quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A SAÍDA PELO ORIENTE


O Brasil e os caminhos da China

Por Luis Nassif

Uma das saídas para a crise atual pode estar no Oriente. Mais precisamente na China. E a infraestrutura é o setor chave.
Desde o ano passado há um grupo interministerial analisando os próximos passos da aproximação do Brasil com a China. Nas primeiras rodadas, sem contar o Banco dos BRICs e o Banco da Infraestrutura, a China já disponibilizou US$ 70 bilhões de crédito ao Brasil.
Do lado brasileiro participam das discussões o Itamaraty, o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Fazenda e Planejamento. Do lado da China, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reformas.
Na fase preliminar, foi elaborada uma lista preliminar de projetos nas áreas de infraestrutura, telecomunicações, logística, mineração e energia e agricultura.
Há alguns projetos objetos de atenção especial, como a ferrovia transoceânica, um projeto polêmico, mas que, se se mostrar viável, viabilizará o modelo ferroviário brasileiro, funcionando como uma espinha dorsal complementar à Ferrovia Norte-Sul.
Entre maio e junho deverão ficar prontos os estudos de viabilidade. Do lado chinês, acredita-se piamente na sua economicidade, devido ao potencial anual de 50 milhões de toneladas de carga.
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Os chineses apostam que, em breve, o Brasil evoluirá para uma visão sistêmica das ferrovias. Em vez de trechos isolados, um planejamento estratégico encarando o setor como um sistema interligado.
Com isso, não haveria como não incluir a chamada Bioceânica como vetor estratégico. A Bioceânica tem um traçado Leste-Oeste. Pode ser interligado com a Norte-Sul. Com isso haveria uma estrutura em cruz cobrindo todo o território nacional e viabilizando a construção de ramais.
Do lado brasileiro, a Bioceânica teria 4 mil km. E, de imediato, conseguiria interligar Campinorte e Lucas do Rio Verde, zona de expansão agrícola.
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Outro projeto que não está descartado é o do trem-bala ligando o Rio a São Paulo. A ideia surgiu em 2008, a partir de um telefonema de Lula para o presidente chinês.
Apesar do lado brasileiro não ter dado continuidade, a banda chinesa continua a postos. As empresas que se instalaram por aqui continuam trabalhando. E, na embaixada da China, acredita-se que poderá ser viabilizado mediante um novo modelo de negócios, uma concessão a ser integralmente assumida pelo lado chinês.
A proposta já foi apresentada ao Ministro da Fazenda Nelson Barbosa, assim como a alternativa de uma ferrovia de média velocidade. Os chineses aguardam apenas o consentimento das autoridades brasileiras para relançarem o projeto.
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Do lado chinês, a visão preponderante é que meramente financiar é uma forma ultrapassada de parceria. Os investimentos precisam ser pensados estrategicamente.
No modelo proposto, as próprias empresas chinesas aceitam bancar todo o investimento.
Mas há óbices burocráticos a serem vendidos. Um deles é que, mesmo se a empresa chinesa bancar o investimento, o TCU (Tribunal de Contas da União) quer controlar o investimento.
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Enfim, há uma longa agenda, com dois desdobramentos relevantes. O primeiro, a parceria com a China. O segundo, a possibilidade de jogar com os interesses diplomático-comerciais dos Estados Unidos.
Nos tempos em que o país sabia pensar estrategicamente, essa dualidade – na época EUA-Alemanha – foi essencial para o salto de desenvolvimento dos anos 50. (Fonte: aqui).

LUCROS SOBEM, BANQUEIROS CAEM NA FOLIA


Mariano.

MORDOMIAS E PENDURICALHOS: SEGUE A FARRA DO BOI


Do esparadrapo à mordomia, por que ninguém discute?

Por André Araújo

A trágica agonia dos hospitais do Rio de Janeiro não traz ao debate uma questão central da PRIORIDADE no uso dos recursos públicos. Como é possível os hospitais públicos, que atendem milhões de pobres, estarem paralisados, com falta de serviços de limpeza e de materiais básicos como gaze e esparadrapo, quando no mesmo Estado e com o mesmo dinheiro dos mesmos impostos se sustenta uma ASSEMBLEIA estadual que custa UM BILHÃO E OITENTA E CINCO MILHÕES DE REAIS, um escárnio completo contra a população?

Uma Assembleia estadual deveria custar UM DÉCIMO desse valor; como se permite esse deboche?

