segunda-feira, 3 de maio de 2021

SOBRE LER LIVROS


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Por meio de alguma rede social que o escritor Miguel Sanches Neto me disse: só podemos ler de verdade o livro que desejamos, de fato, ler. Eu comentava sobre as pilhas de leituras que crescem ao redor e da alegria de ter um tempo sobrando para ler puramente por prazer.

Até para defender o meu lado, tendo a não concordar com o Miguel. Não plenamente, pelo menos. Há livros e livros, também há formas e formas de leitura. Mas fiquei encafifado com a ideia. Uma coisa não nego: há livros que merecem uma leitura sem prazos ou outras pressões para que possam ser aproveitados da melhor forma possível.

Nos últimos dias andei navegando por "A Jangada de Pedra", romance de 1986 do português José Saramago. Tivesse que ler correndo por qualquer motivo, não curtiria tanto a jornada do grupo de desconhecidos que se aproximam, passam a conviver e lidam com o fantástico descolamento da Península Ibérica do resto do continente europeu.

De uns tempos para cá, virou moda falar em devorar páginas e se gabar de ler trocentos títulos por mês. Nada contra os bitolados, mas é tosco dar ares de competição à leitura. Muitos livros exigem certo vagar, uma entrega para se familiarizar com o universo proposto, com o ritmo, a estrutura, a linguagem, algo que não combina em nada com um desafio contra o relógio. Saramago me parece um bom exemplo de autor que exige essa espécie de doação serena.

Sei que o papo contraria o imediatismo de nosso tempo. Só que estamos condenados a jamais conseguir ler tudo o que nos indicam, tudo o que surge como grande lançamento, tudo o que é apontado como a promessa da vez, tudo o que já é consagrado e merece a nossa atenção. Não há alternativa. Então, é melhor garantir a liberdade de escolher bem e ter o discernimento para entender o tempo que cada livro merece.

Outro dia, enquanto esperava o São Paulo entrar em campo para me iludir de novo com o futebol, passeava pelo "Sobre a Ficção - Conversas com Romancistas" (Tag/ Companhia das Letras), reunião de entrevistas com escritores feitas pelo jornalista Ricardo Viel - por coincidência, foi o Ricardo que me presenteou com um exemplar de "Jangada de Pedra" publicado pela Porto Editora. No papo com Javier Cercas, ele ouve que a literatura complica a vida dos leitores.

"Não diz: a realidade é assim. Diz: a realidade é ainda muito mais complicada do que você imagina. Se te dá todas as respostas, não é literatura. Não sei o que é, mas literatura não é", acredita o espanhol.

Mais pra frente, na conversa com Juan Gabriel Vásquez, Ricardo escuta do colombiano que a história e o jornalismo lidam bem com muitas coisas, mas o romance é mesmo insubstituível. É a arte que "nos permite acessar uma parte da nossa consciência que não conseguimos de outra forma, só podemos chegar a esses lugares de nossa condição humana por meio da literatura de ficção. Ou seja, se Dostoiévski não tivesse escrito 'Crime e Castigo' haveria uma parte da condição humana a que não teríamos acesso".

Aí sim. Para lidar com complexidades muito mais emaranhadas do que supomos e para perambular por esses cantos da consciência, estreitar a relação e respeitar o tempo de cada livro é fundamental."




(De Página 5, colunista do UOL, artigo intitulado "Quantos livros você lê por mês? E isso importa?" - Aqui -, publicado no citado site.

O xis da questão, no âmbito deste Blog, é: como estabelecer equilíbrio entre ler livros, desincumbir-se da rotina doméstica, relaxar/divertir-se, manter contatos virtuais com parentes e amigos, acompanhar ao longo do dia noticiários televisivos e inteirar-se de dezenas de matérias jornalísticas - em textos e vídeos -, enfim, todo esse turbilhão de um lado, e do outro os nossos tão queridos livros? Confessamos que ler livros, nesse tempo tão angustiante, iniciado em meados de março do ano passado, é um prazer descartado, queremos dizer, adiado. Desejamos fortemente voltar a "estreitar a relação e respeitar o tempo de cada livro", passado o pesadelo).

domingo, 2 de maio de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

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(02.05)


.OLDIES:
The Cascades - 'Rhythm Of The Rain'/'62  Aqui.
Brenda Lee - 'All Alone Am I' (1963) ......... Aqui
Ricky Nelson - 'I Will Follow You' (1963) . Aqui.
Doris Day - 'The Way We Were' (1975) ..... Aqui.


