domingo, 3 de maio de 2020

XADREZ DE MORO E A MÍDIA NO PAÍS DOS ARRIVISTAS

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"É cristalino como água que Moro prevaricou, foi cúmplice de Bolsonaro em abusos cometidos, é da necropolítica, impôs genocídio nos presídios. Sua personalidade manipuladora já foi exposta."  -  (Luis Nassif).
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Não importa a falta de coerência, o desapego a valores. Desde que a nova postura atenda aos interesses de grupos, toda incoerência anterior será perdoada. Vale para a esquerda, vale para a direita.  -  (Do articulista).


Por Luis Nassif 

Peça 1 – o país dos arrivistas

Não é a pandemia nem Bolsonaro os que revelam o país dos arrivistas que sempre o Brasil foi nesse universo rocambolesco cinzelado pelos chamados formadores de opinião, com seus deuses e semideuses, políticos, celebridades, intelectuais.
O personagem central da alma nacional sempre foi o arrivista, o sujeito capaz de cavalgar todas as ondas e jamais ser cobrado pela incoerência porque a métrica de julgamento público é o sucesso. A coerência que conta é a de saber performar – termo de mercado para definir o bom desempenho do investidor -, mudar de posição na hora certa para não morrer com o mico preto. A métrica é o sucesso, não a coerência.
Os personagens centrais desses tempos de libação política ilustrariam qualquer obra de Lima Barreto, Machado de Assis.
É o Ministro do STF dono de uma banca humilde, que atendia principalmente sindicatos, e que de repente, à medida que mudava o discurso e a prática jurídica, passou a atender grandes clientes. E nada lhe foi cobrado.
É o jornalista que inaugurou o discurso de ódio e que se tornou, depois, campeão da democracia. É a família inteira que surfou na onda da Lava Jato e que se tornou, depois, baluarte dos direitos individuais. E nada lhes foi cobrado.
É o constitucionalista que passou a defender a ideia de que a Constituição é uma instituição movediça, que deve ser alterada de acordo com o clamor das ruas.
Não importa a falta de coerência, o desapego a valores. Desde que a nova postura atenda aos interesses de grupos, toda incoerência anterior será perdoada. Vale para a esquerda, vale para a direita.

Peça 2 – a importância da coerência

Não de trate o respeito à coerência como mero moralismo. Em uma sociedade, é requisito fundamental para a consolidação de valores.
Sem essa cobrança, o sujeito pode abusar da incoerência hoje, porque amanhã todos os pecados serão perdoados, desde que tenha senso de oportunidade para mudar de posição e cavalgar as novas ondas. Isto é, saber performar.
O princípio da Justiça de Transição para punir crimes da ditadura – “para que não se esqueça, para que não se repita” – é justamente a ideia de punir os erros do passado, para impedir a repetição no futuro.
É a coerência que permite a consolidação de valores e sua não repetição. Quem quiser enveredar pela incoerência sempre fica com a espada de Dâmocles da condenação da opinião pública pairando sobre seu pescoço.
Uma sociedade que abdica da coerência está sujeita a qualquer movimento das ondas. O defensor da política de ódio de ontem, torna-se defensor da democracia de hoje, e voltará à defesa do direito penal do inimigo amanhã, se a cobrança de coerência não for a métrica adotada.

Peça 3 – o arrivismo na história

O arrivismo é uma tradição ancestral brasileira, um fenômeno profundamente incrustado na própria formação política e cultural do país. Uma análise das grandes figuras da nacionalidade comprova a tese.
Não houve personagem mais execrável que Rui Barbosa. Como Ministro da Fazenda foi capaz de jogar a jovem República em uma crise quase terminal – o Encilhamento – para enriquecer jovens financistas arrivistas, de quem se tornaria sócio. Como advogado, traiu sua cliente – sinhá Junqueira -, mudou de lado e espalhou o Fake News de que ela encomendava assassinatos ao jagunço Dioguinho. Todas as baixarias de Rui foram varridas para debaixo do tapete da história, para permitir a consolidação da imagem do “águia de Haia”,  o “civilista”, o homem que “foi para a Inglaterra ensinar inglês”.
José Bonifácio, o patriarca da Independência, para mim era o Benjamin Franklin brasileiro, o sábio iluminista que conduziu o jovem imperador rumo ao seu destino manifesto. Agora, a biografia do patriarca, por Mary Del Priore revela o mesmo destino manifesto dos grandes construtores da nacionalidade: o arrivismo, a busca da boquinha.
Onde estão as raízes desse arrivismo? Provavelmente no modelo de estado português, na origem das grandes fortunas tradicionais, a partir das sesmarias. É o país em que os posseiros do século 19 se tornaram quatrocentões de hoje, sempre submetidos à única medida de julgamento: o sucesso pessoal.
Qual a diferença deles do velho da Havan ou do dono do Madero? Apenas o lustro social trazido pelas gerações posteriores.

