terça-feira, 6 de outubro de 2020

O POÇO: EXPLICANDO A ARAPUCA CÓSMICA QUE TIRA O PI0R DE NÓS

Artigo produzido em março, início da quarentena, 'antevia' a atmosfera que apontava no horizonte e que alteraria definitivamente a paisagem em volta. 

Por Wilson Ferreira
Nesses dias de confinamento obrigatório por conta da pandemia do coronavírus, assistir ao filme espanhol “O Poço” (“El Hoyo”, 2019), disponível na plataforma Netflix, é uma boa pedida: um filme repleto de referências, alusões e simbologias sociais, políticas e religiosas. E com um final enigmático que faz você se perguntar: “perdi alguma coisa?”. E com tempo sobrando, assistir ao filme outra vez ou correr cenas específicas. Protagonistas presos em uma espécie de experimento psicossocial sádico: uma prisão vertical com uma cela em cada nível. Duas pessoas por cela. E uma plataforma com comida que desce por um poço central. Cada nível terá dois minutos por dia para comer o que puder. Até não sobrar nada para os níveis mais inferiores. Uma gigantesca armadilha que cria um pesadelo sem fim, mas que simboliza a própria condição humana que nos aguarda quando chegamos a essa vida: medo, solidão e desespero que tira o pior de nós. 

Chegamos a esse mundo carecas, sem dentes, pelados, quase cegos, descoordenados, pequenos, frágeis, solitários. Aterrorizados, choramos, gritamos a todos pulmões. Eventualmente encontraremos carinho, proteção e sobrevivência na figura materna que aos poucos, simbolicamente, construiremos em nossas mentes.
Mas continuamos atemorizados com a possibilidade de perde-la, de um dia ela ir embora e nunca mais voltar. 
Mas perece que chegamos a esse mundo com mais alguma coisa: um dom, uma qualidade ou habilidade (que pode até se transformar numa profissão) com a qual atravessaremos sós a nossa jornada por esse planeta. Será que a escolhemos ou nos foi apenas dada aleatoriamente? 
Nossas escolhas, decisões e ações geralmente são tomadas sob essa condição de temor e medo. Essa é a nossa condição onto e filogenética: não sabemos de onde viemos, como paramos aqui, e nem para onde iremos depois que todo esse transe cessar.
Apesar dessa condição, religiões nos condenam de sermos pecadores e os únicos culpados de toda a desgraça desse mundo, a Criação perfeita de Deus. Mas mesmo assim, nos apegamos a elas em busca de algum propósito, sentido ou explicação para essa existência.
Essa condição onto-filogenética da humanidade é o pano de fundo da angustiante (e por que não dizer sádica?) narrativa do filme, disponível pela plataforma Netflix, O Poço (El Hoyo, 2019). E é a partir desse background da condição humana que devemos interpretar o enigmático final que deixe todos os espectadores estupefatos.
Um protagonista que desperta como prisioneiro do “Centro Vertical de Autogestão”, uma misteriosa penitenciária estruturada como uma gigantesca torre com um poço no centro, gerida pela “Administração” que, em todos os aspectos, explora de maneira sadicamente eficiente todos os pontos fracos da psique decorrentes dessa condição de solidão, medo e fragilidade – a própria condição humana.
Uma verdadeira máquina capaz de arrancar o pior da espécie humana: aparentemente com 200 níveis, cada um com dois prisioneiros, tendo um poço central através do qual desce uma plataforma com comida proveniente do Nível 0 (supostamente o da “Administração”). Em cada nível, a plataforma repleta de comida para por dois minutos para a dupla de prisioneiros comer tudo o que possa dentro do tempo exíguo. 
                   Logicamente, a quantidade de comida que chega aos níveis inferiores dependerá da quantidade do que os níveis superiores consumiram do banquete – é proibido estocar alimentos sob pena de o nível ser penalizado pelo calor fatal ou congelamento até a morte.



