VOCÊ PODERÁ EM BREVE CURTIR O SEU ESPAÇO!
domingo, 4 de agosto de 2019
CARTUM DO FUTURO(?)
VOCÊ PODERÁ EM BREVE CURTIR O SEU ESPAÇO!
NONSENSE CARTOON
....
.Blog da Cidadania - Eduardo Guimarães:
Escândalo das palestras de Moro supera o
de Dallagnol .................................................... AQUI.
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Cartum. Nonsense cartoon. Tronco. J Bosco.
SOBRE UMA DAS RECENTES DENÚNCIAS DE THE INTERCEPT BRASIL
Vaza Jato: a religião do dinheiro da banca é a eminência parda brasileira
Por Wilson Ferreira (No Cinegnose)
Um “bate-papo” secreto de um servidor público passando informações privilegiadas, em ano eleitoral, num evento secreto para empresas nacionais e internacionais do setor financeiro. As novas informações vazadas pelo “Intercept” (Nota deste Blog: As informações são novas, mas não as mais recentes) sobre a bem remunerada participação do coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, não apenas revelam as relações promíscuas de procuradores e juízes com o mundo político e empresarial. Também mostra como a banca é uma eminência parda: por todo o espectro político, as críticas ao sistema financeiro são apenas pontuais ou genéricas. Nunca está sob o foco da mídia. No máximo, denuncia-se “bad guys” gananciosos, enquanto a estrutura do sistema nunca é questionada – dinheiro, valor, débito, crédito etc. são conceitos naturalizados, reverenciados quase religiosamente. A banca age secretamente como uma religião, com seus templos (sagrados e pagãos) e com seus padres e alto sacerdotes. Dois livros lançam uma luz sobre o fenômeno: “The Theology of Money” do filósofo Philip Goodchild; e “The Cult of Money”, de Chris Lehmann.
Enquanto a grande mídia aposta todas as suas fichas na estratégia diversionista de mobilizar todo espaço televisivo para repercutir a crise dos hackers “russos” de Araraquara/SP que supostamente ameaçam a segurança nacional, a Vaza Jato faz mais revelações perturbadoras.
Dessa vez, não tanto pelas novas evidências das relações promíscuas do ministro do STF (Fux) e do coordenador da Lava Jato (Dallagnol). A verdade já está mais que evidente e tudo o que vazará no futuro apenas aumentará a gravidade com o acúmulo de novas provas.
Até aqui abordamos a guerra semiótica criptografada como tática diversionista para, através da criação do caos de informações contraditórias que geram crises diárias, desviar a atenção do distinto público do saco de maldades neoliberais (reformas e destruição de direitos, garantias e projetos sociais).
Mas as últimas informações reveladas pela Vaza Jato mostram uma função mais profunda dessa guerra semiótica: esconder a verdadeira eminência parda por trás do movimento de conduzir a ideia de Estado Mínimo para muito além da cartilha neoliberal – como discutimos em postagem anterior, chegar ao Estado Líquido desejado pela banca financeira: agências de investimentos, bancos, investidores etc. – clique aqui.
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Fux e Dallagnol: crime de insider information |
“Insider Information”
Mas, primeiro vamos às notícias.
Organizado pela XP Investimentos em 2018 como um evento secreto (“privado e com o compromisso de confidencialidade”) o procurador Deltan Dallagnol foi a atração de um “bate-papo” com agentes do sistema financeiro. Muito bem pago para passar informações privilegiadas (“insider information”) para empresários com interesses diretos nas eleições. Ainda mais grave, pois o insider era um servidor público.
Queriam ter garantias sobre a derrota de Lula nas eleições, já que grandes negócios como privatizações, pré-sal, além de ativos da Petrobrás e Eletrobras dependiam desse resultado.
Quais foram os participantes do “bate-papo”? JP Morgan, Morgan Stanley, Barclays, Nomura, Goldman Sachs, Merrill Lynch, Credit Suisse, Deutsche Bank, Citibank, BNP Paribas, Natixis, Societe Generale , Standard Chartered, State Street Macquarie, Capital UBS Toronto, Dominion Bank, Royal Bank of Scotland, Itaú, Bradesco Verde , Santander e por ai vai…
Isso faz lembrar a tese principal do documentário de Petra Costa, Democracia em Vertigem: todos os personagens do mundo da política mudam, governadores, presidentes, deputados, senadores... ou, na atualidade, procuradores e juízes. Mas os donos da mídia, famílias proprietárias de construtoras e banqueiros, estes sempre permanecem no Estado. Seja através da chantagem, fornecendo ferro e concreto para obras de infraestrutura ou como credores da dívida pública, como no caso da banca – clique aqui.
O curioso é que por todo espectro político, em geral, as críticas ao sistema financeiro são sempre pontuais ou genéricas. Prefere-se mobilizar toda indignação, força crítica e capacidade investigativa contra políticos, ministros, partidos etc.
Critica-se a extorsão dos juros altos ou como instituições como o galinheiro do Banco Central e Ministério da Economia é providencialmente ocupado pelas raposas da banca. Mas as esquerdas parecem não prestar muita atenção ao dia-a-dia conspiratório de eventos como esse vazado pelo Intercept– principalmente nos sensíveis anos eleitorais. Ficam apenas nas notícias mais espetaculares das privatizações ou dos vieses dos ajustes da taxa Selic.
