domingo, 6 de abril de 2014

DA SÉRIE AMENIDADES DOMINICAIS


Estudo afirma que quem bebe cerveja atrai mais pernilongos

Um estudo afirmou que pessoas que bebem muita cerveja são mais propensas a atrar pernilongos. A pesquisa foi revelada pela Toyama Medical and Pharmaceutical University, no Japão.

A explicação para o fenômeno está ligada ao tipo sanguíneo e à quantidade de cervejas que a pessoa anda bebendo. Os cientistas descobriram que pessoas com o sangue tipo O que bebem cerveja são os alvos preferidos dos insetos.

Além disso, uma simples lata de cerveja é o suficiente para que os pernilongos sejam mais atraídos pelo consumidor. Ainda não se sabe os motivos que fazem com que o sangue fique mais “adocicado” para os insetos. (Fonte: aqui).

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"Ainda não se sabe os motivos que fazem com que o sangue fique mais 'adocicado' para os insetos."
E dificilmente se virá a saber. Se ao menos se tratasse de cachaça, que é feita de cana de açúcar...

FLAGRANTE DA VIDA REAL


Casso.

DOIS POSTS ANTIGOS E ESTE

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POST PUBLICADO EM 13 DE DEZEMBRO DE 2013, NESTE BLOG:

"Da democratização do voto (II)

Li há pouco - aqui - notícia dando conta de que, na sessão de anteontem, 11, em que o STF deu início ao julgamento da ADIN sobre financiamento de campanhas políticas por empresas privadas, o Advogado-geral da União, Luis Adams, teria sido contestado ao afirmar que nos EUA a boca é livre, ou seja, que lá as empresas podem doar sem limites.

Luis Adams está correto. A boca livre eleitoral por parte de empresas foi tratado em 2012 pela Suprema Corte norte-americana, e este blog publicou, em 24.08.2012, o seguinte:

                    (Mitt Romney se preparando pra subir ao ringue, onde Obama o espera).

A Suprema Corte americana decidiu que inexiste teto para as doações realizadas por empresas: cada uma pode doar o quanto entender cabível. Daí a polvorosa nos comitês republicano e democrata. Mobilização total. Uma das bandeiras de Romney é aumentar impostos para os mortais comuns e reduzir os dos detentores de grandes fortunas. Logo... Haja luva de boxe pra agasalhar tanto cifrão! (AQUI).

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À época, considerei a decisão inteiramente antidemocrática (não só pela ausência de limites das doações, mas também pelo fato de se tratar de doações feitas por empresas). E continuo com o mesmo entendimento. (...)."

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Quatro dias atrás, o ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo em questão. Mas o assunto já está decidido: seis dos 11 ministros do STF proferiram voto contrário ao financiamento de campanhas políticas por empresas privadas. O que considero salutar.
Resta aguardar a vista do ministro Gilmar para saber a partir de quando a norma passará a vigorar.

MÁQUINA DOIS EM UM


(Autor desconhecido).

INTERNET: MARCO CIVIL BRASIL FAZ ESCOLA


Europa segue o Brasil no Marco Civil da Internet

Um dos argumentos dos opositores do Marco Civil da Internet era pintar o projeto como mais uma ‘jabuticaba’ nacional – apesar dos exemplos de outros países que já contavam com legislação relativa à Internet e, especialmente, a neutralidade de rede.

Na quinta-feira, 3/4, ruiu especialmente a tese de que ‘nações avançadas’ deixavam a Internet para o mercado resolver. O Parlamento Europeu colocou em lei o princípio da neutralidade de rede – e com um texto muito parecido com o que a Câmara dos Deputados aprovou no Brasil. O texto passou com forte maioria de 534 votos a favor, 25 contrários e 58 abstenções.

Assim como prevê o Marco Civil no Brasil, também há espaço para o tratamento diferenciado por aspectos técnicos. “É possível atender a demanda de usuários finais a serviços e aplicações que requeiram qualidade ampliada ou garantida. Tais serviços podem incluir, entre outros, transmissão de TV, videoconferência e certas aplicações de saúde.”

Além do limite às exceções, prevê que “não causem detrimento à qualidade do acesso à Internet” e, ainda, que “medidas de gerenciamento de tráfego não podem fazer discriminações entre serviços e aplicações concorrentes”. Em outro trecho, diz que “provedores de acesso à Internet aos usuários finais não devem discriminar serviços ou aplicações com funcionalidades equivalentes”.

E embora, mais uma vez a exemplo do Marco Civil, sejam mantidas as possibilidades de contratos com limites de dados ou velocidades, insiste que “provedores de acesso não podem restringir liberdades, bloquear, reduzir, alterar, degradar ou discriminar conteúdos, aplicações ou serviços específicos, ou classes específicas”.

A lei orienta as autoridades regulatórias nacionais a monitorarem de perto essas determinações que impedem a discriminação de tráfego, bem como a continuidade do acesso à rede “em níveis de qualidade que reflitam os avanços na tecnologia”. E, ainda, que sejam impostas “exigências mínimas de qualidade de serviço e outros parâmetros de qualidade”, coisa também já adotada no Brasil. (Com informações da Convergência Digital). (Fonte: aqui).

sábado, 5 de abril de 2014

PESQUISA IPEA: MACHISMO GALOPANTE: CHARGE RETIFICADA

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Charge de Amarildo, reproduzida por este blog em 31 de março:


Amarildo.

Charge retificada:


Amarildo.

OLD CARTUM

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A tampinha.


Dodó Macedo.  Década de 1990.

AP 470: STF IGNOROU DIREITO A DOIS JULGAMENTOS


Mensaleiros serão julgados novamente

Por Luiz Flávio Gomes

A ciência médica tem suas verdades: com 40 graus, você está com febre. A ciência jurídica tem suas regras. Elas valem para todos (petistas, peessedebistas, esquerdistas, direitistas, reacionários etc.). Uma delas é a seguinte:

Todo condenado, no campo do direito criminal, tem direito a dois julgamentos, sem nenhuma restrição. Isso significa a integral revisão dos fatos analisados, das provas produzidas assim como do direito aplicado. Tecnicamente se chama “duplo grau de jurisdição”, que está previsto no art. 8º, II, “h”, da Convenção Americana de Direitos Humanos, em vigor no Brasil desde 1992. Ela é de aplicação obrigatória pelos juízes brasileiros, por força do art. 5º, § 2º, da Constituição federal.

A Suprema Corte do nosso país (STF) vem deploravelmente ignorando esse direito e reiteradamente violando-o, todas as vezes que condena alguém diretamente (no último ano o STF mandou 6 parlamentares para a cadeia) e já proclama o trânsito em julgado, sem dar ao réu o direito ao duplo grau de jurisdição (segundo julgamento). É um vício procedimental inaceitável e inconvencional (porque viola o direito interamericano). O STF, no entanto, também nesse tema, ignora completamente o direito internacional, que foi aceito pelo Brasil espontaneamente.

