segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
CONSUMIDORES DE VENENO
Todos os dias o povo come veneno. Quem são os responsáveis?
O Brasil se transformou, desde 2007, no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. E na última safra as empresas produtoras venderam nada menos do que um bilhão de litros de venenos agrícolas. Isso representa uma média anual de 6 litros por pessoa ou 150 litros por hectare cultivado. Uma vergonha. Um indicador incomparável com a situação de nenhum outro país ou agricultura.
Há um oligopólio de produção por parte de algumas empresas transnacionais que controlam toda a produção e estimulam seu uso, como a Bayer, Basf, Syngenta, Monsanto, Du Pont, Shell Química etc.
O Brasil possui a terceira maior frota mundial de aviões de pulverização agrícola. Somente neste ano foram treinados 716 novos pilotos [segundo dados da Anac]. E a pulverização aérea é a mais contaminadora e comprometedora para toda a população.
Há diversos produtos sendo usados no Brasil que já estão proibidos nos paises de suas matrizes. A ANVISA conseguiu proibir o uso de um determinado veneno agrícola. Mas as empresas ganharam uma liminar no “neutral poder judiciário” brasileiro, que autorizou a retirada durante o prazo de três anos... e quem será o responsável pelas consequências do uso durante esses três anos? Na minha opinião é esse Juiz irresponsável que autorizou as empresas a desovarem seus estoques.
Os fazendeiros do agronegócio usam e abusam dos venenos, como única forma que têm de manter sua matriz na base do monocultivo e sem usar mão-de-obra. Um dos venenos mais usados é o secante, que é aplicado no final da safra para matar as próprias plantas e assim eles poderem colher com as máquinas num mesmo período. Pois bem, esse veneno secante vai para atmosfera e depois retorna com a chuva, democraticamente atingindo toda população, sobretudo das cidades vizinhas.
O dr. Vanderley Pignati, da Universidade Federal do Mato Grosso, tem várias pesquisas comprovando o aumento de aborto, e outras consequências na população que vive no ambiente dominado pelos venenos da soja.
Diversos pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer e da Universidade Federal do Ceará já comprovaram o aumento de câncer, na população brasileira, consequência do aumento do uso de agrotóxicos.
A ANVISA - responsável pela vigilância sanitária de nosso país - detectou e destruiu mais de 500 mil litros de venenos adulterados, somente este ano, produzido por grandes empresas transnacionais. Ou seja, além de aumentar o uso do veneno, eles falsificavam a fórmula autorizada, para deixar o veneno mais potente, e assim o agricultor se iludir ainda mais.
O dr. Nascimento Sakano, consultor de saúde, da insuspeita revista CARAS, escreveu em sua coluna que ocorrem anualmente ao redor de 20 mil casos de câncer de estômago no Brasil, a maioria consequente dos alimentos contaminados, e destes 12 mil vão a óbito.
Tudo isso vem acontecendo todos os dias. E ninguém diz nada. Talvez pelo conluio que existe das grandes empresas com o monopólio dos meios de comunicação. Ao contrário, a propaganda sistemática das empresas fabricantes que têm lucros astronômicos é a de que é impossível produzir sem venenos.
Uma grande mentira. A humanidade se reproduziu ao longo de 10 milhões de anos, sem usar venenos. Estamos usando veneno, apenas depois da Segunda Guerra mundial para cá, como uma adequação das fabricas de bombas químicas agora, para matar os vegetais e animais. Assim, o poder da Monsanto começou fabricando o napalm e o agente laranja, usado largamente no Vietnam. E agora suas fábricas produzem o glifosato. Que mata ervas, pequenos animais, contamina as águas e vai parar no seu estômago.
Esperamos que na próxima legislatura, com parlamentares mais progressistas e com o novo governo, nos estados e a nível federal, consigamos pressão social suficiente para proibir certos venenos, proibir o uso de aviação agrícola, proibir qualquer propaganda de veneno e responsabilizar as empresas por todas as consequências no meio ambiente e na saúde da população.