.DCM - Superlive de Domingo:
Sobre temas do momento ........................... Aqui.

.Cortes 247 - Attuch / Florestan:
Se fossem duas pessoas nas ruas
defendendo o governo, já seria absurdo .... Aqui.

.Galãs Feios:
Biden brasileiro teria que taxar os ricos .... Aqui.

.Paulo A Castro:
Pois é, Miriam Leitão diz 
que Lula é inocente ..................................... Aqui.

ECOS DE ONTEM


Fred. 

2020 NÃO ACABOU, MAS É PRECISO RESISTIR


Zé Dassilva. 
................
.Bom Dia 247 (02.05) - Attuch / Rodrigo / Florestan:
Comentários sobre temas cruciais ...................................... Aqui.

QUOUSQUE TANDEM?


Emad Hajjaj. (Jordânia).

GUERRA SEMIÓTICA PSICOGRAFADA: O APITO DE CACHORRO DE PAULO GUEDES (OU: O QUE VAI EM TEMPOS DE SIMULACROS E JOGOS DE CENA)

"...de como pseudo-eventos deliberadamente forjados criam simulações de  vazamentos para que jornalistas mordam a isca e repercutam a agenda que interessa ao vazador."


Por Wilson Ferreira

Grande mídia exclama fazendo-se passar por inocente: “quem é essa gente?” A mídia progressista comemora: “um terremoto na abertura da CPI da pandemia!”. Em vídeo vazado, vemos um Paulo Guedes raiz falando em “vírus chinês” e reclamando que “todos querem viver 100 anos!”. E depois vem candidamente para as câmeras dizer: “não sabia que a reunião estava sendo transmitida...”. Esse governo se notabiliza por uma deliberada e metódica estratégia de “vazamentos”, desde a infame reunião ministerial de maio de 2020. É a guerra semiótica de informações criptografada, que agora entra na fase “apito de cachorro” com a proximidade das eleições de 2022: manter a fidelidade da sua base eleitoral fundamentalista que garanta o segundo turno para Bolsonaro. Para, depois, entrar em ação o expertise semiótico “alt-right” nas redes sociais.

Esse humilde blogueiro já escreveu bastante, aqui e ali, sobre o filme Mera Coincidência (Wag The Dog, 1997), com Dustin Hoffman e Robert De Niro. Filme cuja exibição e discussão deveriam ser obrigatórias em qualquer graduação de Jornalismo. Não tanto pelo tema da manipulação das notícias, mas pela abordagem de como pseudo-eventos deliberadamente forjados criam simulações de  vazamentos para que jornalistas mordam a isca e repercutam a agenda que interessa ao vazador.

Apenas uma breve sinopse do filme para aqueles que ainda não o assistiram: o presidente dos EUA envolve-se num escândalo sexual na reta final do pleito que poderá dar a sua reeleição. Convoca um especialista em marketing de crise (Robert De Niro) que precisa reverter o escândalo a poucos dias do final da campanha: contrata um produtor de Hollywood (Dustin Hoffman) para criar uma guerra fictícia contra o suposto país promotor do terrorismo internacional, a Albânia.

O ponto alto do filme é a produção de um perfeito pseudo-evento em um estúdio: um suposto vídeo sobre a guerra no front da Albânia (em tons melodramáticos, mostrando uma pobre menina albanesa segurando um gatinho nos braços e fugindo dos maldosos terroristas estupradores), que será convenientemente “vazado” através de satélites, para que as redes de TV o apresentem no horário nobre como “breaking news”.

É curioso como o espírito investigativo da grande mídia (supostamente crítica e, a Globo, adversária de Bolsonaro) ainda não se perguntou por que há tantos “vazamentos” de fatos aparentemente comprometedores ao Governo. Desde aquela infame reunião ministerial em maio de 2020 cujo vídeo supostamente abalaria a República (mas apenas pariu um rato), este Governo é notabilizado por vazamentos de informações por todos os lados:

(a) notícias de que Bolsonaro está “irritado” com os vazamentos da sua equipe econômica (clique aqui); 

(b) o áudio vazado do general Ramos (ministro da Casa Civil) em que ele diz que tomou vacina escondido para não tornar o ato num “fato político”;

(c) o áudio gravado e vazado pelo senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) em que Bolsonaro xinga e ameaça agredir o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) por conta da CPI da Pandemia; 

(d) Em 2019, em conversa atribuída a Jair Bolsonaro, o presidente aparece supostamente solicitando apoio para retirar o deputado Delegado Waldir da liderança do PSL na Câmara. Após o vazamento, Jair Bolsonaro disse (que) alguém o "grampeou" e que “foi um ato de desonestidade”. E, depois, outro áudio vazado, obtido pela Record TV, do Delegado Waldir afirmando que pretendia “implodir o presidente Jair Bolsonaro”.

