sábado, 26 de julho de 2014
VEJA E A ESCURIDÃO
"Responsável pelo primeiro voto, em 1947, pela criação de Israel, o Brasil sempre foi um aliado da causa judaica. No entanto, a política externa do Itamaraty também sempre foi pautada pela defesa dos direitos humanos. Foi exatamente neste contexto que o chanceler Luiz Alberto Figueiredo divulgou uma nota em que condenava "energicamente" a ação desproporcional de Israel no conflito da Palestina, que, em menos de vinte dias, matou mais de mil pessoas.
Neste período, o governo do chanceler Benjamin Netanyahu assassinou mulheres, crianças e foi capaz até de bombardear um hospital e uma escola da Organização das Nações Unidas, levando o secretário Ban-Ki-Moon a se dizer "estarrecido". De acordo com as Nações Unidas, Netanyahu deve ser investigado por "crimes de guerra" e até mesmo o maior aliado de Israel, o governo dos Estados Unidos, tem se mostrado desconfortável com o banho de sangue. Ontem, o secretário de Estado, John Kerry, pediu uma trégua que impedisse a continuidade da matança.
No entanto, Netanyahu tem, a seu lado, a família Civita, que edita a revista Veja, cuja capa desta semana se dedica a apontar o que seria o "apagão na diplomacia" e a "falência moral da política externa do governo Dilma". Internamente, a revista aponta o que seriam sinais de "nanismo" do Itamaraty. Um desses, curiosamente, seria até a declaração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, numa reunião do G-20, quando chamou o ex-presidente Lula de "o cara". Ou seja: na lógica de Veja, um elogio de Obama no G-20, organismo que deve muito ao Brasil, diminuiria o País.
Com a capa desta semana, Veja se coloca à extrema direita e se isola até mesmo seus leitores. Responsável pela formulação da política externa do candidato Aécio Neves (PSDB-MG), o embaixador Rubens Barbosa concordou com a posição adotada pelo Itamaraty. Neste sábado, a jornalista Mônica Bergamo também informa que o presidente da Confederação Israelita Brasileira, Claudio Lottenberg, se disse indignado com a grosseria do porta-voz Yigal Palmor, que chamou o Brasil de "anão diplomático". Em editorial, o jornal Estado de S. Paulo condenou o que chamou de "baixaria israelense".
Veja, assim, se isola, assim como o carniceiro Benjamin Netanyahu. Os dois, na verdade, se merecem."
(Do site Brasil247, nesta data, post intitulado "Alinhada ao assassino, Veja condena Itamaraty" - aqui.
Muitos críticos achavam que a Veja não conseguiria se superar. Estávamos equivocados).
A MULHER QUE MARCOU RUBEM BRAGA
Foi uma Senhora
Por Rubem Braga
(Resposta a uma enquete da revista Leitura:
“Qual foi o tipo que mais o impressionou?”)
Foi uma senhora – e não lhe digo o nome, senhor redator, porque na verdade não sei. Foi uma bela senhora – mas para que contar essas coisas? Seria melhor que eu falasse de outras pessoas. Sim, houve outras pessoas que me impressionaram muito; cinco ou seis ou mais, sete ou oito, deixa-me ver. Nove – lembro-me nesse momento de nove, conto-as nos dedos. Sou muito impressionável. Agora, nesse começo de velhice, parece que... Mas basta! Por que maldita inclinação hei eu de estar sempre a explicar meu temperamento? Quando me convencerei de que a ninguém interessam meus desmanchos internos? Grandes e feios desmanchos na verdade – mas vou lhe falar a respeito daquela mulher.
Abençoada eternamente seja aquela mulher. Eu a conheci dez minutos depois de minha morte. O médico e as duas enfermeiras me levaram até o elevador, mas desci sozinho. Fiz questão. Repugnava-me aquele médico, repugnavam-me as enfermeiras, três corvos brancos que tinham presidido à minha morte. Brancos, frios, vorazes, vorazes de minha carne, de minha dor física, vorazes, precisos, profissionais. Eu não sentia mais nenhuma dor aguda, mas ainda estava completamente embrulhado naquele sentimento da morte, a morte anunciada, ou pior ainda, insinuada, sussurrada – e durante 10 a 20 minutos intensamente vivida. Corvos!
Eu pensava com raiva, com uma desesperada raiva, que ia deixar a vida. Tudo o que eu podia enxergar ás vezes, e vagamente, era a cara do médico – uma cara de óculos, uma cara fria, a cara de um inimigo. Parecia exatamente um inimigo meu; a boca, o nariz, os óculos, tudo era igual à cara do meu inimigo. E ele mesmo era meu inimigo, pois me torturava ali com as mãos piedosas e tinha aqueles olhos frios. Na minha impotência sonhei em me erguer, matá-lo, depois sair à rua, tomar um automóvel, matar outro inimigo, matar torturando o patife. Desfilaram diante de mim outras caras de inimigos, caras antipáticas, frias, cruéis, mesquinhas, todos satisfeitos porque eles iam continuar vivos e eu ia morrer – eu ia morrer naquele momento, estava morrendo. Assassinei-os a todos em imaginação, assassinei-os e insultei-os mentalmente com pesados palavrões. Depois meu pensamento voltou para mim mesmo e tive pena de morrer, tive uma extraordinária pena de mim, e me dirigi palavras de amizade. Pobre Rubem, lá se vai ele! E ouvi vozes amigas de homens e mulheres, revi rostos amigos – e pensei em vós, alma querida, alma querida a que jamais servi bem. Pensei em vós, e pensei com doçura e uma espécie de remorso, e senti que a vida tinha valido a pena porque vos estimei e tive a vossa estima; pensei em vós, e vos beijei os olhos... Uma dor aguda, insuportável, me feriu; depois, através das lágrimas que formavam poças nos meus olhos, vi outra vez aquela cara fria, de óculos frios...
Estivera desmaiado tão pouco tempo, mas o elevador me parecia que eu tinha regressado de uma longa morte. O cabineiro me olhou com susto, queria ir buscar um táxi. Eu não quis. Consegui chegar sozinho até a rua, e me encostei a uma parede. Fazia sol, ventava, era uma bela manhã de uma beleza assanhada e feliz. Mas meus olhos ainda viam a morte, a amargura da morte ainda embrulhava meu coração – embrulhava como um sujo papel de embrulho embrulha alguma coisa. Sentia-me fraco e vazio; talvez fosse melhor ter morrido, não ter voltado. Foi então que passou aquela mulher.
Seus finos cabelos negros brilhavam ao sol e sua pele era muito branca. Por um instante deteve em mim os grandes olhos verdes ou azuis, talvez porque lesse em meus olhos o que eu acabara de passar. Aqueles olhos! Não diziam que estavam com pena, apenas me davam coragem; eram limpos, amigos; e eram tão belos, eram fascinantes; era a vida, a úmida luz da vida, a bela e ansiosa vida. Voltei-me quando ela passou. Era alta, pisava com uma graça firme, caminhava levada pela poderosa e leve energia da vida, caminhava ao sol naquela manhã de vento, naquela manhã assanhada que brilhava feliz, brilhava em seus finos cabelos negros... Desculpe, senhor redator. Estou escrevendo demais, minha resposta está enorme. Eu sou muito impressionável! Sim, de todos os tipos humanos e divinos, nenhum como aquela senhora me impressionou tanto; e quando a vi novamente, meses depois, em um bar... Mas para que falar essas coisas? (Fonte: aqui).
