quarta-feira, 30 de abril de 2014

SOBRE O NOSSO SALÃO DE HUMOR DO PIAUÍ

             Acervo do Salão de Humor do Piauí execrado em praça onde antes brilhou.

O primeiro Salão de Humor do Piauí aconteceu em 1982. Foram algo em torno de 30 certames. Tive a satisfação de participar de todos eles.

Eis que agora me deparo com essa lamentável notícia - aqui.

Algo me diz que atribuir responsabilidade a Albert Piauí constitui equívoco. Sou testemunha de seu empenho frente à Fundação Nacional do Humor. Permito-me simplesmente indagar: se o prédio da Fundação é público e está encravado em praça pública, a quem compete resguardá-lo, senão ao Poder Público?

Confesso tão somente que fiquei triste e perplexo.

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Em tempo: 

José Elias Arêa Leão pediu-me que publicasse a seguinte nota:

Devo dizer que não posso acusar Albert Piauí sobre o ocorrido, uma vez que nem sequer conheço as circunstâncias em que o sinistro aconteceu. Fui surpreendido por um telefonema do jornalista e manifestei de imediato a minha revolta, entretanto não posso acusar qualquer pessoa pelos acontecimentos. Lamento tudo o que se verificou, pois conheço o trabalho que o Albert desenvolveu a vida inteira frente ao Salão de Humor.

José Elias Arêa Leão

LE PENSEUR CONSPIRATEUR


Xalberto.

A AVÓ E O PAI DA AVÓ

 
                  Nilva Aguzzoli e seu neto, digo, pai, Fernando.

A história do neto que virou 'pai' da avó

Por Fabiana Cambricoli

Compartilhar a dor não é sofrê-la no coletivo, é livrar quem dela sofre. Foi com esse lema que o estudante Fernando Aguzzoli decidiu dividir com milhares de seguidores a experiência de virar o pai da própria avó e fazer dessa relação um exemplo de como lidar de forma leve com o Alzheimer.

Em janeiro de 2013, aos 21 anos, o jovem de Porto Alegre decidiu largar a faculdade de filosofia e o emprego para passar 24 horas ao lado da avó, diagnosticada com Alzheimer cinco anos antes. Aos 79 anos, Nilva Aguzzoli, ou a Vovó Nilva, como ficou conhecida nas redes sociais, passou a ter o neto como cuidador em tempo integral.

"Desde o início da doença, eu e meus pais sempre cuidamos, mas, em 2013, quando percebi que ela estava chegando a um estágio mais avançado da doença, pensei que, em breve, ela poderia nem nos reconhecer mais, e decidi que queria ficar direto com ela. A partir daí, tomei a decisão de levar tudo na esportiva", conta Fernando.

Em setembro, o jovem teve a ideia de criar uma página no Facebook onde passou a relatar de forma bem-humorada histórias do cotidiano de uma família com um membro com Alzheimer. "Sempre busquei informação sobre a doença e tudo o que eu encontrava era deprimente", conta. Nas postagens, os esquecimentos da Vovó Nilva viravam motivo de risada.

"Foi superpositivo para mim, para ela e para os meus pais. A realidade dela era completamente diferente, mas era muito bonita. As coisas eram lindas, as pessoas não morreram. Quem sou eu para tirar isso dela?", diz.

E era com bom humor que Fernando enfrentava os desafios diários. "Quando ela teve de usar fralda pela primeira vez, ficou incomodada. Então, eu coloquei uma fralda em mim e rimos juntos", conta.
A história acabou atraindo a curiosidade de internautas e a admiração de familiares de pacientes com Alzheimer.

Com o sucesso, Fernando e a avó passaram a escrever um livro que, além de contar as histórias engraçadas, terá dicas de como a família pode lidar com diversas situações vividas por um paciente com a doença. A iniciativa atraiu a atenção de médicos do Rio Grande do Sul, que participam da publicação com orientações técnicas. O livro deve ser lançado em setembro.

Vovó Nilva acabou morrendo em dezembro, por complicações de uma infecção urinária. Apesar da frustração, Fernando decidiu manter a página na internet, que hoje já tem 15 mil seguidores.
"Mantive por consideração às pessoas que me deram apoio, pela escassez de informações sobre a doença e, principalmente, porque é uma forma de deixar a minha avó viva."

Benefício
Posturas como a de Fernando podem até ajudar a adiar a evolução da doença, segundo Cícero Gallo Coimbra, professor de Neurologia e Neurociências da Unifesp. "Na maioria dos casos, a atitude da família é cobrar e repreender o parente nos episódios de esquecimento. Essa cobrança leva ao pânico e ao estresse, que bloqueiam a produção de novos neurônios e pioram um quadro de demência",
explica o especialista. "A maioria das famílias deixa o parente com Alzheimer no ostracismo, e o que ele mais precisa é de acolhimento afetivo."

E essa foi a missão de Fernando. "Quando eu e minha mãe decidimos levar a vó para realizar o sonho dela, que era conhecer as Cataratas do Iguaçu, muitos perguntavam por que íamos gastar dinheiro com a viagem se, dez minutos depois, ela não lembraria do passeio. Mas, para nós, não importava se ela lembraria, importava a felicidade que ela teria naquele momento."  (Fonte: Estadão - aqui).

ET TV

              "Cuidado. Eles têm uma tecnologia que deixa você gordo
                e preguiçoso."

Shannon Wheeler.

COMPROMISSO SAGRADO


Zop.

terça-feira, 29 de abril de 2014

MAFALDA, 50 ANOS


Mafalda, à beira dos 50 anos

Por Cibelih Hespanhol

O mundo, como se apresentava para as retinas de Joaquín Salvador Tejón, sempre esteve um pouco desfocado. Algo não estava certo naquelas aparências e formas – naquela maneira de se ajeitar do mundo – que espiava em seu olhar estrábico o argentino de Mendonza; a ponto de parecer inevitável àquele homem, de palavras secas e pensamento ateu, que com o passar do tempo e a permanência das coisas sua visão se tornasse, afinal, delicada demais para esta vida estranha.

Esta visão delicada, problema que não se resolvia, só teve uma cura, por fim: foi para o papel. Nos anos 60, Joaquín, o Quino, via nascer de seu ofício de desenhista uma filha que nunca planejara ter – Mafalda, a menina de fita vermelha, língua afiada e ideias anticonformistas, que neste ano de 2014 torna-se una niña de cinquenta anos.

Nunca censurada, Mafalda passou ilesa pelo golpe militar que não podia imaginar “conteúdo subversivo” em uma HQ de personagens infantis. Mas de dentro de sua inocência, com seu vestidinho rodado, na companhia de Felipe ou de Liberdade, ela é a própria enfant terrible – capaz de soltar, sem pudor algum, as piores verdades, e as melhores perguntas, tão embaraçosas para o mundo dos adultos.

Em 1963, Mafalda nasceu pela primeira vez em um anúncio publicitário que, para o posterior deleite de muitos, nunca deu certo. Um ano depois, em 29/9/64, nasceria de novo, e dessa vez pra valer: “Como não tinha que elogiar as virtudes de nenhum aspirador, a fiz reclamar, carrancuda. Foi uma revanche imediata”. A pequena saiu das mãos de um argentino para conquistar todo o mundo. Para o pai, a explicação é fácil. “A temática é comum tanto na China, Finlândia ou América Latina”. Para todos nós, a leitura é deliciosa.

“Mafalda pertence a um país denso, de contrastes sociais, que apesar de tudo queria integrá-la e fazê-la feliz, mas ela se nega e rejeita todas as ofertas”. Herdeira do problema de visão do pai (que é altamente transmissível, e contamina-se pela leitura!), Mafalda estaria, neste mundo de cinquenta anos depois, tão aturdida quanto ácida. Quino se diz surpreso ao ver que suas tiras desenhadas há tanto tempo estão vivas até hoje. Se abrirmos um livro de Mafalda, também podemos nos surpreender com a incômoda constatação de que, se mudam os tempos, as “mesmas” lutas continuam… (Fonte: aqui).

BANANAS


Duke.

O QUE FOI O JULGAMENTO DA AP 470


"A prova maior de que o julgamento foi político e destrambelhado, sem provas consistentes, tendo se convertido em um circo de horrores jurídicos está na reação da mídia, que tem um ódio patológico a Lula, distorcendo deliberadamente suas palavras gravadas e mais ainda, nas reações absolutamente iradas e desqualificadoras da figura do ex-presidente proferidas pelos Ministros do STF.

Tivesse ocorrido este processo em sua instrução probatória, seu julgamento e aplicação das penas ocorrido dentro da curva, ou seja, dentro da legalidade, os Ministros do STF com apoio total da população ficariam calados.

