quarta-feira, 6 de maio de 2015

A HOMOFOBIA NA BERLINDA


A homossexualidade na novela e a homofobia na vida real

Jornal GGN – O ator Paulo Betti se recordou em seu Facebook de um episódio no qual foi “agredido verbalmente e com muita violência” pelo escritor e colunista do jornal O Globo, Roberto DaMatta. O motivo: sua interpretação da personagem homossexual Teo Pereira, na novela Império. Em seu desabafo, Betti disse que o escritor “falou barbaridades contra personagens gays em novelas”.

Ontem (4), Ziraldo também apareceu criticando a escolha de Fernanda Montenegro de interpretar Teresa, personagem gay de Babilônia. “Fernanda Montenegro não pode fazer apologia ao afeto homossexual”, disse o desenhista.

Paulo Betti denuncia homofobia do escritor Roberto DaMatta

Do Pragmatismo Político

(...).

Paulo Betti usou seu Facebook para disparar contra o famoso escritor e antropólogo Roberto DaMatta. O ator, que se orgulhava de não ter sido ofendido enquanto interpretava um personagem gay na novela global “Império”, acabou revelando em entrevista a uma rádio carioca que houve uma exceção. A entrevista repercutiu e o ator decidiu se pronunciar através da rede social.

De acordo com Betti, DaMatta o agrediu verbalmente e “com muita violência”, na frente da própria esposa, e falou “barbaridades” sobre personagens gays em novelas.

Betti terminou o depoimento manifestando-se contra a homofobia: “Não direi as palavras pronunciadas em respeito aos meus amigos do Facebook, mas faço esse breve depoimento em nome da verdade e do respeito que os gays merecem. Contra a homofobia e sabendo mais sobre Roberto DaMatta”.

Em resposta a uma seguidora, que saiu em defesa do sociólogo e antropólogo, o ator lançou uma pergunta: “Por que pessoas extraordinárias não podem ser preconceituosas?”.

Leia abaixo a íntegra de seu relato, publicado no Facebook:

Amigos, relutei em escrever aqui o que aconteceu comigo, mas como envolve pessoa pública, achei que seria relevante : perguntado por uma ouvinte num programa da MPB fm, se fui agredido por ter feito o personagem gay Teo Pereira, na novela Império, de Aguinaldo Silva, eu já me preparava pra responder que não, tal a quantidade de carinho que recebo pelas ruas, quando me lembrei de um fato recente e não pude mentir pra ouvinte que me perguntou e para os ouvintes e disse no ar: fui agredido sim, verbalmente e com muita violência, pelo famoso sociólogo Roberto da Mata, professor e escritor, que na frente da própria esposa, me falou barbaridades contra personagens gays em novelas, não direi as palavras pronunciadas em respeito aos meus amigos do facebook, mas faço esse breve depoimento em nome da verdade e do respeito que os gays merecem. Contra a homofobia e sabendo mais sobre Roberto da Mata. (Fonte: aqui).

................
De fato, “Por que pessoas extraordinárias não podem ser preconceituosas?”. Louve-se a tática utilizada pelo ator para desarmar eventual 'espírito belicoso' da seguidora: massageou o ego do crítico DaMatta e, em decorrência, o dela.

Quanto ao cartunista Ziraldo, transcrevo parte do texto do Brasil Post, do dia 4:

"O cartunista Ziraldo, de 82 anos, criador da "Turma do Pererê" e de personagens emblemáticos como o "Menino Maluquinho", em entrevista ao jornal Hoje em Dia, de Minas Gerais, além de falar sobre seus livros e sua participação no festival literário em Poços de Caldas (MG), fez uma forte crítica à novela Babilônia e o papel da atriz Fernanda Montenegro - considerado, por muitos, revolucionário.

Ele disse: "O problema da homossexualidade é que ela está hiperdimensionada. A TV Globo acha que está fazendo um grande serviço ao ‘modus vivendi’, ao dar chance aos homossexuais de assumirem a sexualidade deles."

E continuou:
"Fernanda Montenegro não tem direito de fazer apologia do afeto homossexual. Grandes fãs dela estão estarrecidos com isso. E mesmo que ela estivesse pensando em ajudar as mães dos homossexuais... Mas qual é a porcentagem de mães de homossexuais? 

E as reações nas redes sociais não foram nada favoráveis à declaração do cartunista, em sua maioria. (...). " (Para lê-las, clique aqui).

Sem dúvida, foi pertinente a indagação de Paulo Betti.

A DENGUE E O ENTULHO PARADISÍACO


Bruno.

SOBRE O FLAGELO DA DENGUE

Bruno.

Dengue: O mosquito é democrático. O ser humano é que não é

Por Leonardo Sakamoto

Milhões de pessoas morrem anualmente no mundo por causa de dengue e malária e outros tantos pegam essas doenças – a quase totalidade oriundos de países ou regiões pobres do planeta.

Por mais que vacinas e pesquisas estejam sendo desenvolvidas para elas, a relação de casos letais/investimento em cura é maior nas doenças que tendem a acometer a parte rica da população do que a parte pobre.

A pesquisa para a busca da cura do câncer recebe muito mais que pesquisas para doenças causadas por parasitas que afetam bilhões.

E quando ocorre uma epidemia que não diferencia ricos e pobres e uma pessoa que tem acesso a bons recursos privados de saúde adoece, há chance maior de cura do que alguém que depende de si mesmo, do poder público e de suas filas.

Parte da população vive no século 21 da medicina, enquanto outros ainda engatinham pela Idade Média das esperas em hospitais, dos remédios inacessíveis, da falta de saneamento básico, da inexistência de ações preventivas, da insuficiência de informação e, mais recentemente, da incapacidade de governos de entenderem que as mudanças climáticas podem aumentar os focos de doenças tropicais.

Com a escassez hídrica causada pelo vácuo de ações públicas em São Paulo e no Rio, o desespero, principalmente em casas humildes que não têm nem caixa d'água, pode levar ao armazenamento em baldes e barris e, consequentemente, à proliferação de criadouros de mosquitos.

Pois, nas periferias, o racionamento já existe há tempos.

Enfim, quem consegue jogar xadrez com a Dona Morte e enganá-la por mais tempo somos nós, os mais ricos, que possuem os meios para tanto. Sei do que estou falando: já peguei malária (duas vezes), dengue e um sem número de doenças tropicais durante reportagens, como já contei aqui. Com os melhores médicos e tratamentos, estou (praticamente) inteiro para irritar os leitores.

Os mais pobres, por mais que tenham força de vontade e queiram continuar vivendo, não necessariamente conseguem a façanha.

Vão apenas tocando como podem, apesar de tudo e de todos, ajudando com seu trabalho e, algumas vezes, como cobaias de remédios experimentais, os que ganharam na loteria da vida a terem uma existência mais feliz. (Fonte: aqui).

PESQUISA MÓRBIDA


Erasmo.

terça-feira, 5 de maio de 2015

DEU NA FOLHA


A 'Folha' e a guerra contra o Brasil

Por Miguel do Rosário

Em Numero Zero, novo romance de Umberto Eco, um dos personagens ensina como inserir a opinião política do jornalista dentro da notícia, sem que o leitor se aperceba. Basta entrevistar duas pessoas com opiniões diferentes. Para a opinião da qual você discorda, use um entrevistado de baixa qualidade, ou pegue uma frase tola. Em seguida, faça uma entrevista consistente com a pessoa com a qual você concorda. Pronto. Você posará de imparcial e terá expressado a sua opinião.

No caso da imprensa brasileira, eles sequer têm esse escrúpulo. Entrevistam apenas a pessoa que tem a opinião do jornal, e ponto final.

Um exemplo é a matéria publicada na Folha, de (ontem), reproduzida abaixo.

A reportagem integra a incansável rotina da grande imprensa de mostrar o Brasil à beira da ruína econômica. Se agiam assim quando a economia brasileira batia recordes de crescimento, ao fim do governo Lula, agora estão mais felizes do que pinto no lixo, diante das dificuldades passageiras enfrentadas pelo país.

Dê uma olhada na matéria. Eu volto em seguida.

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País regride em avanço do poder de compra

Érica Fraga, de São Paulo

04/05/2015 02h00

O Brasil voltou a ficar estagnado na sua trajetória rumo ao desenvolvimento econômico, na contramão de um grupo de países emergentes de diferentes regiões que continua avançando para um nível de renda mais elevado, como Chile, Uruguai, Coreia, Taiwan, Polônia e Estônia.

O aparente fim do ciclo de alta dos preços das matérias-primas -carro-chefe das exportações brasileiras-, aliado à falta de reformas que poderiam aumentar o ritmo de crescimento, dificulta a retomada do desenvolvimento brasileiro.



O poder aquisitivo do brasileiro como fatia da renda americana -referência para comparações globais- começou a se recuperar em meados da década passada. Em 2011, chegou ao patamar de 30% pela primeira vez desde o fim da década de 1980.