Quanto mais se desce, menos comida. Condenando os níveis mais inferiores ao desespero e canibalismo. Porém, o toque sádico: cada prisioneiro ficará no seu nível por um mês. Até todos serem colocados para dormir por um gás injetado na torre. Para depois despertarem, cada qual em um andar aleatório: sorte para aqueles que acordarem nos andares mais altos; e desespero e possível morte para os debaixo.
Alguns se matam atirando-se no poço ou se enforcando na cela.
Dirigido pelo basco Galder Gaztelu-Urrutia, O Poço foi indicado em várias categorias de prêmios como Goya Awards, Gaozi Awards, Festival de Toronto e o Stiges Film Festival onde recebeu o prêmio do público.
Num primeiro olhar, a torre é o próprio simbolismo do capitalismo: a desigualdade, a divisão da sociedade em classes como um funil que vai retendo a riqueza nas classes superioras, restando apenas migalhas para a base social. Dessa forma, O Poço se uniria a uma tendência atual de produções cinematográficas que exploram o tema da desigualdade e luta de classes: Parasita, Coringa, Bacurau etc.
Mas O Poço é um filme essencialmente religioso. Ou melhor, da absoluta inutilidade da religião como saída para a humanidade encontrar respostas para aquela condição humana descrita acima.
E como a “Administração” (Deus? Governo?) cria um assombroso dispositivo (a torre, o poço e a plataforma) para jogar uns contra os outros – explorando o terror, o medo e o isolamento, a nossa própria condição primeira quando chegamos a esse mundo. Assim como cada um que desperta após o sono induzido pelo gás.

O Filme

O protagonista é um jovem chamado Goreng (Iván Massagé). Ele desperta em uma cela de concreto com um buraco retangular no centro. Seu parceiro, Trimagasi (Zorion Eguileor) explica que ele está numa prisão vertical e que diariamente desce uma plataforma com restos de comida que sobraram dos andares acima. 
                   Uma refeição extravagante: nas primeiras cenas vemos os cozinheiros e chefes que produzem um verdadeiro banquete com pratos com requinte de gourmet, acompanhado de garrafas de vinhos e espumantes. Além da comida ser acondicionada em pratos, travessas e bandejas aparentemente luxuosas.



O que contrasta com os andares sucessivos através dos quais a plataforma desce – são devorados com as mãos nos poucos minutos que a plataforma para, até continuar a descida para o próximo nível.
Descobrimos que Goreng e Trimagasi estão no nível 48, um bom número segundo o experiente Trimagasi – nos níveis abaixo há andares em que a plataforma praticamente chega sem comida.
Pelo relato de Goreng sobre como ele parou lá, desconfiamos que aquela torre é algum tipo de experimento em psicologia social:  ele chegou ali por vontade própria. Condenado, ele trocou a liberdade por uma estada de 6 meses naquele “Centro Vertical” e receber um “certificado de credenciamento”. Mas rapidamente esclarece que não fazia ideia do quão terrível era aquele lugar.
Detalhe: cada prisioneiro pode levar um objeto para a sua cela. Enquanto Goreng trouxe uma edição da obra “Dom Quixote”. Enquanto Trimagasi levou uma faca, ironicamente o motivo que o trouxe para aquela prisão.

Primeira pista: Dom Quixote

                  Aqui começam as alusões e simbolismos do diretor – afinal, Dom Quixote é o herói das causas perdidas. Assim como a causa que Goreng acredita. A pista está no fragmento que ele lê pela última vez em “Dom Quixote” quando encontra a menina no último nível da torre: “O grande que homem foi cruel será cruelmente grande, e o liberal rico será um mendigo avarento. O possuidor de riqueza não é feliz em tê-la, mas em saber gastá-la”. 



Mas a conclusão dessa pista está na continuação do texto, que Goreng não lê: “O pobre cavaleiro não tem outra opção senão a da virtude: ser afável, educado, cortês e contido, e não oficioso, não arrogante, fofoqueiro, e ser acima de tudo caridoso”.
E esse pobre cavaleiro é Goreng. E também é Baharat (Emilio Buale), outro presidiário que acredita que a chave de tudo, capaz de sensibilizar a Administração de que ainda é possível a solidariedade e a humanidade naquela máquina sádica, é enviar uma “mensagem” para o Nível 0. Onde supostamente estão os gestores. Uma mensagem que comprove que a humanidade pode agir diferente. E de que a nossa reponsabilidade é a de levar a vida em virtude.
Goreng acredita que se cada um for virtuoso, tudo mudará para melhor. 
Mas para Trimigaze, as mudanças nunca ocorrem de forma espontânea. Outra presidiária, Miharu (Alexandra Masangkay) ironiza: “Talvez seja por isso que você está aqui!”. 
O Poço não faz uma apologia da solidariedade: se todos fossem racionais e comessem apenas uma ração do banquete que desce pela plataforma, haveria comida suficiente para ser partilhada por todos.
E muito menos, uma condenação dos instintos torpes que motivariam as ações humanas.

Segunda pista: a metáfora religiosa

                  Galder Gaztelu-Urrutia quer mostrar o total non sense daquele Centro Vertical de Autogestão que parece ser não apenas uma metáfora da pirâmide social no Capitalismo – mas da própria condição onto e filogenética humana: prisioneiro em uma arapuca cósmica que propositalmente cria situações nas quais o medo e o salve-se quem puder passam a ser o drive das decisões humanas.