Pior ainda é a Assembleia de Minas Gerais, campeã nacional, que custa UM BILHÃO DUZENTOS E SETE MILHÕES DE REAIS, mais que o Parlamento do Reino Unido em Londres,  conforme relatório de orçamento acima, parlamento esse que está com um forte programa de corte de gastos, em um dos Países mais ricos do mundo e que não está em crise econômica.

Como se permitiu esse descalabro em uma pretensa Democracia? Quais os CONTROLES E CONTRAPESOS da sociedade contra a esbórnia de gastos desses poderes acintosos de gastar sem limites?

Citei as duas maiores Assembleias em gastos, a terceira é a de São Paulo, mas o problema é geral em todo o País e se estende às Câmaras de Vereadores, todas super gastadoras - a de SP tem engraxate e barbeiro na faixa dos 20 mil por mês, um aposentado de 80 mil, acaba de aprovar resolução para nomeação de 800 novos assessores.

Nas três Assembleias de Minas, Rio e São Paulo existem MAIS DE MIL SERVIDORES COM SALÁRIOS ACIMA DO TETO CONSTITUCIONAL. É evidente que a origem desses empregos está na classe política a qual eles se agregam.

Quando Sérgio Cabral assumiu a Presidência da Assembleia do Rio, suspendeu o salário de 386 servidores que ganhavam acima do teto, inclusive um chefe de garagem; todos foram à Justiça e ganharam seus "direitos" aos super salários, como sempre ganharão: o Poder Judiciário é tradicional fã e aliado de super salários.

Como ficamos? Hospitais fechados ou inviabilizados, como o tradicional Pedro Ernesto, e os deputados desfilando de carros pagos pela Assembleia, com motorista também pagos pela Casa, com combustível idem? Isso não existe em nenhuma grande democracia do planeta, o Presidente Obama na Casa Branca paga inclusive a conta da lavanderia.

Ou o Brasil resolve essa fundamental questão de prioridades no uso do dinheiro dos impostos ou chegaremos ao nível, se é que já não chegamos, das satrápias africanas que devoram seus povos para gastar em farras parisienses.

O impressionante é que não há esse debate no Brasil - prédios de Tribunais que custam um bilhão de Reais (TSE), outro Tribunal que tem 400 recepcionistas (STF), um Palácio de Governo que compra de uma só vez uma tonelada de filet mignon (de Minas Gerais) -; por que o Brasil é tolerante com isso, agora especialmente, em uma hora de grande crise? Esses gastadores nem cogitam de cortar o lanche da tarde, onde se come salmão, basta ver as licitações dos "lanches" dos tribunais. Nos tempos de crise na Inglaterra do pós guerra, os Reis Jorge VI e a Rainha Mãe Elizabeth se submeteram à caderneta de racionamento, um ovo por semana por pessoa; Reis adorados pelos súditos pela frugalidade de suas vidas.

Aqui ninguém faz a correlação, o Hospital fecha por falta de verba e a Assembleia gasta mais que todos os hospitais públicos juntos e nem por demagogia anuncia um plano de economia nesses tempos dificílimos.

Tampouco se veem interessados neste debate o Ministério Publico, também criatório de altos salários, as Ouvidorias, Controladorias, ongs de transparência, movimentos sociais, parece que ninguém associa uma abundância de um lado com a escassez no outro, é uma discussão que parece não ter maior percepção no País que caminha para a escassez.

A Constituição de 1988, legado maldito, aparelhou a esbórnia financeira desses poderes com uma torpe noção de "autonomia" que foi entendida pelos cidadãos como autonomia funcional para exercer suas liberdades políticas, MAS pelos participantes do butim foi entendida como "autonomia para gastar", o resto não interessa.

Na Constituição de 1946, a despesa dos outros poderes passava pela aprovação do Poder Executivo, havia um contrapeso, as folhas dos tribunais e das Assembleias eram elaboradas nas Secretarias de Fazenda do Governo estadual, portanto,  um certo controle, os prédios dos fóruns eram construídos pela Secretaria da Justiça, hoje entrega-se aos poderes um cheque em branco e eles gastam como quiser e como gostam de gastar.

Nesta hora de crise, como ficamos com essa farra do boi? (Fonte: aqui).

