Ilustração: Marlon Tenório.
- O BRASIL VENCEU A GRÃ-BRETANHA.
- MAS PERDEU PRA SESSÃO DA TARDE!
sexta-feira, 20 de julho de 2012
TESTE JURÍDICO
Ilustração: Arcadio.
Texto publicado no blog de Gerivaldo Neiva, Juiz de Direito:
Você sabe Direito Penal? Faça o teste!
- o proprietário da escola omite informações ao Fisco sobre seus ganhos para pagar menos impostos (pagando menos do que deve, está se apropriando de dinheiro público que se destina ao saneamento, infraestrutura, habitação popular, educação pública e saúde);
- o sócio do primeiro proprietário, dirigindo embriagado, invadiu uma calçada e matou um jovem casal e uma criança;
- o diretor sofre de alcoolismo e bate em sua esposa, já tendo chegado a ameaçá-la seriamente caso ela tentasse fugir de casa ou ousasse denunciá-lo;
- um professor toma ecstasy nos fins de semana e revende as pastilhas no condomínio onde mora;
- uma professora viaja para Miami nos feriados para trazer contrabando e complementar sua renda;
- o médico da escola dá plantão em hospitais públicos mas não respeita o horário de trabalho previsto em seu contrato, limitando-se a trabalhar metade do tempo que lhe caberia;
- a psicóloga que atende a escola divide-se entre os alunos e seu consultório, onde não dá recibos e negocia o preço com seus pacientes exigindo que eles não declarem os gastos com o tratamento;
- o inspetor costuma comprar CDs e DVDs piratas nas bancas dos camelôs;
- o dono da empresa que faz as obras de expansão do prédio da escola enriquece graças a contratos superfaturados que negocia com a prefeitura;
- o pipoqueiro da esquina vende maconha embrulhada em papelotes;
- o zelador furtou a bicicleta que encontrou outro dia na saída da escola.
Dentre os personagens listados, quais você acha que, se fossem pegos pela polícia, serão tratados como criminosos e jogados com brutalidade e desprezo numa cela suja?
Você acha que o tratamento coincidirá com a gravidade do crime?
................
Entre os 5 comentários oferecidos, transcrevo o do leitor Augusto: "Quem vai ser jogado em uma ela suja é o Diretor que bate na mulher, pois só quem fica preso no Brasil é Maria da Penha e quem deve pensão alimentícia.
O que furtou a bicicleta não vai, pois furto de pequeno valor muito delegado já nem faz mais flagrante pq o juiz relaxa e ainda dá um esporro ou uma cutucada no delegado. Ainda que o Delegado faça flagrante, furto hoje só fica preso quem não tem um salário mínimo pra dar de fiança.
O pipoqueiro que vende maconha em pacotinho vai ser considerado usuário e desclassificado pro art. 28 da lei de tóxicos, vai responder a um TC, apesar de, na minha opinião, ser o que está mais diretamente ligado com a geração de violência (viciando menores de idade que cometem delitos graves como assaltos e homicídios). Não que os outros não estejam também ligados, mas um pouco menos diretamente."
Em tempo: TC: Termo Circunstanciado.
Texto publicado no blog de Gerivaldo Neiva, Juiz de Direito:
Você sabe Direito Penal? Faça o teste!
Trecho
do livro “Pensando alto sobre violência, crime e castigo. Justiça”, de
Luiz Eduardo Soares. Ed. Nova Fronteira, 2011.
Vou
lhe dar um exemplo bem objetivo. Imaginemos que, numa escola, vários delitos
estejam sendo cometidos ao mesmo tempo: - o proprietário da escola omite informações ao Fisco sobre seus ganhos para pagar menos impostos (pagando menos do que deve, está se apropriando de dinheiro público que se destina ao saneamento, infraestrutura, habitação popular, educação pública e saúde);
- o sócio do primeiro proprietário, dirigindo embriagado, invadiu uma calçada e matou um jovem casal e uma criança;
- o diretor sofre de alcoolismo e bate em sua esposa, já tendo chegado a ameaçá-la seriamente caso ela tentasse fugir de casa ou ousasse denunciá-lo;
- um professor toma ecstasy nos fins de semana e revende as pastilhas no condomínio onde mora;
- uma professora viaja para Miami nos feriados para trazer contrabando e complementar sua renda;
- o médico da escola dá plantão em hospitais públicos mas não respeita o horário de trabalho previsto em seu contrato, limitando-se a trabalhar metade do tempo que lhe caberia;
- a psicóloga que atende a escola divide-se entre os alunos e seu consultório, onde não dá recibos e negocia o preço com seus pacientes exigindo que eles não declarem os gastos com o tratamento;
- o inspetor costuma comprar CDs e DVDs piratas nas bancas dos camelôs;
- o dono da empresa que faz as obras de expansão do prédio da escola enriquece graças a contratos superfaturados que negocia com a prefeitura;
- o pipoqueiro da esquina vende maconha embrulhada em papelotes;
- o zelador furtou a bicicleta que encontrou outro dia na saída da escola.
Dentre os personagens listados, quais você acha que, se fossem pegos pela polícia, serão tratados como criminosos e jogados com brutalidade e desprezo numa cela suja?
Você acha que o tratamento coincidirá com a gravidade do crime?
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Entre os 5 comentários oferecidos, transcrevo o do leitor Augusto: "Quem vai ser jogado em uma ela suja é o Diretor que bate na mulher, pois só quem fica preso no Brasil é Maria da Penha e quem deve pensão alimentícia.
O que furtou a bicicleta não vai, pois furto de pequeno valor muito delegado já nem faz mais flagrante pq o juiz relaxa e ainda dá um esporro ou uma cutucada no delegado. Ainda que o Delegado faça flagrante, furto hoje só fica preso quem não tem um salário mínimo pra dar de fiança.
