sábado, 13 de novembro de 2010

CARICATURAS EM CINEMASCOPE


Sophia Loren, atriz italiana, por João de Deus Netto.

O intrépido Netto, titular do JenipapoNews (humor em geral) e do Picinez (literatura), acaba de inaugurar um blog dedicado ao cinema:

http://cinemascopeblog.blogspot.com/ .

MEU PROBLEMA COM OS JORNAIS VELHOS (E OS NOVOS)


por Luiz Carlos Azenha

Não dou conta de ler todos os jornais que assinei durante o período eleitoral. Tenho preguiça. Os jornais são previsíveis: tudo é culpa do Lula ou do governo federal. Mudam as manchetes, mas o foco é sempre o mesmo. Nem parece que a campanha eleitoral terminou. Os jornais são uma campanha eleitoral permanente. O menu é formulaico: em defesa de menos governo, da redução dos gastos públicos, da redução dos impostos, contra “setores radicais” (sic) do PT, em defesa do Palocci e do Jobim, etc.

Curiosamente, nem os jornais cumprem na prática a enfática defesa que fazem das leis do mercado. Tentei cancelar O Globo. O jornal continua a chegar. Recebi uma ligação: o sr. não pagou O Globo. Respondi: não quero mais receber o jornal, cancele o envio e mande-me a conta até hoje. O jornal fez que não era com ele: mandou um boleto de mês cheio, como se eu quisesse continuar recebendo o jornal. O Globo, aparentemente, não aceita minha decisão de cancelá-lo.

Ligo para o peixeiro de Maresias: fulano, acumulei um montão de jornais velhos aqui em casa. Quando descer, vou levá-los para você. Ele: Olha, agradeço, mas dispenso. Os compradores já não aceitam jornal. Querem papel sem tinta para embrulhar os peixes.

Ligo para o zelador: seo Antonio, tem jornais aqui, o sr. manda buscar e entrega para aquele nosso amigo da carrocinha? Ele: Seo Azenha, ele não leva jornais. Diz que não vale a pena, por causa do peso. Leva papelão, metal ou vidro. Jornal, não.

Ligo para a cooperativa de recicláveis. “Amigo, tenho centenas de jornais velhos aqui em casa. Será que alguém se interessa? “. Resposta: Desculpe, mas nosso problema é portabilidade. Juro que ele falou “portabilidade”. Deve ser um daqueles que receberam dinheiro do BNDES, via governo federal. Depois, explicou:

Ele: Jornal não compensa.

Eu: É, eu cancelei.

Ele: Não vale quanto pesa.

Eu: É, ainda mais com os editoriais…

Ele: É sujo.

Eu: Não, amigo, sujos são os blogs.

Ele: Hein?

Eu: E o Merval, alguém merece?

Ele: Mer… quem?

Eu: O cara do Globo.

Ele: Ah, adoro aquele biscoito.

O resumo da ópera é que continuo com os jornais. Os novos e os velhos. Faz diferença?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

CARTUM ÔMEGA 3


Por Luis Fernando Veríssimo.

GREEN CARTUNS


A proposta do livro "Aquecimento Global em cartuns" é dar um alerta para a vida, no qual os cartunistas terão o desafio de mostrar o risco que o planeta e a humanidade correm. Desta forma, os autores participantes são convidados a fazer um traçado sobre as consequências do aquecimento global, e assim, despertar a sociedade para a seriedade do problema. Os cartuns abordam a questão do aquecimento global com bom humor e bastante irreverência, que visa expressar, através do humor gráfico, um alerta sobre a importância da preservação ambiental em nosso planeta.O cartunista Léo Valença desenvolveu o projeto do livro em parceria com o portal Brazil Cartoon, que realizou um processo de seleção de cartunistas, onde foram selecionados 25 trabalhos inscritos para a publicação. A coletânea visa criar um espaço de divulgação de novos talentos do humor gráfico e desenvolver uma reflexão sobre a questão do aquecimento global. Cada cartunista selecionado e autor participante da publicação contribui com um cartum que ele desenvolveu sobre o tema. Os autores participantes são: Léo Valença, Leite, Jottas, Da Costa, Jorge Barreto, Alex Larcher, J. Bosco, Waldez Duarte, Alan Souto Maior, José Alves Neto, Casso, Ferreth, Kampos, Lederly Mendonça, Jota A, Lex Franco, Gustavo Oliveira, Bira Dantas, Marcelo Rampazzo, Melo, Marcos Noel, Adriano Louzada, Moises Macedo, Max e Edra.

