sexta-feira, 3 de setembro de 2021

CONQUISTADORES OU 'LIBERTADORES'?

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Em 1º de março de 2019, o presidente do México,  Andrés Manuel López Obrador, dirigiu uma carta ao rei da Espanha, Felipe VI (fez o mesmo em uma carta dirigida ao Papa Francisco), na qual afirma que este ano marca meio milênio da chegada de Hernán Cortés e que o país comemorará 500 anos da queda de Tenochtitlán e celebrará, em 21 de setembro, 200 anos de sua independência.


Por Juan J. Paz-y-Miño Cepeda

Consequentemente, diz a carta, é necessário refletir sobre os acontecimentos do passado, porque a conquista "foi realizada por meio de inúmeros crimes e abusos"; implantou "uma ordem social baseada na segregação de castas e raças; a língua espanhola foi imposta e empreendeu a destruição sistemática das culturas mesoamericanas"; e, portanto, "o México deseja que o Estado espanhol admita sua responsabilidade histórica por esses crimes e ofereça as devidas desculpas ou reparações políticas."

A carta dirigida ao Papa tem o mesmo significado, uma vez que se espera o mesmo pedido de desculpas da Igreja Católica. Obviamente, a carta causou um malestar na Espanha e na resposta de seu governo, que "lamenta profundamente" o texto e afirma: “A chegada, há 500 anos, dos espanhóis às terras mexicanas atuais não pode ser julgada à luz de considerações contemporâneas.”

O desacordo político e diplomático não acabou, porque o governo do México voltou a levantar sua posição crítica em relação à conquista espanhola, por ocasião do fato de que no dia 13 de agosto, a queda de Tenochtitlán [a então capital do império azteca] foi precisamente lembrada. Um twitter do VOX, o partido da extrema direita espanhola, deu uma razão adicional, como afirmou: “Em um dia como hoje, 500 anos atrás, uma tropa de espanhóis liderada por Hernán Cortés e aliados nativos conseguiu a rendição de Tenochtitlán. A Espanha conseguiu libertar milhões de pessoas do regime de terror e sanguinário dos astecas. Orgulho da nossa história.”

Do ponto de vista historiográfico, o assunto não é recente. A mais antiga interpretação conservadora sustenta que, antes do avanço do protestantismo na Europa, Deus recompensou a Espanha ultracatólica e unificada pelos reis Fernando e Isabel, com a descoberta de um novo continente, no qual poderia iluminar novos povos com religião verdadeira do mundo. No entanto, Fray Bartolomé de las Casas destacou os horrores da conquista, que deu origem à "lenda negra" que, segundo a interpretação espanhola, foi alimentada pela Grã-Bretanha, como uma potência imperialista que, em seu tempo, queria derrotar a potência espanhola, atacando-a, a fim de evidenciar as colonizações "pacíficas" em mãos britânicas.

De fato, outra tradição historiográfica afirma que os índios americanos consideravam os espanhóis como "deuses", pois seus presságios, mitos e crenças levaram a essa conclusão. Não foi apenas entre os astecas do México, mas também entre os incas, como Nathan Wachtel argumentou em seu livro Los indios del Perú frente a la conquista española (1976), que consideram, em suma, que a visão indígena explica, muito mais do que as armas europeias, sua própria derrota. Mas, Camilla Townsend, em seu livro El Quinto Sol. Una historia diferente de los aztecas (2019), desmistifica o suposto personagem sanguinário dos astecas, e recentemente assegurou: “É um absurdo, os astecas não viam os espanhóis como deuses.” Por sua vez, em Los conquistadores. Figuras y escrituras (1999), o historiador Jacques Lafaye, argumentou que os espanhóis, por outro lado, consideravam suas ações uma projeção, em outras geografias, da guerra contra os mouros, que conseguiram expulsar da província e, além disso, assumiram a conquista como missão salvadora de outros povos.

É claro que não falta quem interprete a conquista como "libertação" de algumas populações submetidas pelos astecas ou pelos incas, conforme o caso, já que foram impérios opressores de povos conquistados antes da chegada dos espanhóis. É isso que Marcelo Gullo faz em sua obra Madre Patria: desmontando la leyenda negra desde Bartolomé de las Casas hasta el separatismo catalán (2021). Mas ele não é o único. E a guerra do Tahuantinsuyo explica bem a situação: as populações que haviam apoiado Huáscar viam nos conquistadores seres que podiam ajudá-los a se vingar de Atahualpa, o inca conquistador e contra quem tinham sérios motivos para se rebelar. No Equador, a história tradicional considerou Huáscar um traidor e que se rebelou contra o "legítimo" Inca; mas no Peru ocorreu o oposto. Essas visões paralelas foram submetidas, por muito tempo, ao conflito territorial que os dois países mantiveram em sua vida republicana.

