segunda-feira, 6 de outubro de 2014
domingo, 5 de outubro de 2014
BOLA PRA FRENTE, DEMOCRACIA
A performance das oposições na eleição presidencial demonstra, antes de tudo, o poder do Quarto Poder: a imprensa. Carro-chefe da oposição, nas palavras da própria ex-presidente da ANJ, Associação Nacional de Jornais, isso ainda em 2010, a imprensa consolidada foi, sem dúvida, eficaz.
Mas o afinco do candidato Aécio Neves, independentemente das levantadas de bola, precisa ser reconhecido, valendo lembrar, por exemplo, que há cerca de duas semanas o analista Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo, afirmou que a Aécio restava tão somente cumprir tabela, visto que, ante o desempenho bombástico de Marina Silva, iria ser duplamente derrotado: em seu Estado, Minas Gerais (o que de fato aconteceu) e na eleição presidencial (foi para o segundo turno, ultrapassando, em muito, a virtuosa Marina Silva).
Que a presidente Dilma Rousseff parta agora para o debate dispondo de mais tempo para mostrar suas realizações e desafios, cuidando, claro, de firmar/fortalecer alianças.
Obs.: Lembro-me de que, na eleição de 2010, o candidato nanico Plínio de Arruda Sampaio foi incensado pelos institutos de pesquisa (bancados pela grande imprensa) e 'ostentava' percentual razoável de votos. Na hora do vamos ver, estava lá: zero vírgula alguma coisa. Agora o fenômeno se repete: para 'acochambrar' pesquisas ao longo da campanha, os institutos inflaram os nanicos, que, agora se vê uma vez mais, têm desempenho pífio. O notório pastor Everaldo, por exemplo, que chegou a estratosféricos 4% (quatro por cento - isso mesmo!), agora exibe magérrimo 0,75%!
ELEIÇÕES 2014: O PICLE DA RETA FINAL
"Dilma vai ganhar em dois turnos: manhã e tarde do dia 05 de outubro."
(Comentário de um leitor do blog Conversa Afiada. Julguei-o merecedor de destaque por se tratar de um bom picle - palavra que expressa dito espirituoso, consagrada pelo jornal carioca O Pasquim, semanário satírico que revolucionou a imprensa brasileira - de 1969 a 1991 - com seu estilo despojado, ácido e bem humorado. Tive a satisfação de publicar muitas frases de efeito, quero dizer, picles, naquele jornal.
É claro, diante do que decretam os institutos de pesquisa, que o mais provável é que a decisão eleitoral vá para o segundo turno...).
sábado, 4 de outubro de 2014
ELEIÇÕES 2014: NÃO PASSARÁS OS QUARENTA
Os institutos de pesquisa acabam de decretar: a eleição presidencial será decidida em segundo turno, com Dilma Rousseff disputando com Aécio Neves ou Marina Silva. Amanhã saberemos se os prognósticos procedem ou não.
Enquanto isso, relativamente aos números acima, do Datafolha, permitimo-nos observar:
.no período de 29 de agosto a 26 de setembro, a candidata Marina Silva perdeu sete pontos (de 34% para 27%), Aécio Neves ganhou três (15% para 18%), e Dilma Rousseff, seis (de 34% para 40%);
.de 26 de setembro a hoje, 4 de outubro, Marina perdeu cinco pontos (de 27% para 22%), Aécio ganhou seis (de 18% para 24%), e Dilma... zero! Foram quatro pesquisas sucessivas na marca de 40%.
Resumo: Marina perdeu doze pontos, Aécio ganhou nove e Dilma, seis (até o dia 26 de setembro; desde então, nada).
Quanto ao Ibope, lá também reina o "não passarás os quarenta": Marina perdeu três pontos em dois dias (24% para 21%), Aécio abiscoitou cinco (19% para 24%). Dilma se manteve em 40%.
Para concluir: em suas manchetes, o UOL destacou tão somente os percentuais relativos aos votos válidos. Para conhecer os números no 'formato' até então oferecido o leitor precisa ir à matéria completa, em outra 'página'.
ELEIÇÕES 2014: O APERTO QUE NÃO HOUVE
O músico Fábio Martins, morador da periferia de Belo Horizonte, deixou o presidenciável Aécio Neves de mão abanando em ato de campanha do senador mineiro realizado ontem, 3, na comunidade. Aécio se aproximou da casa de Martins e estendeu a mão para cumprimentá-lo, mas o músico deixou o candidato no vácuo.
Sobre o fato de o terem chamado de mal educado (observação deste blog: de fato), o músico, que irá votar em Luciana Genro, do Psol, declarou:
"Tudo bem, é um direito deles. O mesmo direito que ele (Aécio) tem de vir aqui pegar na mão dessa população humilde e forjar, eu também tenho o direito de não pegar na mão dele". - Fonte: aqui.
Ainda segundo a fonte, Aécio estava acompanhado dos candidatos ao governo de Minas e ao Senado, "além de dezenas de militantes, a maioria contratada".
ECONOMIA: PERSPECTIVAS 2015
Os desafios macroeconômicos do próximo governo
Por Luis Nassif
Ex-Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa tornou-se um dos economistas referenciais na discussão sobre os rumos da política econômica.
Para ele, o próximo governo enfrentará dois grandes desafios macroeconômicos: um cambial, outro fiscal. O cambial é tornar o sistema de metas de inflação menos dependente da apreciação do real; o fiscal é aumentar o resultado primário recorrente sem deixar de atender às demandas crescentes da população e sem aumentar a carga tributária.
Vamos descrever suas análises por parte, começando pelo histórico do uso do câmbio no combate à inflação.
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A questão cambial no governo Lula-Dilma tem três fases, segundo Barbosa.
