sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

SOBRE MALEFÍCIOS SURPREENDENTES DA COVID-19

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Enquanto nos dizemos na expectativa de que prospere o pedido de instalação de CPI no Congresso com vistas em enquadrar exemplarmente os responsáveis pela tragédia que se abate sobre o País, lembramos que a abordagem abaixo exposta se 'acopla' à postagem "OS MALES PERSISTENTES DA COVID-19" - Aqui -, reproduzida neste Blog no dia 6. Ambas as matérias enfatizam a gravidade de que se reveste esse insidioso mal.


Inédito: A Covid-19 Pode Afetar a Cognição Até De Quem Mal Teve Sintomas 

Por Lúcia Helena (Colunista do VivaBem - Folha/UOL)

Quando o tsunami da pandemia passar, ainda não sabemos ao certo como será a paisagem arrasada que encontraremos. Ora, a ciência tomada de susto, e com razão, concentrou boa parte de seus esforços iniciais procurando entender que raio de coronavírus desconhecido era esse, o que exatamente ele fazia em nosso organismo, quais os sintomas de sua infecção, quem pertenceria a grupos de risco, por que apenas alguns indivíduos ficavam muito mal, o que seria bom para prevenir a doença, se algum remédio conseguiria tratá-la e — na medida em que esta última pergunta não encontrou uma resposta agradável e que o mal avançou levando milhares de vidas — como seria possível desenvolver uma vacina a toque de caixa.

Tudo isso nós acompanhamos de perto. E, na afobação de resolver a ameaça imediata, se falou muito menos das sequelas da covid-19. Elas existem — opa, e como existem! Conviveremos com muita gente acometida por elas e nem sabemos o tamanho exato desse estrago dos pés à cabeça. Quer dizer, um trabalho inédito, publicado hoje mesmo pelo InCor (Instituto do Coração) da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), dá um retrato assustador do que é capaz de acontecer com o cérebro de quem foi contaminado pelo Sars-CoV 2.

"Todos correm o risco de sofrer de uma disfunção cognitiva após a recuperação dessa doença", resume a neuropsicóloga Lívia Stocco Sanches Valentin, professora que é líder do estudo. Isso pode acontecer independentemente da idade, se é adolescente ou idoso, do nível de escolaridade e — atenção! — de a covid-19 ter apresentado sintomas graves, leves ou até mesmo se passou despercebida, sem dar bandeira, enquanto o vírus sorrateiro provocava prejuízos em determinadas áreas da massa cinzenta.

Os números apontados pela cientista e seus colegas são de cair o queixo. De acordo com o artigo que divulgaram neste final de tarde, depois que a covid-19 passa, 83,3% dos pacientes desenvolvem alguma dificuldade cognitiva para executar suas tarefas de sempre; 62,7% das pessoas que um dia foram contaminadas pelo novo coronavírus se esquecem do que acabaram de fazer porque ficam com a memória de curto prazo comprometida, enquanto 26,8% delas já não se recordam tão bem do passado remoto, por causa de avarias na memória de longo prazo.

A capacidade de alternar a atenção e cuidar de mais de uma coisa ao mesmo tempo diminui à beça para 43,2% dos que foram infectados. Já a capacidade de focar totalmente em algo importante, a tal da atenção seletiva, deixa de ser a mesma para 28,1% desses indivíduos. A percepção visual é afetada em 92,4% dos casos.

Ao menos, esses são os resultados estarrecedores do estudo assinado pelos pesquisadores do InCor que, diferentemente de outras pesquisas que buscaram entender o que o Sars-CoV 2 aprontaria no cérebro, não se limitou a analisar neuroimagens.

"As neuroimagens são interessantes, claro, para apontar se acontecem falhas nas conexões entre os neurônios e em que regiões cerebrais elas estão", explica Lívia Valentin. "No entanto, nós usamos um jogo digital, o MentalPlus, que eu desenvolvi ainda em 2010, validado até pela OMS (Organização Mundial de Saúde) para flagrar disfunções desse tipo." Em outras palavras, o jogo é um teste capaz de mostrar o impacto dos danos cerebrais causados pela covid-19 na vida real.

A covid na cabeça 

Pesquisadora envolvida com trabalhos internacionais e colaboradora da própria OMS, Livia Valentin relata que ficou desconfiada de possíveis perdas cognitivas ligadas à covid logo no início da pandemia.

Foi quando chegaram aos seus ouvidos as primeiras notícias de que a infecção pelo Sars-CoV 2 provocava muita hipoxia, a diminuição do oxigênio no sangue, ou até mesmo anoxia, quando as células ficam completamente sem esse gás. E, se existe uma célula exigente em matéria de oxigenação, é o neurônio cerebral. Ele se ressente da menor falta de abastecimento.