O pipoqueiro que vende maconha em pacotinho vai ser considerado usuário e desclassificado pro art. 28 da lei de tóxicos, vai responder a um TC, apesar de, na minha opinião, ser o que está mais diretamente ligado com a geração de violência (viciando menores de idade que cometem delitos graves como assaltos e homicídios). Não que os outros não estejam também ligados, mas um pouco menos diretamente."
Em tempo: TC: Termo Circunstanciado.
LONDRES E A SEGURANÇA NAS OLIMPÍADAS
Peter Broelman.
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Olimpíadas?! Sim, e só falta uma semana pra começar. Aliás, hoje, 20, a Seleção Olímpica de Futebol do Brasl, com Neymar e companhia, joga amistosamente contra a da Grã-Bretanha.
Entreouvido na redação: "Até agora, as Olimpíadas 2012 estão batendo o recorde de indiferença por parte da mídia."
quinta-feira, 19 de julho de 2012
O PROGRESSO NO COMBATE À POBREZA
Aumento do salário e programas de distribuição de renda fazem pobreza cair 36% no Brasil, diz OIT
Estudo divulgado nesta quinta-feira (19) pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) com diversos indicadores socioeconômicos compilados mostra que, entre 2003 e 2009, a pobreza no Brasil caiu 36,5%, o que significa que 27,9 milhões de pessoas saíram da condição nesse período. Segundo a OIT, são consideradas pobres aquelas pessoas cuja renda fica abaixo de meio salário mínimo mensal per capita.
“A redução da pobreza entre os trabalhadores e trabalhadoras esteve diretamente associada ao aumento real dos rendimentos do trabalho, sobretudo do salário mínimo, à ampliação da cobertura dos programas de transferência de renda e de previdência e assistência social – que contribuíram para o aumento do rendimento domiciliar – e também pelo incremento da ocupação, principalmente do emprego formal”, diz o documento da OIT.
A OIT dedica especial atenção ao programa Bolsa Família, do governo federal. Segundo o organismo internacional, entre 2004 e 2011, a cobertura do Bolsa Família dobrou: passou de 6,5 milhões de famílias beneficiadas para 13,3 milhões, com o investimento de R$ 16,7 bilhões em recursos só em 2011.
De acordo com a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), o Bolsa Família é o maior programa de transferência de renda condicionada da América Latina em número de beneficiários – cerca de 52 milhões de pessoas, o correspondente a quase a metade das 113 milhões de pessoas beneficiadas na região.
Extrema pobreza
Apesar da redução geral da pobreza, o Brasil ainda tem 8,5% de sua população vivendo em condições de extrema pobreza – ou seja, com renda mensal per capita entre R$ 1 e R$ 70. O total de brasileiros nessa condição é de 16,27 milhões de pessoas, segundo estimativa elaborada pelo IBGE com base nos resultados preliminares do Censo 2010.
O documento mostra ainda que o Nordeste tem 9,61 milhões de pessoas extremamente pobres, ou seja, 59,1% do total nacional.
A incidência da extrema pobreza na região era de 18,1%, mais do que o dobro daquela correspondente ao conjunto do país (8,5%). A segunda região com maior incidência de extrema pobreza é a região Norte (16,8%). Por outro lado, a incidência da extrema pobreza era menor nas regiões Sul (2,6% da população), Sudeste (3,4%) e Centro-Oeste (4%). (Fonte: aqui).
DO DIREITO À SAÚDE
CNN elogia a saúde no Brasil como "direito de todos e dever do Estado"
Em meio às discussões da reforma do Sistema de Saúde dos Estados Unidos, o portal do canal a cabo de notícias norte-americano CNN divulgou um artigo elogiando o Sistema Único de Saúde (SUS). O autor do texto, Eduardo Gómez, ressalta que, desde o início do século XX, o governo brasileiro e a sociedade civil têm trabalhado juntos para estabelecer a saúde como um bem comum, ao compartilhar o ônus de pagar pelos serviços por meio de impostos.
Para ele, os norte-americanos precisam aprender uma lição importante com o Brasil: perceber que a saúde é um direito humano fundamental. “O SUS é descentralizado, de modo que a gestão, formulação e implementação de políticas são de responsabilidade dos governos estaduais e municipais. Além de fornecer cuidados de saúde primária, cirurgias e medicamentos, o SUS também oferece o Programa Saúde da Família, onde médicos e enfermeiros visitam famílias que vivem em lugares de difícil acesso”, explica o autor.
Segundo Gómez, todo o trabalho do SUS tem valido a pena. “A expectativa de vida do Brasil melhorou em um ritmo mais rápido do que o dos EUA desde 1960, apesar de continuar para trás. A expectativa de vida dos brasileiros subiu de 54.49 anos, em 1960, para 73.1, em 2010. Nos Estados Unidos, a expectativa aumentou de 69.77 anos para 78.24”, exemplifica.
O autor aponta, também, alguns dos desafios da saúde no Brasil, como as dificuldades na gestão de hospitais e a falta crônica de médicos e enfermeiros, especialmente em áreas rurais (o que a matéria indica também como problema nos EUA). Mas, apesar dos problemas, a América pode certamente aprender uma grande lição de seu parceiro do sul.
“Os brasileiros nos mostram que o direito à saúde precisa ser discutido incessantemente em debates políticos, independentemente dos inúmeros desafios que os sistemas de saúde possam enfrentar. Os brasileiros nos mostram, ainda, que a saúde é um bem comum que todos os norte-americanos deveriam apoiar”, finaliza Gómez. (Fonte: aqui).
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Certo comentarista, diante de matérias da espécie, jocosamente observava que "o Brasil só recebe elogios por parte de pessoas que o analisam à distância". Mas o SUS, a despeito dos percalços, tem seus méritos. Afinal, o Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes a desenvolver sistema tão abrangente.
