quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

NA ENCRUZILHADA ESCURA

"Retrato feito pelo Datafolha no finzinho de novembro mostrou que 67% dos brasileiros avaliam o segundo governo Dilma Rousseff como ruim ou péssimo. Reconheço-me nessa maioria, assinalando a opção péssimo. Também pela inépcia da gestão, sobretudo pelo abandono do programa de campanha e a adoção da agenda condenada pela candidata.
E daí?
No que diz respeito ao impeachment da presidente, não são pesquisas, opiniões e humores que decidem. Essa é a regra, estabelecida pela Constituição de 1988. Dilma foi eleita em outubro do ano passado com 54.501.118 sufrágios, vantagem de 3.459.963 sobre Aécio Neves (3,28 pontos percentuais de diferença, mais do que os 2,68 do pleito presidencial argentino de 2015). Como os governantes são consagrados nas urnas, ela tem autoridade para governar por quatro anos.
Sou partidário do sistema de mandatos revogáveis para governantes e legisladores. Se os eleitores estão insatisfeitos com o desempenho de quem escolheram, podem demiti-lo e substituí-lo. Sem esperar quatro ou oito (senadores) anos. Estimula-se a fidelidade ao prometido, e o prometido é devido. Traiu, cai fora.
E daí?
O recall até hoje foi barrado no Brasil. Os políticos preferem ficar livres para romper compromissos. Logo, a presidente não pode ser derrubada no berro. A não ser que violem a Constituição.
Mas ela não rasgou os discursos de palanque? Acho que sim.
E daí?
Sou eu quem vai julgar? A lei determina que o juízo é coletivo, do conjunto dos cidadãos.
Não tenho dúvida de que existe um sem-número de pessoas mais qualificadas para o Planalto do que Dilma, beneficiária de nebulosa indicação do ex-presidente Lula.
E daí?
Presidente se elege no voto, que tem _ou deveria ter_ caráter de pronunciamento soberano.
A economia degringolou, beira a depressão. É possível que o afastamento de Dilma permita um respiro.
E daí?
O governo Sarney nasceu do pecado do Colégio Eleitoral imposto pela ditadura. Centenas de iluminados deliberaram no lugar de milhões. Na catastrófica política econômica de Sarney, a inflação chegaria aos 80%. No mês. A inflação agora está por volta dos 10%. Anuais. Nem por isso o pai da Roseana caiu.
Há quem sustente que Dilma não tem mais condições de governar.
E daí?
Opinião é saudável, mais ainda quando prevalece o direito de expressá-la sem correr o risco de penar no pau-de-arara. A condição de governar foi decretada pelos eleitores no ano passado. Há países em que, minoritário e sem a confiança do parlamento, o governante recebe cartão vermelho. No Brasil, contudo, a maioria deliberou pelo presidencialismo.
A Constituição Cidadã prevê o impeachment, portanto trata-se de expediente legal.
E daí?
A Carta exige crime de responsabilidade para expulsar um presidente. Foi o que aconteceu com Collor. Inexiste prova ou indício de que Dilma seja ladra. Quem tem conta secreta na Suíça é o deputado que deu sinal verde para o impeachment. Com crime de responsabilidade, impeachment é legal. Sem, é golpe.
O Brasil mergulha no caos, alegam, propondo Dilma fora.
E daí?
Mais uma vez, cabe aos brasileiros aptos ao voto declarar o fim (e o início) de governos ou de partidos e coalizações no poder. Quer ver como as coisas são subjetivas? Há uma rapaziada gente boa que odeia o Lula. E quem foi o melhor presidente da história, para a maioria relativa dos brasileiros? Ele mesmo, o Lula, informa o Datafolha. Cada um sabe onde aperta o calo. Onde se resolve a questão? Nas urnas, eletrônicas ou, tamanha a pindaíba, armazenando cédulas de papel.
É curioso que, à direita e à esquerda da presidente, polemistas esgrimam argumentos exclusivamente pragmáticos. Uns dizem que, saindo Dilma, entrará alguém melhor. Outros, alguém pior.
E daí?
As duas barricadas incorrem no mesmo desprezo pela palavra das urnas. Isto é, desdenham a democracia. Discutem virtudes e defeitos de eventuais substitutos de Dilma, ignorando ou menosprezando o fundamental: a decisão é prerrogativa dos eleitores.
O impeachment da presidente da República sufragada em 2014 representaria uma enorme regressão. Aos tempos do século 20 em que se trocava o voto do povo pelo proselitismo das armas
Um arauto célebre do movimento que em 1964 derrubou o presidente constitucional João Goulart chamou, poucos anos mais tarde, o que acontecera pelo devido nome: “golpe vagabundíssimo''.
É golpe o que está em curso, Eduardo Cunha é golpista. O deputado retaliou Dilma pela decisão de petistas de votar pelo andamento de processo na Comissão de Ética da Câmara que, se for mesmo de ética, acelerará a cassação do presidente da Casa.
Retaliação, represália de Cunha… teu nome é vingança.
O Brasil de novo encontra-se, como escreveu o jornalista Janio de Freitas, na “encruzilhada escura''. (Nota deste blog: O texto de Jânio está aqui).
Se a escuridão triunfar, atrasaremos em décadas nosso relógio democrático.
Não é Dilma Rousseff que está em jogo. Mas a soberania do voto popular, que constitui um dos pilares da democracia."


(De Mário Magalhães, em seu blog na Folha de São Paulo, post intitulado "Alegações pró-impeachment desprezam a soberania do voto popular" - aqui.
Entreouvido nos bastidores: "Eu disse e reafirmo: não admito perder, ainda mais quando tudo indicava que finalmente chegaríamos ao êxito. Afinal, veja bem, a imprensa amiga estava do nosso lado. Questionei a lisura do pleito; infelizmente tive de reconhecer que a eleição foi legítima; o bom foi que a imprensa, amiga e leal como sempre, não deu destaque ao assunto. Mas, vou seguindo firme, boicotando o que for passível de boicote. É o que nos cabe. Quanto a ter perdido por margem superior à verificada no pleito argentino, ou até mesmo na eleição Bush Jr, tenho a dizer o seguinte: E daí?").

