quinta-feira, 2 de maio de 2019

BRASIL, O VERDE PROIBIDO

(GGN)
Brasil, o verde proibido
Por André Araújo (No GGN)
O Brasil é o terceiro País do planeta em área florestada, perdendo para a Rússia e Canadá. Em percentagem do território florestado perde para o Japão.
O Brasil tem 4,77 milhões de quilômetros quadrados de florestas, a Rússia tem quase o dobro, 8,14 milhões de quilômetros quadrados, e o Canadá também tem mais que o Brasil, 4,91 milhões de quilômetros quadrados. Já em percentagem do território, Rússia, Canadá e Brasil estão próximos, mas países da Europa e Ásia têm mais percentagem do território florestado que o Brasil, que tem 56% de florestas, o Japão tem 67%, a Finlândia tem 72% e a Coreia do Sul tem 63%, já a Estônia tem 61%. Os EUA estão como a Europa, têm 1/3 do território florestado e crescendo, hoje são 3,1 milhões de quilômetros quadrados.
É uma lenda contada por anti-ambientalistas que a Europa devastou suas florestas. Não devastou! A Alemanha tem um terço de seu território com florestas, todos os países europeus têm boa cobertura florestal, os países nórdicos têm a maior parte do território florestada, muito mais que o Brasil.
Mas o que o Brasil NÃO tem é o amor pelo verde. Capitais da Amazônia, como Manaus, Boa Vista, Porto Velho surpreendem o viajante que se aproxima de avião, veem cidades cruas, peladas, feias, com muita construção, poucos jardins, praças vazias, ruas de asfalto e cimento, sem árvores. E isso na Amazônia.
AS CAPITAIS TêM POUQUÍSSIMO VERDE, parece que não gostam de árvores, a exceção é Belém. No interior do Estado de São Paulo é chocante a falta de árvores nas cidades médias, deveriam ter muito mais verde, mas tudo indica que não gostam de árvores, acham que “progresso” é cimento.
O mais impressionante são os conjuntos de moradias populares. Os mais novos e imensos paliteiros em São Paulo, Jundiaí, Campinas, Osasco e Guarulhos NÃO TÊM UMA ÁRVORE. Em São Paulo, nos pátios de estacionamentos de shoppings e supermercados NÃO HÁ ÁRVORES, nem arbustos, espaço não falta, falta bom gosto, educação, cultura, civilidade, sobra cafonice, os bregas não gostam de vegetação, gostam de lenha para churrasco.
Nos prédios de apartamentos de classe média, média alta e da elite rica, há poucos e rasos jardins, NÃO HÁ FLOREIRAS NAS JANELAS E POUCAS PLANTAS NOS TERRAÇOS, isso é cultural, não há falta de dinheiro ou de vontade, falta CULTURA E CIVILIDADE, para gostar de plantas é preciso bom gosto.
Em Buenos Aires, praticamente todos os prédios de apartamento da área central, de classe baixa, média e rica têm floreiras nas janelas e plantas nos terraços, além da abundância de parques e praças por todo o centro, Palermo, Zona Norte, Palermo Chico, muito verde; como eles gostam de flores, dão outra visão da cidade, muito mais agradável, além de ajudar muito na despoluição do ar. Nos arredores da capital argentina, nem se fala, em Olivos,  Martinez, San Isidro, San Fernando, há muita vegetação, ruas todas arborizadas com bom gosto e cuidado, o mesmo em Córdoba e Mendoza.
O VERDE NAS COMUNIDADES
Nas comunidades pobres das grandes e médias cidades brasileiras a ausência de verde contribui para a má qualidade de vida e o aumento das tensões sociais. O verde civiliza e acalma. São Paulo tem uma Secretaria do Verde que faz pouquíssimo. Falta verde nas avenidas, nos parques, nas encostas, nas praças. O que resta de boas árvores em São Paulo, nos Jardins, Higienópolis e em Santo Amaro são resquícios de gerações antigas e educadas.
São Paulo dos anos 20, 30 e 40 era uma cidade quase europeia, altamente civilizada,  elegante. Por isso ainda existem, e cada vez menos, árvores majestosas nas áreas mais antigas da cidade, cada vez menos porque nunca foram bem cuidados, estão sufocadas por cimento e por ignorância, sem conservação. Nas grandes chuvas e ventos caem, em um só dia, 200 ou até 500 árvores em SP, frágeis e apodrecidas pelo sufocamento, falta de trato, de um mínimo de cuidados de conservação. Há muito  mau humor contra as árvores, tem gente que acha que atrapalham.
Por causa das quedas há paulistanos com raiva de árvores na cidade. Sugiro visitarem Berlim, que tem infinitas vezes mais verde que São Paulo, a mesma coisa em Paris e Londres. O VERDE VEM COM A CIVILIZAÇÃO E DESPARECE COM A IGNORÂNCIA, o verde é um termômetro de qualidade de vida.
A VEGETAÇÃO NAS MARGENS DOS RIOS
O Brasil tem o maior patrimônio fluvial do mundo mas muitos rios estão morrendo POR FALTA DE VEGETAÇÃO NAS MARGENS, como é o caso do icônico Rio São Francisco, apresentando vazões cada vez menores por dilapidação da cobertura vegetal nas margens. É uma insensatez porque prejudica o próprio desmatador.
Há outros efeitos prejudiciais na extinção do verde. SEM VERDE NÃO HÁ INFILTRAÇÃO DE ÁGUA NOS AQUÍFEROS. Sem verde, que segura as chuvas, os morros deslizam e provocam tragédias, como as do Rio de Janeiro neste ciclo de chuvas, isso já se sabe desde a descoberta do Brasil.
O VERDE NA AGRICULTURA
Imensas plantações de soja SEM UMA ÚNICA ÁRVORE ao lado, como barragem de ventos, não se perde um grão de soja se houver de quando em quando uma cortina verde nas plantações. Quem conhece a França de balão vê que em todas as plantações e pastos há florestas de árvores de trecho em trecho no entremeio do solo produtivo, em distâncias curtas. A França inteira, e a Alemanha também, é uma agricultura com jardins no meio. A função não é apenas estética, é funcional. A floresta de entremeio segura as chuvas e protege as plantações e pastos. Aqui nem se cogita, para atestar a ignorância.
Temos uma imensa área de pastagens degradadas no Brasil, que se avalia em 1,4 milhão de quilômetros quadrados, terras com erosão e perda de eficiência agriculturável por falta de cuidados com a cobertura vegetal, uma imensa área improdutiva, erodida, com riachos secos e brotamento de pragas.
A AUSÊNCIA DE CULTURA DO VERDE
Verde é civilização, os bárbaros  não gostam de vegetação. Lembro de um estacionamento na rua Treze de Maio em São Paulo, de propriedade e usado pelo Empório e Padaria Basilicata, tradicional em São Paulo. Os carros paravam debaixo de lindas árvores. Um domingo cheguei e não havia nenhuma árvore.
Perguntei a um dos donos, respondeu, “cortei porque estava atrapalhando os carros”. As árvores estavam coladas aos muros, não atrapalhavam nada.
Nunca mais fui a esse empório, a estupidez do ato me chocou. No imenso estacionamento do Shopping Eldorado, em São Paulo, NÃO HÁ UMA ÚNICA ÁRVORE para ao menos fazer sombra aos carros. Em outros grandes shoppings é a mesma coisa. Árvores não tiram espaço, fazem a divisa entre espaços.
São Paulo tem sim uma pequena parte da sociedade com consciência do verde, mas a imensa maioria não está nem ai. Além do fator estético, a vegetação tem fundamental importância para a estabilidade do solo, a sua ausência causa tragédias porque as chuvas não encontram esgotamento e barreiras, o enraizamento das árvores segura a terra, que sem isso vai junto com a chuva. É coisa que se sabe há 10.000 anos.
O PANO DE FUNDO ECOLÓGICO
O Brasil tem pela natureza grande reserva florestal, MAS ESTAMOS DESTRUINDO ESSE PATRIMÔNIO. Outras áreas do planeta já tiveram patrimônio vegetal natural e o perderam. O VALOR DAS NOSSAS FLORESTAS ESTÁ NA BIODIVERSIDADE DE FLORA E FAUNA e não no capim que se coloca depois do desmatamento. A BIODIVERSIDADE vale 1.000, o capim vale 1, derrubar floresta para plantar capim NÃO É DESENVOLVIMENTO, é burrice.
Já devastamos 15% da Amazônia e 93% da Mata Atlântica e continuamos a desmatar todos os dias do ano, uma hora a conta chega.
VERDE É SINAL DE CIVILIZAÇÃO, o Brasil está muito atrasado nesse grande indicador de  País desenvolvido.

