terça-feira, 6 de janeiro de 2015

PIKETTY E A LEGIÃO DE HONRA


Piketty e a Legião de Honra

Por Paulo Gurgel

O economista francês Thomas Piketty (foto), autor do livro "O Capital no Século 21", rejeitou nesta quinta-feira a nomeação para a mais alta distinção de seu país, a de cavaleiro da Legião de Honra (Legion D'Honneur).

Piketty, de 42 anos, é professor na Escola de Economia de Paris. A tese central de seu festejado livro — cujo título é uma alusão a "O Capital", de Karl Marx — é que a desigualdade não é um acidente, mas uma característica do capitalismo e os excessos só podem ser alterados por meio da intervenção estatal.

"Eu recuso esta nomeação porque eu acho que não é papel de um governo decidir quem é honrado”, justificou ele à agência de notícias France Presse.

Para ele, o governo francês"faria bem em se concentrar em estimular o crescimento da França e da Europa", em vez de distribuir essas premiações. A condecoração foi concedida a um total de 691 pessoas, que tiveram os nomes publicados no Diário Oficial francês desta quinta-feira.

Outras personalidades, como Pierre e Marie Currie, Claude Monet, Albert Camus, Brigitte Bardot, Jean-Paul Sartre e Jacques Tardi, também dispensaram o prêmio, por razões diversas.

Criada por Napoleão Bonaparte, em 1802, a Legião de Honra atualmente conta com 92.000 membros condecorados por seus "méritos a serviço da França", a título civil ou militar. (Fonte: aqui).

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Thomas Piketty com certeza aplaudiria a regulamentação e acionamento do artigo de nossa Constituição Federal relativo ao imposto sobre grandes fortunas - eis uma das inúmeras razões pelas quais economistas, analistas e muitas outras celebridades tupiniquins fazem vista grossa e ouvidos moucos a seus argumentos.

BIKE UP


Angel Boligan.

BIKE UP


Angel Boligan.

VOLTANDO AO STF E À TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO


"O STF fez uma utilização própria do domínio do fato, usurpou o nome da teoria e aplicou outra coisa"

Por Paulo Ferracioni

A teoria do domínio do fato, de criação do professor alemão Claus Roxin, foi mal aplicada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na visão de Alaor Leite. O penalista, que é orientando de doutorado de Roxin, acredita ainda que essa interpretação errônea possa ser adotada pelos outros tribunais do país e leve à predominância dessa visão deturpada do domínio do fato. As críticas de Leite também se dirigem à comissão de reforma do Código Penal, que teriam ignorado as contribuições que a doutrina teria apresentado. Em entrevista ao Justiça&Direito, Leite comentou também sobre a possibilidade de um penalista ser indicado como ministro do STF para a vaga deixada por Joaquim Barbosa.

A interpretação que o STF deu à teoria do domínio do fato contribuiu para o seu entendimento?
Não contribuiu para o entendimento correto dessa teoria, mas contribuiu para que o domínio do fato entrasse na pauta de discussões. Não é uma teoria inventada pelo STF e também não é nova. Quando o STF veio e resolveu decidir o caso do mensalão fazendo uso dela, ele tinha um sem número de artigos e considerações sobre sua aplicação. Mas o Supremo fez uma utilização própria do domínio do fato, usurpou o nome e aplicou outra coisa. Como o tribunal é nossa mais alta corte e, nesse caso, por se tratar de acusados de repercussão política enorme, é claro que essa discussão fez o tema entrar em pauta, mas não contribuiu nem para o esclarecimento do meio jurídico nem para a população. Foi muito confusa do ponto de vista técnico.

Em quais pontos o STF divergiu da correta aplicação da teoria do domínio do fato?
Ela nasceu com um propósito bem modesto: distinguir quem é autor e quem é partícipe de um delito. Quando o STF fez uso, ele o fez com outra finalidade. Não havia preocupação em distinguir autor e partícipe, mas sim em fundamentar a responsabilidade de pessoas em posições de comando dentro de hierarquias. O problema do Supremo era a ausência de prova em relação a ações e omissões concretas de pessoas da cúpula diretiva. O STF se viu numa situação de estado de necessidade probatório e lançou mão da teoria do domínio do fato para suprir essa lacuna. Não foi para isso que a teoria foi criada. Ela pode conduzir a essas responsabilidades, mas não é sua finalidade primária. Houve também uma confusão com outras formas de responsabilização legítimas. O STF poderia ter responsabilizado essas pessoas com outras categorias do direito penal, não era necessário o uso da teoria do domínio do fato. Os erros que o STF cometeu partem de uma certa incompreensão do sistema de autoria e participação que deve viger no direito penal brasileiro, que não é igual ao direito penal alemão, que é o contexto no qual o domínio do fato foi criado.

Os erros quanto à aplicação dessa teoria estão presentes em outros tribunais do Brasil?
A confusão feita pelo STF não foi privilégio dele. A jurisprudência brasileira de outros tribunais já vinha aplicando a teoria de forma um tanto equivocada. O que a Ação Penal 470 fez foi escancarar um problema, o mau uso da teoria. Quando uma corte constitucional erra, o erro é mais grave do que o de um tribunal ou de um juiz. O erro do STF não foi um erro novo. É um erro que já vinha tomando conta e que foi consagrado e consolidado na Ação Penal 470. O perigo é que a jurisprudência se sinta segura em reproduzir esses erros chancelados pelo STF. Daí a necessidade de que a ciência brasileira se posicione e faça uma crítica cuidadosa a essas decisões judiciais.

O STF precisa ter um criminalista na sua composição?
Há ministros no STF que entendem de direito penal, mas não há na composição atual um ministro com uma carreira dedicada exclusivamente ao direito penal. Como há 11 ministros, é natural e interessante que a composição seja heterogênea, e, se há uma lacuna, ela diz respeito ao direito penal. O que não pode ser esquecido é que o STF é uma corte constitucional. O julgamento do mensalão é na verdade uma patologia do sistema jurídico brasileiro, que permite que por competência originária cheguem ao STF ações penais. Isso é um desvio de finalidade e de foco da corte constitucional. Como essas ações existem, é importante que haja um penalista no STF. Há muito tempo há esse pedido, não ocorreu só por causa do mensalão. Como agora tudo ficou mais evidente, os órgãos de classe propuseram nomes concretos e enviaram listas para que a presidente da República indicasse um deles.

A comissão de reforma do Código Penal não olhou para a produção doutrinária em direito penal?
Esse projeto que está em curso ignora a ciência desde o começo e mesmo depois de dois anos de debates e seminários. Essa reforma é à margem da ciência e é orientada por interesses meramente práticos. O grande equívoco é que ele se propõe a reformar também a Parte Geral do código, que é um assunto eminentemente técnico. A parte geral do direito penal não está à disposição de políticas eficientistas dos parlamentares. Quando essa reforma se propõe a fazer uma alteração global do Código Penal a despeito da ciência brasileira, esse é o pecado original da reforma. E um pecado que se perpetuou. A reforma começou sem alarde. Quando saiu o primeiro relatório e todo mundo se espantou, a crítica científica produziu artigos muito agressivos contra a reforma. Esperava-se que depois daquilo houvesse chance de diálogo, mas não houve. Como a ciência não foi convidada para participar, é natural que ela se posicione da única forma que a ciência pode atuar: escrevendo artigos, debatendo. São dois anos de críticas científicas ignoradas.