O Obamacare contemplará algo em torno de 30 milhões de cidadãos norte-americanos, e a reação contrária de instâncias as mais diversas tem sido contundente, havendo até quem aponte a iniciativa como 'motor' da não-reeleição de Obama.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
DE OLHO MÍOPE NA INTERNET
Quando se fala em regulação da mídia (regulamentando os artigos da Constituição Federal que versam sobre comunicação), a grita é geral. A liberdade de imprensa, mesmo que desbragada e deformada, paira sobre todas as demais prerrogativas constitucionais, e fim de papo - mesmo porque, dizem os entusiastas de tal realidade, quem vai discernir judiciosamente sobre o que é desbragado/deformado e o que é constitucional?
Mas, se o assunto é Internet, a coisa muda de figura, notadamente em face da atuação de uma tal blogosfera arguta, incisiva e desrespeitosa. Projetos de lei pipocam aqui e ali, e até, especula-se, na esfera internacional (EUA) haveria medidas "em estudo".
Observação feita por Joel Bueno em seu blog:
Censura na Internet - cala a boca, escumalha!
O jornalista José Nêumanne Pinto é um portento. Ele já mandou no Estadão e no JB e agora dá as cartas na rádio Jovem Pan, no SBT e no Jornal da Tarde. Com um currículo desses, é claro que ele é antes de tudo um democrata, defensor intransigente da liberdade de expressão.
Pois ele cansou da internet. Tem muita calúnia, muita difamação, muita mentira na rede. Ele quer uma "lei dura" para enquadrar os internautas. E garante que a net precisa de "vigilância diuturna".
Dou a maior força. Já vi coisas horríveis na internet. Um cara dizendo que o Lula tentou estuprar um companheiro de prisão. Ficha policial falsa da Dilma. Gravações de espionagem no hotel onde se hospedava o Zé Dirceu. Acusação de que a campanha do Lula recebia dinheiro de Cuba. Sequestradores filmados com camisa do PT em dia de eleição. O Lula retratado como um racista bêbado que queria forçar sua ex-mulher a fazer aborto. Uma simples bolinha de papel transformada em poderoso petardo. Incontáveis mortes de Hugo Chávez. Previsões econômicas catastrofistas, visando instigar pânico.
Como é? Nada disso é criação da internet? É tudo da grande imprensa? Desculpa, foi mal.
Mas, se o assunto é Internet, a coisa muda de figura, notadamente em face da atuação de uma tal blogosfera arguta, incisiva e desrespeitosa. Projetos de lei pipocam aqui e ali, e até, especula-se, na esfera internacional (EUA) haveria medidas "em estudo".
Observação feita por Joel Bueno em seu blog:
Censura na Internet - cala a boca, escumalha!
O jornalista José Nêumanne Pinto é um portento. Ele já mandou no Estadão e no JB e agora dá as cartas na rádio Jovem Pan, no SBT e no Jornal da Tarde. Com um currículo desses, é claro que ele é antes de tudo um democrata, defensor intransigente da liberdade de expressão.
Pois ele cansou da internet. Tem muita calúnia, muita difamação, muita mentira na rede. Ele quer uma "lei dura" para enquadrar os internautas. E garante que a net precisa de "vigilância diuturna".
Dou a maior força. Já vi coisas horríveis na internet. Um cara dizendo que o Lula tentou estuprar um companheiro de prisão. Ficha policial falsa da Dilma. Gravações de espionagem no hotel onde se hospedava o Zé Dirceu. Acusação de que a campanha do Lula recebia dinheiro de Cuba. Sequestradores filmados com camisa do PT em dia de eleição. O Lula retratado como um racista bêbado que queria forçar sua ex-mulher a fazer aborto. Uma simples bolinha de papel transformada em poderoso petardo. Incontáveis mortes de Hugo Chávez. Previsões econômicas catastrofistas, visando instigar pânico.
Como é? Nada disso é criação da internet? É tudo da grande imprensa? Desculpa, foi mal.
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Internet. Censura na Internet. Joel Bueno.
terça-feira, 17 de julho de 2012
DA SÉRIE DIÁLOGOS TRANSCENDENTAIS
- Que parte você destacaria da entrevista concedida por Rosane Collor à fantástica Globo?
- O profissionalismo democrático.
- Resposta ampla e redundante, essa... Poderia ser mais específico? Profissionalismo democrático?! De quem? Onde?
- Da Globo, no fechamento.
- Ué, como assim?
- O apresentador informa que a emissora ofereceu espaço para Collor se manifestar, mas ele recusou.
- Ih, cara, tem razão! Profissionalismo é isso aí!
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Diálogos transcendentais. Rosane Collor. Globo.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
4º SALÃO MEDPLAN DE HUMOR
Aconteceu ontem, 15, no complexo Ponte Estaiada, nesta Capital, a abertura do 4º Salão Medplan, que elegeu as redes sociais como tema.
A exposição se prolongará por uma semana, após o que poderá ser admirada em outros locais, como o Liceu Piauiense e o colégio Diocesano.
Matéria sobre a abertura do Salão - com fotos diversas, em especial as dos desenhos expostos - poderá ser lida AQUI.
Parabéns à equipe 'medplânica'!
CORRUPÇÃO NOS TRILHOS
Pelicano.
................
A corrupção está nos trilhos. Já a fiscalização - os inúmeros órgãos incumbidos da fiscalização - só 'detecta' o rombo quando a cratera é descomunal e Inês está agonizando. No caso da Norte-Sul, o corrupto foi preso, e em seguida solto; os bens foram tornados indisponíveis, mas não se sabe por quanto tempo, nem se outros bens estão em nome de terceiros e, portanto, livres. Corrupção, saúva do Brasil.
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Charge. Corrupção. Ferrovia Norte-Sul. Pelicano.
OS NÚMEROS (NÃO) MENTEM
Números são usados para manipular a opinião pública, diz matemático
Por A. Álvaro Guedes
Quando se trata de enganar, o uso de números é a ferramenta mais eficaz para manipular o público. É o que defende Charles Seife, mestre em matemática pela Universidade de Yale e professor de jornalismo na Universidade de Nova York, no livro"Os Números (Não) Mentem" (Editora Zahar; 264 páginas)..