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.Bom Dia 247 - Vem aí a greve geral? ........... Aqui.
.Live do Conde - Lula Livre ganhou mundo .... Aqui.

GOVERNO CORTA 30% DOS RECURSOS DAS UNIVERSIDADES


Thiago.

DA SÉRIE PRIORIDADES ABSOLUTAS


Tacho.

SECRETÁRIO DO PIAUÍ APRESENTA RECURSO PARA LULA IR PARA O SEMIABERTO IMEDIATAMENTE

(GGN).
O Jornal GGN dá conta de que...
"É destaque na coluna de Mônica Bergamo, nesta terça (30), que o secretário de Justiça do Piauí, Daniel Oliveira, protocolou no Supremo Tribunal Federal, no dia anterior, um pedido de habeas corpus em benefício de Lula.
Segundo a colunista, Oliveira 'não confirma nem desconfirma se a iniciativa foi endossada pelo governador Wellignton Dias (PT)'.
O argumento do secretário é que o julgamento de Lula no Superior Tribunal de Justiça, que reduziu a pena do caso triplex para 8 anos e 10 meses de prisão, 'abre caminho para que o ex-presidente tenha o direito de ir para o regime semiaberto imediatamente.'
Juristas têm criticado a decisão do STJ, argumentando que os ministros deveriam ter abatido da nova pena de Lula o tempo que ele já cumpriu preso em Curitiba.
De acordo com o julgamento no STJ, Lula poderia pedir para mudar do regime fechado para o semiaberto a partir de setembro de 2019."
....
O recurso apresentado pelo secretário se apoia na Detração Penal, conceito que "simboliza o abatimento, na pena privativa de liberdade ou na medida de segurança, do tempo de prisão provisória, de prisão administrativa ou de internação provisória. Esse 'desconto' se dá na pena definitiva aplicada.", conforme explicita a Wiki.
Algo nos está a dizer que a louvável iniciativa está fadada ao insucesso, tendo em vista que o ex-presidente descarta o benefício, que configuraria admissão de crime, colidindo frontalmente com a sua convicção de inocência. 
Sem embargo, a ver.

INGENUOUS CARTOON


Pavel Constantin. (Romênia).

quarta-feira, 1 de maio de 2019

OLHO NOS VÍDEOS


Olho nos Vídeos


.DCM TV:
Golpe fracassado e jornalismo medíocreAQUI.
Cobertura da Globo atiça cães de guerra  AQUI.

.Conversa Afiada:
Quem fracassou na Venezuela ............... AQUI.