Peça 3 – mídia e coerência

Não se atribua a incoerência ao público. Mesmo o homem comum cobra coerência das pessoas. É essa cobrança que inibe o arrivismo, que causa vergonha e, assim, dificulta as mudanças de posição e garante um mínimo de comportamento ético dos entes públicos.
Mas, para cobrar coerência, há a necessidade da informação isenta. E esse produto não é oferecido pela mídia.
Analisem-se políticos que se tornaram referência na redemocratização, especialmente José Serra, Fernando Henrique Cardoso e Aloysio Nunes.
Ser contra o PT faz parte do jogo político. Já abdicar de princípios é uma questão de caráter, é a marca do arrivista.
Quando os ventos mudaram, a social democracia de José Serra cedeu lugar ao candidato raivoso, que acusava a adversária de “matar criancinhas” e que aparecia na campanha eleitoral entrando na casa humilde, abrindo um exemplar da Bíblia e rezando com a família.
Como chanceler, tornou-se o Ministro que tentou comprar votos de países, para interferir na escolha da presidência do Mercosul, alimentando a guerra fria contra a Venezuela. Só parou quando a Lava Jato chegou nas contas da família, provocando problemas de coluna.
O mesmo fez Aloysio Nunes, assumindo o Ministério das Relações Exteriores e atropelando regras históricas de não-intervenção em problemas internos de outros países. Antes disso, participou da vergonhosa pantomima de ir com o ínclito Aécio Neves à Venezuela, para cobrar democracia.
Agora, Aloysio é convidado a assinar um manifesto de ex-chanceleres ao lado de pessoas sérias, como Celso Lafer, Rubens Recupero, Celso Amorim
No entanto, ambos – Serra e Aloysio – alimentaram a guerra fria que, depois, veio resultar em Ernesto, o idiota. Mas qual a diferença? Apenas o fato de Ernesto ser idiota.

Peça 4 – o caso Sérgio Moro

Dou essa volta toda para chegar ao tema central, o fenômeno midiático Sérgio Moro e o e os receios de uma volta da mídia na tarefa de incensar Moro, conforme preocupação de  Flávia Lima, ombudsman da Folha, “A imprensa e seu ídolo”, que mantém a boa tradição do trabalho de ombdusman.
Em uma análise isenta, poucas pessoas públicas sintetizam tão amplamente os defeitos de caráter – imaginando o caráter moldado por valores éticos – quanto Moro. E ninguém pode alegar ignorância em relação ao tema, depois da série sobre a #Vazajato.

Desleal com a profissão e com Bolsonaro

  • Divulgou delação (não aceita) de Antônio Palocci na véspera das eleições, para beneficiar o candidato que o convidou para ser Ministro da Justiça.
  • 02.2019 – Quando sai a reportagem do The Intercept, Bolsonaro leva Moro a estádio de futebol para expressar sua solidariedade a ele.
  • 02.2020 – 68 dias antes do pedido de demissão, esposa, e mentora política, Rosângela Moro, deu entrevista afirmando que “Moro e Bolsonaro são uma coisa só”.
  • 02.2020 – Vai a um jogo do Flamengo com Bolsonaro, para sinalizar a boa relação entre ambos.
  • 04.2020 – 22 dias antes do pedido de demissão, publica um Twitter elogiando comportamento “conciliador” de Bolsonaro.
  • 04.2020 — Pede demissão, para “preservar a biografia”, depois que Bolsonaro praticamente o induziu à demissão, ao ordenar a saída do diretor geral da PF.
  • 04.2020 — Provoca um diálogo por WhatsApp com uma afilhada de casamento e a expõe em pleno Jornal Nacional.
  • 05.2020 — Entrega à PF e ao MPF 15 meses de gravações de conversas pessoais com Bolsonaro. Mesmo sabendo quem é Bolsonaro, poucas vezes viu-se um episódio tão explícito de deslealdade. Se Bolsonaro não tivesse pressionado, as gravações continuariam guardadas e a amizade preservada.

Irregularidades no comando da PF

  • 03.2019 — Sai informação de que filho de Bolsonaro teria namorado filha de Ronnie Lessa, o assassino de Marielle Franco. Logo depois, um delegado da PF é enviado ao Rio Grande do Norte para interrogar Ronnie Lessa. O contato de Bolsonaro com a PF era através de Moro. Bolsonaro afirma que o delegado produziu um relatório pessoal para ele. Obviamente não era sobre namoricos dos filhos.
  • 11.2019 – enviou a PF para pressionar porteiro a mudar depoimento que envolvia Bolsonaro com o assassino de Marielle Franco
  • 02.20 Moro determina que PF investigue Lula, com base na Lei de Segurança Nacional, por críticas a Bolsonaro. Recua após críticas generalizadas.

Abuso de autoridade

Genocídio

Peça 5 – o exercício da hipocrisia
E aí se chega no xeque mate.

Nos últimos tempos, desde que o fator Bolsonaro se tornou um risco para o país, a mídia iniciou um penoso processo de recuperação da legitimidade. Passou a defender direitos humanos, direitos sociais, a pluralidade de opiniões, até o SUS (Sistema Único de Saúde). Saudou a solidariedade, o humanismo, a liberdade de imprensa, tentando se reabilitar de tempos obscuros, em que todos os arbítrios foram tolerados, especialmente os da Lava Jato.
Na época, repórteres festejaram as vitórias da Lava Jato, em um dos episódios mais vergonhosos da história do jornalismo, assim como “Cidinho bola-nossa”, o bandeirinha mineiro que torcia pelo Atlético. Não se importaram com a figura do “juiz ladrão” (no sentido futebolístico), com os atropelos óbvios dos códigos e da constituição. Mais que isso, surfaram no sucesso da Lava Jato, sendo valorizados em suas redações, alguns escrevendo livros, palestrando, tornando-se conhecidos nacionalmente.
E agora? Aliás, e depois da #Vazajato? Alguns deles se tornaram democratas de nascimento. Mas como ficará a avaliação sobre Moro? Ele representa, hoje em dia, o oposto da democracia, dos direitos, do cumprimento da lei, valores que a imprensa pretende recuperar.
É cristalino como água que Moro prevaricou, foi cúmplice de Bolsonaro em vários abusos cometidos – e denunciados hoje em dia pela mídia -, é adepto da necropolítica, impôs um genocídio nos presídios. Sua personalidade manipuladora, vingativa, já foi suficientemente exposta pela #Vazajato e pelos últimos episódios.
Como é que ficamos? Os temores da ombudsman da Folha têm razão de ser? Vai se aceitar o arrivismo da família Moro, o deslumbramento de novos-ricos no Olimpo das celebridades?
Não vão conseguir. O país já descobriu a face macilenta, o lado mais tenebroso do fenômeno Moro. Agora aguarda a autocrítica desses arautos do lavajatismo, que virá no mesmo dia em que houver a autocrítica que cobram do PT.  -  (Fonte: Jornal GGN - Aqui).