Artigo do economista João Pedro Stedile, membro da Via Campesina, Brasil.
domingo, 5 de dezembro de 2010
WIKILEAKS ESCLARECE HONDURAS
O telegrama (vazado pelo site WikiLeaks) de 23 de julho de 2009 do embaixador americano em Honduras, Hugo Llorens, dá conta de que a deposição do presidente Manuel Zelaya foi um ato "ilegal e inconstitucional", ou seja, um golpe.
O embaixador americano diz que a tese de que Zelaya violara a lei ao organizar um referendo sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte "não foi provada" e que a acusação de que ele pretendia prolongar seu mandato é uma "suposição".
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Zelaya, o povo hondurenho, o Brasil, a OEA e a União Europeia estavam certos ao repudiar o golpe. Como diria o outro: e daí? Inês é morta - mesmo destino que ora Tio Sam pretende dar ao WikiLeaks...
sábado, 4 de dezembro de 2010
NOEL CONVERSA NO BOTEQUIM
Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada,
Um pão bem quente com manteiga à beça,
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada.
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol.
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol.
Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto nem pago a despesa.
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro,
Um envelope e um cartão.
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos.
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste umas revistas,
Um isqueiro e um cinzeiro.
Telefone ao menos uma vez
Para três quatro, quatro, três, três, três
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório.
Seu garçom me empresta algum dinheiro,
Que eu deixei o meu com o bicheiro.
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure esta despesa
No cabide ali em frente.
(Conversa de Botequim, de Noel Rosa e Vadico)
................
Tirinha: Demeterio Rufino.
Uma boa média que não seja requentada,
Um pão bem quente com manteiga à beça,
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada.
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol.
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol.
Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto nem pago a despesa.
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro,
Um envelope e um cartão.
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos.
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste umas revistas,
Um isqueiro e um cinzeiro.
Telefone ao menos uma vez
Para três quatro, quatro, três, três, três
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório.
Seu garçom me empresta algum dinheiro,
Que eu deixei o meu com o bicheiro.
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure esta despesa
No cabide ali em frente.
(Conversa de Botequim, de Noel Rosa e Vadico)
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Tirinha: Demeterio Rufino.
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Noel Rosa. Centenário. Conversa de Botequim.
BOMBA DO BEM
"A BOMBA DE NÊUTRONS É A ARMA MAIS SÃ E MORAL QUE HÁ".
(Samuel T. Cohen, inventor da bomba de nêutrons, que mata pessoas e deixa intacto o restante. A bomba foi fabricada durante o governo Ronald Reagan. Cohen morreu aos 89 anos, em 28.11.10, enquanto dormia o sono dos justos).
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Eles disseram/Samuel Cohen,
inventor da bomba de nêutrons.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
OVNIS NO WIKILEAKS
Hoje, 3, o jornal The Guardian e internautas questionaram Julian Assange, criador do site WikiLeaks, sobre se já recebeu documentos acerca de Ovnis e extraterrestres. "Muitas pessoas estranhas nos mandam e-mail sobre Ovnis e como eles descobriram o antiCristo quando conversavam com suas ex-mulheres em uma festa no jardim, em uma planta", revelou, lembrando que estes relatos não poderiam ser publicados porque não obedecem às regras do WikiLeaks.
"Contudo, é bom ressaltar que (em) parte dos telegramas ainda a serem publicados há efetivamente referência a Ovnis", completou.
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Wikileaks. The Guardian. Julian Assange. Ovnis.
CARTUNISTAS FUTEBOL CLUBE
Do blog do caricaturista Fernandes: Lápis, Papel e Fernandes.
http://caricaturasfernandes.blogspot.com/ .
DECIFRANDO O APAGÃO
"1/12/2009 11h27
CONFIDENCIAL
Classificado por: Vice-Embaixadora Cherie Jackson
Em 10 de novembro às 22h13 o Brasil sofreu um apagão que mergulhou 18 de seus 27 Estados na escuridão por períodos que variaram entre 20 minutos e seis horas. O blecaute representou uma perda de 28 mil megawatts de eletricidade - ou seja, 45% do consumo brasileiro total naquele instante - e deixou estimados 87 milhões de pessoas sem energia elétrica. O escrutínio vem sendo intenso e as especulações sobre o incidente vêm correndo soltas, em grande medida devido ao anúncio recente de que o Rio vai sediar os Jogos Olímpicos de 2016. (...)"