SOBRE OS COMPROMISSOS POLÍTICOS DE ARIANO SUASSUNA
"A mídia tem feito belas homenagens ao escritor Ariano Suassuna, falecido nesta quarta-feira (23). Depoimentos sobre sua importância para a cultura popular, reprodução de minisséries baseadas em sua obra, reportagens sobre a sua longa e rica história. Talvez emocionada, Ana Maria Braga – sempre ela –, apresentadora do programa “Mais Você”, da TV Globo, até confundiu o nome do grande brasileiro, chamando-o de “Adriano” na manhã desta quinta-feira. Justas, justíssimas, homenagens! O que chama a atenção, porém, é que a mídia nativa tem evitado destacar os compromissos políticos de Ariano Suassuna, que sempre se identificou com as bandeiras nacionalistas e de esquerda.
Como escreveu o ex-presidente Lula em sua mensagem de despedida, o escritor pernambucano “era um militante das causas populares”. “É imensa a tristeza de receber a notícia de que um amigo tão querido nos deixou. Este paraibano de língua afiada, alma solidária, escrita ao mesmo tempo simples e profunda sempre nos honrou com sua amizade. Suassuna fez muito pelo povo brasileiro através de suas palavras, sabedoria popular e compromisso político. Um escritor premiado e reconhecido, que nunca se esqueceu de que era um homem do povo... Como escritor e como militante das causas populares, Suassuna continuará vivo em nossos corações”.
Já a coordenação nacional do MST, em nota oficial, lamentou “a perda do grande mestre da cultura brasileira, que nos deixou nesta quarta-feira. Mestre da cultura popular erudita, crítico do americanismo, Ariano Suassuna marcou o século passado com suas peças teatrais, seus romances e suas aulas-espetáculos... Mestre Ariano foi um apoiador da luta pela reforma agrária e um amigo do MST. Recebeu o coletivo de cultura do MST em sua casa, onde mostrou toda sua simplicidade e vitalidade ao sentar na calçada de sua casa e contar causos. Fez criticas à supremacia do modelo americano e propôs que a cultura popular fosse a mola propulsora de uma nova forma de pensar a cultura”.
Durante um comício de apoio a então candidata Dilma Rousseff em Garanhuns (PE), em agosto de 2010, Ariano Suassuna concedeu uma entrevista ao repórter Fernando Coelho, do jornal Gazeta de Alagoas, na qual reafirmou seu compromisso com o país e seu povo: “Você não sabe a humilhação que eu sentia pela dívida do Brasil ao FMI. O presidente brasileiro não tinha condições de escolher um ministro que não fosse aprovado pelo FMI. O FMI tinha o direito de vetar. Agora, o Brasil pagou a dívida e o FMI está devendo à gente. E Lula disse: 'Já pensou que coisa chique, o FMI está devendo ao Brasil.' Foi para o povo brasileiro recuperar a autoestima”.
“Lula baixou o número de pessoas que viviam na miséria. Baixou de 34% para 18%. Ele, Lula. E o percentual deve estar mais baixo ainda porque esses dados são do ano passado. Eu morria de vergonha do governo Fernando Henrique. Bastava dar um chapéu de doutor para ele entregar tudo. Eu votei no Lula em todas as vezes e não me arrependo. Escrevi, falei em comício, fiz o diabo. O que eu posso fazer eu faço. Eu não tenho poder político, nem econômico, nem nenhum outro, mas tenho uma língua afiada que só a peste, e ela está a serviço do meu país”. Este Ariano Suassuna, engajado e militante, a mídia agora tenta esconder. Reproduzo abaixo um dos seus textos, publicado no site no MST:
*****
Esquerda e Direita
Não concordo com a afirmação, hoje muito comum, de que não mais existem esquerda e direita. Acho até que quem diz isso normalmente é de direita.
Talvez eu pense assim porque mantenho, ainda hoje, uma visão religiosa do mundo e do homem, visão que, muito moço, alguns mestres me ajudaram a encontrar. Entre eles, talvez os mais importantes tenham sido Dostoiévski e aquela grande mulher que foi santa Teresa de Ávila.
Como consequência, também minha visão política tem substrato religioso. Olhando para o futuro, acredito que enquanto houver um desvalido, enquanto perdurar a injustiça com os infortunados de qualquer natureza, teremos que pensar e repensar a história em termos de esquerda e direita.
Temos também que olhar para trás e constatar que Herodes e Pilatos eram de direita, enquanto o Cristo e são João Batista eram de esquerda. Judas inicialmente era da esquerda. Traiu e passou para o outro lado: o de Barrabás, aquele criminoso que, com apoio da direita e do povo por ela enganado, na primeira grande “assembleia geral” da história moderna, ganhou contra o Cristo uma eleição decisiva.
De esquerda eram também os apóstolos que estabeleceram a primeira comunidade cristã, em bases muito parecidas com as do pré-socialismo organizado em Canudos por Antônio Conselheiro. Para demonstrar isso, basta comparar o texto de são Lucas, nos “Atos dos Apóstolos”, com o de Euclydes da Cunha em “Os Sertões”.
Escreve o primeiro: “Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum. Não havia entre eles necessitado algum. Os que possuíam terras e casas, vendiam-nas, traziam os valores das vendas e os depunham aos pés dos apóstolos. Distribuía-se, então, a cada um, segundo a sua necessidade”.
Afirma o segundo, sobre o pré-socialismo dos seguidores de Antônio Conselheiro: “A propriedade tornou-se-lhes uma forma exagerada do coletivismo tribal dos beduínos: apropriação pessoal apenas de objetos móveis e das casas, comunidade absoluta da terra, das pastagens, dos rebanhos e dos escassos produtos das culturas, cujos donos recebiam exígua quota parte, revertendo o resto para a companhia” (isto é, para a comunidade).
Concluo recordando que, no Brasil atual, outra maneira fácil de manter clara a distinção é a seguinte: quem é de esquerda, luta para manter a soberania nacional e é socialista; quem é de direita, é entreguista e capitalista. Quem, na sua visão do social, coloca a ênfase na justiça, é de esquerda. Quem a coloca na eficácia e no lucro, é de direita."
(De Altamiro Borges, post "Mídia 'despolitiza' Ariano Suassuna" - aqui).
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Eles disseram. Altamiro Borges. Ariano Suassuna.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
DA SÉRIE NÃO BASTA TORCER CONTRA
Sucesso de Dilma deteriora economia, diz Santander a clientes ricos
Por Fernando Rodrigues
O Banco Santander enviou neste mês de julho de 2014 aos seus clientes de alta renda um texto afirmando que o eventual sucesso eleitoral da presidente Dilma Rousseff irá piorar a economia do Brasil.
A análise foi impressa na última página do extrato dos clientes na categoria “Select”, com renda mensal superior a R$ 10 mil. Diz que se Dilma melhorar nas pesquisas de intenção de voto, os juros e o dólar vão subir e a Bolsa, cair.
O texto vem sob o título “Você e seu dinheiro” e orienta os clientes do Santander: um cenário eleitoral favorável à petista reverterá “parte das altas recentes” na Bolsa.
(Para continuar, clique AQUI).
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Sem novidades no front: a 'mensagem' do Santander é a mesma propalada por rentistas em geral, e isso já há um bom tempo. Dirigente do Itaú, por exemplo, já 'cantou a pedra' em comentários feitos nos EUA; algo como "os fundamentos do Brasil são sombrios, o país ruma para o fracasso, logo, as perspectivas são boas para nós". A Veja deu até matéria de capa, indagando em letras garrafais, inocentemente, a razão por que a Bolsa sobe quando a presidente cai nas pesquisas...
O que distingue o comportamento do Santander é o fato de o 'prognóstico' haver-se revestido de caráter oficial. (Desfazer tal caráter, como o banco apressou-se em fazer, é até mesmo prevenir-se quanto a eventuais desdobramentos no âmbito jurídico...).
ISRAEL EXIGE A CONIVÊNCIA DE TODOS
Rafael.
Brasil convoca embaixador e Israel critica duramente
O governo de Israel não gostou do Brasil ter convocado seu embaixador em Tel Aviv para consultas e por ter publicado duas notas, no prazo de uma semana, considerando a escalada de violência entre Israel e Palestina algo inaceitável.