Depois de três anos nesse nível, no entanto, a proporção voltou a recuar levemente em 2014, para 29,5%.

Os cálculos foram feitos com base em dados do PIB (Produto Interno Bruto) per capita dos países, expresso em Paridade do Poder de Compra (PPC), divulgado em abril pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). Essa medida é comumente usada para comparar o poder aquisitivo médio de diferentes nações.

Um país consegue se desenvolver à medida que a sua renda média se aproxima do patamar de países ricos.

Esse processo, chamado de convergência econômica, ocorre em etapas. A primeira é a transição de um nível de renda baixo para médio. A seguinte, bem mais difícil de ser atingida, é a evolução para um patamar de renda alto.

A transformação do Brasil em um país de renda média ganhou fôlego entre as décadas de 1950 e 1970, embalada pela urbanização e pelo surgimento da indústria básica.

“O crescimento inicial é mais fácil. Você consegue evoluir acumulando capital. Mas, depois, o retorno sobre esse capital decresce e outras fontes são necessárias”, afirma Filipe Campante, professor de políticas públicas da universidade Harvard.

Em 1980, a renda per capita brasileira medida em PPC chegou a equivaler a 38% da norte-americana.

MUDANÇA

Com a crise econômica dos anos 1980, o processo de convergência sofreu um revés que se estendeu até meados da década passada, quando teve início uma modesta recuperação, abortada com a perda de fôlego do crescimento nos últimos três anos.

“A convergência da renda brasileira para o nível americano aumentou nos anos 2000 graças ao boom das commodities", afirma Robert Wood, analista sênior da consultoria EIU (Economist Intelligence Unit).

Segundo o economista Otaviano Canuto, consultor do Banco Mundial, a transição para um nível de renda alto depende, principalmente, da adoção de um conjunto de normas na economia que sejam favoráveis ao desenvolvimento de capital humano e tecnológico.

“Nesses quesitos, o Brasil e parte da América Latina pararam no tempo”, afirma.


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Voltei.

Nunca li um texto mais idiota na minha vida. Falar em “renda média” no Brasil, sem mencionar, nem que fosse “en passant”, a desigualdade social (até há pouco a maior do mundo) é um atentado terrorista à inteligência humana.

Repare que a reportagem exalta a renda per capita de 1980, que teria chegado a 38% da americana.

Que cinismo!

Ora, em 1980, estávamos iniciando um dos períodos mais trágicos da nossa história, quando a inflação explodiria a níveis completamente descontrolados. O repique inflacionário de hoje não corresponde nem a um centésimo do que foi naquela época.

Desemprego, dívida externa, fome, miséria, um país sem obras de infra-estrutura, sem plano de crédito popular, sem programas sociais, sem futuro.

A matéria estende as considerações neoliberais para toda a América Latina, que viveu, nos últimos 15 anos, uma das maiores revoluções sociais da história da humanidade, com a emergência de dezenas de milhões de pessoas a um padrão de consumo melhor.

Esses cálculos de poder de compra, lastreados no dólar, me parecem totalmente anacrônicos. O percentual de brasileiros que viajam ao exterior hoje é infinitamente maior do que antes. Os aeroportos estão lotados. Nova York, Miami, Paris, Buenos Aires, foram invadidas por turistas brasileiros, que são os que mais compram.

Nunca se vendeu tanto carro, casa própria, eletrodomésticos, no Brasil como nos últimos dez anos.

Como assim o poder de compra estagnou-se?

A matéria da Folha é um engodo, e uma prova de que, com um pouco de criatividade e entrevistando-se as pessoas certas, pode-se fazer o que quiser com estatísticas.

E ainda deixei de lado qualquer observação sobre o título grotesco: “país regride em avanço”… Regride em avanço? (Fonte: aqui).

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Manipulação de informação é mais ou menos como fazer salsicha: o sujeito pensa na ideia a vender e recheia a argumentação com os ingredientes que lhe venham à telha. E qual é o público destinatário de tal salsicha? Certa fatia da opinião pública. Ok. Então, ofereça o que ela quer, cuidando sempre para nem de longe inserir na massa ingredientes 'indigestos', como "avanço na luta contra as desigualdades", "sonegação fiscal estimada em quinhentos bilhões de Reais por ano", "imposto sobre grandes fortunas", "elevação real do valor do salário mínimo", "crise na Grécia, Portugal, Itália, França..." (já sucesso de Chile, Uruguai, Coreia, Taiwan, Polônia, Estônia, tudo isso pode!) etc etc. Dessa forma, o bom apetite estará garantido, com "cumprimentos ao chefe", como se ouve nos finos restaurantes franceses.

DIA NACIONAL DA TERCEIRIZAÇÃO


Vida de Suporte.

ECOS CURITIBANOS

Jorge Braga.
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Seria cômico, se não fosse trágico: Ontem, 4, a manchete nacional sobre o brutal episódio curitibano destacava, enfim, uma crítica de integrante do governo estadual: "Secretário estadual afirma que atos são inaceitáveis". O leitor que se dispusesse a ler a matéria seria informado de que as palavras foram proferidas pelo... secretário estadual de segurança, notório entusiasta da adoção de medidas repressivas! Pior, mesmo, só a atitude de um certo senador da República, que, solidário, se apressou em dizer que "nessa história não há inocentes"...

O JORNALISMO E A REALIDADE ANTEVISTA POR PULITZER


"Bolsas de estudo pomposas nos Estados Unidos pagas por institutos conservadores (http://www.institutomillenium.org.br/blog/instituto-ling-concede-mais-27-bolsas-de-estudos-exterior/) valem pouco se o jornalismo é praticado de maneira açodada, com má vontade e parcialidade, de uma forma mentirosa.

Não é a primeira vez que o Instituto Lula, ou outras pessoas e entidades tem contato com o método “Época” de jornalismo (que não é também exclusivo desta revista). Resumindo de forma rudimentar, o método constitui na criação de narrativas associando fatos, supostos fatos ou parte de fatos que não têm relação entre si, e que são colados pelo jornalista, construindo teorias sem checar com as fontes se a realidade difere da sua fantasia.

Poucas horas antes do fechamento, quando pelos prazos de produção jornalística provavelmente a matéria já está com as páginas reservadas na revista, capa escolhida e infográficos feitos, o repórter entra em contato, por e-mail, com as pessoas citadas na matéria. Em geral sem contar sobre o que realmente o texto se trata (Época não perguntou ou mencionou a iniciativa do Ministério Público). Não há interesse real em verificar se as acusações, em geral muito pesadas, se sustentam e justificam o espaço dado ao assunto ou o enfoque do texto.

Mesmo que a tese do jornalista não se comprove, a matéria não será revista e será publicada. Na “melhor” das hipóteses, as respostas das pessoas e entidades envolvidas serão contempladas ao final da matéria, e este trecho não será disponibilizado online (e muitas vezes não é visto com cuidado por jornalistas de outros veículos que dão a “repercussão” do fato). É feito assim, primeiro porque a revista não teria nenhuma matéria para colocar no lugar, e segundo porque isso poderia afetar o impacto político, bem como a repercussão em outros órgãos de imprensa e nas mídias sociais.

Foi exatamente isso que a Época fez. Contatou o Instituto Lula, a partir de Brasília, três horas antes do fechamento. Haviam duas opções: falar por telefone ou por e-mail. O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, para registrar inclusive as perguntas e respostas à revista, optou por responder por e-mail, lamentando que não houve a possibilidade de esclarecer as dúvidas da revista pessoalmente (http://www.institutolula.org/resposta-do-instituto-lula-a-revista-epoca).

É importante registrar que Época ou não ouviu, ou não registrou o outro lado de todos os citados na matéria. Cita e publica fotos de dois chefes de Estado estrangeiros, John Dramani Mahama, de Gana, e Danilo Medina, da República Dominicana, ambos eleitos democraticamente e representantes de seus respectivos países. E não os ouve, nem suas embaixadas no Brasil.

Mais absurdo ainda porque, em tese, a revista Época deveria seguir os “Princípios Editoriais do Grupo Globo”, do qual faz parte, e que foram anunciados para milhões de brasileiros, no Jornal Nacional (http://g1.globo.com/principios-editoriais-do-grupo-globo.html).

Como a revista não parece respeitar o jornalismo, diplomatas, chefes de estado dominicanos ou ganenses, ou ex-ministros e ex-chefes de estado brasileiros, melhor lembrar a recomendação de um norte-americano, Joseph Pulitzer, sobre os danos sociais da má prática jornalística. “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária e demagógica formará um público tão vil quanto ela mesma.






(Do Instituto Lula, em nota intitulada "As sete mentiras da capa de Época sobre Lula" - AQUI.