Se precisam se justificar, atacar e desqualificar em uníssono com a grande mídia (Folha, Estadão, O Globo, Veja e a Globo) é exatamente porque sabem  que estão em terreno pantanoso. Juiz algum agindo como determinam as leis precisa justificar sua decisão que não apenas e tão somente nos autos."



(De Osvaldo Ferreira, leitor do Jornal GGN, a propósito de post - aqui - que trata da reação de ministros do STF à opinião externada pelo ex-presidente Lula a uma emissora portuguesa sobre a Ação Penal 470, mensalão, consistente em que a maior parte do julgamento foi política.

Os ministros, claro, sustentam que o julgamento foi estritamente técnico.

Ressaltado o direito de todo e qualquer cidadão formar seu juízo de valor - e emiti-lo -, seria interessante saber a opinião da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ligada à OEA - Organização dos Estados Americanos, sobre referida ação penal. Afinal, desrespeito ao direito ao duplo grau de jurisdição, não desmembramento de processos, ausência de subsunção plena, inexistência de provas específicas, distorção de diagnóstico - como 'decretar' que o fundo Visanet é público -, aplicação movediça da teoria do domínio do fato e alongamento deliberado de penas com o propósito de evitar a prescrição constituem particularidades revestidas de caráter eminentemente técnico, merecedoras de análise por quem entende do assunto e se comporta nos moldes requeridos, com ênfase na isenção.

Aqui, outro interessante post sobre a entrevista de Lula. E aqui, informações sobre matéria também abordada na mencionada entrevista.

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ADENDO:

A insustentável tese do julgamento técnico

Por Sérgio Medeiros

“Ele (Joaquim Barbosa) não aceita prescrição”

Tal frase,  apesar de absurda(e nada técnica),  foi dita por nada mais nada menos que pelo então Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Ayres Brito, no julgamento da AP 470,  na sessão do dia 08 de novembro de 2012, para explicar que o Ministro Joaquim Barbosa, não concordava que a pena a ser aplicada ao réu resultasse em prescrição.

Convenhamos,  é inconcebível  um Ministro do Supremo Tribunal Federal dizer que não aceita a lei.

Que se nega a aplicar a lei no caso concreto.

Que a lei que se aplica a todos os brasileiros, não se aplicava aos réus da AP 470.

Pois bem, foi isso que ocorreu no STF e não houve nenhum comentário na imprensa, nenhum jurista foi chamado, nenhum cidadão foi ouvido – nem o Marco Aurélio disse: “Que troço de doido.”.

É que, não havia como explicar o inexplicável – restava varrer a sujeira para baixo do tapete e fazer de conta que não era nada relevante.

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Pois bem,

Para evitar a prescrição (que ele não aceitava), o Ministro Joaquim Barbosa, ao arrepio da lei, precisou elevar artificialmente a pena-base.

Assim, de forma intencional, e com vista a não acatar o ordenamento jurídico pátrio, elevou exponencialmente a pena para o referido delito.

Isso ao arrepio da lei, ao arrepio da doutrina, ao arrepio do direito penal internacionalmente consolidado, ao arrepio dos direitos fundamentais, ao arrepio da Constituição Federal.

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Posteriormente, por ocasião do julgamento dos embargos infringentes, tal entendimento foi reafirmado pelo Ministro Joaquim Barbosa, em discussão com o Ministro Luis Barroso, onde ele exclama de forma veemente que a pena foi elevada exatamente para evitar a prescrição...

Pergunto. Seria este o julgamento técnico???

Aliás, tão técnico e irrefutável,  que bastou o ingresso de dois novos magistrados para que houvesse alterações substanciais no julgado.

Nesse ponto, inclusive...

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O Ministro Teori Zavascki e o Ministro Luis Roberto Barroso são conhecidos por serem técnicos.

E um deles, Barroso, cunhou a frase pela qual será muitas vezes lembrado este julgamento, “Um ponto fora da curva”.

E, novamente....

Um julgamento que foi um ponto fora da curva pode ter sido um julgamento técnico??? (Fonte: aqui).

OLD CARTUM


Cartum do britânico Leslie Gilbert Illingworth, publicado em 1941. Adolf Hitler e seu aliado Benito Mussolini disputam com Josef Stalin o destino dos Bálcãs. O tabuleiro - de jogo de damas, de xadrez, de dados - é figura comum nas manifestações gráficas que retratam cenários de guerra/jogos do poder, como se observa presentemente em cartuns sobre o conflito geopolítico relacionado à Ucrânia.

A TEORIA DA SUPER MENTE


A teoria da super mente

Por Marco Aurélio Dias

Estou cada vez mais convicto da existência da Super Mente e menos convencido de que cada pessoa tem sua mente própria. Não existe geração espontânea de mente no corpo. Logo, quando nasce uma criança ela não desenvolve nenhuma espécie de mente. Ela apenas começa a usar uma mente que já existe, infinitamente globalizada no espaço. Assim é a minha visão de uma Super Mente. Então faço aqui a minha proposta da Teoria da Super Mente.

Não penso na possibilidade de uma mente pessoal
     Observei que a super mente é uma realidade, ela é a Mente Global. Todas as pessoas usam essa mente, mas tem a ilusória sensação de que ela lhes pertence e que nasceu junto com elas. Todas as pessoas que já existiram na história da humanidade usaram a Super Mente. Nenhuma delas tinha uma mente própria.

     Por isso que todos os arquivos biológicos, psicológicos e intelectuais da humanidade estão guardados como um imenso banco de dados de arquivos pessoais de todas as espécies e formas de vida, inclusive as unicelulares e as partículas de energia que formam as unidades atômicas. As pessoas morrem, porém os arquivos de consciência que elas produziram usando a Super Mente continuam guardados e são usados nas experiências de evolução da espécie humana.

Acredito que o cérebro é o mecanismo de conexão com a Super Mente
     Porém as nossas informações não estão guardadas no cérebro. De alguma forma ele tem acesso aos arquivos de consciência da pessoa e acessa todas as informações que estão lá, desde que essa pessoa nasceu. Quando vejo uma pessoa, automaticamente meu cérebro faz um download de todas as informações que possuo ligadas àquela pessoa. Aquele conteúdo não está armazenado no meu cérebro. Não existe dentro da minha cabeça um pedaço de mente onde essas informações estariam arquivadas. As células, os átomos, todos os elementos biológicos da engenharia genética, as partículas do campo unificado, usariam a Super Mente para arquivar as informações e experiências, e, além disso, esse poderoso e imenso arquivo de informações é utilizado para fazer a seleção das espécies e processar a evolução de todo o universo em uma determinada direção.

    Observação: Posso até estar errado, mas a minha imaginação me leva a crer que é assim que funciona a psicologia da pessoa, e sigo o conselho de Albert Einstein: A imaginação é superior ao conhecimento. (Fonte: aqui).

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Viva, então, a imaginação!

JOGO ABERTO


Edgar Vasques.

NO TABULEIRO UCRANIANO


A segunda rainha

Por Mauro Santayana

Até pouco tempo atrás se acreditava que o xadrez surgiu na Índia, mas novas evidências indicam que foi inventado possivelmente na China, no século III antes de Cristo.
 
Os russos gostam de xadrez, e a ida do ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, a Pequim, onde se encontrou com seu colega chinês, Wang Yang, e com o próprio Presidente Xi Jinping, em momento decisivo para a questão ucraniana, equivale a atravessar com um peão o tabuleiro e transformá-lo em uma segunda rainha.
       
Na Ucrânia, a OTAN e os EUA cometeram vários erros:

 – Derrubaram – ou ajudaram a derrubar – um governo eleito, que, com todos seus defeitos, mantinha o país unido e funcionando.

– Subestimaram a reação russa, acreditando que Moscou permitiria passivamente que Kiev se transformasse em um novo enclave da OTAN em suas fronteiras, e que se jogasse no lixo os acordos assinados quando da saída do país da URSS, no final dos anos 1980.

– Não se prepararam para oferecer – até porque não têm condições para isso – apoio financeiro para manter em pé um país que deve quase 200 bilhões de euros.

– Não conseguiram estabelecer qualquer alternativa viável para substituir o gás russo do qual os ucranianos dependem  como sangue para continuar vivendo.

– Acharam que a população ucraniana era, em sua maioria, contra a Rússia, quando, na verdade, o país tem milhões de habitantes que falam russo, descendem de antepassados russos, vivem em cidades “russas”, e não aceitam ser governados por neonazistas, estes sim, uma minoria virulentamente anti-russa e anti-comunista, o que não é apenas ridículo, como anacrônico, quando se considera que o governo Putin não é, nem nunca foi, um governo comunista.