Eis a parte inicial do longo relatório enviado aos EUA pela embaixada americana no Brasil dias após o famoso apagão elétrico de novembro de 2009. Um dos trechos dá conta de que integrantes do governo brasileiro admitiram de maneira reservada a diplomatas dos EUA que o apagão pode ter sido causado por "interesses do setor privado" americano com o objetivo de tentar "ganhar mais acesso comercial".
Foram muitas as especulações sobre as causas do desastre. Sabotagem foi palavra bastante citada, ou pensada, mas se relacionava à esfera político-partidária. A destacada no relatório é novidade, e veio a público em face de vazamento do site Wikileaks.
O que virá, ainda, da montanha de cerca de trezentos mil documentos vazados e já na posse de muitos agentes, entre eles cinco grandes jornais/revistas do mundo? E o próprio Wikileaks resistirá à pressão exercida pelos EUA e parceiros (entre os quais o país de Assange, Austrália)? E a liberdade de imprensa, como fica, notadamente quando não é 'simpática', como a exercida pelo Wikileaks?
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
ARMADILHA CIBERNÉTICA
“Não há vício que se não esconda atrás de boas razões; a princípio, todos são aparentemente modestos e aceitáveis, só que a pouco e pouco vão-se expandindo. Não conseguirás pôr fim a um vício se deixares que ele se instale. Toda a paixão é ligeira de início; depois vai-se intensificando, e à medida que progride vai ganhando forças. É mais difícil libertarmo-nos de uma paixão do que impedir-lhe o acesso. Ninguém ignora que todas as paixões decorrem de uma tendência, por assim dizer, natural. A natureza confiou-nos a tarefa de cuidar de nós próprios, mas, se formos demasiado complacentes, o que era tendência torna-se vício. Aos atos necessários juntou a natureza o prazer, não para que fizéssemos deste a nossa finalidade mas apenas para nos tornar mais agradáveis aquelas coisas sem as quais é impossível a existência. Se o procuramos por si mesmo, caímos na libertinagem. Resistamos, portanto, às paixões quando elas se aproximam, já que, conforme disse, é mais fácil não as deixar entrar do que pô-las fora.”
(Sêneca, filósofo, 4 a.C. - 65 d.C., in "Cartas a Lucílio").
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Eles disseram/Sêneca. Armadilha. Internet.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
JEREMIAS O BOM
(Ricardo Soares, que com certeza está no 'muitos outros').
Blog do Ricardo: http://studioricardosoares.blogspot.com/ .
CUIDADO: VÃO TENTAR TRANSFORMÁ-LO EM BIN LADEN
Por Marco Aurélio Mello
Ao abrir a Caixa de Pandora com os fantasmas do Serviço de Inteligência e Departamento de Estado da "América", Julian Assange e sua equipe de hackers e colaboradores iniciam um combate contra a concentração na produção do noticiário – na maioria das vezes, e no Brasil, em particular, apenas atendendo a interesses das grandes agências – levando a um fenômeno que o Secretário Nacional de Comunicação, Franklin Martins, apelidou de "efeito pedra no lago" (quando ondas concêntricas se formam num determinado ponto e se expandem em direção à margem). Por isso, Assange diz que documentos como os que foram vazados nos últimos dias pelo Wikileaks “são a coisa mais importante que eu já vi”. Senhoras e senhores, estamos diante do fato mais relevante da história contemporânea, e que deve ser determinante para o fim da hegemonia política do Império Estadunidense. Um processo irreversível de transparência, graças ao poder e alcance da rede mundial de computadores. É um atalho importante entre notícia e versão, maior dilema do jornalismo quando em busca da "verdade". Preparem-se, amigos, porque nos próximos anos nosso planeta viverá fortes emoções! Isto é, se antes não botarem as "mãos sujas de sangue" em Assange e sua turma.
WIKILEAKS E BRASIL: MODUS OPERANDI
Até agora, do 'pacote Wikileaks' foram divulgados dez documentos sobre o Brasil, e à vista deles o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ficou em posição, digamos, indefensável, em face de haver ressaltado ao embaixador americano o antiamericanismo do Itamaraty.