Foi iniciativa deste blog a marcação em negrito dos termos "três horas antes do fechamento", conforme se vê no texto acima. A publicação, ao oferecer prazo tão exíguo para o acusado manifestar-se sobre o conteúdo da "matéria", não está tripudiando sobre a vítima; longe disso. Simples jogo de cena: venha o que vier, será ignorado, mas, dirá ela, o código de ética terá prevalecido! Simplesmente surreal tal modalidade de 'jornalismo'...).

OS CONSERVADORES E A INFALIBILIDADE DO PAPA FRANCISCO

                   "Para mim, ele só é infalível quando diz coisas que eu defendo."

Steve Sack. (EUA).

A FATIA DE REALISMO AMERICANO EM NOITE SEM FIM


"Noite sem fim" e o realismo em doses homeopáticas

Por Fábio de Oliveira Ribeiro

Há bem pouco tempo disse aqui mesmo no GGN que:
 
“Na terra dos sonhos, a vida da população norte-americana duplicada e abandonada à própria sorte nos túneis é um pesadelo que não será visto em filmes realistas. Há décadas o realismo cinematográfico norte-americano foi soterrado por HQs como 'Avengers 1 e 2' e por séries como 'Velozes e Furiosos 1,2,3,4,5,6,7...'. O problema é insolúvel no contexto do atual 'modo de vida norte-americano'. O sistema que produz empobrecimento e exclusão social nada pode fazer para reparar o mal produzido sem reconhecer seus próprios defeitos (coisa que é impensável nos EUA).”
 
Hoje sou obrigado a reconhecer que o renascimento do realismo cinematográfico norte-americano pode se tornar uma possibilidade. “Noite sem fim” foi destaque no G1, mas pelas razões erradas. Como sempre ocorre, aqueles que são pagos para fazer propaganda de cinema raramente tem tempo ou inspiração para meditar sobre os filmes e para os ver com atenção.
 
O roteiro de “Noite sem fim” é semelhante ao de “Estrada da perdição” (2002), produção baseada numa HQ ambientada nos anos 1930. O filme estrelado por  Liam Neeson, contudo, é ambientado nos dias de hoje. Um pistoleiro da máfia enfrenta policiais corruptos e seu chefe mafioso para salvar a preciosa vida do filho trabalhador. Ele mata várias pessoas, morre e o filho é salvo. Este filme seria  uma repetição banal de porradas, pauladas, batidas de carro, tiros, tiros e mais tiros não fosse por dois detalhes.

O primeiro pode ser creditado à nacionalidade de Jaume Collet-Serra. Sendo espanhol Collet-Serra não se deu ao trabalho de “casualmente” exibir bandeiras e mais bandeiras dos EUA no seu filme. “Noite sem fim” não se ajusta muito bem à estética nacional-socialista que domina o cinema norte-americano há algumas décadas.
 
O outro detalhe importante do filme, que não foi notado nem pelo G1 nem por outro crítico - falo isto pensando especificamente no website omelete - foram as cenas externas feitas ao acaso e que mostram uma realidade cotidiana que a estética nacional-socialista costuma esconder: desabrigados nas ruas de New York, pessoas revirando lixo na chuva e trabalhadores coletando e transportando materiais recicláveis produzidos durante o dia na mais glamourosa cidade dos EUA. A realidade, porém, entra no filme em doses homeopáticas.
 
As cenas externas colhidas por Collet-Serra provavelmente ao acaso - não me pareceu que os extras filmados durante a noite nas ruas estivessem seguindo um roteiro pré definido - conferem mais credibilidade ao filme. Não só isto, estas cenas externas documentam aquilo que os diretores de cinema norte-americanos julgam impossível de ser documentado e distribuído pela indústria de ilusão “made in USA”. Salvo raríssimas exceções, só temos visto produções que glorificam a bandeira azul e vermelha e um “American way of life” que praticamente deixou de existir desde o início da crise financeira.
 
“Noite sem fim” tem 2 ou três minutos de realidade que valem a pena ser vistos com cuidado. O resto é apenas droga visual produzida e distribuída por traficantes de imagens ambiciosos que desejam faturar alto satisfazendo os desejos mórbidos de pessoas viciadas em ultra-violência cênica. (Fonte: aqui).

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No Brasil, 'Noite sem fim' certamente proporcionará bons ganhos, dado o gosto do público por filmes de ação. Afinal, 97% da produção serão dedicados a tiros, perseguições e escaramuças diversas. 

Os campeões de bilheteria dos últimos tempos, em que se proliferam heróis cibernéticos e robôs trepidantes, em cenários futuristas, parecem deixar claro que em tempos de crise financeira aguda a realidade nua, crua e amarga não brilha tanto assim ao vir à tona...  

O QUE AFLIGE OS EUA, SEGUNDO UM OBSERVADOR AMERICANO

               A combustão americana: pobreza, decadência familiar,
                   escolas sobressaltadas, desemprego, truculência policial,
                   drogas, corrupção, crime endêmico, barbárie...

Nate Beeler. (EUA).

segunda-feira, 4 de maio de 2015

POWER POLICE


Clay Bennett. (EUA).

SOBRE FATOS, NOTÍCIAS E CONLUIOS


O estupro permanente da notícia

Por Luis Nassif

Há dois tipos de leitores de jornais: os que querem se informar, e os que querem ler apenas aquilo que lhes agrada. Os primeiros, são leitores; os segundos, torcedores.

Nos últimos anos, os grandes grupos jornalísticos abriram mão dos leitores. A notícia tornou-se uma ferramenta de guerra, que, como em toda guerra, pode ser estuprada, manipulada, distorcida.

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Há inúmeros temas relevantes para se criticar Dilma, Lula e o PT: os erros da política econômica, o envelhecimento das ideias, a falta de propostas novas, o aparelhamento de muitas áreas, os problemas enfrentados pela Petrobras.

Mas, aparentemente, entre Pulitzer e William Randolph Hearst – o pai do jornalismo marrom -, a grande imprensa brasileira escolheu o segundo.

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O Estado de S. Paulo, o augusto Estadão, que historicamente se colocava como um baluarte conservador, mas respeitador dos fatos, divulgou em sua versão online a manchete de que a Petrobras destruíra gravações de reuniões do Conselho de Administração para sumir com provas.

O repórter entregou uma matéria responsável. Consultou dois diretores que lhe asseguraram que não era hábito, mesmo, guardar gravações de reuniões de Conselho. Serviam apenas para instruir as atas. Depois das atas escritas, as gravações eram destruídas. Só depois que estourou a Lava Jato é que decidiu-se preservar as gravações, caso houvesse necessidade.

Ao longo do dia, a manchete foi desmentida por diversos veículos online. No dia seguinte, na edição impressa, manteve-se o enfoque errado.

Em outros tempos, poucos saberiam. Na era da Internet, o erro já tinha se espalhado. Ao insistir em mantê-lo os editores expuseram o jornal e sua história a milhares de leitores que já tinham conferido os desmentidos.

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O mesmo aconteceu com a revista Época, em conluio com procuradores da República do Distrito Federal.

Desde que saiu da presidência, Lula assumiu o compromisso público de aproximar-se da África e trabalhar negócios brasileiros por lá. Por seu lado, há décadas a Construtora Odebrecht investiu na área e em outros países emergentes. Hoje em dia, atua em 28 países construindo todo tipo de obra.

Finalmente, há décadas o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) dispõe de uma linha de financiamento às exportações de produtos e serviços, o Proex, da qual o maior cliente – por ser a empreiteira brasileira com mais obras no exterior – é a própria Odebrecht.

***
No entanto, procuradores irresponsáveis foram investigar as obras da Odebrecht no exterior e montaram um inquérito com base nos seguintes fatos:

Lula visitou Gana e dois meses depois a Odebrecht conquistou um projeto por lá. Os procuradores tentaram criminalizar o que se tratava de uma estratégia bem sucedida. E ligaram a visita de Lula ao fato da Odebrecht ter conseguido um financiamento do BNDES – sendo que ela já tem 35 financiamentos, para suas obras internacionais.

Esse conluio mídia-procuradores teve repercussão em todos os jornais.

Os jornais atingiram seus objetivos políticos. Mas o jornalismo saiu mais uma vez sangrando do episódio. E mostrou que não há diferença mais entre blogs partidários e jornais. (Fonte: aqui).

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Judith Brito, ex-presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais), declarou, ainda no longínquo março de 2010: "Na situação atual, em que os partidos de oposição estão muito fracos, cabe a nós dos jornais exercer o papel dos partidos".

Presentemente, constata-se que a realidade é outra: o governo está fragilizado e os partidos de oposição e agregados se mostram fortes. A imprensa, por sua vez, não só mantém a postura preconizada por Dona Judith, como recebe o auxílio de instituições amigas.

No mais, como dizia o bravo e destemido João Saldanha, vida que segue...

O QUE AMEAÇA OS EUA, SEGUNDO UM OBSERVADOR AMERICANO

                  Pavio aceso: Pobreza, crime, disparidade econômica, racismo...