A mídia e um tal de “mercado”
A grande mídia sempre fala genericamente sobre um tal de “mercado”, mas na verdade dá visibilidade apenas para um tipo de mercado: entrevistam somente economistas-chefe de empresas de investimento e de bancos. Sempre os planos de câmera mostram entrevistados estrategicamente colocados diante de um fundo com espetaculares telas de computadores com corretores que observam atentamente gráficos coloridos e tabelas cheias de números – isso dá ao distinto público uma aura de “cientificidade” para “Ciência Econômica”.
Paradoxalmente, é a direita que mais tece teorias conspiratórias sobre bancos e o mundo das finanças: teorias conspiratórias em torno dos Rockfellers, os Rothschilds, os Lehmans e de outros controladores da riqueza mundial. Raivosamente denunciam as maquinações em torno da criação da chamada “Nova Ordem Mundial” (New World Order – NWO) ou como as elites das altas finanças mexem os cordões das sociedades secretas como Illuminatis, Skull and Bones ou Clube Bilderberg.
Por que essa crítica tão genérica? É inegável que, apesar de todas as críticas que podemos fazer aos serviços financeiros, bancos etc., há um misto de respeito, reverência e temor de um campo que supostamente lidaria com um tipo de respeitável ciência: a ciência da Economia.
Uma ciência que lida com ideias como dinheiro, valor, débito, crédito... conceitos abstratos que permeiam o nosso cotidiano e a própria ideia de desenvolvimento econômico, sucesso e auto-realização. Assim como o peixe está para a água, também estamos para o sistema financeiro, seja como correntistas ou simplesmente digitando uma senha de cartão de débito na loja da esquina.
Temos respeito ou reverência quase religiosa. Podemos até criticar uma determinada igreja. Mas não negamos a própria existência do Deus Criador. Da mesma maneira, podemos até denunciar como a banca explora uma nação. Mas ainda temos fé de que o nosso dinheiro tenha valor. E de que a moeda representa uma promessa de pagar uma dívida, apoiada por instituições financeiras como um banco ou o Banco Central.
A Teologia do dinheiro
Dois livros lançam alguma luz nessa relação paradoxal: o primeiro, do filósofo Philip Goodchild, “The Theology of Money” (Duke University Press, 2009); e o segundo, “The Money Cult: Capitalism, Christianity and the Unmaking American Dream” (Melville House, 2017), de Chris Lehman.
Para Goodchild, essencialmente o sistema econômico se baseia na fé. E em muitos aspectos, o mundo das finanças espelha uma religião. Isso porque a criação moderna do dinheiro é complexa: engloba crédito, empréstimos, reservas fracionárias bancárias e assim por diante. Contamos com consultores financeiros para interpretar a vontade do mercado para nós e de especialistas na mídia que traduz para os leigos.
Assim como nas religiões, possui templos (agências bancárias, diferente dos “templos pagãos”, os shopping centers) e lugares sagrados (Bovespa, Wall Street) nos quais adoramos ou nos confessamos aos padres nossos pecados (os gerentes, sempre alertas aos nossos “pecados” nas conta correntes) e altos sacerdotes (consultores) interpretam as vontades (tendências econômicas) e os caminhos de Deus ou dos deuses (mercado) no caminho da salvação – o sucesso.
Segundo Goodchild, as religiões sempre foram usadas para gerenciar o comportamento humano através da ameaça do Inferno ou a promessa de uma vida eterna no Céu. Mas agora, dinheiro e dívidas ocupam esse papel como os principais motivadores para a ação humana – tanto assim que passou a se estruturar como uma religião qualquer, fundamentada na fé.
Todo o sistema financeiro baseia-se na fé: o dinheiro tem valor não porque tenha essencialmente um “lastro”, mas porque acreditamos que tenha. Todo uma complexa teologia e nebulosa metafísica gerida por padres e altos sacerdotes criam uma estrutura análoga a uma religião.
Sem essa fé o dinheiro não passaria de um pedaço de papel impresso ou um ícone efêmero na tela de um computador.
A moralidade do mercado
Mas para Chris Lechmann no livro “The Money Cult”, essa fé está fundamentada na esperança do sucesso. O culto do dinheiro se baseia numa moralidade que parece ser intrínseca ao mercado: frugalidade, fé na auto-realização e individualismo. Uma moralidade econômica que se tornou num instrumento de salvação análogo ao das religiões.
Frugalidade, auto-realização e individualismo se confundem com o próprio dinheiro: a riqueza como felicidade, sucesso profissional, amoroso, autoconfiança. Que aos olhos de Deus (o Mercado) significaria a Salvação e o merecimento do Reino do Céu. Mais dinheiro, mais Salvação.
Diante desse fenômeno histórico no qual o dinheiro torna-se o principal motivador da ação humana, pode-se compreender por que o sistema financeiro, de certa forma, ser naturalizado, normalizado, como uma banal realidade cotidiana.