Por que a Parte Geral do Código Penal não precisa ser alterada?
Não é o momento de reformar esse coração do Código Penal. Por alguns motivos. O primeiro é que a reforma de 1984 é recente. Para a vida de um código, 30 anos não é nada. O coração do direito penal não é produto do legislador, é produto de uma interação entre legislador, ciência e jurisprudência. É necessário que o código que entre em vigor seja debatido e comentado pela ciência, ganhe a prática judiciária por meio das decisões em um movimento dialógico composto por esses três grandes grupos. Há problemas na Parte Geral, mas são superáveis por meio dos estudos científicos e da interpretação judicial. Não acho que seja necessária uma intervenção grave e ampla do legislador nessa parte do código, ainda é cedo. O discurso que foi feito de que é um código defasado e incompatível com a realidade é um discurso que talvez tenha aplicação na Parte Especial ou na Lei de Execução Penal, que estão mais sujeitas às circunstâncias empíricas, como superlotação carcerária, excesso de presos provisórios. São problemas que mudam rapidamente, e nesses aspectos pode ser que haja necessidade de reforma.

A Parte Especial tem uma tendência descriminalizadora?
A solução do aborto, chamada de solução da indicação, que permite em alguns casos o aborto até a 12.ª semana já não consta no substitutivo do código. A descriminalização da posse de drogas para uso pessoal que foi proposta no primeiro relatório também não consta mais. A própria reforma se confunde, é uma colcha de retalhos que muda conforme as circunstâncias. Houve uma tendência descriminalizadora nesse setor, mas criminalizadora em outros. O mesmo legislador que queria descriminalizar em um primeiro momento a posse de drogas para uso pessoal criminalizou o bullying, o mobbing, condutas modernas que não têm conteúdo de injusto penal e passariam a ser criminalizadas de forma inovadora. Não havia nem no começo uma tendência, nem há agora.

Na jurisprudência, o garantismo é tão valorizado quanto na universidade?
O termo garantismo penal é pouco preciso teoricamente. Com a utilização excessiva do termo garantismo, ele perdeu um pouco seu conteúdo semântico e foi utilizado de uma forma para o qual não foi pensado. A teoria do garantismo penal é de um professor italiano, Luigi Ferrajoli. Mas a utilização do termo já se desgarrou da obra do Ferrajoli e se tornou um termo pejorativo. Quando há manifestações de que tal pessoa é muito garantista, há um sentido que não é técnico. Não dá para dizer se a jurisprudência brasileira é garantista ou não porque não se sabe o que é ser garantista. Em um país que tem uma Constituição da República democrática, o que se espera do juiz não é que seja garantista, mas que respeite a Constituição. E só. É preciso abrir mão desses slogans que povoam os discursos jurídicos e jornalísticos e focar no essencial. O termo garantismo não faria falta a ninguém.

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Alaor Leite é doutorando e mestre em Direito pela Universidade Ludwig-Maximilian, de Munique. Graduado em direito pela Faculdade de Direito de Curitiba. - (Fonte: aqui).

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A cada dia se consolida a impressão manifestada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF, acerca da Ação Penal 470: Um ponto fora da curva.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

CERTAS LEITURAS


Rico.

CARTUM DISCURSIVO


Pavel Constantin. (Romênia).

A FESTA DA POSSE E A ATUAÇÃO DA IMPRENSA


A posse de Dilma Rousseff e as contradições da imprensa livre

Por Fábio de Oliveira Ribeiro

A posse da presidenta reeleita conseguiu aprofundar a distância entre a maioria do povo brasileiro e a imprensa que supostamente tem a missão civilizatória de construir uma representação do país para si mesmo. O espetáculo de barbárie dado pelos telejornalistas durante a posse de Dilma foi evidente e ridículo.

Dilma Rousseff foi eleita por maioria de votos em eleições consideradas legítimas pela Justiça Eleitoral. Mesmo assim foi tratada pela maioria dos veículos de comunicação como se fosse uma ladra que se apossou daquilo que pertencia a outra pessoa.

O partidarismo da mídia, que se manifestou durante as eleições, foi o único fato desagradável durante a posse da presidenta. Tudo o mais correu segundo previsto pelo cerimonial. O povo foi às ruas de Brasília comemorar o evento. As Forças Armadas demonstraram sua fidelidade à CF/88. A presidenta foi prestigiada pelos representantes dos Estados com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas e comerciais. Nenhum incidente grave ocorreu. Dilma Rousseff não declarou uma guerra injusta como Bush Jr., não quebrou a economia brasileira três vezes como FHC, não mandou espancar jornalistas como Costa e Silva e mesmo assim a imprensa a cobriu de lama ao noticiar sua posse.

As imagens geradas pelas redes de TV não se ajustaram ao discurso irracional elaborado pelos telejornalistas e comentaristas de TV para “enquadrar” o episódio. Por isto, após escutar várias atrocidades que não vou me dar ao trabalho de reproduzir aqui resolvi ver a posse de Dilma Rousseff sem som. Só aumentei o volume da televisão durante o discurso da presidenta.

Hoje pela manhã, refletindo sobre as contradições da posse da presidenta, uma pergunta incômoda me ocorreu: Uma imprensa irrelevante e livre é pior do que uma imprensa submetida a censura?
A censura é uma monstruosidade pública. Mesmo assim permite a construção de algumas virtudes privadas. Para burlar a censura, os jornalista são obrigados a descobrir meios de dizer aquilo que não poderia ser dito. Isto faz com que o discurso jornalístico se torne sofisticado e irônico. Sob intensa pressão os jornalistas são obrigados a correr riscos. As adversidades são capazes de permitir ao público distinguir os corajosos dos covardes. Os jornalistas que adularam os militares durante a Ditadura eram desprezados pelos seus colegas que ajudaram a derrubar o regime e passaram a ocupar merecidas posições de destaque após 1985.

Desde a promulgação da CF/88 a imprensa é livre no Brasil. A censura prévia é proibida. Os conteúdos divulgados podem gerar responsabilidade civil e criminal, mas para que isto ocorra o caso tem que ser submetido ao Judiciário após a circulação da notícia. À empresa de comunicação/jornalista judicialmente acionado são garantidos todos os meios de defesa, provas, prazos e recursos.

Apesar da liberdade que lhe é concedida, a imprensa brasileira se tornou irrelevante. O fenômeno parece estar ligado ao seu partidarismo exacerbado. Durante as quatro últimas eleições, as empresas de comunicação disseram ao povo quem deveria ser eleito e quem não poderia ser votado. O povo também é livre, votou como quis e elegeu presidentes odiados pelos jornalistas. Indignados, eles passaram os quatro anos seguintes construindo a imagem de um candidato de oposição e tentando destruir o presidente eleito. As derrotas seguidas renovaram e amplificaram as frustrações partidárias dos jornalistas e telejornalistas. O resultado pode ser ouvido durante a posse de Dilma Rousseff.

Ontem o Brasil foi apresentado aos brasileiros por jornalistas que se comportaram como se fossem estrangeiros num território inimigo. O discurso bizarro que eles construíram para emoldurar a posse da presidenta eleita foi mais ridículo que o dos jornalistas norte-coreanos durante a reeleição de Bush Jr. e dos American newsboys quando Leonid Brejnev chegou ao poder na URSS. O povo brasileiro não é inimigo da imprensa brasileira, pois de fato não tem qualquer obrigação de votar nos candidatos preferidos pelos jornalistas.

