terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

IMPRENSA: FATOS, VERSÕES E OMISSÕES


A senhora Lo Prete e o senhor Petrobrax

Por André Araújo

Dois comentários radiofônicos emblemáticos sobre o caso do apartamento do Guarujá e do sítio de Atibaia atribuídos a Lula. A competente jornalista Renata Lo Prete, comentando no seu horário de 6ª feira na CBN a nova fase da Lava Jato, diz que é extraordinária a importância dessa nova investigação, porque começa a ser desvendado o mundo das off shores. Por ser nova na casa a jornalista talvez não tenha sido informada de que a TV Globo Ltda. é antiga e importante cliente desse mundo das off shores: comprou por US$221 milhões a Empire Investment Group Ltd., endereço em Road Town, Ilhas Virgens Britânicas, P.O. Box 3340, mas também tem outras no Uruguai, Ilha da Madeira, Antilhas Holandesas, Holanda. Nesse caso da Empire, a off shore foi usada para compra de direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002, vendidos pela ISL suíça, braço mercantil da FIFA.

A remessa de 221 milhões de dólares gerou uma autuação fiscal da Receita Federal de R$615 milhões em 2006, processo esse que ainda está rolando e, pela simples passagem do tempo, deve estar em R$1,6 bilhão. Portanto o espanto da Lo Prete com o fenômeno das off shores que lavam dinheiro é como falar de corda em casa de enforcado.

Complementando os espantos dos bem pensantes, o jornalista Alexandre Machado ontem no seu horário De Volta para Casa na Rádio Cultura FM discutiu com o cientista político Aldo Fornazieri, que dizia que a Lava Jato está em declínio, citando como expressão desse declínio a importância que se deu a um bote de 4 mil Reais, ao que Machado - que quando Assessor de Marketing da Petrobras no Governo FHC pagou 780 mil Reais, hoje equivalentes a mais que o dobro, para um estúdio criar o nome PETROBRAX, dinheiro perdido porque não aprovado -, Machado ficou indignado e disse que absolutamente não, a Lava Jato está no seu apogeu, e teceu grandes elogios às investigações sobre o apartamento do Guarujá. Tucano matriculado, Machado jamais cogitou de uma investigação sobre a estranha compra por FHC, ao fim do mandato, de um apartamento de 450 metros quadrados na Rua Rio de Janeiro em Higienópolis, no Edifício Chopin, vendido por um banqueiro com altos negócios no tucanato (veja AQUI). Tampouco lhe pareceu merecer alguma investigação a compra por FHC e Sergio Motta da Fazenda Córrego da Ponte em Unaí (MG) por 2 mil dólares, quando o anterior proprietário tinha comprado a mesma por 140 mil dólares em 1991, fatos esses bem nebulosos e que mereciam uma investigação.

Nem ele e nem Ministério Público ou Polícia Federal ou Juiz entenderam que existia alguma coisa errada em um ex-Presidente adquirir tão valiosas propriedades, muito mais valiosas do que os bens mais prosaicos atribuídos ao casal Lula.

Bem entendido, não se diga que há algo de errado com as transações de FHC mas elas também são esquisitas.

Veja-se como jornalistas bem pensantes esquecem de olhar na própria casa o que tem para limpar e preferem se espantar com o lixo do vizinho; a vida realmente é muito curiosa. (Fonte: aqui).

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Lido o artigo, a conclusão: nada de novo no front. A mídia e seus comentaristas estão onde sempre estiveram. Opto, em decorrência, por transcrever comentário do leitor Joel Lima:

'Tenho o livro Trinta Anos Esta Noite, do  Paulo Francis. E ali ele fala como se deu o cerco a Getúlio, que acabou em seu suicídio. E mostra os dois jornalistas principais que estavam em trincheiras opostas: Lacerda, possesso em tirar Getúlio para poder chegar ao poder e poder fazer o que Getúlio fez quando ditador, e de outro Samuel Wainer, dono do Última Hora, que foi o único jornal a estar ao lado de Getúlio. E a ironia é que Wainer tinha tirado Lacerda do ostracismo quando lhe foi atribuída a fama de dedo-duro, trazendo-o ao jornalismo. Mas Lacerda culpou Wainer por ter feito Getúlio voltar ao xadrez político. E fez de tudo para destruir Wainer, seja falando que ele financiara seu jornal com dinheiro camarada do governo (como se nenhum gigante no Brasil não tivesse esse tratamento especial do governo - vide Globonews, que, se seguisse o que fala sobre a lei do mercado - quem não tem competência não se estabelece -, teria fechado as portas em 2003, pois estava quebrado), seja querendo provar que ele, Wainer, não nasceu no Brasil e a lei impedia que um estrangeiro fosse dono de jornal. Enfim, a história 60 anos depois se repete - o que é um mau sinal. Enfim, recomendo que leiam esse livro do Paulo Francis.'