A lista é imensa e ocuparia espaço precioso dessa postagem. E ainda poderíamos acrescentar outra lista de ataques de misteriosos grupos hackers que vazam telefones e outros dados de ministros e até de Bolsonaro, filhos, empresários e políticos bolsonaristas em redes sociais – clique aqui




O "terremoto"

O último “vazamento”, diligentemente repercutido pelo jornalismo tanto corporativo como progressista, foi da reunião do Conselho de Saúde Suplementar, realizada nessa terça-feira (27) na qual Paulo Guedes declarou que “o chinês inventou o vírus” e que têm uma “vacina menos eficiente do que a desenvolvida por empresas americanas”. Entre outras afirmações “comprometedoras” quando, p. ex., reclamou do aumento de expectativa de vida: “Todos querem viver 100 anos! Não há capacidade de investimento para que o Estado consiga acompanhar”, afirmou, sugerindo que o envelhecimento populacional aumenta a demanda por serviços públicos de saúde.

Para os analistas da grande mídia, um “terremoto”: declarações supostamente comprometedoras no momento em que o Senado instala uma CPI para investigar as ações do Governo na pandemia.

Por que essa reunião vazou? A resposta de Paulo Guedes é de uma candura tão comovente que faria corar o coelhinho da Páscoa: disse que “não sabia” que a reunião estava sendo transmitida pelas plataformas do próprio Ministério da Saúde. Só depois dos arroubos, com direito a batidas irritadas na mesa, é que ele teria descoberto a impropriedade e pediu, encarecidamente, que “não fosse para o ar”...

Vamos combinar... Como assim, um ministro de Estado não sabe (ou não se preocupa) se informações estratégicas, em uma reunião de trabalho, estão sendo transmitidas ou gravadas?

Desde o primeiro dia de mandato de Bolsonaro, testemunhamos um governo de ocupação: militares tomando a máquina do Estado e os ministérios, ao lado da ocupação da pauta midiática com uma calculada e sofisticada guerra semiótica criptografada: falas dúbias ou insultantes que depois são desmentidas (“foi mal interpretado”, diz a “tecla SAP” de Bolsonaro, o vice Mourão; “usei imagens infelizes”, como desculpou-se Paulo Guedes ao atacar os chineses), “caneladas”, decisões e desmentidos, soltar “balões de ensaio” e voltar atrás e... “vazamentos”. 


Guerra criptografada: show de pseudo-eventos e ilusões


Desde 2019, as funções dessa guerra criptografada (ferramenta da caixa preta da guerra híbrida) evoluíram da seguinte maneira:

(a) Primeira fase: diferente das estratégias anteriores nas quais bombas semióticas eram detonadas para enfraquecer o oponente, ao contrário, essa deliberada criação de dissonâncias criaria uma simulação de que a unidade do atual governo estaria sempre a ponto de desmoronar. Para quê? Para alimentar o wishful thinking das esquerdas nas soluções judicializantes e parlamentares. Manter as oposições confinadas nos limites institucionais de um Estado ocupado pelas forças armadas, desde o golpe militar que não foi televisionado – clique aqui.

(b) Segunda Fase: tal qual um mágico prestidigitador cujo gestual de uma das mãos distrai e esconde a outra que tira a carta do bolso do colete, o interminável show de dissonâncias cria o desvio de atenção necessário. Desviar a atenção da passagem dos bois: agenda neoliberal de privatizações e desregulamentações, entregar a saúde para a iniciativa privada, aparelhar ministérios e autarquias com militares etc.

(c) Terceira Fase: e agora, na proximidade das eleições de 2022, assumir a função inédita do apito de cachorro para manter intacta a base eleitoral de Bolsonaro que poderá levá-lo para um hipotético segundo turno.

Apito de cachorro

Em política, apito de cachorro (dog whistle) significa uma sinalização cuja mensagem codificada é destinada a um sub-grupo alvo, passando despercebida para a população em geral. Prática disseminada entre grupos da direita alternativa (alt-right) é uma estratégia semiótica de apropriação de palavras, símbolos, expressões para ressignificá-los num contexto restrito para estabelecer reconhecimento. Forma direta para arregimentação de tropa, de um alt-right para outro, como forma de sinalização: “veja, nós estamos aqui!”.