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Por falar nisso, vejamos o que comenta Fernando Brito:


Vejo no jornal mineiro Hoje em Dia que saiu mais uma “parcelinha” de atrasados do “auxílio-moradia” dos membros do Ministério Público de Minas Gerais.
Coisa “pouca”, só R$ 13,9 milhões de um total de mais R$ 1 bilhão “devido” a suas excelências em atrasados, segundo valores divulgados pelo jornal O Estado de Minas: R$ 946.483.179,57, em valores de fevereiro do ano passado, calculados a partir de 1994.
Não inclui os senhores juízes, que no dia 5 de janeiro tiveram a liberação de um naco de R$ 180 milhões, correspondente a uma parcela de R$ 125 mil para cada um dos 1,4 mil juízes e desembargadores mineiros. O TJ de Minas não fornece os números totais dos gastos, mas é de crer que sejam maiores que aqueles, porque para os juízes há atrasados desde 1988.
Dois bilhões e pico, a serem verdadeiros os números – e não tenho porque achar que não sejam – publicados pelo jornal mineiro.
Como Minas Gerais tem 10% da população brasileira, não é absurdo supor que tenha 10% dos juízes, desembargadores, promotores e procuradores. E, como o “auxílio” é nacional, valendo a partir das mesmas datas e com os mesmos valores, pode-se extrapolar seus custos totais.
Mais de 20 bilhões de reais.
Agora some os ministros, juízes, desembargadores, e promotores federais, além de outros que vão “de carona”, como os membros dos Tribunais de Contas e quejandos.
Tem aí uns R$ 30 bilhões de atrasados, afora o pinga-pinga mensal, sem imposto e livre para gastar, mesmo morando no local de trabalho e possuindo imóvel próprio...
É um valor que deixa no chinelo as estimativas de perdas com a corrupção surgida na Lava Jato, estimada em R$ 6,2 bi pela auditoria da Petrobras e em R$ 19 bi pela Polícia Federal.
Ou, se acaso os números não sejam exatamente estes, algo bem próximo, o que deixo para que a grande imprensa, com seus fartos meios, apure com exatidão, se, claro, vier ao caso.
Valores a serem pagos “de acordo com a lei”, ao menos com a lei examinada pelos próprios beneficiários.
Pagamento, aliás, que vai dar panos para manga, com a notícia de que as associações de juízes e promotores vai se insurgir contra a regra imposta por Dilma de que “será preciso apresentar o recibo do gasto com aluguel ou hotel, requisito até então não exigido de magistrados e membros do Ministério Público”, segundo o Congresso em Foco registra.
Eu acho que é melhor parar de fazer contas antes que o japonês da Federal resolva baixar aqui em casa, pedindo a nota fiscal do “iate de soprar”, inflável, que eu comprei, tempos atrás, para meu filho pequeno. É que eu não tenho mais a nota fiscal, das Lojas Americanas. Como se sabe, isso hoje é motivo de suspeitas. (AQUI).
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Entreouvido nos bastidores:
- O bacana é quando o 'forrado' em mordomias se sai com o seguinte argumento: "Ora, é verdade que gozo mordomias e aufiro penduricalhos diversos, como o auxílio-moradia, os quais são pagos livres de imposto de renda e independem do teto constitucional estabelecido no artigo 37 da CF, mas tais mordomias e penduricalhos são perfeitamente legais: A LEI ME CONFERE TAIS DIREITOS!"
- Meu caro, o fato é que os iluminados estão se lixando para a situação conjuntural e para os mais elementares escrúpulos!
- Tudo bem, tudo bem, mas eu acho que é melhor parar de fazer contas antes que o japonês da Federal resolva me interpelar, pedindo a nota fiscal do “iate de soprar”, inflável, que eu comprei, tempos atrás, para meu filho pequeno. É que eu não tenho mais a nota fiscal, das Lojas Americanas. Como se sabe, isso hoje é motivo de suspeitas!
- Você hoje está impagável, prezado. (Risos).
- Já que de nada adiantam nossos protestos, absurdos da espécie a gente tem, mesmo, é que levar na galhofa!

DA SÉRIE PRIORIDADES EMERGENCIAIS


Iotti.