Por ocasião do 500º aniversário da chegada de Cristóvão Colombo no que hoje é a América, as paixões se acenderam: a Espanha falou do "encontro" de dois mundos; mas as populações indígenas latino-americanas rejeitaram a conquista, que destruiu as estruturas de sua vida econômica, social e cultural. Quanto às festividades da fundação espanhola de Quito (1534), há quem rejeite a conquista, mas também surgiu um grupo de "hispanistas" que em dezembro passado fez oferendas e gritou vivas e slogans a favor da Rainha Isabel La Católica e dos conquistador Sebastián de Benalcázar.

Trata-se, portanto, de polêmicas historiográficas e políticas, que dependem dos interesses que se quer defender ou posicionar. Sejam deuses ou homens, heróis ou vilões, uma Espanha monárquica civilizadora na América ou destruindo povos, somente uma perspectiva de longo prazo permite que os eventos sejam esclarecidos. Porque, em essência, a conquista foi um acontecimento brutal, e o triunfo dos conquistadores sobre os índios finalmente subjugados e subordinados, permitiu o florescimento da era colonial, que perdurou até os processos de independência das primeiras décadas do século XIX. Não existem mais os sistemas econômicos e sociais que os astecas ou incas criaram antes da conquista. A crise populacional e a destruição material são evidentes. Tenochtitlán foi arrasada. A colônia fazia parte do processo original ou primitivo de acumulação de capital.

Certamente criou uma nova cultura, favoreceu a miscigenação, determinou a forma como a América Latina moldou sua economia e sua incursão na vida mundial durante a Idade Moderna e parte da Idade Contemporânea. É impossível negar que o colonialismo criou o pano de fundo exportador primário da região e lançou as bases para o enorme fosso social produzido pelas castas, o domínio dos “brancos” e a miséria dos povos indígenas na época colonial. Sobre essas bases foram construídas as repúblicas latino-americanas, que largamente edificaram seus próprios sistemas oligárquicos nacionais. A dependência externa preponderava desde os tempos coloniais e a vida das repúblicas encontrou novas formas de mantê-la em benefício das classes dominantes e exploradoras: latifundiários, mercadores, alguns banqueiros e, no início do século XX, certos fabricantes e industriais.

É claro que a Espanha nada tem a ver com a construção das formas e sistemas de dominação e exploração construídos na América Latina contemporânea e que respondem às formas particulares como se deu o desenvolvimento capitalista da região. Mas o pano de fundo histórico do colonialismo é uma marca distintiva da história latino-americana. Nossas ciências sociais têm investigado constantemente o assunto e observado aqueles processos do passado remoto, porque sem essa perspectiva o presente não seria compreendido.  -  (Fonte: Boletim Carta Maior - Aqui).

*Publicado originalmente por Con Nuestra América | Traduzido por César Locatelli 

11.09 = 20 ANOS


Richard Thompson. (EUA). 

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

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(02.09)


.Peter Frampton:
"Show Me The Way" (Live 1975) .................. Aqui.
................
.Reo Brothers:
Beatles Love Songs (Part 1) .......................... Aqui.
Beatles... (Part 2) .......................................... Aqui.
"Mr. Dieingly Sad" (The Critters) ................ Aqui.
"Sultans Of Swing" (Dire Straits) ................ Aqui.
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.Jovem Guarda:
A história da musa Katia Cilene .................. Aqui.


.TV Solnik - Alex Solnik:
O elo encontrado .......................................... Aqui.

.DCM - Live das 5:
STJ avisa: milico de pijama que fizer 
arruaça no 7 de setembro será preso .......... Aqui. 

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa ................................................. Aqui.

.Boa Noite 247:
A guerra de nervos do 7 de setembro .......... Aqui.

.Luis Nassif:
Pesquisas eleitorais: quem continua
no jogo em 2022 ........................................... Aqui.

.DCM - O Essencial:
Ex-empregado dos Bolsonaro abre o bico .. Aqui.

.Aquias Santarem:
Entrevista bombástica com 
ex-empregado de Bolsonaro ....................... Aqui.