Assim como em filmes e documentários pós crise de 2008 (Trabalho Interno, Margin Cal – O Dia Antes do Fim, Wall Street – O Dinheiro Nunca Dormeetc.) que interpretaram o crash mundial como obra de “bad guys” ambiciosos e egoístas, da mesma forma, por todo espectro politico, a crítica à banca sempre parece penalizar apenas os excessos ou conspirações dos poderosos. Deixando entre parêntesis a própria natureza do sistema financeiro e monetário.
Assim como a história do escorpião que queria atravessar o rio nas costas de um sapo, é da sua natureza ferroar. Mesmo que não queira.
Toda a atual guerra midiática criptografada que tenta esconder do escrutínio público a transformação do Estado Mínimo em Líquido, não é obra de “bad guys” ou de procuradores e juízes novos ricos deslumbrados. É da própria natureza do sistema financeiro e monetário predar e destruir. Liquefazer a realidade como um valor moral (auto-realização) e religioso (a Salvação).
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"Assim como a história do escorpião que queria atravessar o rio nas costas de um sapo, é da sua natureza ferroar. Mesmo que não queira."
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sábado, 3 de agosto de 2019
GEOPOLÍTICA: LAVA JATO E INTERESSES DOS EUA PARA AMÉRICA LATINA E BRASIL
Por Samuel Pinheiro Guimarães
1. Os objetivos estratégicos dos Estados Unidos para a América Latina e, em especial para o Brasil, são importantes para compreender a política externa e interna brasileira, inclusive a Operação Lava Jato.
2. A América Latina foi declarada zona de influência exclusiva de fato americana pela Doutrina Monroe, em mensagem do Presidente dos Estados Unidos ao Congresso americano, em 02/12/1823.
3. Esta Doutrina corresponde a uma visão e convicção histórica, nos Estados Unidos, de direito ao exercício de uma hegemonia natural sobre a América Latina, como o Corolário Roosevelt, de 1904, viria a explicitar.
4. A partir da Guerra de Independência (1775-1783) e depois da formação da União em 1787-1789 os Estados Unidos passam a procurar excluir as potências europeias de seu território continental (Louisiana – 1803, Florida – 1819, Oregon – 1845, Alaska -1867) e a absorver esses territórios na União Americana.
5. A expulsão pelos americanos dos povos indígenas de seus territórios originais se realiza com intensidade após a revogação da Proclamation Line de 1763, em decorrência do Tratado de Paz de Paris (1783) entre a Grã-Bretanha e a Confederação, que separava o território das Treze Colônias das terras indígenas além dos Apalaches, até o Mississipi.
6. A influência econômica, política e militar americana sobre a América Central e os países do Caribe foi e é avassaladora, com intervenções e ocupações militares, por vezes longas, e o patrocínio de ditaduras, sanguinárias.
7. A Guerra contra o México (1848) levou à anexação de metade do território mexicano e, com a chegada ao Pacífico, permitiu a consolidação do território continental dos Estados Unidos do Atlântico ao Pacífico.
8. A Guerra contra a Espanha (1898) levou à ocupação de Cuba, à anexação de Porto Rico, das Filipinas e de Guam e afirmou os Estados Unidos como potência asiática.
9. A “criação” do Estado do Panamá e da Zona do Canal, que foi território americano até 2000, permitiu a ligação marítima rápida entre a Costa Leste e a região do Golfo com a Costa Oeste da América do Norte, tanto comercial como militar, através do Canal concluído em 1914, e administrado soberanamente pelos EUA.
10. Pelas características de sua localização geográfica, a zona estratégica mais importante para os Estados Unidos é o Caribe, a América Central e o norte da América do Sul.
11. Os objetivos estratégicos permanentes dos Estados Unidos para a América Latina são:
1. impedir que Estado ou aliança de Estados possa reduzir a influência americana na região;
2. ampliar sua influência cultural/ideológica sobre os sistemas de comunicação de cada Estado;
3. incorporar todas as economias da região à economia americana;
4. desarmar os Estados da região;
5. manter o sistema regional de coordenação e alinhamento político;
6. impedir a presença, em especial militar, de Potências Adversárias na região;
7. punir os Estados que contrariam os princípios da liderança hegemônica americana;
8. impedir o desenvolvimento de indústrias autônomas em áreas avançadas;
9. enfraquecer os Estados da região;
10. eleger lideres políticos favoráveis aos objetivos americanos.
2. ampliar sua influência cultural/ideológica sobre os sistemas de comunicação de cada Estado;
3. incorporar todas as economias da região à economia americana;
4. desarmar os Estados da região;
5. manter o sistema regional de coordenação e alinhamento político;
6. impedir a presença, em especial militar, de Potências Adversárias na região;
7. punir os Estados que contrariam os princípios da liderança hegemônica americana;
8. impedir o desenvolvimento de indústrias autônomas em áreas avançadas;
9. enfraquecer os Estados da região;
10. eleger lideres políticos favoráveis aos objetivos americanos.
12. O principal Estado da região pelas dimensões de território, de recursos naturais, de população, de localização geográfica é, sem dúvida, o Brasil. Principal também pelos desafios que apresenta devido à possibilidade de graves turbulências futuras, sociais, econômicas e políticas.
13. Devido a este caráter principal, os objetivos dos Estados Unidos são objetivos para a América Latina em geral, porém se aplicam em especial ao Brasil.