"Apitos de cachorro" para manter o núcleo duro bolsomínio


Um exemplo recente foi quando o ex-chanceler Ernesto Araújo foi ao Senado Federal prestar conta de seus desfeitos e levou, à tiracolo, o assessor de assuntos internacionais de Bolsonaro, Filipe Martins. A certa altura, quando aparecia atrás do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), fez um gesto que remetia ao símbolo “WP” numa referência ao “White Power” do supremacismo branco.

Será que Paulo Guedes não sabia mesmo que a reunião estava sendo transmitida ao vivo pelas redes sociais? Ou será que foi mais um deliberado “vazamento” nessa estratégia de guerrilha semiótica de informações dissonantes: como assim? Guedes volta ao tropo do “vírus chinês” em plena largada da CPI da Pandemia?

Um dos braços armados da agenda neoliberal de Guedes na grande mídia, a colunista Miriam Leitão exclamou no Twitter: “Que gente é essa???” Os progressistas comemoram a suposta mea culpa da jornalista: a repórter global finalmente teria descoberto que o ministro é da mesma cepa do restante do Governo!

Com isso, retornamos à lição de guerra semiótica do filme Mera Coincidência: como ocupar a pauta midiática com um pseudo-evento plantado ou “vazado”. 

Bolsonaro e seus sequazes sabem  que é fundamental manter para as eleições sua base eleitoral entre 25 e 30% - o núcleo duro de fundamentalistas  para os quais não importam as evidências empíricas: para eles, Bolsonaro conduz seu governo com pulso firme apesar das conspirações da “Globo lixo” e das ONGs ambientalistas manipuladas por globalistas maçônicos que mantêm uma rede oculta de pedofilia satânica... e assim por diante...

Apesar da grande mídia blindar Paulo Guedes do restante do Governo com uma aura da tecnicidade da econometria neoliberal (ele faria parte do “núcleo técnico”, assim como a Anvisa, ocultando o aparelhamento operado pelo golpe militar híbrido que já aconteceu e ninguém viu), ele é tão fundamentalista quanto o resto. Mas um fundamentalismo de outra natureza: anarcocapitalista, neomalthusiano e eugenista.

A mente de Guedes funciona dentro de uma política de terra-arrasada: o Estado TEM QUE SER destruído para que se promova a anarquia autogerida pela mão invisível do mercado. Anarquia orientada pelos princípios do darwinismo social e neomalthusianismo que evite as pessoas de viverem tanto e deixe a sociedade finalmente ser governada pelos mais aptos.

Anarcocapitalismo combinado com Sinarquia: filosofia política fundamentada no Tradicionalismo de filósofos como o italiano Julius Évola (o “Olavo de Carvalho” de Steve Bannon): governo total de uma elite supranacional, uma “Civilização Solar” europeia organizada em castas – sobre isso clique aqui.

Modus operandi da operação semiótica da direita alternativa, depois de “vazada” para a grande mídia, Paulo Guedes vem às câmeras e diz singelamente que usou apenas “uma imagem infeliz”, “equipe econômica está unida” e também de que “não sabia de que tudo era transmitido ao vivo”...

 A verdade está em outra cena: Guedes soou uma variante de apito de cachorro: através de um “vazamento” que, na verdade, foi uma mensagem codificada para as bases bolsomínias – “nós continuamos fiéis aos princípios pelos quais vocês nos colocaram aqui!”.

Essa é a fase “apito de cachorro” da guerra criptografada: manter elevada o moral da tropa bolsomínia para garantir um segundo turno em 2022. Para, depois, entrar em ação o conhecido expertise alt-right nas redes sociais.  -  (Fonte: Cinegnose  -  Aqui).



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Show midiático criptografado continua: óleo no Nordeste e reality show da crise do PSL

 

FLAGELO INDIANO: SEGUE IMPUNE O BICHO-PAPÃO


Vladimir Kazanevsky. (Ucrânia). 

sábado, 1 de maio de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

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(01.05)


.Quintas Ao Vivo - Choro das 3:
A última 'live' do mês do Choro ......... Aqui.
................
.OLDIES:
'Velhos Tempos - Só Saudade' ........... Aqui.
'Os Tesouros do Rei' ........................... Aqui


.Olá, Ciência!:
Futuro da covid no Brasil
sem a Sputnik V ................................... Aqui.
................