"Na sequência, ficamos cientes de que esse vírus também favorecia a formação de trombos nos pequenos vasos, como aqueles que irrigam não apenas os pulmões, mas o cérebro", relembra a pesquisadora. "Isso também me deixou bastante preocupada, porque poderia causar tanto hemorragias, se por acaso os trombos levasse ao rompimento dessas minúsculas artérias, quanto isquemias, quando o sangue não passa por causa do obstáculo de um coágulo. Eu então já não tinha a menor dúvida de que o cérebro estava ameaçado", diz.

Para completar, nos quadros mais graves, a própria temporada prolongada na UTI, com direito à intubação e à extubação, além de um mix de drogas necessárias para a realização desses procedimentos, também seria capaz de impactar o sistema nervoso central.

Aliás, foi pensando em casos assim, quando investigava as sequelas neurológicas de longos períodos sob anestesia profunda, que a cientista desenvolveu o jogo digital MentalPlus, com a ajuda de cientistas da Universidade Duke e, posteriormente, da Universidade Harvard, ambas nos Estados Unidos.

Validar essa alternativa para avaliar a memória e a função cognitiva de pacientes que tinham sido internados não foi algo simples. E ela explica o porquê: "Para começo de conversa, fazer avaliações neuropsicológicas em hospitais parecia inviável. Os métodos disponíveis lançavam mão de testes físicos, isto é, usando caneta e papel, tornando tudo mais difícil para o indivíduo acamado. Sem contar que, para serem bem feitos, eles precisavam levar de duas a três horas. Imagine aplicar uma bateria dessas em quem tinha acabado de sair de uma cirurgia complexa!".

Por isso, sua ambição era criar um teste que fosse digital e bem mais rápido, mas sem deixar de ser, digamos, cientificamente confiável. "Até mesmo os 25, 30 minutos de duração do MentalPlus podem ser exaustivos para quem está em um leito, internado", reconhece. 'Não daria parar gastar um tempo menor, porém, já que precisamos avaliar a memória de longo prazo, pedindo no final para o indivíduo repetir sequências que viu quase meia hora antes.".

O teste desenvolvido por ela tinha outro objetivo muito especial: servir para a realidade brasileira, em que muitas pessoas mal foram alfabetizadas, sobretudo quando olhamos para a população mais velha e economicamente menos favorecida.

"Usando as avaliações tradicionais, eu podia chegar a um laudo incorreto e apontar como um caso de demência o daquela pessoa que não havia respondido direito simplesmente porque não tinha escolaridade para compreender determinada questão. Antes do MentalPlus, ela podia ser rebaixada cognitivamente quando, na realidade, o seu cérebro estava normal e preservado.".

Foi esse teste, enfim, que o time brasileiro sacou para avaliar pacientes que tiveram a covid. A ideia era começar aplicando o jogo digital em 50 indivíduos com diagnóstico confirmado, após o fim dos sintomas, e 50 pessoas saudáveis que nunca tiveram a infecção.

No entanto, quando o InCor fez a divulgação convidando voluntários, apareceram tantos casos que a etapa inicial do estudo, cujos dados saíram agorinha, contou com 185 participantes. Hoje, mais de 430 pessoas que tiveram a covid confirmada já passaram pela avaliação.

Recuperação física versus recuperação cognitiva 

Apesar de estar fisicamente bem disposta, muita gente que se ofereceu para participar do estudo notou que havia algo estranho. "Lembro de fazer o pedido da comida e de pagar por ele. Mas não me lembro de ter comido", disse um dos participantes.

Outro, que costumava se comunicar muitíssimo bem, passou a ter dificuldade para expressar suas ideias em reuniões de trabalho, como se de repente lhe faltassem as palavras. Um sujeito vendeu a moto, que sempre fora a sua paixão. Sentia ter perdido o equilíbrio para ficar em cima dela. Faz sentido.

Além de lapsos de memória, dificuldade de concentração, problemas para se tornarem compreendidas ou para entenderem o que os outros estão falando, não raro as pessoas que tiveram a covid-19, sofrem um belo baque na coordenação motora e no equilíbrio. "É frequente o relato de quedas", conta a professora Lívia.

Todo esse pacote, diz ela, resulta em insegurança e confusão mental, que podem ser o estopim para quadros de agressividade, ansiedade e depressão no futuro.

Oito em cada dez contaminados têm sequelas 

"Que ninguém se engane", alerta a neuropsicóloga. "Pessoas que tiveram só uma leve coriza no auge da infecção também contam experiências assim. E depois, quando aplicamos teste digital, ele confirma a existência de disfunções." No geral do estudo, oito em cada dez indivíduos que um dia foram contaminados pelo Sars-CoV 2 têm alguma perda cognitiva.

A hipótese é de que as conexões entre os neurônios não seriam danificadas apenas pela falta de oxigenação que, diz a lógica, seria uma prerrogativa de quadros severos de covid-19, aqueles responsáveis por internações, que jamais podem ser comparados com um nariz escorrendo.