A DELAÇÃO DE MORO

Paixão. (Meses atrás).
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Bom Dia 247 (03.05.20) - Attuch / Florestan / Rodrigo Vianna:
A delação de Moro .............................................................. Aqui.

SERIOUS CARTOON

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Tempos Atrás...


Mariano.

ECOS DE MORO E LAVA JATO


Para complementar o comentário deste Blog a propósito do post "Gilmar Mendes: Lava Jato é a mãe do bolsonarismo" - (Aqui).

.(A) O comentário: 

"Este Blog insiste em exercitar a Democracia: todos têm o direito de defender suas ideias e optar pelo partido político que lhes aprouver - desde que nos estritos limites da Constituição da República. É notório o fato de que a Lava Jato, na prática um 'partido político' tacanho e agressor da Carta Magna, contando com o fervoroso apoio de segmentos os mais variados, inspirou tresloucados cultivadores do fascismo, e sem dúvida a figura-mor de tal fenômeno é o poderoso Sergio Moro - que, aliás, nunca deu conta da(s) verdadeira(s) razão(ões) motivadora(s) de sua desistência de 22 anos de magistratura (às vésperas de o Conselho Nacional de Justiça levar a julgamento ONZE reclamações  apresentadas contra o então juiz Moro em face de flagrantes inconstitucionalidades por ele praticadas na condução da Lava Jato, as quais remanesceram após arquivadas cerca de 40 outras), particularidade a que este Blog vem se reportando frequentemente, a exemplo do que se vê Aqui - "Que Prevaleça, Enfim, a Constituição" - e Aqui - "Da Série Letras Vãs Sobre Temas do Momento".

Quanto aos últimos acontecimentos, a impressão que sobressai é a de que o super-herói foi 'aconselhado' a abandonar o barco, sob pena de ser levado de roldão pelo turbilhão que resultará da catástrofe covid-19 em curso. Mas o desafio era hercúleo: ele tinha de arrumar um bom pretexto (e arrumou, efetivamente, um bom motivo), além de sair atirando. Mesmo sabendo que o grupo Bolsonaro não se disporia a revelar tratativas eventualmente feitas com ele num passado recente (pois o grupo estaria se auto incriminando), cuidou de precaver-se mesmo assim, daí ter praticamente 'plantado' em papo com a afilhada deputada Carla Zambelli (impressão que ela externou posteriormente) a já consagrada frase "Prezada, não estou à venda". 
................

.(B) O adendo ao comentário:

"Moro divulgou delação de Palocci na eleição de 2018 para favorecer Bolsonaro, diz Gilmar" - Aqui -: 

"O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes afirmou que Sergio Moro, ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça, divulgou a delação do petista Antonio Palocci à Lava Jato, a poucos dias das eleições 2018, em benefício do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que disputou a Presidência contra Fernando Haddad (PT)... (continua)".

Vale lembrar que a delação de Palocci foi enviada a Moro pelo TRF4 com a expressa recomendação de que qualquer providência somente poderia ser adotada após a apresentação de provas por parte de Palocci. Moro mandou divulgar assim mesmo. Por quê? 

ENQUANTO ISSO, NO DISTANCIAMENTO SOCIAL...


Sponholz.

sábado, 2 de maio de 2020

ELES DISSERAM - EM VÍDEO(S) - (02.05.20)


.Mauro Donato / Carlos Giannazi:
DCM - Moro não tem como falar da
interferência de Bolsonaro na PF sem
se incriminar ............................................. Aqui.

.Breno Altman:
Como fica o governo Bolsonaro sem Moro? .... Aqui.

.Luis Nassif:
Uma mudança histórica: a moeda
digital chinesa ........................................... Aqui.

.Aquias Santarem:
O dia em que Moro prestou depoimento ........ Aqui.

.Paulo A Castro:
Na expectativa do depoimento de Moro ......... Aqui.
Impressões em torno do depoimento de Moro  Aqui.

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.Gevaerd:
Ufologia Sem Fronteiras - Programa 8 ........... Aqui.

DA SÉRIE REVOLUÇÃO DA COVID-19


Ribs.

DEPOIMENTO DE MORO É TESTE PARA A PF E PGR

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Faria bem a todos se o depoimento fosse aberto, até porque o será, afinal, e sub-repticiamente.
Há interesse de muitos lados a favor disso e tradição de que, quando interessa, o segredo de Justiça é uma peneira furada.
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Enquanto isso, a imprensa denuncia que o Brasil "não tinha plano preparado contra o coronavírus" (Aqui). E daí?