– Subestimaram a posição da Alemanha, achando que ela iria comprar briga com Moscou, quando depende fortemente do mercado russo para suas exportações, e do gás russo para manter em funcionamento sua economia.

A soma de todos esses equívocos explica porque, enquanto a OTAN e os EUA  continuam sendo atropelados pelos acontecimentos, Putin segue avançando, a cada movimento, fortalecendo-se e estreitando seus laços com outros países, e especialmente com a China.

Ao enviar Lavrov a Pequim antes das reuniões com a UE, EUA e  Ucrânia e advertir que qualquer ataque ucraniano aos civis pró-russos pode abortar as negociações, Moscou deixa claro ao Ocidente que está longe de se sentir isolada diplomaticamente, e que conta com poderoso aliado, caso a situação se complique.

Os chineses têm um ditado que não tem nada a ver com xadrez, mas que serve de alerta para a gula da OTAN em sua expansão rumo às antigas repúblicas soviéticas e ao espaço euroasiático compartilhado por russos, chineses e indianos: "quando o rato cresce até ficar do tamanho do gato, já está passando da hora de empunhar a vassoura". (Fonte: aqui).

segunda-feira, 28 de abril de 2014

CRIMES DE CHUMBO


"Vamos supor que um torturador de outrora quisesse eliminar dois dos seus congêneres, de tal forma que o assassinato não viesse a ser imputado nem a ele, nem a outros veteranos da repressão ditatorial.

Um dos alvos, porque estava próximo da morte e mantinha um minucioso arquivo sobre agentes do Estado que cometeram crimes contra a humanidade, como os cometeram, quem foram suas vítimas, que fim tiveram os respectivos restos mortais, etc. Sabia-se lá quem ficaria com tal arquivo quando ocorresse sua morte natural e qual o destino que a ele daria. Daí a conveniência de antecipar o desfecho, para o poder administrar convenientemente, só permitindo que viessem a público informações tornadas inócuas pelo passar das décadas.

Outro, porque dera com a língua nos dentes num palco iluminado e, mesmo que não voltasse a fazê-lo (deixara de identificar comparsas vivos, mas poderia mudar de ideia), constituía-se num péssimo exemplo. Quantos pés na cova com os mesmos antecedentes não estariam queimando de inveja da notoriedade que ele alcançara? Para certo tipo de pessoas, serem relegadas ao esquecimento incomoda muito mais do que serem lembradas como ogros...

Como dizia o Dadá Maravilha, para toda problemática existe uma solucionática.

O hipotético torturador de outrora certamente conheceria bem um universo contíguo, o da contravenção, nele sentindo-se como um peixe dentro da água. Lembrem-se:

- o famoso delegado Sérgio Fleury, nos tempos em que chefiava o famigerado Esquadrão da Morte, estava a serviço de um grande traficante, liquidando apenas seus concorrentes, enquanto fingia exterminar os bandidos em geral;

- os torturadores da PE da Vila Militar (RJ), oficiais inclusos, quando começaram a escassear os proventos da repressão à guerrilha (as recompensas recebidas de grandes empresários e a rapinagem dos bens apreendidos com militantes), não só se tornaram parceiros de contrabandistas da região como tentaram passar-lhes a perna, tomando sua muamba à bala;

- um destes oficiais, o Capitão Guimarães, não se conformou de, desmascarado, haverem aliviado para ele no sentido de salvar as aparências mas ter-se tornado um pária na caserna --optou por dar baixa e iniciar uma bem sucedida carreira como bicheiro de Niterói, acabando por se tornar um dos maiores chefões do crime organizado.

Então, para alguém da laia de um antigo torturador da ditadura militar, nada mais fácil do que encontrar ladrões homicidas aptos para tais missões e passar-lhes a dica de que os oficiais da reserva em questão possuíam bens valiosos, como coleções de armas, estando praticamente indefesos.

Com a recomendação expressa de que os mesmos deveriam ser assassinados, e ninguém mais.

Com a advertência expressa de que, se caíssem presos, não deveriam de forma nenhuma incriminá-lo, caso contrário sua rede (de veteranos dos porões e novos fanáticos do extremismo) cuidaria para que fossem mortos no cárcere.

Foi assim que as coisas se passaram? Se non è vero, è ben trovato, como dizem os italianos... ".


(Celso Lungaretti, em seu blog Náufrago da Utopia. O post, intitulado "Como um antigo torturador cometeria o crime perfeito", foi produzido após a morte/execução do coronel reformado Paulo Malhães, ligado ao desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva em janeiro de 1971 e que ofereceu recentemente, à Comissão da Verdade, informações sobre centros de tortura geridos por agentes do Estado. A execução de Malhães se alia à do coronel da reserva Julio Miguel Molina Dias, ocorrida em novembro de 2012, em Porto Alegre. Molina foi chefe do Departamento de Operações de Informação do DOI-Codi no Rio e detinha informações acerca do desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva. Em ambos os casos, teria havido tentativa de roubo de arsenal de armas que os militares colecionavam em sua residência, havendo, porém, quem discorde de tal versão).

ILUSTRAÇÃO ABJETA


Mario Brancaglioni.

SOMOS TODOS MACACOS


Somos todos macacos

Por Emir Sader

Depois da enésima vez que jogaram bananas contra jogadores negros na Europa, Daniel Alves resolveu comer a banana e Neymar declarou: “Somos todos macacos”. É o começo da reação, que os próprios europeus parecem incapazes de fazer, contra a discriminação nos campos de futebol, que é apenas a extensão da vida cotidiana em países que se consideram  “brancos e civilizados”.

 A Europa “civilizada” se enriqueceu às custas da escravidão e do seu corolário – a discriminação e a redução dos negros a “bárbaros”. Vieram com a cruz e a espada a “civilizar-nos”,  isto é, destruir as populações nativas e submetê-las ao jugo da dominação colonial. Tiraram milhões de  africanos do seu mundo para trazê-los como animais a trabalhar como escravos para explorar as riquezas daqui e enviá-las para enriquecer a Europa  “civilizada”.

Todo o movimento histórico da “liberdade, igualdade, fraternidade” foi feito em função da libertação dos servos da gleba europeus, desconhecendo a escravidão que essa mesma Europa praticava. Ninguém – salvo o solitário Hegel – tomou conhecimento da Revolução Haitiana contra a dominação da França “emancipada” por sua revolução, mas opressora da primeira Revolução Negra de independência nas Américas.

Séculos depois, quando a Europa “civilizada” termina com seu Estado de bem estar social e joga no abandono a milhões de pessoas – antes de tudo os imigrantes, que foram trabalhar em condições degradantes quando suas economias os necessitavam -, o racismo mostra toda sua força. Os partidos de extrema direita são os que mais se fortalecem, ao mesmo tempo que o racismo aparece também nos campos de futebol, sem que gere indignação na Europa “civilizada”.

Ao mesmo tempo, desenvolvem uma campanha discriminatória contra o Brasil, desenhando um país de “cobras, tigres, macacos”, além de ser, segundo o absurdo e estúpido informe do Ministério de Relações Exteriores da Alemanha, “um país de alto risco”. Fosse assim, por que estão instalando fábricas da BMW, da Mercedes, além de ampliar a da Volkswagen e várias outras?

Fazem isso porque o Brasil de hoje incomoda os adeptos do neoliberalismo, que leva a Europa a um desastre social, enquanto nós – e vários outros países da América Latina – crescemos e diminuímos a desigualdade e a miséria. Nós os incomodamos porque estamos fora do Consenso de Washington, que eles tentaram impor-nos, nos causaram muitos danos, mas de que soubemos recuperar-nos e somos a região do mundo que se contrapõe aos descaminhos que a Europa assume.

Vamos recebê-los com a maior cordialidade no Mundial de Futebol. Comendo e oferecendo bananas a todos eles, assumindo que: “Somos todos macacos”. (Fonte: aqui).

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É isso aí.

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Adendo:
 
O HAICAI DE DANIEL ALVES

Olha a banana, olha o bananeiro
Sou baiano
Sou brasileiro 

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Mensagem de Daniel no Instagram:

“Meu Brasil Brasileiro, Verde, amarelo, preto, branco e vermelho. Somos um povo alegre com samba no pé, e é com alegria e ousadia que a gente tem que se manifestar. Olha a banana, olha o bananeiro… sou baiano, sou brasileiro… estamos mais fortes do que nunca, o sorriso é a nossa proteção, a musica é a nossa espada… Nos vemos na Copa… Estamos juntos!! #deusnocomando #somostodosmacacos#danidobrasil #amadajuazeiro”

Fonte: aqui.