Como reação o Ministério das Relações Exteriores de Israel soltou comunicado à imprensa, por meio do porta-voz Yigal Palmor, manifestando “desapontamento” diante da convocação do embaixador brasileiro. “Israel manifesta o seu desapontamento com a decisão do governo do Brasil de retirar seu embaixador para consultas. Esta decisão não reflete o nível das relações entre os países e ignora o direito de Israel de se defender. Tais medidas não contribuem para promover a calma e a estabilidade na região. Em vez disso, eles estimulam o terrorismo, e, naturalmente, afetam a capacidade do Brasil de exercer influência”, reza o texto.
“Israel espera o apoio de seus amigos em sua luta contra o Hamas, que é reconhecido como uma organização terrorista por muitos países no mundo”, disse Yigal Palmor. Já os jornais israelenses noticiaram críticas mais contundentes do porta-voz. O jornal The Jerusalem Post afirma que Palmor disse que “essa é uma demonstração lamentável de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático”, e acrescentou que “o relativismo moral por trás deste movimento faz do Brasil um parceiro diplomático irrelevante, aquele que cria problemas em vez de contribuir para soluções”.
Na nota do Brasil foi reiterado o chamado a um “imediato cessar-fogo” entre as partes. O Itamaraty explicou que, diante da gravidade da situação, votou favoravelmente à resolução do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas que condena a atual ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza e cria comissão internacional para investigar todas as violações e julgar os responsáveis.
A Confederação Israelita do Brasil (Conib) também não gostou da nota divulgada pelo Itamaraty. . “A Confederação Israelita do Brasil vem a público manifestar sua indignação com a nota divulgada pelo nosso Ministério das Relações Exteriores, na qual se evidencia a abordagem unilateral do conflito na Faixa de Gaza, ao criticar Israel e ignorar as ações do grupo terrorista Hamas”, destaca o texto.
Segundo a Conib, “uma nota como a divulgada nesta quarta-feira só faz aumentar a desconfiança com que importantes setores da sociedade israelense, de diversos campos políticos e ideológicos, enxergam a política externa brasileira”. A entidade também afirmou que a comunidade judaica brasileira compartilha da preocupação do povo brasileira e expressa “profunda dor pelas mortes dos dois lados do conflito”, além de esperar cessar-fogo imediato.
Apesar de ter sido taxado de “anão diplomático” por Israel, o Brasil e a Alemanha são os únicos países a ter relações diplomáticas com todas as nações do mundo. O Brasil foi um dos 29 países a votar a favor da resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Houve 17 abstenções e apenas um voto contra, dos Estados Unidos. Além do Japão, todos os países europeus presentes, incluindo a França, o Reino Unido e a Alemanha, optaram pela abstenção. (Fonte: aqui).
................
Um leitor arguto observa:
"Se os guerrilheiros do Hamas se escondessem em prédios de Tel Aviv os aviões israelenses iriam bombardear esses prédios dizendo que a morte de civis e crianças é apenas um efeito colateral e que o Hamas é o culpado das mortes?
Não, claro que não. Porque eles dão valor à vida dos israelenses.
Mas não dão valor à vida dos palestinos.
Pode ser que o Hamas use os civis como escudos humanos, mas Israel usa esse fato como uma desculpa para matar civis palestinos indiscriminadamente."
Israel tem o direito de ser reconhecido como Estado pleno, e isso é muito justo, mas não tem o direito de exterminar civis encurralados, como vem fazendo em Gaza. O fato de Israel mandar nos Estados Unidos não lhe confere o direito de exigir do Brasil idêntica submissão.
Brasil convoca embaixador e Israel critica duramente
O governo de Israel não gostou do Brasil ter convocado seu embaixador em Tel Aviv para consultas e por ter publicado duas notas, no prazo de uma semana, considerando a escalada de violência entre Israel e Palestina algo inaceitável.
Como reação o Ministério das Relações Exteriores de Israel soltou comunicado à imprensa, por meio do porta-voz Yigal Palmor, manifestando “desapontamento” diante da convocação do embaixador brasileiro. “Israel manifesta o seu desapontamento com a decisão do governo do Brasil de retirar seu embaixador para consultas. Esta decisão não reflete o nível das relações entre os países e ignora o direito de Israel de se defender. Tais medidas não contribuem para promover a calma e a estabilidade na região. Em vez disso, eles estimulam o terrorismo, e, naturalmente, afetam a capacidade do Brasil de exercer influência”, reza o texto.
“Israel espera o apoio de seus amigos em sua luta contra o Hamas, que é reconhecido como uma organização terrorista por muitos países no mundo”, disse Yigal Palmor. Já os jornais israelenses noticiaram críticas mais contundentes do porta-voz. O jornal The Jerusalem Post afirma que Palmor disse que “essa é uma demonstração lamentável de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático”, e acrescentou que “o relativismo moral por trás deste movimento faz do Brasil um parceiro diplomático irrelevante, aquele que cria problemas em vez de contribuir para soluções”.
Na nota do Brasil foi reiterado o chamado a um “imediato cessar-fogo” entre as partes. O Itamaraty explicou que, diante da gravidade da situação, votou favoravelmente à resolução do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas que condena a atual ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza e cria comissão internacional para investigar todas as violações e julgar os responsáveis.
A Confederação Israelita do Brasil (Conib) também não gostou da nota divulgada pelo Itamaraty. . “A Confederação Israelita do Brasil vem a público manifestar sua indignação com a nota divulgada pelo nosso Ministério das Relações Exteriores, na qual se evidencia a abordagem unilateral do conflito na Faixa de Gaza, ao criticar Israel e ignorar as ações do grupo terrorista Hamas”, destaca o texto.
Segundo a Conib, “uma nota como a divulgada nesta quarta-feira só faz aumentar a desconfiança com que importantes setores da sociedade israelense, de diversos campos políticos e ideológicos, enxergam a política externa brasileira”. A entidade também afirmou que a comunidade judaica brasileira compartilha da preocupação do povo brasileira e expressa “profunda dor pelas mortes dos dois lados do conflito”, além de esperar cessar-fogo imediato.
Apesar de ter sido taxado de “anão diplomático” por Israel, o Brasil e a Alemanha são os únicos países a ter relações diplomáticas com todas as nações do mundo. O Brasil foi um dos 29 países a votar a favor da resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Houve 17 abstenções e apenas um voto contra, dos Estados Unidos. Além do Japão, todos os países europeus presentes, incluindo a França, o Reino Unido e a Alemanha, optaram pela abstenção. (Fonte: aqui).
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Um leitor arguto observa:
"Se os guerrilheiros do Hamas se escondessem em prédios de Tel Aviv os aviões israelenses iriam bombardear esses prédios dizendo que a morte de civis e crianças é apenas um efeito colateral e que o Hamas é o culpado das mortes?
Não, claro que não. Porque eles dão valor à vida dos israelenses.
Mas não dão valor à vida dos palestinos.
Pode ser que o Hamas use os civis como escudos humanos, mas Israel usa esse fato como uma desculpa para matar civis palestinos indiscriminadamente."
Israel tem o direito de ser reconhecido como Estado pleno, e isso é muito justo, mas não tem o direito de exterminar civis encurralados, como vem fazendo em Gaza. O fato de Israel mandar nos Estados Unidos não lhe confere o direito de exigir do Brasil idêntica submissão.
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Política. Israel. Gaza. Massacre. Brasil.
DA SÉRIE COISAS QUE VI NA ÉPOCA DA COPA (VI)
Krzysztof Grzondziel. (Polônia).
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Vi o cartum por ocasião da Copa, mas ele foi produzido bem antes dela.