Ao tentar fazer Dilma Rousseff afundar num mar de lama e de corrupção criminosa durante a posse, os jornalistas deixaram bem claro que odeiam a maioria do povo brasileiro que a elegeu. No fundo, muitos deles se comportaram como se as empresas de comunicação fossem a única e verdadeira fonte do poder político. O desprezo dos jornalistas pela soberania popular (fundamento do poder segundo a CF/88) ficou mais do que evidente para mim durante a cerimônia de posse. É neste desprezo que reside um perigo fundamental.

As circunstâncias momentâneas, o método de avaliação do problema, a honestidade intelectual e erudição de quem avalia os dados coletados ou obtidos possibilitam várias respostas para uma mesma pergunta. Uma imprensa irrelevante e livre é pior do que uma imprensa submetida a censura? Neste momento, com os dados que disponho a única resposta que posso dar a esta pergunta é SIM. Afinal, se uma minoria acreditar cegamente nesta imprensa partidarizada e frustrada pode ficar tentada a chegar ao poder pela força bruta desprezando o valor público que fundamenta o poder político atribuído e exercido por Dilma Rousseff.

O Brasil não precisa nem de uma revolução, nem de uma guerra civil. E precisa menos ainda desta imprensa destrutiva e irrelevante. Algo deve ser feito para civilizar os jornalistas brasileiros, para que eles parem de se comportar como estrangeiros hostis em território inimigo. A diversificação pode ser a resposta, mas o estimulo à auto-censura não pode ser descartada. O uso seletivo das verbas públicas de propaganda pode ser a chave para abrir esta outra caixa preta. O lucro fácil garantido às empresas de comunicação pela União, Petrobras, CEF, BB e etc… é a principal fonte da degeneração do discurso jornalístico? Esta, meus caros, é a verdadeira pergunta que o governo Dilma deve responder. (Fonte: aqui).

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Por mais parcial, seletiva e destrutiva que seja a mídia, não há que se falar em censura. O caminho é lutar: (a) pelo cumprimento da determinação da Constituição Federal que proíbe os monopólios/oligopólios midiáticos;  (b) pelo advento de lei contemplando o do direito de resposta de que trata o projeto apresentado pelo senador Roberto Requião, há meses aguardando pauta no Senado.

Uma vez que a mídia brasileira é, na prática, o maior partido político, cumpre cobrar do ministro Gilmar Mendes a devolução do processo relativo à ADIN proposta pela OAB consistente na derrubada do financiamento empresarial de campanhas políticas, a qual se encontra sob vistas do citado ministro desde abril do ano passado, convindo lembrar que o pedido de vistas foi feito quando a votação estava em 6 a 1 (ou seja, 'martelo batido') contra o financiamento empresarial. 

A derrubada do financiamento empresarial de campanhas representará um golpe brutal na corrupção, moralizando razoavelmente o sistema eleitoral e pondo os pingos em vários is - incluindo o i de imprensa...

OLD CHARGE


SamPaulo.  (Jornal Zero Hora, Porto Alegre, campanha eleitoral 1962).

Clique AQUI para ir ao blog do consagrado cartunista gaúcho.

INTERNET GAME


Bruno Aziz.

domingo, 4 de janeiro de 2015

UM ESPALHADOR DE OURO EM PÓ


"Tenho um monte de lembranças dele, algumas tão vívidas que, desconfio, resistirão ao mais roaz Alzheimer - e uma delas me devolve esta cena: cara amarfanhada de quem mal deixara o travesseiro, Geraldo Mayrink entra na redação do jornal e, antes de tomar assento, rosna:

- Ano de merda!

Tantas décadas depois, já não sei dizer se os 365 dias em questão mereceram as cinco letrinhas. Em todo caso, era impossível sabê-lo naquela manhã: o ano mal começara - estávamos ainda nas primeiras horas de um 1º de janeiro. Havia um plantão jornalístico pela frente. Tendo começado assim, com trabalho em pleno feriado, aquele pode mesmo não ter sido um grande ano. E o Mayrink, um cético animado, pouco se enganava em suas avaliações. Até por isso me faz falta o amigo que perdemos em 2009, o que fez desse, seguramente, um ano de merda.

Ele faz falta a todos nós - aos filhos, Gustavo e Marieta, que pouco tempo depois perderam também a mãe, Maria do Carmo; à multidão de seus amigos; ao jornalismo brasileiro, do qual Geraldo Flávio Dutra Mayrink, mineiro de Juiz de Fora com passagem por jornais e revistas de Belo Horizonte, Rio e São Paulo, foi um ponto altíssimo.

Para ter certeza disso, eu nem precisaria ter trabalhado com ele em algumas redações. Era um craque da reportagem e do texto, e essa raridade que é um chefe sem chilique. Perdi a conta do que o Mayrink despretensiosamente me ensinou - e não só no jornalismo. A ele devo também uma leitura fina dos originais de um livro meu, para o qual, de quebra, achou esta maravilha de título: O Desatino da Rapaziada. Lembro-me do susto que levei quando Antonio Fernando De Franceschi (que, como diretor do Instituto Moreira Salles, propusera e bancara o projeto) me passou por telefone as quatro palavrinhas. Em seguida adorei, irreversivelmente. Custei, confesso, a me dar conta de que havia mais ali, um pingo de arte poética: "O Desatino da Rapaziada", reparou Thiago de Mello, "é um decassílabo perfeito!"

Tão rodado quanto o meu amigo, em toda parte conheci excelentes jornalistas. Poucos, no entanto, capazes de produzir matérias alentadas sem um bocado de sofrimento, tantas vezes desproporcional ao resultado. Ou por outra: conheci muitos que escreviam, lampeiros, textos extensos - mas transferindo para o leitor o sofrimento. Se alguém tiver que sofrer, não seja o leitor - e quando percorro a galeria dos que não me pareciam martirizar-se na escreveção jornalística, só encontro dois: o Mayrink e o Decio Bar, também este já desaparecido, dupla sob cujo comando tive o privilégio de trabalhar numa Veja de outros tempos, hoje inimaginável. O batente era pesado, mas, graças à leveza e bonomia de Geraldo Mayrink, passávamos ao largo das neuras que os desavisados podem confundir com competência.

Com o Mayrink trabalhei também na IstoÉ (quase escrevo IstoEra), e, como colaborador, na Goodyear, ótima revista por ele bolada e dirigida, que ironicamente acabaria vítima de seu sucesso: tinha distribuição gratuita e, como havia cada vez mais gente pedindo exemplares, a tiragem foi crescendo - até a fábrica de pneus considerar que a brincadeira ficara cara demais.

Dava gosto escrever na Goodyear, que além do mais conferia visibilidade a seus colaboradores. Nada a ver com as redações daquele tempo, e menos ainda com as de hoje, tristemente desidratadas. Um outro mundo. Dois dias depois de entregar minha primeira matéria, recebi um telefonema - e, paranoico, pensei: pronto, não gostaram. Nada disso: queriam saber por que eu ainda não tinha ido buscar o cheque.

Também na Goodyear deixou Mayrink a marca de seu texto sedutor, alguns deles assinados por Flávio Dutra. É mais que tempo, aliás, de reunir em livro o ouro em pó que seu talento foi aspergindo por aí. Uma pequena parte ele mesmo recolheu em Escuridão ao Meio-Dia e Obrigado pela Lembrança, hoje inencontráveis. Que volte também às livrarias a delícia que é Memorando, dele e de Fernando Moreira Salles, apanhado de lembranças que utilizou a fórmula inaugurada por Joe Brainard em I Remember e retomada por Georges Perec em Je me Souviens. Há muito mais nos arquivos do Jornal do Brasil, Veja, IstoÉ, Playboy, Goodyear - fartura de prazer para o leitor e excelente escola para jornalistas.