14. O primeiro objetivo estratégico americano é impedir a emergência e fortalecimento de qualquer Estado ou aliança de Estados que possam se opor à presença ou afetar a influência política, econômica e militar americana na região.
15. Para alcançar este objetivo tratam os Estados Unidos de aguçar e reacender eventuais rivalidades (históricas ou recentes) entre os maiores Estados da região, isto é, entre o Brasil e a Argentina, não estimular o conhecimento de suas histórias e culturas, estimuladas as rivalidades através da ação de lideranças locais que buscam obter tratamento privilegiado para seus países junto aos Estados Unidos (Carlos Menem e Jair Bolsonaro são exemplos desse comportamento).
16. O segundo objetivo americano é manter e ampliar sua presença cultural/ideológica nos sistemas de comunicação de cada Estado da região como instrumento para sua maior influência política, econômica, militar e cultural.
17. Essa presença aumenta sua capacidade de obter melhores condições legais (fiscais e regulatórias) para a ação de suas megaempresas (petroleiras, por exemplo); para obter contratos de venda de equipamentos militares; para lograr alinhamento e apoio às iniciativas americanas em nível mundial; para promover a “simpatia” pelos Estados Unidos na sociedade local; para obter o apoio da sociedade e dos governos para seus objetivos estratégicos.
18. Este objetivo tem como instrumentos a defesa da mais ampla liberdade de imprensa e de Internet e para a livre ação das ONGS “internacionais” e “altruístas”; dos programas de formação de pessoal, desde os institutos de língua aos intercâmbios; às bolsas de estudo; ao recrutamento de talentos; à aquisição de editoras para publicação de livros americanos; a hegemonia na programação de cinema e de TV; os programas de formação de oficiais militares e lideranças políticas; e recentemente a aquisição de instituições de ensino, em todos os níveis.
19. O terceiro objetivo dos Estados Unidos é incorporar todas as economias dos Estados da região à economia norte-americana, de forma neocolonial, no papel de exportadores de matérias primas e importadores de produtos industriais.
20. Após o fracasso do projeto regional “multilateral” da ALCA, lançado em 1994 e encerrado em 2005 na reunião em Mar del Plata, os Estados Unidos passaram a promover a negociação de acordos bilaterais com cada Estado latino-americano com dispositivos semelhantes aos da ALCA e até aos EUA mais favoráveis. Verdade seja dita que o acordo de livre comércio com o Chile fora assinado em 1994 e com o México e o Canadá em 1994.
21. O instrumento para alcançar este objetivo são os acordos bilaterais de livre comércio que levam à eliminação das tarifas aduaneiras e à abertura dos mercados dos Estados subdesenvolvidos nas áreas de investimentos; de compras governamentais; de propriedade intelectual; de serviços; de crédito e, às vezes, incluem cláusulas investidor-Estado.
22. Por sua vez, os Estados subdesenvolvidos da América Latina que atingiram certo grau de industrialização não ganham acesso adicional aos mercados de produtos industriais, pois as tarifas americanas são baixas, existe a escalada tarifária e as medidas de defesa comercial, e o acesso a mercados agrícolas é restringido pela legislação agrícola, americana de subsídios e de proteção.
23. O acordo Mercosul/União Europeia será instrumental para a abertura de mercados para os Estados Unidos sem ônus político pois, após sua entrada em vigor, estarão criadas as condições para os Estados Unidos reivindicarem ao Brasil e ao Mercosul igualdade de tratamento. Outros países altamente industrializados como o Japão, a Coréia do Sul, o Canadá e a China farão o mesmo e o Brasil não terá mais a tarifa como instrumento de política industrial. O Mercosul desaparecerá.
24. O quarto objetivo estratégico dos Estados Unidos é desarmar os Estados da região.
25. Os instrumentos para atingir este objetivo são a promoção da assinatura do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e de outros tratados na área química e biológica, e mesmo sobre armas convencionais; a venda de equipamentos militares defasados a preços mais baixos e o “estrangulamento” de eventuais indústrias bélicas locais; os acordos de associação à OTAN; a transformação das Forças Armadas nacionais em forças de caráter policial, voltadas para o combate ao narcotráfico e a crimes transnacionais e, portanto, necessitando apenas de equipamento leve.
26. O quinto objetivo estratégico americano é manter o sistema de segurança regional, a Organização dos Estados Americanos, reconhecido pela Carta da ONU, onde tradicionalmente os Estados Unidos podem exercer sua influência, contam com o auxílio do Canadá e de países da América Central e assim podem tratar das questões regionais sem ir ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.
27. Outro instrumento para alcançar este objetivo é promover a dissolução da UNASUL, como foro de solução de controvérsias concorrente da OEA e como organização de cooperação em defesa, da qual os Estados Unidos não participam.
28. O sexto objetivo dos Estados Unidos na América do Sul consiste em impedir a presença de Estados adversários de sua hegemonia, e como tal nomeados pelos próprios EUA, quais sejam a Rússia e a China, na região latino-americana, em uma versão atual da Doutrina Monroe.
29. Segundo documentos oficiais americanos recentes a “China é um poder revisionista” e a Rússia é um “Ator Maligno Revitalizado” (Indo-Pacific Strategic Report, do Pentágono).
