terça-feira, 9 de novembro de 2010

TORQUATO, 66


"Um dia, descerrando as pálpebras, e chorando, pensei: 'vivo'. Então começou a angústia, este sopro de animal estranho."

(Alfonso Reyes. 'Poesias Mexicanas').

ECOS DE UM CLÁSSICO DO CINEMA E DA VIDA REAL


Uma região industrial de Cracóvia, na Polônia, atrai hordas de turistas, embora não seja, em princípio, um lugar tipicamente turístico. A razão é que ali se encontra a antiga fábrica de Oskar Schindler, que inspirou o diretor norte-americano Steven Spielberg a rodar, em 1993, o mundialmente conhecido A Lista de Schindler, filme que conta os atos heroicos do industrial que salvou centenas de judeus durante a Segunda Guerra. (...)

A prefeitura de Cracóvia transformou a antiga fábrica em um museu e inaugurou a primeira exposição permanente sobre a vida na cidade durante a ocupação nazista, intitulada Cracóvia: ocupação entre 1939 e 1945. A mostra é composta da biografia de Oskar Schindler e dos funcionários de sua fábrica. (...)

Filho de uma família de industriais, Oskar Schindler viveu entre 1908 e 1974. Em outubro de 1939, após a ocupação da Polônia por forças nazistas, ele comprou uma fábrica de utensílios de cozinha em Cracóvia, que até a passagem compulsória das propriedades para mãos de "arianos" pertencia a judeus.

A fábrica produzia utensílios de metal para cozinha e mais tarde peças para a indústria armamentista. (...)

Em sua fábrica, ele ocupava 1.200 trabalhadores forçados, que integraram sua famosa lista e foram por ele declarados "imprescindíveis" para a produção bélica nazista. Assim, ele salvou a vida de seus funcionários da morte certa nos campos de concentração.

"Depois do fim da guerra, a fábrica de Schindler foi estatizada em 1947 e transformada na fornecedora de material de telecomunicações Telpod. Em 2002, a empresa fechou as portas. Três anos mais tarde, as instalações foram compradas pela prefeitura de Cracóvia. A cidade resolveu transformar a fábrica em museu", conta Monika Bednarek, coordenadora da mostra. (...)

Steven Spielberg imortalizou com seu filme o nome de Schindler. Em Cracóvia, ele criou um memorial ao industrial alemão. A prefeitura local perpetua essa tradição da lembrança e mantém viva, de maneira impressionante, a memória dos judeus que um dia viveram na cidade.

Por Justyna Bronska.

IT'S ALL MONEY


Post trilingue da amiga Beth, do Viva Babel (link ao lado),  baita miniconto:

"Tinha um amigo muito louco chamado Joca. Toda vez que me encontrava e/ou telefonava dizia seu slogan: 'Its only rock and roll, babe, but I like it'.

A última vez que vi tinha virado pastor e me convidou pro templo. Eu disse que jamé de la vie que eu iria.

Unbelievable."

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ALERTA DIVINO PARA AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES

www.umsabadoqualquer.com/ .

DEUS, EINSTEIN E O MORTAL COMUM

www.umsabadoqualquer.com/

SPIRIT EISNER

AO CORAÇÃO DA TEMPESTADE



"Ao Coração da Tempestade", do aclamado quadrinista nova-iorquino Will Eisner (1917-2005), perscruta as origens do preconceito por meio da própria trajetória do autor.

Membro de família judia imigrada para os EUA, o artista combateu na Segunda Guerra e pôde sentir, ao transitar pela Europa, o tratamento reservado para os pertencentes à sua origem étnica e religiosa.

O quadrinho retrata desde a vida dura do clã recém-chegado na América do Norte até os dias de Eisner como soldado. O autor mostra que a discriminação não é um comportamento exclusivo dos nazistas.

"Ao Coração da Tempestade" levou um ano para ser produzido e foi publicado originalmente, nos Estados Unidos, em 1991. Segundo o próprio quadrinista, realizá-lo teve um efeito terapêutico sobre ele.
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Ao Coração da Tempestade
Autor: Will Eisner
Editora: Quadrinhos na Cia.
Páginas: 216

KAMA SUTRA 2.0


Por Ivan Lessa.
BBC Brasil.

Um pouco tarde para mim, vem aí, em inglês, uma nova edição do Kama Sutra, o texto indiano que versa e proseia sobre o comportamento sexual humano e tido como o trabalho definitivo sobre o amor na língua sânscrita.

