Jota A.
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Tema do Salão: Redes Sociais. Teresina, julho 2012.
Liza França.
terça-feira, 8 de maio de 2012
segunda-feira, 7 de maio de 2012
PELAS PRATELEIRAS DO TEMPO
"Minha biblioteca está inoperante".
Por Frederick Deligne.
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O destino da estante
Ruy Castro
O homem da mudança armou-se de escada, chave de fenda e alicate para desmontar a estante. Era um bonito móvel.
Cobria uma parede comprida de ponta a ponta, do chão ao teto, como devem ser as estantes. Eu a mandara construir havia poucos anos, embora já suspeitasse de que não ficaria muito tempo naquela casa. E não fiquei. Em 1995, voltei para o Rio, depois de 16 anos em São Paulo. Mas não quis deixar a estante para trás. Daí o desmonte.
Era a primeira vez que fazia isso. Até então, já tinha morado em dois países, três cidades e inúmeras ruas, e, em muitos desses endereços, plantara uma estante -desde uma, bem 1968, com tábuas apoiadas sobre tijolos, roubados de uma construção próxima (como fiz no Solar da Fossa), até aquelas catedrais de madeira, esculpidas em marcenarias bestas. E, ao me mudar, sempre deixara as estantes para trás, na esperança de que o morador seguinte as atulhasse de livros, não de troféus, bibelôs ou aquários.
Os livros já tinham sido retirados e enfiados em caixas. Sem eles, a estante parecia nua. Com tristeza, vi quando o homem descolou a parte que ligava a estante ao teto.
Depois, desencaixou o fundo, as paredes laterais e, peça por peça, foi desarmando as prateleiras e escrevendo algo a giz em cada uma. Parecia a agonia de um animal de grande porte. As três partes de que a estante se compunha foram separadas e, em poucas horas, tudo se reduzia a pilhas de tábuas.
Aconteceu que, no apartamento em que vim morar no Rio, havia uma estante de pinho-de-riga, maior e mais bonita do que a que trouxera comigo. Fiquei então com apenas uma parte desta e doei as outras duas. Elas continuaram a exercer o seu papel de abrigar livros.
Não sei se tais histórias terão lugar no futuro. Vão-se guardar tablets, Kindles ou e-readers em estantes?
PRIVADOS DE SANGUE, NÃO DE DEFENSORES
Nani.
O inferno astral da direita
Hélio Doyle
Veja está assustada. De um lado, seus métodos nada jornalísticos estão sendo questionados à luz de gravações para lá de comprometedoras, que mostram a revista como possível cúmplice de um esquema criminoso. E a publicação ainda perdeu sua fonte privilegiada, a quem apresentava como exemplo de retidão do conservadorismo brasileiro, o ainda senador Demóstenes Torres.
O inferno astral da direita
Hélio Doyle
Veja está assustada. De um lado, seus métodos nada jornalísticos estão sendo questionados à luz de gravações para lá de comprometedoras, que mostram a revista como possível cúmplice de um esquema criminoso. E a publicação ainda perdeu sua fonte privilegiada, a quem apresentava como exemplo de retidão do conservadorismo brasileiro, o ainda senador Demóstenes Torres.
De outro lado, a alta popularidade da presidente Dilma Rousseff prejudica os projetos político-ideológicos da revista, hoje o mais importante porta-voz da direita brasileira. As últimas decisões do governo, na área econômica, deixaram Veja mais assustada ainda.
Seu colunista Maílson da Nóbrega também está assustado. Desde que acabou sua péssima e desastrada gestão como ministro da Fazenda no governo Sarney, quando o país chegou à hiperinflação, Maílson dedica-se a dar consultoria a bancos, empresas e investidores e publicar artigos na imprensa. É um direito dele, mas que Veja não admite ser também um direito do também ex-ministro José Dirceu.
Assim como Veja substituiu a reportagem pelo panfleto e a apuração jornalística pelos dossiês entregues de mão-beijada, Maílson substitui a análise econômica pela propaganda política. Faz a defesa dos banqueiros a quem serve, atribui a culpa pelos juros altos ao governo e cai na vala comum da direita assustada, que vê “populismo”, “intervencionismo” e “interferências descabidas”, entre outras coisas, no discurso e nos atos da presidente contra os juros altos e os excessos do sistema financeiro.