EUA: AMIGOS DESDE SEMPRE


David Fitzsimmons. (EUA).

CHARGE DE NATAL PASSADO


Waldez.

OS JUROS DA DÍVIDA E O TERRORISMO ESPECULATIVO

"Vamos direto ao assunto e falar apenas de números: se você comparar a execução do orçamento de 2014 e 2015, há apenas um desvio de curva desproporcional.
O país gastou R$ 978 bi com o sistema de dívida em 2014 e a estimativa para 2015 é de R$ 1.150 tri. Essa diferença de mais de 170 bilhões é responsável por si só pelo deficit, mesmo em um quadro de arrecadação minguado. Veja bem, não estou sendo radical de propor a correta auditoria da dívida, mas apenas imagine que o gasto tivesse se mantido, nós não teríamos deficit orçamentário se tivéssemos gastado "apenas" R$ 978 bi na dívida neste ano.

Isso é péssimo porque, como todos sabem, não é que o governo pegou um dinheiro para fomentar algum projeto e agora está pagando, é apenas a alimentação de juros e rolagem de dívidas. Cada investidor joga de acordo com as regras. Se eu tivesse hoje R$ 5 milhões parado no bolso, você acha que eu ia ser otário de investir em algo, abrir um negócio para gerar renda e emprego?

Claro que não. Basta comprar tudo em títulos da dívida e esperar o governo lhe pagar. Em época de DRU, eu tenho certeza que vão fazer de tudo para poder desvincular o orçamento (cortar saúde, cortar educação) para poder me pagar. O pagamento dos títulos da dívida é a coisa mais sagrada nesse país. Nesse ponto o governo não ousa descumprir a Lei De Responsabilidade Fiscal.

Então eu me torno esse "investidor" que vive como urubu. Se o governo aperta, eu tiro meu dinheiro como bem quiser e vou especular em alguma outra economia desregulamentada.

Temos a configuração mais clara do terrorismo especulativo, o parasitismo econômico que é uma disfunção do capitalismo. No Brasil, pune-se o consumo e incentiva-se a acumulação de capital em detrimento da geração de riquezas.

OK, temos então uma crise econômica 100% psicológica, fundamentada na especulação financeira. Se 49% de todos os impostos que pagamos vão para a dívida, é óbvio que essa é a questão fundamental de nossa economia e do orçamento da União. Se não tivéssemos a dívida, poderíamos ter o dobro de serviços públicos ou a metade de impostos. Parece surreal, mas são os números.

Temos um governo que diz ser de esquerda, mas é extremamente liberal na economia. Não vamos nos enganar, 90% do governo é a economia, o resto vem a reboque.

O governo jamais vai enfrentar essa lógica da dívida ou mexer no sistema financeiro. Se isso é verdade e se a crise é de terrorismo especulativo, qual a solução?

O primeiro diagnóstico sincero que Levy e cia deveriam fazer é que se você vai jogar pelas regras do mercado, é impossível ser liberal e social ao mesmo tempo. O orçamento nunca vai fechar enquanto o governo tiver vergonha de assumir a sua postura. Por isso o mercado tanto quer alguém da direita verdadeira, para governar de forma liberal "sem vergonha" de ser.

A crise de especulação financeira não se resolve com medidas técnicas. Está óbvio como 2 + 2 = 4 que o mercado não vai dar trégua enquanto Dilma não sair do governo. Mesmo que ela descobrisse a solução mágica para o problema hoje, ainda assim não seria necessário.

É tarde demais para lamentar que não mexemos nos grandes interesses, nem nos sistemas da podridão político-econômica do país, mas é o que é. Se jogamos esse jogo, um ato de grandeza seria admitir que perdemos e devemos levantar a bandeira branca. Essa teimosia de tentar cumprir mandato porque "assim disseram as urnas" deixa o país todo refém dessa guerra especulativa interminável.

Alguém precisa dizer em alto e bom tom que os empresários só vão investir e os urubus especulativos só vão se acalmar quando trocarem o governo. Não é CPMF, DRU ou qualquer outra medida de enxugar gelo que vai resolver.

Vivemos a política do cachorro correndo atrás do rabo. Falta alguém reconhecer que o problema da inflação no país é cultural. Ou você tenta resolver congelando preços (década de 80) ou você tenta resolver quebrando o país e acabando com o consumo (Plano Real).

Ambas soluções são medidas artificias e remendos para tentar solucionar a questão. Em qualquer outro país em recessão seria inexplicável você ter esse cenário econômico e inflação de 10-15%. Justificar a inflação dizendo que é reflexo de tarifaço não engana nem estagiário de economia.

No atual ciclo, você aumenta juros para frear a inflação, com isso explode a dívida e corta o orçamento, cortando o orçamento você freia investimentos e crétidos, freia o consumo e tem queda na arrecadação. No final do ciclo você percebe que tem que cortar mais e aumentar os juros, e ainda reclama que seu plano não funcionou?

Nada faz lógica matemática em nossa economia. O economês de universidade diz que a demanda e a oferta regulam o preço. Pois bem, vejamos o setor automobilístico: os caras estão vendendo 30% menos que em 2014 e nenhuma montadora do cartel brasileiro mexeu sequer um milimetro em suas margens de lucro.

Pela lógica capitalista, o carro 1.0 de plástico vendido em 2014 por R$ 40 mil hoje deveria estar custando 30, ou até mesmo 20 caso eles fossem reduzir a margem de lucro para vender.