Desconheço outros trabalhos na língua sânscrita. Nunca me passou pela frente um único sânscrito. Conheci, de certa feita, um armênio, mas creio que isso não tem nada a ver com a história. De qualquer forma, ele se chamava Aram e contava anedota bem à beça. Nascera em São Paulo e tinha ódio quando o chamavam de “turquinho”.

Desviei-me completamente do assunto. Permitam-me, após breve consulta aos compêndios informatizados, e para os que chegaram tarde, com as luzes já apagadas e o espetáculo iniciado, esclarecer que o Kama Sutra, ao contrário do que diz e pensa muita gente boa, não é manual de sexo coisíssima alguma.

Também não é trabalho sagrado ou religioso. Tampouco constitui um texto tântrico, que, por uma questão de espaço, não vou explicar agora do que se trata. O Kama é a literatura do desejo. Uma espécie de Carlos Zéfiro milenar é muito mais pretensioso do que o nosso herói, outrora misterioso e hoje emblemático e icônico. O Sutra, a outra metade do (da?) Kama, feito a Marocas, mulher do Pafúncio, é uma série de aforismos. Para nenhum Oscar Wilde botar defeito, diga-se de passagem.

Reza e ora a tradição que a autoria do Kama Sutra, que quem juntou uma coisa a outra (sim, estamos chegando lá) foi um estudante celibatário, nascido possivelmente no século 4 de nosso calendário. A ser verdade e não lenda, o solteirão em questão (esses solteirões só pensam em sacanagem, dirão muitos), anônimo para toda a eternidade, viveu durante o ápice da Dinastia Gupta. Garantem-me que isso foi muito bom, uma verdadeira época de ouro, quase que como os nossos anos Lula, a findarem, até certo ponto, agora em dezembro.

Vamos ao que interessa. Não, não são os aforismos. É o tratado, propriamente dito, que, a rigor é um enfileiramento (já ouviram falar da “posição do trenzinho”?) de modalidades físicas a serem adotadas por dois parceiros amorosos, de preferência de sexo diferentes, no sentido de gênero e não anomalia física. Assim chegou a nós, assim fomos fuçar na biblioteca de nossos pais e avós, assim procuramos nos alfarrabistas toscas edições semi-clandestinas e caindo aos pedaços, inda que caríssimas.

Em português, que eu conheci e folheei guiado apenas pelos mais altos princípios acadêmicos, confesso que, lá pela página 14, já desandava a rir. Principalmente dos nomes dados às diversas posições e o aspecto físico dos participantes, para não falar de suas bizarras, carnavalescas mesmo, vestes utilizadas para a ocasião. Sempre me ocorreu: por que tanto roupa, meu Shiva dos céus! Isso só vai atrapalhar o bom andamento do processo.

Não sei como será a nova edição do Kama Sutra, que, no título, chamei de 2.0, pois estou cansado de ver isso empregado nas mais diversas modalidades cibernéticas e me sugere modernidade informatizada da qual quero fazer parte. No entanto, é apenas mais uma edição do que já foi, para seguidas gerações, um livro quase tão proibido e proibitivo quanto os de Henry Miller ou O Amante de Lady Chatterley, de D.H. Lawrence.

A pergunta a ser feita é simples: terá alguma relevância para os jovens ou não jovens de hoje uma nova edição do Kama Sutra? Acho que não. Tenho dúvidas se pegaria ou não mesmo sob o formato de videogame. Sejamos sinceros, nós, ou eles aí, já viram e fizeram de tudo. Só se for para rir – e uso esse verbo e não “gozar” porque eu não sou besta.

Frise-se que a nova edição, além de rever o sânscrito tradicional, traz ilustrações mais condignas com o século 19 do que este em que vivemos. Isso está me cheirando é a nostalgia, a saudosismo. Posição do camelo? Do cabrito? De alguma espécie em extinção, feito o urso panda? Besteira. E besteira da grossa. Nesse não investirei o pouco dinheirinho que tenho sobrando para uma necessidade de última hora. Kama Sutra, francamente, não consta de minha lista.

CARAS RELÍQUIAS


Cartunista Siné, revista Status nº 1, agosto de 1974.

domingo, 7 de novembro de 2010

OS INABALÁVEIS


Uma semana após a sova eleitoral, os inabaláveis voltam à cena para ministrar 'aulas magnas' aos mortais comuns.