Há análises sérias, de economistas e empresários, sobre as medidas que vêm sendo tomadas pelo governo. Eles mostram que são positivas, porém insuficientes se não forem acompanhadas de outras, como a desindexação, a desconcentração bancária, a queda da carga tributária, os cuidados contra a inflação, entre outras.
Outro ex-ministro da Fazenda, que também cometeu seus erros nos tempos de ditadura, mas dá banho de conhecimento e competência em Maílson, sintetizou: a virtude do discurso e dos atos de Dilma “está em respeitar e proteger a solidez do sistema financeiro brasileiro, mas não consentir em deixá-lo ditar o tom da política econômica”. Isso, queiram ou não Veja, Maílson e a direita, compete ao Estado.
Mas o artigo do ex-ministro da hiperinflação na Veja é apenas mais um serviço de relações públicas que ele presta aos bancos. Que deveriam procurar escribas mais competentes e com melhor reputação profissional. A direita tem melhores do que Maílson.
FRANÇA É FRANÇOIS
Petar Pismestrovic.
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A vitória de François Hollande sobre Sarkozy na França poderá significar uma reviravolta completa na política de combate à crise econômica: na contramão da kamikásica austeridade, o estado estimulará a elevação de investimentos públicos e privados.
Enquanto isso, Espanha, Grécia, Portugal, Itália e outros continuam a seguir o receituário Merkel, de combate à crise mediante o desaquecimento das atividades econômicas - coisa que a espadachim Recessão não perdoará.
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Charge. França. Hollande. Petar Pismestrovic.
domingo, 6 de maio de 2012
CHARGE SOBRE VEJA
Eugenio Neves.
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A 'charge' do título preserva o sentido original do termo: carga. Carga sobre Veja.
Pilhada em tenebrosas e contínuas transações com a quadrilha Cachoeira, a revista recebe carga dos chamados blogs sujos e das redes sociais. Não obstante tais percalços, está a verter comovidas lágrimas em face da ruidosa solidariedade de seus pares da grande mídia. Para os coirmãos, é como se Veja não existisse.
Vida que segue.
Enquanto se aguardam as revelações contidas nos disquetes (já com a CPMI) das operações Monte Carlo e Las Vegas, persiste a carga dos blogs sujos e redes sociais. Da pilha de aríetes utilizados na refrega, pincei texto (clique aqui) redigido por Mino Carta, que dirigiu Veja em tempo... pra lá de distinto.
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Charge. CPI Cachoeira. Veja. Eugenio Neves.
sábado, 5 de maio de 2012
A FOTO
1º de maio: carregando uma bandeira da Palestina, a ativista Rana Hamadeh desafiou o exército israelense ao escalar um dos skunks – os caminhões-tanques brancos de Israel que atiram um líquido fétido e tóxico em ativistas – estacionados em frente ao complexo prisional-militar israelense de Ofer, em Ramala.
TONICO E TINOCO
Da Costa.
Jorge Braga.
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Justas as homenagens a Tonico & Tinoco, dupla marcante do Brasil Caboclo. A charge do Jorge Braga ficaria completa se o Tonico dissesse "tamo eu e o Chico Mineiro te esperano", em vez de "esperando".
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Charge. Tonico e Tinoco. Da Costa. Jorge Braga.
QUINTANA PASSARINHANDO

MÁRIO QUINTANA - 30.06.1906 - 05.05.1994.
A Coisa
A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.
As Indagações
A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.
Biografia
Era um grande nome — ora que dúvida! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua... E continuaram a pisar em cima dele.
Citação 2
E melhor se poderia dizer dos poetas o que disse dos ventos Machado de Assis: "A dispersão não lhes tira a unidade, nem a inquietude a constância."
Contradições
Sim, um autor que nunca se contradiz deve estar mentindo.
Cuidado
A poesia não se entrega a quem a define.
Do Estilo
O estilo é uma dificuldade de expressão.
Dupla Delícia
O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.
Educação
O mais difícil, mesmo, é a arte de desler.
Fatalidade
O que mais enfurece o vento são esses poetas invertebrados que o fazem rimar com lamento.
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Viva Mário!