Por Fernando Brito

Vale ouro o teor do depoimento que irá prestar, daqui a pouco, o ex-ministro Sergio Moro.
É sigiloso, como o inquérito, mas dificilmente deixará de “vazar”, ao menos em parte, para a imprensa.
Há interesse de muitos lados a favor disso e tradição de que, quando interessa, o segredo de Justiça é uma peneira furada.
Devem assisti-lo dois ou três delegados da Polícia Federal e mais um ou dois procuradores da República, além do pessoal técnico.
Moro pode – e tem o direito a isso, pois é o declarante – deixar escapar alguma das “provas” que diz ter contra Bolsonaro.
Os delegados podem, seja como vingança, seja como para “mostrar serviço” com vistas à formação da nova equipe da PF, fazer o mesmo. É sabido que, desde há muito tempo, o novo Ministro da Justiça – e, portanto, coordenador da PF - não cruza os bigodes com o ex-juiz.
A PGR, “mordida” com a reclamações de Moro de que está sendo “intimidado” com sua inclusão também como “investigado” no inquérito, é outra fonte possível. Muito possível, já que ninguém duvida de que o procurador-geral Augusto Aras tem a pretensão de ser indicado pelo Presidente para uma das vagas a se abrirem no STF.
E, por fim, há o próprio STF, que terá de ser devidamente informado do teor, ainda mais se, do que for denunciado por Moro, algo ainda estiver em curso.
Faria bem a todos se o depoimento fosse aberto, até porque o será, afinal e sub-repticiamente.
Porque as duas partes vão saber de tudo um do outro – e já sabem muito do que fizeram juntos – e o país vai saber apenas do que a cada um deles interessar que saibamos.  -  (Tijolaço - Aqui).

INQUÉRITO DA HORA: MORO PREPAROU DOSSIÊ CONTEMPLANDO 15 MESES DE CONVERSAS COM BOLSONARO

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Depois de ajudar a eleger Jair Bolsonaro, Sergio Moro presta à PF depoimento neste sábado contra seu ex-chefe


O ex-ministro da Justiça preparou um dossiê com o histórico de 15 meses de conversas no Whatsapp para provar as denúncias de interferência de Jair Bolsonaro no comando da Polícia Federal. O documento será entregue na tarde deste sábado (2) no depoimento que o ex-juiz da Lava Jato fará à própria PF.
Segundo a coluna de Guilherme Amado, na revista Época, Moro teria gravado em seu whatsapp áudios, conversas, links e imagens trocadas com Bolsonaro, e organizado de forma voluntária um roteiro para seu depoimento.
Augusto Aras, que se irritou com entrevista de Moro à Veja e assumiu a defesa de Bolsonaro, escalou três procuradores para acompanhar a oitiva: João Paulo Lordelo Guimarães Tavares, Antonio Morimoto e Hebert Reis Mesquita.  -  (Fontes: Revista Fórum - Aqui; Brasil 247 - Aqui).

TRAGIC CARTOON

Lute.
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.Bom Dia 247 (02.05.20) - Attuch / Mauro Lopes / Renata Souza:
Moro começa a delatar Bolsonaro ....................................... Aqui.
.TV Solnik - Alex Solnik:
Bolsonaro chama Moro de Judas ......................................... Aqui,

FLAGRANTE DA VIDA REAL


Vasqs.

GILMAR MENDES: LAVA JATO É A MÃE DO BOLSONARISMO


O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), atribuiu aos métodos utilizados na Operação Lava Jato a responsabilidade da ascensão de Jair Bolsonaro (sem partido) à Presidência da República.
Em entrevista ao Timeline, do jornal Zero Hora, na manhã desta sexta-feira (1/V), o ministro deixou clara a sua posição quando comentou a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
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Gilmar Mendes,  criticou o papel da mídia corporativa em alimentar “falsos heróis”: "Os meios de comunicação devem fazer uma análise crítica desses fenômenos”.
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Para Mendes, a Lava-Jato é a "mãe do bolsonarismo".
De acordo com o ministro, as escolhas de Moro foram arriscadas, principalmente porque o ex-ministro estava "muito próximo desse movimento político", disse ao se referir ao bolsonarismo.
................
Gilmar Mendes também deixa claro que o neofascismo só chegou ao poder ao Brasil porque antes houve um período de autoritarismo judicial com a cumplicidade da mídia.
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Na conversa, Mendes descartou, por ora, o impeachment de Bolsonaro.
"Como o país enfrentaria um impeachment agora? É muito cedo, é preciso aguardar. Neste momento, não há uma insistência, impeachment parece uma palavra banida do vocabulário", pontou.
Critico de Moro, dos procuradores e da Lava Jato, o ministro acredita que o afastamento do presidente, muito discutido durante a pandemia, é uma ampla construção desses anos todos, "uma verbalização que vinha de Curitiba".  -  (Conversa Afiada - Aqui -, com trechos de post sobre o mesmo assunto, produzido pelo Brasil 247 - Aqui).

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Este Blog insiste em exercitar a Democracia: todos têm o direito de defender suas ideias e optar pelo partido político que lhes aprouver - desde que nos estritos limites da Constituição da República. É notório o fato de que a Lava Jato, na prática um 'partido político' tacanho e agressor da Carta Magna, contando com o fervoroso apoio de segmentos os mais variados, inspirou tresloucados cultivadores do fascismo, e sem dúvida a figura-mor de tal fenômeno é o poderoso Sergio Moro - que, aliás, nunca deu conta da(s) verdadeira(s) razão(ões) motivadora(s) de sua desistência de 22 anos de magistratura (às vésperas de o Conselho Nacional de Justiça levar a julgamento ONZE reclamações  apresentadas contra o então juiz Moro em face de flagrantes inconstitucionalidades por ele praticadas na condução da Lava Jato, as quais remanesceram após arquivadas cerca de 40 outras), particularidade a que este Blog vem se reportando frequentemente, a exemplo do que se vê Aqui - "Que Prevaleça, Enfim, a Constituição" - e Aqui - "Da Série Letras Vãs Sobre Temas do Momento".