30. A presença russa e chinesa é especialmente temida na área militar, inclusive por ameaçar a Costa Sul do território americano e os acessos ao Canal do Panamá, via comercial e militar estratégica.
31. Um sétimo objetivo americano, importante para demonstrar sua determinação de exercício de hegemonia na América Latina, é punir, dentro ou fora do sistema da OEA, com ou sem o apoio de outros Estados da região, aqueles governos que contrariarem, em maior ou menor medida, os princípios da liderança mundial americana:
• ter economia capitalista, aberta ao capital estrangeiro, com intervenção mínima do Estado;
• dar tratamento igual às empresas de capital nacional e estrangeiro;
• não exercer controle sobre os meios de comunicação de massa (TV etc);
• ter regime político de pluralidade partidária e eleições periódicas;
• não celebrar acordos militares com os Estados Adversários, quais sejam a Rússia e a China;
• apoiar as iniciativas dos Estados Unidos.
• dar tratamento igual às empresas de capital nacional e estrangeiro;
• não exercer controle sobre os meios de comunicação de massa (TV etc);
• ter regime político de pluralidade partidária e eleições periódicas;
• não celebrar acordos militares com os Estados Adversários, quais sejam a Rússia e a China;
• apoiar as iniciativas dos Estados Unidos.
32. A campanha política/econômica/midiática para promover a mudança de regime (regime change) de um Estado da região, isto é, para promover um golpe de Estado para derrubar um Governo que os Estados Unidos consideram hostil, inclusive com o financiamento de grupos de oposição, se desenvolve em várias etapas (que depois se superpõem) de denúncia do Governo “hostil” pela grande mídia regional e pela mídia mundial, com o auxílio da Academia, como sendo:
• autoritário;
• corrupto;
• traficante ou leniente com o tráfico de drogas;
• perseguidor de inimigos políticos;
• violador da liberdade de imprensa;
• ineficiente;
• opressor da população;
• ameaça aos vizinhos;
• ameaça à segurança americana.
• corrupto;
• traficante ou leniente com o tráfico de drogas;
• perseguidor de inimigos políticos;
• violador da liberdade de imprensa;
• ineficiente;
• opressor da população;
• ameaça aos vizinhos;
• ameaça à segurança americana.
33. Um oitavo objetivo estratégico americano é impedir o desenvolvimento de indústrias autônomas nas áreas nuclear, espacial e de tecnologia de informação avançada na América Latina, e em especial no Brasil, país com as melhores condições para desenvolver tais indústrias.
34. Um nono objetivo estratégico americano é enfraquecer politica e economicamente os Estados da região.
35. Os instrumentos são estimular direta ou indiretamente (pela mídia) a redução do poder regulatório em defesa dos consumidores, da população em geral e dos trabalhadores, dos organismos do Estado, em especial aqueles que limitam ou disciplinam a ação das megacorporações multinacionais, entre as quais prevalecem as americanas.
36. Outro instrumento para alcançar este objetivo é a campanha contra o Estado central como ineficiente e mais corrupto e autoritário, e a defesa da descentralização regulatória e de auto regulação dos setores pelas próprias empresas privadas.
37. Um objetivo americano importante é enfraquecer o único organismo do Estado (brasileiro) que enfrenta, todos os dias, os interesses dos demais Estados nacionais, em especial os interesses dos Estados Unidos, de seus adversários, Rússia e China, e das chamadas Grandes Potências, como Inglaterra, França, Alemanha e Japão, nas negociações para aprovar normas internacionais que atendam seus interesses (e lucros).
38. Os instrumentos para atingir este fim são denunciar a ineficiência; o corporativismo; o exclusivismo; o “globalismo”; a partidarização; a visão ideológica “esquerdista” da Chancelaria.
39. O décimo objetivo estratégico dos Estados Unidos da América, e talvez o principal objetivo, é impedir a eleição de líderes políticos em cada Estado que manifestem restrições a seus objetivos estratégicos e promover a eleição de líderes que a eles sejam favoráveis.
40. E aí entra o papel da Operação Lava Jato na defesa direta ou indireta dos interesses americanos.
41. A partir da eleição, em 2003, do Presidente Lula a política interna e externa brasileira, se contrapôs, ainda que não de forma sistemática, desafiadora ou revolucionária, a alguns dos objetivos estratégicos americanos:
a. ao não apoiar a invasão do Iraque de 2003;
b. ao estabelecer o entendimento político e econômico estreito com a Argentina;
c. ao promover a coordenação com a Argentina, a Venezuela, o Uruguai, o Equador, a Bolívia e o Paraguai para a formação da UNASUL, em substituição à OEA.
d. ao resistir à ALCA e ao fortalecer o Mercosul;
e. ao fortalecer os instrumentos financeiros do Estado, como o BNDES, e ao utilizá-los na politica externa;
f. ao fortalecer o programa nuclear;
g. ao exercer operações de aproximação autônoma com os países africanos e árabes;
h. ao promover a criação do BRICS, com a China e a Rússia;
i. ao fortalecer a Petrobrás e ao estabelecer o regime de parceria para exploração do pré-sal;
j. ao estabelecer a política de “conteúdo nacional” na indústria;
k. ao promover a indústria de defesa brasileira;
l. ao defender a regulamentação da mídia;
m. ao negociar, com a Turquia, um acordo nuclear com o Irã;
n. ao exercer o equilíbrio em suas relações com Israel e Palestina.