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Mário Quintana. Quintana passarinhando. 05 maio.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
MEMÓRIAS DE CHUMBO
Ele lançou bombas por todo o país e participou, em 1981 no Rio de Janeiro, do atentado contra o show do 1º de Maio no Pavilhão do Riocentro. Esteve envolvido no assassinato de aproximadamente uma centena de pessoas durante a ditadura militar. Trata-se de um delegado capixaba que herdou os subordinados do delegado paulista Sérgio Paranhos Fleury nas forças de resistência violenta à redemocratização do Brasil.
Apesar disso, o nome de Cláudio Guerra nunca esteve em listas de entidades de defesa dos direitos humanos. Mas com o lançamento do livro “Memórias de uma guerra suja”, que acaba de ser editado, esse ex-delegado do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) entrará para a história como um dos principais terroristas de direita que já existiu no País.
Mais do que esse novo personagem, o depoimento recolhido pelos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, ao longo dos últimos dois anos, traz revelações bombásticas sobre alguns dos acontecimentos mais marcantes das décadas de 70 e 80.
Revelações sobre o próprio caso do Riocentro; o assassinato do jornalista Alexandre Von Baumgarten, em 1982; a morte do delegado Fleury; a aproximação entre o crime organizado e setores militares na luta para manter a repressão; e dos nomes de alguns dos financiadores privados das ações do terrorismo de Estado que se estabeleceu naquele período.
A reportagem do iG teve acesso ao livro, editado pela Topbooks. O relato de Cláudio Guerra é impressionante. Tão detalhado e objetivo que tem tudo para se tornar um dos roteiros de trabalho da Comissão da Verdade, criada para apurar violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar (1964-1988).
David Capistrano, Massena, Kucinski e outros incinerados
Cláudio Guerra conta, por exemplo, como incinerou os corpos de dez presos políticos numa usina de açúcar do norte Estado do Rio de Janeiro. Corpos que nunca mais serão encontrados – conforme ele testemunha – de militantes de esquerda que foram torturados barbaramente.
“Em determinado momento da guerra contra os adversários do regime passamos a discutir o que fazer com os corpos dos eliminados na luta clandestina. Estávamos no final de 1973. Precisávamos ter um plano. Embora a imprensa estivesse sob censura, havia resistência interna e no exterior contra os atos clandestinos, a tortura e as mortes.”
Os dez presos incinerados
-- João Batista e Joaquim Pires Cerveira, presos na Argentina pela equipe do delegado Fleury;
-- Ana Rosa Kucinsk e Wilson Silva, “a mulher apresentava marcas de mordidas pelo corpo, talvez por ter sido violentada sexualmente, e o jovem não tinha as unhas da mão direita”;
-- David Capistrano (“lhe haviam arrancado a mão direita”) , João Massena Mello, José Roman eLuiz Ignácio Maranhão Filho, dirigentes históricos do PCB;
-- Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e Eduardo Collier Filho, militantes da Ação Popular Marxista Leninista (APML).
O delegado lembrou do ex-vice-governador do Rio de Janeiro Heli Ribeiro, proprietário da usina de açúcar Cambahyba, localizada no município de Campos, a quem ele fornecia armas regularmente para combater os sem-terra da região. Heli Ribeiro, segundo conta, “faria o que fosse preciso para evitar que o comunismo tomasse o poder no Brasil”.
Cláudio Guerra revelou a amizade com o dono da usina para seus superiores: o coronel da cavalaria do Exército Freddie Perdigão Pereira, que trabalhava para o Serviço Nacional de Informações (SNI), e o comandante da Marinha Antônio Vieira, que atuava no Centro de Informações da Marinha (Cenimar).
Afirma que levou, então, os dois comandantes até a fazenda:
“O local foi aprovado. O forno da usina era enorme. Ideal para transformar em cinzas qualquer vestígio humano.”
“A usina passou, em contrapartida, a receber benefícios dos militares pelos bons serviços prestados. Era um período de dificuldade econômica e os usineiros da região estavam pendurados em dívidas. Mas o pessoal da Cambahyba, não. Eles tinham acesso fácil a financiamentos e outros benefícios que o Estado poderia prestar.” (Fonte: aqui).
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Ao que consta, o ex-delegado Cláudio Guerra abriu a boca por motivos religiosos: ele é pastor de uma igreja evangélica e entende que guardar silêncio quanto aos atos praticados seria incompatível com suas convicções atuais.