Segundo Seife, qualquer fraude ganha veracidade quando a matemática é empregada. As teses mais absurdas são "fundamentadas" em estatísticas questionáveis, e isso acontece com frequência.
"Nossa sociedade hoje está submersa em falsidades numéricas. Usando um punhado de técnicas poderosas, milhares de pessoas forjam números sem fundamentos e nos fazem engolir inverdades", acusa Seife.
Para compor o volume, o autor analisou diversas informações divulgadas pela imprensa mundial. A proposta da edição é desenvolver no leitor um ceticismo necessário para combater esses dados.
Na civilização ocidental, algarismos possuem uma força quase mística. Com essa arma, qualquer pessoa inescrupulosa pode interferir em eleições, promovendo ou derrubando candidatos, ou maquiar a eficiência de um produto.
Abaixo, leia um trecho do exemplar.
*
INTRODUÇÃOFalácias matemáticas
"A mentalidade americana parece extremamente vulnerável à crença de que qualquer conhecimento exprimível em números na verdade é tão definitivo e exato quanto as cifras que o expressam."
Richard Hofstadter, Anti-Intellectualism in American Life
"Em minha opinião, o Departamento de Estado, um dos mais importantes do governo, está totalmente infestado de comunistas." Mas não foram essas as palavras que, pronunciadas diante de um pequeno grupo de mulheres do estado da Virgínia Ocidental, projetaram o desconhecido senador do Wisconsin para o centro das atenções públicas. Foi a frase que vinha logo a seguir.
Brandindo um maço de papéis, o carrancudo Joe McCarthy conquistou seu lugar nos livros de história com uma afirmação impudente: "Tenho aqui em minhas mãos uma lista de 205. Uma lista de nomes, de conhecimento do secretário de Estado, que são membros do Partido Comunista e, apesar disso, continuam trabalhando e ditando os rumos no Departamento de Estado."
Aquele número - 205 - foi como uma descarga elétrica que levou Washington a agir contra os comunistas infiltrados. Pouco importa que fosse mentira. A conta chegou a 207 e voltou a cair no dia seguinte, quando McCarthy escreveu ao presidente Truman dizendo: "Conseguimos compilar uma lista de 57 comunistas no Departamento de Estado." Alguns dias depois, o número se estabilizou em 81 "riscos à segurança". McCarthy fez um longo discurso no Senado, fornecendo mais detalhes sobre grande número de casos (menos de 81), mas não revelou dados suficientes para que se checassem as afirmações.
Na fato, não importava se a lista tinha 205, 57 ou 81 nomes. O simples fato de McCarthy associar um número às acusações lhes conferia uma aura de verdade. Será que o senador faria declarações tão específicas se não tivesse provas? Ainda que as autoridades da Casa Branca desconfiassem de um blefe, os números faziam com que elas duvidassem de si mesmas. As cifras davam peso às acusações de McCarthy; eram muito sólidas, específicas demais para serem ignoradas. O Congresso foi obrigado a realizar audiências na tentativa de salvar a reputação do Departamento de Estado - e do governo Truman.
O fato é que McCarthy mentia. O senador não fazia a menor ideia se o Departamento de Estado abrigava 205, 57 ou um só comunista; atirava a esmo e sabia que as informações em que se baseava de nada valiam. Porém, de uma hora para outra, depois de tornar pública a acusação e de o Senado declarar que realizaria audiências sobre o assunto, precisava encontrar alguns nomes. Assim, procurou o magnata da imprensa William Randolph Hearst, anticomunista inflamado, para ajudá-lo a compor uma lista. Como se recorda Hearst: "Joe nunca teve nenhum nome. Ele nos procurou. 'O que eu vou fazer? Vocês precisam me ajudar.' Então, demos a ele um punhado de bons repórteres."
Nem o auxílio de meia dúzia de repórteres e colunistas de Hearst pôde dar alguma substância à lista de McCarthy. Quando começaram as audiências, em março de 1950, ele não foi capaz de apresentar o nome de um só comunista a serviço do Departamento de Estado. Isso não fazia a menor diferença. As acusações numéricas de McCarthy haviam chegado no momento certo. A China acabava de se tornar comunista e, no final das audiências, a Coreia do Norte invadiu a do Sul. Os Estados Unidos estavam aterrorizados com a crescente onda comunista no mundo, e o blefe do parlamentar o transformou, quase do dia para a noite, num símbolo de resistência. Um obscuro senador do baixo clero havia se tornado uma das figuras políticas mais famosas e polêmicas. Seu discurso sobre os 205 comunistas foi uma das mentiras mais eficientes da história americana.
A força do discurso de McCarthy vinha de um número. Embora fosse uma ficção, aquilo conferia credibilidade às mentiras do senador, sugerindo que o maço de papéis em suas mãos estava cheio de fatos incriminadores sobre funcionários específicos do Departamento de Estado. O número 205 parecia uma "prova" sólida de que as acusações do parlamentar deviam ser levadas a sério.
Como sabia McCarthy, os números podem ser uma arma poderosa. Em mãos ágeis, dados adulterados, estatísticas fajutas e matemática ruim podem dar aparência de verdade à ideia mais fantasiosa, à falsidade mais acintosa. Podem ser usados para oprimir os inimigos, destruir os críticos e pôr fim à discussão. Algumas pessoas, aliás, desenvolveram uma habilidade extraordinária no uso de números forjados para provar falsidades. Tornaram-se mestres da falácia matemática: a arte de empregar argumentos matemáticos enganosos para provar algo que nosso coração diz ser verdade - ainda que não seja.
Nossa sociedade hoje está submersa em falsidades numéricas. Usando um punhado de técnicas poderosas, milhares de pessoas forjam números sem fundamentos e nos fazem engolir inverdades. Anunciantes adulteram números para nos convencer a comprar seus produtos, políticos manipulam dados para se reeleger. Gurus e profetas usam cálculos fraudulentos para nos fazer acreditar em previsões que parecem nunca se realizar. Negociantes usam argumentos matemáticos enganosos para tomar nosso dinheiro. Pesquisas de opinião fingem ouvir o que temos a dizer e usam falácias matemáticas para nos dizer em que acreditar.