ONU LOUVA MEDIDAS DE PROTEÇÃO SOCIAL DO BRASIL
Bolsa Família é exemplo de política em que todos ganham, diz estudo da ONU
Por Sílvio Guedes Crespo
O mais recente Relatório para o Desenvolvimento Humano, da Organização das Nações Unidas, defende um conjunto de medidas de proteção social e regulação estatal para combater a pobreza e a desigualdade no mundo.
O estudo afirma que os programas Bolsa Família, do Brasil, e Oportunidades, do México, são “exemplos de políticas ganha-ganha”.
Para a ONU, as iniciativas tiveram um duplo papel após 2008. No curto prazo, suavizaram os efeitos negativos da crise internacional sobre o poder de compra dos mais pobres, ajudando a manter o nível de consumo. Adicionalmente, trouxeram benefícios de longo prazo uma vez que as famílias, para receberem o benefício, precisam manter os filhos na escola.
Programas de transferência de renda, diz o estudo, foram importantes para diminuir o impacto que a população sofreu com o aumento dos preços de alimentos que se seguiu à crise de 2008.
Segundo o relatório, o Bolsa Família contribuiu com 20% a 25% da redução da desigualdade no país em 2008 e 2009, ao custo de 0,3% do PIB (Produto Interno Bruto).
Mas os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, são apenas uma das iniciativas possíveis para combater a pobreza, reduzir a vulnerabilidade da população e construir resiliência na sociedade.
Os governos devem atuar, também, por meio de regulação financeira e de políticas macroeconômicas que possibilitem diminuição da pobreza. Ainda, o relatório da ONU defende que os países ofereçam à população acesso universal à saúde e à educação e também uma rede de proteção social.
“Todos os indivíduos têm igual valor e têm o mesmo direto de proteção e ajuda. Portanto, é preciso haver um amplo reconhecimento de que aqueles mais expostos a riscos e ameaças, as crianças ou pessoas com deficiência podem requerer apoio adicional para que suas chances na vida sejam iguais às dos demais”, afirmou o relatório.
Salário mínimo
Outro ponto defendido pelo estudo é o aumento do salário mínimo, apesar de vários economistas no Brasil afirmarem que tal política provocou redução da produtividade das empresas.
“O salário mínimo deve ser aumentado para estimular [a economia] a se mover na direção de atividades de produtividade mais alta”, afirma o texto. Essa frase remete a uma nota de rodapé que diz: “O aumento do salário mínimo foi uma resposta à crise no Brasil e contribuiu para aumentar os salários e a distribuição de renda”.
Em seguida, o texto acrescenta: “As reformas do modelo neoliberal no mercado de trabalho precisam ser cuidadosamente reavaliadas da perspectiva da redução da vulnerabilidade do emprego''.
(Para continuar, clique aqui).
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A posição da ONU, amplamente favorável aos programas sociais e à política de aumento real do valor do salário mínimo implementados pelo Brasil, já era conhecida há algum tempo, mas agora foi manifestada expressamente. Por mais que os neoliberais e seus parceiros insistam em desmoralizar tal política, o fato é que o modelo está servindo de exemplo para o mundo.
O economista Armínio Fraga, por exemplo, já anunciado como gestor da área econômica de eventual governo Aécio Neves, já teria apontado a insustentabilidade do aumento do valor real do salário mínimo, ao tempo em que defende o advento de "algum desemprego" como forma de contenção do ímpeto inflacionário. Eis aí duas das "medidas impopulares" que Aécio Neves já declarou estar pronto para anunciar.
Esperamos que o Brasil prossiga com firmeza em sua estratégia social, aprimorando-a permanentemente.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
NO ORIENTE MÉDIO, AMARGAS PERSPECTIVAS
Naturei Karta: "O Judaísmo rejeita o Sionismo e o Estado de Israel"
Por Lilian Milena
Milhares de pessoas ocuparam as ruas de Nova York (...). Os protestos foram organizados em regime emergencial pelo movimento Naturei Karta, formado por judeus ortodoxos contrários à existência do Estado de Israel na Palestina.
Os manifestantes seguravam cartazes com fotos de crianças feridas pelo ataque israelense na faixa de Gaza junto à frase “O estado de Israel e sua atrocidade”, outras faixas diziam “Solução! Desmantelamento pacífico do estado israelense” e “Judaísmo rejeita o sionismo e o Estado de Israel”.
O sionismo - movimento político ideológico criado no início do século passado que defende a existência de um Estado judaico na Palestina – divide hoje a população judaica mundial. O eixo favorável se baseia nas perseguições históricas do povo judeu na Europa, defendendo, portanto, à necessidade da constituição do estado no território da Palestina, terra em que os hebreus, povo que originou a nação judia, ocupou há 2000 anos.
A esse movimento se opõe o Naturei Karta (do aramaico "guardiões da cidade"), grupo criado em 1937, a partir de um racha do movimento Agudas Yisroel, fundado em 1912, com o objetivo de combater o sionismo.
Numa carta entregue aos Palestinos da Faixa de Gaza, em julho de 2009, escrita pelo braço norte-americano do movimento, eles lamentam a existência do Estado de Israel. “Os judeus verdadeiros são contra a desapropriação dos árabes de suas terras e casas. De acordo com a Torá [livro sagrado na religião judaica], a terra deve ser devolvida a vocês [Palestinos]”.
Essa linha religiosa dos Neturei Karta, que diz seguir rigorosamente os ensinamentos do judaísmo, aponta que hoje os judeus não têm direito de ocupar em massa a “Terra Santa”, localizada na Palestina. Isso decorre de uma crença religiosa que os impede de ter domínio sobre qualquer território, mas que os orientam a viver pacificamente nos países onde tiverem que viver. A criação do Estado de Israel, descrita nos livros sagrados, na verdade, é retratada como um evento divino que deverá ocorrer após a vinda do Messias, ao mesmo tempo, não tem nada a ver com o mundo material, de um Estado criado através das mãos humanas.
“[Os sionistas] têm usado a Torá para legitimar seu roubo, alegando que eles têm direito a terra, mandando para fora os palestinos, enquanto, na verdade, a Torá proíbe explicitamente isso. Ainda mais audazes alegam que [a Palestina] era uma terra sem povo para um povo sem terra. Deveriam parar de dizer isso, porque naqueles dias não existia a cobertura suficiente dos meios de comunicação imparciais, e contavam com o apoio das potências ocidentais”, destacam na carta aberta aos palestinos da Faixa de Gaza.
Por serem contrários á constituição do Estado de Israel, os membros do Naturei Karta estão espalhados em vários países. Em 2012, eles passaram a ser mais conhecidos entre os brasileiros após o intenso compartilhamento de um vídeo do discurso do rabino e membro do grupo Dovid Weiss durante uma de suas manifestações.
“Todos os rabinos que viveram no velho Estado de Jerusalém, antes de 1948, podem lhes dizer como viviam e coexistiam pacificamente com seus vizinhos árabes, como tomavam conta das crianças, uns dos outros, durante o Yom Kippur [mês considerado sagrado no calendário judeu]”, cita Weiss no vídeo.
Weiss denuncia também que judeus ortodoxos antissionistas que vivem em Israel sofrem constantemente repreensões ou espancamentos. Eles são chamados por judeus favoráveis a constituição do Estado na Palestina de “antissemitas”. Semita é um termo que, usualmente, refere-se aos judeus, apesar de designar os povos originários de uma mesma língua na região do Oriente Médio, e isso inclui hebreus (judeus) e árabes.
Entenda o conflito mais recente
Há nove dias Israel iniciou ataques aéreos à Faixa de Gaza. O Estado afirma oficialmente que a operação é de caráter defensivo, com o objetivo de interromper o lançamento de foguetes palestinos contra o território israelense. O conflito começou após a morte de três adolescentes israelenses encontrados no dia 12 de junho na Cisjordânia. Segundo os meios de comunicação de Israel, os jovens teriam sido sequestrados enquanto pediam carona por membros do partido palestino Hamas, que nega a autoria dos crimes.