LAVA JATO: LEITURAS DA HORA


O freio suíço na "marcha para frente" de Moro

Por Marcelo Auler

Não existe, entre as pessoas de bem, quem, em sã consciência, apoie corruptos e corruptores. Mas, no clima de Fla x Flu que se instalou no país, ultimamente, qualquer crítica à Operação Lava Jato é vista como defesa da corrupção, dos chamados “petralhas” corruptos e dos empresários corruptores. Não adianta argumentos, o que vale é o emocional. Pelo emocional, o Lula já mora no triplex do Guarujá, José Dirceu é responsável por toda a corrupção que grassa na vida política do país, e os operadores da Lava Jato já não são mais seres humanos, por terem se tornado infalíveis. Alguns já se sentem o verdadeiro Messias.
Mas, como a vida não é uma linha reta e os processos judiciais, queira-se ou não, têm altos e baixos, sempre surgem surpresas, algumas desagradáveis. Por isso, todo cuidado é pouco, e não raro, a pressa mostra-se inimiga da perfeição.
Caso típico é este freio que a Justiça Suíça acaba de impor ao juiz Sérgio Moro, ainda que de forma indireta, naquela marcha que bem recentemente ele declarou ter uma única direção: para frente, sem direito a paradas.
Não vou aqui roubar o tempo do leitor comentando a decisão da Justiça Suíça, que outros, antes de mim, já o fizeram de forma variada. Basta, por exemplo, recorrer ao Tijolaço, que postou “A Justiça suíça, que se lixa para nossa mídia, condena provas “atropeladas” da Lava Jato“.  O que importa é que a partir dessa manifestação Moro viu-se obrigado a fazer o que negara recentemente, até com certa ironia para com os advogados: suspendeu o prazo do processo. Que a freada sirva para reflexão. 
Há uma semana (23/01), ao postar aqui Lava Jato: Moro reacendeu as suspeitas do grampo ilegal na PF, alertamos sobre a decisão do juiz Sérgio Moro em não aceitar pedidos que logo classificou de procrastinações processuais, que todos conhecemos:
“Sua preocupação em agilizar os processos que tem em mãos é louvável, desde que não coloque em risco o resultado de todo o trabalho. Fazer Justiça de maneira rápida é um anseio popular – principalmente quando envolve corruptos. Mais ainda se os acusados de corrupção são famosos. Mas, operadores do Direito sabem que há todo um caminho a percorrer para não se lamentar, futuramente, por possíveis anulações, ou mesmo derrotas judiciais. Tal qual ocorreu com a Operação Satiagraha.
O exemplo do pedido feito pela defesa da Odebrecht que Moro não quis aceitar, classificando-o de protelatório, deve servir a todos. A ampla defesa não é um direito a ser preservado apenas para os réus da Lava Jato. Ela existe para beneficiar todo e qualquer cidadão. Infelizmente, nem todos os réus se beneficiam dela, mas não é por isso que devemos tolhê-la dos demais. Não há como buscar-se atalho, quando se corre atrás da verdade. Ou do mais próximo que se possa chegar dela.
Na Lava Jato, os atalhos têm sido muitos. Grampos ilegais, que finge-se que não existiram; escuta ambiental em fumódromo, para bisbilhotar pretensos adversários, que, quando descoberta, esconde-se atrás de sindicâncias que jamais terminam; pedidos ilegais de informações sobre números telefônicos de personagens protegidos pelo foro especial; pressões sobre os presos para aderirem às delações premiadas - são alguns casos já relacionados aqui.
Hoje, a freada foi provocada pela Justiça Suíça e pode até não gerar maiores efeitos, além das rusgas diplomáticas. Afinal, até o momento os magistrados de lá não impediram o uso das informações conseguidas por debaixo da mesa e não pelos acordos internacionais, como manda o bom figurino. Resta, portanto, apenas o mal estar.
Não tarda, porém, como lembrou Élio Gaspari no artigo que aqui reproduzimos – A teoria da ‘bosta seca’ ameaça a Lava Jato – chegará o momento em que os montinhos de “bosta seca” sugeridos por Gaspari estarão sobre os tapetes dos tribunais superiores de Brasília. Poderá até haver quem pense em escondê-los debaixo dos mesmos. Mas, a favor do Estado de Direito, que serve a todos, muitos de seus ministros tamparão o nariz e enfrentarão a “bosta seca” pela frente, seguindo os Códigos que regem os nossos processos. Poderá ser tarde para se recuar a acertar os erros do passado. (Fonte: aqui).

ILHAS DE PROSPERIDADE


Duke.

ECOS DO DEPOIMENTO DE DIRCEU


O lobby no Brasil

Por André Araújo

País tisnado pela hipocrisia como traço natural da herança da Inquisição, o Brasil não aceita como natural a profissão de lobista, um advogado de interesses junto a governos e parlamentos, profissão que é a maior indústria de Washington, com 1.500 firmas e 80.000 pessoas dela vivendo.
O lobista de perfil americano faz um contrato de prestação de serviços para uma empresa, governo, ONG ou qualquer outro grupo de interesses e vai defender esses interesses junto à Casa Branca, ao Congresso, aos Departamentos, às agências reguladoras, aos governos estaduais. Se for a governos estrangeiros, o contato precisa ser registrado no Departamento de Justiça e torna-se público. Praticamente todos os governos do planeta têm lobistas em Washington; o maior cliente, que trabalha com vários escritórios, é a República Popular da China. A Venezuela chavista chegou a ter 16 escritórios a seu serviço, o Equador boliviano tinha a maior firma de lobby como contratada. O Brasil é o único grande Pais do planeta que não tem e nunca teve lobista em Washington, por uma questão cultural que vê o lobby como pecado, do mesmo modo que a Inquisição via a bruxa como a encarnação do demônio.
A frente anti-lobby mais profunda vem do Itamaraty, que considera o lobby concorrente da Embaixada, quando nada tem a ver um com outra. O lobby trabalha nos bastidores, de forma não oficial e que não compromete o País, cujo interesse defende porque o lobista fala com o outro lado no happy hour, no clube de golfe, no fim de semana.