Quantas vezes, naqueles anos, lemos notinhas insinuando ou aludindo 'en passant' a atos de tortura? Quantos semanários acompanhávamos? Jornais Movimento, Opinião, Coojornal, Versus, Politika... Líamos, claro, somente o que a censura permitia, ou o que dela 'escapava'. Uma lástima.
Memórias de uma guerra suja é leitura imperdivel.
O FATOR BILHETERIA
Programa de Índio
José Pedro Goulart
Li que o Fernando Meirelles desistiu de filmar Grande Sertão: Veredas porque estava decepcionado com a bilheteria do filme Xingu, cuja produção assina. Pensei falar algo a respeito, mas antes quis ouvir o próprio Fernando, e o que de fato ele tinha a dizer a respeito. Ele me escreveu a seguinte resposta:
“Xingu foi selecionado para o Festival de Berlim e teve ótimas críticas na imprensa internacional. Isso nos animou. Quando começaram a sair as críticas no Brasil o tom também era muito animador e nas 'sessões teste' que fizemos o resultado foi o mesmo. Com isso começamos a acreditar que o filme poderia cruzar aquela famosa barreira do milhão de espectadores, que significa chegar a todas as classes. Foi bastante frustrante ver os resultados do filme depois do primeiro final de semana em cartaz e constatar que, apesar das salas lotadas e aplausos no final das sessões, nos cinemas que costumam ter programação menos focada em blockbusters, nas salas mais populares, nas cidades do interior e especialmente no Rio Grande do Sul, o filme foi mal. Nossa avaliação é que o tema não interessou. Ironicamente há uma fala do Janio Quadros no filme que comenta isso. Ele diz para o Orlando Villas Boas: "Ninguém gosta de índio no Brasil, Orlando." O curioso é que no site do filme há dezenas de comentários de gente que diz ter ido praticamente forçada ao cinema e saído encantada.
Enfim, depois dessa surpresa e vendo a lista de filmes que fazem grande público no Brasil, fiquei extremamente desmotivado em embarcar no projeto que estava planejando para o ano que vem, uma adaptação de Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa. Seria muito esforço para no final fazer apenas 300 mil espectadores. Nesta semana resolvi tirar o time de campo.
Preciso ressaltar que acho extremamente positivo o fato de muitas comédias estarem fazendo um grande público no Brasil. Isso forma plateia para o nosso cinema, movimenta, banca e profissionaliza nossa indústria. Diria até que estas comédias são a bóia-salva-vidas do nosso cinema, só não tenho interesse pessoal em fazer este tipo de filme.
Nos próximos meses vou me dedicar ao lançamento de 360 e à filmagem do próximo longa, que começa em setembro na Inglaterra. Mais um filme internacional. Esta por enquanto tem me parecido uma opção mais segura, ou ao menos, menos dolorosa.”
Isso foi o que o Fernando Meirelles disse. Ele que desde que Cidade de Deus ganhou o mundo, fez longas fora, concorreu ao Oscar, entrou para o clube seleto dos que filmam o que quiserem, onde quiserem. Mesmo assim, manteve o prumo alinhado com o Brasil. Produziu filmes de outros diretores, alguns iniciantes, e produções de porte, como Xingu. Mas agora, cansou. Como é um sujeito elegante, ele diz que “as comédias são formadoras de público, etc, etc”.
Na verdade, digo eu então, trata-se de um público acomodado, viciado na rasa dramaturgia televisiva imiscuída há décadas no seu dia a dia. E o poder é de quem consome: se tem procura, tem oferta. E a oferta é abundante, por todos os lados há sempre alguém pronto para entregar o fast food cultural que o público parece desejar. É fácil. Lucrativo. As crianças gostam. A família se alegra. Nem dá para sentir o gosto de veneno. (Fonte: aqui).
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O tema comporta muito pano pra manga. Argumento, roteiro, direção... tudo isso pesa. Há (até) comédias que fracassam em razão de furos nessas vertentes. Não vi Xingu, ainda, mas...
Grande Sertão: Veredas com certeza daria ensejo a um filmaço. E, claro, certamente poderia atender à condição sine qua: alcançar confortável bilheteria.