Mas não, elas preferem vender 1000 carros com margem de lucro em 50% do que 10000 carros com margem de lucro de 25%. Óbvio, se eu altero isso agora, o brasileiro que se acostumou a ver o carro como um objeto de luxo aprenderia que é um bem de consumo, e isso seria terrível para as montadoras. Elas perderiam o mercado que proporciona as maiores taxas de lucro do mundo, mesmo que a escala de vendas tenha que ser reduzida.
E aí vemos tantas medidas técnicas e assépticas que não fazem sentido diante da complexa realidade do nosso mercado e sistema financeiro. Muitas vezes nos perguntamos: será que são tão burros assim? Claro que não, as medidas não são 100% erradas.

Funcionar, funciona. Eu, especulador descrito no início do texto, sou dono de milhares de títulos de dívida e estou ganhando cada vez mais sem fazer nada. É óbvio que eu vou advogar mais cortes, menos Estado. Não se mexe em time que está ganhando. Eu quero que o governo continue com essa política e aprofunde o arrocho. Tanto faz se o consumo vai mal, ou as pessoas perdem emprego e renda. Eu quero é meu título pago, meus lucros garantidos. E eu, especulador nato, sou prioridade número um neste país.

É muito simples: o governo precisa fazer uma escolha, se quer enfrentar os grandes interesses ou jogar o jogo de acordo com as regras que estão postas. Se eu não posso ser ingênuo de achar que o governo vai fazer algum tipo de enfrentamento, pela mesma lógica eu não posso acreditar que é possível ser social e liberal ao mesmo tempo. Se escolhemos viver em uma economia desregulamentada, com privilégios e submissão ao rentismo, então é melhor passar o bastão para quem é liberal de berço e vai fazer a mesma coisa só que sem os efeitos de tanto terrorismo especulativo."





(Comentário - aqui - de Bruno, leitor do Jornal GGN, ao post "As pontes para a normalização da economia", de Luis Nassif, publicado na mesma fonte.

Sem dúvida, o terrorismo especulativo é algoz do Brasil, mas o cenário econômico apresenta complexidade bem mais ampla. Por exemplo: Em quanto a carga tributária poderia ser reduzida caso a SONEGAÇÃO FISCAL se situasse em nível civilizado? As estimativas atuais indicam que a sonegação alcançará 500 bilhões de Reais em 2015. Os iluminados apregoam as virtudes do famoso Estado Mínimo, mas espertamente omitem qualquer alusão a privilégios e sonegação. No confronto entre montantes, observa-se que o SERVIÇO DA DÍVIDA supera os estragos da SONEGAÇÃO FISCAL, mas na vida real o que ressalta é o fato de que os gestores econômicos podem, a despeito do cipoal jurídico protetor dos grandes sonegadores, agir consequentemente nesse âmbito - a operação Zelotes/Carf configura reação, ainda que 'forçada' e a posteriori. Já quanto ao SERVIÇO DA DÍVIDA, o buraco é mais embaixo. Exemplo: A Grécia realizou, em 2014, AUDITORIA de sua leonina dívida - cujo montante ultrapassa com folga o seu PIB - e chegou à conclusão de que parcela ponderável era fajuta, inflada por manobras contábeis as mais absurdas. O relatório foi divulgado, a Grécia pôs a boca no trombone. E daí?, perguntaram os integrantes da Troika? E daí?, indagaram os grandes bancos credores. E a Grécia se mantém envolta na mais absoluta desesperança...

Cumpre observar, finalmente: Há outros terrorismos a afligirem o Brasil, além do especulativo e do sonegador. Afinal, como dito inicialmente, o cenário econômico apresenta complexidade bem mais ampla).

OLD CARTOON

Crist. (Argentina).
....

old cartoon? sem essa
na verdade, na verdade
cartum não tem idade!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

SOBRE O ACATAMENTO DO PEDIDO DE IMPEACHMENT


O pior dia para Cunha deflagrar o impeachment

Por Luis Nassif

Há duas circunstâncias que levam ao impeachment: a perda total da base de apoio e a legitimidade do pedido. Nenhuma das duas circunstâncias está presente no momento.
Aliás, a grande notícia é a de que a presidente – e o país – livraram-se de um chantagista.
O papel da oposição é complexo. Por mais que a popularidade da presidente Dilma Roussef esteja em baixa, como justificar a aliança com um futuro réu condenado – e provavelmente preso – contra uma presidente sem nenhum respingo da corrupção levantada pela Lava Jato?
Cunha escolheu o pior dia para dar encaminhamento ao impeachment.
1.     Com o PT votando pela admissibilidade do julgamento, seu gesto caracterizou retaliação e juridicamente abuso de poder.
2.     Foi no dia em que foi votada a mudança da meta fiscal, regularizando definitivamente todas as pedaladas fiscais.
3.     Foi na mesma semana em que Cunha foi acusado de receber dinheiro do BTG para modificar projetos de lei, comprovando a impossibilidade de ele continuar presidindo a casa.
A aprovação das mudanças fiscais ocorreu depois do encaminhamento da proposta de impeachment, comprovando que, aos poucos, inequivocamente o governo começa a reconstruir sua base no Congresso.
O ano termina agora. Há uma boa probabilidade da aprovação da CPMF no primeiro trimestre de 2016, graças a um pacto entre governadores e prefeitos.
É possível que o gesto de Cunha tenha finalmente supurado a infecção que conturbava o ambiente político, com a presidência da Câmara entregue ao mais suspeito dos seus membros.
Espera-se que, agora, haja alguma dispersão desse exército das trevas que saiu das profundezas para ser liderado por Eduardo Cunha. (Fonte: aqui).

CUNHA ACATA PEDIDO DE IMPEACHMENT


Depois de a bancada do PT declarar que optará pela aceitação do processo contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética, eis que o notório presidente da Câmara acatou pedido da oposição pelo impeachment da presidente Dilma.

Cunha conseguirá, depois dessa, assegurar o empenho de seus aliados no Conselho, agora que já lhes entregou o que eles tanto desejavam?