Quanto aos últimos acontecimentos, a impressão que sobressai é a de que o super-herói foi 'aconselhado' a abandonar o barco, sob pena de ser levado de roldão pelo turbilhão que resultará da catástrofe covid-19 em curso. Mas o desafio era hercúleo: ele tinha de arrumar um bom pretexto (e arrumou, efetivamente, um bom motivo), além de sair atirando. Mesmo sabendo que o grupo Bolsonaro não se disporia a revelar tratativas eventualmente feitas com ele num passado recente (pois o grupo estaria se auto incriminando), cuidou de precaver-se mesmo assim, daí ter praticamente 'plantado' em papo com a afilhada deputada Carla Zambelli (impressão que ela externou posteriormente) a já consagrada frase "Prezada, não estou à venda".

MORO, O VIRTUOSO


Fred.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

ELES DISSERAM - EM VÍDEO(S) - (01.05.20)


.Galãs Feios:
Feliz dia do trabalhador para quem? ............. Aqui.

.Cynara Menezes:
E daí, Bolsonaro? ....................................... Aqui.

.Luis Nassif:
Crise nos estados, explosão da pandemia e
o destino do governo nas mãos do decano .... Aqui.

.Aquias Santarem:
Caixões enterrados vazios em Manaus? A
farsa desmascarada ................................... Aqui.
Sobre Sergio Moro e bolsonaristas ............... Aqui.

.Paulo A Castro:
STF prepara o fim de Bolsonaro ................... Aqui.
Lava Jato é a mãe do bolsonarismo .............. Aqui.

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.Falcão:
Diário da Quarentena (33) .......................... Aqui.

EXPLODE O DELIVERY


Duke.

COMO PENSAR O PÓS-PLANETA CONFINAMENTO - OS TEMPOS PEDEM QUE AJAMOS COMO POETAS, NÃO COMO POLÍTICOS

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O jornalista Pepe Escobar escreve sobre o cenário global depois da pandemia do coronavírus: "Não é a crise do Covid-19 que levará a um outro mundo - mas a reação da sociedade à crise."

('O Triunfo Da Morte' - Autor desconhecido)

Por Pepe Escobar (para o Asia Times)

Entre a falta de responsabilização das elites e a total fragmentação da sociedade civil, o Covid-19, como um circuit breaker, está mostrando que o rei - o design sistêmico - está nu. 
Estamos sendo sugados para dentro de uma dança macabra de múltiplos sistemas complexos "colidindo uns com os outros", produzindo uma infinidade de ciclos de realimentação, na sua maioria negativos.
O que já sabemos com certeza, como Shoshana Zuboff demonstrou em detalhes em seu The Age of Surveillance Capitalism (A Era do Capitalismo de Vigilância), é que "o capitalismo industrial seguiu sua própria lógica de choque e terror" para conquistar a natureza. Mas agora o capitalismo de vigilância "está de olho na natureza humana".

Em The Human Planet: How We Created the Anthropocene (O Planeta Humano: Como Criamos o Antropoceno), analisando o crescimento populacional explosivo, o aumento do consumo de energia e o tsunami de informações "movidos a ciclos de realimentação positivos de reinvestimento e lucro", Simon Lewis e Mark Maslin, do University College de Londres, sugerem que nosso atual modo de vida é a "menos provável" entre diversas opções possíveis. "Um colapso ou uma troca para um novo modo de vida é mais provável".

Com a distopia e a paranóia em massa parecendo ser a lei da (perplexa) terra, as análises de Michel Foucault sobre biopolítica nunca foram tão oportunas, agora que estados de todo o mundo assumem o biopoder - o controle sobre a vida e os corpos das pessoas.

David Harvey, mais uma vez, demonstra o quanto Marx foi profético, não apenas em suas análises do capitalismo industrial mas, também no Grundrisse: Fundações da Crítica da Economia Política – onde ele chegou a prever os mecanismos do capitalismo digital.
Marx, escreve Harvey, "fala de como as novas tecnologias e o novo saber se incorporam à máquina: eles deixam de residir no cérebro do trabalhador, e o trabalhador é empurrado para a margem, tornando-se um mero apêndice da máquina, um mero cuidador de máquinas. Toda a inteligência e todo o saber que antes pertenciam aos trabalhadores e conferiam a eles um certo monopólio de poder frente ao capital, agora desaparecem".  
Assim, Harvey acrescenta, "O capitalista, que antes precisava das habilidades do trabalhador, agora se livra dessa limitação, e a habilidade é incorporada à máquina. O conhecimento produzido pela ciência e pela tecnologia é canalizado para a máquina, e a máquina se torna a 'alma' do dinamismo capitalista. 
A vida na 'deflação psíquica' 
Um efeito imediato - de ordem econômica -  da colisão  de sistemas complexos é a Nova Grande Depressão que se aproxima. Enquanto isso, muito poucos tentam entender em profundidade o Planeta Confinamento e, principalmente, o Pós-Planeta Confinamento. Entretanto, uns poucos conceitos já se destacam. Estado de exceção. Necropolítica. Um novo brutalismo. E, como veremos, um novo paradigma viral.
Vamos, portanto, recapitular o que disseram algumas das melhores e mais brilhantes cabeças da vanguarda do pensamento sobre o Covid-19. Um excelente mapa de viagem é a Sopa de Wuhan, uma coletânea independente publicada em língua espanhola, trazendo ensaios de, entre outros, Giorgio Agamben, Slavoj Zizek, Judith Butler, David Harvey, o sul-coreano Byung-Chul Han e o espanhol Paul Preciado.