O lobista pode falar com assessores de Senadores, da Casa Branca, dos Ministérios, sem envolver numa sondagem o nome da Embaixada, que quando aborda um Departamento do Governo só pode fazê-lo de forma oficial, o que diminui a possibilidade de abordagens. Por outro lado a Embaixada não tem número suficiente de pessoal para percorrer continuamente Departamentos, agências, congressistas, e muitas vezes por questão protocolar nem pode fazê-lo.

O lobista é cara de pau, não tem dignidade nacional a defender, pode ser mais grosso e mais direto que um diplomata.

No Brasil o lobista é visto como delinquente ou no mínimo como picareta, (que), não podendo ser oficial, vira clandestino, quando todos perdem: o cliente, ele mesmo, que se arrisca a ser preso, e a sociedade, que convive com lobistas sem poder identificá-los claramente e portanto sem poder policiá-los e tê-los sob relativo controle.

No entanto, o lobista é engrenagem fundamental para grandes projetos e grandes negócios. Eles são o fermento de alguns projetos fundamentais de infraestrutura, criadores de iniciativas, juntam pontas que não se conhecem, levam projetos a Ministérios, arrumam o financiamento, ajudam a passar no Congresso. São como abelhas que polinizam as plantas.

Lobistas conhecidos e arrojados foram fundamentais na construção do grande parque hidroelétrico brasileiro dos anos 50 aos anos 90; traziam financiamentos, construtoras, fabricantes de equipamentos, tinham acesso a governos estrangeiros e montavam os pacotes que permitiram ao Brasil ter hoje o maior parque hidroelétrico do planeta, quase todo ele feito com esses pacotes de governo a governo mas sempre com lobista no meio, juntando vários mundos diferentes.

O depoimento de José Dirceu mostrou como o Brasil é hipócrita e bisonho ao tentar fingir que desconhece essa atividade fundamental. Nos EUA, grandes personagens da História são lobistas, como Henry Kissinger, que pode cobrar 30 mil dólares por um telefonema que geralmente vale muito mais. Matem o lobista e os grandes projetos secam ou nem aparecem porque grandes projetos só se tornam realidade após vencer muitas barreiras, que um empresário comum jamais conseguirá vencer sozinho, porque é hoje muito difícil alguém conseguir por de pé um projeto de grande porte sem apoio profissional.

Há dois bons projetos no Congresso para regulamentar o lobby, esperemos que os falsos moralistas não barrem.

Não adianta não gostar ou fingir espanto, o mundo funciona assim há séculos; copiam tanta coisa ruim dos EUA, está aí uma ideia boa que esqueceram de copiar: o grande teatro nacional da hipocrisia prefere fingir que não existe. (Fonte: aqui).

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

MOONWALK CARTOON


Jarbas.

O TERROR


Joep Bertrams. (Holanda).

ZIKA E OUTROS: TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO


Teorias da conspiração: zika, rubéola, microcefalia

Por Carlos Orsi

Nos últimos tempos, as redes sociais -- ou, ao menos, as minhas timelines -- andam virtualmente entupidas de notas, notícias e insinuações a respeito do surto de microcefalia no Brasil, sua ligação com o vírus zika e supostas manobras do governo para esconder as "verdadeiras causas" do problema, que iram desde "vacinas cubanas vencidas" a um plano maligno de ONGs internacionais para... Bom, ninguém parece saber para quê, mesmo.

A questão das vacinas é a que surge em mais versões, e a que mais seduz os incautos que buscam motivos para culpar o governo federal (como se ele já não tivesse culpas reais suficientes, mas deixa pra lá). Ela toma, pelo menos, duas formas, a saber: (a) teria havido uma campanha de vacinação contra rubéola usando vacinas vencidas, que foram aplicadas a mulheres grávidas ou que engravidaram logo depois da dose;  (b) a campanha contra sarampo, realizada no Nordeste em 2015, e que usou as vacinas dupla (que também contém o vírus da rubéola) e tríplice (sarampo, rubéola e caxumba), teria inadvertidamente atingido gestantes ou mulheres que vieram a engravidar logo em seguida.