O imbróglio está sendo amplamente noticiado pela grande imprensa, que, compreensivelmente, ficou muda relativamente à secretária de Estado americana Hillary Clinton, responsável por tropeções os mais variados mundo afora, segundo os papéis divulgados pelo Wikileaks.
Mas voltemos ao Brasil e à enxurrada que, segundo a jornalista Natália Viana, colaboradora do Opera Mundi, está prestes a irromper nas plagas tupiniquins:
Documentos sobre Brasil
No caso brasileiro, os documentos são riquíssimos. São 2.855 no total, sendo 1.947 da embaixada em Brasília, 12 do Consulado em Recife, 119 no Rio de Janeiro e 777 em São Paulo.
Nas próximas semanas, eles vão mostrar ao público brasileiro histórias pouco conhecidas de negociações do governo por debaixo do pano, informantes que costumam visitar a embaixada norte-americana, propostas de acordo contra vizinhos, o trabalho de lobby na venda dos caças para a Força Aérea Brasileira e de empresas de segurança e petróleo.
O Wikileaks vai publicar muitas dessas histórias a partir do seu próprio julgamento editorial. Também vai se aliar a veículos nacionais para conseguir seu objetivo – espalhar ao máximo essa informação. Assim, o público brasileiro vai ter uma oportunidade única: vai poder ver ao mesmo tempo como a mesma história exclusiva é relatada por um grande jornal e pelo Wikileaks. Além disso, todos os dias os documentos serão liberados no site do Wikileaks. Isso significa que todos os outros veículos e os próprios internautas, bloggers, jornalistas independentes vão poder fazer suas próprias reportagens. Democracia radical – também no jornalismo.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
OLD PHOTO
Michael Caine e Laurence Olivier em 1972. Cena do clássico SLEUTH/Jogo Mortal, um dos melhores filmes de Caine.
Segundo Caine, os cinco mais da história do cinema são:
1. Casablanca (1942), de Michael Curtiz
2. O Terceiro Homem (1949), de Carol Reed
3. O Tesouro de Sierra Madre (1948), de John Huston
4. Charada (1963), de Stanley Donen
5. O Falcão Maltês (1941), de John Huston
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Old photo/Michael Caine e Laurence Olivier.
LFV E AS TROCAS FATAIS
RUGAS
Luiz Fernando Veríssimo
Com quase 70 anos, Paul McCartney tem a cara lisa. Não sei como está a cara do Ringo, o outro Beatle vivo, mas supondo-se que ele também não aparente a idade, e comparando-se a cara dos dois com a dos Rolling Stones, pode-se especular que tenha havido um acordo entre as duas bandas.
Em algum momento do final dos anos sessenta os Beatles e os Stones teriam se encontrado em segredo para dividir o mundo e decidir o destino de cada um. Caberia aos Beatles fazer as melhores melodias e sofisticar o rock com álbuns temáticos como o "Sgt. Pepper’s", aos Stones se manterem fiéis ao backbeat básico e serem a versão bandida dos Beatles.
Também teriam escolhido o público que queriam e estabelecido qual seria a longevidade de parte a parte e o que caberia de tragédia e de glória a cada lado. Mas principalmente teriam feito a repartição das rugas. Os Stones ficariam com todas e em troca durariam mais. Os Beatles envelheceriam melhor ou, como no caso do John e do George, nem envelheceriam. De qualquer maneira, nunca teriam rugas. Em compensação durariam menos.
O dramaturgo inglês Tom Stoppard (que se parece um pouco com ele) contou que certa vez lhe disseram que Mick Jagger tinha aquelas rugas todas de tanto rir, ao que ele retrucou que nada poderia ser tão engraçado assim.
Já as rugas do Keith Richards são claramente as marcas de uma vida vivida aos extremos. Richards provou de tudo, entre secos, molhados e com duas pernas.