b. ao estabelecer o entendimento político e econômico estreito com a Argentina;
c. ao promover a coordenação com a Argentina, a Venezuela, o Uruguai, o Equador, a Bolívia e o Paraguai para a formação da UNASUL, em substituição à OEA.
d. ao resistir à ALCA e ao fortalecer o Mercosul;
e. ao fortalecer os instrumentos financeiros do Estado, como o BNDES, e ao utilizá-los na politica externa;
f. ao fortalecer o programa nuclear;
g. ao exercer operações de aproximação autônoma com os países africanos e árabes;
h. ao promover a criação do BRICS, com a China e a Rússia;
i. ao fortalecer a Petrobrás e ao estabelecer o regime de parceria para exploração do pré-sal;
j. ao estabelecer a política de “conteúdo nacional” na indústria;
k. ao promover a indústria de defesa brasileira;
l. ao defender a regulamentação da mídia;
m. ao negociar, com a Turquia, um acordo nuclear com o Irã;
n. ao exercer o equilíbrio em suas relações com Israel e Palestina.
42. A partir dessa nova situação nas relações Brasil – Estados Unidos e da crescente popularidade do Presidente Lula, que terminaria em 2010 seu mandato com 87% de aprovação, a estratégia americana foi:
• mobilizar os meios de comunicação de massa no Brasil contra as políticas do Governo, e condenar sua ação através do Instituto Millenium, fundado em 2005, para dar amplo apoio à Operação Mensalão, que não conseguiu atingir o Presidente Lula, mas que veio a atingir José Dirceu, chefe da Casa Civil, e provável sucessor de Lula;
• a partir do acordo de cooperação judiciária Brasil-Estados Unidos, iniciar a Operação Lava Jato que viria a facilitar o alcance dos objetivos estratégicos americanos em especial 2, 8, 9 e 10, listados no parágrafo 11 acima;
• iniciar o processo político de preparação do impeachment da Presidenta Dilma Rousseff;
• financiar direta e indiretamente a formação dos grupos MBL e Vem para a Rua.
• a partir do acordo de cooperação judiciária Brasil-Estados Unidos, iniciar a Operação Lava Jato que viria a facilitar o alcance dos objetivos estratégicos americanos em especial 2, 8, 9 e 10, listados no parágrafo 11 acima;
• iniciar o processo político de preparação do impeachment da Presidenta Dilma Rousseff;
• financiar direta e indiretamente a formação dos grupos MBL e Vem para a Rua.
43. O principal objetivo da Operação Lava Jato não era a luta contra a corrupção, mas sim impedir a eleição do Presidente Lula em 2018. Sua ação partia das seguintes premissas:
• a grande maioria da população, devido a sua precária situação econômica e cultural, está sujeita a ser manipulada por indivíduos populistas, socialistas, comunistas etc. que fazem aos eleitores promessas irrealizáveis para conquistar e explorar o poder;
• a sociedade brasileira é intrinsecamente corrupta;
• todos os políticos e partidos são corruptos;
• os governos se sustentam através da corrupção e da compra de votos;
• a violação de direitos constitucionais e legais por membros do Judiciário e do Ministério Público se justifica para combater a corrupção.
• a sociedade brasileira é intrinsecamente corrupta;
• todos os políticos e partidos são corruptos;
• os governos se sustentam através da corrupção e da compra de votos;
• a violação de direitos constitucionais e legais por membros do Judiciário e do Ministério Público se justifica para combater a corrupção.
44. O juiz Sérgio Fernando Moro descreveu em seu artigo intitulado Mani Pulite, publicado em 2004 na Revista CEJ – Justiça Federal N°26, a sua decisão de violar a lei para combater a corrupção, em uma interpretação de que “os fins justificam os meios”.
45. A “corrupção” foi enfrentada pela Operação Lava Jato, comandada por Sérgio Moro, Juiz de primeira instância que contou com a conivência e mesmo a cooperação de membros dos Tribunais Superiores e da grande imprensa, para uma condução processual altamente heterodoxa e ilegal.
46. A divulgação quotidiana e seletiva de ações da Lava Jato através da imprensa, em especial da televisão, foram essenciais para criar a convicção de que a Lava Jato teria “revelado” que o partido que teria promovido e se beneficiado da corrupção no sistema político teria sido o PT, conduzido por Luiz Inácio Lula da Silva.
47. Formou-se um amplo movimento anti-petista e anti-Lula, e tornou-se, assim, um objetivo não só político, mas ético e moral, para combater a corrupção, apresentada como o principal mal da sociedade brasileira, impedir por todos os meios que o ex-Presidente Lula pudesse se candidatar e, iludindo o povo ingênuo, ser eleito e reimplantar os mecanismos de corrupção.
48. Assim, foi Lula condenado, sem provas, em primeira instância por Sérgio Moro e em segunda instância por uma turma de três Desembargadores do TRF-4 (não pelo Tribunal pleno), Desembargadores que gozam de grande familiaridade e amizade com Sérgio Moro, que condenaram Lula à prisão em regime fechado, para não poder exercer qualquer atividade política, e assim não poder nem competir nem influir nas eleições de 2018.