Quem lhes infligiu a enxurrada de votos nas fuças não tem mérito algum, visto que tudo, absolutamente tudo o que foi feito é decorrência do Plano Real.

Os inabaláveis esquecem que os mortais comuns sabem que não é por aí. Sabem que hoje o Brasil estaria no buraco (como quebrado esteve três vezes no governo FHC) se tivesse seguido a receita do Estado Mínimo e ficado impassível quando da rebordosa mundial de 2008 - da qual o Brasil foi salvo graças aos bancos estatais e investimentos massificados, somados à grana dos programas sociais.

Como diz o outro: "Apiedemo-nos dos inabaláveis, pois eles, coitados, de boca tão seca de desapontamento ante à acachapante derrota, não dispõem do mínimo de saliva para lamber as feridas."  

sábado, 6 de novembro de 2010

CUMPRIMENTOS


Saul Steinberg.

WONDERFUL PICLES



DA DISCUSSÃO EXASPERADA NASCE O SALTO NO ESCURO.


O negócio é ser ateu, e seja irrelevante o que Deus quiser.


ATÉ NO CAMPO DA ECOLOGIA, O ÊXITO ALHEIO É OFENSA A DAR COM PAU.


A história pune os farsantes
mesmo que bem depois

O VENCEDOR, O PERDEDOR E AS BATATAS


Por Thomas Pappon
BBC Brasil

Nesta semana testemunhei no meu supermercado, o Sainsbury’s, o lançamento (...) de um novo tipo de batata: a purple majesty potato.

Trata-se de uma batata-roxa, desenvolvida pelo maior produtor e distribuidor de batatas do país, a Albert Bartlett, que garante que o tubérculo não é transgênico, mas, sim, o resultado de cruzamentos de tipos de batata vermelha e roxa já existentes.

Um dos pontos de venda da batata é que ela contém níveis altos do antioxidante antocianina, o mesmo flavonoide que transformou a blueberry - fruta silvestre conhecida no Brasil (ou não) como mirtilo – em uma coqueluche entre os "superalimentos", devido a suas supostas propriedades antiinflamatórias e anti-cancerígenas.

Eu comprei um saco das batatas, que preparei para um jantar: bisteca de porco grelhada com purê de batatas, couve-de-bruxelas e molho.

O purê era de um roxo escuro denso que eu nunca tinha visto num prato de comida. O gosto era de batata, mas uma batata diferente, com leve gosto de terra.

Uma colega aqui da BBC Brasil, a Iracema, disse que viu purês como esse no Brasil, da batata-doce roxa. Mas a purple majesty não é doce e seu aspecto é diferente, bem mais de batata normal do que de batata-doce, alongada.

Portanto, caros leitores, posso me gabar de ter sido, com grande probabilidade, o primeiro brasileiro a comprar, cozinhar, provar e escrever um blog sobre a purple majesty ( e, em breve, serei o primeiro brasileiro a fazer uma fish pie – torta de peixe -, com o purê que sobrou).

Minha intenção nesse blog era aproveitar a purple majesty para falar das variedades de batatas encontradas aqui na Europa e mostrar que o tubérculo tem uma importância e um peso bem maiores na culinária local do que no Brasil, talvez por causa da onipresença, ali, do arroz.

Mas como isso é bem manjado, prefiro compartilhar com vocês 14 fatos sensacionais que descobri sobre batatas:

1. As batatas surgiram nos Andes, onde vinham sendo cultivadas há milhares de anos. Há divergências, no entanto, sobre o local exato. A Wikipedia diz que exames de DNA constataram que 99% das batatas no mundo descendem de uma espécie cultivada há 10 mil anos em uma ilha na costa do Chile. Outras fontes dizem que as primeiras batatas vieram do centro-sul do Peru.

2. A primeira venda documentada na Europa de uma batata foi em um hospital em Sevilha, Espanha, em 1573.

3. A batata é hoje alimento básico de dois terços da população mundial.

4. A Grande Fome na Irlanda de 1846 veio em decorrência de um fungo que destruiu as plantações de batatas por dois anos seguidos.

5. A batata frita (conhecida no mundo anglófono como french fries) foi introduzida nos Estados Unidos em um jantar oferecido na Casa Branca por Thomas Jefferson (que viria a ser o segundo presidente do país), na volta de uma visita à Europa.