E sobreviveu para contar: sua autobiografia, chamada apenas "Vida", acaba de sair. Num trecho reproduzido na resenha do livro recentemente publicada pela revista "New Yorker" ele conta que às vezes viajava nas drogas com o John Lennon, mas que Lennon não conseguia acompanhá-lo. Depois de tomar e cheirar o que havia, muitas vezes durante dias, ele estava pronto para trabalhar enquanto o John invariavelmente acabava no banheiro, segundo ele, "abraçando a porcelana".
Mas a quantidade de rugas na cara de Mick Jagger, Keith Richards e os outros Stones não se explica apenas pela passagem do tempo. Elas acumulam funções, são as rugas deles e as rugas que os Beatles não tiveram. Estava tudo combinado.
WIKILEAKS, TERROR DOS SETE MARES
Iraque, Afeganistão, corrupção, gafes diplomáticas, golpe Honduras, intrigas, cascas de banana etc. Wikileaks não perdoa, mostra!
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Desenho: Luojie, do China Daily.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
A BÍBLIA: DELES E NOSSA
Por Ivan Lessa
Depois desse tempo todo, se me perguntarem o que mais admiro nos britânicos, eu embatucaria. Mas não muito. Tenho a impressão, ou pouco mais que isso, que prezo o apreço que eles têm ao inglês, falado e escrito.
Volta e meia, eu dou um faniquito, neste cubículo em que me encerro, contra o raio da “reforma ortográfica” brasileira. E tomem aspas e um “raio” só para não perder o hábito.
No momento, neste mundo em crise em que temos que viver, há um consolo. A Bíblia Sagrada. E vou logo me confessando: sou ateu. Mas amo a língua, o escrever bem. Qualquer língua. Qualquer coisa bem escrita.
O consolo que a Bíblia em inglês oferece não está se manifestando nem nas ruas nem nas reuniões com entidades políticas e bancárias internacionais. É consolo derivado de outra saudável mania britânica e que se estende, na medida do possível, a todos os povos de língua inglesa, valendo americanos e australianos.
E quando se fala em Bíblia por aqui, está se falando da chamada Versão Autorizada. Por extenso, a versão do rei Jaime. E aí já vou abrindo o primeiro parágrafo para indagar: por que é que até um certo monarca, nós o chamamos pelo nome próprio traduzido?
Henrique, Ricardo, Eduardo. De repente, por um desses mistérios – alguma reforma que desconheço? – virou tudo ao original inglês, sem dublagem, digamos. Henry, Richard, Charles e – chi lo sá? – William e não Guilherme.
Googlarei até chegar a alguma conclusão. E volto ao meu lugar na abadia pomposa ou igrejinha simpática e modesta onde eu folheava a King James Authorised Version of the Bible, para dar seu nome completo e correto.
Comemorações. Datas assinaladas. Memória preservada. Outras das qualidades que eu acrescentaria à minha lista. Sempre depois das belezas ocultas e óbvias do idioma do Bardo Imortal, como gosto de o chamar, por passadismo e ser passadão.
Vejam vocês, já é matéria de editorial de jornal, logo abaixo da mais recente passeata de justo protesto estudantil, o aniversário de sua publicação em 1611 – 2 de maio, para ser preciso, começa a ser comemorado. Quer dizer, seis semanas ou mais de 5 meses antes do quarto centenário do lançamento. Prematuridade britânica? Não creio.
Festinhas para o instrumento – e livro, principalmente a Bíblia, é instrumento – que ajudou a lançar as bases da língua hoje falada aqui e no mundo inteiro. Já houve festa com a presença do duque de Edimburgo (sim, eles trabalham, gente), e na quinta-feira passada, na cidade de Preston, teve início uma leitura constante e total – espécie de “bibliotona”, se o neologismo não for heresia – da versão em pauta.
Até mesmo ateus confirmados, defensores da “inveracidade” total da Bíblia, como o agora popular em mais de um continente Richard Dawkins, participam alegremente das festividades. Pois festividade é ganhar assim e assim ter para a vida inteira o trabalhão iniciado em 1604 e terminado em 1611 pela Igreja Anglicana.