Os dois últimos, juntamente com Agamben, foram mencionados em ensaios anteriores desta série sobre os estóicos, Heráclito, Confúcio, Buda e Lao-Tzu, e também sobre filosofia contemporânea, em A Cidade em Tempo de Peste.
Franco Berardi, ícone do movimento estudantil de 1968 e agora professor de filosofia em Bolonha, propõe o conceito de "deflação psíquica" para explicar a dificílima situação por que estamos passando. Estamos vivendo em uma "epidemia psíquica... gerada por um vírus, no momento em que a Terra atingiu um estágio de extrema irritação e o corpo coletivo da sociedade sofre, o que vem acontecendo já há bastante tempo, um estado de tensão intolerável: a doença se manifesta nesse estágio, devastando as esferas sociais e psíquicas, como uma reação de auto-defesa do corpo planetário". 
Então, como propõe Berardi, um "vírus semiótico na psicosfera bloqueia o funcionamento abstrato da economia ao subtrair dela corpos".  Apenas um vírus seria capaz de paralisar por completo a acumulação do capital: "O capitalismo é axiomático, ele opera com base em uma premissa não-verificada (a necessidade de crescimento ilimitado que torna possível a acumulação de capital). 
Toda concatenação lógica e econômica é coerente com esse axioma, e nada pode ser testado fora desse axioma. Não há saída política que permita escapar do capitalismo axiomático, não há possibilidade de destruir o sistema", porque até mesmo a linguagem é refém desse axioma e não admite a possibilidade de nada que seja "eficientemente extra-sistêmico". 
Então, o que sobra? "A única saída é a morte, como aprendemos com Baudrillard". O falecido grande mestre  do simulacro já previa uma paralisação sistêmica nos pós-modernos anos 80.  
O filósofo croata Srecko Horvat , por outro lado, traz uma hipótese menos conceitual e mais realista sobre o futuro imediato: "O medo da pandemia é mais perigoso que o próprio vírus. As imagens apocalípticas da mídia de massa escondem um nexo profundo entre a extrema-direita e a economia capitalista. Tal como um vírus que precisa de células vivas para se reproduzir, o capitalismo irá se adaptar à biopolítica do século XXI.
Para o químico e filósofo catalão Santiago Lopez Petit, o coronavírus pode ser visto como uma declaração de guerra: "O neoliberalismo, desavergonhadamente, se fantasia de estado de guerra. O capital está apavorado", mesmo que "a incerteza e a insegurança invalidem a necessidade de um tal estado". No entanto, pode haver possibilidades criativas quando  a vida obscura e paroxística, incalculável em sua ambivalência, escapa do algoritmo". 
Nossa exceção normalizada 
Giorgio Agamben provocou imensa controvérsia na Itália e por toda a Europa quando, em fins de fevereiro, publicou uma coluna sobre a "invenção de uma epidemia". Ele, mais tarde, teve que explicar o que queria dizer. Mas seu principal insight permanece válido: o estado de exceção foi completamente normalizado.