Dias após o aparecimento dos corpos dos três adolescentes, um palestino foi raptado e queimado vivo. A população da Palestina se revoltou e passou a fazer protestos locais queimando carros e fechando ruas. Paralelo a esses acontecimentos uma série de morteiros começaram a ser disparados de Gaza em direção às colônias israelenses. Israel prendeu seis judeus extremistas que teriam participado da morte do garoto palestino, sendo que três confessaram o crime.
Ainda assim o conflito não cessou e o exército israelense iniciou uma série de ataques aéreos que mataram até o momento 208 civis. O Estado procura agora negociar o cessar fogo com o Hamas, partido que ganhou as eleições legislativas da Palestina em 2007.
Mas para que um acordo ocorra o Hamas exige não apenas a paralisação dos bombardeios, como o fim das restrições impostas aos Palestinos por Israel que dificultam a circulação de pessoas e mercadorias palestinas. A sanção foi imposta desde que o Hamas tomou o poder em 2007, atingindo profundamente a economia da nação. (Fonte: aqui).
MINHA IMPRESSÃO SOBRE SUASSUNA
Os textos, palestras e entrevistas de Ariano Suassuna espelham fielmente a máxima imortal de Leon Eliachar: humor é a arte de fazer cócegas no raciocínio dos outros.
SAI DE CENA SUASSUNA
Ariano Suassuna se vai
A tarde desse dia 23 de julho trouxe a triste notícia: morreu Ariano Suassuna. O escritor sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) no dia 21, foi operado e entrou em coma induzido. (Ontem) à tarde não resistiu. Sua saúde já estava frágil desde o ano passado, quando sofreu um infarto e, logo depois, um aneurisma cerebral.
Ariano Suassuna nasceu , em João Pessoa, na Paraíba, e morou no Recife (PE) uma vida inteira. De sua lavra, obras inesquecíveis como O Auto da Compadecida, peça teatral que se tornou cinematográfica, e também romances como A Pedra do Reino e O Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta.
Indo para o Recife, em 1942, concluiu os estudos secundários e iniciou, em 1946, a Faculdade de Direito, onde conheceu Hermilio Borba Filho, parceiro na criação do Teatro do Estudante de Pernambuco e do Teatro Popular do Nordeste.
Conciliou carreira de escritor com a advocacia, resolvendo largar esta última para se tornar professor na Universidade Federal de Pernambuco.
Foi a cabeça por trás do Movimento Armorial, que propunha a criação de arte erudita a partir de elementos da cultura popular nordestina. Teve várias de suas obras traduzidas para o inglês, francês, espanhol, alemão, holandês, italiano e polonês.
É membro da Academia Pernambucana de Letras, da Academia Paraibana de Letras e da Academia Brasileira de Letras.
Foi muito para a cultura brasileira. E, para homenageá-lo, nada melhor que deixá-lo falar. É um bálsamo para a alma saber que sua obra permanece e frutificará sempre. (Clique aqui para ir à fonte deste post e ouvir Suassuna).
quarta-feira, 23 de julho de 2014
DESFECHOS DE PASADENA
- PGR arquiva representação contra Dilma por compra de Pasadena
Nesta terça-feira (23/7), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou o arquivamento da representação para apurar supostas irregularidades praticadas pelo Conselho de Administração da Petrobras – presidido à época pela presidente Dilma Rousseff – na operação de compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006.
De acordo com Janot, apesar da compra da refinaria nos estados não ter se concretizada em um bom negócio para a Petrobras, é impossível concluir que os membros do Conselho de Administração da estatal tenham cometido algum delito.
“Ainda que se esteja diante de uma avença malsucedida e que importou, aparentemente, em prejuízos à companhia, não é possível imputar o cometimento de delito de nenhuma espécie aos membros do Conselho de Administração, mormente quando comprovado que todas as etapas e procedimentos referentes ao perfazimento do negócio foram seguidos”, disse Janot.
Segundo apuração da PGR, a decisão do Conselho de Administração estava alinhada com o planejamento estratégico da Petrobras e foi adotada seguindo todos os procedimentos legais. De acordo com a Procuradoria, uma justificativa para o caso seria o fato de o conselho não ter recebido informações adequadas sobre a transação, apenas um resumo executivo que indicava a regularidade da instrução do negócio, inclusive no que diz respeito ao preço.
Janot afirmou ainda que a responsabilidade pelos eventuais prejuízos ocorridos deverá ser apurada pelos órgãos de controle e os possíveis reflexos penais deverão ser investigados, se for o caso, pelas instâncias ordinárias, caso encontrem provas para tanto. O Ministério Público Federal apura a compra da refinaria de Pasadena em procedimento que tramita na Procuradoria da República no Rio de Janeiro.
A representação arquivada nesta terça (23/7) é de autoria dos senadores Randolfe Rorigues (Psol-AP), Cristovam Buarque (PDT-DF), Ana Amelia (PP-RS), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Pedro Taques (PDT-MT), Pedro Simon (PMDB-RS), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e do deputado federal Ivan Valente (Psol-SP). (Para continuar, clique aqui).
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- TCU condena 11 diretores da Petrobras por prejuízo de US$ 792 mi na compra de Pasadena
...mas o Conselho de Administração da companhia, presidido à época por Dilma Rousseff, foi isentado de culpa. Prevaleceu, para o TCU, a alegação apresentada publicamente pela presidente, consistente em que dados cruciais sobre o negócio deixaram de constar da ficha técnica apresentada pela diretoria da Petrobras ao referido Conselho. (Fonte: aqui).
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PGR e TCU concluíram seu trabalho e restou constatada a inculpabilidade da presidente. Consagra-se a máxima: quando surgem acusações e suspeitas, é preciso que se aguarde a apuração definitiva. É a observância da presunção da inocência.
Da mesma forma deve-se proceder relativamente ao caso da construção do aeroporto em Cláudio (MG) pelo governo Aécio Neves.
OS GANHOS DOS BANQUEIROS COM OS PLANOS ECONÔMICOS:
Planos econômicos e lucros dos bancos
Por Altamiro Borges
Os banqueiros são insaciáveis. Lucram quando a economia está em dificuldades, elevando os juros e demitindo trabalhadores. Lucram quando a economia cresce, abusando das tarifas e da agiotagem no crédito. E lucram, até, quando planos econômicos penalizam o conjunto da sociedade. Nesta segunda-feira (21), a Procuradoria Geral da República (PGR) divulgou estudo que demonstra que os bancos tiveram um lucro bruto de R$ 21,87 bi em decorrência dos pacotes impostos pelos governos José Sarney e Collor de Mello. Segundo o jornal Valor, este novo cálculo, bem mais modesto, já foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que discute o ressarcimento dos poupadores.
“O número apresentado corresponde à aplicação de recursos da chamada ‘faixa livre’ de depósitos da caderneta de poupança, e abrange o período de junho de 1987 a setembro de 2008. Com a entrega do novo cálculo, o STF poderá retomar o julgamento dos processos que discutem se os bancos devem ou não aos poupadores diferenças na correção da poupança durante os planos econômicos das décadas de 1980 e 1990. A fixação da data para retomar o julgamento dependerá do futuro presidente da Corte, o ministro Ricardo Lewandowski, que também é relator de um dos processos”. Na estimativa anterior, o lucro dos bancos com os planos econômicos foi calculado em R$ 441,7 bilhões.
Mesmo com a brutal redução dos valores, as poderosas instituições financeiras devem contestar o novo cálculo para adiar ainda mais o julgamento no STF. Através de uma ação da Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif), em 2009, os bancos choramingaram e argumentaram que o ressarcimento das perdas teria impactos dramáticos na economia. Seria o caos total. O valor agora foi reduzido, mas o terrorismo prosseguirá. Os banqueiros não aceitam qualquer redução nos seus lucros astronômicos. Eles são insaciáveis! (Fone: aqui).