A primeira, de 2003 a 2005 foi de correção cambial, com uma apreciação do real eliminando a depreciação dos anos anteriores. Ao final do período, a taxa de câmbio real havia retornado ao patamar de antes da crise argentina e próxima ao pré-Plano Real.
De 2006 a 2008 foi uma fase de apreciação, com o boom dos preços internacionais de commodities reduzindo ainda mais o câmbio, para um valor próximo ao do Plano Real. Esse período terminou com a crise de 2008.
De 2009 a 2011 foi uma fase de apreciação e intervenção, depois que a expansão da liquidez internacional gerou outro boom nos preços internacionais de commodities e devolveu o câmbio aos níveis verificados no final do Plano Real. Segundo Barbosa, esse período terminou no início do governo Dilma, com a introdução de um imposto sobre o aumento da posição vendida em Reais no mercado de derivativos cambiais.
A partir de 2012 o Real começou novamente a depreciar devido ao novo cenário econômico mundial. De dezembro de 2011 a dezembro de 2013 o real se depreciou 21%.
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A partir de 2013 a forte depreciação do real levou o governo a rever sua estratégia passando a combater a depreciação. NO final de 2013 o Ministério da Fazenda retirou a maior parte da tributação sobre entradas de capital, enquanto o Banco Central passou a oferecer proteção financeira contra a depreciação do real via swaps cambiais. Até meados de 2014 esses swaps equivaliam a 25% das reservas cambiais brasileiras.
Entre dezembro de 2013 e julho de 2014 o real apreciou-se 8%. Sem essas intervenções, mantido o nível real de agosto de 2013, o dólar deveria estar em R$ 2,51, em lugar de R$ 2,23 em julho de 2014.
Contribuiu também para a apreciação a retirada de estímulos monetários nos Estados Unidos. Mas a razão maior da luta contra a depreciação cambial foi a inflação.
***
Pelos levantamentos de Barbosa, o BC cumpriu a meta de inflação em onze dos quinze anos desde a adoção do sistema em 1999. Em oito desses onze anos houve redução da taxa de câmbio real; em seis deles, redução da taxa nominal. Os três casos de cumprimento da meta sem apreciação cambial devido a outros fatores: meta bastante elevada em 1999 e controle dos preços administrados em 2012 e 2013.
Com esse modelo errático, a economia passou a ser alvo de manobras especulativas via operações de arbitragem entre taxas de juros internacionais e internas.
Vai-se apreciando o câmbio real até que ele fique tão baixo que o mercado passa a apostar na depreciação do real. (Fonte: aqui).
HONG KONG: REDE IMUNE
"Por que o governo chinês não consegue parar os protestos em Hong Kong
Os protestos por mais liberdade em Hong Kong se intensificaram nos últimos dias. O governo chinês quer indicar em quem os habitantes de Hong Kong vão votar (nas eleições de 2017...). Os protestos estão fortes, mas o governo chinês, que controla a internet na China, não consegue controlar os protestos em Hong Kong.
Por quê?
Resposta: Redes Mesh.
Do BR-Linux"
Para continuar, clique aqui.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
ELEIÇÕES 2014: O GLOBO CONFIRMA DEMISSÃO DO DIRETOR DA PETROBRAS
No último debate entre candidatos à Presidência, na Globo, o candidato Aécio Neves afirmou que, ao contrário do sustentado pelo governo, o corrupto ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa não foi demitido do cargo em 2012, mas saiu 'normalmente'. Fonte de sua acusação: jornal O Globo, edição daquela data - aqui.
A imagem acima estampada - que pincei daqui - informa a saída do ex-diretor da citada empresa, destacando: "Paulo Roberto Costa, ligado ao PP, é demitido por Graça Foster" e, no contexto, esclarece que a presidente da Petrobras tomara a decisão "depois de pelo menos dois encontros em Brasília, inclusive com a presidente Dilma Rousseff". O corrupto ex-diretor, por sua vez, foi defenestrado, segundo ele, "sem saber o motivo". Fonte da notícia: jornal O Globo, edição de 27 de março de 2012.
Inferência deste blog: Se a Petrobras informasse desde logo o motivo da demissão, poderia comprometer as investigações sobre os malfeitos do ex-diretor.
Ao que se observa, alguém agiu com propósitos... nada republicanos.
ELEIÇÕES 2014: SEGUNDO TURNO, OU PRIMEIRO
"O diretor do Datafolha Mauro Paulino disse nesta sexta-feira (03) que não dá para prever quem vai ao segundo turno ou, mesmo, se vai ter um segundo turno. Ele ressaltou ainda que Marina Silva (PSB), apesar de ter caído nas pesquisas, apresenta "ligeira" vantagem sobre Aécio Neves (PSDB), que subiu nas intenções de voto.
“É uma campanha que começou imprevisível já no início do ano e termina de forma completamente imprevisível. Tanto pode terminar no primeiro turno com a vitória de Dilma, que é uma hipótese ainda não descartada, quanto não é possível dizer quem vai para o segundo turno, se é Marina ou Aécio”, explicou.
A três dias das eleições, Paulino explicou que a taxa de Dilma deve ficar muito próxima do que as pesquisas têm mostrado por conta de ela ter um eleitorado mais convicto. Marina e Aécio tem uma percentagem menor de eleitores mais fiéis, segundo ele.
Ouça a entrevista e análise completas no áudio com os jornalistas JOVEM PAN Adalberto Piotto, Joseval Peixoto Fernando Rodrigues e Anchieta Filho."
(Da Jovem Pan, post "Considerando imprevisibilidade, diretor do Datafolha não descarta vitória de Dilma no primeiro turno" - aqui).