Em tempo: a 'acusação' de Lacerda era de que Wainer teria nascido na Bielorússia, estando, pois, impedido de ser dono de jornal.

Errata: No comentário de Joel Lima, acima, onde se lê Globonews, deve-se ler Organizações Globo: o grupo contou, em 2003, com providencial ajuda estatal via BNDES, conforme, p. ex., pode-se ler AQUI.

FIQUE ALERTA: AEDES NÃO É FICÇÃO


Clayton.

ZIKA VÍRUS SERIA A PANDEMIA DA HORA


Três evidências de que o zika vírus é uma "Operação Pandemia" midiática

Por Wilson Ferreira

Fica cada vez mais evidente que a grande mídia possui uma pauta pré-estabelecida e que ciclicamente ela é “enriquecida” com a, por assim dizer, "Pandemia da Temporada": SARS, Gripe Aviária, Gripe Suína, Ebola... e agora a pandemia Zika. Com o terrível surto de casos de nascimentos de bebês com microcefalia. Apesar de estudos científicos contrários, a mídia e o Governo se apressam em estabelecer ligação inequívoca entre o zika e os casos de má formação. Evidências contrárias são imediatamente rotuladas como “teorias conspiratórias” diante da inquestionável “emergência sanitária internacional”. A Crise Zika seria mais uma “Operação Pandemia” midiática?  O objetivo dessa suposta operação seria esconder da opinião pública três outros fatos envolvidos na Crise Zika: o uso intensivo de pesticidas, a vacina TdaP e mosquitos geneticamente modificados.
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Desde que o ano iniciou, o jornalismo da grande mídia brasileira parece engessado em uma pauta recorrente de cabo a rabo da sua programação diária: no Brasil, Operação Lava-Jato, corrupção e crise econômica; no Exterior, a catástrofe econômica da Venezuela (que substitui a da Argentina, agora supostamente rediviva após a vitória de Macri), o combate anti-terrorismo e a crise dos refugiados na Europa – o que, para a pauta “investigativa” dos correspondentes no velho continente, sempre apressados em buscar “conexões” (...), são a mesma coisa.


Uma pauta pré-estabelecida e urgente, que obriga os jornalistas a correrem atrás de notícias que a alimente. Na pressa ocorrem as inevitáveis “barrigas”, como a mais recente: portais brasileiros (UOL, VOX Internacional etc.) noticiaram uma suposta declaração da ministra da Saúde da Venezuela de que as pastas de dentes estariam faltando no país devido ao insistente hábito da população de escovar os dentes três vezes ao dia.


Na verdade, a “notícia” partiu de um site de humor venezuelano, que estressados jornalistas brasileiros leram como verdadeira pela imperiosa necessidade diária de alimentar a pauta e agradar seus editores-chefes.

Mas essa pauta engessada é também “enriquecida” por um tema que periodicamente visita as reuniões dos editores-chefes em seus “aquários”: a Pandemia da Temporada.

As pandemias de cada temporada
Só nesse século, as redações da grande mídia já foram visitadas pela SARS (Severe Acute Respiratory Syndrome), que ameaçou espalhar-se da China para o mundo entre 2002 e 2003; a Gripe Aviária, onde novamente um surto asiático ameaçava espalhar-se para o mundo (2005); Gripe Suína, onde médicos midiáticos viravam do avesso na TV para tentar diferenciar dos sintomas de uma gripe comum (2009); Ebola, dessa vez a África ameaçando o mundo (2014); e agora o Zika Vírus.

Em todas essas pandemias, a OMS (Organização Mundial de Saúde) se apressa em decretar “emergência sanitária internacional” e a grande mídia em fazer previsões sobre milhões de vítimas potenciais aguardadas em poucos meses.

Por exemplo, o jornal Folha de São Paulo em 2009 antecipou-se em seu espírito patriótico de alertar a nação e, na primeira página, estampou números alarmantes – 53 milhões de brasileiros seriam atingidos pela gripe suína em dois meses, com 4,4 milhões hospitalizados. Nada disso se realizou.

De onde jornalistas tiram notícias?
Mas os jornalistas não tiram isso das suas cabeças estressadas: baseiam-se em digestos de revistas científicas sobre pesquisas em andamento e modelos matemáticos usados por ministérios da Saúde. Eliminam o contraditório, extrapolam os números, destacam números relativos e ignoram os absolutos e temos a Pandemia da Temporada.  