.DCM - Live de Sábado:
Bolsonaristas saem às ruas para
defender o genocídio ........................... Aqui.

.Galãs Feios:
Zezé di Camargo e sertanejos 
detonam Felipe Neto após crítica ....... Aqui.
Os piores vídeos da semana ................ Aqui.

.Forças do Brasil:
Mário Vitor Santos conversa
com Ricardo Antunes .......................... Aqui.

.Boa Noite 247:
Lula entrega esperança 
no Dia do Trabalho ............................. Aqui.

.Aquias Santarem:
À beira do delírio ................................ Aqui.

.Paulo A Castro:
Bolsonaro pressionado
pela CPI e pastores ............................. Aqui.

................
.Falcão:
Na rede com Falcão (27) .................... Aqui.

POR QUE A SEGUNDA ONDA DA PANDEMIA É TÃO SEVERA NA ÍNDIA?

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Apesar de ser uma das maiores produtoras de vacinas do mundo, a Índia não tem estoques suficientes para sua própria população elegível à inoculação. A lentidão do governo tem sido criticada, à medida que variantes possivelmente mais transmissíveis se alastram pelo país.


Da Deutsche Welle

Hospitais com falta de oxigênio, gente esperando por ambulâncias que nunca chegam, crematórios lotados: depois de uma primeira onda de covid-19 relativamente controlada, a Índia agora vem registrando recordes de contágios diários.

Após contabilizar mais de 360 mil novos casos e ver o total de mortes passar de 200 mil na véspera, o país quebrou um novo recorde mundial na 5ª feira (29.abr.2021): mais de 379 mil infecções em 24 horas. Mais 3.645 óbitos foram registrados, totalizando quase 205 mil. - (Nota: Na noite de ontem, 30, a Índia ultrapassou 400 mil casos de infecções por covid-19).

“É como um inferno, queima tudo o que toca.” Assim Shuchin Bajaj, fundador e diretor dos Ujala Cygnus Hospitals descreve a nova onda do coronavírus, uma explosão de infecções sem precedentes causada pela confluência de diversos fatores.

Apesar de ser uma das maiores produtoras de vacinas do mundo, a Índia não tem estoques suficientes para sua própria população elegível à inoculação. A lentidão do governo tem sido criticada, à medida que variantes possivelmente mais transmissíveis se alastram pelo país.

Além das detectadas primeiro no Brasil, África do Sul e Reino Unido, há agora também uma cepa indiana preocupante. Segundo o porta-voz Tarik Jasarevic, da Organização Mundial da Saúde (OMS): “Parece que esta variante tem o potencial de se acoplar mais facilmente a células humanas. Isso obviamente acarretaria mais infecções e mais hospitalizações.

Complacência Que Saiu Pela Culatra

No entanto, muitos cidadãos também começaram a ficar mais complacentes, em especial depois de as taxas de contágio terem se mantido moderadas por diversos meses.

“O que vimos na Índia é claramente o resultado de muitos terem baixado a guarda”, avalia Udaya Regmi, diretor para a Ásia da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. “Em certo momento, a primeira onda estava quase sob controle, e as pessoas lentamente pararam de manter certas medidas salvadoras de vidas, como usar máscaras.”

Essa complacência não foi impulsionada apenas pela fadiga da pandemia, ressalva a virologista Vineeta Bal, do Instituto Nacional de Imunologia: líderes políticos e religiosos, minimizando publicamente a severidade da pandemia e convocando aglomerações de massa, também foram um fator.

Apesar do surto do novo coronavírus, o governo permitiu que centenas de milhares de hindus devotos participassem do Kumbh Mela, o maior evento religioso indiano, e continuou realizando comícios políticos durante as eleições estaduais. O partido governista Bharatiya Janata (BJP) promoveu reuniões especialmente grandes.

Num desses eventos, no estado de Bengala Oriental, o primeiro-ministro Narendra Modi agradeceu aos presentes por “nunca ter visto antes multidões tão enormes num comício”. 

“(Como se não bastasse tudo isso) ... emitiu a mensagem coletiva de que não importava manter distância e usar máscara”, conclui Bal. “Essa complacência saiu pela culatra.”  - (Fonte: Poder 360 - Aqui).

TEMPOS MODERNOS(?)

 

Tiago.
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.Bom Dia 247 (01.05) - Attuch / J. de Carvalho / Mário V. Santos:
Sobre as notícias relacionadas à conjuntura ...................... Aqui.