ELEIÇÕES 2014: O ÚLTIMO DEBATE
A TV Globo patrocinou um bom encontro entre candidatos à Presidência, não obstante o restrito tempo destinado ao debate (respostas, réplicas e tréplicas). Temas importantes como autonomia/independência do Banco Central e Petrobras (e muitos outros, fique claro) requeriam algum conhecimento prévio por parte do eleitor, um nível de informação de certa profundidade.
Entre as ausências, assuntos cruciais como política externa e parcerias comerciais do Brasil (quando persistem os efeitos danosos da crise mundial eclodida em 2008...).
Alguns bate-bocas deram as caras, com destaque para o homofóbico Fidelix - especialista, ao lado do pastor Everaldo, em levantar a bola para Aécio (a claque marcou presença...) e Marina Silva (que tentou tratar como sinônimos os termos 'independência' e 'autonomia' do Banco Central) venderem seu peixe e, claro, atacar a candidata Dilma Rousseff (que apresentou boa performance, mas a muito custo disfarçou o cansaço diante da dupla jornada diária vivenciada ao longo de 45 dias de campanha eleitoral e rotina presidencial).
Eduardo Jorge e Luciana Genro tiveram momentos interessantes (cabendo ao primeiro um ato falho daqueles: pediu a Aécio que se interessasse por certo assunto 'quando de seu retorno ao senado'). Luciana, por sua vez, enfatizou à Presidente a ausência de imposto sobre grandes fortunas e maiores ônus aos bancos. Mas o episódio das algemas para Fidelix é impagável...
Não sei se os indecisos elegeram sua preferência. Acho que muito dificilmente. Quem tinha posição, por sua vez, certamente a manteve. Esse que vos fala inclusive.
................
Aqui, a análise do Conversa Afiada - e aqui, a do Muda Mais.
Marcadores:
Eleições 2014. Debate na Globo. Último debate.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
ELEIÇÕES 2014: TÁTICA BEM URDIDA
Cenário Datafolha: Dilma Rousseff vinha subindo a cada pesquisa (para ser exato: 4 pesquisas seguidas). De repente, estacionou: pela terceira vez contabiliza 40%. Enquanto isso, 'materializa-se' empate técnico entre Aécio e Marina Silva - e um fantástico empate empate no segundo turno.
Leitura do eleitor (quero dizer, a leitura pretendida): "Dilma estacionou; logo, vai ter mesmo segundo turno. Empolgante é a disputa Marina X Aécio. Vou focar nessa disputa!"
Bem bolado, convenhamos...
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A pesquisa Ibope - aqui - revela números diferentes - inclusive quanto ao tão sonhado 2º turno (onde Dilma Rousseff, ao contrário do que se vê no Datafolha acima, não cai relativamente à pesquisa anterior).
ELEIÇÕES 2014: DA SÉRIE ESCARAFUNCHANDO NÚMEROS
Os proprietários dos dois maiores institutos de pesquisa eleitoral do Brasil, de quem o País é refém em todos os pleitos, limitam-se, quem sabe?, a dizer, diante dos questionamentos a seus números:
- Bobagem! Coisa de quem fica procurando pelo em ovo!
Um exemplo de busca de pelo em ovo, para eles, certamente é o feito por Fernando Brito, do blog Tijolaço, intitulado "A incrível 'mutação dos votos' que fez Dilma não subir no Datafolha" - AQUI.
OLD PHOTO
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Torquato Neto enquanto criança
Torquato: primeiro à esquerda, na foto logo acima.
De Luis Nassif, no Jornal GGN:
Recebo de Nilson Coelho duas fotos do poeta Torquato Neto, quando adolescente, na sua Teresina.
Está ao lado dos amigos Luis Nassif (que não sou eu) - veja nota abaixo -, Joaquim Figueiredo e Odilon.
(...) Vale pelo registro histórico do grande poeta. (Fonte: aqui).
................
Torquato nasceu nesta Capital em novembro de 1944. Nas fotos, ele aparenta ter 11, 12 anos. Estudava no Colégio Diocesano, mas poderia ser no Leão XIII. Ao que parece, os quatro pivetes estão na Praça Da Costa e Silva (Torquato morava próximo dali, na Rua São João).
A propósito, está prestes a sair a 3ª edição de "Torquato Neto ou a Carne Seca é Servida", 665 páginas, de Kenard Kruel (a quem vou repassar as fotos acima), com revisão deste que vos fala.
................
Nota: Comentário de Edmar (será o do Piauinauta?), no Jornal GGN: "Não é Luis Nacif, mas Nacif Elias, jornalista, ex-France-Presse, ex-presidente do Sindicatos de Jornalistas do Rio de Janeiro."
Torquato Neto enquanto criança
Torquato: primeiro à esquerda, na foto logo acima.
De Luis Nassif, no Jornal GGN:
Recebo de Nilson Coelho duas fotos do poeta Torquato Neto, quando adolescente, na sua Teresina.
Está ao lado dos amigos Luis Nassif (que não sou eu) - veja nota abaixo -, Joaquim Figueiredo e Odilon.
(...) Vale pelo registro histórico do grande poeta. (Fonte: aqui).
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Torquato nasceu nesta Capital em novembro de 1944. Nas fotos, ele aparenta ter 11, 12 anos. Estudava no Colégio Diocesano, mas poderia ser no Leão XIII. Ao que parece, os quatro pivetes estão na Praça Da Costa e Silva (Torquato morava próximo dali, na Rua São João).
A propósito, está prestes a sair a 3ª edição de "Torquato Neto ou a Carne Seca é Servida", 665 páginas, de Kenard Kruel (a quem vou repassar as fotos acima), com revisão deste que vos fala.
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Nota: Comentário de Edmar (será o do Piauinauta?), no Jornal GGN: "Não é Luis Nacif, mas Nacif Elias, jornalista, ex-France-Presse, ex-presidente do Sindicatos de Jornalistas do Rio de Janeiro."