Um exemplo é como a cada final de semana, jornais e revistas alertam os  incautos leitores sobre a descoberta de novas “doenças”. Em 20/08/2006 a Folha colocou na primeira página da edição de domingo “Pesquisa liga vírus a obesidade” – a obesidade poderia ser também contagiosa! No meio do texto explicava-se que as pesquisas nos EUA “não eram conclusivas”. Mesmo assim mereceu primeira página e nada mais se falou a respeito.

Diante desse modus operandi midiático, fica difícil não ficar com um pé atrás diante de mais esse fenômeno de “urgência sanitária internacional” alertado pela grande mídia, dessa vez sobre o zika vírus.

O que chama a atenção é como a grande mídia e o Ministério da Saúde rapidamente estão confirmando a associação entre o aumento de casos de microcefalia com o zika. Um vírus que existe desde antes de 1948 e (sobre o qual) nunca foram relatadas quaisquer conexões com nascimentos e mortes. O histórico do efeito do vírus é que uma em cada cinco pessoas sempre apresentaram leves sintomas de gripe comum.

O fato é que desde novembro de 2015, 4.000 bebês nasceram com microcefalia no Brasil, país que normalmente apresenta 150 casos dessa má-formação em cada ano. Assombroso aumento de 13 mil por cento. Rapidamente culpa-se a zika vírus transmitido pelo Aedes Aegypti, espécie dominante no mundo dos mosquitos.

Médicos e repórteres investigativos independentes como Jim Stone, Dr. Kathy J. Forti, Jim West e Jon Rappoport, além de artigo na revista científica Nature, dos pesquisadores Ieda Orioli e Jorge Lopez-Camelo, vêm questionando essa conexão – diagnósticos errados e o impacto midiático poderiam ter aumentado a atenção ao problema de má formação – clique aqui. Previsivelmente, são contestados por órgãos internacionais e governo brasileiro e ganham pouquíssimo espaço nos veículos noticiosos.

O Cinegnose apresenta abaixo três evidências apontados pelos autores acima, levantando suspeitas de que poderíamos estar diante de mais uma “Operação Pandemia” com o objetivo de esconder efeitos perversos de vacinas, interesses de grandes laboratórios e políticas de controle populacional em países emergentes – sempre tendo em vista que os setores de armamentos, farmacêutico e tabagista são os que mais investem em táticas de agenda setting para pautar a mídia mundial. (Para continuar, clique AQUI).

VIDA DE ESTAGIÁRIO


Vida de Suporte.

EMPRESAS PÚBLICAS ESTADUAIS E O MUNDO POLÍTICO


Nos estados, empresas públicas têm ligação direta com o mundo político e pouca transparência

Da Agência Pública

A Operação Lava Jato apresentou ao Brasil e ao mundo uma teia de corrupção envolvendo empresas públicas federais – com destaque para a Petrobras –, empresas privadas, “operadores”, lobistas, políticos e partidos políticos. Essencialmente revelou que diretores de empresas estatais, indicados por partidos (ou a eles ligados), atuavam para desviar verba pública por meio de contratos e operações fraudulentas.
Encabeçada pelo Ministério Público Federal (MPF), a Lava Jato aborda, por uma questão de atribuição, somente a administração pública federal – ministérios e as estatais federais como Petrobras, Eletrobras e Caixa Econômica Federal. Mas um observador mais atento não deixará de se lembrar de escândalos recentes envolvendo governos estaduais e suas empresas públicas – que, por serem estaduais, estão fora do alcance imediato do Polícia Federal e do MPF:
1. O chamado “mensalão do DEM” usava a empresa pública de planejamento econômico do Distrito Federal, a Codeplan, para, segundo a Polícia Federal, desviar dinheiro público por meio de contratos fraudulentos. O escândalo levou à queda do então governador José Roberto Arruda.
2. O chamado “mensalão do PSDB”, esquema que, segundo o Ministério Público, envolveu contratos de empresas públicas como Cemig e Copasa, em Minas Gerais.
3. O chamado “trensalão”, que seria a formação de cartel junto ao Metrô, empresa do governo do estado de São Paulo.
Levando em conta esse histórico de escândalos envolvendo governos estaduais e suas empresas públicas e o modus operandi revelado pela Operação Lava Jato, uma pergunta óbvia é: estariam as empresas dos estados igualmente sensíveis às ingerências políticas? Estariam tais estatais fraudando contratos em favor de empresas privadas e partidos políticos?
Para tentar responder a essas questões, a Pública começou listando as dez maiores empresas públicas brasileiras em nível estadual. Juntas, as estatais listadas abaixo, sediadas em oito estados diferentes, faturaram R$ 52,7 bilhões em 2014.
(...)
A reportagem compilou então o nome dos 77 dirigentes – presidentes, vice e diretores – dessas dez estatais. A partir dessa listagem, chegamos a informações sobre filiação partidária deles e à participação desse grupo nas sete eleições ocorridas no Brasil neste século até agora (entre 2002 e 2014).