Adam Zyglis. (EUA).

domingo, 3 de maio de 2015

SURPRESAS E POLÊMICAS, POR JÂNIO DE FREITAS


Uma falta útil

Por Jânio de Freitas

Ainda distantes, as decisões do Supremo Tribunal Federal para os julgamentos de réus da Lava Jato, lá mesmo ou em outras instâncias, já acumulam um potencial de surpresas e polêmicas tão volumoso quanto interessante. Não só em contradições de depoentes e entre eles, em disparidades com o propalado, como os "R$ 10 bilhões recebidos" pelos quatro da Petrobras, e em possíveis revelações. Também procedimentos dos condutores da Lava Jato estão sujeitos a revisões, a exemplo da recente concessão, pelo Supremo, de habeas corpus a nove dos presos, por falta de base legal para sua extensa prisão preventiva.

Apesar de suplantada por outros destaques, gravíssima informação surge na entrevista da advogada Dora Cavalcanti a Mario Cesar Carvalho (Folha, 1º.mai) e junta-se a fatos em geral invalidáveis pela Justiça. Como foram a difusão, para atrair denunciantes, de constatações inverdadeiras, iludindo também os meios de comunicação, e como é o uso de coerção a delatores.

Aqui mesmo foi publicado, a propósito das delações premiadas que se iniciavam na Lava Jato, a falta de condições do doleiro Alberto Youssef para ser agraciado com esse direito de comprar liberdade. Youssef já o recebera em 2004 no caso Banestado, com o compromisso de não voltar ao crime. A respeito, diz Dora Cavalcanti:

"Ele quebrou a delação em 2006 e essa quebra da palavra não foi levada ao ministro Teori Zavascki na chancela da nova delação".

Não foi levada ao ministro-relator e ao Supremo no pedido de autorização para o acordo de delação premiada com Alberto Youssef, mas, se incluída como devia na petição, não seriam necessários mais motivos para recusa a novo acordo.

É a validade da delação premiada de Youssef que está sujeita até a invalidação, nos termos da limpidez legal já cobrada pelo ministro Zavascki nos habeas corpus dos nove presos. Os desdobramentos desta esperada polêmica são imprevisíveis.

Certo é que a omissão, seja qual for a interpretação a ela dada, desde logo propõe ao Supremo a confrontação mais minuciosa entre as denúncias formais a lhe serem apresentadas e os respectivos depoimentos e documentos em que devem fundar-se.

(Para ler o texto completo de Jânio de Freitas - abordando outros temas -, clique aqui).

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Custa crer que a informação - imprescindível - sobre a quebra de compromisso por parte de Youssef tenha sido sonegada ao ministro Teori Zavascki quando do pedido de autorização para celebração de acordo de delação premiada!

De qualquer modo, mantida ou não a delação de Youssef pelo STF, as acusações formuladas pelo delator, gentilmente acatadas como expressão definitiva da verdade verdadeira e trombeteadas à exaustão pela mídia e redes sociais, já produziram estratégica parcela dos frutos esperados...

ASSÉDIO CONSUMISTA


Angel Boligan.

CORRUPÇÃO: DA SELETIVIDADE JUDICIAL


Lava Jato e Zelotes têm diferenças gritantes

Do Portal Brasil 247: Há duas diferenças gritantes entre as Operações Lava Jato e Zelotes que permitem dizer que nelas o Judiciário usa dois pesos e duas medidas. Uma, o fato de a Justiça Federal não ter permitido qualquer prisão preventiva ou temporária pedida pelo procurador Frederico Paiva, que comanda a Zelotes, ao passo que as prisões da Lava Jato, de tão abusivas, tiveram que ser contidas pelo STF.

Outra diferença está na falta de publicidade que cerca a Zelotes, impedindo que a sociedade tome conhecimento do funcionamento das máfias e dos valores subtraídos ao erário pela máfia de auditores e conselheiros do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Receita Federal, bem como do estágio das investigações.

Na Lava Jato, o juiz Sergio Moro sempre fez jorrar as delações premiadas, mesmo num momento inoportuno como o primeiro dia da campanha de segundo turno do ano passado. Já na Zelotes, o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal, reiterando decisões de sua substituta, juíza Polianna Kelly, negou as prisões e o pedido de levantamento do sigilo feito pelo Ministério Público.

Sem apoio do Judiciário, o procurador Paiva e uma pequena equipe fazem um trabalho de formiga, analisando mais de 200 mil e-mails e 74 processos julgados pelo CARF, nos quais ocorreram desvios que somariam R$ 19 bilhões em fraudes contra o fisco. A perda de pelo menos R$ 6 bilhões já está comprovada. Quanto ganharam os conselheiros mafiosos que venderam pareceres pela redução ou supressão dos débitos fiscais de pelo menos 70 grandes empresas e bancos? Não saberemos, se o Judiciário continuar mantendo os processos sob sigilo.

Esquema é muito antigo
O mega esquema de corrupção montado no CARF para livrar grandes empresas e bancos de multas e cobranças bilionárias de impostos não foi descoberto agora pela Operação Zelotes. Ela foi uma investida mais forte da Polícia Federal e do Ministério Público contra as máfias – é mais de uma – que atuam no órgão pelo menos desde os anos 90. As denúncias, entretanto, sempre desapareceram numa espécie de "buraco negro" do Poder Judiciário, permitindo que os investigados continuassem atuando livremente.

Exemplo disso é a multa de R$ 1 bilhão aplicada à construtora OAS em 1994. Quatro anos depois, ela foi reduzida a R$ 25 milhões, por obra de um escritório que recebeu para isso R$ 18 milhões. À frente do serviço, dois auditores da Receita, Paulo Baltazar Carneiro e Sandro Martins, que estavam licenciados e depois voltaram à Receita, reassumindo seus empregos. Eles foram alvo de uma investigação em 2002, comandada pelo procurador Guilherme Schelb, foram indiciados, mas o processo parou na 12ª Vara Federal de Brasília. Ambos hoje estão indiciados pela Operação Zelotes, mas suas prisões preventivas, como as de outras 24 pessoas, foram negadas.

Auditores que transitam de um lado para o outro, deixando a Receita para atuar como consultores de empresas e depois voltando ao órgão ganharam o apelido de "anfíbios". Existiriam hoje mais centenas de "anfíbios" em atividade, boa parte deles sendo investigados pela Zelotes.

Em 2005, o Ministério Público voltou a ajuizar ação envolvendo Paulo Baltazar, que era secretário-adjunto da Receita, o então secretário, Everardo Maciel, e Sandro Martins Silva. E ainda outro cliente da dupla, a Fiat Automóveis, na pessoa de seu representante no Brasil, Giovanni Razzelli. Graças à ajuda da empresa dos dois, a Fiat livrou-se, em 1999, de pagar mais de R$ 600 milhões (que hoje, corrigidos, somariam mais de R$ 1 bilhão) de CSLL* não recolhida. Para isso, Everardo encaminhou uma proposta de medida provisória ao ministro da Fazenda de Fernando Henrique, Pedro Malan, que foi editada com o número 1807/99. Um de seus artigos atendeu perfeitamente ao pleito da Fiat, ao isentar os contribuintes que tivessem ajuizado processo judicial contra a cobrança até dezembro de 1998. O escritório de advocacia da Fiat, Alberto Andrade Advogados, já fizera isso antes de subcontratar os serviços da empresa SBS Consultaria, de dois outros auditores, Romeu Salaro e Jorge Victor Rodrigues, ligados a Baltazar e Sandro Martins.

Neste episódio, o procurador Lauro Pinto Cardoso Neto pediu que Baltazar fosse destituído do cargo de secretário adjunto, que os bens dos envolvidos fossem bloqueados e todos fossem condenados pelas perdas causadas ao erário. Nada aconteceu. Eles voltaram a ser denunciados à Justiça em 2013 e novamente não foram julgados nem condenados.

Contra as barreiras
No Congresso, duas ações correm paralelas tentando quebrar as barreiras em torno da Operação Zelotes, montadas pelo Judiciário. Na Câmara, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) preside uma subcomissão da Comissão de Fiscalização e Controle que começará a convidar autoridades envolvidas para prestar esclarecimentos.

Começará chamando o delegado e o procurador responsáveis pela Operação. Eles poderão dizer aos deputados, como têm dito reservadamente, que sem apoio do Judiciário a Operação não avançará, podendo terminar como as outras tentativas de desarticular a máfia dos auditores e conselheiros do CARF.

No Senado, o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) leu na terça-feira 28 o pedido para a criação de CPI para investigar as máfias do CARF, requerida pelo senador tucano Ataídes Oliveira (PSDB-TO).

Enquanto isso, todos nós que neste mês de abril apresentamos nossas declarações de renda continuaremos pagando honestamente nossos impostos complementares, afora o que foi retido de nossos salários. (Fonte: aqui).