.Paulo A Castro:
PF tenta armar contra Lula e o PT ............. Aqui.

DA CRISE HÍDRICA

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Racionamento 
em Perspectiva?


J Bosco.

........................


CPI da Pandemia

.Galãs Feios:
CPI ouve Marconny Faria*, suposto
lobista da Precisa ............................................ Aqui.

....
* = Uma vez que o senhor Marconny Faria
deixou de comparecer à sessão da CPI, foi
ouvido o ex-secretário de Saúde do DF,
Francisco Araújo Filho.

RUMO AO MUNDO DE FRANCISCO: ECONOMIA, HUMANISMO E ECOLOGIA EM TEMPOS DE CRISE


Por José Celso Cardoso Jr
e César Locatelli 

"A apatia e a tibieza dos tecnocratas da ciência neutra escondem,
na verdade, um consentimento com a produção e a reprodução de injustiças.''
(Mário Theodoro, prefaciador) 

O grito da terra e dos pobres, emitido pelo Papa Francisco já em 2015, assim como seu “convite a procurar outras maneiras de entender a economia e o progresso, o valor próprio de cada criatura, o sentido humano da ecologia, a necessidade de debates sinceros e honestos”, foram ouvidos e aceitos por Guilherme Delgado que, com este, chega ao seu quinto livro autoral. O autor desenvolve em oito capítulos uma bem estruturada análise da economia política contemporânea, para o que se inspira desde o início na “Economia de Francisco”.

A abordagem inicial está centrada nos dois focos temáticos que acompanham toda a narrativa: as questões da crise econômica, sejam elas da economia real ou dos paradigmas em disputa, relativamente à Ciência Econômica como paradigma dominante; e a abordagem das economias alternativas - a Economia Humana e a Economia Ecológica, ambas tratadas como paradigmas científicos em disputa com a via principal: o capitalismo em sua fase neoliberal predominante há mais de 40 anos.

Há, entretanto, ainda que considerar as experiências do mundo da vida (do mundo real), impostas pelo estado de necessidade gerado pelas crises do sistema econômico de mercado autorregulado. E neste último caso, merece especial destaque a abordagem histórica do “Setor de Subsistência” brasileiro, espaço social que, de longa data engloba os não incluídos no chamado capitalismo organizado e que, ainda hoje, pode ser considerado uma arena onde se desenrolam experiências criativas de economia humana, entrelaçadas com sombras de criminalidade e manipulação de certa teologia da prosperidade.

O leitor terá acesso à abordagem específica do tema-título nos capítulos finais (7 e 8), onde, ao finalizar a discussão sobre as economias alternativas em linha pluridisciplinar e heterodoxa, o autor lança mão de outro recorte epistêmico – o enfoque ético-teológico, para o que introduzirá explicitamente a Mensagem do Papa Francisco sobre a hoje chamada “Economia de Francisco”.

Esta parte do livro está devidamente contextualizada ao ensino socioeconômico da Igreja Católica deste século XXI (cap. 7); e no capítulo 8 por meio de incursão mais aprofundada sobre as reminiscências dos Evangelhos Sinóticos sobre os fundamentos das economias humana e ecológica. O propósito dessa abordagem é claramente o de responder aos desafios éticos radicais da “Economia de Francisco” para que se coloque “em prática uma economia diferente, que faz viver e não mata, inclui e não exclui, humaniza e não desumaniza, cuida da criação e não a devasta”, nas palavras do próprio Papa.

Estes dois campos, claramente antinômicos, expressos pela “Economia de Francisco”, não são apelos retóricos, sem implicações históricas concretas. Mas desafios de caráter civilizatório que se põem ao espaço planetário em pleno século XXI, clamando por transições e travessias ecológicas e humanitárias contra a barbárie social instalada desde as chamadas inovações econômicas estritamente mercantis. Estas, outrora, foram uma espécie de bastião teórico do desenvolvimento econômico, mas agora se revelam uma grande pedra de tropeço, com prazo cada vez mais curto para ser removida.

É, portanto, uma leitura indispensável para nos libertarmos das amarras intelectuais, ideológicas e (i/a)morais do presente, ainda mais quando exacerbadas pela atual catástrofe sanitária global da covid-19, lançando luz sobre a dimensão ética e inescapavelmente humana e ecológica do desenvolvimento econômico e social a futuro.  -  (Fonte: Boletim Carta Maior - Aqui).