49. A decisão arbitrária do TRF-4 correspondeu à cassação dos direitos políticos de Lula e do povo brasileiro que não pôde votar em Lula, o candidato à frente em todas as pesquisas de opinião.
50. A nomeação do juiz Sérgio Moro como Ministro da Justiça por Jair Bolsonaro e a declaração de Bolsonaro de que devia muito de sua eleição a Moro indicam o alto grau de ilegalidade do comportamento de Sérgio Moro e de Jair Bolsonaro e sua ação política.
51. A primeira etapa para atingir o Objetivo estratégico 10 era promover o impedimento da Presidente Dilma Rousseff, o que foi conseguido em 16/04/2016. O Vice Presidente Michel Temer assumiu com um programa econômico intitulado “Ponte para o Futuro”, elaborado por economistas liberais e perfeitamente compatível com os objetivos estratégicos dos EUA, e que vem sendo aplicado de forma ainda mais radical por Paulo Guedes.
52. A publicação pela grande imprensa dos diálogos entre Sérgio Moro, o Procurador Deltan Dallagnol e entre os procuradores e três, até agora, Ministros do Supremo Tribunal Federal: Luiz Fux, Edison Fachin e Luiz Eduardo Barroso, podem acarretar a nulidade de todos os processos da Operação Lava Jato devido a demonstrar:
• a parcialidade e a íntima cooperação do juiz Sérgio Moro com os procuradores, isto é, com a acusação;
• as delações extraídas sob pressão;
• as conduções coercitivas ilegais;
• a escuta ilegal de comunicações;
• a divulgação seletiva de trechos de delações à imprensa para obter efeitos no processo eleitoral em 2018;
• a violação de direitos individuais, enumerados no Artigo 5° da Constituição:
III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas (…);
XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas (…);
XXXIII – todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular (…);
e, em especial,
LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.
• as delações extraídas sob pressão;
• as conduções coercitivas ilegais;
• a escuta ilegal de comunicações;
• a divulgação seletiva de trechos de delações à imprensa para obter efeitos no processo eleitoral em 2018;
• a violação de direitos individuais, enumerados no Artigo 5° da Constituição:
III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas (…);
XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas (…);
XXXIII – todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular (…);
e, em especial,
LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.
53. Os Estados Unidos da América atingiram seu principal objetivo estratégico, aquele de número 10 do parágrafo 11 acima: eleger lideres políticos favoráveis aos objetivos americanos. E com o Governo Temer e agora com o Governo de Jair Bolsonaro estão alcançando todos os demais objetivos listados no parágrafo onze acima. (Fonte: aqui).
(Samuel Pinheiro Guimarães foi secretário Geral do Itamaraty [2003-2009], ministro de Assuntos Estratégicos [2009-2010]).
OLHO NOS VÍDEOS (03.08.19)
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STF manda Bolsonaro e Lava Jato se acanharem ..... AQUI.
.Portal do José - Prof. José Fernandes Jr:
Militares enfrentam Guedes,
mas soberania é ultrajada ........................... AQUI.
.TV GGN - Luis Nassif:
Dallagnol será o bode expiatório da Lava Jato AQUI.
.Paulo A Castro:
Sobre o ministro Luiz Roberto Barroso .......... AQUI.
PGR declara guerra ao STF .......................... AQUI.
SERIOUS CARTOON
J Bosco.
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."Governadores da Amazônia Legal defendem
dados de desmate do Inpe" - Uol .......................... AQUI.
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Cartum. Índios. Desmatamento. Amazônia. J Bosco.
UMA OBSERVAÇÃO SOBRE CERTAS PALAVRAS
Segundo a Folha - aqui -, ontem, 2, em palestra proferida na Associação Comercial e Industrial de São José dos Campos, SP, o ministro Luiz Roberto Barroso, do STF, manifestou-se sobre as mensagens vazadas que vêm sendo publicadas pelo site The Intercept Brasil em parceria com a Folha, Veja, El País e o jornalista Reinaldo Azevedo, da Rede Bandeirantes.
No generoso espaço oferecido pelo Jornal Nacional ao assunto, vimos que o ministro minimizou as mensagens divulgadas, que compreenderiam "mais fofocas do que fatos relevantes", e declarou que "nada encobre o fato de que a Petrobras foi devastada pela corrupção", aduzindo:
"Não importa o que tenha, não importa o que saia nas gravações (...). Nada encobre a corrupção sistêmica, estrutural e institucionalizada que houve no Brasil".
As palavras em destaque conduzem o leitor à conclusão de que, para o ministro, o combate à corrupção justificaria a adoção de quaisquer métodos, mesmo os que impliquem o atropelamento dos direitos e garantias - a exemplo do direito ao devido processo legal - previstos na Constituição Federal, que ele deveria guardar, por força do contido no artigo 102. Se tal se confirmar, não causará estranheza, visto que o ministro em outras oportunidades já deixou clara sua disposição de ignorar determinações constitucionais, para satisfação de seus admiradores, como o ex-juiz de base Sergio Moro.