O vírus da rubéola é considerado um importante suspeito, nesse contexto, porque se sabe que mulheres que contraem a doença durante a gestação podem vir a a dar à luz filhos com vários tipos de malformação, incluindo microcefalia.

Mas, enfim: quanto à primeira hipótese, das "vacinas vencidas", especialistas ouvidos pelo jornal Zero Hora lembram que o Brasil não realiza campanhas de vacinação específica contra rubéola há anos, sendo considerado um país livre da doença; e que vacinas de rubéola vencidas perdem seu poder imunizador, mas não passam a causar a doença. As informações dadas ao periódico gaúcho depois foram ampliadas num depoimento detalhado de Lavínia Schüler-Faccini, presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica, no site da Associação Médica Brasileira, (AMB).


Vacinas vencidas poderiam estar ligadas ao surto se, por serem ineficazes, tivessem aberto o caminho para uma epidemia de rubéola entre mulheres grávidas, mas não há registros disso na história recente do Brasil.

E quanto à campanha de vacinação contra sarampo no Nordeste? No fim de janeiro começou a circular na internet um gráfico que aponta uma suposta coincidência entre a campanha de vacinação do final de 2014 e o início do pico nas comunicações de microcefalia, nove meses mais tarde, em meados de 2015. Mas essa associação ignora o fato de que campanhas agressivas de vacinação contra sarampo já vinham acontecendo na região desde 2013.

Ainda mais importante, o risco para o feto apresentado pela presença do vírus da rubéola na vacina é apenas teórico. Como disse Lavínia Schüler-Faccini à AMB,  "na época da campanha de vacinação para todas as mulheres em idade reprodutiva [contra rubéloa], em 2002, acompanhamos em parceria com a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul mulheres em Porto Alegre que não sabiam que estavam grávidas quando tomaram vacina, e em mais de cem gestantes acompanhadas, nenhuma teve bebê com microcefalia ou com síndrome de rubéola fetal." 

Esse dado é corroborado por números dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão do governo dos Estados Unidos encarregado de monitorar e controlar epidemias. Os CDC recomendam que mulheres grávidas não devem receber vacinas contendo o vírus da rubéola, porque "por razões teóricas, não se pode excluir o risco para o feto", sugerindo um intervalo mínimo de 28 dias entre a data da vacinação e o início de uma gravidez. No entanto, acrescenta que um registro de 226 mulheres que receberam vacina de rubéola de 3 meses antes a até 3 meses após a concepção "não encontrou evidências de complicações" para as crianças. A conclusão é de que "a vacinação tríplice viral ou contra rubéola durante a gestação não deve ser considerada motivo para interrupção da gravidez".

E, por fim, o zika vírus. A relação de causa-e-efeito entre esse vírus e a microcefalia ainda não foi estabelecida cientificamente, embora a associação, sim. Há vários websites fazendo um cavalo de batalha da alegação de que a Fundação Rockefeller seria a "dona" do vírus, e que há empresas fornecedoras de material biológico que vendem amostras de zika. Daí, tira-se algum tipo de ilação sobre plutocratas causando doenças de propósito para auferir mais e maiores lucros.

A verdade é que o zika foi descoberto, na África, por pesquisadores da Fundação Rockefeller. Que é uma ONG internacional, que concede bolsas de estudo a um bocado de gente, já fez muita bobagem (como financiar centros de estudo que promoviam a eugenia) e também muita coisa boa (como financiar o desenvolvimento da vacina contra a febre amarela). Quanto à venda de amostras, ora bolas, os cientistas que trabalham com vírus -- seja como modelos para estudos teóricos, seja buscando novas vacinas -- precisam obtê-los em algum lugar, certo?

Teorias de conspiração se beneficiam bastante de um fenômeno psicológico chamado validação subjetiva -- a tendência que todos temos de interpretar dados díspares e não-relacionados como parte de um padrão que confirma nossos preconceitos.

Meu esforço pessoal para escapar dessa tentação passa por três critérios heurísticos. Os dois primeiros são as chamadas "navalhas", a de Occam -- "se duas hipóteses se encaixam igualmente bem nos fatos, prefira a mais simples" -- e a de Hanlon -- "nunca atribua a malícia o que pode ser adequadamente explicado por estupidez".