Há filmes 'carrancudos' ótimos, assim como comédias aprazíveis. Consumir, sem soberba, é uma boa.
INDAGAÇÃO
O Grito está nas manchetes mundiais. E dona Maria Machado, uma das vítimas do rompimento da barragem Algodões I, em Cocal (PI), ocorrido em maio de 2009 e que tantas perdas e desespero causou, por onde andará?
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O Grito. Munch. Dona Maria Machado. Indagação.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
PROUNI CONSTITUCIONAL
Por 7 votos a 1, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou constitucional o Prouni - Programa Universidade para Todos, instituído pela Medida Provisória 213/04, convertida na Lei nº 11.096/2005. O Prouni estava sendo questionado pelo Democratas e pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) mediante a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3330.
Política pública de largo espectro (como diz o ministro Ayres Britto), o Prouni beneficiou, até abril, 1.043.000 estudantes.
Muito bom.
BANCOS: JOGO DO EMPURRA
Como é notório, os bancos botam pra jambrar nos juros e tarifas, lucrando os tubos. Quando questionados, alegam que a maior culpada é a inadimplência. Acontece que os escorchantes encargos são exatamente os responsáveis por eventual inadimplência (que por sua vez motiva uma crescente provisão para créditos duvidosos, ou seja, a destinação de uma parte dos ativos para fazer face a um possível rombo futuro decorrente da inadimplência - e tal parte abatida, claro, reduz os ganhos). É o cachorro correndo atrás do rabo, tática que, não obstante, colou durante décadas.
Diante dessa manchete 'impactante' d'O Globo (ou até a despeito dela), cumpre indagar: a) qual será o ganho dos bancos se forem promovidas as reduções esperadas nos juros? b) qual será o impacto positivo sobre as provisões para créditos duvidosos? c) qual será o ganho futuro dos acionistas numa realidade bancária civilizada?
Tem mais: o jornal diz que "...ações de bancos despencam". Vejamos as quedas: BB: 2,7%, Itaú Unibanco: 2,4%, Bradesco: 1,4%, Santander: 0,19%. Convenhamos, não dá pra usar o termo despencam...
O fato é que setores da imprensa estão solidariamente inconformados com a campanha de Dilma contra os encargos estratosféricos. Faz parte. O choro, digo, o inconformismo é livre.
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Juros. Bancos. Jornal O Globo. Ações dos bancos.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
OS AMIGOS DA LIS
Clique para ampliar.
Acabei de ser apresentado, por Zé Roberto Graúna (aqui), a'Os Amigos da Lis, tirinha que Rose Araujo publica desde 1998 no jornal Extra, do Rio de Janeiro, e que "um novo projeto gráfico" do jornal acaba de descartar.
Após uma geral nas tirinhas, concluo: os leitores do Extra foram privados de contatos com bons amigos.
Felizmente poderemos acompanhar a Lis e parceiros no blog da Rose.
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Cartum. Tirinha. Os amigos da Lis. Rose Araujo.
TODOS OS BRAÇOS DO CACHOEIRA
Duke.
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- É simples: basta gritar "Professor!!". O tentáculo que subir...
- Não adianta. Todos os tentáculos balançariam o rabo!
A PALADINA DOS BANQUEIROS
Veja ataca Dilma e defende bancos
Altamiro Borges
A revista Veja não mantém estranhas ligações apenas com o
crime organizado - que finalmente poderão ser desnudadas se a CPI do Cachoeira
convocar os seus “capos” para prestarem esclarecimentos. Ele também nutre
sólidas e lucrativas relações com os agiotas financeiros que saqueiam o país e
lhe garantem polpudos anúncios publicitários. Com o mafioso, as ligações eram na
moita. Com os banqueiros, elas são explícitas!
Tanto que a revista da famiglia Civita, em sua versão
online, já saiu atirando contra o pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff,
transmitido em rede nacional da rádio e tevê, por ocasião das comemorações do
Dia Internacional dos Trabalhadores. Para a revista, “ao atacar os bancos, Dilma
copia Cristina Kirchner”, esbraveja o título do artigo, assinado por Benedito
Sverberi.