O livro poderá ser comprado pelo site da editora POD no link abaixo:

http://www.podeditora.com.br/produtos.asp?lang=pt_BR&tipo_busca=subcategoria&codigo_categoria=1&codigo_subcategoria=28

...............
Do http://greencartoon.blogspot.com/ .

OLD TICKET BLUES


Pais do blues, do rock'n'roll, das baladas e do yeah yeah yeah, ops, iê-iê-iê.

Pré-pré-pré Rolling Stones, Elvis, Beach Boys, Beatles etc-etc-etc.

OLD HEBDÔ


O PASQUIM, marcante semanário carioca (1969-1991) onde pontificou o caricaturista, ilustrador e compositor NÁSSARA, autor, por exemplo, do desenho da capa do exemplar acima.

Para  o craque Nássara, o meio de campo jamais embolou.

CENTENÁRIO DE NÁSSARA


Antônio Gabriel Nássara. Caricaturista e compositor. Rio de Janeiro, 11.11.1910 - 11.12.1996.

Imperdível a homenagem oferecida por Laura Macedo em:

. blog do jornalista Luis Nassif (link ao lado: Luis Nassif);

. blog de Laura Macedo no Portal Luis Nassif (link ao lado: Laura Macedo).

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

CARICATURAS LETRADAS DO BIRATAN (I)


AMY WINEHOUSE.

(Fará shows no Brasil em janeiro próximo).

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

FICHA LIMPA JADER!


(Charge: Kayser).

ESCORREGÕES DA IMPRENSA E DO MAGISTRADO

Por Dalmo de Abreu Dallari

A defesa dos políticos "fichas-sujas" vem sendo feita de maneira desastrada, inclusive com a utilização de afirmações falsas quanto à origem de disposições da Lei da Ficha Limpa, numa tentativa de desmoralizar a própria lei, assim como seus propositores e o Congresso Nacional, que a aprovou.

Um aspecto lamentável, que deve ser assinalado, é que, além dos interessados diretos na oposição de obstáculos à aplicação da Lei da Ficha Limpa, aparece como ostensivo e apaixonado defensor dos atingidos por essa lei um ministro do Supremo Tribunal Federal. Esse comportamento do ministro pode parecer ilógico e contraditório para quem acredita que os integrantes da Corte Suprema são padrões de moralidade e defensores intransigentes dos princípios e normas da Constituição, mas para quem há várias décadas vem acompanhando as vicissitudes do Tribunal máximo do país o destempero do referido ministro é apenas mais uma comprovação da persistência de antigos vícios e compromissos.

Um ponto muito importante, que merece especial referência, é que o empenho exagerado na defesa de Jader Barbalho (PMDB) acabou revelando que o voto de um ministro do Supremo Tribunal Federal pode ter como único fundamento as alegações da parte interessada. Com efeito, depois de ter induzido a imprensa a divulgar uma falsidade, ou seja, a afirmação de que a inelegibilidade em decorrência de renúncia a mandato para evitar uma punição havia resultado de emenda introduzida pelo então deputado José Eduardo Cardozo (PT), como um "enxerto casuísta" feito com o propósito de excluir determinado candidato, o ministro em questão, desmentido pela documentação comprobatória de que aquela hipótese já constava do projeto original, tentou justificar-se e acobertar sua parcialidade. Mas suas explicações acabaram deixando evidente que ele não analisou a legislação, tendo-se baseado exclusivamente nas alegações de Jader Barbalho.

De fato, em matéria publicada no dia 30 de outubro (pág. A22), informa O Estado de S.Paulo que o ministro havia afirmado ao jornal que a inelegibilidade por renúncia para evitar a cassação de mandato não estava no original do projeto. Alertado para o fato de que o rito da Lei da Ficha Limpa desmentia o ministro, o jornal pediu-lhe explicações, recebendo de sua assessoria uma resposta reconhecendo o erro, mas alegando que o ministro foi "induzido a erro" por causa do memorial de defesa de Jader que dizia que "no Congresso Nacional foram introduzidas outras cláusulas, inclusive a da alínea K, aqui versada, com endereço bem marcado". Aí está um escorregão do ministro, mas também da imprensa que, por preconceito e parcialidade, reproduziu acusações sem o cuidado de averiguar os fatos, o que seria facílimo nesse caso.