JOAQUIM BARBOSA E O DIREITO AO TRABALHO
Joaquim Barbosa, advogado
Por Pedro Estevam Serrano
Ele tem o direito de atuar como advogado. A OAB deve garantir a Barbosa o pleno exercício de seus direitos fundamentais, algo que ele nem sempre garantiu aos réus
....
O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa granjeou muitas antipatias durante o exercício de suas funções na Corte. A maior parte delas integralmente justificadas em condutas agressivas e deselegantes do ministro. Por conta destas circunstâncias, a OAB do Distrito Federal decidirá agora sobre eventual impedimento do ex-ministro em exercer a advocacia.
A advocacia foi constantemente agredida por Joaquim Barbosa. A forma indelicada e injusta que o então ministro se dirigiu em despacho ao ilustre advogado José Geraldo Grossi chegou a ser objeto de correto desagravo promovido pela OAB ao profissional ofendido.
A indelicadeza jocosa de referir-se aos advogados como tratando-se de pessoas que acordam às 11h30 da manhã, ou seja, que não seriam profissionais afeitos ao trabalho, também foi um momento desconfortável para a relação do então ministro com a profissão.
Leve-se em conta que se tais condutas seriam reveladoras de pouca polidez no cidadão comum são muito piores se provindas de um ministro do STF, cujo cargo exige contenção e fidalguia nos modos.
A popularidade obtida a esse custo e por essa via tem seu preço. Mas neste preço não pode estar incluída qualquer restrição indevida aos direitos fundamentais do cidadão Joaquim Barbosa.
Segundo nossa Constituição, o exercício de qualquer trabalho é livre, salvo restrições havidas em lei. O impedimento do exercício da advocacia deve se dar segundo os critérios legais e aplicado consoante critérios de proporcionalidade e razoabilidade.
Até onde é do meu conhecimento o ex-ministro não foi condenado judicialmente por nenhum crime infamante. Injúrias ocasionais e piadas de mau gosto não são motivos suficientes para justificar a interdição de tão relevante direito como o de exercício de profissão, em especial por tais condutas não terem sido apuradas em processo com direito a ampla defesa.
A OAB/DF deve aceitar o ingresso do ex-ministro em seus quadros, por conta de seu direito fundamental ao exercício do trabalho.
Garantindo a Barbosa o pleno exercício de seus direitos fundamentais, algo que nem sempre ele garantiu aos réus submissos a seu poder de julgador, a OAB estará dando um exemplo civilizador a nossa sociedade. Estará dando um pequeno passo para construção de uma verdadeira sociedade democrática, que no futuro precisará apenas de sua Constituição e não de justiceiros histriônicos para realizar seus valores. (Fonte: aqui).
................
Acompanho o entendimento do articulista: a OAB/DF deve, sim, aceitar o ingresso do ex-ministro em seus quadros. Negá-lo significaria aderir à postura idiossincrática que ele com singular afinco exercitou.
Marcadores:
Direito. Joaquim Barbosa. Advocacia. OAB.
OLD CARTUM
Duayer.
................
Cartum produzido em campanha eleitoral anterior à em curso, quando o Brasil, vergonhosamente, figurava no Mapa Mundial da Fome, elaborado pela FAO (Food and Agriculture Organization), das Nações Unidas.
Marcadores:
Old cartum. Duayer. Promessas. Mapa da Fome.
SOBRE POLÍTICA EXTERNA
"Uma penalista, abrigada sob as Arcadas do Largo São Francisco, disparou um ataque à Presidenta Dilma Rousseff, utilizando-se de metáfora médica para caracterizar o atual Governo como um“câncer”. Seu libelo, entre o patético e o ridículo, repete a tradição do conservadorismo de buscar associar fenômenos sociais a fatores biológicos.O texto prima, no entanto, pela irrelevância e fará sua autora despontar para o anonimato.
Também das Arcadas vem outro míssil, cuja potência faz lembrar os busca-pés das festas juninas. Um Professor-Titular (é assim que ele assina sua carta ao Estadão) critica a “preferência” da Presidenta Dilma pelo Diálogo com o Estado Islâmico (E.I) e sugere que seu Assessor Especial seja enviado ao Oriente a fim de negociar.
O argumento e a sugestão não são originais. Antes do nosso Professor-Titular, outro professor – esse geógrafo e “cristão novo” do conservadorismo – havia desenvolvido seus argumentos e concluído que eu seria um embaixador ideal junto ao E.I. Comovido com a dupla lembrança, agradeço, mas declino a sugestão. E isso por uma razão básica – não houve no discurso ou nas entrevistas de Dilma Rousseff em Nova York nenhuma proposta – sequer sugestão – de negociação com os terroristas islâmicos. Ao contrário.
O que a Presidenta afirmou, em estrita sintonia com a tradição diplomática brasileira, foi que o uso da força, unilateral e sem autorização do Conselho de Segurança, não só fere o Direito Internacional como é um erro de proporções gigantescas. Para tanto, lembrou exemplos recentes que, sob o pretexto de combater o terrorismo, produziram efeitos diametralmente opostos. Sem falar nos “danos colaterais”, isto é, a morte de civis, crianças incluídas. Lembremos que, contra o “perigo do fundamentalismo” iraniano, Saddam Hussein foi armado, para ser, anos depois, combatido pelos que o haviam incitado a lutar contra o “Satã”. Ao ditador iraquiano ocorreu-lhe ir mais além da invasão (frustrada) do Irã e tentar ocupar o Kwait. Má ideia.