E fica ainda pior. "Um novo despotismo que, em termos dos controles onipresentes e da cessação de toda e qualquer atividade política, será pior que os totalitarismos que conhecemos até agora".
Agamben insiste em suas análises da ciência como sendo a religião de nosso tempo: "A analogia com a religião é tomada literalmente; os teólogos declararam não serem capazes de definir o que Deus é, mas em Seu nome ditaram regras de conduta aos homens e não hesitaram em queimar heréticos. Os virologistas admitem não saber exatamente o que um vírus é, mas em seu nome fingem decidir como os seres humanos irão viver".
O filósofo e historiador camaronense Achille Mbembe, autor de dois livros indispensáveis, Necropolítica e Brutalismo, identificou o paradoxo de nosso tempo: "O abismo entre a crescente globalização dos problemas da existência humana e o recuo dos países para dentro de suas velhas e antiquadas fronteiras".
Mbembe investiga o fim de um certo mundo, "dominado por gigantescos dispositivos de cálculo", um mundo móvel no sentido mais polimórfico, viral e quase cinematográfico", referindo-se à ubiquidade das telas (novamente o Baudrillard da década de 80) e à lexicografia, "que revela não apenas uma mudança de linguagem mas o fim do mundo". 
Aqui temos Mbembe dialogando com Berardi – mas Mbembe leva a questão muito mais longe: "Esse fim de mundo, esse triunfo definitivo do gesto e dos órgãos artificiais sobre a palavra, o fato de que a história da palavra chega ao fim frente a nossos olhos, esse para mim é o desenvolvimento histórico por excelência, o que o Covid-19 revela. 
As consequências políticas são inevitavelmente terríveis: "Parte da política de poder das grandes nações não residiria no sonho de uma organização automatizada do mundo graças à fabricação de um Novo Homem que seria o produto de montagem fisiológica, montagem sintética e eletrônica e montagem biológica? Chamemos a isso de tecno-libertarianismo".  
Isso não é exclusivo do Ocidente: "A China está no mesmo caminho, vertiginosamente". 
Esse novo paradigma de uma pletora de sistemas automatizados e decisões algorítmicas "onde a história e a palavra não existem mais, choca-se frontalmente com a realidade de corpos de carne e osso, micróbios, bactérias e líquidos de todos os tipos, o sangue inclusive". 
O Ocidente, afirma Mbembe, há muito optou por "imprimir um curso dionisíaco a sua história, levando consigo o resto do mundo, mesmo que este não entenda. O Ocidente não conhece mais a diferença entre começo e fim. A China está no mesmo caminho. O mundo foi mergulhado em um vasto processo de dilaceramento, onde ninguém é capaz de prever as consequências".
Mbembe aterroriza-se com a proliferação de "manifestações vivas da parte viral e bestial da humanidade, incluindo racismo e tribalismo. 
Isso, acrescenta ele, corresponde ao nosso novo paradigma viral. 
Sua análise certamente se encaixa com a de Agamben: "Tenho a impressão de que o brutalismo vai se intensificar sob o ímpeto tecno-libertarianista, seja na China ou sob as roupagens da democracia liberal. Da mesma forma que o 11 de setembro abriu caminho para um estado de exceção generalizado e para sua normalização, a luta contra o Covid-19 será usada como pretexto para aproximar ainda mais a política do domínio da segurança". 
"Mas desta vez", acrescenta Mbembe, "será uma segurança quase biológica, comportando novas formas de segregação entre os "corpos imunes" e os "corpos virais".  O viralismo se transformará no novo palco para o fracionamento das populações, agora identificadas como espécies distintas". 
Parece mesmo um neo-medievalismo, uma reencenação digital do fabuloso afresco O Triunfo da Morte, em Palermo.
Poetas, não políticos 
É útil contrastar toda essa ruína sombria com a perspectiva de um geógrafo. Christian Grataloup, um excelente geo-historiador, insiste em um destino comum para a humanidade (aqui ele ecoa Xi Jinping e o conceito chinês de "comunidade de destinos compartilhados": "Há um sentimento de identidade sem precedentes. O mundo não é simplesmente um sistema espacial econômico e demográfico, ele se transforma em um território. Desde as Grandes Descobertas tudo o que era global vinha encolhendo, resolvendo uma série de contradições. Agora, temos que aprender a reconstruí-lo, dar-lhe mais consistência, uma vez que corremos o risco de deixá-lo apodrecer com as tensões internacionais".
Não é a crise do Covid-19 que levará a um outro mundo - mas a reação da sociedade à crise. Não haverá uma noite mágica, com shows dos pop stars da "comunidade internacional", quando a vitória será anunciada ao antigo Planeta Confinamento.  
O que é realmente importante é o longo e árduo combate político que nos levará ao próximo nível. Os conservadores extremos e os tecno-libertarianistas já tomaram a iniciativa - da recusa à tributação sobre grandes fortunas para socorrer as vítimas da Nova Grande Depressão até a obsessão com a dívida, que impede novos e necessários gastos públicos.   
Nesse quadro, proponho ir além da biopolítica de Foucault. Gilles Deleuze pode ser o conceituador de uma nova e radical liberdade. Aqui temos uma deliciosa série britânica que pode ser curtida como se fosse um enfoque sério à la Monty Python a Deleuze.
Foucault foi insuperável na descrição de como o significado  e os quadros de verdades sociais mudam ao longo do tempo, constituindo em novas realidades condicionadas por poder e conhecimento. 
Deleuze, por outro lado, concentrou-se em como as coisas mudam. Movimento. Nada é estável. Nada é eterno. Ele conceituou o fluxo - de forma muito heracliteana. 
As novas espécies (até mesmo o novo Ubermensch criado pela Inteligência Artificial) evoluem em relação a seu ambiente. É usando Deleuze que podemos investigar como os espaços entre as coisas criam possibilidades para O Choque do Novo. 
Mais que nunca, sabemos agora que tudo é conectado (obrigado, Spinoza). O mundo (digital) é complicado, interconectado e misterioso a ponto de abrir um número infinito de possibilidades. 
Já nos anos 1970, Deleuze dizia que o novo mapa - a potencialidade inata da novidade - deveria ser chamado de "o virtual". Quanto mais a matéria viva se complexifica, mais ela transforma esse virtual em ação espontânea e movimentos imprevistos. 
Deleuze colocou um dilema que agora nos confronta em termos ainda mais radicais. A escolha entre "o poeta, que fala em nome do poder criativo, capaz de subverter todas as ordens e representações para afirmar a diferença no estado de revolução permanente que caracteriza o eterno retorno; e o político, que se preocupa, acima de tudo, em negar aquilo que 'difere', a fim de conservar ou prolongar a ordem histórica estabelecida, ou de estabelecer uma ordem histórica que já faz surgir no mundo as formas de sua representação".
Os tempos nos chamam a agir como poetas, e não como políticos. 
A metodologia talvez possa ser a exposta por Deleuze e Guattari no seu formidável  Mil Platôs – que traz o significativo subtítulo de Capitalismo e Esquizofrenia, onde o movimento é não-linear. Estamos falando de filosofia, psicologia, política, conectadas por ideias que correm em diferentes velocidades, em um incessante movimento contínuo que mistura linhas de articulação, em diferentes estratos, dirigidas a linhas de voo, movimento de desterritorialização.
O conceito de "linhas de voo" é essencial para essa nova paisagem virtual, porque o virtual é formado por linhas de voo entre diferenças, em um processo contínuo de mudança e liberdade. 
Todo esse frenesi, contudo, tem que ter raízes - como nas raízes de uma árvore (a do conhecimento). E isso nos leva à metáfora central de Deleuze, o rizoma, que é não apenas uma raiz, mas uma massa de raízes brotando em novas direções. 
Deleuze mostrou como o rizoma conecta assembleias de códigos linguísticos, relações de poder, as artes - e, o mais importante, a biologia. O hyperlink é um rizoma, que antes representava um símbolo da deliciosa falta de ordem da Internet, até ser aviltado, quando o Google começou a impor seus algoritmos. Os links, por definição, deveriam sempre nos levar a destinações inesperadas. 
Os rizomas são as antíteses dos traços-padrão da "democracia" liberal ocidental – o parlamento e o senado. As trilhas, ao contrário, são rizomas - como na trilha Ho Chi Minh. Não há plano ordenador. Múltiplas entradas e múltiplas possibilidades. Sem começo nem fim. Como Deleuze o descreveu, "O rizoma opera por variação, expansão, conquista, captura, ramificações".
Isso pode servir de projeto para uma nova forma de participação política que se seguiria à queda do design sistêmico. Esse projeto incorpora uma metodologia, uma ideologia, uma epistemologia, sendo também uma metáfora. O rizoma é inerentemente progressivo, enquanto as tradições são estáticas. Como metáfora, o rizoma pode substituir nossa concepção de história como linear e singular, oferecendo diferentes histórias que se movem em diferentes velocidades. A TINA, ou "não há alternativa“ (There Is No Alternative) está morta: há alternativas múltiplas. 
E isso nos traz de volta a David Harvey inspirado em Marx. Para embarcar em um novo caminho emancipador, temos que antes nos emancipar a nós mesmos e ver que um novo imaginário é possível, paralelamente a uma nova realidade de sistemas complexos.
Então, vamos relaxar - e desterritorializar. Se aprendermos a fazer isso, o advento do Novo Tecno-Homem vivendo em servidão voluntária e controlado remotamente por um estado de segurança todo-poderoso que tudo vê deixará de ser fatal.  
Deleuze: um grande escritor é sempre como que um estrangeiro na língua por meio da qual ele se expressa, mesmo que ela seja sua língua materna. Ele não mistura uma outra língua com a sua própria língua. Ele constrói uma língua estrangeira não pré-existente dentro de sua própria língua. "Ele faz a própria língua gritar, gaguejar, murmurar. Um pensamento deveria brotar rizomaticamente - em muitas direções. 
Estou resfriado. O vírus é um rizoma. 
Lembra-se de quando Trump disse que este era um "vírus estrangeiro"? 
Todos os vírus são estrangeiros – por definição. 
Mas Trump, é claro, nunca leu o Almoço Nu, do Grande Mestre William Burroughs.
Burroughs:  A palavra é um vírus".   -  (Aqui).