Na verdade, tratava-se da terceira versão em inglês do volume, mas tão cativante era e é essa versão que virou, não sem motivo, autorizada e até hoje adotada. Para termos uma ideia, em quatro séculos foram, no mínimo, 2,5 bilhões de exemplares postos em circulação preservando e honrando a língua inglesa. Mais até talvez do que Paulo Coelho e Chico Buarque de Holanda juntos.
A Versão Autorizada a quem louvo, e quase, quase me ajoelho diante, contribuiu com nada mais nada menos que 257 frases até hoje em uso. Parece até que há um jabuti lá disputando um prêmio e uma discussão em torno de leite derramado.
Não há cidadão britânico ou publicação que não deva algo à iniciativa que ganhou o nome do rei Jaime.
Em português, do Brasil e de Portugal, a versão tida como um marco equivalente é de João Ferreira de Almeida, a primeira tradução do Novo Testamento a partir das línguas originais. Era protestante, o Ferreira de Almeida, que levou dez anos revisando sua versão, só publicada após sua morte em 1693.
Estudiosos encontraram, dizem lá eles, nunca conferi, 1.119 erros de tradução. Com a “reforma ortográfica” como é que ficam as coisas, pergunto, a cabeça baixa e coberta de cinzas? Inclusive, e principalmente, a versão (estão lá em casa os sete volumes de 1821; aceito ofertas) do padre católico português António Pereira de Figueiredo, baseada na Vulgata e que levou 18 anos para ser completada. Fato e facto tornado possível devido ao fim dos trabalhos formais da Inquisição (vade retro).
As comemorações vêm aí? Já vieram e passaram? Com que “acordo ortográfico” devo me informar?
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Ivan informa que até Richard Dawkins, 'defensor da inveracidade da Bíblia', está participando das festividades pelos 400 anos da Bíblia do rei Jaime (ou James). É que Dawkins, depois de longa trajetória de negação, parece ter mudado de ideia. Muito embora a ideia ora defendida não conte com o beneplácito das 'autoridades competentes'. Google e youtube oferecem novidades a respeito, inclusive nas palavras do próprio Dawkins.
domingo, 28 de novembro de 2010
CLÁSSICOS ILUSTRADOS
Bette Davis, 'a malvada', e outros ícones do cinema estão no Cinemascope, louvados pelo traço ímpar de João de Deus NETTO. O cinema, lá, está muito bem na foto.
http://cinemascopeblog.blogspot.com/ .
A COR DA TRAGÉDIA NO RIO
Sábado, fim da manhã, dou uma escapada do escritório. Fui trabalhar em um dia que costumo dedicar ao descanso porque precisava “preparar” a viagem de negócios que começo a fazer no dia seguinte.
Preciso almoçar. Café e cigarros, ininterruptamente – consumo um e outro sem perceber, quando trabalho ou escrevo –, fizeram-me cair a pressão.
O bar serve uma das feijoadas mais honestas da região da Vila Mariana. De carro, chego lá em 5 minutos. Gasto mais cinco esperando pela comida e mais dez para comer. Antes da uma estarei de volta.
Meu escritório está na região há quase 15 anos. Vários conhecidos freqüentam o estabelecimento em que matarei a fome. Ao chegar lá, cumprimentam-me e me convidam a sentar à mesa repleta de garrafas de cerveja vazias.
Hesito. São pessoas que têm por costume fazer comentários que me desagradam. A educação, porém, fala mais alto e aceito. Encaro a turma que têm os olhos injetados pelo álcool.
Alguns dos homens, estando todos na mesma faixa etária que eu, mencionam a entrevista com Lula e começam a fazer piadinhas próprias da mentalidade política e ideológica que infesta a parte de São Paulo em que vivo.
Permaneço impassível e calado. Percebem que não estou achando graça. Um deles, menos grosseiro, resolve mudar de assunto:
– E o Rio, hein! Que tragédia!
Percebo que é outro tema que não vai prestar e me abstenho de comentários. Dedico-me à excelente batidinha de limão que servem ali.
Um outro decide escancarar a bocona: “Sabe qual é o problema do Rio?”. Percebendo que vem pedrada, mas já começando a me irritar, pergunto qual seria o “problema do Rio”.
– Pretos, cara. Notou que são todos pretos?
– Todos, quem, cara-pálida?