O direito a dois julgamentos existe como garantia mínima de todas as pessoas processadas criminalmente, dentro do âmbito espacial do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, da OEA. A jurisprudência da Corte Interamericana, admitida pelo Brasil em 1998, é pacífica nesse sentido (especialmente a partir do caso Barreto Leiva contra a Venezuela, julgado em novembro de 2009). A condenação criminal restringe direitos muito relevantes das pessoas (liberdade, patrimônio etc.) e pode conter erros de procedimento ou de interpretação ou ainda injustiças.

Ninguém está isento de errar (errare humanum est). Trata-se, assim, de garantia civilizatória inquestionável, que o STF, especialmente seu atual presidente, teima, equivocadamente, em não aceitar. Não importa quem é o réu (petista, peessedebista etc.). Isso não tem relevância para o direito ao duplo grau de jurisdição.

Se alguém tinha alguma dúvida sobre o direito citado, basta ler a nova sentença da Corte Interamericana proferida no dia 30/1/14 (caso Liakat Ali Alibux contra Suriname, que já corrigiu seu direito interno em 2007, depois do julgamento viciado de Alibux). Mesmo quem é julgado pela máxima Corte do país tem direito ao duplo grau. Não importa se é uma autoridade com foro especial (deputado, senador etc.) ou algum outro réu que é processado juntamente com ela. Não se pode confundir o sistema europeu com o interamericano.

Todo país deve adequar sua legislação interna para abrigar o duplo julgamento, antes que a sentença transite em julgado. Os países da OEA estão revisando seus ordenamentos e a solução mais frequente tem sido prever o primeiro julgamento por uma Turma e a revisão pelo Pleno (isso atende integralmente a jurisprudência da Corte citada). A maioria dos países já está agindo dessa maneira.

É dever moral e jurídico de todos os países cumprirem os tratados internacionais que firmam (pacta sunt servanda). Portanto, são deploráveis e extremamente perniciosas para o avanço dos direitos humanos e da cultura civilizatória as declarações de alguns ministros ou ex-ministros (Barbosa, Peluzo, Jobim, Marco Aurélio) de que as decisões internacionais não contariam com eficácia jurídica no âmbito do direito interno ou que os réus condenados pelo Supremo não teriam direito de postular o duplo grau de jurisdição.

Com formação jurídica vinda do século XIX (sistema jurídico da legalidade), eles ignoram o direito internacional vigente assim como o fato de que o Brasil vem cumprindo, com maior ou menor dificuldade, todas as decisões da Comissão ou da Corte Interamericana (veja os casos Maria da Penha e Ximenez Lopes, por exemplo). O mais preocupante, do ponto de vista estritamente jurídico, é saber que todos os réus condenados pelo STF estão cumprindo suas penas mesmo antes do trânsito em julgado final (ou seja: mesmo antes do segundo julgamento necessário, quando o réu recorra). O STF está afirmando a coisa julgada onde não deveria (onde não existe coisa julgada, por falta de cumprimento das regras e da jurisprudência internacionais). (Fonte: aqui).

OLD CARICATURE


O poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) era também caricaturista. O desenho acima foi publicado no suplemento literário Arquivos Implacáveis, que João Condé (1912-1996) publicou por longos anos (a partir dos anos 40) no Rio de Janeiro.

José Geraldo Vieira (1897-1977), retratado por Drummond, médico, professor, escritor, tradutor e crítico literário, dedicou-se por mais de quarenta anos à literatura brasileira.

O ERRO DO IPEA


Ipea diz que são 26% e não 65% os que apoiam ataques a mulheres

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do governo federal, informou nesta sexta-feira (4) que errou ao divulgar na semana passada pesquisa segundo a qual 65,1% dos brasileiros concordam inteiramente ou parcialmente com a frase "Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas". De acordo com o instituto, o percentual correto é 26%.

O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Rafael Guerreiro Osório, pediu exoneração assim que o erro foi constatado, informou o instituto. (Para continuar, clique aqui).

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Dá até um diálogo transcendental:

- Quase três em cada quatro brasileiros concordam inteiramente ou parcialmente com a frase "Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas".

- O Ipea errou. O correto é: apenas um em cada quatro brasileiros concorda com a frase.

- Ah, sendo assim, tudo bem!

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No mais, comentaristas e chargistas partem com tudo para o "Peia no Ipea".

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NotaObserve-se, porém, que "A informação de que 58,5% dos entrevistados concordam com a ideia de que 'se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros' se mantém. Ou seja: a violação dos direitos de figuras do gênero feminino, para a maioria, ainda está condicionada à postura das mulheres." (Aqui).

CERVEJAR, VERBO INDIFERENTE


Sérgio Paulo.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

SOBRE O (NOVO) STF

                    Olhos, enfim, cobertos.

Nova maioria circunstancial restitui a Suprema Corte ao País

O Supremo Tribunal Federal voltou a comportar-se como uma Suprema Corte que analisa as controvérsias e decide de forma juridicamente fundamentada.

Por Antonio Lasance

Vícios estavam se tornando virtudes

Há algo de novo no Supremo Tribunal Federal. O órgão voltou a comportar-se como uma Suprema Corte que analisa as controvérsias e decide de forma juridicamente fundamentada; zela por seu espírito colegiado; respeita divergências; evita a formação de panelinhas; e onde as decisões que prevalecem não são aquelas dos ministros que gostam de ganhar no grito e intimidar os demais.

Concorde-se ou não com as decisões proferidas em 2014, o fato é que elas passaram a ser entendidas por juristas e advogados como um sinal claro de que o STF ganhou uma nova cara.

A partitr da entrada em cena dos novos ministros Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso, o Supremo voltou a ter a chance de alcançar seu equilíbrio. Outros ministros que sempre tiveram uma postura mais institucional deixaram de estar isolados e passaram a formar uma nova maioria.

A decisão de quarta-feira (dia 2), a respeito do financiamento de campanhas eleitorais por empresas, foi considerada exemplar desse novo clima.

A tarefa dos ministros era apreciar e concluir a análise da Ação Direta de Inconstitucionalidade interposta pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (ADI 4650). A ADI tem o propósito de abolir o abastecimento de campanhas eleitorais pelo dinheiro de empresas.

Iniciado em dezembro de 2013, o julgamento havia sido interrompido pelo pedido de vista do ministro Teori Zavascki. Já havia quatro votos favoráveis à ação da OAB: Luiz Fux (relator), Luís Roberto Barroso, Joaquim Barbosa e Dias Toffoli. Em dezembro, a sessão já havia tido seus tímpanos agredidos pela posição de Gilmar Mendes em defesa do financiamento privado.

Na volta do julgamento, Teori abriu divergência. Não que concorde que empresas “doem” dinheiro a políticos e partidos em campanhas, mas alega que o assunto é de competência do Legislativo, e não do Judiciário.

Em seguida, o ministro Marco Aurélio Mello antecipou seu voto e declarou posição favorável ao fim do financiamento de empresas às campanhas de políticos.

Ricardo Lewandowski, que anos antes havia comprado a briga, no STF e no TSE, em favor da aplicação imediata da Lei da Ficha Limpa, também votou pela proibição do dinheiro de empresas em eleições.