Desesperadas, buscam alguma forma de comunicação com a “Administração”. Quem sabe, buscando perdão, compreensão, enviar alguma mensagem provando que todos estão mudando e que merecem regras mais justas e menos sádicas de convivência.
É a metáfora da religião: Goreng acredita que em tudo aquilo há um plano maior. Ele e Baharat tentarão criar uma estratégia para mandar alguma mensagem para o Nível 0, seguindo o conselho de um sábio que conhecem pelo caminho de descida pela plataforma de comida: pretendem enviar uma panacota (sobremesa típica italiana) torre acima, quando a plataforma retornar vazia.
                   O problema é que à certa altura (depois do confronto de Baharat e Goreng contra dois prisioneiros de um nível inferior) realidade e alucinação começam a se misturar. Principalmente quando chegam ao último nível (333) e encontram uma menina em perfeitas condições de saúde, porém com fome. Entregam a ela a panacota (a mensagem que deveria ser enviada) e decidem ser ela, a menina a mensagem a ser enviada ao Nível 0.



Enviar uma criança a “Deus” é a confirmação da grande metáfora da religião e da condição humana em O Poço. A cena final é outra alusão, dessa vez ao livro bíblico de Mateus: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas” – capítulo 14, versículo 19.
 Baharat morre por causa dos seus graves ferimentos e Goreng, na completa escuridão do último nível, vê seu primeiro companheiro de cela que morreu (Trimagasi): “Sua viagem termina aqui”, dando a entender que Goreng já está morto e que a menina é, ela própria, a mensagem que não precisa de um portador.
Os dois seguem para o escuro enquanto a menina sobe para o Nível 0.
Se Baharat ou Goreng já estavam mortos ou sequer existe a menina é uma questão irrelevante. Lembre-se que Goreng é o cavaleiro das causas perdidas, como Dom Quixote, capaz de criar moinhos de vento imaginários e tentar dar um sentido nobre para a existência. Como o herói literário, é o “cavaleiro de triste figura”.
O final é distópico e gnóstico: a “Administração” é indiferente, um verdadeiro demiurgo que administra uma armadilha cósmica baseada no gerenciamento do medo, desespero e solidão. 
Dividir para reinar, dizia Maquiavel. Esse é o mote do “Centro Vertical de Autogestão” (o nosso próprio cosmos em que vivemos): criar o pânico do cada um por si, desunir, enquanto a religião (o ópio do povo?) cria a esperança de alguma comunhão com Deus (a “Administração”) que traga alguma esperança no absoluto non sense à existência.  -  (Fonte: Cinegnose - Aqui).

Ficha Técnica 

Título: O Poço
Diretor: Galder Gaztelu-Urrutia
Roteiro: David Desola
Elenco: Ivan Massagé, Zoron Eguileor, Antonia San Juan, Emilio Buale, Alexandra Masangkay
Produção: Basque Films, Mr Myagi Films
Distribuição:  Netflix
Ano: 2019
País: Espanha

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Home, Sweet Home


Patrick Chappatte. (Líbano/Suíça).

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM


(05.10)


.William Lee - Still Got Blues ........................ Aqui. 

.Jerry Lewis - Quero Bailar .......................... Aqui.


.DCM Café Da Manhã:
Última semana para o decano provar 
que Saulo Ramos estava errado ....................... Aqui.

.DCM Ao Meio Dia - Kiko Nogueira:
Sara Winter Expurgada; Olavo Surta ............. Aqui.

.Blog Da Cidadania - Eduardo Guimarães:
Globo Vai Até Lula ............................................ Aqui.

.Reinaldo Azevedo - O É Da Coisa ................ Aqui.

.Boa Noite 247 - O Choro De Sara ................. Aqui.

.Luis Nassif:
Para entender o desmonte da Petrobras ......... Aqui.

.O Essencial - Kiko Nogueira:
Trump dá show de irresponsabilidade ............ Aqui.

.Paulo A Castro:
Fachin, STJ e HC de Lula ................................. Aqui.

TRUMP X COVID-19

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ENQUANTO O PRESIDENTE AMERICANO SAI DO HOSPITAL DA MARINHA...


DOIS TERÇOS DOS AMERICANOS CONSIDERAM QUE TRUMP AGIU DE FORMA IRRESPONSÁVEL FRENTE À PANDEMIA

Por Jennifer Aniesta - CNN

Dois terços dos americanos dizem que o presidente Donald Trump lidou com o risco de infecção pelo novo coronavírus para outras pessoas ao seu redor de maneira irresponsável, segundo uma nova pesquisa da CNN conduzida pelo SSRS nos dias seguintes ao anúncio de que o presidente havia contraído o vírus que afetou a vida cotidiana de milhões de pessoas por mais de metade do ano de 2020.