Serviço:

Autor: Guilherme Costa Delgado
Título: Rumo ao mundo de Francisco [livro eletrônico] : Economia, humanismo e ecologia em tempos de crise
Organização: José Celso Cardoso Junior
Edição: Associação dos Funcionários do Ipea, 2021.
Download gratuito: baixe aqui
Vídeo de lançamento do livro: assista aqui

TEMPO TEMPO


(Boletim
Carta Maior). 

BRASIL: ALTA NEBULOSIDADE


Fred. 
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.Bom Dia 247 (02.09) - Attuch / Blay / 
PML / Solnik / Cruvinel:
A missão de Lula ............................................. Aqui.

................

CPI da Pandemia

.Galãs Feios:
CPI ouve Marconny Faria, suposto
lobista da Precisa ............................................ Aqui.

DA SÉRIE ECOS DE UMA RETIRADA ATABALHOADA


Emad Hajjaj. (Jordânia). 

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

ELES DISSERAM E/OU CANTARAM

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(01.09)


.Louis Armstrong &
Ella Fitzgerald:
"Dream A Little Dream Of Me" ................ Aqui. 
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.Louis Armstrong:
"Hello Dolly" ............................................. Aqui.
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.The Critters:
"Mr. Dieingly Sad" .................................... Aqui.
"I Wear A Silly Green" .............................. Aqui.
"Don't Let The Rain Fall Down On Me" ... Aqui.


.Aquias Santarem:
Político é preso em aeroporto levando
meio milhão para movimento 7 de set ..... Aqui.

.Reinaldo Azevedo:
O É da Coisa .............................................. Aqui.

.Boa Noite 247:
Lula alarga a dianteira ............................ Aqui.

.Luis Nassif:
Como a máfia dos remédios assumiu
o controle da Saúde .................................. Aqui.

.DCM - O Essencial - Kiko Nogueira:
Guedes: PIB andou de lado; Hang 
investigado; novo rolo de Jair Renan ...... Aqui. 

.Paulo A Castro:
MPF recorre para reverter recusa de
denúncia contra Lula ................................ Aqui.
Zanin vai ao STF: Lava Jato influenciou
Bolsonaro contra Lula na ONU ............... Aqui.

................
.Visão CNN:
RJ: Variante Delta causou aumento de
casos nas últimas 3 semanas .................... Aqui.

POVERTY BRAZIL


J Bosco. 

MPF DE MOSSORÓ PROCESSA UNIÃO PELOS ABUSOS DA LAVA JATO DE CURITIBA


"
O Ministério Público Federal de Mossoró acaba de propor uma Ação Civil Pública pelos abusos cometidos pela Operação Lava Jato.

A ação surge em decorrência da posição do MPF sobre a “necessidade de responsabilização direta de agentes públicos que atentam contra a democracia, havendo clara distinção entre casos desse tipo e os precedentes do STF que admitem a tese da ‘dupla garantia’”. 

"A ação busca reparação aos danos morais coletivos causados pela Força Tarefa da Lava Jato quando influenciou diretamente as eleições presidenciais de 2018, divulgando o vídeo do ex-MInistro Antonio Palocci e, antes disso, a gravação ilegal das conversas entre Dilma Rousseff e Lula.

A ação visa condenar a União a medidas de reparação, que consistiriam no seguinte:

Promover a “adequada educação cívica para a democracia no âmbitos da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (ENFAM) e da Escola Nacional do Ministério Público (ESMPU), a partir da realização de cursos, pesquisas, congressos, conferências, seminários, palestras, encontros e outros eventos técnicos, científicos e culturais periódicos com magistrados e procuradores da República abordando os temas da democracia militante e das novas formas de autoritarismo que erodem a democracia e a constituição brasileira, em parte causados pela Operação Lava Jato, a fim de qualificar os respectivos profissionais nas novas tarefas a serem desempenhadas em prol da proteção do regime democrático”.

Esclarece que a ação não visa demonizar o enfrentamento da corrupção, nem lançar uma crítica geral à Lava Jato. Faz questão de separar os abusos da Lava Jato Curitiba dos trabalhos desenvolvidos em São Paulo e Rio de Janeiro.