A MAIOR CRISE SANITÁRIA EM 100 ANOS

Zé Dassilva.
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.Bom Dia 247 (01.05.20) - Attuch / Mier:
Sobre o Primeiro de Maio .................................................. Aqui.

DISTANCIAMENTO SOCIAL

                        (Titanic  -  'My Heart Will Go On'  -  Céline Dion  -  Aqui)

Michael Kountouris. (Grécia).

COM SUBNOTIFICAÇÃO, CASOS DE CORONAVÍRUS NO BRASIL PODEM PASSAR DE 1,2 MILHÃO, ESTIMA GRUPO DA USP

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Dizer o quê? 
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(Enquanto isso, segue o senhor Bolsonaro criando confusão, alheio aos dramas que afligem a todos. Ontem, 30, Trump fez alusão direta à situação do Brasil, alarmado ante o desastre que se consolida dia a dia. Nem isso será bastante para que Bolsonaro tome tenência?!).


Considerados os casos subnotificados, o número total de infectados pelo coronavírus no Brasil chegaria a 1.201.686 (podem flutuar entre 957.085 e 1.494.692) em 28 de abril, um número 16 vezes maior que o oficial naquela data, de 73.553, que considera somente doentes graves e mortos (os casos de pessoas que sofreram internação), informa a jornalista Ana Lucia Azevedo em reportagem no Globo.
Esse número supera o oficial dos Estados Unidos, o país mais atingido até agora pela pandemia e que também tem uma grande subnotificação.
A análise é do portal Covid-19 Brasil, que reúne cientistas e estudantes de várias universidades brasileiras, informa a jornalista. - (Aqui).

ELES DISSERAM - POR ESCRITO - SOBRE VÍDEOS DE ÓVNIS


"Leitor Falcon: É obvio que não estamos sozinhos no universo, estamos sozinhos na soberba, prepotência e arrogância, ou seja, o fato de não termos informações a respeito, não significa que não exista. Estamos na mesma situação da criança que não sabe resolver uma equação de 2o. grau, a equação existe, mas a criança ainda não tem conhecimento para desvendar, estamos ainda no berço e de fralda cheia de caquinha, fazendo gugu dadá, não sabemos o que existe fora do berço. Mas por outro lado, também não se enganem, sabemos que informações privilegiadas ficam em poder de governos, forças armadas e alguns cientistas, não serão disponibilizadas para a grande massa de pessoas imaturas e sem condições de administrar os mistérios do universo. Como sabiamente diz aquele ditado, "Existe mais mistérios entre o céu e a terra, do que supõe a nossa medíocre, rasa e tosca arrogância". São bilhões de planetas, galáxias, universos, multi universos, tem muito espaço né.

Leitor 'Guanaco Caolho': Kkkkkk é para mudar o assunto, ninguém aguenta mais esse papo de coronavírus, de parar 99% da população por causa de 1%, ninguém aguenta mais essa imposição da imprensa e de todos que são de esquerda a favor do lockdown e que não aceitam uma alternativa intermediária, por que será? Claro, para quebrar as economias e usar o modelo comunista chinês como exemplo de sucesso, pois lá tem 1,4 bilhão de habitantes e só morreram menos de 5 mil, e todos acreditam na bela democracia chinesa, exemplo de transparência e liberdade. Ou também usar o modelo europeu, que mesmo tendo muitas mortes, pois não dá para manipular isso como os chineses, ainda é exemplo de atendimento social pelo Estado. Já EUA é um desastre e gerou em poucas semanas 23 milhões de desempregados e desassistidos pelo Estado. Brasil é sempre uma porcaria, não estão morrendo tanto como a imprensa queria, mas as comparações serão sempre manipuladas pela imprensa. E como tem gente cega...".






(Comentários selecionados de leitores da matéria "'Estamos Sós No Universo?': Por Que Vídeos De Óvnis Divulgados Pelos EUA Não Ajudam a Solucionar Mistério", publicada pela Folha/Uol em 29.04.20 - Aqui. 

Diversionismo? Que seja).