Com Trump hospitalizado no Centro Médico Militar Nacional Walter Reed, 69% dos americanos disseram confiar pouco no que ouviram da Casa Branca sobre a saúde do presidente, com apenas 12% dizendo que confiavam em quase tudo.

A desaprovação da forma como o presidente lidou com o surto de coronavírus atingiu um novo recorde na pesquisa, com 60% dizendo que desaprovavam. Além disso, 63% afirmam que sua própria infecção provavelmente não mudará nada na forma como ele lida com a pandemia. (...)  -  (Aqui).

PARTIU ZUZA HOMEM DE MELLO, O MAIS IMPORTANTE MUSICÓLOGO DO BRASIL

Descanse Em Paz, Grande Mestre

Sid.
................
.Retificação Necessária
Zuza Homem de Mello Nasceu em 20.09.1933.
(Wiki: Aqui).

UM ESTRANHO CAPÍTULO DA GUERRA EUA X CHINA

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ECOS DAS MISTERIOSAS "SEMENTES CHINESAS"


Jorge Braga. 

TRAGIC CARTOON

TRUMP, O ESPALHADOR NO CAMPO DE COVID

Cau Gomez.
................
.Bom Dia 247 (05.10) - Attuch / Dafne / PML / Altman / Solnik:
Guedes Cai Pelas Tabelas E Ameaça Classe Média .......... Aqui.

ELEIÇÕES 2020

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Começou A Corrida Eleitoral


Duke

AMAZÔNIA ESTÁ MUITO PERTO DO PONTO DE 'NÃO RETORNO' E PODE 'VIRAR SAVANA', DIZ EX-DIRETOR DO INPE

“Se a Amazônia for desmatada na ordem de 25% a 30%, o ponto de não retorno vai ser alcançado. Infelizmente estamos em um ponto em que não basta coibir o desmatamento, temos que ter ações para reflorestamento. Esse governo está em uma política de destruição do meio ambiente”, afirmou à TV 247 o ex-diretor do Inpe Ricardo Galvão. 


No 247: 
O ex-diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) Ricardo Galvão disse à TV 247 que o ponto de “não retorno” da Amazônia está próximo, isto é, a floresta está sob um regime de desmatamento tão intenso que o bioma pode se tornar uma savana e não voltar a ser como se conhece atualmente.

De acordo com o cientista, “se a Amazônia, toda a Amazônia, não só a brasileira, for desmatada na ordem de 25% a 30%, o ponto de não retorno para ela se tornar uma savana vai ser alcançado. Estamos muito perto disso”.

“Até 1980 praticamente não tínhamos desmatado a Amazônia e de lá para cá desmatamos quase 20%. Então estamos em uma situação muito próxima do ponto de não retorno”, alertou Galvão.

O ex-diretor do Inpe afirmou que agora é preciso, além de combater o desmatamento, criar e fortalecer políticas de reflorestamento, mas falou que o governo Jair Bolsonaro não se preocupa com o tema. Ele ainda explicou que os efeitos da devastação da floresta amazônica não são imediatos, mas serão sentidos pela próxima geração. “O ser humano é muito ansioso, querem um retorno imediato. Nós temos que ter uma visão de futuro, não podemos ser míopes. Não vai nos afetar, mas vai afetar nossos filhos, nossos netos, vai afetar nossa agricultura, vai afetar nossas hidrelétricas, vai afetar nosso regime de água, vai afetar nossa biodiversidade. Infelizmente estamos em um ponto em que não basta  coibir o desmatamento, temos que ter ações fortes para reflorestamento, usando inclusive startups e empresas privadas que tenham recurso do fundo do carbono. Temos que ser muito mais inteligentes do que estamos sendo. Infelizmente esse governo realmente está em uma política de destruição do meio ambiente”.  -  (Aqui).

domingo, 4 de outubro de 2020

ELES DISSERAM E/0U CANTARAM

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(04.10)


.OMG His Voice Is Unique - Billie Jean ... Aqui. 
.Everly Brothers:
All I Have To Do Is Dream / Cathy's Clown .. Aqui.


.TV 247 - Lawfare Nos EUA - Mier / Valéria M Aqui. 

.DCM/Live Das 5 - Ameaçado Repórter DCM  . Aqui.

.Boa Noite 247 - O Futuro De Trump .............. Aqui.

.Paulo A Castro:
Deltan 'Recorre' Ao Decano ............................... Aqui. 