"A falta de oxigênio é danosa, sim. Mas provavelmente há também uma ação direta do vírus, que consegue atravessar a barreira que protege o cérebro", afirma a pesquisadora.

Essa ação direta do Sars-CoV 2 explicaria a derrocada cognitiva em gente que não sentiu falta de ar. Ou que simplesmente recebeu o resultado positivo do RT-PCR, sem jamais ter notado qualquer sintoma da covid.

Será que não pode ser efeito da quarentena? 

É uma dúvida válida. Mas Livia Valentin é categórica: "O resultado do MentalPlus em quem teve a covid indica um padrão de falha de atenção bem diferente daquele do indivíduo que está desconcentrado porque ficou muito tempo isolado do mundo, sem ânimo, desmotivado ou estressado com a situação.".

Para ser mais precisa, os resultados indicam disfunções na área de Broca, por exemplo, região cerebral reconhecida pela expressão da linguagem e por possibilitar a articulação da fala.

Também revelam que outra parte do cérebro, a área de Wernicke, já não funciona tão bem — e ela tem a ver com a compreensão das informações, daí a sensação de que fica complicado decifrar as falas dos outros.

A região parietal é outra que dá indícios de comprometimento. Sem contar o hipocampo, o senhor das nossas memórias, e a área frontotemporal, encarregada do planejamento, ou seja, de antecipar as consequências das nossas ações.

Os cientistas do InCor ainda confrontaram os resultados do MentalPlus com os achados de exames de ressonância magnética. Não deu outra: eles estavam certos. "Essas eram, de fato, as regiões que não estavam bem", conta a neuropsicóloga.

E, se quer saber a diferença entre quem teve um quadro grave de covid e quem mal sentiu a infecção, ela seria esta: "Notamos mudanças estruturais e anatômicas no cérebro daqueles pacientes que se recuperaram de quadros graves. Como se essas regiões encolhessem ou mudassem de forma, muitas vezes apresentando lesões parecidas com as do Alzheimer", descreve a pesquisadora.

E agora, como ficamos? 

É possível — tomara! — que o quadro seja reversível, graças ao fenômeno da neuroplasticidade. Isto é, talvez os neurônios formem novas conexões entre si. E, sim, em tese isso seria mais provável naqueles indivíduos sem alterações anatômicas no cérebro causadas pela infecção.

Seja como for, o sistema nervoso central deverá se exercitar. O próprio aplicativo do teste também pode ser usado em programas de reabilitação. "Uma coisa eu garanto: a terapia cognitiva não pode demorar para começar, se quisermos aumentar a chance de sucesso", afirma a neuropsicóloga.

Em casa, diz ela, jogos de memória, palavras-cruzadas, leituras ou até mesmo o hábito de escrever já seriam um bom começo para alguém teve a covid-19, mesmo sem sintomas. Bom fazer isso tudo, se não quiser arriscar sua cabeça.

O que levanta suspeitas 

"Os profissionais de saúde deveriam incluir na consulta dos pacientes recuperados da covid-19 algumas perguntas capazes de levantar a suspeita de problemas cognitivos", dá o recado Livia Valentin.

Algumas delas: está sentindo muita sonolência durante o dia? Está experimentando brancos de memória com maior frequência? De vez em quando, você sente um torpor, como se se desligasse das conversas ou do trabalho? Vem perdendo o equilíbrio do nada?

O cenário é tão sério que a OMS aguarda os resultados finais do estudo para adotar a metodologia desenvolvida na pesquisa do InCor como padrão-ouro de rastreamento desse tipo de sequela.

Nosso grande problema, porém, é que todas as disfunções de memória, de linguagem e de raciocínio progridem de maneira muito mais veloz e intensa quando a pessoa não foi alfabetizada adequadamente e se ela tem baixa escolaridade.

Isso é algo já bem demonstrado pela ciência: é como se os neurônios não aproveitassem por meio do aprendizado o período em que estão no auge, prontos para criar conexões, formando o que alguns especialistas chamam de reserva cognitiva. Isso ocorre com ou sem a covid para empurrar de vez o nosso cérebro ladeira abaixo.

Pergunto à professora Lívia se ela imagina o tamanho da encrenca para as gerações futuras. "Gerações futuras?!", se espanta. "Não quero ser presunçosa, mas veremos uma explosão de problemas cognitivos nos próximos seis meses no Brasil", aposta. Se estiver certa, não sei se ainda teremos cabeça para resolvê-los.  -  (Aqui).

DA SÉRIE FLAGRANTES TORTURANTES DA VIDA REAL (OU: UM CARTUM AO ESTILO SAMPAULO)

                        'Masoquisticamente', Vale Repetir:
                               - POR FAVOR, ONDE ESTÃO OS PREÇOS BAIXOS?
                               - INFELIZMENTE ESTAMOS EM FALTA, SENHORA.