Eduardo Cunha alimentava o propósito de, safando-se no Conselho, passar a investir no STF, onde, utilizando-se de todos os recursos juridicamente admissíveis, torceria para que eventual decisão final somente ocorresse após o término de seu mandato legislativo.

Quanto ao impeachment, trata-se de mecanismo previsto na Constituição Federal. Resta saber se os argumentos que embasam o pedido são pertinentes - preliminarmente, comissão da OAB nacional já declarou que não -, e se, em vindo a ser submetido ao plenário da Câmara, o impeachment alcançará aprovação.

De qualquer modo, o consolo é que o PT não se desmoralizou, cedendo à chantagem proposta por Cunha, e que a presidente Dilma não está sendo acusada da prática de corrupção. Já os políticos encalacrados na Lava Jato dão prosseguimento a seu plano: fazer o circo pegar fogo, para tentar escapar entre as chamas.

Enquanto isso, o Brasil continua sua via crucis de tensão e incerteza...

O BRASIL SOB O IMPACTO DA LAVA JATO


Consultorias afirmam que Lava Jato 'engoliu' 2,5% da economia no decorrer de 2015

Não fosse o impacto da operação Lava Jato, a recessão brasileira neste ano seria bem menor, segundo Alessandra Ribeiro, economista da Consultoria Tendências.

Pelos cálculos da consultoria, a Lava Jato deve ter um impacto negativo de 2,5 pontos percentuais no PIB (Produto Interno Bruto) deste ano.

Por enquanto, a estimativa da consultoria é de uma retração na economia brasileira de 3,2% em 2015, embora o número deva ser revisado para uma queda ainda mais brusca em função dos resultados do PIB do terceiro trimestre, divulgados na manhã da última terça-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - e piores do que o esperado.

Descontados os efeitos econômicos atribuídos às investigações, a queda do PIB seria, portanto, de algo em torno de 0,7% e 1,3% (dependendo da revisão). (...).

(Uol - Folha de São Paulo - AQUI).

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É bem vinda a atitude da Justiça relativamente ao combate à corrupção na Petrobras, não obstante outros graves casos Brasil afora estejam no limbo (para não dizer gaveta). Ao que consta, a equipe de procuradores da República envolvidos no processo se limita a sete profissionais; esse número diminuto (face à dimensão do conglomerado e amplitude das malfeitorias) talvez explique o fato de a Lavo Jato estar prestes a completar dois anos (março de 2016), e, ao menos até agora, sem sinal de conclusão, produzindo seguidos danos à economia em face da divulgação dos fatos apurados e medidas adotadas. Some-se a isso a morosidade da celebração de acordos de leniência com empreiteiras implicadas. Coroando tudo, a perspectiva de penoso retorno das atividades econômicas, o que virá a comprovar velha máxima empresarial: Destruir uma atividade econômica é fácil, retomá-la é que são elas. 

TERAPIA DO DESASTRE


Santiago.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS


              SECA... ENCHENTE... AQUECIMENTO... PROMESSAS

Petar Pismestrovic.

O PRESIDENCIALISMO NA BERLINDA


O presidencialismo e a conspiração vermelha

Por Mauro Santayana

Informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, na semana passada, dão conta de que a Procuradoria Geral da República teria enviado ao STF pedido de reversão da decisão do Ministro Teori Zavascki, de afastar da órbita da Operação Lava Jato, ações que não pertencem à sua jurisdição, como a relacionada à Eletronuclear, já encaminhada para o Juiz Marcelo Bretas, da Sétima Vara Federal, no Rio de Janeiro.

O pedido estaria baseado em duas justificativas, a de que “aponta 'ação' (sic) de uma 'sistemática' (sic) criminosa igual à investigada na Petrobrás” e a de que “um esquema único de 'compra' de apoio político teria nascido na Casa Civil em 2004, com o objetivo de garantir a governabilidade e a permanência no poder. Para isso, segue o texto, “teriam sido distribuídos cargos em diferentes áreas do governo, gerando uma 'máquina' 'complexa' e estruturada de desvios para financiar partidos, políticos e campanhas eleitorais.”

Ora, se a questão é a “sistemática” ser igual, todos os crimes de latrocínio, por exemplo, deveriam ser investigados por um mesmo grupo e julgados pelo mesmo magistrado, já que têm uma mesma mecânica e um mesmo resultado. Um único juiz ficaria responsável por todos os crimes de tráfico de drogas do país; a outro, seriam encaminhadas todas as ações relacionadas a estelionato, e vários inquéritos, envolvendo corrupção e financiamento indireto de candidatos e partidos, como o Mensalão “Mineiro”, o escândalo dos trens de São Paulo, e dezenas de outros, ainda dos tempos das privatizações, nos anos 90, também deveriam ser encaminhados ao Juiz Sérgio Moro, se – como demonstra a sua atuação no Caso Banestado – ele viesse a agir com o mesmo “rigor” e “empenho” com que está agindo agora.

Neófitos em política – ou exatamente o contrário –, os procuradores que encaminham o pedido ao STF (segundo a matéria, “ligados” ao Procurador Geral da República, Sr. Rodrigo Janot), assim como os seus colegas e o juiz que estão envolvidos com a “Operação Lava Jato”, tentam, já há tempos, transformar, aos olhos do país, em uma sofisticada e acachapante conspiração o que nada mais é do que o velho Presidencialismo de Coalizão em seu estado puro.

Um sistema com todos os defeitos e eventuais problemas de uma democracia em funcionamento pleno, que se desenvolve – como em qualquer lugar do mundo – na base da negociação de interesses de indivíduos, grupos de pressão, partidos políticos, funcionários públicos de confiança e de carreira e empresas estatais e privadas.

Sem obras – casas, pontes, estradas, refinarias, usinas hidrelétricas, ferrovias, navios, plataformas de petróleo – não há desenvolvimento e não existem votos.