Vamos nessa, Marieta e Gustavo Mayrink?"




(De Humberto Werneck, no Estadão, texto intitulado "Um espalhador de ouro em pó", sobre o jornalista e escritor Geraldo Mayrink. Bela homenagem. Fonte: aqui).

CARTUM NONSENSE


Atefe Yariyan. (Irã).

A REGULAÇÃO ECONÔMICA DA MÍDIA


A regulação econômica da mídia e a defesa dos direitos individuais contra os abusos da imprensa são temas relevantes em todos os países democráticos da atualidade.
No entanto, os grupos de mídia conseguiram interditar completamente o debate, escondendo todos os vícios e abusos debaixo do conceito de liberdade de imprensa.
No Mutirão, vamos levantar conteúdo para permitir uma ampliação do debate.
Basta entrar na página, clicar no tipo de conteúdo que pretende colocar: se blog, documento, áudio, vídeo, foto ou link.
O material ficará no Mutirão e também na sua página pessoal. (,,,).

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Clique AQUI para ir ao MUTIRÃO.

COLUNA CHIC


Alô, Chics!

Por Gloria Kalil

Foram bem de fim de ano? Peguei dias lindos e muito calor no interior paulista, felizmente salva de assar ao sol por uma linda piscina refrescante, centro de todas as atividades preguiçosas das férias de Natal.

Li dois livros que me dei de presente antes de viajar sendo que recomendo muitíssimo um deles, o Brilho do Bronze do historiador Boris Fausto, um diário que começa com a morte da mulher com quem viveu por quase 50 anos. Relato civilizado, pungente, engraçado. Uma beleza de livro.

Televisão, vi pouco - mas não perdi a posse, até porque fui localizada por uma jornalista d'O Globo para dar uma avaliação sobre a roupa da presidenta. Gostei; estava bem, leve, discreta e com um  conjunto de saia e blusão atualizado com a moda.

Melhor e mais solta do que no primeiro mandato em que apareceu um pouco tensa num tailleur branco, estruturado, que inibia seus movimentos. Tanto ela, a presidenta, como Marcela Temer, a mulher do vice, escolheram rendas rosadas e beges para a segunda posse. Pontos para as duas.

Quem destoou do acerto neutro do “altar” foi a nova ministra Katia Abreu, ao privilegiar um vestido verde-agricultura só para homenagear a própria pasta. Alguém deveria tê-la lembrado que o dress code não pedia “traje típico”!

Vamos em frente que o ano já começou. Que nos seja leve! (...)." (Fonte: aqui).

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Gloria Kalil é estilista conceituada. Mas, que nada!, o que bombou nas redes foi, mesmo, a expertise de Cora Ronai, colunista de informática d'O Globo (aqui), e Miriam Leitão - idem.

(É fato que o tema não tem relevância, mas é imperioso falar alguma coisa, visto que quaisquer particularidades vêm sendo motivo para críticas e ironias diversas de setores oposicionistas, inconformados com as sucessivas derrotas sofridas e furibundos ante a marcha dos acontecimentos).

UM OLHAR SOBRE O BRASIL


Feliz Ano Novo! O Brasil não é feito só de ladrões

Por Mauro Santayana

Inaugura-se, nesta quinta-feira, novo ano no Calendário Gregoriano, o de número 2015 após o nascimento de Jesus Cristo, 515, depois do Descobrimento, 193, da Independência, e 125, da Proclamação da República.

Tais referências cronológicas ajudam a lembrar que nem o mundo, nem o Brasil, foram feitos em um dia, e que estamos aqui como parte de longo processo histórico que flui em velocidade e forma muitíssimo diferentes daquelas que podem ser apreendidas e entendidas, no plano individual, pela maioria dos cidadãos brasileiros.

Ao longo de todo esse tempo, e mesmo antes do nascimento de Cristo, já existíamos, lutávamos, travávamos batalhas, construíamos barcos e pirâmides, cidades e templos, nações e impérios, observávamos as estrelas, o cair da chuva, o movimento do Sol e da Lua sobre nossas cabeças, e o crescimento das plantas e dos animais.

Em que ponto estamos de nossa História?

Nesta passagem de ano, somos 200 milhões de brasileiros, que, em sua imensa maioria, trabalham, estudam, plantam,  criam, empreendem, realizam, todos os dias.

Nos últimos anos, voltamos a construir navios, hidrelétricas, refinarias, aeroportos, ferrovias, portos, rodovias, hidrovias, e a fazer coisas que nunca fizemos antes, como submarinos - até mesmo atômicos - ou trens de levitação magnética.

Desde 2002, a safra agrícola duplicou - vai bater novo recorde  este ano -  e a produção de automóveis, triplicou.

Há 12 anos, com 500 bilhões de dólares de PIB, devíamos 40 bilhões de dólares ao FMI, tínhamos uma dívida líquida de mais de 50%, e éramos a décima-quarta economia do mundo.

Hoje, com 2 trilhões e 300 bilhões de dólares de PIB, e 370 bilhões de dólares em reservas monetárias,  somos a sétima maior economia do mundo. Com menos de 6% de desemprego, temos uma dívida líquida de 33%, e um salário mínimo, em dólares, mais de três vezes superior ao que tínhamos naquele momento.

De onde vieram essas conquistas?

Do suor, da persistência, do talento e da criatividade de milhões de brasileiros. E, sobretudo, da confiança que temos em nós mesmos, no nosso trabalho e determinação, e no nosso país.

Não podemos nos iludir.

Não estamos sozinhos neste mundo. Competimos com outras grandes nações, que conosco dividem as 10 primeiras posições da economia mundial, por recursos, mercados, influência política e econômica, em escala global.

Não são poucos os países e lideranças externas que torcem para que nossa nação sucumba, esmoreça, perca o rumo e a confiança, e se entregue, totalmente, a países e regiões do mundo que sempre nos exploraram no passado - e ainda continuam a fazê-lo -  e que adorariam ver diminuída a projeção do Brasil sobre áreas em que temos forte influência geopolítica, como a África e a América Latina.

Nosso espaço neste planeta, nosso lugar na História, foi conquistado com suor e sangue, por antepassados conhecidos e anônimos, entre outras muitas batalhas, nas lutas coloniais contra portugueses, holandeses, espanhóis e franceses; na Inconfidência Mineira, e nas revoltas que a precederam como a dos Beckman e a de Filipe dos Santos; nas Conjurações Baiana e Carioca, na Revolução Pernambucana; na Revolta dos Malês e no Quilombo de Palmares; na Guerra de Independência até a expulsão das tropas lusitanas; nas Entradas e Bandeiras, com a Conquista do Oeste, da qual tomaram parte também Rondon, Getúlio e Juscelino Kubitschek; na luta pela Liberdade e a Democracia nos campos de batalha da Europa, na Segunda Guerra Mundial.

As passagens de um ano para outro deveriam servir para isso: refletir sobre o que somos, e reverenciar patriotas do passado e do presente.