As duas Guerras do Iraque – sobretudo a segunda – tiveram como consequência o esquartejamento daquele Estado e, no longo prazo, o nascimento do Estado Islâmico. Agora, trata-se de destruir essa aberração, filha de uma política errática, que substituiu a diplomacia pela ação militar. As consequências são previsíveis.
Na Líbia, para citar outro exemplo, a ação da OTAN, que foi limitada formalmente pelo Conselho de Segurança à necessidade de criar uma “zona de exclusão aérea”, transformou-se em um movimento de derrubada do Governo local. O Governo Kadafi foi derrubado e o caos se instalou no país. Mais que isso, grupos fundamentalistas, valendo-se do armamento fornecido pela OTAN, migraram para o Sahel e desestabilizaram essa parte da África.
Os exemplos se multiplicam, sempre com consequências desastrosas.
Por que doutos acadêmicos desconhecem essa história, da mesma forma que uns poucos ex-diplomatas, que estão hoje se posicionando para um eventual governo de oposição? Não será por deficiência intelectual, mas, seguramente, por aquilo que tratam de, equivocadamente, atribuir à atual política externa do Brasil – viés ideológico.
O Professor-Titular é viúvo da integração assimétrica. Dele é a frase lapidar: “A ALCA pode viver sem o Brasil e o MERCOSUL. Mas será que o Brasil e o MERCOSUL podem viver sem a ALCA?”
Podem, digo eu. E felizmente, porque com a ALCA o Brasil não teria strictu sensu política externa e o MERCOSUL seria, como querem alguns, apenas um lembrança histórica.
O trêfego geógrafo usa os instrumentos analíticos que estão na sua mochila de ex-esquerdista para habilitar-se como analista aceito pela mídia tradicional. As classes dominantes adoram esse tipo de gente.
Já a penalista, bem. Talvez não tenha encontrado no seu receituário bioético argumentos para analisar a presença do Brasil no mundo."
(De Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais. Post intitulado "A política externa na visão dos doutos" - aqui).
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
ELEIÇÕES 2014: JORNAIS, PESQUISAS E TENDÊNCIAS
Detalhes tão pequenos do eleitor
Por Luciano Martins Costa
A divulgação simultânea de pesquisas de dois dos principais institutos –
Ibope e Datafolha – diz muito sobre o papel da imprensa na disputa eleitoral.
Nas edições de quarta-feira (1/10), os três principais diários de circulação
nacional fazem um jogo de mostra-esconde com seus leitores: a tendência é
destacar a recuperação do candidato Aécio Neves e apostar na realização de um
segundo turno, com o senador do PSDB recuperando o terreno perdido para Marina
Silva, do PSB.
Interessante observar que a Folha de S.Paulo analisa apenas os dados de seu instituto, fazendo uma referência rápida ao Ibope, enquanto o Estado de S.Paulo, copatrocinador, com o Globo, da pesquisa eleitoral do Ibope, faz o contrário, como era de se esperar. Mas o Globo abre os gráficos dos dois institutos, dando mais destaque para o Datafolha. Em qualquer dos cenários apontados pelos jornais, os números indicam a possibilidade de Aécio Neves superar Marina Silva até domingo, o dia da eleição, principalmente em função da maior capacidade de mobilização do PSDB nos grandes centros urbanos.
O Datafolha entrevistou 7.520 pessoas em 311 municípios, enquanto o Ibope consultou 3.010 pessoas em 203 municípios. As pequenas discrepâncias entre os dados apresentados pelas duas pesquisas podem ser explicadas pela diferença na cobertura, mas como os jornais não informam o perfil das populações onde foram coletadas as opiniões, não se pode analisar eventuais distorções.
De qualquer modo, 3.010 é menos do que a metade de 7.520, o que permite discutir o critério de seleção das amostragens. Por exemplo, no estado de Santa Catarina o PSDB perde votos nos municípios com maior influência da família Bornhausen, que trocou a antiga aliança com os tucanos pelo apoio ao PSB de Marina Silva. Por outro lado, no estado de São Paulo uma pequena diferença na coleta de opiniões em algumas regiões pode produzir números mais expressivos em favor de Aécio Neves. Em Minas Gerais, uma coleta mais densa ao norte mostra um eleitorado com perfil mais próximo ao dos estados nordestinos.
Essas são questões que exigiriam uma análise muito detalhada de cada pesquisa, de modo que sempre escapa algum aspecto capaz de provocar mudanças significativas entre a coleta de intenções de voto e o voto que efetivamente será registrado nas urnas eletrônicas.
O voto constrangido
É interessante observar que os três jornais esquecem de analisar o índice de aprovação do governo federal. Segundo o Ibope, 38% consideram o governo “ótimo ou bom”, 33% o apontam como “regular” e os que o consideram como “ruim ou péssimo” continuam sendo os mesmos 28% desde a consulta feita entre os dias 5 e 8 de setembro. No Datafolha, 37% consideravam o governo “ótimo ou bom” nas duas pesquisas anteriores, e agora são 39%, enquanto os que o classificavam como “regular” passaram de 39 para 37% em uma semana. Os que o apontam como “ruim ou péssimo” são 23%.
Há uma relação clara entre a reputação do governo e o crescimento da candidatura de Dilma Rousseff, por isso era de se esperar que os jornais continuassem a demonstrar como a contrainformação produzida pela propaganda da candidata tem anulado em parte o viés negativo que predomina na mídia tradicional. Nesse aspecto, seria interessante destacar que os 28% (segundo o Ibope) ou 23% (segundo o Datafolha) que consideram o governo atual “ruim ou péssimo” são os mesmos que não votariam em Dilma Rousseff em nenhuma hipótese.