Ykenga. 
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.Cartunista/Chargista SamPaulo  -  (Blog) ........ Aqui.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

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(11.02)


.'O Trio de Ouro' (Reconstituição) -
Amanda Seroiska/Gabriel Morgante/
Philipe Hoffmann = Dalva de Oliveira/
Herivelto Martins/Raul Sampaio:
"Luzes Da Ribalta" ..................................... Aqui.
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.Adilson Ramos:
'Sonhar Contigo' e Mais ............................. Aqui


.DCM ao Meio Dia - Kiko Nogueira:
Lênio Streck - Merval se escora em 
Fachin para justificar conluio da Globo
com Lava Jato ............................................. Aqui.

.TV 247 - Temas da Hora:
Glauber Braga reitera o que disse
sobre Sérgio Moro ....................................... Aqui.

.Os Infiltrados - Attuch / Kiko Nogueira:
Sobre os assuntos da semana ..................... Aqui.

.Live das 5:
Editor do Intercept fala dos diálogos e
das ilegalidades da Lava Jato .................... Aqui.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ................................................ Aqui.

.Boa Noite 247:
Globo reconhece derrota; Mainardi fala
em suicídio 'se Lula voltar' .......................... Aqui.

.Luis Nassif:
Como a Lei do Teto pode 
desmontar o Brasil ....................................... Aqui.

.O Essencial - Kiko Nogueira:
Pedro Serrano e João Cândido Portinari
contam como a arte pode nos salvar no
Brasil de Bolsonaro ...................................... Aqui.

.Paulo A Castro:
Fachin passa vergonha; a 
Lava Jato em apuros .................................... Aqui.

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.Falcão:
Na rede com Falcão (17) .............................. Aqui.

PARTIU O CARTUNISTA GILMAR TATSCH, O TACHO

 

(Gilmar Luiz Tatsch, o Tacho).

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"Aos 61 anos de idade, o chargista e cartunista Gilmar Luiz Tatsch morreu na manhã desta terça-feira. Tacho, como era conhecido, estava se tratando de um câncer no fígado, mas acabou não resistindo à doença. Tacho começou no Correio do Povo na década de 80 e permaneceu até o começo da década de 90 como diagramador, e atualmente era chargista, com suas ilustrações e frases publicadas diariamente na página dois. (...)."  Assim começa a matéria do Correio do Povo, de Porto Alegre (RS), sobre a partida de Tacho. Para lê-la na íntegra, clique Aqui,

Este Blog teve a satisfação de reproduzir, ao longo de anos, charges e cartuns de autoria dele. E certamente iremos reproduzir muitos mais, pois os cartuns são de certa forma perpétuos, como o talento de Tacho.

Muito obrigado, caro cartunista.


Tacho.

SERIOUS CARTOON


Amarildo. 
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Entreouvido Geral
"A Kryptonita Tarda Mas Não Falha!"
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.Bom Dia 247 (11.02) - Attuch / Dafne / PML / Blay / Solnik:
Lula pede povo na rua .................................................. Aqui.

JOGAR A TOALHA JAMAIS


Duke. 

DA SÉRIE 'ELES DISSERAM', EDIÇÃO ESPECIAL


"
Acabei de ouvir que poucos petistas participam desse debate [Manhattan Connection]. E acho que você é um dos grandes responsáveis. Porque há muitas pessoas educadas nesse programa. Não considero você um exemplo de educação. Acho você uma pessoa muito problemática, inclusive psicologicamente".


(Reação de Fernando Haddad após insultos dirigidos a ele e ao ex-presidente Lula por Diogo Mainardi no programa Manhattan Connection gravado ontem, 10, em Nova York.
 
Clique Aqui para ler matéria divulgada no UOL sobre o assunto. 

.Para conferir a íntegra do programa - exibido
pela TV Cultura na noite de ontem - sob o título
"Manhattan Connection / Fernando Haddad /
Nelson Motta e Natalie Victal" clique .............. Aqui.

Finalmente, permitimo-nos concluir que o ex-presidente Lula agiu acertadamente ao mandar Fernando Haddad 'botar seu bloco na rua').

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

DOS POBRES


Jota Camelo. 
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.Padre Julio Lancellotti:
"Nós Só Seremos Felizes Quando
Os Pobres Forem Também"  -  Aqui.

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

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(10.02)


.Tuba Skinny:
'Big Chief Battleaxe' - (2013) ...................... Aqui.
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.Joe Brown:
'Ain't No Pleasing You' ................................ Aqui.


.TV Solnik - Alex Solnik:
Defesa de Lula não vai usar mensagens ...... Aqui.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa .................................................. Aqui.

.Boa Noite 247:
Lava Jato: O cerco se fecha .......................... Aqui.

.Luis Nassif:
A dura reconstrução das instituições
depois da Lava Jato ...................................... Aqui.

.O Essencial - Kiko Nogueira:
Villas Bôas confirma tentativa de golpe e
Cristina Serra fala do conluio entre
imprensa e Lava Jato .................................... Aqui.