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* = CSLL: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.

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Sobre a Operação Zelotes, ratifico o contido em comentário feito no post HSBC: Os nomes estão chegando.

Toda corrupção deve ser investigada, julgada e punida em conformidade com a lei. Qualquer seletividade soa como prática abjeta, pra não dizer deplorável.

POLICE POWER


Bill Day. (EUA).

RESCALDO DA TERCEIRIZAÇÃO: O FIM DA ATIVIDADE-FIM


Luscar.

HSBC: OS NOMES ESTÃO CHEGANDO


Contas secretas do HSBC: Brasil terá lista do SwissLeaks

A lista contém os nomes dos mais de seis mil brasileiros controladores de contas secretas no HSBC. O recebimento das informações oficiais é resultado de um entendimento entre a PGR, Ministério da Justiça e Ministério Público francês.

A lista que contém os nomes dos mais de seis mil brasileiros controladores de contas secretas no HSBC, no caso conhecido como Swissleaks, chegará ao Brasil em torno de duas semanas. A informação foi feita pelo secretário de Cooperação Internacional da Procuradoria Geral da República, Vladimir Aras, aos integrantes da CPI do HSBC no Senado.

O recebimento das informações oficiais pelo governo brasileiro é resultado de um entendimento entre o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que foi à França com o Secretário Nacional de Justiça, Beto Ferreira Martins Vasconcelos, e autoridades do Ministério Público francês.

Os integrantes da CPI aprovaram na semana passada um requerimento para ouvir o delator do caso, o francês Hervé Falciani. Falciani é ex-funcionário do banco e os parlamentares acreditam que ele pode depor no Brasil desde que tenha condições apropriadas de segurança, garantidas pelo Ministério da Justiça. Outra opção, caso essa não seja possível, será enviar uma comissão da CPI até a França.

Na próxima terça-feira, a CPI recebe o presidente do HSBC no Brasil, Guilherme André Brandão. A CPI investiga se as mais de 6,6 mil contas de brasileiros no banco em Genebra, na Suíça, burlaram a fiscalização, entre outras denúncias. Estima-se que os depósitos dos brasileiros possam chegar a US$ 7 bilhões. (Fonte: aqui).

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Espera-se que a disponibilização dos nomes dos titulares das contas anime a imprensa brasileira a oferecer à CPI do SwissLeaks uma cobertura condizente com o volume de recursos financeiros envolvidos. Afinal, não é todo dia que surge um escândalo de proporções tão avantajadas, de valor a ser 'pinçado' de um estoque monumental de vinte bilhões de Reais! Mas convém ter em mente que o assunto poderá, sim, permanecer no limbo, inteiramente desprezado, a exemplo da Operação Zelotes, que apura estrondoso esquema de sonegação fiscal, cujo rombo até agora comprovado chega a seis bilhões de Reais, sendo que os investigadores estimam que possa alcançar dezenove bilhões. É que, como a prática demonstra, na grande maioria das vezes o que pesa não é o vulto do prejuízo aos cofres públicos, mas os nomes dos afanadores desses cofres.

sábado, 2 de maio de 2015

ENQUANTO ISSO, NO PARANÁ...


Thomate.

ECOS DE CURITIBA


Da Chicago de 1886 à Curitiba de 2015

Por Leonardo Sakamoto

Trabalhadores entraram em greve para reivindicar direitos que consideravam justos. E, em uma das manifestações, a polícia abriu fogo contra a multidão.

Curitiba, 2015? Poderia ser. Mas estou falando da Chicago de 1886.

A greve geral que começou no dia Primeiro de Maio daquele ano, exigindo a redução da jornada de trabalho para oito horas por dia, acabou em tragédia, com manifestantes e policiais mortos e sindicalistas condenados (injustamente) à morte. Nos anos seguintes, a data foi escolhida para ser um dia de luta por condições melhores de trabalho. Menos nos Estados Unidos, em que o Labor Day é na primeira segunda-feira de setembro.

Quem visita a cidade norte-americana, encontra uma frase gravada em um monumento: “Chegará o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso do que as vozes que vocês estrangularam hoje''.

Só o trabalho gera riqueza. E o silêncio de trabalhadores, que se reconhecem como tais, percebem a injustiça que, muitas vezes, recai sobre eles e resolvem cruzar os braços, não apenas aumentou salários, mas já ajudou a derrubar regimes, a democratizar países, a mudar o rumo da história.

Nesta sexta, o poder da mobilização e a discussão sobre direitos que está na origem do Primeiro de Maio é ofuscada pelo sorteio de carros e casas e shows de cantores populares em cima de trio elétricos. E, não raro, por discursos vazios de pessoas que falam em nome dos trabalhadores em proveito próprio.

E 129 anos após os trabalhadores de Chicago irem às ruas exigirem jornada de oito horas, nós ainda não a conseguimos por aqui.

A última redução de jornada ocorreu há exatos 27 anos, na Constituição de 1988, quando caiu de 48 para 44 horas semanais. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) calculou que uma jornada de 40 horas com manutenção de salário aumentaria os custos de produção em apenas 1,99%. O aumento na qualidade de vida do trabalhador, por outro lado, seria muito maior: mais tempo com a família, mais tempo para o lazer e o descanso, mais tempo para formação pessoal.

Outros vão dizer: mas boa parte das empresas já opera com o chamado oito horas por dia, cinco dias por semana. Mas não todas. Principalmente em atividades rurais. Ou que jornada de trabalho não faz mais sentido em um momento em que a internet torna a jornada flexível. O problema é que “jornada flexível'' raramente significa trabalhar menos, mas estar mais tempo ligado ao trabalho ao longo do dia.

Uma proposta em trâmite no Congresso que pede a redução da jornada também aumenta de 50% para 75% o valor a ser acrescido na remuneração das horas extras. Ou seja, tem que trabalhar mais? Que se pague bem por isso.

Ao mesmo tempo, o poder público – federal, estaduais e municipais – ainda trata trabalhadores que reivindicam por seus direitos como um caso de polícia, da mesma forma que a Chicago do século 19.

Seja em Curitiba ou em qualquer cidade grande brasileira, temos relatos de trabalhadores em greve que apanharam, levaram tiros e respiraram gás.

Manifestações que questionam a desigualdade e a injustiça social tendem a ser reprimidas pela força pública. São vistas como subversivas. As “ordeiras'', que não mexem com a estrutura econômica e social do país, não. Por que será?

O Brasil está correndo a passos largos para rasgar sua legislação trabalhista – sob um governo que se autodeclara “dos trabalhadores''. Se a ampliação da terceirização não significasse redução de direitos, não estariam tentando te convencer tão arduamente de que isso é melhor para você e para o país.

Sem contar que há um rosário de projetos tramitando no Congresso Nacional que depreciam a vida do trabalhador, como os que reduzem a idade mínima para começar a trabalhar ou os que pioram a definição de trabalho escravo para diminuir a sua punição.

Há mais de 100 anos, buscava-se direitos trabalhistas e previdenciários. Agora, luta-se para mantê-los.

Neste Primeiro de Maio, não esqueça: todos os direitos que você tem hoje não foram dados por alguém de forma milagrosa, mas são fruto de lutas brasileiras ou internacionais de gerações. É função dos governantes fazer parecer que foram eles que, generosamente, concederam. E função da história dos vencedores registrar isso como fato.

Temos diversas formas de silêncio. O poder não está no silêncio das bocas fechadas que aceitam as coisas como elas são porque acreditam que nada pode mudar e que ficam felizes se ganharam uma TV do sindicato no feriado. Mas dos braços parados que se negam a produzir riqueza sem que um diálogo aberto e franco com os empregadores seja estabelecido.

Trabalhadores são fortes. Pena que se esquecem disso. (Fonte: aqui).
 
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Enquanto Sakamoto ofereceu avaliação ampla sobre a questão trabalhista, Kiko Nogueira, relativamente ao deplorável episódio curitibano, foi direto ao ponto:
 
"O silêncio do PSDB em relação à truculência da PM paranaense contra os professores é sintomática do oportunismo e da indignação coletiva de seus dirigentes.

Onde está a histeria de um Carlos Sampaio, o Carimbador Maluco? Onde foi parar Aloysio Nunes e sua vontade de fazer sangrar? FCH? Serra?

Num vídeo do 1º de Maio, ao lado de Paulinho da Força e de Eduardo Cunha, Aécio falou que aquele era o “dia da vergonha, o dia que a presidente Dilma se acovardou e não teve coragem de dizer aos trabalhadores brasileiros porque eles vão pagar o preço mais duro desse ajuste”.

