao impacto da qualidade da água na eficiência de turbinas de geração hidrelétrica. Lagos de usinas com uma grande presença de algas podem ser menos eficientes na produção de energia. Nesse sentido, a Itaipu Binacional proporciona periodicamente campanhas educativas e estudos de impacto para verificar a eutrofização de rios e afluentes da bacia do Paraná, no sul do país. Ali, um dos grandes responsáveis pelo fenômeno indesejado é a infiltração de agrotóxicos e resíduos de esterqueiras principalmente de aviários e chiqueirões.
Fósforo e outros poluentes podem gerar problemas muito piores que a eutrofização, como, por exemplo, o desencadeamento da extinção maciça de espécies animais.
Estudo publicado neste mês por equipe de cientistas ingleses na revista Environmental Pollution indica que até mesmo águas contaminadas com índices modestos de fósforo são ambientes propícios à morte dos ovos de determinados insetos que participam da cadeia alimentar fluvial. (Veja o artigo original em inglês neste link.)
Esse é o caso principalmente dos insetos do gênero Ephemera. Aqui no Brasil há cerca de 160 espécies deste tipo de inseto.
Na pesquisa constatou-se que 80% dos ovos de Ephemera são destruídos quando um rio está contaminado por índices de fosfato em torno de 0,07 miligramas por litro. Esse índice é muito menor do que o observado por exemplo em rios da Grande Campinas (veja aqui).
Como muitos peixes, aves, anfíbios e mamíferos se alimentam de insetos adultos ou mesmo ovos de Ephemera, a extinção deste tipo de inseto pode causar problemas graves na cadeia alimentar dos rios, levando a uma reação em cadeia de impactos ambientais sem precedente. Por isso, alguns analistas têm considerado o resultado do estudo como apenas a ponta do iceberg. É compreensível que seja mesmo a ponta de um iceberg, já que rios poluídos também desembocam nos oceanos, o que afeta a frágil vida marinha dos estuários.
De uma forma geral, outros estudos também apontam que o uso intenso de agrotóxicos está afetando o ciclo de vida de abelhas e outros insetos. Por exemplo, em outubro do ano passado, uma pesquisa realizada por cientistas alemães descobriu que a abundância de insetos voadores diminuiu em 75% em 25 anos, levantando a possibilidade de que o mundo está em curso para um “Armagedom ecológico”, com impactos profundos na sociedade humana (veja aqui).
[Carlos H. Coimbra (twitter: @carloscoimbra9) é professor da Universidade Federal do Paraná e cientista da área da astrofísica e cosmologia. Gosta também de dar pitacos em áreas como meio ambiente, aproveitamento de energia e cultura em geral].  -  (aqui).