QUE O FIM ESTEJA PRÓXIMO!


Vladimir Kazavetsky. (Ucrânia). 

AS VEIAS (AINDA E SEMPRE) ABERTAS DA AMÉRICA LATINA


"Também foi – vejam só – num abril, o de 1971, que apareceu um livro chamado 'As Veias Abertas da América Latina'. Exatos 50 anos.

Caso raro no mundo editorial, apareceu ao mesmo tempo em edição cubana, da Casa de las Américas, mexicana, da emblemática SigloXXI, e uruguaia, da editora da Universidad de la República.

 Seu autor, Eduardo Galeano, já era um jornalista conhecido em seu país, o Uruguai, e também do lado de lá do rio da Prata, na Argentina. 

Aos 31 anos, havia publicado uma série de livros de reportagens, depois da sua estreia, nove anos antes, com a novela Los días siguientes, que, como ele mesmo dizia, “por sorte caiu no esquecimento”. 

Em 1967, aos 26, lançou “Guatemala, país ocupado”, que causou impacto e fez com que seu nome começasse a circular por toda a América Latina. Naquele mesmo ano apareceram os contos de Los fantasmas del día del león y otros relatos, com suas primeiras digitais na literatura de ficção. Em 1971 “As Veias Abertas” fizeram dele, rapidamente, um autor de referência.

O resto é história. O livro foi traduzido para mais de vinte idiomas, vendeu mais de cinco milhões de exemplares e continua vendendo muito. 

Depois que, entre 1982 e 1986, apareceram os três volumes da trilogia “Memória do Fogo” – ‘Os nascimentos’, ‘As caras e as máscaras’, ‘O século do vento’ – que, aliás, ele considerava e eu considero sua melhor obra, Galeano tornou-se das figuras latino-americanas, e não só da literatura, de maior projeção e relevância mundo afora.  

Recebeu prêmios de primeira linha e homenagens luminosas, porém gostava mesmo era de histórias de leitores anônimos, gente comum, para quem o livro tinha sido escrito.

Como, por exemplo, o caso do secundarista portenho que percorreu um longo par de vezes todas – todas – as livrarias da avenida Corrientes, em Buenos Aires.  

Em cada uma parava, lia um trecho, partia para a seguinte, e depois voltava repetindo tudo na calçada oposta (a Corrientes foi, e de certa forma ainda é, embora menos, uma avenida atopetada de livrarias). Sem dinheiro para comprar o livro, leu tudo assim, entremeando caminhadas.

Ou da jovem estudante que, meio-a-meio com uma colega, comprou o livro. Num ônibus, uma lia trechos para a outra.  

Até que uma delas se empolgou tanto que passou a ler em voz alta para todos os passageiros.

Quando chegaram na parada pretendendo descer, ouviram pedidos que ficassem, para continuar lendo. Ficaram e formam aplaudidas.

Em 2009, quando Barack Obama visitou Hugo Chávez em Caracas, ganhou do venezuelano um exemplar do livro. A notícia correu, veloz, e em menos de uma semana “As Veias Abertas” saltou para o topo da lista dos mais vendidos na Amazon.

Galeano, porém, preferia histórias como as do rapaz das livrarias e das jovens do ônibus.

Em 2010, numa introdução à nova tradução de “As Veias Abertas” feita pelo estupendo escritor gaúcho Sérgio Faraco, ele deixa, logo na entrada, uma observação certeira: “O autor lamenta que este livro não tenha perdido atualidade”.

Tinham-se passado 39 anos do lançamento de “As Veias Abertas”.
O que diria ele hoje, quando o livro cumpre meio século? 

O que diria ele deste Brasil destroçado, vítima de um genocida desequilibrado, este Brasil que, para Galeano, era uma segunda pátria?

As veias continuam, ainda e sempre, abertas nessas nossas comarcas. Até quando?"




(De Eric Nepomuceno, jornalista e escritor, artigo intitulado "As Veias [ainda e sempre] Abertas da América Latina", publicado no Jornalistas pela Democracia e site Brasil 247 - Aqui.

"No El Sol, de Montevidéu, Galeano, além de caricaturas, publicou também cartuns. Não sei se ele era bom de traço, mas no texto sempre foi bamba: foi mediante obras como as "As veias..." que uma geração - ou mais de uma - aprendemos a nos indignar, ou a consolidar a indignação. Galeano partiu, sua notável produção permanece."  -  Nota de nossa autoria, inserida em 'Partiu Eduardo Galeano' - Aqui -, publicado neste Blog em 14.04.2015.