– Todos. Bandidos, moradores da região. Tudo preto. Esse é o problema do Rio.
Reflito, antes de responder. Ao menos em uma coisa esse demente tem razão: a tragédia carioca tem cor. Realmente, bandidos e população atingida por eles são negros em expressiva maioria. Então respondo:
– Mas a culpa não é deles, é sua. São racistas como você que fizeram com que mesmo depois de mais de um século do fim da escravidão os negros continuassem mergulhados nessa tragédia…
– Mas…
– Aqueles traficantes quase todos negros, um dia foram crianças que se inebriaram pelo poder que os bandidos exercem sobre essas comunidades.
A mesa com seis homens de meia idade fica em silêncio, perplexa com o que acabara de ouvir. Levanto-me, vou até o caixa, pago pela comida que não comi, subo no carro, sem me despedir de ninguém, e vou embora sem almoçar.
Já não havia mais fome.
Levo comigo, porém, uma certeza: a tragédia no Rio tem cor. Existe por conta dessa cor.
Aquelas populações, pela cor da pele, foram mantidas em guetos miseráveis, longe das preocupações dos setores exíguos e preconceituosos da sociedade que fingem que a culpa é dos governantes.
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Eduardo Guimarães é titular do blog CIDADANIA.
http://www.blogcidadania.com.br/ .
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A cor da tragédia no Rio. Eduardo Guimarães.
sábado, 27 de novembro de 2010
OLD MAN E DAIQUIRIS
Turistas bebericam sob o olhar de Hemingway no The Floridita, em Havana.
................Foto: Desmond Boylan.
O MINISTRO E O HUMOR
O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, disse que após o órgão derrubar a lei que impedia as atrações de televisão e rádio de fazerem sátiras, paródias e 'trucagem' com os políticos durante o período eleitoral, os programas de humor perderam a graça. Ele comentou que isso tem relação com o fato de a mídia brasileira ainda não saber desfrutar da liberdade.
“Os programas de humor perderam a qualidade, a criatividade e a graça depois que nós do STF afastamos a chamada Lei do Humor”, afirmou Ayres Britto.
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Que nada, ministro, a graça há muuuuito tempo já estava em lugar incerto e não sabido. E continuou por lá.
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Programas de humor. Ministro Ayres Britto.
CIVILIZAÇÕES GALÁTICAS
40 bilhões de planetas habitáveis.
Quantas civilizações?
Por Carlos Orsi
(...) a respeito da descoberta do mais habitável — ainda que apenas potencialmente — dos planetas extrassolares, Gliese 581g.
(...)
(...) o que mais me chamou a atenção foi a declaração de um dos descobridores do planeta, Steven Vogt, de que o achado abre a possibilidade de haver “de 10% a 20%” de estrelas com planetas habitáveis na Via Láctea.
O que remete diretamente à Fórmula de Drake.
Encurtando uma história longa: em 1961, Frank Drake, pioneiro no uso de radiotelescópios para a busca de sinais de vida inteligente fora da Terra, propôs uma fórmula para ajudar a estimar o número de civilizações com que poderíamos esperar estabelecer contato.
Existem diferentes versões da equação, mas vou usar uma mais simplificada. Ei-la:
N = N* fp ne fl fi fc fL
Todos os fatores do lado direito são multiplicados entre si.
A fórmula já foi muito criticada, pelo motivo de que boa parte dos fatores que entram nela são efetivamente desconhecidos pela ciência. Isto é, qualquer resultado que ela gere será fruto de uma série de chutes. Já foi dito, não sem razão, que a Fórmula de Drake é mais um espelho da psicologia de quem a utiliza do que uma fonte de informação sobre o Universo.
Mas, afinal, o que são esses fatores? Pela ordem:
“N” é o número de civilizações com que podemos esperar entrar em contato;
“N*” é o número de estrelas da Via Láctea;
“fp” é a fração desse total de estrelas que tem planetas;
“ne” é o número de planetas por estrela capaz de sustentar vida;
“fl” é a fração de “ne” onde a vida realmente evolui;
“fi” é a fração de “fl” onde surge vida inteligente;
“fc” é a fração de “fi” que desenvolve tecnologia para se comunicar com outros planetas;
“fL” é a fração da vida do planeta em que a civilização se mantém capaz de estabelecer comunicação com outros planetas.