................
.Jessier Quirino:
M. Gulora Homenageia Patativa Do Assaré .... Aqui.

TRAGIC CARTOON

.
Justiça Restabelece Portaria Que Compromete Os Manguezais


Amarildo.

SERIOUS CARTOON

.
Trump Covid

Thiago Lucas.
................
.Bom Dia 247 (04.10) - Attuch / Vianna / Florestan:
Comentando a atual conjuntura ............................ Aqui.

VIVA O OUTUBRO ROSA!


Lézio Jr.

TRUMP X BIDEN: A DESCONSTRUÇÃO PÓS-MODERNA DE UM DEBATE POLÍTICO

O artigo abaixo foi produzido antes da internação do presidente Trump, alegadamente infectado pela covid-19, em hospital da marinha norte-americana. O articulista considera que o presidente venceu o debate, Trump estaria convencido disso - desde que os demais debates previstos não venham a acontecer, no que o coronavírus poderia vir a calhar (Nas palavras de Ferreira: "Daí, a judicialização das eleições, ameaça de Trump ao final do debate, cancelando e ameaçando como inúteis os dois próximos debates programados"). Mas, ao que consta, grandes jornais como Washington Post e The New York Times, diante das incertezas reinantes, estão neste momento aventando a renúncia de Trump do cargo de presidente da República. De certo, por enquanto, só a constatação de que há um ator misterioso que às vezes entra em cena para comprometer as estratégias políticas, por mais engenhosas que sejam: o imponderável. 


Por Wilson Ferreira

Toda a desconstrução pós-moderna de Wittgenstein, Lyotard e Derrida ironicamente se transformaram em “pratical joke” nas estratégias semióticas da chamada “direita alternativa”. É o que foi mostrado ao vivo, como uma espécie de show metaliguístico de desconstrução de um debate político: o tão aguardado debate entre o republicano Donald Trump e o candidato democrata Joe Biden. Trump foi o grande “vencedor” porque a “magia do caos” é o fio condutor de uma estratégia “desconstrutivista” que vai muito além da mentira ou das “fake news” – orienta-se pelo fenômeno da pós-verdade na qual a comunicação e a linguagem foram pulverizados em jogo e performance. O caos semiótico metodicamente criado através de cinco estratégias: Comunicação Indireta, Técnica de Dissociação, Desautorização do Interlocutor, Roll Over e forçar ao limite os pontos fracos das regras.

“Tempos interessantes” era uma maldição chinesa, atribuída a Confúcio, em que significava profetizar tribulações, agitações e mudanças. Certa vez, o ministro do STF Marco Aurélio de Mello encerrou uma ação penal afirmando que “tudo é possível porque os tempos são muito estranhos”, certamente parafraseando a máxima chinesa. Só que num tom acima. 

Tempos em que os sinais parecem trocados, nos quais os significantes parecem deslizar metonimicamente, sem mais lastros ou correspondências em significados. Tempos em que, por exemplo, o militar e evangélico alucinado Cabo Daciolo foi eleito Deputado federal pelo PSOL, um partido supostamente de esquerda, em 2014. Tempos em que uma emissora como a Globo (que por décadas, na sua teledramaturgia, shows e entretenimentos, mostrou um país no qual negros e classes subalternas não tinham lugar) de repente dá visibilidade a movimentos sociais e identitários.

E também tempos em que a grande mídia, depois de anos de jornalismo de guerra baseado na destruição sistemática de reputações, quer liderar uma cruzada contras as “fake news” e celebra parcerias com “agências de checagem” de notícias. 

“Globo lixo!” é agora um slogan também da extrema-direita e as teorias conspiratórias em torno da Globalização e Nova Ordem Mundial, no espectro político, deslizaram da esquerda para a direita.

O velho Brizola pressentia esses “tempos interessantes” e vaticinava: “Quando vocês tiverem dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atentem: se a Rede Globo for a favor somos contra. Se for contra, somos a favor”.

São discursos cujos signos se tornaram voláteis como fossem apenas peças intercambiáveis e intransitivas – não transmitem mais significados porque parecem bastar a si próprios, sem mais a necessidade de objetos para lastrear o sentido.

Ao mal-estar desses tempos interessantes e estranhos definiu-se como “pós-moderno”. Alguns dos seus principais teóricos, como Lyotard e Derrida partiam da hipótese da “desconstrução” na produção do conhecimento e do método científico.