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Economia. Planos econômicos. Bancos. Poupança.
ECOS DA COPA
Pelicano.
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Do Bola Dividida (Rede TV): 67% dos torcedores acham que Dunga não chegará à Copa 2018.
Mas...
Como diria o supersticioso otimista: "Minha equação: Felipão brilhou na Copa de 2002, voltou na de 2014 e fracassou. Dunga fracassou na de 2010, retorna na de 2018 e leva a taça!"
"Tudo é possível", opina o Sobrenatural de Almeida. "Ou não".
DA SÉRIE COISAS QUE VI NA ÉPOCA DA COPA (V)
Uma lista de melhores filmes de todos os tempos feita por gente de Hollywood
Do O Globo
Listas de melhores filmes pipocam aos montes. Em tamanha quantidade que seria até mesmo impossível listá-las. Mas quem melhor para apontar os melhores longas da história que não os próprios agentes da indústria cinematográfica? A revista "The Hollywood Reporter" convocou nomes de Hollywood para escolher seus favoritos. Sem surpresas, o primeiro "Poderoso Chefão", de Francis Ford Coppola, encabeça o ranking, com a continuação do longa aparecendo em sétimo lugar.
O restante do top dez mistura filmes de variadas épocas. "O mágico de Oz", de 1939, e "Cidadão Kane", de 1941 dividem espaço com "Um sonho de liberdade" (1994) e "Pulp fiction" (1994). "Casablanca", de 1942, vem em sexto, com "ET", de 1982, em oitavo, "2001: Uma odisseia no espaço", de 1968, em nono lugar, e "A lista de Schindler", de 1993, fechando a primeira parte da lista.
Ao todo, mais de 2 mil atores, produtores, diretores, roteiristas e executivos, entre outros membros da indústria, entraram na brincadeira. Mas a revista conta que muitos não gostaram da ideia de primeira. Caso de Vince Gilligan, criador de "Breaking bad". "Para mim, é como ter um pacote tamanho família de Doritos e alguém te dizer que você só pode comer cinco deles", disse. Mas, no fim das contas, ele topou o desafio e, entre seus preferidos, listou "Yojimbo", de Akira Kurosawa, de 1961.
Entre as surpresas, revelou-se um caráter mais comercial em detrimento das usuais escolhas dos críticos. O clássico oitentista "De volta para o futuro", de 1985, ficou em 12º lugar, à frente do épico "Lawrence da Arábia", de 1962, que apareceu na 23ª posição.
Comédias como "Monty Python e o cálice sagrado" e "Apertem os cintos... O piloto sumiu", comumente ignoradas em listas do tipo, foram lembradas. Outros filmes queridinhos ficaram de fora: caso de "La dolce vita", de Federico Fellini. Os longas do agente 007 também não figuram na lista, mas a ausência pode ser explicada pela pulverização dos votos entre os 23 filmes sobre o James Bond.
A votação ainda aponta tendências interessantes. Diretores, roteiristas e agentes escolheram "Poderoso Chefão", enquanto diretores de fotografia apontaram "2001: Uma odisseia no espaço". Já os advogados da indústria apostaram em "Um sonho de liberdade".
Sabendo da polêmica que listas deste tipo podem causar, a própria revista lembra que a votação não tem a intenção de ser um guia definitivo. Como o cineasta Michael Bay, da franquia "Transformers", disse: "seu filme favorito pode mudar de um dia para o outro".
Veja a lista completa:
1. "O Poderoso Chefão" (1972)
2. "O Mágico de Oz" (1939)
3. "Cidadão Kane" (1941)
4. "Um sonho de liberdade" (1994)
5. "Pulp Fiction" (1994)
6. "Casablanca" (1942)
7. "O Poderoso Chefão 2" (1974)
8. "E.T." (1982)
9. "2001: Uma odisseia no espaço" (1968)
10. "A lista de Schindler" (1993)
11. "Guerra nas estrelas" (1977)
12. "De volta para o futuro" (1985)
13. "Os caçadores da Arca Perdida" (1981)
14. "Forrest Gump" (1994)
15. "... E o vento levou" (1939)
16. "O sol é para todos" (1962)
17. "Apocalypse Now" (1979)
18. "Noivo neurótico, noiva nervosa" (1977)
19. "Os bons companheiros" (1990)
20. "A felicidade não se compra" (1946)
21. "Chinatown" (1974)
22. "O silêncio dos inocentes" (1991)
23. "Lawrence da Arábia" (1962)
24. "Tubarão" (1975)
25. "A noviça rebelde" (1965)
26. "Cantando na chuva" (1952)
27. "Clube dos cinco" (1985)
28. "A primeira noite de um homem" (1967)
29. "Blade Runner - O caçador de andróides" (1982)
30. "Um estranho no ninho" (1975)
31. "A princesa prometida" (1987)
32. "Star Wars: Episódio V - O Império Contra-Ataca" (1980)
33. "Fargo" (1996)
34. "Beleza americana" (1999)
35. "Laranja mecânica" (1971)
36. "Curtindo a vida adoidado" (1986)
37. "Dr. Fantástico" (1964)
38. "Harry & Sally - Feitos um Para o Outro" (1989)
39. "O iluminado" (1980)
40. "O clube da luta" (1999)
41. "Psicose" (1960)
42. "Alien" (1979)
43. "Toy Story" (1995)
44. "Matrix" (1999)
45. "Titanic" (1997)
46. "O resgate do soldado Ryan" (1998)
47. "Quanto mais quente melhor" (1959)
48. "Os suspeitos" (1995)
49. "Janela indiscreta" (1954)
50. "Jurassic Park" (1993)
51. "O grande Lebowski" (1998)
52. "A malvada" (1950)
53. "Gênio indomável" (1997)
54. "Butch Cassidy" (1969)
55. "Taxi Driver" (1976)
56. "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" (2004)
57. "O cavaleiro das trevas" (2008)
58. "Crepúsculo dos deuses" (1950)
59. "Thelma & Louise" (1991)
60. "O fabuloso destino de Amelie Poulain" (2001)
61. "Amor, sublime amor" (1961)
62. "Intriga internacional" (1959)
63. "Feitiço do tempo" (1993)
64. "Mary Poppins" (1964)
65. "Touro indomável" (1980)
66. "O Rei Leão" (1994)
67. "Avatar" (2009)
68. "Monty Python e o cálice sagrado" (1975)
69. "Gladiador" (2000)
70. "Um corpo que cai" (1958)
71. "Quase famosos" (2000)
72. "O jovem Frankenstein" (1974)
73. "Todos os homens do presidente (1976)
74. "Banzé no Oeste" (1974)
75. "A ponte do Rio Kwai" (1957)
76. "Brokeback Mountain" (2005)
77. "Os caça-fantasma" (1984)
78. "12 homens e uma sentença" (1957)
79. "Wall-E" (2008)
80. "Sindicato dos ladrões" (1954)
81. "Amadeus" (1984)
82. "O Senhor dos Anéis: A sociedade do anel" (2001)
83. "Duro de matar" (1988)
84. "Inception" (2010)
85. "Seven" (1995)
86. "A bela e a fera" (1991)
87. "The Lord of the Rings: The Return of the King" (2003)
88. "Quem quer ser um milionário" (2008)
89. "Coração selvagem" (1995)
90. "Amnésia" (2000)
91. "Rocky: O lutador" (1976)
92. "Up" (2009)
93. "Contatos imediatos do terceiro grau" (1977)
94. "O franco atirador" (1978)
95. "Doutor Jivago" (1965)
96. "O labirinto do fauno" (2006)
97. "Apertem os cintos... O piloto sumiu" (1980)
98. "Cães de aluguel" (1992)
99. "Bonnie e Clyde (1967)
100. "Os sete samurais" (1954)
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PALESTINA À MÍNGUA
Eduardo Galeano: Pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está apagando-a do mapa
Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo os seus autores quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.
Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está a ser castigada. Converteu-se numa ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou legitimamente as eleições em 2006. Algo parecido ocorreu em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador.
Banhados em sangue, os habitantes de El Salvador expiaram a sua má conduta e desde então viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os rockets caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desleixada pontaria sobre as terras que tinham sido palestinas e que a ocupação israelita usurpou. E o desespero, à orla da loucura suicida, é a mãe das ameaças que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está a negar, desde há muitos anos, o direito à existência da Palestina. Já pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está a apagá-la do mapa.
Os colonos invadem, e, depois deles, os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam o despojo, em legítima defesa. Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerras defensivas, Israel engoliu outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam. O repasto justifica-se pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita. Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, o que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, o que escarnece das leis internacionais, e é também o único país que tem legalizado a tortura de prisioneiros. Quem lhe presenteou o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está a executar a matança em Gaza? O governo espanhol não pôde bombardear impunemente o País Basco para acabar com a ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Talvez a tragédia do Holocausto implique uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde vem da potência 'manda chuva' que tem em Israel o mais incondicional dos seus vassalos? O exército israelita, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis chamam-se danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais.
Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são meninos. E somam milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está a ensaiar com êxito nesta operação de limpeza étnica. E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Por cada cem palestinos mortos, um israelita. Gente perigosa, adverte o outro bombardeamento, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a achar que uma vida israelita vale tanto como cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a achar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada comunidade internacional, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos assumem quando fazem teatro? Ante a tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial destaca-se uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade. Ante a tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.
A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra lágrima enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas desde há meio século essa dívida histórica está a ser cobrada aos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão a pagar, em sangue, na pele, uma conta alheia.
(Este artigo é dedicado aos meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latino americanas que Israel assessorou).
Fonte: aqui.
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Em vários conflitos mundo afora a ONU interveio (Bálcãs, Timor etc), ocupando as áreas conflagradas, procurando pacificá-las. Por que tal não ocorre relativamente a Gaza? Falta de apelo palestino não é, conforme se vê aqui...
DE COMO FABRICAR ALGOZES
FBI incentivou atos terroristas em operações infiltradas, afirma ONG
O FBI encorajou e até mesmo pagou muçulmanos americanos para incitá-los a cometer atentados durante operações infiltradas, montadas depois dos atentados do 11 de setembro, segundo um relatório da ONG Human Rights Watch (HRW) divulgado nesta segunda-feira (21).
Em muitos dos 500 casos de terrorismo analisados por tribunais americanos desde 2001, "a promotoria americana e o FBI tiveram como objetivo muçulmanos americanos em operações clandestinas de contraterrorismo abusivas, baseadas na condições religiosa ou étnica", denuncia o informe da HRW.
A conceituada organização estudou 27 casos, com a ajuda da Escola de Direito da Universidade da Columbia. Foram examinados os processos de investigação, acusação e as condições de prisão de dezenas de pessoas. Foram compilados 215 testemunhos, entre acusados, processados, advogados, juízes e promotores.
"Em alguns casos, o FBI pode ter criado terroristas a partir de pessoas que respeitavam a lei, ao sugerir a ideia de realizar ações terroristas ou ao encorajar o alvo a agir", diz o texto, que considera que metade das condenações são resultado de operações infiltradas. Em 30% dessas situações, o agente infiltrado joga um papel ativo na tentativa de atentado.
"Muitas das pessoas nunca teriam cometido um crime, se as forças de ordem não as tivessem estimulado, impulsionado e até mesmo pago, para cometer atos terroristas", explicou Andrea Prasow, uma das autoras do trabalho.
O relatório cita o caso de quatro indivíduos de Newburgh (Estado de Nova York) acusados de ter planejado atentados contra sinagogas e uma base militar americana. De acordo com o juiz do caso, o governo "proporcionou a ideia do crime, os meios e lhes abriu o caminho", transformando em "terroristas" pessoas "de uma bufonaria digna de Shakespeare".
Segundo a ONG, o FBI busca pessoas vulneráveis, com problemas mentais ou intelectuais.
Outro do caso apresentado é de Rezwan Ferdaus, de 27 anos, condenado a 17 anos de prisão por pretender atacar o Pentágono com pequenos drones carregados de explosivos. Um agente do FBI reconheceu que Fergus apresentava "claramente" problemas mentais, mas que isso não impediu o policial infiltrado de planejar o atentado. (Fonte: aqui).
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Este século vem sendo pródigo em matéria de surgimento de teorias da conspiração. O pior é que de repente surgem informações originárias do chamado mundo real que tornam 'palatáveis' até mesmo as mais fantasiosas especulações...
terça-feira, 22 de julho de 2014
RAÍZES DA VIOLÊNCIA
A vida, e não álcool e drogas, é a causa de crimes e mortes
Por Genivaldo Neiva
Houve um tempo, quando atuava como juiz de vara criminal, que procurava relacionar todos os crimes que resultavam em ação penal com o uso de álcool e outras drogas. Assim, por exemplo, quando um dependente de drogas praticava um crime de furto de um botijão de gás no quintal da vítima, logo meu cérebro fazia uma espécie de sinapse e relacionava aquele crime ao uso de drogas. Ou então, quando uma pessoa embriagada, sem motivo aparente, causava lesão corporal na vítima, a mesma sinapse relacionava o crime ao uso do álcool. Em crimes de homicídio, quase sempre, meu cérebro descobria que o réu havia feito uso de alguma substância entorpecente. Mesmo quando se tratava de crime movido por ciúme ou sentimento parecido, pesquisava até encontrar algum tipo de droga no caso. Assim, o motivo principal era o ciúme, mas o réu sempre se encorajava para praticar o crime com alguma droga, lícita ou ilícita.
Depois de muitas condenações em regime fechado e o sentimento de realização da justiça e contribuição para a paz social, colecionava muitos casos que comprovavam minha tese. Por exemplo, o caso dos amigos que bebiam juntos e se mataram a facadas depois que um referiu-se à irmã do outro como “gostosa”; o caso do amigo que matou o outro a facão, depois de beberem juntos, por motivo da cobrança de uma dívida ínfima; o caso do marido que matou a mulher, em uma festa de São João, depois de muitas doses de licor, pelo fato de ter a mesma dançado forró com um antigo namorado; o caso do padrasto que bebia e abusava sexualmente da enteada; o caso do rapaz, completamente embriagado, que matou um gay que lhe passou a mão na bunda; o caso do rapaz, também completamente embriagado, que matou o que lhe chamou de “viado” e também o que matou, nas mesmas circunstâncias, o que lhe chamou de corno...
Depois de muitas condenações em regime fechado e o sentimento de realização da justiça e contribuição para a paz social, colecionava muitos casos que comprovavam minha tese. Por exemplo, o caso dos amigos que bebiam juntos e se mataram a facadas depois que um referiu-se à irmã do outro como “gostosa”; o caso do amigo que matou o outro a facão, depois de beberem juntos, por motivo da cobrança de uma dívida ínfima; o caso do marido que matou a mulher, em uma festa de São João, depois de muitas doses de licor, pelo fato de ter a mesma dançado forró com um antigo namorado; o caso do padrasto que bebia e abusava sexualmente da enteada; o caso do rapaz, completamente embriagado, que matou um gay que lhe passou a mão na bunda; o caso do rapaz, também completamente embriagado, que matou o que lhe chamou de “viado” e também o que matou, nas mesmas circunstâncias, o que lhe chamou de corno...