Desde que o mundo é mundo, e não desde 2004, como quer nos fazer acreditar a Operação Lava Jato, votam-se verbas para obras – aí estão as emendas parlamentares que não nos deixam mentir –, indicam-se diretores de estatais, loteiam-se cargos entre partidos aliados, apresentam-se empreiteiras para a sua execução, realizam-se os projetos e as empresas – preventivamente – para evitar ficar de fora das licitações, ou antipatizar-se com gregos e troianos, financiam partidos e candidatos de todas as cores e de todos os matizes, porque não têm como adivinhar quem vai ganhar que eleição, ou qual será a correlação de forças que sobrevirá a cada pleito.

Esse esquema funciona, assim, desde os tempos do Império e da República Velha e se repete nos Estados, com as Assembleias Legislativas, e nos municípios, com os executivos e câmaras municipais, e, se o PT conspirou ou conspira para “manter-se no poder”, na essência e na lógica da atividade política, ele não faz mais do que faria qualquer outro partido.

Ou há alguém que acredite existir agremiação política que tenha como “objetivo” programático o abandono do poder?

Nisso, o PT, e os outros partidos, fazem o que sempre fizeram os chefes tribais, desde que deixamos de ser coletores e caçadores e nos reunimos em comunidades, ou os políticos gregos, ou os imperadores romanos, ou os reis medievais, ou os partidos e forças que antecederam a ascensão do próprio Partido dos Trabalhadores ao Palácio do Planalto, que, para manter-se nele, chegaram até mesmo a mudar o texto da Constituição Federal, para passar no Congresso – em polêmica e questionável manobra – o instituto da reeleição.

A Democracia – e o Presidencialismo de Coalizão, ou o Parlamentarismo, em que muito menos se governa sem negociação e conciliação de interesses – pode ter defeitos, mas ainda é o melhor sistema conhecido de governo.

Tendo, no entanto, problemas – e sempre os terá, em qualquer país do mundo, pois que se trata mais de um processo do que de um modelo acabado – cabe à classe política, que, com todas as suas mazelas, recebeu a unção do voto – todo poder emana do povo e em seu nome será exercido, ou já nos esquecemos disso? – resolvê-los e não ao Ministério Público, ou a um juiz de primeira instância fazê-lo.

E, muito menos, inventar, com esse pretexto, uma teoria conspiratória cujo único objetivo parece ser o de garantir que se lhe transfira, a ele e ao seu grupo, cada vez mais poder e força.
Até mesmo porque, como todos os cidadãos, os jovens procuradores da PGR, assim como os da Operação Lava Jato e o juiz responsável por ela, têm, como qualquer brasileiro, suas preferências políticas, simpatias ocultas, idiossincrasias, seu time de futebol do coração, sua confissão religiosa, seu piloto preferido de Fórmula Um.

Afinal, como diz o ditado, o que seria do azul, se todos gostassem do amarelo?

O que não se pode esquecer é que, se quiserem fazer política, devem candidatar-se e ir atrás de votos e de um lugar no Parlamento, e não misturar alhos com bugalhos, ou querer exercer atribuições que não têm, e que não podem ter, nesta República, pois que não lhes foram conferidas por mandato popular.

Deve, portanto, quem está à frente da Operação Lava Jato limitar-se, sem paixão, parcialidade, vaidade ou messianismo, tecnicamente, ao seu trabalho, que pode ser exercido por quaisquer outros policiais, procuradores ou juízes, em outros lugares do país, respeitando-se a jurisdição, as regras e os limites impostos à sua atuação, porque nem mesmo a justiça pode se colocar – como muitos parecem ter se esquecido nos últimos tempos – acima da Lei e da Constituição, cujo maior guardião é, como reza o seu próprio nome, o Supremo Tribunal Federal.

Ninguém discute a necessidade de se combater a corrupção, de preferência – como nem sempre tem ocorrido – a de todos os partidos.

Ninguém também vai querer botar a mão no fogo com relação a partidos que, depois de chegar ao poder, deixaram entrar toda espécie de oportunistas, oriundos de outras agremiações, ou nomeados por governos anteriores, que depois fizeram falcatruas no cargo que estavam ocupando.

Como qualquer partido político, o PT teve acertos e erros nos últimos anos, e deve pagar por eles, até mesmo porque a imensa maioria de seus militantes é correta, nacionalista e não andou por aí prestando “consultorias”.

O que não se pode aceitar é pôr ao alcance de apenas uma pessoa, de um único juiz, um imenso universo de milhares de empresas que realizaram negócios com o governo federal nos últimos anos, em qualquer lugar ou circunstância, colocando, automaticamente, sob suspeição, qualquer pessoa que tiver, em princípio, feito negócios com qualquer uma dessas empresas.

Também não se pode agir, como se partidos de oposição não tenham estado envolvidos, antes e depois de 2004, em alguns dos maiores escândalos de corrupção da história recente, dos mais antigos, como o do Banestado, passando pelos mais simbólicos, como o do Mensalão “Mineiro”, aos mais novos, como o do Trensalão Paulista – cujo inquérito está completando seu primeiro aniversário na gaveta do Ministério Público de São Paulo – todos abafados, ou conduzidos de forma a prescreverem, ou não se punirem os seus principais envolvidos, não lhes acarretando – por parte da justiça, ou da mídia, até agora – quase que nenhuma conseqüência.

Também não se pode acreditar que só o governo federal possa corromper, porque, como explicam os que acreditam nessa fantasiosa teoria conspiratória, é a União que teria a “caneta”.

Como, se, por acaso, a oposição também não tivesse a sua, em alguns dos principais estados e municípios do país, como é o caso, emblemático, de São Paulo, unidade da Federação na qual arrecada – e administra – aproximadamente 150 bilhões de reais por ano em impostos, há mais de duas décadas.

Não podemos agir como se a corrupção, no Brasil, tivesse sido inaugurada com o estabelecimento de uma espécie de Protocolo dos Sábios do Sião, do PT, ao urdirem uma conspiração nordestino-bolchevista internacional, com estreitas ligações com o “bolivarianismo”, e o “perigosíssimo” Foro de São Paulo, para dominar a América Latina, e, quem sabe – como o “Pink” e o “Cérebro” do desenho animado – o mundo.