O BRASIL E OS REFLEXOS DOS PROGRAMAS SOCIAIS


(Pela primeira vez) Sudeste ficará abaixo de 50% do consumo brasileiro

Por Luiz Guilherme Gerbelli

A geografia do consumo brasileiro vai mudar neste ano. Pela primeira vez, a fatia da Região Sudeste no potencial de consumo do País ficará abaixo de 50%. Um estudo feito pela consultoria IPC Marketing mostra que São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo responderão por 49,21% de tudo o que será consumido no País este ano.

A perda de participação do Sudeste tem sido lenta, mas contínua ao longo dos anos. Em 2013, o peso da região foi de 50,53%. Há dez anos, ela representava 55,79%. A estimativa da IPC Marketing é de que o consumo atinja R$ 3,262 trilhões neste ano, acima do verificado em 2012 (R$ 3,011 trilhões).

A menor participação do Sudeste pode ser explicada pela melhora econômica das demais regiões brasileiras. A fatia do Nordeste no consumo será recorde em 2014 e vai chegar a 19,48%. Haverá ainda um forte crescimento do Norte, cuja participação também será a maior da história (6,04%).

"Em 2008, o Nordeste atingiu o segundo lugar no ranking do potencial de consumo e a diferença para a Região Sul vem aumentando nos últimos anos", afirma Marcos Pazzini, diretor da IPC Marketing.

As economias do Norte e principalmente as do Nordeste foram impulsionadas nos dois últimos anos por dois grandes fatores: programas de transferência de renda e política de reajuste real do salário mínimo.

No caso da economia nordestina, quase 20% da origem da renda familiar vem do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - boa parte do pagamento é atrelada ao salário mínimo. O Bolsa Família representa 3%. O restante é dividido entre trabalho (71,9%) e outras fontes (5,4%), como aluguel.

"Há dez anos, não existia uma classe média, principalmente no Nordeste. Quando o governo fez chegar dinheiro no bolso da população de mais baixa renda, ele fez com que essa parte da população tivesse uma condição melhor de vida e obviamente de consumo", afirma Pazzini.

Ciclo virtuoso
As duas economias passaram, então, a viver o chamado ciclo virtuoso. O aumento do consumo atraiu a chegada de novas empresas, que foram responsáveis por ampliar o mercado de trabalho e renda, estimulando novamente o consumo.

Os indicadores macroeconômicos de cada região podem explicar parte da mudança na geografia do consumo nacional. As economias do Norte e do Nordeste vão crescer acima da média nacional em 2014. A projeção do cenário regional feita pela Tendências Consultoria mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) do Norte deve ter o maior avanço do País este ano, com alta de 2,9%, e o do Nordeste terá o segundo maior, com crescimento de 2,7%. Para efeito de comparação, o desempenho esperado para o PIB brasileiro será de 1,9%.

"Uma atividade econômica mais forte impacta na renda da população. Com o PIB crescendo mais no Nordeste e Norte, a massa de renda também vai ser influenciada positivamente, o que estimula o emprego formal e traz todos os efeitos multiplicadores na economia", afirma Camila Saito, economista da Tendências e responsável pelo cenários regionais.

O crescimento econômico das Regiões Norte e Nordeste deve permanecer acima da média nacional nos próximos anos.

De acordo com a projeção da consultoria Tendências, de 2015 a 2018, a média de crescimento do PIB da Região Norte deve ser de 3,8%. A economia nordestina deve avançar 3,5%. No período, o crescimento brasileiro será de 2,9%.

"Uma coisa interessante de se observar no Nordeste é que vai haver uma mudança no padrão do consumo. Daqui para a frente, não deve haver mais esse impacto do Bolsa Família na economia local, porque o programa já está praticamente universalizado. O impacto da renda desse programa na região vai diminuir, e o motor para o crescimento da massa no Nordeste nos próximos anos vai vir do trabalho", afirma Saito. (Fonte: aqui).

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As informações acima demonstram o acerto da opção do Brasil pela expansão dos programas sociais, com destaque para o Bolsa Família e a elevação gradual do valor real do salário mínimo. 

COLD WAR


Marian Kemensky.

TEATRO DO ABSURDO


J. Bosco.

domingo, 27 de abril de 2014

O MILHO DA CERVEJA BRASILEIRA


A nossa cerveja é transgênica?

Por Flávio Siqueira Júnior e Ana Paula Bartoletto

Depois da dúvida levantada no texto publicado em Outras Palavras em 28/02/2014, e da grande repercussão das suspeitas sobre possível presença de milho transgênico na cerveja brasileira, nada aconteceu. Ou… quase nada.

A Ambev, maior empresa da indústria cervejeira no Brasil, evitou responder oficialmente aos consumidores interessados em saber o que estão bebendo. A única “resposta” que veio a público foram dois textos publicados no site da Carta Capital, tratando o tema com ironia e sem trazer qualquer dado que afaste ou confirme a suspeita. Escondem-se na suposta busca de uma bebida “brasileira”, com milho. Mas evitam o essencial: seria o milho presente na cerveja… transgênico?

Nosso país é o terceiro maior produtor mundial de cerveja. O setor responde por 1,7% do PIB brasileiro, mas insiste em se comportar de forma abusiva. Sua publicidade é extremamente agressiva ao tratar a mulher como objeto e não como pessoa. Além disso as marcas estão presentes em inúmeros eventos esportivos depois que seus lobistas convenceram o Congresso de que, para fins publicitários, bebida com menos de 13% de graduação alcoólica não é bebida alcoólica.

A indústria cervejeira, que zomba de seus próprios consumidores, deveria saber que a falta de informação viola a legislação. A Lei Federal nº 8.078/90, conhecida como Código de Defesa do Consumidor, tenta equilibrar a relação de consumo, dando direitos aos consumidores perante o fornecedor.

O direito à informação e à livre escolha estão no rol dos direitos básicos do consumidor (art. 6º do CDC). São um meio eficiente de prevenir fraudes e de asse gurar um ato de consumo verdadeiramente consentido, livre, porque fundamentado em informações adequadas. O ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ensina que a oferta e as informações no rótulo mostram-se essenciais para propiciar o ato de compra consciente do consumidor.

Parece que essa obrigação não foi assimilada pelo mercado da cerveja.

Por que a Ambev não informa oficialmente se suas cervejas são feitas com milho transgênico?

Essa é uma pergunta que talvez as autoridades possam fazer. A pergunta do consumidor é bem mais simples: “estou bebendo cerveja feita com milho transgênico?”

Pronto. É só responder e assunto encerrado.

Não se trata de criticar a evolução técnico-científica, mas de debater e exigir transparência. Enquanto o mundo ainda discute os efeitos nocivos dos alimentos transgênicos, correremos o risco de consumi-los sem sermos informados?

A resposta fundamentada do fornecedor do produto é essencial para que as pessoas tenham condições de exercer, de forma consciente, seu direito de livre escolha. Se, possuindo todas as informações necessárias, alguém ainda opta por consumir transgênicos, assume o risco implícito de seu ato – seja para a sua própria saúde, para a sociedade ou para o meio ambiente.

Ficar sem informação é que é inadmissível.

A repercussão das suspeitas sobre presença de transgênicos na cerveja já começou a provocar mobilização social. Um abaixo-assinado criado por não-especialistas em cerveja, que exige mais transparência da indústria já tem milhares de assinaturas.

Ele pode ser assinado aqui: www.change.org/milhonacerveja

Se você acha importante saber o que está bebendo, pode ser mais um dos milhares não-especialistas. Mas se você acha graça em saber que o setor vende 86,7 bilhões de litros de cerveja por ano, que 45% do malte da cevada pode ser substituído por milho e que quase 90% do milho plantado no Brasil é transgênico, tudo bem. Seja feliz e boa sorte. (Fonte: aqui).

TEATRO DO ABSURDO


J. Bosco.

sábado, 26 de abril de 2014

SEGREDO DE BRIGA ENTRE VARGAS LHOSA E GARCÍA MÁRQUEZ VAI PARA O TÚMULO


Por Diego Oré (Agência Reuters)

O motivo da briga que separou os prêmios Nobel de Literatura latino-americanos Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa vai para o túmulo com eles, disse nesta quinta-feira o escritor peruano.

A discórdia ocorreu em 1976 durante um encontro de escritores no México, quando Vargas Llosa deu um soco certeiro no colombiano García Márquez, deixando o olho esquerdo dele roxo e encerrando a amizade de uma década.

A razão da disputa tem sido um enigma para a imprensa e até mesmo para os biógrafos dos dois ganhadores do Prêmio Nobel. Nesta quinta-feira, Vargas Llosa disse na Venezuela, onde os dois se conheceram, que levará o segredo para o túmulo.

"É um pacto entre García Márquez e eu. Ele respeitou isso até a sua morte e vou fazer o mesmo", disse Vargas Llosa respondendo à pergunta sagaz em busca de uma pista sobre o mistério após a morte, na semana passada, do colombiano que revolucionou a literatura.