Para que se tenha claro o significado da resistência daquele ministro do Supremo Tribunal à Lei da Ficha Limpa e de sua defesa veemente dos interesses de Jader Barbalho, basta recordar alguns antecedentes. Em 1993, o então governador do estado do Pará, Jader Barbalho, ingressou em juízo, por meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade, pretendendo a anulação da demarcação de áreas indígenas que haviam sido invadidas por grileiros ricos do estado do Pará.

Em debate público sobre o assunto, realizado no auditório do jornal Folha de S.Paulo, as pretensões de Jader Barbalho foram defendidas pelos advogados Nelson Jobim e Gilmar Mendes. O julgamento da ação foi feito pelo Supremo Tribunal Federal em sessão de 17 de dezembro de 1993 e, em decisão unânime, foi rejeitada a pretensão de Jader Barbalho. Não é preciso dizer mais para que se saiba da antiga ligação de Jobim e Mendes com Jader Barbalho.

O que a cidadania brasileira espera agora é que o Supremo Tribunal Federal, que já rejeitou, nos casos Joaquim Roriz e Jader Barbalho, a alegação de inconstitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, mantenha com firmeza essa orientação. Assim se dará efetividade à exigência expressa do artigo 14, parágrafo 9º, da Constituição, segundo o qual a lei deve estabelecer outros casos de inelegibilidade, além daqueles já indicados no texto constitucional, "a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato".

UM CARTUM 'LOCAL'


Solzão pesado e inexistência ou precariedade de paradas de ônibus. Tudo a ver com Teresina.

O cartum é de Luiz Pinto, o Luiz Pê, do Pará.

CLÁSSICO EM PROSA E VERSO


CANTANDO NA CHUVA

Não é todo mundo que gosta de musicais. O argumento mais utilizado é que se trata de um gênero "irreal", uma vez que ninguém sai por aí cantando. Eu discordo. Duvido que alguém, algum dia, não tenha cantarolado uma música qualquer para expressar um momento de felicidade. O filme Cantando na Chuva fala essencialmente de amor, esse sentimento mágico que faz com que as pessoas cantem de alegria. Além disso, o filme trata também de um momento crucial da história do cinema. Não conheço outra obra que mostre tão bem como foi a transição do cinema mudo para o cinema falado. Neste ponto, o filme dirigido por Stanley Donen e Gene Kelly nos presenteia com uma verdadeira aula ao retratar de maneira ágil, inteligente e engraçada como foram absorvidas pela indústria hollywoodiana as transformações advindas com o som. Sem esquecer, é claro, três momentos de sublime magia que só o cinema é capaz de proporcionar: Donald O'Connor cantando Make 'em Laugh; Gene Kelly cantando na chuva (no caso, uma chuva de água misturada com leite) e a seqüência final com a "dublagem" de Debbie Reynolds. Depois de vê-lo, talvez você continue não gostando de musicais, mas dificilmente ficará indiferente a este filme.

CANTANDO NA CHUVA (Singing in the Rain – EUA, 1952). Direção: Stanley Donen e Gene Kelly. Elenco: Gene Kelly, Debbie Reynolds, Donald O’Connor, Jean Hagen e Millard Mitchell. Duração: 102 minutos. Distribuição: Warner.

Marden Machado
http://cinemarden.blogspot.com/ .

OLD PRÉ-BEATLES

terça-feira, 9 de novembro de 2010

TORQUATO, 66


"Um dia, descerrando as pálpebras, e chorando, pensei: 'vivo'. Então começou a angústia, este sopro de animal estranho."

(Alfonso Reyes. 'Poesias Mexicanas').

ECOS DE UM CLÁSSICO DO CINEMA E DA VIDA REAL


Uma região industrial de Cracóvia, na Polônia, atrai hordas de turistas, embora não seja, em princípio, um lugar tipicamente turístico. A razão é que ali se encontra a antiga fábrica de Oskar Schindler, que inspirou o diretor norte-americano Steven Spielberg a rodar, em 1993, o mundialmente conhecido A Lista de Schindler, filme que conta os atos heroicos do industrial que salvou centenas de judeus durante a Segunda Guerra. (...)