Teori retomou o assunto e, ao proferir seu voto, deu pelo menos dois recados nas entrelinhas:

1) Que a divergência entre ministros deve ser respeitada segundo seus fundamentos jurídicos, e não levada para o ringue da disputa em favor de interesses partidários. Tanto faz quem se beneficia de uma decisão do STF, se gente do governo ou da oposição. Não é isso que importa em um julgamento de ADI;

2) Não deve existir uma maioria alinhada no STF para votar sempre da mesma maneira, comportando-se como uma panela que abdica casuisticamente de convicções para derrotar sistematicamente um grupo minoritário.

Gilmar Mendes não entendeu o recado, mas ficou exposto. Pediu vistas sobre uma questão sobre a qual já manifestou a decisão de manter o “status quo” do financiamento de empresas a políticos.

Independentemente do pedido de vista de Gilmar Mendes, a maioria já está formada, e a decisão, tomada - apenas ainda não concluída e proferida. Resta agora decidir a partir de quando passará a valer.

No julgamento anterior, sobre o crime de quadrilha na Ação Penal 470 (“mensalão”), quem ficou mais exposto foi Joaquim Barbosa. Ali, fez a acusação de que, desde a vinda de Teori e Barroso, uma “maioria de circunstância” estava formada no STF para atender a interesses de um governo e seus partidos.

O despautério seria desmentido, dessa vez sob a liderança de Barroso, na semana seguinte, quando este levou ao colegiado o caso do mensalão tucano. Em questão, a competência ou não do Supremo para julgar Eduardo Azeredo, deputado do PSDB de Minas Gerais que havia renunciado ao mandato. Em tese, a renúncia justificaria a perda de foro privilegiado, ou seja, de julgamento no STF. Só que contrariava frontalmente a AP 470.

Contrariando as expectativas, Barroso votou pelo envio do caso a um juiz de primeira instância. Argumentou ainda que o STF precisava de um critério sobre a questão, pois o julgamento do tucano destoava flagrantemente de outros, nos quais réus que já não eram mais parlamentares continuaram sob a batuta do STF.

A declaração inimaginável de Barbosa, quando do julgamento dos embargos sobre o crime de quadrilha da AP 470, concordando que penas foram estipuladas de modo a levar alguns dos réus  ao regime fechado de prisão, foi considerada pela maioria dos ministros como a gota d’água. A confissão de Barbosa, capaz de comprometer a suposta lisura do julgamento, além de uma afronta a uma instituição jurídica elementar, foi vista como a demonstração cabal de que vícios estavam se tornando virtudes. 

A nova maioria “institucionalista” do Supremo

No caso de Azeredo, Barroso passou a borracha na prática empregada na AP 470. Ao contrário, invocou o princípio de que o réu deve ser julgado pelo juiz que a norma estabelece como a autoridade competente para tal, e não de acordo com outras conveniências “circunstanciais”.

O recado de Barroso foi o de pedir que o STF cubra novamente os olhos e tome suas decisões sem olhar quem está sendo julgado, nem que tipo de predileção política ou pessoal os ministros eventualmente tenham em relação aos acusados.

Em clima muito mais tenso, mas no mesmo sentido, ocorreu a decisão tomada em 2013, com o voto decisivo de Celso de Mello, sobre a aceitação dos embargos infringentes impetrados pelos mesmos réus da AP 470.

O Supremo, ao que parece, conseguiu finalmente reunir um núcleo de ministros capazes de combater a contaminação da Corte pelo casuísmo, que afeta com a insegurança jurídica, no final das contas, gregos e troianos.

Esse núcleo majoritário reúne de seis a oito ministros do colegiado, muito preocupados com o destino do Supremo. De modo mais concentrado, além dos novatos (Teori e Barroso), Ricardo Lewandovsky, Dias Toffolli, Carmem Lúcia e Rosa Weber. Celso de Mello e Marco Aurélio, mais antigos e mantendo certa distância, também perfilham nessa linha institucional.

Ficaram de fora, isolados, Barbosa e Mendes. Luiz Fux, de todos, é o mais errático. Foi um dos mais agressivos no julgamento da AP 470, é considerado escorregadio em termos de uma postura mais institucional, mas não gostaria de permanecer isolado.

Essa maioria de ministros quer superar erros e descomposturas graves, ocorridos principalmente durante o julgamento do mensalão. Consideram que se ultrapassou o limite da decência jurídica quando os argumentos técnicos foram trocados por agressões e palavrões (“chicana”, “vista grossa” e outros termos que, na visão desses ministros, desqualificaram o STF).

O compromisso é também o de garantir que o STF volte a ser um órgão com uma postura eminentemente colegiada. O que se quer evitar é a cristalização de um presidencialismo imperial no STF, antes que o abuso se torne tradição. Havia o receio também de que decisões monocráticas suplantassem o colegiado, inclusive com a justificativa real de que a pauta está assoberbada. Outra preocupação é de o estrelismo e a fogueira de vaidades continuarem a tomar conta dos debates.

Nessa nova maioria, nenhum dos ministros reivindica liderança ou ascendência permanente. Ao contrário, querem tirar dos ombros o peso de tomar decisões unilaterais ou de ter que estressar, politicamente, discussões cujas repercussões ultrapassam partidos e mandatos.

Impossível saber como esses ministros votarão da próxima vez. Ótimo. É assim que deve funcionar uma Suprema Corte. Se conseguirem manter a linha, terão livrado o STF de um grave risco: o de captura do órgão por uma maioria orientada por um projeto de poder, governista ou de oposição.

O clima de boteco pode ter finalmente acabado. Um ambiente mais sóbrio tende a prevalecer, jogando para escanteio os ministros que preferem tripudiar e que tentam ganhar as votações no grito - sabemos de quem estamos falando.

Em 2014, essa nova maioria pode ter resgatado o Supremo para que faça aquilo para o que foi criado: ser um órgão de defesa da Constituição. O Brasil pode ter ganhando de volta uma Suprema Corte que, ao invés de dar espetáculo, prefere fazer direito. (Fonte: aqui).

(*) Antonio Lassance é cientista político.

O ARMA-RIO


Ivan.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS: DESCASO MUNDIAL

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Escolha a alternativa correta:  O avestruz é:  a) norte-americano;  b) chinês;  c) alemão;  d) demais países industrializados;  e) todas elas.


Bennett.

A FIXAÇÃO DO MINISTRO


Muito à vontade

Por Janio de Freitas

No despacho em que acusa o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, de não investigar as denúncias contra os presos do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa ora lhes atribui "irregularidades", como certeza consumada; ora "fatos narrados", o que nada assegura sobre fatos reais; "aparentes regalias", ou meros aspectos; e, de repente, seguro e definitivo, "ilegalidades".

Tudo isso a propósito das "regalias" e "privilégios" de Delúbio Soares e José Dirceu, e agora, por denúncia na Folha, de Valdemar Costa Neto.