6. Existem 4,2 mil variedades diferentes em 101 países, segundo o World Catalogue of Potato Varieties de 2007. O Centro Internacional de Batatas, em Lima, no Peru, diz que só na América Latina existem 3.527 variedades.

7. Há uma teoria de que a batata chegou à Irlanda literalmente pelo mar – boiando dos destroços da Armada Espanhola derrotada pelos ingleses em 1588. Aldeões na costa coletaram as batatas e passaram a plantá-las.

8. A história e a genética sugerem que a batata chegou à Índia - não muito mais tarde de chegar à Europa – através dos portugueses.

9. O maior consumidor per capita do mundo é a ex-república soviética Belarus, onde se consome, em média, 338 kg de batata per capita ao ano (dá quase um quilo por dia!).

10. O recorde de descascamento de batata pertence a cinco mulheres, que em 1992 descascaram 482 kg de batata em 45 minutos usando apenas facas comuns de cozinha.

11. Existe uma receita para vinho de batata. Entre os ingredientes, estão 1,5 kg de batata, 2 kg de açúcar, 2 kg de uva-passa e dois limões (taí uma missão para o meu destemido colega Pablo Uchôa, o fermentador).

12. O maior produtor mundial é a China, que aumentou o cultivo em 30% nos últimos cinco anos.

13. A maior batata-chip do mundo foi produzida pela Pringle’s, em Jackson, no Tennessee, em 1990. Ela media 58 cm x 35 cm, mais ou menos do tamanho de uma folha de jornal.

e, finalmente...

14. O famoso grupo de rock progressivo Jethro Tull tirou seu nome de um ilustre pioneiro inglês da agricultura moderna que viveu no início do século 18 e revolucionou as técnicas de cultivo – em particular, a de batatas.

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Agora inteirados sobre batatas, somos assaltados pela vontade de revisitar Quincas Borba, do velho Machado de Assis, e mudar a máxima para 'Ao vencedor, as batatas; ao perdedor, as batatas roxas', mas somos demovidos pelo bom senso, que recomenda lembrar o detalhe de que para o faminto a cor da batata é indiferente... 

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

CARTUM PRIMAVERIL


http://blogdokayser.blogspot.com/

BOLSAS MUNDO AFORA


Mais de 42 milhões de cidadãos dos EUA recebem atualmente o Food Stamps, versão americana do Bolsa Família. O benefício mensal nacional médio é de 133,9 dólares por pessoa e 287,8 por domicílio.

O Food Stamps foi criado em 1939, no governo Roosevelt, e passou por reformulações nos anos sessenta, sob John F. Kennedy.

A iniciativa foi seguida por outros países, como França e Alemanha.

No Brasil, o Bolsa Família vem sendo acompanhado pela ONU, que considera salutares, de um lado, os avanços na redução da miséria, e de outro a contrapartida oferecida pelos beneficiários (vacinação; frequência escolar).

Críticos ferrenhos de tais iniciativas continuam furibundos: é o Bolsa Esmola! O Bolsa 171! (Alguns, até há pouco desinformados, chegarão a cancelar 'aquele' périplo pela Flórida em protesto contra o governo americano, dilapidador do dinheiro público nesse eleitoreiro Food Stamps!).

PICLE À LA GIP-GIP NHECO-NHECO


FACEBOOK, ORKUT, TWITTER, MYSPACE, LINKEDIN... REDE SOCIAL PODE, NÉ? AGORA, PROGRAMA SOCIAL...

POESIA NO DIA DA CULTURA

Olavo Bilac.

Via Láctea


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

CARTUM NÁUFRAGO

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

ANALISANDO AVANÇOS DA CIÊNCIA


COMO UM TUMOR

Por Ruy Castro

Cientistas da Universidade de Hiroshima, no Japão, criaram uma rã transparente, cujas intimidades ficam expostas e podem ser perfeitamente observadas pelo lado de fora. Com isso, salvaram-se gerações inteiras de rãs, porque os cientistas não precisarão mais dissecá-las para saber como reagem às substâncias que eles vivem lhes injetando. Outra vantagem é a de que poderão acompanhar uma rã por todo o seu ciclo de vida - o ciclo de vida da rã, claro, não dos cientistas.