Mas visa buscar a “necessária reavaliação crítica” da operação.  Menciona trabalho da juíza Federal Fabiana Alves Rodrigues, que tem a seguinte apresentação do cientista político Fernando Limongi:

Já é passada a hora de se iniciar uma avaliação crítica da narrativa heroica criada em torno da Lava Jato, narrativa deliberadamente difundida pelos próprios membros da operação para legitimá-la. E é isso que Fabiana Alves Rodrigues faz, dando início a essa revisão. Diferentemente da maioria dos críticos da operação, a autora se concentra em seus aspectos institucionais e jurídicos, combinando com maestria a Ciência Política e o Direito. Como mostra a autora, nem todas as decisões tomadas foram amparadas no rigor da lei e da transparência. Sendo claro e direto: os responsáveis pela operação não hesitaram em torcer os meios legais para atingir seus objetivos. Despida da aura de inatacável, a operação pode ser examinada pelo que realmente foi e pelas suas consequências concretas para o país. Não se trata de defender este ou aquele acusado, este ou aquele partido. Fabiana Rodrigues não é advogada e não milita em nenhum partido. Os defensores incondicionais da operação sempre se valeram desse recurso para desqualificar seus críticos. A operação não olharia para a política, para os nomes dos acusados. A Lava Jato olharia única e exclusivamente para a lei. Polícia Federal, juízes e promotores envolvidos seriam técnicos aplicando a lei. Os resultados alcançados, sem precedentes, justificavam-se, viriam deste fato, de seguirem a lei e nada mais[5]. (sem destaques no original) 

Esclarece que não tem intenção de defender ninguém da Lava Jato, mas fazer uma defesa do regime democrático. E menciona o prefácio ao livro, escrito por Sérgio Arantes:

“O impacto da Lava Jato sobre o sistema político foi uma verdadeira hecatombe, com efeitos deletérios sobre a própria democracia. Não foi objetivo deste livro nem cabe neste espaço descrever como a operação afetou a eleição de 2014, mobilizou a sociedade em gigantescas manifestações (muitas antidemocráticas), levou à desestabilização e ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff, contribuiu para a inviabilização do governo Temer e ajudou a delinear o cenário da disputa presidencial de 2018, mas, em resumo, pode-se dizer que ela emparedou o conjunto das forças políticas e há quem diga que pôs fim ao ciclo iniciado com a Nova República. No entanto, mais do que combater a corrupção política, o principal feito da operação foi ter propiciado as condições para a ascensão de Jair Bolsonaro (cada Mãos Limpas termina com o Berlusconi que merece”[6]. (sem destaques no original) 

O MPF começa, assim, a dolorosa autocrítica, cortando na própria carne."


(De Luis Nassif, texto intitulado "MPF de Mossoró processa União pelos abusos da Lava Jato de Curitiba", publicado no Blog JornalGGN - Aqui -, de que é titular.

Enquanto isso, Dallagnol segue impassível, prestigiadíssimo pelo CNMP e outras instâncias, Moro aguarda indicação - já praticamente acertada - para a eleição presidencial, a CPI da Pandemia prossegue em sua missão de identificar omissões e ações deletérias praticadas por agentes diversos - e o paraíso é o que está a imperar presentemente neste torrão natal.

Sem embargo, claro, dos aplausos entusiásticos dos milhares de fãs da Lava Jato Curitiba espalhados pelo País, para quem as garantias individuais alinhadas na Constituição Federal são meros subterfúgios invocados por insanos).

MES COMPLIMENTS AU CHEF


Oscar. 
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.Bom Dia 247 (01.09) - Attuch / PML / 
Solnik / Cruvinel / Cynara:
Justiça fecha o cerco contra o clã ................ Aqui.

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.CPI da Pandemia:

.Galãs Feios:
CPI ouviria Tolentino, mas vai ouvir
motoboy da Vtclog, Ivanildo Gonçalves ...... Aqui.

O FURACÃO COVID-19 CONTINUA A VARRER OS EUA, MAS...

                                              - ... É TUDO ONDA!

Jeff Koterba. (EUA). 

O NOVO TOTALITARISMO HÍBRIDO NARCO-MILITAR-MIDIÁTICO NO FILME "A DITADURA PERFEITA"

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Adverte o crítico: "Se o leitor encontrar no filme qualquer semelhança com a realidade política brasileira NÃO é mera coincidência."
Ao que olhamos essa nebulosidade trágica e concluímos: 'Improvável, tudo por aqui anda além da imaginação."
  