O terceiro é uma invenção minha, que chamo de Escala de Plausibilidade AIV. Proponho que, diante de um desastre, as explicações, na ausência de fatos ou evidências em contrário, são, da mais para a menos plausível, Azar (deu merda), Incompetência (alguém deixou dar merda) e, apenas então, Vilania (alguém se esforçou para que desse merda).

Nenhum desses critérios substitui uma investigação rigorosa, com certeza, mas são um bom modo de calibrar as expectativas e evitar sangue nos olhos antes de se ter todos os dados relevantes à mão. (Fonte: aqui).


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Orsi diz que a hipótese das 'vacinas vencidas' é a versão "que mais seduz os incautos que buscam motivos para culpar o governo federal (como se ele já não tivesse culpas reais suficientes, mas deixa pra lá)". Ora, como assim, deixa pra lá? Que causas reais seriam essas? Que 'afirmação conspiratória' essa sua, nobre articulista! 

O governo da Colômbia estima que naquele país já foram observados 600 mil casos de zika vírus, e calcula que "500 bebês vão nascer com microcefalia por zika", além de "500 casos de pessoas com Guillain-Barre" - AQUI . As matérias sobre a grave e preocupante epidemia de zika vírus isentam o governo colombiano de qualquer "culpa real suficiente"...

O TERROR


Arcadio Esquivel. (Costa Rica).

TRUMPFF...


Christo Komarnitski. (Bulgária).

HILLARY VERSUS SANDERS

                                                      $ = Wall Street
Rainer Hachfeld. (Alemanha).                  

CAIU A CIRCULAÇÃO DOS JORNAIS BRASILEIROS EM 2015

                                 (Clique na imagem para ampliá-la).

Circulação dos grandes jornais brasileiros tem queda vertiginosa em 2015

Os principais jornais brasileiros experimentaram quedas expressivas de circulação ao longo de 2015, segundo dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC).

Entre janeiro e dezembro, a Folha de S.Paulo  caiu 14,1% no impresso e 16,3% no digital, o que gerou uma queda média de 15,1%, superior à do Estado de S. Paulo (8,9%) e à do Globo (5,5%).

Vale observar que os grandes jornais também tiveram redução na circulação digital, o que pode indicar que eles não estão conseguindo se adaptar à era da internet.  Os dados revelam vários fatores. Os jornais, naturalmente, foram afetados pela crise econômica que ajudaram a amplificar. Mas hoje enfrentam uma concorrência crescente de veículos puramente digitais.

Além disso, o modelo de cobrança por conteúdo, dos chamados paywalls (muros de cobrança para quem assina determinada quantidade de artigos), tem tido pouca receptividade no Brasil.

Um outro fator, que pode vir a ser considerado na análise, é o grau de engajamento político dos jornais da imprensa familiar, que passaram a substituir o jornalismo pelo proselitismo político, afugentando uma parcela de seus leitores. (Fonte: aqui).
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A internet, implacável, segue o seu caminho. No Brasil, pode-se dizer que ela conta com um poderoso coadjuvante: o efeito bumerangue, quero dizer, a deliberada amplificação da crise econômica - e seu 'efeito contrário'. Nada de atenuantes, nada de destaque a iniciativas positivas, nada de reconhecer um mérito, por mais modesto que seja, nada de pregar o entendimento, a conciliação. Os fatos demonstram: a exacerbação do baixo astral afasta leitores.

ASPIRAÇÃO DO MUNDO


Enrique Lacoste Prince. (Cuba).

SOBRE O DEPOIMENTO DE DIRCEU


"O vídeo do depoimento de José Dirceu ao juiz Sérgio Moro é um retrato perturbador da Lava Jato e do próprio Moro.

Você vê um entrevistador, ou interrogador, hesitante, despreparado e munido de acusações de extrema fragilidade [vídeo aqui].

Na contrapartida, o entrevistado, ou interrogado, responde a todas as questões com a clareza que faltou por completo a Moro. Dirceu está cansado, claramente, abatido – mas mantém o raciocínio límpido e rápido.

A não ser que você seja um antipetista fanático, ao fim do vídeo você vai se perguntar: “Mas o que este cara tá fazendo preso há tantos meses?”

O que mais chama a atenção é a ignorância sobre a natureza do tipo de consultoria que um homem como Dirceu pode prestar a grandes empresas interessadas em conquistar mercados internacionais.

Qual é a mercadoria que ele tem? Suas relações, o conhecimento que amealhou ao longo de anos de vida política.

Dirceu pode, ou podia, apresentar empresas a autoridades de vários países. É uma prática visceralmente comum – e legal. Quem faz isso não tem o poder de fechar negócios: isso fica por conta da capacidade do cliente em se sair bem em disputas corporativas.