Para chegar à rã transparente, os japoneses, craques em engenharia genética, levaram anos cruzando exemplares de rãs albinas. E agora partiram para aperfeiçoá-la: vão fazer com que qualquer corpo estranho que apareça dentro da rã se acenda. Um tumor, por exemplo.

Já no Marrocos, também nesta semana, os cientistas da Universidade de Rabat conseguiram com que um pato nascesse no ovo de uma galinha. Se isso lhe parece meio mixo (afinal, no mesmo dia, em Recife, uma avó deu à luz seus próprios netos, lembra-se?), saiba que a proeza marroquina é considerada mais importante, pelo fato de os palmípedes e os galináceos constituírem famílias diferentes.

Por coincidência, é o que se está discutindo em Brasília nos últimos dias: um político gerado num ovo destinado a palmípedes pode se baldear no meio do mandato para o terreiro dos galináceos, por ver neste mais oportunidades para ciscar? Em princípio, não. Mas e se o eleitor só quiser saber do pinto ou do pato, e não do ovo de onde ele saiu?

Essas mudanças nunca são de graça. Assim, sugiro convocar os japoneses para cruzar nossos políticos com as rãs albinas e, com isso, criar políticos transparentes. Quando um deles recebesse um corpo estranho - uma propina, por exemplo -, esse corpo se acenderia. Como um tumor.

ENTREOUVIDO FINAL ELEITORAL


"Tem-se, hoje, a impressão de que o tucano não encontrou o tom da campanha e esgotou suas armas. Quais foram elas? Um capacete na cabeça e um crucifixo na mão."

(Fernando Barros e Silva, jornalista, dia 26 de outubro).

O QUE AS NOTÍCIAS ESCONDEM


Em seu novo livro, o jornalista, biógrafo e escritor Ruy Castro desvenda o que as notícias escondem. "Crônicas para Ler na Escola" (editora Objetiva) reúne textos do colunista da Folha muitas vezes criados a partir de temas que parecem irrelevantes nos jornais, ao lado de notícias graves da ordem econômica mundial.

Da colônia de chatos que foi ao espaço nos pelos de um astronauta às experiências de clonagem de rãs sem cabeça, Ruy constrói crônicas nascidas do espanto - não com a última crise em Brasília, mas com a capacidade, por exemplo, de os chineses andarem de pijamas nas ruas durante o dia.

O olhar do repórter, sempre à procura do diferente, e a mão do cronista - a tecer saborosamente o fato mais prosaico - fazem do livro um revelar constante: a pesquisa absurda, o detalhe que passou despercebido no grande acontecimento.

As crônicas são elegantes, sem serem pretensiosas (...). A qualidade de texto e a defesa do português são suas marcas no combate ao que chama de "língua frouxa". "Ainda estou tentando entender por que `initialize`, em português, tornou-se `inicializar`, e não `iniciar`", anota.

Ou ainda: "De repente, jornais e revistas deram para escrever que tal livro é 'sofrível' querendo dizer que é péssimo, chatérrimo - que faz o espectador sofrer. Mas 'sofrível', como sabem os que não faltaram àquela aula, significa o contrário. É o que, não sendo grande coisa, ainda é suportável."

Palavras corrompidas, diz ele, tornam a língua pobre. "Com isso, produzem pensamentos frouxos e a vida vai para o beleléu." (Por Luiz Antonio Mello).

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

OLD CARTUM


(Por Carlos Estevão).

CONFISSÕES DE BUSH


O ex-presidente americano George W. Bush admitiu ter autorizado “técnicas duras de interrogatório” contra o suspeito de ser o mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001 em seu livro de memórias, Decision Points, que será lançado na semana que vem.

Em trechos do livro obtidos pelo jornal The New York Times, Bush defende sua decisão, dizendo que quando a CIA (a agência de inteligência americana) o questionou se poderia submeter Khalid Sheikh Mohammed a um afogamento simulado, ele teria dito: “Com certeza”.

Para Bush, o interrogatório de Mohammed, capturado no Paquistão em 2003 e detido desde 2006 no campo de Guantánamo, ajudou a “salvar vidas”.
O governo americano chama a técnica de afogamento simulado de “interrogatório intensificado”, mas advogados dos presos e grupos de defesa dos direitos humanos dizem que ela é tortura e deveria ser proibida.
 (...)
O livro de memórias de Bush, de 64 anos, não traz um relato completo de sua Presidência nem comentários sobre o atual governo de seu sucessor, o democrata Barack Obama, mas está centrado em 14 grandes decisões tomadas pelo ex-presidente, entre elas a decisão de parar de beber e as decisões tomadas após os ataques de 11 de setembro de 2001. (Da BBC Brasil).