Por Wilson Ferreira

Quando falamos em ditaduras, logo imaginamos um governo totalitário que suspende as liberdades individuais e o Estado de Direito mantendo uma nação subjugada por um forte aparato repressivo policial e militar. Essa é uma ditadura clássica, mas não perfeita, porque ainda necessita do terror, violência e censura e a mídia é o seu maior inimigo. No filme mexicano “A Ditadura Perfeita” (“La Dictadura Perfecta”, 2014, disponível na Netflix) encontramos o estado da arte de uma ditadura híbrida e perfeita, sob o véu da democracia formal, fundada na relação promíscua entre grande mídia, políticos, narcotráfico e Forças Armadas. Uma sátira mordaz da política do México na qual a gestão dos meios de comunicação e dos escândalos de corrupção fazem eleger qualquer presidente que a aliança narco-militar-midiática queira. Se o leitor encontrar no filme qualquer semelhança com a realidade política brasileira NÃO é mera coincidência.  

William Bonner, âncora do Jornal Nacional da Globo, liga para o ministro do STF Gilmar Mendes, no celular, e pergunta: “Vai decidir alguma coisa importante hoje? Mando ou não mando um repórter?” E o ministro responde: “Depende... Se você mandar o repórter, eu decido alguma coisa importante”. Quem faz esse relato é o professor da USP Clóvis de Barros, no livro “Devaneios Sobre a Atualidade do Capital”. 

Começo da noite do domingo. Sai o resultado final das eleições municipais de São Paulo de 2020: ganha Bruno Covas, do PSDB, que naquele momento se dirigia ao diretório do partido para uma coletiva com a imprensa. O apresentador Cesar Tralli está ao vivo na Globo e num link conversa com o repórter que está no local onde ocorrerá a coletiva. Todos estão ansiosos à espera do novo prefeito. Dos estúdios, Tralli tranquiliza: “ele me mandou um whatsapp para mim dizendo que já está chegando...”.

Dois pequenos flagrantes das relações promíscuas entre a grande mídia e os acontecimentos políticos, aquilo que este humilde blogueiro (acompanhando Neil Gabler) chama de Efeito Heisenberg: a mídia não cobre mais a realidade, mas o efeito que a cobertura extensiva cria na realidade – o cálculo de Gilmar Mendes atrair as lentes das câmeras e a preocupação de Bruno Covas cumprir o timing da grade horária da Globo – sobre esse conceito, clique aqui. 

Esse seria, por assim dizer, o pecado original da chamada sociedade do espetáculo: a realidade foi seduzida pela onipresença das mídias, resultando numa negação consciente do real – os agentes sociais começam a colocar a realidade em suspensão ao agirem pragmaticamente: do lado dos agentes, a busca por visibilidade midiática ao produzir acontecimentos (ou pseudo-eventos) para fins propagandísticos, estratégicos, timing etc.; e do lado das mídias, a busca por conteúdos noticiosos e altos índices de audiência. 

É sobre essa promiscuidade e a sedução da realidade (política, econômica etc.) como forma de manipulação política que trata o tragicômico filme mexicano A Ditadura Perfeita (La Dictadura Perfecta, 2014), dirigida por Luis Estrada. O diretor já era conhecido por criticar o sistema político do país através da sátira com seu filme anterior El Infierno sobre a guerra das autoridades mexicanas com os cartéis de drogas.

Apenas que dessa vez Estrada não deixa espaço para redenções: o título já informa o conceito central do filme – no passado, as ditaduras eram regimes totalitários que ocultavam a tortura e violência sob o véu da censura e da invisibilidade. Jornalistas e mídias eram seus inimigos. Hoje, elas são perfeitas porque, ao contrário, buscam visibilidade através da aliança com a grande mídia. Agora, o véu da ocultação é a Democracia liberal no seu aspecto mais formal: eleições, partidos, propaganda política, governos eleitos etc. 

Formalmente tudo parece democrático porque é visível midiaticamente. Apenas que o véu oculta uma outra realidade: a promiscuidade entre jornalistas, repórteres, produtores, diretores e executivos da grande mídia com essa democracia formal. Em síntese, a guerra híbrida de informações: conjunto de operações psicológicas baseadas em estratégias de distração, sentimentalismo, medo e discurso infantilizado.

