quarta-feira, 13 de junho de 2018

O SUCESSO DE DONALD TRUMP (?)

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Quando tacharam os EUA de coveiros da globalização, Trump devolveu: Os EUA estão apenas cuidando de seus interesses, sugiro aos demais países que cuidem dos seus. De fato, há muitos países entregando gentilmente as suas riquezas, e classificando tal atitude como 'modernização' e 'abertura para o mundo'. E por aí vai. Mas Trump, especialista em rompantes, pode, em muitos fronts, tropeçar em curto e médio prazo. A propósito, veja, ao final, a transcrição de breve debate que o texto abaixo suscitou.


Donald Trump é um sucesso e o mundo ainda não aprendeu a lidar

Por Ricardo Begosso

A já famosa foto da cúpula do G7 (grupo de EUA, Japão, Alemanha, Canadá, França, Reino Unido e Itália), realizada neste fim de semana, em Quebec, pode ser lida nas entrelinhas como um sinal vitorioso para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Trump, às vésperas do encontro histórico com Kim Jong-un, deixou a reunião antes do fim para viajar ao continente asiático. Após sua saída, os líderes restantes do G7 divulgaram o comunicado final da cúpula, no qual os países teriam concordado em trabalhar conjuntamente para reduzir barreiras no comércio internacional.
O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, disse ainda que as recentes sobretaxas americanas ao aço e ao alumínio importados de uma série de mercados (incluindo o canadense) são um “insulto” ao seu país. O Canadá não deseja ter suas exportações enquadradas na categoria de ameaça à segurança nacional dos EUA, fundamentação jurídica dada pela seção 232 da Lei de Expansão do Comércio e que foi utilizada pelo governo americano com o argumento de evitar o fechamento de suas indústrias nacionais.
Trump respondeu através de seu perfil no Twitter. Sua resposta foi direta e curta, apontando Trudeau como um sujeito fraco e desonesto. A posição de parceiros europeus do G7, como Alemanha e França, foi de repúdio à reação do presidente americano.
Mas era uma armadilha.

O SEGREDO ESTÁ EM QUEM ELEGEU TRUMP
Trump foi eleito com uma plataforma contrária à globalização, viabilizada eleitoralmente pela brutal desindustrialização do chamado “Cinturão da Indústria” (Manufacturing Belt), que após a década de 1980 passou a ser conhecido como “Cinturão da Ferrugem” (Rust Belt). A região agrega estados americanos do nordeste e do meio-oeste que antes figuravam como os mais antigos núcleos da indústria americana.
Desde 1992, o Cinturão da Ferrugem era tido como parte da “muralha azul” (blue wall), um termo utilizado para tratar de estados americanos nos quais a vantagem eleitoral do Partido Democrata era impenetrável pelos Republicanos. A vitória de Trump alterou essa história, e isso é talvez o fato mais significativo da eleição de 2016.
Com a globalização e sua crescente liberalização econômica mundo afora, as indústrias do Ocidente desenvolvido iniciaram um processo de migração para países onde a força de trabalho e os custos em geral eram mais baratos.
China, por exemplo, se beneficiou disso em razão da política de manter sua moeda extremamente desvalorizada em relação ao dólar. Os EUA passaram a ter déficits frequentes e cada vez maiores com o mundo, já que a maioria dos produtos consumidos internamente são fabricados em outros países.
Não à toa, uma das principais marcas do governo Trump é a Guerra Comercial travada entre EUA e China, principal potência industrial do planeta nos dias atuais. A batalha americana para impor tarifas e reduzir seus déficits com outros países, no entanto, não se esgota nas relações com o gigante asiático. Washington decidiu se proteger economicamente diante de seus mais próximos aliados, colocando iniciativas como a Parceria Transpacífico (TPP) e o NAFTA em questão.
União Europeia, Canadá, México, Brasil, e uma enorme lista de países já foram afetados pelas medidas do governo americano. Mas o que parece, na verdade, é que ninguém aprendeu ainda a lidar com a “inconveniente” presença de Donald Trump no palco da política internacional.