Às vezes, essa gente recorre a essas técnicas para tentar nos convencer de bobagens e absurdos. Algumas pessoas, inclusive cientistas, já lançaram mão de números falsos para mostrar que, um dia, os velocistas olímpicos vão romper a barreira do som e que existe uma fórmula exata para determinar quem tem a bunda perfeita. Não há limites para o grau de absurdo das falácias matemáticas.
Ao mesmo tempo, esses truques têm consequências gravíssimas. Invalidam eleições, coroando vencedores sem legitimidade - tanto republicanos quanto democratas. Pior ainda, são usados para manipular os resultados de eleições futuras; políticos e juízes empregam cálculos distorcidos para influenciar distritos eleitorais e comprometer o recenseamento que determina quais americanos serão representados no Congresso. As falsificações numéricas, em grande medida, são responsáveis pela quase destruição de nossa economia - e pelo desaparecimento de mais de US$ 1 trilhão do Tesouro, que desceram pelo ralo. Promotores e magistrados recorrem a números enganosos para inocentar culpados e condenar inocentes - e até para sentenciá-los à morte. Em suma, a matemática ruim está solapando a democracia nos Estados Unidos.
A ameaça vem tanto da direita quanto da esquerda. Aliás, algumas vezes parece que a falácia matemática é a única coisa que une republicanos e democratas. Contudo, é possível reagir a ela. Quem já aprendeu a reconhecê-la consegue identificá-la em quase toda parte, enredando o público numa teia de falsidades evidentes. Os mais atentos encontram nesses truques uma fonte diária da maior diversão - e da mais negra indignação.
Quando conhecemos os métodos empregados na transformação de números em falsidades, ficamos imunizados contra eles. Quando aprendemos a remover as adulterações matemáticas do caminho, alguns dos temas mais controvertidos passam a ser simples e diretos. Por exemplo, a questão de quem de fato venceu a eleição presidencial de 2000, nos Estados Unidos, fica clara como água. (A resposta é surpreendente, e quase ninguém - nem Bush nem Al Gore, e quase nenhum dos eleitores dos dois candidatos - estaria disposto a aceitá-la.) Entenda as falácias matemáticas, e você será capaz de revelar muitas verdades encobertas por um nevoeiro de mentiras. (Fonte: aqui).
................
No dia-a-dia, são cada vez mais comuns as manipulações perpetradas mediante números, sendo que há, também, a deliberada omissão de um percentual, por exemplo, para incutir na opinião pública a avaliação negativa sobre um tema qualquer. Caso típico: suponha que a taxa de inadimplência no varejo esteja em 4%, passando no período seguinte para 5%. O que faz a mídia? Informa, com o maior estardalhaço: "A inadimplência subiu 20%!!" E, espertamente, omite o índice de inadimplência.
CARICATURA DE LETRA (II)
Woody Allen.
Por Biratan Porto.
................
(O 'A' calcado na torre Eiffel, aludindo a 'Meia-noite em Paris'...).
domingo, 15 de julho de 2012
ANTIGA ILUSTRAÇÃO
Mendez. 1956.
(O paulista Ariovaldo Pires, 1907-1979, conhecido como Capitão Furtado, foi compositor e cantor. Será que teve algo a ver com Chão de Estrelas?
Quanto a Mendez: consagrado caricaturista dos anos 30 a 50, faleceu em 1996, aos 86 anos).
CACHAÇA NOS EUA, SEGUNDO ATO
Após campanha de produtores e do governo brasileiro, cachaça vive grande momento nos EUA
Por Robert Simonson, in The New York Times
A curta história da cachaça nos Estados Unidos é mais ou menos assim: chega o novo milênio, os norte-americanos descobrem a caipirinha e gostam (fácil). Os norte-americanos também aprendem a pronunciar caipirinha (um pouco mais difícil). Os norte-americanos aprendem a pronunciar cachaça, o destilado brasileiro necessário para fazer a caipirinha (ainda mais difícil).
E é mais ou menos aí que as coisas estão. Apesar de um crescimento constante nas vendas ao longo dos últimos cinco anos e do número cada vez maior de marcas disponíveis, a cachaça tem um perfil estreito de uso. Poucas bebidas são tão ligadas a um único coquetel na mente do consumidor (e neste caso, um coquetel que pode ter já ultrapassado o seu momento de maior sucesso).
Mas a cachaça pode estar pronta para seu segundo ato.
Depois de uma longa campanha por parte de alguns produtores da bebida e do governo brasileiro, os Estados Unidos decidiram em abril iniciar o processo que reconhecerá o destilado de cana-de-açúcar sul-americano com séculos de existência como uma bebida distinta. Os fabricantes não serão mais obrigados a rotular suas garrafas com os dizeres “rum brasileiro”. (Em troca, o Brasil fará um reconhecimento semelhante do bourbon norte-americano e do uísque do Tennessee.)
E em maio, a Diageo, o gigante conglomerado das bebidas alcoólicas, abraçará a Ypioca, a terceira maior marca brasileira de cachaça, comprando a companhia por cerca de US$ 470 milhões. Esses votos de confiança no elixir nacional brasileiro acontecem enquanto o país se prepara para seu duplo espetáculo: a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
“Acho que será um grande momento para a cachaça”, disse Martin Cate, dono do bar Smuggler's Cove em San Francisco, sobre os dois eventos internacionais.
Mas para se valer totalmente do momento, a bebida terá que primeiro sacudir sua imagem de mágico de um truque só.
“É parecido com o que o rum agrícola passou aqui”, disse Cate, mencionando o primo fraco-caribenho da cachaça, que também é destilado do caldo da cana-de-açúcar.
“Eles têm seu drinque característico, o 'ti punch'”, disse ele, referindo-se ao drinque feito de rum agrícola, limão e melado. “É um ótimo ponto de partida.”