Brasileiros como os que estão trabalhando, neste momento, na selva amazônica, construindo algumas das maiores hidrelétricas do mundo, como Belo Monte, Jirau e Santo Antônio; como os que vão passar o réveillon em clareiras no meio da floresta, longe de suas famílias, instalando torres de linhas de alta tensão de transmissão de eletricidade de centenas de quilômetros de extensão; ou os que estão trabalhando, a dezenas de metros de altura, em nossas praias e montanhas, montando ou dando manutenção em geradores eólicos; ou os que estão construindo gigantescas plataformas de  petróleo com capacidade de exploração de 120.000 barris por dia, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, como as 9 que foram instaladas este ano; ou os que estão construindo novas refinarias e complexos petroquímicos, como a RENEST e o COMPERJ, em Pernambuco e no Rio de Janeiro; ou os que estão trabalhando na ampliação e reforma de portos, como os de Fortaleza, Natal, Salvador, Santos, Recife, ou no término da construção do Superporto do Açu, no Rio de Janeiro; ou os técnicos, oficiais e engenheiros da iniciativa privada e da Marinha que trabalham em estaleiros, siderúrgicas e fundições, para construir nossos novos submarinos convencionais e atômicos, em Itaguaí; os técnicos da AEB - Agência Espacial Brasileira, e do INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que acabam de lançar, com colegas chineses, o satélite CBERS-4, com 50% de conteúdo totalmente nacional; os que trabalham nas bases de lançamento espacial de Alcântara e Barreira do Inferno; os oficiais e técnicos da Aeronáutica e da Embraer, que se empenham para que o primeiro teste de voo do cargueiro militar KC-390, o maior avião já construído no Brasil, se dê com sucesso e dentro dos prazos, até o início de 2015; os operários da linha de montagem dos novos blindados do Exército, da família  Guarani, em Sete Lagoas, Minas Gerais, e os engenheiros do exército que os desenvolveram; os que trabalham na linha de montagem dos novos helicópteros das Forças Armadas, na Helibras, e os oficiais, técnicos e operários da IMBEL, que estão montando nossos novos fuzis de assalto, da família IA-2, em Itajubá; os que produzem novos cultivares de cana, feijão, soja e outros alimentos, nos diferentes laboratórios da EMBRAPA; os que estão produzindo navios com o comprimento de mais de dois campos de futebol, e a altura da Torre de Pisa, como o João Cândido, o Dragão do Mar, o Celso Furtado, o Henrique Dias, o Quilombo de Palmares, o José Alencar, em Pernambuco e no Rio de Janeiro; os que estão construindo navios-patrulha para a Marinha do Brasil e para marinhas estrangeiras como a da Namíbia, no Ceará; os engenheiros que desenvolvem mísseis de cruzeiro e o Sistema Astros 2020 na AVIBRAS; os que estão na Suécia, trabalhando, junto à Força Aérea daquele país e da SAAB, no desenvolvimento do futuro caça supersônico da FAB, o Gripen NG BR, e na África do Sul, nas instalações da DENEL, e também no Brasil, na Avibras, na Mectron, e na Opto Eletrônica, no projeto do míssil ar-ar A-Darter, que irá equipá-los; os nossos soldados, marinheiros e aviadores, que estão na selva, na caatinga, no mar territorial, ou voando sobre nossas fronteiras, cumprindo o seu papel de defender o país, que precisam dessas novas armas;  os pesquisadores brasileiros das nossas universidades, institutos tecnológicos e empresas privadas, como os que trabalham no ITA e no IME, no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, ou no projeto de construção e instalação do nosso novo Acelerador Nacional de Partículas, no Projeto Sirius, em São Paulo;   os técnicos e engenheiros da COPPE, que trabalham com a construção do ônibus brasileiro a hidrogênio, com turbinas projetadas para aproveitar as ondas do mar na geração de energia, com a construção da primeira linha nacional de trem a levitação magnética, com o MAGLEV COBRA; nossos estudantes e professores da área de robótica, do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, várias vezes campeões da Robogames, nos Estados Unidos.

Neste momento, é preciso homenagear  esses milhões de compatriotas, afirmando,  mostrando e lembrando - e eles sabem e sentem profundamente isso - que o Brasil é muito, mas muito, muitíssimo maior que a corrupção.

É esse sentimento, que eles têm e dividem entre si e suas famílias, que  faz com que saíam para trabalhar, com garra e determinação, todos os dias, cheios de  orgulho pelo que fazem e pelo nosso país.

E é por causa dessa certeza que esses brasileiros estão se unindo e vão se mobilizar, ainda mais, em 2015, para proteger e defender as obras, os projetos e programas em que estão trabalhando, lutando, no Congresso, na Justiça, e junto à opinião pública, para que eles não sejam descontinuados,  destruídos, interrompidos, colocando em risco seus empregos, sua carreira, e a  sobrevivência de suas famílias.

Eles não têm tempo para ficar teclando na internet, mas sabem que não são bandidos, que não cometeram nenhum crime e que não merecem ser punidos, direta ou indiretamente, por atos  dos quais não participaram, assim como a Nação não pode ser punida pelos mesmos motivos.

Eles têm a mais absoluta certeza de que a verdadeira face do Brasil pode ser vista nesses projetos e empresas - e no trabalho de cada um deles - e não na corrupção, que se perpetua há anos, praticada por uma ínfima e sedenta minoria. E intuem que, às vezes, na História, a Pátria consegue estabelecer seus próprios objetivos, e estes conseguem se sobrepor aos interesses de grupos e segmentos daquele momento, estejam estes na oposição ou no governo. (Fonte: aqui).

CERTAS PALAVRAS


Liberati.

DA SÉRIE PROMESSAS VÃS


Erasmo.

O ILUSTRADOR DA MULHER BRASILEIRA

Um prodígio brasileiro

Por Ruy Castro

Sem fanfarras, tivemos neste dia 1º o centenário de um dos artistas gráficos mais completos do Brasil: Alceu Penna, o ilustrador que, de 1938 a 1966, publicou as famosas páginas duplas, "As Garotas do Alceu", em "O Cruzeiro".

Durante aqueles 28 anos, Alceu, semana após semana, inventou a moderna mulher brasileira: jovem, elegante, saudável, atlética, informada, independente, maliciosa, quase petulante (e, se essa mulher nem sempre correspondia a tal descrição, a culpa era dela, por não ter se inspirado em Alceu).
Brasileiras de todas as cidades alcançadas por "O Cruzeiro" --que, nos anos 1950, eram todas-- vestiam-se como suas garotas e tentavam copiar sua postura e "atitude".

Tecnicamente, Alceu era um prodígio. Os colegas o admiravam pela maestria com que, em traços ágeis e firmes, insinuava tonalidades, volumes, texturas. E olhe que era daltônico: via o vermelho no verde e vice-versa. Com tudo isso, nunca houve um costureiro brasileiro que não fosse seu devedor.

Alceu, no apogeu, estava nas passarelas, nos cassinos, no teatro, na TV, na indústria têxtil, nas capas de livros e discos. Criou modelos de alta costura, vestidos de noiva, fantasias de Carnaval, moda de praia, lingerie, figurinos de musicais --sempre na casa dos milhares e, inúmeras vezes, de graça. Morreu pobre, mas isso foi o de menos: um derrame em 1975 condenou-o a passar os últimos cinco anos de sua vida sem desenhar.