O fenômeno se parece muito com o episódio relatado pelo radialista Francisco Paes de Barros, em artigo publicado no Estado de S. Paulo (ver aqui): em 1985, Fernando Henrique Cardoso era apontado como vitorioso na disputa contra Jânio Quadros pela prefeitura de São Paulo; com exceção da Rádio Record, que fazia sua própria pesquisa, todos os institutos apontavam, até a véspera, uma vitória do sociólogo sobre o ex-presidente.
Fernando Henrique chegou a sentar-se na cadeira de prefeito, a pedido de um fotógrafo da Folha de S.Paulo. Jânio venceu com o “voto envergonhado”, que não aparecia nas pesquisas, e desinfetou a cadeira antes de assumir.
Em 2014, os números crescentes de aprovação do governo federal, mesmo sob intenso bombardeio da imprensa, indicam que há uma fração considerável do eleitorado dissimulada nas pesquisas, onde se esconde o voto constrangido. Como Aécio Neves e Marina Silva terão que atacar um ao outro na reta final, esse voto pode definir a eleição em primeiro turno.
São detalhes como esse que desmoralizam os profetas da imprensa. (Fonte: aqui).
Interessante observar que a Folha de S.Paulo analisa apenas os dados de seu instituto, fazendo uma referência rápida ao Ibope, enquanto o Estado de S.Paulo, copatrocinador, com o Globo, da pesquisa eleitoral do Ibope, faz o contrário, como era de se esperar. Mas o Globo abre os gráficos dos dois institutos, dando mais destaque para o Datafolha. Em qualquer dos cenários apontados pelos jornais, os números indicam a possibilidade de Aécio Neves superar Marina Silva até domingo, o dia da eleição, principalmente em função da maior capacidade de mobilização do PSDB nos grandes centros urbanos.
O Datafolha entrevistou 7.520 pessoas em 311 municípios, enquanto o Ibope consultou 3.010 pessoas em 203 municípios. As pequenas discrepâncias entre os dados apresentados pelas duas pesquisas podem ser explicadas pela diferença na cobertura, mas como os jornais não informam o perfil das populações onde foram coletadas as opiniões, não se pode analisar eventuais distorções.
De qualquer modo, 3.010 é menos do que a metade de 7.520, o que permite discutir o critério de seleção das amostragens. Por exemplo, no estado de Santa Catarina o PSDB perde votos nos municípios com maior influência da família Bornhausen, que trocou a antiga aliança com os tucanos pelo apoio ao PSB de Marina Silva. Por outro lado, no estado de São Paulo uma pequena diferença na coleta de opiniões em algumas regiões pode produzir números mais expressivos em favor de Aécio Neves. Em Minas Gerais, uma coleta mais densa ao norte mostra um eleitorado com perfil mais próximo ao dos estados nordestinos.
Essas são questões que exigiriam uma análise muito detalhada de cada pesquisa, de modo que sempre escapa algum aspecto capaz de provocar mudanças significativas entre a coleta de intenções de voto e o voto que efetivamente será registrado nas urnas eletrônicas.
O voto constrangido
É interessante observar que os três jornais esquecem de analisar o índice de aprovação do governo federal. Segundo o Ibope, 38% consideram o governo “ótimo ou bom”, 33% o apontam como “regular” e os que o consideram como “ruim ou péssimo” continuam sendo os mesmos 28% desde a consulta feita entre os dias 5 e 8 de setembro. No Datafolha, 37% consideravam o governo “ótimo ou bom” nas duas pesquisas anteriores, e agora são 39%, enquanto os que o classificavam como “regular” passaram de 39 para 37% em uma semana. Os que o apontam como “ruim ou péssimo” são 23%.
Há uma relação clara entre a reputação do governo e o crescimento da candidatura de Dilma Rousseff, por isso era de se esperar que os jornais continuassem a demonstrar como a contrainformação produzida pela propaganda da candidata tem anulado em parte o viés negativo que predomina na mídia tradicional. Nesse aspecto, seria interessante destacar que os 28% (segundo o Ibope) ou 23% (segundo o Datafolha) que consideram o governo atual “ruim ou péssimo” são os mesmos que não votariam em Dilma Rousseff em nenhuma hipótese.
O fenômeno se parece muito com o episódio relatado pelo radialista Francisco Paes de Barros, em artigo publicado no Estado de S. Paulo (ver aqui): em 1985, Fernando Henrique Cardoso era apontado como vitorioso na disputa contra Jânio Quadros pela prefeitura de São Paulo; com exceção da Rádio Record, que fazia sua própria pesquisa, todos os institutos apontavam, até a véspera, uma vitória do sociólogo sobre o ex-presidente.
Fernando Henrique chegou a sentar-se na cadeira de prefeito, a pedido de um fotógrafo da Folha de S.Paulo. Jânio venceu com o “voto envergonhado”, que não aparecia nas pesquisas, e desinfetou a cadeira antes de assumir.
Em 2014, os números crescentes de aprovação do governo federal, mesmo sob intenso bombardeio da imprensa, indicam que há uma fração considerável do eleitorado dissimulada nas pesquisas, onde se esconde o voto constrangido. Como Aécio Neves e Marina Silva terão que atacar um ao outro na reta final, esse voto pode definir a eleição em primeiro turno.
São detalhes como esse que desmoralizam os profetas da imprensa. (Fonte: aqui).
DO ESOTERISMO QUÂNTICO
Esoterismo quântico
Por Paulo Nogueira
Tanto os fãs ardorosos dos documentários "Quem somos nós" e "O Segredo" quanto os espectadores que consideraram esses filmes um desfile de bobagens requentadas do movimento Nova Era podem tirar algum proveito do novo livro do físico americano Victor Stenger. "Quantum Gods" (Deuses Quânticos) se destina justamente a atacar a crença de que as modernas teorias cientificas são perfeitamente compatíveis com toda forma de prática esotérica.