Além de se tratar de um universo majoritariamente masculino – apenas quatro cargos de direção são ocupados por mulheres –, o perfil dos 77 dirigentes demonstra que quase metade é filiada a partidos políticos e/ou fez doações a campanhas em ao menos uma das últimas sete eleições – e um quinto deles já foi candidato a algum cargo eletivo no período de 2002 a 2014.
(...)
No infográfico abaixo, está apresentada, além dos nomes dos dirigentes, a participação deles em eleições, seja como candidatos – nove chegaram a se candidatar – ou como doadores a campanhas eleitorais. Além disso, mostramos a filiação partidária de cada um deles (dados de julho de 2015).

No caso dos dirigentes que foram candidatos, está acessível (a partir do infográfico) a ficha de candidatura, que inclui a relação patrimonial apresentada à Justiça Eleitoral à época da eleição. Quanto aos dados sobre doações: ao navegar pelo infográfico, é possível verificar para qual político (ou para qual partido) o atual dirigente de empresa estatal doou e qual foi a quantia. (Para ler a matéria completa, incluindo infográficos, clique AQUI).
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Ao inteirar-se da realidade global brasileira, o cidadão pode arriscar uma estimativa sobre a distância que separa as "Operações Estaduais", tão, digamos, lenientes, da Operação Lava Jato - atenta, engajada, rigorosa, diligente, permanente (ao menos até 2018, conforme anunciado pelo MPF), conquanto impassível diante do quadro observado (desemprego, queda acentuada da arrecadação, redução de investimentos, baque no PIB, contrariedade à celebração de acordos de leniência etc).

AVALIAÇÃO BENEFÍCIO CUSTO


Armandinho.