Uma conspiração “comunista” que passou o país da décima-terceira economia do mundo, em 2002, para a oitava maior, agora; que pagou, rigorosamente, sem contestar, toda a dívida que tínhamos com o FMI; que emprestou generosamente – e por isso também tem sido acusada – dinheiro do BNDES para empresas privadas, não apenas nacionais, mas também multinacionais; que acumulou mais de 370 bilhões de dólares em reservas internacionais, aplicando-as majoritariamente em títulos do seu, teoricamente, arqui-inimigo, Estados Unidos da América do Norte; que deu aos bancos alguns dos maiores lucros de sua história; que praticamente duplicou a porcentagem de crédito na economia; e diminuiu a dívida líquida pública pela metade nos últimos 13 anos.

Como se, anteriormente, partidos não negociassem alianças e coligações, nem as financiassem, como fez o PT, no caso da Ação 470, ajudado em um empréstimo, pago, depois, a um banco, obtido pelo Sr. Marcos Valério, que, claro, para o Ministério Público, ao que parece, é como se nunca tivesse trabalhado para o PSDB antes.

Como se os 12 Sábios do Sião do PT, reunidos, bebendo cachaça, em algum boteco do ABC, tivessem resolvido, inédita e insidiosamente, em certo encontro secreto, primitivo e clandestino, corromper a pobre classe política nacional – tão ingênua e impoluta como um bando de carneiros – e também o empresariado brasileiro.

Como se, anteriormente, nenhuma empreiteira fizesse doação de campanha, ninguém fosse a Brasília para conseguir obras, não existisse lobby nem Caixa 2, políticos e ex-políticos não prestassem “consultorias” a empresas particulares, e nem se montasse a negociação de partidos para aprovação de medidas provisórias, ou de emendas, como, por exemplo, lembramos mais uma vez, a da reeleição do Sr. Fernando Henrique Cardoso.

E a Nação dormisse, inocente e serena, sonhando com flores e passarinhos em berço esplêndido, e tivesse sido despertada violentamente, de repente, por um emissário do inferno, vermelho e barbudo como o diabo, que chegou do Nordeste de pau de arara, para acabar com o seu sono e conspurcar-lhe, covarde e impiedoso, a virginal moralidade que ostentava antes.

Finalmente, se formos nos deixar dominar pela imaginação e pelo delírio conspiratório, qualquer um poderá pensar e afirmar o que quiser.

Até mesmo que pode haver, mesmo, uma conspiração em curso.

Mas não para entregar o Brasil ao PT ou ao comunismo.

Mas para derrubar, usando como biombo uma campanha anticorrupção pseudo moralista, seletiva, dirigida e paranoica, um governo legitimamente eleito há pouco mais de um ano.

Trabalhando deliberadamente para chegar, de qualquer forma, e o mais depressa possível, à Presidente da República, na tentativa de tirá-la do Palácio do Planalto da forma que for possível, com um jogo escalado e proposital de prisões sucessivas e de “delações”.

Uma espécie de “corrente” na qual uma pessoa é presa – seja por qual motivo for (na falta de provas, muitos podem imaginar que se estejam produzindo “armadilhas”, suposições, ilações, combinações) e delata outra, que também é presa e passa a participar, obrigatoriamente, da trama, delatando também o próximo da “fila” – ou o novo degrau de uma escada que até mesmo no exterior já se imagina aonde vai chegar – sob pena, caso se recuse, de permanecer anos e anos na cadeia sem nenhuma garantia ou perspectiva real de proteção por parte do direito ou da justiça, enquanto bandidos apanhados com contas de milhões de dólares no exterior vão sendo, paulatina e paradoxalmente, soltos. (Fonte: aqui).

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A 'porteira aberta', a partir do Regime Especial (lei 'ágil' e 'sem burocracia': diretores com mais autonomia...) instituído para a Petrobras nos anos 90 (para ser mais exato: Decreto 2.746/1998), em substituição à Lei de Licitações, até então disciplinadora de seus atos (formalidades rígidas, editais para tudo, decisões sempre colegiadas, "'amarrando' a empresa e tornando-a pouco apetitosa para efeito de privatização", como sustentavam os 'analistas' de então), foi o divisor de águas no que tange à corrupção na maior e mais estratégica empresa brasileira (não que antes não existisse a famosa "velha senhora"; que o diga Paulo Francis). Barusco deixou isso bem claro em sua delação...

A expressão 'porteira aberta' foi cunhada pelo jurista Celso Antonio Bandeira de Mello, consagrado mestre em direito administrativo e crítico ferrenho do tal Regime Especial.

Lamentavelmente, o tempo viria a mostrar que a porteira escancarada continuou a ser 'aproveitada' nos anos seguintes, tudo em nome de um biombo chamado 'governabilidade' ("Se nós não 'deixarmos' a locupletação acontecer, perderemos apoio, entende?") ou por simples e incontida compulsão em forrar o bolso. 

Nota: O citado Decreto 2.746 continua em vigor, ou seja, a frouxidão persiste. Vejamos o que diz notícia de novembro de 2014, do G1:

"Tramitam atualmente no Supremo Tribunal Federal (STF) ao menos duas ações que podem exigir que a Petrobras passe a contratar bens e serviços conforme prevê a Lei de Licitações (8.666/1993), válida para órgãos públicos. Embora o tema esteja em discussão no STF há quase 10 anos, ainda não há previsão de uma decisão definitiva da Corte.