Defesa da agiotagem financeira
O texto parece ter sido encomendado pelos “pobres”
banqueiros. Eles seriam alvos dos ataques injustos da presidenta, que "teria
adotado a estratégia ‘Cristina Kirchner’ de escolher um bode expiatório para
mitigar as mazelas do governo. Por esta estratégia, ainda que algum resultado
prático possa ser atingido, esconde-se uma lista de reformas que o Planalto tem
obrigação de adotar – e que não o faz por um misto de comodismo e
inoperância”.
O texto é um primor na defesa da agiotagem financeira. “Se
o governo quer mesmo empreender uma 'guerra' contra o crédito caro, e não contra
o setor bancário, há muito trabalho pela frente. É inegável que os bancos
possuem elevada lucratividade em suas operações. Esta condição, contudo, não
configura um problema. Própria do capitalismo, ela não necessariamente se traduz
em alto custo a pessoas físicas e jurídicas”. De onde a revista tirou a ideia de
jerico de que “não se traduz em alto custo”?
Relação promíscua com os banqueiros
Com a inteligência econômica de quem apoiou o desmonte
neoliberal, a Veja avalia que é um erro cutucar os banqueiros. “Em vez de
simplesmente escolher uma ‘suposta fonte de todos os males para bater’ – como
faz a colega argentina, Cristina Kirchner, que comprou briga com a Inglaterra
pelas Malvinas (de novo!) e, mais recentemente, com a Espanha por supostos
baixos investimentos na petroleira YPF –, a presidente Dilma poderia adotar uma
política mais sensata”.Para a famiglia Civita, de origem europeia, o Brasil deveria fazer como a Grécia e a Itália, que entregaram os seus governos para os banqueiros – sem nem precisar de eleições democráticas. A defesa apaixonada dos banqueiros talvez explique por que a Veja tem tantos anúncios de instituições financeiras – inclusive, infelizmente, de bancos públicos. (Fonte: aqui).
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Notável a agilidade jornalística da Veja: diz que Cristina Kirchner comprou briga "com a Espanha por supostos baixos investimentos na petroleira YPF". Caramba!, tantos dias já se passaram da nacionalização da YPF e a Veja não teve condição (ou disposição!) de apurar o grau de investimentos na petroleira por parte dos antigos proprietários! Tantos dias depois, acomoda-se nos supostos baixos investimentos! Putz.
Quanto à defesa dos interesses dos bancos privados, nenhuma estranheza.
terça-feira, 1 de maio de 2012
SALÃO DA UNIMEP
Estão abertas as inscrições para o 20º Salão Universitário de Humor de Piracicaba, evento promovido pela Universidade Metodista de Piracicaba-SP. Clique aqui para mais informações.
ONDE NASCEU O DIA DO TRABALHO
Galeano e o 1º de maio nos EUA
Chicago está cheia de fábricas. Existem fábricas até no centro da cidade, ao redor de um dos edifícios mais altos do mundo. Chicago está cheia de fábricas, Chicago está cheia de operários.
Ao chegar ao bairro de Heymarket, peço aos meus amigos que me mostrem o lugar onde foram enforcados, em 1886, aqueles operários que o mundo inteiro saúda a cada primeiro de maio. – Deve ser por aqui – me dizem. Mas ninguém sabe. Não foi erguida nenhuma estátua em memória dos mártires de Chicago nem na cidade de Chicago. Nem estátua, nem monolito, nem placa de bronze, nem nada.
O primeiro de maio é o único dia verdadeiramente universal da humanidade inteira, o único dia no qual coincidem todas as histórias e todas as geografias, todas as línguas e as religiões e as culturas do mundo; mas nos Estados Unidos o primeiro de maio é um dia como qualquer outro. Nesse dia, as pessoas trabalham normalmente, e ninguém, ou quase ninguém, recorda que os direitos da classe operária não brotaram do vento, ou da mão de Deus ou do amo.
Após a inútil exploração de Heymarket, meus amigos me levam para conhecer a melhor livraria da cidade. E lá, por pura curiosidade, por pura casualidade, descubro um velho cartaz que está como que esperando por mim, metido entre muitos outros cartazes de música, rock e cinema.
O cartaz reproduz um provérbio da África: Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador. (Eduardo Galeano, em "O livro dos abraços" - fonte: aqui).
BANCOS PRIVADOS FALAM GROSSO
Mariano.