A prefeitura de Cracóvia transformou a antiga fábrica em um museu e inaugurou a primeira exposição permanente sobre a vida na cidade durante a ocupação nazista, intitulada Cracóvia: ocupação entre 1939 e 1945. A mostra é composta da biografia de Oskar Schindler e dos funcionários de sua fábrica. (...)

Filho de uma família de industriais, Oskar Schindler viveu entre 1908 e 1974. Em outubro de 1939, após a ocupação da Polônia por forças nazistas, ele comprou uma fábrica de utensílios de cozinha em Cracóvia, que até a passagem compulsória das propriedades para mãos de "arianos" pertencia a judeus.

A fábrica produzia utensílios de metal para cozinha e mais tarde peças para a indústria armamentista. (...)

Em sua fábrica, ele ocupava 1.200 trabalhadores forçados, que integraram sua famosa lista e foram por ele declarados "imprescindíveis" para a produção bélica nazista. Assim, ele salvou a vida de seus funcionários da morte certa nos campos de concentração.

"Depois do fim da guerra, a fábrica de Schindler foi estatizada em 1947 e transformada na fornecedora de material de telecomunicações Telpod. Em 2002, a empresa fechou as portas. Três anos mais tarde, as instalações foram compradas pela prefeitura de Cracóvia. A cidade resolveu transformar a fábrica em museu", conta Monika Bednarek, coordenadora da mostra. (...)

Steven Spielberg imortalizou com seu filme o nome de Schindler. Em Cracóvia, ele criou um memorial ao industrial alemão. A prefeitura local perpetua essa tradição da lembrança e mantém viva, de maneira impressionante, a memória dos judeus que um dia viveram na cidade.

Por Justyna Bronska.

IT'S ALL MONEY


Post trilingue da amiga Beth, do Viva Babel (link ao lado),  baita miniconto:

"Tinha um amigo muito louco chamado Joca. Toda vez que me encontrava e/ou telefonava dizia seu slogan: 'Its only rock and roll, babe, but I like it'.

A última vez que vi tinha virado pastor e me convidou pro templo. Eu disse que jamé de la vie que eu iria.

Unbelievable."

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ALERTA DIVINO PARA AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES

www.umsabadoqualquer.com/ .

DEUS, EINSTEIN E O MORTAL COMUM

www.umsabadoqualquer.com/

SPIRIT EISNER

AO CORAÇÃO DA TEMPESTADE



"Ao Coração da Tempestade", do aclamado quadrinista nova-iorquino Will Eisner (1917-2005), perscruta as origens do preconceito por meio da própria trajetória do autor.

Membro de família judia imigrada para os EUA, o artista combateu na Segunda Guerra e pôde sentir, ao transitar pela Europa, o tratamento reservado para os pertencentes à sua origem étnica e religiosa.

O quadrinho retrata desde a vida dura do clã recém-chegado na América do Norte até os dias de Eisner como soldado. O autor mostra que a discriminação não é um comportamento exclusivo dos nazistas.

"Ao Coração da Tempestade" levou um ano para ser produzido e foi publicado originalmente, nos Estados Unidos, em 1991. Segundo o próprio quadrinista, realizá-lo teve um efeito terapêutico sobre ele.
................
Ao Coração da Tempestade
Autor: Will Eisner
Editora: Quadrinhos na Cia.
Páginas: 216

KAMA SUTRA 2.0


Por Ivan Lessa.
BBC Brasil.

Um pouco tarde para mim, vem aí, em inglês, uma nova edição do Kama Sutra, o texto indiano que versa e proseia sobre o comportamento sexual humano e tido como o trabalho definitivo sobre o amor na língua sânscrita.

Desconheço outros trabalhos na língua sânscrita. Nunca me passou pela frente um único sânscrito. Conheci, de certa feita, um armênio, mas creio que isso não tem nada a ver com a história. De qualquer forma, ele se chamava Aram e contava anedota bem à beça. Nascera em São Paulo e tinha ódio quando o chamavam de “turquinho”.

Desviei-me completamente do assunto. Permitam-me, após breve consulta aos compêndios informatizados, e para os que chegaram tarde, com as luzes já apagadas e o espetáculo iniciado, esclarecer que o Kama Sutra, ao contrário do que diz e pensa muita gente boa, não é manual de sexo coisíssima alguma.