A Petrobras é alvo de investigações na Operação Lava Jato (veja ao lado), da Polícia Federal, devido a suspeitas de pagamento de propinas com recursos de contratos firmados pela estatal. Desde 1998, a petroleira conta com um "procedimento simplificado" para selecionar fornecedores e construtoras para realização de suas obras, por exemplo. Isso faz com que a Petrobras não siga as regras estabelecidas para o serviço público federal.
O procedimento simplificado foi permitido por um decreto assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso após a quebra de monopólio da estatal na exploração e produção de petróleo no Brasil. O objetivo foi não prejudicar a competitividade da Petrobras frente às novas concorrentes privadas, com formas facilitadas e mais rápidas para contratar.
Há quase 10 anos, porém, a regra é contestada, tanto por empresas privadas que buscam o mesmo tratamento que recebem dos demais órgãos públicos na disputa de contratos, como pelo Tribunal de Contas da União, órgão de fiscalização ligado ao Congresso. (...) " 
(Para continuar, clique AQUI).
Vale repetir: "Embora o tema esteja em discussão no STF há quase 10 anos, ainda não há previsão de uma decisão definitiva da Corte."
Absurdíssimo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

IMPASSE NA REFORMA ESCOLAR EM SÃO PAULO

Laerte.

Governo de São Paulo contraria Tribunal de Justiça e envia polícia para reintegrar posse de escolas - AQUI.
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RUMO À DERROCADA


Marian Kamensky. (Eslovênia).

A LAVA JATO E A ECONOMIA BRASILEIRA (II)


O capitalismo que temos

Por André Araújo

O prezado comentarista J.C. Pompeu, a propósito de meu post de ontem sobre a Lava Jato travando a economia, disse que eu aqui defendo o "capitalismo arcaico brasileiro". Pode ser, mas é o capitalismo que temos, não há outro na prateleira para por no lugar.
Um dos defeitos profundos do caráter brasileiro é subestimar o País, nossas coisas e nossas realizações. Tudo lá fora é melhor, segundo essa visão tão arraigada entre brasileiros, especialmente de São Paulo.
É um grave erro de avaliação. O "capitalismo de compadrio" de fato existe no Brasil. Mas existe em MUITO MAIOR escala na China, na Índia, em toda a Ásia, na Rússia, no Oriente Médio, no México, em toda a América Latina.
Existe também com outra roupagem nos Estados Unidos. A diferença lá é a clareza, a explicitude das relações entre empresas e governo; nada é escondido, tudo é a luz do dia, mas as relações do Estado com as empresas não diferem muito do que ocorre aqui. As grandes companhias de armamentos têm fantásticos lobbies em Washington para influenciar o Congresso a alocar verbas no orçamento para seus projetos de novas armas, as doações de campanha são de bilhões - mas é tudo legal -, usam o modelo do Political Action Committees, onde se doa para comitês pró-causas, sem vincular com candidatos, mas esse dinheiro acaba bancando campanhas que beneficiam um determinado candidato que apoia aquela causa; o valor que as empresas podem doar não tem limite.
O capitalismo só funciona em boas relações com o Poder, não há capitalismo neutro e limpinho em nenhum lugar do planeta, nós não somos tão arcaicos, talvez mais provincianos, com roupa caipira, mas os métodos não mudam muito e tem lugares onde as coisas são muito piores, como na China e na Rússia, o poder do Estado e o poder das grandes corporações se confundem, a mesma coisa na Coreia do Sul; no Japão é mais sutil mas os grupos "pesados" Mitsui, Mitsubishi, Fuji, Sumitomo, Toyota têm relações profundas com o MITI, o Ministério do Comércio Exterior japonês; operam em conjunto.
Na França, a promiscuidade entre Estado e capitalismo é total há séculos, a moda é coordenada pelo Comité Colbert, o armamento é coordenado pela DGA do Ministério da Defesa. Na Inglaterra, em um passado não tão longínquo, a Royal Navy era cobradora dos bancos ingleses, os navios da esquadra apontavam canhões para resgatar dívidas, como fizeram em Alexandria em 1882 e na Venezuela no começo do Século XX. Não fazem mais isso, mas o espírito é esse, o governo ajuda as empresas sempre, porque as empresas são consideradas sócias do Estado e sustentáculo da Nação.
Somos inferiores, sim, em reconhecer o interesse nacional a ponto de queimar numa fogueira da inquisição empresas brasileiras de projeção internacional e agora o maior banco de investimento dos BRICS, o BTG Pactual, que se preparava para resgatar com fundos do banco oficial japonês de fomento o programa de sondas para o pré-sal: o Brasil receberia do Japão mais de US$6 bilhões de dinheiro novo, projeto que levou um ano para preparar, liquidado com a prisão do CEO do banco, sob aplausos da Globo e do Senado brasileiro, suicidas de vocação, esquecendo que quando afunda o navio morrem os marinheiros e também o comandante. Arcaicos são os justiceiros que destroçaram ativos de valor incalculável, o maior dos quais é a imagem do País e de suas empresas no exterior; colocar a sujeira na janela não melhora a reputação da família. (Fonte: aqui).

A LAVA JATO E A ECONOMIA BRASILEIRA


Como a Lava Jato está travando a economia

Por André Araújo

Diz o maior jornal da Espanha, EL PAÍS, (em recente edição). Olhando de fora e de longe o jornal viu aquilo que aqui muitos se recusam a ver, especialmente aqueles que não têm qualquer risco de desemprego. A paralisia dos projetos de infraestrutura é a tônica do jornal, como sempre muito bem informado. A loucura na ânsia punitiva de um "comitê de salvação pública" acabar com grandes construtoras e agora bancos, estaleiros, toda a cadeia de óleo e gás, como se isso fosse necessário como efeito colateral de uma campanha de justiciamento, vai causar ao País um prejuízo infinitamente maior que a corrupção que visa debelar. Como será que não percebem isso que está na cara de todos?  A explicação " Miriam Leitão", que depois do processo teremos um País melhor, é própria de um completo desconhecimento do mundo real. Empresas de grande porte são resultado de 50 ou mais anos de formação, não se criam novas rapidamente, é processo longo, de gerações, nos escombros das atuais não virão em curto prazo novas.