Retomando o pensamento lógico de filósofos como Wittgenstein, reduziam o conhecimento e a noção de verdade ao jogo de linguagens, à pragmática da comunicação que firma os vínculos sociais. Para eles, perguntar se um enunciado é falso ou verdadeiro não tem mais sentido para o sujeito pós-moderno. A questão é outra: saber se o enunciado tem legitimidade pela sua operacionalidade dentro de um sistema, pela sua performance. Ou seja, o enunciado “funciona”? Se sim, então ele é “verdadeiro”. 



O consenso não reside mais na verdade do enunciado (seja ele ético ou moral) mas na aplicação pragmática das ideias, na sua comunicabilidade, ou se quiser, na sua “credibilidade”. A noção de “Verdade” cede lugar aos jogos de linguagem com ideias e conceitos desconectados do mundo empírico. Mais ainda, apenas legitima conhecimentos e decisões dentro de um mercado comunicacional – leia LYOTARD, Jean-François. A condição pós-moderna. 5. Ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998 e DERRIDA, Jacques. Margens da Filosofia. Campinas, Papirus, 1991.


Contextualizar o debate

Este humilde blogueiro fez essa longa introdução para contextualizar o tão aguardado primeiro debate entre Donald Trump e o candidato democrata Joe Biden, realizado nessa terça-feira (29) diante das câmeras da rede Fox News a 35 dias das eleições presidenciais.

 A grande mídia vem apontado que o resultado foi “caótico”, “confuso” e que as regras dos próximos debates deverão ser mudadas. Tudo para segurar a metralhadora giratória de Trump: o presidente não parava de falar, avançando sobre as falas do seu rival e até em cima das falas do moderador, o veterano jornalista Chris Wallace – aos 71 anos, era o mais novo entre os debatedores.

Trump foi o grande “vencedor” porque a “magia do caos” (sobre esse conceito, mais profundo por conectar a política alt-right com movimentos esotéricos, clique aqui) é o fio condutor de uma estratégia “desconstrutivista” que vai muito além da mentira ou das “fake news” – orienta-se pelo fenômeno da pós-verdade na qual a comunicação e a linguagem foram pulverizados em jogo e performance. Encontrar pontos fracos e empurrá-los ao limite, até encontrar a intransitividade de qualquer regra, da linguagem e comunicação à eleitoral.

E isso não é uma genialidade de Donald Trump. 

Trump teve no ex-produtor de Hollywood e chefe da plataforma da direita alternativa Bribert News, Steve Bannon, muito mais do que o estrategista da campanha presidencial vitoriosa em 2016. Bannon treinou Trump dentro do modus operandi da cultura alt-right de membros de sites como AltRight.com, Alternative Right e Infowars, além da “habitus” da geração NEET (Not Currently Engaged in Employment, Education ou Training) de comunidades on-line como o 4chan.

Essa, digamos assim, “cultura” (Bannon aspira criar uma universidade alternativa para formar cidadão conservadores, cuja sede seria na Itália – novamente, por fatores esotéricos – clique aqui) ironicamente realiza na prática os diagnósticos de “desconstrução” da linguagem e da hermenêutica Ocidental feitos por Derrida e Lyotard. 



Se o fenômeno pós-moderno foi o impacto na superestrutura cultural decorrente das alterações radicais ocorridas na infraestrutura econômica e produtiva da sociedade (flexibilização, informatização, financeirização, globalização), o fenômeno alt-right é a decorrente desconstrução que agora alcança a democracia liberal, começando pela comunicação política – coisa que nem o melhor propagandista nazifascista do século XX poderia imaginar.

Desde os primeiros minutos do debate, Trump abriu sua caixa de ferramentas semióticas de desconstrução/manipulação – quatro estratégias bem definidas que se sucedem em relação causa-efeito: Comunicação Indireta, Dissociação, Desautorização do Interlocutor, Roll Over e Forçar Pontos Fracos das Regras. Essas cinco estratégias transitam nesse novo campo aberto pela alt-right: a Pós-verdade.


(a) Comunicação Indireta

Técnica em que o emissor não quer falar nem com o espectador e muito menos com o interlocutor. Seu alvo é a “maioria silenciosa”, os não-convertidos: aqueles que não compõem o “núcleo duro” de nenhum dos lados.

Para entender essa estratégia, um exemplo didático é o filme Obrigado Por Fumar (2005). Nele vemos uma sequência em que o porta-voz da indústria do tabaco, Nick Naylor, dá uma pequena aula de relações públicas para o seu filho Joey. 

Sentados no quiosque em um movimentado calçadão conversam: “Convença-me de que o melhor sorvete é o de chocolate”, desafia Nick. “Eu acho que é o de baunilha!”, completa. “Mas você não me convenceu!”, reage Joey. “É por que eu não estou falando com você, estou falando com eles...”, diz Nick apontando para as pessoas ao redor.