Mas isso isola a bebida, diz ele.
“Acho que os produtores de cachaça estão dizendo agora: 'podemos chegar com a caipirinha, mas precisamos seguir adiante a partir daí'”, diz Cate.
E estão indo para bares como os de Cate. A explosão dos tiki-bar nos últimos cinco anos rendeu uma nova oportunidade à cachaça. Os fabricantes da bebida odeiam ser misturados com o mundo do rum.
“Eles sempre brincam que o rum deveria ser chamado de cachaça do Caribe, e não o contrário”, diz Steve Luttmann, fundador da marca Leblon.
Mas não há dúvidas de que a cachaça desce mais fácil... (Fonte: aqui).
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"Os fabricantes não serão mais obrigados a rotular suas garrafas com os dizeres 'rum brasileiro1. (Em troca, o Brasil fará um reconhecimento semelhante do bourbon norte-americano e do uísque do Tennessee.)"
Rum brasileiro... Tio Sam não brinca em serviço! (Mas o conglomerado Diageo, que comprou a brasileira Ypioca, não é americano - é britânico).
Marcadores:
Cachaça. Cachaça nos EUA. The New York Times.
BENESSE DURA NA QUEDA
Myrria.
A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Minas decidiu ontem – e o plenário referendou – pelo fim do pagamento anual do chamado auxílio-paletó aos parlamentares. Até então eles recebiam R$ 40.084,70, equivalentes ao 14º e 15º salários, pagos em fevereiro e dezembro, em tese para comprar terno e gravata. Diante da discussão nacional pelo fim da regalia, os mineiros resolveram se antecipar. (...)
Para continuar a leitura, clique aqui.
................
Enquanto isso, no Piauí velho de guerra, Assembleia Legislativa e Câmara de Teresina continuam empalitozadas, não se tendo notícias acerca da investida (de 2011) do Ministério Público em busca da extinção da excrescência.
A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Minas decidiu ontem – e o plenário referendou – pelo fim do pagamento anual do chamado auxílio-paletó aos parlamentares. Até então eles recebiam R$ 40.084,70, equivalentes ao 14º e 15º salários, pagos em fevereiro e dezembro, em tese para comprar terno e gravata. Diante da discussão nacional pelo fim da regalia, os mineiros resolveram se antecipar. (...)
Para continuar a leitura, clique aqui.
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Enquanto isso, no Piauí velho de guerra, Assembleia Legislativa e Câmara de Teresina continuam empalitozadas, não se tendo notícias acerca da investida (de 2011) do Ministério Público em busca da extinção da excrescência.
sábado, 14 de julho de 2012
OS DONOS DO MUNDO
"(...) O mundo se tornou propriedade dos banqueiros. Os trabalhadores produzem para os banqueiros, que controlam os governos. E quando, no desvario de sua carência de ética, e falta de inteligência, os bancos investem na ganância dos derivativos e outras operações de saqueio, são os que trabalham, como empregados ou empreendedores honrados, que pagam. É assim que estão pagando os povos da Grécia, da Espanha, de Portugal, da Grã Bretanha, e do mundo inteiro, mediante o arrocho e o corte das despesas sociais, pelos governos vassalos, alem do desemprego, dos despejos inesperados, das doenças e do desespero, a fim de que os bancos e os banqueiros se safem.
Se os governantes do mundo inteiro fossem realmente honrados, seria a hora de decidirem, sumariamente, pela estatização dos bancos e o indiciamento dos principais executivos da banca mundial. Eles são os grandes terroristas de nosso tempo. É de se esperar que venham a conhecer a cadeia, como a está conhecendo Bernard Madoff. Entre o criador do índice Nasdaq e os dirigentes do Goldman Sachs e seus pares, não há qualquer diferença moral.
Os terroristas comuns matam dezenas ou centenas de cada vez. Os banqueiros são responsáveis pela morte de milhões de seres humanos, todos os anos, sem correr qualquer risco pessoal. E ainda recebem bônus milionários."
(Mauro Santayana, em seu blog).
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No que tange ao Brasil, vale notar que a. o país adota as diretrizes recomendadas pelos Acordos de Basileia relativamente à atuação dos bancos; b. o crédito imobiliário, fonte de muitas das falcatruas praticadas por bancos mundo afora, alcança tão somente 3,5% do PIB; c. a relação crédito/PIB é pouco superior a 50%, enquanto a de outros países ultrapassa em muito tal marca:
.Brasil....................52%
.Zona do Euro......134%
.(Espanha, em abril de 2011: 163%)
.Japão...................169%
.EUA....................200%
Outra particularidade: cerca de 48% do montante de crédito no Brasl foram emprestados por bancos estatais, 35% pela banca privada e 17% por bancos estrangeiros
COISAS E CAUSOS
Do arco da velha
Por Carlos Herculano Lopes
Que no Ceará, no Piauí e nas Alagoas o macaco avoa e cão chupa manga, não é segredo para ninguém. Está mais do que cantado em livretos de cordel ou no testemunho de escritores famosos, como Raimundo Carrero, de quem tenho a honra de ser amigo. Pernambucano, ele jura ter presenciado situações tão ou mais incríveis que essas. É claro que acredito nele, porque aqui em Minas também acontecem coisas do arco da velha.
Algumas, me contaram, como Idelfonso Malaquias, em Coluna, que afirma ter colocado uma suçuarana para correr com uma varinha de bambu. Ou Cirineu Rocha, que também jura ter pegado uma urutu pelo rabo. Fatos semelhantes, que agora não vêm ao caso, cheguei a presenciar.
Só que macaco avoar ou cachorro chupar manga ainda não vi. Mas um cavalo sim, como pude comprovar há pouco tempo, lá mesmo na terra, durante o período em que estive ausente do Estado de Minas. Foi ali, no Bar do Joel Porto, que Idelfonso e Cirineu narraram suas aventuras.