"Vamos deixar nossos biógrafos, se merecemos isso, investigar o assunto", disse o autor de "Conversa na Catedral" em uma entrevista coletiva, depois da abertura de um fórum "pela liberdade econômica" que ele participa em Caracas.

Testemunhas presenciais disseram anonimamente, durante anos, que García Márquez foi atingido por Vargas Llosa "pelo o que ele fez para Patricia", a mulher do peruano.

Uma teoria diz que o autor de "Cem Anos de Solidão" poderia ter sugerido a Patricia Llosa que se separasse do seu marido por uma suposta infidelidade dele.

Outra mais complicada garante que Patricia, para se vingar do seu marido, deu a entender que tinha um relacionamento com "Gabo". Aquela briga entre eles ficou registrada em uma foto do fotógrafo Rodrigo Moya na qual García Márquez aparece com o olho esquerdo roxo, mas sorrindo.

Antes, em 1971, Vargas Llosa havia publicado uma análise da obra do colombiano intitulada "García Márquez: história de um deicídio".

Apesar da briga, Vargas Llosa lamentou a morte de Gabo, mas lembrou que aconteceu com García Márquez o que todo escritor gostaria que acontecesse: "que sua obra sobreviva".

García Márquez morreu em 17 de abril aos 87 anos em sua casa na Cidade do México, onde viveu a metade da sua vida.

O Nobel colombiano também se desentendeu com a norte-americana Susan Sontag e o mexicano Octavio Paz depois de que os dois condenaram a sua "desonestidade intelectual" pela sua amizade com o líder cubano Fidel Castro. (Fonte: aqui).

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Como diria o prefeito Odorico, trata-se de um post fofoquista. De útil, esperamos,  o significado - segundo Aulete - de deicídio, palavra usada por Lhosa: 

1. Ação ou resultado de matar Deus ou um deus; morte a um deus
2. Rel. A morte infligida a Cristo
3. Fig. Contestação da existência de Deus ou de um deus; ATEISMO; CETICISMO.

GUERRA FRIA


Marian Kamensky.

OLHO DE LINCE


Thiago.

TENSÃO ENTRE EUA E RÚSSIA: O EFEITO STRANGELOVE


O efeito Strangelove - ou como somos levados a aceitar uma nova guerra mundial

Por John Pilger (no Português de Portugal - Publicado originalmente no jornal britânico The Guardian))

Há poucos dias estive a rever o filme Dr. Strangelove [1] . Já o assisti talvez uma dúzia de vezes; dá sentido a notícias sem sentido. Quando o major T.J. 'King' Kong entra em conflito com os russos e envia o bombardeiro nuclear B52 contra um alvo na Rússia, quem tem que tranquilizar o Presidente é o general 'Buck' Turgidson [2] . Ataque primeiro, diz o general, afinal "são apenas 10 a 20 milhões de mortos, no máximo"

Presidente Merkin Muffley: "Não vou ficar na história como o maior assassino de massas desde Adolf Hitler".

General Turgidson: "Talvez fosse melhor, senhor Presidente, que se preocupasse mais com o povo americano do que com a sua imagem nos livros de história".

O génio do filme de Stanley Kubrick é que representa com rigor a loucura e os perigos da guerra-fria. A maior parte dos personagens baseia-se em pessoas reais e em maníacos reais. Não há hoje ninguém equivalente a Strangelove, porque a cultura popular está dirigida quase totalmente para as nossas vidas interiores, como se a identidade seja o zeitgeist moral e a verdadeira sátira seja redundante; mas os perigos são os mesmos. O relógio nuclear parou às cinco para a meia-noite; as mesmas bandeiras falsas estão hasteadas sobre os mesmos alvos pelo mesmo "governo invisível", como Edward Bernays, o inventor das relações públicas, descreveu a propaganda moderna.

Em 1964, o ano em que foi realizado Strangelove, "a diferença de mísseis" era a falsa bandeira. A fim de construir mais armas nucleares, e maiores, e de prosseguir uma polícia de domínio não declarado, o presidente John Kennedy aprovou a propaganda da CIA de que a União Soviética estava mais avançada do que os EUA na produção de Mísseis Balísticos Intercontinentais. Isso encheu primeiras páginas como a "ameaça russa". Na realidade, os americanos estavam muito à frente na produção de ICBMs, os russos nunca estiveram lá perto. A guerra-fria baseou-se largamente nesta mentira.


Desde o colapso da União Soviética, os EUA têm cercado a Rússia com bases militares, aviões nucleares e mísseis, ao abrigo do "Projecto de Ampliação da NATO". Renegando uma promessa dos EUA feita ao presidente soviético Mikhail Gorbachev em 1990 de que a NATO não avançaria "nem um centímetro para Leste", a NATO entrou à grande na Europa de Leste. No antigo Cáucaso soviético, a ocupação militar da NATO é a mais ampla desde a segunda guerra mundial.

Em Fevereiro, os Estados Unidos montaram um dos seus golpes "coloridos" contra o governo eleito da Ucrânia; as tropas de choque eram fascistas. Pela primeira vez, desde 1945, um partido pró-nazi, abertamente anti-semita controla áreas chave do poder estatal numa capital europeia. Nenhum líder da Europa ocidental condenou este renascimento do fascismo na fronteira com a Rússia. Morreram cerca de 30 milhões de russos na invasão do seu país pelos nazis de Hitler, que foram apoiados pelo Exército Insurgente Ucraniano, o UPA, responsável por inúmeros massacres de judeus e polacos. O UPA era a ala militar, que inspira o actual partido Svoboda.

Desde o golpe de Washington em Kiev – e da reacção inevitável de Moscovo na Crimeia russa, para proteger a sua Frota do Mar Negro – a provocação e o isolamento da Rússia têm sido invertidos nos noticiários como uma "ameaça russa". Isto é uma propaganda fossilizada. O general da Força Aérea americana que chefia as forças da NATO na Europa – nada mais nada menos que o general Breedlove – afirmou há mais de duas semanas que tinha fotos que mostravam 40 mil tropas russas a "concentrarem-se" na fronteira com a Ucrânia. Também Colin Powell afirmou ter fotos de armas de destruição maciça no Iraque. O que é certo é que o golpe temerário e predatório de Obama na Ucrânia desencadeou uma guerra civil e Vladimir Putin está a ser atraído a uma armadilha.

Na sequência dos conflitos de 13 anos que começaram no Afeganistão muito depois de Osama bin Laden ter fugido, de terem destruído o Iraque sob uma falsa bandeira, depois de inventarem um "inimigo nuclear" no Irão, de enviarem a Líbia para uma anarquia hobbesiana e de apoiaram os jihadistas na Síria, os EUA têm finalmente uma nova guerra fria para complementar a sua campanha mundial de morte e terrorismo com aviões telecomandados.

Um Plano de Acção para Adesão à NATO (MAP) – directamente da sala de guerra de Strangelove – é o presente do general Breedlove à nova ditadura na Ucrânia. "Rapid Trident" [3] vai instalar tropas americanas na fronteira com a Rússia e "Sea Breeze" [4] vai colocar navios de guerra americanos à vista de portos russos. Simultaneamente, os exercícios de guerra da NATO por toda a Europa de Leste destinam-se a intimidar a Rússia. Imaginem qual seria a resposta se esta loucura se invertesse e acontecesse nas fronteiras da América. É ver o general 'Buck' Turgidson.

E ainda há a China. A 24 de Abril, o presidente Obama vai iniciar uma visita à Ásia para promover a sua "Campanha para a China". O objectivo é convencer os seus "aliados" na região, em especial o Japão, a rearmarem-se e prepararem-se para a eventual possibilidade de guerra com a China. Em 2020, quase dois terços de todas as forças navais no mundo estarão concentradas na área Ásia-Pacífico. É a maior concentração militar naquela grande região desde a II Guerra Mundial.

Num arco que se estende desde a Austrália até o Japão, a China enfrentará os mísseis e os bombardeiros nucleares americanos. Está a ser construída uma base naval estratégica na ilha coreana de Jeju a menos de 640 km da metrópole chinesa de Xangai, centro industrial do único país cujo poder económico vai provavelmente ultrapassar o dos EUA. A "campanha" de Obama destina-se a minar a influência da China naquela região. É como se uma guerra mundial tivesse começado por outros meios.