O livro é uma resposta direta a ambos documentários, nos quais cientistas, médicos, religiosos e gurus de auto-ajuda recorrem a conceitos da mecânica quântica -ramo da física que explica o comportamento da matéria a níveis muito pequenos- e de outras ciências para abordar temas místicos como poder do pensamento, carma, vida após a morte etc.
Desde o fim dos anos 1980, Stenger tem militado na corrente neoateísta que tem no biólogo Richard Dawkins e no filósofo Daniel Dennett suas faces mais conhecidas. Seu novo livro começa fazendo um breve e irônico levantamento das idéias defendidas pela nova onda de gurus quânticos.
Stenger dá destaque a Amit Goswami, físico indiano bastante popular no Brasil, tendo sido entrevistado duas vezes no programa Roda Viva, da TV Cultura. Mas até o Dalai Lama é citado, devido a seu livro "O Universo num Só Átomo". O líder tibetano, porém, é abordado de forma respeitosa.
Já o fundador da meditação transcedental, o físico e guru indiano Maharishi Yogi (1917-2008) recebe chumbo pesado. David Bohm e Fritjof Capra, cientistas que não aparecem nos filmes, mas que são pioneiros do encontro da Mecânica Quântica com a Nova Era, também não escapam ilesos.
Divulgador experiente, Stenger inclui no livro seções que formam uma curta mas substanciosa história da ciência. Isso permite a um leigo tomar pé do debate sobre problemas teóricos complexos, mas deixa passar a chance de desmontar detalhadamente afirmações supostamente científicas com as quais o espectador se depara em "Quem somos nós".
Em vez de tentar negar, por exemplo, a afirmação de Goswami de que a consciência é o fundamento do Universo, ele prefere repassar a história da criação da física de partículas. Em vez de contestar os experimentos de Masaru Emoto, que afirma que as moléculas de água podem ser alteradas pela força do pensamento, ele descreve os fracassos obtidos em testes de parapsicologia.
É como se Stenger acreditasse que uma apresentação criteriosa de conceitos complicados, como o emaranhamento quântico, será o suficiente para que os leitores possam, por si só, perceber os pontos em que Capra, Goswami e companhia estão "forçando a barra".
Em benefício da dúvida
Só que o mais provável é que o leitor leigo se sinta incapaz de chegar a uma conclusão por conta própria.
Neste caso, provavelmente a leitura apenas terá colaborado para aumentar suas dúvidas. Porém, isso, por si só, já pode ser algo positivo. Afinal, uma das maiores objeções que se pode fazer a "Quem somos nós" é que o filme não avisa aos espectadores que as posições ali apresentadas são, no mínimo dos mínimos, controversas, e que não são endossadas pela imensa maioria da comunidade científica.
Stenger oferece aos leitores a visão acadêmica destes mesmos temas, numa linguagem acessível.
Saber que existe uma outra visão (na verdade várias) da mecânica quântica pode ser uma grande novidade para muitos dos fãs de "Quem somos nós", que fizeram dele o quinto documentário mais lucrativo da história dos EUA.
O livro analisa também as ideias de outros grupos que, volta e meia, recorrem à mecânica quântica para sustentar suas ideias. Ilya Prigogine, prêmio Nobel de química de 1977 e herói da corrente acadêmica conhecida como transdiciplinaridade, é diretamente contestado. Prigogine afirma que os processos termodinâmicos não podem ser abordados através do tradicional reducionismo metodológico tão caro à ciência moderna pois, neste caso, esses processos não seriam reversíveis no tempo.
Stengers afirma que, por princípio, todos os processos físicos são reversíveis temporalmente, e que Prigogine "está completamente errado, mesmo tendo ganho um prêmio Nobel". Também sobram críticas para a parapsicologia e para os teólogos que investigam o mundo microscópico em busca de sinais da ação do Deus cristão, ou de algo próximo a ele.
Sobrecarga
Ao mirar em tantos objetivos diferentes, o autor sofre do ônus de ter poucas páginas para devassar temas muito variados e complexos. Sem o espaço necessário para uma exposição mais adequada, sua argumentação soa, em vários momentos, concisa demais. Mas há um motivo para isso: em livros anteriores ele já investiu diretamente contra criacionistas, adeptos do Design Inteligente, da parapsicologia etc. Aqui, em certos momentos onde seria necessário um maior aprofundamento, ele se limita a se referir a sua própria obra.
No final do livro, Stenger argumenta diretamente contra a existência de qualquer tipo de divindade. Sua visão do fenômeno religioso lembra um pouco a de Dawkins, restringindo-se a análise de certos estereótipos. Nada disso, porém, chega a comprometer a consistência do livro. Stenger tem o conhecimento científico e a expertise literária necessários para apresentar um bom contraponto à febre de física Nova Era que continua circulando pelo planeta, Brasil inclusive. (Fonte: aqui).
LIVRO - "Quantum Gods"
Victor Stenger; Prometheus Books, 292 págs.
ENTREOUVIDOS ELEITORAIS
"Todos vocês fiquem atentos: martelem as contradições da Marina, mas não a ponto de ela cair demais nas intenções de voto."
"O chefe 'tava correto quando falou aquilo. Sacou que há o risco de os votos da Marina migrarem não para Aécio, mas para aquela candidata!"
"Não podemos em hipótese alguma citar as palavras 'aeroporto', 'helicóptero', 'Clésio Andrade', 'Cláudio', 'Pimenta'... Peraí, será que esqueci alguma?"
"É pra falar em segundo turno, sempre segundo turno. Se a eleição acabar no primeiro turno será a hecatombe".
"Ajeita o percentual dela de modo a não ter chance de levar a parada no primeiro turno, entendeu? Quanto ao segundo, a diferença dela sobre Aécio e Marina tem de ficar bem próxima, entendeu?"