Também não é trabalho sagrado ou religioso. Tampouco constitui um texto tântrico, que, por uma questão de espaço, não vou explicar agora do que se trata. O Kama é a literatura do desejo. Uma espécie de Carlos Zéfiro milenar é muito mais pretensioso do que o nosso herói, outrora misterioso e hoje emblemático e icônico. O Sutra, a outra metade do (da?) Kama, feito a Marocas, mulher do Pafúncio, é uma série de aforismos. Para nenhum Oscar Wilde botar defeito, diga-se de passagem.

Reza e ora a tradição que a autoria do Kama Sutra, que quem juntou uma coisa a outra (sim, estamos chegando lá) foi um estudante celibatário, nascido possivelmente no século 4 de nosso calendário. A ser verdade e não lenda, o solteirão em questão (esses solteirões só pensam em sacanagem, dirão muitos), anônimo para toda a eternidade, viveu durante o ápice da Dinastia Gupta. Garantem-me que isso foi muito bom, uma verdadeira época de ouro, quase que como os nossos anos Lula, a findarem, até certo ponto, agora em dezembro.

Vamos ao que interessa. Não, não são os aforismos. É o tratado, propriamente dito, que, a rigor é um enfileiramento (já ouviram falar da “posição do trenzinho”?) de modalidades físicas a serem adotadas por dois parceiros amorosos, de preferência de sexo diferentes, no sentido de gênero e não anomalia física. Assim chegou a nós, assim fomos fuçar na biblioteca de nossos pais e avós, assim procuramos nos alfarrabistas toscas edições semi-clandestinas e caindo aos pedaços, inda que caríssimas.

Em português, que eu conheci e folheei guiado apenas pelos mais altos princípios acadêmicos, confesso que, lá pela página 14, já desandava a rir. Principalmente dos nomes dados às diversas posições e o aspecto físico dos participantes, para não falar de suas bizarras, carnavalescas mesmo, vestes utilizadas para a ocasião. Sempre me ocorreu: por que tanto roupa, meu Shiva dos céus! Isso só vai atrapalhar o bom andamento do processo.

Não sei como será a nova edição do Kama Sutra, que, no título, chamei de 2.0, pois estou cansado de ver isso empregado nas mais diversas modalidades cibernéticas e me sugere modernidade informatizada da qual quero fazer parte. No entanto, é apenas mais uma edição do que já foi, para seguidas gerações, um livro quase tão proibido e proibitivo quanto os de Henry Miller ou O Amante de Lady Chatterley, de D.H. Lawrence.

A pergunta a ser feita é simples: terá alguma relevância para os jovens ou não jovens de hoje uma nova edição do Kama Sutra? Acho que não. Tenho dúvidas se pegaria ou não mesmo sob o formato de videogame. Sejamos sinceros, nós, ou eles aí, já viram e fizeram de tudo. Só se for para rir – e uso esse verbo e não “gozar” porque eu não sou besta.

Frise-se que a nova edição, além de rever o sânscrito tradicional, traz ilustrações mais condignas com o século 19 do que este em que vivemos. Isso está me cheirando é a nostalgia, a saudosismo. Posição do camelo? Do cabrito? De alguma espécie em extinção, feito o urso panda? Besteira. E besteira da grossa. Nesse não investirei o pouco dinheirinho que tenho sobrando para uma necessidade de última hora. Kama Sutra, francamente, não consta de minha lista.

CARAS RELÍQUIAS


Cartunista Siné, revista Status nº 1, agosto de 1974.

domingo, 7 de novembro de 2010

OS INABALÁVEIS


Uma semana após a sova eleitoral, os inabaláveis voltam à cena para ministrar 'aulas magnas' aos mortais comuns.

Quem lhes infligiu a enxurrada de votos nas fuças não tem mérito algum, visto que tudo, absolutamente tudo o que foi feito é decorrência do Plano Real.

Os inabaláveis esquecem que os mortais comuns sabem que não é por aí. Sabem que hoje o Brasil estaria no buraco (como quebrado esteve três vezes no governo FHC) se tivesse seguido a receita do Estado Mínimo e ficado impassível quando da rebordosa mundial de 2008 - da qual o Brasil foi salvo graças aos bancos estatais e investimentos massificados, somados à grana dos programas sociais.