Em fins de fevereiro, Delúbio teve cassadas as suas saídas para trabalho externo, porque um carro da CUT, onde trabalhava, estacionou no pátio da penitenciária. De volta ao regime fechado por um mês, Delúbio recuperou agora o semifechado. No fim de fevereiro encerrou-se o prazo de uma "investigação" para saber se Dirceu, em 6 de janeiro, falou ou não em um celular. Está há muitos dias pendente de Joaquim Barbosa a decisão sobre o emprego de Dirceu em um escritório de advocacia. Valdemar será investigado porque repórteres o acampanaram durante dias, como fazem os tiras, e comprovaram que ele foi acompanhado pela mulher no percurso para o trabalho, aí recebeu dois deputados e, nada menos grave, compraram-lhe um sanduíche na volta à cadeia.

Os dois petistas, e alguns colegas de prisão, foram acusados ainda da "regalia e privilégio" de comer um churrasco na Papuda. Razão bastante para que promotoras brasilienses peçam as transferências de Dirceu e Delúbio para presídio federal.

Espanta que a tantos juízes, promotores e jornalistas não haja ainda ocorrido, ao menos como hipótese, uma ideia simples. A de que o autor e responsável por "privilégios e regalias" não é quem os desfruta, mas quem os proporciona. Só os parlamentares brasileiros estão livres dessa regrinha.

Delúbio não dirigia o carro da CUT, Delúbio não abriu os portões para o carro. Nem se provou que o carro entrasse na penitenciária para pegá-lo. O churrasco, ao fim de importantes investigações, não saíra do açougue. O uso de celular por Dirceu foi negado pela penitenciária, mas teve depoimento do acusado por exigência do juiz Bruno Silva Ribeiro e duas diferentes sindicâncias. Para a conclusão de que não existiu.

Em que lei está a obrigação de que Valdemar Costa Neto almoce sozinho, não possa falar com a própria mulher a caminho do emprego, esteja proibido de comprar um sanduíche para suprir o jantar perdido no presídio? E quem adivinhou que os deputados fizeram com ele "reunião política"?
Dizer, publicar e dar despachos à vontade são "privilégios e regalias". (Fonte: aqui).

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A revisão criminal certamente dará ensejo a muitos questionamentos. Caso não prospere a medida, a elevação do processo à OEA poderá ser o caminho. Até lá, nada, nem as idiossincrasias mais singulares, causará estranheza.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS: DESCASO MUNDIAL


Fausto.

OLD MAGAZINE


Revista da Semana nº 17, edição de abril de 1958. Entre os cartunistas brasileiros, Ziraldo.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

MUDANÇAS CLIMÁTICAS: DESCASO MUNDIAL

                                  'Mudança climática é farsa'.

Patrick Chappatte.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS: DESCASO MUNDIAL


Kayser.

DA SÉRIE CERTAS PALAVRAS


Na Globo, protesto violento agora tem 'pretexto', e não 'motivo'

Por Daniel Castro

Em e-mail distribuído à cúpula dos noticiários da Globo, Silvia Faria, segunda executiva na hierarquia do jornalismo da emissora, recomendou o uso do termo "pretexto", ao invés de "motivo", para noticiar manifestações violentas ou que causam grandes transtornos.

Diretora da Central Globo de Jornalismo, Faria constata no e-mail que a emissora tem "usado de forma inadequada o termo 'motivo'". "Ônibus queimados, depredações de instalações diversas, tráfego interrompido por manifestantes e/ou vândalos têm sido tratados como 'motivo' (para protestos pela morte considerada injusta de alguém, serviços públicos insatisfatórios etc.)", relata.

Em seguida, Faria vai ao ponto principal: "Quando usamos 'motivo', passamos a ideia de que o ato está justificado, explicado. Já 'pretexto' dá uma ideia mais próxima desse tipo de atitude".

O e-mail foi endereçado aos diretores regionais de jornalismo da Globo, entre eles os líderes das coberturas em São Paulo, Rio e Brasília, e a duas altas profissionais da Globo News, que repassaram a apresentadores e a seus principais auxiliares.

Nem todos os profissionais receberam bem a nova ordem. Para alguns, a notícia do protesto no Morro da Congonha, no Rio de Janeiro, contra a morte de uma moradora por policiais militares, que a arrastaram em uma viatura, teria um "pretexto", e não um "motivo", porque uma avenida foi bloqueada e isso causou transtorno a milhares de pessoas.

O e-mail de Silvia Faria é de 23 de março, um domingo, cinco dias depois do protesto contra a morte da moradora do Morro da Congonha.

Apesar da recomendação, o termo "pretexto" ainda não foi usado como sinônimo de "motivo" nos principais telejornais de rede da Globo. É que não ocorreram manifestações violentas desde então.

Procurada, a Comunicação da Globo não comentou a recomendação. (Fonte: aqui).

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'Pretexto' em lugar de 'motivo'... Eis que mais uma vez se faz presente o peso das palavras. Não se pense que as palavras surgem na base do improviso, de supetão, ao sabor do que dá na telha do apresentador/redator. Não mesmo. Cada palavra é devidamente pensada, em seguida pesada, e finalmente sopesada. E mais: há circunstâncias em que, à falta de termo que expresse adequadamente a mensagem que se pretende transmitir, a alternativa é partir para o  neologismo. Nesse sentido, quando a Folha tascou o abominável 'ditabranda', foi de caso muito bem pensado...

CENA DE BAR


Frank.

PAREDÃO MARIACHI


Laerte.

DUAS BANDEIRAS DE JANGO


"A alfabetização e o direito de voto ao analfabeto  –associados ao rádio--  representavam para a agenda progressista dos anos 60 aquilo que a quebra do monopólio midiático representa hoje para a democracia brasileira."


(Saul Leblon, editorialista do site Carta Maior, aqui. No texto-fonte, a frase surge a propósito do 'argumento', utilizado por Lincoln Gordon, ex-embaixador dos EUA no Brasil, e seus súditos, de que João Goulart alimentava evidentes propósitos golpistas - ao que o articulista rebate: como, se ele, entre outras bandeiras, lutava pela alfabetização e o direito de voto ao analfabeto?
Se bem que ir contra os interesses das elites com tais bandeiras de certa forma representava um golpe contra elas...).

quarta-feira, 2 de abril de 2014

ONU: AQUECIMENTO GLOBAL PRODUZ DANOS IRREVERSÍVEIS


Dubovsky. (Ucrânia).

SOBRE COTAS RACIAIS


Especialistas divergem sobre projeto que garante cotas raciais em concursos

Aprovada na quarta-feira (26) pela Câmara dos Deputados, a reserva de vagas para candidatos negros em concursos públicos é motivo de polêmica. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil
divergem quanto à pertinência e aos impactos da nova legislação. O Projeto de Lei (PL) 6.783/13 prevê a destinação de 20% das vagas em concursos da administração pública federal, autarquias, sociedades de economia mista e fundações e empresas públicas, por um período de dez anos.

Encaminhada pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), a proposta ainda deverá ser votada pelo Senado.