A Ditadura Perfeita parece uma versão estendida (2h e 23min) de dois filmes clássicos dos anos 1990 que de forma seminal trataram dessas relações híbridas da grande mídia com a política: O Quarto Poder, de Costa-Gavras (a forma como um repórter manipula os acontecimentos de um sequestro num museu para elevar a audiência da emissora no horário nobre) e Mera Coincidência, de Barry Levinson (para distrair a opinião pública do escândalo sexual do presidente, um RP do governo e a  grande mídia inventam uma guerra).




Crianças sequestradas, prostitutas e narcotraficantes proliferam no filme, construindo uma teia de relações cínicas (e com muito humor negro) envolvendo militares, políticos e os agentes do conglomerado de comunicações mexicano.

O Filme

Logo na primeira sequência acompanhamos uma gigantesca gafe diplomática cometida pelo presidente (Sergio Mayer) que é uma impagável mix do narcisismo de Collor de Mello (vitorioso nas eleições brasileiras de 1989) com a personalidade limítrofe de Bolsonaro: diante do embaixador dos EUA ele defende que os EUA deveriam relaxar as fronteiras com o México porque os mexicanos fazem qualquer trabalho melhor do que os negros americanos. Detalhe: o presidente dos EUA naquele momento é Obama...

O “El Presidente” que ocupa o Palácio de Los Pinos foi o resultado de uma aliança da TV MX (emulando a Televisa, o maior conglomerado de comunicação do país) e as Forças Armadas. Agora, vive às turras com as constantes gafes do presidente em rede nacional. 

Diante dessa última, a mais grave (com enorme repercussão nas redes sociais), o diretor da TV decide criar um acontecimento para desviar a atenção do povo. Um general entrega à TV um vídeo comprometedor de corrupção envolvendo o governador Carmelo Vargas (Damián Alcázar) – um escroque envolvido até a medula com milícias e cartéis de narcotráfico. O vídeo e a denúncia explodem a audiência da emissora e, junto, a imagem do governador.




Desesperado para salvar seu futuro político, Vargas decide fechar um acordo secreto com a própria emissora que o denunciou para mudar sua imagem e torná-lo a nova estrela política presidenciável do país. São encarregados para a missão Carlitos (Alfonso Herrera), um ambicioso produtor de televisão e Ricardo Diaz (Osvaldo Benavides), o principal repórter da emissora. No entanto, para lançar esse possível novo candidato à presidência a qualquer custo, a situação pode acabar fugindo do controle.

Principalmente quando no calcanhar de Carmelo Vagas está um idealista líder da oposição, o deputado Agustín Morales (Dagoberto Gama) que pedirá renúncia no Congresso pelas graves provas que comprometem o governador. 

Só que as ações organizadas para modificar a percepção do público do político corrupto enfrentam um sério problema: a cada momento ele apronta uma grande besteira como, por exemplo, assassinar desafetos políticos. O que só dificulta a vida do produtor Carlitos.

Tamanho acúmulo de problemas exige a criação de um grande pseudo-evento para distrair a opinião pública. 

Duas pequenas gêmeas são sequestradas, aproveitando-se do descuido da babá. A informação chega à Procuradoria de Justiça do Estado, onde a equipe da TV MX decide aproveitar-se da situação para manter a notícia no ar em contínuos segmentos no horário nobre durante vários dias. Fingindo interesse e sempre roubando o foco das câmeras, Carmelo Vargas finge interesse no drama do sequestro e pessoalmente organiza buscas, sempre roteirizadas pelo produtor Carlitos, dando dicas para os melhores ângulos e falas ao governador.

Enquanto isso, a TV MX firma um acordo de exclusividade com os pais das gêmeas sequestradas. Chegando ao limite de contraírem uma alta dívida com o próprio banco do conglomerado de comunicação para complementar o pagamento do resgate exigido pelos sequestradores.

 



Enquanto isso, uma série de arbitrariedades ocorrem nos bastidores: o deputado da oposição é assassinado, Carlito manipula o sequestro para ser estendido, garantindo audiência e a operação psicológica de distração – o que eles denominam como estratégia da “Caixa Chinesa”.

O sequestro conquista o noticiário nacional, junto com uma telenovela estelar da emissora chamada “Os Pobres Também Amam”, criando uma curiosa dobradinha: o sequestro é sistematicamente roteirizado pelo produtor Carlitos seguindo a linguagem e timing melodramático da telenovela canastrona.

É flagrante a centralidade da TV MX nos acontecimentos políticos acompanhados pelo filme. 