A ONDA LAVAJATISTA: OS MELHORES FINS NÃO PODEM JUSTIFICAR TODOS OS MEIOS

"Em texto publicado em sua coluna na Folha de São Paulo, Mario Sérgio Conti (“Diante da Lei”, 19.01.16) tenta desqualificar a nota publicada por uma centena de advogados e professores de Direito sobre a chamada Operação Lava Jato. A nota (clique aqui para ler o texto na íntegra) não imputa  irregularidades a um ou a outro juiz, delegado, procurador, embora isso fosse plenamente possível. São muitas.
Os juristas, entre os quais me incluo, alertam para os riscos de aceitar supressões ou flexibilizações de garantias básicas para punir acusados de envolvimento com atos de corrupção. O objetivo do alerta é  mostrar que os melhores fins não justificam todos os meios.
A ação de juízes e promotores, em consórcio, pode ser funcional para condenação célere e exemplar. Mas retira a imparcialidade do juiz, central ao Estado de Direito. Manter alguém preso, sem julgamento, com base apenas na gravidade da acusação ou na sua posição social, confere eficácia e legitimidade aos agentes da Lei. Mas aniquila a presunção de inocência e o devido processo.
Da mesma forma, adulterar a transcrição de um depoimento, não refletindo tudo o que um depoente ou delator disse, torna mais certa e segura a punição. Mas retira a confiança na Justiça, outro valor nas sociedades civilizadas. E, por fim, desqualificar advogados que têm a função de defender quem já está condenado pela opinião pública nos aproxima dos regimes totalitários.
Não é preciso defender a nota ou seus subscritores. O tempo o fará. Mas o texto de Conti mostra três tendências preocupantes para quem ainda não aderiu à onda lavajatista.
A primeira é que o jornalismo brasileiro parece ter perdido seu atributo mais importante: a capacidade de desconfiar, de fugir do senso comum. Mario Sérgio Conti é bom jornalista. Experiente e experimentado. Está na estrada há muitos anos. Devia ter aprendido a desconfiar sempre, apurar, ouvir o outro lado. Não fosse por dever de jornalista, por experiência própria. Aprendemos com nossos erros. E no caso de Conti o plural não é estilo de linguagem. Deveria ter aprendido com o vexame de publicar a descrição do enterro de uma arquiteta que não morrera (clique aqui e confira). Ou de expor a própria Folha ao constrangedor episódio de entrevistar o sósia do treinador da seleção Brasileira, como se estivesse entrevistando o próprio Felipão.
Quando se trata de Lava Jato, é incrível como a imprensa em geral aderiu ao senso comum. Aceita-se docemente o discurso oficial e laudatório dos protagonistas da operação. Tudo o que promotores, delegados e juízes dizem é tomado como verdade. Tudo o que se diz em contrário é suspeito.
Os jornalistas engajaram-se na elevada missão de punir os envolvidos a qualquer custo. Não se preocupam em olhar o outro lado, em desconfiar do que dizem juiz e procuradores. Não é só o Direito que pode ser vítima deste momento. O próprio jornalismo também.
A segunda tendência é a fuga do debate pelo artifício de desqualificar o antagonista. No artigo de Conti, ela se revela de duas maneiras. A primeira, um tanto vulgar. O texto vem escrito numa caricatura do linguajar forense. O chiste, quando elegante, pode ser uma crítica poderosa. Quando exagerado, fica grotesco (que o diga Chico Caruso e sua infeliz charge sobre advogados).
Nem todo advogado se expressa de forma gongórica. Nem todo jornalista se deixa enganar por um sósia.
A outra forma de desqualificação segue em jogral a senha dada pelos tarefeiros de Curitiba. Conti afirma que a Nota reflete interesses menores. Nas suas palavras, seria fruto da hipocrisia para agradar “homens de bens”.
Sem perceber (ou percebendo, sem entender o que isso representa), o jornalista cede sua privilegiada coluna para fazer coro a uma ideologia: os agentes públicos da Lava Jato são homens de bem, repositórios da esperança de limpar o país. Todos e tudo que seja visto como óbice à consumação desta “missão” é o lado negro da força. Sempre e invariavelmente.  Emula-se um poder sem contraponto, sem contenção. E, pior, sem possibilidade de crítica.
Ser advogado não é demérito. Muito ao contrário. Advogados, por definição, defendem direitos. E são tão essenciais à Justiça quanto os jornalistas são essenciais à liberdade de informação. Embora haja bons e maus atuando nas duas atividades. Problema é a imprensa abraçar uma versão dos fatos e desqualificar a outra.
A última tendência preocupante é a mais grave. A tese forte do artigo é a de que os subscritores seriam hipócritas ao criticar prisões provisórias e abusos da Lava Jato. Afinal, diz, no país violações são a regra para presos pobres e desassistidos. Touché. Para Conti, como o país é campeão em arbitrariedades, haveria outro mérito na Lava Jato: agora também os “de cima” são tratados como desfavorecidos. Inauguramos o programa “Arbítrio para Todos”.
O Estado não mais discrimina ninguém, trata todos com absoluto desrespeito aos direitos fundamentais. Teríamos atingido a universalização do abuso. A empolgação de Mario Sérgio Conti em adular os próceres da Lava Jato é tanta que ele nem tomou a cautela de checar quais eram os signatários.
Naquela centena há muitos com atuação forte no Instituto de Defesa do Direito de Defesa, entidade voltada à defesa gratuita dos direitos de presos sem recursos. Vários dos subscritores têm ações e escritos criticando o absurdo de termos quase a metade da população carcerária sem condenação definitiva.  Mas o problema, insisto, não é de mera má prática de jornalismo. O problema é de concepção.
Defender um acusado não é obstar a Justiça. A defesa não é óbice, é parte da Justiça. Chamar a atenção para garantias desrespeitadas não é melar o processo. Apontar que “flexibilizações” na lei penal são um risco a todo indivíduo não é fazer chicana ou manipular o formalismo.
Desqualificar a defesa é o discurso engenhoso, reconheça-se, dos protagonistas da Lava Jato, a começar pelo seu líder. Grave se torna quando a imprensa abraça a tese e rebarba qualquer crítica à atuação destes agentes do Estado. Exatamente aqueles que detêm poder e, portanto, deveriam ser vistos com desconfiança pela imprensa.
No final da coluna, Conti lembra um texto de Kafka, Diante da Lei. Ao fazê-lo se equivoca, de novo. Quem impede o pobre homem de entrar na lei não é um mero porteiro. É um guarda. Um dos tantos que estão lá para impedi-lo de chegar à lei. É um agente do Estado.
A parábola é uma forte crítica ao poder e ao arbítrio de quem maneja a lei. Conti não entendeu a parábola. Nela se critica não só a seletividade social da aplicação da Lei. Critica-se o arbítrio do Estado, a opressão de punir sem conferir certeza, garantia àquele passível de punição.
Conti deveria ler Kafka.  Encontraria no Processo uma frase de Joseph K que lhe cairia perfeitamente: “Estava cansado demais para ter uma visão de conjunto de todas as consequências da história”."




(De Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto, no blog 'Escrevinhador', post intitulado "Arbítrio para todos: professor da USP responde ao jornalista Conti" - aqui.  Floriano, advogado e professor titular da Faculdade de Direito da USP [Largo São Francisco], é um dos signatários da nota de juristas que denunciaram os abusos cometidos pela Operação Lava-Jato.
'Quando se trata de Lava Jato, é incrível como a imprensa aderiu ao senso comum. Tudo o que promotores, delegados e juízes dizem é tomado como verdade. Tudo o que se diz em contrário é suspeito'. 
Acrescento: A Lava Jato é importante e necessária, mas o fato é que aquele que questionar as chamadas 'omissões/distorções providenciais' por parte dos condutores do processo estará praticando sacrilégio. Todos os providos de senso crítico precisam compreender: os senhores da Lava Jato detêm o monopólio do virtuosismo).