As mulheres de Alceu eram, sem exceção, lindas ou interessantes --porque assim ele as enxergava. O extraordinário é que, segundo seu biógrafo Gonçalo Junior, no magnífico "Alceu Penna e as Garotas do Brasil" (Amarilys, 2011), nunca se soube de uma ocorrência amorosa em sua vida --com qualquer sexo. Alceu pode ter morrido virgem de mulheres, mas, à sua maneira, digo eu, fecundou-as todas. (Fonte: aqui).

sábado, 3 de janeiro de 2015

DA SÉRIE CENAS QUE CERTOS ANALISTAS GOSTARIAM DE VER


Marian Kamensky. (Eslováquia).

O GRITO DA CANTAREIRA


Um grito por socorro

Por Fernando Rabelo

Uma imagem aérea feita pelo fotógrafo espanhol Nacho Doce, da Reuters, está intrigando o mundo. No registro, feito durante a seca no reservatório da Cantareira, nas proximidades de São Paulo, percebe-se o formato de um rosto de uma pessoa gritando.

“Esta foto faz parte de uma série que eu fiz de helicóptero; somente depois de desembarcar da aeronave pude perceber a semelhança com um rosto de mulher que parece pedir socorro, o que me fez lembrar imediatamente a célebre pintura intitulada 'O Grito', de Edvard Munch. Para mim essa imagem representa a mãe natureza pedindo socorro”, afirma Nacho Doce. (Fonte: aqui).

PETROBRAS: ENCARANDO OS PREDADORES


Mídia veste a carapuça do 'inimigo externo' do país

Do Brasil 247

O ponto alto do discurso da presidente Dilma Rousseff ao tomar posse do seu segundo mandato foi, sem dúvida, o que abordou a Petrobras.

Dilma falou em defender a empresa de seus "predadores internos e inimigos externos". Em seguida, arrematou: "Não podemos permitir que a Petrobras seja alvo de um cerco especulativo dos interesses contrariados com a adoção do regime de partilha e da política de conteúdo local, que asseguraram ao nosso povo o controle sobre nossas riquezas petrolíferas" (leia mais aqui).

Foi um recado claro para determinadas forças que tentam se valer da crise de imagem da Petrobras para forçar uma mudança de regime na produção de petróleo no País. Quem mais destaca, entre essas forças, é o grupo Globo, dos irmãos Marinho, o primeiro a dizer, com todas as letras, que a Lava Jato obrigaria a Petrobras a retomar o regime de concessões de petróleo, no lugar do modelo de partilha.

Quinze dias atrás, por exemplo, o Globo dizia, em reportagens e editoriais, que a regra do pré-sal poderia e deveria mudar, em benefício da exploração por empresas estrangeiras, como Shell, Exxon, Chevron e BP (leia mais aqui).

Dilma, no entanto, demonstrou estar atenta a essas pressões. E demonstrou que não irá ceder um milímetro em suas convicções sobre o melhor regime para a exploração das riquezas do pré-sal.

Os inimigos externos da Petrobras, nesse contexto, vestiram a carapuça. Em sua manchete, o Globo afirmou que "Dilma recicla promessas e vê 'inimigos externos' da Petrobras", como se eles não existissem – embora o jornal dos Marinho seja uma realidade palpável. O Estado de S. Paulo seguiu a mesma linha, mas não com a mesma intensidade.

O fato é que nem um nem outro terá força para provocar uma mudança nas regras do pré-sal. (Fonte: aqui).

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Elementar: a Petrobras foi criada em 1953. Quem tentou impedir a criação da Petrobras? Quem, desde a criação da Petrobras, se mobiliza contra ela? Quem torce contra a Petrobras? Quem maximiza os fatos contrários aos interesses da Petrobras?

O ANO NOVO EM ÁREAS CONFLAGRADAS

              Não existe vida na guerra, só existe vida na paz.

Osama Hajjaj. (Jordânia).

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

PERSPECTIVAS 2015


O que se espera de Joaquim Levy é menos ideologia e mais prudência

Por José Carlos de Assis

Creio que pouca gente que acompanha economia no Brasil tem uma perspectiva muito otimista para este ano. Por um lado, teremos um ajuste macroeconômico que provavelmente custará uma retração de 2 ou mais pontos no PIB. Por outro lado, nada indica que um custo social dessa magnitude representará uma efetiva alavancagem para uma real melhoria da economia em 2016. Em suma, podemos estar entrando num ciclo longo de estagnação e contração como ocorre em vários países europeus submetidos a ajustes do tipo que se vai impor aqui.

Deixo claro que isso não se deve exclusivamente às escolhas ministeriais. Com a situação que temos na balança em conta corrente (US$ 86 bilhões de déficit) não temos graus de liberdade para adotar uma política keynesiana de estímulo à demanda agregada através de políticas monetária, fiscal e cambial. Se tentarmos baixar muito os juros, o que seria desejável para retomar o crescimento, correríamos o risco de uma crise no balanço de pagamentos com a brusca redução de entrada e, ainda pior, com um grande fluxo de saída de capitais.

Se tentássemos jogar para os ares o superávit primário e ampliar o gasto público de forma a sustentar um rápido crescimento da demanda agregada e do investimento, correríamos dois riscos, um objetivo, outro de fundo ideológico. Objetivamente, na vigência de taxas de juros básicas muito altas, como é o nosso caso, os estímulos fiscais não funcionam, ou funcionam ao contrário: o gasto público adicional ou é esterilizado pela taxa de juros ou se converte em demanda externa, agravando a crise na balança em conta corrente.

O segundo risco é de natureza ideológica, mas sendo capaz de converter-se rapidamente em um problema objetivo, ou seja, a desclassificação pelas agências de risco. Sabemos muito bem que, em recessão, o aumento do déficit público não gera inflação necessariamente. Entretanto, usando o pretexto da inflação, as agências de risco agem como vigilantes da confiabilidade do déficit e da dívida pública. Enquanto isso fosse apenas um problema ideológico, poderíamos simplesmente levar as mãos e ir adiante. Mas não é o caso.

Uma desclassificação implica o aumento do custo da tomada de novos empréstimos externos e de renovação das dívidas antigas para governo, empresas e instituições financeiras. Seria traumático para o setor privado e tremendamente desconfortável para o setor público. Podemos não gostar disso, mas isso é da natureza de uma ordem global denominada “arquitetura financeira internacional”, da qual nós só escaparemos – e aqui estou adiantando tema para outro artigo, este mais otimista – no contexto de um aprofundamento das relações com os BRICS.

Temos uma estreita margem de manobra no câmbio. Se desvalorizarmos mais, abriremos um pouco o espaço para as exportações de manufaturados: isso seria fácil, pois bastaria que o Banco Central manobrasse o pião na compra e venda de dólares. Entretanto, não é uma receita fácil porque, se usada para além de um nível que acomode mudanças de preços relativos, pode gerar inflação: os preços externos se tornarão mais caros internamente, e grande parte dos preços internos se alinharão aos internacionais que seriam mais elevados.

Tudo isso é para dizer que, no campo macroeconômico, não temos mesmo muita margem de manobra para superar a crise de estagnação em que estamos. Contudo, o fato de respeitarmos as margens não significa que automaticamente vamos fazer as coisas certas. Concordo com muita coisa que o ministro Joaquim Levy disse em duas grandes entrevistas, uma em Valor e outra no Estadão. Refletem o mesmo realismo exposto acima. Entretanto, algumas declarações parecem sair do obituário revigorado do Consenso de Washington.