Os meios de comunicação possuem duas funções bem claras dentro do sistema social: o modo reprodução (o cotidiano reforço de valores, como, p. ex., a meritocracia, empreendedorismo, o valor moral do trabalho, respeito à lei, à vida etc.) e o modo alarme (quando por algum motivo esses valores estão em risco).

Normalmente esses dois modos não se sobrepõem, funcionam de modo alternado. A virtude de A Ditadura Perfeita é mostrar que num contexto de guerra híbrida (quando um sistema político de ocupação do Estado estabelece relações promíscuas com a grande mídia para gerir operações psicológicas) esses dois modos atuam simultaneamente para criar caos de informações (guerra semiótica criptografada) e dissonância cognitiva na sociedade.

O primeiro efeito é a distração: os graves problemas econômicos nacionais como a disparada inflacionária e a queda da bolsa de valores são colocados em segundo plano pelo telejornal de rede nacional da TV MX - o “Jornal Nacional” mexicano. A telenovela e o drama do sequestro das pequenas gêmeas (sob o protagonismo heroico de Carmelo Vargas) ocupam quase toda a pauta do noticiário.

O eufemismo entra em ação para aumentar ainda mais o efeito diversionista: p. ex., a queda da bolsa é definida como “movimento estratégico para baixo”, para minimizar a gravidade econômica e fazer a atenção dos telespectadores se concentrar unicamente nos gestos heroicos do governador.




Medo e infantilização – alerta de spoilers à frente

O segundo efeito é a infantilização da audiência através da estratégia de canastrice política – os acontecimentos são reportados (ou mesmo roteirizados) dentro da mesma linguagem ficcional ou teledramatúrgica (mocinhos, vilões, plot twists, suspense, desenlace, final feliz etc.) para criar formas infantis de gratificação psíquica para a audiência. Paradoxalmente, quando mais a realidade se aproximar da ficção, mais se tornará verossímil. Por exemplo, a canastrona figura do governador Carmelo Vargas emula os galãs do melodrama “Os Pobres Também Amam”. 

Pavimentando o seu caminho para a presidência da república. Não é para menos que, no final, o vemos eleito presidente e tendo como primeira-dama a estrela da telenovela da TV MX.

A infantilização da audiência não se trata apenas do emburrecimento da opinião pública pelo desvio da atenção. Para o pesquisador alemão da chamada “esquerda freudiana”, Fritz Haug, o complemento imaginário da dominação política é o medo, criado pelo sentimento de culpa – variedade tópica do medo na infância – Veja MARCONDES FILHO, Ciro, A linguagem da Sedução, Perspectiva, 1988.

A Ditadura Perfeita mostra o cotidiano miserável da população, sob o domínio de violentas milícias que prestam serviços ao narcotráfico. Seu único entretenimento está no monopólio das comunicações da TV MX que controla o imaginário da população que vê nas telas uma realidade política que reproduz a mesma lógica ficcional de “Os Pobres Também Amam”. Se a vida vai mal, a culpa só pode ser do telespectador, provavelmente por não ter se esforçado o suficiente para poupar ou conseguir o sucesso profissional para consumir tudo aquilo que é oferecido no intervalo publicitário da telenovela.

Dessa forma a introjeção infantil do sentimento de culpa cria a base imaginária perfeita para a dominação política.

O final do filme lembra a mesma conclusão de outra produção mexicana: Nuevo Orden (2020) – nos bastidores está a aliança secreta entre as Forças Armadas, o narcotráfico e o monopólio das comunicações. O próprio general que levou a prova da corrupção contra o governador Carmelo Vargas, no início do filme, liderou o sequestro das gêmeas. Parte de uma ampla operação psicológica para os eleitores apoiarem o novo candidato à presidência que mantenha o status quo. Sob a aparência de que as coisas estão mudando – a ilusão de que as instituições funcionam sob uma democracia formal.

Como declara o produtor da TV MX, Carlito, “fizemos esse presidente. E não há razão para que também não possamos fazer outro com o Carmelo Vargas”.  -  (Fonte: Cinegnose - Aqui).

 

Ficha Técnica 

Título: A Ditadura Perfeita

Diretor: Luis Estrada

Roteiro: Luis Estrada, Jaime Sampietro

Elenco: Alfonso Herrera, Osvaldo Benavides, Dagoberto Gama, Damián Alcázar, Sergio Mayer

Produção: Bandidos Filmes, Eficine 226, Estudios Churubascos Asteca

Distribuição:  Netflix

Ano: 2014

País: Brasil

 

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