Abaixo, artigo de nossa autoria, publicado neste Blog em 19 de abril de 2009:

Las Venas Abiertas


Chavez presenteou Barack Obama com um livro clássico. Nele, o jornalista [e ex-cartunista] uruguaio Eduardo Galeano discorre sobre o processo de dominação/espoliação da América Latina [Caribe incluído] ao longo dos últimos 500 anos pelos europeus.


A primeira edição de 'As Veias...' é de 1970, e Galeano contou com a colaboração de muitos parceiros, como os brasileiros Carlos Lessa [economista], Artur José Poerner [escritor e jornalista] e Darcy Ribeiro [antropólogo].

Os aborígenes da América foram irremediavelmente submetidos em face de dois leviatãs: o primeiro, a crença de que os europeus eram os deuses que retornavam ao solo americano, o segundo, as bactérias e os vírus: "[...]. Os europeus traziam consigo, como pragas bíblicas, a varíola e o tétano, várias doenças pulmonares, intestinais e venéreas, o tracoma, o tifo, a lepra, a febre amarela, as cáries que apodreciam as bocas. [...] Os índios morriam como moscas: seus organismos não opunham defesas contra doenças novas". Mais da metade da população indígena morreu logo no primeiro contato com os homens brancos. [...].
"  Clique Aqui para continuar).

BIDEN PARTE PARA A ENERGIA LIMPA


Patrick Chappatte. (Suíça).

BIDEN E, ENFIM, O FIM DO NEOLIBERALISMO?

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O Que é Bom Para os EUA, Só Desta Vez, Não Seria Bom Para o Brasil? 
................
Não, os neoliberais brasileiros se empenham em alcançar a consagração do Estado Mínimo, se preocupam em, na medida do possível, torrar, queremos dizer, privatizar o patrimônio nacional (funciona assim: enfraqueça uma estatal, esvazie-a, se necessário sabote-a para desacreditá-la - e em seguida venda-a). E o mais importante, o básico, fundamental: capricham em zelar pela tranquilidade dos detentores de grandes fortunas. Tudo em estreita sintonia com os desejos das elites daquele que foi o último país da América a abolir a escravatura.
Mas algo deve ser dito: são irretocáveis as ponderações do analista Kupfer.


O Que é Bom Para os EUA, Só Desta Vez, Não Seria Bom Para o Brasil?

Por José Paulo Kupfer

Com o discurso dos 100 dias, o 1º no Congresso americano, o presidente Joe Biden completou seu primeiro grande conjunto de iniciativas para não só recuperar a economia das perdas com a pandemia de covid-19, mas também reerguer a infraestrutura do país e revigorar o sistema de bem-estar social nos Estados Unidos. 

Suas propostas, no conjunto, pretendem destinar quase US$ 6 trilhões, a serem aplicados em dez anos. Esse montante equivale a quase 30% do PIB americano, com previsão de financiamento, em parte, com aumento de carga tributária para empresas e contribuintes mais ricos.

Exceto o Plano de Resgate, de US$ 1,9 trilhão, que já passou pelo Congresso, para enfrentar a pandemia, não se sabe ainda o que será aprovado dos demais programas. Um deles, voltado para a infraestrutura, chamado Plano para o Emprego, custaria US$ 2,2 trilhões, em 10 anos. O 3º, o Plano para as Famílias, de US$ 1,8 trilhão, foi definido pela Casa Branca como programa de infraestrutura humana. Já começam a se enganar, contudo, os que acharem que os republicanos farão, oposição cerrada, inviabilizando as iniciativas reformistas de Biden.

Esses programas, para começar, de acordo com pesquisas de opinião, contam com a aprovação de pelo menos dois terços dos americanos. Se isso já seria um ponto forte a minar resistências, é bom não esquecer que os republicanos eleitos no último pleito são, em boa parte, diferentes dos extremistas que sustentaram Donald Trump.

Mais provável é que pelo menos 60% a 70% do previsto nos planos de Biden sejam aprovados. Maiores resistências são esperadas nas reformas tributárias que objetivam aumentar a arrecadação –e bancar parte dos custos dos programas– com elevação de alíquotas em tributos corporativos e sobre altas rendas pessoais.