Ok. (Quanto a este "Ok" do autor: Este blog se permite divergir: Entendemos que a opção da presidente pelas redes sociais foi estratégica, e não nos surpreenderíamos se a repercussão de seu pronunciamento tiver sido razoável, embora distante da que seria alcançada na forma tradicional, ou seja, na tevê aberta - por sinal, diga-se, não tão chamativa no que tange a programas políticos. No mesmo passo, o conteúdo do pronunciamento nos pareceu adequado).
Instado a se manifestar sobre a pancadaria em Curitiba, (Aécio) foi sucinto. “Nós lamentamos profundamente”, disse. “Nada do que aconteceu em Curitiba deve ser objeto de ironia ou de críticas”.

Era isso? A batalha campal não pode ser criticada ou ironizada? Foi uma indireta a Dilma, que fez uma observação, aliás tímida e superficial, da porradaria.

Quem determina o que pode ser dito? Nenhuma palavra de solidariedade de Aécio a quem apanhou pelas mãos da polícia de um colega de legenda?

Em setembro de 2014, Aécio esteve com Richa em alguns comícios. “Vim buscar no Paraná exemplos de iniciativas para bem governar o Brasil”, discursou. Num evento tucano, ainda cravou: “Da minha geração, Beto Richa é o mais bem preparado homem público”.

Um modelo de gestão fabuloso. Entre outras coisas, os dois têm em comum a faixa etária (ambos nos 50) e o fato de ser membros de uma dinastia política. Richa é o Aécio que venceu as eleições e cujo preço os paranaenses pagam com pitbulls. "

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QUANTO AO MINISTÉRIO PÚBLICO, BETO RICHA E A TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO, CLIQUE AQUI para ler texto escrito por Eduardo Guimarães.

ECOS DE CURITIBA


Mariano.

MUDANÇA CLIMÁTICA, NOVA DIREÇÃO


Waldez.

PETROBRAS CULTURAL E O PEDIDO DE SOCORRO DA SERRA DA CAPIVARA


As pedras no caminho da Pedra Furada

Por Daniel Afonso da Silva

Deu no Le monde (29/04/2015): as investigações de corrupção no interior da Petrobras afetam os decisivos investimentos do Petrobras Cultural na Serra da Capivara. Precisa dar na consciência de todos os brasileiros: essa é mais uma pedra no caminho da preservação do parque arqueológico dos mais importantes do mundo.

Quem vai ao site da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), que gere o parque, encontra na portada o anúncio “Pinturas rupestres milenares. Não as deixe apagar. Ajude o parque”.

Quem acessa a Roda Viva edição de 29.09.2014, com Niède Guidon, da TV Cultura, com a arqueóloga diretora-presidente da Fundação, assiste a explícito, digno mas quase desesperado, pedido de socorro. A Serra da Capivara, que aloja, entre outras preciosidades, a Pedra Furada, clama por atenção.

No relato de Guidon, o parque sofre restrições orçamentárias desde sempre. Mas desde 2002 a situação vem deteriorando. A partir de 2010 o deterioro foi acelerado. Em 2015, no torvelinho da crise com a Petrobras, o parque recebe mais um golpe. De golpe em golpe corre-se o risco de não tardar a não sobrar pedra sobre as pedras do parque.

Muito falado, mas pouco conhecido do público brasileiro – como de resto a maior parte de nossos patrimônios materiais, culturais e artísticos –, o Parque Nacional da Serra da Capivara, no interior do Piauí, nas proximidades de São Raimundo Nonato, contém os mais preciosos resquícios da pré-história americana. Sua descoberta se deveu aos esforços de Niède Guidon.

A senhora Guidon é, na origem, meso brasileira e meso francesa. Seu pai, francês radicado no Brasil, era importador de vinhos e exportador de café. Sua mãe, de ascendência indígena, procedia da tribo dos caingangues. Dessa união Niède Guidon nascera em Jaú-SP, em meados de março de 1933.

Formada em arqueologia pela Universidade de São Paulo, ela trabalhava no Museu Paulista pelos idos de 1963 quando recebeu a visita de alguém do Piauí comunicando a existência de pinturas rupestres no interior daquele estado. Intrigada com o informe, não tardou decidir ir averiguar. São Paulo rumo ao Piauí, no caminho encontrou ruída uma ponte sobre o rio São Francisco. Isso a obrigou ao aborto da expedição.

Nos meses que seguiram, findou o ano. Veio 1964. Com ele, golpe civil-militar.

Niède Guidon foi hostilizada. Era tida como comunista. Sua escolha foi o exílio na França, em Paris, onde seria integrada como professora na prestigiosa École des hautes études en sciences sociales.

De volta ao Brasil em 1973 em missão de estudos, ela finalmente acede o interior do Piauí. Encontra a Toca do Boqueirão. Descobre a Pedra Furada. Recolhe amostras. Envia a um laboratório francês. Precisamente o da cidade de Gif-sur-Yvette.  Para a surpresa de todos, a datação dos fragmentos indica mais de 18.000 anos BP, before present. Outros extratos indicariam datação de 32.000 BP sobre o carbono 14.

Essas constatações puseram ainda mais em questão a teoria de Clovis, do estreito de Bering, sobre as origens do homem americano.

De retorno a Paris, Niède Guidon convence as autoridades francesas da importância de seus achados em solo brasileiro. Em 1978, sob apoio e financiamento do Quai d’Orsay, ministério de assuntos estrangeiros francês, ela vai ao Piauí com uma equipe multidisciplinar. Suas descobertas e comprovações lançariam as bases para a criação, no ano seguinte, 1979, do Parque Nacional da Serra da Capivara.

Em 1991 ele seria tornado patrimônio mundial da UNESCO.

Desde 1992 Niède Guidon se mudou em definitivo para o Piauí.

Desde então ela intenta a construção de um aeroporto internacional às proximidades para facilitação do acesso de turistas nacionais e internacionais. Desde então ela intenta angariar recursos para a melhor manutenção e preservação do parque.  Desde então ela intenta mostrar o Brasil aos brasileiros. Pouco ou nada desse Brasil os brasileiros parecem querer ver.

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Daniel Afonso da Silva é pesquisador no Ceri-Sciences Po de Paris. (Fonte: Jornal GGN).

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O aeroporto internacional de São Raimundo Nonato (PI), que facilitará o acesso de turistas à Serra da Capivara, já está praticamente concluído pelos governos estadual e federal, que despenderam cerca de R$ 20 milhões, e só a burocracia está a entravar sua normal operacionalização - conforme se pode ver aqui.

Quanto ao apoio da Petrobras Cultural, abre-se a perspectiva de que a situação melhore, com o início da superação dos problemas decorrentes dos golpes aplicados contra a companhia por ex-dirigentes corruptos.

ENTREMENTES, NO CARIBE...

                      "Cuba está ficando novamente interessante."

Rainer Hachfeld.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

CENAS QUE OS TERCEIRIZANTES GOSTARIAM DE VER (II)


Dálcio Machado.

CENAS QUE OS TERCEIRIZANTES GOSTARIAM DE VER


Alex Ponciano.

O QUE VAI PELO MPF E MÍDIA


Na Época, o alto custo da politização do Ministério Público Federal

Por Luis Nassif

Não há mais limites para a politização do Ministério Público Federal.

A denúncia da Procuradoria da República do Distrito Federal contra a Odebrecht e Lula, por suas ações para conquistar mercados em países emergentes, é um dos capítulos mais graves da atuação política do órgão (http://migre.me/pGGtG).

Desde o início dos anos 90, obras de construtoras brasileiras no exterior foram enquadradas na categoria “exportação de serviços”, tendo acesso a linhas de financiamento do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

Já em 2003, o banco contava com um departamento especializado em América do Sul, com US$ 2,6 bilhões de projetos em carteira.

Junto com as obras vão equipamentos brasileiros, insumos brasileiros e, frequentemente, trabalhadores brasileiros.

Reconhecendo que as características da venda de serviços são similares a de exportação de produtos, houve enquadramento no PROEX (Programa de Financiamento às Exportações).

Em 15 de outubro de 2014, a Época Negócios exaltava a estratégia de internacionalização das empresas brasileiras (http://migre.me/pGFJi) a partir de estudos da Fundação Dom Cabral.

A conclusão do estudo foi a de  que o melhor mercado para as multi brasileiras são países em desenvolvimento:  "Como as empresas brasileiras inovam mais em processos, acabam se dando melhor em países não desenvolvidos, porque sabem lidar melhor com instituições desestruturadas".

E qual a razão da melhor competitividade das empresas brasileiras?

“Nesse sentido, o estudo mostra que os brasileiros têm conseguido muita "aceitabilidade" e lidam melhor que os norte-americanos, por exemplo, com a diversidade cultural de outros países. "Ao invés de chegar e sobrepor a sua cultura àquele país, a maioria das empresas brasileiras adaptam processos, produtos e culturas aos do anfitrião".

A primeira colocada no ranking da Dom Cabral foi a Construtora Norberto Odebrecht (http://migre.me/pGFQN), com um índice de internacionalização de 54,9%.