.Paulo A Castro:
A propósito do Dia do Trabalho .............. AQUI.
Lava Jato lança mais uma ..................... AQUI.
Bolsonaro: Recusa ao jantar .................. AQUI.

QUESTÃO DE TEMPO: PLÁSTICO, RUÍNA DO MUNDO


Michael Kountouris. (Grécia).

REVISITANDO A REPERCUSSÃO DO IMPEACHMENT DE DILMA ROUSSEFF

A Agência Pública é uma agência de jornalismo investigativo e independente, fundada em 2011 e atualmente dirigida por Marina Amaral e Natalia Viana. Suas matérias, distribuídas gratuitamente, a credenciaram a receber inúmeros prêmios. A Agência Pública foi o primeiro veículo brasileiro a ser indicado ao Prêmio Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras. Que a Agência Pública seja laureada com novas premiações, e se mantenha firme em seu trabalho de jornalismo investigativo. /  O texto a seguir vem como que na esteira de diversas postagens publicadas por este Blog antes, durante e depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a exemplo das intituladas "O julgamento de Dilma Rousseff: A construção do crime" - Aqui -, publicada em 20.08.2016, e "Da série a repercussão mundial do golpe / Miséria política" - Aqui -, de 25.04.2016.
(Arq.)       (O senador José Serra, ex-ministro das Relações Exteriores) 
Como o Itamaraty instruiu embaixadores a defender o impeachment de Dilma Rousseff
Da Agência Pública“Cumpri instruções”. Assim começa uma série de correspondências escritas por diplomatas brasileiros no exterior. Da representação do Brasil em Washington ao embaixador na minúscula e paradisíaca ilha de Santa Lúcia, no Caribe, oficiais brasileiros obedeceram à ordem clara e rigorosa do Ministério das Relações Exteriores do recém-iniciado governo de Michel Temer (MDB): rechaçar qualquer questionamento ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) vindo de outros diplomatas, de órgãos internacionais ou mesmo da imprensa estrangeira, além de manter informado o governo Temer de onde partiriam eventuais críticas.
A ordem partiu do também recém-empossado ministro José Serra (PSDB), no dia 24 de maio — apenas 12 dias após o afastamento inicial de Dilma pela Câmara dos Deputados. As informações estão presentes em mais de cem comunicados transmitidos pelas embaixadas do Brasil entre maio e setembro de 2016, aos quais a Pública teve acesso através de pedidos pela Lei de Acesso à Informação. Segundo os documentos, era crucial aos embaixadores brasileiros rebater qualquer afirmação sobre erros de conduta durante o julgamento, que citasse “jogos de interesse” ou apontasse de manobra política no processo. Termos como “golpe de Estado” e “manipulação política” também constaram nos exemplos de “posturas equivocadas”.
O embaixador brasileiro em Cuba, Cesário Melantonio Neto, foi rápido em cumprir as determinações do chanceler tucano. Em nota enviada ao Itamaraty em maio de 2016, o diplomata afirmou ter conversado “com diversas autoridades locais para corrigir percepções errôneas sobre o processo de impeachment e evitar manifestações incorretas no tratamento de temas da realidade brasileira”, disse. No texto, Neto afirma que o afastamento de Dilma “observa estritamente os ditames e ritos previstos na legislação brasileira” e diz ter se encontrado com representantes do governo cubano para os quais argumentou que as violações à lei orçamentária configurariam crime de responsabilidade. ”Creio que as autoridades locais entenderam a argumentação”, finaliza.
O diplomata também acompanhou a VII Cúpula da Associação dos Estados do Caribe, realizada em junho na ilha cubana. Na ocasião, relatou Neto ao governo brasileiro, os presidentes de Cuba, Raúl Castro, Venezuela, Nicolás Maduro, e o vice-presidente da Nicarágua, Omar Halleslevens, criticaram duramente o afastamento de Dilma.
Já o embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), José Luiz Machado e Costa, utilizou a sua representação para questionar países que haviam se manifestado contra o impeachment. “Ao final da sessão ordinária do Conselho Permanente ocorrida ontem, 7 de setembro, pronunciei intervenção pela qual rechacei críticas ao processo de impedimento da Presidente Dilma Rousseff”, resume o diplomata. Na carta, ele comemora: após sua fala, as delegações da Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela, contrárias ao impeachment, não tiveram apoio. México, Estados Unidos, Argentina, Chile e Colômbia se posicionaram a favor do embaixador brasileiro e endossaram o argumento de Costa, que o julgamento “conduzido de modo totalmente pacífico pelo Congresso Nacional observou o devido processo legal e os valores e princípios do Estado Democrático de Direito”, afirmou.
Costa foi nomeado representante permanente do Brasil na OEA em 2015, com apoio do PSDB de Serra e do Democratas e após o preferido de Dilma, Guilherme Patriota, ser rejeitado pelo Senado.
Depois de discursar na OEA, a peregrinação do embaixador prosseguiu. Em 14 de setembro, Costa passou notas à Organização dos Estados Americanos e à Organização PanAmericana da Saúde (OPAS) sobre o fim do processo de impeachment. Já em 21 de novembro, foi a vez de argumentar com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, para a qual o representante encaminhou informações do governo brasileiro sobre manifestações contrárias ao afastamento de Dilma.
Por sua vez, Mário Vilalva, embaixador brasileiro em Portugal, aproveitou-se do seminário “Investimentos Estrangeiros no Brasil”, organizado pela Câmara de Comércio e Indústria LusoBrasileira (CCILB), para defender o impeachment. Em nota enviada ao Itamaraty em junho de 2016, o diplomata conta que “nos termos das instruções transmitidas por Vossa Excelência” prestou “detalhados esclarecimentos sobre a tramitação do processo de impeachment no Brasil, ressaltando que este observa rigorosamente os ditames da Constituição brasileira”.
Vilalva ainda utilizou o evento para propagandear medidas econômicas adotadas pelo governo Temer “com vistas a conter o aumento dos gastos públicos” e passou informações sobre o andamento dos preparativos para a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, “convidando os presentes a visitar o Brasil durante esses eventos desportivos, momento oportuno também para a realização de negócios”, relatou.
Itamaraty divulgou ordens a embaixadores cerca de uma semana após afastamento temporário de Dilma