.Paulo A Castro:
Defesa de Lula dá mais um golpe em Fachin Aqui.

.Esquerda News:
Paz na esquerda! ............................................ Aqui.

GOVERNO QUER AUXÍLIO DE R$ 200,00 COM EXIGÊNCIA DE CURSO DE QUALIFICAÇÃO


Cláudio. 

GOVERNO FALHOU AO NÃO INVESTIR PARA RECEBER VACINAS MAIS CEDO, DIZ ESPECIALISTA

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Depois de o governo brasileiro pedir mais velocidade à Astrazeneca na entrega de vacinas contra a Covid-19, a Sputnik Brasil ouviu um especialista da área de direito internacional para entender se há algo que o país possa fazer para acelerar esse processo. O Brasil poderia ter obtido vacinas mais cedo se tivesse investido mais
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"...se tivesse investido mais"... e quando dispunha de tempo para adotar sem atropelos as providências requeridas. Eis que agora tudo funciona na base do afogadilho, até com empresas fabricantes se dizendo impossibilitadas de fornecer vacinas, em face de contratos já firmados com outros países. Enquanto isso, internamente a disponibilização de vacinas apresenta perspectivas não tão positivas.


Por Sputnik Brasil

O governo brasileiro falhou ao não investir mais para receber vacinas mais cedo. Agora, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, fez um pedido especial ao sócio majoritário da Astrazeneca, Marcus Wallenberg, para analisar a possibilidade de priorizar e acelerar a entrega ao Brasil de insumos e vacinas contra a Covid-19.

A solicitação foi feita na última segunda-feira (8), durante encontro na Suécia, na sede da Ericsson, empresa da qual Wallenberg também é sócio e que é uma das detentoras da tecnologia 5G. O ministro foi ao país europeu justamente para conhecer essa tecnologia e, na ocasião, fez esse pedido pessoalmente ao empresário e, em seguida, também em carta. 

​​O imunizante da Astrazeneca é um dos dois utilizados atualmente pelo Brasil em seu programa de vacinação contra a Covid-19. Desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, essa vacina também será produzida no país pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).    

"Dentre uma dezena de possibilidades, o governo brasileiro apostou nos esforços da AstraZeneca para pesquisar e desenvolver uma resposta efetiva ao vírus. O Brasil ainda apoia a cooperação com a Suécia para aumentar sua capacidade nacional de produção de vacinas", disse Faria na carta. 

De acordo com José Luiz Souza Moraes, professor de Direito Internacional da Universidade Paulista (UNIP), o contrato firmado entre o Brasil e a AstraZeneca tem regras próprias que foram, de certa forma, flexibilizadas, por conta da situação excepcional criada pela pandemia. Ainda assim, não é algo "desprovido de regras" e o Brasil não pode, segundo ele, se submeter a "todas as vontades dessas empresas internacionais", apesar da clara necessidade que o país tem de um produto ainda pouco disponível no mercado. 

"Nesse sentido, há uma regra básica da economia que é uma relação entre oferta e procura. E, de fato, há uma procura mundial por essas vacinas", afirma em entrevista à Sputnik Brasil.     

A fim de acelerar esse processo de entregas de vacinas, o especialista acredita que o governo brasileiro poderia ter tentado adotar uma estratégia como a que foi implementada por Israel, que fechou contrato para aquisição de vacinas da Pfizer a um custo "bem elevado", mas com a "opção de ser servida de forma rápida e em primeiro lugar".

"E a matemática que eles fizeram é muito interessante e deveria ser utilizada aqui pelo Brasil também: 'Por mais que eu pague caro em uma vacina, isso vai me trazer uma economia a curto, médio e longo prazos, que é a diminuição do gasto com internações, com mortes, né?'. Então, por mais que você tenha um custo mais elevado para ter uma rapidez no recebimento dessas vacinas, isso vai gerar uma economia para o Estado de outras formas." 

​Os prazos de entregas desse tipo de produto, o professor pontua, dependem, obviamente, da disponibilidade de insumos e das capacidades de produção das fábricas. E isso é levado em consideração no ato da assinatura dos acordos, a fim de evitar possíveis penalizações por descumprimento de cláusulas.     

"Diante da escassez desses produtos no mercado internacional, por vezes, a gente é obrigado a aceitar condições contratuais que seriam inadmissíveis em uma situação normal. Mas, diante de uma pandemia, diante da perda de milhares e milhares de vidas, e do prejuízo que isso causa ao nosso país, de forma ética e também de forma econômica, obviamente que nós não estamos em uma posição comum, em uma situação normal de contratos internacionais. E, por vezes, nós somos obrigados a concordar com valores superiores aos comumente exigidos, ora também nós temos que nos submeter a condições por vezes diferenciadas para obter esses produtos."  -  (Aqui). 