O advogado Max Kolbe, especialista em concursos e membro da Comissão de Fiscalização da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), é contrário à aprovação da lei e acredita que a proposta é prejudicial à boa prestação dos serviços públicos. “Após a Constituição de 1988, houve a transição para o estado gerencial e surgiu a figura do concurso público. [O concurso foi instituído] para aprovar o candidato mais bem qualificado a exercer o serviço público. Isso é meritocracia”, argumenta ele, que também critica o critério para ingresso pelo sistema de cotas.

O projeto de lei determina que poderão concorrer às vagas reservadas os que se autodeclararem pretos ou pardos no ato de inscrição, conforme o quesito cor ou raça usado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O texto também prevê que, na hipótese de declaração falsa, o candidato será eliminado do concurso ou, se já tiver sido nomeado, terá sua admissão anulada. Para Kolbe, a regra traz complicações em função do grande número de brasileiros que podem se declarar pardos. “O Brasil inteiro é multirracial, toda a população brasileira poderá fazer jus à lei de cotas. Se o Brasil inteiro vai poder concorrer, vai virar um tiro pela culatra”, prevê.

No entanto, Alexandre Crispi,  diretor e professor do Alub, grupo educacional no Distrito Federal que prepara candidatos para o vestibular e concursos públicos, não vê prejuízos à meritocracia e prestação dos serviços públicos e cita o sucesso do sistema de cotas na Universidade Brasília (UnB) e Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), pioneiras ao adotá-lo no início dos anos 2000 antes que se tornasse obrigatório. “Não é um argumento forte, pois ele [candidato que entrará pelo sistema de cotas] vai fazer a mesma prova. Vai concorrer nas mesmas condições. Na UnB, perceberam que a nota [de corte] em alguns cursos pelo sistema de cotas chegava a ser maior [do que no sistema universal]. Não caiu a qualidade dos cursos”, defende.

Crispi diz ainda que é preciso acompanhar a aplicação da lei, se o texto passar pelo Senado e for à sanção presidencial, para observar seus impactos sobre os concursos públicos. “Acredito que não haverá grande diferença, até porque a proporção determinada é uma porcentagem baixa. Mas não tem como, a concorrência vai subir um pouco mais. É como aconteceu nas universidades. Mas vai ser esperado um prazo de dez anos [período de vigência da lei] para discutir isso. Vamos verificar como vai ser, se terá os mesmos bons resultados que nas universidades públicas”, diz. Para ele, o mecanismo tornou o ensino público superior mais igualitário. “Infelizmente, na grande maioria estatística [os negros] vieram de colégios da rede pública. Também estão há menos de 100 anos com acesso à educação”, avalia.

A Seppir e o Ministério do Planejamento argumentam que há uma discrepância entre o número de negros na população geral, de aproximadamente 50,7%, e a proporção entre os servidores públicos, de 30%, e que o objetivo da lei é corrigir a distorção. O frei David Raimundo dos Santos, presidente da Educafro, organização não governamental (ONG) que acompanhou as discussões para redação da proposta de lei, destacou que a entidade defendia uma reserva maior, de 30% das vagas de concursos, que os índios também fossem contemplados e a reserva de vagas para cargos de confiança. Ele destacou, no entanto, que a opção será apoiá-la em seu formato atual, já que, se for alterada no Senado, a matéria terá de voltar à Câmara dos Deputados.

Para o frei David dos Santos, a aprovação na Câmara foi um “grande avanço”. “O que vai mudar a vida dos negros e integrá-los plenamente à sociedade é o seu empoderamento financeiro. Estamos na universidade. Queremos cotas para garantir [a presença da população negra] em todos os escalões do serviço público, até para ajudá-lo a melhorar. As cotas vêm consertar o ontem”, declarou. (Fonte: aqui).

OLD CARTUM


Sempé.  (França).  Década de 1970.

POLUIÇÃO DOMINA OS MARES

                - Ótima notícia! Os japoneses pararam a perseguição.
                Agora você pode nadar em paz!

Peter Broelman.

terça-feira, 1 de abril de 2014

DITADURA NUNCA MAIS, MAS... (II)


Nunca mais?

Por Janio de Freitas

O cinquentenário de 1964 mostra-se como um brado de 'ditadura nunca mais'. Pode ser. Ou: depende

Ninguém imaginou que o capitalismo voltasse a imperar na imensidão que perdera, mais de 70 anos antes, para o comunismo da União Soviética e seus domínios posteriores.

Os horrores da chamada Primeira Guerra Mundial, de 1914-18, e as providências para a preservação da paz disseminaram a crença fervorosa de que as nações e a própria humanidade entravam em nova era. Os embates de interesses e poderes só se dariam e se solucionariam em conferências, e nunca mais em campos de batalha. Passados apenas 20 anos, começava a Segunda Guerra Mundial, a das bombas atômicas sobre cidades.

Os exemplos gritantes do mundo alheio, citáveis ao infinito, têm ecos por aqui, para confirmar que a história faz uso de regras universais, não de desarranjos particulares.

O Getúlio ditador foi derrubado em 1945 pelos militares da FEB, lê-se ainda nos livros sobre o período, que voltaram da guerra impregnados das convicções democráticas, absorvidas no convívio com os americanos. Em 1954, Getúlio, presidente por legítima eleição, recusou-se com o suicídio a ser derrubado pelo golpe militar. Eram os mesmos militares guardiães da democracia. Outra vez inspirados pelos americanos, sob o comando do embaixador Berle Jr.

Imposta ao golpismo a posse de Juscelino, eleito com legitimidade, seguiram-se cinco anos em que a dissolução quase pacífica de dois levantes militares consolidara o sentimento de estabilidade institucional e democrática. Não havia mais ambiente para golpes, no país que crescia e se projetava com a pujança sintetizada em sua nova capital. E assim foi --por oito meses. Em agosto de 61, na renúncia de Jânio Quadros, o golpismo militar recusa a posse do vice João Goulart, sendo derrotado pela rebelião gaúcha do governador Brizola.

O golpe de 64 foi a retomada vitoriosa do golpe derrotado em 61, que, por sua vez, tentara continuar o golpe incompleto, em 54, contra o getulismo, suas teses nacionalistas e de menor desigualdade social. Lá estavam, cabelos brancos e barrigudos por trás das armas, aqueles militares jovens e de meia-idade que chegaram da Itália como vanguarda do "Exército pela democracia".

O cinquentenário de 64 mostra-se como um brado uníssono de "ditadura nunca mais". Talvez seja assim. Mas só poderá ser se consumadas duas condições.

O ensino das escolas militares precisaria passar por reformulação total. A do Exército, mais que todas. Nas escolas militares brasileiras não se ensinam apenas as matérias técnicas e acadêmicas apropriadas para os diferentes ramos da carreira militar. Muito acima desse ensino, as escolas militares ocupam-se de forjar mentalidades. Uniformes, planas, infensas à reflexão, e, por aí já está claro, ideológica e politicamente direcionadas. São produtos criados ainda para a Guerra Fria.

É por isso que se vê, há tantos anos, tão igual solidariedade e defesa dos atos e militares que, para a lei e para a democracia, são criminosos, muitos de crimes hediondos e de crimes contra a humanidade.