Quanto a mim, estava cismando sobre a vida no terreiro da nossa casa, onde existe uma mangueira baixa, que se encontrava carregada de frutos. Olhava para um tico-tico. Cumprindo sua sina, fazia das tripas coração para alimentar um filhote de melro, duas vezes maior do que ele, quando, sem mais nem menos, um dos cavalos da fazenda, cujo nome não por acaso é Lampião, foi se adentrando. A empregada, sem querer, havia deixado a cancela aberta.
Até aí tudo bem se o animal, depois de me olhar de um jeito estranho, que fez meu coração começar a bater com força, não tivesse se dirigido para a mangueira. “Vai buscar sombra”, pensei. Mas não, pois de repente o Lampião (também juro, pela alma do gato), levantou a cabeça e, num lance rápido, como o bote da cascavel, abocanhou uma manga.
De um salto me levantei do banco, pensei em fazer o nome do Padre e voltei as atenções para o cavalo, que, com os olhos fixos nos meus, começou o processo de mastigação, para pouco depois cuspir o caroço. Em seguida, depois de abrir a boca, como se bocejasse, voltou-se de novo para a árvore e zás, pegou outra fruta. “Isso só pode ser coisa do tinhoso, do ferrabrás, como já disse Guimarães Rosa”, me veio à cabeça.
Mas não tive tempo para novas divagações a respeito ou não da existência do demo, que costuma, segundo o escritor, se apresentar de diversas formas. Ali, debaixo da mangueira, bem que poderia estar na pele do Lampião. Tempo não deu porque o próprio, num outro lance espetacular, quando as frutas fugiram ao alcance da sua boca, se encostou no tronco da árvore e começou a balançá-la. Os relinchos, que fizeram voar o tico-tico e o meu coração quase sair pela boca, eram como um ronco. Coisa dos infernos.
De volta a BH, me peguei pensando que, façanha igual, só poderia ser comparada a uma que me foi contada pelo amigo Arnaldo Viana. Durante uma pescaria no São Francisco, na companhia de Wander Piroli e do curvelano Ricardo Eugênio, garante ter fisgado um capiroto pequeno, mas com chifrinhos proeminentes. Porém, essa é outra história que, quem sabe, ele irá narrar em uma de suas crônicas, que a partir de amanhã – e todos os sábados – teremos a alegria de ler.
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Textos sobre causos são sempre interessantes, e o acima, de quebra, ainda faz alusão ao saudoso Wander Piroli, escritor mineiro com quem mantive contato nos anos 1990, autor de preciosidades como "Os rios morrem de sede" e o inesquecível "A mãe e o filho da mãe". Piroll faleceu em 2006.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
DA SÉRIE TRAMBIQUES BANCÁRIOS
Gângsters, digo, banqueiros na capa da The Economist.
Chris Madden.
A manipulação da taxa de juros LIBOR, a taxa de referência internacional na qual muitas das taxas mundiais de juros se baseiam, afetou o montante de 'n' investimentos, ludibriando clientes e enchendo os cofres dos bancos, como o inglês BARCLAYS, que, pilhado, admitiu cometer este tipo de fraude "centenas" de vezes.
Mortais comuns certamente iriam para a cadeia por conta disso, mas o banco Barclays apenas teve de pagar uma multa, representando parcela (nem se sabe ao certo de quanto) de seus polpudos lucros.
O regulador de finanças da União Europeia, Michel Barnier, está propondo uma reforma que prevê a punição rigorosa de banqueiros responsáveis por fraudes como a acima. Se tal iniciativa prosperar, esse tipo de responsabilização pode rapidamente se espalhar pelo globo.
Veja aqui uma alternativa razoável de procedimento de nossa parte.
OLD PHOTO
The Rolling Stones, em 1965. A banda inglesa está completando 50 anos de estrada. O nome surgiu a partir do título da canção Rolling Stone, do bluseiro norte-americano Muddy Waters. Os jovens músicos ingleses (Rolling, Beatles) apreciavam o som produzido nas margens do Mississipi, e as fitas cassete estavam sempre chegando a Londres, Liverpool e outras cidades do Reino Unido, com o implacável blues. A música negra é a mãe do Rock. Com um bom gosto assim, tinham de estourar mundo afora.
Para ler sobre os 50 anos dos Stones, clique aqui.
AUSTERIDADE: PECADORES POUPADOS
Ilustração: Haja de Reijger.
O inútil altar de sacrifícios
Por Clóvis Rossi
E a Espanha também aceitou ser açoitada pelos seus pares europeus, nesse altar de sacrifícios em que se transformou a política de ajustes imposta pela crise.
Mariano Rajoy, o presidente do governo, anunciou (...) um pacote de € 65 bilhões até 2015, entre cortes de gastos e aumento de impostos, condição exigida pela União Europeia para resgatar os bancos espanhóis encalacrados.
Resolve alguma coisa? Do ponto de vista social, está evidente que os ajustes até agora implementados só causaram dor.
O desemprego já atingiu um recorde obsceno e, pior, vai aumentar, segundo os cálculos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. Em 2013, subirá para 25,3%, algo mais que os 24,5% previstos para este ano.
Não obstante, o pacote ontem anunciado reduz o valor do seguro-desemprego a partir do sétimo mês, o que acrescenta sadismo ao massacre social em curso desde o governo do socialista José Luis Rodríguez Zapatero.
Resolve do ponto de vista político? Os socialistas foram triturados nas urnas, mas seu sucessor, conservador, já o está sendo nas pesquisas: 65% desaprovam sua gestão e 78% dizem ter pouca ou nenhuma confiança no seu taco, conforme levantamento que "El País" publicou domingo. E olhe que Rajoy foi eleito faz apenas oito meses. Já está desmoralizado.
Resolve pelo menos do ponto de vista da saúde das contas públicas, preocupação obsessiva e única dos governantes europeus, só recentemente temperada pela eleição de François Hollande e sua defesa do crescimento, além da austeridade?
Tampouco, como se lia ontem em artigo de Jamil Baz, estrategista-chefe de um desses fundos de investimento de risco, para o "Financial Times".