No mais, cumpre registrar que para observadores mais perspicazes as palavras do senhor Barroso deixaram entrever o propósito de apresentar desde logo algo como uma defesa prévia relativamente a um ou mais fatos (sobre ele próprio e/ou alguma organização) que poderão vir a ser oferecidos ao público pelo site The Intercept Brasil e parceiros, pinçados do alentado acervo de que ainda dispõe.
ECOS DOS PERCALÇOS JUDICIAIS DOS ÚLTIMOS DIAS
Benett/Debret.
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STF finalmente acordou ................................ AQUI.
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sexta-feira, 2 de agosto de 2019
E OS DESCONECTADOS, FICAM COMO?
(GGN).
E os desconectados, ficam como?
Por Wagner de Alcântara Aragão (No GGN)
Aplicativos que permitem checar o horário da condução. Outros, para marcar consulta na unidade básica de saúde. Ou para conferir o desempenho escolar dos filhos. Ouvidoria municipal na tela do celular. Cadastro para o bilhete de transporte pelo site. Agenda cultural da cidade no tablet e smartphone. Aposentadoria, fundo de garantia – tudo à palma da mão.
Administrações públicas municipais, estaduais e federal Brasil adentro se vangloriam, em suas propagandas oficiais, por oferecerem serviços públicos ao cidadão por meio de plataformas digitais. Agilidade, transparência, segurança, desburocratização, modernidade. Ótimo. O problema é que quem mais precisa de tudo isso está à margem dessas facilidades.
Lembremos que, segundo estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apenas 42% dos brasileiros nas classes sociais D e E têm acesso à internet no Brasil. O estudo foi divulgado em junho, traz dados de 2017 e mostra que, por outro lado, nas classes A e B, 90% das pessoas estão conectadas. Não à toa a pesquisa, denominada “Tecnologias digitais e seus usos”, é categórica em suas considerações finais:
“A análise dos dados nos possibilita dizer que a falta de acesso à rede repete as mesmas adversidades e exclusões já verificadas na sociedade brasileira no que se refere a analfabetos, menos escolarizados, negros, população indígena e desempregados. Isso significa dizer que a internet, se não produz diretamente a exclusão, certamente a reproduz, tendo em vista que os que mais acessam são justamente os mais jovens, escolarizados, remunerados, trabalhadores qualificados, homens e brancos. Não seria a rede, então, produto de uma classe dominante?”.
O estudo do Ipea e principalmente a indagação que os pesquisadores (Frederico Augusto Barbosa da Silva, Paula Ziviani e Daniela Ribas Ghezzi) fazem deveriam estar à mesa de gestores de políticas públicas, de todos os escalões. Precisam ser entendidos também pelos servidores públicos que atendem o cidadão na ponta. Porque não é raro em repartições haver o desconhecimento que, embora popularizadas, as novas tecnologias da informação e comunicação ainda não estão ao alcance de uma parcela significativa da população.
Parcela essa, reiteremos, justamente a que mais necessita de informação, de orientação, e dos serviços públicos. São as famílias de baixa renda que mais carecem de instrumentos de acompanhamento de suas crianças na escola. São as que mais necessitam de assistência à saúde da unidade básica do bairro. São as que mais utilizam ônibus. São, entretanto, as que menos têm contato, se beneficiam, das “modernidades” dos tais aplicativos.
O levantamento do Ipea lista sete itens consumidos por usuários brasileiros na internet: jogos online, baixar jogos, músicas online, baixar músicas, assistir a vídeos, baixar vídeos e ler jornais. Infelizmente nenhum item se refere a acesso a algum serviço público, mas por esses listados dá para se ter uma noção de quem pode e quem não consegue ter contato com outros tipos de facilidades digitais.
Por exemplo, a pesquisa aponta que entre os que não têm renda ou ganham até um salário mínimo, 71,6% nunca acessaram nenhum dos sete itens, ou se já acessaram, o acesso se deu há mais de três meses. Em outras palavras: nem sequer leram, pela internet, uma notícia de jornal que pudesse lhe fornecer uma informação útil, quanto mais teve contato com os produtos culturais – música, filmes, jogos – disponíveis.
Terminamos este texto com outro trecho das considerações finais do Ipea:
“A internet é acompanhada do paradoxo existente entre as utopias construídas em torno do discurso sobre as suas potencialidades e as verdades que regem as relações que a estruturam, como o mercado e seus oligopólios. Este paradoxo produz assimetrias que exigem, além de pesquisas com dados sobre perfil, características e hábitos dos usuários – que acabam por legitimar o mesmo discurso excludente –, políticas compensatórias e de diminuição das desigualdades de acesso”.
A pesquisa completa está disponível neste link: http://ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_uuu2470.pdf
OLHO NOS VÍDEOS (02.08.19)
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Moro, Dallagnol e Bolsonaro: o STF acordou AQUI.
.Rádio BandNews FM - Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ............................................ AQUI.
.Nocaute - Fernando Morais
entrevista o juiz federal Edevaldo Medeiros .. AQUI.
.TV GGN - Luis Nassif:
STF enquadra Sergio Moro e Deltan Dallagnol AQUI.
.Paulo A Castro:
Deltan é só um dos capachos de Moro ......... AQUI.
Afastar Deltan tudo bem, mas, e Moro? ....... AQUI.
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