As escolas militares não preparam militares para a democracia.

Outra condição é que se propague a noção de soberania, tão escassa nos níveis socioeconômicos que influenciam a condução do país. Em seu artigo na Folha de ontem, o embaixador Rubens Ricupero contou de documentos por ele vistos, na Biblioteca Lyndon Johnson, em que os "reformistas" conduzidos por Roberto Campos, no governo Castello Branco, sujeitavam aos americanos até a revisão do currículo escolar. Se a imaginação conseguir projetar a mesma conduta para o sistema financeiro privado, por exemplo, pode-se ter uma ideia dos obstáculos que a construção do desenvolvimento brasileiro enfrenta.

Nunca mais? Pode ser. Ou: depende. O certo é que a história não faz gentilezas. (Fonte: aqui).

O MARTÍRIO DE NILDA


O martírio da jovem Nilda Carvalho Cunha, 17 anos, nos porões da ditadura

Nilda Carvalho Cunha foi presa na madrugada de 19 para 20 de agosto de 1971, no cerco montado ao apartamento onde morreu Iara Iavelberg. Foi levada para o Quartel do Barbalho e, depois, para a Base Aérea de Salvador. Sua prisão é confirmada no relatório da Operação Pajuçara, desencadeada para capturar ou eliminar o guerrilheiro Carlos Lamarca e seu grupo.
Nilda foi liberada no início de novembro do mesmo ano, profundamente debilitada em consequência das torturas sofridas. Morreu em 14 de novembro, com sintomas de cegueira e asfixia. Ela tinha acabado de completar 17 anos quando foi presa. Fazia o curso secundário e trabalhava como bancária na época em que passou a militar no MR-8 e a viver com Jaileno Sampaio.
[...] um pouco do que Nilda contou de sua prisão:
– Você já ouviu falar de Fleury? Nilda empalideceu, perdia o controle diante daquele homem corpuloso. – Olha, minha filha, você vai cantar na minha mão, porque passarinhos mais velhos já cantaram. Não é você que vai ficar calada [...]. Dos que foram presos no apartamento do edifício Santa Terezinha, apenas Nilda Cunha e Jaileno Sampaio ficaram no Quartel do Barbalho. Ela, aos 17 anos, ele, com 18. – Mas eu não sei quem é o senhor... – Eu matei Marighella. Ela entendeu e foi perdendo o controle. Ele completava: – Vou acabar com essa sua beleza – e alisava o rosto dela. Ali estava começando o suplício de Nilda. Eram ameaças seguidas, principalmente as do major Nilton de Albuquerque Cerqueira. Ela ouvia gritos dos torturados, do próprio Jaileno, seu companheiro, e se aterrorizava com aquela ameaça de violência num lugar deserto. Naquele mesmo dia vendaram-lhe os olhos e ela se viu numa sala diferente quando pôde abri-los. Bem junto dela estava um cadáver de mulher: era Iara, com uma mancha roxa no peito, e a obrigaram a tocar naquele corpo frio. No início de novembro, decidem libertá-la. [...] Na saída, descendo as escadas, ela grita: – Minha mãe, me segure que estou ficando cega. Foi levada num táxi, chorando, sentindo-se sufocada, não conseguia respirar. Daí para a frente foi perdendo o equilíbrio: depressões constantes, cegueiras repentinas, às vezes um riso desesperado, o olhar perdido. Não dormia, tinha medo de morrer dormindo, chorava e desmaiava. – Eles me acabaram, repetia sempre [...].
Em 4 de novembro, Nilda foi internada na clínica Amepe, em Salvador [...] No mesmo dia, os enfermeiros tentaram evitar a entrada do major Nilton de Albuquerque Cerqueira em seu quarto de hospital, mas não conseguiram. Na presença da mãe, ele ameaçou Nilda, disse que parasse com suas frescuras, senão voltaria para o lugar que sabia bem qual era. O estado de Nilda se agravou, e ela foi transferida para o sanatório Bahia, onde faleceu, em 14 de novembro. No seu prontuário, constava que não comia, via pessoas dentro do quarto, sempre homens, soldados, e repetia incessantemente que ia morrer, que estava ficando roxa. A causa da morte nunca foi conhecida. O atestado de óbito diz: “edema cerebral a esclarecer”.
(Trecho do livro Direito à memória e à verdade: Luta, substantivo feminino, Tatiana Merlino – São Paulo; Editora Caros Amigos, 2010.)
Nilda não foi violentada apenas por seus torturados. Foi violentada pelos donos dos meios de comunicação que apoiaram e sustentaram o regime militar. Foi violentada também por todos aqueles empresários e políticos reacionários que financiaram a repressão e lucraram com seu sangue, com suas lágrimas e com sua dor.
(...)
Nosso país somente terá democracia plena quando acertar as contas com seu passado. Apoie a Comissão da Verdade e Reconciliação que irá julgar os crimes praticados pelos órgãos de repressão do regime militar. Crimes contra a humanidade não prescrevem! (Fonte: aqui).
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O argumento de que crimes contra a humanidade são imprescritíveis é exatamente o que vem sendo oferecido pelo Ministério Público para instaurar/retomar procedimentos judiciais contra torturadores. A tese - pertinente - é a de que os infratores 'incorporavam' o próprio Estado quando praticaram os atos.

DITADURA NUNCA MAIS, MAS...


Edgar Vasques.

OLD CARTUM


Quino. (Argentina).  Década de 1980.

QUANDO O STF FUNCIONOU COMO ENFEITE INSTITUCIONAL


Golpe de 1964 fez do Supremo um 'enfeite institucional', diz pesquisador

Por Marian Oliveira

(Criado para ser o guardião da Constituição, o Supremo Tribunal Federal (STF) sofreu duro revés ao ter sua composição ampliada de 11 para 16 magistrados um ano após o golpe militar – o objetivo era garantir maioria a favor do governo e, assim, legitimar as normas criadas pela ditadura. Com poderes restritos, o tribunal se tornou um "enfeite institucional", na definição do professor Ivan Furmann, pesquisador das relações entre os poderes Executivo e Judiciário durante o período de governo militar).

(...).

Dias depois do golpe, a publicação do Ato Institucional (AI-1) proibiu o Judiciário de analisar questionamentos contra a cassação de mandatos e suspensão de direitos políticos. (Nota deste blog: o AI-1 foi publicado em 9 de abril de 1964).

Na avaliação do doutor em direito Ivan Furmann, professor de história do direito do Instituto Federal do Paraná, em Palmas (PR), o Judiciário perdeu a "autonomia" com o AI-1, norma que permitiu aos militares alteraram a Constituição vigente.

"O golpe de 64 afetou imediatamente o Judiciário, quando violou um dos princípios fundamentais do Estado contemporâneo, que é o princípio da separação dos poderes. Afirmo isso devido aos imediatos expurgos de militares que se opuseram ao golpe, as cassações arbitrárias de políticos e outras formas de perseguição. O Poder Judiciário não tinha autonomia plena sobre as violações de direitos que ocorriam no Brasil imediatamente após o golpe", destacou o professor.