A argumentação dos embaixadores brasileiros seguia a circular “Circtel 101296”, enviada em 24 de maio pelo Itamaraty — 12 dias após o afastamento temporário de Dilma. O texto apresentava “a versão correta” do impeachment, compilava argumentos que a legislação brasileira estava sendo cumprida rigorosamente e afirmava que o Congresso e Supremo Tribunal Federal (STF) sustentavam a lisura do processo. A circular foi novamente citada em setembro, quando nova mensagem do Ministério das Relações Exteriores reforçou: “se consultado a respeito do processo de afastamento da ex-PR Dilma Rousseff por representantes governamentais, diplomáticos, da imprensa ou da academia, Vossa Excelência deverá recorrer aos termos da Circtel 101296”.
A circular do Itamaraty listava argumentos de autoridades governamentais e dirigentes de organismos internacionais que deveriam “ser enfrentados com rigor e proficiência”. A seleção começava pela própria OEA — que em abril havia declarado que o julgamento não se enquadrava nas regras que sustentam o impeachment —, seguia pela Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA), a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e incluiu os governos da Bolívia, Cuba, Venezuela, Equador e El Salvador.
No texto original, o julgamento na Câmara dos Deputados de 15 de abril de 2016, marcado pelo votos “por Deus e por minha família” e pela exaltação do torturador Ustra feita por Jair Bolsonaro, é definido como um ato “precedido de exercício extenuante de informação — factual, técnica e jurídica — dos parlamentares brasileiros sobre os fatos denunciados”, diz a circular. Já sobre o Supremo, o texto reafirma o papel da corte de guardiã da Constituição e assegura que o órgão tem realizado “supervisão atenta” do julgamento, “com todo o rigor, como deve ser”.
Na caracterização do processo de impeachment, o documento explica o que é um crime de responsabilidade e o porquê dele não ser uma condenação penal — e, portanto, estritamente político. O Ministério reforça que as instituições estrangeiras têm dificuldade em entender a lógica do crime de responsabilidade, citando como exemplo, um questionamento da Bolívia que não havia crime, logo, o julgamento seria apenas uma articulação política.
No texto, o Ministério das Relações Exteriores se dedica a combater o argumento que o afastamento de Dilma invalidaria o voto de mais de 50 milhões de brasileiros. Na contra-argumentação do ministério, “os votos recebidos por um presidente da república não constituem barreira à instauração de processo de impeachment” visto que “os deputados e senadores brasileiros receberam igualmente milhões de votos para cumprir suas funções constitucionais”.
Governo Temer agiu para rebater movimentos sociais e imprensa estrangeira
As correspondências dos embaixadores brasileiros revelam ainda outra preocupação do Governo Federal: reverter ações tomadas durante o governo de Dilma para questionar o processo de impeachment.
O principal exemplo é a “Carta aos Movimentos Sociais da América Latina”, publicada em março de 2016 por uma série de entidades ligadas à esquerda, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH). O texto foi enviado pelo Itamaraty ainda durante governo Dilma a delegações na África, Ásia e Oceania. Na carta, os movimentos a favor da destituição da presidente são explicados como uma resposta dos partidos derrotados nas eleições de 2014 junto a setores do Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal para impor uma agenda de reformas liberais e conservadoras que não haviam sido escolhidas pela população.
Além disso, no governo Temer, os embaixadores brasileiros também atuaram para notificar o Itamaraty de repercussões negativas do impeachment na imprensa.
A TV Venezuela entrou na mira, bem como jornais e sites na Bolívia e Argentina.
Uma publicação de parlamentares britânicos ligados ao Partido Trabalhista no jornal The Guardian despertou o alerta dos embaixadores brasileiros. No texto, publicado na seção de cartas dos leitores no dia 27 de maio, diversos parlamentares criticam veemente o afastamento de Dilma e afirmam que o governo Temer mostrou “suas verdadeiras cores ao empossar um ministeriado de homens brancos, lançando mão de políticas neoliberais que irão ferir milhões de trabalhadores e brasileiros pobres”.
Em resposta, o embaixador brasileiro no Reino Unido, Eduardo dos Santos, exigiu espaço de resposta ao Guardian no qual escreveu ser “inaceitável que o impeachment fosse tratado como manobra política contra a vontade do eleitor”. O texto copiava trechos inteiros da circular 101296, do Ministério das Relações Exteriores.
Jornais da Austrália que haviam publicado textos críticos ao impeachment também foram monitorados pelos embaixadores brasileiros. Um artigo chamado “A vingança da direita brasileira”, escrito pelo professor da Universidade Nacional da Austrália Sean Burges, é citado pelo embaixador do Brasil em Camberra, Manuel Innocencio de Lacerda Santos Jr. Em comunicado ao Itamaraty, o diplomata pergunta se poderia responder ao jornal que leu o artigo com desgosto, visto que se tratava de “uma abundante demonstração de falta de informação” vinda de alguém que, tendo em vista sua posição, “deveria ser melhor informado”. Em uma longa crítica, o Santos Jr. chega a afirmar que a análise do professor australiano transita entre “mal-intencionada ou apenas mera estupidez”.
Já o embaixador do Brasil na Malásia, Carlos Martins Ceglia, informou que o jornal de língua inglesa de maior circulação no país, o “The Star”, publicou na edição de domingo de 22 de maio um artigo de opinião que classifica de golpe o impeachment de Dilma e conclamou o apoio da comunidade internacional para o processo democrático no Brasil. O diplomata questiona o Itamaraty se poderia enviar carta ao editor do periódico para “esclarecer os pormenores legais do processo, à luz da Constituição Federal e com a observância dos ritos estabelecidos pelo STF”. A carta, chamada “processo não é golpe”, foi publicada no dia 28 de maio no mesmo jornal.
Em setembro, o embaixador em La Paz, na Bolívia, relatou que o fim do julgamento de Dilma foi tratado como decisão história na imprensa local, que destacou a decisão do presidente Evo Morales de convocar o embaixador boliviano que estava no Brasil. Segundo o comunicado, internamente, “a convocação do embaixador foi amenizada por políticos oficialistas e criticada por oposicionistas”. O cenário, contudo, era promissor a Temer: de olho na renovação do contrato de mais de US$ 1,3 bilhão de venda de gás natural com o Brasil, o governo boliviano não deveria tomar atitudes mais duras.