Repare, caro leitor, enquanto Joe Biden o tempo todo se dirigia diretamente ao espectador (“E você? Está faltando alguém na mesa da sua cozinha?” – indagava Biden ao espectador que perdeu familiares na pandemia), Trump endereçava suas frases a um receptor genérico – “Vejam... ele não encontra palavras para terminar!”, “Percebam”, “Olhem...”.

Enquanto o destinatário de Biden estava na segunda pessoa, para Trump seu espectador era uma terceira pessoa do plural. 

Trump, assim como Bolsonaro (Brasil), Viktor Orbán (Hungria), Matteo Salvini (Itália), sabem que a polarização política cria o fenômeno da maioria silenciosa – excluindo as terças partes dos convertidos, o restante forma a massa silenciosa, conquistada pela “magia do caos”.




(b) Técnica de Dissociação

Conjunto de técnicas bem conhecida entre os vendedores para fazerem consumidores perderem o controle e o foco dentro do espaço de vendas das lojas, tornando-os mais vulneráveis: deixar o cliente aguardando de 10 a 15 minutos enquanto o vendedor “procura” o modelo pedido no estoque; troca de vendedor durante as negociações; criar jogos mentais durante um test drive, por exemplo, com uma pergunta do tipo “esse modelo de veículo não é o que sempre gostou de ter?”. Tudo para criar desconcentração e embaraço - leia HOWARD, Martin, We Know What You Want, New York: Desinformation, 2005.

Por mais de 100 vezes, Trump interferiu nas falas de Biden e do mediador Wallace: “Vamos Joe... quais as forças policiais que te apoiam?... vamos, diga?”... “Eu tenho que responder?”, interferindo o mediador diversas vezes, como se Trump não conhecesse a dinâmica do debate.

O objetivo da dissociação é criar situações de ansiedade e stress tornando o consumidor (ou o adversário, no caso do debate) impulsivo, para tentar se livrar da armadilha mental.

“Palhaço!”, “Mentiroso!”, “Você vai calar a boca?”, foram as reações impulsivas de Biden às sistemáticas dissociações de Trump. 

Os estragos da dissociação eram visíveis: “qual a pergunta afinal? Eu não consigo mais lembrar depois de tanta coisa que ele (Trump)”, reclamou Biden a certa altura. Constantemente de cabeça baixa, evitando olhar diretamente para Trump. Preferindo direcionar sua fala para o mediador.

Em 2016, em um dos debates, enquanto Hillary Clinton se voltava para a plateia do estúdio de TV para responder a uma pergunta, Trump ameaçadoramente se posicionou bem atrás dela. Era visível a estratégia dissociativa para quebrar a concentração da adversária. 

O objetivo da técnica da dissociação não se limita ao debate em si: oferece ótimas sequências para edição de vídeos de propaganda ou memes para redes sociais. Para quê? Para a terceira estratégia que vem a seguir...


(c) Desautorização do interlocutor

Essa é a técnica clássica da direita-alternativa: o pressuposto de que não há debate porque o interlocutor não está autorizado... porque é “lixo!”.

Enquanto Chris Wallace tentava colocar de volta nos trilhos o trem que estava descarrilhando (“vamos parar por aqui com esse assunto... nós combinamos que a discussão deveria tratar de assuntos mais substanciais...”), Trump tinha um objetivo bem claro: desautorizar o interlocutor, mostrando para a maioria silenciosa (e não para o espectador) que Biden era “fraco”, “socialista” (para Trump são conceitos intrínsecos), incapaz de impor a “Lei e a Ordem”. Inclusive na família:  no ponto mais baixo, apontou para os problemas com a cocaína envolvendo o filho de Biden. E a decorrente saída das Forças Armadas.

“Pior aluno da classe” e “incapaz de lembrar o nome da própria universidade em que estudou” foram os termos mais suaves que Trump se referiu a Joe Biden como alguém mentalmente incapaz.




(d) Roll Over

Wallace tentava alertar que o combinado havia sido um debate com “assuntos substanciais”. Pois bem, quando Trump entrava no campo “substancial” do debate, punha em ação a quarta estratégia: “roll over” – o ritmo vocal de Trump sugere a existência de uma batida rítmica imaginária. Trump é verborrágico, mas com um estranho ritmo hipnótico.

“No meu governo a economia cresceu mais do que em 47 anos!... Foram criados mais empregos do que em 47 anos!... Vamos plantar bilhões de árvores... trilhões de dólares do meu plano para reconstruir tudo... é mais dinheiro que o nosso país pode fazer em 100 anos”. O discurso acelerado de Trump é hiperbólico, o paroxismo da própria propaganda. É quase como se Trump estivesse fazendo um stand up, brincando com a própria natureza da propaganda. Meta-propaganda!