Um dos exemplos da falta de autonomia é narrado no livro "A ditadura militar e os golpes dentro do golpe", de Carlos Chagas, que relata um episódio de novembro de 1964, no qual o então governador de Goiás, Mauro Borges, major do Exército, foi acusado de conspirar contra o regime, mesmo apoiando a ditadura.

Para tentar evitar um processo por subversão comunista, Borges entrou com um habeas corpus (tipo de ação judicial para garantir a liberdade) no Supremo.

Por unanimidade, o tribunal garantiu a liberdade do governador, relata Chagas. Dois dias depois, os militares decretaram intervenção federal no estado para tirar o poder do governador.

"O ministro Ribeiro da Costa, presidente do Supremo Tribunal Federal, acentuou ontem que se pretende atualmente fazer com que o STF dê a impressão de ser composto por onze carneiros que expressam sua debilidade moral, fraqueza e submissão", cita o livro de Carlos Chagas ao reproduzir uma reportagem do jornal "Correio Braziliense" do dia 27 de novembro de 1964.

Para evitar constrangimentos em relação ao Supremo, o regime militar ampliou o número de ministros da Corte de 11 para 16, conforme Ivan Furmann.

"Progressivamente os tribunais superiores foram sendo ocupados por magistrados simpáticos ou complacentes ao regime. Junto ao STF, em especial, diversos ministros apoiaram o golpe, mas não era unanimidade. [...] A intervenção no STF iniciou-se no AI-2, quando foram criadas cinco cadeiras novas e nomeados ministros alinhados ao regime militar. [...] Não há dúvidas que não só a estrutura do STF quanto sua composição foram afetadas de forma significativa durante o regime militar", diz o especialista.

A situação se agravou com a publicação do AI-5, que suspendeu a validade de habeas corpus para crimes políticos. "Após o AI-5 as funções do STF tornaram-se mais retóricas do que práticas. A existência de um Supremo Tribunal Federal sem o poder para defender garantias e direitos fundamentais demonstra que, ao menos naquele tempo, o tribunal tornou-se um enfeite institucional", afirmou o professor.

Ministros cassados
Três ministros do Supremo foram cassados, por meio de aposentadoria compulsória, por discordarem das medidas mais severas adotadas pelo governo militar com o AI-5.

"Hermes Lima, Victor Nunes Leal e Evandro Lins e Silva eram considerados de esquerda pelos militares. Ao ouvirem o ato que os cassou – pela 'Voz do Brasil' – outros dois ministros saíram por não concordarem com a aposentadoria compulsória: o então presidente da Corte, Gonçalves de Oliveira, e aquele que seria o seu sucessor na Presidência, Antônio Carlos Lafayette de Andrada", relata  material de arquivo do STF.

Um novo ato institucional, o AI-6, foi então publicado em fevereiro de 1969 para que a composição do tribunal voltasse a ser de 11 ministros.

Em um episódio registrado dois anos depois, em 1971, um ministro do Supremo, Adauto Lúcio Cardoso, abandonou o plenário ao ser o único contrário à lei da censura prévia, editada pelo governo Médici. A regra permitia que censores ocupassem as redações dos jornais e vetassem a publicação de textos. Cardoso renunciou ao cargo de ministro do tribunal.

Resquícios da ditadura
O professor Ivan Furmann destaca que os resquícios do regime militar permaneceram no Supremo nos anos seguintes devido à manutenção de ministros indicados por militares no tribunal.

"A composição do mesmo tribunal seguiu inalterada na passagem da ditadura para a democracia, os mesmos ministros nomeados no período do regime militar permaneceram. Os últimos ministros nomeados pela ditadura a sair do STF foram José Carlos Moreira Alves, nomeado por Geisel e que deixou o tribunal em 2003, e Sidney Sanches, nomeado por Figueiredo e que saiu em 2003. Portanto, 15 anos após a Constituição de 1988", disse o professor.

Furmann afirma que a principal "herança" da ditadura no Supremo é o modo de indicação de ministros pelo presidente da República e o fato de os mandatos dos ministros não terem prazo, o que "faz com que nomes se prolonguem décadas na corte, mesmo após nomeações polêmicas".

"Acredito que um grande resquício da ditadura é a forma de indicação de novos ministros, ainda dependente do presidente da República. Ou seja, o órgão máximo do Poder Judiciário tem seus membros escolhidos pelo chefe do Poder Executivo. [...] O argumento de que o povo brasileiro não tem capacidade de escolher seus representantes foi o que mais saiu da boca dos militares da ditadura."

'Iniquidades'
Em 2010, o ministro Celso de Mello, atualmente o mais antigo dos ministros do Supremo (indicado em 1989), se referiu às intervenções da ditadura no tribunal em voto lido no plenário durante o julgamento da Lei da Anistia.

Mello afirmou que, ao impedirem a atuação do Judiciário, os atos institucionais impostos pelo governo militar, foram um "manto protetor das iniquidades" que, segundo ele, foram cometidas pela ditadura.

"O bill de indenidade [imunidade] estabelecido pela legislação de exceção, verdadeiro manto protetor das iniquidades cometidas com fundamento nos atos institucionais, impedia que o Judiciário revisse os atos excepcionais e, desse modo, contivesse a prática expansiva do abuso do poder", disse Celso de Mello.

Em 2010, o Supremo validou a Lei da Anistia, de 1979, e entendeu que não cabia ao Judiciário rever o acordo político que resultou na anistia de militares e guerrilheiros na transição do regime militar para o democrático.

Contrário à revisão da Lei da Anistia, Celso de Mello destacou no voto que "o regime de exceção, buscando a sua própria preservação institucional e sobrevivência política, vedou o controle jurisdicional". O ministro lembrou que a situação perdurou até 1978, quando uma emenda constitucional revogou os atos institucionais e restabeleceu o poder do Judiciário. (Fonte: aqui).

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"'O ministro Ribeiro da Costa, presidente do Supremo Tribunal Federal, acentuou ontem que se pretende atualmente fazer com que o STF dê a impressão de ser composto por onze carneiros que expressam sua debilidade moral, fraqueza e submissão", cita o livro de Carlos Chagas ao reproduzir uma reportagem do jornal 'Correio Braziliense' do dia 27 de novembro de 1964."


O Ribeiro da Costa que em novembro de 1964 protestou contra os militares é o mesmo que considerou legítima a tomada do poder pelos golpistas - conforme se vê no recorte acima (Jornal do Brasil, edição de 4.4.64). Com efeito, quando o senador Auro de Moura Andrade declarou vago o cargo de presidente da República, pretendendo dar base legal ao golpe, João Goulart, presidente constitucional, se encontrava em território nacional (Rio Grande do Sul). Ribeiro da Costa, portanto, descumpriu o seu dever de, enquanto presidente do STF, agir como o principal guardião da Constituição Federal.

TRISTE PAISAGEM


Mana Neyestani.  (Irã).