SURPRESA HISTÓRICA


Jota Camelo.

PARTIU A MADRINHA DO SAMBA


Sid.

XADREZ DA ULTRADIREITA E O PENSAMENTO MILITAR BRASILEIRO, POR LUIS NASSIF

(GGN)

Xadrez da ultradireita e o pensamento militar brasileiro 

A única dúvida que o trabalho deixa é sobre a real abrangência desse pensamento junto aos estamentos militares. Com exceção do General Villas Boas, as declarações são de militares da reserva e as posições são de Clubes Militares.
Por Luis Nassif (No GGN)

Peça 1 – a irracionalidade como ideologia

Confesso que a primeira vez que ouvi Arnaldo Jabor falar em “comunismo viral”, julguei que fosse apenas mais um roteiro teatral para atender à demanda da mídia por cronistas vociferantes. Ele citava Jean Baudrillard e voltaria a citar inúmeras vezes. Segundo Baudrillard, “o comunismo, hoje desintegrado, tornou-se viral, capaz de contaminar o mundo inteiro, não através da ideologia nem do seu modelo de funcionamento, mas através do seu modelo de desfuncionamento e da desestruturação da vida social” – vide o novo eixo do mal da América Latina.
Eixo do mal, ideologia viral invadindo os cérebros das pessoas, esse tipo de discurso pirado, profundamente anacrônico, no entanto, começou a ser exercitado por outros cronistas do ódio, alguns se espelhando claramente em Olavo de Carvalho.
Um paper para discussão, do professor Eduardo Costa Pinto, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), traz algumas luzes sobre as ideias que ajudaram a moldar a nova face do anticomunismo no Exército: a luta contra o marxismo cultural, do qual o principal expoente foi o General Sérgio Augusto de Avelar Coutinho, falecido em 2011. 
A principal obra do general Sérgio é “Revolução Gramcista no Ocidente", de 2002 e reeditado pela Biblioteca do Exército em 2010.

Peça 2 – as raízes da nova direita

Segundo o autor, as influências centrais, tanto do general Coutinho, como de Olavo de Carvalho, foi o pensamento  neoconservador  norte-americano  dos  anos  1980  e  1990,  “mais especificamente  o  ramo  denominado  'paleoconsertives' com raízes fincadas no coletivismo de direita americana da década de 1920 e 1930, de oposição ao New Deal”.
Sustentava-se no tripé pequeno governo (descentralização das funções de governo articulado com a auto governança/comunitarismo), anticomunismo e valores tradicionais (civilização ocidental e judaico-cristã).
Esse conservadorismo ressurge agora no movimento denominado de “alt-right”, com ênfase ainda maior na guerra cultural, “pois  a  cultura  e  a moralidade  americana  estariam  sendo  destruídas”. Os instrumentos de destruição seriam o multiculturalismo e o “marxismo cultural” sendo manobrado por acadêmicos, militantes, jornalistas.  (Nota deste Blog: Movimento 'Alt-right' = do inglês alternative right, refere-se à fração da extrema direita dos Estados Unidos e de alguns países europeus que se caracteriza pela rejeição do conservadorismo "clássico" e pela militância em defesa dos brancos, do sexismo, do antissemitismo e do conspiracionismo, sendo contra a imigração e a inclusão dos imigrados, - Veja mais na WIKIPEDIA).
Esses argumentos são desenvolvidos após o fim da União Soviética, como forma de manter alimentada a indústria do anticomunismo.
Não foi por coincidência, alguns dos ideólogos eram ligados ao pensamento militar. Foi o caso de William Lind, que, em 1989, foi o primeiro a cunhar o termo de guerra de 4a geração, que depois seria rebatizada de “guerra híbrida”, cujo objetivo era “obter  vantagens  com  as mudanças  políticas,  sociais,  econômicas  e  tecnológicas  em  virtude  do  aumento  da complexidade com adversários não estatais (terroristas, grupos revolucionários, etc.)”.
A grande ameaça, segundo Lind, seria a ideologia do multiculturalismo, “no qual o confronto ideológico-militar se dá entre os Estados Unidos da América (e de Israel) de um lado, e o MCI, Movimento Comunista Internacional  (e os países islâmicos) de outro”.