Vou me ater apenas a um ponto: o que ele chama de “dualidade” do mercado de crédito. Ele propõe acabar com essa “dualidade” a partir de uma analogia: teríamos acabado com a dualidade no mercado de trabalho e a dualidade no mercado de câmbio, o que resultara bom para todo mundo. Ora, é falso que tenhamos acabado com a dualidade no mercado de trabalho. O mercado de trabalho informal reduziu-se, mas não acabou. E reduziu-se não em função de qualquer mudança institucional relevante – exceto da Lei das Domésticas -, mas por força do aumento do emprego e da renda média que turbinaram os serviços, por onde se ampliou a formalização. Mesmo a dualidade no câmbio não acabou; temos câmbio para turismo e câmbio para comércio. E isso não dói em ninguém.

O que significa exatamente acabar com a “dualidade” no mercado de crédito? Acaso significa eliminar o crédito público como instrumento de política, inclusive de política anticíclica, como aconteceu notoriamente com imensas vantagens para o Brasil em 2009 e 2010? E o que faríamos, eliminando a “dualidade”, com os fundos públicos de longo prazo administrados pelo BNDES e Caixa? Suponho que serão repartidos com os bancos privados para que eles apliquem à taxa que quiserem, a exemplo das pornográficas taxas atuais, apropriando-se de uma margem razoável. Isso democratizaria o crédito? Acho que democratizaria o alto custo do crédito!

O fato de essa ser uma posição essencialmente ideológica – não quero levantar suspeitas de favorecimento aos bancos privados - me deixa um pouco tranquilizado, pois acredito que as forças reais presentes na sociedade brasileira, a despeito dos banqueiros que a inspiram, não a deixarão acontecer por razões de sobrevivência. O outro ponto ideológico da entrevista de Levy é a clara defesa de acordos de livre comércio com os Estados Unidos e a União Europeia. Tudo isso se originou no falido Consenso de Washington, e tudo isso está sendo revivido tendo em vista a profundidade da crise em que estamos e certo desespero diante dela por parte de pessoas com a responsabilidade de enfrentá-la. A tendência, nesse caso, é se encostar em alguma autoridade externa para se legitimar num ambiente indefinido. Da mesma forma que a “dualidade” do crédito, os tratados de livre comércio provavelmente não acontecerão, não porque sejam “tecnicamente” equivocados, mas por razão de sobrevivência da indústria brasileira.

Em qualquer hipótese, o melhor caminho que o Ministro deve tomar é o da prudência. Lembro a ele um incidente que me foi relatado por Luís Pinguelli Rosa, então presidente da Eletrobrás nos idos de 2003 e 2004. Pinguelli estava determinado, por razões essencialmente técnicas, a construir a segunda etapa de Tucuruí. Tinha os estudos e todo o dinheiro necessário. Joaquim Levy, então secretário do Tesouro, o procurou e tentou convencê-lo muito cortesmente, por todos os meios, a abandonar o projeto. Certamente queria o dinheiro para fazer superávit primário dentro da política de Palocci.
Pinguelli resistiu, a obra começou e afinal o potencial de Tucuruí foi duplicado. Se isso não tivesse acontecido, estaríamos hoje em risco de racionamento. E a situação fiscal não seria diferente de hoje. Portanto, ministro Levy, aja com prudência, veja o que vai cortar! (Fonte: aqui).

(J. Carlos de Assis - Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB).

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Lido o artigo, uma das conclusões possíveis: acendeu a luz amarela para os bancos públicos - como, aliás, aconteceu na campanha eleitoral. E a luz parece muito mais intensa para o Banco do Brasil. Mas, convém lembrar, a própria presidente da República assegurou a preservação do papel dos bancos públicos. 
Que a receita de Armínio Fraga não venha a prevalecer!

CHINESE CARTOON


Kuang Biao. (China).

DIÁLOGO TRANSCENDENTAL Nº 1


- Tá aqui no Uol: "Barbosa fala em ajustes, mas promete aumento real do salário mínimo"...

- É o que se pode chamar de contradição em termos, verdadeira piada pronta: Como proceder a ajustes, se o esbanjamento de recursos vai continuar?

- Onde já se viu?! Quem sempre pagou o pato foi a massa ignara. Tudo isso aí de reajustes, se continuar nessa toada, vai ser mera retórica.

- A não ser que... Oh, não! Melhor nem falar.

- Fala aí, desembucha, diz logo!

- A não ser que lancem o tal imposto sobre grandes fortunas. Aí vai ser a afronta total!

- Cara, vira essa boca pra lá.

- O pior é que eles podem cinicamente alegar que essa excrescência consta da Constituição Federal, só que nunca foi regulamentada! Acredite, eles são capazes de tudo!

- Recomponha-se! Volte à realidade. A festa terminou na manhã de ontem, mas você continua de porre!

ECOS DO ANO NOVO


Cau Gomez.

PEDIDOS DE PAZ


Luojie. (China).

RESCALDO DO ANO NOVO


João Zero.

RESCALDO DO ANO NOVO


Manny Francisco. (Filipinas).

CHINESE CARTOON


Wu Jianjun. (China).

O MACHISMO DICIONARIZADO


Doutora em língua portuguesa reúne frases cretinas em Dicionário Machista

Do Vírgula

Dá para esperar um “lugar de mulher é na cozinha” de muito ogro em mesa de bar por aí, mas até pessoas que amamos, como Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes, já soltaram frases machistas de fazer doer o coração. Salma Ferraz, doutora em língua portuguesa, reuniu citações absurdas, dos mais diferentes autores e personalidades, em seu Dicionário Machista: Três Mil Anos de Frases Cretinas contra as Mulheres (Jardim dos Livros).

“O machismo de grandes personalidades da história também me causou surpresa, mas o que mais me espanta são as mulheres machistas. Elas são às vezes mais machistas que os homens”, disse a autora, ao Vírgula Diversão.

“A mudança [em relação à desigualdade de gêneros] tem de partir das mulheres, com a conscientização sobre seu papel na sociedade. Mas a história caminha para a frente. A maioria das mulheres, hoje, quer trabalhar, não quer ser sustentada pelo marido e pedir dinheiro para comprar calcinha na Marisa”, acrescentou.

Salma, que é diretora do Núcleo de Estudos Comparados entre Teologia e Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina, explica que começou sua pesquisa sobre o machismo a partir da Bíblia e do Alcorão. “O Velho Testamento é, em especial, muito machista. Quando Eva peca, Deus diz, ‘O teu desejo será para o teu marido, e ele te governará'”.

“Você percebe que o machismo sobreviveu por séculos, saiu da religião e foi para a literatura. E as pessoas não têm dimensão do que significam essas frases. O objetivo do livro é evitar que isso se repita”, explica.