É uma visão de Poliana, tudo cor de rosa, fora da realidade factual, a desagregação de equipes de construtoras não se repara da noite para o dia, cada engenheiro dispensado vai cuidar de vida de forma diferente, não se rejuntam numa nova empresa, esse é o mundo real e não o mundo dos sonhos de idealistas que desconhecem a realidade econômica.

A desmontagem do setor de infraestrutura do País, um dos maiores do mundo, é o tema da reportagem de EL PAIS.

Lamentavelmente tenho visto entre amigos bem intencionados essa visão de "temos que fazer justiça" prendendo esses corruptos, mas não são capazes de medir efeitos colaterais que não são tão claros para quem não domina uma visão de conjunto da economia. Grande parte da culpa é da mídia, ao dar ênfase a aspectos midiáticos e não a consequências.

(Recentemente, os) formadores de opinião da GLOBONEWS, liderados por  Renata Lo Prete e Merval Pereira, no Jornal das Dez, estavam em êxtase com uma longa reportagem sobre a transferência de prisão de André Esteves em filmagem ao vivo tirada por helicóptero; o grupo estava EUFÓRICO, rindo e trocando graçolas, estavam delirando com o cortejo de carros, muitos, com pessoal fortemente armado como se fossem combater o ISIS,  para levar Esteves da carceragem da PF para o Presídio Ari Franco, um verdadeiro esquadrão de combate para dar efeito televisivo máximo, a turma da GLOBONEWS, Merval de pé, coisa rara, não continha a alegria, como se estivessem inebriados por champagne Taittinger, ainda maior porque o STF negou Habeas Corpus a Esteves. NENHUM, absolutamente nenhum comentário, entre tantos jornalistas experientes, sobre os efeitos dessa prisão sobre o banco BTG, sobre os demais bancos, sobre o investimento estrangeiro e a visão exterior do Brasil.
  
A prisão de Esteves saiu em artigos longos em toda a imprensa econômica mundial, no Financial Times foi matéria de primeira página, no WSJ (nota deste blog: Wall Street Journal) idem; por que o pessoal da Globonews não se estendeu sobre isso ao invés de comentar a cor da camisa e da calça do Esteves entrando no Instituto Médico Legal?

Medíocres e limitados, o que está em jogo é muito mais do que a pessoa do Esteves, é o futuro do País. (Fonte: aqui).

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A abordagem acima suscitou críticas ao articulista, que estaria a pregar certa leniência relativamente ao tratamento a conferir aos implicados no lamaçal da corrupção. Como acompanho regularmente as análises de sua autoria, sei que o propósito que o move é o da defesa dos interesses econômicos do Brasil, os quais são fortemente afetados pela espetacularização midiática - como se não bastasse o fato de a própria condução da Lava Jato, que diz respeito à principal empresa pública nacional - movimentadora de parcela significativa do PIB e vítima de contínua corrupção desde os anos 90 - estar prestes a completar dois anos (março de 2016). Não há sistema econômico capaz de resistir a tal realidade. 

De 2014 para cá, o PIB do Brasil sofreu redução de 5,8%, significando que a "queda do Brasil é a mais forte e mais longa entre economias globais", conforme se vê AQUI.

Diante da crise global sobre 'commodities' e das repercussões da Lava Jato, nenhuma estranheza.  

RUMO À DERROCADA


Arcadio Esquivel. (Costa Rica).

RUMO À DERROCADA


Emad Hajjaj. (Jordânia).

A SOLIDARIEDADE SEGUNDO TIO SAM


Generosidade e desigualdade

Por Carlos Orsi

Pessoas ricas são menos generosas em sociedades onde a desigualdade econômica é mais acentuada, sugere levantamento realizado nos Estados Unidos e publicado no periódico PNAS. Os autores, das universidades de Toronto e Stanford, analisaram os resultados de uma pesquisa realizada com mais de mil americanos, e que incluía a opção de se fazer uma doação real, e ainda um segundo estudo com mais de 700 voluntários e que também permitia doações. 

Os resultados indicam, segundo os autores, que pessoas mais ricas são, em média, menos generosas que as demais apenas em situações de desigualdade exacerbada ou de percepção exacerbada de desigualdade. “Isso desafia a visão de que os indivíduos de renda elevada são necessariamente mais egoístas”, diz o artigo, “e sugere um modo, até então não documentado, pelo qual a distribuição desigual de recursos prejudica o bem-estar coletivo”. (Esta é uma das notas da coluna Telescópio, do Jornal da Unicamp).


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Entreouvido no american way of life: 

"...sim, nós, pessoas mais ricas, somos menos generosos que as demais apenas em situações de desigualdade exacerbada ou de percepção exacerbada de desigualdade. É que nós, 'wasps', adeptos fervorosos da livre iniciativa, da figura do self made man, enfim, do individualismo exacerbado, estamos religiosamente convictos de que, quanto maior a generosidade para com o desigual, maior o pecado em que estaremos incorrendo. Se a generosidade, ao contrário, é oferecida a um 'igual', então não se trata mais de pecado, mas de virtude!"

"Comentário virtuoso. Parabéns!"

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(Convindo notar que há ricos, extremamente ricos, que destinam fortunas a instituições de caridade, à defesa do meio ambiente, à pesquisa e outras causas. Generosidade? Narcisismo? Não importa).

OLD CHARGE

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Após encontro sobre mudanças climáticas, realizado tempos atrás...


Joep Bertrams. (Holanda).

GRANDE IMPRENSA, FRANÇA, SÉCULO XIX

                    Jornaleiro - Foto de Augusto Malta, Brasil, 1914.
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"Considero como uma das felicidades da minha vida não escrever nos jornais; isso faz mal ao meu bolso, mas faz bem à minha consciência".

(Gustave Flaubert - França, 1820-1880). - Fonte: aqui.

NONSENSE CARTOON


Oguz Gurel.