Peça 3 – a ultradireita brasileira

É por esses mares que singra o barco do general Coutinho. De acordo com Costa Pinto, para o Gal. Coutinho os socialistas e comunistas (internacionais e nacionais) estariam infiltrados no discurso do politicamente correto:
1) nos partidos como FHC (vinculado ao fabianismo que teria como importantes representantes Soros, David Rockefeller,  Bill  Clinton,  entre  outros)  e  como  o  Lula  (articulado  com  Fidel  Castro organizados do Foro de São Paulo);
2) nas ONG´s;
3) nas escolas e Universidades;
4) nos  meios  de  comunicação;
5) nas manifestações  artísticas;
6) nos movimentos  sociais (ambientalistas, movimento  negro,  LGBT,  MST,  etc..).
Nas palavras de Coutinho “os movimentos alternativos e de minorias são estimulados  ou  mesmo  criados  pelas  organizações  de  esquerda  revolucionária  como componente  auxiliar  da  luta  de  classes  (aprofundamento  das  contradições  internas)  e como  elemento  ativo  da  ‘desconstrução’  da  família  tradicional  e  dos  valores  da civilização ocidental cristã”. 
No plano internacional, além do apoio das ONGs, se valeriam da própria Organização das Nações Unidas (ONU) para favorecer regimes nacionais de esquerda e movimentos revolucionários em países do Terceiro Mundo.
É em cima dessa barafunda teórica que o movimento alt-right, e seus sucedâneos tupiniquins, conseguem transmudar movimentos pacíficos, de defesa dos direitos humanos, em ameaças revolucionárias que precisam ser combatidas no plano cultural e com repressão política.

Peça 4 – o Estado como expressão do socialismo

A visão do Estado como um instrumento de opressão – e de fortalecimento do socialismo – vem dos tempos do New Deal. Para o general Coutinho, o Estado de Bem Estar, implementado pela social-democracia, seria uma forma de sociedade socialista.
Segundo Costa Pinto, trata-se de uma adaptação da visão da extrema direita americana sobre os “pequenos governos”. A diferença é que a visão da alt-right americana é da globalização, enquanto a dos Bolsonaro é da defesa da globalização e da abertura comercial.

Peça 5 – Coutinho e o pensamento militar

Costa Pinto vai buscar em entrevistas atuais de militares brasileiros, os indícios da influência do general Coutinho.
Do General Villas Boas
“Nós vivemos um fenômeno no Brasil e também no mundo que é o advento do pensamento do politicamente correto  […]  O  que  está  acontecendo  é  que  ele  [o  politicamente  correto]  está  tão impregnado  na  nossa  sociedade,  ele  está  fazendo  com  que  todos  pensem  da  mesma maneira. […]. O pensamento politicamente correto se ideologiza e quando as questões são ideologizadas elas perdem a visão de resultado […]. Então quando mais temos de ambientalismo  mais  dano  ambiental;  […]  quanto  mais  essa  preocupação  racial  mais preconceito  temos […].  Quanto  mais  essa  questão  de  gênero  mais  preconceito homofóbico  vivemos  […]  E  mais  essa  quase  ditadura  do  relativismo  que  nós  estamos experimentando faz com se flexibilize todos os limites”. “
Do General da Reserva Luiz Eduardo Paiva
“Uma coisa é o  Haddad  aqui  em  cima  ou  o  Lula  aqui  em  cima,  mas  quem  dá  a  linha  ideológica perigosíssima do PT está aqui em baixo. É o Zé Dirceu, era o Marco Aurélio Garcia, é o Pomar.  Porque  eles  estão  implementando  no  país  uma  revolução  silenciosa  que  é  a revolução Gramscista, ocupando espaço, mobiliando todo o estado[…]”.  “
Do General Augusto Heleno, atual Ministro do Gabinete de Segurança Institucional:
“Nós beiramos [o socialismo], até tentamos com o Foro de São Paulo, alguns partidos que defendiam as teses socialistas […] Nós estivemos bem próximo disso acontecer, só que faziam uma máscara para fingir que não era, mas o caminho procurado era esse. Tanto é assim que as novas referências durante algum tempo foram Cuba e foram a própria Venezuela […]”.
“(…) Da Intentona de 1935, passando pela luta armada de 1960, até os governos de FHC e do PT, os comunistas e socialistas continuam como o mesmo objetivo: “realizar a revolução socialista”. ”

Peça 6 – o projeto de Nação

Desse modo, segundo Costa Pinto, o projeto de Nação vislumbrado por setores amplos das Forças Armadas seria pela via dos costumes, da tradição, da identidade, sob ataque comunista. Mas “no plano econômico, a identidade  e  a  nacionalidade  seriam  realizadas  pelo  mercado,  sobretudo pelos capitais estrangeiros (de preferência norte-americanos) que supostamente trariam a modernidade para o país. Seremos altivos na identidade cultural, mas subalternos no plano econômico.”
No Portal Feb, um dos muitos blogs de militares, o trabalho de Coutinho é equiparado ao de um missionário “que dedica sua vida ao resgate de almas e nações, é porque sua vocação pode levá-lo a pregar como um religioso ou discursar como um filósofo. Mas os poucos que lhes escutam e estudam suas recomendações chegarão à conclusão de que só se salva uma nação quando se estabelece no homem a consciência de sua alma e sua vinculação com o Criador. A construção de uma sociedade sadia está fundamentada na reconciliação do homem com Deus”.
No Ternuma – que junta ex-militares defensores da ação dos porões na ditadura – há os movimentos de aproximação com os blogs de ultradireita que surgiram na época.
“Aproximei-me, então, ainda mais do Gen Coutinho, até porque fiquei responsável por remeter ao Reinado Azevedo um exemplar do livro 'A Revolução Gramscista no Ocidente'. A história da maneira pela qual o General decidiu estudar Gramsci, na idade em que muitos de nós mal tem paciência para ler o jornal, dá um pouco da dimensão deste homem”.
A única dúvida que o trabalho deixa é sobre a real abrangência desse pensamento junto aos estamentos militares. Com exceção do General Villas Boas, as declarações são de militares da reserva e as posições são de Clubes Militares.
Pode ser que o autor tenha superdimensionado a influência dos militares de pijama.