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

CARTUM DE ANTES DAS REDES SOCIAIS


Amorim.

ECOS DO BARQUINHO, O MAIS RIDÍCULO EPISÓDIO DA HISTÓRIA DA MÍDIA BRASILEIRA

                  
O "Escândalo do Barco" é o episódio mais ridículo da história da mídia

Por Paulo Nogueira

Há uma cena particularmente engraçada no filme Butch Cassidy. No final, Butch e seu companheiro Sundance Kid estão encurralados num canto na Bolívia.
A polícia local pede reforços para o exército nacional. Vão chegando soldados às dezenas, centenas.
O comandante da tropa pergunta num certo momento ao chefe da polícia. “Quantos são?”
A resposta vem seca: “Dois.”
O comandante faz uma careta de espanto. Imaginava um número considerável de bandidos.
“Dois???”
“Dois.”
Lembrei desta cena com o episódio do barco de Lula.
Imagino dois leitores da Folha, que deu o furo como se fosse um novo Watergate, num diálogo assim.
Leitor 1: “Viu essa? Descobriram um barco do Molusco. Pegaram até a nota fiscal. Não tem como negar e dizer que não é dele.”
Leitor 2: “Esse Molusco tinha mesmo que se ferrar. Nove Dedos. Brahma. Deve custar uma fortuna o barco.”
O Leitor 2 mentaliza um iate igual ao de Roman Abramovic, o dono do Chelsea. O nome é Eclypse, e é conhecido como o Iate de 1,5 bilhão de dólares.
Leitor 2: “Quanto custa o barco do Brahma?”
O Leitor 1 mostra quatro dedos.
Leitor 2: “4 milhões de dólares?”
Ele ficou até decepcionado. Que são 4 milhões de dólares diante de 1,5 bilhão?
Leitor 1: “Não. 4 mil reais.”
Leitor 2: “O que??? 4 mil reais???”
Ele estaria menos inconformado se o preço fosse pelo menos em dólar. Numa rápida conta, ele percebeu que poderia comprar uma frota de barcos como os do Brahma.
Leitor 2: “Você tem certeza de que não errou? Não são 4 milhões de dólares? Dá uma conferida no site da Folha.”
O Leitor 1 começa a desconfiar da sua informação. Pensa que deve ter visto errado. O Moro não faria estardalhaço por uma ninharia. Começa a se condenar por passar adiante uma quantia sem sentido. Seu interlocutor vai achar que ele é uma besta, um cara capaz de falar num homem de 8 metros. Pega seu celular e vai checar.
4 mil reais.
Leitor 1: “Tou com um problema de conexão. Não tá dando pra checar. O importante, aliás, não é o preço. É o barco em si. Molusco ladrão!”
E assim se despedem os dois leitores da Folha, rumo ao planeta paralelo em que vivem sob o noticiário do jornal.
Penso neles e penso na mídia.
Os jornais já tinham perdido o pudor em relação ao jornalismo tão desequilibrado e parcial que praticam.
Agora perderam também o senso do ridículo.
Em minha carreira de 35 anos, vi muitas coisas cômicas, ou tragicômicas, em jornais e revistas. Estava na Veja, por exemplo, quando saiu o “Boimate”, a combinação de boi com tomate, piada de uma publicação científica americana que a revista levou a sério.
Vi a Folha publicar, depois de uma decisão de Fórmula 1 no horário brasileiro da madrugada, um texto com a vitória de Senna e outro com a vitória de Prost, tudo isso numa só página para o leitor ler como lhe conviesse.
Mas nada, rigorosamente nada, se compara em estupidez à tentativa de transformar um barquinho mixuruca num escândalo nacional. (Fonte: aqui).
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Convém notar que o barco mixuruca não teve a foto exposta na 'capa' do Uol (só a 'matéria interna' a exibia); no mesmo passo, o Jornal Nacional alardeou o barco mixuruca, mas espertamente deixou de mostrar a imagem do 'iate'. Nem todo mundo, portanto, viu a foto. Conclusão: em parte - grande parte -, a manobra surtiu o efeito desejado.  

ESCOLA DE SAMBA PENDURICALHOS DA VILA BRASIL VAI BRILHAR NA PASSARELA

Santo.
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Entreouvido na arquibancada:

"A escola é imensa, são várias alas, mas quero ver mesmo é o show da comissão de frente, composta por operadores do direito, integrantes do mp e políticos em geral, todos sob a batuta do mestre Auxílio-Moradia!!"