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Bancos estatais, à frente Caixa e BB, baixaram os juros. Bancos privados, a contragosto, reduziram um pouco. No discurso de ontem, Dilma Rousseff bateu forte: os bancos, no Brasil, ostentando lucros escandalosos por anos a fio, não podem continuar praticando juros tão exorbitantes.
A paulada, claro, foi sobre os renitentes bancos privados. Que reagiram: no Jornal da Globo, o porta-voz William Waack deu conta de que "um dirigente de banco privado" (é de bom tom que em situações assim não se nomeie a fonte!) afirmou que os juros elevados são culpa do governo, que oferece taxas altas para rolar sua dívida, blá blá blá.
Os gananciosos estão atônitos: a Febraban não conseguiu benesses da Fazenda em troca da redução dos juros (os espertalhões queriam compensar...) e a concorrência dos bancos estatais está apertando seus calcanhares. Perdidões, nem se dão conta da impertinência de seu argumento: como os juros elevados seriam culpa do governo, se a Selic está sendo gradativamente reduzida?!
Ainda bem que o Brasil não caiu na armadilha do Estado Mínimo, onde o poder financeiro absoluto está nas mãos (ou nos cofres) da banca privada...
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Charge. Juros. Bancos. Demissões. Mariano.
A ORIGEM DO COMPUTADOR
História do computador
Alice Rawsthron (The New York Times)
Um dos muitos mitos sobre a Apple reza que o nome da empresa é uma referência à maçã comida pela metade que teria sido encontrada ao lado do corpo do cientista da computação britânico Alan Turing depois de ele se suicidar, em 1954, poucas semanas antes de fazer 42 anos.
Turing, que completaria 100 anos de idade no dia 23 de junho deste ano, fora condenado por “ato obsceno” com outro homem e forçado a se submeter a um tratamento hormonal. A causa precisa de sua morte é desconhecida, mas acredita-se que ele tenha se envenenado colocando cianureto na fruta.
Por mais duradouro que seja o mito da Apple, ele provavelmente não é verdadeiro. O nome foi escolhido logo depois que Steve Jobs, cofundador da empresa, passou um fim de semana podando macieiras num pomar orgânico e porque, segundo suas próprias palavras, “era divertido, espirituoso e não intimidava demais; além disso, ficaríamos antes da Atari na lista telefônica”. O primeiro logotipo corporativo da Apple retratava Isaac Newton, cientista britânico do século 17, criando a teoria da gravidade depois de observar uma maçã cair da macieira, não a trágica morte de Turing.
Contudo, Turing, a quem o governo britânico fez um pedido formal de desculpas em 2009, teve uma influência substancial na Apple por meio de seus produtos. Quase todo computador produzido pela Apple e seus rivais foi baseado numa máquina construída na Universidade de Princeton no final dos anos 40 e começo dos 50, inspirada nas ideias descritas por Turing num estudo de 1936, “On Computable Numbers” (Sobre Números Computáveis). Nesse texto, Turing descrevia uma máquina que poderia realizar incontáveis tipos de tarefas trocando-se seu software, não o hardware.
A história de sua influência no projeto de Princeton é contada por George Dyson, norte-americano historiador da tecnologia, no livro Turing’s Cathedral: The Origins of the Digital Universe (A Catedral de Turing: As Origens do Universo Digital, em tradução livre; ainda sem previsão de publicação no Brasil).
Livro cativante, embora com trechos enigmáticos, ele descreve como uma equipe de jovens matemáticos e engenheiros capitaneados por John von Neumann, do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, aplicou as ideias de Turing para desenvolver não o primeiro computador eletrônico, mas a máquina mais veloz de sua época e uma das primeiras com o tipo de memória de acesso aleatório (RAM) que usamos até hoje.
Dyson é particularmente bem preparado para contar esta história, pois cresceu em Princeton depois que o pai, o físico Freeman Dyson, entrou para o instituto em 1953, mesmo ano em que o “computador de programa armazenado” de von Neumann foi concluído. Ele traça um retrato vívido da vida no campus: desde o classicista esnobe que reclamava do “desânimo” ao saber que “um grupo de especialistas em eletrônica” chegara ao instituto, até o costume de servir chá em xícaras de porcelana todos os dias às 15 horas.