Veja algumas frases machistas reunidas no livro de Salma Ferraz:

“Os homens distinguem-se pelo que fazem; as mulheres pelo que levam os homens a fazer.”
Carlos Drummond de Andrade

“As mulheres são muito simples. Nunca conheci uma que não entendesse um tapa na boca”.
Humphrey Bogart

“As mulheres são um sexo puramente decorativo. Elas nunca têm nada a dizer, mas o dizem de forma encantadora.”
Oscar Wilde, em O Retrato de Dorian Gray

“O melhor movimento feminino ainda é o dos quadris.”
Millôr Fernandes

“Pouquíssimas são as mulheres capazes de abrigar dois conceitos ao mesmo tempo.”
Woody Allen

“Existem umas feias potáveis. Mas algumas só servem mesmo para fazer sabão.”
Vinicius de Moraes

“Fraqueza, teu nome é mulher.”
William Shakespeare, em Hamlet

“A mulher pode ser definida como um homem inferior.”
Aristóteles

“Os homens têm autoridade sobre as mulheres pelo que Deus os fez superiores a elas e porque gastam de suas posses para sustentá-las.”
Alcorão

“Se o homem dissesse uma coisa e a mulher outra, a vida seria uma desgraça. Só o homem deve dizer algo, e a mulher se dispor a fazê-lo.”
Mahatma Gandhi

“Para mim, elas podem trabalhar em qualquer lugar, desde que eu encontre o jantar pronto quando chegar em casa.”
John Wayne

“A mulher é sempre um vir-a-ser até que encontre alguém que a faça ser.”
Mário de Andrade

“Na verdade, o que eu gostaria era de estar casada e lavando as meias do meu marido.”
Madonna

“Além de casar, o que a mulher mais gosta é de ser enganada de vez em quando.”
Jane Austen

“Chamar uma mulher de galinha é uma ofensa. Coitada da galinha, que vive à disposição do galo, na hora que ele quiser, como uma odalisca num harém.”
Carmen Miranda 

Fonte: aqui.

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Como diria o outro: Há o machismo machista por si mesmo, e há o machismo misógino, que é o resultante do ódio à mulher. Bem que a autora doutora (por que a preocupação no doutora?!) poderia ter enveredado por essa vertente... Afinal, fulano falou aquilo por 'formação' machista ou por ser (também) misógino?

HACKERS


Alpino.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

VELHOS COMERCIAIS E JINGLES IMORTAIS

                "Rodox não! É covardia! Rodox não!..."

                (O invocado tio Sukita).

Jingles e propagandas inesquecíveis

Por Tamára Baracov

Na era dourada do rádio, no início dos anos 1930, as propagandas no horário nobre eram proibidas. Para driblar essa proibição os publicitários tiveram uma ideia genial: inventaram o jingle que mencionava o produto sem a tentativa de vendê-lo. Nos anos 1950, os jingles atingiram o ápice artístico, quando famosos compositores passaram a criar slogans e os direitos eram pagos diretamente a eles e não ao fabricante. A partir dos anos de 1960, os jingles começaram a ser produzidos também para campanhas políticas. O mais famoso foi o criado para a campanha de Jânio Quadros: Varre, varre, vassourinha... Quando o mercado se tornou saturado de vários produtos, e já não era mais possível pregar a supremacia absoluta de um produto, os jingles foram substituídos por músicas populares, o que causou o seu declínio.

Do passado brilhante, não tão distante, dos jingles e dos comerciais inesquecíveis, quem não se lembra do trio do Bamerindus, que nos lembrava que ‘o tempo passa, o tempo voa’? Ou do pobre pescador japonês Urashima Taro, que salvou uma tartaruga e como prêmio ganhou uma viagem para o Brasil? Ou do banho de alegria com as duchas Corona? Ou, ainda, da voz da moça do shampoo Colorama? A voz era a mesma, mas os cabelos, quanta diferença! Ou o clássico da publicidade brasileira, com uma ideia simples e bem executada, a minha propaganda favorita, a do tio Sukita, o conquistador que só levava fora das menininhas? E do Fernando e sua bonita camisa que tanto agradava ao chefe? E da liberdade de uma calça velha, azul e desbotada da UsTop? Ah! E do Theobaldo do Guaraná Antarctica, que explicava o que era Boko Moko? Uma expressão que fez muito sucesso para designar tudo que era fora da moda?

Alguns jingles e propagadas foram tão eficazes que se infiltraram na nossa memória e ficaram. E é isso o que o jingle deve fazer, fixar não apenas marcas, mas também seus produtores. Em alguns casos, como nesses exemplos, o produto nem existe mais, mas o jingle permanece na imaginação.

(Clique AQUI para ver jingles e propagandas inesquecíveis).

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De fato, certos comerciais ficaram 'guardados' para sempre. Já nos dias que correm, dada a profusão de canais de TV (aberta e paga) e redes sociais disponíveis, há comerciais também marcantes, mas praticamente ignorados, pois simplesmente não são vistos. Mas, convenhamos, tal realidade não é lamentável; não é, cá entre nós, nenhuma brastemp - para trazer à tona o chavão de um antigo comercial.

CUBA, 1959 .... 2014


Rainer Hachfeld. (EUA).

BALANÇO ANUAL


BOLA PRA FRENTE
QUE O BALANÇO DE 2015
SERÁ DIFERENTE

SOBRE O SEGUNDO MANDATO


As possibilidades do segundo governo Dilma

Por Luis Nassif

Dilma Rousseff montou um Ministério para a guerra política. E nem poderia ser diferente.

Com o mandato ameaçado pela oposição desde o dia das eleições, com o risco de "golpe paraguaio", com os impactos da parceria mídia-Operação Lava Jato, com o maior negocista da história política recente - Eduardo Cunha - podendo assumir a presidência da Câmara, seria supina ingenuidade pensar em um Ministério eminentemente técnico.

O último Ministério de "notáveis" foi o de Fernando Collor - que foi para o buraco do impeachment com "notáveis" e tudo.

Nem por isso, imagine-se que o segundo governo poderá ser medíocre. Há possibilidade de um Ministério político conduzindo programas criativos de governo. Basta a presidente ter clareza sobre quais programas a serem implementados, fechar compromissos com cada Ministro e garantir Secretários eficientes para operacionalizá-las.

Com Aldo Rabello e tudo no Ministério dos Esportes, a Copa do Mundo foi um sucesso.

No primeiro governo Dilma, os Ministros mais eficientes foram os políticos, justamente por terem luz própria e não se inibirem com o estilo pouco sutil da Presidente.

O CGEE como usina de ideias

Ideias, há. O próprio Ministro-Chefe da Casa Civil Aloizio Mercadante deu condições para o CGEE (Centro de Gestão de Estudos Estratégicos) montar diagnósticos precisos sobre a próximas etapa do país.

Há propostas sobre regionalização, políticas industriais, diplomacia, infraestrutura, educação, inovação, um roteiro completo à disposição de uma presidente com o perfil de Dilma.

O desafio será montar um modelo de gestão que permita, ao mesmo tempo, dar sentido lógico à atuação de cada Ministério e autonomia de voo para cada Ministro "vender" politicamente seus projetos.

Sair com uma marca forte é o sonho de consumo de todo político alçado a cargo executivo.

Há mais razões para se manter um otimismo moderado na segunda gestão de Dilma.

Na primeira, tinha-se uma presidente inexperiente - posto que ocupando seu primeiro cargo eletivo - e montada em um voluntarismo bem sucedido - as experiências heterodoxas vitoriosas de 2008.

O resultado foi um voluntarismo mais exacerbado, uma centralização excessiva e uma ânsia por resultados imediatos. Essa combinação perigosa levou a presidente a recorrer ao poder da caneta, mais do que ao planejamento. E a caneta produziu estragos.

Agora tem-se uma presidente experiente, consciente de parte dos erros cometidos no primeiro governo e com um aprendizado que se completou com a campanha eleitoral.

A escolha da equipe econômica foi a primeira - necessária - autocrítica. A nomeação de um Ministério político, um choque de realidade.

Se tirar janeiro para uma ampla discussão com seu Ministério, definindo claramente os objetivos de cada pasta, pode ser que se tenha surpresa.

Um segundo governo Dilma bom não é uma certeza: mas é uma possibilidade. (Fonte: aqui).

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O artigo acima foi publicado antes da posse de Dilma Rousseff. 

Para ler sobre a posse, clique AQUI.