Como diz o outro: "Apiedemo-nos dos inabaláveis, pois eles, coitados, de boca tão seca de desapontamento ante à acachapante derrota, não dispõem do mínimo de saliva para lamber as feridas."  

sábado, 6 de novembro de 2010

CUMPRIMENTOS


Saul Steinberg.

WONDERFUL PICLES



DA DISCUSSÃO EXASPERADA NASCE O SALTO NO ESCURO.


O negócio é ser ateu, e seja irrelevante o que Deus quiser.


ATÉ NO CAMPO DA ECOLOGIA, O ÊXITO ALHEIO É OFENSA A DAR COM PAU.


A história pune os farsantes
mesmo que bem depois

O VENCEDOR, O PERDEDOR E AS BATATAS


Por Thomas Pappon
BBC Brasil

Nesta semana testemunhei no meu supermercado, o Sainsbury’s, o lançamento (...) de um novo tipo de batata: a purple majesty potato.

Trata-se de uma batata-roxa, desenvolvida pelo maior produtor e distribuidor de batatas do país, a Albert Bartlett, que garante que o tubérculo não é transgênico, mas, sim, o resultado de cruzamentos de tipos de batata vermelha e roxa já existentes.

Um dos pontos de venda da batata é que ela contém níveis altos do antioxidante antocianina, o mesmo flavonoide que transformou a blueberry - fruta silvestre conhecida no Brasil (ou não) como mirtilo – em uma coqueluche entre os "superalimentos", devido a suas supostas propriedades antiinflamatórias e anti-cancerígenas.

Eu comprei um saco das batatas, que preparei para um jantar: bisteca de porco grelhada com purê de batatas, couve-de-bruxelas e molho.

O purê era de um roxo escuro denso que eu nunca tinha visto num prato de comida. O gosto era de batata, mas uma batata diferente, com leve gosto de terra.

Uma colega aqui da BBC Brasil, a Iracema, disse que viu purês como esse no Brasil, da batata-doce roxa. Mas a purple majesty não é doce e seu aspecto é diferente, bem mais de batata normal do que de batata-doce, alongada.

Portanto, caros leitores, posso me gabar de ter sido, com grande probabilidade, o primeiro brasileiro a comprar, cozinhar, provar e escrever um blog sobre a purple majesty ( e, em breve, serei o primeiro brasileiro a fazer uma fish pie – torta de peixe -, com o purê que sobrou).

Minha intenção nesse blog era aproveitar a purple majesty para falar das variedades de batatas encontradas aqui na Europa e mostrar que o tubérculo tem uma importância e um peso bem maiores na culinária local do que no Brasil, talvez por causa da onipresença, ali, do arroz.

Mas como isso é bem manjado, prefiro compartilhar com vocês 14 fatos sensacionais que descobri sobre batatas:

1. As batatas surgiram nos Andes, onde vinham sendo cultivadas há milhares de anos. Há divergências, no entanto, sobre o local exato. A Wikipedia diz que exames de DNA constataram que 99% das batatas no mundo descendem de uma espécie cultivada há 10 mil anos em uma ilha na costa do Chile. Outras fontes dizem que as primeiras batatas vieram do centro-sul do Peru.

2. A primeira venda documentada na Europa de uma batata foi em um hospital em Sevilha, Espanha, em 1573.

3. A batata é hoje alimento básico de dois terços da população mundial.

4. A Grande Fome na Irlanda de 1846 veio em decorrência de um fungo que destruiu as plantações de batatas por dois anos seguidos.

5. A batata frita (conhecida no mundo anglófono como french fries) foi introduzida nos Estados Unidos em um jantar oferecido na Casa Branca por Thomas Jefferson (que viria a ser o segundo presidente do país), na volta de uma visita à Europa.

6. Existem 4,2 mil variedades diferentes em 101 países, segundo o World Catalogue of Potato Varieties de 2007. O Centro Internacional de Batatas, em Lima, no Peru, diz que só na América Latina existem 3.527 variedades.

7. Há uma teoria de que a batata chegou à Irlanda literalmente pelo mar – boiando dos destroços da Armada Espanhola derrotada pelos ingleses em 1588. Aldeões na costa coletaram as batatas e passaram a plantá-las.