Turing’s Cathedral é um livro sobre inovação científica, não design. Porém, como um dos papéis mais importantes do design sempre foi traduzir tais progressos em coisas que pudessem ser úteis ou agradáveis para o resto de nós, revoluções científicas como essa são intrínsecas à história do design.
E poucos feitos científicos tiveram um impacto tão dramático quanto a invenção do computador com programa armazenado, cuja influência dominou o desenho industrial por mais de meio século.
Nascido em Budapeste numa família judia abastada, von Neumann fez fama como jovem matemático promissor na Hungria antes de ser recrutado por Princeton em 1930. Urbano e gregário, ele logo se tornou uma figura influente dentro da universidade e começou um papel duradouro como consultor da IBM.
Durante a 2ª Guerra Mundial, von Neumann foi consultor sênior do exército norte-americano, que investia pesadamente para acelerar o desenvolvimento de computadores eletrônicos como parte do esforço de guerra.
Bomba H virtual
Quando o conflito terminou, von Neumann ocupava a melhor posição para convencer o governo norte-americano de que a verba destinada a construir um computador, que poderia realizar testes teóricos da bomba de hidrogênio, deveria ser concedida a ele em Princeton.
Turing, que tinha conhecido e impressionado von Neumann quando ele estudara nos Estados Unidos em meados dos anos 30, se envolveu em uma pesquisa semelhante na Grã-Bretanha. Durante a guerra, ele trabalhou no centro para decifração de códigos de Bletchley Park. Depois participou do desenvolvimento de uma máquina de programa armazenado no Laboratório Nacional de Física, em Teddington, antes de entrar na Universidade de Manchester, em 1948, e contribuir para projetos similares. Brilhante como teórico, Turing não tinha o pragmatismo e a astúcia política que se mostraram indispensáveis a von Neumann.
Um aspecto crítico do sucesso de von Neumann foi a decisão de montar uma equipe com mais matemáticos do que engenheiros, invertendo a visão convencional na esperança de criar uma cultura que incentivasse ideias originais e audaciosas. Ele teve a sorte de poder escolher colegas entre os exilados talentosos que haviam fugido para os EUA da Europa devastada pela guerra.
Dyson descreve como o casal Ulan comia em lanchonetes baratas ao chegar, pois eram “pobres demais” para pagar os restaurantes norte-americanos, mas que tinham sido “ricos demais na Polônia para aprender a cozinhar”.
Outro golpe de sorte foi acelerar o processo de desenvolvimento usando componentes existentes, como as válvulas produzidas em massa, em vez de desenvolvê-los da estaca zero como as equipes rivais. A IBM adotou uma abordagem similar em 1980 quando completou o design do bem-sucedido 5150 Personal Computer em questão de um ano, empregando peças produzidas por outras empresas.
Cosmopolita, a paixão de von Neumann era a pesquisa, não o comércio, e o desenvolvimento do computador ocorreu da mesma forma. O trabalho da equipe foi totalmente documentado e publicado na sequência, para dividir os resultados com os colegas matemáticos, cientistas e engenheiros, como os projetos de design de código aberto fazem hoje em dia. Ele e seus colegas também decidiram não patentear a máquina, para garantir que as ideias tivessem a aplicação mais ampla possível.
Boa decisão
Quando von Neumann deixou Princeton em 1954 para se juntar à Comissão de Energia Atômica, seus críticos se uniram contra o projeto do computador, que foi a pique. Naquela altura, diversas cópias e adaptações da máquina original já estavam sendo construídas, incluindo o primeiro computador eletrônico da IBM, o 701. E é por meio dessas máquinas que ainda nos beneficiamos do pensamento visionário de Turing e da engenhosidade da equipe de John von Neumann.
Secular
O centenário de Turing tem motivado homenagens. Um abaixo-assinado pede a inclusão de sua efígie na nova versão da cédula de 10 libras. Dez mil assinaturas já foram colhidas. O correio britânico lançou um selo com Turing em fevereiro. O cientista também será vivido por Leonardo Di Caprio no cinema. Sociedades científicas da Índia aos EUA planejam tributos. No Brasil, a universidade gaúcha UFRGS fará palestras, exposição e concurso de criptografia. E também será homenageado pela parada gay de Manchester, cidade onde viveu seus últimos anos. (Fonte: aqui.)
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