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George Bush está recebendo US$ 100 mil por cada palestra motivacional que vem proferindo desde outubro do ano passado. Desconhece-se se entre as técnicas de motivação por ele ministradas consta o afogamento.

HAICAI DO P.I.G.


CONFIRMADO:
O P.I.G. PERDEU
MAS NÃO FOI DERROTADO

SÚBITA GUINADA


Vejam Vocês!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O TRAÇO DO TIDE


(Por Tide Hellmeister, ilustrador brasileiro).

HAICAI EVOLUCIONISTA


NÃO CONVIDEM MARINA
PARA ESSA SESSÃO
DE CINEMA

VISÃO... (II)

Há alguns dias, a presidente eleita, em longa explanação, a certa altura falou sobre a necessidade de racionalização do estado, do serviço público. Esperei forte repercussão, mas nada veio à baila na mídia.

Eis aí um ponto que reclama medidas drásticas.

Para começar, a alteração radical da lei sobre cargos de confiança, criada a partir da abertura prevista no art. 37, II da Constituição Federal. O projeto original previa que somente concursados poderiam exercer cargo de confiança, mas alguns iluminados inseriram uma brecha (o famoso 'excepcionalmente, admitir-se-á...') por onde entraram não concursados.

É fato que decreto posterior, já do atual governo, impõe limitações de acesso a DAS, mas o provimento aos DAS mais elevados (a escala vai, parece-me, de 1 a 6) independe da exigência de concurso.

Que a racionalização se inicie pela derrubada da lei das excepcionalidades, e que o concurso público prevaleça 100%.

VISÃO BRITÂNICA DE FUTURO


Os eleitores brasileiros optaram pela continuidade do “lulismo” através de Dilma Rousseff, mas a decepção com a próxima presidente será inevitável, na avaliação de um editorial publicado nesta terça-feira pelo diário britânico The Guardian.

“Inevitavelmente, ela decepcionará. Após dois mandatos, Lula tem o status de uma entidade divina no país”, afirma o editorial.

O jornal comenta que Lula conseguiu tirar 20 milhões de brasileiros da pobreza extrema, elevar 30 milhões à classe média e reduzir o desemprego a níveis recordes, em “uma mudança que os brasileiros puderam sentir”.

Para o Guardian, Dilma é uma “tecnocrata de estilo rápido e direto” e assumirá a Presidência “em circunstâncias diferentes e com habilidades diferentes”.

“As questões administrativas de sua Presidência não devem lhe apresentar dificuldade, mas as políticas poderão. A bajulação e a sedução não são seu melhor papel, apesar de chegar ao poder com maiorias nas duas casas do Congresso”, diz o texto.

O jornal afirma ainda que o boom econômico vivido pelo Brasil pode também trazer desafios, com a ameaça de desindustrialização caso o país se acomode como exportador de commodities e não invista em seu setor manufatureiro.

“Para isso, o país precisa combater os problemas mais difíceis, como salários, aposentadorias, sistema tributário e dívida pública, os quais Lula mostrou pouco desejo de reformar”, diz o Guardian.

Para o jornal, o trabalho de Dilma foi facilitado, mas ela deve enfrentar uma “lua-de-mel” com os eleitores mais curta do que a que Lula teve. Ainda assim, o diário conclui seu editorial afirmando que “a questão importante é que a visão de uma nação que tira milhões da pobreza enquanto sua economia cresce seja mantida viva”.

Também em editorial, o diário econômico britânico Financial Times adota linha parecida ao afirmar que os próximos quatro anos “serão mais difíceis” para Dilma do que foram os primeiros anos de Lula.

Para o jornal, apesar de “continuidade ser a palavra da hora no Brasil”, Dilma e Lula são pessoas com personalidades muito diferentes, o que deve deixar o país também diferente sob o novo comando. “Seria uma coisa ruim se não fosse diferente”, diz o editorial.

Para o FT, o carisma de Lula e “sua capacidade para praguejar contra algo de manhã e elogiar à tarde” permitiram a ele superar obstáculos como os escândalos de corrupção durante seu governo.