Aparentemente, apenas aparentemente, portanto, todos esses crimes estariam relacionados ao álcool e outras drogas. Nesta compreensão, os furtos e roubos tinham como causa motivadora as drogas ilícitas e os homicídios tinham o álcool como causa motivadora, ou seja, as pessoas furtavam, roubavam e matavam porque usavam álcool e outras drogas. Logo, nesta lógica rasteira, consequentemente, seria possível vivermos em uma sociedade sem crimes se as pessoas não usassem drogas, sejam lícitas ou ilícitas.
Esta lógica, aparentemente incontestável, no entanto, depois de tantas condenações, reincidências, novas e mais condenações, terminou me encaminhando também a um aparente paradoxo: como é impossível pensar um mundo sem as drogas – a causa de todos os males? - sempre haverá crimes. O paradoxo é aparente, pois nem todas as pessoas que se drogam, sejam por drogas lícitas ou ilícitas, cometem crimes e mesmo pessoas que não se drogam de nenhuma forma também cometem crimes. Logo, crimes se relacionam com a vida e, portanto, enquanto houver homens haverá crimes. Dito de outra forma, crimes não tem as drogas como causa, mas a própria vida. Assim, enquanto houver vida, haverá crimes.
Sendo assim, portanto, por trás de cada crime haverá sempre pessoas e suas histórias. Antes do crime, por consequência, existe a vida e suas tragédias. Haverá, assim, um nascimento, uma família, uma infância, uma adolescência, parentes, amigos, inimigos, vitórias, derrotas, sonhos, pesadelos, oportunidades agarradas e perdidas, desigualdade social, virtudes, defeitos, experiências, vícios, abstemia, mortes, amor, saudades, depressão...
Aos poucos fui aprendendo, tendo a vida e a injustiça social como professores, que a vida e as tragédias pessoais precedem as leis e o Direito e que a justiça, baseada apenas nas leis, não tem a menor possibilidade de julgar as tragédias humanas e problemas sociais e, muito menos, reparar as marcas deixadas pelos crimes. A pena de morte, prisão perpétua ou indenização em dinheiro não reparam a dor pela morte de uma pessoa e quem matou outra pessoa jamais se livrará da condição de assassino, mesmo após o cumprimento de uma pena privativa de liberdade por muitos anos.
Absurdamente, por fim, não se cometem crimes e nem se matam por causa do álcool e outras drogas, mas por causa da vida e suas tragédias. Drogar-se, portanto, é um ato de quem é vivo e é por causa da vida que se mata e morre. O jovem pobre, negro, sem escolaridade e formação profissional, excluído e periférico não furta e rouba porque se tornou dependente do crack, mas porque usar crack, furtar e roubar são consequências de sua história de vida. Da mesma forma, quem mata depois de se embriagar não mata porque está bêbado, mas porque a vida lhe transformou em bêbado e o torpor da embriaguez fez aflorar o sentimento descontrolado que a civilização pensou que até então estaria sob controle.
O Direito, por fim, não pode ter a pretensão de julgar crimes como se eles não fossem parte da vida de quem os comete e que um julgamento por parte de um juiz de direito teria a força de restabelecer vidas e relações humanas através de uma pena privativa de liberdade. Da mesma forma, o Direito não pode ser o álibi para que juízes violem garantias fundamentais em nome de uma justiça que cada vez mais se envergonha dos que usam seu nome em vão.
* Juiz de Direito (Ba), membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD), membro da Comissão de Direitos Humanos da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e Porta-Voz no Brasil do movimento Law Enforcement Against Prohibition (Leap-Brasil). (Fonte: aqui).
IMPRENSA EM QUESTÃO: UMA DENÚNCIA E SEU TÍTULO
"Os leitores da Folha de S. Paulo foram surpreendidos no domingo (20/7) por um ataque indireto ao senador Aécio Neves, candidato do PSDB a presidente da República. “Minas fez aeroporto em fazenda de tio de Aécio”, dizia a manchete do diário paulista. No texto logo abaixo, o jornal conta que, quando governador, em 2010, Aécio mandou construir, com dinheiro público, um aeroporto na fazenda de um tio, que o senador usa regularmente para visitar uma propriedade da família.
A obra custou R$ 14 milhões e só serve à família do senador ou a aeronaves que ela autoriza, pois o governo de Minas nunca entregou à ANAC, Agência Nacional de Aviação Civil, os papéis necessários à sua homologação. Portanto, objetivamente, a instalação segue sendo uma obra privada feita com dinheiro público.
Na mesma edição e em texto de tamanho proporcional à reportagem que faz a denúncia, a assessoria do senador responde que a escolha do local levou em conta apenas aspectos técnicos, não considerando que a propriedade do imóvel favorecia diretamente o então governador.
O Estado de S. Paulo reproduziu no mesmo dia a denúncia da Folha, em um texto mais curto, incluindo a defesa de Aécio Neves, acrescentando que no local havia uma pista construída em 1983 por seu avô, Tancredo Neves, quando era governador do Estado. Ou seja, a família se beneficia das instalações há mais de trinta anos, agora modernizadas com recursos do Estado. Ou há outra interpretação para a sequência de notícias?
Na segunda-feira (21), os dois jornais paulistas voltam ao assunto, para oferecer um amplo espaço à defesa do candidato tucano, e o Globo entra na história, publicando com destaque a justificativa de Aécio Neves, sem ter publicado antes a denúncia.
O conjunto do noticiário serve de modelo para o leitor entender o estilo que deverá marcar a imprensa hegemônica até o fim da campanha eleitoral: para amenizar as suspeitas de que tende para um dos lados da disputa, dá-se, como se dizia antigamente, uma no cravo, outra na ferradura.
Aeroporto particular
O cuidado em amenizar o efeito da reportagem diz muito sobre a atenção que a imprensa dedica ao seu candidato preferencial. Diante de um fato que induz claramente à conclusão de que a família Neves transformou um antigo campo de pouso em aeroporto particular com dinheiro público, e que a decisão de tocar a obra foi feita pelo então governador Aécio Neves, qual é a alternativa?
Já que não se pode esconder o fato, cria-se na própria denúncia a condição propícia à defesa. A começar pelos títulos: tanto na Folha como no Estado, não foi o então governador quem autorizou o uso de dinheiro público no interesse da própria família: foi “Minas”. Ora, “Minas” não pratica atos de ofício, “Minas” não assina autorização para obras com ou sem licitação. Quem assina é o governante, e o governante é agora candidato a presidente da República.
Alguém imagina uma manchete do tipo “Brasil propõe regulamentação de Conselhos Sociais?” Não: em condições normais de relativa autonomia, os jornais personalizam os atos oficiais.
De que, então, tratava a manchete da Folha no domingo? Tratava do cuidado mínimo que o jornal precisa dedicar à cobertura da disputa eleitoral, porque o engajamento permanente e descarado em uma ou outra candidatura pode prejudicar outros interesses da própria empresa que edita o diário. Por exemplo, se o público desenvolver a convicção de que a Folha apoia explicitamente uma candidatura em detrimento das outras, quanta confiança será depositada em futuras pesquisas do Datafolha?
Então, se determinado fato não pode deixar de ser publicado, porque a omissão colocaria em risco a credibilidade do jornal, dá-se um jeito de preservar no que for possível a reputação do candidato acusado.
Em nenhuma outra ocasião, nos muitos escândalos que a imprensa reportou nos últimos anos, a autoria foi desviada do personagem central para a figura diáfana do Estado. Apenas como referência, no caso que tinha como acusado o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, não se leu nos jornais que “Brasília é condenada por improbidade administrativa”.
Mas no caso do aeroporto privado feito com dinheiro público, não foi o então governador quem cometeu o malfeito: foi “Minas”."
(Comentário para o programa radiofônico do Observatório, 21/7/2014, proferido por Luciano Martins Costa e disponibilizado aqui, intitulado "Não foi o governador, foi Minas").
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