DEMORA BRASIL


Jorge Braga
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.Bom Dia 247 (10.02) - Attuch / Dafne / PML / Solnik / Reinaldo:
Sobre notícias do dia + entrevista com Dilma Rousseff ............... Aqui.
.Giro das Onze - Mauro Lopes e parceiros:
STF volta a ameaçar Lula .............................................................. Aqui.

CARTUM DO AFROUXAMENTO GERAL


Angel Boligan. (México). 

MENTIRAS SOBRE A COVID CUSTAM VIDAS - TEMOS O DEVER DE SUPRIMI-LAS

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"Temos o direito de nos expressarmos livremente. Também temos o direito à vida. Quando a desinformação maliciosa – alegações que são tanto falsas quanto mentirosas – pode se espalhar sem restrições, esses dois valores colidem. Um deles tem que ceder, e o que escolhemos sacrificar é a vida humana. Tratamos a liberdade de expressão como algo sagrado, mas a vida é negociável."
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Quando governos fracassam em banir inverdades evidentes que comprometem seus cidadãos, estão negligenciando seu dever principal.


Por George Monbiot (Em The Guardian)

Por que valorizamos mais as mentiras do que as vidas? Sabemos que certas mentiras matam pessoas. Algumas pessoas que acreditam (em) afirmações  como “o coronavírus não existe”, “não é o vírus que adoece as pessoas, mas sim o 5G”, ou “vacinas são usadas para injetar um microchip em nós” não tomam as devidas precauções ou se recusam a ser vacinadas, então contraem e espalham o vírus. Ainda assim, permitimos que essas mentiras se espalhem.

Temos o direito de nos expressarmos livremente. Também temos o direito à vida. Quando a desinformação maliciosa – alegações que são tanto falsas quanto mentirosas – pode se espalhar sem restrições, esses dois valores colidem. Um deles tem que ceder, e o que escolhemos sacrificar é a vida humana. Tratamos a liberdade de expressão como algo sagrado, mas a vida é negociável. Quando governos falham em banir mentiras evidentes que comprometem as vidas das pessoas, eu acredito que tomaram a decisão errada.

Qualquer controle pelo governo sobre o que falamos é perigoso, especialmente quando o governo, como o nosso, possui tendências autoritárias. Mas a ausência de controle também é perigosa. Na teoria, reconhecemos que existem limites necessários à liberdade de expressão: quase todo mundo concorda que não devíamos ser livres para gritar “perigo!” em um cinema lotado, porque é provável que as pessoas se pisoteiem até a morte. Bem, as pessoas estão sendo pisoteadas por essas mentiras. Então o limite foi ultrapassado?

As pessoas que exigem absoluta liberdade de expressão frequentemente falam sobre “o mercado de ideias”. Mas em um mercado, você não pode falar inverdades sobre o seu produto. Você não pode fingir ser algo que não é. Você não pode vender ações com tendências falsas. Você é legalmente proibido de fazer dinheiro mentindo para seus clientes. Em outras palavras, no mercado há limites para a liberdade de expressão. Então onde, no mercado de ideias, estão os padrões de troca? Quem regula os pesos e medidas? Quem checa as tendências? Nós protegemos o dinheiro das mentiras mais cuidadosamente do que protegemos a vida humana.

Eu acredito que espalhar somente as inverdades mais perigosas, como as mencionadas no primeiro parágrafo, deveria ser proibido. Um possível modelo é a Lei do Câncer, que proíbe pessoas de fazerem propaganda de curas ou tratamentos contra o câncer. Uma proibição contra as piores mentiras sobre a covid deveria ter tempo limitado, em vigor por talvez seis meses. Eu gostaria de ver um comitê de especialistas, similar ao Grupo de Conselhos Científicos para Emergências (SAGE), identificando afirmações que apresentem um perigo genuíno à vida e propondo uma proibição temporária ao Parlamento.

Ao passo que essa medida seria aplicada somente nos casos mais extremos, deveríamos estar bem mais alertas aos perigos da desinformação no geral. Mesmo declarando que os especialistas mencionados não estão deliberadamente espalhando informações falsas, o novo site Anti-Vírus www.covidfaq.co pode ajudar a equilibrar o jogo contra pessoas como Allison Pearson, Peter Hitchens e Sunetra Gupta, que avançaram publicamente com suas afirmações enganosas sobre a pandemia.

Mas como essas afirmações se tornaram tão proeminentes? Conquistaram força somente porque receberam uma enorme plataforma na mídia, particularmente o Telegraph, o Mail e – acima de todos – o jornal de bobagens não científicas, o Spectator. Seu veículo mais influente é a BBC. A BBC tem o instinto infalível de julgar erroneamente onde se encontram debates científicos. Se emociona com negacionistas, barulhentos mal informados. Como argumenta Stephen Barlow, a negação da ciência está destruindo nossas sociedades e a sobrevivência da vida na Terra. Ainda assim, é tratada pela mídia como uma forma de entretenimento. Quanto maior o idiota, maior tempo no ar.