O jornal avalia que Dilma poderá ter dificuldades para manter coesa sua coalizão, “a não ser que Lula mexa seus pauzinhos nos bastidores, o que poderá trazer seus próprios problemas”.

O editorial adverte ainda sobre os perigos da frágil recuperação econômica mundial, do aumento dos gastos públicos e dos juros altos, que ajudam a inflar o fluxo de divisas para o país, num momento em que as autoridades brasileiras se dizem preocupadas com a “guerra cambial”.

O diário comenta ainda que Dilma terá também mais dificuldades do que Lula em sua política externa. “Uma coisa é Lula abraçar o presidente do Irã em nome da ‘paz e do amor’. Outra coisa seria a ‘dura’ Dilma tentar o mesmo e sair incólume”, diz o jornal.

Para o FT, “o Brasil sem Lula pode ser tornar mais turbulento e menos popular”. “Mas isso também poderia mostrar que o país está se tornando mais aberto, democrático e maduro”, conclui o jornal.

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Tudo lido e somado, conclui-se que as especulações britânicas são isso mesmo, especulações. Mas é interessante observar que em 2002 as 'antevisões' sobre o governo Lula eram as mais sombrias, e o país estava sucateado, os indicadores sociais detonados e o risco Brasil nas alturas. A despeito de cada um ter o direito de opinar, certo é que as pitonisas, sejam elas tupiniquins ou britânicas, costumam pisar na bolinha de papel, ops, na bola.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

EXPOSIÇÃO DO SALÃO MEDPLAN DE HUMOR


A abertura da exposição dos trabalhos do II Salão Medplan de Humor acontecerá nesta quarta-feira  (03), na Casa da Cultura de Teresina, às 19h. Tema do salão: sedentarismo.
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Cartaz: por JotaA.

OLD PHOTO


Lennon, McCartney e Gene Vincent (do Gene Vincent and His Blue Caps). Anos 1960.
(Foi por aí que o carioca Renato Barros, ligado no som dos feras acima, resolveu criar um conjunto...).

ECOS DA ELEIÇÃO (IV)

(Imagem pescada no Google).

Segundo a jornalista Miriam Leitão, em comentário na manhã desta segunda-feira no “Bom Dia Brasil”, na Globo, não há nenhum ineditismo no fato de uma mulher ser eleita para presidir o Brasil. A princesa Isabel fez isso antes, no final da monarquia.

Primeira filha de D. Pedro 2º, Isabel (1846-1921) foi regente do império por três ocasiões, na ausência do pai. Numa delas, em 1888, promulgou a Lei Áurea.

Miriam Leitão usou uma imagem republicana para comparar a monarca com a presidente eleita: “Ela exerceu o mandato em partes, né?”

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Né não, Miriam.
Até onde vai a apelação? 
Como diria o Paulo Francis: "Miriam Leitão, pffff!..."

ENTREOUVIDO PÓS-ELEITORAL


"Veja, Estadão, Folha, Globo, Papa, CNBB, Opus Dei, TFP, contenham seu ímpeto: é preciso saber perder. E não venham com essa modernidade toda: 'Mas, perder para uma mu-lher?!!'".

ECOS DA ELEIÇÃO (III)


A oposição, via David Zilbersztajn, ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo no governo FHC e principal assessor de José Serra na área, já havia acenado: o sistema de partilha adotado pelo governo Lula para exploração de petróleo do Pré-Sal seria substituído pelo de concessões.

No regime de concessões, os ganhos das companhias seriam para lá de gordos - sendo que o Brasil abriria mão, de cara, da cota mínima de 30% sobre o lucro, estabelecida no regime de partilha -, além de ditas companhias contarem, numa boa, com um poderoso aliado: o risco zero.

Com Dilma lá, cai por terra o plano tucano.

ECOS DA ELEIÇÃO (II)


Prognósticos dos institutos:

........................Dilma..........Serra

Datafolha...........55%..........45%
CNT/Sensus......57%...........43%
Ibope........56%......44%
VoxPopuli........57%...........43%
................
Votos e percentuais observados após apurados 99,99% dos votos:

Dilma Rousseff....55.751.268 (56,05%)
José Serra...........43.709.850 (43,95%)
...............

Constata-se que o Ibope acertou praticamente na mosca - convindo, porém, lembrar que seu titular, Montenegro, declarou, no início da jornada, que a candidata Dilma não conseguiria ultrapassar a marca de 15%...