Começa com um toque religioso, ao dizer que "às vezes é possível acreditar que o sofrimento vale a pena" e que "a era de austeridade em que supostamente vivemos tem um tipo de qualidade redentora".
Pois não tem, não, acrescenta: "Depois de cinco anos [desde o início da crise], estamos pior do que quando começamos".
Mas, atenção, ele não está falando do desemprego na Espanha (ou na Grécia ou no resto do mundo desenvolvido). Esse tipo de detalhe sórdido interessa pouco ou nada a agentes de mercado.
Está falando da dívida, cuja redução é o Santo Graal da austeridade: a dívida subiu de uma média ponderada de 381% do Produto Interno Bruto em 2007 para 417% nas 11 economias que mais estão no microscópio do mercado (Alemanha, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Irlanda, Itália, Japão, Portugal e Reino Unido).
Não é preciso ser PhD em Harvard ou outra grife acadêmica para desconfiar que alguma coisa está profundamente errada com essas políticas. Um erro de origem, aliás: a crise não foi provocada pelo mau comportamento dos governos que gastaram ou se endividaram demais, mas pelo sistema financeiro, suas aventuras e seus trambiques (vide o caso recentíssimo da fraude com a Libor). Logo, açoitar governos e sociedades, deixando solta a banca, é poupar os pecadores.
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Operações com os tais derivativos (espécie de 'jogatina do mercado futuro'), hipotecas fajutas, as mais diversas aventuras e trambiques: o sistema financeiro se locupletou, e suas cúpulas, até mesmo depois do desastre e das sucessivas operações de socorro postas em prática pelos governos, continuaram a receber polpudos bônus. Quanto ao sufoco das empresas e trabalhadores em geral, trata-se de situação irrelevante para os bancos, pois os governos jamais permitirão a quebra das instituições que não podem quebrar (o famoso risco sistêmico), independentemente da origem dos rombos (operações sadias e/ou transações especulativas).
O inútil altar de sacrifícios
Por Clóvis Rossi
As políticas de austeridade rígida fizeram aumentar o
desemprego, mas a dívida não diminuiu
E a Espanha também aceitou ser açoitada pelos seus pares europeus, nesse altar de sacrifícios em que se transformou a política de ajustes imposta pela crise.
Mariano Rajoy, o presidente do governo, anunciou (...) um pacote de € 65 bilhões até 2015, entre cortes de gastos e aumento de impostos, condição exigida pela União Europeia para resgatar os bancos espanhóis encalacrados.
Resolve alguma coisa? Do ponto de vista social, está evidente que os ajustes até agora implementados só causaram dor.
O desemprego já atingiu um recorde obsceno e, pior, vai aumentar, segundo os cálculos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. Em 2013, subirá para 25,3%, algo mais que os 24,5% previstos para este ano.
Não obstante, o pacote ontem anunciado reduz o valor do seguro-desemprego a partir do sétimo mês, o que acrescenta sadismo ao massacre social em curso desde o governo do socialista José Luis Rodríguez Zapatero.
Resolve do ponto de vista político? Os socialistas foram triturados nas urnas, mas seu sucessor, conservador, já o está sendo nas pesquisas: 65% desaprovam sua gestão e 78% dizem ter pouca ou nenhuma confiança no seu taco, conforme levantamento que "El País" publicou domingo. E olhe que Rajoy foi eleito faz apenas oito meses. Já está desmoralizado.
Resolve pelo menos do ponto de vista da saúde das contas públicas, preocupação obsessiva e única dos governantes europeus, só recentemente temperada pela eleição de François Hollande e sua defesa do crescimento, além da austeridade?
Tampouco, como se lia ontem em artigo de Jamil Baz, estrategista-chefe de um desses fundos de investimento de risco, para o "Financial Times".
Começa com um toque religioso, ao dizer que "às vezes é possível acreditar que o sofrimento vale a pena" e que "a era de austeridade em que supostamente vivemos tem um tipo de qualidade redentora".
Pois não tem, não, acrescenta: "Depois de cinco anos [desde o início da crise], estamos pior do que quando começamos".
Mas, atenção, ele não está falando do desemprego na Espanha (ou na Grécia ou no resto do mundo desenvolvido). Esse tipo de detalhe sórdido interessa pouco ou nada a agentes de mercado.
Está falando da dívida, cuja redução é o Santo Graal da austeridade: a dívida subiu de uma média ponderada de 381% do Produto Interno Bruto em 2007 para 417% nas 11 economias que mais estão no microscópio do mercado (Alemanha, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Irlanda, Itália, Japão, Portugal e Reino Unido).
Não é preciso ser PhD em Harvard ou outra grife acadêmica para desconfiar que alguma coisa está profundamente errada com essas políticas. Um erro de origem, aliás: a crise não foi provocada pelo mau comportamento dos governos que gastaram ou se endividaram demais, mas pelo sistema financeiro, suas aventuras e seus trambiques (vide o caso recentíssimo da fraude com a Libor). Logo, açoitar governos e sociedades, deixando solta a banca, é poupar os pecadores.
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Operações com os tais derivativos (espécie de 'jogatina do mercado futuro'), hipotecas fajutas, as mais diversas aventuras e trambiques: o sistema financeiro se locupletou, e suas cúpulas, até mesmo depois do desastre e das sucessivas operações de socorro postas em prática pelos governos, continuaram a receber polpudos bônus. Quanto ao sufoco das empresas e trabalhadores em geral, trata-se de situação irrelevante para os bancos, pois os governos jamais permitirão a quebra das instituições que não podem quebrar (o famoso risco sistêmico), independentemente da origem dos rombos (operações sadias e/ou transações especulativas).
quinta-feira, 12 de julho de 2012
DEMÓSTENES: GRAN FINALE
Entreouvido no Twitter: "A esquerda me tirou o mandato?! Eu não sabia que o ex-senador é esquerdista!"
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Demóstenes Torres. Twitter final. Gran finale.
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