8. A história e a genética sugerem que a batata chegou à Índia - não muito mais tarde de chegar à Europa – através dos portugueses.

9. O maior consumidor per capita do mundo é a ex-república soviética Belarus, onde se consome, em média, 338 kg de batata per capita ao ano (dá quase um quilo por dia!).

10. O recorde de descascamento de batata pertence a cinco mulheres, que em 1992 descascaram 482 kg de batata em 45 minutos usando apenas facas comuns de cozinha.

11. Existe uma receita para vinho de batata. Entre os ingredientes, estão 1,5 kg de batata, 2 kg de açúcar, 2 kg de uva-passa e dois limões (taí uma missão para o meu destemido colega Pablo Uchôa, o fermentador).

12. O maior produtor mundial é a China, que aumentou o cultivo em 30% nos últimos cinco anos.

13. A maior batata-chip do mundo foi produzida pela Pringle’s, em Jackson, no Tennessee, em 1990. Ela media 58 cm x 35 cm, mais ou menos do tamanho de uma folha de jornal.

e, finalmente...

14. O famoso grupo de rock progressivo Jethro Tull tirou seu nome de um ilustre pioneiro inglês da agricultura moderna que viveu no início do século 18 e revolucionou as técnicas de cultivo – em particular, a de batatas.

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Agora inteirados sobre batatas, somos assaltados pela vontade de revisitar Quincas Borba, do velho Machado de Assis, e mudar a máxima para 'Ao vencedor, as batatas; ao perdedor, as batatas roxas', mas somos demovidos pelo bom senso, que recomenda lembrar o detalhe de que para o faminto a cor da batata é indiferente... 

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

CARTUM PRIMAVERIL


http://blogdokayser.blogspot.com/

BOLSAS MUNDO AFORA


Mais de 42 milhões de cidadãos dos EUA recebem atualmente o Food Stamps, versão americana do Bolsa Família. O benefício mensal nacional médio é de 133,9 dólares por pessoa e 287,8 por domicílio.

O Food Stamps foi criado em 1939, no governo Roosevelt, e passou por reformulações nos anos sessenta, sob John F. Kennedy.

A iniciativa foi seguida por outros países, como França e Alemanha.

No Brasil, o Bolsa Família vem sendo acompanhado pela ONU, que considera salutares, de um lado, os avanços na redução da miséria, e de outro a contrapartida oferecida pelos beneficiários (vacinação; frequência escolar).

Críticos ferrenhos de tais iniciativas continuam furibundos: é o Bolsa Esmola! O Bolsa 171! (Alguns, até há pouco desinformados, chegarão a cancelar 'aquele' périplo pela Flórida em protesto contra o governo americano, dilapidador do dinheiro público nesse eleitoreiro Food Stamps!).

PICLE À LA GIP-GIP NHECO-NHECO


FACEBOOK, ORKUT, TWITTER, MYSPACE, LINKEDIN... REDE SOCIAL PODE, NÉ? AGORA, PROGRAMA SOCIAL...

POESIA NO DIA DA CULTURA

Olavo Bilac.

Via Láctea


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

CARTUM NÁUFRAGO

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

ANALISANDO AVANÇOS DA CIÊNCIA


COMO UM TUMOR

Por Ruy Castro

Cientistas da Universidade de Hiroshima, no Japão, criaram uma rã transparente, cujas intimidades ficam expostas e podem ser perfeitamente observadas pelo lado de fora. Com isso, salvaram-se gerações inteiras de rãs, porque os cientistas não precisarão mais dissecá-las para saber como reagem às substâncias que eles vivem lhes injetando. Outra vantagem é a de que poderão acompanhar uma rã por todo o seu ciclo de vida - o ciclo de vida da rã, claro, não dos cientistas.

Para chegar à rã transparente, os japoneses, craques em engenharia genética, levaram anos cruzando exemplares de rãs albinas. E agora partiram para aperfeiçoá-la: vão fazer com que qualquer corpo estranho que apareça dentro da rã se acenda. Um tumor, por exemplo.

Já no Marrocos, também nesta semana, os cientistas da Universidade de Rabat conseguiram com que um pato nascesse no ovo de uma galinha. Se isso lhe parece meio mixo (afinal, no mesmo dia, em Recife, uma avó deu à luz seus próprios netos, lembra-se?), saiba que a proeza marroquina é considerada mais importante, pelo fato de os palmípedes e os galináceos constituírem famílias diferentes.