CARTUM METEOROLÓGICO


Reinaldo.

A CRISE DO CAPITALISMO E A CEGUEIRA

               FMI, Conselho de governança: distante da realidade, próximo a rentistas

Mídia se alia a economistas na 'cegueira institucional' sobre a crise do capitalismo

Por Marcio Pochmann
Segue impressionante o grau de subordinação ideológica dos analistas e comentaristas econômicos e da mídia em geral na produção e difusão de análises acerca do curso atual da mais grave crise do capitalismo desde a década de 1930. Oito anos após o seu início, a crise de dimensão global continua sem solução, aproximando-se para a sua quarta onda de manifestação e sem que o tema nem sequer seja considerado nas previsões das mais importantes instituições multilaterais do planeta.
Aliás, cegueira situacional – como a recentemente demonstrada peo FMI – se mostra imutável no tempo presente. Não foram capazes de prever a crise de global em 2008, muito menos as suas ondas subsequentes de manifestações. Agora, um relatório daquela instituição sobre o panorama mundial para os anos de 2016 e 2017 atribui a culpa pela péssima situação econômica mundial ao Brasil e à China, principalmente.
O grau de alienação não tem limite. Não se pode esquecer que a primeira onda da crise global se deu entre os anos de 2008 e 2009, tendo por origem a insolvência dos contratos habitacionais (subprime) dos Estados Unidos. Até hoje não houve correção significativas dos erros resultantes das políticas neoliberais de desregulamentação adotadas naquele país e que foram ocasionadoras da própria crise.
Abordagem nesse sentido pode ser vista, por exemplo, tanto no livro de M. Lewis (The Big Short, de 2010) como no filme de 2015 dirigido por A. McKay, A Grande Aposta (ou A Queda de Wall Street, em Portugal).
Apesar da gravidade dos fatos, praticamente nada de relevante mudou nas regras especulativas do capitalismo, assim como as denominadas agências de risco seguem vendendo avaliações de acordo com o perfil do comprador e, portanto, distante da realidade (seria o Brasil um péssimo comprador das chamadas avaliação de riscos por parte destas agências?).
Apesar de mais de oito milhões de trabalhadores estadunidenses terem sido desempregados, da queda significativa na renda salarial, do aumento da pobreza e da desigualdade e da quebra em série de empresas e bancos desde 2008, Wall Street continua a ser referenciada e dominante, inclusive na lógica partidária estadunidense. Depois a mídia submissa estranha quando o senador Bernie Sanders, o candidato socialista e opositor de Hillary Clinton no Partido Democrata, avança com discursos críticos a Wall Street.
Para além dos EUA, lembremos que a segunda onda de manifestações da crise global transcorreu nos anos de 2011 e 2012, na Europa, frente à exposição das finanças públicas degeneradas por ajudas aos setores privados combalidos, após estes últimos entesourarem recursos públicos recebidos, sem reaplicá-los na produção.
Por fim, a terceira onda, que envolve os Brics e vem desde 2015. Justamente eles, que adotaram políticas anticíclicas na expectativa de que a crise capitalista fosse de curta duração, conforme verificado na Rússia, China e Brasil.
No Brasil, a sequência da política econômica de apoio com recursos públicos "de pai para filho" não se mostrou suficiente para reanimar o paciente do setor privado, motivando-o ao investimento produtivo. Pelo contrário, a injeção de mais de 100 bilhões anuais de recursos públicos no setor privado alimentou mais a especulação nos mercados financeiros e à dependência à importação.
A partir da decisão do banco central dos Estados Unidos, de recentemente retomar a trajetória de elevação da taxa de juros, caminha-se para uma quarta onda de manifestação da crise de dimensão global. O acelerador dessa crise permanece sendo a enorme e crescente assimetria entre o ritmo dos ganhos do setor financeiro, sem contrapartida na economia real.
Os ativos financeiros não se constituem enquanto riqueza propriamente dita, sendo muito mais um acesso à riqueza real. Esta discrepância se mantém dialeticamente sob a grave ameaça de continuidade da própria trajetória do capitalismo neste início do século 21. (Fonte: aqui).
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O analista é professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da Universidade Estadual de Campinas.

JUSTIÇA JUSTA


Arcadio Esquivel. (Costa Rica).

ECOS DO BARQUINHO: O ESTADO DE DIREITO E SUAS ILHAS DE EXCEÇÃO


Quem pode, pode, quem não pode fica na mira da Lava Jato

Por Yuri Carajelescov

O rapaz que nos leva de Trancoso ao aeroporto de Porto Seguro nasceu no interior de São Paulo e morou por vinte anos em Curitiba, onde se formou em turismo.

Há pouco mais de dez anos mudou-se com a família para o sul da Bahia e arrendou uma pousada. Depois montou com a irmã uma empresa de turismo.