Em outras versões, o termo N* é substituído por R*, a taxa de formação de estrelas na galáxia — isto é, quantas estrelas nascem a cada ano — e fL é trocado por L, que é o tempo, em anos, durante o qual uma civilização se comunica com o espaço.
A estimativa de Vogt, de que de 10% a 20% das estrelas da Via Láctea têm pelo menos um planeta capaz de sustentar vida — somada à estimativa atual de que a galáxia tem de 200 bilhões a 400 bilhões de estrelas — nos joga diretamente entre os termos “fp” e “ne”.
Supondo que haja 40 bilhões de estrelas com pelo menos um planeta habitável, só o que falta fazer é multiplicar 40.000.000.000 por nossas estimativas de em quantos desses planetas a vida realmente evolui; em quantos desses surge inteligência; que porcentagem das espécies inteligentes desenvolvem tecnologia de comunicação; e quanto tempo dura a fase, digamos, sociável de uma civilização avançada.
Dá para fazer isso automaticamente aqui (http://www.activemind.com/mysterious/topics/seti/drake_equation.html).
Eu joguei meus chutes favoritos lá — incluindo a suposição, que muitos considerarão pessimista, de que apenas 1% dos planetas com vida têm vida inteligente — e cheguei a 48 civilizações capazes de nos dar um alô.
Se você preferir supor que se um planeta pode ter vida ele necessariamente terá vida, e que se a vida surge, ela necessariamente desenvolverá inteligência, o total chega a espantosas 24.000 civilizações!
O que nos traz a um novo problema, o Paradoxo de Fermi. Mas isso é assunto para outro dia.
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Planetas habitáveis. Vogt. Drake. Carlos Orsi.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
PIAUÍ AMARGA INSEGURANÇA ALIMENTAR
Aproximadamente 30% dos domicílios brasileiros não têm acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente. É o que mostra levantamento suplementar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgado nesta sexta-feira (26) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A pesquisa, relativa a 2009, analisou 58,6 milhões de domicílios particulares no país. Desse total, 17,7 milhões (30,2%) apresentam algum grau de insegurança alimentar, o que representa um total de 65,6 milhões de pessoas. Em 2004, a proporção era de 34,9%.
Entre esses domicílios mencionados acima, 18,7% (ou 11 milhões de lares) apresentam situação de insegurança alimentar leve; 6,5% (3,8 milhões) moderada, e 5% (2,9 milhões) grave. Ao todo, 11,2 milhões de pessoas relataram ter passado fome no período investigado.
Em 2004, as prevalências de domicílios com moradores em situação de insegurança alimentar leve, moderada e grave eram, respectivamente, 18%, 9,9% e 7%. Ou seja, houve redução dos percentuais de restrição moderada e grave.
A pesquisa mostra que a prevalência de insegurança alimentar é mais na área rural do que na urbana. Enquanto 6,2% e 4,6% dos domicílios em área urbana apresentavam níveis moderado e grave, respectivamente, na área rural as proporções foram de 8,6% e 7%. (...)
(...) Nas regiões Norte e Nordeste, todos os Estados apresentam proporções inferiores à média nacional de segurança alimentar. No Maranhão (35,4%) e no Piauí (41,4%), nem metade dos domicílios conta com alimentação saudável e em quantidade suficiente assegurada. No Centro-Oeste, apenas Goiás está nessas condições.
Além de menos bens, os domicílios em situação de insegurança alimentar também são os menos atendidos pela rede coletora de esgoto sanitário. Outra característica é a maior densidade por dormitório: em 4,5% dos domicílios com restrições alimentares graves há três ou mais moradores dormindo no mesmo quarto. (...)
Do total de 97,8 milhões de moradores pretos ou pardos, 43,4% apresentam algum nível de insegurança alimentar. Entre os brancos (92,4 milhões), a prevalência é de 24,6%.
Em relação à escolaridade, a pesquisa mostra que quanto maior o grau de instrução, menor a prevalência de insegurança alimentar grave ou moderada. (...)
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