Por coincidência, é o que se está discutindo em Brasília nos últimos dias: um político gerado num ovo destinado a palmípedes pode se baldear no meio do mandato para o terreiro dos galináceos, por ver neste mais oportunidades para ciscar? Em princípio, não. Mas e se o eleitor só quiser saber do pinto ou do pato, e não do ovo de onde ele saiu?

Essas mudanças nunca são de graça. Assim, sugiro convocar os japoneses para cruzar nossos políticos com as rãs albinas e, com isso, criar políticos transparentes. Quando um deles recebesse um corpo estranho - uma propina, por exemplo -, esse corpo se acenderia. Como um tumor.

ENTREOUVIDO FINAL ELEITORAL


"Tem-se, hoje, a impressão de que o tucano não encontrou o tom da campanha e esgotou suas armas. Quais foram elas? Um capacete na cabeça e um crucifixo na mão."

(Fernando Barros e Silva, jornalista, dia 26 de outubro).

O QUE AS NOTÍCIAS ESCONDEM


Em seu novo livro, o jornalista, biógrafo e escritor Ruy Castro desvenda o que as notícias escondem. "Crônicas para Ler na Escola" (editora Objetiva) reúne textos do colunista da Folha muitas vezes criados a partir de temas que parecem irrelevantes nos jornais, ao lado de notícias graves da ordem econômica mundial.

Da colônia de chatos que foi ao espaço nos pelos de um astronauta às experiências de clonagem de rãs sem cabeça, Ruy constrói crônicas nascidas do espanto - não com a última crise em Brasília, mas com a capacidade, por exemplo, de os chineses andarem de pijamas nas ruas durante o dia.

O olhar do repórter, sempre à procura do diferente, e a mão do cronista - a tecer saborosamente o fato mais prosaico - fazem do livro um revelar constante: a pesquisa absurda, o detalhe que passou despercebido no grande acontecimento.

As crônicas são elegantes, sem serem pretensiosas (...). A qualidade de texto e a defesa do português são suas marcas no combate ao que chama de "língua frouxa". "Ainda estou tentando entender por que `initialize`, em português, tornou-se `inicializar`, e não `iniciar`", anota.

Ou ainda: "De repente, jornais e revistas deram para escrever que tal livro é 'sofrível' querendo dizer que é péssimo, chatérrimo - que faz o espectador sofrer. Mas 'sofrível', como sabem os que não faltaram àquela aula, significa o contrário. É o que, não sendo grande coisa, ainda é suportável."

Palavras corrompidas, diz ele, tornam a língua pobre. "Com isso, produzem pensamentos frouxos e a vida vai para o beleléu." (Por Luiz Antonio Mello).

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

OLD CARTUM


(Por Carlos Estevão).

CONFISSÕES DE BUSH


O ex-presidente americano George W. Bush admitiu ter autorizado “técnicas duras de interrogatório” contra o suspeito de ser o mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001 em seu livro de memórias, Decision Points, que será lançado na semana que vem.

Em trechos do livro obtidos pelo jornal The New York Times, Bush defende sua decisão, dizendo que quando a CIA (a agência de inteligência americana) o questionou se poderia submeter Khalid Sheikh Mohammed a um afogamento simulado, ele teria dito: “Com certeza”.

Para Bush, o interrogatório de Mohammed, capturado no Paquistão em 2003 e detido desde 2006 no campo de Guantánamo, ajudou a “salvar vidas”.
O governo americano chama a técnica de afogamento simulado de “interrogatório intensificado”, mas advogados dos presos e grupos de defesa dos direitos humanos dizem que ela é tortura e deveria ser proibida.
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O livro de memórias de Bush, de 64 anos, não traz um relato completo de sua Presidência nem comentários sobre o atual governo de seu sucessor, o democrata Barack Obama, mas está centrado em 14 grandes decisões tomadas pelo ex-presidente, entre elas a decisão de parar de beber e as decisões tomadas após os ataques de 11 de setembro de 2001. (Da BBC Brasil).

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George Bush está recebendo US$ 100 mil por cada palestra motivacional que vem proferindo desde outubro do ano passado. Desconhece-se se entre as técnicas de motivação por ele ministradas consta o afogamento.