IPEA E OS SOLDADOS DO MACHISMO


IPEA e os soldados do machismo

Por Leonardo Sakamoto

Todo o barulho causado pelos resultados do estudo do Ipea sobre violência contra mulheres e pela campanha “Eu não mereço ser estuprada” serviu para reforçar outro fato: os soldados do machismo são péssimos nos quesitos “interpretação de texto” e “argumentação”.

Devo confessar que fiquei com uma vergonha alheia forte ao ler algumas coisas que brotaram desse debate. Sensação de “putz, olha lá o cara fazendo cocô de porta aberta!”

Há pessoas que se valem de um contorcionismo maluco para justificar o injustificável. A ponto de, depois de ler uma meia dúzia delas, percebermos porque inteligências extraterrestres mais avançadas nunca quiseram fazer contato conosco…

“Ah, mas foi uma maioria de mulheres que respondeu a pesquisa apontando que uma mulher merece ser atacada por mostrar o corpo.” E daí, amigo? Isso não muda coisa alguma considerando que homens e mulheres são vetores de propagação e manutenção de um sistema machista de valores. Mas, em última instância, são homens que assediam, encoxam, espancam, estupram e matam em nome desse sistema. Se você consegue juntar as peças de um Lego ou consegue usar xampu ao tomar banho, por que tem tanta dificuldade em entender isso?

Diante desses comentários, o primeiro instinto, alheio à razão, tende a ser preconceituoso. A dificuldade de entendimento viria de falhas na educação formal. Mas vendo as intervenções bem escritas e constatando que uma parcela significativa dos dodóis cresceu na base do leite de pera, do berçário à faculdade, largo as soluções fáceis e volto-me à conclusão de que imbecilidade realmente não vê escolaridade ou classe social. Da mesma forma que um olho roxo ou uma tentativa de estupro da própria esposa pode ocorrer, sem pudores, nos Jardins ou no Grajaú.

Ou seja, grande quantidade de informação repassada sem reflexão não leva à conscientização. A educação pode funcionar apenas como processo de transmissão dos mesmos valores que mantém homens como cidadãos de primeira classe, ensinando às engrenagens o seu lugar na máquina, ou pode ser libertadora. E, portanto, subversiva, dando ferramentas para reconstruir o sistema. E quando uma tentativa de “insurreição” desponta no horizonte, hordas fazem de tudo para manter tudo como sempre foi.

Pessoal, vocês podem se esconder atrás de argumentos baratos ou aceitar que a imensa maioria de nós, homens e mulheres, fomos programados para propagar o machismo. E é uma luta diária pesada nos livrarmos disso.

Mas tomem cuidado. Quando você posta no Facebook, no Twitter ou em blogs não está tendo uma conversa particular. Pelo contrário, está falando ao megafone. E todo mundo está vendo a porcaria que está fazendo – o que pode ter consequências graves.

Um copiloto da Avianca foi demitido na sexta (28) por conta de comentários preconceituosos contra nordestinos em seu Facebook no dia anterior.

“Para manter o padrão porco, nojento, relaxado, escroto de tudo no Nordeste como sempre”, escreveu sobre o atendimento de um restaurante em João Pessoa (PB), entre outras coisas.

Depois da grande repercussão na rede, ele apagou o comentário e se desculpou. Mas, aí, já era tarde.

Não é a primeira vez que uma empresa demite o empregado por conta de postagens sem-noção em redes sociais. O caso mais famoso dos últimos tempos foi o de uma diretora de comunicação da InterActibe Corp, que publicou uma barbaridade antes de levantar vôo para a África do Sul. Quando pousou, descobriu que havia virado TT. Acabou demitida.

“Indo para a África. Espero não contrair Aids. Brincadeira. Sou branca!”, escreveu. Ela só tinha 200 seguidores no Twitter, mas a informação rodou o mundo.

Depois da eleição de Dima Rousseff, o Twitter amanheceu com uma enxurrada de preconceitos contra moradores da região Nordeste por conta da expressiva votação que a região garantiu a ela. Os microposts foram extremamente ofensivos e degradantes, revelando o que há de mais obscuro na alma das pessoas. Muitas pessoas não imaginavam que suas postagens iam se espalhar tanto. Ou serem alvo de investigação da polícia por discriminação.

Um momento que é transformador – e aterrador – na vida das pessoas é quando elas tem aquele click e percebem que a vida delas não é uma ilha isolada, mas estão conectadas ao mundo inteiro através de suas relações sociais.

Ou seja, aquela abobrinha postada na rede social ou blog do esquerdopata japonês, embaixo do cobertor, para os seus 200 amigos/seguidores, dizendo que “a vagabunda é que estava pedindo” ou que ” uma mulher de bem não seria estuprada porque não se presta a determinado papel” será amplificado e chegará onde você não imagina.

Faça um teste: vá até a conexão das estações Consolação e Paulista do metrô e grite a plenos pulmões aquelas coisas fora da casinha que você costuma gritar na rede. Se ninguém estranhar, publique.

“Ah, mas é diferente, japa.” Sim, é. Na internet, é muito pior do que falar na conexão de um metrô ou em um auditório lotado.

Atravessamos a adolescência da internet, em que as pessoas estão com os hormônios à flor da pele, descobrindo para que servem certas partes do corpo, e fazendo besteira loucamente. Os formadores de opinião têm uma parcela grande de responsabilidade em incendiar o pessoal que não estava acostumado com o debate público. E feito uma criança que nunca viu um gatinho, maltrata o bichinho quando ganha um.

As pessoas ganharam acesso a meios de comunicação que podem atingir multidões, mas não sabem lidar com isso, muito menos com as consequências de suas intervenções. Seria ótimo contar com educação para a mídia, como já fazem algumas escolas, para que possamos entender o que esse maravilhoso mundo novo significa.

Se está postando algo só para desabafar ou se gosta de repetir bobagens ditas por seus ídolos, a chance de dar merda é grande. Pois – guiado pelas emoções mais selvagens – você pode dizer ou reproduzir algo que não diria aconselhado pela racionalidade e o bom senso.

Pois não me espantaria se alguns profissionais que postaram em redes sociais e blogs defendendo a supremacia masculina, com argumentos violentos que fariam corar o Capiroto, recebessem um bilhete azul.

Sabemos do hercúleo esforço que empresas empreendem para construir a credibilidade de suas marcas. Diante do risco de serem associadas à violência de gênero ou racismo, elas vêm preferindo repreender ou eliminar o fator causador do problema do que arcar com campanhas contrárias a elas. Problemas como empregados que usam a hora do expediente para pregar a violência sexual na internet, por exemplo.

Recebi uma série de mensagens de leitoras que reclamaram de seus colegas que usam o computador da firma para postar aberrações. Minha recomendação tem sido: denuncie.

“Ah, japonês censor, você quer criar um clima de terror!” Não, desejo apenas que vocês que agem como crianças mimadas e violentas contra mulheres sejam finalmente responsáveis por suas ações.

Portanto, antes de postar, pergunte-se: este comentário é realmente necessário? Não estou dizendo relevante porque provavelmente não é, tal qual este post. Mas ele é realmente necessário? (Fonte: aqui).

DITADURA NUNCA MAIS


Santiago.