CARTUM GERACIONAL


LuoJie. (China).

A CONSTITUIÇÃO DO FUTURO


"Aguardamos os novos constituintes biônicos, os burocratas desburocratizados desestatizados privatizados representantes do povo do futuro nos quadrantes e nas funções do Estado, maior refúgio do econômico compulsório de todos os tempos, detentor soberano do exercício da violência legítima que algum ser humano, impecável, dirigirá. Aguardamos o seu maior produto e o Direito Administrativo dos administradores, porque o Direito e os juristas são construções e tecnologias do passado. Somos todos devotos do mesmo credo.
A Constituição do futuro terá poucas inconstitucionalidades; talvez inconstitucionalidade alguma, porque será otimista e preclara, e com suas poucas palavras, creem os fieis, pouca será a sua interpretação. Pouca complicação. Queremos legalidade; é mais simples.
A Constituição do futuro será estéril.
Será o fruto tardio da esterilização contínua do pensamento: será a cristalização do espírito do tempo e do espírito do povo, mas não será uma Constituição popular, porque será contra o povo, mas, mais do que isso: será a despeito do povo, de qualquer noção do povo, ela será o retrato do antigo oligopólio que venceu o povo, que se condenou quando deixou de se ver e se tornou cúmplice da sua costumeira alocação. Povo que rechaçou a distribuição e sonhou com a concentração.
A Constituição do futuro será a contramemória do que um dia poderia ter sido uma Constituição enquanto potencial, mas que, no fim das contas, se converteu no título de propriedade dos direitos que sempre foram domínio dos proprietários dos direitos. Será, ainda, a confirmação de algum caráter cíclico, mas isto pouco importa porque não se prescreve interpretar o futuro à escuridão do passado ou qualquer outro movimento entre cortes (e Cortes) ficcionais. Será a prova derradeira de que evolução e progresso não são movimentos retilíneos ascendentes – constatação já exaurida no Século XX, e muito antes. Será a prova de que tecnologias não nos tornam mais inteligentes. Será a prova, ao fim, de que retrocessos são possíveis e de que o poder é incontível.
A Constituição do futuro será estéril e natimorta e os homens não se verão nela, e será uma Constituição sem pai, sem mãe, sem filiação, sem parentesco, sem código genético e sem explicação biológica; inorgânica. Sequer antropocêntrica será, não porque terá ultrapassado o limiar do humano, não porque terá cedido ao devir animal, mas porque terá ingressado na liberalidade do ideal desumano. Ela será uma consagração.
A Constituição do futuro será um documento natural. As pessoas dirão: simples como a natureza é, posta e dada como a natureza é, evidente como a natureza é. A linguagem natural é a linguagem simples. Natural como jamais qualquer coisa que nos cerca foi. E nesta simplicidade os homens poderão ignorar mais e mais o que já não desejavam conhecer, porque conhecimento deve ser interditado: os homens eventualmente gostam de cultivar a brutalidade, a insipiência, a rudez como objeto de desejo, de reconhecimento e de valoração.
A Constituição do futuro não será distópica; será a Constituição e o real a que deve contas será a distopia ele mesmo, explícito.
A Constituição do futuro será classificada como sintética, porque há um erro em achar que poucas palavras são sínteses, assim como muitas palavras detalhamento. Livros eletrônicos serão erigidos em seu entorno, e a maioria não será lido senão pelos revisores. Livros para quê? Leitura cerrada é coisa do passado; as tecnologias suprem a leitura. Nem analítica nem sintética, ela será apenas uma “Constituição do futuro”, e o futuro é a armadilha por excelência, porque toda promessa é uma desobrigação do ato no presente.
Nós, sejamos quem formos “nós”, que tendemos a nos preocupar com o que será, porque nossos pães não são garantidos, nós não figuraremos na Constituição do futuro, talvez porque simplesmente os Palácios – todos os Palácios, soberanos ou celestes –, afinal, nunca tenham nos dito respeito e absolutamente nunca tenham sido nem tampouco serão sobre nós: apenas uma ilusão de pertencimento. Sempre estivemos e continuaremos mais fora do que nunca. Faremos parte do mundo dos fatos, apenas. Seremos seres de juridicidade mínima e nem os direitos desatendidos que costumávamos reclamar os teremos para amaldiçoar a ineficiência do Direito, até porque o Direito será muito mais eficiente.
O Direto perderá seus crentes e seus descrentes, seus críticos e seus defensores, porque, afinal, só haverá uma Constituição nova porque fomos bem-sucedidos no projeto de destruição daquela que nos abarcou na juventude, e que era densa demais, eloquente demais, prolixa. Afinal, a vida não demanda complexidade e cobrir um décimo de seus aspectos realmente é prolixidade. Remendada, fatiada, retalhada, emendada à exaustão, mas assassinada mesmo pelo desapreço por sua vontade, pela arbitrariedade de seus usos irresponsáveis, pelo arrebentamento dos seus sentidos, em frangalhos por quem a quem foi confiada.
A Constituição do futuro será o signo amargo do fracasso e a morte aplaudida do simbólico, desde quando a linguagem já não valia muito mais do que os malabarismos de quem deveria ter velado a linguagem e guardado a Constituição. Preocuparam-se demais olhando para fora, a casa incendiou.