A ascensão das multinacionais brasileiras foi um feito celebrado por todas as escolas de administração. Em 2005 a revista Forbes passou a incluir empresas de países emergentes entre as 500 maiores do mundo. Esse mesmo mapeamento passou a ser feito pela Boston Consulting, que incluiu 14 empresas brasileiras na lista dos “100 maiores desafiantes globais” (http://migre.me/pGG0i).
No ranking da Dom Cabral. A Odebrecht aparecia em 28 países do mundo.

As suspeitas do MPF
Saindo do governo, através do Instituto Lula, o ex-presidente focou sua atividade internacional na África. Da mesma maneira que a Fundação Clinton, do qual FHC é membro. E a o soft power brasileiro – cuja maior expressão é a imagem pública de Lula no mundo – foi utilizada para enfrentar a invasão chinesa na África e em outros países do terceiro mundo.

De repente, o que era uma estratégia brasileira vitoriosa, nos olhos da inacreditável Procuradoria da República do Distrito Federal – e da inacreditável revista Época – torna-se objeto de inquérito.

Trechos da reportagem da revista Época sobre as investigações do Ministério Público Federal de Brasília a respeito das viagens de Lula e dos negócios da Odebrecht em outros países.

As suspeitas são de superfaturamento de obras... em outros países.

Um resumo das denúncias:

1.     A Odebrecht venceu uma licitação para obras na República Dominicana, usinas termelétricas em Pinta Catalina no valor de US$ 2 bilhões. “Suspeita do Ministério Público”, segundo a revista: superfaturamento da obra (na República Dominicana) porque o valor proposto pela Odebrecht seria o dobro da segunda colocada. O MPF acolhe denúncia do grupo chinês que perdeu a disputa.

2.     Obra da Odebrechet em Gana, logo após a visita de Lula: construção de corredor rodoviário no valor de US$ 290 milhões. A “suspeita” do MPF é que, quatro meses após a visita de Lula, a Odebrecht fechou o contrato.

A maior empreiteira brasileira, a mais internacionalizada, a maior cliente do BNDES no setor, com obras em 28 países, é colocada sob suspeita devido a duas obras em pequenos países de terceiro mundo.

Entre 2009 e 2014, a construtora fechou 35 contratos com o BNDES, para financiar obras de infraestrutura em outros países, Angola, Argentina, Cuba, Equador, Venezuela e República Dominicana, construindo aeroportos, rodovias, linhas de transmissão, hidrelétricas, gasodutos, metrôs, portos (http://migre.me/pGGeH).  E 32 desses contratos firmados com governos nacionais, que são os entes responsáveis pelas obras de infraestrutura.

Nesse oceano de contratos, o Ministério Público Federal do Distrito Federal levantou um caso – o fato da construtora ter obtido uma obra em Gana após a visita de Lula – e transforma-o em algo suspeito.

Há uma disputa insana entre as construtoras brasileiras e as chinesas pelo mercado da África. As chinesas são acusadas até de levar empregados chineses, abrigados em containers de navios, quase como mão de obra escrava. Têm a facilidade de estruturar financiamentos de forma rápida, em condições mais vantajosas.

Para tentar competir, o BNDES estruturou carteiras de financiamento (http://migre.me/pGGjE) e as empresas brasileiras passaram a oferecer treinamento e utilização da mão de obra local como contrapartida.

Estudos da Ernest & Young situaram a África como o mercado mais promissor para as multinacionais brasileiras, segundo matéria do Estadão (http://migre.me/pGGmv):

“A África é, ao lado da América Latina, o principal vetor da expansão internacional de grupos brasileiros. Segundo um estudo da Ernst & Young, embora o Brasil só participe com 0,6% do total dos investimentos estrangeiros nos 54 países africanos, a expansão nos últimos cinco anos tem acompanhado de perto o ritmo chinês. Desde 2007, a atividade brasileira cresceu 10,7% ao ano na África, enquanto a chinesa subiu 11,7%.

Junto com o direito de explorar os recursos naturais do continente vem a obrigação de realizar obras de infraestrutura para os governos - o que abre um mercado cativo para as empreiteiras. Não é por acaso que Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht estão entre os grupos brasileiros mais bem conectados no continente”.

É hora de clarear esse jogo. É extremamente alto o custo da politização do Ministério Público e a falta de responsabilidade da mídia.

O Procurador Geral Rodrigo Janot precisa sair de sua zona de conforto, esquecer o show midiático, e garantir um mínimo de seriedade e responsabilidade institucional no órgão que comanda. (Fonte: aqui).

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Dica de leitura: "Lula, no ato do 1º de maio: 'vou desafiar os que não se conformam com a democracia' ", no site do Instituto Lula.

Vale a pena ler os comentários suscitados pelo artigo acima.

TERREMOTO GLOBAL


Pavel Constantin. (Romênia).

A RODA DA FORTUNA, SEGUNDO ZECA BALEIRO


O ex-comunista

Por Zeca Baleiro

São os pobres que fazem a roda do capital girar. Onde há pobreza há desejo. Onde há desejo há consumo
....
 
– O mundo precisa dos pobres. Demorei a en­ten­der isso, mas agora sei: o mundo sem pobres é inconcebível. Aquela frase dita assim, de chofre, no meio de uma conversa informal, me chocou, confesso.
– Por muito tempo algumas pessoas lutaram pelo fim da pobreza. Eu próprio fui um deles. Mas agora entendo que a pobreza é necessária ao equilíbrio do planeta – ele continuou.
– Equilíbrio? Como assim?
– Imagine um mundo só de ricos... Um mundo em que ninguém precise de nada, que seja autossuficiente e abastado...
– Hmmm...
– Viu? Você nem consegue imaginar, porque é mesmo impossível. São esses pobres que sustentam o capitalismo, não os ricos. São os pobres que fazem a roda do capital girar. Onde há pobreza há desejo. Onde há desejo há consumo. Se as pessoas consomem, a rede da economia gira, entende?
Eu permanecia mudo. Embora reconhecesse que havia algo de tecnicamente correto naquele raciocínio, sua fala me soava demasiadamente cínica. Prosseguiu em sua teoria.
– Quem são os maiores vendedores de discos?
– Os artistas populares, imagino – falei.
– Pois é, artistas populares, aqueles que são ouvidos pelos pobres, certo?
– Acho que sim.
– Quais as lojas com maior receita? As lojas que vendem artigos populares, certo?
– Acho que sim também, não sei...
– Eu sei, vai por mim. Melhor ter um boteco em Pirituba do que uma loja de chapéus de grife no shopping Iguatemi. O custo/benefício é mais vantajoso.
– Nunca parei pra pensar nisso.
– Rico não consome porque tem um desejo genuíno ou uma necessidade vital. Rico consome pelo glamour, porque quer ser visto com o barco, o carro novo, a casa projetada pelo arquiteto hype... Pobre não. Pobre faz seu “puxadinho”, ergue sua laje e fica feliz da vida, porque ainda que se orgulhe em mostrar pro vizinho, não o fez só por isso. Fez porque tinha a real necessidade daquilo. E quem precisa fazer faz. Quem precisa comprar compra.
– Mas o capital está nas mãos dos ricos.
– Sim, mas foi ganho à custa de pobres, não de outros ricos.
– Sim, mas há serviços que pobres não consomem, apenas ricos.
– Sim, há. Mas nenhuma fortuna é erguida sem a participação dos pobres.
– Como assim?
– Tá vendo aquele condomínio de luxo? Imagina quantos pobres trabalharam para erguê-lo? E quantos outros agora trabalham para mantê-lo funcionando?
– Não sei.
– Muitos, acredite. Tá vendo aquele shopping acolá? Entre e faça uma enquete. Aposto que há mais pobres ­circulando por lá do que ricos.
– Mas...
– Acredite no que tô falando. Dinheiro para o rico é esporte. Para o pobre é paixão.
 
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Texto originalmente publicado na revista IstoÉ - aqui -, com a qual Zeca Baleiro colaborou durante alguns anos. A matéria me foi enviada pelo consagrado Netto, ilustrador e caricaturista de alto nível, residente em Curitiba e natural de nosso aguerrido Piauí.

DIA DO TRABALHO


Petar Pismestrovic.

DIA DO TRABALHO


Bira Dantas.

O DRAMA DE FICAR SEM TRABALHO


""São poucas as coisas que efetivamente sabemos sobre os efeitos que produz um ajuste fiscal. A primeira é que eles sempre afetam o nível do PIB e distribuem os custos de forma desigual entre os trabalhadores, os empresários do setor real e os intermediários financeiros". (Antonio Delfim Netto, na Folha).

Ainda bem que nunca passei por isso, graças a Deus. Nos meus 51 anos de carreira como jornalista, nunca fui demitido nem fiquei um dia sem trabalho. Sou um caso cada vez mais raro, eu sei.