Todos menos um dos jornalistas mencionados no site Anti-Vírus também possuem um longo histórico de menosprezar e, em alguns casos, negar, o colapso climático. Peter Hitchens, por exemplo, desconsiderou não somente o aquecimento global feito pelo homem, como também o próprio efeito estufa. Hoje, a negação climática desapareceu no país, talvez porque a BBC finalmente parou de tratar a mudança climática como uma questão controversa, e o Canal 4 não faz mais filmes afirmando que a ciência climática é uma farsa. As emissoras mantiveram essa desinformação viva, assim como a BBC, fornecendo uma plataforma para afirmações enganosas esse mês, sustentando inverdades sobre a pandemia.

No entanto, as ironias são abundantes. Um dos fundadores do admirável site Anti-Vírus é Sam Bowman, membro sênior do Instituto Adam Smith (ASI). Esse é um grupo de lobby obscuramente financiado com um longo histórico de afirmar inverdades científicas que frequentemente parecem se alinhar com a ideologia ou interesses de seus financiadores. Por exemplo, menosprezou os perigos do cigarro, e argumentou contra as proibições aos cigarros em pubs e contra pacotes simples para os cigarros. Em 2013, o Observer revelou que estava recebendo dinheiro de empresas de tabaco. O próprio Bowman, ecoando argumentos feitos pela indústria do tabaco, pediu pela “suspensão de todas as regulações na UE sobre os pacotes de cigarros” com base na noção das “liberdades civis”. Ele também protestou contra o financiamento público de mensagens de saúde pública sobre os perigos do cigarro.

Algumas das alegações passadas do ASI sobre ciência climática – como declarações de que o planeta está “fracassando em aquecer” e que a ciência climática está se tornando “completamente descreditada” – são tão idiotas quanto as alegações sobre a pandemia que Bowman expôs. O Manifesto Neoliberal do ASI, publicado em 2019, mantém, entre outras vozes, que “menos pessoas estão desnutridas do que nunca”. Na realidade, a desnutrição vem subindo desde 2014. Se Bowman fala sério sobre ser um defensor da ciência, talvez ele possa averiguar algumas das inverdades espalhadas pela sua própria organização.

Grupos de lobby financiados por plutocratas e corporações são responsáveis por grande parte da desinformação que satura a vida pública. O lançamento da Declaração de Great Barrington, por exemplo, que promove a imunidade de rebanho por meio da infecção em massa com a ajuda de informações descreditadas, foi realizado pelo Instituto Estadunidense de Pesquisa Econômica. Esse Instituto recebeu dinheiro da Fundação Charles Koch, e se posiciona amplamente contra medidas de proteção ao meio-ambiente.

Não é surpresa que temos um mentiroso inveterado como primeiro-ministro: esse governo emergiu de uma cultura de desinformação direitista, armada por thinktanks e grupos de lobby. Afirmações falsas são grandes negócios: pessoas e organizações ricas vão pagar alto para outros as espalharem. Algumas delas são usadas pela BBC para “equilibrar” debates com cientistas climáticos nos quais mentirosos profissionais foram pagos por empresas de combustíveis fóssil.

Nos últimos 30 anos, eu assisti esse modelo de negócios se espalhar como um vírus pela vida pública. Talvez seja fútil pedir que um governo de mentirosos regule mentiras. Mas enquanto teóricos conspiracionistas ganharem um bom dinheiro para fazer afirmações falsas, deveríamos ao menos nomear os padrões que uma sociedade boa estabeleceria, mesmo se não pudermos confiar no governo atual para colocá-las em prática.  -  (Fonte: Boletim Carta Maior - Aqui).

*Publicado originalmente em 'The Guardian' | Tradução de Isabela Palhares 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

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(09.02)


.Chas & Dave:
Ain't No Pleasing You .............................. Aqui.
................
.Shirley  Bassey:
'My Way' - Live In Berlim, 1987 .............. Aqui.


.DCM - Live das 5:
Defesa de Lula garante acesso a 
mensagens de Moro e Dallagnol .............. Aqui.

.Boa Noite 247:
Ex-juiz passa vexame em live e STF 
sinaliza suspeição de Moro ...................... Aqui.

.Luis Nassif:
Os novos ventos e as expectativas 
com o julgamento de Moro ....................... Aqui.

.Rede TVT - José Trajano:
Papo com Zé Trajano ................................ Aqui.

.O Essencial - Kiko Nogueira:
"Lava Jato é o maior escândalo judicial
do mundo", diz Gilmar Mendes (citando
matéria do New York Times) .................... Aqui.

.Paulo A Castro:
Gilmar implode Moro e Lava Jato; 
Bolsonaro humilha Mourão ...................... Aqui.

.Esquerdão News - Leonardo Stoppa:
Ecos da vitória de Lula no STF ................. Aqui.

O MEDO PÂNICO DE CADA UM


Pelicano. 