A GLOBALIZAÇÃO NÃO É UM FRACASSO, NEM TRUMP

Os líderes que cercaram Donald Trump na foto do G7 estão interessados na continuidade dos EUA como patrocinadores da globalização econômica. A outra opção é ter a China ocupando este cargo, o que tem se tornado uma realidade cada vez mais iminente.
O problema, para o Ocidente, em aceitar a China como patrocinadora da globalização, algo que na Ásia já está cada vez mais consolidado, é que há diferenças estruturais entre os personagens em questão.
A China sofreu uma humilhação sem precedentes das potências europeias no século XIX. Os chineses contém laços diversificados com outras potências não convencionais, como a Rússia, por exemplo. Como se não bastasse, patrocinam instituições financeiras multilaterais, diferentes do FMI e do Banco Mundial, nas quais os países ocidentais possuem pouca voz.
Uma ordem mundial tutelada pela China não seria uma na qual os europeus teriam o mesmo poder de decisão que possuem num mundo protegido e financiado pelos EUA. O que está em jogo é o equilíbrio de poder entre Ocidente e Oriente, não o fim da globalização.
A globalização continua avançando, apesar dos gritos antiglobalistas. E nem poderia ser diferente. Quando a Inglaterra da Revolução Industrial ergueu-se como potência manufatureira sem concorrência, foi fácil advogar pelo liberalismo dos outros países.
Da mesma forma, foi fácil defender o liberalismo quando os EUA dominavam a maior parte da produção industrial do planeta. O que se esquece, geralmente, é que até a década de 1920, e durante todo o século XIX, foi em função de uma das maiores arquiteturas econômicas protecionistas que os EUA atingiram o posto de país desenvolvido, prontos para impor sua superioridade ao resto do mundo.
O que estamos vivendo agora parece mais o retorno dos Estados Unidos à uma concepção de política econômica anterior à sua hegemonia, do que propriamente o fracasso da globalização.
Está em pleno andamento, por exemplo, a negociação da Parceria Regional Econômica Abrangente (RCEP), um projeto de liberalização comercial envolvendo 16 países do sudeste asiático mais China, Índia, Japão, Coréia do Sul, Austrália e Nova Zelândia.
O Ocidente não foi capaz, ainda, de formular uma resposta consequente à mudança do pólo econômico mundial para a Ásia, e isso assusta as diversas lideranças envolvidas. Trump, porém, deu o primeiro passo, propondo uma nova forma de interação dos EUA com o mundo por meio da qual os americanos se recusam a jogar parados.
O resultado, até o momento, tem sido patamares baixíssimos de desemprego e a retomada de setores importantes da indústria.
Enquanto os líderes do G7 cercavam o presidente americano de maneira desafiadora, e mesmo desesperada, Trump devolvia ironicamente cada olhar. Morderam a isca. É disso que o mais imprevisível presidente dos EUA das últimas décadas precisava: o enfrentamento fútil de um adversário que já perdeu, para dar-lhe a satisfação de ver seus eleitores convencidos de que Trump é inquebrantável em seus objetivos e cumprirá a palavra de proteger a indústria de seu país.  -  (AQUI).
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.André Araújo escreveu: "O processo histórico é muito complexo para se definir ganhadores e perdedores de forma superficial. Em 1938 o Primeiro Ministro  Neville Chamberlain desceu em Londres com o Acordo de Munique assinado em mãos e dizendo. na escada do avião: "Consegui a paz em nosso tempo", foi recebido como grande vencedor pela multidão que o ovacionava.
Um ano depois estoura a Segunda Guerra Mundial e Chamberlain foi para o lixo da História.
Trump é um jogador primitivo e o mundo das relações internacionais não é tão simples como ele pretende.
Fez um oba oba com o ditador norte-coreano, não conseguiu nada concreto, só promessas que não valem coisa alguma,e ao suspender os exercícios militares bianuais com a Coreia do Sul deixou o Japão alarmado e a Coreia do Sul mais ainda.
Foi simpático com o brutal regime norte-coreano e agressivo com o Irã, que não tem programa  tão avançado como  a Coreia do Norte, o que é irracional; sua atitude contra o Irã só se explica porque o Irã é inimigo de Israel e Kim não.
Na História, nenhum líder sempre ganha, Napoleão foi vencedor até o dia em que perdeu."
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.Ao que Milton Murilo ponderou: "André, começo com confetes.
Aprecio tuas postagens, principalmente as que trazem a interação da história com a economia.
Mas me parece que a última frase derruba tuas colocações anteriores.
Nenhum líder, como qualquer pessoa, sempre ganha. 
Entretanto Trump, com todo o seu folclore, busca repatriar indústrias e alavancar empregos nos EUA. Cumprindo suas promessas de campanha. Claro que a parada é difícil, dado o peso de seu principal competidor, a China. Ao presidente de qualquer nação, exceção feita ao elemento que nos governa e sua trupe, cabe defender os interesses de seu país segundo seu entendimento. 
É o que Trump faz.
Tem movimentos erráticos a nós, mas que servem como moeda de troca a grupos americanos. E um desses movimentos é a agressividade com o Irã. Um afago aos grupos financistas americanos e mundiais."

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.E André Araújo arrematou: "Meu caro, Trump pode ter uma plataforma de campanha, mas ele a está executando de maneira bizarra. Sua primeira decisão em relações internacionais foi sair da Aliança do Pacifico, que levou onze anos para montar e era um movimento CONTRA A CHINA;  ao sair do Acordo ajudou enormemente a China, suas ações não têm lógica, ou melhor, a única lógica é a manchete de jornal, como foi a reunião com Kim, que obviamente não vai destruir um único míssil.  O acordo com o Irã levou nove anos de negociação, o Irã cumpriu a parte dele e agora os EUA saem do acordo, destruindo a credibilidade diplomática do Pais; quem assinou o Acordo foi o Governo dos EUA e não o Obama; para Trump não existe o Governo dos EUA como entidade perene e sim o Obama e ele; rasgar um tratado sem um motivo lógico é a ação mais antidiplomática que pode existir e nunca é prenúncio de alguma coisa boa. Quando Daladier e Chamberlain rasgaram em Munique o Tratado de Garantia à Tchecoslováquia abriram caminho para a Segunda Guerra.
Eu tb sou a favor da defesa da indústria nacional, mas a maneira como Trump está fazendo destrói mais empregos do que salva; o Canadá vai impor tarifa igual à do aço nos carros americanos, o Canadá é o pais que mais importa carros americanos, então o Trump salva 5.000 empregos no aço e perde 20.000 na indústria automobilística. No caso do Brasil é muito pior, ele impôs tarifa ao nosso aço e o Brasil compra dos EUA  QUATRO vezes mais do que vendemos aos EUA; não tem cliente melhor e vc pune esse cliente?".

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