Diante de perguntas que exigem respostas mais precisas, Trump cria uma espécie de “rocambole informativo”:

Mediador: o Sr. estaria disposto da condenar os supremacistas brancos e grupos de ódio...

Trump: CLARO!!!

Mediador: como vimos em Kenosha, em Portland....

Trump: CLARO!!!!

Mediador: o Sr. estaria disposto...

Após interromper Wallace diversas vezes impedindo a formulação da pergunta, Trump fugiu do assunto: “tudo o que eu vejo vem da parte da esquerda...”.

Esse “rocambole” de informações cria tal ambiguidade, a ponto do movimento supremacista branco “Proud Boys” comemorar o “comentário histórico” de Trump: no meio do “rocambole” verborrágico disse: “fiquem na sua e se mantenham a postos”, diante do pedido de posicionamento do republicano contra os supremacistas.




(e) Encontrar pontos fracos nas regras e força-las ao limite

O último bloco do debate foi sinistro: se o resultado for outro diferente da sua vitória, Trump considerará uma fraude: Exorto meus apoiadores a irem às urnas e fiscalizarem com muito cuidado. Espero que seja uma eleição justa, se for uma eleição justa estou 100% dentro. Mas se eu vir dezenas de milhares de votos sendo manipulados, não posso concordar com isso".

Trump disse que os resultados levarão meses para sair e que os americanos terão que confiar na Suprema Corte para ter uma resposta definitiva sobre quem será o presidente do país nos próximos quatro anos.

Essa é a última estratégia da “desconstrução” alt-right: encontrar os pontos fracos de qualquer regra de jogo para empurrá-las ao limite – no debate, o “acordo de cavalheiros” entre mediador e debatedores; no sistema eleitoral norte-americano, o sistema de votos pelo correio usado há décadas pelo país. E que nunca deu evidências de que seja mais inseguro do que o voto presencial. 

Por que essa desconstrução cria o campo da pós-verdade, tão ou mais insidioso do que as fake news? Na Pós-Verdade Wittgenstein, Derrida e Lyotard ironicamente se realizam como uma “pratical Joke” (piada ou pegadinha) da direita alternativa: e se todos os discursos forem simples jogos performáticos de linguagem? 

“A beleza da argumentação é que você sempre está certo”, dizia o porta voz da indústria de tabaco Nick Naylor no filme Obrigado Por Fumar.  Daí, a judicialização das eleições, ameaça de Trump ao final do debate, cancelando e ameaçando como inúteis os dois próximos debates programados.

Concluindo, compreende-se o porquê da grande mídia abraçar tão apaixonadamente a campanha contra as fake news... ao lado dos “disparos em massa” nas redes sociais, já são ferramentas superadas. 

Trump acena com a desconstrução final da democracia liberal com os jogos interpretativos da Suprema Corte. Seria um “golpe de veludo” com o mesmo know how desenvolvido pelo “Deep State” que patrocinou o “lawfare” que levou ao golpe político brasileiro?

Apenas por diversão... “for the lulz!”, como zoam nas “raids” da extrema-direita em fóruns e salas de bate papo. (Nota deste Blog: Lulz  =  gíria que vem de outra gíria usada na internet, o “lol”, sigla em inglês para “rindo muito alto” [“laughing out loud”] - Veja aqui).  -  (FONTE: Cinegnose - Aqui).

 

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sábado, 3 de outubro de 2020

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

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(03.10)


.Tough Guy On Piano Is Asked
To Play Mary Poppins ..................................... Aqui.

.Wanderléa e Raul Seixas - Eu Quero Mais .. Aqui. 


.Bom Dia 247 - A vez das mulheres ................. Aqui.

.Bemvindo Sequeira - Lula Inocente ............. Aqui.

.Portal Click Política - Lula, Globo e Redes .. Aqui.

.DCM - Live Das 5:
A canalhice da Globo ao divulgar, em
segundos, a legalidade das palestras de Lula ... Aqui.

.Boa Noite 247 - Saúde de Trump se agrava .. Aqui.

.Paulo A Castro:
Gilmar: a guerra contra a Lava Jato Rio ........ Aqui.
Lula: Bolsonaro é um lambe botas de Trump .. Aqui.

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.A J Gevaerd:
Ufologia Sem Fronteiras .................................... Aqui.

DA SÉRIE O LEGADO DEIXADO PELA PANDEMIA

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Sob O Domínio Das Vendas Online



Angel Boligan. (México).