Isto não é uma fantasia Strangelove. O secretário da Defesa de Obama, Charles 'Chuck' Hagel, esteve em Beijing na semana passada para entregar um aviso ameaçador de que a China, tal como a Rússia, pode vir a conhecer o isolamento e a guerra se não se vergar às exigências dos EUA. Comparou a anexação da Crimeia à complexa disputa territorial da China com o Japão sobre as ilhas desabitadas no Mar da China Oriental. "Não podem ir pelo mundo afora", disse Hagel descaradamente, "e violar a soberania das nações pela força, coerção e intimidação". Quanto ao movimento maciço de forças navais e de armas nucleares da América para a Ásia, isso é "um sinal da ajuda humanitária que as forças armadas americanas podem proporcionar".

Obama está neste momento à procura de um orçamento para armas nucleares, maior do que no pico histórico durante a guerra-fria, a era de Strangelove. Os Estados Unidos estão a avançar na sua antiga ambição de dominar o continente eurasiano, estendendo-se da China à Europa: um "destino manifesto" assegurado pelo poder.

Notas:

[1] Dr. Strangelove (Dr. Estranhoamor): filme de Stanley Kubrick realizado em 1964, uma comédia de humor negro, que satirizou a tensão nuclear vivida pelo mundo durante a guerra fria. Considerado "a melhor sátira política do século".

[2] A personagem Turgidson sabe como fazer a guerra, mas falta-lhe a perspectiva de decidir se deve ou não fazer a guerra. Compreende a política do Presidente contra ataques nucleares mas tem dúvidas quando se lhe apresenta a possibilidade de anular essa política e varrer do mapa a Rússia. Sente-se feliz em apresentar a ideia de desencadear o ataque mais destrutivo contra um inimigo que não fez nada.

[3] Rapid Trident: exercício militar conjunto de 12 países na Ucrânia, que deve iniciar-se em Julho, com a participação dos EUA.

[4] Sea Breeze: exercícios militares anfíbios organizados à escala multinacional (NATO), realizados anualmente na Ucrânia.

O original encontra-se no Guardian e em johnpilger.com/... . Tradução de Margarida Ferreira.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . (Fonte: aqui).

MARCO CIVIL DEMOCRATIZA INTERNET


Samuca.

PORTUGAL: ECOS DO 25 DE ABRIL


Os 40 anos da Revolução dos Cravos

Por Ana Maria Prestes

Naquele 25 de abril de 1974 o Brasil amargava 10 anos de ditadura militar. Como bem disse Chico Buarque na canção “Tanto Mar”:

"Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor no teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, que é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim"


Realmente estávamos doentes, de um mal agudo de repressão à população brasileira e de falta de liberdade e democracia. A madrugada embalada pela “Grândola, Vila Morena” de Zeca Afonso soprou esperança nos ouvidos e nos corações daqueles que resistiam por um Brasil de verdade, com liberdades e justiça social.

E, certamente, não só o vermelho forte dos cravos como o perfume de uma vigorosa revolução democrática alcançou o lado de cá, trazendo esperança e força moral para o povo brasileiro que ainda enfrentou 10 anos de ditadura militar até alcançar seu processo de redemocratização na década de 80. A revolução dos Cravos foi importante fonte de inspiração para a resistência democrática brasileira até o fim do período ditatorial.

De todas as revoluções democráticas e populares já havidas no mundo, a Revolução Portuguesa de 25 de abril, certamente, é uma das mais belas e poéticas. Inspira até hoje milhares de jovens e trabalhadores lutadores por um mundo melhor. O vermelho dos cravos e a beleza das músicas e poesias que cantaram a revolução até hoje emocionam profundamente os revolucionários pelo mundo. (Para continuar, clique aqui).

PARA COMBATER A CORRUPÇÃO


Brasil fortaleceu leis anticorrupção, falta agora aplicá-las, diz especialista

Por Marcel Gomes

O Brasil criou nos últimos anos uma legislação bastante avançada para combater a corrupção, inclusive superior a de países desenvolvidos, mas ainda precisa dar um passo fundamental: colocá-la efetivamente em funcionamento.

O alerta é da jornalista Natália Paiva, coordenadora geral da ONG Transparência Brasil, para quem 2014 é um ano chave na superação desse desafio.

Em entrevista à Carta Maior, Natália ressaltou que a Lei Anticorrupção (12.846/2013), sancionada pela presidenta Dilma Rousseff no final de janeiro, ainda precisa ser regulamentada para efetivamente funcionar.

A lei amplia as punições previstas para empresas corruptoras, estabelecendo multa que pode alcançar até 20% do faturamento anual bruto da companhia. Além disso, incentiva as empresas a criarem políticas internas de combate à corrupção (conhecidas no mercado como “compliance”) e permite a suspensão das atividades produtivas.

“Os Estados também precisarão regulamentar a lei, mas para isso estão esperando a regulamentação do governo federal”, diz Natália.

Isso deve ser feito através de um decreto a ser editado pela Casa Civil. Consultada pela Carta Maior, a Controladoria Geral da União (CGU), que participou da elaboração do texto, informou que o “decreto já está pronto” e “não há divergências sobre ele”. Aguarda-se apenas o trâmite burocrático da peça, incluindo a aprovação da presidenta Dilma.

Arcabouço jurídico

A Lei da Ficha Limpa, criada em 2010 para barrar candidaturas de políticos condenados judicialmente a cargos públicos, também será posta à prova neste ano, diz a coordenadora da Transparência Brasil.

Segundo ela, a lei já foi utilizada por juízes eleitorais na disputa de 2012, mas atingiu apenas “prefeitos de cidades pequenas, que chegaram a perder os cargos”. “O teste real será neste ano, quando deputados e senadores influentes poderão ser afetados pela Ficha Limpa”, afirmou.

Como sinal do aperfeiçoamento da legislação brasileira de combate à corrupção, Natália cita ainda a própria criação da CGU, em 2003 (“um grande avanço, trouxe controle e prevenção ao setor público”), e a publicação da Lei de Acesso à Informação, em 2011 (“por si só transparência não impede a corrupção, mas facilita o controle”).

Apesar dos avanços, ela ressalta que é longo o caminho a ser trilhado. “O Brasil está melhor do que a maioria em termos de legal framework. Todo esse arcabouço legal é necessário, mas insuficiente. É importante que haja regulamentação e que a leis sejam de fato aplicadas”, diz. (Fonte: aqui).

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Sem dúvida, a regulamentação deve vir o quanto antes. Basta enfatizar que a "Corrupção supera crise econômica como maior problema global" - aqui -, sendo que o Brasil lidera o ranking dos que pensam assim.

TEATRO DO ABSURDO

.
Mente violenta


Dario Castillejos.

EXTREMISMO PROSPERA NA UCRÂNIA


O ressurgimento do neonazismo na Ucrânia negado pela mídia

Por Jns

A ofensiva de propaganda política está em andamento na mídia para negar o envolvimento de fascistas no golpe apoiado pelos EUA na Ucrânia ou apresentar o seu papel como um detalhe marginal e insignificante.

Em um obsceno encobrimento o New York Times, por exemplo, afirmou que "a alegação de Putin em torno da ameaça imediata para os ucranianos russos está vazia", ​​enquanto o britânico The Guardian descarta a ameaça como uma "fantasia", afirmando que os eventos na Criméia foram uma tentativa de "impedir ataques por grupos fascistas revolucionários", acrescentando que "a mídia do mundo ainda não viu ou ouviu falar de tais forças”.

A realidade é que, pela primeira vez desde 1945, um partido pró-nazista declaradamente antissemita, controla postos chaves fundamentais do poder do Estado em uma capital europeia, sob a chancela dos EUA e o imperialismo o europeu. O não eleito governo ucraniano, liderado por Arseniy Yatsenyuk, pelo nomeado pelos EUA, inclui nada menos que seis ministros do partido fascista Svoboda.

Menos de um ano atrás, o Congresso Judaico Mundial pediu que o Svoboda fosse banido, mas o fundador do partido e líder Oleh Tyahnybok, que falou repetidamente de sua determinação de esmagar a "máfia russo-judaico que controla a Ucrânia", foi homenageado por autoridades dos Estados Unidos e da União Europeia quando preparavam golpe do mês passado.

A despeito de John Demjanjuk ser o cúmplice no assassinato de cerca de 30 mil pessoas no campo de concentração nazista de Sobibor, Tyahnybok o chamou de herói em 2010.  Yuriy Mykhalchyshyn, o vice de Tyahnybok, fundou Centro de Pesquisa Política para produzir e difundir conhecimentos e estratégias sobre assuntos vitais de ordem política, econômica ou científica que foi batizado de Joseph Goebbels.

O Svoboda foi a principal força política nos protestos da praça Maidan que derrubou o presidente ucraniano, Viktor Yanukovich. Em troca do fornecimento de tropas de choque para o golpe, o Svoboda ganhou o controle dos principais ministérios da Ucrânia.