Pergunto dos negócios. “Vão bem, obrigado”, diz ele. Não se arrepende de ter fugido do frio da capital do Paraná para o calor intermitente da Bahia.  Ao longo da estrada de terra Trancoso – Arraial que percorremos com certa dificuldade, vamos conversando sobre diversos assuntos.
Questiono por que ainda não asfaltaram aquele trecho. Ele me diz que o pessoal do condomínio “Terravista Golf” se opõe. “Vai juntar muita gente por aqui e esse pessoal gosta de exclusividade”. 

O condomínio de mansões é o mais luxuoso e exclusivo desse badalado litoral. A localização – sobre uma falésia com vista para o mar – é mesmo privilegiada. Passamos por ele à beira da estrada. O empreendimento, segundo o nosso guia, foi construído por uma alemão de nome Michael, dono de uma das maiores empresas de cerâmicas de São Paulo, e conta com Campo de golfe de 18 buracos, além de um aeroporto privativo.
  
No mesmo espaço estão as instalações do Club Med/Trancoso e do resort Txai em fase de acabamento.

“Fernando Henrique e seus familiares têm uma casa nesse condomínio e vivem por aqui no verão”, me informa o guia sem ser perguntado.

“Eles vêm de jato privativo e não pegam essa estrada de terra” e sem complementar a frase afirma em um tom entre jocoso e conformado: “quem pode, pode...”

Também o  Constantino, não o blogueiro mas o dono da Gol, costuma frequentar uma casa no local.

Claro que não saí confirmando os fatos; não fui à imobiliária local para saber qual o preço do metro quadrado construído no condomínio “Terravista Golf”; não conversei com porteiros ou camareiras para saber se, de fato, FHC é habitué; não andei nas lojas de materiais de construção próximas pesquisando se casas foram reformadas e quem e como pagou cada reforma. Nem me cabia...

Supondo verdadeira a história que o guia me relatou, a pergunta que se faz é: “e daí?”.

Do fato –  suposto - de FHC frequentar ou ter um imóvel em um condomínio de luxo na Bahia e ser vizinho de Constantino, o dono da Gol não o blogueiro, podemos concluir que o ex-presidente se locupletou ou se apropriou de bens públicos? Que assaltou o erário? Que obteve favores indevidos em troca de medidas que tomou dentro de sua margem de discricionariedade administrativa de um presidente da República? Que se corrompeu? Que prevaricou?
  
Qualquer pessoa de bom senso, que preze o Estado de Direito, a democracia, o princípio da presunção de inocência, o princípio da dignidade humana etc. diria que não.
  
Substitua agora FHC por Lula e esse relato banal, corriqueiro, história frívola de fim de viagem, certamente ganharia as manchetes dos principais diários e revistas do País.  Se uma canoa de 4 mil reais, cotas de um apartamento no decadente Guarujá ou a reforma de um sítio “usado” por Lula e familiares em Atibaia geram esse estardalhaço, fácil imaginar o que ocorreria se Lula frequentasse o exclusivo “Terravista Golf” de Trancoso, pois não? Pior do que isso.

Não apenas a imprensa se ocuparia do tema de manhã, de tarde e de noite, em seguidas e seriadas matérias, mas seriam mobilizados os órgãos de repressão do Estado.
  
Provavelmente o caso se desdobrasse em mais uma fase da Lava Jato e ganhasse até um nome para ser marchetado no inconsciente coletivo: “operação 18 buracos”, em alusão ao campo de golfe; “operação capeta ou xiboquinha”, em referência aos drinques da região, quiçá do agrado de Lula?

É que no Brasil de hoje, a investigação parte da pessoa para o fato.  Alguém deve ser criminalizado, então os agentes da repressão, como bons perdigueiros, saem a caça do crime.  Trata-se de uma inversão da ordem racional das coisas, que não chega a ser uma invenção genuinamente nossa.

Outros regimes (e nós mesmos em outros contextos históricos) já adotaram esse ‘modus operandi’  para perseguir seus “desviantes”. Todos eles nada tinham de republicanos.  A novidade aqui é a criação de ilhas de exceção dentro do Estado de Direito, o que parece mais sutil, ainda que igualmente deletério.
  
Ao decolar de Porto Seguro, o avião da Gol faz uma curva à direita e sobrevoa o litoral de Trancoso rumo ao sul.  Sentado na poltrona próximo à janela da aeronave, reconheço o condomínio “Terravista Golf”. Avisto o campo de golfe, a pista do aeroporto privado, as piscinas recortadas nos jardins das mansões. Penso comigo: “quem pode, pode...” . (Fonte: aqui).

NONSENSE CARTOON


Oguz Gurel.