Com foco em economia verde, recuperação da infraestrutura física, desenvolvimento e inclusão digital, e acesso universal gratuito à educação infantil e educação universitária comunitária também gratuita, os programas propostos miram, declaradamente, o fortalecimento da classe média, considerada por Biden “a espinha dorsal da América”. É com base nesse alvo que foi criada uma força-tarefa para formular recomendações que conduzam ao revigoramento da estrutura sindical americana.

Não há dúvida de que o Plano Biden é um experimento desenvolvimentista, no qual o governo retoma protagonismo na indução dos investimentos. Seus elementos compõem uma proposta oposta ao liberalismo caracterizado pelo corte de impostos, desregulamentação de mercados e encolhimento do Estado, hegemônico nos últimos 40 anos. A hipótese de que, se minimamente bem sucedido, a reforma de Biden enterre esse longo ciclo de desregulamentação e vedação à presença estatal na economia tem deixado liberais brasileiros à beira de um ataque de nervos.

Os mais exaltados apostam no fracasso do Plano Biden. Segundo eles, os programas anunciados pelo novo presidente americano não só exageram nos gastos públicos como não se preocupam com a solvência das contas públicas. Sem falar que podem ser o rastilho de surtos inflacionários, ameaçam a produtividade futura com auxílio a empresas ineficientes e, ainda por cima, reduzem espaços para outros pacotes, caso surjam novas crises.

Mesmo nossos liberais carecas estão arrancando os cabelos diante da possibilidade de que a nova onda chegue ao Brasil. Para eles, ainda que acabe dando certo nos Estados Unidos, o que agora pode ser bom para os Estados Unidos, desta vez não seria bom para o Brasil. Uma virada e tanto em relação aos tempos do Consenso de Washington, dos mercados desregulamentados e do Estado algemado, quando, para os liberais brasileiros, o que era bom lá também seria bom aqui.

Não se pode negar a existência de diferenças. A principal é o fato de os EUA serem emissores da moeda de reserva global, enquanto o Brasil nem moeda conversível tem. Essa diferença faz com que, nas crises domésticas nos Estados Unidos ou nas globais, o dinheiro se dirija para o mercado americano, ao mesmo tempo em que voa de lugares como o Brasil. A existência de robustas reservas brasileiras em moeda forte, no entanto, mitiga um pouco essa desvantagem.

É verdade também que a taxa de juros incidente sobre a dívida americana tem se mantido, exceção exatamente ao período recente da pandemia, abaixo da taxa de crescimento da economia. Isso faz com que a relação dívida/PIB, nos EUA, apesar de um persistente déficit público, tenha uma tendência à acomodação. No Brasil, que atravessa um longo intervalo de baixo crescimento, mesmo com os juros em mínimas históricas, essa acomodação tem ocorrido, mas em condições menos favoráveis e menos estáveis.

O temor mais alardeado de uma eventual importação de um plano Biden, numa versão grosseira, copiada sem adaptações, é o da inflação. Mas, ainda que tenha peso o argumento segundo o qual o Brasil tem um histórico de hiperinflação e de calotes de dívida, a ociosidade persistente na economia enfraquece o ponto. Assim como o enfraquece o fato de a dívida ser concentrada em moeda local.

Acossados pelas mudanças de ventos, e pela confirmação do fracasso da experiência de “contração expansionista” promovida a partir do governo de Michel Temer, os liberais brasileiros, ironicamente, apontam o caminho para uma eventual aplicação de um Plano Biden no Brasil. “Os americanos estão se precavendo, aumentando receitas tributárias”, destacam.

Por que não promover no Brasil uma “precaução” do tipo, num eventual programa de aumento de gastos públicos? A resposta dos liberais brasileiros é a de que esse caminho está bloqueado pelo jogo de interesses de setores protegidos. Aparentemente, eles não veem como fazer para liberar R$ 400 bilhões anuais, algo como 5,5% do PIB, em gastos tributários – subsídios, subvenções, benefícios variados. Ou então, como nos EUA, aumentar a carga tributária sobre os mais ricos.

Se é verdade que o espaço para aumentar a dívida pública é mais estreito no Brasil, o campo para tributar mais quem mais pode contribuir é amplo. A virada nessa direção não é impossível, mas também para isso o roteiro americano que levou Joe Biden à presidência, adaptado às condições locais, teria de ser seguido. É preciso obter o aval da sociedade. Esse aval se consegue elegendo um presidente e um Congresso reformadores. Sem isso, nada feito.  -  (Fonte: Aqui).

BIDEN ESTARIA CONTRA PRIORIDADES DE TRUMP


Osama Hajjaj. (Jordânia).