O cofundador do Svoboda Andriy Parubiy atuou como "comandante de segurança" nos protestos, dirigindo ataques pelo Setor Direito- que é uma aliança de fascistas e radicais nacionalistas de direita, incluindo os paramilitares da Ukrainian National Assembly-Ukrainian National Self Defense (UNA-UNSO). Vestidos com uniformes inspirados na Waffen SS de Hitler, os seus membros se orgulham de terem combatido na Rússia, na Chechênia, Geórgia e Afeganistão.

Parubiy é agora o secretário da Segurança Nacional e Conselho de Defesa, supervisionando o Ministério da Defesa e as Forças Armadas. Dmytro Yarosh, líder do Setor Direito, é o seu vice.
O vice-primeiro-ministro Oleksandr Sych é outra figura de destaque do Svoboda, como são Oleh Makhnitsky (Procurador Geral), Serhiy Kvit (Ministro da Educação), Andriy Makhnyk (Ministro da Ecologia) e Ihor Shvaiko (Ministro da Agricultura).

Outras autoridades supostamente ligadas a UNA-UNSO são Dmytro Bulatov (Ministro da Juventude e Desportos) e a ‘jornalista ativista’ Tetyana Chernovol, que foi nomeada presidente da Comissão Anticorrupção do Governo.

O grande herói do Svoboda e da UNA-UNSO é o colaborador nazista Stepan Bandera, o líder do Exército Insurgente Ucraniano (OUN), que ajudou os nazistas nos horríveis massacres da população judaica na segunda guerra mundial.

Em 2010, o fórum oficial do Svoboda postou uma declaração: "Para criar uma Ucrânia verdadeiramente ucraniana nas cidades do Leste e do Sul, teremos de cancelar o parlamentarismo, proibir todos os partidos políticos, nacionalizar a indústria como um todo e todos os meios de comunicação, proibir a importação de qualquer literatura da Rússia para a Ucrânia ... substituir completamente os líderes do serviço público, da gestão da educação, militar (especialmente no Leste), liquidar fisicamente todos os intelectuais e todos os ucranofóbicos de língua russa (rápido, um tiro sem julgamento - registrando ucranofóbicos de pode ser apontado aqui por qualquer membro do Svoboda) e executar todos os membros dos partidos políticos antiucranianos ..."

Um dos primeiros atos do novo governo foi abolir os direitos das minorias para quem fala a língua russa. Medidas também estão em andamento para derrubar a lei que proíbe "desculpar os crimes do fascismo".

Nos últimos dias, representantes do Setor Direito estavam ocupados atacando judeus, cristãos ortodoxos russos e outras figuras legais. Dois vídeos do YouTube mostram um dos líderes do Setor Direito, Aleksandr Muzychko, descrevendo o seu credo e como lutar contra "comunistas, judeus e russos enquanto o sangue corre em minhas veias", atacando, fisicamente, um procurador regional em Rovno e ​​ e ameaçando os membros do parlamento regional de Rovno com a exibição de uma arma que ele brandia - uma Kalashnikov - exigindo: "Quem quer tirar-me a metralhadora? Quem quer tirar a minha arma? Quem quer tirar as minhas facas? Atrevam-se vocês!"

Os EUA e a burguesia europeia, juntamente com os seus lacaios da mídia, estão bem cientes desses fatos.

Suas tentativas de retratar a extrema direita como uma minoria marginalizada que surgiu da noite para o dia são igualmente falsas. Existem inúmeros documentos acadêmicos que detalham o papel e a importância da extrema-direita na Ucrânia que remontam décadas. Eles também ilustram como, após o ressurgimento, na sequência da dissolução da União Soviética e da restauração do capitalismo, a extrema-direita ganhou proeminência e a sua ascendência foi preparada ideologicamente ao longo de muitos anos. A ascensão da extrema direita acelerou acentuadamente após a "Revolução Laranja", orquestrada pelo Ocidente em 2004.

Per Anders Rudling (Antissemitismo organizado na Ucrânia contemporânea: Estrutura, Influência e Ideologia , 2006), cita o papel crítico desempenhado pela Academia Inter-Regional de Recursos Humanos (MAUP), uma universidade privada fundada em 1989 que "opera uma bem conectada rede política que atinge o topo da sociedade ucraniana”.

Em 2008, o Departamento de Estado dos EUA listou a MAUP como "uma das instituições antissemitas mais persistentes na Europa Oriental". Rudling afirma que a MAUP tem "educado funcionários do governo, diplomatas e administradores mais do que qualquer outra universidade" na Ucrânia.

A especialidade da MAUP é produzir propaganda de extrema-direita disfarçada de pesquisa acadêmica retratando o bolchevismo e a Revolução de Outubro como as criações do "judaísmo internacional". Nesta base, ela afirma que os crimes da ditadura stalinista contra os povos da Ucrânia eram parte da mesma "conspiração judaica".

Em junho de 2005, os participantes na Conferência Ampla do Quarto Mundo organizado pela MAUP incluiu David Duke, ex-líder da Ku Klux Klan, e o embaixador e ex-nacionalista da extrema ucraniana para o Canadá, Levko Lukianenko.

Lukianenko apresentou um documento argumentando que a fome de 1932-1933, em que milhões de ucranianos morreram, foi obra de um satânico governo judaico. Os delegados na conferência clamaram pela deportação de todos os judeus da Ucrânia.

Na época, Lukianenko era aliado de duas principais figuras da Revolução Laranja, Viktor Yushchenko e Yulia Tymoshenko. Os dois foram apoiados por Washington e potências europeias, como parte de uma campanha para conquistar a presidência da Ucrânia contra o pró-russo Viktor Yanukovych, deposto durante os protestos da praça Maidan.

Em janeiro de 2005, Yushchenko substituiu Yanukovich como presidente da Ucrânia. Ele ocupava, no momento, o Conselho de Administração da MAUP. Lukianenko fazia parte do bloco político de Tymoshenko. Apenas algumas semanas antes da conferência da MAUP, em Junho de 2005, Yushchenko declarou que Lukianenko é um "Herói da Ucrânia".

No final de 2005, a MAUP realizou uma conferência sob o título "Os Judeus: Revolução Bolchevique de 1917, a Fonte do Terrorismo Vermelho e a Fome da Ucrânia." Não é por nada não que nota Per Anders Rudling: "Na esteira da Revolução Laranja, a Ucrânia tem testemunhado um crescimento substancial no antissemitismo organizado."

Tão grande era o cheiro da reação fascista que, em julho do mesmo ano, acadêmicos ucranianos lançaram um apelo para os líderes da Revolução Laranja se dissociassem da "postura xenófoba" da MAUP. "Gostaríamos de pedir aos altos funcionários do governo que avaliassem o custo destas campanhas antissemitas em larga escala que estão sendo travadas. Temos nós uma ‘quinta coluna’ que deseja trazer conflitos étnicos e políticas estrangeiras em nosso território?"

O objetivo desta ‘quinta coluna’ era envenenar o clima ideológico para promover uma reação, sob o patrocínio de oligarcas que aspiram disputar o controle dos recursos da Ucrânia, pressionados por potências imperialistas para seguir a frente com os seus planos para dominar a Ucrânia, a fim de isolar e, finalmente, colonizar a Rússia.

Este é o registro real das forças reacionárias que são cúmplices das potências imperialistas na tomada da Ucrânia, e em nome de quem eles estão dispostos a mergulhar a Europa e, de fato, o mundo inteiro, em uma eventual Terceira Guerra Mundial.

***
O fascismo é caracterizado por uma reação contra o movimento democrático que surgiu graças à Revolução Francesa, assim como pela furiosa oposição às concepções liberais e socialistas.

Apesar de muitas vezes serem vistos como sinônimos, o fascismo e nazismo têm diferenças. O nazismo é frequentemente contemplado como uma forma de fascismo, mas o movimento nazista identificou uma raça superior (raça ariana), e tentou eliminar outras raças, para criar a prosperidade para o Estado.

A semelhança entre estes dois regimes é que obtiveram grande popularidade entre os elementos da classe operária, porque criavam medidas de apoio para eles; medidas que, várias vezes, não se concretizavam. (Fonte: aqui).

MARCO CIVIL DISCIPLINA A INTERNET


Jota A.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

DA SÉRIE COISAS QUE NÃO IREMOS VER NA GRANDE IMPRENSA


"Uma decisão tomada pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, democratiza o acesso às informações da ação empreendida pela Polícia Federal e mina o poder do deputado Fernando Francischini (SDD-PR). Moro tornou públicas as informações do inquérito – são mais de cinco mil páginas em papel e outras nove mil digitalizadas – e isso deve evitar que os vazamentos seletivos prossigam.