NOVAS VARIANTES PODEM SURGIR E VACINAS NÃO SEREM EFETIVAS NO BRASIL

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"...o atual ritmo de vacinação no país deixa a desejar para imunizar 160 milhões de pessoas (número de brasileiros acima dos 18 anos, de acordo com o IBGE)... Uma vacina com duas doses, são mais de 300 milhões de doses. E nós estamos recebendo dois milhões aqui, cinco milhões ali, não dá. Com isso não conseguimos organizar um programa de vacinação que seja efetivo e que seja rápido. Ele tem que ser rápido, senão outras variantes vão surgir e daqui a pouco não vamos ter vacinas efetivas".  
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A propósito, somente dentro de um mês é que estarão concluídos os estudos sobre a eficácia das vacinas frente à variante do Brasil.
Toma tenência, Brasil!


Sputnik/247: Epidemiologista alerta que com o surgimento de novas variantes do coronavírus,  vacinas podem deixar de ser efetivas, o que exige maior celeridade na vacinação. Até o momento, segundo consórcio de imprensa criado para levantar número de vacinados no país, já foram aplicadas pouco mais de 3,8 milhões de doses no Brasil, o que representa apenas 1,79% da população. 

De acordo com cálculo feito pelo microbiologista da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Gustavo de Almeida, se o ritmo atual persistir, seriam necessários entre 4,5 e cinco anos para vacinar todos os brasileiros acima de 18 anos. Para imunizar 70% da população, atingindo assim a chamada imunidade de rebanho, demoraria cerca de três anos. 

Segundo o epidemiologista Fernando Barros, o atual ritmo de vacinação no país deixa a desejar para imunizar 160 milhões de pessoas (número de brasileiros acima dos 18 anos, de acordo com o IBGE).   

"Uma vacina com duas doses, são mais de 300 milhões de doses. E nós estamos recebendo dois milhões aqui, cinco milhões ali, não dá. Com isso não conseguimos organizar um programa de vacinação que seja efetivo e que seja rápido. Ele tem que ser rápido, senão outras variantes vão surgir e daqui a pouco não vamos ter vacinas efetivas", afirmou o professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas. 

Variante da África do Sul

Segundo estudo publicado na segunda-feira (8), a vacina contra a Covid-19 da Oxford/AstraZeneca parece oferecer proteção limitada contra a variante de coronavírus identificada da África do Sul. O uso do imunizante no país foi interrompido. 

Apesar do ritmo lento da vacinação, Fernando Barros afirma que é impossível fazer "qualquer projeção nesse momento" de como será o andamento do processo nos próximos meses, já que a "situação tem mudado muito rapidamente nesses últimos dois meses".

E epidemiologista aponta sinais positivos e afirma que hoje em dia "temos pelo menos sete" vacinas eficazes contra a COVID-19 no mundo. Ao mesmo tempo, pondera que o surgimento das variantes do vírus "talvez modifique o quadro da vacinação". 

'Aumentar leque de opções'

Para acelerar a aplicação das doses no país, Barros aponta alguns possíveis caminhos, como, por exemplo, produzir no próprio Brasil os insumos necessários para a fabricação das vacinas, que atualmente estão sendo importados da China. 

O especialista critica o fato de o Brasil estar, no momento, usando apenas duas vacinas contra o coronavírus, a CoronaVac e a de Oxford. 

"Acho que a gente tinha que aumentar o leque de opções, principalmente com essa questão das variantes. Se a vacina de Oxford começa a mostrar que não é tão eficaz, como agora já provou com a variante da África do Sul, onde a eficácia é de 10%, então vamos ficar com uma vacina, que vai ser a CoronaVac. Acho que nós temos que aumentar a opção de vacinas", disse o professor. 

Sputnik V, Janssen e Pfizer

Para Fernando Barros, o Brasil deveria concretizar acordos para comprar doses da Sputnik V, que demonstrou ter eficácia maior de 90%,  e das vacinas da Janssen e da Pfizer. 

"Acho que teríamos que comprar a vacina da Janssen de uma vez, em grande quantidade, é dose única", afirmou o epidemiologista, lembrando que ela foi testada no Brasil e "pode ser facilmente aprovada pela Anvisa". Além disso, Barros ressalta que o imunizante pode ser guardado em "geladeira comum". 

"Eu também compraria a vacina da Pfizer, com certeza, mesmo com o ultrafreezer sendo necessário, porque é uma vacina muito eficaz. De todas elas, a mais eficaz, tem mostrado que funciona bem com essas variantes, não sei ainda com a variante de Manaus, mas a outras sim", explicou. 

Na última sexta-feira (5), o Ministério da Saúde anunciou a intenção de comprar dez milhões de doses da vacina russa Sputnik V. A aquisição ainda depende da aprovação do uso emergencial pela Anvisa.

"Acho que essas três vacinas nós teríamos que comprar. Nós não podemos ficar dependendo somente de duas vacinas para todo programa nacional de imunização", disse Fernando Barros.  -  (Aqui).