Os números negativos divulgados pelo IBGE nesta terça-feira sobre aumento de desemprego e queda na renda dos trabalhadores no primeiro trimestre escondem dramas pessoais e familiares dolorosos que vão muito além das dificuldades financeiras momentâneas. Este é o lado mais desumano e injusto dos efeitos causados pela crise econômica.

Ficar sem trabalho mexe com a autoestima, altera a rotina das famílias, leva-as a refazer ou cancelar planos, a adaptar-se rapidamente a uma nova e cruel realidade que não tem prazo para acabar.

É uma bola de neve que começa nas casas e vai atingindo o comércio da vizinhança, os prestadores de serviços, os fornecedores das indústrias, as lotéricas, o vendedor de milho cozido, até chegar à próxima projeção do PIB.

Não tem outro jeito: quem fica sem salário no fim do mês precisa rapidamente decidir quais despesas podem ser cortadas e buscar outras fontes alternativas de renda, pois este é o único caminho possível nesta hora.

Enfrentar os custos desiguais de um ajuste fiscal, como ensina o professor Delfim, torna-se um desafio para 1,5 milhão de brasileiros sem trabalho, que poderiam lotar 20 Maracanãs, um número que vem crescendo de um mês para outro este ano.

Cabe ao governo federal, claro, utilizar todos os instrumentos para cortar as próprias despesas, melhorar as receitas e redirecionar os investimentos, contemplando setores capazes de gerar empregos a curto prazo e em larga escala.

Por exemplo: destinar mais financiamentos do BNDES a pequenas e médias empresas, e não só para grandes grupos econômicos. No macro e no micro, é preciso mudar prioridades - nos governos, nas empresas e nas famílias, ter a coragem de abrir mão de alguns confortos e certezas, mudar os hábitos dos tempos de fartura.

Embora ainda não tenha acontecido comigo, a experiência de muitos amigos e parentes que já passaram por isso nos mostra que ficar sem trabalho e renda de um dia para outro passa por dois momentos distintos.

O primeiro, após o choque, mobiliza a solidariedade da família e dos amigos para ajudar quem ficou nesta situação, mas isso sempre tem um limite para quem vive só do seu trabalho e não tem outras rendas, como é o caso da maioria dos brasileiros assalariados.

Caso esta situação se prolongue - e nada indica no atual cenário da economia brasileira melhora a curto prazo - a questão deixa de ser só financeira e abala a autoconfiança do cidadão desempregado, que pode se achar culpado pelas dificuldades que enfrenta e fica com vergonha de pedir ajuda.

Este é o momento mais difícil. O desempregado precisa estar aberto a mudar de cargo ou função, aceitar ganhar menos e trabalhar mais, o que nunca é fácil para ninguém. A melhor forma de entender o que está acontecendo por trás dos números da economia é se colocar no lugar do outro, mas só a compaixão não resolve.

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A fome tem nome

Em maio de 1984, no final do governo de José Sarney, quando vivíamos dificuldades análogas às atuais, os editores da Folha me pediram para fazer uma reportagem sobre desemprego que não se limitasse a teses e estatísticas mas mostrasse o dia-a-dia de uma família em que o marido e a mulher estavam desempregados. Reproduzo abaixo um trecho da matéria publicada no meu livro A Prática da Reportagem (Editora Ática, 1985):

A família Lima mora na favela Cinco de Julho, em São Mateus, a meia hora de carro do centro de São Paulo. É aqui, nesta casa de dois cômodos, escura mesmo de dia, sem água há meses por falta de pagamento, sem gás para o fogão por falta de dinheiro, que terminam todas as histórias de recessão, desindexação, carta de intenções com o FMI, reaquecimento da economia, balanço de pagamentos, recorde de exportações, inflação, nível de emprego, e tudo o mais que a família Lima pode não entender direito, mas sofre na carne.

Há quatro meses, a família Lima passa fome, literalmente. A mulher, Ana Maria Rocha de Lima, 34 anos, está desempregada desde outubro do ano passado. Em dezembro, chegaria a vez do seu marido, José Luis Souza Lima, 38 anos, paulista de Cravinhos, laminador de fibras de vidro.

"Se trabalhando já estava difícil, imagina agora", diz Ana Maria.

Como é ter fome, o que você sente quando quer comer e não tem nada em casa?, pergunto à filha deles. Envergonhada como o pai, Claudilene, de 8 anos, fala baixinho:

"Eu fico quieta. Quando dá fome, eu sinto tontura...".

A mãe ouve e começa a chorar, o pai vira o rosto e fica olhando para o vazio. "Pior é a Claudinéia... Quando chega uma certa hora e ela vê que ninguém vai para o fogão, não vê panela, senta ali naquela cadeira e chora, e chora. Tem vez que vou pedir ajuda pros vizinhos. Sempre tem aquele que tem um pouco mais e reparte. Um dia ou outro já dá pra fazer isso, mas todo dia não dá, porque eu sei que todo mundo tá com a vida dura também".

Qual seria o grande sonho dessa família, o que eles fariam com o dinheiro, se amanhã, por uma bondade do destino e dos tutores da Nação, José Luis e Ana Maria arrumassem um emprego? A pequena Claudilene responde antes dos pais:

"A gente comprava bastante comida, né mãe?..." "






(De Ricardo Kotscho, em seu blog, post intitulado "O drama de ficar sem trabalho por trás dos números" - aqui.

Que o Brasil consiga reverter o quanto antes a tendência negativa da geração de empregos).

BARBÁRIE E RETÓRICA NO PARANÁ


Não houve "confronto" no Paraná, mas repressão e violência gratuita

Por Leonardo Sakamoto

O uso de uma palavra nunca é aleatório. Mesmo quando conversamos informalmente com um amigo, a razão de dizermos “casa'' ao invés de “lar'' ou “residência'', mesmo sem pensar, é um processo elaborado de nosso inconsciente que diz muito sobre quem nós somos, nossa história e nosso lugar de fala. E o que fica de fora, o que é interditado, diz mais ainda.

No jornalismo, então, a preocupação deve ser redobrada. Palavras não são apenas palavras. O processo de nomear os fatos dá cor, tom e sentido à nossa realidade e constrói a história do cotidiano.

Não se engane: a Verdade não está aí fora para ser capturada por olhos de sábios comunicadores e traduzida para o restante da população. Mas é o discurso, construído sob determinado ponto de vista, que define as “verdades''.

Ao escolher afirmar que sem-teto ou sem-terra “invadiram'' e não “ocuparam'' um imóvel deixado vazio pela especulação imobiliária, fazemos uma opção: que, neste contexto, significa defender o direito absoluto à propriedade e não relativizá-lo com os direitos à moradia, à alimentação ou ao trabalho decente. Todos os quatro, direitos humanos.

Da mesma forma, escolher a palavra “confronto'' para narrar a ignomínia cometida sobre os manifestantes, nesta quarta (29), no centro de Curitiba, não é contar uma Verdade, mas sim fazer uma escolha – consciente, inconsciente ou guiada por manuais de redação. Escolha, ao meu ver, e com todo o respeito, equivocada.

Pois confronto pressupõe que houvesse mínima paridade entre as forças envolvidas. Pelo armamento dos policiais (bombas de fragmentação, spray de pimenta, gás lacrimogênio, balas de borracha) e a desproporcionalidade no número (seriam 20 PMs – número do governo, portanto, a conferir, e 150 civis, de acordo com a prefeitura, que acolheu feridos – que podem ser ainda mais) e na gravidade dos ferimentos (basta ver as imagens circulando na rede), a tradução do que houve está mais para “ataque policial'', “violência arbitrária'', “agressão gratuita'', “repressão violenta''.

Isso se não quiser usar “covardia'', “massacre'' ou “estupidez''. Quiçá, “crime''.

Mesmo que a polícia tivesse sido atacada primeiro, o que, ao que tudo indica, não foi o caso, ela teria que adotar métodos para permanecer calma e não revidar. Não só por estar mais armada, mas porque sua função principal não é proteger prédios públicos, ainda mais de seus reais proprietários, o povo do Paraná, mas garantir a dignidade e a integridade desse povo.

Entendo a necessidade de buscar um relato ponderado, com o maior número possível de pontos de vista, equilibrando-os. Mas, às vezes, é mais importante ser transparente e mostrar o que estava para ser visto: que um dos lados apanhou e outro bateu e não que os dois estavam em condições de igualdade, como pressupõe, para muitas pessoas, “confronto''.

O mundo é repleto de palavras grávidas de significados. O problema é que elas podem parir um debate público que aponte, julgue e puna os responsáveis por tanto sangue derramado ou gerar um monstro, que servirá para manter a injustiça social como amálgama que nos une e nos define. (Fonte: aqui).

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A polícia paranaense contesta todas as acusações e tenta conferir ares de seriedade a um argumento patético: Reação desproporcional não existiu; teria havido se a PM tivesse revidado com arma letal!