"É pra estimular ao máximo a disputa Aécio X Marina, sacou? O eleitor precisa estar focado somente neles, sacou? Até o final, é imperativo deixar aberta a chance de virada, sacou?"
"Não pode dizer que o Paulo Roberto Costa era funcionário de carreira, sacaram? Não pode citar o tempo de serviço dele na Petrobras, nem informar que o primeiro cargo diretivo importante dele foi dado por FHC, entenderam?"
"Se o outro falar em CPI do Banestado, vocês só poderão destacar nomes de políticos da situação. Se aparecer parceiro nosso, é pra cortar sumariamente, sacaram?"
"Manda cortar tudo o que pintar sobre os tais programas sociais. Até o dia 5, nada de alusão a Mais Médicos, Minha Casa, Bolsa, Luz, o tal Pronatec, qualquer um desses troços, entenderam bem?
"Crise mundial não! Grécia, Portugal, Espanha, nem pensar! PIB pífio da Alemanha, vetado!
"Deixem comigo, que dos editoriais eu cuido!"
"Estabelecer relação entre a votação de Pimenta e Pimentel com cerceamento da liberdade de imprensa em Minas no governo Aécio não pode, será que eu precisar desenhar?"
"O caso do jatinho?! Nem pensar!"
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Cartum. Eleições 2014. Marina Silva. Thiago.
A HISTÓRIA DO VOTO NO BRASIL
A Agência Câmara de Notícias disponibiliza - aqui -, mediante a 'linha do tempo das eleições', a história do voto no Brasil, destacando fatos compreendidos entre os anos de 1532 e 2014. Excelente ideia.
SOBRE O MAIS MÉDICOS
"- Tem pacientes que dizem que bastou o médico olhar e já melhoraram. Dizem: 'Esse médico me olhou e eu já me senti bem'.
- Quando o médico fala, conversa, é muito importante para o paciente, e também é muito importante o médico escutar o que o paciente fala. (...)."
(Observações formuladas por médicos cubanos, pinçadas em matéria de página inteira do jornal Meio Norte, de Teresina, edição de ontem, 30 de setembro. Algumas das manchetes: "Mais Médicos zera mortalidade no PI" - no caso, no Posto de Saúde na cidade de Barras, após um ano de atividades dos médicos Olivia Gonzalez e Omar Diaz, em que nenhuma morte de criança e de gestante foi registrada -, "Abraços e atenção ajudam na cura dos pacientes", "'A médica pergunta, fala e sorri', diz vendedora em Piripiri".
Por meio do Programa, o estado do Piauí ampliou em 327 o número de médicos atuando na atenção básica em 167 de seus 224 municípios, resultando em elevação de 93% na quantidade de atendimentos imediatos. No Brasil, são mais de 14.000 médicos, em cerca de 3.500 dos 5.665 municípios.
Se é um sucesso a atuação do Mais Médicos nas cidades de Barras e Piripiri, que já contavam com a presença de profissionais da saúde, imagine nos municípios onde a assistência é inédita.
Enquanto isso, as entidades médicas nacionais se mantêm irredutíveis contra a iniciativa...).
ESTADO ISLÂMICO, TERROR E MIOPIA
Para a Rússia, o duplo critério cegou os EUA sobre o Estado Islâmico
Por Vladimir Pesnya
O ministro russo de Assuntos Exteriores, Serguei Lavrov, assegurou que a política de duplo critério dos Estados Unidos lhe impediu apreciar a ameaça real que representava o Estado Islâmico (EI).
Os países ocidentais começaram a reagir somente após a televisão difundir o repugnante vídeo da execução dos jornalistas estadunidenses, afirmou o chanceler em declarações à rede russa Canal 5.
Depois de qualificar de inaceitável e desumano esse crime, Lavrov perguntou por que os estadunidenses não se deram conta antes dessa ameaça. E respondeu que a causa foi a política de duplo critério aplicada por Washington na batalha antiterrorista.
Recordou que os Estados Unidos e seus aliados ignoraram os chamados de Moscou a unir esforços e ajudar o governo sírio a criar, junto à oposição moderada e patriótica, uma única frente para combater os terroristas que invadiram o país árabe.
Lavrov sublinhou que o EI, proclamado agora inimigo número um de Washington, se fez forte graças ao financiamento estrangeiro [e armas] durante a derrubada do governo líbio, e às tentativas de repetir esse roteiro na Síria.
O chanceler russo se referiu aos reiterados chamados de atenção de Moscou a respeito da presença de muitos extremistas e terroristas entre os que combatiam as autoridades oficiais da Líbia e da Síria.
Nos asseguraram que esse assunto se solucionaria após a queda dos regimes, afirmou, ao lamentar que os governantes ocidentais não atenderam à Rússia.
Ao se referir à criação neste momento de uma coalizão antiterrorista, Lavrov expressou que "mais vale tarde que nunca", mas insistiu na necessidade de obter o [prévio] consentimento das nações em cujo território se luta contra os terroristas, e em particular, a autorização da Síria.
Sobre a posição do Kremlin nesse tema, o chanceler recordou que a Rússia fornece há muito tempo armamentos ao Iraque, Síria e outros países da região para ajudá-los a reforçar seu potencial no combate aos terroristas.
Lavrov criticou, na entrevista, que alguns políticos ocidentais pretendam igualar o que denominam "ameaça russa" com os crimes dos extremistas do EI.
Criticou um artigo com esse ponto de vista publicado pelo presidente estadunidense Barack Obama e o primeiro-ministro britânico David Cameron, e concluiu que essa calúnia "está totalmente fora de lugar, para além do limite do bem e do mal". (Fonte: aqui).
terça-feira, 30 de setembro de 2014
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