Mas a abertura de porta é fundamental para corporações que não conhecem o país em que pretendem fazer negócio.

Um consultor como Dirceu pode, também, ajudar você a compreender os cenários políticos e econômicos dos países com os quais sonha. Esse tipo de informação ajuda você a tomar, ou não, a decisão de investir num novo mercado.

Moro demonstrou não entender esse tipo de consultoria.

Para ele, aparentemente, consultoria é você encher de planilhas seu cliente e afogá-lo em números.

Há aí um desconhecimento brutal do universo dos negócios.

Eu estava na Abril quando a empresa solicitou os serviços de consultoria de Maílson da Nobrega, o homem dos 80% de inflação mensal.

O que se demandava de Mailson, em sonolentas reuniões em que eu frequentemente dormia, como amigos meus do então Comitê Executivo da Abril poderiam confirmar, é que ele e sócios da consultoria Tendências mostrassem os cenários econômicos e políticos.

Existe, é certo, outro tipo de consultoria. Ainda na Abril, a Booz-Allen fez um trabalho de reengenharia financeira. Aí sim eram pilhas de estatísticas.

Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Mas Moro não domina o mundo dos negócios, aparentemente.

Isso fica evidente também na questão dos 40 milhões que – ao longo de anos – a consultoria de Dirceu faturou.

Ora, é um faturamento perfeitamente razoável para uma consultoria que lida com grandes empresas. Falei na Tendências de Maílson. Pegue o mesmo número de anos e compare os faturamentos dela e da consultoria de Dirceu. Certamente você chegará a resultados parecidos.

É vital sublinhar, também, que faturamento é uma coisa, e lucro outra. Você paga funcionários, aluguel, impostos, e só depois disso tem os lucros.

Do jeito que as coisas foram postas, pela Lava Jato e pela imprensa, fica a impressão de que Dirceu tem em sua conta 40 milhões de reais. Em 2014, apenas a TV Globo, dentro do conglomerado dos Marinhos, faturou 12,4 bilhões de reais. É como dizer que cada Marinho ficou com 4 bilhões e uns trocados em sua conta pessoal.

Tudo é feito para engodar as pessoas. A mídia em nenhum momento joga luz sobre as sombras, porque lhe interessa demonizar os inimigos, como Dirceu.

O vídeo deixa claro por que uma banca de advocacia inglesa considerou a Lava Jato, num parecer, uma afronta ao Estado de Direito.

Nas questões de Moro, todas respondidas sem titubeio por Dirceu, não há rigorosamente nada que justifique a prisão. São coisas vagas, mal-sustentadas, e espetacularmente amplificadas pela mídia. Ele admitiu que aceitou, erradamente, uma reforma de presente da construtora de um delator. “Não é dinheiro de propina”, afirmou. Há prova de que seja? Não. Convenhamos: uma reforma seria um trocado no mundo dos bilhões da Petrobras. Não faz sentido. Mas ainda assim: que se prove, e o fato é que não apareceu prova nenhuma.

O que se verifica é um abuso.

Para olhar para o lado positivo, é a primeira vez que Dirceu tem a chance de se defender, algo que não foi lhe dado nunca nem pela Lava Jato e nem pela imprensa.

Sua defesa de si mesmo é um testemunho exuberante da pobreza miserável do jornalismo nacional – e do conhecimento limitado do juiz Sérgio Moro."







(De Paulo Nogueira, titular do blog Diário do Centro do Mundo, post intitulado "O depoimento de Dirceu a Moro é um retrato sinistro da Lava Jato" - aqui.

De fato, há consultorias - as tradicionais - como as da Booz-Allen, cujas características impõem a elaboração de diagnósticos, projeções, gráficos, planilhas e outros, e as que Dirceu realizou, que constituiriam uma espécie de 'abertura de portas' no país cogitado para relacionamento comercial por parte das empresas contratantes. Essa modalidade foi 'inaugurada' pelo ex-presidente norte-americano Bill Clinton, mas consta que o ex-chanceler Henry Kissinger o teria antecedido. Clinton, aliás, vai além: ministra palestras diversas mundo afora - inclusive no Brasil -, sempre regiamente pagas. 

Mas o bom planejador precisa precaver-se, providenciando a 'memória' de todos os contatos e particularidades, de modo a que no futuro, em vindo a ser o caso, esteja estribado. Até porque nem todos têm conhecimento dessa modalidade de consultoria).

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

NONSENSE CARTOON


Murat Ahmeti. (Turquia).