A morte da Constituição terá sido empenhada por seus cultores, pelos doutores que lhe assaltaram os ideais, as utopias, os objetivos, as diretividades, por todos aqueles que a negaram, simplesmente, a sua normatividade.
A Constituição fora apenas um eco dissimulado de uma soberania voraz que mesclaria em suas atrocidades palavras bonitas e significados fortes, um patrimônio derradeiro a todos a que só sobrou isso, uma obrigação jurídica, uma linguagem, palavras de consideração. Palavras normativas das quais os incumbidos retiraram a normatividade. A normatividade: essa espécie de plasma que se perde e que em qualquer alteração de condições nunca atingidas, normais, de temperatura e pressão, parece se converter em qualquer material distorcido, opaco e desconhecido, inominável, abominável. Haveria um maior assalto popular generalizado do que este? O Direito nunca tocará estas dimensões. São inúmeros os corpos que já se aqueceram nas letras frias de jornais velhos.
As mortes do futuro não terão a poesia jurídica que lhes sustentou um dia; o estado de exceção se confirmará finalmente e seus devotos, finalmente, terão a almejada razão com que tanto sonharam, ganhando um troféu. As mortes do futuro serão mais assépticas e tecnológicas e demandarão menos explicações. A violência e o mal, mais sutis e embarcados. Não aprendemos nada com as atrocidades pretéritas. Olvidamo-nos de tudo em um clique; menos, em um esfregar de dedos no plástico e na luz fugidia.
A Constituição do futuro é a morte da historicidade, e a historicidade é o lançamento à vida. A Constituição do futuro será uma dádiva divina e um presente do poder.
Não haverá nem povo nem tensão em suas linhas. Não haverá ambiguidade ou mutação. Ela será o documento perfeito e seu nascimento será celebrado pelas famílias. E cada lar terá uma cópia sua para devoção junto a um santinho de burocrata fantasiado de ser humano.
Será uma dádiva do soberano. Um presente dentro de um presente.
Os doutores comemorarão a desnecessidade de estudá-la e os jovens doutores, também, comemorarão: a desnecessidade de estudá-la. Alguém saudoso lamentará; pensará em relações com a Ciência Política, ou com a Filosofia do Direito, ou com uma miragem chamada “Constitucionalismo”, mas será tarde demais.
Mas todos comemorarão. Todos comemorarão o simbólico que cederam, porque, afinal, constituições não são normativas, elas são apenas documentos ideais. E, muito diferentemente de prédios financeiros, ou de catedrais seculares, não vemos os edifícios jurídicos desabarem com tantos espetáculos, cores e luzes do fogo e contrastes da fumaça. Não vemos na agonia dos documentos jurídicos a queda das nossas liberdades, nem a queda dos nossos desenhos jurídicos que definem as pessoas que podemos ser.
Afinal, o simbólico do mundo precisa se descomplicar. E se a Constituição tivesse 140 caracteres? Talvez fosse muito. E se a Constituição fosse um breve vídeo institucional? Que não passe de trinta segundos! Que a Constituição seja curta para que o Chefe consiga lê-la em voz alta, e com palavras curtas para que tropece o mínimo possível nas palavras médias.
Se não conseguimos mudar o real. Se não aceitamos a mudança do real. Então anularemos o símbolo.
O signo da anulação do símbolo será este. E tudo seguirá bem.
Não haverá mais problemas indígenas ou ambientais, ou problemas sociais e de assistência, ou problemas de gênero ou de raça. Porque prescrições não haverá na Constituição límpida que alguém ousará elogiar: bela como outras Constituições; apropriada como usar um belo casaco no verão.
A Constituição do futuro nos albergará dos embates, das tensões e dos conflitos. Seremos sob sua égide uma sociedade da paz porque juridicamente tudo estará no seu lugar: pessoas e coisas estarão nos seus lugares naturais. Pessoas que se veem como coisas, nem se fala. A Constituição do futuro será o império do direito natural, do bem comum, o reino da dignidade, porque tudo será organizado novamente em seu lugar originário.
Por isso será a Constituição messiânica dos brasileiros sedentos pela verdade. A Constituição restituirá a verdade e a decência ao terreno devastado da nação. Todo cidadão será letrado em sua síntese suprema e absoluta. Segurança, segurança, a Constituição trouxe-nos a segurança que rogamos.
Seus Ministros paladinos, dois ou três, melhor se fosse um, mais econômico ainda se este um fosse o Chefe do Executivo também, até terão tempo para terem uma vida própria, porque a Constituição do futuro será antihermenêutica, antipolítica, antiestatal, será uma Constituição e, pós-ultra-neoliberal e neoconservadora, ela será um Reino não monárquico e a celebração daquele deus laico, cifrado, que garantiu a comunhão de todos os credos e a cessão de todos os espíritos em seu nome, em seu signo, em seu símbolo. É desta espécie de eclipse da soberania que nasce a Constituição do futuro; a próxima."


(De Eliseu Raphael Venturi, post intitulado 'A Constituição do futuro', publicado no GGN 
Venturi é doutorando e mestre em direitos humanos e democracia pela Universidade Federal do Paraná. Especialista em Direito Público pela Escola da Magistratura Federal no Paraná. Membro do Comitê de Ética na Pesquisa com Seres Humanos da UFPR. Advogado).

VENEZUELA: GOLPE DEU CURTO-CIRCUITO


Vitaly Podvitski. (Rússia).
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"Brasil: 12,4 bilhões de barris de petróleo em reservas provadas."
"Venezuela: 300 bilhões de barris de petróleo em reservas provadas. Campeã mundial."