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sábado, 30 de janeiro de 2016

SISTEMA FINANCEIRO LOUVA OS JUROS


Nem todo mundo perde na recessão

Por André Barrocal

“Na recessão, todo mundo perde”, disse o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social com Dilma Rousseff e alguns ministros nesta quinta-feira 28. A julgar por dois números divulgados horas antes, a declaração do banqueiro-sociólogo escolhido pessoalmente por Dilma como um dos oradores da reunião é mais retórica do que uma expressão da realidade.
No ano passado, o Bradesco teve lucro de 17 bilhões de reais. Foi o segundo maior lucro bancário já registrado no País, de acordo com uma consultoria especializada na análise de balanços de empresas de capital aberto, a Economática.
O desemprego também terminou 2015 em nível alto. A taxa oficial do País, medida pelo IBGE, chegou a 6,9% em dezembro, a maior desde 2007. Foi a primeira vez que o IBGE identificou uma redução do número total de pessoas com emprego formal no setor privado de um ano para o outro desde que começou a fazer esta pesquisa.
O gordo lucro bancário e o avanço do desemprego ocorreram em um mesmo cenário. Um ano em que a economia encolheu perto de 3%, segundo algumas estimativas – o resultado oficial sai só em março. Sinal de que nem todo mundo perde na recessão.
O sistema financeiro não precisa de expansão da economia para ganhar dinheiro, ao menos no Brasil. Em 2014, o Itaú teve lucro de 20 bilhões de reais, o maior já visto no País, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) estagnava (cresceu 0,1%).
Altas taxas de juros fixadas pelo Banco Central (BC) e pagas pelo Tesouro Nacional na rolagem da dívida pública bastam para garantir riqueza ao sistema financeiro.
Em 2014, o BC subiu seu juro Selic de 10% para 11,75% e em 2015, para 14,25%. Uma taxa que não significa nada para o cidadão comum, mais familiarizado com a usura do cheque especial (287% em 2015, maior média em 21 anos) e do cartão de crédito (431% na média de 2015, recorde histórico). Mas que rende dividendos polpudos aos bancos que negociam com a dívida pública.
Em seu balanço do ano passado, o Bradesco apontou o fator “juros” como explicação principal para o lucro de 17 bilhões.
A elevação na taxa de juros é também uma das principais causas do aumento da dívida pública e do déficit público em 2015, conforme dados divulgados nesta sexta-feira 29 pelo BC.
A dívida líquida, que desconta valores que o Estado tem a receber, pulou para 36% do PIB (era 2,9 pontos menor em 2014). Já a bruta, que ignora o que o Estado tem a receber, subiu de 57% para 66%. O déficit público de 0,57% do PIB em 2014 virou um de 1,88% no ano passado. (Fonte: Carta Capital; reproduzida aqui).
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"Altas taxas de juros fixadas pelo Banco Central (BC) e pagas pelo Tesouro Nacional na rolagem da dívida pública bastam para garantir riqueza ao sistema financeiro"... além, evidentemente, das taxas e tarifas impostas aos correntistas, custos, aliás, decorrentes da Selic. 
Alguém desabafa: "Tudo isso é fruto da 'realidade estrutural' brasileira!"; ao que banqueiros, rentistas e sonegadores fiscais, comovidos, agradecem.