Suspeita-se, entre os responsáveis pela Operação Lava Jato, que Francischini, ex-delegado da PF, seja o principal responsável pelo "vazoduto" que tem instrumentalizado as manchetes de jornais, capas de revistas e longas reportagens nas TVs, que visam desgastar o governo Dilma, a Petrobras e o PT. Isso porque, logo após as prisões da Operação Lava Jato, Francischini recebeu por sete horas advogados dos doleiros presos, que lhe pediram apoio e lhe entregaram todo o inquérito, até então desconhecido da imprensa. São quase 5 mil paginas em papel  e outras 9 mil paginas digitalizadas.

Experiente no trato dessas informações, Francischini teria fatiado o inquérito, selecionando os "capítulos" mais importantes e distribuindo o material a veículos como Veja, Folha, jornal O Globo e TV Globo. O primeiro alvo foi o deputado André Vargas (PT-PR), que passou a balançar depois que um pedido de um jato emprestado ao doleiro Alberto Yousseff veio à tona. Francischini teria até montado uma lógica de distribuição de informações. Veja recebia o trecho do inquérito na quinta-feira, com o compromisso de não publicar na sua edição online. Folha e a TV Globo recebiam as informações na sexta-feira. Era a garantia de que todo os temas selecionados por ele renderiam também no fim de semana.

Coordenação
Foi assim que, no mesmo sábado, Veja e Folha saíram com a tabela de Paulo Roberto Costa sobre "soluções" de empreiteiras para operações de compras da Petrobras. Ou as insinuações em todos os jornais de que haveria indícios de relação de Alberto Yousseff com o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, e a senadora Gleisi Hoffmann, ambos adversários de Francischini no Paraná.

Foi também assim, através do "vazoduto" montado por Francischini que, ontem, minutos depois de a Justiça ter quebrado o sigilo do processo, as edições online de Veja, Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo vieram com as insinuações de envolvimento do ex-ministro Alexandre Padilha com o doleiro. Todos juntos, em menos de 30 minutos, conseguiram localizar a citação a Padilha no inquérito – o que demonstra a organização dos vazamentos.

Com a decisão do juiz Sergio Moro, o caso fica, agora, aberto ao público, evitando que os vazamentos sejam manobrados por um político oposicionista especializado em ações do tipo. Naturalmente, a imprensa familiar continuará selecionando as informações que atinjam o governo, o PT e a Petrobras, mas não poderá também ignorar se o inquérito contiver informações contra políticos de outros partidos."


(Post "Sem sigilo, Lava Jato mina o poder de Francischini", publicado pelo portal Paraná 247, AQUI.
O juiz federal Sérgio Moro agiu para moralizar o processo. Quanto a esperar que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determine a apuração e eventual punição dos responsáveis pelo vazoduto, convém, pelo que se viu até o momento, inclusive em outros episódios, não alimentar esperanças).

TEATRO DO ABSURDO


Casso.

DEMOCRACIA VERSUS MONOPÓLIO MIDIÁTICO


Liberdade, enjoy it!

Por Rogério Faria

A imprensa, ao invés de ser apenas um dos instrumentos para o exercício democrático, tornou-se a maior inimiga da democracia. Ela tem na desvalorização da política a sua estratégia de poder, colocando-se como a panaceia para os males sociais. A solução passa por aceitar essa como mais uma atividade comercial, sujeita a regras e limites, como qualquer cidadão, empresa e relação entre ambos.

A Coca-Cola, quando identificou no estilo de vida saudável seu inimigo, associou sua imagem a ele, pondo-se como aliada intrínseca, até crucial. Da mesma forma as famílias empresárias donas dos meios de comunicação fizeram ao vincular sua imagem à democracia, a maior adversária ao seu poder.

Para vender sua imagem de paladina democrática, ela apregoa a desordem, o descalabro, e se arvora como único antídoto. Ela cria inimigos que supostamente só ela pode combater. Daí o papel despolitizador da imprensa. A censura imposta pelos donos dos meios de comunicações retira das manchetes qualquer avanço democrático, qualquer aspecto positivo do debate político, qualquer valorização da participação democrática. Assim, deixamos de confiar em nós mesmos como agentes de mudança, delegando esse poder ao Jornal Nacional.

Como qualquer atividade humana, ela deve ser regrada, obedecer às leis e servir à democracia. Tratemos ela como atividade comercial dentro de uma sociedade capitalista. É essa a visão dos donos, disputando mercado com a política, instrumento social de transformação. Leis devem surgir que permitam ao povo conduzir a imprensa, que os múltiplos pontos de vista tenham o mesmo peso nos jornais. Deve-se por fim aos monopólios midiáticos, à concentração ideológica. A tarefa não é fácil, pois a imprensa, com seu poder de fogo, vai gritar, espernear e morder, mas nossa democracia precisa avançar.

“Tem que ser possível equilibrar liberdade de expressão com responsabilidade social e moral.” David Puttnam. (Fonte: aqui).

MARCO CIVIL DA INTERNET

Bira. 

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Onde vi: A vitória histórica do Marco Civil.... aqui.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

PETROBRAS: PARA ENTENDER PASADENA


Do site Fatos e Dados, da Petrobras:

1 – Qual foi o objetivo da compra da refinaria de Pasadena?
O propósito da Petrobras era capturar as altas margens do petróleo processado nos Estados Unidos na época. Como o petróleo proveniente do campo de Marlim era pesado e valia menos, era necessário processá-lo em uma refinaria mais complexa. Assim, após o refino tradicional, seria possível transformar os derivados pesados em produtos mais leves e mais valorizados.

Foi realizado um mapeamento de oportunidades nos Estados Unidos e duas consultorias de renome apontaram efetivas oportunidades de operação no Golfo do México. Essas informações indicavam a viabilidade da compra da refinaria de Pasadena. Logo em seguida, a planta deveria ser modernizada e ampliada para processar o petróleo de Marlim.

2 – Quanto a Petrobras pagou pela refinaria?
Foram desembolsados US$ 554 milhões com a compra de 100% das ações da PRSI-Refinaria e US$ 341 milhões por 100% das quotas da companhia de trading (comercializadora de petróleo e derivados), totalizando US$ 895 milhões.

Adicionalmente, houve o gasto de US$ 354 milhões com juros, empréstimos e garantias, despesas legais e complemento do acordo com a Astra. Desta forma, o total desembolsado com o negócio Pasadena foi de US$ 1,249 bilhão.

3 – Qual foi o preço pago pela Astra pela refinaria?
A Comissão de Apuração Interna, instaurada em março pela companhia, apurou que a Astra não desembolsou apenas US$ 42,5 milhões pela compra da refinaria. Este suposto valor, a propósito, nunca foi apresentado pela Petrobras.

Até o momento, análises da Petrobras indicam que a Astra desembolsou pelo conjunto de Pasadena aproximadamente US$ 360 milhões. Deste valor, US$ 248 milhões foram pagos à proprietária anterior (Crown) e US$ 112 milhões correspondem a investimentos realizados antes da venda à Petrobras.

Cabe destacar que a operação não envolvia apenas a compra da refinaria, mas sim um negócio bem mais amplo e diversificado. A unidade industrial de refino era parte menor de um complexo empreendimento que envolvia, também, um grande parque de armazenamento, estoques nos tanques, contratos de comercialização com clientes e contratos com a infraestrutura de acessos e escoamento. Envolvia, ainda, conhecimentos sobre o mercado e demais competências para operar no mercado norte-americano, em uma das zonas mais atrativas dos Estados Unidos.

4 - Afinal, a compra foi um bom ou um mau negócio?
Na época da compra, o negócio era muito vantajoso para a Petrobras, considerando as altas margens de refino vigentes e a oportunidade de processar o petróleo pesado do campo de Marlim no exterior e transformá-lo em derivados (produtos de maior valor agregado) para venda no mercado americano.

Posteriormente, houve diversas alterações no cenário econômico e do mercado de petróleo, tanto brasileiro quanto mundial. A crise econômica de 2008 levou à redução do consumo de derivados e, consequentemente, à queda das margens de refino. Além disso, houve a descoberta do pré-sal, anunciada em 2007. Assim, o negócio originalmente concebido transformou-se em um empreendimento de baixo retorno sobre o capital investido. (Para continuar, clique AQUI).

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Os esclarecimentos surgem após semanas de atraso, quando a versão anunciada à exaustão pela mídia em geral está como que consolidada na percepção do público. Quem não guardou a informação de que Pasadena foi adquirida por 42 milhões de dólares e comprada pela Petrobras por mais de 1 bilhão?
Quantos jornais nacionais das emissoras de TV se disporão a informar sobre essa iniciativa da Petrobras? Talvez a divulgação dos esclarecimentos venha a requerer o recurso a anúncios diversos, regiamente pagos, é claro!